<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><FictionBook xmlns="http://www.gribuser.ru/xml/fictionbook/2.0" xmlns:l="http://www.w3.org/1999/xlink"><description><title-info><genre>antique</genre><author><first-name>GOLDING</first-name><middle-name>,</middle-name><last-name>WILLIAM</last-name></author><book-title>O senhor das moscas</book-title><coverpage><image l:href="#cover"/></coverpage><lang>pt</lang><sequence name="Romance" number="30"/></title-info><document-info><author><first-name>GOLDING</first-name><middle-name>,</middle-name><last-name>WILLIAM</last-name></author><program-used>calibre 0.9.27, fb2cut 2.5.4, fb2cut 2.6.2</program-used><date>16.4.2013</date><id>400b3ad9-0d5b-472d-85e8-25a458517621</id><version>1.0</version></document-info></description><body><section><p><strong><image l:href="#1"/></strong></p></section><section><p>� 1954, by William Golding.</p><empty-line/><p>
  � desta edi��o, 2011, by Editora Nova Fronteira Participa��es. Direitos de edi��o da obra em l�ngua portuguesa adquiridos pela Editora Nova Fronteira Participa��es S.A. Todos os direitos reservados.</p><p>Coordena��o: Daniel Louzada</p><p>Conselho editorial: Daniel Louzada, Frederico Indiani,</p><empty-line/><p>
  Leila Name, Maria Cristina Antonio Jeronimo</p><p>Projeto gr�fico de capa e miolo: Leandro B. Liporage</p><empty-line/><p>
  Ilustra��o de capa: C�ssio Loredano</p><empty-line/><p>
  Diagrama��o: Filigrana</p><empty-line/><p>
  Convers�o para e-book: Celina Faria e Leandro B. liporage</p><p>Equipe editorial Nova Fronteira: Shahira Mahmud, Adriana Torres, Claudia Ajuz, Gisele Garcia</p><p>Prepara��o de originais: Gustavo Penha, Jos� Grillo,</p><empty-line/><p>
  Luiz Alberto Monjardim</p><p>CIP-Brasil. Cataloga��o na fonte</p><empty-line/><p>
  Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ</p><p>G571s</p><empty-line/><empty-line/><p>
  Golding, William, 1911-1993</p><empty-line/><p>
  O senhor das moscas / William Golding ; apresenta��o Santiago Nazarian ; tradu��o Geraldo Galv�o Ferraz. - [Ed. especial]. - Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2011.</p><empty-line/><p>
  (Saraiva de bolso)</p><empty-line/><empty-line/><p>
  Tradu��o de: Lord of the flies</p><empty-line/><p>
  ISBN 9788520928776</p><empty-line/><empty-line/><p>
  1. Sobreviv�ncia ap�s acidentes a�reos, naufr�gios, etc. Fic��o. 2. Romance ingl�s. I. Ferraz, Geraldo Galv�o. II. T�tulo. III. S�rie.</p><empty-line/><empty-line/><p>
  CDD: 823</p><empty-line/><p>
  CDU: 821.111-3</p></section><section><p><strong>Apresenta��o</strong></p><p><strong>A for�a, a intelig�ncia e o carisma</strong></p><p>O para�so perdido, a volta �s origens, o fim da civiliza��o. Hist�rias de n�ufragos sempre trazem temas como esses e mexem com imagens do inconsciente coletivo. Parece que a ideia de se encontrar perdido numa ilha deserta j� est� dentro de n�s, muito antes de tomarmos conhecimento de Robinson Cruso� ou pegarmos A lagoa azul numa Sess�o da Tarde (bem, agora as novas gera��es t�m ainda a s�rie Lost, n�o �?). Quando William Golding pisou nesse terreno, em 1953, j� n�o era algo novo na fic��o, ainda assim, ele conseguiu lidar com todo o simbolismo da trama de naufr�gio e lev�-la a uma dimens�o psicol�gica a que poucos chegaram.</p><empty-line/><p>
  N�o estamos sozinhos. Essa seria a grande mensagem por tr�s de O senhor das moscas, com todas as suas implica��es. Atrav�s do isolamento numa ilha, um grupo de meninos tem a dura tarefa de aceitar que, de fato, eles s�o um grupo. De que existe sim o outro e que esse tamb�m pode ser visto como o invasor, o �bicho�, aquele que vem de fora para limitar suas liberdades e testar suas selvagerias. Por tudo isso, O senhor das moscas � afinal um romance interno, um thriller psicol�gico, em que o cen�rio � apenas um palco, convidando a natureza humana a se manifestar plenamente. No atual momento em que vivemos � do isolamento do indiv�duo na metr�pole, de rompimento das rela��es tradicionais entre as pessoas � � especialmente interessante ver a quest�o do individualismo levada de volta �s origens. Parece que tudo mudou e, ainda assim, nada � diferente. Nos faz pensar como a natureza humana pode se manifestar de forma semelhante, em situa��es t�o diversas.</p><empty-line/><p>
  Em O senhor das moscas, essa natureza � dividida em tr�s conceitos � a for�a, o carisma e a intelig�ncia �, representados respectivamente por tr�s personagens � Jack, Ralph e Porquinho. Existe ainda um quarto personagem, que seria a jun��o desses tr�s aspectos anteriores, e que poder�amos chamar de �o G�nio�, e � exatamente esse que p�de trazer o t�tulo do romance. Na dramatiza��o da natureza humana, esses personagens-conceito se alternam e medem suas for�as. Caminham para a destrui��o m�tua ou a harmonia? Conseguem viver isolados, precisam de coopera��o ou um acaba se sobrepondo aos demais? S�o essas as perguntas propostas ao decorrer de O senhor das moscas. E a pergunta pessoal que eu, durante a leitura, muitas vezes me fiz �: �Com quem est� a minha concha?� Qual desses tr�s personagens tem a voz ativa em minhas pr�prias a��es, qual deles eu estou disposto a ouvir?</p><empty-line/><p>
  C� entre n�s, confesso que ao ler o livro a maior vontade que tive foi de quebrar os �culos de Porquinho e tir�-lo de vez do p�reo (hah�). Ser� essa uma demonstra��o da minha grande falha de car�ter? Ser� que o autor, como artista, realmente n�o favoreceu o personagem da beleza/carisma? Ou ser� que parte da beleza da obra est� a�, em dar ao leitor a possibilidade de escolher seu pr�prio her�i?</p><empty-line/><p>
  Isso � voc� quem vai descobrir, ao fazer sua escolha. Cada um poder� decidir se o melhor � se isolar por prote��o, curtir a natureza ou colocar fogo na floresta. Uma coisa eu tenho certeza: voc� vai adorar se perder com esses personagens. Vai querer passar mais tempo com eles, assim como eu quis. E � isso o que uma boa leitura pode proporcionar de mais gostoso � ainda que, provavelmente, O senhor das moscas ser� o �ltimo livro que voc� vai querer levar para uma ilha deserta.</p><p><emphasis>Santiago Nazarian</emphasis></p></section><section><p><emphasis>A minha m�e e meu pai</emphasis></p></section><section><p><strong>1</strong></p><empty-line/><p><strong>
  A voz da concha</strong></p><p>O menino louro deixou-se escorregar ao p� da rocha e avan�ou rumo � lagoa. Havia tirado o su�ter da escola e o carregava agora na m�o, mas a camisa cinza estava colada no seu corpo e os cabelos aderiam � sua testa. Em torno dele, um banho de calor: a ampla cicatriz aberta na selva. Avan�ou com dificuldade por entre trepadeiras e troncos quebrados. Foi quando um p�ssaro, uma vis�o de vermelho e amarelo, faiscou, subindo, com um grito de bruxo. Grito que foi ecoado por outro.</p><empty-line/><p>
  � Ei! � dizia. � Espere um pouco!</p><empty-line/><p>
  Os arbustos rasteiros se agitaram, ao lado da escarpa; caiu uma multid�o de gotas de chuva, tamborilantes.</p><empty-line/><p>
  � Espere um pouco � a voz repetiu. � Fiquei preso.</p><empty-line/><p>
  O menino louro parou e puxou as meias com um gesto autom�tico, e a selva, por um instante, fez-se um lugar muito familiar.</p><empty-line/><p>
  A voz falou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Mal posso me mexer com essas trepadeiras.</p><empty-line/><p>
  O dono da voz apareceu, retrocedendo por entre os arbustos, deixando os espinhos riscarem um blus�o sujo. As r�tulas gorduchas dos joelhos tamb�m estavam espetadas por espinhos. Ele se abaixou, tirou cuidadosamente os espinhos e se virou. Era mais baixo que o menino louro e muito gordo. Avan�ou, procurando p�r os p�s em lugar seguro e, ent�o, deu uma olhada pelos �culos grossos.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� o homem do megafone?</p><empty-line/><p>
  O menino louro balan�ou a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Isto � uma ilha. Pelo menos, acho que �. H� recifes no mar. Talvez n�o haja nenhum adulto aqui.</p><empty-line/><p>
  O menino gordo parecia espantado.</p><empty-line/><p>
  � Mas havia aquele piloto. E ele n�o estava na cabina de passageiros, ficou l� na frente.</p><empty-line/><p>
  O menino louro, apertando os olhos, examinava o recife.</p><empty-line/><p>
  � Todos aqueles meninos � continuou o gordinho �, entre eles deve haver alguns que escaparam. Deve mesmo, n�o �?</p><empty-line/><p>
  O menino louro come�ou a andar do modo mais casual poss�vel rumo � �gua. Tentava agir normalmente e n�o parecer desinteressado demais, mas j� o menino gordo corria atr�s dele.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� nenhum adulto aqui?</p><empty-line/><p>
  � Acho que n�o.</p><empty-line/><p>
  O menino louro disse isso em tom solene, mas a� o prazer de uma ambi��o afinal realizada tomou conta dele. No meio da clareira, plantou uma bananeira e fez uma careta para o menino gordo, de cabe�a para baixo.</p><empty-line/><p>
  � Nenhum adulto!</p><empty-line/><p>
  O menino gordo pensou um instante.</p><empty-line/><p>
  � O piloto.</p><empty-line/><p>
  O menino louro mergulhou os p�s na areia e se sentou no ch�o quente.</p><empty-line/><p>
  � Ele deve ter continuado depois de nos deixar. N�o podia aterrissar aqui. N�o com aquelas rodas.</p><empty-line/><p>
  � Ele foi atacado!</p><empty-line/><p>
  � Voltar� mais tarde!</p><empty-line/><p>
  O menino gordo balan�ou a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Quando est�vamos descendo, olhei por uma das janelas. Vi a outra parte do avi�o. Estava pegando fogo.</p><empty-line/><p>
  Olhou para a encosta, de cima a baixo.</p><empty-line/><p>
  � E foi isso que aconteceu com a cabina.</p><empty-line/><p>
  O menino louro estendeu a m�o e tocou a ponta �mida de um tronco. Por um momento, mostrou-se interessado.</p><empty-line/><p>
  � Mas que aconteceu? � perguntou. � Onde est� agora?</p><empty-line/><p>
  � Aquela tempestade levou-o para o mar. A queda n�o deve ter sido t�o perigosa com todos esses troncos de �rvores. Acho que ainda havia alguns dos nossos l� dentro.</p><empty-line/><p>
  O menino gordo hesitou por um instante, depois falou novamente.</p><empty-line/><p>
  � Como se chama?</p><empty-line/><p>
  � Ralph.</p><empty-line/><p>
  O menino gordo ficou esperando que o outro perguntasse seu nome, mas esse sinal de intimidade n�o foi feito; o menino louro chamado Ralph sorriu vagamente, levantou-se e come�ou a andar outra vez rumo � lagoa. O menino gordo segurou-o pelo ombro com firmeza.</p><empty-line/><p>
  � Acho que h� uma por��o dos nossos espalhados por a�. Voc� n�o viu nenhum dos outros, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu a cabe�a e apressou o passo. Trope�ou num galho e caiu ruidosamente.</p><empty-line/><p>
  O menino gordo parou perto dele, arquejando.</p><empty-line/><p>
  � Minha tia disse-me para n�o correr � explicou. � � por causa da minha asma.</p><empty-line/><p>
  � Asma?</p><empty-line/><p>
  � Pois �. Fico sem ar. Eu era o �nico aluno da escola que tinha asma � disse o menino gordo com um toque de orgulho. � E uso �culos desde os tr�s anos.</p><empty-line/><p>
  Tirou os �culos e os estendeu a Ralph, piscando e sorrindo; depois, come�ou a esfreg�-los no blus�o sujo. Os p�lidos tra�os do rosto foram alterados por uma express�o de dor e concentra��o �ntima. Enxugou o suor da cara e colocou novamente os �culos no nariz.</p><empty-line/><p>
  � Deve haver frutas.</p><empty-line/><p>
  Olhou em volta.</p><empty-line/><p>
  � Deve haver frutas � disse. � Espero...</p><empty-line/><p>
  Arrumou os �culos, afastou-se de Ralph e se enfiou, agachado, pela folhagem emaranhada.</p><empty-line/><p>
  � Voltarei num minuto...</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se cuidadosamente e meteu-se por entre os ramos. Em poucos segundos, deixava para tr�s os arquejos do menino gordo e corria na dire��o das �rvores ainda entre ele e a lagoa. Subiu num tronco quebrado: e estava fora da selva.</p><empty-line/><p>
  A praia era toda enfeitada de palmeiras. Erectas, obl�quas ou reclinadas contra a luz, suas palmas verdes estavam a trinta metros de altura. Sob elas, o ch�o arenoso era coberto de mato, todo dilacerado pelas ra�zes das �rvores tombadas, cheio de cocos apodrecidos e rebentos de palmeira. Al�m, era a escurid�o da floresta e o espa�o aberto do desfiladeiro. Ralph parou, encostou a m�o num tronco cinzento e, cerrando os olhos, fixou a �gua brilhante. L� longe, talvez a mais de um quil�metro, a arrebenta��o alvejava num recife de coral; al�m, o mar aberto e azul escuro. Dentro do arco irregular de coral, a lagoa era calma como um lago de montanha � azul de todos os tons, verde de sombra e violeta-escarlate. A praia entre a cobertura de palmeiras e a �gua era como um fino aro de barril, aparentemente infinito, pois � esquerda de Ralph a vis�o de palmeiras, praia e �gua continuava indefinidamente. E sempre, quase vis�vel, o calor.</p><empty-line/><p>
  Desceu do tronco onde estava. A areia grossa cobriu seus sapatos pretos e o calor atingiu-o. Teve consci�ncia do peso das roupas, chutou desafiadoramente os sapatos para longe e arrancou as meias e as ligas el�sticas num s� movimento. Subiu de novo, tirou a camisa e ficou ali, entre os cocos semelhantes a caveiras e as verdes sombras das palmeiras, sentindo na pele o fremir da floresta. Afrouxou o cinto, que o prendia como uma cobra, tirou a cal�a e a cueca; ficou nu, olhando para a praia ofuscante e para a �gua.</p><empty-line/><p>
  Tinha idade suficiente, aos 12 anos e alguns meses, para ter perdido a barriga proeminente da inf�ncia, mas ainda n�o chegara � deseleg�ncia da adolesc�ncia. Podia-se ver agora que parecia um pugilista, ao menos pela largura e solidez dos ombros, mas a suavidade da boca e dos olhos demonstrava brandura. Bateu de leve no tronco de palmeira e, for�ado a acreditar afinal na realidade da ilha, riu com gosto outra vez e plantou outra bananeira. Voltou a ficar de p�, agilmente, desceu para a praia, ajoelhou-se e lan�ou um duplo punhado de areia no peito. Sentou-se e ficou olhando para a �gua com olhos brilhantes e excitados.</p><empty-line/><p>
  � Ralph...</p><empty-line/><p>
  O menino gordo desceu do arvoredo e se sentou cuidadosamente, usando a beirada como assento.</p><empty-line/><p>
  � Desculpe ter demorado. As frutas...</p><empty-line/><p>
  Limpou os �culos e colocou-os no nariz de bot�o, onde a arma��o sulcara um �V� profundo e rosado. Olhou criticamente para o corpo dourado de Ralph e, depois, seus olhos voltaram-se para suas roupas. Levou a m�o � ponta de um z�per que cruzava seu peito.</p><empty-line/><p>
  � Minha tia...</p><empty-line/><p>
  Abriu o z�per com decis�o e lan�ou o blus�o por cima da cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Pronto!</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou-o de lado, sem dizer nada.</p><empty-line/><p>
  � Acho que seria bom sabermos os nomes de todos e fazer uma lista. Dever�amos fazer uma reuni�o � disse o menino gordo.</p><empty-line/><p>
  Ralph n�o aproveitou a deixa e o menino gordo foi obrigado a continuar.</p><empty-line/><p>
  � N�o me importo como me chamem � disse confidencialmente �, desde que n�o me chamem do mesmo jeito que na escola.</p><empty-line/><p>
  Ralph interessou-se levemente.</p><empty-line/><p>
  � Como era?</p><empty-line/><p>
  O menino gordo deu uma olhadela por sobre o ombro, depois inclinou-se para Ralph.</p><empty-line/><p>
  E cochichou.</p><empty-line/><p>
  � Me chamavam de �Porquinho�.</p><empty-line/><p>
  Ralph explodiu numa gargalhada. Levantou-se num salto.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho! Porquinho!</p><empty-line/><p>
  � Ralph... por favor!</p><empty-line/><p>
  Porquinho esfregava as m�os, de tanto desespero.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse que n�o queria...</p><empty-line/><p>
  � Porquinho! Porquinho!</p><empty-line/><p>
  Ralph dan�ava no ar quente da praia: aproximou-se de Porquinho e metralhou-o, como um avi�o de ca�a, de asas em �V�.</p><empty-line/><p>
  � Ta-ta-ta-tata!</p><empty-line/><p>
  Mergulhou na areia aos p�s de Porquinho e ficou ali, morrendo de rir.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho!</p><empty-line/><p>
  Porquinho deu um sorriso amarelo, mas contente � apesar de tudo � com essa aten��o.</p><empty-line/><p>
  � Contanto que voc� n�o conte aos outros...</p><empty-line/><p>
  Ralph ria na areia. A express�o de dor e concentra��o voltou ao rosto de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Um instante.</p><empty-line/><p>
  Correu de volta � floresta. Ralph levantou-se e l� se foi para o lado direito.</p><empty-line/><p>
  Ali, a praia era interrompida abruptamente pelo elemento principal da paisagem: uma grande plataforma de granito rosado metia-se firmemente pela floresta, pelas palmeiras, pela areia e pela lagoa, at� formar uma eleva��o pedregosa de mais de um metro de altura. Coberta por uma fina camada de terra e mato, era sombreada por pequenas palmeiras. N�o havia terra suficiente para que as palmeiras crescessem muito e, quando atingiam no m�ximo uns seis metros, ca�am e secavam, formando um emaranhado compacto de troncos, excelente para sentar. As palmeiras que ainda estavam de p� faziam um teto verde, e, ali, a parte inferior das palmas era coberta com os coruscantes reflexos da lagoa. Ralph al�ou-se at� a plataforma, percebeu a sombra e o frescor, fechou um olho, acabou decidindo que as sombras no seu corpo eram mesmo verdes. Avan�ou para a ponta da plataforma que entrava pelo mar e ficou ali, olhando �gua adentro: clara at� o fundo, a �gua brilhava com a efloresc�ncia do coral e das algas tropicais. Um cardume de peixinhos faiscantes luzia aqui e ali. Ralph falou consigo, fazendo soar os tons graves do prazer.</p><empty-line/><p>
  � Uizz�!</p><empty-line/><p>
  Al�m da plataforma havia outros encantos. Algum ato de Deus � talvez um tuf�o, ou a tempestade que acompanhara a sua chegada � amontoara areia dentro da lagoa, de modo que havia uma comprida e profunda extens�o de �gua, uma �piscina� na praia, com uma alta sali�ncia de granito rosado na ponta mais distante. Ralph j� fora enganado antes pela aparente profundidade dessas po�as na praia e aproximou-se dessa j� preparado. Mas a ilha confirmou ainda uma vez suas virtudes e a incr�vel �piscina� que, evidentemente, s� era invadida pelo mar com a mar� alta, mostrou-se t�o profunda numa das extremidades que chegava a ser verde escura. Ralph verificou cuidadosamente os trinta metros e ent�o mergulhou. A �gua estava mais quente que o seu corpo e era como se nadasse numa enorme banheira.</p><empty-line/><p>
  Porquinho apareceu de novo, sentou-se na sali�ncia rochosa e olhou com inveja para o corpo verde e branco de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Voc� nada bem.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Porquinho tirou os sapatos e as meias, arrumou-os cuidadosamente na pedra e experimentou a �gua com o p�.</p><empty-line/><p>
  � Est� quente!</p><empty-line/><p>
  � O que esperava?</p><empty-line/><p>
  � Eu n�o esperava nada. Minha tia...</p><empty-line/><p>
  � Mande essa tia pro inferno!</p><empty-line/><p>
  Ralph mergulhou e nadou embaixo da �gua de olhos abertos; a beirada arenosa da po�a subia como se fosse uma colina. Virou-se, segurando o nariz; uma luz dourada dan�ou e estilha�ou-se junto ao seu rosto. Porquinho parecia ter tomado uma decis�o e come�ou a tirar a cueca. Agora estava nu � uma nudez p�lida e obesa. Desceu, na ponta dos p�s, pelo extremo arenoso da po�a e se sentou ali, com �gua at� o pesco�o, sorrindo orgulhosamente para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o vai nadar?</p><empty-line/><p>
  Porquinho balan�ou a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � N�o posso. N�o me deixam. Minha asma...</p><empty-line/><p>
  � Mande a asma para o inferno!</p><empty-line/><p>
  Porquinho aguentou isso com uma esp�cie de paci�ncia humilde.</p><empty-line/><p>
  � Voc� nada bem mesmo.</p><empty-line/><p>
  Ralph deu umas bra�adas, mergulhou a cabe�a e lan�ou um jato de �gua para o ar. Levantou o rosto e falou.</p><empty-line/><p>
  � Eu j� sabia nadar com cinco anos. Meu pai me ensinou. � capit�o da Marinha. Quando tiver uma licen�a ele vir� nos salvar. E o seu pai, o que �?</p><empty-line/><p>
  Porquinho corou, de repente.</p><empty-line/><p>
  � Meu pai morreu � disse rapidamente �, e minha m�e...</p><empty-line/><p>
  Tirou os �culos e procurou inutilmente alguma coisa com que limpar as lentes.</p><empty-line/><p>
  � Eu morava com minha tia. Ela tem uma confeitaria. Eu costumava comer doces o dia todo. Tantos quanto eu quisesse. Quando seu pai vir� nos salvar?</p><empty-line/><p>
  � Assim que puder.</p><empty-line/><p>
  Porquinho levantou-se, pingando, e ficou de p�, nu, limpando os �culos com uma meia. O �nico som que os alcan�ava agora, atrav�s do calor da manh�, era o longo e triturante rugido da arrebenta��o nos recifes.</p><empty-line/><p>
  � Como ele sabe que estamos aqui?</p><empty-line/><p>
  Ralph estendeu-se na �gua. O sono invadiu-o como as miragens envolventes que lutavam com o brilho da lagoa.</p><empty-line/><p>
  � Como ele sabe que estamos aqui?</p><empty-line/><p>
  Sabendo, pensou Ralph, sabendo, sabendo. O rugido dos recifes tornou-se muito distante.</p><empty-line/><p>
  � Disseram pra ele no aeroporto.</p><empty-line/><p>
  Porquinho abanou a cabe�a, colocou os �culos cintilantes e baixou o olhar at� Ralph.</p><empty-line/><p>
  � N�o disseram. Voc� n�o ouviu o que o piloto disse? Sobre a bomba at�mica? Est�o todos mortos.</p><empty-line/><p>
  Ralph saiu da �gua e ficou fixando Porquinho, enquanto pensava nesse problema in�dito.</p><empty-line/><p>
  Porquinho insistiu.</p><empty-line/><p>
  � Isto � uma ilha, n�o �?</p><empty-line/><p>
  � Subi numa pedra � disse Ralph lentamente �, e acho que isto aqui � uma ilha.</p><empty-line/><p>
  � Morreram todos � disse Porquinho �, e isto � uma ilha. Ningu�m sabe que estamos aqui. Seu pai n�o sabe, ningu�m sabe...</p><empty-line/><p>
  Seus l�bios tremeram e os �culos emba�aram-se de umidade.</p><empty-line/><p>
  � Vamos ficar aqui at� morrer.</p><empty-line/><p>
  O calor parecia aumentar com essas palavras at� se tornar um peso amea�ador, e a lagoa agredia-os com seu esplendor ofuscante.</p><empty-line/><p>
  � Vou pegar minha roupa � murmurou Ralph. � L� longe.</p><empty-line/><p>
  Correu pela areia, suportando a hostilidade do sol, atravessou a plataforma e achou suas roupas espalhadas. P�r de novo a camisa cinzenta foi estranhamente agrad�vel. Depois, subiu pela beira da plataforma e se sentou num tronco apropriado sob a sombra verde. Porquinho tamb�m trepou, carregando sob os bra�os a maior parte das suas roupas. Depois, sentou-se cuidadosamente num tronco ca�do perto da pequena sali�ncia que havia frente � lagoa e os reflexos coruscantes fremiram sobre ele.</p><empty-line/><p>
  Voltou a falar.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos achar os outros. Precisamos fazer alguma coisa.</p><empty-line/><p>
  Ralph n�o respondeu. Era uma ilha de coral. Protegido do sol, ignorando a conversa cheia de maus agouros de Porquinho, sonhava prazerosamente.</p><empty-line/><p>
  Porquinho insistiu.</p><empty-line/><p>
  � Quantos dos nossos h� por aqui?</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se e se aproximou de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei.</p><empty-line/><p>
  Aqui e ali, a brisa encrespava as �guas polidas, sob a n�voa do calor. Quando essas pequenas lufadas atingiam a plataforma, as frondes das palmeiras sussurravam e manchas de luz solar deslizavam pelos corpos ou se moviam na sombra como coisas brilhantes e aladas.</p><empty-line/><p>
  Porquinho olhou para Ralph. Todas as sombras no rosto de Ralph estavam invertidas; o verde em cima, o brilho da lagoa embaixo. Um borr�o de luz espalhava-se nos seus cabelos.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos fazer alguma coisa.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou-o sem ver realmente. Afinal, aqui estava o lugar imaginado mas nunca materializado, despontando para a vida real. Os l�bios de Ralph abriram-se num sorriso cheio de prazer e Porquinho, tomando esse sorriso para si como sinal de interesse, riu de contentamento.</p><empty-line/><p>
  � Se realmente for uma ilha...</p><empty-line/><p>
  � Que � aquilo?</p><empty-line/><p>
  Ralph cessara de sorrir e apontava para a lagoa. Alguma coisa de cor creme jazia entre os fetos.</p><empty-line/><p>
  � Uma pedra.</p><empty-line/><p>
  � N�o. Uma concha.</p><empty-line/><p>
  De repente, Porquinho explodiu numa excita��o bem-comportada.</p><empty-line/><p>
  � T� certo. � uma concha. Vi uma dessas antes. Na parede de algu�m. Ele a chamava de caracol. Costumava soprar nela e, ent�o, sua m�e vinha. � muito �til...</p><empty-line/><p>
  Perto do cotovelo de Ralph, um rebento de palmeira inclinava-se para a lagoa, prestes a cair, pois o seu peso j� levantava uma por��o da pouca terra em que se fixava. O menino arrancou o talo e come�ou a esquadrinhar a �gua, enquanto os peixes brilhantes faiscavam, fugindo de um lado para outro. Porquinho inclinou-se perigosamente.</p><empty-line/><p>
  � Cuidado! Vai quebr�-la...</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca!</p><empty-line/><p>
  Ralph falou distraidamente. A concha era interessante, bonita e um brinquedo de primeira: mas entre ele e Porquinho interpunham-se as v�vidas imagens de sua fantasia e Porquinho, nesse contexto, era irrelevante para ele. O rebento de palmeira, dobrando-se, empurrou a concha para o meio dos fetos. Ralph usou uma das m�os como fulcro e for�ou com a outra at� fazer a concha subir, pingando para que Porquinho pudesse agarr�-la.</p><empty-line/><p>
  Agora a concha n�o era mais uma coisa s� para ser vista, intoc�vel. Ralph tamb�m se entusiasmou, enquanto Porquinho balbuciava:</p><empty-line/><p>
  � ...uma concha; uma coisa t�o cara. Aposto que se voc� quisesse comprar uma dessas, teria de pagar libras, libras e mais libras. Meu amigo tinha uma na parede do jardim e minha tia...</p><empty-line/><p>
  Ralph tirou a concha de Porquinho e um pouco de �gua escorreu por seu bra�o. A concha era bege escura, matizada aqui e ali de leves tons rosados. Entre a ponta gasta, com um buraquinho, e os l�bios rosados da boca, havia uns quarenta cent�metros torcidos em leve espiral e cobertos por delicado desenho em relevo. Ralph sacudiu a areia que havia no tubo profundo.</p><empty-line/><p>
  � ...mugia com uma vaca � dizia. � Ele tinha tamb�m umas pedras brancas e uma gaiola com um papagaio verde. Claro que n�o soprava nas pedras brancas e falava...</p><empty-line/><p>
  Porquinho fez uma pausa para tomar f�lego e deu uma pancadinha na coisa brilhante que estava nas m�os de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Ralph!</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou-o.</p><empty-line/><p>
  � Podemos us�-la para chamar os outros. Ter uma reuni�o. Eles vir�o quando nos ouvirem...</p><empty-line/><p>
  Fixou Ralph, com os olhos brilhando.</p><empty-line/><p>
  � � isso que voc� queria, n�o �? Por isso � que voc� tirou a concha da �gua?</p><empty-line/><p>
  Ralph puxou para tr�s o cabelo louro.</p><empty-line/><p>
  � Como seu amigo soprava a concha?</p><empty-line/><p>
  � Era como se cuspisse � disse Porquinho. � Minha tia n�o me deixava soprar por causa da minha asma. Ele disse que se devia soprar daqui. � Porquinho p�s a m�o na barriga saliente. � Tente, Ralph. Chame os outros.</p><empty-line/><p>
  Hesitante, Ralph colocou a ponta menor da concha na boca e soprou. Um som gorgolejante irrompeu da boca da concha, nada mais. Ralph enxugou a �gua salgada dos l�bios e tentou outra vez, mas a concha permaneceu silenciosa.</p><empty-line/><p>
  � Era como se cuspisse.</p><empty-line/><p>
  Ralph franziu os l�bios e lan�ou ar na concha, que emitiu um ru�do baixo e semelhante a um ronco. O que divertiu tanto os meninos que Ralph continuou soprando por alguns minutos, entre explos�es de riso.</p><empty-line/><p>
  � Ele soprava daqui.</p><empty-line/><p>
  Ralph entendeu e encheu a concha de ar do seu diafragma. Imediatamente a coisa soou. Uma nota rude e profunda estrondou sob as palmeiras, penetrou pelo emaranhado da floresta e ecoou no granito rosa da montanha. Nuvens de p�ssaros subiram dos topos das �rvores e alguma coisa gritou e correu entre a vegeta��o rasteira.</p><empty-line/><p>
  Ralph tirou a concha dos l�bios.</p><empty-line/><p>
  � Puxa!</p><empty-line/><p>
  Sua voz normal soou como um sussurro ap�s a nota grave da concha. Ele levou-a de novo aos l�bios, tomou f�lego e soprou outra vez. A nota soou novamente; agora, com uma press�o mais firme, a nota subiu uma oitava e se tornou uma clarinada estridente, mais penetrante que antes. Porquinho gritava alguma coisa, de rosto feliz, �culos brilhando. Os p�ssaros gritavam, pequenos animais fugiam. O f�lego de Ralph acabou; a nota caiu uma oitava, tornou-se um balbuciar baixo, uma rajada de ar.</p><empty-line/><p>
  A concha estava silenciosa, um dente brilhante. O rosto de Ralph estava arroxeado pelo esfor�o e o ar da ilha enchia-se do barulho de p�ssaros e soar de ecos.</p><empty-line/><p>
  � Aposto que deu pra ouvir a quil�metros!</p><empty-line/><p>
  Ralph se recuperou e deu uma s�rie de toques curtos.</p><empty-line/><p>
  Porquinho exclamou: � L� est� um!</p><empty-line/><p>
  Um menino apareceu entre as palmeiras, a uns cem metros. Era um menino de uns seis anos, forte e louro, de roupas rasgadas e rosto coberto por uma mistura pegajosa de frutas. As cal�as tinham sido abaixadas com um prop�sito �bvio e foram levantadas apenas pela metade. Ele pulou da sali�ncia das palmeiras para a areia e as cal�as ca�ram; ele saiu delas e correu para a plataforma. Porquinho ajudou-o a subir. Enquanto isso, Ralph continuava a soprar at� ouvir vozes gritando na floresta. O menininho sentou-se de c�coras diante de Ralph, olhando para cima, brilhante e verticalmente. Quando se convenceu de que estava sendo feita alguma coisa com um objetivo, mostrou-se satisfeito e enfiou na boca o �nico dedo limpo, um polegar rosado.</p><empty-line/><p>
  Porquinho inclinou-se para ele.</p><empty-line/><p>
  � Como voc� se chama?</p><empty-line/><p>
  � Johnny.</p><empty-line/><p>
  Porquinho murmurou o nome para si e depois o gritou para Ralph, que n�o estava interessado, porque ainda soprava: tinha o rosto arroxeado pelo violento prazer de fazer aquele estupendo barulho e seu cora��o parecia querer romper a camisa justa. E mais se aproximava o vozerio da floresta.</p><empty-line/><p>
  Agora eram vis�veis sinais de vida na praia. A areia, fremente sob a n�voa do calor, ocultava v�rias figuras numa extens�o de quil�metros. Muitos meninos dirigiam-se � plataforma pisando a areia quente e silenciosa. Tr�s meninos pequenos, da idade de Johnny, apareceram surpreendentemente pr�ximos, l� de onde estavam, colhendo frutas. Um menininho moreno, quase da idade de Porquinho, afastou uma moita de arbustos, andou at� a plataforma e sorriu alegremente para todos. E surgiram outros � cada vez mais. Imitando o inocente Johnny, sentavam-se nos troncos ca�dos de palmeira e esperavam. Ralph continuava a dar toques r�pidos e penetrantes. Porquinho passava pelo grupo, perguntando nomes e franzindo o rosto no esfor�o de lembrar. Os meninos ofereciam-lhe a mesma obedi�ncia direta que haviam dado aos homens com os megafones. Alguns estavam nus e carregavam suas roupas; outros, seminus ou mais ou menos vestidos com uniformes escolares: cinzento, azul, castanho, palet�s, su�teres. Havia distintivos, at� divisas, listas coloridas nas meias e pul�veres. As cabe�as agrupavam-se � sombra verde sobre os troncos ca�dos; cabe�as morenas, louras, pretas, castanhas, areia, cor de rato; cabe�as que murmuravam, cochichavam, cabe�as cheias de olhos que observavam Ralph e especulavam. Alguma coisa estava sendo feita.</p><empty-line/><p>
  As crian�as que vinham pela praia, sozinhas ou aos pares, tornavam-se vis�veis ao cruzar a linha da bruma do calor para a areia mais pr�xima. Ali, a vista era atra�da primeiro por uma criatura negra, semelhante a um morcego, que dan�ava na areia; s� depois se percebia o corpo acima dela. O morcego era a sombra do menino, reduzida pelo sol vertical at� se tornar um borr�o entre os p�s apressados. At� mesmo Ralph, ocupado em soprar, foi atra�do pelo �ltimo par de corpos que chegava � plataforma numa tremulante mancha de escurid�o. Os dois meninos, de cabe�a redonda e cabelo de estopa, esticaram-se � sombra e ficaram sorrindo e arfando para Ralph como cachorros. Eram g�meos e a vis�o de tal duplica��o viva chocava e era incr�vel. Respiravam juntos, riam juntos, eram fortes e cheios de vida. Levantavam l�bios �midos para Ralph, pareciam n�o ter bastante pele ali, seus perfis eram como que apenas esbo�ados, de bocas abertas. Porquinho virou seus �culos brilhantes para eles e, entre os toques, era poss�vel ouvir sua voz, repetindo os nomes.</p><empty-line/><p>
  � Sam, Eric, Sam, Eric.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, ficou atrapalhado: os g�meos bateram as cabe�as e apontaram um para o outro. A meninada caiu na risada.</p><empty-line/><p>
  Enfim, Ralph parou de tocar e sentou-se, com a concha pendendo numa das m�os, a cabe�a inclinada sobre os joelhos. � medida que os ecos morriam, extinguiam-se as risadas, dando lugar ao sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  Na bruma diamantina da praia, alguma coisa escura andava de modo irregular. Ralph viu primeiro e fixou-a at� que a firmeza do seu olhar atraiu todos os olhos para essa dire��o. A criatura passou da miragem para a areia clara e todos viram que o tom escuro n�o era apenas sombra, mas principalmente roupas. A criatura era um grupo de meninos, marchando mais ou menos em cad�ncia, distribu�dos em duas linhas paralelas, vestidos com roupas incrivelmente exc�ntricas. Cal�as, camisas e outras pe�as eram carregadas nas m�os; cada menino usava um bon� preto, com uma franja prateada. Estavam cobertos por t�nicas negras, que lhes ca�am do pesco�o aos p�s, com grandes cruzes prateadas no lado esquerdo do peito e a gola rematada em babados pregueados. O calor dos tr�picos, a descida, a busca de comida e agora essa suarenta marcha pela praia incandescente dera-lhes aspecto de ameixas rec�m-lavadas. O menino que os dirigia estava vestido do mesmo jeito, mas a franja do seu bon� era dourada. Quando o grupo estava a uns dez metros da plataforma, gritou uma ordem e eles fizeram alto, arquejando, suando, vacilando sob a luz violenta. O menino se adiantou, subiu na plataforma com a t�nica esvoa�ando e deu uma olhada no que, para ele, era uma escurid�o quase total.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� o homem da corneta?</p><empty-line/><p>
  Ralph, percebendo que o outro estava ofuscado com a luz, respondeu.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� homem algum com corneta. S� eu.</p><empty-line/><p>
  O menino se aproximou e olhou para Ralph, enrugando o rosto. Aparentemente, o que viu do menino louro com a concha creme nos joelhos n�o o satisfez. Virou-se rapidamente, fazendo sua t�nica negra dar uma volta.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o n�o h� um navio?</p><empty-line/><p>
  Dentro da t�nica esvoa�ante, o corpo alto, magro e ossudo; cabelos ruivos, sob o bon� preto; rosto malfeito e sardento, feio, mas sem parecer est�pido: destacavam-se nele os olhos azul-claros, agora frustrados e cada vez mais irritados.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� um homem aqui?</p><empty-line/><p>
  Ralph falou para as costas do outro.</p><empty-line/><p>
  � N�o, estamos fazendo uma reuni�o. Juntem-se a n�s.</p><empty-line/><p>
  O grupo de meninos de t�nica come�ou a sair da forma��o. O menino alto gritou-lhes.</p><empty-line/><p>
  � Coro! Sentido!</p><empty-line/><p>
  Cansados, mas obedientes, os membros do coro enfileiraram-se e ficaram ali, cambaleando sob o sol. Apesar de tudo, alguns come�aram a protestar fracamente.</p><empty-line/><p>
  � Mas Merridew. Por favor, Merridew... n�o podemos?</p><empty-line/><p>
  Ent�o um dos meninos caiu de boca na areia e a forma��o se rompeu. Carregaram o menino ca�do para a plataforma e o deitaram ali. Merridew, de olhos fuzilando, decidiu mudar de orienta��o.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem. Sentem-se. Deixem-no sozinho.</p><empty-line/><p>
  � Mas Merridew...</p><empty-line/><p>
  � Ele est� sempre desmaiando � disse Merridew. � Em Gib., em Addis e nas matinas, em cima do chantre.</p><empty-line/><p>
  Esta �ltima lembran�a provocou uns risinhos no coro, cujos membros haviam pousado como p�ssaros negros sobre os troncos entrela�ados e examinavam Ralph com interesse. Porquinho n�o perguntou os nomes deles. Estava intimidado com tal superioridade uniformizada e com a direta autoridade da voz de Merridew. Ficou do outro lado de Ralph, mexendo nos �culos.</p><empty-line/><p>
  Merridew virou-se para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� adultos?</p><empty-line/><p>
  � N�o.</p><empty-line/><p>
  Merridew sentou-se num tronco e olhou em volta.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o teremos de cuidar de n�s mesmos.</p><empty-line/><p>
  Seguro ao lado de Ralph, Porquinho falou timidamente.</p><empty-line/><p>
  � Por isso � que Ralph convocou uma reuni�o. Para que possamos decidir o que fazer. Perguntamos os nomes. Este � Johnny. Esses dois s�o g�meos, Sam e Eric. Qual � Eric...? Voc�? N�o... voc� � Sam...</p><empty-line/><p>
  � Eu sou Sam...</p><empty-line/><p>
  � Eu sou Eric.</p><empty-line/><p>
  � � melhor dizermos os nomes � disse Ralph. � Eu sou Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Sabemos quase todos os nomes � disse Porquinho. � Acabamos de saber.</p><empty-line/><p>
  � Nomes de crian�as � disse Merridew. � Por que devo ser Jack? Eu sou Merridew.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se rapidamente para ele. Era a voz de algu�m que sabia o que queria.</p><empty-line/><p>
  � E este... � continuou Porquinho � este menino... esqueci...</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� falando demais � disse Jack Merridew. � Cale a boca, Gordinho.</p><empty-line/><p>
  Gargalhadas.</p><empty-line/><p>
  � Ele n�o � um Gordinho � gritou Ralph. � Seu nome de verdade � Porquinho!</p><empty-line/><p>
  � Porquinho!</p><empty-line/><p>
  � Porquinho!</p><empty-line/><p>
  � Oh, Porquinho!</p><empty-line/><p>
  Irrompeu uma tempestade de risos e at� os menores se juntaram a ela. Por um instante, os meninos formaram um c�rculo fechado de simpatia, com Porquinho na berlinda. Ele ficou bem vermelho, balan�ou a cabe�a e limpou os �culos outra vez.</p><empty-line/><p>
  Finalmente, cessaram os risos e eles continuaram a dizer os nomes. Maurice, o segundo em tamanho entre os meninos do coro, logo ap�s Jack, era grande e n�o parava de rir. Havia um menino magro e esquivo que ningu�m conhecia e se mantinha fechado em si mesmo, numa intensidade �ntima de afastamento e reserva. Murmurou que seu nome era Roger e ficou quieto de novo. Bill, Robert, Harold, Henry; o menino que desmaiara, sentado num tronco de palmeira, sorriu palidamente para Ralph e disse que seu nome era Simon.</p><empty-line/><p>
  Jack falou.</p><empty-line/><p>
  � Temos que resolver sobre nossa sa�da daqui.</p><empty-line/><p>
  Houve um vozerio excitado. Um dos meninos pequenos, Henry, disse que queria voltar para casa.</p><empty-line/><p>
  � Calem-se � disse Ralph, distraidamente. Levantou a concha. � Acho que devemos ter um chefe para decidir as coisas.</p><empty-line/><p>
  � Um chefe! Um chefe!</p><empty-line/><p>
  � Eu devo ser o chefe � disse Jack com ing�nua arrog�ncia �, pois sou chefe do coro e solista. Posso cantar em d� sustenido.</p><empty-line/><p>
  Outro vozerio.</p><empty-line/><p>
  � Bem, ent�o � disse Jack �, eu...</p><empty-line/><p>
  Hesitou. O menino moreno, Roger, mexeu-se afinal e falou.</p><empty-line/><p>
  � Vamos fazer uma vota��o.</p><empty-line/><p>
  � Sim!</p><empty-line/><p>
  � Votar por um chefe!</p><empty-line/><p>
  � Vamos votar...</p><empty-line/><p>
  O brinquedo de votar era quase t�o divertido quanto a concha. Jack come�ou a protestar, mas o clamor passou do desejo geral de um chefe para uma elei��o de Ralph por aclama��o. Nenhum dos meninos poderia pensar numa raz�o definida para isso; quem mostrara at� ent�o mais intelig�ncia fora Porquinho, por�m o l�der mais �bvio era Jack. Entretanto, havia uma serenidade na figura sentada de Ralph que o destacava: era seu tamanho, sua apar�ncia atraente; e, de forma mais obscura, embora mais poderosa � era a concha. Aquele que a havia tocado e se sentara � espera deles na plataforma, com o delicado objeto nos joelhos, distinguia-se entre todos.</p><empty-line/><p>
  � O da concha.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ralph!</p><empty-line/><p>
  � O chefe deve ser o da corneta.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou a m�o, pedindo sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem. Quem quer que Jack seja o chefe?</p><empty-line/><p>
  Com obedi�ncia temerosa, o coro levantou as m�os.</p><empty-line/><p>
  � Quem quer que eu seja?</p><empty-line/><p>
  Todas as m�os com exce��o do coro, e a n�o ser a de Porquinho, levantaram-se imediatamente. Depois, Porquinho tamb�m levantou a m�o, embora de m� vontade.</p><empty-line/><p>
  Ralph contou.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o o chefe sou eu.</p><empty-line/><p>
  O c�rculo dos meninos explodiu em aplausos. At� o coro aplaudiu; as sardas do rosto de Jack desapareceram sob um rubor de humilha��o. Levantou-se, depois mudou de ideia e se sentou novamente, enquanto o ar retumbava. Ralph olhou-o, ansioso para oferecer alguma coisa.</p><empty-line/><p>
  � O coro pertence a voc�, � claro.</p><empty-line/><p>
  � Pode ser o ex�rcito...</p><empty-line/><p>
  � Ou os ca�adores...</p><empty-line/><p>
  � Eles podem ser...</p><empty-line/><p>
  O rubor sumiu do rosto de Jack. Ralph fez um novo gesto, pedindo sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � O coro fica com Jack. Eles podem ser... o que voc�s querem que eles sejam?</p><empty-line/><p>
  � Ca�adores.</p><empty-line/><p>
  Jack e Ralph sorriram um para o outro com uma aprecia��o t�mida. Os outros come�aram a falar ansiosamente.</p><empty-line/><p>
  Jack levantou-se.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem, coro. Tirar as t�nicas.</p><empty-line/><p>
  Como se as aulas tivessem acabado, os meninos do coro levantaram-se, conversando, e empilharam suas t�nicas negras na grama. Jack deixou a sua no tronco pr�ximo a Ralph. Sua cal�a curta cinzenta estava suada, colada no corpo. Ralph olhou-a, admirado e, quando Jack percebeu o olhar, explicou:</p><empty-line/><p>
  � Tentei subir naquele morro para ver se est�vamos cercados por �gua. Mas sua concha nos chamou.</p><empty-line/><p>
  Ralph sorriu e levantou a concha, pedindo sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � Ou�am todos. Preciso de tempo para pensar numas coisas. N�o posso decidir o que fazer exatamente. Se isto n�o � uma ilha, n�o demorar�o a nos procurar. Portanto, precisamos saber se isto aqui � uma ilha. Todo mundo deve permanecer aqui. Esperar. N�o ir embora. Tr�s de n�s � se levarmos mais vai ser uma bagun�a e vamos nos perder � tr�s de n�s iremos numa expedi��o e descobriremos se estamos numa ilha. Eu vou, Jack, e, e...</p><empty-line/><p>
  Olhou em torno o c�rculo de rostos ansiosos. N�o faltavam meninos para escolher.</p><empty-line/><p>
  � E Simon.</p><empty-line/><p>
  Os meninos em torno de Simon deram risadinhas e ele se levantou, rindo um pouco. Agora que sumira a palidez do desmaio, era um menino pequeno, magro e vivo, com um olhar que irrompia de sob uma franja de cabelo liso e escorrido, preto e �spero.</p><empty-line/><p>
  Fez que sim para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Eu vou.</p><empty-line/><p>
  � E eu...</p><empty-line/><p>
  Jack tirou de detr�s uma faca de bainha de tamanho regular e cravou-a num tronco. O vozerio aumentou e morreu.</p><empty-line/><p>
  Porquinho adiantou-se.</p><empty-line/><p>
  � Eu vou.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para ele.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o � bom para essas coisas.</p><empty-line/><p>
  � N�o faz mal...</p><empty-line/><p>
  � N�o queremos voc� � disse Jack, diretamente. � Bastam tr�s.</p><empty-line/><p>
  Os �culos de Porquinho brilharam.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava com ele quando achamos a concha. Eu estava com ele antes de qualquer um.</p><empty-line/><p>
  Jack e os outros n�o prestaram aten��o. Houve uma debandada geral. Ralph, Jack e Simon pularam da plataforma e andaram pela areia al�m da �piscina�. Porquinho seguiu-os, resmungando.</p><empty-line/><p>
  � Se Simon andar no meio da gente � disse Ralph �, poderemos conversar por cima da cabe�a dele.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s continuaram, no mesmo passo. Isso significava que, de vez em quando, Simon tinha de dar um passo duplo para se alinhar com os outros. De repente, Ralph parou e virou-se para Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Vejam.</p><empty-line/><p>
  Jack e Simon fingiram n�o ver nada. Continuaram andando.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o pode vir.</p><empty-line/><p>
  Os �culos de Porquinho se emba�aram de novo, desta vez de humilha��o.</p><empty-line/><p>
  � Voc� contou pra eles. Depois do que eu disse.</p><empty-line/><p>
  Seu rosto corou, a boca tremeu.</p><empty-line/><p>
  � Depois que eu disse que n�o queria...</p><empty-line/><p>
  � Mas de que diabo voc� est� falando?</p><empty-line/><p>
  � De ser chamado de Porquinho. Eu disse que n�o queria ser chamado de Porquinho. E eu disse para voc� n�o contar e voc� falou pra eles...</p><empty-line/><p>
  Acalmaram-se. Olhando para o outro com mais compreens�o, Ralph viu que Porquinho estava ferido e desgostoso. Hesitou entre o caminho das desculpas e o de novos insultos.</p><empty-line/><p>
  � Melhor Porquinho que Gordinho � disse afinal, com a franqueza da lideran�a aut�ntica �, e, de qualquer modo, desculpe-me por estar magoado. Agora, volte e pergunte os nomes, Porquinho. Esse � o seu trabalho. At� logo.</p><empty-line/><p>
  Virou-se e correu atr�s dos outros dois. Porquinho ficou ali e o rubor da indigna��o diminuiu lentamente nas suas faces. Voltou � plataforma.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s meninos andavam vivamente na areia. A mar� estava baixa e havia uma faixa de praia salpicada de algas, quase t�o firme quanto uma estrada. Uma esp�cie de encantamento envolvia-os e dominava todo o lugar; eles estavam conscientes desse encantamento e contentes por isso. Viravam-se uns para os outros, rindo, excitados, falando, sem ouvir. O ar estava luminoso. Ralph, ante a tarefa de traduzir tudo isso numa explica��o, plantou uma bananeira e caiu. Quando pararam de rir, Simon bateu timidamente no bra�o de Ralph. E eles riram de novo.</p><empty-line/><p>
  � Vamos � disse Jack �, somos exploradores.</p><empty-line/><p>
  � Iremos at� o fim da ilha � disse Ralph � e daremos uma olhada em tudo.</p><empty-line/><p>
  � Se for uma ilha...</p><empty-line/><p>
  Agora, quase no fim da tarde, as miragens j� rareavam. Descobriram o fim da ilha, bem n�tido e sem qualquer magia na sua forma ou sentido. Havia uma superf�cie rochosa com a habitual forma quadrada e um grande bloco entrando �gua adentro. Havia ninhos de p�ssaros marinhos ali.</p><empty-line/><p>
  � Parece glac� num bolo cor-de-rosa � disse Ralph.</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos ver do outro lado � disse Jack �, porque n�o h� outro lado. S� uma curva suave... e voc�s podem ver, as pedras ficam mais dif�ceis...</p><empty-line/><p>
  Ralph protegeu os olhos com a sombra de uma das m�os e seguiu a linha recortada dos rochedos at� a montanha. Essa parte da praia era mais pr�xima da montanha que qualquer outra que haviam visto.</p><empty-line/><p>
  � Vamos tentar subir a montanha por aqui � disse ele. � Acho que este � o jeito mais f�cil. H� menos mata por aqui e mais pedras rosadas. Vamos.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s meninos come�aram a subir. Alguma for�a desconhecida rompera e espalhara esses cubos de pedra, que jaziam obliquamente ou empilhados como numa pir�mide. O aspecto mais comum da rocha era um espig�o rosado, encimado por um bloco obl�quo que tinha sobre si um outro e mais um, de modo que a massa rosada se tornava um mont�o de rochas em equil�brio, projetando-se atrav�s da fantasia enredante dos cip�s da floresta. Onde os espig�es cor-de-rosa se originavam, havia v�rias trilhas estreitas seguindo para cima. Podiam segui-las, internados no mundo das plantas, rosto contra a rocha.</p><empty-line/><p>
  � Quem fez esta trilha?</p><empty-line/><p>
  Jack fez uma pausa, enxugou o suor do rosto. Ralph parou ao seu lado, sem f�lego.</p><empty-line/><p>
  � Homens?</p><empty-line/><p>
  Jack sacudiu a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Animais.</p><empty-line/><p>
  Ralph fixou a escurid�o sob as �rvores. A floresta vibrava levemente.</p><empty-line/><p>
  � Vamos.</p><empty-line/><p>
  A dificuldade n�o era a subida �ngreme pelos contornos da rocha, mas os mergulhos ocasionais na vegeta��o rasteira, at� que se atingia a trilha seguinte. Ali, as ra�zes e caules das trepadeiras e lianas estavam t�o entrela�ados que os meninos tinham de enfiar-se dentre eles, como agulhas flex�veis. Como �nica orienta��o, al�m do ch�o marrom e espor�dicos vislumbres de luz atrav�s da folhagem, a tend�ncia da encosta: saber se este buraco, cheio do emaranhado de lianas, era mais alto que o anterior.</p><empty-line/><p>
  Mas avan�avam, de qualquer forma.</p><empty-line/><p>
  Murados nessas paredes vegetais, num dos seus momentos mais dif�ceis, viram Ralph virar-se com os olhos brilhantes.</p><empty-line/><p>
  � B�rbaro!</p><empty-line/><p>
  � Magn�fico!</p><empty-line/><p>
  � Sensacional!</p><empty-line/><p>
  A causa daquele prazer n�o era assim t�o evidente: os tr�s estavam acalorados, sujos e exaustos. Ralph arranhara-se para valer. As trepadeiras eram t�o grossas quanto as coxas deles e deixavam pouco mais que estreitos t�neis para quem quisesse passar. Ralph gritou, para experimentar, e eles ouviram os ecos apagados.</p><empty-line/><p>
  � Isso � explora��o de verdade � disse Jack. � Aposto que ningu�m esteve aqui antes.</p><empty-line/><p>
  � Dever�amos desenhar um mapa � disse Ralph �, s� que n�o temos papel.</p><empty-line/><p>
  � Pod�amos fazer marcas nas cascas de �rvores � disse Simon �, e passar alguma coisa escura nelas.</p><empty-line/><p>
  Retornava a solene comunh�o de olhos brilhantes na sombra.</p><empty-line/><p>
  � B�rbaro!</p><empty-line/><p>
  � Magn�fico!</p><empty-line/><p>
  N�o havia lugar para plantar bananeira. Desta vez, Ralph exprimiu a intensidade da sua emo��o fingindo querer derrubar Simon; logo, formavam um amontoado feliz e palpitante na semiescurid�o.</p><empty-line/><p>
  Quando se separaram, Ralph falou primeiro.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos ir.</p><empty-line/><p>
  O granito rosado do pr�ximo espig�o estava mais longe das trepadeiras e �rvores, de modo que puderam correr trilha acima. E a trilha levou a uma outra floresta aberta, o que permitiu que vissem o mar. Com a clareira, veio o sol; secou o suor que empapara as roupas no calor escuro e �mido. Pelo menos, o caminho para cima parecia um amontoado de rochas rosadas, sem novos mergulhos nas sombras. Os meninos avan�aram atrav�s de desfiladeiros e matac�es de pedras afiadas.</p><empty-line/><p>
  � Olhem! Olhem!</p><empty-line/><p>
  Neste cimo da ilha, as rochas espalhadas erguiam-se em espig�es e chamin�s. Aquela em que Jack se encostara mexeu-se com um som rascante, quando empurraram.</p><empty-line/><p>
  � Vamos...</p><empty-line/><p>
  Mas desta vez o �vamos� n�o era para continuar: a subida ao cume podia esperar. Agora os tr�s meninos aceitavam um desafio: a rocha, t�o grande quanto um autom�vel pequeno.</p><empty-line/><p>
  � Agora!</p><empty-line/><p>
  Para a frente e para tr�s, para a frente, para tr�s, ir e voltar contra o ponto de equil�brio m�ximo, para a frente, para tr�s, para a frente, para tr�s...</p><empty-line/><p>
  � Agora!</p><empty-line/><p>
  A grande rocha vacilou, oscilou como que na ponta dos p�s, decidiu n�o voltar, moveu-se pelo ar, caiu, arrebentou-se, virou, saltou louca no ar e cavou um profundo buraco na ab�bada da floresta. Ecos e p�ssaros voaram, a poeira branca e rosa flutuou, a floresta l� embaixo tremeu como que � passagem de um monstro enraivecido. E da� voltou a tranquilidade � ilha.</p><empty-line/><p>
  � Puxa vida!</p><empty-line/><p>
  � Como uma bomba!</p><empty-line/><p>
  � Uuuuaaaau!</p><empty-line/><p>
  Levaram uns cinco minutos at� poder esquecer esse triunfo. Mas prosseguiram, afinal.</p><empty-line/><p>
  O caminho para o cimo era f�cil depois disso. Ao alcan�arem a �ltima parte, Ralph parou.</p><empty-line/><p>
  � Nossa!</p><empty-line/><p>
  � Estavam no limite de uma depress�o semelhante a um anfiteatro ou semianfiteatro, do lado da montanha. Esse anfiteatro estava cheio de uma flor azul, uma planta rochosa de alguma esp�cie; as flores escalavam rocha abaixo e espalhavam-se abundantemente por entre as copas da floresta. O ar estava coalhado de borboletas al�ando voo, flutuando, descendo.</p><empty-line/><p>
  Al�m do anfiteatro, ficava o cimo quadrado da montanha e logo chegaram ali.</p><empty-line/><p>
  Haviam adivinhado antes que era uma ilha; enquanto avan�avam por entre as rochas rosadas, com o mar de um lado ou de outro, sob as alturas cristalinas do ar, souberam instintivamente que o mar estava por todos os lados. Mas parecia que algo lhes dizia da conveni�ncia de deixar a �ltima palavra para quando chegassem ao cimo: e dali, agora, podiam ver um horizonte circular de �gua.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para os outros.</p><empty-line/><p>
  � Tudo isso � nosso.</p><empty-line/><p>
  Tinha a forma aproximada de um barco: uma sali�ncia perto desta ponta; por tr�s deles havia a acidentada descida at� a praia. Dos lados, rochedos, espig�es, frondes de �rvores e uma encosta �ngreme: para diante, no corpo do barco, uma descida mais suave, coberta de �rvores, com manchas cor-de-rosa: e, ent�o, a selva plana da ilha, um verde denso, terminando numa cauda cor-de-rosa. Ali, onde a ilha penetrava �gua adentro, havia outra ilha: uma rocha, quase isolada, situada como um forte, defrontava-os atrav�s do verde com um basti�o escarpado e rosado.</p><empty-line/><p>
  Os meninos examinaram tudo isso, depois olharam mar adentro. Estavam bem no alto e a tarde avan�ava; a vis�o n�o se turvava com nenhuma miragem.</p><empty-line/><p>
  � � um recife. Um recife de coral. J� vi fotos iguais.</p><empty-line/><p>
  O recife rodeava mais de um lado da ilha, ficando talvez a uns dois quil�metros, paralelo ao que agora consideravam a sua praia. O coral irrompia do oceano como um gigante que se abaixasse para reproduzir a forma da ilha numa vacilante linha de giz, cansando-se antes de acabar. Dentro, a �gua tinha cor de pav�o, rochas e algas surgiam como num aqu�rio; al�m, o azul escuro do mar. A mar� baixava e compridas esteiras de espuma apareciam a partir do recife; por um instante, eles imaginaram que o barco se movia firmemente, de popa.</p><empty-line/><p>
  Jack apontou para baixo.</p><empty-line/><p>
  � Foi ali que aterrissamos.</p><empty-line/><p>
  Al�m dos desfiladeiros e escarpas, havia uma cicatriz vis�vel nas �rvores; ali estavam os troncos destro�ados e, depois, a abertura; s� ficara uma franja de palmeiras entre o vazio e o mar. Ali, tamb�m, salientando-se na lagoa, a plataforma, por onde se moviam figuras parecidas com insetos.</p><empty-line/><p>
  Ralph esbo�ou uma linha torcida desde a altura em que estavam, percorrendo a encosta, uma picada atrav�s de flores, que ziguezagueava e ia at� l� embaixo, � rocha que marcava o come�o da subida.</p><empty-line/><p>
  � Esse � o caminho de volta mais r�pido.</p><empty-line/><p>
  Com os olhos brilhantes, as bocas abertas, triunfantes, saboreavam o direito de dom�nio. Estavam animad�ssimos: eram amigos.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� fuma�a de aldeias, nem barcos � disse Ralph com seriedade. � Teremos certeza depois, mas acho que a ilha � desabitada.</p><empty-line/><p>
  � Arranjaremos comida � gritou Jack. � Ca�aremos. Pegaremos coisas... at� que venham nos buscar.</p><empty-line/><p>
  Simon olhou para os dois, sem dizer nada, mas balan�ando a cabe�a, at� que seu cabelo preto voasse para tr�s e para a frente. Seu rosto brilhava.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para o outro lado, onde n�o havia recifes.</p><empty-line/><p>
  � � mais �ngreme � disse Jack.</p><empty-line/><p>
  Ralph fez um gesto, com as m�os juntas.</p><empty-line/><p>
  � Essa parte da floresta a� embaixo... a montanha � que a segura.</p><empty-line/><p>
  Todas as sali�ncias da montanha tinham �rvores � flores e �rvores. Agora, a floresta se agitava, rugia, sacudia. As extens�es mais pr�ximas das flores rochosas estremeceram e, por meio minuto, a brisa soprou fria nas suas faces.</p><empty-line/><p>
  Ralph abriu os bra�os.</p><empty-line/><p>
  � Tudo nosso.</p><empty-line/><p>
  Riram, brincaram e gritaram na montanha.</p><empty-line/><p>
  � Estou com fome.</p><empty-line/><p>
  Quando Simon mencionou sua fome, os outros perceberam que tamb�m estavam famintos.</p><empty-line/><p>
  � Vamos � disse Ralph. � J� descobrimos o que quer�amos saber.</p><empty-line/><p>
  Desceram por uma encosta rochosa, enfiaram-se por entre as flores e avan�aram sob as �rvores. Ent�o, pararam, para examinar com curiosidade os arbustos ao redor.</p><empty-line/><p>
  Simon falou primeiro.</p><empty-line/><p>
  � Parecem velas. Moitas de velas. Flores de velas.</p><empty-line/><p>
  Os arbustos eram verdes, bem escuros e cheirosos. Muitos dos bot�es eram de um verde lustroso e se dobravam sob a luz. Jack cortou um com sua faca e o cheiro se espalhou sobre eles.</p><empty-line/><p>
  � Flores de velas.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o pode acend�-las � disse Ralph. � S� parecem velas.</p><empty-line/><p>
  � Velas verdes � disse Jack desdenhosamente �, n�o podemos com�-las. Vamos.</p><empty-line/><p>
  Estavam no come�o da floresta densa, arrastando os p�s cansados por uma trilha, quando ouviram o barulho � guinchos � e o pesado golpear de cascos no ch�o. � medida que avan�avam, os guinchos aumentavam at� se tornarem um frenesi. Descobriram um leit�ozinho preso numa cortina de cip�s, arremetendo contra as lianas el�sticas com toda a loucura do terror extremo. Os sons que emitia eram agudos, estridentes, insistentes. Os tr�s meninos correram adiante e Jack tirou outra vez sua faca com um floreio. Levantou o bra�o. Uma pausa, um hiato, o leit�o continuou a gritar e os cip�s a se mexer. A l�mina continuou a brilhar no fim de um bra�o ossudo. A pausa s� foi suficientemente longa para que eles compreendessem que enormidade seria o golpe para baixo. Ent�o, o leit�o conseguiu escapar dos cip�s e desapareceu no mato. Eles ficaram se entreolhando e observando o lugar do terror. O rosto de Jack estava branco sob as sardas. Percebeu que ainda estava com a l�mina pronta e baixou o bra�o, recolocando a faca na bainha. Ent�o, os tr�s riram, cheios de vergonha, e come�aram a voltar para a trilha.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava escolhendo um lugar � disse Jack. � S� estava esperando um momento para decidir onde pegar o bicho.</p><empty-line/><p>
  � O porco tem de ser furado � disse Ralph ferozmente. � Sempre falam em furar o porco.</p><empty-line/><p>
  � Tem de se cortar o pesco�o do porco para o sangue escorrer � disse Jack �, sen�o a carne n�o pode ser comida.</p><empty-line/><p>
  � Por que voc� n�o...?</p><empty-line/><p>
  Sabiam muito bem por que n�o: devido � enormidade da faca descendo e cortando carne viva; devido ao sangue insuport�vel.</p><empty-line/><p>
  � Eu ia � disse Jack. Estava � frente deles e n�o se podia ver seu rosto. � Estava escolhendo um lugar. Da pr�xima vez...</p><empty-line/><p>
  Tirou a faca da bainha e golpeou um tronco de �rvore. Da pr�xima vez, n�o haveria merc�. Olhou em volta altivamente, desafiando-os a contradiz�-lo. Ent�o, sa�ram para a luz do sol e, por um instante, ocuparam-se em achar e devorar comida, enquanto desciam a escarpa at� a plataforma onde os esperava o grupo.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>2</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Fogo na montanha</strong></p><p>Quando Ralph acabou de tocar a concha, a plataforma ficou cheia. Havia diferen�as entre esta reuni�o e a da manh�. O sol da tarde ca�a obliquamente do outro lado da plataforma e a maioria dos meninos, sentindo tarde demais o ardor das queimaduras de sol, voltara a vestir as roupas. O coro, sensivelmente menos organizado como grupo, j� tirara as t�nicas.</p><empty-line/><p>
  Ralph sentou-se num tronco ca�do, ficando o sol � sua esquerda. � direita, a maior parte do coro; � esquerda, os meninos maiores que n�o se conheciam antes da evacua��o; � sua frente, meninos pequenos acocorados na grama.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio agora. Ralph levantou a concha creme e rosada at� os joelhos e uma brisa s�bita lan�ou luz por toda a plataforma. Ele hesitava entre ficar de p� ou continuar sentado. Olhou de lado, para a esquerda, para a �piscina�. Porquinho estava sentado, mas n�o oferecia ajuda.</p><empty-line/><p>
  Ralph limpou a garganta.</p><empty-line/><p>
  � Bom, ent�o...</p><empty-line/><p>
  Imediatamente descobriu que podia falar fluentemente e explicar o que tinha a dizer. Passou uma das m�os nos cabelos louros e falou.</p><empty-line/><p>
  � Estamos numa ilha. Estivemos no cume da montanha e vimos s� �gua em volta. N�o vimos casas, fuma�a, pegadas, botes, nem gente. Estamos numa ilha desabitada, sem ningu�m mais.</p><empty-line/><p>
  Jack interrompeu.</p><empty-line/><p>
  � Mas, de qualquer forma, voc� precisa de um ex�rcito para ca�ar. Ca�ar porcos...</p><empty-line/><p>
  � Sim. H� porcos na ilha.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s tentavam comunicar aos outros o sentido da coisa viva e cor-de-rosa que lutava entre os cip�s.</p><empty-line/><p>
  � N�s vimos...</p><empty-line/><p>
  � Guinchando...</p><empty-line/><p>
  � Fugiu...</p><empty-line/><p>
  � Antes de poder mat�-lo... mas... da pr�xima vez!</p><empty-line/><p>
  Jack cravou a faca num tronco e olhou desafiadoramente em volta.</p><empty-line/><p>
  A reuni�o voltou ao normal.</p><empty-line/><p>
  � Como voc�s veem � disse Ralph �, precisaremos de ca�adores que nos tragam carne. E outra coisa.</p><empty-line/><p>
  Levantou a concha dos joelhos e olhou em volta, para as caras castigadas pelo sol.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� adultos. Vamos ter de cuidar de n�s.</p><empty-line/><p>
  O grupo murmurou algo, mas logo se calou.</p><empty-line/><p>
  � Uma coisa mais. N�o � poss�vel todo mundo falar ao mesmo tempo. Vai ser preciso levantar a m�o, como na escola.</p><empty-line/><p>
  Levou a concha � altura do rosto e olhou em volta.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o eu passarei a concha para quem quiser falar.</p><empty-line/><p>
  � Concha?</p><empty-line/><p>
  � � assim que se chama isto. Eu darei a concha para a pessoa que ir� falar em seguida. Ela poder� segurar a concha enquanto falar.</p><empty-line/><p>
  � Mas...</p><empty-line/><p>
  � Veja...</p><empty-line/><p>
  � E ela n�o ser� interrompida. A n�o ser por mim.</p><empty-line/><p>
  Jack estava de p�.</p><empty-line/><p>
  � Vamos ter regras! � gritou, excitado. � Muitas regras! E quando qualquer um n�o as respeitar...</p><empty-line/><p>
  � Uuuu-piii!</p><empty-line/><p>
  � Uuuaau!</p><empty-line/><p>
  � Puuum!</p><empty-line/><p>
  � Taaam!</p><empty-line/><p>
  Ralph sentiu que tiravam a concha do seu colo. Porquinho, de p�, ficou segurando a grande concha creme e a gritaria morreu. Jack, ainda de p�, olhou hesitante para Ralph que sorriu e deu umas palmadinhas no tronco. Jack sentou-se. Porquinho tirou os �culos e piscou para o grupo, enquanto esfregava as lentes na camisa.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s interromperam Ralph. N�o o deixaram falar da coisa mais importante.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa dram�tica.</p><empty-line/><p>
  � Quem sabe onde estamos? Hein?</p><empty-line/><p>
  � Sabiam no aeroporto.</p><empty-line/><p>
  � O homem com a corneta...</p><empty-line/><p>
  � Meu pai.</p><empty-line/><p>
  Porquinho p�s os �culos.</p><empty-line/><p>
  � Ningu�m sabe onde estamos � disse Porquinho. Estava mais p�lido do que antes e sem f�lego. � Talvez soubessem para onde ir�amos, talvez n�o. Mas n�o sabem onde estamos, pois nunca chegamos aonde �amos. � Olhou-os por um instante, enquanto ganhava f�lego, depois balan�ou-se e sentou. Ralph pegou a concha das suas m�os.</p><empty-line/><p>
  � Isto � o que eu iria dizer � continuou �, quando voc�s todos, voc�s... � Olhou para os rostos atentos. � O avi�o caiu em chamas. Ningu�m sabe onde estamos. Poderemos ficar aqui muito tempo ainda.</p><empty-line/><p>
  O sil�ncio era total, a ponto de poderem ouvir a respira��o entrecortada de Porquinho. O sol, com seus raios obl�quos, espalhava ouro por metade da plataforma. A brisa que, na lagoa, parecia seguir docilmente os passos dos meninos, cruzava agora a plataforma e internava-se floresta adentro. Ralph puxou para tr�s a mecha de cabelo louro que ca�ra na testa.</p><empty-line/><p>
  � Pois �, poderemos ficar aqui muito tempo.</p><empty-line/><p>
  Ningu�m disse nada. Ele, de repente, deu um sorriso.</p><empty-line/><p>
  � Mas � uma boa ilha. N�s, Jack, Simon e eu, subimos a montanha. � incr�vel. Tem comida e bebida e...</p><empty-line/><p>
  � Rochas...</p><empty-line/><p>
  � Flores azuis...</p><empty-line/><p>
  Porquinho, j� recuperado em parte, apontou para a concha nas m�os de Ralph; Jack e Simon ficaram quietos. Ralph continuou.</p><empty-line/><p>
  � Enquanto esperamos, podemo-nos divertir nesta ilha.</p><empty-line/><p>
  Fez gestos largos.</p><empty-line/><p>
  � � como num livro.</p><empty-line/><p>
  Imediatamente houve um clamor.</p><empty-line/><p>
  � A Ilha do Tesouro...</p><empty-line/><p>
  � Ao longo do Amazonas...</p><empty-line/><p>
  � A Ilha de Coral...</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu a concha.</p><empty-line/><p>
  � Esta � nossa ilha. � uma boa ilha. At� os adultos chegarem para nos buscar, vamo-nos divertir.</p><empty-line/><p>
  Jack esticou a m�o para a concha.</p><empty-line/><p>
  � H� porcos � disse ele. � Temos comida e �gua para tomar banho naquele riacho ali... e tudo. Ningu�m achou mais nada?</p><empty-line/><p>
  Devolveu a concha a Ralph e se sentou. Aparentemente, ningu�m achara nada.</p><empty-line/><p>
  Os meninos maiores s� notaram o garoto quando ele come�ou a resistir: um grupo de meninos pequenos insistia para que ele avan�asse, mas ele n�o queria ir. Era um menininho pequeno, com uns seis anos e, num dos lados do rosto, tinha um sinal de nascen�a cor de amora. Levantou-se, mas perdeu o equil�brio: estava ofuscado com a s�bita notoriedade. Enfiou um ded�o na grama dura. Balbuciava, � beira do choro.</p><empty-line/><p>
  Os outros menininhos, cochichando, mas s�rios, empurraram-no at� Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem � disse Ralph �, venha c�.</p><empty-line/><p>
  O garoto olhou em volta, aterrorizado.</p><empty-line/><p>
  � Fale!</p><empty-line/><p>
  O menino estendeu as m�os para a concha e o grupo explodiu numa risada; imediatamente, ele abaixou as m�os e come�ou a chorar.</p><empty-line/><p>
  � Deixem-no pegar a concha! � gritou Porquinho. � Deixem-no pegar!</p><empty-line/><p>
  Afinal, Ralph convenceu-o a pegar a concha, mas da� as gargalhadas haviam levado a voz do garoto. Porquinho ajoelhou-se ao lado dele, uma das m�os na grande concha, ouvindo e transmitindo para os outros.</p><empty-line/><p>
  � Ele quer saber o que vamos fazer com a coisa-serpente.</p><empty-line/><p>
  Ralph riu e os outros riram com ele. O menino retorceu-se, ficando mais t�mido.</p><empty-line/><p>
  � Conte-nos sobre a coisa-serpente.</p><empty-line/><p>
  � Agora ele diz que era um bicho.</p><empty-line/><p>
  � Bicho?</p><empty-line/><p>
  � Uma coisa-serpente. Muito grande. Ele viu.</p><empty-line/><p>
  � Onde?</p><empty-line/><p>
  � No mato.</p><empty-line/><p>
  As brisas errantes ou talvez o sol declinando espalharam um sopro frio sob as �rvores. Os meninos sentiram-no e se agitaram.</p><empty-line/><p>
  � N�o pode haver um bicho, uma coisa-serpente, numa ilha deste tamanho � explicou Ralph, gentilmente. � S� h� coisas assim em lugares grandes como a �frica ou a �ndia.</p><empty-line/><p>
  Um murm�rio. E graves cabe�as afirmando.</p><empty-line/><p>
  � Ele diz que o bicho veio no escuro.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o ele n�o p�de v�-lo!</p><empty-line/><p>
  Risos e gritos.</p><empty-line/><p>
  � Ouviram s�? Ele disse que viu a coisa... no escuro!</p><empty-line/><p>
  � Ele ainda diz que viu o bicho. Ele veio e foi embora, voltou e queria com�-lo...</p><empty-line/><p>
  � Estava sonhando...</p><empty-line/><p>
  Rindo, Ralph buscou um apoio no c�rculo de rostos. Os meninos maiores concordaram; mas, aqui e ali, entre os meninos menores, havia d�vidas que precisavam de mais que garantias racionais.</p><empty-line/><p>
  � Deve ter tido um pesadelo. Metido entre todas essas plantas.</p><empty-line/><p>
  Novos gestos graves de afirma��o; eles conheciam pesadelos.</p><empty-line/><p>
  � Ele diz que viu o bicho, a coisa-serpente, e que ele voltar� hoje � noite!</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o existe esse bicho!</p><empty-line/><p>
  N�o houve risadas dessa vez, apenas olhares graves.</p><empty-line/><p>
  Ralph passou as duas m�os no cabelo e olhou para o menino, num misto de divers�o e exaspera��o.</p><empty-line/><p>
  Jack pegou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Ralph tem raz�o, claro. N�o existe uma coisa-serpente. Mas se houver uma cobra, n�s a ca�aremos e mataremos. Vamos ca�ar porcos e trazer carne para todo mundo. E procuraremos a serpente tamb�m...</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o existe a serpente?</p><empty-line/><p>
  � Teremos certeza quando formos ca�ar.</p><empty-line/><p>
  Ralph estava chateado e, nesse instante, derrotado. Sentiu-se ante algo inacess�vel. Os olhos que o fixavam atentamente n�o mostravam humor.</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o existe esse bicho!</p><empty-line/><p>
  Algo desconhecido tomava-o e o levava a repetir sempre, bem alto.</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o existe esse bicho!</p><empty-line/><p>
  A assembleia silenciou.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou a concha outra vez e seu bom humor voltou, enquanto pensava no que dizer em seguida.</p><empty-line/><p>
  � Agora, chegamos ao mais importante. Estive pensando. Pensei enquanto sub�amos a montanha. � Disparou um sorriso conspirat�rio para os outros dois. � E na praia, agorinha mesmo. Foi isso o que eu pensei: queremos nos divertir. E queremos ser salvos.</p><empty-line/><p>
  O apaixonado ru�do de concord�ncia vindo dos outros atingiu-o como uma onda e ele perdeu o fio. Pensou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Queremos ser salvos; e, sem d�vida, seremos salvos.</p><empty-line/><p>
  Vozes se misturaram. A simples afirmativa, despida de qualquer prova, al�m do peso da nova autoridade de Ralph, trouxe luz e felicidade. Ele teve de sacudir a concha antes de poder ser ouvido de novo.</p><empty-line/><p>
  � Meu pai � da Marinha. Ele disse que n�o h� mais ilhas desconhecidas. Disse que a rainha tem uma sala grande cheia de mapas e todas as ilhas do mundo est�o situadas ali. Logo, a rainha tem um mapa daqui.</p><empty-line/><p>
  Novamente voltaram os sons de alegria e de melhor disposi��o.</p><empty-line/><p>
  � E mais cedo ou mais tarde um navio chegar� aqui. Pode ser at� o navio do meu pai. Como voc�s veem, cedo ou tarde, seremos salvos.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa, tendo dito o que queria. O grupo orientara-se para a seguran�a atrav�s das suas palavras. Gostavam dele e agora o respeitavam. Espontaneamente, come�aram a bater palmas e logo a plataforma estava tomada por aplausos. Ralph corou, olhando de lado para a franca admira��o de Porquinho, depois para o outro lado, para Jack que sorria afetadamente e mostrava que tamb�m sabia aplaudir.</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu a concha.</p><empty-line/><p>
  � Calem-se! Esperem! Ou�am!</p><empty-line/><p>
  Falou, no sil�ncio imediato que se fez, apoiado no pr�prio triunfo.</p><empty-line/><p>
  � H� outra coisa. Podemos ajudar aos que nos procurarem. Se um navio chegar perto da ilha, poder� n�o nos perceber. Precisamos fazer um sinal de fuma�a no cimo da montanha. Precisamos fazer uma fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Uma fogueira! Fazer uma fogueira!</p><empty-line/><p>
  Logo, metade dos meninos estava de p�. Jack gritava no meio deles, esquecido da concha.</p><empty-line/><p>
  � Vamos! Sigam-me!</p><empty-line/><p>
  O espa�o sob as palmeiras enchia-se de barulho e movimento. Ralph tamb�m estava de p�, pedindo sil�ncio aos gritos, mas ningu�m o ouvia. Imediatamente, o grupo dirigiu-se para a ilha e sumiu, seguindo Jack. At� os menores foram e seguiam o melhor poss�vel entre as folhas e troncos partidos. Ralph ficara, segurando a concha, sozinho com Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Porquinho j� recuperara o f�lego.</p><empty-line/><p>
  � Como crian�as! � disse, com desprezo. � Agiram como um bando de crian�as!</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou-o, hesitante, e largou a concha no tronco da �rvore.</p><empty-line/><p>
  � Aposto que j� � hora do ch� � disse Porquinho. � Que pensam fazer naquela montanha?</p><empty-line/><p>
  Acariciava respeitosamente a concha, mas parou e olhou para cima.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ei! Aonde vai?</p><empty-line/><p>
  Ralph j� estava trepando pelas primeiras filas de galhos quebrados da escarpa. Bem � frente dele havia o som de coisas quebrando e risos.</p><empty-line/><p>
  Porquinho olhou-o, com desgosto.</p><empty-line/><p>
  � Como um bando de crian�as...</p><empty-line/><p>
  Suspirou, inclinou-se e amarrou os sapatos. O barulho do grupo errante desapareceu montanha acima. Ent�o, com a express�o martirizada de um pai que tem de suportar a insensata atividade dos filhos, Porquinho pegou a concha, virou-se para a floresta e come�ou a avan�ar pela escarpa pedregosa.</p><p>Al�m do outro lado do cimo da montanha havia uma plataforma de floresta. Mais uma vez, Ralph juntou as duas m�os em forma de concha.</p><empty-line/><p>
  � L� embaixo poderemos arranjar tanta madeira quanto quisermos.</p><empty-line/><p>
  Jack confirmou e estirou o l�bio inferior. O grupo de �rvores, que nascia a seus p�s a uns trinta metros, na encosta mais abrupta da montanha, parecia estar destinado a servir de combust�vel. As �rvores, for�adas pelo calor �mido, n�o chegavam a crescer o bastante na pouca terra existente, ca�am cedo e apodreciam: os cip�s as envolviam e novos brotos procuravam um caminho para cima.</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se para o coro, que estava pronto para tudo. Os bon�s pretos dos meninos ca�am-lhes sobre uma das orelhas como boinas.</p><empty-line/><p>
  � Vamos fazer uma pilha de madeira. Vamos.</p><empty-line/><p>
  Acharam o melhor caminho para descer e come�aram a apanhar a madeira morta. Todos os meninos pequenos que chegaram ao cimo tamb�m colaboraram, at� que todo mundo, menos Porquinho, estava ocupado. A maior parte da madeira estava t�o podre que, ao ser puxada, despeda�ava-se em por��es de fragmentos e lascas podres. Mas alguns troncos sa�am inteiros. Os g�meos, Sam e Eric, foram os primeiros a achar um tronco apropriado, mas nada puderam fazer at� que Ralph, Jack, Simon, Roger e Maurice conseguissem espa�o para puxar. Ent�o, i�aram a grotesca coisa morta rocha acima e a levaram at� o topo. Cada grupo de meninos trouxe um pouco mais, um pouco menos, e a pilha cresceu. Ao voltar, Ralph viu-se a s�s com Jack, ante um tronco, e ambos sorriram, dividindo a tarefa. Mais uma vez, entre a brisa, os gritos, a luz obl�qua do sol na alta montanha, descera aquele encantamento, aquela estranha e invis�vel luz de amizade, aventura e contentamento.</p><empty-line/><p>
  � � quase pesado demais.</p><empty-line/><p>
  Jack sorriu.</p><empty-line/><p>
  � N�o para n�s dois.</p><empty-line/><p>
  Juntos, unidos no esfor�o pelo desafio, subiram, penando, a �ltima encosta da montanha. Juntos cantaram � Um! Dois! Tr�s! e lan�aram o tronco na grande pilha. Ent�o recuaram, rindo de prazer triunfante, de modo que Ralph, imediatamente, teve de plantar uma bananeira. Abaixo deles, havia meninos ainda trabalhando, embora alguns dos menores j� tivessem perdido interesse naquilo, passando a buscar frutas na nova floresta. Os g�meos, com insuspeitada intelig�ncia, subiram com mont�es de folhas secas nos bra�os e as comprimiram contra a pilha. Um a um, � medida que achavam que a pilha estava pronta, os meninos pararam de ir buscar mais material e ficaram por ali, de p�, no centro do topo rosado e pedregoso da montanha. A respira��o voltava ao normal e o suor j� secava.</p><empty-line/><p>
  Ralph e Jack entreolharam-se enquanto os outros esperavam, perto deles. Tomavam consci�ncia da situa��o, estavam envergonhados e n�o sabiam como confessar.</p><empty-line/><p>
  Ralph falou primeiro, todo vermelho.</p><empty-line/><p>
  � Voc� quer?</p><empty-line/><p>
  Limpou a garganta e repetiu.</p><empty-line/><p>
  � Voc� quer acender o fogo?</p><empty-line/><p>
  Agora, a situa��o absurda era evidente. Jack tamb�m corou. Come�ou a resmungar vagamente.</p><empty-line/><p>
  � � preciso esfregar duas varinhas... Voc� esfrega...</p><empty-line/><p>
  Olhou para Ralph, que pronunciou a confiss�o definitiva de incompet�ncia.</p><empty-line/><p>
  � Algu�m trouxe f�sforos?</p><empty-line/><p>
  � � s� fazer um arco e dar voltas com a flecha � disse Roger. Esfregou as m�os, imitando o movimento. � Psss. Psss.</p><empty-line/><p>
  Um ventinho passou pela montanha. Porquinho chegou com ele, de cal�a curta e camisa, saindo cautelosamente da floresta, com o sol da tarde refletindo-se nos seus �culos. Segurava a concha sob o bra�o.</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho! Voc� tem f�sforos?</p><empty-line/><p>
  Os outros meninos tamb�m gritaram, at� a montanha vibrar. Porquinho sacudiu a cabe�a e se aproximou da pilha.</p><empty-line/><p>
  � Puxa! � um monte e tanto de madeira, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Jack, subitamente, apontou.</p><empty-line/><p>
  � Os �culos... vamos usar as lentes para acender o fogo!</p><empty-line/><p>
  Porquinho foi cercado antes de poder dar um passo para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � Ei! Larguem-me! � Sua voz irrompeu num guincho de terror, quando Jack tirou-lhe os �culos do rosto. � Cuidado! Devolvam-me! N�o vejo nada! Vou quebrar a concha!</p><empty-line/><p>
  Ralph deu-lhe uma cotovelada, afastando-o, e ajoelhou-se ao lado da pilha.</p><empty-line/><p>
  � Saiam de frente da luz.</p><empty-line/><p>
  Houve empurr�es e pux�es e gritos fingidos. Ralph moveu as lentes para frente e para tr�s, de um lado e do outro, at� que uma brilhante imagem branca do sol poente caiu num peda�o de madeira podre. Quase imediatamente, uma d�bil fumacinha subiu e fez com que tossisse. Jack tamb�m se ajoelhou e soprou suavemente, de modo que a fuma�a afastou-se, adensando-se, e uma chama pequena apareceu. A chama, quase invis�vel no come�o, sob a brilhante luz solar, envolveu um raminho, cresceu, enriqueceu-se de cor e atingiu um galho que explodiu com um craque seco. A chama pulou para cima e os meninos explodiram em aplausos.</p><empty-line/><p>
  � Meus �culos! � uivou Porquinho. � Deem-me os �culos!</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se e afastou-se da pilha, colocando os �culos nas m�os tateantes de Porquinho. A voz deste reduziu-se a um murm�rio.</p><empty-line/><p>
  � S� manchas, � tudo. Mal vejo minha m�o...</p><empty-line/><p>
  Os meninos dan�avam. A pilha estava t�o podre e t�o seca que troncos inteiros se entregavam apaixonadamente �s chamas amarelas que surgiam sempre para cima numa grande l�ngua de fogo de mais de dez metros de altura. A metros da fogueira, o calor era como um sopro e a brisa era um rio de centelhas. Os troncos se transformavam em poeira branca.</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou.</p><empty-line/><p>
  � Mais madeira! Voc�s todos, tragam mais madeira!</p><empty-line/><p>
  A vida se tornou uma corrida com o fogo e os meninos espalharam-se pela parte superior da floresta. Manter uma boa fogueira na montanha era o objetivo imediato e ningu�m pensava no que viria depois. At� os meninos menores, a n�o ser que fossem atra�dos pelas frutas, traziam pedacinhos de madeira e os jogavam na pira. O ar movia-se um pouco mais depressa e logo se tornou um vento fraco � com uma n�tida diferen�a a sotavento e a barlavento. Num lado, o ar era frio, mas no outro, o fogo estendia um bra�o selvagem de calor que encrespava os cabelos num instante. Os meninos sentiram o vento da tardinha nas suas caras �midas, pararam para desfrutar do seu frescor e descobriram que estavam exaustos. Estenderam-se nas sombras que havia entre as rochas espalhadas. A l�ngua de fogo diminuiu rapidamente; os troncos da pira ca�ram para o lado de dentro, com um ru�do baixo e abafado pela cinza, levantando uma grande �rvore que lan�ava fagulhas e que se dobrou, afastando-se, flutuando ao sabor do vento. Os meninos ficaram deitados, ofegantes como cachorros.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou a cabe�a, apoiada entre os bra�os.</p><empty-line/><p>
  � N�o foi bom.</p><empty-line/><p>
  Roger cuspiu na poeira quente.</p><empty-line/><p>
  � O qu�?</p><empty-line/><p>
  � N�o tinha fuma�a. S� fogo.</p><empty-line/><p>
  Porquinho instalara-se numa sali�ncia entre duas rochas e estava sentado, com a concha entre os joelhos.</p><empty-line/><p>
  � Fizemos uma fogueira que n�o serviu para nada. N�o vamos poder conservar uma fogueira assim o tempo todo � disse ele.</p><empty-line/><p>
  � Voc� fez muito mesmo � disse Jack, com desprezo. � Ficou a� sentado.</p><empty-line/><p>
  � N�s usamos os �culos dele � disse Simon, sujando a face de preto com o antebra�o. � Ele ajudou desse jeito.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha � disse Porquinho, indignado. � Deixem-me falar!</p><empty-line/><p>
  � Aqui no topo da montanha, a concha n�o vale � disse Jack. � Cale a boca!</p><empty-line/><p>
  � Estou segurando a concha.</p><empty-line/><p>
  � � s� p�r galhos verdes � disse Maurice. � � o melhor jeito de fazer fuma�a.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha...</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se furiosamente.</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca!</p><empty-line/><p>
  Porquinho ficou quieto. Ralph pegou a concha e olhou em volta para o c�rculo de meninos.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de gente s� para cuidar do fogo. Qualquer dia pode aparecer um navio � fez um gesto com o bra�o, abarcando o tenso limite do horizonte � e se tivermos um sinal eles vir�o nos resgatar. E outra coisa. Devemos ter mais regras. Onde a concha estiver pode sempre haver reuni�o. Aqui em cima ou l� embaixo.</p><empty-line/><p>
  Assentiram. Porquinho abriu a boca para falar, percebeu o olhar de Jack e desistiu. Jack estendeu a m�o para a concha e se levantou, segurando cuidadosamente o delicado objeto nas palmas cobertas de fuligem.</p><empty-line/><p>
  � Concordo com Ralph. Precisamos ter regras e obedecer a elas. Afinal, n�o somos selvagens. Somos ingleses e os ingleses s�o melhores em tudo. Logo, precisamos fazer as coisas certas.</p><empty-line/><p>
  Virou-se para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Ralph... vou dividir o coro... meus ca�adores, isto �... em grupos. E seremos respons�veis pela manuten��o do fogo...</p><empty-line/><p>
  A generosidade fez irromper uma chuva de aplausos dos meninos; Jack sorriu para eles, depois sacudiu a concha, pedindo sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � Vamos deixar o fogo apagar agora. Afinal, quem vai ver fuma�a no escuro? E podemos acender a fogueira de novo quando quisermos. Contraltos podem cuidar da fogueira esta semana; sopranos, na semana que vem...</p><empty-line/><p>
  O grupo concordou, gravemente.</p><empty-line/><p>
  � E n�s seremos respons�veis tamb�m pelo trabalho de vigia. Se virmos um navio l� � seguiram com o olhar a dire��o apontada pelo bra�o ossudo �, colocaremos galhos verdes na fogueira. Ent�o, haver� mais fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Todos olharam atentamente para o denso azul do horizonte, como se uma pequena silhueta pudesse aparecer ali a qualquer momento.</p><empty-line/><p>
  No oeste, o sol era uma gota de ouro ardente que deca�a mais e mais para perto do umbral do mundo. De repente, todos perceberam que a noite era o fim da luz e do calor.</p><empty-line/><p>
  Roger pegou a concha e olhou em volta, sombriamente.</p><empty-line/><p>
  � Estive olhando o mar. N�o h� sinal de barco. Talvez nunca sejamos salvos.</p><empty-line/><p>
  Um murm�rio levantou-se e logo se extinguiu. Ralph pegou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse antes que algum dia nos achar�o. S� teremos de esperar; mais nada.</p><empty-line/><p>
  Um audaz e indignado Porquinho pegou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Foi isso que eu disse! Eu falei das reuni�es e outras coisas, ent�o me mandaram calar a boca...</p><empty-line/><p>
  Ergueu a voz num tom queixoso de virtuosa recrimina��o. Os meninos se agitaram e come�aram a gritar contra ele.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s disseram que queriam fazer uma fogueirinha e acabaram fazendo uma pilha parecida com um monte de feno. Se eu tento falar qualquer coisa � gritou Porquinho, com amargo realismo �, dizem para eu calar a boca; mas se fosse Jack ou Maurice ou Simon...</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa em meio ao tumulto, de p�, olhando para al�m deles e para baixo, l� onde ficava a encosta inimiga da montanha e a grande mancha em que haviam achado a madeira. Ent�o, riu t�o estranhamente que todos se calaram, olhando espantados para o brilho dos �culos dele. Seguiram seu olhar para descobrir a piada ir�nica.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s acabaram conseguindo uma fogueirinha.</p><empty-line/><p>
  Fuma�a subia aqui e ali entre as trepadeiras que engrinaldavam as �rvores mortas ou moribundas. Enquanto olhavam, uma fa�sca de fogo apareceu na raiz de um arbusto e, ent�o, a fuma�a se adensou. Pequenas chamas moveram-se pelo corpo de uma �rvore e avan�aram atrav�s de folhas e mato, dividindo-se e aumentando. Uma brasa tocou um tronco de �rvore e subiu por ele como um esquilo serelepe. A fuma�a aumentou, separou-se, formou-se em ondas. O esquilo saltou nas asas do vento e agarrou-se em outra �rvore ereta, devorando-a inteira. Sob a escura ab�bada de folhas e fuma�a, o fogo agarrou-se � floresta e come�ou a ro�-la. Acres de fuma�a negra e amarela rolaram firmemente rumo ao mar. Ante a vis�o das chamas e da irresist�vel caminhada do fogo, os meninos irromperam em vivas agudos e excitados. Como uma esp�cie de animal selvagem, as chamas rastejaram, tal um jaguar rastejando sobre o ventre, rumo a uma linha de brotos semelhantes a b�tulas que bordejavam uma sali�ncia da rocha rosada. Saltaram para a primeira das �rvores e os galhos mostraram uma breve folhagem de fogo. O cora��o da chama pulou agilmente atrav�s da dist�ncia entre as �rvores e ent�o balan�ou e brilhou por toda a fileira. Sob os meninos que davam saltos, meio quil�metro quadrado de floresta era uma f�ria selvagem de fuma�a e chamas. Os ru�dos do fogo fundiram-se num s� como um rufar de tambores que parecia abalar a montanha.</p><empty-line/><p>
  � Pronto, a� est� a fogueirinha.</p><empty-line/><p>
  Espantado, Ralph percebeu que os meninos estavam ficando parados e quietos, sentindo um come�o de medo ante o poder desencadeado abaixo deles. A compreens�o disso e o medo enfureceram-no.</p><empty-line/><p>
  � Ora, cale a boca!</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha � disse Porquinho, ferido. � Tenho direito de falar.</p><empty-line/><p>
  Olharam-no com olhos onde s� havia desinteresse, os ouvidos atentos para o rufar de tambores do fogo. Porquinho relanceou a vista nervosamente pelo inferno e abra�ou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Temos que deixar queimar tudo, agora. E essa era a nossa lenha.</p><empty-line/><p>
  Lambeu os l�bios.</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos fazer nada. Dever�amos ter mais cuidado. Estou com medo...</p><empty-line/><p>
  Jack tirou os olhos do fogo.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sempre com medo. N�o �... Gordinho?</p><empty-line/><p>
  � Eu estou com a concha � disse Porquinho debilmente. Virou-se para Ralph. � Eu estou com a concha, n�o �, Ralph?</p><empty-line/><p>
  Contra a vontade, Ralph deixou de olhar a espl�ndida e terr�vel cena.</p><empty-line/><p>
  � O que foi?</p><empty-line/><p>
  � A concha. Tenho direito de falar.</p><empty-line/><p>
  Os g�meos riram juntos.</p><empty-line/><p>
  � Quer�amos fuma�a...</p><empty-line/><p>
  � Vejam agora...</p><empty-line/><p>
  Uma fumaceira estendia-se a quil�metros de dist�ncia da ilha. Todos os meninos, menos Porquinho, come�aram a rir; logo, estavam explodindo em gargalhadas.</p><empty-line/><p>
  Porquinho perdeu a paci�ncia.</p><empty-line/><p>
  � Eu estou com a concha! Escutem! A primeira coisa que dever�amos ter feito eram abrigos l� na praia. L� n�o faz nem metade do frio � noite. Mas bastou Ralph dizer �fogueira� para todos sa�rem uivando e gritando montanha acima. Como um bando de crian�as!</p><empty-line/><p>
  Agora, todos estavam ouvindo a tirada.</p><empty-line/><p>
  � Como esperam ser salvos se n�o fazem primeiro o que tem de ser feito primeiro e n�o agem certo?</p><empty-line/><p>
  Tirou os �culos e fez um gesto como se fosse largar a concha, mas o s�bito avan�o da maioria dos meninos maiores para ela fez com que mudasse de ideia. Enfiou a concha embaixo do bra�o e encostou-se numa pedra.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o, quando chegaram aqui, fizeram uma fogueira in�til. Tudo que conseguiram foi p�r fogo na ilha. N�o seria engra�ado se a ilha inteira pegasse fogo? Frutas cozidas � o que ter�amos para comer, al�m de porco queimado. E n�o � nada engra�ado! Voc�s disseram que Ralph era o chefe e n�o lhe deram tempo para pensar. Da�, quando ele disse uma coisa, voc�s sa�ram correndo como, como...</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa para ganhar f�lego e o fogo grunhiu para eles.</p><empty-line/><p>
  � E n�o � tudo. Os meninos. Os pequenos. Quem tomou conta deles? Quem sabe quantos eram?</p><empty-line/><p>
  Ralph, de repente, deu um passo em frente.</p><empty-line/><p>
  � Eu lhe disse. Eu lhe disse para fazer uma lista de nomes!</p><empty-line/><p>
  � Como eu podia fazer? Sozinho? � gritou Porquinho, indignado. � Ficaram ali uns dois minutos. Depois, ca�ram no mar, entraram pela floresta, espalharam-se por toda parte. Como eu podia saber quem era quem?</p><empty-line/><p>
  Ralph passou a l�ngua pelos l�bios p�lidos.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o voc� n�o sabe quantos de n�s havia?</p><empty-line/><p>
  � Como eu podia saber com os pequenos correndo em volta como insetos? Ent�o, quando voc�s tr�s voltaram, assim que voc� falou da fogueira, todos correram para longe e eu n�o tive chance...</p><empty-line/><p>
  � Chega! � disse Ralph, asperamente, pegando a concha de Porquinho. � Se n�o deu, n�o deu.</p><empty-line/><p>
  � ...ent�o, viemos aqui em cima e pegaram meus �culos.</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se para ele.</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca!</p><empty-line/><p>
  � ...e os pequenos estavam l� por baixo, onde est� pegando fogo. Como saberemos se ainda n�o est�o l�?</p><empty-line/><p>
  Porquinho levantou-se e apontou para a fuma�a e as chamas. Um murm�rio levantou-se entre os meninos e morreu. Algo estranho estava acontecendo com Porquinho, que arquejava para respirar.</p><empty-line/><p>
  � Aquele pequeno... � balbuciou Porquinho �, aquele com o sinal no rosto, n�o o estou vendo. Onde est� ele agora?</p><empty-line/><p>
  O grupo ficou silencioso como a morte.</p><empty-line/><p>
  � Aquele que falava de cobras. Ele estava l� embaixo...</p><empty-line/><p>
  Uma �rvore explodiu no fogo como uma bomba. Altos ramos de trepadeiras surgiram � vista por um instante, agonizaram e ca�ram de novo. Os meninos menores gritaram.</p><empty-line/><p>
  � Cobras! Cobras! Vejam as cobras!</p><empty-line/><p>
  No oeste, despercebido, o sol estava s� a um ou dois cent�metros do mar. Os rostos estavam iluminados de vermelho por uma luz que vinha de baixo. Porquinho deixou-se cair contra uma pedra e a pegou com as duas m�os.</p><empty-line/><p>
  � Aquele pequeno que tinha um sinal na... cara... onde est�... agora? Eu n�o o estou vendo.</p><empty-line/><p>
  Os meninos entreolharam-se, assustados, sem acreditar.</p><empty-line/><p>
  � ...onde est�?</p><empty-line/><p>
  Ralph murmurou a resposta, como que envergonhado.</p><empty-line/><p>
  � Talvez ele tenha voltado para o...</p><empty-line/><p>
  Sob eles, do lado inimigo da montanha, continuava o rufar de tambores.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>3</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Cabanas na praia</strong></p><p>Jack estava dobrado sobre si mesmo, agachado como um corredor, o nariz a poucos cent�metros do ch�o �mido. Os troncos das �rvores e as trepadeiras que os circundavam perdiam-se numa sombra verde a nove metros de altura, sobre ele, enquanto ao seu redor dominava o mato rasteiro. Ali aparecia apenas a leve pista de uma trilha: um raminho partido e o que poderia ser o sinal de uma borda de casco. Ele baixou o queixo e ficou olhando as pegadas como que as for�ando a falar. Ent�o, imitando um cachorro, pouco � vontade de quatro, mas sem ligar para isso, avan�ou uns cinco metros e parou. Um la�o de trepadeira mostrava uma gavinha pendente de um n�dulo. A gavinha estava polida na borda inferior: os porcos, ao passarem pelo la�o, raspavam nela com seu lombo hirsuto.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou agachado, com o rosto a poucos cent�metros dessa pista, depois olhou fixamente para a semiescurid�o dos arbustos. Seu cabelo cor de areia, muito mais comprido do que quando haviam chegado, estava mais claro agora. Suas costas nuas eram uma mistura de sardas escuras e pele descascada de queimaduras de sol. Na m�o direita carregava um pau afiado de um metro e meio de comprimento; n�o tinha roupas al�m da esfarrapada cal�a curta, segura pelo cintur�o da faca. Fechou os olhos, levantou a cabe�a, farejou a corrente de ar quente em busca de informa��o. Ele e a floresta estavam muito quietos.</p><empty-line/><p>
  Enfim, deixou escapar um longo suspiro e abriu os olhos. Eram de um azul brilhante � olhos que a frustra��o tornava faiscantes e quase dementes. Passou a l�ngua pelos l�bios secos e examinou a floresta nada comunicativa. Ent�o, avan�ou novamente, verificando o ch�o aqui e ali.</p><empty-line/><p>
  O sil�ncio da floresta era mais opressivo que o calor e, nessa hora do dia, n�o havia nem o zumbido dos insetos. S� quando Jack espantou um p�ssaro espalhafatoso, de um primitivo ninho de raminhos, � que o sil�ncio se rompeu e os ecos repetiram um grito agudo que parecia ter vindo de abismos imemoriais. O pr�prio Jack se encolheu diante desse grito, e inspirou profundamente com um assobio. Por um momento, deixava de ser um ca�ador e era uma coisa furtiva, parecida com um macaco, entre a confus�o das �rvores. Ent�o, a trilha, a frustra��o, exigiram-no outra vez e ele passou a observar avidamente o ch�o. Junto a uma grande �rvore onde cresciam flores p�lidas num tronco cinzento, ele examinou, fechou os olhos e farejou novamente o ar c�lido. Desta vez, a respira��o curta, uma palidez passageira � e uma s�bita onda de sangue lhe subiu ao rosto. Passou como uma sombra sob a escurid�o da �rvore e se agachou, olhando para o ch�o pisado aos seus p�s.</p><empty-line/><p>
  Os excrementos estavam quentes. Empilhavam-se entre a terra revolvida. Eram verde-oliva, lisos e fumegavam um pouco. Jack levantou a cabe�a e fixou o olhar na massa inescrut�vel das trepadeiras que cruzavam a trilha. Ent�o, levantou a lan�a e correu para a frente. Al�m das trepadeiras, a trilha se juntava a marcas suficientemente numerosas e calcadas para transformar tudo num quase caminho. O ch�o estava endurecido pela passagem constante de animais e, quando Jack se levantou totalmente, ouviu algo se mexer ali. Levou o bra�o direito para tr�s e atirou a lan�a com toda a sua for�a. Da trilha veio o r�pido e pesado soar de cascos, um som de castanholas, sedutor, enlouquecedor � a promessa de carne. Ele atravessou correndo os arbustos e pegou a lan�a. O trote dos porcos extinguia-se ao longe.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou ali, banhado em suor, sujo de terra marrom, manchado por todas as vicissitudes de um dia de ca�a. Xingando, voltou pela trilha e avan�ou at� onde a floresta se abria um pouco, at� onde, em vez de troncos nus encimados por copas escuras, havia troncos cinza-claros e coroas emplumadas de palmas. Al�m deles, brilhava o mar, e Jack p�de ouvir as vozes. Ralph estava de p�, junto a uma constru��o de troncos e folhas de palmeiras, um abrigo rude de frente para a lagoa, que parecia prestes a desmoronar. Ele n�o ouviu Jack falar.</p><empty-line/><p>
  � Arranjou �gua?</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para cima, franzindo a testa, deixando as folhas entrela�adas. N�o percebeu Jack nem quando o viu.</p><empty-line/><p>
  � Eu perguntei se voc� arranjou �gua. Estou com sede.</p><empty-line/><p>
  Ralph afastou de vez a aten��o do abrigo e percebeu Jack, com um sobressalto.</p><empty-line/><p>
  � Oh, oi. �gua? L� perto da �rvore. Acho que ainda h� um pouco.</p><empty-line/><p>
  Jack pegou uma casca de coco cheia at� a boca de �gua fresca, de uma s�rie que fora colocada � sombra, e bebeu. A �gua derramou-se pelo seu queixo, pelo pesco�o e pelo peito. Deu um suspiro barulhento quando acabou.</p><empty-line/><p>
  � Eu precisava disso.</p><empty-line/><p>
  Simon falou de dentro do abrigo.</p><empty-line/><p>
  � Mais pra cima.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para o abrigo e levantou um galho com todo um telhado de folhas.</p><empty-line/><p>
  As folhas se separaram e ca�ram flutuando. A cara triste de Simon apareceu no buraco.</p><empty-line/><p>
  � Desculpe.</p><empty-line/><p>
  Ralph observou o desastre com desgosto.</p><empty-line/><p>
  � Nunca terminaremos.</p><empty-line/><p>
  Atirou-se no ch�o, perto de Jack. Simon ficou olhando do buraco de dentro do abrigo. Embaixo, Ralph explicou.</p><empty-line/><p>
  � Faz dias que trabalhamos. E veja!</p><empty-line/><p>
  Dois abrigos estavam de p�, mas vacilantes. Este era uma ru�na.</p><empty-line/><p>
  � E continuam sumindo. Lembra-se da reuni�o? Como todo mundo iria dar duro at� acabar os abrigos?</p><empty-line/><p>
  � Menos eu e meus ca�adores...</p><empty-line/><p>
  � Menos os ca�adores. Bem, os pequenos n�o...</p><empty-line/><p>
  Gesticulou, buscando uma palavra.</p><empty-line/><p>
  � N�o t�m rem�dio. Os mais velhos n�o s�o muito melhores. Voc� v� s�? Trabalhei o dia inteiro com Simon. Mais ningu�m. Foram pro mar, comer ou brincar.</p><empty-line/><p>
  Simon tirou a cabe�a para fora, cuidadosamente.</p><empty-line/><p>
  � Voc� � o chefe. Fale com eles.</p><empty-line/><p>
  Ralph deitou-se e olhou para as palmeiras e o c�u.</p><empty-line/><p>
  � Reuni�es. N�s n�o adoramos reuni�es? Todo dia, duas vezes por dia. N�s falamos. � Ficou de lado, apoiado num cotovelo. � Aposto que se eu tocar a concha neste minuto, eles vir�o correndo. Ent�o, voc� sabe, bancaremos os solenes e algu�m falar� que dever�amos construir um jato, um submarino ou um aparelho de televis�o. Quando a reuni�o acabar, eles trabalhar�o uns cinco minutos, depois ir�o passear ou ca�ar.</p><empty-line/><p>
  Jack corou.</p><empty-line/><p>
  � N�s queremos carne.</p><empty-line/><p>
  � Bem, ainda n�o conseguimos. E queremos abrigos. Al�m disso, o resto dos seus ca�adores voltou h� horas. Ficaram nadando.</p><empty-line/><p>
  � Eu continuei � disse Jack. � Eu os deixei ir. Eu tinha de continuar. Eu...</p><empty-line/><p>
  Ele tentou comunicar a compuls�o de rastrear e matar que o estava devorando.</p><empty-line/><p>
  � Eu continuei. Pensei que sozinho...</p><empty-line/><p>
  A loucura voltou aos seus olhos.</p><empty-line/><p>
  � Eu pensei que poderia matar.</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o matou.</p><empty-line/><p>
  � Pensei que poderia.</p><empty-line/><p>
  Uma paix�o oculta vibrou na voz de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o conseguiu ainda.</p><empty-line/><p>
  A observa��o poderia ter passado por casual, n�o fora o tom.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o se importaria de ajudar com os abrigos, n�o �?</p><empty-line/><p>
  � N�s queremos carne...</p><empty-line/><p>
  � E n�o conseguimos ainda.</p><empty-line/><p>
  Agora, o antagonismo era percept�vel.</p><empty-line/><p>
  � Mas eu vou! Da pr�xima vez! Preciso fazer uma ponta afiada nesta lan�a. Ferimos um porco, mas a lan�a n�o se enfiou nele. Se tiv�ssemos pontas bem...</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de abrigos.</p><empty-line/><p>
  De repente, Jack gritou, furioso.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� me acusando...?</p><empty-line/><p>
  � Tudo que disse � que temos um trabalho duro. � s�.</p><empty-line/><p>
  Os dois estavam vermelhos e achavam dif�cil entreolhar-se. Ralph virou de bru�os e come�ou a brincar com a grama.</p><empty-line/><p>
  � Se chover como aconteceu quando chegamos, vamos precisar de abrigos. E mais uma coisa. Precisamos de abrigos porque os...</p><empty-line/><p>
  Fez uma pequena pausa e os dois esqueceram sua raiva. Quando Ralph recome�ou, o assunto era outro, seguro.</p><empty-line/><p>
  � Voc� percebeu, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Jack largou a lan�a e ficou de c�coras.</p><empty-line/><p>
  � Percebeu o qu�?</p><empty-line/><p>
  � Bem, eles est�o com medo.</p><empty-line/><p>
  Virou-se e fixou o rosto altivo e sujo de Jack.</p><empty-line/><p>
  � Do jeito das coisas. Eles sonham. Voc� pode ouvi-los. Voc� j� ficou acordado � noite?</p><empty-line/><p>
  Jack balan�ou a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Eles falam e gritam. Os pequenos. At� alguns dos outros. Como se...</p><empty-line/><p>
  � Como se n�o fosse uma boa ilha.</p><empty-line/><p>
  Espantados pela interrup��o, olharam para o rosto s�rio de Simon.</p><empty-line/><p>
  � Como se... � disse Simon �, o bicho, o bicho ou a coisa-serpente, fosse verdadeiro. Lembram-se?</p><empty-line/><p>
  Os dois meninos mais velhos sobressaltaram-se quando ouviram o nome vergonhoso. N�o se falava agora de cobras, elas n�o eram mencion�veis.</p><empty-line/><p>
  � Como se esta n�o fosse uma boa ilha � disse Ralph lentamente. � Sim, � isso.</p><empty-line/><p>
  Jack sentou-se e esticou as pernas.</p><empty-line/><p>
  � Eles est�o malucos.</p><empty-line/><p>
  � � uma bobagem. Lembra-se de quando fomos explorar?</p><empty-line/><p>
  Sorriram um para o outro, lembrando-se do encantamento do primeiro dia. Ralph continuou.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o, n�s precisamos de abrigos como uma esp�cie de...</p><empty-line/><p>
  � Lar.</p><empty-line/><p>
  � Certo.</p><empty-line/><p>
  Jack encolheu as pernas, abra�ou os joelhos e franziu a testa, num esfor�o para conseguir clareza.</p><empty-line/><p>
  � A mesma coisa na floresta. Quero dizer, quando voc� est� ca�ando... n�o quando est� colhendo frutos, claro, mas quando voc� est� em seu...</p><empty-line/><p>
  Fez uma curta pausa, sem saber se Ralph iria lev�-lo a s�rio.</p><empty-line/><p>
  � Continue.</p><empty-line/><p>
  � Quando voc� est� ca�ando, �s vezes voc� se sente como se... � Corou subitamente.</p><empty-line/><p>
  � Claro, n�o � nada de mais. S� um sentimento. Mas voc� se sente como se n�o estivesse ca�ando, mas... sendo ca�ado. Como se houvesse alguma coisa atr�s de voc� o tempo todo na floresta.</p><empty-line/><p>
  Ficaram quietos de novo: Simon atento, Ralph incr�dulo e levemente indignado. Sentou-se, esfregando um ombro com a m�o suja.</p><empty-line/><p>
  � Bem, n�o sei.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou de p�, num pulo, e falou bem depressa.</p><empty-line/><p>
  � � assim que a gente se sente na floresta. Claro, � s� isso. S�... s�...</p><empty-line/><p>
  Deu alguns passos r�pidos para a praia, depois voltou.</p><empty-line/><p>
  � S� que eu sei como se sentem. Entendeu? � isso.</p><empty-line/><p>
  � A melhor coisa que podemos fazer � que nos venham buscar.</p><empty-line/><p>
  Jack teve de pensar um momento antes de se lembrar sobre qual busca Ralph falara.</p><empty-line/><p>
  � Buscar? Oh, sim, � claro! De qualquer forma, gostaria de pegar um porco antes... � Recolheu a lan�a e a fincou no ch�o. O olhar opaco e transtornado voltou aos seus olhos. Ralph encarou-o criticamente atrav�s de sua franja de cabelo louro.</p><empty-line/><p>
  � Enquanto seus ca�adores se lembrarem da fogueira...</p><empty-line/><p>
  � Voc� e sua fogueira!</p><empty-line/><p>
  Os dois meninos correram para a praia e, de costas para a beira do mar, olharam para a montanha rosada. O fio de fuma�a tra�ava uma linha de giz que subia pelo azul s�lido do c�u, oscilava nas alturas e desaparecia. Ralph franziu a testa.</p><empty-line/><p>
  � De que dist�ncia se poder� ver isso?</p><empty-line/><p>
  � Quil�metros.</p><empty-line/><p>
  � N�o fizemos fuma�a suficiente.</p><empty-line/><p>
  A parte inferior do fio, como que ciente de estar sendo observada, engrossou num borr�o cremoso, que subia pela d�bil coluna.</p><empty-line/><p>
  � Eles colocaram ramos verdes � resmungou Ralph. � Por qu�? � Apertou os olhos e foi girando, para examinar o horizonte.</p><empty-line/><p>
  � Ali!</p><empty-line/><p>
  Jack gritou t�o alto que Ralph pulou.</p><empty-line/><p>
  � Qu�?! Onde? � um navio?</p><empty-line/><p>
  Mas Jack estava apontando para os altos declives que desciam da montanha para a parte plana da ilha.</p><empty-line/><p>
  � Mas claro! Eles ficam ali em cima, devem ficar, quando o sol est� quente demais...</p><empty-line/><p>
  Ralph fixou assombrado o rosto arrebatado de Jack.</p><empty-line/><p>
  � ...sobem l� em cima. Bem alto, na sombra, descansando durante o calor, como vacas no campo...</p><empty-line/><p>
  � Pensei que voc� tinha visto um navio!</p><empty-line/><p>
  � Podemos seguir um... pintar as caras para que n�o nos vejam... talvez cerc�-los e ent�o...</p><empty-line/><p>
  A indigna��o acabou com o controle de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava falando de fuma�a! Voc� n�o quer ser salvo? Tudo que sabe falar � sobre porco, porco, porco!</p><empty-line/><p>
  � Mas n�s queremos carne!</p><empty-line/><p>
  � E eu trabalhei o dia inteiro s� com Simon, para voc� chegar e nem perceber as cabanas!</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m estava trabalhando...</p><empty-line/><p>
  � Mas voc� gosta disso! � gritou Ralph. � Voc� queria ca�ar! Enquanto eu...</p><empty-line/><p>
  Defrontaram-se na praia brilhante, espantados com aquele choque de personalidades. Ralph afastou os olhos primeiro, fingindo estar interessado num grupo de pequenos na areia. Al�m da plataforma, vinham os gritos dos ca�adores na �piscina�. Na ponta da plataforma, Porquinho estava deitado, olhando para a �gua brilhante.</p><empty-line/><p>
  � As pessoas n�o ajudam muito.</p><empty-line/><p>
  Ralph queria dizer que as pessoas nunca eram bem o que se pensava delas.</p><empty-line/><p>
  � Simon. Ele ajuda. � Apontou para os abrigos.</p><empty-line/><p>
  � Os outros sa�ram correndo. Ele fez tanto quanto eu. S�...</p><empty-line/><p>
  � Simon est� sempre disposto.</p><empty-line/><p>
  Ralph dirigiu-se para as cabanas, ao lado de Jack.</p><empty-line/><p>
  � Ajudarei um pouco � resmungou Jack �, antes de tomar banho.</p><empty-line/><p>
  � N�o precisa.</p><empty-line/><p>
  Mas quando chegaram aos abrigos, Simon n�o estava � vista. Ralph olhou pelo buraco e depois virou-se para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Ele se mandou.</p><empty-line/><p>
  � Vou comer alguma coisa � disse Jack �, e tomar banho.</p><empty-line/><p>
  Ralph franziu a testa.</p><empty-line/><p>
  � Ele � um menino estranho. E engra�ado.</p><empty-line/><p>
  Jack confirmou, mais pelo desejo de concordar com alguma coisa e, por consentimento t�cito, afastaram-se do abrigo e foram para a �piscina�.</p><empty-line/><p>
  � E depois � disse Jack �, quando eu tiver tomado banho e comido algo, irei at� o outro lado da montanha, para ver se consigo descobrir alguma pista. Vem?</p><empty-line/><p>
  � Mas o sol est� quase se pondo!</p><empty-line/><p>
  � Terei tempo...</p><empty-line/><p>
  Andavam juntos: dois mundos de experi�ncias e sentimentos, incapazes de se comunicar.</p><empty-line/><p>
  � Se eu pelo menos pegasse um porco!</p><empty-line/><p>
  � Vou voltar e continuar a fazer o abrigo.</p><empty-line/><p>
  Entreolharam-se, desconcertados, com amor e �dio. Toda a quente �gua salgada da �piscina�, os gritos, os risos e as esguichadas de �gua foram apenas suficientes para uni-los novamente.</p><p>Simon, que eles esperavam encontrar ali, n�o estava na �piscina�.</p><empty-line/><p>
  Quando os outros dois haviam corrido para a praia a fim de olhar a montanha, ele os seguira por uns poucos metros, mas logo parou. Com a testa franzida, ficara de p�, olhando para um monte de areia na praia, onde algu�m tentara construir uma casinha, uma cabana. Ent�o, virou as costas e entrou na floresta, com ar decidido. Era um menino baixo e magro, com queixo pontudo e olhos t�o brilhantes que haviam enganado Ralph, fazendo-o acreditar que fosse algu�m deliciosamente alegre e travesso. O desgrenhado monte de cabelo preto era comprido e ca�a, quase escondendo uma testa larga e baixa. Vestia os restos de uma cal�a curta e seus p�s estavam nus como os de Jack. Quase moreno de cor, Simon se queimara at� ficar de um bronzeado escuro, que brilhava com o suor.</p><empty-line/><p>
  Avan�ou escarpa acima, passou pela grande rocha onde Ralph subira na primeira manh�; depois, virou para a direita, internando-se pelas �rvores. Andava com passo seguro atrav�s da �rea de �rvores frut�feras, onde os mais acomodados podiam encontrar alimenta��o f�cil, embora insatisfat�ria. Flores e frutos cresciam juntos na mesma �rvore e, por toda parte, havia o cheiro de coisas maduras e o zumbido de um milh�o de abelhas. Os pequenos que haviam corrido atr�s dele alcan�aram-no ali. Conversaram, gritaram coisas confusas, empurraram-no para as �rvores. Ent�o, entre o barulho das abelhas ao sol da tarde, Simon pegou os frutos que eles n�o conseguiam alcan�ar, descobriu os melhores por entre a folhagem, passou-os para as m�os infinitamente estendidas. Quando os satisfez, fez uma pausa e olhou em torno. Os pequenos observavam-no inescrutavelmente por entre punhados duplos de frutas maduras.</p><empty-line/><p>
  Simon virou-se e se afastou, indo at� onde o levou o caminho menos percept�vel. Logo a floresta virgem fechou-se. Altos troncos mostravam inesperadas flores p�lidas at� a ab�bada escura, onde a vida continuava o seu clamor. O ar tamb�m era escuro ali e as trepadeiras deixavam cair suas lianas como o cordame de navios afundados. Os p�s de Simon deixavam marcas no ch�o macio e as trepadeiras, quando ele as tocava, tremiam de cima abaixo.</p><empty-line/><p>
  Afinal, chegou a um lugar onde batia mais sol. Sem precisar alcan�ar mais longe em busca de luz, as trepadeiras formavam um grande tapete que ficava do lado de uma clareira na mata. Ali, um afloramento da rocha fechava a superf�cie e n�o permitia que nada mais crescesse, al�m de pequenas plantas e samambaias. Todo o espa�o era cercado por arbustos escuros e arom�ticos: era como se fosse um recipiente cheio de luz e calor. Uma grande �rvore tombada num canto inclinava-se contra as ainda eretas e uma �gil trepadeira distribu�a flores vermelhas e amarelas at� sua copa.</p><empty-line/><p>
  Simon parou. Olhou por sobre o ombro, como Jack fizera nos caminhos que se fechavam por tr�s dele, e deu uma olhada r�pida em volta para confirmar que estava completamente s�. Por um instante, seus movimentos foram quase furtivos. Ent�o, inclinou-se e rastejou para o centro do tapete. As trepadeiras e os arbustos estavam t�o cerrados � seu suor ficou neles � que se fecharam ap�s sua passagem. Quando ficou a salvo no meio, encontrou-se numa pequena cabana, separada da clareira por poucas folhas. Agachou-se, afastou as folhas e olhou para a clareira. Nada se movia a n�o ser um par de irisadas borboletas que dan�ava em c�rculos no ar c�lido. Prendendo a respira��o, ficou atento aos sons da ilha. A noite avan�ava; rareavam os sons dos fant�sticos p�ssaros brilhantes, os zumbidos das abelhas, e at� os gritos das gaivotas que voltavam aos seus abrigos entre as pedras quadradas. As ondas do mar aberto quebrando-se, a quil�metros de dist�ncia, no recife, faziam um acompanhamento menos percept�vel que o sussurro do sangue.</p><empty-line/><p>
  Simon deixou cair a cortina de folhas. A inclina��o das franjas da luz cor de mel diminuiu; o sol deslizou pelos arbustos, passou sobre os bot�es semelhantes a velas verdes, moveu-se rumo � ab�bada e, sob as �rvores, a escurid�o se acentuou. Com a diminui��o da luz, as cores berrantes amorteceram e o calor e a prem�ncia se reduziram. Os bot�es-velas se mexeram. Suas s�palas verdes abriram-se um pouco e as pontas brancas das flores subiram delicadamente ao encontro do ar livre.</p><empty-line/><p>
  Agora, a luz do sol subira, abandonando a clareira, retirando-se do c�u. A escurid�o dominava, submergindo os caminhos entre as �rvores, tornando-os vagos e estranhos como o fundo do mar. Os bot�es-velas abriram suas grandes flores brancas que brilharam sob a luz que ca�a, imprecisa, das primeiras estrelas. E o cheiro espalhou-se pelo ar e tomou posse da ilha.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>4</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Caras pintadas e cabelos compridos</strong></p><p>O primeiro ritmo a que se acostumaram foi a lenta passagem da alvorada ao r�pido crep�sculo. Aceitaram os prazeres da manh�, o sol brilhante, o mar que subia pela praia e o ar leve, como um per�odo em que brincar era �timo e a vida t�o cheia que a esperan�a era desnecess�ria e at� esquecida. Por volta do meio-dia, � medida que torrentes de luz ca�am perpendicularmente, as cores puras da manh� eram suavizadas com tons de p�rola e opalinos. O calor � como que impelido pelo peso amea�ador do sol � tornava-se um golpe a que eles se esquivavam, correndo para a sombra e ficando ali deitados, at� dormindo, talvez.</p><empty-line/><p>
  Coisas estranhas aconteciam ao meio-dia. O mar cintilante subia, separava-se em planos ruidosos de mist�rio. O recife de coral e as poucas e raqu�ticas palmeiras que ficavam nas partes mais altas flutuavam no c�u, tremulavam, desarraigavam-se, corriam como gotas de chuva sobre um fio ou se repetiam numa ins�lita sucess�o de espelhos. �s vezes, surgia terra onde n�o havia terra, irrompendo ante os olhos dos meninos como uma bolha de ar. Porquinho descartava tudo isso, falando doutoralmente sobre �miragens�; como nenhum menino podia chegar nem mesmo at� o recife, � faixa de �gua onde esperavam tubar�es vorazes, eles se acostumaram com esses mist�rios e os ignoravam, da mesma forma que ignoravam as milagrosas e palpitantes estrelas. Ao meio-dia, as ilus�es se fundiam no c�u e ent�o o sol espiava para baixo como um olho irado. Contudo, no fim da tarde, as miragens desapareciam e o horizonte tornava-se mais nivelado, azul e n�tido, � medida que o sol declinava. Era outro per�odo de frescor relativo, embora amea�ado pela chegada da escurid�o. Quando o sol se punha, as trevas ca�am sobre a ilha como uma mortalha e logo os abrigos ficavam cheios de inquieta��o, sob as remotas estrelas.</p><empty-line/><p>
  Entretanto, a tradi��o norte-europeia de trabalho, divers�o e refei��es a determinadas horas do dia n�o permitia que se ajustassem completamente a esse novo ritmo. O pequeno Percival, no come�o, enfiara-se num abrigo, ficando ali durante dois dias, falando, cantando e chorando. Pensaram que ele estava maluco, o que era meio engra�ado. Desde ent�o, era doentio, vivia de olhos vermelhos e sentia-se miser�vel: um menininho que brincava pouco e chorava muito.</p><empty-line/><p>
  Os meninos menores eram conhecidos pelo nome gen�rico de �pequenos�. A escadinha do tamanho, de Ralph para baixo, era gradativa; embora houvesse uma regi�o duvidosa habitada por Simon, Robert e Maurice, ningu�m tinha qualquer dificuldade em reconhecer os grandes numa ponta e os pequenos na outra. Os indiscutivelmente pequenos, aqueles com cerca de seis anos, levavam uma vida pr�pria bem diferente e, ao mesmo tempo, bem intensa. Comiam a maior parte do dia, pegando frutas onde as conseguiam alcan�ar e n�o ligavam muito para sua matura��o ou qualidade. Agora estavam acostumados com dores de est�mago e uma esp�cie de diarreia cr�nica. Sofriam horrores indiz�veis no escuro e ficavam juntos para se consolar mutuamente. Al�m da comida e do sono, achavam tempo para brincar � vontade na areia branca � beira da �gua brilhante. Choravam com muito menos frequ�ncia por suas m�es do que se poderia esperar; estavam bem queimados e terrivelmente sujos. Obedeciam �s convoca��es da concha, em parte porque Ralph as fazia e era suficientemente grande para ser um elo com o mundo adulto da autoridade, e em parte porque gostavam da divers�o que representava uma reuni�o. A n�o ser isso, raramente se incomodavam com os grandes e sua vida apaixonadamente emocional e associativa era bem pr�pria deles.</p><empty-line/><p>
  Constru�ram castelos na areia, na margem do riacho. Esses castelos tinham uns trinta cent�metros de altura e eram decorados com conchas, flores murchas e pedras escolhidas. Em volta dos castelos havia um complexo de marcos, caminhos, muralhas e estradas de ferro que s� tinham significado se examinados ao n�vel da praia. Os pequenos brincavam a�. Se n�o estavam felizes, pelo menos sua aten��o se absorvia. Frequentemente, pelo menos tr�s deles brincavam da mesma coisa, ao mesmo tempo.</p><empty-line/><p>
  Estavam brincando agora � Henry era o maior deles. Tamb�m era parente distante de outro menino, aquele � o de sinal rubro no rosto � que nunca mais fora visto desde a noite da grande fogueira; mas Henry n�o tinha idade bastante para entender isso e, se lhe dissessem que o outro menino tinha ido para casa num avi�o, aceitaria o fato sem alvoro�o e sem d�vidas.</p><empty-line/><p>
  Henry era uma esp�cie de l�der nessa tarde, pois os outros dois eram Percival e Johnny, os menores meninos da ilha. Percival era terroso e nem sua m�e poderia achar que fosse muito atraente; Johnny era forte, de cabelo louro e beliger�ncia inata. S� estava sendo obediente agora porque estava interessado. Os tr�s meninos, ajoelhados na areia, estavam em paz.</p><empty-line/><p>
  Roger e Maurice sa�ram da floresta. Haviam sido substitu�dos no trabalho da fogueira e desceram para tomar banho de mar. Roger avan�ou diretamente sobre os castelos, chutando-os, enterrando as flores, espalhando as pedras escolhidas. Maurice seguiu-o, rindo, e ajudou na destrui��o. Os tr�s pequenos pararam de brincar e ficaram olhando. At� ent�o, os marcos particulares em que estavam interessados n�o haviam sido tocados, portanto n�o protestaram. S� Percival come�ou a choramingar, com um olho cheio de areia, e Maurice saiu correndo. Na sua vida anterior, Maurice fora castigado por encher de areia o olho de um menino menor. Embora ali n�o houvesse um pai para acertar-lhe uma m�o pesada, Maurice ainda sentia uma sensa��o de malfeito. Na sua mente esbo�aram-se as linhas de uma desculpa. Resmungou algo sobre nadar e partiu na corrida.</p><empty-line/><p>
  Roger ficou, olhando os menores. N�o estava muito mais escuro do que quando chegara, mas o monte de cabelo preto que ca�a sobre a nuca e a testa parecia combinar com sua face sombria e tornava repulsivo algo naquele rosto que, � primeira vista, parecia deixar transparecer apenas um isolamento insoci�vel. Percival parou de choramingar e voltou a brincar, pois as l�grimas haviam limpado a areia. Johnny olhou-o com olhos azul-porcelana. Depois, come�ou a jogar areia para cima, fazendo uma chuva, e Percival come�ou a chorar outra vez.</p><empty-line/><p>
  Quando Henry se cansou do brinquedo e se p�s a andar pela praia, Roger seguiu-o, permanecendo atr�s das palmeiras, vagando casualmente na mesma dire��o. Henry andava a certa dist�ncia das palmeiras e da sombra, porque era pequeno demais para se preocupar com o sol. Avan�ou praia abaixo e se entreteve � beira da �gua. A grande mar� do Pac�fico estava subindo e a cada poucos segundos a �gua relativamente parada da lagoa subia um cent�metro. Havia criaturas que viviam nessa �ltima arremetida do mar, min�sculas transpar�ncias que sa�am da �gua para vasculhar a areia quente e seca. Com impalp�veis �rg�os sensoriais, examinavam esse novo campo. Talvez houvesse surgido comida onde n�o houvera nada na �ltima incurs�o; excrementos de p�ssaros, insetos talvez, qualquer dos demais espalhados da vida terrestre. Como uma mir�ade de brancos dentes numa serra, as transpar�ncias recolhiam o lixo da praia.</p><empty-line/><p>
  Isso era fascinante para Henry. Cavoucou por ali com uma varinha que era levada de um lado para outro pelas ondas, desbotada e gasta, tentando controlar os movimentos dos limpadores da praia. Tra�ava pequenos arroios que a mar� enchia e tentava povo�-los com as criaturas. Tornou-se absorvido al�m da mera felicidade, � medida que se sentia dominando coisas vivas. Falava com elas, estimulava-as, ordenava-as. A mar� o fazia retroceder e suas pegadas tornavam-se ba�as onde as criaturas ficavam aprisionadas, o que lhe dava a ilus�o da soberania. Agachou-se � beira do mar, inclinou a cabe�a e um punhado de cabelo caiu-lhe sobre a testa, passando dos olhos. O sol da tarde disparava flechas invis�veis.</p><empty-line/><p>
  Roger tamb�m esperava. Primeiro escondera-se atr�s de um grande tronco de palmeira, mas o interesse de Henry pelas transpar�ncias era t�o �bvio que ele acabou saindo do esconderijo. Deu uma olhada pela praia. Percival fora embora, chorando, e Johnny ficara na posse triunfante dos castelos. Sentou-se ali, cantarolando para si mesmo e jogando areia num imagin�rio Percival. Al�m dele, Roger via a plataforma e as cintila��es da �gua espadanada por Ralph, Simon, Porquinho e Maurice, que mergulhavam na piscina. Prestou aten��o cuidadosamente, mas n�o distinguiu o que falavam.</p><empty-line/><p>
  Um vento s�bito balan�ou as franjas das palmeiras, e as frondes mexeram-se e se agitaram. A 15 metros acima de Roger, um cacho de cocos, massas fibrosas grandes como bolas de r�gbi, soltaram-se de seus talos. Ca�ram na dire��o do menino com uma s�rie de duros golpes, embora nenhum chegasse a atingi-lo. Roger n�o pensou em sair correndo, s� olhou dos cocos para Henry e novamente para os cocos.</p><empty-line/><p>
  O solo sob as palmeiras era uma praia alta; gera��es de palmeiras haviam trabalhado para suavizar as pedras que ca�ram nas areias de outra praia. Roger agachou-se, pegou uma pedra, mirou e a jogou em Henry � mas n�o para acertar. A pedra, uma rel�quia de outros tempos, passou a uns cinco metros � direita de Henry e caiu na �gua. Roger pegou um punhado de pedras e come�ou a atir�-las. Mas havia um espa�o ao redor de Henry, talvez com uns seis metros de di�metro, em que ele n�o ousava acertar. A�, invis�vel mas poderoso, surgia o tabu da vida antiga. Em volta do menino ajoelhado, havia a prote��o dos pais, da escola, da pol�cia e da lei. O bra�o de Roger era condicionado por uma civiliza��o que nada sabia dele e estava em ru�nas. Henry espantou-se com os chapes na �gua, largou as transpar�ncias silenciosas e esticou a cabe�a para o n�cleo dos an�is conc�ntricos, como um c�o de ca�a. As pedras ca�am de um lado e do outro; Henry virava-se obedientemente, mas sempre tarde demais para ver as pedras no ar. Por fim, viu uma e riu, procurando o amigo que o estava provocando. Mas Roger escondera-se atr�s do tronco da palmeira e se encostara a ele, respirando em ritmo acelerado, com os olhos piscando. Ent�o, Henry perdeu o interesse nas pedras e foi embora.</p><empty-line/><p>
  � Roger.</p><empty-line/><p>
  Jack estava de p�, sob uma �rvore, a uns dez metros dali. Quando Roger abriu os olhos e o viu, uma sombra mais escura pareceu estender-se sob sua pele bronzeada. Mas Jack n�o percebera nada. Estava ansioso, impaciente, fazendo gestos. Roger foi at� ele.</p><empty-line/><p>
  Havia um tanque no fim do rio, um pouco de �gua represada por um banco de areia, com brancos l�rios de �gua e juncos semelhantes a agulhas. Ali esperavam Bill, Sam e Eric. Jack, protegendo-se do sol, ajoelhou-se � beira do tanque e abriu as duas grandes folhas que carregava. Uma delas continha argila branca, a outra, vermelha. Ao lado, havia uma varinha carbonizada trazida da fogueira.</p><empty-line/><p>
  Jack explicou a Roger, enquanto trabalhava.</p><empty-line/><p>
  � Eles n�o me cheiram. Acho que me veem. Algo rosado sob as �rvores.</p><empty-line/><p>
  Lambuzou-se com a argila.</p><empty-line/><p>
  � Se eu tivesse um pouco de verde!</p><empty-line/><p>
  Virou uma cara meio oculta para Roger e respondeu ao olhar interrogativo.</p><empty-line/><p>
  � Para ca�ar. Como na guerra. Voc� sabe... pintura de camuflagem. Como as coisas que querem parecer outras...</p><empty-line/><p>
  Agitou-se, na vontade de se comunicar.</p><empty-line/><p>
  � ...como mariposas num tronco de �rvore...</p><empty-line/><p>
  Roger compreendeu e assentiu, gravemente. Os g�meos andaram at� Jack e come�aram a protestar timidamente sobre alguma coisa. Jack fez um gesto dominador.</p><empty-line/><p>
  � Calem-se.</p><empty-line/><p>
  Esfregou a vara carbonizada entre as manchas de vermelho e branco que fizera no rosto.</p><empty-line/><p>
  � N�o, voc�s dois vir�o comigo.</p><empty-line/><p>
  Deu uma olhada na sua imagem refletida e n�o gostou do que viu. Inclinou-se, pegou um duplo punhado de �gua morna e limpou a sujeira do rosto. Surgiram sardas e sobrancelhas claras.</p><empty-line/><p>
  Roger sorriu, de m� vontade.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o parece muito pintado.</p><empty-line/><p>
  Jack planejou sua nova cara. Pintou de branco uma face e um c�rculo em volta de um olho. Depois, esfregou vermelho na outra metade da cara e tra�ou uma lista preta de carv�o obliquamente, da orelha direita at� a parte esquerda da mand�bula. Olhou para o reflexo no tanque, mas sua respira��o turvou o espelho.</p><empty-line/><p>
  � Sameeric. Me arranjem um coco. Vazio.</p><empty-line/><p>
  Ajoelhou-se, segurando a concha de �gua. Uma mancha circular de sol atingiu seu rosto e uma imagem brilhante surgiu nas profundezas da �gua. Olhou espantado, n�o mais para si, por�m para um estranho terr�vel. Derramou a �gua e se levantou de um salto, excitado, rindo. Junto ao tanque, seu corpo musculoso ostentava uma m�scara que atra�a os olhos dos outros e os atemorizava. Come�ou a dan�ar e sua risada se tornou um grunhido sedento de sangue. Brincou que investia contra Bill e a m�scara tornou-se algo independente, atr�s da qual Jack se escondia, livre da vergonha e da consci�ncia de si pr�prio. A cara vermelha, branca e preta agitava-se no ar e dan�ava na dire��o de Bill. Este se levantou, rindo; de repente, ficou quieto e, aos trope��es, se internou pelos arbustos.</p><empty-line/><p>
  Jack investiu na dire��o dos g�meos.</p><empty-line/><p>
  � O resto em fila. Vamos!</p><empty-line/><p>
  � Mas...</p><empty-line/><p>
  � ...n�s...</p><empty-line/><p>
  � Vamos! Vou rastejar e acertar...</p><empty-line/><p>
  Foram impelidos pela m�scara.</p><p>Ralph saiu da �piscina� e correu praia acima. Sentou-se sob as palmeiras, � sombra. Seu cabelo louro estava colado sobre as sobrancelhas e puxou-o para tr�s. Simon boiava na �gua, batendo os p�s. Maurice treinava mergulho. Porquinho ia, de um lado para outro, sem rumo, pegando coisas a esmo e jogando fora. Os tanques entre as rochas, que o fascinavam tanto, estavam cobertos pela mar�, e ele n�o se interessava por nada at� a mar� baixar. Agora, vendo Ralph sob as palmeiras, andou at� ele e se sentou.</p><empty-line/><p>
  Porquinho usava os restos de uma cal�a curta, o corpo gordo ganhara um bronzeado dourado, os �culos ainda brilhavam quando fixava alguma coisa. Era o �nico menino na ilha cujo cabelo nunca parecia crescer. Os outros estavam desgrenhados, mas o cabelo de Porquinho ainda ficava em mechas sobre a cabe�a, como se a calv�cie fosse seu estado natural e essa cobertura imperfeita logo devesse sumir, como o veludo nos chifres de um cervo jovem.</p><empty-line/><p>
  � Estive pensando num rel�gio � disse. � Poder�amos fazer um de sol. Por�amos uma vara na areia, ent�o...</p><empty-line/><p>
  O esfor�o para expressar os processos matem�ticos envolvidos era grande demais. Em vez disso, fez alguns gestos.</p><empty-line/><p>
  � E um avi�o, uma televis�o � disse Ralph, ir�nico. � E uma m�quina a vapor.</p><empty-line/><p>
  Porquinho sacudiu a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � � preciso um monte de coisas de metal para isso � disse �, e n�o temos metal. Mas varas n�s temos.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se e sorriu involuntariamente. Porquinho era um chato, sua gordura, sua asma e suas ideias vulgares eram uma chatura. Mas sempre havia um pequeno prazer em zombar dele, mesmo que de modo acidental.</p><empty-line/><p>
  Porquinho viu o sorriso e o interpretou erradamente como mostra de amizade. Os grandes haviam chegado � opini�o t�cita de que Porquinho era um estranho, n�o s� pelo sotaque, o que realmente n�o tinha import�ncia, mas tamb�m pela gordura, pela asma, os �culos e uma certa avers�o pelo trabalho manual. Agora, pensando que algo do que dissera fora a raz�o do sorriso de Ralph, entusiasmou-se e aproveitou a vantagem.</p><empty-line/><p>
  � Temos um monte de varas. Cada um de n�s pode ter um rel�gio de sol. Ent�o saberemos as horas.</p><empty-line/><p>
  � O que iria ser �timo para nada.</p><empty-line/><p>
  � Voc� disse que queria que fiz�ssemos coisas. Para que pudessem vir nos buscar.</p><empty-line/><p>
  � Oh, cale-se.</p><empty-line/><p>
  Ficou de p� num salto e correu de volta para a �piscina�, bem quando Maurice deu um mergulho sofr�vel. Ralph ficou contente com a chance de mudar de assunto. Gritou, quando Maurice voltou � superf�cie.</p><empty-line/><p>
  � Barrigada! Barrigada!</p><empty-line/><p>
  Maurice sorriu para Ralph, que entrou facilmente na �gua. De todos os meninos, era o mais � vontade ali; mas hoje, chateado pela men��o da salva��o, a in�til e rasteira men��o do resgate, at� as verdes profundezas da �gua e o estilha�ado sol dourado n�o traziam consolo. Ao inv�s de ficar e brincar, nadou com firmes bra�adas por sob Simon e nadou de peito at� a outra ponta da �piscina�, para ficar ali, macio e lustroso como uma foca. Porquinho, sempre de cara amarrada, levantou-se e veio para o seu lado, ao que Ralph virou-se de bru�os e fingiu n�o ver ningu�m. As miragens haviam sumido e ele passou sombriamente o olhar pela tensa linha do horizonte.</p><empty-line/><p>
  No instante seguinte, estava de p�, gritando.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a! Fuma�a!</p><empty-line/><p>
  Simon tentou sentar-se na �piscina� e ficou com a boca cheia de �gua. Maurice, que estava de p�, pronto para mergulhar, girou nos calcanhares, deu um pulo para a plataforma, depois voltou para a grama sob as palmeiras. Ali, come�ou a vestir sua cal�a curta esfarrapada, para estar pronto para o que desse e viesse.</p><empty-line/><p>
  Ralph ficou de p�, uma m�o puxando o cabelo, a outra cerrada. Simon estava saindo da �gua. Porquinho esfregava os �culos na cal�a e piscava para o mar, Maurice enfiou as duas pernas numa das pernas da cal�a: entre todos, s� Ralph estava tranquilo.</p><empty-line/><p>
  � N�o consigo ver a fuma�a � disse Porquinho, mal acreditando. � N�o consigo ver, Ralph, onde est�?</p><empty-line/><p>
  Ralph n�o disse nada. Agora, os dois punhos estavam cerrados junto � testa, de modo que o cabelo louro n�o lhe chegava aos olhos. Estava inclinado para a frente e o sal j� estava embranquecendo seu corpo.</p><empty-line/><p>
  � Ralph, onde est� o navio?</p><empty-line/><p>
  Simon ficou ali, olhando de Ralph para o horizonte. A cal�a de Maurice cedeu com um suspiro e ele a abandonou como um farrapo, correu para a floresta, mas voltou logo.</p><empty-line/><p>
  A fuma�a era um pequeno n� apertado no horizonte, desenrolando-se lentamente. Sob a fuma�a havia um ponto que poderia ser uma chamin�. O rosto de Ralph estava p�lido, quando ele falou consigo mesmo.</p><empty-line/><p>
  � Eles ver�o nossa fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Agora Porquinho estava olhando na dire��o certa.</p><empty-line/><p>
  � N�o parece grande coisa.</p><empty-line/><p>
  Virou-se e olhou para a montanha. Ralph continuou a seguir o navio, avidamente. A cor voltara ao seu rosto. Simon estava ao seu lado, silencioso.</p><empty-line/><p>
  � Sei que n�o enxergo muito bem � disse Porquinho �, mas n�s estamos fazendo alguma fuma�a?</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se, impaciente, ainda fixando o navio.</p><empty-line/><p>
  � A fuma�a l� na montanha.</p><empty-line/><p>
  Maurice veio correndo e ficou olhando o mar. Simon e Porquinho estavam olhando para cima, para a montanha. Porquinho enrugou o rosto, mas Simon gritou como se estivesse ferido.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ralph!</p><empty-line/><p>
  A urg�ncia do grito fez Ralph mexer-se na areia.</p><empty-line/><p>
  � Digam-me � disse Porquinho ansiosamente. � H� algum sinal?</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para a fuma�a que se dissipava no horizonte, depois para a montanha.</p><empty-line/><p>
  � Ralph, por favor. H� um sinal?</p><empty-line/><p>
  Simon esticou a m�o, timidamente, para tocar Ralph, mas este come�ou a correr, jogando �gua pela parte rasa da �piscina�, seguiu pela branca e quente areia, enfiou-se sob as palmeiras. Um momento depois, estava lutando com o mato emaranhado que j� dominava a escarpa. Simon correu atr�s dele, depois Maurice. Porquinho gritava.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Por favor, Ralph!</p><empty-line/><p>
  Ent�o, come�ou a correr tamb�m, trope�ando na cal�a abandonada por Maurice, antes de chegar ao terra�o. Por tr�s dos quatro meninos, a fuma�a movia-se suavemente pelo horizonte. Na praia, Henry e Johnny jogavam areia em Percival que chorava baixinho outra vez. Os tr�s ignoravam completamente toda aquela agita��o.</p><empty-line/><p>
  Quando chegou ao extremo interior da escarpa, Ralph usou uma preciosa parcela de f�lego para xingar. Enfiou o corpo nu com tal viol�ncia desesperada por entre as �speras trepadeiras, que logo o sangue escorreu por sua pele. Parou exatamente onde come�ava a �ngreme subida da montanha. Maurice estava a uns poucos metros dele.</p><empty-line/><p>
  � Os �culos de Porquinho! � gritou Ralph. � Se a fogueira estiver apagada realmente, precisaremos deles...</p><empty-line/><p>
  Parou de gritar e esticou-se todo no ch�o. Porquinho mal estava vis�vel, avan�ando pesadamente praia acima. Ralph olhou para o horizonte, depois para a montanha. O que seria melhor: pegar os �culos de Porquinho ou deixar o navio ir embora? E se subissem, e se a fogueira estivesse apagada, e tivessem de ver Porquinho ir chegando aos poucos e o navio sumindo no horizonte? No auge de toda aquela necessidade, agoniado pela indecis�o, Ralph gritou:</p><empty-line/><p>
  � Meu Deus! Meu Deus!</p><empty-line/><p>
  Simon, lutando com os arbustos, prendeu a respira��o. Seu rosto estava retorcido. E enquanto a coluna de fuma�a continuava a mover-se no horizonte, Ralph corria doidamente, furioso consigo mesmo.</p><empty-line/><p>
  A fogueira estava morta. Perceberam isso imediatamente; viram o que realmente j� sabiam l� na praia, quando surgira a fuma�a do mundo familiar. A fogueira estava apagada, sem fuma�a, morta. Os vigias haviam sumido. Ao lado, pronta para ser usada, uma pilha de lenha in�til.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para o mar. O horizonte se estendia, novamente impessoal, sem o menor ind�cio de fuma�a. Ralph correu, trope�ando pelas pedras, parou na ponta do cume rosado, gritando para o navio.</p><empty-line/><p>
  � Volte! Volte!</p><empty-line/><p>
  Correu para a frente e para tr�s no cume, o rosto sempre voltado para o mar, erguendo a voz como louco.</p><empty-line/><p>
  � Volte! Volte!</p><empty-line/><p>
  Simon e Maurice chegaram. Ralph procurou no seu �ntimo a pior palavra que soubesse.</p><empty-line/><p>
  � Deixaram a maldita fogueira apagar!</p><empty-line/><p>
  Olhou para o lado inimigo da montanha. Porquinho chegou, sem f�lego, lamuriento como um dos pequenos. Ralph cerrou o punho e ficou muito vermelho. A intensidade do seu olhar, a amargura da sua voz falavam por ele.</p><empty-line/><p>
  � Est�o l�.</p><empty-line/><p>
  Uma prociss�o surgiu, l� longe, entre as pedras rosadas que ficavam perto da beira da �gua. Alguns dos meninos usavam bon�s pretos, mas outros estavam quase nus. Jogavam paus para o ar, sempre que podiam andar com mais facilidade. Cantavam algo que tinha a ver com o fardo que os g�meos carregavam t�o cuidadosamente. Ralph distinguiu Jack com facilidade, mesmo �quela dist�ncia, alto, ruivo e inevitavelmente liderando a prociss�o.</p><empty-line/><p>
  Simon olhou ent�o, de Ralph para Jack, como olhara de Ralph para o horizonte, e o que viu parecia meter-lhe medo. Ralph n�o disse mais nada, s� esperou a prociss�o chegar mais perto. O canto era aud�vel, mas, �quela dist�ncia, ainda indistinto. Atr�s de Jack vinham os g�meos, carregando uma grande vara nos ombros. A carca�a destripada de um porco balan�ava na vara, sacudindo-se pesadamente � medida que os g�meos subiam pelo ch�o irregular. A cabe�a do porco pendia do pesco�o aberto e parecia procurar algo no solo. Enfim, as palavras do canto flutuaram at� eles, atrav�s daquilo que parecia uma bacia de madeira enegrecida e cinzas.</p><empty-line/><p>
  � Matem o porco! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  Agora j� se distinguiam as palavras: a prociss�o chegara � parte mais �ngreme da montanha e, num minuto ou dois, o canto acabou. Porquinho lastimou-se e Simon fez com que se calasse rapidamente, como se o outro tivesse falado alto demais na igreja.</p><empty-line/><p>
  Jack, com o rosto manchado de argila, atingiu o cume primeiro e saudou Ralph excitadamente, com a lan�a levantada.</p><empty-line/><p>
  � Veja! Matamos um porco... subimos, sem fazer barulho, atr�s deles... fizemos um c�rculo...</p><empty-line/><p>
  Vozes irromperam, dentre os ca�adores.</p><empty-line/><p>
  � Fizemos um c�rculo...</p><empty-line/><p>
  � Rastejamos...</p><empty-line/><p>
  � O porco guinchou...</p><empty-line/><p>
  Os g�meos ficaram de p�, com o porco entre eles, sacudindo e derramando gotas negras na pedra. Os dois pareciam compartilhar o mesmo amplo e est�tico sorriso. Jack tinha coisas demais para contar a Ralph, ao mesmo tempo. Em vez disso, deu um ou dois passos de dan�a, depois se lembrou da sua dignidade e ficou ali, sorrindo. Percebeu a sujeira nas m�os e fez uma careta de nojo, procurando alguma coisa com que se limpar, depois esfregou-as na cal�a e riu.</p><empty-line/><p>
  Ralph falou.</p><empty-line/><p>
  � Voc� deixou a fogueira apagar.</p><empty-line/><p>
  Jack deu uma olhada, vagamente irritado pela observa��o irrelevante, mas feliz demais para se deixar atingir por uma coisa assim.</p><empty-line/><p>
  � Podemos acender a fogueira outra vez. Voc� deveria ter ido com a gente, Ralph. Foi sensacional. Os g�meos derrubaram...</p><empty-line/><p>
  � Acertamos o porco...</p><empty-line/><p>
  � ...eu ca� em cima...</p><empty-line/><p>
  � E cortei a garganta do porco � disse Jack, orgulhoso, embora agitando-se nervosamente ao dizer isso. � Voc� me empresta sua faca para fazer um talho no cabo da minha?</p><empty-line/><p>
  Os meninos tagarelavam e dan�avam. Os g�meos continuavam sorrindo.</p><empty-line/><p>
  � Houve ondas de sangue � disse Jack, rindo e estremecendo. � Voc� deveria ter vindo!</p><empty-line/><p>
  � Iremos ca�ar todo dia...</p><empty-line/><p>
  Ralph falou de novo, roucamente. N�o se mexera.</p><empty-line/><p>
  � Voc� deixou a fogueira apagar.</p><empty-line/><p>
  A repeti��o deixou Jack contrafeito. Olhou para os g�meos e depois para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Precis�vamos deles na ca�ada � disse �, ou n�o haveria gente suficiente para o cerco.</p><empty-line/><p>
  Corou, consciente de um erro.</p><empty-line/><p>
  � A fogueira s� ficou apagada por uma hora ou duas. Podemos acend�-la de novo...</p><empty-line/><p>
  Percebeu ent�o a nudez cheia de lanhos de Ralph e o severo sil�ncio dos quatro. Procurou, generoso na sua felicidade, inclu�-los no que havia acontecido. Sua mente estava povoada de lembran�as: lembran�as da tomada de consci�ncia, quando fecharam o cerco sobre o porco que se debatia, o conhecimento de que haviam vencido uma coisa viva, imposto sua vontade a ela, tirado sua vida como que sorvendo longamente uma bebida deliciosa.</p><empty-line/><p>
  Abriu os bra�os.</p><empty-line/><p>
  � Voc� devia ter visto o sangue!</p><empty-line/><p>
  Agora, os ca�adores estavam mais quietos, mas ao ouvirem isso, come�aram a fazer barulho de novo. Ralph puxou o cabelo para tr�s. Sua voz saiu alta e selvagem, reduzindo-os ao sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � Apareceu um navio.</p><empty-line/><p>
  Jack, diante de implica��es demais ao mesmo tempo, todas terr�veis demais, afastou-se deles. P�s uma das m�os no porco e tirou a faca. Ralph abaixou o bra�o, de punho cerrado, e falou.</p><empty-line/><p>
  � Apareceu um navio. L� longe. Voc� disse que a fogueira seria vigiada e a deixou apagar! � Deu um passo na dire��o de Jack, que se virou e ficou olhando.</p><empty-line/><p>
  � Poderiam ter visto a gente. Poder�amos ter ido para casa...</p><empty-line/><p>
  Isso foi amargo demais para Porquinho, que perdeu a timidez na agonia da perda. Come�ou a gritar, agudamente.</p><empty-line/><p>
  � Voc� e seu sangue, Jack Merridew! Voc� e sua ca�a! Poder�amos ter ido para casa...</p><empty-line/><p>
  Ralph empurrou Porquinho para o lado.</p><empty-line/><p>
  � Eu era o chefe e voc� iria fazer o que eu dissesse. Voc� falou. Mas voc� nem p�de construir cabanas, ent�o, foi ca�ar e deixou a fogueira apagar...</p><empty-line/><p>
  Virou-se, na pausa do sil�ncio. Ent�o, sua voz irrompeu de novo, num cl�max de exaspera��o.</p><empty-line/><p>
  � Apareceu um navio...</p><empty-line/><p>
  Um dos ca�adores menores come�ou a chorar. A triste verdade estava penetrando em todos. Jack ficou muito vermelho, enquanto golpeava e dilacerava o porco.</p><empty-line/><p>
  � O trabalho era muito. Precis�vamos de todo mundo.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se.</p><empty-line/><p>
  � Voc� poderia ficar com todo mundo quando os abrigos estivessem prontos. Mas tinha de ca�ar...</p><empty-line/><p>
  � Precis�vamos de carne.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou de p�, a faca ensanguentada na m�o. Os dois se defrontaram. Ali estava o mundo brilhante da ca�a, t�ticas, regozijo feroz, habilidade. E ali estava o mundo da saudade e do senso comum frustrado. Jack passou a faca para a m�o esquerda e encheu a testa de sangue, ao passar a m�o pelo cabelo emplastrado.</p><empty-line/><p>
  Porquinho come�ou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o deveria ter deixado a fogueira apagar. Voc� disse que a fuma�a continuaria...</p><empty-line/><p>
  Isso, vindo de Porquinho, mais os lamentos de apoio dados por alguns dos ca�adores, levou Jack � viol�ncia. O olhar desvairado chegou aos olhos azuis. Deu um passo e, finalmente, podendo atingir algu�m, largou o punho na barriga de Porquinho. Porquinho caiu sentado, com um grunhido. Jack ficou de p�, olhando-o. Sua voz saiu distorcida pela humilha��o.</p><empty-line/><p>
  � � isso? Era isso que voc� estava querendo, n�o �? Gorducho!</p><empty-line/><p>
  Ralph avan�ou um passo e Jack deu um safan�o na cabe�a de Porquinho. Os �culos de Porquinho voaram e tiniram nas pedras. Porquinho gritou, aterrorizado.</p><empty-line/><p>
  � Meus �culos!</p><empty-line/><p>
  Precipitou-se, rastejando e tateando pelas pedras, mas Simon chegou primeiro, descobriu os �culos para ele. As paix�es adejavam sobre Simon com asas medonhas, naquele cume de montanha.</p><empty-line/><p>
  � Uma lente est� quebrada.</p><empty-line/><p>
  Porquinho pegou os �culos e os colocou. Olhou malevolamente para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Eu preciso de �culos. Agora s� tenho uma vista. Voc� vai ver...</p><empty-line/><p>
  Jack fez um gesto na dire��o de Porquinho, que fugiu trope�ando at� que uma pedra grande ficasse entre eles. Esticou a cabe�a por cima da pedra e olhou Jack pela sua �nica lente faiscante.</p><empty-line/><p>
  � Agora s� tenho um olho. Voc� vai ver...</p><empty-line/><p>
  Jack imitou os gemidos e a fuga atropelada.</p><empty-line/><p>
  � Voc� vai ver... ah!</p><empty-line/><p>
  Porquinho e a par�dia eram t�o engra�ados que os ca�adores come�aram a rir. Jack sentiu-se estimulado. Continuou a trope�ar e as risadas chegaram a um furac�o de histeria. A contragosto, Ralph sentiu seus l�bios se contraindo; estava furioso consigo mesmo por ceder assim.</p><empty-line/><p>
  Resmungou.</p><empty-line/><p>
  � Foi uma sujeira da grossa.</p><empty-line/><p>
  Jack interrompeu seus giros e ficou ereto, olhando Ralph. Falou, num grito.</p><empty-line/><p>
  � Est� certo! Est� certo!</p><empty-line/><p>
  Olhou para Porquinho, para os ca�adores, para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Desculpe! Pelo fogo, quero dizer. �. Eu...</p><empty-line/><p>
  Endireitou-se.</p><empty-line/><p>
  � Pe�o desculpas!</p><empty-line/><p>
  O vozerio dos ca�adores foi de admira��o por comportamento t�o generoso. Claramente, achavam que Jack fizera a coisa certa e se pusera ao lado da verdade com sua generosa desculpa, enquanto Ralph, de modo indefinido, ficara do lado errado. Esperavam por uma resposta adequada de bom senso.</p><empty-line/><p>
  Mas a garganta de Ralph recusava-se. Ressentia-se tamb�m desse truque verbal, al�m do mau comportamento de Jack. A fogueira estava morta, o navio fora embora. N�o entendiam? Pela sua garganta passou a raiva, ao inv�s do bom senso.</p><empty-line/><p>
  � Foi uma sujeira da grossa!</p><empty-line/><p>
  Fez-se sil�ncio no cimo da montanha, enquanto o olhar opaco apareceu nos olhos de Jack e sumiu.</p><empty-line/><p>
  A palavra final de Jack foi um resmungo contrafeito.</p><empty-line/><p>
  � Est� certo. Acendam a fogueira.</p><empty-line/><p>
  Com a perspectiva de uma a��o positiva, a tens�o diminu�a um pouco. Ralph n�o falou mais nada, n�o fez nada, ficou olhando para baixo, para as cinzas aos seus p�s. Jack gritava e se agitava. Deu ordens, cantou, assobiou, fez observa��es para o silencioso Ralph... observa��es que n�o precisavam de resposta, logo n�o poderiam provocar mal-entendidos. Mesmo assim, Ralph continuava quieto. Ningu�m, nem mesmo Jack, iria lhe dizer que se mexesse e, no fim de tudo, haviam feito a fogueira a tr�s metros de dist�ncia, num lugar nada conveniente. Ralph confirmou assim sua chefia e n�o poderia escolher um modo melhor para isso, nem que tivesse dias para pensar. Contra essa arma, t�o indefin�vel e eficiente, Jack n�o tinha for�as e morria de raiva sem saber por qu�. No instante em que acabaram de fazer a pilha de lenha, estavam em lados opostos de uma alta barreira.</p><empty-line/><p>
  Quando acabou a constru��o da fogueira, explodiu outra crise. Jack n�o tinha meios de acend�-la. Ent�o, para sua surpresa, Ralph foi at� onde Porquinho estava e pegou os �culos. Nem mesmo Ralph sabia como se rompera e reatara, em alguma parte, o elo que o ligava a Jack.</p><empty-line/><p>
  � Eu trarei de volta.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m vou.</p><empty-line/><p>
  Porquinho ficou atr�s dele, ilhado num mar de cores sem significado, enquanto Ralph ajoelhava-se e enfocava o c�rculo brilhante. Assim que a fogueira foi acesa, Porquinho estendeu as m�os e pegou os �culos.</p><empty-line/><p>
  Ante as flores fantasticamente atraentes � violetas, vermelhas e amarelas � a disc�rdia desapareceu. Tornaram-se um c�rculo de meninos em volta de uma fogueira de acampamento e at� Porquinho e Ralph se sentiram meio atra�dos. Logo, alguns dos meninos estavam correndo encosta abaixo em busca de mais lenha, enquanto Jack cortava o porco. Tentaram manter a carca�a inteira numa estaca sobre o fogo, mas a madeira se queimava antes que o porco come�asse a assar. Afinal, enfiaram peda�os de carne em ramos e os colocaram nas chamas: mesmo assim, os meninos quase se assaram tanto quanto a carne.</p><empty-line/><p>
  Ralph avan�ou, hesitante. Pretendia recusar a carne, mas depois de uma dieta de frutas e nozes, com um raro caranguejo ou peixe, sua resist�ncia era m�nima. Aceitou um peda�o de carne meio crua e enfiou os dentes nela, como um lobo.</p><empty-line/><p>
  Porquinho falou, tamb�m hesitante.</p><empty-line/><p>
  � N�o vai ter nada para mim?</p><empty-line/><p>
  Jack pretendia deix�-lo na d�vida, como demonstra��o de for�a, mas como Porquinho previra a omiss�o, era necess�rio um pouco mais de crueldade.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o ca�ou.</p><empty-line/><p>
  � Ralph tamb�m n�o � disse Porquinho, em tom de choro �, nem Simon. � Falou mais alto: � Os caranguejos que a gente come s� t�m um pouquinho de carne.</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se, contrafeito. Simon, sentado entre os g�meos e Porquinho, esfregou a boca e passou seu peda�o de carne para Porquinho, sobre as pedras. Ele o pegou. Os g�meos deram uma risadinha e Simon abaixou a cabe�a, envergonhado.</p><empty-line/><p>
  Ent�o Jack ficou de p� num salto, cortou um grande peda�o de carne e jogou-o aos p�s de Simon.</p><empty-line/><p>
  � Coma! Seu desgra�ado!</p><empty-line/><p>
  Olhou furioso para Simon.</p><empty-line/><p>
  � Pegue!</p><empty-line/><p>
  Girou nos calcanhares, centro de um confuso c�rculo de meninos.</p><empty-line/><p>
  � Eu trouxe carne para voc�s!</p><empty-line/><p>
  In�meras e inexprim�veis frustra��es combinaram-se para fazer sua f�ria primitiva inspirar um respeito atemorizado.</p><empty-line/><p>
  � Eu pintei o rosto... rastejei. Agora comam... voc�s todos... e eu...</p><empty-line/><p>
  Lentamente o sil�ncio no cume da montanha foi crescendo at� se poder ouvir o crepitar da fogueira e o d�bil silvar da carne assando. Jack olhou em volta, buscando compreens�o, mas s� encontrou respeito. Ralph estava de p� entre as cinzas da fogueira de sinaliza��o, as m�os cheias de carne, sem dizer nada.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, finalmente, Maurice quebrou o sil�ncio. Mudou de assunto para o �nico tema que poderia reunir uma maioria.</p><empty-line/><p>
  � Onde voc�s acharam o porco?</p><empty-line/><p>
  Roger apontou para o lado inimigo.</p><empty-line/><p>
  � Estava ali, perto do mar.</p><empty-line/><p>
  Jack, recuperando-se, n�o p�de suportar ouvir outro contando a sua hist�ria. Falou depressa.</p><empty-line/><p>
  � Espalhamo-nos ao redor. Rastejei, com as m�os e os joelhos. As lan�as ca�am porque n�o tinham pontas. O porco correu e fez um barulho terr�vel...</p><empty-line/><p>
  � Virou-se e correu em c�rculos, sangrando...</p><empty-line/><p>
  Todos os meninos falavam ao mesmo tempo, aliviados e excitados.</p><empty-line/><p>
  � Fechamos o cerco...</p><empty-line/><p>
  O primeiro golpe paralisara a parte traseira, ent�o fecharam o c�rculo e golpearam, golpearam...</p><empty-line/><p>
  � Cortei a garganta do porco...</p><empty-line/><p>
  Os g�meos, ainda compartilhando seu sorriso id�ntico, pularam e correram um em volta do outro. Ent�o, o resto se juntou a eles, gritando e fazendo ru�dos como os do porco morrendo.</p><empty-line/><p>
  � Uma na cabe�a!</p><empty-line/><p>
  � Acerte uma pra valer!</p><empty-line/><p>
  Ent�o, Maurice fingiu ser o porco e correu guinchando para o meio; os ca�adores, cercando-o, brincaram de golpe�-lo. Dan�avam e cantavam.</p><empty-line/><p>
  Matem o porco! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  Ralph ficou olhando, com inveja e ressentimento. N�o falou at� que se cansassem e o canto morresse.</p><empty-line/><p>
  � Vamos fazer uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  Um a um, pararam e ficaram olhando para ele.</p><empty-line/><p>
  � Com a concha. Vamos fazer uma reuni�o, mesmo que tenha de ser no escuro. L� embaixo, na plataforma. Quando eu tocar. J�.</p><empty-line/><p>
  Virou-se e se afastou, montanha abaixo.</p><empty-line/><empty-line/><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>5</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Bicho da �gua</strong></p><p>A mar� subia e s� havia uma estreita faixa de praia firme entre a �gua e a areia branca e solta perto do terra�o de palmeiras. Ralph escolheu o caminho da faixa firme porque precisava pensar: s� ali ele podia deixar os p�s avan�arem sem precisar olhar para eles. De repente, caminhando � beira da �gua, sentiu-se tomado de espanto. Descobriu que compreendia o aborrecimento daquela vida, onde todo caminho era improvisado e uma parte consider�vel do tempo em que se estava desperto era passado olhando onde pisar. Parou, de frente para a praia, lembrando-se daquela primeira explora��o entusiasmada, como se fizesse parte de uma inf�ncia mais brilhante, e sorriu sarcasticamente. Virou-se e retrocedeu at� a plataforma, com o sol no rosto. Chegara a hora da reuni�o e enquanto caminhava, envolto nos esplendores cada vez mais decadentes de sol, reviu cuidadosamente os pontos da sua fala. N�o deveria haver erros nessa reuni�o, nada de perseguir coisas imagin�rias...</p><empty-line/><p>
  Perdeu-se num labirinto de pensamentos que n�o se definiam � faltavam-lhe palavras com que os pudesse expressar. Franzindo a testa, tentou novamente.</p><empty-line/><p>
  Essa reuni�o n�o seria divertida, mas uma coisa s�ria.</p><empty-line/><p>
  Passou a andar mais depressa, consciente tanto da necessidade de se apressar quanto do sol que se punha e do vento que soprava no seu rosto, criado pela sua pr�pria velocidade. Esse ventinho fazia a camisa cinza colar-se no seu peito e ele notou � na sua nova disposi��o de compreender � que as fraldas estavam duras como papel�o e desagrad�veis; percebeu tamb�m como as barras esfarrapadas da cal�a estavam deixando uma marca rosada e desconfort�vel na frente das suas coxas. Com um espasmo mental, Ralph descobriu sujeira e decad�ncia; entendeu o quanto detestava ficar sempre puxando o cabelo emaranhado que lhe ca�a nos olhos e, enfim, quando o sol se punha, ficar rolando ruidosamente para dormir entre folhas secas. Pensando nisso, come�ou a correr.</p><empty-line/><p>
  A praia perto da �piscina� estava cheia de grupos de meninos esperando a reuni�o. Abriram caminho para ele, silenciosamente, conscientes do seu mau humor e do erro da fogueira.</p><empty-line/><p>
  O lugar de reuni�o onde ele estava era mais ou menos um tri�ngulo, embora irregular e incompleto, como tudo que haviam feito. Primeiro, havia o tronco em que se sentou; uma �rvore morta que deveria ter sido excepcionalmente grande para a plataforma. Talvez tivesse sido trazida at� ali por uma daquelas lend�rias tempestades do Pac�fico. Esse tronco de palmeira jazia paralelo � praia, de modo que quando Ralph se sentou, ficou de frente para a ilha � mas, para os meninos, ele era uma figura escura contra o brilho da lagoa. Os dois lados do tri�ngulo cuja base era o tronco eram meio indefinidos. � direita, havia um tronco polido por traseiros irrequietos na parte superior, mas n�o t�o grande quanto o do chefe, nem t�o confort�vel. � esquerda havia quatro troncos pequenos; um deles � o mais distante � estava lamentavelmente empenado. Uma ap�s outra as reuni�es tinham sido interrompidas por gargalhadas, quando algu�m se inclinava demais para tr�s e o tronco virava, jogando meia d�zia de meninos de costas na grama. Mas, agora, pensava que ningu�m tivera o expediente � nem ele, nem Jack, nem Porquinho � de trazer uma pedra e escorar a coisa. Ent�o eles iriam continuar a suportar o assento desequilibrado porque, porque... Outra vez se perdeu em �guas profundas demais.</p><empty-line/><p>
  A grama havia murchado na frente de cada tronco, mas crescia alta e intocada no centro do tri�ngulo. No v�rtice, a grama crescia outra vez porque ningu�m se sentava l�. Em torno do lugar de reuni�o, elevavam-se os troncos cinzentos, retos ou inclinados, apoiando o teto baixo das folhas. Nos dois lados, a praia; atr�s, a lagoa; na frente, a escurid�o da ilha.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para o lugar do chefe. Nunca haviam tido uma reuni�o em hora t�o avan�ada assim. Por isso, o lugar parecia t�o diferente. Normalmente, a parte inferior do telhado verde era iluminada por uma massa confusa de reflexos dourados e os rostos eram clareados de modo invertido, como � pensou Ralph � quando se tem nas m�os uma lanterna el�trica. Mas agora a luz do sol chegava obliquamente, de modo que as sombras eram o que deveriam ser.</p><empty-line/><p>
  Sentiu outra vez aquela estranha inclina��o de especular, que lhe parecia t�o estranha. Se os rostos eram diferentes quando iluminados de cima ou de baixo, o que era um rosto? O que era qualquer coisa?</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se, impaciente. Que problema! Sendo chefe, voc� tem de pensar, tem de saber. E as ocasi�es passavam, portanto era preciso decidir logo. Isso era uma coisa para pensar; porque pensar era uma coisa preciosa, que dava resultado...</p><empty-line/><p>
  S� que n�o consigo pensar � concluiu Ralph de frente para o lugar do chefe. N�o como Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Novamente nessa noite, Ralph teve de ajustar seus valores. Porquinho conseguia pensar. Ele caminhava passo a passo dentro daquela cabe�a gorda, s� que Porquinho n�o era chefe. Mas Porquinho, apesar de todo seu corpo rid�culo, tinha c�rebro. Ralph agora era um especialista em pensar e podia reconhecer isso em outra pessoa.</p><empty-line/><p>
  O sol nos olhos lembrou-o de que o tempo passava. Pegou a concha ao p� da �rvore e examinou a sua superf�cie. A exposi��o ao ar desbotara os amarelos e rosados at� um quase branco, pr�ximo da transpar�ncia. Ralph sentiu uma esp�cie de afetuosa rever�ncia pela concha, embora ele pr�prio a tivesse tirado da lagoa. Ficou de frente para o lugar de reuni�o e levou a concha aos l�bios.</p><empty-line/><p>
  Os outros esperavam por isso e vieram imediatamente. Os que sabiam que um navio passara ao largo da ilha enquanto a fogueira estava apagada mortificavam-se ante o pensamento da c�lera de Ralph; mas aqueles, entre eles os pequenos, que nada sabiam ficaram impressionados pelo ar geral de solenidade. O lugar de reuni�o encheu-se logo; Jack, Simon, Maurice, a maioria dos ca�adores, � direita de Ralph; o resto � esquerda, sob o sol. Porquinho veio e ficou fora do tri�ngulo. Isso indicava que queria ouvir, mas sem falar. Porquinho pretendia mostrar assim sua desaprova��o.</p><empty-line/><p>
  � O neg�cio � o seguinte: precisamos de uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  Ningu�m disse nada, mas os rostos que se viraram para Ralph estavam atentos. Ele sacudiu a concha. Aprendera na pr�tica que declara��es fundamentais como essa tinham de ser ditas pelo menos duas vezes antes que todo mundo entendesse. Era preciso sentar, atrair todos os olhares para a concha e lan�ar palavras como pesadas pedras redondas entre os grupinhos que esperavam agachados ou de c�coras. Buscava na mente palavras simples para que at� os pequenos entendessem o que se tratava na reuni�o. Depois, talvez, debatedores h�beis � Jack, Maurice, Porquinho � usariam toda a sua arte para distorcer a reuni�o; mas agora, no come�o, o tema do debate devia ser apresentado claramente.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de uma reuni�o. N�o para brincar. N�o para rir nem cair do tronco � o grupo dos pequenos na �rvore empenada deu risadinhas e se entreolhou. � N�o para fazer piadas ou para... � levantou a concha num esfor�o para achar a palavra convincente � para espertezas. N�o para essas coisas. Para arrumar as coisas.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa.</p><empty-line/><p>
  � Eu andei por a�. Andei sozinho, pensando no jeito das coisas. Sei do que precisamos. Uma reuni�o para acertar tudo. E antes de mais nada, tenho de falar.</p><empty-line/><p>
  Fez outra pausa e, automaticamente, puxou o cabelo para tr�s. Porquinho entrou no tri�ngulo nas pontas dos p�s, feito seu protesto ineficaz. Juntou-se aos outros.</p><empty-line/><p>
  Ralph continuou.</p><empty-line/><p>
  � Tivemos uma por��o de reuni�es. Todo mundo gosta de falar e de ficar junto dos outros. Decidimos coisas. Mas elas n�o foram feitas. Ir�amos trazer �gua do rio e deix�-la nas cascas de coco sob as folhas frescas. Foi assim, por alguns dias. Agora n�o h� mais �gua. As cascas est�o secas. A gente bebe no rio.</p><empty-line/><p>
  Houve um sussurro de assentimento.</p><empty-line/><p>
  � N�o que haja mal em beber no rio. S� quero dizer que eu mesmo prefiro tomar �gua ali, voc�s sabem onde, naquele tanque onde h� a cachoeira... do que numa velha casca de coco. S� que n�s dissemos que ir�amos trazer a �gua. E n�o trouxemos. S� havia duas cascas cheias esta tarde.</p><empty-line/><p>
  Passou a l�ngua pelos l�bios.</p><empty-line/><p>
  � Depois foi a vez das cabanas. Dos abrigos.</p><empty-line/><p>
  O murm�rio cresceu novamente e morreu.</p><empty-line/><p>
  � A maioria dorme nos abrigos. Esta noite, a n�o ser Sameeric junto � fogueira, todos dormiram neles. Quem construiu os abrigos?</p><empty-line/><p>
  Logo irrompeu um clamor. Todo mundo fizera as cabanas. Ralph teve de sacudir a concha de novo.</p><empty-line/><p>
  � Esperem um pouco! Quero dizer, quem construiu as tr�s? N�s todos fizemos a primeira, quatro fizeram a segunda e eu e Simon fizemos a �ltima ali. Por isso est� cai n�o cai. N�o. N�o � para rir. Essa cabana poder� cair se chover outra vez. Precisaremos delas ent�o.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa e limpou a garganta.</p><empty-line/><p>
  � E mais uma coisa. Escolhemos aquelas pedras bem pra l� da piscina como banheiro. Foi bem-escolhido tamb�m. A mar� limpa aquele lugar. Os pequenos sabem disso.</p><empty-line/><p>
  Houve risadas aqui e ali, olhares furtivos.</p><empty-line/><p>
  � Mas muita gente parece usar qualquer lugar. At� perto das cabanas e da plataforma. Voc�s, pequenos, quando est�o pegando frutas, se ficarem apertados...</p><empty-line/><p>
  A assembleia rugiu.</p><empty-line/><p>
  � Digo que se ficarem apertados, devem ir para longe do lugar das frutas. � sujo.</p><empty-line/><p>
  Desta vez, gargalhadas.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse que � sujo!</p><empty-line/><p>
  Puxou a camisa cinza e dura.</p><empty-line/><p>
  � � sujo de verdade. Se ficarem apertados, corram pela praia at� as pedras.</p><empty-line/><p>
  Porquinho estendeu a m�o para a concha, mas Ralph sacudiu a cabe�a. Aquele discurso fora planejado, ponto por ponto.</p><empty-line/><p>
  � Todos teremos de usar as pedras de novo. Este lugar est� ficando sujo. � Fez uma pausa. A assembleia, sentindo a proximidade de uma crise, estava tensa e na expectativa. � E mais: sobre a fogueira.</p><empty-line/><p>
  Ralph deixou escapar o ar com um pequeno som que foi repetido pelo audit�rio. Jack come�ou a cortar um peda�o de madeira com sua faca e cochichou algo com Robert, que olhou para longe.</p><empty-line/><p>
  � A fogueira � a coisa mais importante da ilha. Como poderemos ser salvos algum dia, a n�o ser por sorte, se n�o tivermos uma fogueira? � demais para n�s fazer uma fogueira?</p><empty-line/><p>
  Estendeu os bra�os.</p><empty-line/><p>
  � Olhem! Quantos somos? Mesmo assim n�o podemos manter a fogueira soltando fuma�a. N�o entendem? N�o podem ver que devemos morrer antes de deixar o fogo apagar?</p><empty-line/><p>
  Houve um risinho afetado entre os ca�adores. Ralph virou-se vivamente para eles.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s, ca�adores! Podem rir! Mas eu lhes digo que a fuma�a � mais importante que o porco, mesmo que matem muitos. Voc�s compreendem? � Abriu os bra�os e se virou para todo o tri�ngulo.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos fazer fuma�a l� em cima... ou morrer. � Fez uma pausa, pensando no pr�ximo ponto.</p><empty-line/><p>
  � E mais uma coisa.</p><empty-line/><p>
  Algu�m falou.</p><empty-line/><p>
  � Coisas demais.</p><empty-line/><p>
  Houve murm�rios de assentimento. Ralph n�o ligou.</p><empty-line/><p>
  � E mais uma coisa. Quase pusemos fogo na ilha inteira. E perdemos tempo arrastando pedras e fazendo fogueirinhas para cozinhar. Agora eu digo isto e vai ser uma regra, porque sou o chefe. S� vamos ter uma fogueira, l� na montanha. Sempre.</p><empty-line/><p>
  Explodiu uma gritaria, imediatamente. Meninos se levantaram, gritaram, e Ralph gritou de volta.</p><empty-line/><p>
  � Se quiserem acender uma fogueira para cozinhar peixe ou caranguejo, n�o custar� nada ir l� para cima. Desse jeito, teremos certeza.</p><empty-line/><p>
  M�os estenderam-se para a concha, � luz do sol poente. Ele a segurou com for�a e subiu no tronco, com um salto.</p><empty-line/><p>
  � Era o que eu queria dizer. Agora j� disse. Voc�s votaram em mim para chefe. Agora, fa�am o que eu disse.</p><empty-line/><p>
  Os meninos se aquietaram, lentamente, e acabaram sentando-se de novo. Ralph desceu do tronco e falou, em tom normal.</p><empty-line/><p>
  � Lembrem-se. O banheiro, nas pedras. Conservar a fogueira acesa e com fuma�a para servir de sinal. Nada de trazer fogo da montanha. Vamos levar a comida at� l�.</p><empty-line/><p>
  Jack levantou-se, franzindo a testa na semiescurid�o e estendeu as m�os.</p><empty-line/><p>
  � Ainda n�o acabei.</p><empty-line/><p>
  � Mas voc� falou, falou!...</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha.</p><empty-line/><p>
  Jack sentou-se, resmungando.</p><empty-line/><p>
  � E a �ltima coisa. Disso todos podem falar.</p><empty-line/><p>
  Esperou at� a plataforma ficar bem quieta.</p><empty-line/><p>
  � As coisas est�o piorando. N�o entendo por qu�. Come�amos bem; �ramos felizes. E ent�o...</p><empty-line/><p>
  Moveu a concha levemente, olhando al�m deles para o nada, lembrando-se do bicho, da cobra, da fogueira, da conversa sobre medo.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o a gente come�ou a se assustar.</p><empty-line/><p>
  Um murm�rio, quase um gemido, irrompeu e sumiu. Jack deixou de cortar a madeira. Ralph continuou abruptamente.</p><empty-line/><p>
  � Mas � conversa dos pequenos. Vamos esclarecer isso. A �ltima coisa, a coisa que todos podemos discutir, � resolver esse medo.</p><empty-line/><p>
  O cabelo caiu-lhe nos olhos outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Temos de falar sobre esse medo e decidir que n�o h� nada de que ter medo. Eu me sinto assustado �s vezes; s� que � uma bobagem! Como os fantasmas. Ent�o, quando resolvermos isso, poderemos recome�ar a cuidar de coisas como a fogueira. � A imagem de tr�s meninos andando pela praia brilhante relampejou na sua mente. � E seremos felizes.</p><empty-line/><p>
  Cerimoniosamente, Ralph deixou a concha no tronco ao seu lado, como sinal de que seu discurso acabara. A luz solar chegava agora em raios horizontais.</p><empty-line/><p>
  Jack levantou-se e pegou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o essa reuni�o � para descobrir o que est� havendo. Eu lhes digo o que est� havendo. Voc�s, pequenos, come�aram tudo isso com hist�rias de medo. Bichos? De onde? Claro que �s vezes temos medo, mas nos dominamos. S� que Ralph diz que voc�s gritam � noite. O que quer dizer isso, al�m de que t�m pesadelos? De qualquer modo, voc�s n�o ca�am, n�o constroem nem ajudam, s�o um bando de beb�s e mariquinhas. � isso. Quanto ao medo... voc�s t�m de se dominar como o resto de n�s.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para Jack, de boca aberta, mas Jack n�o percebeu.</p><empty-line/><p>
  � A verdade � que o medo n�o pode machucar voc�s mais do que um sonho. N�o h� bichos de que se ter medo nesta ilha. � Olhou por toda a fileira de pequenos, que cochichavam. � Bem que mereciam que alguma coisa pegasse voc�s, seu mont�o de beb�s chor�es in�teis! Mas n�o h� animal...</p><empty-line/><p>
  Ralph interrompeu-o bruscamente.</p><empty-line/><p>
  � Que � isso? Quem disse alguma coisa sobre um animal?</p><empty-line/><p>
  � Voc�, outro dia. Disse que eles sonham e gritam. Agora eles falam, n�o s� os pequenos, os meus ca�adores �s vezes, falam de uma coisa, uma coisa escura, um bicho, alguma esp�cie de animal. Eu ouvi. Pensou que n�o, n�o �? Agora, ou�am. N�o h� animais grandes em ilhas pequenas. S� porcos. S� h� le�es e tigres em lugares grandes como a �frica e a �ndia...</p><empty-line/><p>
  � E o Zool�gico...</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha. N�o estou falando do medo. Estou falando do bicho. Tenham o medo que quiserem. Mas quanto ao bicho...</p><empty-line/><p>
  Jack fez uma pausa, sacudindo a concha, e se virou para os ca�adores, com seus sujos bon�s pretos.</p><empty-line/><p>
  � Sou um ca�ador ou n�o sou?</p><empty-line/><p>
  Os outros confirmaram, simplesmente. Era mesmo um ca�ador. Ningu�m duvidava disso.</p><empty-line/><p>
  � Bem... percorri a ilha inteira. Sozinho. Se houvesse um bicho, eu o teria visto. Voc�s t�m medo porque s�o assim, mas n�o h� bicho algum na floresta.</p><empty-line/><p>
  Jack devolveu a concha e se sentou. A reuni�o inteira aplaudiu-o com al�vio. Ent�o Porquinho estendeu a m�o.</p><empty-line/><p>
  � N�o concordo com tudo que Jack disse, s� com uma parte. Claro que n�o h� um bicho na floresta. Como pode haver? O que um bicho comeria?</p><empty-line/><p>
  � Porco.</p><empty-line/><p>
  � N�s comemos porco.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha! � disse Porquinho, indignado. � Ralph, eles t�m de se calar, n�o �? Calem a boca, seus pequenos! O que quero dizer � que n�o concordo com esse tal de medo. Claro que n�o h� o que temer na floresta! Porque eu mesmo estive l�. Daqui a pouco voc�s estar�o falando de fantasmas e outras coisas assim. N�s sabemos o que h� e se houver alguma coisa de errado existe algu�m para dar um jeito.</p><empty-line/><p>
  Tirou os �culos e piscou para eles. O sol sumiu como se tivessem apagado a luz.</p><empty-line/><p>
  Continuou a explicar.</p><empty-line/><p>
  � Se a gente est� com dor na barriga, pequena ou grande...</p><empty-line/><p>
  � A sua � grande.</p><empty-line/><p>
  � Quando pararem de rir talvez possamos continuar a reuni�o. E se voc�s, pequenos, se esticarem nesse tronco outra vez, cair�o num instante. Sentem-se no ch�o e ou�am. N�o. A gente tem m�dicos para tudo, at� para dentro da cabe�a. N�o � poss�vel dizer que ficaremos com medo de nada o tempo todo! A vida � disse Porquinho expansivamente � � cient�fica, isso � que �. Num ano ou dois, quando a guerra acabar, viajar�o para Marte e voltar�o. Sei que n�o h� bicho, n�o com garras etc., mas sei que tamb�m n�o h� medo.</p><empty-line/><p>
  Porquinho fez uma pausa.</p><empty-line/><p>
  � A n�o ser...</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se, impaciente.</p><empty-line/><p>
  � A n�o ser o qu�?</p><empty-line/><p>
  � A n�o ser que estejamos com medo de gente.</p><empty-line/><p>
  Um som, meio risada, meio zombaria, irrompeu dentre os meninos sentados. Porquinho abaixou a cabe�a e continuou falando com rapidez.</p><empty-line/><p>
  � Vamos ouvir o pequeno que falou de um bicho e talvez possamos mostrar como ele � bobo.</p><empty-line/><p>
  Os pequenos come�aram a se empurrar, ent�o um deles avan�ou.</p><empty-line/><p>
  � Como � seu nome?</p><empty-line/><p>
  � Phil.</p><empty-line/><p>
  Para um pequeno, era bem confiante, estendendo as m�os para a concha, como Ralph fazia, olhando em volta para atrair as aten��es antes de falar.</p><empty-line/><p>
  � Na noite passada, tive um sonho, um sonho horr�vel, de luta contra umas coisas. Eu estava sozinho, fora da cabana, lutando com as coisas, aquelas coisas enroscadas nas �rvores.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa e os outros pequenos riram, numa simpatia horrorizada.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o fiquei com medo e acordei. E eu estava sozinho fora da cabana, no escuro, e as coisas enroscadas tinham ido embora.</p><empty-line/><p>
  O horror vivo disso, t�o poss�vel e t�o cruamente aterrorizante, fez com que silenciassem. A voz do menino continuou, muito d�bil, por tr�s da concha branca.</p><empty-line/><p>
  � E eu tive medo e comecei a chamar Ralph, quando vi alguma coisa se mexendo entre as �rvores, alguma coisa grande e horr�vel.</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa, meio assustado com a lembran�a, embora orgulhoso com a sensa��o que criara.</p><empty-line/><p>
  � Foi um pesadelo � disse Ralph �, ele estava andando enquanto dormia.</p><empty-line/><p>
  A assembleia murmurou um assentimento reprimido. O pequeno sacudiu a cabe�a teimosamente.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava dormindo quando as coisas enroscadas estavam lutando e quando foram embora eu estava acordado e vi aquela coisa grande e horr�vel mexendo-se nas �rvores.</p><empty-line/><p>
  Ralph estendeu as m�os para a concha e o pequeno se sentou.</p><empty-line/><p>
  � Voc� estava dormindo. N�o havia ningu�m ali. Como algu�m poderia estar andando na floresta � noite? Havia algu�m? Algu�m saiu?</p><empty-line/><p>
  Houve uma longa pausa enquanto a assembleia sorria ante o pensamento de algu�m poder sair no escuro. Ent�o Simon se levantou e Ralph olhou-o espantado.</p><empty-line/><p>
  � Voc�! O que estava fazendo no escuro?</p><empty-line/><p>
  Simon pegou a concha, tremendo.</p><empty-line/><p>
  � Eu queria... ir a um lugar... um lugar que conhe�o.</p><empty-line/><p>
  � Que lugar?</p><empty-line/><p>
  � S� um lugar que eu conhe�o. Um lugar na selva.</p><empty-line/><p>
  Hesitou.</p><empty-line/><p>
  Jack resolveu a quest�o com aquele desprezo na voz que podia soar t�o engra�ado e definitivo.</p><empty-line/><p>
  � Voc� estava apertado.</p><empty-line/><p>
  Sentindo a humilha��o de Simon, Ralph pegou a concha de volta, olhando Simon seriamente, bem nos olhos.</p><empty-line/><p>
  � Bem, n�o fa�a isso de novo. Compreendeu?... N�o � noite. J� h� bastante conversa fiada sobre bichos, sem que os pequenos o vejam deslizando por a� como uma...</p><empty-line/><p>
  No riso gozativo que explodiu havia uma ponta de medo e condena��o. Simon abriu a boca para falar, mas Ralph estava com a concha, ent�o voltou ao seu lugar.</p><empty-line/><p>
  Quando todos ficaram em sil�ncio, Ralph virou-se para Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Bem, Porquinho?</p><empty-line/><p>
  � Houve outro. Ele.</p><empty-line/><p>
  Os pequenos empurraram Percival para a frente, depois o deixaram sozinho. Ele ficou no centro do tri�ngulo, metido na grama at� o joelho, olhando para os p�s ocultos, tentando fingir que estava numa tenda. Ralph lembrou-se de outro menino pequeno que ficara assim e tentou afastar a lembran�a. V�rias vezes fizera isso, e s� uma coisa como essa de agora � que podia novamente despertar a lembran�a, trazer tudo � superf�cie. N�o houvera mais contagem dos pequenos, em parte por n�o se ter jeito de garantir contar todos e em parte porque Ralph sabia a resposta a uma pergunta que Porquinho fizera no cume da montanha. Havia menininhos louros, bronzeados, sardentos e bem sujos, mas seus rostos eram terrivelmente desprovidos de manchas maiores. Ningu�m vira novamente o sinal de nascen�a cor de amora. Mas daquela vez Porquinho havia provocado e intimidado. Admitindo tacitamente que se lembrava do que n�o se devia mencionar, Ralph fez um sinal afirmativo para Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Vamos. Pergunte.</p><empty-line/><p>
  Porquinho ajoelhou-se, segurando a concha.</p><empty-line/><p>
  � Vamos l�. Como � seu nome?</p><empty-line/><p>
  O menino se retorceu para dentro de sua tenda. Porquinho virou-se, impotente, para Ralph que falou asperamente.</p><empty-line/><p>
  � Como � seu nome?</p><empty-line/><p>
  Atormentados pelo sil�ncio e pela recusa, os meninos irromperam num canto.</p><empty-line/><p>
  � Como � seu nome? Como � seu nome?</p><empty-line/><p>
  � Quietos!</p><empty-line/><p>
  Ralph encarou o menino de perto, sob o crep�sculo.</p><empty-line/><p>
  � Diga-nos. Como � seu nome?</p><empty-line/><p>
  � Percival Wemys Madison, Vicariato, Harcourt St. Anthony, Hants, telefone, telefone, tele...</p><empty-line/><p>
  Como se essa informa��o estivesse profundamente arraigada nas fontes da tristeza, o menino chorou. Seu rosto se enrugou, as l�grimas saltaram dos olhos, a boca se abriu at� que puderam ver um buraco quadrado escuro. Primeiro, ele era uma ef�gie silenciosa da tristeza, depois a lamenta��o irrompeu dele, alta e fina como a voz da concha.</p><empty-line/><p>
  � Cale-se! Cale-se!</p><empty-line/><p>
  Percival Wemys Madison n�o se calava. Uma fonte fora aberta, bem al�m do alcance da autoridade e at� da intimida��o f�sica. O choro continuou, solu�o ap�s solu�o, e parecia ampar�-lo, como que cravado nele...</p><empty-line/><p>
  � Cale-se! Cale-se!</p><empty-line/><p>
  Agora, os pequenos j� n�o estavam mais quietos. Lembraram-se das suas tristezas pessoais e talvez sentissem que deveriam compartilhar aquela tristeza universal. Come�aram a chorar em solidariedade, dois deles quase t�o alto quanto Percival.</p><empty-line/><p>
  Maurice salvou a situa��o. Gritou:</p><empty-line/><p>
  � Olhem para mim!</p><empty-line/><p>
  Fingiu cair. Esfregou o traseiro e se sentou no tronco empenado, rolando de costas na grama.</p><empty-line/><p>
  Era um p�ssimo palha�o, mas Percival e os outros viram-no, fungaram e riram. Agora, todos estavam rindo t�o absurdamente que os grandes se juntaram a eles.</p><empty-line/><p>
  Jack foi o primeiro a se fazer ouvir. N�o estava com a concha e falou contra as regras, mas ningu�m se importou.</p><empty-line/><p>
  � E o bicho?</p><empty-line/><p>
  Algo estranho aconteceu a Percival. Bocejou e vacilou, mas Jack pegou-o e sacudiu-o.</p><empty-line/><p>
  � Onde o bicho vive?</p><empty-line/><p>
  Percival encolheu-se entre as m�os de Jack.</p><empty-line/><p>
  � � um bicho esperto � disse Porquinho zombando �, que consegue se esconder nessa ilha.</p><empty-line/><p>
  � Jack esteve em toda parte...</p><empty-line/><p>
  � Onde pode viver um bicho?</p><empty-line/><p>
  � Bicho uma ova!</p><empty-line/><p>
  Percival resmungou alguma coisa e a assembleia riu de novo. Ralph inclinou-se para a frente.</p><empty-line/><p>
  � O que ele disse?</p><empty-line/><p>
  Jack escutou a resposta de Percival e se afastou dele. Percival, livre, cercado pela confortadora presen�a de humanos, caiu na grama alta e come�ou a dormir.</p><empty-line/><p>
  Jack limpou a garganta, depois declarou casualmente:</p><empty-line/><p>
  � Ele diz que o bicho vem do mar.</p><empty-line/><p>
  A �ltima risada morreu. Ralph virou-se involuntariamente, uma figura negra e curvada contra a lagoa. O grupo olhou com ele; considerou as amplas extens�es de �gua, o mar alto mais al�m, desconhecido azul de possibilidades infinitas. Ouviram silenciosamente os suspiros e sussurros do recife.</p><empty-line/><p>
  Maurice falou t�o alto que todos se sobressaltaram.</p><empty-line/><p>
  � Papai disse que ainda n�o descobriram todos os animais que h� no mar.</p><empty-line/><p>
  A discuss�o dominou outra vez a reuni�o. Ralph levantou a concha brilhante e Maurice pegou-a obedientemente. Todos se acalmaram.</p><empty-line/><p>
  � Quero dizer que quando Jack diz que voc�s podem ter medo porque as pessoas t�m medo de qualquer jeito, ele estava certo. Mas quando diz que s� h� porcos na ilha, espero que esteja certo, mas ele n�o sabe, n�o de verdade, para valer. � Maurice tomou f�lego. � Meu pai disse que h� coisas, essas que soltam tinta, polvos, que t�m centenas de metros de comprimento e comem baleias inteiras. � Fez uma pausa e riu alegremente. � N�o acredito no bicho, � claro. Como Porquinho disse, a vida � cient�fica, mas n�s n�o sabemos, n�o �? N�o para valer, quero dizer...</p><empty-line/><p>
  Algu�m gritou.</p><empty-line/><p>
  � Um polvo n�o pode sair da �gua!</p><empty-line/><p>
  � Pode!</p><empty-line/><p>
  � N�o pode!</p><empty-line/><p>
  Num instante, a plataforma ficou cheia de sombras que discutiam e gesticulavam. Para Ralph, sentado, isso parecia o fim da sanidade. Medo, bichos, nenhum consenso geral de que a fogueira era o mais importante: e quando algu�m tentava arrumar as coisas, explodia a discuss�o, trazendo assuntos novos e desagrad�veis.</p><empty-line/><p>
  Viu algo branco no escuro perto dele e tirou a concha de Maurice. Soprou com toda a for�a. Os meninos calaram-se imediatamente. Simon estava perto dele, com as m�os na concha. Simon sentia uma necessidade perigosa de falar, mas falar numa reuni�o era uma coisa terr�vel para ele.</p><empty-line/><p>
  � Talvez � disse hesitante �, talvez haja um bicho.</p><empty-line/><p>
  A reuni�o gritou selvagemente e Ralph ficou olhando, espantado.</p><empty-line/><p>
  � Voc�, Simon? Voc� acredita nisso?</p><empty-line/><p>
  � N�o sei � disse Simon. As batidas do cora��o sufocavam-no. � Mas...</p><empty-line/><p>
  Explodiu a tormenta.</p><empty-line/><p>
  � Sente-se!</p><empty-line/><p>
  � Cale-se!</p><empty-line/><p>
  � Pegue a concha!</p><empty-line/><p>
  � V� embora!</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca!</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou.</p><empty-line/><p>
  � Ou�am-no! Ele est� com a concha!</p><empty-line/><p>
  � O que quero dizer �... talvez sejamos n�s.</p><empty-line/><p>
  � Est� louco!</p><empty-line/><p>
  Essa �ltima exclama��o foi de Porquinho, que chegou a perder o controle. Simon continuou.</p><empty-line/><p>
  � Poder�amos ser uma esp�cie de...</p><empty-line/><p>
  Simon n�o conseguiu falar, no seu esfor�o de exprimir o mal essencial da humanidade. A inspira��o acabou chegando.</p><empty-line/><p>
  � Qual � a coisa mais suja que h�?</p><empty-line/><p>
  Como resposta, Jack lan�ou no sil�ncio da incompreens�o que se seguiu umas cruas s�labas expressivas. O al�vio foi como um orgasmo. Os pequenos que haviam trepado no tronco empenado ca�ram de novo, mas ningu�m ligou. Os ca�adores gritaram de prazer.</p><empty-line/><p>
  O esfor�o de Simon desmoronou em ru�nas; as risadas fustigaram-no cruelmente e ele se retraiu, indefeso, para seu lugar.</p><empty-line/><p>
  A assembleia acabou silenciando. Algu�m falou fora de vez.</p><empty-line/><p>
  � Talvez ele queira dizer que � alguma esp�cie de fantasma.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou a concha e fixou a escurid�o. A coisa mais clara era a praia p�lida. Estariam os pequenos mais perto? Sim, n�o havia d�vidas sobre isso: estavam amontoados num apertado novelo de corpos na grama central. Um sopro de vento fez as palmeiras falarem e o barulho parecia muito alto, agora que a escurid�o e o sil�ncio tornavam-no t�o percept�vel. Dois troncos cinzentos esfregaram-se com um rangido maligno que ningu�m notara de dia.</p><empty-line/><p>
  Porquinho pegou a concha. Sua voz era indignada.</p><empty-line/><p>
  � N�o acredito em fantasmas. Nunca!</p><empty-line/><p>
  Jack tamb�m ficou de p�, inexplicavelmente furioso.</p><empty-line/><p>
  � Quem se importa com o que voc� acredita, Gordinho?</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha!</p><empty-line/><p>
  Houve o som de uma breve luta e a concha mexeu-se para a frente e para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � Devolva-me a concha!</p><empty-line/><p>
  Ralph enfiou-se entre eles e levou um soco no peito. Arrancou a concha de algu�m e se sentou, sem f�lego.</p><empty-line/><p>
  � J� se falou demais de fantasmas. Dever�amos ter deixado isso para a luz do dia.</p><empty-line/><p>
  Soou uma voz an�nima e sussurrante.</p><empty-line/><p>
  � Talvez o bicho seja isso, um fantasma.</p><empty-line/><p>
  Os meninos estremeceram como se o vento tivesse soprado.</p><empty-line/><p>
  � Est�o falando demais fora de vez � disse Ralph �, e n�o podemos ter reuni�es de verdade se n�o ligarmos para as regras.</p><empty-line/><p>
  Parou outra vez. O plano cuidadoso dessa reuni�o desmoronava.</p><empty-line/><p>
  � Que querem que eu diga agora? Errei ao fazer essa reuni�o t�o tarde. Vamos votar, sobre os fantasmas, quero dizer; depois, vamos para as cabanas porque estamos todos cansados. N�o �, Jack? Esperem. Digo aqui e agora que n�o acredito em fantasmas. Ou n�o acho que acredito. Mas n�o gosto de pensar neles. N�o agora, no escuro. Mas vamos resolver o que est� havendo.</p><empty-line/><p>
  Levantou a concha, por um momento.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem. Eu acho que resolver o que est� havendo � saber se h� fantasmas ou n�o...</p><empty-line/><p>
  Pensou por um instante, formulando a quest�o.</p><empty-line/><p>
  � Quem acha que pode haver fantasmas?</p><empty-line/><p>
  Por bastante tempo, fez-se sil�ncio, sem qualquer movimento aparente. Ent�o, Ralph fixou o escuro e vislumbrou as m�os. Falou, inexpressivamente.</p><empty-line/><p>
  � Entendi.</p><empty-line/><p>
  O mundo, aquele mundo compreens�vel e cheio de leis, estava desaparecendo. Antes havia isto e aquilo; agora, agora o navio fora embora.</p><empty-line/><p>
  A concha foi tirada das suas m�os e a voz de Porquinho guinchou.</p><empty-line/><p>
  � Eu n�o voto nos fantasmas!</p><empty-line/><p>
  Girou em redor de todos.</p><empty-line/><p>
  � Lembrem-se disso, voc�s todos!</p><empty-line/><p>
  Ouviram-no bater o p�.</p><empty-line/><p>
  � O que somos? Humanos? Ou animais? Ou selvagens? O que os adultos ir�o pensar? Ir de qualquer jeito... ca�ar porcos... deixando a fogueira apagar... e agora!</p><empty-line/><p>
  Uma sombra caiu sobre ele, tempestuosamente.</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca, sua lesma gorda!</p><empty-line/><p>
  Houve um momento de luta e a concha luzente balan�ou-se para cima e para baixo. Ralph ficou de p�, num salto.</p><empty-line/><p>
  � Jack! Jack! Voc� n�o est� com a concha! Deixe-o falar.</p><empty-line/><p>
  O rosto de Jack surgiu ao seu lado.</p><empty-line/><p>
  � E voc� cale a boca. Quem � voc�, afinal? Sentado a�... dizendo o que todos devem fazer. Voc� n�o sabe ca�ar, n�o sabe cantar...</p><empty-line/><p>
  � Eu sou o chefe. Fui escolhido.</p><empty-line/><p>
  � E que diferen�a faz essa escolha? S� dando ordens que n�o t�m nenhum sentido...</p><empty-line/><p>
  � Porquinho est� com a concha.</p><empty-line/><p>
  � Certo... favore�a Porquinho como sempre faz...</p><empty-line/><p>
  � Jack!</p><empty-line/><p>
  A voz de Jack soou num arremedo amargo.</p><empty-line/><p>
  � Jack! Jack!</p><empty-line/><p>
  � As regras � gritou Ralph �, voc� est� quebrando as regras!</p><empty-line/><p>
  � Que importa?</p><empty-line/><p>
  Ralph recorreu a toda a sua habilidade.</p><empty-line/><p>
  � Porque as regras s�o a �nica coisa que temos!</p><empty-line/><p>
  Mas Jack estava gritando contra ele.</p><empty-line/><p>
  � Que as regras v�o pro inferno! Somos fortes, n�s ca�amos! Se houver um bicho, n�s o ca�aremos! Vamos cerc�-lo e bater, bater, bater!...</p><empty-line/><p>
  Deu um grito selvagem e pulou para a areia p�lida. De repente, a plataforma estava cheia de barulho e excita��o, trope��es, gritos e risadas. A reuni�o se desagregou e se transformou em figuras dispersas que andavam falando, das palmeiras at� a �gua e ao longo da praia, perdendo-se na escurid�o. Ralph sentiu a concha tocar sua face e a tomou de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � O que os adultos ir�o dizer? � gritou Porquinho de novo. � Olhe para eles!</p><empty-line/><p>
  O som de uma ca�ada fingida, de risos hist�ricos e terror real vinha da praia.</p><empty-line/><p>
  � Sopre a concha, Ralph!</p><empty-line/><p>
  Porquinho estava t�o perto que Ralph podia ver o brilho da sua �nica lente.</p><empty-line/><p>
  � A fogueira. N�o percebem?</p><empty-line/><p>
  � Voc� precisa ser duro agora. Obrigue-os a fazer o que voc� quiser.</p><empty-line/><p>
  Ralph respondeu, com a voz cautelosa de quem recorda um teorema.</p><empty-line/><p>
  � Se eu soprar a concha e eles n�o voltarem, ent�o n�o poderemos fazer nada. N�o conseguiremos manter a fogueira acesa. Seremos como animais. Nunca seremos salvos.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� n�o soprar, logo seremos animais de qualquer jeito. N�o posso ver o que est�o fazendo, mas posso ouvir.</p><empty-line/><p>
  As figuras dispersas reuniram-se na areia e viraram uma densa massa m�vel. Cantavam algo e os pequenos, que haviam passado por coisas demais, afastavam-se chorando. Ralph levou a concha aos l�bios, mas depois a baixou.</p><empty-line/><p>
  � O problema �: h� fantasmas, Porquinho? Ou bichos?</p><empty-line/><p>
  � Claro que n�o.</p><empty-line/><p>
  � Por qu�?</p><empty-line/><p>
  � Porque n�o teria sentido. As casas, as ruas, a tev� n�o funcionariam.</p><empty-line/><p>
  Os meninos que dan�avam e cantavam estavam distantes e agora seu som era apenas um ritmo sem palavras.</p><empty-line/><p>
  � Mas suponha que isso n�o tenha mesmo sentido. N�o aqui, nesta ilha. Suponha que h� coisas nos observando e esperando.</p><empty-line/><p>
  Ralph estremeceu violentamente e se aproximou de Porquinho; acabaram se chocando, assustados.</p><empty-line/><p>
  � Pare de falar assim! J� temos problemas de sobra, Ralph, e j� aguentei coisas demais! Se h� fantasmas...</p><empty-line/><p>
  � Eu deveria desistir de ser chefe. Ou�a-os.</p><empty-line/><p>
  � Oh Deus! Oh, n�o!</p><empty-line/><p>
  Porquinho agarrou o bra�o de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Se Jack fosse chefe, todos ca�ariam e n�o haveria fogueira. Ficar�amos aqui at� morrer.</p><empty-line/><p>
  Sua voz transformou-se num guincho.</p><empty-line/><p>
  � Quem est� sentado a�?</p><empty-line/><p>
  � Eu. Simon.</p><empty-line/><p>
  � Bela turma que somos � disse Ralph. � Tr�s ratos cegos. Desisto.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� desistir � disse Porquinho num sussurro aflito �, o que acontecer� comigo?</p><empty-line/><p>
  � Nada.</p><empty-line/><p>
  � Ele me odeia. N�o sei por qu�. Se ele puder fazer o que quiser... Com voc� n�o h� problema, ele o respeita. Al�m disso, voc� o acertou.</p><empty-line/><p>
  � Agora h� pouco voc� estava numa bela luta com ele.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava com a concha � disse Porquinho, simplesmente. � Eu tinha direito de falar.</p><empty-line/><p>
  Simon estirou-se no escuro.</p><empty-line/><p>
  � Continue a ser chefe.</p><empty-line/><p>
  � Cale a boca, pequeno Simon! Por que n�o falou que n�o havia bicho nenhum?</p><empty-line/><p>
  � Tenho medo dele � disse Porquinho � porque eu o conhe�o. Quando voc� tem medo de algu�m, voc� o odeia, mas n�o pode parar de pensar nele. Voc� se ilude, dizendo que ele no fundo � legal. Ent�o voc� o v� de novo; � como a asma e voc� n�o consegue respirar. � assim. Ele tamb�m o odeia, Ralph...</p><empty-line/><p>
  � Eu? Por que eu?</p><empty-line/><p>
  � N�o sei. Voc� gritou com ele por causa da fogueira. E voc� � chefe e ele n�o.</p><empty-line/><p>
  � Mas ele �, �. Jack Merridew!</p><empty-line/><p>
  � Fiquei na cabana muito tempo para pensar. Conhe�o gente, me conhe�o. E ele. Ele n�o pode ferir voc�, mas se voc� sair do caminho, ele acertar� o que estiver mais pr�ximo. E sou eu.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho est� certo, Ralph. H� voc� e Jack. Continue como chefe.</p><empty-line/><p>
  � Estamos nos perdendo e as coisas est�o piorando. Em casa, sempre h� um adulto. Por favor, senhor; por favor, senhorita; e voc� tem uma resposta. Como eu gostaria!...</p><empty-line/><p>
  � Gostaria que minha tia estivesse aqui.</p><empty-line/><p>
  � Gostaria que meu pai... Ora, que adianta?</p><empty-line/><p>
  � A fogueira precisa ficar acesa.</p><empty-line/><p>
  A dan�a acabara e os ca�adores estavam voltando para seus abrigos.</p><empty-line/><p>
  � Os adultos sabem das coisas � disse Porquinho. � N�o t�m medo do escuro. Re�nem-se, tomam ch� e discutem. Ent�o, as coisas entram nos eixos...</p><empty-line/><p>
  � Eles n�o poriam fogo na ilha. Nem perderiam...</p><empty-line/><p>
  � Fariam um barco...</p><empty-line/><p>
  Os tr�s meninos ficaram no escuro, esfor�ando-se inutilmente para evocar a majestade da vida adulta.</p><empty-line/><p>
  � N�o brigariam...</p><empty-line/><p>
  � Nem quebrariam meus �culos...</p><empty-line/><p>
  � Nem falariam de um bicho...</p><empty-line/><p>
  � Se pudessem nos mandar uma mensagem, pelo menos � gritou Ralph, desesperado. � Se eles pudessem nos mandar algo deles... um sinal ou alguma coisa...</p><empty-line/><p>
  Um lamento agudo vindo das trevas gelou-lhes o sangue e fez com que se encostassem uns nos outros. Ent�o o lamento cresceu, remoto e sobrenatural, transformando-se num balbuciar desarticulado. Percival Wemys Madison, do Vicariato, Harcourt St. Anthony, deitado na grama alta, estava vivendo em circunst�ncias tais que n�o poderia ser ajudado nem mesmo pelo encantamento de seu endere�o.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>6</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Bicho do ar</strong></p><p>N�o havia mais luz al�m da que vinha das estrelas. Quando perceberam o que era aquele ru�do fantasmag�rico e Percival se aquietou novamente, Ralph e Simon pegaram-no desajeitadamente e o carregaram para uma cabana. Porquinho n�o se afastou deles, apesar de todas as suas palavras de valentia, e os tr�s meninos maiores foram juntos para o abrigo mais pr�ximo. Deitaram-se, inquietos e fazendo barulho entre as folhas secas, observando a mancha de estrelas que era a abertura para a lagoa. �s vezes, um pequeno gritava nos outros abrigos e, uma vez, um grande falou no escuro. Ent�o eles tamb�m adormeceram.</p><empty-line/><p>
  Uma fatia de lua subiu acima do horizonte, de tamanho quase insuficiente para conseguir tra�ar uma esteira de luz, mesmo quando a se apoiar na �gua; mas havia outras luzes no c�u movendo-se rapidamente, cintilando ou desaparecendo, embora l� embaixo n�o chegasse o menor ru�do da batalha travada a 16 quil�metros de altura. Mas desceu um sinal do mundo dos adultos, embora naquela hora n�o houvesse uma s� crian�a acordada para v�-lo. Houve uma s�bita e brilhante explos�o, uma queda em parafuso atrav�s do c�u; depois, novamente, a escurid�o e as estrelas. Apareceu uma pequena mancha acima da ilha, um vulto descendo rapidamente sob um paraquedas, um vulto que se sacudia com membros bamboleantes. Os ventos cambiantes das v�rias altitudes levavam a figura l� para onde bem quiseram. A�, a cinco quil�metros, o vento serenou, varrendo-a numa grande curva al�m do recife e da lagoa, rumo � montanha. A figura caiu e se encolheu entre as flores azuis da encosta da montanha, mas, nessa altura, soprou uma suave brisa e o paraquedas mexeu-se violentamente, oscilou e se soltou. A figura, arrastando os p�s, deslizou montanha acima. Metro a metro, sopro a sopro, o vento arrastou a figura por entre as flores azuis, por cima dos pedregulhos e das pedras vermelhas, at� que ficou encolhida entre as rochas quebradas do cimo da montanha. Ali, o vento soprava, soprava firmemente e as cordas do paraquedas se enredaram e enroscaram. A figura, agora sentada, com a cabe�a metida num capacete entre os joelhos, estava segura por uma confus�o de cordas. O vento, ao soprar, estirava as cordas e esse movimento levantava a cabe�a e o peito da figura que parecia ent�o perscrutar o cimo da montanha. Depois, cada vez que o vento amainava, as cordas se dobravam e a figura inclinava-se outra vez para a frente, mergulhando a cabe�a entre os joelhos. Assim, � medida que as estrelas moviam-se pelo c�u, a figura sentada no cimo da montanha levantava, inclinava-se, levantava outra vez...</p><empty-line/><p>
  No escuro das primeiras horas da manh�, houve uns ru�dos junto a uma pedra, perto da encosta da montanha. Dois meninos puxavam uma pilha de arbustos e folhas secas, duas sombras indistintas que conversavam sonolentamente. Eram os g�meos, cuidando da fogueira. Teoricamente, um estava dormindo e um de sentinela. Mas n�o conseguiam fazer as coisas corretamente, se isso significasse agir independentemente. J� que ficar acordado a noite inteira era imposs�vel, os dois dormiram. Agora se aproximavam da mancha mais escura que fora a primeira fogueira, bocejando, esfregando os olhos, avan�ando com p�s habituados ao caminho. Quando chegaram l�, pararam de bocejar e um deles correu rapidamente em busca dos arbustos e folhas.</p><empty-line/><p>
  O outro se ajoelhou.</p><empty-line/><p>
  � Acho que apagou.</p><empty-line/><p>
  Tirou as cinzas com os galhinhos que lhe foram colocados nas m�os.</p><empty-line/><p>
  � N�o.</p><empty-line/><p>
  Deitou-se e p�s os l�bios junto das brasas, soprando delicadamente. Seu rosto apareceu, iluminado de vermelho. Parou de soprar por um instante.</p><empty-line/><p>
  � Sam... d�-me...</p><empty-line/><p>
  � ...uma madeira boa de queimar.</p><empty-line/><p>
  Eric inclinou-se e soprou lentamente de novo at� as brasas brilharem. Sam enfiou um peda�o de madeira no meio delas, depois um ramo inteiro. O brilho aumentou e o ramo pegou fogo. Sam empilhou outros galhos.</p><empty-line/><p>
  � N�o queime tudo � disse Eric �, voc� est� pondo madeira demais.</p><empty-line/><p>
  � Vamos nos esquentar.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos pegar mais madeira.</p><empty-line/><p>
  � Estou com frio.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m.</p><empty-line/><p>
  � Al�m disso, est�...</p><empty-line/><p>
  � ...escuro. Est� certo.</p><empty-line/><p>
  Eric recuou de c�coras e ficou olhando Sam ativar a fogueira. Fez um anteparo de madeira e o fogo ficou aceso sem problemas.</p><empty-line/><p>
  � Foi por pouco...</p><empty-line/><p>
  � Ele estava...</p><empty-line/><p>
  � ...uma fera.</p><empty-line/><p>
  � �.</p><empty-line/><p>
  Por um momento, os g�meos fixaram a fogueira em sil�ncio. Ent�o, Eric deu uma risadinha abafada.</p><empty-line/><p>
  � Ele estava uma fera, n�o �?</p><empty-line/><p>
  � Por causa do...</p><empty-line/><p>
  � Fogo e do porco.</p><empty-line/><p>
  � Sorte que ele deu a bronca em Jack, e n�o na gente.</p><empty-line/><p>
  � �. Lembra do velho Fera na escola?</p><empty-line/><p>
  � Menino, aos-poucos-voc�-est�-me-deixando-louco!</p><empty-line/><p>
  Os g�meos compartilharam seu riso id�ntico, depois se lembraram da escurid�o e das outras coisas, ficaram olhando em volta, intranquilos. As chamas, presas no anteparo, atra�ram novamente seus olhares. Eric observou os insetos da madeira que deslizavam por ela e eram t�o freneticamente incapazes de evitar o fogo; pensou na primeira fogueira, ali mesmo, na encosta mais �ngreme da montanha, onde agora estava totalmente escuro. N�o gostou de pensar nisso e afastou o olhar do cimo da montanha.</p><empty-line/><p>
  O calor irradiava-se agora e os atingia agradavelmente. Sam brincava de enfiar galhos na fogueira, o mais perto poss�vel. Eric estendeu as m�os abertas, tentando saber a que dist�ncia o calor era insuport�vel. Olhando pregui�osamente al�m da fogueira, refez mentalmente os contornos diurnos das rochas partidas, com base nas sombras planas. Ali estava a pedra grande, as outras tr�s, a pedra fendida e, bem ali, havia um buraco, bem ali.</p><empty-line/><p>
  � Sam.</p><empty-line/><p>
  � Hem?</p><empty-line/><p>
  � Nada.</p><empty-line/><p>
  As chamas devoravam a madeira, as cascas retorciam-se e ca�am, a resina explodia. O anteparo caiu para dentro e enviou um amplo c�rculo de luz por todo o cume da montanha.</p><empty-line/><p>
  � Sam...</p><empty-line/><p>
  � Hem?</p><empty-line/><p>
  � Sam! Sam!</p><empty-line/><p>
  Sam olhou irritado para Eric. A intensidade do olhar de Eric tornava terr�vel a dire��o para a qual olhava, pois Sam estava de costas para ela. Arrastou-se ao redor da fogueira, agachou-se junto a Eric e procurou ver. Estavam im�veis e abra�ados, quatro olhos fixos e sem piscar, duas bocas abertas.</p><empty-line/><p>
  Bem embaixo deles, as �rvores da floresta suspiraram, depois rugiram. O cabelo mexeu-se nas suas testas e as chamas passaram a soprar de um lado. L�, de uns 15 metros de onde estavam, veio um barulho, o estalo do tecido se abrindo.</p><empty-line/><p>
  Nenhum deles gritou, mas o abra�o ficou mais apertado e as bocas se abriram ao m�ximo. Por uns dez segundos, ficaram ali agachados, enquanto a fogueira oscilante lan�ava fuma�a, centelhas e ondas de luz inconstante por sobre o cimo da montanha.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, como se tivessem uma s� mente apavorada, desceram atropeladamente pelas rochas e fugiram.</p><empty-line/><p>
  Ralph sonhava. Adormecera ap�s horas de agita��o e voltas barulhentas entre as folhas secas. Nem mesmo os sons de pesadelo dos outros abrigos chegavam mais at� ele, pois estava de volta ao lugar de que viera, alimentando os p�neis com a��car por cima da cerca do jardim. Ent�o, algu�m sacudiu seu bra�o, dizendo que estava na hora do ch�.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ralph!</p><empty-line/><p>
  As folhas rugiam como o mar.</p><empty-line/><p>
  � Ralph, acorde!</p><empty-line/><p>
  � Que foi?</p><empty-line/><p>
  � N�s vimos...</p><empty-line/><p>
  � ...o bicho...</p><empty-line/><p>
  � ...de verdade!</p><empty-line/><p>
  � Quem s�o voc�s? Os g�meos?</p><empty-line/><p>
  � N�s vimos o bicho...</p><empty-line/><p>
  � Quietos. Porquinho!</p><empty-line/><p>
  As folhas rugiram de novo. Porquinho trope�ou nele e um g�meo puxou-o pelo bra�o, quando ele tentou sair para o quadril�tero de estrelas p�lidas.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o pode sair, � horr�vel!</p><empty-line/><p>
  � Porquinho... onde est�o as lan�as?</p><empty-line/><p>
  � Posso ouvir o...</p><empty-line/><p>
  � Sil�ncio. Fique quieto!</p><empty-line/><p>
  Ficaram ali � escuta, primeiro em d�vida, depois com terror, ante a descri��o que os g�meos cochicharam, entre pausas de extremo sil�ncio. Logo a escurid�o ficou cheia de garras, cheia do terr�vel desconhecido e de amea�as. Uma madrugada intermin�vel apagou as estrelas e afinal a luz, triste e cinzenta, infiltrou-se na cabana. Come�aram a se mexer, embora o mundo l� fora ainda fosse terrivelmente perigoso. O labirinto da escurid�o dividia-se em pr�ximo e distante e l� num ponto do c�u as nuvenzinhas aqueceram-se de cor. Um solit�rio p�ssaro marinho levantou voo, com um grito �spero que ecoou, e alguma coisa guinchou na floresta. Agora, as faixas de nuvens perto do horizonte come�avam a brilhar em tons rosados e as frondes emplumadas das palmeiras j� se tornavam verdes.</p><empty-line/><p>
  Ralph ajoelhou-se na entrada da cabana e olhou cuidadosamente em volta.</p><empty-line/><p>
  � Sameeric. Chamem todos para uma reuni�o. Sem barulho. Vamos.</p><empty-line/><p>
  Os g�meos, abra�ados e tr�mulos, ousaram cruzar os poucos metros at� a cabana vizinha e espalharam a terr�vel not�cia. Ralph ficou de p� e andou at� a plataforma, por uma quest�o de dignidade, embora suas costas estivessem arrepiadas. Porquinho e Simon seguiram-no e os outros meninos vieram cautelosamente.</p><empty-line/><p>
  Ralph pegou a concha do assento e a levou aos l�bios; hesitou e acabou n�o soprando. Ficou com ela na m�o, mostrou-a para os outros e eles compreenderam.</p><empty-line/><p>
  Os raios do sol que h� pouco subiam em leque desde o horizonte agora desciam � altura dos olhos. Ralph deu uma olhada para a crescente fatia de ouro que os iluminava pela direita e que parecia assim encoraj�-los a falar. O c�rculo de meninos � sua frente ergueu as lan�as de ca�a.</p><empty-line/><p>
  Estendeu a concha a Eric, o g�meo mais pr�ximo.</p><empty-line/><p>
  � N�s vimos o bicho com nossos olhos. N�o... n�o est�vamos dormindo...</p><empty-line/><p>
  Sam continuou a hist�ria. Como de costume, a concha servia ao mesmo tempo para os dois g�meos, pois sua unidade fundamental era reconhecida.</p><empty-line/><p>
  � Era peludo. Havia algo se mexendo atr�s da cabe�a... asas. O bicho se mexia tamb�m...</p><empty-line/><p>
  � Foi horr�vel. Parecia se sentar...</p><empty-line/><p>
  � O fogo brilhava...</p><empty-line/><p>
  � T�nhamos acabado de acender...</p><empty-line/><p>
  � ...mais lenha nele...</p><empty-line/><p>
  � Tinha olhos...</p><empty-line/><p>
  � Dentes...</p><empty-line/><p>
  � Garras...</p><empty-line/><p>
  � Corremos o mais que pudemos...</p><empty-line/><p>
  � Trope�ando nas coisas...</p><empty-line/><p>
  � O bicho nos seguiu...</p><empty-line/><p>
  � Vi como corria atr�s das �rvores...</p><empty-line/><p>
  � Quase me pegou...</p><empty-line/><p>
  Ralph apontou temerosamente para o rosto de Eric que estava lanhado pelos espinhos dos arbustos.</p><empty-line/><p>
  � Como aconteceu isso?</p><empty-line/><p>
  Eric levou a m�o ao rosto.</p><empty-line/><p>
  � Estou todo arranhado. Estou sangrando?</p><empty-line/><p>
  O c�rculo de meninos encolheu-se de terror. Johnny, ainda bocejando, caiu num choro barulhento e foi esbofeteado por Bill at� parar. A manh� brilhante estava cheia de amea�as e o c�rculo come�ou a mudar. Come�aram a olhar mais para fora que para dentro e as lan�as de madeira afiada eram como uma cerca. Jack chamou-os de volta para o centro.</p><empty-line/><p>
  � Vai ser uma ca�ada de verdade! Quem vem?</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se, com impaci�ncia.</p><empty-line/><p>
  � Essas lan�as s�o de madeira. N�o seja bobo!</p><empty-line/><p>
  Jack olhou-o com desprezo.</p><empty-line/><p>
  � Est� com medo?</p><empty-line/><p>
  � Claro que estou. Quem n�o est�?</p><empty-line/><p>
  Virou-se para os g�meos, como �ltimo recurso, mas sem esperan�a.</p><empty-line/><p>
  � Isso n�o � uma brincadeira, n�o �?</p><empty-line/><p>
  A resposta foi t�o enf�tica que n�o houve mais d�vidas.</p><empty-line/><p>
  Porquinho pegou a concha.</p><empty-line/><p>
  � N�s n�o poder�amos ficar... bem... ficar aqui? Talvez o bicho n�o chegue perto daqui.</p><empty-line/><p>
  Se n�o houvesse a possibilidade de alguma coisa estar vigiando, Ralph teria gritado com ele.</p><empty-line/><p>
  � Ficar aqui? E vivermos cercados neste pedacinho de ilha, sempre � espera? Como ir�amos arranjar comida? E a fogueira?</p><empty-line/><p>
  � Vamos j� � disse Jack, intranquilo. � Estamos perdendo tempo.</p><empty-line/><p>
  � N�o. E os pequenos?</p><empty-line/><p>
  � Que v�o pro inferno!</p><empty-line/><p>
  � Algu�m tem de cuidar deles.</p><empty-line/><p>
  � Ningu�m cuidou at� agora.</p><empty-line/><p>
  � N�o era preciso! Agora �. Porquinho vai cuidar deles.</p><empty-line/><p>
  � Est� certo. Deixe Porquinho longe do perigo.</p><empty-line/><p>
  � Mas pense um pouco. O que Porquinho pode fazer com um olho s�?</p><empty-line/><p>
  O resto dos meninos olhava curiosamente de Jack para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � E outra coisa. Voc� n�o pode fazer uma ca�ada como sempre, porque o bicho n�o deixa rastro. Se deixasse, voc� teria visto. Pelo que sabemos, o bicho pode andar de �rvore em �rvore.</p><empty-line/><p>
  Concordaram com ele.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o precisamos pensar.</p><empty-line/><p>
  Porquinho pegou seus �culos quebrados e limpou a lente restante.</p><empty-line/><p>
  � E n�s, Ralph?</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sem a concha. Tome.</p><empty-line/><p>
  � Quero dizer... e n�s? Suponha que o bicho venha quando voc�s estiverem fora. N�o enxergo bem e se eu ficar com medo...</p><empty-line/><p>
  Jack interrompeu, com desprezo.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sempre com medo.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha.</p><empty-line/><p>
  � Concha! Concha! � gritou Jack. � N�o precisamos mais da concha. Sabemos quem deve falar. Que adianta Simon falar, ou Bill, ou Walter? J� � tempo de algumas pessoas saberem que t�m de ficar quietas e deixar para os outros, n�s, as decis�es sobre as coisas...</p><empty-line/><p>
  Ralph n�o podia mais ignorar esse discurso. O sangue aqueceu as suas faces.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sem a concha � disse. � Sente-se.</p><empty-line/><p>
  O rosto de Jack ficou t�o branco que as sardas pareciam pontinhos castanho-claros. Passou a l�ngua nos l�bios e ficou de p�.</p><empty-line/><p>
  � Isso � assunto de ca�adores.</p><empty-line/><p>
  Os outros meninos olharam para Ralph, atentamente. Porquinho, sentindo-se incomodamente envolvido, p�s a concha aos p�s de Ralph e se sentou. O sil�ncio ficou opressivo e Porquinho prendeu a respira��o.</p><empty-line/><p>
  � Isso � mais que um assunto de ca�adores � disse Ralph, enfim �, porque voc� n�o pode seguir o bicho. E voc� n�o quer ser salvo?</p><empty-line/><p>
  Virou-se para a assembleia.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s todos n�o querem ser salvos?</p><empty-line/><p>
  Olhou para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse antes, a fogueira � a coisa principal. Agora, ela deve estar apagada.</p><empty-line/><p>
  A velha exaspera��o salvou-o e lhe deu a energia de atacar.</p><empty-line/><p>
  � Ningu�m tem mais cabe�a? Temos de reacender a fogueira. Voc� nunca pensa nisso, Jack, n�o �? Ou nenhum de voc�s quer ser salvo?</p><empty-line/><p>
  Sim, eles queriam ser salvos, n�o havia d�vida sobre isso; com uma violenta reviravolta para o lado de Ralph, a crise passou. Porquinho respirou, afinal, deu um suspiro, tentou inspirar de novo e n�o conseguiu. Ficou deitado contra um tronco, de boca aberta e sombras azuis ao redor dos l�bios. Ningu�m se importou com ele.</p><empty-line/><p>
  � Agora pense, Jack. H� algum lugar em que voc� n�o esteve?</p><empty-line/><p>
  De m� vontade, Jack respondeu.</p><empty-line/><p>
  � S�... claro! Lembra-se? Aquela ponta, onde as pedras est�o empilhadas. Estive l� perto. A rocha faz uma esp�cie de ponte. S� h� um jeito de subir.</p><empty-line/><p>
  � E o bicho deve morar ali.</p><empty-line/><p>
  Todo mundo falou ao mesmo tempo.</p><empty-line/><p>
  � Calem-se. Muito bem. � ali que vamos procurar. Se o bicho n�o estiver ali, subiremos a montanha para ver. E acenderemos a fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Vamos.</p><empty-line/><p>
  � Vamos comer antes. Depois partiremos. � Ralph fez uma pausa. � � melhor levarmos lan�as.</p><empty-line/><p>
  Ap�s terem comido, Ralph e os grandes avan�aram pela praia. Deixaram Porquinho amparado pela plataforma. O dia prometia, como os outros, ser um banho de sol sob uma ab�bada azul. A praia estendia-se diante deles numa curva suave at� que a perspectiva a unia � floresta; o dia ainda n�o avan�ara muito � estava longe de ser obscurecido pelos v�us m�veis das miragens. Por escolha de Ralph, seguiram um prudente caminho ao longo do terra�o de palmeiras, em vez de se atreverem pela areia quente junto � �gua. Deixou Jack mostrar o caminho e Jack avan�ou com precau��o teatral, embora pudessem ter visto um inimigo a uns vinte metros de dist�ncia. Ralph ia � retaguarda, grato por entregar a responsabilidade a outro por algum tempo.</p><empty-line/><p>
  Simon, andando na frente de Ralph, sentiu um sobressalto de incredulidade � um bicho com garras que arranhavam, que se sentava num cimo de montanha, que n�o deixava rastro e que, apesar de tudo, n�o era bastante r�pido para pegar Sameeric. Cada vez que Simon pensava no bicho, surgia no seu �ntimo a imagem de um ser humano, heroico e doente ao mesmo tempo.</p><empty-line/><p>
  Suspirou. Outras pessoas podiam levantar-se e falar numa reuni�o, aparentemente sem aquela terr�vel sensa��o de opress�o da personalidade: podiam falar do que pensavam como se estivessem conversando com uma s� pessoa. Deu um passo lateral e olhou para tr�s. Ralph vinha ali, com a lan�a sobre o ombro. Timidamente, Simon reduziu o passo at� andar lado a lado com Ralph, olhando para ele atrav�s do mont�o de cabelo negro que lhe ca�a agora nos olhos. Ralph deu uma olhada de lado, sorriu constrangido como se houvesse esquecido que Simon pusera-se em rid�culo, depois fixou o nada outra vez. Por um instante, Simon ficou feliz por ter sido aceito, depois parou de pensar em si mesmo. Quando trope�ou numa �rvore, Ralph olhou com impaci�ncia e Robert deu uma risada. Simon cambaleou e uma mancha branca na sua testa ficou vermelha, sumindo depois. Ralph deixou Simon de lado e voltou ao seu inferno pessoal. Terminariam por chegar ao castelo: e o chefe teria de ir na frente.</p><empty-line/><p>
  Jack veio correndo.</p><empty-line/><p>
  � J� vemos o lugar.</p><empty-line/><p>
  � Est� bem. Vamos chegar o mais perto poss�vel.</p><empty-line/><p>
  Seguiu Jack em dire��o ao castelo onde o ch�o subia levemente. � esquerda, ficava um emaranhado impenetr�vel de trepadeiras e �rvores.</p><empty-line/><p>
  � Por que n�o pode haver algo ali?</p><empty-line/><p>
  � Voc� pode ver por qu�. Nada entra ou sai.</p><empty-line/><p>
  � E o castelo?</p><empty-line/><p>
  � Olhe.</p><empty-line/><p>
  Ralph abriu a cortina de plantas e olhou. Havia apenas uns poucos metros de ch�o pedregoso antes dos dois lados da ilha quase se reunirem, a ponto de se esperar que ali houvesse um promont�rio. Em vez disso, havia um estreito recife de pedra, com poucos metros de largura e uns 15 de comprimento, continuando a ilha mar adentro. Ali se estendia outra daquelas massas quadradas e rosadas que sustinham a estrutura da ilha. Deste lado do castelo, talvez a uns tr�s metros de altura, estava o basti�o rosado que haviam visto do cimo da montanha. A rocha da escarpa estava fendida e o cimo cheio de grandes pedras que davam a impress�o de oscilar.</p><empty-line/><p>
  Atr�s de Ralph, a grama alta estava cheia de ca�adores silenciosos. Ralph olhou para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Voc� � um ca�ador.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou vermelho.</p><empty-line/><p>
  � Eu sei. Est� certo.</p><empty-line/><p>
  Algo no fundo de Ralph falou por ele.</p><empty-line/><p>
  � Eu sou o chefe. Eu vou. N�o discuta.</p><empty-line/><p>
  Virou-se para os outros.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s esperam aqui. Esperem por mim.</p><empty-line/><p>
  Viu que sua voz tendia a sumir ou a soar muito alta. Olhou para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Voc� acha que...?</p><empty-line/><p>
  Jack murmurou.</p><empty-line/><p>
  � Estive em toda parte. Deve estar aqui.</p><empty-line/><p>
  � Certo.</p><empty-line/><p>
  Simon resmungou confusamente: � N�o acredito no bicho.</p><empty-line/><p>
  Ralph respondeu-lhe polidamente, como se falasse sobre o tempo.</p><empty-line/><p>
  � N�o. Acho que n�o.</p><empty-line/><p>
  Sua boca estava tensa e sem cor. Puxou o cabelo para tr�s, bem devagar.</p><empty-line/><p>
  � Bem. At� logo.</p><empty-line/><p>
  Obrigou os p�s a se mexerem at� que eles o levaram ao istmo de terra.</p><empty-line/><p>
  Abismos de ar deserto cercaram-no de todos os lados. N�o havia lugar para se esconder, mesmo que n�o tivesse de avan�ar. Fez uma parada no istmo estreito e olhou para baixo. Logo, numa quest�o de s�culos, o mar transformaria o castelo numa ilha. � direita, estava a lagoa, agitada pelo mar aberto e � esquerda...</p><empty-line/><p>
  Ralph estremeceu. A lagoa protegera-os do Pac�fico e, por alguma raz�o, s� Jack fora at� o outro lado da ilha. Agora, ele tinha o ponto de vista de um inexperiente homem de terra e a arrebenta��o parecia a respira��o de alguma criatura estupenda. Lentamente, as �guas se enfiavam entre as pedras, revelando pedras planas de granito rosa, estranhas forma��es de coral, p�lipo e algas. L� embaixo, as �guas iam murmurando como o vento entre as copas da floresta. Havia ali uma pedra chata, parecida com o tampo de uma mesa, e as �guas desciam por ela com um ru�do de suc��o nos quatro lados cobertos de algas, fazendo-os parecer escarpas. Ent�o, o leviat� sonolento respirava � as �guas subiam, as algas ondulavam e o mar fervia sobre a superf�cie da pedra-mesa com um rugido. N�o se notava a passagem das ondas, s� essa queda de um minuto, o fluxo e o refluxo.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para o espig�o avermelhado. Os outros esperavam l� atr�s na grama alta, esperando para ver o que ele faria. Percebeu que o suor das palmas j� esfriara, percebeu com surpresa que realmente n�o esperara encontrar bicho nenhum e n�o sabia o que fazer se o achasse.</p><empty-line/><p>
  Viu que podia escalar o espig�o, mas que n�o era necess�rio. As paredes verticais al�avam-se sobre uma esp�cie de base, de modo que � direita, sobre a lagoa, podia-se avan�ar ao longo de uma borda e contorn�-lo. Era f�cil e logo estava examinando os contornos das pedras.</p><empty-line/><p>
  Nada, sen�o o que se podia esperar: pedras rosadas e desmoronadas, com camadas de guano sobre elas como glac�, uma encosta �ngreme que levava �s rochas espalhadas que coroavam o basti�o.</p><empty-line/><p>
  Um som vindo de tr�s fez com que se virasse. Jack estava avan�ando pela borda.</p><empty-line/><p>
  � N�o podia deixar voc� vir sozinho!</p><empty-line/><p>
  Ralph n�o disse nada. Subiu pelas pedras, examinou uma esp�cie de caverna que n�o tinha nada mais horr�vel que um monte de ovos podres. Terminou por sentar-se, olhando em volta, batendo na pedra com a ponta da lan�a.</p><empty-line/><p>
  Jack estava excitado.</p><empty-line/><p>
  � Que lugar para um forte!</p><empty-line/><p>
  Uma coluna de espuma os atingiu.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� �gua doce.</p><empty-line/><p>
  � Que � isso ent�o?</p><empty-line/><p>
  Realmente havia uma comprida mancha verde na altura da metade da rocha. Subiram e provaram o fio de �gua.</p><empty-line/><p>
  � Voc� poderia colocar um coco a�, enchendo o tempo todo.</p><empty-line/><p>
  � Eu, n�o. � um lugar podre.</p><empty-line/><p>
  Lado a lado, escalaram a �ltima eleva��o at� onde a pilha decrescente era coroada pela �ltima pedra quebrada. Jack empurrou a mais pr�xima com seu punho e ela se mexeu levemente.</p><empty-line/><p>
  � Lembra-se...?</p><empty-line/><p>
  A consci�ncia dos maus tempos irrompeu entre os dois. Jack falou rapidamente.</p><empty-line/><p>
  � � s� colocar um tronco de palmeira aqui embaixo e, se vier um inimigo, veja!</p><empty-line/><p>
  L� embaixo, a uns trinta metros, estava o istmo estreito, depois o ch�o pedregoso, a grama pontilhada de cabe�as e al�m disso, a floresta.</p><empty-line/><p>
  � Um empurr�o � gritou Jack exultante � e... uuuiii!</p><empty-line/><p>
  Fez um movimento de queda com a m�o. Ralph olhou para a montanha.</p><empty-line/><p>
  � Que foi?</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se.</p><empty-line/><p>
  � Por qu�?</p><empty-line/><p>
  � Voc� estava olhando de um jeito...</p><empty-line/><p>
  � N�o h� sinal agora. Nada para mostrar.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� com ideia fixa nesse sinal.</p><empty-line/><p>
  O tenso horizonte azul rodeava-os, s� interrompido pelo cimo da montanha.</p><empty-line/><p>
  � � tudo que temos.</p><empty-line/><p>
  Encostou a lan�a na pedra m�vel e puxou para tr�s duas mechas de cabelo.</p><empty-line/><p>
  � Temos de voltar e subir a montanha. Foi l� que viram o bicho.</p><empty-line/><p>
  � O bicho n�o vai estar l�.</p><empty-line/><p>
  � Que mais podemos fazer?</p><empty-line/><p>
  Os outros, esperando na grama, viram Jack e Ralph s�os e salvos e sa�ram dos seus esconderijos para a luz do sol. Esqueceram o bicho na excita��o da explora��o. Cruzaram a ponte e logo estavam subindo e gritando. Ralph ficou de p�, a m�o encostada num enorme bloco avermelhado, um bloco grande como uma roda de moinho partida e vacilante. Olhou sombriamente para a montanha. Fechou o punho e martelou com ele a parede vermelha � sua direita. Seus l�bios estavam cerrados com for�a e seus olhos fixavam anelantes sob a franja de cabelo.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Chupou o punho machucado.</p><empty-line/><p>
  � Jack, vamos.</p><empty-line/><p>
  Mas Jack n�o estava l�. Um grupo de meninos, fazendo um barulho que ele n�o percebera, empurrava e for�ava uma pedra. Quando virou, a base cedeu e a massa se precipitou no mar, fazendo um trovejante penacho de espuma subir at� a metade do espig�o.</p><empty-line/><p>
  � Parem! Parem!</p><empty-line/><p>
  Sua voz criou um sil�ncio entre eles.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Uma coisa estranha passou-lhe pela cabe�a. Algo adejou na sua mente como a asa de um morcego, obscurecendo suas ideias.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Logo voltaram suas ideias... e o �dio.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de fuma�a. E voc�s ficam a�, perdendo tempo. Voc�s ficam empurrando pedras.</p><empty-line/><p>
  Roger gritou.</p><empty-line/><p>
  � Temos tempo de sobra!</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Vamos at� a montanha.</p><empty-line/><p>
  Irrompeu um alarido. Alguns dos meninos queriam voltar para a praia. Outros queriam empurrar mais pedras. O sol estava brilhando e o perigo sumira com a escurid�o.</p><empty-line/><p>
  � Jack, o bicho pode estar do outro lado. Pode ir na frente de novo. Voc� esteve l�.</p><empty-line/><p>
  � Podemos ir pela praia. Temos frutas ali.</p><empty-line/><p>
  Bill subiu at� onde Ralph estava.</p><empty-line/><p>
  � Por que n�o podemos ficar aqui um pouco?</p><empty-line/><p>
  � Est� certo.</p><empty-line/><p>
  � Vamos fazer um forte...</p><empty-line/><p>
  � Aqui n�o h� comida � disse Ralph �, nem abrigo. Nem muita �gua fresca.</p><empty-line/><p>
  � Seria um forte espetacular.</p><empty-line/><p>
  � Podemos empurrar pedras...</p><empty-line/><p>
  � Bem na ponte...</p><empty-line/><p>
  � Eu disse: Vamos! � gritou Ralph furiosamente. � Precisamos ter certeza. Vamos j�.</p><empty-line/><p>
  � Vamos ficar aqui...</p><empty-line/><p>
  � De volta para as cabanas...</p><empty-line/><p>
  � Estou cansado...</p><empty-line/><p>
  � N�o!</p><empty-line/><p>
  Ralph estalou os n�s dos dedos. N�o doeu.</p><empty-line/><p>
  � Eu sou o chefe. Vamos ter certeza. Voc�s n�o podem ver a montanha? N�o h� sinal de fuma�a. Pode haver um navio, at� dois, ao largo. Voc�s perderam a cabe�a?</p><empty-line/><p>
  Chateados, os meninos ficaram quietos ou resmungaram.</p><empty-line/><p>
  Jack encabe�ou a descida, para al�m do istmo.</p></section><section><p><strong>7</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Sombras e �rvores altas</strong></p><p>A trilha de porcos corria perto dos mont�es de pedra que ficavam do outro lado � beira da �gua e Ralph estava contente por seguir Jack. Se pudesse fechar os ouvidos � lenta suc��o do mar e � fervura do retorno, se conseguisse esquecer como eram sombrias e inexploradas as covas cobertas de samambaias, ent�o teria uma chance de tirar o bicho da cabe�a e sonhar um pouco. O sol j� passara da vertical e o calor da tarde concentrava-se na ilha. Ralph enviou uma mensagem para Jack e quando chegaram a um lugar de �rvores frut�feras, o grupo todo parou e comeu.</p><empty-line/><p>
  Sentado, Ralph notou o calor pela primeira vez nesse dia. Puxou com raiva a camisa cinza e imaginou se se aventuraria a lav�-la. Sentado sob o que lhe parecia um calor ins�lito, mesmo para a ilha, Ralph planejou sua toalete. Gostaria de ter uma tesoura e cortar o cabelo � puxou a massa para tr�s � cortar esse cabelo sujo quase totalmente. Gostaria de tomar um banho, um banho com �gua quente e sabonete. Passou a l�ngua pelos dentes, investigando, e decidiu que tamb�m seria bom ter uma escova de dentes. Da�, viriam as unhas...</p><empty-line/><p>
  Ralph virou a m�o e olhou. As unhas estavam ro�das at� o sabugo, embora n�o pudesse lembrar quando retomara o h�bito, nem as vezes em que se entregara a ele.</p><empty-line/><p>
  � Logo estarei chupando o dedo...</p><empty-line/><p>
  Olhou em volta, furtivamente. Aparentemente ningu�m ouvira. Os ca�adores estavam sentados, enchendo-se com essa comida f�cil, tentando convencer-se de que lhes bastavam as bananas e aquela fruta cinza-oliva parecida com geleia. Com a lembran�a de sua limpeza dos outros tempos como padr�o, Ralph olhou-os. Estavam sujos, n�o com aquela sujeira espetacular de meninos que ca�ram na lama ou correram patinhando nas po�as de um dia chuvoso. Nenhum deles pedia t�o gritantemente um banho, mas... os cabelos estavam compridos demais, emaranhados aqui e ali, com uma folha seca ou um raminho presos; at� que os rostos estavam limpos, gra�as aos processos de comer e suar, mas tinham marcas nos �ngulos menos acess�veis, uma esp�cie de sombra; as roupas, esfarrapadas, endurecidas como as dele pelo suor, eram usadas n�o por pudor ou conforto, mas apenas por h�bito; a pele estava ressecada pelo ar marinho...</p><empty-line/><p>
  Descobriu com um leve aperto no cora��o que aquelas eram as condi��es que aceitava agora como normais e nada estranhas. Suspirou e afastou a haste de onde tirara uma fruta. Os ca�adores j� estavam afastando-se para fazer suas necessidades no mato ou mais embaixo, nas rochas. Virou-se e olhou para o mar.</p><empty-line/><p>
  Ali, do outro lado da ilha, a vista era completamente diferente. Os encantos nebulosos das miragens n�o podiam resistir �s frias �guas do oceano e o horizonte era recortado num azul duro. Ralph desviou os olhos para as pedras. L�, quase ao n�vel do mar, podia-se seguir a incessante passagem das ondas do mar profundo. Tinham quil�metros de extens�o, aparentemente sem arrebentar e sem as ondula��es das �guas mais rasas. Passavam ao largo da ilha com um ar de neglig�ncia, ocupadas com outra coisa; eram n�o s� um movimento progressivo mas o momentoso fluxo e refluxo de todo o oceano. Agora, o mar sugaria, fazendo cascatas e cachoeiras de �gua, se retirando; depois, penetraria al�m das rochas e alisaria as algas como cabelos brilhantes; depois, ainda, uma pausa, e o mar se recolheria em si mesmo e subiria com um rugido, cobrindo irresistivelmente promont�rios e afloramentos, subindo o pequeno recife, lan�ando, afinal um bra�o de ondas na arrebenta��o at� se deter a um metro ou pouco mais de Ralph, com dedos de espuma.</p><empty-line/><p>
  Onda ap�s onda, Ralph seguiu o fluxo e o refluxo at� que algo da natureza remota do mar entorpeceu-lhe o c�rebro. Ent�o, gradativamente, a extens�o quase infinita dessas �guas obrigou-o a prestar aten��o. Aquilo era o divisor, a barreira. Do outro lado da ilha, amenizado ao meio-dia pelas miragens, defendido pelo escudo da tranquila lagoa, podia sonhar com o salvamento, mas ali, ante a brutal insensibilidade do oceano, os quil�metros de dist�ncia, sentia-se prisioneiro, sem esperan�as, condenado at�...</p><empty-line/><p>
  Simon falou quase ao seu ouvido. Ralph viu que apertava dolorosamente uma pedra nas m�os: percebeu que seu corpo estava arqueado, que os m�sculos de seu pesco�o estavam contra�dos e a boca aberta, tensa.</p><empty-line/><p>
  � Voc� vai voltar ao lugar de onde veio.</p><empty-line/><p>
  Simon balan�ava a cabe�a ao falar. Estava ajoelhado numa s� perna, olhando para baixo, para a pedra que apertava com ambas as m�os. A outra perna chegava � altura da cabe�a de Ralph.</p><empty-line/><p>
  Ralph ficou perplexo e procurou alguma pista no rosto de Simon.</p><empty-line/><p>
  � � t�o grande, quero dizer...</p><empty-line/><p>
  Simon assentiu.</p><empty-line/><p>
  � N�o faz mal. Voc� vai voltar, eu acho, pelo menos...</p><empty-line/><p>
  Parte da tens�o sumira do corpo de Ralph. Deu uma olhada para o mar e sorriu amargamente para Simon.</p><empty-line/><p>
  � Voc� tem um navio no bolso?</p><empty-line/><p>
  Simon sorriu e sacudiu a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � Como voc� sabe, hem?</p><empty-line/><p>
  Quando Simon ficou quieto, Ralph disse brevemente: � Voc� est� maluco.</p><empty-line/><p>
  Simon sacudiu a cabe�a violentamente, o cabelo negro e �spero caindo-lhe no rosto, nesse movimento, para tr�s e para a frente.</p><empty-line/><p>
  � N�o, n�o estou. S� pensei que voc� vai voltar.</p><empty-line/><p>
  Por momentos n�o falaram mais nada. Ent�o, sorriram de repente um para o outro.</p><empty-line/><p>
  Roger chamou, de uma cova.</p><empty-line/><p>
  � Venham ver!</p><empty-line/><p>
  O ch�o dava uma volta perto da trilha dos porcos e havia excremento fumegante. Jack inclinou-se sobre aquilo como se o amasse.</p><empty-line/><p>
  � Ralph, precisamos de carne, mesmo que estejamos ca�ando outra coisa.</p><empty-line/><p>
  � Se n�o nos desviarmos, ca�aremos.</p><empty-line/><p>
  Partiram novamente, os ca�adores um pouco arqueados com medo do bicho, enquanto Jack seguia na frente. Iam mais devagar do que Ralph gostaria; de certo modo, por�m, estava contente por andar lentamente, agitando a lan�a. Jack estava �s voltas com algum problema da ca�ada e a prociss�o parou. Ralph encostou-se numa �rvore e imediatamente se entregou ao sonhar acordado. Jack estava encarregado da ca�ada e haveria tempo de chegar � montanha...</p><p>Certa vez, seguindo seu pai de Chatham a Davenport, morara numa casa � beira dos p�ntanos. Na sucess�o de casas que conhecera, essa surgia com singular nitidez porque depois dessa casa foi mandado para a escola. Mam�e ainda estava com eles e papai vinha para casa todo dia. P�neis selvagens vinham at� a cerca de pedras do fim do jardim e nevava. Bem atr�s da casa havia uma esp�cie de barrac�o e se podia ficar ali, vendo os flocos de neve passarem girando. Podia-se ver o ponto �mido em que cada floco morria, depois se podia descobrir o primeiro floco que ca�a sem derreter e ficar olhando o ch�o embranquecendo completamente. Podia-se entrar em casa quando se sentia frio e ficar olhando pela janela, al�m daquela brilhante chaleira de cobre e do prato com os homenzinhos azuis...</p><empty-line/><p>
  Quando se ia para casa, havia uma tigela de flocos de milho com a��car e leite. E os livros � ficavam numa estante junto � cama, obliquamente, sempre com dois ou tr�s postos l� em cima, porque ele n�o os quisera colocar de volta ao seu lugar. As pontas das p�ginas estavam dobradas e as capas tinham riscos. Havia aquele brilhante, resplandecente, sobre Topsy e Mopsy, que nunca lera porque era sobre duas meninas; havia um sobre o Mago, que ele lia com uma esp�cie de terror contido, pulando a p�gina 27 e a terr�vel ilustra��o da aranha; havia um livro sobre gente que desenterrava coisas, coisas eg�pcias; havia o Livro infantil dos trens, o Livro infantil dos navios. Nitidamente, apareceram diante dele, se estendesse a m�o podia toc�-los, sentir seu peso e perceber como o Livro gigante dos meninos vinha escorregando e ca�a nas suas m�os... Tudo estava bem; tudo era alegre e amistoso.</p><p>Os arbustos estalaram � sua frente. Os meninos sa�ram desordenadamente da trilha de porcos e se emboscaram nas trepadeiras, gritando. Ralph viu Jack ser empurrado para o lado e cair. Ent�o, apareceu uma criatura pulando pela trilha de porcos na sua dire��o, com brilhantes presas e um grunhido intimidante. Ralph viu que podia medir a dist�ncia friamente e mirar. Com o javali a uns cinco metros de dist�ncia, arremessou a incr�vel lan�a de madeira que carregava, viu-a acertar no grande focinho e ficar pendurada ali por um instante. O grunhido virou guincho e o animal se enfiou pelo mato. A trilha se encheu outra vez de meninos que gritavam. Jack veio correndo e enfiou a lan�a nos arbustos.</p><empty-line/><p>
  � Por aqui...</p><empty-line/><p>
  � Mas ele nos viu!</p><empty-line/><p>
  O javali se afastava. Descobriram outra trilha paralela � primeira e Jack come�ou a correr. Ralph estava cheio de medo, apreens�o e orgulho.</p><empty-line/><p>
  � Acertei nele! A lan�a se enfiou no...</p><empty-line/><p>
  Chegaram inesperadamente a um espa�o aberto junto ao mar. Jack olhou ansiosamente pela rocha nua.</p><empty-line/><p>
  � Fugiu.</p><empty-line/><p>
  � Acertei nele � disse Ralph de novo �, e a lan�a se enfiou um pouco.</p><empty-line/><p>
  Sentiu necessidade de testemunhas.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o me viu?</p><empty-line/><p>
  Maurice fez que sim.</p><empty-line/><p>
  � Eu vi. Bem l� no focinho... Uuuiii!</p><empty-line/><p>
  Ralph continuou, excitado.</p><empty-line/><p>
  � Acertei-o mesmo. A lan�a se enfiou. Eu feri!</p><empty-line/><p>
  Sentiu o calor do novo respeito dos outros e achou que afinal a ca�ada fora uma coisa boa.</p><empty-line/><p>
  � Peguei-o mesmo. Era o bicho, eu acho!</p><empty-line/><p>
  Jack voltou.</p><empty-line/><p>
  � N�o era o bicho. Era um javali.</p><empty-line/><p>
  � Acertei nele.</p><empty-line/><p>
  � Por que voc� n�o o pegou? Eu tentei...</p><empty-line/><p>
  A voz de Ralph ficou mais alta.</p><empty-line/><p>
  � Mas um javali!</p><empty-line/><p>
  Jack ficou vermelho, de repente.</p><empty-line/><p>
  � Disse que nos viu, por que o acertou? Por que n�o esperou?</p><empty-line/><p>
  Estendeu um bra�o.</p><empty-line/><p>
  � Veja.</p><empty-line/><p>
  Virou o antebra�o esquerdo para que todos vissem. Na parte externa havia um machucado; pequeno, mas sangrando.</p><empty-line/><p>
  � Ele fez isso com suas presas. N�o pude enfiar a lan�a a tempo.</p><empty-line/><p>
  As aten��es voltaram-se para Jack.</p><empty-line/><p>
  � � uma ferida � disse Simon �, e voc� deve chup�-la. Como Berengaria.</p><empty-line/><p>
  Jack chupou.</p><empty-line/><p>
  � Acertei nele � disse Ralph, indignado. � Acertei com minha lan�a, feri o bicho.</p><empty-line/><p>
  Tentou atrair as aten��es.</p><empty-line/><p>
  � Estava vindo pelo caminho. Lancei, assim...</p><empty-line/><p>
  Robert mostrou-lhe os dentes. Ralph entrou no brinquedo e todos riram. Acabaram todos atacando Robert que fingia investir.</p><empty-line/><p>
  Jack gritou.</p><empty-line/><p>
  � Fa�am um c�rculo!</p><empty-line/><p>
  O c�rculo moveu-se para a frente e para tr�s. Robert atacou, fingindo terror, mas depois com dor de verdade.</p><empty-line/><p>
  � Ai! Parem! Est�o machucando!</p><empty-line/><p>
  O cabo de uma lan�a caiu nas suas costas enquanto fugia.</p><empty-line/><p>
  � Peguem!</p><empty-line/><p>
  Pegaram-no pelos bra�os e pernas. Ralph, impelido por uma repentina e violenta excita��o, pegou a lan�a de Eric e atacou Robert.</p><empty-line/><p>
  � Matem! Matem!</p><empty-line/><p>
  De repente, Robert gritava e lutava com for�a fren�tica. Jack pegou-o pelo cabelo e brandiu a faca. Atr�s dele estava Roger, lutando por chegar mais perto. O canto subiu, ritual, como no �ltimo momento de uma dan�a ou ca�ada.</p><empty-line/><p>
  � Matem o porco! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  Ralph tamb�m lutava para chegar mais perto, para atingir um punhado daquela carne bronzeada e vulner�vel. O desejo de apertar e machucar era irresist�vel.</p><empty-line/><p>
  O bra�o de Jack desceu; o c�rculo palpitante aplaudiu, imitou os ru�dos de porco morrendo. Ent�o ficaram quietos, ofegando, ouvindo os gemidos assustados de Robert. Ele esfregou a cara com um bra�o sujo e fez um esfor�o para recuperar sua posi��o.</p><empty-line/><p>
  � Ai, minha bunda!</p><empty-line/><p>
  Esfregou tristemente o traseiro. Jack rolou sobre a grama.</p><empty-line/><p>
  � Foi uma boa brincadeira.</p><empty-line/><p>
  � S� uma brincadeira � disse Ralph, preocupado. � Uma vez me machucaram pra valer numa brincadeira assim...</p><empty-line/><p>
  � Dever�amos ter um tambor � disse Maurice �, ent�o poder�amos fazer tudo como se deve.</p><empty-line/><p>
  Ralph encarou-o.</p><empty-line/><p>
  � Como se deve?</p><empty-line/><p>
  � N�o sei. � preciso uma fogueira, acho. E um tambor. Marca-se o ritmo com o tambor.</p><empty-line/><p>
  � � preciso um porco � disse Roger �, como numa ca�ada de verdade.</p><empty-line/><p>
  � Ou algu�m para fingir � disse Jack. � Pod�amos arranjar algu�m vestido de porco e ele poderia fingir... bem, fingir que me derrubava e tudo isso...</p><empty-line/><p>
  � Voc� quer um porco de verdade � disse Robert, ainda esfregando o traseiro �, porque tem de mat�-lo.</p><empty-line/><p>
  � Pode-se usar um dos pequenos � disse Jack, e todos riram.</p><p>Ralph se sentou.</p><empty-line/><p>
  � Bem. N�o vamos achar o que estamos procurando, se continuarmos assim.</p><empty-line/><p>
  Um a um ficaram de p�, alisando os farrapos.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Agora, a montanha.</p><empty-line/><p>
  � N�o seria melhor voltarmos at� onde Porquinho est�, antes de escurecer? � disse Maurice.</p><empty-line/><p>
  Os g�meos fizeram que sim, como se fossem apenas um menino.</p><empty-line/><p>
  � Sim. � mesmo. Podemos subir a montanha amanh�.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou e viu o mar.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos acender a fogueira de novo!</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sem os �culos de Porquinho � disse Jack �, n�o conseguir� acender.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o vamos ver se h� algo na montanha.</p><empty-line/><p>
  Maurice falou, hesitante, n�o querendo parecer covarde.</p><empty-line/><p>
  � E se o bicho estiver l� em cima?</p><empty-line/><p>
  Jack brandiu a lan�a.</p><empty-line/><p>
  � N�s o mataremos.</p><empty-line/><p>
  O sol parecia ter esfriado um pouco. Jack golpeou o ar com a lan�a.</p><empty-line/><p>
  � Que estamos esperando?</p><empty-line/><p>
  � Acho � disse Ralph � que se formos pela beira-mar chegaremos bem embaixo do lugar da fogueira. Poder�amos ent�o subir a montanha.</p><empty-line/><p>
  Mais uma vez Jack liderou-os ao longo da suc��o e do palpitar do mar que cegava.</p><empty-line/><p>
  Mais uma vez Ralph sonhou, deixando seus p�s h�beis encarregados das dificuldades do caminho. Mas os p�s pareciam menos h�beis do que antes. Na maior parte do caminho, os meninos resvalaram pela rocha nua perto da �gua e tiveram de avan�ar entre as pedras e a luxuriante escurid�o da floresta. Havia pequenas escarpas para serem transpostas, algumas para serem usadas como caminhos, compridas travessias onde se empregavam tanto as m�os quanto os p�s. Aqui e ali tinham de escalar rochas batidas pelas ondas, pular po�as l�mpidas deixadas pela mar�. Chegaram a um canal que dividia a praia estreita como um fosso. Parecia n�o ter fundo e olharam espantados para a abertura sombria onde a espuma gorgolejava. Ent�o, a onda recuou, o canal ferveu � frente deles e a espuma al�ou-se at� onde estavam, deixando-os molhados e tr�mulos. Tentaram a floresta, mas ela era densa e cerrada como um ninho de p�ssaros; acabaram tendo de pular, um a um, nos momentos em que a �gua recuava; mesmo assim, alguns deles levaram outro banho. Depois, as rochas pareceram cada vez mais inacess�veis: eles pararam e se sentaram, secando seus farrapos e olhando os contornos recortados das ondas que se moviam t�o lentamente ao largo da ilha. Acharam frutas num lugar habitado por passarinhos brilhantes que enxameavam como insetos. Ralph disse que estavam indo muito devagar. Subiu numa �rvore e, abrindo as folhas da copa, viu a cabe�a quadrada da montanha ainda bem longe. Ent�o, tentaram correr ao longo das rochas e Robert sofreu um corte feio no joelho; tiveram de reconhecer que o caminho deveria ser percorrido devagar por seguran�a. Come�aram a avan�ar como se estivessem subindo uma montanha perigosa, at� que as pedras se tornaram uma escarpa inflex�vel que nascia na selva inacess�vel e ca�a a pique no mar.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou criticamente para o sol.</p><empty-line/><p>
  � � quase o fim da tarde. De qualquer forma, j� passou da hora do ch�.</p><empty-line/><p>
  � N�o me lembro dessa escarpa � disse Jack, abatido �, logo, essa deve ser a parte da costa que n�o percorri.</p><empty-line/><p>
  Ralph concordou.</p><empty-line/><p>
  � Deixe-me pensar.</p><empty-line/><p>
  Nesse instante, Ralph n�o se sentiu constrangido por pensar em p�blico, nem por enfrentar as decis�es do dia como se estivesse jogando xadrez. O �nico problema � que nunca fora um bom jogador de xadrez. Pensou nos pequenos e em Porquinho. Nitidamente, imaginou Porquinho sozinho, enfiado no abrigo silencioso, onde s� havia o sono de pesadelos.</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos deixar os pequenos sozinhos com Porquinho. N�o a noite toda!</p><empty-line/><p>
  Os outros nada disseram, mas o rodearam, olhando.</p><empty-line/><p>
  � Se voltarmos, levar� horas.</p><empty-line/><p>
  Jack limpou a garganta e falou numa voz afetada e tensa.</p><empty-line/><p>
  � N�o devemos deixar que nada aconte�a a Porquinho, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Ralph bateu nos dentes com a ponta suja da lan�a de Eric.</p><empty-line/><p>
  � Se atravess�ssemos...</p><empty-line/><p>
  Olhou em volta.</p><empty-line/><p>
  � Algu�m tem de cruzar a ilha e dizer a Porquinho que voltaremos ap�s o escurecer.</p><empty-line/><p>
  Bill falou, como se n�o acreditasse.</p><empty-line/><p>
  � Atravessar a floresta, sozinho? Agora?</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos mandar mais de um.</p><empty-line/><p>
  Simon abriu caminho at� o cotovelo de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Eu vou, se voc� quiser. N�o faz mal, mesmo.</p><empty-line/><p>
  Antes de Ralph ter tempo de responder, ele sorriu rapidamente, virou-se e se enfiou na floresta.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou outra vez para um Jack furioso, como se o visse pela primeira vez.</p><empty-line/><p>
  � Jack, aquela vez que voc� deu a volta pelo castelo de pedra...</p><empty-line/><p>
  Jack olhou-o fixamente.</p><empty-line/><p>
  � Sim?</p><empty-line/><p>
  � Voc� chegou a uma parte dessa praia, embaixo da montanha, al�m dali.</p><empty-line/><p>
  � Sim.</p><empty-line/><p>
  � E ent�o?</p><empty-line/><p>
  � Achei uma trilha de porcos. Tinha v�rios quil�metros.</p><empty-line/><p>
  Ralph balan�ou a cabe�a. Apontou para a floresta.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o a trilha de porcos deve estar a�, em alguma parte.</p><empty-line/><p>
  Todos concordaram, judiciosamente.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem, vamos por a� at� descobrirmos a trilha de porcos.</p><empty-line/><p>
  Deu um passo e parou.</p><empty-line/><p>
  � Esperem um pouco! Onde vai dar a trilha?</p><empty-line/><p>
  � Na montanha � disse Jack. � Eu lhe disse. � Zombou: � Voc� n�o queria ir para a montanha?</p><empty-line/><p>
  Ralph suspirou, sentindo o antagonismo crescente, compreendendo que era assim que Jack se sentia, sempre que deixava de ser o l�der.</p><empty-line/><p>
  � Eu estava pensando na luz. Iremos aos trope��es.</p><empty-line/><p>
  � Vamos procurar o bicho...</p><empty-line/><p>
  � N�o teremos luz bastante.</p><empty-line/><p>
  � N�o me importa � disse Jack ardorosamente. � Eu irei quando chegarmos l�. Voc� n�o? Ser� que voc� prefere voltar para as cabanas e contar tudo a Porquinho?</p><empty-line/><p>
  Agora foi a vez de Ralph corar, mas falou desesperadamente, com o novo entendimento que Porquinho lhe proporcionara.</p><empty-line/><p>
  � Por que voc� me odeia?</p><empty-line/><p>
  Os meninos agitaram-se, inquietos, como se algu�m tivesse dito algo indecente. O sil�ncio aumentou.</p><empty-line/><p>
  Ralph, ainda corado e ferido, foi o primeiro a avan�ar.</p><empty-line/><p>
  � Vamos.</p><empty-line/><p>
  Foi na frente e come�ou a cortar os cip�s. Jack fechava a marcha, deslocado e pensativo.</p><empty-line/><p>
  A trilha era um t�nel escuro, pois o sol se dirigia rapidamente para beira-mundo e na floresta sempre abundavam as sombras. A trilha era ampla e batida; correram num passo acelerado e quando o teto de folhas se abriu, pararam, ofegantes, olhando para as poucas estrelas que surgiam em volta do cimo da montanha.</p><empty-line/><p>
  � L� est�.</p><empty-line/><p>
  Os meninos entreolharam-se, hesitantes. Ralph tomou uma decis�o.</p><empty-line/><p>
  � Vamos direto para a plataforma, subiremos amanh�.</p><empty-line/><p>
  Houve murm�rios afirmativos, mas Jack estava �s suas costas.</p><empty-line/><p>
  � Claro, se voc� estiver com medo...</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para ele.</p><empty-line/><p>
  � Quem foi primeiro no castelo de pedra?</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m fui. E era de dia.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem. Quem quer subir a montanha agora?</p><empty-line/><p>
  O sil�ncio foi a �nica resposta.</p><empty-line/><p>
  � Sameeric. Voc�s?</p><empty-line/><p>
  � Devemos ir avisar Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � ...�, dizer a Porquinho que...</p><empty-line/><p>
  � Mas Simon foi!</p><empty-line/><p>
  � Devemos dizer a Porquinho... no caso...</p><empty-line/><p>
  � Robert? Bill?</p><empty-line/><p>
  Estavam querendo voltar � plataforma. N�o que estivessem com medo, claro, s� cansados.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Viu?</p><empty-line/><p>
  � Eu vou subir a montanha.</p><empty-line/><p>
  As palavras sa�ram rancorosamente da boca de Jack como se fossem uma praga. Olhou para Ralph, seu corpo magro se retesou, a lan�a alta como que o amea�ando.</p><empty-line/><p>
  � Eu vou subir a montanha para procurar o bicho, agora.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, a suprema alfinetada, as palavras casuais e �cidas.</p><empty-line/><p>
  � Voc� vem?</p><empty-line/><p>
  Os outros meninos esqueceram sua vontade de ir embora e se viraram para observar esse novo confronto de dois esp�ritos, no escuro. A pergunta fora boa demais, venenosa demais, ferinamente intimidante � n�o precisava ser repetida. Atingiu um Ralph frio, de nervos relaxados, que pensava na volta �s cabanas e �s tranquilas e amistosas �guas da lagoa.</p><empty-line/><p>
  � Tanto faz.</p><empty-line/><p>
  Espantado, ouviu sua voz sair, fria e casual, de forma que o veneno do desafio de Jack perdeu a for�a.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� n�o se importa, claro.</p><empty-line/><p>
  � Oh, claro que n�o.</p><empty-line/><p>
  Jack deu um passo.</p><empty-line/><p>
  � Bem, ent�o...</p><empty-line/><p>
  Lado a lado, observados pelos meninos silenciosos, os dois come�aram a subir a montanha.</p><empty-line/><p>
  Ralph parou.</p><empty-line/><p>
  � Somos uns idiotas. Por que s� n�s dois temos de ir? Se encontrarmos algo, dois n�o bastar�o...</p><empty-line/><p>
  Ouviram o barulho dos passos dos meninos correndo dali. Espantosamente, uma figura escura moveu-se em sentido contr�rio.</p><empty-line/><p>
  � Roger?</p><empty-line/><p>
  � Sim.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o somos tr�s.</p><empty-line/><p>
  Novamente se puseram a caminho, subindo a encosta da montanha. A escurid�o parecia fluir � volta deles como uma mar�. Jack, que n�o dissera nada, come�ou a sufocar e tossir, uma rajada de vento fez os tr�s ficarem engasgados. Os olhos de Ralph encheram-se de l�grimas.</p><empty-line/><p>
  � Cinzas. Estamos quase no lugar da fogueira.</p><empty-line/><p>
  Seus passos e a brisa ocasional levantavam leves nuvens de p�. Agora que haviam parado de novo, Ralph teve tempo, enquanto tossiam, de lembrar-se como eram tontos. Se n�o houvesse bicho nenhum, e era quase certo que n�o havia, tudo bem; mas se houvesse algo esperando no cimo da montanha, de que iria adiantar s� tr�s deles, prejudicados pela escurid�o e armados s� com paus?</p><empty-line/><p>
  � Estamos sendo uns idiotas.</p><empty-line/><p>
  Do escuro veio a resposta.</p><empty-line/><p>
  � Assustado?</p><empty-line/><p>
  Irritado, Ralph se agitou. Era Jack o culpado de tudo.</p><empty-line/><p>
  � Claro que estou. Mas mesmo assim estamos sendo uns idiotas.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� n�o quiser ir � disse a voz sarc�stica �, eu irei sozinho.</p><empty-line/><p>
  Ralph ouviu a frase ir�nica e odiou Jack. Os olhos ardendo, o cansa�o e o medo encheram-no de raiva.</p><empty-line/><p>
  � V� ent�o! Esperaremos aqui.</p><empty-line/><p>
  Houve um sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  � Por que n�o vai? Est� com medo?</p><empty-line/><p>
  Uma mancha no escuro, uma mancha que era Jack, destacou-se e come�ou a avan�ar.</p><empty-line/><p>
  � Est� certo. At� logo.</p><empty-line/><p>
  A mancha sumiu. Outra tomou seu lugar.</p><empty-line/><p>
  Ralph sentiu o joelho encostar em algo duro e pressionou um tronco carbonizado, �spero ao contato. Sentiu os restos afiados do que fora uma casca encostados no joelho; percebeu que Roger se sentara, tateou com as m�os e se sentou ao lado dele, enquanto o tronco rolava sobre cinzas invis�veis. Roger, pouco comunicativo por natureza, n�o disse nada. N�o deu qualquer opini�o sobre o bicho, nem disse a Ralph por que quisera vir nessa expedi��o maluca. Simplesmente se sentou e ficou mexendo o tronco para a frente e para tr�s. Ralph percebeu um r�pido e irritante ru�do, notando que Roger estava batendo a sua rid�cula lan�a em alguma coisa.</p><empty-line/><p>
  Ent�o ficaram ali, o furioso Ralph e o imperme�vel Roger, balan�ando e batendo; ao redor deles, o c�u baixo estava cheio de estrelas, exceto ali onde a montanha cavara um buraco de escurid�o.</p><empty-line/><p>
  Houve um leve ru�do bem em cima deles, o som de algu�m dando passos gigantescos e perigosos na pedra ou na cinza. Jack descobriu-os e falou, tr�mulo, com uma voz quase irreconhec�vel, parecida com um coaxar.</p><empty-line/><p>
  � Vi uma coisa l� em cima.</p><empty-line/><p>
  Ouviram-no trope�ar no tronco, que balan�ou violentamente. Ficou quieto um minuto, depois sussurrou.</p><empty-line/><p>
  � Tomem cuidado. Pode ter-me seguido.</p><empty-line/><p>
  Uma chuva de cinza caiu sobre eles. Jack sentou-se.</p><empty-line/><p>
  � Vi uma coisa inchar l� na montanha.</p><empty-line/><p>
  � Voc� imaginou isso � disse Ralph, debilmente. � Nada iria inchar. Nenhuma esp�cie de animal.</p><empty-line/><p>
  Roger falou; sobressaltaram-se, porque tinham esquecido dele.</p><empty-line/><p>
  � Um sapo.</p><empty-line/><p>
  Jack riu baixinho e estremeceu.</p><empty-line/><p>
  � Uma esp�cie de sapo. Tamb�m tinha um barulho. Uma esp�cie de �plop�. Ent�o, a coisa inchou.</p><empty-line/><p>
  Ralph surpreendeu-se, n�o tanto pelo jeito da sua voz, que era o mesmo de sempre, mas pelo desafio que havia nela.</p><empty-line/><p>
  � Vamos dar uma olhada.</p><empty-line/><p>
  Pela primeira vez, desde que conhecera Jack, Ralph p�de sentir que ele hesitava.</p><empty-line/><p>
  � Agora?</p><empty-line/><p>
  A voz de Ralph falou por ele.</p><empty-line/><p>
  � Claro.</p><empty-line/><p>
  Levantou-se e os liderou atrav�s das cinzas que estalavam no escuro.</p><empty-line/><p>
  Agora que sua voz silenciara, ouvia a voz �ntima da raz�o e tamb�m outras vozes. Porquinho chamava-o de crian�a. Outra voz disse-lhe para n�o ser um idiota; a escurid�o e a iniciativa desesperada davam � noite uma irrealidade semelhante � de uma cadeira de dentista.</p><empty-line/><p>
  Ao chegarem � �ltima encosta, Jack e Roger se aproximaram: de manchas de tinta transformaram-se em figuras vis�veis. De comum acordo, pararam e se agacharam juntos. Atr�s deles, no horizonte, havia uma mancha de c�u mais claro onde a lua sairia dali a um instante. O vento rugiu na floresta e seus molambos colaram-se no corpo.</p><empty-line/><p>
  Ralph mexeu-se.</p><empty-line/><p>
  � Vamos.</p><empty-line/><p>
  Avan�aram rastejando, Roger um pouco atrasado. Jack e Ralph contornaram juntos a sali�ncia da montanha. A superf�cie brilhante da lagoa estava l� embaixo e al�m dela havia uma linha comprida e branca: o recife. Roger juntou-se a eles.</p><empty-line/><p>
  Jack cochichou.</p><empty-line/><p>
  � Vamos rastejar de quatro. Talvez esteja dormindo.</p><empty-line/><p>
  Roger e Ralph se moveram, deixando Jack desta vez para tr�s, apesar de todas as suas valentes palavras. Chegaram ao cume chato onde a pedra era dura demais para m�os e joelhos.</p><empty-line/><p>
  Uma criatura que inchava.</p><empty-line/><p>
  Ralph p�s a m�o nas cinzas frias e macias da fogueira e sufocou um grito. Sua m�o e o ombro se torceram devido ao contato inesperado. Verdes manchas luminosas de n�usea apareceram por um instante e se fundiram na escurid�o. Roger estava deitado atr�s dele e a boca de Jack junto � sua orelha.</p><empty-line/><p>
  � L�, onde havia uma abertura na pedra. Uma esp�cie de corcova, est� vendo?</p><empty-line/><p>
  Umas cinzas voaram da fogueira morta para o rosto de Ralph. N�o podia ver o buraco nem nada mais, porque as manchas verdes surgiram de novo e aumentaram, enquanto o cimo da montanha parecia deslizar para um lado.</p><empty-line/><p>
  Outra vez, de longe, ouviu Jack cochichar.</p><empty-line/><p>
  � Est� com medo?</p><empty-line/><p>
  Nem tanto atemorizado quanto paralisado; ficou ali im�vel, no cimo de uma montanha que se mexia e diminu�a. Jack afastou-se dele. Roger se levantou, trope�ando, com um arquejo, e avan�ou. Ralph ouviu-os cochichando.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� vendo alguma coisa?</p><empty-line/><p>
  � L�...</p><empty-line/><p>
  Na frente deles, a tr�s ou quatro metros, havia uma corcova parecida com uma pedra, onde n�o deveria haver pedra alguma. Ralph p�de ouvir um barulho baixinho e inarticulado, vindo de alguma parte, talvez da pr�pria boca, levantou-se � custa de toda sua vontade, fundiu seu medo e repugn�ncia com o �dio e avan�ou. Deu dois pesados passos para a frente.</p><empty-line/><p>
  Por tr�s deles, o disco da lua desenhava-se claramente no horizonte. � frente, algo parecido com um grande macaco estava dormindo sentado, com a cabe�a entre os joelhos. Ent�o o vento rugiu na floresta, houve uma confus�o na escurid�o e a criatura levantou a cabe�a, avan�ando para eles a ru�na de um rosto.</p><empty-line/><p>
  Ralph viu-se dando pulos gigantescos entre as cinzas, ouviu outras criaturas gritando e saltando, desafiando o imposs�vel na encosta escura; a montanha ficou deserta, a n�o ser por tr�s paus abandonados e a coisa que se inclinava.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>8</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Sacrif�cio para as trevas</strong></p><p>Porquinho olhava, com ar infeliz, da praia p�lida pela alvorada para a montanha escura.</p><empty-line/><p>
  � Voc� tem certeza? Mesmo?</p><empty-line/><p>
  � J� lhe disse uma d�zia de vezes � disse Ralph. � N�s o vimos.</p><empty-line/><p>
  � E voc� acha que estamos seguros aqui?</p><empty-line/><p>
  � Ora, que diabo! Como vou saber?</p><empty-line/><p>
  Ralph afastou-se dele e deu uns passos pela praia. Jack estava ajoelhado, tra�ando uma figura circular com seu indicador. A voz de Porquinho chegou at� eles, num sussurro.</p><empty-line/><p>
  � Voc� tem certeza? Mesmo?</p><empty-line/><p>
  � V� l� em cima e veja � disse Ralph, com desprezo. � E boa viagem.</p><empty-line/><p>
  � N�o tenho medo.</p><empty-line/><p>
  � O bicho tem dentes � disse Ralph � e grandes olhos pretos.</p><empty-line/><p>
  Tremeu violentamente. Porquinho pegou sua �nica lente e poliu a superf�cie.</p><empty-line/><p>
  � Que vamos fazer?</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se para a plataforma. A concha brilhava entre as �rvores, uma bolha branca contra o lugar de onde o sol sairia. Jogou o cabelo para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei.</p><empty-line/><p>
  Lembrou-se da fuga em p�nico, montanha abaixo.</p><empty-line/><p>
  � Honestamente, acho que n�o podemos enfrentar uma coisa daquele tamanho. N�s falamos, mas n�o enfrentar�amos um tigre. N�s nos esconder�amos. At� Jack se esconderia.</p><empty-line/><p>
  Jack ainda olhava para a areia.</p><empty-line/><p>
  � E meus ca�adores?</p><empty-line/><p>
  Simon saiu sem barulho das sombras junto �s cabanas. Ralph ignorou a pergunta de Jack. Apontou para os tons amarelados sobre o mar.</p><empty-line/><p>
  � Enquanto h� luz, somos bem corajosos. Mas e da�? Agora aquela coisa tomou conta da fogueira, como se n�o quisesse que sejamos salvos...</p><empty-line/><p>
  Agora, esfregava as m�os, inconscientemente. Sua voz ficou mais alta.</p><empty-line/><p>
  � Logo, n�o podemos fazer uma fogueira de sinaliza��o... Estamos derrotados.</p><empty-line/><p>
  Uma ponta de ouro apareceu sobre o mar e imediatamente o c�u se iluminou.</p><empty-line/><p>
  � E meus ca�adores?</p><empty-line/><p>
  � Meninos armados com paus.</p><empty-line/><p>
  Jack ficou de p�. Seu rosto estava vermelho enquanto se afastava. Porquinho colocou o �culos e olhou para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Agora sim. Voc� insultou os ca�adores dele.</p><empty-line/><p>
  � Ora, cale-se!</p><empty-line/><p>
  O som da concha malsoprada interrompeu-os. Como se fizesse uma serenata para o sol nascente, Jack continuou soprando at� que as cabanas ficaram agitadas e os ca�adores subiram para a plataforma. Os pequenos choramingavam, como faziam agora com frequ�ncia. Ralph levantou-se obedientemente e foi com Porquinho at� � plataforma.</p><empty-line/><p>
  � Falam � disse Ralph amargamente �, falam, falam, falam.</p><empty-line/><p>
  Pegou a concha de Jack.</p><empty-line/><p>
  � Esta reuni�o...</p><empty-line/><p>
  Jack interrompeu-o.</p><empty-line/><p>
  � Eu chamei todos.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� n�o o fizesse, eu faria. Voc� s� soprou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Bem, isso n�o � chamar?</p><empty-line/><p>
  � Ora, pegue! V�, fale!</p><empty-line/><p>
  Ralph lan�ou a concha nos bra�os de Jack e se sentou no tronco.</p><empty-line/><p>
  � Chamei todos para essa reuni�o � disse Jack �, por causa de um monte de coisas. Primeiro, agora voc�s sabem, vimos o bicho. Fomos rastejando. Est�vamos a um metro dele. O bicho sentou-se e olhou para n�s. N�o sei o que faz. Nem sabemos o que �...</p><empty-line/><p>
  � O bicho vem do mar...</p><empty-line/><p>
  � Do escuro...</p><empty-line/><p>
  � �rvores...</p><empty-line/><p>
  � Quietos! � gritou Jack. � Ou�am. O bicho est� sentado ali, o que quer que seja...</p><empty-line/><p>
  � Talvez esteja esperando...</p><empty-line/><p>
  � Ca�ando...</p><empty-line/><p>
  � Ca�ando � disse Jack. Lembrou-se de seus velhos tremores na floresta. � Sim. O bicho � um ca�ador. S�... calem-se! A pr�xima coisa � que n�o podemos mat�-lo. E a pr�xima coisa � que Ralph disse que meus ca�adores n�o servem pra nada.</p><empty-line/><p>
  � Nunca disse isso!</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha. Ralph acha que voc�s s�o covardes, que fugiram do javali e do bicho. E isso n�o � tudo.</p><empty-line/><p>
  Houve uma esp�cie de suspiro na plataforma como se todos soubessem o que iria acontecer. A voz de Jack continuou, tr�mula, mas determinada, lutando contra o sil�ncio nada prop�cio.</p><empty-line/><p>
  � Ele � como Porquinho. Fala coisas como Porquinho. N�o � um bom chefe.</p><empty-line/><p>
  Jack apertou a concha contra o corpo.</p><empty-line/><p>
  � Ele � um covarde.</p><empty-line/><p>
  Por um instante, silenciou, mas depois continuou.</p><empty-line/><p>
  � L� em cima, quando Roger e eu avan�amos, ele ficou para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m fui!</p><empty-line/><p>
  � Depois.</p><empty-line/><p>
  Os dois meninos entreolharam-se fixamente atrav�s de cortinas de cabelo.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m fui � disse Ralph �, depois corri. Voc� fez o mesmo.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o, me chame de covarde.</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se para os ca�adores.</p><empty-line/><p>
  � Ele n�o � um ca�ador. Nunca nos trouxe carne. N�o � um prefeito da escola e nada sabemos dele. S� d� ordens e espera que as pessoas obede�am em troca de nada. Tudo isso que estou falando...</p><empty-line/><p>
  � Todo esse falat�rio � gritou Ralph. � Fala, fala! Quem quer ouvir? Quem fez essa reuni�o?</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se, corado, queixo abaixado. Seu olhar brilhava sob as sobrancelhas.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem ent�o � disse, com um tom de profundo significado e amea�ador. � Muito bem.</p><empty-line/><p>
  Segurou a concha contra o peito com uma m�o e agitou o indicador no ar.</p><empty-line/><p>
  � Quem acha que Ralph n�o deve ser o chefe?</p><empty-line/><p>
  Olhou, em expectativa, para os meninos que o cercavam, im�veis. Sob as palmeiras, havia apenas um sil�ncio mortal.</p><empty-line/><p>
  � Levantem as m�os � disse Jack alto. � Quem quer que Ralph n�o seja o chefe?</p><empty-line/><p>
  O sil�ncio continuou, sem f�lego, pesado e cheio de vergonha. Lentamente, o rubor sumiu das faces de Jack, e ent�o voltou com uma viol�ncia dolorosa. Passou a l�ngua nos l�bios e entortou a cabe�a, de modo que seu olhar evitou o embara�o de cruzar com outros olhos.</p><empty-line/><p>
  � Quantos acham...</p><empty-line/><p>
  Sua voz vacilou. As m�os que seguravam a concha tremeram. Deu uma tossidinha e falou alto.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem, ent�o.</p><empty-line/><p>
  P�s a concha cuidadosamente na grama aos seus p�s. L�grimas de humilha��o corriam dos cantos dos olhos.</p><empty-line/><p>
  � N�o vou mais brincar. N�o com voc�s.</p><empty-line/><p>
  A maioria dos meninos agora estava olhando para baixo, para a grama a seus p�s. Jack limpou a garganta de novo.</p><empty-line/><p>
  � N�o vou fazer parte do bando de Ralph...</p><empty-line/><p>
  Olhou pela extens�o dos troncos da direita, contando os ca�adores que haviam sido um coro.</p><empty-line/><p>
  � Vou ficar sozinho. Ele pode pegar os seus porcos. Quem quiser ca�ar quando eu estiver ca�ando pode vir tamb�m.</p><empty-line/><p>
  Saiu aturdido do tri�ngulo para a encosta que levava � areia branca.</p><empty-line/><p>
  � Jack!</p><empty-line/><p>
  Jack virou-se e olhou para Ralph. Por um instante, parou, mas depois gritou, esgani�adamente, com raiva.</p><empty-line/><p>
  � N�o!</p><empty-line/><p>
  Pulou da plataforma e correu pela praia, sem ligar para o firme fluxo de suas l�grimas. Ralph ficou olhando at� que o outro se internou na floresta.</p><p>Porquinho estava indignado.</p><empty-line/><p>
  � Eu estou falando com voc�, Ralph, mas voc� fica a� assim...</p><empty-line/><p>
  Olhando para Porquinho sem v�-lo, Ralph falou baixinho para si mesmo.</p><empty-line/><p>
  � Ele voltar�. Quando o sol sumir, ele vir�. � Olhou para a concha na m�o de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � O qu�?</p><empty-line/><p>
  � Ah, bom!</p><empty-line/><p>
  Porquinho desistiu de tentar repreender Ralph. Limpou o vidro outra vez e voltou ao seu assunto.</p><empty-line/><p>
  � Podemos continuar sem Jack Merridew. H� outros al�m dele nesta ilha. Mas agora temos um bicho de verdade, embora mal possa acreditar nele; precisamos ficar perto da plataforma; haver� menos necessidade dele e da sua ca�a. Agora podemos decidir realmente sobre o que est� havendo.</p><empty-line/><p>
  � N�o adianta, Porquinho. N�o podemos fazer nada.</p><empty-line/><p>
  Por um instante, sentaram-se, num sil�ncio deprimido. Simon levantou-se, afinal, e pegou a concha de Porquinho, que ficou t�o espantado a ponto de continuar de p�. Ralph olhou para Simon.</p><empty-line/><p>
  � Simon? O que � agora?</p><empty-line/><p>
  Um som apagado de zombaria passou pelos meninos e Simon estremeceu.</p><empty-line/><p>
  � Acho que deve haver alguma coisa para fazer. Algo que n�s...</p><empty-line/><p>
  A press�o dos meninos fez sua voz vacilar novamente. Procurou ajuda e simpatia, escolhendo Porquinho. Virou-se na dire��o dele, apertando a concha contra seu peito bronzeado.</p><empty-line/><p>
  � Acho que dever�amos subir a montanha.</p><empty-line/><p>
  O c�rculo estremeceu de medo. Simon n�o falou mais e se virou para Porquinho, que o olhava com uma express�o de incompreens�o divertida.</p><empty-line/><p>
  � Para que subir l� onde est� o bicho se Ralph e os outros dois n�o puderam fazer nada?</p><empty-line/><p>
  Simon sussurrou uma resposta.</p><empty-line/><p>
  � Que mais podemos fazer?</p><empty-line/><p>
  Acabando de falar, deixou Porquinho tirar a concha das suas m�os. Ent�o se afastou e se sentou t�o longe dos outros quanto poss�vel.</p><empty-line/><p>
  Porquinho falava agora com mais seguran�a e com prazer � coisa que os outros teriam percebido se as circunst�ncias n�o fossem t�o graves.</p><empty-line/><p>
  � Digo que podemos ir em frente sem uma certa pessoa. Agora, digo que precisamos decidir o que iremos fazer. E acho que posso lhes dizer o que Ralph vai dizer. A coisa mais importante da ilha � a fuma�a e n�o podemos ter fuma�a sem uma fogueira.</p><empty-line/><p>
  Ralph fez um movimento intranquilo.</p><empty-line/><p>
  � Ora, Porquinho. N�o teremos fogueira. Aquela coisa est� sentada l� em cima... precisamos ficar aqui.</p><empty-line/><p>
  Porquinho levantou a concha como que para dar for�a �s suas pr�ximas palavras.</p><empty-line/><p>
  � N�o temos fogueira na montanha. Mas que mal h� numa fogueira aqui? Podemos fazer uma fogueira nas pedras. At� na areia. Vai fazer fuma�a do mesmo jeito.</p><empty-line/><p>
  � � mesmo!</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a!</p><empty-line/><p>
  � Ao lado da piscina!</p><empty-line/><p>
  Os meninos come�aram a gritar. S� Porquinho poderia ter a ousadia intelectual de sugerir que se mudasse a fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o vamos fazer a fogueira aqui embaixo � disse Ralph. Olhou em volta. � Podemos faz�-la bem aqui, entre a piscina e a plataforma. Claro...</p><empty-line/><p>
  Interrompeu-se, franzindo a testa, pensando na coisa, mordendo uma unha distraidamente.</p><empty-line/><p>
  � Claro que a fuma�a n�o vai ser grande coisa, n�o ser� vista de longe. Mas n�o precisaremos ir l� perto; perto do...</p><empty-line/><p>
  Os outros sacudiram as cabe�as, compreendendo perfeitamente. N�o seria preciso ir l� perto.</p><empty-line/><p>
  � Vamos fazer a fogueira agora.</p><empty-line/><p>
  As maiores ideias s�o as mais simples. Agora havia algo para ser feito e trabalharam com empenho. Porquinho estava t�o cheio de alegria e liberdade expansiva com a partida de Jack, t�o cheio de orgulho por sua contribui��o para o bem da sociedade, que ajudou a pegar madeira. A madeira que ele arranjou estava bem perto, uma �rvore ca�da na plataforma, que n�o era usada para as reuni�es. Mas, para os outros, a santidade da plataforma protegera at� o que era in�til ali. Os g�meos perceberam que agora a fogueira ficaria perto deles, como sinal de tranquilidade na noite; isso fez alguns dos pequenos dan�arem e baterem palmas.</p><empty-line/><p>
  A madeira n�o estava t�o seca quanto a que haviam usado na montanha. Parte dela estava �mida e podre, pululante de insetos. Era preciso levantar os troncos do solo com cuidado, sen�o eles se desfaziam em p� molhado. Al�m disso, para evitar entrar na floresta, os meninos atarefavam-se com qualquer madeira ca�da nas proximidades, mesmo que estivesse envolvida por novos arbustos. As vizinhan�as da floresta e da escarpa eram familiares, perto da concha e das cabanas, suficientemente amistosas � luz do dia. Mas ningu�m se importava em pensar o que poderia acontecer � noite. Trabalharam assim com grande energia e alegria, embora � medida que o tempo avan�ava houvesse um toque de p�nico na energia e de histeria na alegria. Fizeram uma pir�mide de folhas e ramos, galhos e troncos, na areia perto da plataforma. Pela primeira vez desde que estava na ilha, Porquinho tirou os �culos, ajoelhou-se e focalizou o sol na lenha. Logo havia um teto de fuma�a e um monte de chamas amareladas.</p><empty-line/><p>
  Os pequenos, que haviam visto poucas fogueiras desde a primeira cat�strofe, ficaram violentamente excitados. Dan�aram e cantaram: havia um ar de festa no grupo.</p><empty-line/><p>
  Finalmente, Ralph parou de trabalhar e ficou de p�, tirando o suor do rosto com um antebra�o sujo.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos ter uma fogueira pequena. Esta � grande demais para tomarmos conta.</p><empty-line/><p>
  Porquinho sentou-se cuidadosamente na areia e come�ou a limpar sua lente.</p><empty-line/><p>
  � Podemos experimentar. Podemos fazer uma fogueira pequena e colocar galhos verdes nela para fazer fuma�a. Algumas das folhas devem ser melhores que outras para isso.</p><empty-line/><p>
  � medida que a fogueira se apagava, arrefecia a excita��o. Os pequenos pararam de cantar e dan�ar, espalhando-se na dire��o do mar, das �rvores frut�feras ou das cabanas.</p><empty-line/><p>
  Ralph jogou-se na areia.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos fazer uma nova lista para ver quem vai cuidar do fogo.</p><empty-line/><p>
  � Se puder encontr�-los.</p><empty-line/><p>
  Olhou em volta. Ent�o, pela primeira vez, viu que havia ali poucos dos grandes e entendeu por que o trabalho fora t�o duro.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� Maurice?</p><empty-line/><p>
  Porquinho limpou os �culos de novo.</p><empty-line/><p>
  � Espero... n�o, ele n�o entraria sozinho na floresta, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Ralph ficou de p� num pulo, correu em volta da fogueira e voltou para junto de Porquinho, segurando os cabelos.</p><empty-line/><p>
  � Mas precisamos ter uma lista! Voc�, eu, Sameeric e...</p><empty-line/><p>
  N�o olhou para Porquinho, mas falou em tom indiferente.</p><empty-line/><p>
  � Onde est�o Bill e Roger?</p><empty-line/><p>
  Porquinho inclinou-se para a frente e p�s um peda�o de madeira na fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Espero que tenham ido embora. Espero que tamb�m n�o queiram brincar.</p><empty-line/><p>
  Ralph sentou-se e come�ou a fazer buraquinhos na areia. Surpreendeu-se ao ver que um tinha uma gota de sangue. Examinou suas unhas ro�das de perto e viu o pequeno globo de sangue que surgia onde o sabugo fora mordido.</p><empty-line/><p>
  Porquinho continuou a falar.</p><empty-line/><p>
  � Vi-os fugindo quando est�vamos pegando madeira. Foram daquele lado. Do mesmo lado que ele foi.</p><empty-line/><p>
  Ralph terminou sua inspe��o e olhou para cima. O c�u, como que acompanhando as grandes mudan�as entre eles, estava diferente, t�o cheio de nuvens que em alguns lugares o ar quente parecia branco. O disco do sol estava todo prateado como se estivesse mais pr�ximo e n�o t�o quente, mas o ar estava abafado...</p><empty-line/><p>
  � Estavam sempre dando problemas, n�o �?</p><empty-line/><p>
  A voz vinha de perto do seu ombro e parecia ansiosa.</p><empty-line/><p>
  � Podemos passar sem eles. Agora vamos ser mais felizes, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Ralph sentou-se. Os g�meos chegaram, puxando um grande tronco e sorrindo triunfalmente. Jogaram o tronco nas brasas e voaram centelhas.</p><empty-line/><p>
  � Podemos ir em frente sozinhos, n�o �?</p><empty-line/><p>
  No longo intervalo em que o tronco secou, pegou fogo e ficou vermelho, Ralph sentou-se na areia, sem dizer nada. N�o viu Porquinho se aproximar dos g�meos e cochichar para eles, nem os tr�s entrarem na floresta.</p><empty-line/><p>
  � Chegamos.</p><empty-line/><p>
  Voltou a si com um sobressalto. Porquinho e os outros dois estavam ao seu lado, carregados de frutas.</p><empty-line/><p>
  � Pensei que dever�amos fazer uma festa � disse Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s se sentaram. Tinham um monte de frutas com eles, todas bem maduras. Sorriram para Ralph quando ele pegou algumas e come�ou a comer.</p><empty-line/><p>
  � Obrigado � disse. Ent�o, com a �nfase da surpresa agrad�vel: � Obrigado!</p><empty-line/><p>
  � Poderemos fazer tudo, n�s mesmos � disse Porquinho. � Eles, que n�o t�m senso comum, s�o os que causam problemas nesta ilha. Faremos uma fogueira pequena...</p><empty-line/><p>
  Ralph lembrou-se do que o preocupava.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� Simon?</p><empty-line/><p>
  � N�o sei.</p><empty-line/><p>
  � Acha que est� subindo a montanha?</p><empty-line/><p>
  Porquinho explodiu numa gargalhada barulhenta e pegou mais fruta.</p><empty-line/><p>
  � Talvez � engoliu o que lhe enchia a boca �, ele � louco.</p><p>Simon passara pela �rea de �rvores frut�feras, mas hoje os pequenos estavam ocupados com a fogueira na praia e n�o o haviam seguido at� l�. Continuou, por entre as trepadeiras, at� chegar ao grande tapete estendido ao lado da clareira e avan�ou para dentro. Al�m da cortina de folhas, a luz do sol ca�a e as borboletas dan�avam no centro a sua dan�a infinita. Ajoelhou-se e a flecha do sol caiu sobre ele. Naquela vez o ar parecia vibrar com o calor; agora, estava amea�ador. Logo o suor corria do seu comprido e �spero cabelo. Mudou de lugar, inquieto, mas n�o havia jeito de evitar o sol. Agora, estava com sede, com muita sede.</p><empty-line/><p>
  Continuou sentado.</p><p>Bem longe, na praia, Jack estava de p� diante de um grupinho de meninos. Parecia brilhantemente contente.</p><empty-line/><p>
  � Ca�ar � disse. Deu uma olhada neles. Cada um usava os restos de um bon� negro e houve um tempo, h� s�culos, em que se perfilavam em duas fileiras disciplinadas, com uma voz que tinha o som de anjos.</p><empty-line/><p>
  � Vamos ca�ar. Eu vou ser o chefe.</p><empty-line/><p>
  Concordaram e a crise passou facilmente.</p><empty-line/><p>
  � E agora, o bicho.</p><empty-line/><p>
  Mexeram-se, olhando para a floresta.</p><empty-line/><p>
  � Digo que n�o vamos nos preocupar com o bicho.</p><empty-line/><p>
  Sacudiu a cabe�a para eles.</p><empty-line/><p>
  � Vamos esquecer o bicho.</p><empty-line/><p>
  � Vamos!</p><empty-line/><p>
  � Sim!</p><empty-line/><p>
  � Esquecer o bicho!</p><empty-line/><p>
  Se Jack ficou espantado com o �nimo deles, n�o demonstrou.</p><empty-line/><p>
  � E outra coisa. N�o vamos ficar muito tempo aqui. Estamos quase no fim da ilha.</p><empty-line/><p>
  Cada um deles concordou apaixonadamente do fundo de sua atormentada vida pessoal.</p><empty-line/><p>
  � Ou�am agora. Devemos ir depois para o castelo de pedra. Mas agora vou buscar mais uns grandes l� na concha. Vamos matar um porco e fazer uma festa. � Fez uma pausa e continuou, mais devagar. � Sobre o bicho. Quando matarmos alguma coisa, vamos deixar uma parte para ele. Ent�o, talvez ele n�o mexa com a gente.</p><empty-line/><p>
  Levantou-se, abruptamente.</p><empty-line/><p>
  � Vamos para a floresta, ca�ar.</p><empty-line/><p>
  Virou-se e correu. Ap�s um momento, todos o seguiram obedientemente.</p><empty-line/><p>
  Espalharam-se, nervosamente, pela floresta. Quase na mesma hora, Jack descobriu as ra�zes escavadas e espalhadas que indicavam o porco; logo estavam numa pista fresca. Jack fez um gesto para que todos ficassem quietos e avan�ou sozinho. Estava feliz e envergava em si a �mida escurid�o da floresta como se fosse suas velhas roupas. Rastejando, desceu uma ladeira que dava nas pedras e �rvores espalhadas junto ao mar.</p><empty-line/><p>
  Os porcos estavam l�, sacos inchados de banha, desfrutando sensualmente das sombras das �rvores. N�o havia vento e n�o estavam com medo. A pr�tica tornara Jack silencioso como as sombras. Recuou outra vez e deu instru��es aos seus ca�adores ocultos. Todos rastejaram para a frente, suando em meio ao sil�ncio e ao calor. Sob as �rvores, um p�ssaro bateu as asas ociosamente. Um pouco afastada do resto, mergulhada numa profunda beatitude maternal, estava a maior porca da vara. Era preta e rosada, tinha o grande bal�o da barriga cheio de leit�ezinhos que dormiam, enfiavam-se e guinchavam.</p><empty-line/><p>
  A 15 metros da vara de porcos, Jack parou. Seu bra�o, retesando-se, apontou para a porca. Olhou em volta para ver se todo mundo tinha entendido e os meninos sacudiram a cabe�a afirmativamente. A fileira de bra�os direitos moveu-se para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � J�!</p><empty-line/><p>
  Os porcos sa�ram correndo; a uma dist�ncia de dez metros, as lan�as de madeira com pontas endurecidas pelo fogo voaram na dire��o da porca escolhida. Um leit�ozinho, com um guincho enlouquecido, correu para o mar, arrastando a lan�a de Roger. A porca deu um grunhido entrecortado e saiu correndo, com duas lan�as presas no seu flanco. Os meninos gritaram e correram para a floresta, enquanto os leit�es se espalharam e a porca rompeu a linha que avan�ava e se enfiou pela floresta, esmagando folhas e talos.</p><empty-line/><p>
  � L�.</p><empty-line/><p>
  Correram pela trilha de porcos, mas a floresta era t�o escura e cerrada que Jack, xingando, parou-os e se enfiou por entre as �rvores. N�o disse nada por um instante, mas respirava furiosamente; os outros se espantaram e se entreolharam com inquieta admira��o. Afinal, Jack apontou para o ch�o com o dedo.</p><empty-line/><p>
  � Ali.</p><empty-line/><p>
  Antes que os outros pudessem examinar a gota de sangue, Jack desviou-se para o lado, examinou uma pegada, tocou um ramo partido. Ent�o continuou, misteriosamente exato e seguro, enquanto os ca�adores trotavam atr�s dele.</p><empty-line/><p>
  Parou diante de uma moita.</p><empty-line/><p>
  � A� dentro.</p><empty-line/><p>
  Cercaram a moita, mas a porca fugiu com outra lan�a enfiada no seu flanco. Os cabos que arrastava estorvavam-na, e as pontas agudas e cortadas em cruz eram um tormento. Ela bateu numa �rvore, enfiando mais uma lan�a; depois disso, os ca�adores puderam segui-la facilmente pelas gotas de sangue vivo. A tarde ca�a, nebulosa e amea�adora com o calor �mido; a porca corria na frente deles, enlouquecida, derramando sangue; os ca�adores seguiam-na, ligados a ela pela cobi�a, excitados pela longa persegui��o e pelo sangue gotejante. Agora podiam v�-la, quase chegaram junto dela, mas ela investiu com suas �ltimas for�as e se afastou de novo. Estavam perto quando ela correu para uma clareira onde cresciam flores brilhantes e borboletas dan�avam no ar quente e im�vel.</p><empty-line/><p>
  Ali, abatida pelo calor, a porca caiu e os ca�adores lan�aram-se sobre ela. A terr�vel irrup��o de um mundo desconhecido tornou-a fren�tica; guinchou e pinoteou, o ar se encheu de suor, barulho, sangue e terror. Roger correu em volta do grupo, enfiando a lan�a onde aparecia carne de porco. Jack estava em cima da porca, golpeando para baixo com a faca. Roger descobriu um lugar para sua lan�a e come�ou a enfiar com todo o peso do seu corpo. A lan�a enterrou-se cent�metro por cent�metro e o guinchado aterrorizado tornou-se um grito agudo. Ent�o, Jack descobriu a garganta e o sangue quente jorrou em suas m�os. A porca morreu sob eles e os meninos ficaram um pouco sobre ela, pesados e satisfeitos. As borboletas ainda dan�avam, absortas, no centro da clareira.</p><empty-line/><p>
  Por fim, foi sumindo a urg�ncia da morte. Os meninos afastaram-se e Jack ficou de p�, esticando as m�os.</p><empty-line/><p>
  � Vejam.</p><empty-line/><p>
  Deu uma risadinha e mexeu as m�os, enquanto os meninos riam das suas palmas escuras. Jack pegou Maurice e esfregou o sangue nas faces do outro. Roger come�ou a retirar sua lan�a e os meninos viram-na pela primeira vez. Robert saudou a opera��o com uma frase que foi recebida estrepitosamente.</p><empty-line/><p>
  � Bem no cu!</p><empty-line/><p>
  � Ouviram?</p><empty-line/><p>
  � Ouviu o que ele disse?</p><empty-line/><p>
  � Bem no cu!</p><empty-line/><p>
  Desta vez, Robert e Maurice interpretaram os dois pap�is. Maurice, imitando os esfor�os da porca para evitar a lan�a foi t�o engra�ado que os meninos gritaram de tanto rir.</p><empty-line/><p>
  At� isso acabou cansando. Jack come�ou a limpar as m�os sangrentas na pedra. Depois, foi at� a porca, tirou os quentes sacos de entranhas coloridas, empilhando-os na pedra, enquanto os outros o observavam. Falou, enquanto trabalhava.</p><empty-line/><p>
  � Vamos levar a carne para a praia. Vou voltar at� a plataforma e convid�-los para uma festa. Isso deve nos dar tempo.</p><empty-line/><p>
  Roger falou.</p><empty-line/><p>
  � Chefe...</p><empty-line/><p>
  � Hem?</p><empty-line/><p>
  � Como � que vamos fazer uma fogueira?</p><empty-line/><p>
  Jack recuou, de c�coras, e franziu a testa para a porca.</p><empty-line/><p>
  � Vamos atacar e pegar o fogo. Ir�o quatro: Henry e voc�, Bill e Maurice. Vamos pintar a cara; iremos sem barulho. Roger pode pegar um galho aceso, enquanto eu digo qualquer coisa. O resto pode levar isso para onde est�vamos. Vamos fazer a fogueira l�. Depois...</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa e se levantou, olhando para as sombras sob as �rvores. Sua voz ficou mais baixa.</p><empty-line/><p>
  � Vamos deixar parte da ca�a para o...</p><empty-line/><p>
  Ajoelhou-se de novo e pegou a faca. Os meninos se amontoaram ao seu redor. Falou por sobre o ombro de Roger.</p><empty-line/><p>
  � Afie uma vara com duas pontas.</p><empty-line/><p>
  Levantou-se, segurando a gotejante cabe�a da porca.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� a vara?</p><empty-line/><p>
  � Aqui.</p><empty-line/><p>
  � Enfie uma ponta na terra. Oh, � pedra. Enfie naquele buraco. A�!</p><empty-line/><p>
  Jack segurou a cabe�a e for�ou a garganta macia para baixo, sobre a ponta da vara, que saiu pela boca. Deu um passo para tr�s e a cabe�a ficou ali, pendurada, com um pouco de sangue escorrendo madeira abaixo.</p><empty-line/><p>
  Instintivamente, os meninos tamb�m recuaram. A floresta ficou muito quieta. Tentaram escutar alguma coisa e o barulho mais alto era o zumbido das moscas sobre as entranhas espalhadas.</p><empty-line/><p>
  Jack falou, num sussurro.</p><empty-line/><p>
  � Peguem o porco.</p><empty-line/><p>
  Maurice e Robert enfiaram uma lan�a na carca�a, levantaram o peso morto e esperaram. No sil�ncio, de p� sobre o sangue seco, pareciam subitamente furtivos.</p><empty-line/><p>
  � Essa cabe�a � para o bicho. � um sacrif�cio.</p><empty-line/><p>
  O sil�ncio aceitou a oferenda e os assustou. A cabe�a continuou ali, de olhos opacos, como que sorrindo levemente, o sangue escurecendo entre os dentes. Logo come�aram a correr o mais depressa poss�vel, atrav�s da floresta em dire��o � praia aberta.</p><p>Simon ficou onde estava, uma pequena imagem bronzeada, oculta pelas folhas. Mesmo quando fechava os olhos, a cabe�a da porca continuava ali, como uma vis�o persistente. Os olhos meio fechados eram opacos, com o cinismo infinito da vida adulta. Garantiram a Simon que tudo aquilo fora um mau neg�cio.</p><empty-line/><p>
  � Sei disso.</p><empty-line/><p>
  Simon descobriu que falara alto. Abriu os olhos e ali estava a cabe�a, sorrindo divertida sob a estranha luz do dia, ignorando as moscas, as entranhas espalhadas, ignorando at� a indignidade de estar enfiada numa vara.</p><empty-line/><p>
  Olhou para longe, passando a l�ngua pelos l�bios secos.</p><empty-line/><p>
  Um sacrif�cio para o bicho. O bicho n�o viria busc�-lo? A cabe�a, pensou, parecia concordar com ele. Fuja, dizia a cabe�a silenciosamente, v� para junto dos outros. Foi uma piada, mesmo � por que se preocupar? Voc� s� est� errado, nada mais. Uma pequena dor de cabe�a, alguma coisa que comeu, talvez. Volte, crian�a, disse a cabe�a silenciosa.</p><empty-line/><p>
  Simon olhou para cima, sentindo o peso do seu cabelo molhado, e fixou o c�u. L� em cima havia nuvens, grandes torres inchadas que cresciam sobre a ilha, cinzentas, castanhas e cor de cobre. As nuvens estavam apoiadas na terra; esmagavam, produziam aquele calor denso e opressivo, de momento a momento. At� as borboletas desertaram da clareira onde a coisa obscena sorria e gotejava. Simon baixou a cabe�a, fechando cuidadosamente os olhos, depois escondeu-os com as m�os. N�o havia sombras sob as �rvores, mas em toda parte dominava uma quietude no ar transparente e o que era real parecia ilus�rio e indefinido. A pilha de entranhas era uma bolha negra de moscas que zumbiam como uma serra. Depois, as moscas descobriram Simon. Fartas, pousaram �s margens dos riachos de suor e beberam. Fizeram c�cegas sob as narinas e brincaram de pular sela nas suas coxas. Eram in�meras, pretas e verdes iridescentes. Diante de Simon, o Senhor das Moscas estava pendurado na vara e sorria. Enfim, Simon desistiu e olhou; viu os dentes brancos e os olhos opacos, o sangue � e seu olhar esgazeado prendeu-se �quele reconhecimento antigo e irrecus�vel. Na t�mpora direita de Simon, um latejar come�ou a golpear seu c�rebro.</p><p>Ralph e Porquinho estavam deitados na areia, olhando a fogueira e jogando pregui�osamente pedrinhas nas brasas sem fuma�a.</p><empty-line/><p>
  � O galho j� queimou.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� Sameeric?</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de mais madeira. Estamos sem galhos verdes.</p><empty-line/><p>
  Ralph suspirou e se levantou. N�o havia sombras sob as palmeiras na plataforma; s� a luz estranha que parecia vir de toda parte ao mesmo tempo. L� do alto, entre as nuvens inchadas, veio uma trovoada que soou como um canh�o.</p><empty-line/><p>
  � Vai cair uma chuvarada.</p><empty-line/><p>
  � E a fogueira?</p><empty-line/><p>
  Ralph correu para a floresta e voltou com um monte verde que jogou na fogueira. O ramo estalou, as folhas se dobraram e a fuma�a amarela subiu.</p><empty-line/><p>
  Porquinho desenhou com os dedos na areia uma figura sem significado.</p><empty-line/><p>
  � O problema � que n�o temos gente bastante para manter a fogueira. Voc� deu um turno s� a Sameeric. Eles fazem tudo juntos...</p><empty-line/><p>
  � Certo.</p><empty-line/><p>
  � Ora, n�o � justo. N�o v�? Eles devem ter dois turnos.</p><empty-line/><p>
  Ralph pensou nisso e compreendeu. Ficou envergonhado ao ver como n�o pensava de maneira adulta. Suspirou de novo. A ilha estava ficando cada vez pior.</p><empty-line/><p>
  Porquinho olhou para a fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Logo vamos precisar de outro galho verde.</p><empty-line/><p>
  Ralph rolou sobre si mesmo.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho, que vamos fazer?</p><empty-line/><p>
  � Vamos passar sem eles.</p><empty-line/><p>
  � Mas... a fogueira?</p><empty-line/><p>
  Franziu a testa para a confus�o branca e preta em que jaziam as pontas n�o queimadas dos galhos. Tentou explicar.</p><empty-line/><p>
  � Estou com medo.</p><empty-line/><p>
  Viu Porquinho olhar para cima e seguiu esse olhar.</p><empty-line/><p>
  � N�o do bicho. Quero dizer, tamb�m dele, mas ningu�m mais entende a quest�o da fogueira. Se algu�m joga uma corda quando voc� est� se afogando... se um m�dico diz �tome isso sen�o voc� vai morrer�, voc� toma, n�o �? Entendeu?</p><empty-line/><p>
  � Claro que sim.</p><empty-line/><p>
  � Eles n�o entendem? N�o compreendem? Sem o sinal de fuma�a iremos morrer aqui! Veja isso!</p><empty-line/><p>
  Uma onda de ar quente tremeu sobre as cinzas, mas sem um tra�o de fuma�a.</p><empty-line/><p>
  � N�o conseguimos deixar uma fogueira acesa. E n�o se importam. E outra coisa... � Olhou atentamente para o rosto suado de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � E outra coisa, eu n�o me importo, �s vezes. Suponha que eu fique igual aos outros, sem ligar. Que ser� de n�s?</p><empty-line/><p>
  Porquinho tirou os �culos, profundamente perturbado.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei, Ralph. Precisamos continuar, � tudo. E � isso que os adultos fariam.</p><empty-line/><p>
  Ralph, decidido a libertar-se de sua carga, prosseguiu.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho, o que est� errado?</p><empty-line/><p>
  Porquinho olhou-o espantado.</p><empty-line/><p>
  � Voc� quer dizer o...</p><empty-line/><p>
  � N�o, isso n�o... Quero dizer... o que fez tudo acabar desse jeito?</p><empty-line/><p>
  Porquinho limpou os �culos devagar e pensou. Quando compreendeu at� que ponto Ralph estava aceitando-o, corou de orgulho.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei, Ralph. Acho que foi ele.</p><empty-line/><p>
  � Jack?</p><empty-line/><p>
  � Jack. � Essa palavra tamb�m estava virando tabu.</p><empty-line/><p>
  Ralph concordou solenemente.</p><empty-line/><p>
  � � � disse. � Acho que deve ser.</p><empty-line/><p>
  A floresta perto deles explodiu em rugidos. Figuras demon�acas com caras brancas, verdes e vermelhas avan�aram uivando e os pequenos fugiram, aos gritos. Com o canto do olho, Ralph viu Porquinho correndo. Duas figuras chegaram at� a fogueira e ele se preparou para se defender, mas elas pegaram ramos meio acesos e fugiram pela praia. As tr�s outras estavam paradas, olhando para Ralph, e ele viu que a mais alta delas, totalmente nua a n�o ser pela pintura e pela cinta, era Jack.</p><empty-line/><p>
  Ralph recobrou o f�lego e falou.</p><empty-line/><p>
  � E ent�o?</p><empty-line/><p>
  Jack ignorou-o, levantou a cabe�a e come�ou a gritar.</p><empty-line/><p>
  � Ou�am todos. Eu e meus ca�adores estamos morando na praia, junto a uma pedra chata. Ca�amos, fazemos festas e nos divertimos. Se voc�s quiserem entrar na minha tribo, v�o at� l�. Talvez eu os deixe entrar. Talvez n�o.</p><empty-line/><p>
  Parou e olhou em torno de si. Estava a salvo da vergonha ou da culpa sob a m�scara de pintura e p�de olh�-los, um de cada vez. Ralph estava ajoelhado perto dos restos da fogueira, como um corredor no ponto de largada, com o rosto meio escondido pelo cabelo e pela fuligem. Sameeric apareceram juntos, de detr�s de um tronco de palmeira no limiar da floresta. Um pequeno gritou, agachado e vermelho, perto da �piscina�, e Porquinho estava de p� na plataforma, com a concha branca nas m�os.</p><empty-line/><p>
  � Hoje � noite vamos fazer uma festa. Matamos um porco e temos carne. Podem vir comer conosco, se quiserem.</p><empty-line/><p>
  Nos desfiladeiros de nuvens, o trov�o rugiu de novo. Jack e os dois selvagens an�nimos estremeceram, olharam para cima e se tranquilizaram. O pequeno continuava gritando. Jack esperava alguma coisa. Cochichou urgentemente com os outros.</p><empty-line/><p>
  � V�o agora!</p><empty-line/><p>
  Os dois selvagens murmuraram. Jack falou asperamente.</p><empty-line/><p>
  Os dois se entreolharam, levantaram as lan�as juntos e falaram ao mesmo tempo.</p><empty-line/><p>
  � O chefe falou.</p><empty-line/><p>
  Ent�o os tr�s se viraram e correram para longe.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se olhando para onde eles haviam sumido. Sameeric vieram, falando num sussurro amedrontado.</p><empty-line/><p>
  � Pensei que fosse...</p><empty-line/><p>
  � ...e eu fiquei...</p><empty-line/><p>
  � ...com medo.</p><empty-line/><p>
  Porquinho ficou acima deles, ainda segurando a concha.</p><empty-line/><p>
  � Eram Jack, Maurice e Robert � disse Ralph. � N�o est�o se divertindo?</p><empty-line/><p>
  � Pensei que ia ter asma.</p><empty-line/><p>
  � Pro diabo com a sua asma!</p><empty-line/><p>
  � Quando vi Jack, tive certeza que ele vinha buscar a concha. N�o sei por qu�.</p><empty-line/><p>
  O grupo de meninos olhou com respeito afetuoso para a concha. Porquinho colocou-a nas m�os de Ralph e os pequenos, vendo o s�mbolo familiar, come�aram a voltar.</p><empty-line/><p>
  � Aqui n�o.</p><empty-line/><p>
  Virou-se para a plataforma, sentindo a necessidade de um ritual. Ralph subiu primeiro, abra�ando a concha, depois Porquinho, muito s�rio, os g�meos, os pequenos e os outros.</p><empty-line/><p>
  � Sentem-se todos. Atacaram-nos para pegar o fogo. Est�o se divertindo. Mas a...</p><empty-line/><p>
  Ralph espantou-se com a cortina que se movia na sua mente. Havia algo que queria dizer, mas a cortina descera.</p><empty-line/><p>
  � Mas a...</p><empty-line/><p>
  Olharam-no gravemente, ainda sem duvidar da sua capacidade. Ralph tirou o cabelo idiota dos olhos e olhou para Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Mas a... oh, a fogueira! Claro, a fogueira!</p><empty-line/><p>
  Come�ou a rir, prosseguindo ent�o de modo fluente outra vez.</p><empty-line/><p>
  � A fogueira � a coisa mais importante da ilha. Sem a fogueira, n�o poderemos ser salvos. Eu gostaria de me pintar para guerra e ser um selvagem. Mas precisamos deixar a fogueira acesa. A fogueira � a coisa mais importante da ilha, porque... porque...</p><empty-line/><p>
  Fez nova pausa e o sil�ncio se tornou cheio de d�vida e expectativa.</p><empty-line/><p>
  Porquinho sussurrou logo.</p><empty-line/><p>
  � Salvamento.</p><empty-line/><p>
  � Ah, �. Sem a fogueira n�o poderemos ser salvos. Ent�o devemos ficar junto da fogueira e fazer fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Quando acabou, ningu�m disse nada. Ap�s os v�rios discursos brilhantes que fizera nesse mesmo lugar, suas palavras pareceram insuficientes, mesmo para os pequenos.</p><empty-line/><p>
  Afinal, Bill estendeu as m�os para a concha.</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos ter a fogueira l� em cima... porque n�o... precisamos de mais gente para deix�-la acesa. Vamos � festa; diremos que � dif�cil para n�s cuidar da fogueira. E ca�ar, tudo isso � ser selvagem, quero dizer... deve ser bem divertido...</p><empty-line/><p>
  Sameeric pegaram a concha.</p><empty-line/><p>
  � Deve ser divertido como disse Bill... e ele nos convidou...</p><empty-line/><p>
  � ... para uma festa...</p><empty-line/><p>
  � ...carne...</p><empty-line/><p>
  � ... torresmos...</p><empty-line/><p>
  � ...gostaria de um pouco de carne...</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou a voz.</p><empty-line/><p>
  � Por que n�s n�o vamos arranjar carne?</p><empty-line/><p>
  Os g�meos entreolharam-se. Bill respondeu.</p><empty-line/><p>
  � N�o queremos entrar na selva.</p><empty-line/><p>
  Ralph fez uma careta.</p><empty-line/><p>
  � Ele... voc�s sabem... vai.</p><empty-line/><p>
  � � um ca�ador. Eles s�o ca�adores. � diferente.</p><empty-line/><p>
  Ningu�m falou por um momento, depois Porquinho resmungou para a areia.</p><empty-line/><p>
  � Carne...</p><empty-line/><p>
  Os pequenos sentaram-se, pensando gravemente na carne e nos torresmos. L� em cima, o canh�o soou de novo e as secas frondes de palmeiras estalaram sob uma s�bita rajada de vento quente.</p><p>� Voc� � um menininho bobo � disse o Senhor das Moscas �, s� um menininho ignorante e bobo.</p><empty-line/><p>
  Simon mexeu sua l�ngua inchada, mas n�o disse nada.</p><empty-line/><p>
  � N�o est� de acordo? � disse o Senhor das Moscas. � Voc� n�o � s� um menininho bobo?</p><empty-line/><p>
  Simon respondeu-lhe na mesma voz silenciosa.</p><empty-line/><p>
  � Bem � disse o Senhor das Moscas �, � melhor que v� embora, brincar com os outros. Acham que voc� n�o regula bem. Voc� n�o quer que Ralph ache isso, n�o �? Voc� gosta um bocado de Ralph, n�o �? E Porquinho, e Jack?</p><empty-line/><p>
  A cabe�a de Simon estava levemente voltada para cima. Os olhos n�o podiam se desviar e o Senhor das Moscas pairava no espa�o diante dele.</p><empty-line/><p>
  � Que est� fazendo aqui sozinho? N�o tem medo de mim?</p><empty-line/><p>
  Simon fez que n�o.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� ningu�m para ajudar voc�. S� eu. E eu sou o Bicho.</p><empty-line/><p>
  A boca de Simon torceu-se com esfor�o, produzindo palavras aud�veis.</p><empty-line/><p>
  � Uma cabe�a de porco numa vara.</p><empty-line/><p>
  � Que engra�ado achar que o Bicho � algo que podem ca�ar e matar! � disse a cabe�a. Por um instante, a floresta e todos os outros lugares indistintos ecoaram com a par�dia de uma gargalhada. � Voc� sabe, n�o �? Sou parte de voc�? Quase, quase, quase! Sou a raz�o por que ningu�m pode ir embora? Por que as coisas s�o o que s�o?</p><empty-line/><p>
  A risada irrompeu de novo.</p><empty-line/><p>
  � V� agora � disse o Senhor das Moscas. � Volte para junto dos outros e vamos esquecer tudo.</p><empty-line/><p>
  A cabe�a de Simon caiu. Seus olhos estavam meio fechados como se imitasse a coisa obscena na vara. Ele sabia que estava perto de um daqueles seus problemas. O Senhor das Moscas expandiu-se como um bal�o.</p><empty-line/><p>
  � Isso � rid�culo. Sabe perfeitamente bem que l� s� encontrar� a mim. Portanto, n�o tente escapar!</p><empty-line/><p>
  O corpo de Simon estava arqueado e tenso. O Senhor das Moscas falou com a voz de um professor.</p><empty-line/><p>
  � Isso j� foi longe demais. Minha pobre e desorientada crian�a, pensa que sabe mais do que eu?</p><empty-line/><p>
  Houve uma pausa.</p><empty-line/><p>
  � Estou avisando. Vou ficar bravo. V�? Voc� n�o � desejado. Entendeu? Vamos nos divertir nesta ilha. Entendeu? Vamos nos divertir nesta ilha! E n�o tente nada, meu pobre menino desorientado, sen�o...</p><empty-line/><p>
  Simon descobriu que estava olhando para uma boca escancarada. Havia uma coisa escura dentro, uma coisa escura que aumentava.</p><empty-line/><p>
  � Sen�o � disse o Senhor das Moscas �, vamos acabar com voc�. Entendeu? Jack, Roger, Maurice, Robert, Bill, Porquinho e Ralph. Acabar com voc�. Entendeu?</p><empty-line/><p>
  Simon estava dentro da boca. Caiu e perdeu a consci�ncia.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>9</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Vis�o de uma morte</strong></p><p>Sobre a ilha continuava a acumula��o de nuvens. Uma constante corrente de ar quente subiu o dia inteiro da montanha, chegando a uns tr�s mil metros; massas girat�rias de g�s fizeram crescer a est�tica at� que o ar estava pronto para explodir. No fim da tarde, o sol sumiu e um brilho met�lico tomou o lugar da clara luz do dia. At� o ar que vinha do mar era quente e n�o trazia qualquer frescor. As cores sumiram da �gua, das �rvores e das rosadas superf�cies de pedra, nuvens brancas e castanhas pairavam sobre a ilha.</p><empty-line/><p>
  Nada se desenvolvia ali, a n�o ser as moscas que escureciam seu senhor e faziam as entranhas espalhadas parecer um brilhante mont�o de carv�o. At� mesmo quando se rompeu uma veia no nariz de Simon e o sangue jorrou, elas o deixaram sozinho, preferindo o cheiro forte da porca.</p><empty-line/><p>
  Com o correr do sangue, o ataque de Simon transformou-se no cansa�o do sono. Dormiu no tapete de lianas enquanto a noite chegava e o canh�o continuava a troar. Por fim, acordou e viu indistintamente a terra escura perto da sua face. Ainda assim, n�o se mexeu, ficou l�, com o rosto de lado na terra, os olhos pesadamente fixos na frente. Virou-se, encolheu as pernas e se apoiou nas plantinhas para se levantar. Quando elas se mexeram, as moscas se irradiaram a partir das entranhas, com um som maligno, mas logo voltaram a pousar. Simon se levantou. A luz era sobrenatural. O Senhor das Moscas estava pendurado na sua vara como uma bola negra.</p><empty-line/><p>
  Simon falou alto para a clareira.</p><empty-line/><p>
  � Que mais se pode fazer?</p><empty-line/><p>
  N�o houve resposta. Simon afastou-se da clareira e se enfiou pelas trepadeiras at� chegar � escurid�o da floresta. Andou sombriamente por entre os troncos, um rosto inexpressivo, com sangue seco em volta da boca e do queixo. S� �s vezes, quando afastava para o lado os cip�s pendentes e escolhia seu rumo segundo a inclina��o do solo, � que dizia coisas que n�o chegavam ao ar.</p><empty-line/><p>
  Os cip�s j� n�o engalanavam tanto as �rvores e surgiu uma luz branca do c�u por entre as copas. Era a espinha dorsal da ilha, o terreno levemente mais alto que ficava sob a montanha, l� onde a floresta n�o era mais uma mata cerrada. Aqui havia amplos espa�os entremeados com moitas e �rvores enormes. O ch�o subia � medida que a floresta se abria. Continuou em frente, cambaleando �s vezes de cansa�o, mas nunca parando. O brilho habitual sumira de seus olhos e ele andava com uma esp�cie de determina��o displicente, como um velho.</p><empty-line/><p>
  Uma rajada de vento fez com que titubeasse, percebendo que estava ao ar livre, sobre pedra e sob um c�u met�lico. Viu que suas pernas estavam fracas e que sua l�ngua do�a o tempo todo. Quando o vento chegou ao cume da montanha, algo aconteceu: um r�pido irromper de azul contra nuvens escuras. Adiantou-se, enquanto o vento soprava novamente, mais forte, inclinando as copas da floresta, e elas se dobraram e rugiram. Simon viu uma coisa encurvada sentar de repente no cimo e olhar para baixo, para ele. Escondeu o rosto e continuou subindo.</p><empty-line/><p>
  As moscas tamb�m haviam achado a figura. O movimento quase de coisa viva assustou-as por um momento e elas fizeram uma nuvem escura ao redor da cabe�a. Depois, ao cair o tecido azul do paraquedas, a figura corpulenta inclinou-se para a frente, suspirando, e as moscas pousaram novamente.</p><empty-line/><p>
  Simon sentiu os joelhos baterem numa pedra. Foi em frente e logo compreendeu. A confus�o das cordas mostrou-lhe qual era a mec�nica dessa par�dia; examinou os brancos ossos do nariz, dos dentes, as cores da decomposi��o. Viu como a borracha e a lona sustentavam impiedosamente o pobre cad�ver que deveria estar apodrecendo em outra parte. Ent�o o vento soprou de novo e a figura se levantou, inclinou-se e lan�ou em sua dire��o um cheiro f�tido. Simon ficou de quatro e vomitou at� sentir o est�mago vazio. Pegou as cordas e as soltou das pedras, libertando a figura da indignidade do vento.</p><empty-line/><p>
  Enfim, virou-se e olhou para a praia l� embaixo. A fogueira na plataforma parecia ter-se apagado, ou pelo menos n�o estar mais soltando fuma�a. Mais al�m, na praia, ap�s o riozinho e perto de um grande bloco de pedra, um fiozinho de fuma�a subia para o c�u. Sem ligar para as moscas, Simon protegeu os olhos com as m�os e fixou a fuma�a. Mesmo �quela dist�ncia, era poss�vel ver que a maioria dos meninos � talvez todos � estavam ali. Ent�o haviam mudado de acampamento, para longe do bicho. Quando Simon pensou nisso, virou-se para a pobre coisa arruinada que fedia, sentada ao seu lado. O bicho era inofensivo e horr�vel; os outros deveriam saber disso o mais depressa poss�vel.</p><empty-line/><p>
  Come�ou a descer a montanha e suas pernas se dobraram. Mesmo com muito esfor�o, s� conseguia cambalear.</p><p>� Vou tomar um banho � disse Ralph �, � a �nica coisa a fazer.</p><empty-line/><p>
  Porquinho examinou o c�u nublado atrav�s de sua lente.</p><empty-line/><p>
  � N�o estou gostando dessas nuvens; lembra-se como chovia quando chegamos aqui?</p><empty-line/><p>
  � Vai chover outra vez.</p><empty-line/><p>
  Ralph mergulhou na �piscina�. Um par de pequenos brincava na borda, tentando consolar-se com aquela umidade mais quente que o sangue. Porquinho tirou os �culos, ap�s enfiar um p� meticulosamente na �gua, depois recolocou-os...</p><empty-line/><p>
  Ralph surgiu na superf�cie e jogou-lhe um jato de �gua.</p><empty-line/><p>
  � Cuidado com meus �culos � disse Porquinho. � Se cair �gua no vidro, terei de sair para limp�-lo.</p><empty-line/><p>
  Ralph jogou mais �gua e errou. Riu para Porquinho, esperando que ele se retirasse humildemente como das outras vezes, com um sil�ncio magoado. Mas Porquinho come�ou a bater as m�os na �gua.</p><empty-line/><p>
  � Pare! � gritou. � Ouviu?</p><empty-line/><p>
  Furioso, jogou �gua no rosto de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Certo, certo � disse Ralph. � Calma!</p><empty-line/><p>
  Porquinho parou de bater na �gua.</p><empty-line/><p>
  � Estou com dor de cabe�a. Gostaria que estivesse mais fresco.</p><empty-line/><p>
  � Eu gostaria que chovesse logo.</p><empty-line/><p>
  � Eu gostaria de ir para casa.</p><empty-line/><p>
  Porquinho deitou-se de costas na ascendente borda de areia da �piscina�. Sua barriga salientou-se e a �gua logo secou sobre ela.</p><empty-line/><p>
  Ralph jogou um jato de �gua para cima. Podia-se seguir o movimento do sol pela marcha da claridade entre as nuvens. Ajoelhou-se na �gua e olhou em volta.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� todo mundo?</p><empty-line/><p>
  Porquinho sentou-se.</p><empty-line/><p>
  � Talvez estejam deitados nas cabanas.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� Sameeric?</p><empty-line/><p>
  � E Bill?</p><empty-line/><p>
  Porquinho apontou para al�m da plataforma.</p><empty-line/><p>
  � Foram para l�. Para a festa de Jack.</p><empty-line/><p>
  � Deixe-os ir � disse Ralph, inquieto. � N�o me importo.</p><empty-line/><p>
  � Por um pouquinho de carne...</p><empty-line/><p>
  � E para ca�ar � disse Ralph, compreensivo �, para fingir que s�o de uma tribo e usar pintura de guerra.</p><empty-line/><p>
  Porquinho mexeu a areia sob a �gua e n�o olhou para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Talvez tamb�m dev�ssemos ir.</p><empty-line/><p>
  Ralph fixou-o rapidamente e Porquinho corou.</p><empty-line/><p>
  � �, s�... s� para garantirmos que nada vai acontecer.</p><empty-line/><p>
  Ralph lan�ou outro jato.</p><empty-line/><p>
  Muito antes de Ralph e Porquinho chegarem ao grupo de Jack, puderam ouvir os barulhos da festa. Havia uma extens�o gramada num lugar em que as palmeiras deixavam um amplo espa�o de vegeta��o rasteira surgir entre a floresta e a praia. A um passo abaixo do limite desse espa�o, ficava a areia branca e solta, onde n�o chegava a mar�, quente, seca e agora cheia de pegadas.</p><empty-line/><p>
  Depois, havia uma pedra que avan�ava pela lagoa. Mais al�m, uma curta faixa de areia e a beira da �gua. Havia uma fogueira numa pedra e gordura pingando da carne de porco assado nas chamas invis�veis. Todos os meninos da ilha, menos Porquinho, Ralph, Simon e os dois que cuidavam do porco, estavam reunidos na grama. Riam, cantavam, deitados, acocorados ou de p�, com comida nas m�os. Mas a julgar pelas caras lambuzadas, j� haviam quase acabado de comer a carne. Alguns seguravam cascas de coco e bebiam. Antes de come�ar a festa, haviam arrastado um grande tronco para o centro do gramado. Jack, pintado e cheio de grinaldas, estava sentado ali, como um �dolo. Havia pilhas de carne perto dele, sobre folhas verdes, al�m de frutas e cascas de coco cheias de �gua.</p><empty-line/><p>
  Porquinho e Ralph chegaram � beirada da plataforma gramada e os meninos, ao v�-los, calaram-se um a um at� que s� o menino ao lado de Jack � que continuou falando. Da�, o sil�ncio chegou at� ali e Jack se virou no seu assento. Olhou-os por um momento e o crepitar da fogueira tornou-se o ru�do mais alto, sobrepondo-se apenas ao som grave do recife.</p><empty-line/><p>
  Ralph desviou o olhar. Sam, pensando que Ralph virara-se para ele, acusadoramente, p�s de lado um osso ro�do, com uma risadinha nervosa. Ralph deu um passo hesitante, apontou para uma palmeira e cochichou algo inaud�vel para Porquinho e os dois riram igual a Sam. Ralph andava com dificuldade pela areia, levantando bastante os p�s. Porquinho tentou assobiar.</p><empty-line/><p>
  Neste instante, os meninos que estavam cozinhando na fogueira cortaram um bom peda�o de carne e correram com ele para a praia. Chocaram-se com Porquinho, queimando-o, e Porquinho come�ou a gritar e pular. Imediatamente, Ralph e todos os meninos uniram-se, aliviados, numa tempestade de gargalhadas. Novamente, Porquinho era o centro da zombaria comum, de modo que todo mundo se sentiu contente e normal.</p><empty-line/><p>
  Jack levantou-se e brandiu a lan�a.</p><empty-line/><p>
  � Um pouco de carne para eles.</p><empty-line/><p>
  Os meninos que cozinhavam deram a Ralph e a Porquinho suculentos peda�os. Eles pegaram o presente, com as bocas cheias de �gua. Comeram de p�, sob um c�u trovejante e met�lico que ressoava � aproxima��o da tempestade.</p><empty-line/><p>
  Jack brandiu a lan�a outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Todo mundo comeu quanto quis?</p><empty-line/><p>
  Ainda havia comida chiando nos espetos, amontoada nas travessas verdes. Tra�do pelo est�mago, Porquinho jogou um osso limpo para a praia e se aproximou, querendo mais.</p><empty-line/><p>
  Jack falou de novo, impaciente.</p><empty-line/><p>
  � Todo mundo comeu quanto quis?</p><empty-line/><p>
  Sua voz ocultava uma advert�ncia, nascida do orgulho da propriedade, e os meninos comeram depressa, enquanto ainda havia tempo. Vendo que dificilmente iria haver uma pausa imediata, Jack levantou-se do tronco-trono e passeou pela beirada da grama. Olhou, por tr�s da sua pintura, para Ralph e Porquinho. Eles recuaram um pouco pela areia e Ralph ficou fixando a fogueira enquanto comia. Percebeu, sem compreender, como agora as chamas estavam vis�veis sob a luz opaca. A noite chegara, n�o com uma beleza calma, mas com a amea�a da viol�ncia.</p><empty-line/><p>
  Jack falou.</p><empty-line/><p>
  � �gua.</p><empty-line/><p>
  Henry trouxe um coco e ele bebeu, olhando Porquinho e Ralph por sobre a borda melada. O poder repousava nos m�sculos bronzeados dos seus antebra�os; nos ombros pesava-lhe um arremedo de autoridade a cochichar-lhe ao ouvido.</p><empty-line/><p>
  � Sentem-se todos.</p><empty-line/><p>
  Os meninos arrumaram-se em filas na grama � frente dele, mas Ralph e Porquinho ficaram um pouquinho para baixo, de p� na areia macia. Jack ignorou-os por enquanto, virou a m�scara para os meninos sentados e apontou-lhes a lan�a.</p><empty-line/><p>
  � Quem quer entrar para minha tribo?</p><empty-line/><p>
  Ralph fez um movimento brusco que virou um trope��o. Alguns dos meninos viraram-se para ele.</p><empty-line/><p>
  � Eu lhes dei comida � disse Jack �, e meus ca�adores v�o proteg�-los do bicho. Quem quer entrar para minha tribo?</p><empty-line/><p>
  � Eu sou chefe � disse Ralph �, porque voc�s me escolheram. E ir�amos manter a fogueira acesa. Mas todos fugiram para comer...</p><empty-line/><p>
  � Voc� tamb�m! � gritou Jack. � Vejam o osso nas m�os dele!</p><empty-line/><p>
  Ralph ficou vermelho.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse que voc�s eram ca�adores. � o trabalho de voc�s.</p><empty-line/><p>
  Jack ignorou-o de novo.</p><empty-line/><p>
  � Quem quer entrar para minha tribo e se divertir?</p><empty-line/><p>
  � Eu sou o chefe � disse Ralph, tr�mulo. � E a fogueira? Tenho a concha...</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o a trouxe � disse Jack, com desprezo. Voc� a deixou para tr�s. Viu, espertinho? E a concha n�o vale nesta parte da ilha...</p><empty-line/><p>
  Neste instante, soou um trov�o. Em vez do som surdo, houve o impacto de uma explos�o.</p><empty-line/><p>
  � A concha vale aqui tamb�m � disse Ralph. � Na ilha inteira.</p><empty-line/><p>
  � E de que adianta isso para voc�?</p><empty-line/><p>
  Ralph examinou as fileiras de meninos. Eles n�o ofereciam ajuda; desviou o olhar, confuso e suado. Porquinho cochichou.</p><empty-line/><p>
  � A fogueira... salvamento.</p><empty-line/><p>
  � Quem quer entrar para minha tribo?</p><empty-line/><p>
  � Eu.</p><empty-line/><p>
  � Eu.</p><empty-line/><p>
  � Eu.</p><empty-line/><p>
  � Vou soprar a concha � disse Ralph, sem f�lego � e fazer uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  � N�o vamos ouvir.</p><empty-line/><p>
  Porquinho tocou o pulso de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Venha. Vai haver confus�o. E n�s j� comemos.</p><empty-line/><p>
  Houve uma fa�sca de luz brilhante al�m da floresta e o trov�o explodiu de novo. Um pequeno come�ou a choramingar. Grandes gotas de chuva ca�ram entre eles, produzindo sons isolados ao chegar ao ch�o.</p><empty-line/><p>
  � Vai haver uma tempestade � disse Ralph �, e vai chover como quando chegamos. Quem � o espertinho agora? Onde est�o suas cabanas? O que voc� vai fazer agora?</p><empty-line/><p>
  Os ca�adores olhavam inquietos para o c�u, vacilando sob os pingos. Uma onda de intranquilidade fez os meninos se agitarem e andarem sem rumo. A luz indecisa tornou-se mais clara e a trovoada era insuport�vel. Os pequenos come�aram a correr, gritando.</p><empty-line/><p>
  Jack pulou na areia.</p><empty-line/><p>
  � A dan�a! Vamos! Dancem!</p><empty-line/><p>
  Correu, trope�ando pela areia funda at� o espa�o de pedra al�m da fogueira. Entre os raios, o ar estava escuro e terr�vel; os meninos seguiram-no aos gritos. Roger tornou-se o porco, guinchando e investindo contra Jack, que se desviou. Os ca�adores pegaram as lan�as, os cozinheiros seguraram seus espetos e os outros, peda�os de lenha. Come�ou o canto e um movimento de cerco. Enquanto Roger imitava o terror do porco, os pequenos corriam e saltavam fora do c�rculo. Porquinho e Ralph, sob a amea�a do c�u, sentiam-se ansiosos para tomar parte nessa sociedade demente, mas parcialmente segura. Gostariam de tocar os ombros bronzeados no c�rculo, que encerrava o terror e o domava.</p><empty-line/><p>
  Matem o bicho! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  O movimento tornou-se regular, o canto perdia sua excita��o inicial e superficial, e se tornava compassado como um firme pulsar. Roger parou de ser o porco e virou um ca�ador, deixando vazio o centro do c�rculo. Alguns dos pequenos fizeram um c�rculo pr�prio e os c�rculos complementares se fecharam e giraram, como se a repeti��o pudesse extrair seguran�a de si pr�pria. Era como a pulsa��o e a agita��o de um �nico organismo.</p><empty-line/><p>
  O c�u escuro foi fendido por uma cicatriz branco-azulada. Um momento ap�s, o barulho estava sobre eles, como o golpe de um chicote gigantesco. O canto subiu de tom, agonizando.</p><empty-line/><p>
  Matem o bicho! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  Agora, do terror, irrompeu outro desejo, denso, urgente, cego.</p><empty-line/><p>
  Matem o bicho! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  De novo, a cicatriz branco-azulada abriu-se sobre eles e a explos�o sulfurosa desabou. Os pequenos gritaram e correram loucamente, fugindo da beira da floresta; um deles, de puro pavor, chegou a romper o c�rculo dos grandes.</p><empty-line/><p>
  � � Ele! � Ele!</p><empty-line/><p>
  O c�rculo tornou-se uma ferradura. Uma coisa rastejava para fora da floresta. Era escura, indefinida. O grito agudo que surgiu ante o bicho parecia de dor. O bicho precipitou-se na ferradura.</p><empty-line/><p>
  Matem o bicho! Cortem a garganta! Tirem o sangue! Acabem com ele!</p><empty-line/><p>
  As lan�as ca�ram e a boca do novo c�rculo tremulou e gritou. O bicho estava de joelhos no centro, os bra�os levantados sobre o rosto. Gritava � contra o ru�do abomin�vel � algo sobre um cad�ver na montanha. O bicho tentou avan�ar, rompeu o c�rculo e caiu do lado �ngreme da pedra, na areia � beira da �gua. Imediatamente, todos o seguiram correndo, saltando da pedra, pulando no bicho, gritando, golpeando, mordendo, rasgando. N�o havia palavras, nem movimentos al�m do ataque dos dentes e das garras.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, as nuvens se abriram e a chuva caiu como uma cachoeira. A �gua despejou-se do cimo da montanha, arrancou folhas e ramos das �rvores, caiu como uma ducha fria na massa que lutava na areia. A massa se rompeu, algumas figuras se afastaram dela. S� o bicho ficou im�vel, a poucos metros do mar. At� sob a chuva podiam ver como o bicho era pequeno: seu sangue j� estava manchando a areia.</p><empty-line/><p>
  Um vento forte levou a chuva para um lado e para o outro, fazendo a �gua cascatear nas �rvores da floresta. No cimo da montanha, o paraquedas inchou-se, mexeu-se: a figura resvalou, ficou de p�, girou, desceu, oscilando, na vastid�o do ar chuvoso e ro�ou com seus p�s inertes as copas das �rvores mais altas; caindo, caindo sempre, rumou para a praia e os meninos fugiram, gritando na escurid�o. O paraquedas levou a figura para a frente, abrindo um sulco na lagoa e a fez passar por cima do recife, mar afora.</p><p>Por volta da meia-noite, a chuva parou, as nuvens sumiram, o c�u se encheu novamente com as incr�veis l�mpadas das estrelas. O vento tamb�m amainou e o �nico barulho era o das gotas e fios de �gua que corriam pelas gretas e ca�am, pingo a pingo, na terra marrom da ilha. O ar estava frio, �mido e limpo; afinal, at� o barulho da �gua parou. O bicho jazia abatido na praia p�lida e as manchas aumentaram, cent�metro a cent�metro.</p><empty-line/><p>
  A beira da lagoa tornou-se uma faixa fosforescente que avan�ava aos poucos, � medida que flu�a a grande onda da mar�. A �gua clara refletia o c�u claro e as brilhantes constela��es angulares. A linha de fosforesc�ncias enfiou-se pelos gr�os de areia e pequenos seixos; sustentou-os numa ondula��o de tens�o, depois aceitou-os subitamente com uma s�laba inaud�vel e prosseguiu.</p><empty-line/><p>
  Ao longo da linha de charcos da costa, a claridade progressiva estava cheia de estranhas criaturas de corpos banhados de luar, com olhos ardentes. Aqui e ali uma pedrinha maior cobria-se com um manto de p�rolas. A mar� subia sobre a areia marcada pela chuva e suavizava tudo com uma camada de prata. Tocou a primeira das manchas que se originavam no corpo dilacerado e as criaturas formaram uma silhueta m�vel de luz enquanto se reuniam na beira da �gua. A mar� subiu mais e vestiu com seu brilho o cabelo crespo de Simon. A linha da sua face ficou de prata e a curva do seu ombro tornou-se m�rmore esculpido. As estranhas e expectantes criaturas, com seus olhos ardentes e rastejando entre o vapor, atarefavam-se em volta da cabe�a. O corpo subiu a uma fra��o de cent�metro do ch�o e uma bolha de ar escapou da boca com um �plop� �mido. Depois, virou-se suavemente na �gua.</p><empty-line/><p>
  Em alguma parte sobre a curva escurecida do mundo, o sol e a lua estavam agindo. A camada de �gua sobre o planeta cresceu, inchando ligeiramente num lado, enquanto o n�cleo s�lido girava. A grande onda da mar� avan�ou ilha adentro e a �gua subiu. Lentamente, cercado por uma franja de inquisitivas criaturas brilhantes, ele pr�prio uma forma prateada sob as imut�veis constela��es, o corpo morto de Simon moveu-se rumo ao alto-mar.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>10</strong></p><empty-line/><p><strong>
  A concha e os �culos</strong></p><p>Porquinho olhou cuidadosamente para a figura que avan�ava. Agora, estava percebendo que via mais claramente se tirasse os �culos e colocasse a �nica lente no outro olho; mas, mesmo pelo olho bom, ap�s o que acontecera, Ralph continuava inconfundivelmente Ralph. Saiu dos coqueiros, mancando, sujo, com folhas mortas presas na massa de cabelo louro. Um dos olhos era uma fenda na face inchada e havia uma grande casca de ferida no joelho direito. Parou um instante e fixou a figura na plataforma.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho? S� ficou voc�?</p><empty-line/><p>
  � H� alguns pequenos.</p><empty-line/><p>
  � N�o contam. Nenhum grande?</p><empty-line/><p>
  � Oh... Sameeric. Foram pegar madeira.</p><empty-line/><p>
  � Ningu�m mais?</p><empty-line/><p>
  � N�o que eu saiba.</p><empty-line/><p>
  Ralph subiu cuidadosamente para a plataforma. A grama murcha ainda aparecia onde costumava haver reuni�es; a fr�gil concha branca ainda brilhava no assento polido. Ralph sentou-se na grama diante do lugar do chefe e da concha. Porquinho agachou-se ao seu lado e houve um longo momento de sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  Afinal, Ralph limpou a garganta e sussurrou algo.</p><empty-line/><p>
  Porquinho sussurrou de volta.</p><empty-line/><p>
  � O que voc� disse?</p><empty-line/><p>
  Ralph falou.</p><empty-line/><p>
  � Simon.</p><empty-line/><p>
  Porquinho n�o disse nada, mas assentiu, gravemente. Continuaram sentados ali, contemplando, sem ver, o lugar do chefe e a lagoa brilhante. A luz verde e as lustrosas manchas de sol brincavam nos seus corpos sujos.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se e foi at� onde estava a concha. Pegou-a, acariciando-a com as duas m�os e se ajoelhou, apoiado no tronco.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho?</p><empty-line/><p>
  � Hum?</p><empty-line/><p>
  � Que vamos fazer?</p><empty-line/><p>
  Porquinho mostrou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Voc� poderia...</p><empty-line/><p>
  � Fazer uma reuni�o?</p><empty-line/><p>
  Ralph riu asperamente ao dizer isto e Porquinho franziu a testa.</p><empty-line/><p>
  � Voc� ainda � o chefe.</p><empty-line/><p>
  Ralph riu novamente.</p><empty-line/><p>
  � Voc� �. O nosso.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Pare de rir desse jeito! N�o � preciso, Ralph! O que os outros iriam pensar?</p><empty-line/><p>
  Ralph parou, afinal. Tremia.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Hum?</p><empty-line/><p>
  � Era Simon.</p><empty-line/><p>
  � Voc� j� disse isso.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Hum?</p><empty-line/><p>
  � Foi um assassinato.</p><empty-line/><p>
  � Pare com isso! � disse Porquinho, agudamente. � Que adianta ficar falando assim?</p><empty-line/><p>
  Pulou de p� e olhou para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Estava escuro. Havia aquela... aquela dan�a sanguin�ria. Havia raios, trov�es, chuva. Est�vamos com medo!</p><empty-line/><p>
  � Eu estava com medo � disse Ralph, devagar. � Eu estava... sei l� como estava!</p><empty-line/><p>
  � Est�vamos com medo! � disse Porquinho, excitado. � Poderia acontecer qualquer coisa. N�o foi... o que voc� disse.</p><empty-line/><p>
  Gesticulou, procurando o que dizer.</p><empty-line/><p>
  � Oh, Porquinho!</p><empty-line/><p>
  A voz de Ralph, baixa e magoada, deteve os gestos de Porquinho. Ele se inclinou e esperou. Ralph, balan�ando a concha, fez um movimento de vaiv�m.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o compreende, Porquinho? O que fizemos...</p><empty-line/><p>
  � Ele ainda deve estar...</p><empty-line/><p>
  � N�o.</p><empty-line/><p>
  � Talvez s� estivesse fingindo...</p><empty-line/><p>
  A voz de Porquinho morreu ante a express�o de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Voc� estava de fora. Fora do c�rculo. Nunca entrou mesmo. N�o viu o que n�s... o que eles fizeram?</p><empty-line/><p>
  Havia repugn�ncia na sua voz e, ao mesmo tempo, uma esp�cie de ardente excita��o.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o viu, Porquinho?</p><empty-line/><p>
  � N�o muito bem. Agora s� tenho um olho. Voc� deveria saber disso, Ralph.</p><empty-line/><p>
  Ralph continuou no seu vaiv�m.</p><empty-line/><p>
  � Foi um acidente � disse Porquinho, de repente. � Foi isso, um acidente. � Sua voz ficou aguda outra vez. � Veio do escuro... n�o tinha por que ficar arrastando-se daquele jeito no escuro. Ele n�o regulava bem. Foi culpa dele. Fez grandes gestos.</p><empty-line/><p>
  � Foi um acidente.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o viu o que fizeram...</p><empty-line/><p>
  � Olhe, Ralph. Vamos esquecer isso. N�o ganharemos nada pensando nisso, n�o �?</p><empty-line/><p>
  � Estou apavorado. Conosco. Quero ir para casa. Meu Deus, quero ir para casa.</p><empty-line/><p>
  � Foi um acidente � disse Porquinho teimosamente �, foi tudo.</p><empty-line/><p>
  Tocou no ombro nu de Ralph e este tremeu ao contato humano.</p><empty-line/><p>
  � E, Ralph � Porquinho olhou em volta, rapidamente, depois se inclinou mais para perto �, n�o vamos dizer que estivemos naquela dan�a. N�o para Sameeric.</p><empty-line/><p>
  � Mas estivemos! N�s todos!</p><empty-line/><p>
  Porquinho sacudiu a cabe�a.</p><empty-line/><p>
  � S� no fim. Ningu�m viu, no escuro. De qualquer forma, voc� disse que eu estava de fora...</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m � resmungou Ralph �, eu estava de fora tamb�m.</p><empty-line/><p>
  Porquinho concordou ansiosamente.</p><empty-line/><p>
  � Viveremos sozinhos, n�s quatro...</p><empty-line/><p>
  � N�s quatro. N�o somos bastantes para deixar a fogueira acesa.</p><empty-line/><p>
  � Tentaremos. Viu? Vou acender.</p><empty-line/><p>
  Sameeric vieram arrastando um grande tronco para fora da floresta. Jogaram-no junto da fogueira e se viraram para a �piscina�. Ralph ficou de p�, num salto.</p><empty-line/><p>
  � Ei, voc�s dois!</p><empty-line/><p>
  Os g�meos pararam um instante, depois se aproximaram.</p><empty-line/><p>
  � Eles v�o tomar banho, Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Melhor esclarecer tudo j�.</p><empty-line/><p>
  Os g�meos estavam muito surpreendidos por ver Ralph. Ficaram corados e olharam al�m dele, para o ar.</p><empty-line/><p>
  � Ol�. Que bom ver voc�, Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Est�vamos na floresta...</p><empty-line/><p>
  � ...pegando lenha para a fogueira...</p><empty-line/><p>
  � ...nos perdemos ontem � noite.</p><empty-line/><p>
  Ralph examinou seus dedos dos p�s.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s se perderam depois da...</p><empty-line/><p>
  Porquinho limpou os �culos.</p><empty-line/><p>
  � Depois da festa � disse Sam, numa voz abafada. Eric concordou. � �, depois da festa.</p><empty-line/><p>
  � N�s fomos embora logo � disse Porquinho rapidamente �, porque est�vamos cansados.</p><empty-line/><p>
  � N�s tamb�m...</p><empty-line/><p>
  � ...logo, logo...</p><empty-line/><p>
  � ...est�vamos muito cansados.</p><empty-line/><p>
  Sam tocou um arranh�o que tinha na testa e tirou vivamente a m�o dali. Eric passou um dedo pelo l�bio partido.</p><empty-line/><p>
  � �. Est�vamos muito cansados � repetiu Sam �, e fomos embora logo. Estava boa a...</p><empty-line/><p>
  O ar estava carregado do conhecimento inomin�vel. Sam estremeceu e a palavra obscena escapou dele. � ...dan�a?</p><empty-line/><p>
  A lembran�a da dan�a que nenhum deles havia visto atingiu-os convulsivamente.</p><empty-line/><p>
  � Fomos embora logo.</p><p>Quando Roger chegou ao istmo de terra que ligava o Castelo de Pedra � ilha, n�o se surpreendeu ao ser detido. Contara, durante a terr�vel noite, encontrar pelo menos alguns da tribo no lugar mais seguro, protegendo-se dos horrores da ilha.</p><empty-line/><p>
  A voz irrompeu asperamente l� de cima, onde as pedras cada vez menores equilibravam-se umas nas outras.</p><empty-line/><p>
  � Alto! Quem �?</p><empty-line/><p>
  � Roger.</p><empty-line/><p>
  � Pode vir, amigo.</p><empty-line/><p>
  Roger avan�ou.</p><empty-line/><p>
  � Voc� podia ver quem eu era.</p><empty-line/><p>
  � O chefe disse para perguntar a todo mundo.</p><empty-line/><p>
  Roger deu uma olhada.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s n�o poderiam me parar se eu quisesse ir em frente.</p><empty-line/><p>
  � N�o? Suba aqui e veja.</p><empty-line/><p>
  Roger subiu a escarpa que parecia ter degraus.</p><empty-line/><p>
  � Veja s�.</p><empty-line/><p>
  Um tronco fora colocado sob a pedra mais alta e havia outro como ponto de apoio. Robert inclinou-se levemente sobre este e a pedra rangeu. Um esfor�o decidido faria a pedra cair, trovejando, at� o istmo. Roger observou admirado.</p><empty-line/><p>
  � � um chefe legal, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Robert fez que sim.</p><empty-line/><p>
  � Ele vai nos levar para ca�ar.</p><empty-line/><p>
  Sacudiu a cabe�a na dire��o das cabanas distantes, onde um fio de fuma�a branca subia para o c�u. Roger, sentado na beirada da escarpa, olhou sombriamente para a ilha, enquanto mexia com os dedos num dente amolecido. Seu olhar perdeu-se no cimo da distante montanha e Robert evitou o assunto inomin�vel.</p><empty-line/><p>
  � Ele vai bater em Wilfred.</p><empty-line/><p>
  � Por qu�?</p><empty-line/><p>
  Robert sacudiu a cabe�a, em d�vida.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei. Ele n�o disse. Ficou com raiva e nos mandou amarrar Wilfred. Ele ficou... � deu uma risadinha de excita��o � ele ficou amarrado v�rias horas, esperando...</p><empty-line/><p>
  � Mas o chefe n�o disse a raz�o?</p><empty-line/><p>
  � Eu n�o ouvi.</p><empty-line/><p>
  Sentado nas enormes pedras sob o sol t�rrido, Roger recebeu essa not�cia como uma ilumina��o. Parou de mexer no dente e ficou ali, assimilando as possibilidades da autoridade irrespons�vel. Ent�o, sem uma palavra, desceu para tr�s das pedras, na dire��o da caverna e do resto da tribo.</p><empty-line/><p>
  O chefe estava sentado ali, de peito nu, com o rosto pintado de branco e vermelho. A tribo estava num semic�rculo � sua frente. Wilfred, que acabara de apanhar e j� estava livre, fungava ruidosamente no fundo. Roger uniu-se aos outros, de c�coras.</p><empty-line/><p>
  � Amanh� � disse o chefe �, vamos ca�ar outra vez.</p><empty-line/><p>
  Apontou para um ou outro selvagem com a lan�a.</p><empty-line/><p>
  � Alguns de voc�s ficar�o aqui para melhorar a caverna e defender a entrada. Vou levar poucos ca�adores comigo e trazer carne. Os defensores da porta n�o deixar�o os outros entrar...</p><empty-line/><p>
  Um selvagem levantou a m�o e o chefe virou um rosto pintado e g�lido para ele.</p><empty-line/><p>
  � Por que eles iriam tentar entrar, chefe?</p><empty-line/><p>
  O chefe foi vago, mas s�rio.</p><empty-line/><p>
  � Eles tentar�o. Tentar�o estragar as coisas que fazemos. Os guardas da entrada precisar�o tomar muito cuidado. E al�m...</p><empty-line/><p>
  O Chefe ficou quieto. Viram um tri�ngulo de rosa espantoso surgir, passar pelos seus l�bios e sumir.</p><empty-line/><p>
  � ...e, al�m disso, o bicho pode tentar entrar. Lembrem-se como ele se arrastava...</p><empty-line/><p>
  O semic�rculo estremeceu e resmungou, concordando.</p><empty-line/><p>
  � Ele veio... disfar�ado. Pode vir outra vez, embora n�s tenhamos dado a ele a cabe�a da nossa ca�a. Vigiem e tenham cuidado.</p><empty-line/><p>
  Stanley levantou o antebra�o da pedra e apontou para cima um dedo interrogativo.</p><empty-line/><p>
  � Que �?</p><empty-line/><p>
  � Mas n�s n�o, n�s n�o...?</p><empty-line/><p>
  Retorceu-se e baixou os olhos.</p><empty-line/><p>
  � N�o!</p><empty-line/><p>
  No sil�ncio que se seguiu, cada selvagem escapou da sua mem�ria individual.</p><empty-line/><p>
  � N�o! Como poder�amos... matar... ele?</p><empty-line/><p>
  Meio aliviados, meio apavorados pela possibilidade de novos terrores, os selvagens ficaram murmurando outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Vamos deixar a montanha de lado � disse o chefe solenemente �, e dar a ele a cabe�a do que matarmos.</p><empty-line/><p>
  Stanley levantou o dedo de novo.</p><empty-line/><p>
  � Acho que o bicho se disfar�a sozinho.</p><empty-line/><p>
  � Talvez � disse o chefe. Uma especula��o teol�gica surgia a�. � De qualquer modo, � melhor ficarmos do lado dele. N�o sabemos o que pode fazer.</p><empty-line/><p>
  A tribo considerou isto e se abateu como sob uma rajada de vento. O chefe viu os efeitos das suas palavras e parou de repente.</p><empty-line/><p>
  � Mas amanh� vamos ca�ar e, quando tivermos carne, faremos uma festa...</p><empty-line/><p>
  Bill levantou a m�o.</p><empty-line/><p>
  � Chefe.</p><empty-line/><p>
  � Sim?</p><empty-line/><p>
  � Que vamos usar para acender o fogo?</p><empty-line/><p>
  O rubor do chefe foi oculto pela argila branca e vermelha. No sil�ncio incerto, a tribo come�ou a murmurar outra vez. Ent�o, o chefe levantou a m�o.</p><empty-line/><p>
  � Vamos pegar o fogo dos outros. Ou�am. Amanh� vamos ca�ar e arranjar carne. Hoje � noite irei com dois ca�adores... quem?</p><empty-line/><p>
  Maurice e Roger levantaram as m�os.</p><empty-line/><p>
  � Maurice...</p><empty-line/><p>
  � Sim, chefe.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� a fogueira deles?</p><empty-line/><p>
  � No mesmo lugar, perto da pedra do fogo.</p><empty-line/><p>
  O chefe concordou.</p><empty-line/><p>
  � Os outros podem dormir assim que o sol sumir. Mas n�s tr�s, Maurice, Roger e eu, temos o que fazer. Vamos partir antes do crep�sculo...</p><empty-line/><p>
  Maurice levantou a m�o.</p><empty-line/><p>
  � Mas e se encontrarmos...</p><empty-line/><p>
  O chefe p�s a obje��o de lado.</p><empty-line/><p>
  � Vamos pela areia. E se ele vier, faremos nossa... nossa dan�a de novo.</p><empty-line/><p>
  � S� n�s tr�s?</p><empty-line/><p>
  De novo o murm�rio cresceu e se extinguiu.</p><p>Porquinho estendeu os �culos a Ralph e esperou para receber novamente sua vis�o. A madeira estava �mida e era a terceira vez que acendiam. Ralph recuou, de p�, falando para si mesmo.</p><empty-line/><p>
  � N�o queremos outra noite sem fogueira.</p><empty-line/><p>
  Olhou em volta, de modo culpado, para os outros tr�s meninos. Era a primeira vez que admitia a dupla fun��o da fogueira. Certamente, uma era mandar uma coluna de fuma�a sinalizadora; mas a outra era ser uma esp�cie de lar agora e uma seguran�a at� que dormissem. Eric soprou na madeira at� haver um brilho e uma chamazinha. Uma fumaceira branca e amarela subiu para o c�u. Porquinho pegou os �culos de volta e olhou com prazer para a fuma�a.</p><empty-line/><p>
  � Se pud�ssemos fazer um r�dio!</p><empty-line/><p>
  � Ou um avi�o...</p><empty-line/><p>
  � ...ou um barco.</p><empty-line/><p>
  Ralph recorreu ao seu decadente conhecimento do mundo.</p><empty-line/><p>
  � Poder�amos ser aprisionados pelos vermelhos.</p><empty-line/><p>
  Eric puxou o cabelo para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � Seria melhor que...</p><empty-line/><p>
  Ele n�o iria citar nomes e Sam acabou a senten�a para ele, sacudindo a cabe�a, ao longo da praia.</p><empty-line/><p>
  Ralph lembrou-se da desajeitada figura num paraquedas.</p><empty-line/><p>
  � Ele disse alguma coisa sobre um homem morto... � Corou penosamente pela confiss�o de ter estado na dan�a. Fez r�pidos movimentos de exorta��o para a fuma�a, com seu corpo. � N�o pare, v�, para cima!</p><empty-line/><p>
  � A fuma�a est� diminuindo.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos de mais madeira, mesmo molhada.</p><empty-line/><p>
  � Minha asma...</p><empty-line/><p>
  A resposta foi mec�nica.</p><empty-line/><p>
  � Pro diabo com sua asma.</p><empty-line/><p>
  � Se eu trouxer troncos, minha asma vai piorar. Gostaria que n�o, Ralph, mas � o que acontecer�.</p><empty-line/><p>
  Os tr�s foram para a floresta e pegaram montes de madeira podre. A fuma�a subiu novamente, amarela e densa.</p><empty-line/><p>
  � Vamos arranjar comida.</p><empty-line/><p>
  Juntos, foram at� as �rvores frut�feras, carregando as lan�as, falando pouco, fartando-se rapidamente. Quando sa�ram da floresta, o sol estava se pondo e n�o havia mais fuma�a, apenas brasas brilhando na fogueira.</p><empty-line/><p>
  � N�o posso trazer mais lenha � disse Eric. � Estou cansado.</p><empty-line/><p>
  Ralph limpou a garganta.</p><empty-line/><p>
  � L� em cima ela ficava sempre acesa.</p><empty-line/><p>
  � L� era pequena. Mas esta tem de ser grande.</p><empty-line/><p>
  Ralph jogou um peda�o de madeira no fogo e viu a fuma�a que subia sob o crep�sculo.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos deix�-la acesa.</p><empty-line/><p>
  Eric jogou-se no ch�o.</p><empty-line/><p>
  � Estou muito cansado. E o que adianta?</p><empty-line/><p>
  � Eric! � gritou Ralph, em tom chocado. � N�o fale assim!</p><empty-line/><p>
  � Ora, o que adianta?</p><empty-line/><p>
  Ralph, indignado, tentou lembrar. Havia alguma coisa de bom sobre uma fogueira. Uma coisa muito, muito boa.</p><empty-line/><p>
  � Ralph j� falou demais sobre isso � disse Porquinho, pensativo. � De que outro jeito poderemos ser salvos?</p><empty-line/><p>
  � Claro! Se n�o fizermos fuma�a...</p><empty-line/><p>
  Agachou-se diante deles no crep�sculo cada vez mais avan�ado.</p><empty-line/><p>
  � N�o entendem? Que adianta ficar sonhando com r�dios e barcos?</p><empty-line/><p>
  Estendeu a m�o e apertou os dedos at� cerrar o punho.</p><empty-line/><p>
  � S� h� uma coisa que podemos fazer para sair dessa trapalhada. Qualquer um pode brincar de ca�ar, qualquer um pode arranjar carne...</p><empty-line/><p>
  Olhou o resto de cada um deles. Ent�o, nesse momento de maior paix�o e convic��o, aquela cortina desceu em sua cabe�a e ele esqueceu para onde ia. Ajoelhou-se, o punho cerrado, olhando solenemente para cada um. Da�, a cortina se abriu.</p><empty-line/><p>
  � Oh, sim. Portanto temos de fazer fuma�a, e mais fuma�a...</p><empty-line/><p>
  � Mas n�o a conseguimos manter acesa! Veja s�!</p><empty-line/><p>
  O fogo estava morrendo ao lado.</p><empty-line/><p>
  � Dois para cuidar do fogo � disse Ralph, meio para si. � S�o 12 horas por dia.</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos trazer mais madeira, Ralph...</p><empty-line/><p>
  � N�o na escurid�o...</p><empty-line/><p>
  � N�o � noite...</p><empty-line/><p>
  � Podemos acend�-la a cada manh� � disse Porquinho. � Ningu�m vai ver fuma�a no escuro.</p><empty-line/><p>
  Sam concordou vigorosamente.</p><empty-line/><p>
  � Era diferente quando a fogueira era...</p><empty-line/><p>
  � ...l� em cima.</p><empty-line/><p>
  Ralph levantou-se, sentindo-se curiosamente indefeso ante a escurid�o crescente.</p><empty-line/><p>
  � Vamos deixar o fogo apagar, s� esta noite.</p><empty-line/><p>
  Liderou a marcha para o primeiro abrigo, que ainda resistia, embora avariado. As camas de folhas l� estavam, secas e barulhentas ao toque. Na cabana vizinha, um pequeno falava dormindo. Os quatro grandes rastejaram para dentro e se enfiaram entre as folhas. Os g�meos juntos, Porquinho e Ralph na outra ponta. Por um momento, houve o cont�nuo revirar e estalar das folhas, enquanto eles procuravam uma posi��o.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Hem?</p><empty-line/><p>
  � Tudo bem?</p><empty-line/><p>
  � Acho que sim.</p><empty-line/><p>
  Afinal, a n�o ser por um estalar ocasional, a cabana ficou quieta. Um quadril�tero de escurid�o, interrompido por brilhantes lantejoulas, situava-se diante deles e dali vinha o som cavo de arrebenta��o no recife. Ralph preparou-se para seu jogo noturno de faz de conta...</p><empty-line/><p>
  Faz de conta que pudessem ser transportados para casa num jato: antes da manh� iriam descer naquele grande aeroporto de Wiltshire. Pegariam um carro; n�o, para que as coisas fossem perfeitas, iriam de trem; viajariam assim at� Devon, at� aquela casa outra vez. Ent�o, no fim do jardim, os p�neis selvagens viriam e olhariam por sobre a cerca...</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se, inquieto, entre as folhas. Dartmoor era um lugar selvagem e os p�neis tamb�m. Mas a atra��o do lugar selvagem sumira...</p><empty-line/><p>
  Passou a imaginar uma cidade civilizada onde n�o existisse selvageria. O que poderia ser mais seguro que uma esta��o de �nibus, com suas l�mpadas e rodas?</p><empty-line/><p>
  Imediatamente, Ralph dan�ava em volta de um poste de luz. Havia um �nibus saindo da esta��o, um �nibus estranho...</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ralph!</p><empty-line/><p>
  � Que foi?</p><empty-line/><p>
  � N�o fa�a barulho assim...</p><empty-line/><p>
  � Desculpe!</p><empty-line/><p>
  Da escurid�o do outro extremo da cabana chegou um lamento terr�vel e Ralph e Porquinho se viraram assustados nas suas folhas. Sam e Eric, abra�ados, estavam lutando.</p><empty-line/><p>
  � Sam! Sam!</p><empty-line/><p>
  � Ei! Eric!</p><empty-line/><p>
  Tudo ficou quieto outra vez.</p><empty-line/><p>
  Porquinho falou baixinho para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos sair daqui.</p><empty-line/><p>
  � O qu�?</p><empty-line/><p>
  � Precisamos ser salvos.</p><empty-line/><p>
  Pela primeira vez nesse dia, apesar da escurid�o dominante, Ralph riu.</p><empty-line/><p>
  � � sim � cochichou Porquinho. � Se n�o voltarmos logo para casa, ficaremos loucos.</p><empty-line/><p>
  � Birutas.</p><empty-line/><p>
  � Pirados.</p><empty-line/><p>
  � Aloprados.</p><empty-line/><p>
  Ralph tirou o cabelo �mido dos olhos.</p><empty-line/><p>
  � Escreva uma carta para sua tia.</p><empty-line/><p>
  Porquinho pensou seriamente nisso.</p><empty-line/><p>
  � N�o sei onde ela est� agora. E n�o tenho selo nem envelope. Aqui n�o h� caixas de correio. Nem carteiros.</p><empty-line/><p>
  O sucesso dessa piadinha dominou Ralph. Suas risadas tornaram-se incontrol�veis, seu corpo dobrava-se e retorcia-se.</p><empty-line/><p>
  Porquinho interrompeu-o dignamente.</p><empty-line/><p>
  � N�o disse nada de t�o engra�ado...</p><empty-line/><p>
  Ralph continuou a rir at� sentir o peito doendo. As gargalhadas cansaram-no. Ele se deitou, sem f�lego e inerte, esperando o pr�ximo espasmo. Durante uma dessas pausas, foi dominado pelo sono.</p><empty-line/><p>
  � ...Ralph! Voc� est� fazendo barulho outra vez. Fique quieto, Ralph... porque...</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se entre as folhas. Tinha motivos para estar agradecido por seu sonho ter sido interrompido. Aquele �nibus estava mais perto e mais distinto.</p><empty-line/><p>
  � O qu�?... por qu�?</p><empty-line/><p>
  � Fique quieto... e ou�a.</p><empty-line/><p>
  Ralph deitou-se cuidadosamente, acompanhado por um grande suspiro das folhas. Eric balbuciou algo e ficou quieto. A escurid�o, a n�o ser a in�til �rea de estrelas, era espessa como um cobertor.</p><empty-line/><p>
  � N�o ou�o nada.</p><empty-line/><p>
  � Ou�a. Ou�a por algum tempo.</p><empty-line/><p>
  Claramente, enfaticamente, apenas a um metro ou pouco mais da cabana, um ramo estalou. O sangue rugiu novamente nas orelhas de Ralph, imagens confusas atropelavam-se na sua mente. Um conjunto dessas coisas rondava os abrigos. Podia sentir a cabe�a de Porquinho no seu ombro e a garra convulsiva de sua m�o.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Ralph!</p><empty-line/><p>
  � Cale-se e ou�a.</p><empty-line/><p>
  Desesperadamente, Ralph rezou para que o bicho preferisse os pequenos.</p><empty-line/><p>
  Uma voz sussurrou horrivelmente l� fora.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho... Porquinho...</p><empty-line/><p>
  � Ele veio! � ofegou Porquinho. � Existe!</p><empty-line/><p>
  Apertou-se junto a Ralph e conseguiu recobrar o f�lego.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho, venha aqui fora. Quero voc�, Porquinho.</p><empty-line/><p>
  A boca de Ralph estava junto ao ouvido de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � N�o diga nada.</p><empty-line/><p>
  � Porquinho, onde est� voc�, Porquinho?</p><empty-line/><p>
  Algo se chocou contra a parte de tr�s da cabana. Porquinho ficou parado por um momento, ent�o teve um ataque de asma. Arqueou as costas e caiu entre as folhas. Ralph rolou, afastando-se dele.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, veio o maligno grunhido da boca do abrigo, as investidas e golpes de coisas vivas. Algu�m trope�ou em Ralph e o lugar de Porquinho tornou-se uma confus�o de gritos, pontap�s e bra�os que voavam. Ralph deu um soco; ele e o que parecia uma d�zia dos outros come�aram a rolar pelo ch�o, dando socos, mordendo, unhando. Arranharam-no e o sacudiram, sentiu uns dedos na sua boca e os mordeu. Um punho afastou-se e voltou como um pist�o, fazendo a cabana toda explodir em luzes. Ralph caiu de lado em cima de um corpo que se torcia e sentiu um h�lito quente na face. Come�ou a socar a boca sob ele, usando o punho fechado como um martelo; bateu mais e mais, com apaixonada histeria, � medida que a cara ficava pegajosa. Um joelho meteu-se entre suas pernas e ele caiu para o lado, mergulhado em dor, e a luta veio para cima dele. O abrigo desmoronou, sufocando, e as formas an�nimas lutaram para sair. Figuras escuras escaparam dos escombros e fugiram. Afinal, deu para ouvir os gritos dos pequenos e os arquejos de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Ralph disse, com voz tr�mula.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s, pequenos, v�o dormir. Tivemos uma briga com os outros. V�o dormir agora.</p><empty-line/><p>
  Sameeric chegaram perto e olharam para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s est�o bem?</p><empty-line/><p>
  � Acho que sim...</p><empty-line/><p>
  � ...me acertaram.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m. E Porquinho?</p><empty-line/><p>
  Tiraram Porquinho debaixo dos destro�os e o encostaram numa �rvore. A noite estava fria e livre de terrores imediatos. A respira��o de Porquinho foi melhorando.</p><empty-line/><p>
  � Est� machucado, Porquinho?</p><empty-line/><p>
  � S� um pouco.</p><empty-line/><p>
  � Foram Jack e seus ca�adores � disse Ralph amargamente. � Por que n�o podem deixar a gente em paz?</p><empty-line/><p>
  � N�s tamb�m demos o que pensar a eles � disse Sam. A honestidade obrigou-o a continuar. � Pelo menos, voc� deu. Eu me encostei num canto.</p><empty-line/><p>
  � Acertei bem um deles � disse Ralph. � Quebrei a cara dele. Ele n�o vai querer brigar com a gente nunca mais.</p><empty-line/><p>
  � Eu tamb�m � disse Eric. � Quando acordei, algu�m me chutou a cara. Minha cara est� cheia de sangue, acho. Mas, Ralph, eu acabei batendo nele.</p><empty-line/><p>
  � O que voc� fez?</p><empty-line/><p>
  � Levantei o joelho � disse Eric com orgulho simples. � Acertei-o no saco. Precisava ver como gritava! Esse tamb�m n�o vai voltar t�o cedo. At� que n�o fizemos um papel feio.</p><empty-line/><p>
  Ralph moveu-se subitamente na escurid�o; mas ouviu Eric mexendo na boca.</p><empty-line/><p>
  � Que foi?</p><empty-line/><p>
  � Um dente mole.</p><empty-line/><p>
  Porquinho encolheu as pernas.</p><empty-line/><p>
  � Est� bem, Porquinho?</p><empty-line/><p>
  � Pensei que eles queriam a concha.</p><empty-line/><p>
  Ralph correu pela praia p�lida e pulou para a plataforma. A concha ainda brilhava junto ao lugar do chefe. Olhou-a por um momento, depois voltou at� onde estava Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � N�o levaram a concha.</p><empty-line/><p>
  � Eu sei. Eles n�o vieram pela concha. Vieram por outra coisa, Ralph � o que vou fazer?</p><empty-line/><p>
  Bem longe, nos confins da praia, tr�s figuras trotavam rumo ao Castelo de Pedra. Mantinham-se afastadas da floresta e caminhavam junto � �gua. De vez em quando, cantavam baixinho; de vez em quando, jogavam pedras que saltavam sobre a faixa m�vel de fosforesc�ncias. O chefe liderava-as, avan�ando firmemente, exultante na sua vit�ria. Agora era um chefe de verdade. Golpeou o ar decididamente com a lan�a. Na sua m�o esquerda, estavam os �culos quebrados de Porquinho.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>11</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Castelo de Pedra</strong></p><p>No breve frio da aurora, os quatro meninos se reuniram em volta da massa negra que fora a fogueira, enquanto Ralph se ajoelhava e soprava. Cinzas leves como plumas cinzentas redemoinharam sob seu corpo, mas nenhuma centelha brilhou entre elas. Os g�meos olhavam ansiosamente e Porquinho sentava-se inexpressivo por tr�s da luminosa muralha da sua miopia. Ralph continuou a soprar at� seus ouvidos retinirem com o esfor�o, mas ent�o o primeiro vento da manh� assumiu o trabalho e o cegou com as cinzas. Ele recuou, agachado, xingando e esfregando as l�grimas que brotavam dos seus olhos.</p><empty-line/><p>
  � N�o adianta.</p><empty-line/><p>
  Eric olhou-o atrav�s de uma m�scara de sangue seco. Porquinho virou-se para a dire��o aproximada de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Claro que n�o adianta, Ralph. Agora n�o temos fogo.</p><empty-line/><p>
  Ralph aproximou o rosto a meio metro do de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � Voc� pode me ver?</p><empty-line/><p>
  � Um pouco.</p><empty-line/><p>
  Ralph deixou que a incha��o da face lhe fechasse o olho novamente.</p><empty-line/><p>
  � Levaram nosso fogo.</p><empty-line/><p>
  A raiva enchia sua voz.</p><empty-line/><p>
  � Roubaram-no!</p><empty-line/><p>
  � Foram eles � disse Porquinho. � Eles me cegaram. Viram? Foi Jack Merridew. Fa�a uma assembleia, Ralph, precisamos decidir o que fazer.</p><empty-line/><p>
  � Uma reuni�o s� para n�s?</p><empty-line/><p>
  � � tudo que temos. Sam, deixe-me segurar em voc�.</p><empty-line/><p>
  Subiram para a plataforma.</p><empty-line/><p>
  � Sopre a concha � disse Porquinho. � Sopre o mais alto que puder.</p><empty-line/><p>
  A floresta ecoou, p�ssaros levantaram voo, gritando das copas, como naquela primeira manh�, h� s�culos. A praia estava deserta de ambos os lados. Alguns pequenos vieram das cabanas. Ralph sentou-se no tronco polido e os outros tr�s sentaram-se � sua frente. Fez que sim, e Sameeric sentaram-se � direita. Ralph p�s a concha nas m�os de Porquinho. Este segurou cuidadosamente a coisa brilhante e piscou para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Vamos, diga o que quer.</p><empty-line/><p>
  � Eu estou com a concha para dizer isto. N�o consigo mais ver e preciso dos meus �culos de volta. Foram feitas coisas terr�veis nesta ilha. Votei em voc� para chefe. Voc� foi o �nico que fez alguma coisa. Ent�o, fale agora, Ralph. Diga-nos o que... Ou ent�o...</p><empty-line/><p>
  Porquinho interrompeu-se, choramingando. Ralph pegou a concha, enquanto ele se sentava.</p><empty-line/><p>
  � Apenas uma fogueira comum. Voc�s acharam que poderiam fazer isso, n�o �? Apenas um sinal de fuma�a para que f�ssemos salvos. Somos selvagens ou o qu�? S� que agora n�o h� sinal nenhum. Podem estar passando navios. Lembram-se como ele foi ca�ar e o fogo apagou quando um navio passou aqui perto? E tudo que pensam � que ele � um chefe melhor. Ent�o houve, houve... foi culpa dele, tamb�m. Se n�o fosse ele, nunca teria acontecido. Agora, Porquinho n�o enxerga e eles vieram roubar... � Ralph falou mais r�pido e mais alto. � ...� noite, no escuro, e roubaram nosso fogo. Roubaram. N�s ter�amos dado fogo a eles se pedissem. Mas eles roubaram nosso fogo. Roubaram. N�s ter�amos dado fogo a eles se pedissem. Mas eles roubaram e o sinal se apagou, poderemos nunca ser salvos. N�o veem o que isso quer dizer? N�s ter�amos dado fogo, mas eles roubaram. Eu...</p><empty-line/><p>
  Parou, vacilante, com a cortina caindo na sua mente. Porquinho estendeu as m�os para a concha.</p><empty-line/><p>
  � O que vai fazer, Ralph? Isso � s� falat�rio, sem decidir. Quero meus �culos.</p><empty-line/><p>
  � Estou tentando pensar. Poder�amos ir como �ramos, lavados e penteados... afinal, n�o somos selvagens na verdade e sermos salvos n�o � um brinquedo...</p><empty-line/><p>
  Tocou a face inchada e olhou para os g�meos.</p><empty-line/><p>
  � Poder�amos nos arrumar um pouco e ir...</p><empty-line/><p>
  � Devemos levar lan�as � disse Sam. � At� Porquinho.</p><empty-line/><p>
  � ...porque podemos precisar delas.</p><empty-line/><p>
  � Voc� est� sem a concha!</p><empty-line/><p>
  Porquinho levantou a concha.</p><empty-line/><p>
  � Podem levar lan�as se quiserem, mas eu n�o. Para qu�? De qualquer modo, terei de ser levado, como um cachorro. �, riam. Vamos, riam. A� est�o os que riem de tudo nesta ilha. E o que aconteceu? O que os adultos ir�o pensar? O menino Simon foi assassinado. E havia aquele outro menino com a marca na cara. Quem o viu desde que chegamos aqui?</p><empty-line/><p>
  � Porquinho! Pare um instante!</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha. Eu vou at� aquele Jack Merridew dizer isso. Vou, sim.</p><empty-line/><p>
  � Voc� vai se machucar.</p><empty-line/><p>
  � O que mais ele pode fazer? Eu lhe direi sobre o que aconteceu aqui. Deixe-me levar a concha, Ralph. Eu lhe mostrarei a �nica coisa que ele n�o pegou.</p><empty-line/><p>
  Porquinho parou e olhou em torno para as figuras indistintas. A forma da antiga reuni�o, marcada na grama, escutava-o.</p><empty-line/><p>
  � Vou at� ele com esta concha nas m�os. Irei com ela. Saibam, vou dizer: voc� � mais forte que eu e n�o tem asma. Pode ver, com os dois olhos, � o que vou dizer. Mas n�o estou pedindo meus �culos de volta como um favor. N�o pe�o que voc� seja um bom amigo, direi, n�o porque voc� seja forte, mas porque o que � certo � certo. D�-me meus �culos. Isso � que eu vou dizer, voc� precisa d�-los para mim.</p><empty-line/><p>
  Porquinho terminou, corado e tr�mulo. Passou rapidamente a concha para as m�os de Ralph, como se quisesse ver-se livre dela e enxugou as l�grimas dos olhos. A luz verde ca�a suave sobre eles e a concha ficou aos p�s de Ralph, fr�gil e branca. Uma gota que escapou dos dedos de Porquinho brilhava na delicada curva como uma estrela.</p><empty-line/><p>
  Enfim, Ralph sentou-se ereto e puxou o cabelo para tr�s.</p><empty-line/><p>
  � Muito bem. Quero dizer... pode tentar, se quiser. Iremos com voc�.</p><empty-line/><p>
  � Ele vai estar pintado � disse Sam, timidamente. � Voc� sabe como ele...</p><empty-line/><p>
  � N�o pensar� grande coisa de n�s...</p><empty-line/><p>
  � ...se ficar bravo, a coisa pode piorar...</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para Sam, franzindo a testa. Vagamente, lembrou-se de algo que Simon lhe dissera certa vez, nas pedras.</p><empty-line/><p>
  � N�o seja bobo � disse. E acrescentou logo. � Vamos!</p><empty-line/><p>
  Deu a concha a Porquinho, que corou, desta vez de orgulho.</p><empty-line/><p>
  � Voc� deve lev�-la.</p><empty-line/><p>
  � Quando estivermos prontos, eu a levarei...</p><empty-line/><p>
  Porquinho procurou em seu �ntimo as palavras para expressar essa apaixonada disposi��o de levar a concha desafiando tudo.</p><empty-line/><p>
  � N�o faz mal. Ficarei contente, Ralph, s� que voc� tem de me levar.</p><empty-line/><p>
  Ralph p�s a concha de volta no tronco brilhante.</p><empty-line/><p>
  � Vamos comer antes.</p><empty-line/><p>
  Andaram at� as devastadas �rvores frut�feras. Porquinho foi ajudado para pegar a comida e tamb�m usou o tato. Enquanto comiam, Ralph pensou na tarde.</p><empty-line/><p>
  � Iremos como �ramos antes. Lavaremos...</p><empty-line/><p>
  Sam engasgou-se e protestou.</p><empty-line/><p>
  � Mas tomamos banho todo dia!</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para os sujos objetos diante dele e suspirou.</p><empty-line/><p>
  � Precisamos pentear o cabelo. S� que est� muito comprido.</p><empty-line/><p>
  � As minhas meias est�o na cabana � disse Eric. � Poder�amos us�-las na cabe�a, como gorros, n�o �?</p><empty-line/><p>
  � Poder�amos achar alguma coisa � disse Porquinho � para prender o cabelo atr�s.</p><empty-line/><p>
  � Que nem uma menina!</p><empty-line/><p>
  � N�o. Claro que n�o.</p><empty-line/><p>
  � Ent�o devemos ir como estamos � disse Ralph. � Eles n�o estar�o melhor.</p><empty-line/><p>
  Eric deteve-os com um gesto.</p><empty-line/><p>
  � Mas eles estar�o pintados! Voc� sabe como �...</p><empty-line/><p>
  Os outros concordaram. Compreendiam muito bem a liberta��o para a selvageria representada pela pintura.</p><empty-line/><p>
  � Bem, n�o iremos pintados � disse Ralph �, porque n�o somos selvagens.</p><empty-line/><p>
  Sameeric se entreolharam.</p><empty-line/><p>
  � Mesmo assim...</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou.</p><empty-line/><p>
  � Sem pintura!</p><empty-line/><p>
  Tentou recordar.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a � disse �, queremos fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Virou-se altivamente para os g�meos.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse �fuma�a�! Precisamos ter fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Fez-se sil�ncio. Ouvia-se apenas o murm�rio incont�vel das abelhas. E Porquinho acabou falando, amavelmente.</p><empty-line/><p>
  � Claro que teremos. Porque a fuma�a � um sinal e n�o poderemos ser salvos se n�o tivermos fuma�a.</p><empty-line/><p>
  � Eu sei! � gritou Ralph. Tirou o bra�o de Porquinho. � Voc� est� querendo dizer...</p><empty-line/><p>
  � S� estou dizendo o que voc� sempre diz � disse Porquinho rapidamente. � Pensei por um instante que...</p><empty-line/><p>
  � N�o � disse Ralph, alto. � Eu sabia disso o tempo todo. N�o esqueci. � Porquinho concordou, complacente.</p><empty-line/><p>
  � Voc� � o chefe, Ralph. Voc� se lembra de tudo.</p><empty-line/><p>
  � Eu n�o esqueci.</p><empty-line/><p>
  � Claro que n�o.</p><empty-line/><p>
  Os g�meos examinaram Ralph curiosamente, como se o vissem pela primeira vez.</p><p>Partiram pela praia em fila indiana. Ralph era o primeiro, mancando um pouco, a lan�a sobre um dos ombros. Via as coisas parcialmente, atrav�s da tr�mula neblina do calor que subia das areias brilhantes, atrav�s do seu cabelo comprido e dos incha�os. Atr�s, vinham os g�meos, um pouco preocupados, mas cheios de inextingu�vel vitalidade. Falavam pouco, mas arrastavam os cabos das suas lan�as de madeira, porque Porquinho descobrira que, olhando para baixo, protegendo seu olhar fatigado do sol, podia v�-los movendo-se pela areia. Andava entre os cabos arrastados, portanto, com a concha bem segura entre suas m�os. Os meninos compunham um pequeno grupo compacto que se movia pela praia, quatro sombras chatas que dan�avam e se confundiam abaixo deles. N�o havia sinais da tempestade da noite e a praia estava limpa e aplainada como uma l�mina amolada. O c�u e a montanha estavam a imensa dist�ncia, tremulando sob o calor. O recife levitava com a miragem, flutuando numa esp�cie de lago prateado a meio caminho do c�u.</p><empty-line/><p>
  Passaram pelo lugar onde a tribo dan�ara. Os ramos carbonizados ainda estavam nas pedras, l� onde houvera fogo antes de cair a chuva, mas a areia junto � �gua estava lisa outra vez. Passaram por l� em sil�ncio. Ningu�m duvidava de que a tribo estaria no Castelo de Pedra; quando o viram, pararam como que de acordo. A mata mais densa da ilha, uma massa de caules retorcidos, verdes, negros e impenetr�veis estava � esquerda deles e a grama alta balan�ava-se � sua frente. Ralph seguiu em frente.</p><empty-line/><p>
  Ali estava a grama amassada onde haviam ficado quando ele fora explorar. L� estava o istmo de terra, o caminho ao p� da pedra, l� em cima estavam os espi�es avermelhados.</p><empty-line/><p>
  Sam tocou seu bra�o.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a.</p><empty-line/><p>
  Havia um fiozinho de fuma�a ondulando no ar do outro lado da pedra.</p><empty-line/><p>
  � Uma fogueira... n�o sei.</p><empty-line/><p>
  Ralph virou-se.</p><empty-line/><p>
  � Por que estamos nos escondendo?</p><empty-line/><p>
  Atravessou a cortina de plantas e entrou na pequena clareira que levava ao estreito istmo.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s dois v�m atr�s. Eu na frente, depois Porquinho logo atr�s de mim. Fiquem com as lan�as prontas.</p><empty-line/><p>
  Porquinho fitava ansiosamente sob o v�u luminoso que havia entre ele e o mundo.</p><empty-line/><p>
  � � seguro? N�o h� um barranco a�? Posso ouvir o mar...</p><empty-line/><p>
  � Fique junto a mim.</p><empty-line/><p>
  Ralph adiantou-se, rumo ao istmo. Chutou uma pedra e ela caiu na �gua. Ent�o o mar retirou-se, revelando uma pedra vermelha e cheia de algas a uns 12 metros abaixo, � esquerda de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � N�o h� perigo? � queixou-se Porquinho. � Estou com medo...</p><empty-line/><p>
  Bem l� em cima, dos cimos, veio um grito repentino e uma imita��o de grito de guerra respondido por umas 12 vozes por tr�s da pedra.</p><empty-line/><p>
  � D�-me a concha e fique parado.</p><empty-line/><p>
  � Alto! Quem vem l�?</p><empty-line/><p>
  Ralph inclinou a cabe�a para tr�s e viu a face escura de Roger em cima.</p><empty-line/><p>
  � Voc� pode ver quem eu sou! � gritou. � Deixe de ser bobo!</p><empty-line/><p>
  P�s a concha nos l�bios e come�ou a soprar. Apareceram uns selvagens, pintados e irreconhec�veis, descendo pelo caminho do contorno at� o istmo. Estavam com lan�as e se colocaram para defender a entrada. Ralph continuou soprando, ignorando os terrores de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  Roger gritou.</p><empty-line/><p>
  � N�o se aproximem!</p><empty-line/><p>
  Afinal, Ralph tirou os l�bios da concha e fez uma pausa para recobrar o f�lego. Suas primeiras palavras foram um arquejo, embora aud�vel.</p><empty-line/><p>
  � ...fazer uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  Os selvagens que guardavam a entrada resmungaram entre si, mas n�o se mexeram. Ralph deu uns dois passos para a frente. Uma voz cochichou ansiosamente atr�s dele.</p><empty-line/><p>
  � N�o me largue, Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Ajoelhe-se � disse Ralph, de lado � e espere at� eu voltar.</p><empty-line/><p>
  Parou na metade do istmo e olhou atentamente para os selvagens. Libertados pela pintura, haviam prendido os cabelos e estavam mais confort�veis que ele. Ralph resolveu prender os seus, depois. Na verdade, sentia desejo de lhes dizer que esperassem um pouco e prender os cabelos ali mesmo, mas isso era imposs�vel. Os selvagens zombaram um pouco e um deles amea�ou Ralph de longe, com a lan�a. L� em cima, Roger tirou as m�os da alavanca e se inclinou para ver o que estava acontecendo. Os meninos no istmo ficaram no lago da sua pr�pria sombra, reduzidos aparentemente a cabe�as hirsutas. Porquinho, agachado, mostrava as costas informes como um saco.</p><empty-line/><p>
  � Estou chamando para uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  Roger pegou uma pedrinha e a jogou entre os g�meos, errando de prop�sito. Eles se sobressaltaram e Sam quase perdeu o equil�brio. Uma obscura fonte de poder come�ou a pulsar no corpo de Roger.</p><empty-line/><p>
  Ralph falou de novo, alto.</p><empty-line/><p>
  � Estou chamando para uma reuni�o.</p><empty-line/><p>
  Passou os olhos por eles.</p><empty-line/><p>
  � Onde est� Jack?</p><empty-line/><p>
  O grupo agitou-se e se consultou. Uma cara pintada falou, com a voz de Robert.</p><empty-line/><p>
  � Est� ca�ando. E disse para n�o deixarmos voc�s entrarem.</p><empty-line/><p>
  � Eu vim por causa da fogueira � disse Ralph � e dos �culos de Porquinho.</p><empty-line/><p>
  O grupo diante dele mudou de posi��o e uma gargalhada irrompeu dele, um riso leve, excitado, que foi ecoando por entre as pedras altas.</p><empty-line/><p>
  Uma voz falou por tr�s de Ralph.</p><empty-line/><p>
  � O que voc� quer?</p><empty-line/><p>
  Os g�meos passaram correndo por Ralph e ficaram entre ele e a entrada. Ele se virou vivamente. Jack, identific�vel pela personalidade e pelo cabelo ruivo, aproximava-se, vindo da floresta. Um ca�ador de cada lado, agachado. Os tr�s estavam mascarados de verde e preto. Atr�s deles, na grama, o corpo decapitado e inchado de uma porca jazia onde o haviam deixado.</p><empty-line/><p>
  Porquinho choramingou.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! N�o me deixe!</p><empty-line/><p>
  Com cuidado rid�culo, ele abra�ou a rocha, colando-se a ela, tendo aos p�s, l� embaixo, o mar semovente. Os risinhos dos selvagens se transformaram em altas gargalhadas de deboche.</p><empty-line/><p>
  Jack gritou por sobre o barulho.</p><empty-line/><p>
  � V� embora, Ralph. Fique na sua parte da ilha. Esta � a minha ponta e a minha tribo. Deixe-me em paz.</p><empty-line/><p>
  As gargalhadas morreram.</p><empty-line/><p>
  � Voc� pegou os �culos de Porquinho � disse Ralph, sem f�lego. � Voc� precisa devolv�-los.</p><empty-line/><p>
  � Preciso? Quem disse?</p><empty-line/><p>
  O temperamento de Ralph explodiu.</p><empty-line/><p>
  � Eu digo! Voc�s votaram em mim para chefe. N�o ouviu a concha? Foi uma sujeira o que voc� fez... dar�amos fogo a voc�, se pedisse...</p><empty-line/><p>
  O sangue fluiu para suas faces e o olho semicerrado latejou.</p><empty-line/><p>
  � Voc� poderia vir quando quisesse. Mas n�o. Voc� veio escondido como um ladr�o e roubou os �culos de Porquinho!</p><empty-line/><p>
  � Repita isso!</p><empty-line/><p>
  � Ladr�o! Ladr�o!</p><empty-line/><p>
  Porquinho gritou.</p><empty-line/><p>
  � Ralph! Pense em mim!</p><empty-line/><p>
  Jack dobrou-se para a frente e deu uma lan�ada no peito de Ralph. Este vislumbrou o movimento do bra�o de Jack e pressentiu a posi��o da arma; desviou o golpe com o cabo da sua lan�a. Deu uma volta e acertou um golpe na orelha de Jack. Estavam corpo a corpo, a respira��o entrecortada, empurrando e se entreolhando com olhos faiscantes.</p><empty-line/><p>
  � Quem � ladr�o?</p><empty-line/><p>
  � Voc�!</p><empty-line/><p>
  Jack torceu o corpo, libertando-se, e atacou Ralph com a lan�a. De comum acordo, estavam usando as armas como sabres, sem se expor �s pontas mortais. O golpe sacudiu a lan�a de Ralph e, escorregando, atingiu-lhe os dedos, dolorosamente. Ent�o se afastaram mais uma vez, com as posi��es invertidas: Jack do lado do Castelo de Pedra e Ralph de costas para a ilha.</p><empty-line/><p>
  Os dois arfavam pesadamente.</p><empty-line/><p>
  � Venha, seu...</p><empty-line/><p>
  � Venha...</p><empty-line/><p>
  Defrontaram-se ferozmente, mas guardando dist�ncia segura.</p><empty-line/><p>
  � Venha c� para ver o que � bom!</p><empty-line/><p>
  � Venha voc�...</p><empty-line/><p>
  Porquinho, colado ao solo, tentava atrair a aten��o de Ralph. Ralph movia-se, inclinado, com o olhar cansado em Jack.</p><empty-line/><p>
  � Ralph... lembre-se por que viemos. A fogueira, meus �culos.</p><empty-line/><p>
  Ralph assentiu. Relaxou seus m�sculos, ficou ereto e fincou o cabo da lan�a no ch�o. Jack olhava-o inescrutavelmente atrav�s da pintura. Ralph deu uma olhada para o alto, depois para o grupo de selvagens.</p><empty-line/><p>
  � Ou�am. Viemos dizer isto. Primeiro, voc�s t�m de devolver os �culos de Porquinho. Sem �culos ele n�o enxerga. N�o � uma brincadeira...</p><empty-line/><p>
  A tribo de selvagens pintados deu uma risadinha e a mente de Ralph vacilou. Puxou o cabelo louro para tr�s e olhou para a m�scara verde e preta � sua frente, tentando lembrar-se de como era Jack.</p><empty-line/><p>
  Porquinho cochichou.</p><empty-line/><p>
  � E a fogueira.</p><empty-line/><p>
  � Oh, sim. E agora, a fogueira. J� disse isso. Desde que chegamos, estou dizendo isso.</p><empty-line/><p>
  Levantou a lan�a e apontou para os selvagens.</p><empty-line/><p>
  � A �nica esperan�a � termos uma fogueira de sinaliza��o sempre que houver luz para se ver. Ent�o, talvez, um navio poder� perceber a fuma�a e vir� nos salvar e nos levar para casa. Mas sem essa fuma�a, teremos de esperar que um navio apare�a aqui por sorte. Talvez sejam anos de espera, at� ficarmos velhos...</p><empty-line/><p>
  A gargalhada tr�mula, cristalina e irreal dos selvagens espalhou-se e ecoou ao morrer. Um golpe de f�ria atingiu Ralph. Sua voz estalou.</p><empty-line/><p>
  � N�o entendem, seus idiotas pintados? Sam, Eric, Porquinho e eu n�o somos suficientes. Tentamos deixar a fogueira acesa, mas n�o conseguimos. E da�, voc�s, brincando de ca�ar...</p><empty-line/><p>
  Apontou por cima deles para onde se dispersava o fiozinho de fuma�a no c�u esbranqui�ado.</p><empty-line/><p>
  � Vejam aquilo! Chamam isso de sinal? � uma fogueira para cozinhar. Voc�s comem e pronto, n�o h� mais fuma�a. N�o compreendem? Pode haver um navio l�...</p><empty-line/><p>
  Parou, derrotado pelo sil�ncio no anonimato do grupo pintado que guardava a entrada. O chefe abriu uma boca rosada e disse a Sameeric que estavam entre ele e sua tribo.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s dois. Voltem.</p><empty-line/><p>
  Ningu�m respondeu. Os g�meos, confusos, entreolharam-se; Porquinho, tranquilizado agora que cessara a viol�ncia, tinha-se levantado com cuidado. Jack olhou para Ralph e depois para os g�meos.</p><empty-line/><p>
  � Agarrem-nos!</p><empty-line/><p>
  Ningu�m se mexeu. Jack gritou furiosamente.</p><empty-line/><p>
  � Eu disse agarrem-nos!</p><empty-line/><p>
  O grupo pintado cercou Sameeric nervosa e desajeitadamente. Outra vez irrompeu aquela risada cristalina.</p><empty-line/><p>
  Sameeric protestaram, em nome da civiliza��o.</p><empty-line/><p>
  � Ora, que � isso?</p><empty-line/><p>
  � ...realmente!</p><empty-line/><p>
  Tiraram-lhes as lan�as.</p><empty-line/><p>
  � Amarrem-nos!</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou desesperado contra a m�scara verde e negra.</p><empty-line/><p>
  � Jack!</p><empty-line/><p>
  � Vamos. Amarrem os dois!</p><empty-line/><p>
  O grupo pintado sentiu ent�o que Sameeric eram estranhos: sentiu o poder nas suas m�os. Derrubaram os g�meos com jeito rude e excitado. Jack estava inspirado. Sabia que Ralph tentaria uma rea��o. Descrevendo um c�rculo zunidor, lan�ou um golpe para tr�s e Ralph mal p�de se esquivar. Al�m deles, a tribo e os g�meos eram um amontoado barulhento e agitado. Porquinho agachou-se de novo. Os g�meos ficaram estendidos, espantados, e a tribo cercou-os. Jack virou-se para Ralph e falou por entre os dentes.</p><empty-line/><p>
  � Viu? Eles fazem o que eu quero.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio novamente. Os g�meos ficaram deitados, mal-amarrados e a tribo observava Ralph para ver o que ele iria fazer. Ele os contou atrav�s da sua franja e deu uma olhada para a fuma�a ineficaz.</p><empty-line/><p>
  Explodiu de novo. Gritou para Jack.</p><empty-line/><p>
  � Voc� � uma besta, um porco, um desgra�ado e sujo ladr�o!</p><empty-line/><p>
  E atacou.</p><empty-line/><p>
  Jack, sentindo que chegara a hora, atacou tamb�m. Chocaram-se e recuaram. Jack deu um soco em Ralph e o acertou na orelha. Ralph pegou Jack na barriga e o fez grunhir. Ent�o se encararam de novo, ofegantes e furiosos, mas temendo a ferocidade um do outro. Perceberam o barulho que era o fundo da luta, os gritos constantes da tribo, agudos e animados, atr�s deles.</p><empty-line/><p>
  A voz de Porquinho chegou at� Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Deixe-me falar.</p><empty-line/><p>
  Ficou de p� entre a poeira da luta e, quando a tribo percebeu sua inten��o, a torcida transformou-se numa grande vaia.</p><empty-line/><p>
  Porquinho levantou a concha e a vaia diminuiu um pouco, mas depois voltou a soar alto.</p><empty-line/><p>
  � Estou com a concha!</p><empty-line/><p>
  Gritou.</p><empty-line/><p>
  � Eu estou falando: estou com a concha!</p><empty-line/><p>
  Surpreendentemente, fez-se sil�ncio; a tribo estava curiosa por ouvir a coisa engra�ada que ele tinha para dizer.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio e pausa. Mas no sil�ncio, um estranho barulho no ar soou perto da cabe�a de Ralph. Ele n�o prestou muita aten��o e o barulho se repetiu. Um fraco �Zup!�. Algu�m jogava pedras; Roger atirava-as, com uma m�o ainda na alavanca. Embaixo dele, Ralph era um monte de cabelo e Porquinho um saco de banha.</p><empty-line/><p>
  � Vou falar agora. Voc�s est�o agindo como um bando de crian�as.</p><empty-line/><p>
  A vaia voltou, mas morreu quando Porquinho levantou a concha branca e m�gica.</p><empty-line/><p>
  � O que � melhor? Ser um bando de �ndios pintados como voc�s ou ser razo�vel como Ralph?</p><empty-line/><p>
  Levantou-se um grande clamor entre os selvagens. Porquinho gritou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Que � melhor? Ter regras e segui-las ou ca�ar e matar?</p><empty-line/><p>
  Outra vez o clamor, de novo um �Zup!�.</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou contra o barulho.</p><empty-line/><p>
  � O que � melhor? A lei e o salvamento, ou ca�ar e destruir?</p><empty-line/><p>
  Agora, Jack estava gritando tamb�m e Ralph n�o p�de mais se fazer ouvir. Jack recuara at� onde estava a tribo e formavam uma s�lida massa amea�adora que eri�ava as lan�as. A inten��o de uma carga crescia neles; estavam decididos a varrer o istmo. Ralph enfrentava-os de p�, um pouco para o lado, com a lan�a pronta. A seu lado, Porquinho segurava o talism�, a fr�gil e brilhante beleza da concha. A tempestade de sons fustigava-os, como uma maldi��o do �dio. Bem l� em cima, Roger, com uma sensa��o de delirante abandono, pousou todo seu peso na alavanca.</p><empty-line/><p>
  Ralph ouviu a grande rocha bem antes de v�-la. Percebeu um estremecimento do solo na planta dos p�s e o som de pedras que se quebravam no alto do espig�o. Ent�o, a monstruosa coisa vermelha ricocheteou no istmo e ele se atirou ao ch�o enquanto a tribo guinchava.</p><empty-line/><p>
  A rocha abateu-se sobre Porquinho num golpe fulgurante, em cheio, do queixo aos joelhos; a concha explodiu em mil fragmentos brancos e deixou de existir. Porquinho, sem dizer nada, sem tempo nem para um protesto, foi projetado no ar para um lado, virando sobre si mesmo. A rocha ricocheteou duas vezes e se perdeu na floresta. Porquinho caiu 12 metros e bateu com as costas na pedra quadrada e vermelha do mar. Sua cabe�a partiu-se e dela saiu algo que se avermelhou. Os bra�os e pernas de Porquinho mexeram-se um pouco, como os de um porco ap�s ser morto. Da�, o mar subiu de novo, num longo e lento suspiro; a �gua ferveu branca e rosada sobre a rocha. Quando voltou, num ru�do de suc��o, o corpo de Porquinho sumira.</p><empty-line/><p>
  Desta vez, o sil�ncio era completo. Os l�bios de Ralph formaram uma palavra, mas n�o produziram som algum.</p><empty-line/><p>
  De repente, Jack pulou para a frente da tribo e come�ou a gritar selvagemente.</p><empty-line/><p>
  � Viu? Viu? Isso � o que voc� conseguiu! Isso � o que quis dizer! N�o h� mais tribo para voc�! A concha acabou...</p><empty-line/><p>
  Correu para a frente, curvado.</p><empty-line/><p>
  � Eu sou o chefe!</p><empty-line/><p>
  Malignamente, sem titubear, lan�ou a lan�a contra Ralph. A ponta arranhou pele e carne nas costelas de Ralph, depois perdeu a for�a e caiu no mar. Ralph trope�ou, sem sentir dor, apenas p�nico; a tribo, agora gritando como o chefe, come�ou a avan�ar. Outra lan�a, esta curva, que n�o vinha em linha reta, passou junto ao seu rosto e outra caiu do alto, onde Roger estava. Os g�meos estavam deitados, ocultos pela tribo e as an�nimas faces demon�acas enxameavam pelo istmo. Ralph virou-se e correu. Um grande barulho, como de gaivotas, cresceu atr�s dele. Obedeceu a um instinto que n�o sabia possuir e se precipitou no espa�o aberto, de modo que as lan�as ca�ram longe. Viu o corpo decapitado da porca e pulou na hora exata. Depois, amassando folhas e raminhos, sumiu na floresta.</p><empty-line/><p>
  O chefe, detido pelo porco, virou-se e levantou as m�os.</p><empty-line/><p>
  � Voltem! Voltem para o forte!</p><empty-line/><p>
  A tribo voltou ruidosamente para o istmo onde Roger juntou-se a eles.</p><empty-line/><p>
  O chefe falou-lhe com f�ria.</p><empty-line/><p>
  � Por que n�o est� vigiando?</p><empty-line/><p>
  Roger olhou-o gravemente.</p><empty-line/><p>
  � Eu s� desci...</p><p>O horror do carrasco em torno dele. O chefe n�o disse mais nada a ele, apenas olhou para Sameeric.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s t�m de entrar na tribo.</p><empty-line/><p>
  � Deixe-me ir embora...</p><empty-line/><p>
  � ...eu tamb�m.</p><empty-line/><p>
  O chefe pegou uma das poucas lan�as que restavam e espetou as costelas de Sam.</p><empty-line/><p>
  � O que voc� quer dizer? � disse ferozmente o chefe. � O que voc�s queriam, vindo com lan�as? O que quer dizer n�o querendo entrar para a tribo?</p><empty-line/><p>
  A lan�a agora se movia ritmadamente. Sam gritou.</p><empty-line/><p>
  � N�o � desse jeito.</p><empty-line/><p>
  Roger chegou junto do chefe, quase ro�ando seu ombro. Os gritos pararam, Sameeric ficaram olhando para cima, em silencioso terror. Roger avan�ou para eles, como algu�m que det�m uma obscura autoridade.</p><empty-line/><empty-line/></section><section><p><strong>12</strong></p><empty-line/><p><strong>
  Gritos de ca�adores</strong></p><p>Ralph estava sob uma moita, pensando nas suas feridas. Um c�rculo de carne machucada com v�rios cent�metros de di�metro aparecia nas costelas direitas. Uma cicatriz inflamada e ensanguentada mostrava onde a lan�a o acertara. O cabelo estava sujo e emaranhado como as lianas de uma trepadeira. Estava coberto de arranh�es e cortes devido � sua fuga atrav�s da floresta. Agora, sua respira��o voltara ao normal, e j� decidira que teria de esperar para banhar os ferimentos. Como se pode ouvir p�s nus quando se est� na �gua? Como se pode estar a salvo junto ao riozinho ou na praia aberta?</p><empty-line/><p>
  Ralph procurou escutar. N�o estava muito longe do Castelo de Pedra e, durante o p�nico inicial, pensou ouvir sons de persegui��o. Mas os ca�adores s� haviam chegado � beirada da selva, talvez para recuperar as lan�as, depois correram de volta para a pedra ensolarada, como se estivessem aterrorizados pela escurid�o sob as folhas. At� vira um deles, com listras no corpo, marrons, pretas e vermelhas. Pensou que era Bill. Mas, repensou melhor, n�o era Bill. Era um selvagem cuja imagem n�o se ajustava ao antigo aspecto de um menino de cal�a curta e camisa.</p><empty-line/><p>
  A tarde morria; as manchas circulares de sol moviam-se constantemente pelas frondes verdes e cascas marrons, mas nenhum som vinha da Pedra. Afinal, Ralph saiu, arrastando-se de sob as samambaias, e deslizou at� a beira daquele impenetr�vel muro de plantas que defrontava o istmo de terra. Observou com muito cuidado por entre os galhos e p�de ver Robert sentado, de sentinela no cimo do espig�o. Tinha uma lan�a na m�o e com a direita jogava uma pedrinha para cima e a pegava no ar. Por tr�s dele, subiu uma espessa coluna de fuma�a. As narinas de Ralph farejaram e sua boca se encheu de �gua. Esfregou o nariz e a boca com as costas da m�o e, pela primeira vez desde a manh�, sentiu fome. A tribo deveria estar sentada em volta do porco destripado, vendo a gordura pingar e queimar entre as cinzas. Deveriam estar concentrados.</p><empty-line/><p>
  Outra figura, irreconhec�vel, apareceu ao lado de Robert e lhe deu alguma coisa, depois se virou e voltou para tr�s da pedra. Robert deixou a lan�a na pedra ao seu lado e come�ou a mastigar entre as m�os levantadas. Ent�o a festa estava come�ando e tinham dado uma por��o ao sentinela.</p><empty-line/><p>
  Ralph viu que por enquanto estava a salvo. Tomou a dire��o das �rvores frut�feras, levado pelo pensamento daquela fraca refei��o, mas amargurado ao se lembrar da festa. Festa hoje, amanh�...</p><empty-line/><p>
  Argumentou, sem se convencer, de que iriam deix�-lo em paz, talvez at� o fizessem um proscrito. Mas ent�o vinha o fatal e irracional conhecimento. A destrui��o da concha e as mortes de Porquinho e Simon pairavam sobre a ilha como um vapor. Aqueles selvagens pintados iriam cada vez mais longe. Depois, a indefin�vel rela��o entre ele e Jack; aquele nunca o deixaria em paz, nunca.</p><empty-line/><p>
  Parou, com o corpo cheio de pontos de luz, segurando um ramo, preparado para passar sob ele. Um espasmo de terror fulminou-o: estremeceu e gritou alto.</p><empty-line/><p>
  � N�o. Eles n�o s�o t�o maus assim. Foi um acidente.</p><empty-line/><p>
  Passou por baixo do ramo, correu vacilando, depois parou e se p�s � escuta.</p><empty-line/><p>
  Chegou �s devastadas �reas de frutas e comeu vorazmente. Vira dois pequenos e, sem ter qualquer ideia da sua pr�pria apar�ncia, ficou imaginando por que eles gritaram e correram.</p><empty-line/><p>
  Quando acabou de comer, foi at� � praia. O sol estava caindo obliquamente por entre as palmeiras, junto � cabana desmoronada. L� estavam a plataforma e a �piscina�. A melhor coisa a fazer era ignorar aquele peso no cora��o e recorrer ao senso comum, � sensatez dada pela luz do dia. Agora que a tribo comera, era hora de tentar outra vez. De qualquer forma, n�o podia ficar ali a noite inteira, numa cabana vazia ao lado da plataforma deserta. Sua pele se eri�ou e ele tremeu sob o sol da tarde. Nada de fogueira, nada de fuma�a, nada de salvamento. Ele se virou e se enfiou, mancando, pela floresta, rumo � extremidade da ilha que pertencia a Jack.</p><empty-line/><p>
  Os raios obl�quos de luz solar perdiam-se entre os galhos. Afinal, chegou a uma clareira onde a rocha impedia que a vegeta��o crescesse. A clareira agora era um lago de sombras e Ralph quase se escondeu por tr�s de uma �rvore ao notar algo que se al�ava no centro; mas ent�o viu que a cara branca era s� osso: a caveira de porco sorria para ele da ponta de uma vara. Andou devagar para o centro da clareira e olhou firmemente para a caveira que brilhava, branca como a concha, parecendo rir-se dele, cinicamente. Uma formiga exploradora atarefava-se numa das �rbitas, mas n�o havia na coisa qualquer outro sinal de vida.</p><empty-line/><p>
  Ou havia?</p><empty-line/><p>
  Sentiu pequenos arrepios correrem por suas costas de cima abaixo. Ficou ali, com a caveira quase ao n�vel do seu rosto, e passou as m�os no cabelo. Os dentes sorriam, as �rbitas vazias pareciam sustentar com facilidade seu olhar, imperiosamente.</p><empty-line/><p>
  Que era isso?</p><empty-line/><p>
  A caveira olhava Ralph como algu�m que soubesse todas as respostas e n�o as revelasse. Um medo doentio e f�ria invadiram-no. Golpeou ferozmente aquela coisa nojenta na sua frente; ela oscilou como uma marionete e caiu para tr�s, ainda rindo na sua cara. Ele deu mais um soco na caveira e gritou de nojo. Da�, lambeu os n�s dos dedos magoados e olhou para a vara nua; a caveira partida sorria agora a uns seis metros dele. Arrancou do buraco a vara que vibrava e segurou como uma lan�a entre ele e os destro�os brancos. Ent�o, recuou, sem tirar os olhos da caveira que jazia rindo para o c�u.</p><empty-line/><p>
  Quando o esplendor verde desapareceu do horizonte e a noite caiu totalmente, Ralph chegou outra vez � mata na frente do Castelo de Pedra. Espreitando, p�de ver que a eleva��o ainda estava ocupada e quem quer que estivesse l� em cima estava com a lan�a pronta.</p><empty-line/><p>
  Ajoelhou-se entre as sombras e sentiu amargamente seu isolamento. Eles eram selvagens, � verdade; mas eram humanos e os medos emboscados na noite profunda estavam se aproximando.</p><empty-line/><p>
  Ralph gemeu fracamente. Embora cansado, n�o podia relaxar e cair num po�o de sono, por temer a tribo. N�o seria poss�vel ir ousadamente at� o forte e dizer... �eu quero paz�, rir levemente e dormir entre os outros? Fingir que ainda eram meninos, escolares que diziam �Senhor? Sim, senhor�, e usavam bon�s? � luz do dia poderia responder que sim, mas as trevas e os horrores da morte disseram n�o. Estendido ali, na escurid�o, ele sabia que era um proscrito.</p><empty-line/><p>
  �Porque n�o perdi a cabe�a.�</p><empty-line/><p>
  Esfregou a face contra o antebra�o, sentindo o acre cheiro de sal, suor e sujeira ran�osa. � esquerda, as ondas do oceano respiravam, sugavam, depois ferviam outra vez sobre a rocha.</p><empty-line/><p>
  Havia sons provenientes de detr�s do Castelo de Pedra. Escutando com aten��o, afastando a mente do balan�o do mar, Ralph p�de perceber um ritmo familiar.</p><empty-line/><p>
  Matem o bicho! Cortem a garganta! Tirem o sangue!</p><empty-line/><p>
  A tribo estava dan�ando. Em alguma parte do outro lado dessa muralha de pedra, havia um c�rculo escuro, uma fogueira brilhante e carne. Estavam saboreando a comida e o conforto da seguran�a.</p><empty-line/><p>
  Um barulho pr�ximo fez com que estremecesse. Uns selvagens subiram pelo Castelo de Pedra, at� o cimo, e ele p�de ouvir as vozes. Avan�ou uns poucos metros e viu a forma deles l� no cume da rocha mudar e aumentar. S� havia dois meninos naquela ilha que se mexiam e falavam daquele jeito.</p><empty-line/><p>
  Ralph baixou a cabe�a, apoiando-a nos bra�os cruzados e aceitou esse novo fato como uma ferida. Sameeric agora faziam parte da tribo. Estavam guardando o Castelo de Pedra contra ele. N�o havia chance de salv�-los e estabelecer uma tribo marginal na outra ponta da ilha. Sameeric eram selvagens como o resto; Porquinho estava morto e a concha fizera-se em p�.</p><empty-line/><p>
  Afinal, a outra sentinela desceu. Os dois restantes pareciam apenas uma escura extens�o da rocha. Apareceu uma estrela atr�s deles e se eclipsou momentaneamente por algum movimento.</p><empty-line/><p>
  Ralph avan�ou, pisando o caminho irregular como se fosse cego. Havia quil�metros de vagas extens�es de �gua � sua direita e o oceano incans�vel jazia sob ele, � esquerda, t�o tem�vel como a boca de um po�o. A cada minuto a �gua respirava em volta da pedra da morte e florescia num campo de brancura. Ralph rastejou at� achar o caminho do contorno da escarpa. As sentinelas estavam logo acima dele e ele p�de ver a ponta de uma lan�a projetando-se da rocha.</p><empty-line/><p>
  Chamou baixinho.</p><empty-line/><p>
  � Sameeric...</p><empty-line/><p>
  N�o houve resposta. Para fazer-se ouvir, tinha de falar mais alto. Isso poderia tirar aquelas criaturas listradas e inamistosas da sua festa � beira da fogueira. Cerrou os dentes e come�ou a subir, descobrindo os apoios pelo tato. A lan�a que carregara a caveira atrapalhava-o, mas ele n�o se separaria da sua �nica arma. Estava quase ao n�vel dos g�meos quando falou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Sameeric...</p><empty-line/><p>
  Ouviu um grito e um movimento brusco na pedra. Os g�meos haviam-se abra�ado e balbuciaram.</p><empty-line/><p>
  � Sou eu. Ralph.</p><empty-line/><p>
  Receando que fugissem e dessem o alarma, levantou-se at� que sua cabe�a e os ombros surgissem no topo. L� embaixo, bem abaixo da sua axila, viu o florescer luminoso ao redor da rocha.</p><empty-line/><p>
  � Sou eu, s�. Ralph.</p><empty-line/><p>
  Afinal, eles se inclinaram para a frente e fixaram seu rosto.</p><empty-line/><p>
  � Pensamos que fosse...</p><empty-line/><p>
  � ...n�o sab�amos o que era...</p><empty-line/><p>
  � ...pensamos...</p><empty-line/><p>
  A lembran�a da sua nova e vergonhosa lealdade chegou at� eles. Eric ficou quieto, mas Sam tentou cumprir seu dever.</p><empty-line/><p>
  � Voc� precisa ir embora, Ralph. V� embora j�...</p><empty-line/><p>
  Brandiu a lan�a e fez uma cara feroz.</p><empty-line/><p>
  � Suma daqui. Ouviu?</p><empty-line/><p>
  Eric fez que sim e golpeou o ar com a lan�a. Ralph apoiou-se nos bra�os e ficou ali.</p><empty-line/><p>
  � Vim falar com voc�s dois.</p><empty-line/><p>
  Sua voz era rouca. A garganta estava doendo, embora n�o tivesse sido ferida.</p><empty-line/><p>
  � Vim falar com voc�s dois.</p><empty-line/><p>
  Palavras n�o podiam expressar a viva dor de tudo aquilo. Ficou quieto, enquanto estrelas luminosas se espalhavam e dan�avam por toda parte.</p><empty-line/><p>
  Sam mexeu-se, inquieto.</p><empty-line/><p>
  � � verdade, Ralph. � melhor ir embora.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou para cima outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s dois est�o pintados. Como puderam...? Se estivesse claro...</p><empty-line/><p>
  Se estivesse claro, a vergonha iria queim�-los na confiss�o daquelas coisas. Mas a noite estava escura. Eric come�ou a falar, e ent�o os g�meos come�aram sua fala antifonal.</p><empty-line/><p>
  � Voc� precisa ir embora, porque n�o � seguro...</p><empty-line/><p>
  � ...eles nos dominaram. Nos machucaram...</p><empty-line/><p>
  � Quem? Jack?</p><empty-line/><p>
  � Oh, n�o...</p><empty-line/><p>
  Inclinaram-se para ele e baixaram a voz.</p><empty-line/><p>
  � Saia daqui, Ralph...</p><empty-line/><p>
  � � uma tribo...</p><empty-line/><p>
  � ...nos obrigaram...</p><empty-line/><p>
  � N�o podemos evitar...</p><empty-line/><p>
  Quando Ralph falou outra vez, sua voz saiu baixa e sem f�lego.</p><empty-line/><p>
  � Que � que eu fiz? Eu gostava dele... e queria que f�ssemos salvos...</p><empty-line/><p>
  As estrelas derramaram-se pelo c�u. Eric sacudiu a cabe�a, seriamente.</p><empty-line/><p>
  � Ou�a, Ralph. N�o importa o que � certo. J� aconteceu...</p><empty-line/><p>
  � N�o faz mal quem seja chefe...</p><empty-line/><p>
  � ...voc� precisa ir, para seu pr�prio bem...</p><empty-line/><p>
  � O chefe e... Roger...</p><empty-line/><p>
  � ...�, Roger...</p><empty-line/><p>
  � Eles odeiam voc�, Ralph. V�o pegar voc�.</p><empty-line/><p>
  � V�o ca�ar voc� amanh�.</p><empty-line/><p>
  � Mas por qu�?</p><empty-line/><p>
  � Sei l�. E ou�a, Ralph, Jack, o chefe, disse que ser� perigoso...</p><empty-line/><p>
  � ...e que precisamos ter cuidado e atirar as lan�as como se fosse num porco.</p><empty-line/><p>
  � Vamos estender uma linha pela ilha inteira...</p><empty-line/><p>
  � ...partiremos daqui...</p><empty-line/><p>
  � At� o encontrarmos.</p><empty-line/><p>
  � Teremos de fazer sinais assim.</p><empty-line/><p>
  Eric levantou a cabe�a e fez um d�bil ulular batendo na sua boca aberta. Ent�o, olhou para tr�s, nervosamente.</p><empty-line/><p>
  � Assim...</p><empty-line/><p>
  � ...s� que mais alto, claro.</p><empty-line/><p>
  � Mas eu n�o fiz nada � cochichou Ralph, angustiado. � Eu s� queria deixar a fogueira acesa!</p><empty-line/><p>
  Fez uma pausa, pensando na mis�ria do dia seguinte. Um assunto de import�ncia capital surgiu-lhe na mente.</p><empty-line/><p>
  � O que voc�s...?</p><empty-line/><p>
  N�o p�de ser espec�fico na primeira vez; mas o medo e a solid�o estimularam-no.</p><empty-line/><p>
  � Quando me encontrarem, o que ir�o fazer?</p><empty-line/><p>
  Os g�meos ficaram quietos. Embaixo deles, a pedra da morte floresceu novamente.</p><empty-line/><p>
  � O que v�o... meu Deus! Estou com fome...</p><empty-line/><p>
  A torre de rocha pareceu oscilar sob ele.</p><empty-line/><p>
  � Bem... o qu�...?</p><empty-line/><p>
  Os g�meos responderam indiretamente � pergunta.</p><empty-line/><p>
  � Voc� precisa ir agora, Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Para seu pr�prio bem.</p><empty-line/><p>
  � V� embora. O mais longe que puder.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s n�o querem vir comigo? N�s tr�s... podemos ter uma chance de resistir.</p><empty-line/><p>
  Ap�s um momento de sil�ncio, Sam falou, numa voz estrangulada.</p><empty-line/><p>
  � Voc� n�o conhece Roger. Ele � um terror.</p><empty-line/><p>
  � ...E o chefe... ambos s�o...</p><empty-line/><p>
  � ...terr�veis...</p><empty-line/><p>
  � ...s� que Roger...</p><empty-line/><p>
  Os dois ficaram gelados. Algu�m estava subindo da tribo at� eles.</p><empty-line/><p>
  � Ele est� vindo para ver se estamos de guarda. Depressa, Ralph!</p><empty-line/><p>
  Enquanto se preparava para descer a eleva��o, Ralph tentou tirar a �ltima poss�vel vantagem daquele encontro.</p><empty-line/><p>
  � Vou ficar aqui perto, naquele mato l� embaixo � sussurrou. � Fa�am com que fiquem longe dali. Nunca pensar�o em procurar t�o perto...</p><empty-line/><p>
  Os passos ainda estavam a alguma dist�ncia.</p><empty-line/><p>
  � Sam... n�o vai acontecer nada comigo, n�o �?</p><empty-line/><p>
  Os g�meos ficaram quietos outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Olhe! � disse Sam, de repente. � Tome isto...</p><empty-line/><p>
  Ralph sentiu um peda�o de carne apertado contra seu corpo e o agarrou.</p><empty-line/><p>
  � Mas o que v�o fazer quando me pegarem?</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio. Ralph pensou que estava parecendo um idiota. Come�ou a descer.</p><empty-line/><p>
  � O que v�o fazer...?</p><empty-line/><p>
  Do topo da torre de rocha veio a resposta incompreens�vel.</p><empty-line/><p>
  � Roger afiou duas pontas numa vara.</p><empty-line/><p>
  Roger afiou duas pontas numa vara. Ralph tentou dar um significado a isso, mas n�o conseguiu. Usou todos os palavr�es que conhecia, num ataque de f�ria que se transformou num bocejo. Quanto tempo se podia passar sem dormir? Ansiava por uma cama e len��is... mas a �nica brancura que havia ali era o leite que se derramava devagar e luminoso em volta da rocha a 12 metros abaixo, onde Porquinho ca�ra. Porquinho estava em toda parte, estava no seu pesco�o, tornara-se terr�vel na escurid�o e na morte. Se Porquinho voltasse da �gua, com sua cabe�a vazia... Ralph solu�ou e bocejou como um dos pequenos. A vara que segurava tornou-se uma muleta em que se apoiava.</p><empty-line/><p>
  Ent�o, ficou tenso de novo. Havia vozes no topo do Castelo de Pedra. Sameeric discutiam com algu�m. Mas as samambaias e a grama estavam pr�ximas. Era o lugar para onde iria, escondido e perto do mato que serviria para o ref�gio de amanh�. Aqui, e suas m�os tocaram a grama, era um lugar para ficar � noite, n�o muito longe da tribo, de modo que se os horrores do sobrenatural aparecessem, daria para juntar-se aos outros, pelo menos, mesmo que isso fosse...</p><empty-line/><p>
  Fosse o qu�? Uma vara afiada nas duas pontas. O que era isso? Haviam atirado lan�as e errado o alvo. Todas menos uma. Talvez tamb�m errassem da pr�xima vez.</p><empty-line/><p>
  Sentou-se de c�coras na grama alta, lembrou-se da carne que Sam lhe dera e come�ou a mord�-la vorazmente. Enquanto estava comendo, ouviu novos barulhos � gritos de dor de Sameeric, gritos de p�nico, vozes furiosas. O que estava acontecendo? Algu�m al�m dele estava encrencado, pois pelo menos um dos g�meos levava uma surra. Ent�o, as vozes perderam-se ao p� da rocha e ele deixou de pensar nelas. Tateou e achou umas frondes delicadas e frescas junto ao mato. Seria ali o abrigo noturno. Com a primeira luz, ele se meteria no mato, se enfiaria entre os caules retorcidos, se meteria por l� t�o profundamente que s� algu�m que se aventurasse igualmente poderia entrar. E esse seria atravessado pela sua lan�a. Ali, poderia sentar-se e os perseguidores passariam por ele. O cord�o de selvagens iria em frente, ululando pela ilha e ele estaria livre.</p><empty-line/><p>
  Meteu-se entre as samambaias, fazendo um t�nel. Deixou a lan�a a seu lado e se estendeu na escurid�o. N�o deveria esquecer de acordar com a primeira luz, para enganar os selvagens... N�o soube com que rapidez o sono veio e o precipitou num escuro declive l� dentro de si.</p><p>Acordou antes de abrir os olhos, ouvindo um barulho bem pr�ximo. Abriu um olho, viu que o ch�o estava a uns cent�metros do rosto e se grudou a ele; a luz filtrava-se por entre as folhas das samambaias. S� teve tempo de compreender que os intermin�veis pesadelos de quedas e mortes haviam passado e que a manh� chegara, quando ouviu outra vez o som. Era um ulular � beira do oceano... agora, o pr�ximo selvagem respondia, depois o outro. O grito passou por ele cruzando o estreito extremo da ilha, do mar � lagoa, como o grito de um p�ssaro em voo. N�o perdeu tempo em pensar: pegou a lan�a afiada e recuou, metendo-se entre as samambaias. Poucos segundos depois, enfiava-se pelo mato cerrado. Mas n�o antes de vislumbrar as pernas de um selvagem que vinha na sua dire��o. As samambaias foram sacudidas e batidas, ele ouviu pernas que se moviam na grama alta. O selvagem, quem quer que fosse, ululou duas vezes; o grito foi repetido em ambas as dire��es, depois morreu. Ralph se agachou, im�vel, enredado entre os caules baixos, e n�o ouviu nada por algum tempo.</p><empty-line/><p>
  Afinal, come�ou a examinar o mato. Certamente, ningu�m poderia atac�-lo ali. Al�m disso, tivera um golpe de sorte. A grande rocha que matara Porquinho havia pulado sobre esse mato, ricocheteara ali, bem no centro, formando um espa�o chato de quase um metro de di�metro. Quando Ralph deslizou at� ali, sentiu-se seguro e esperto. Sentou-se cuidadosamente entre os caules esmagados e esperou que a ca�ada passasse. Olhando para cima, entre as folhas, vislumbrou algo vermelho. Deveria ser o cimo do Castelo de Pedra, remoto e sem amea�as. Tranquilizou-se triunfalmente ao ouvir os sons da ca�ada desaparecendo.</p><empty-line/><p>
  Entretanto, n�o se ouvia som algum; � medida que os minutos passavam, na sombra verde, seu sentimento de triunfo foi passando.</p><empty-line/><p>
  Afinal, ouviu uma voz, a voz de Jack, apenas um sussurro.</p><empty-line/><p>
  � Tem certeza?</p><empty-line/><p>
  O selvagem a quem se dirigira n�o disse nada. Talvez tivesse feito um gesto.</p><empty-line/><p>
  Roger falou.</p><empty-line/><p>
  � Se voc� est� nos enganando...</p><empty-line/><p>
  Imediatamente ap�s, soaram um arfar e um grito de dor. Ralph agachou-se instintivamente. Um dos g�meos estava ali, fora do mato, com Jack e Roger.</p><empty-line/><p>
  � Tem certeza de que ele disse aqui?</p><empty-line/><p>
  O g�meo arfou baixinho e gritou de novo.</p><empty-line/><p>
  � Ele disse que se esconderia aqui?</p><empty-line/><p>
  � Sim... sim... oh!</p><empty-line/><p>
  A risada cristalina espalhou-se entre as �rvores.</p><empty-line/><p>
  Logo, sabiam.</p><empty-line/><p>
  Ralph empunhou a lan�a e se preparou para a luta. Mas o que poderiam fazer? Levariam uma semana para abrir caminho pelo matagal. E qualquer um que viesse se arrastando por ali estaria indefeso. Experimentou a ponta da lan�a com o polegar e sorriu sem alegria. Quem tentasse se aproximar seria espetado e ficaria guinchando como um porco.</p><empty-line/><p>
  Estavam se afastando, de volta � torre de pedra. P�de ouvir os p�s se mexendo e, ent�o, algu�m rindo. Veio de novo aquele grito alto, parecido com o de um p�ssaro, que passou por toda a ilha. Ent�o alguns ainda estavam procurando por ele, mas... e os outros?...</p><empty-line/><p>
  Houve um sil�ncio comprido e ele prendeu a respira��o. Ralph descobriu que ficara mordiscando a lan�a e estava com pedacinhos de madeira na boca. Levantou-se e olhou para o Castelo de Pedra.</p><empty-line/><p>
  Quando olhou, ouviu a voz de Jack, l� de cima.</p><empty-line/><p>
  � Empurrem! Empurrem! Empurrem!</p><empty-line/><p>
  A pedra vermelha que ele podia ver no cimo da escarpa desapareceu como uma cortina e ele p�de ver algumas figuras e o c�u azul. Um momento depois, a terra tremeu, houve um ru�do de algo que se precipitava no ar e uma m�o gigantesca pareceu cobrir o alto do matagal. A rocha ricocheteou, chocando-se e esmagando, na dire��o da praia, enquanto uma chuva de folhas e ramos partidos caiu nele. Al�m do matagal, a tribo aplaudia.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio de novo.</p><empty-line/><p>
  Ralph colocou os dedos na boca e os mordeu. S� havia mais uma pedra l� em cima que aparentemente poderiam empurrar; mas ela era grande como uma casa pequena, como um carro, um tanque. Imaginou sua trajet�ria prov�vel com agonizante clareza. Ela come�aria a cair devagar, batendo de sali�ncia em sali�ncia, e rolaria pelo istmo como um enorme rolo compressor.</p><empty-line/><p>
  � Empurrem! Empurrem! Empurrem!</p><empty-line/><p>
  Ralph largou a lan�a e depois a pegou. Puxou o cabelo para tr�s irritadamente, deu dois r�pidos passos pelo pequeno espa�o e voltou ao lugar primitivo. Ficou olhando para as pontas quebradas dos galhos.</p><empty-line/><p>
  Ainda sil�ncio.</p><empty-line/><p>
  Percebeu o vaiv�m do seu diafragma e ficou espantado ao ver como estava respirando depressa. � esquerda do centro, as batidas do seu cora��o eram vis�veis. Largou a lan�a outra vez.</p><empty-line/><p>
  � Empurrem! Empurrem! Empurrem!</p><empty-line/><p>
  Um viva agudo e prolongado.</p><empty-line/><p>
  Algo bramiu no alto da rocha vermelha, a terra deslocou-se e come�ou a tremer uniformemente, enquanto o barulho crescia como o mesmo ritmo. Ralph foi lan�ado ao ar, arrojado para baixo, atirado contra os galhos. � direita, a alguns passos, o matagal inteiro se curvou e as ra�zes sa�ram rumorosamente da terra. Viu algo vermelho que girava lentamente como uma roda de moinho. Ent�o a coisa vermelha passou e o avan�o formid�vel diminuiu rumo ao mar.</p><empty-line/><p>
  Ralph ajoelhou-se no solo revolvido e esperou que a terra voltasse ao normal. Afinal, os caules brancos e partidos, os ramos quebrados e o emaranhado do matagal entraram em foco novamente. Havia uma esp�cie de pesada sensa��o no seu corpo, onde ele percebera antes seu pr�prio pulsar.</p><empty-line/><p>
  Sil�ncio de novo.</p><empty-line/><p>
  Mas n�o total. Cochichavam l� fora e, de repente, os galhos estremeceram furiosamente em dois lugares � sua direita. A ponta afiada de uma lan�a apareceu. Em p�nico, Ralph enfiou sua pr�pria arma pelo orif�cio e golpeou com toda a for�a.</p><empty-line/><p>
  � Aah-ah!</p><empty-line/><p>
  A lan�a tremeu um pouco nas suas m�os e ele a puxou de volta.</p><empty-line/><p>
  � Oooh-oh!</p><empty-line/><p>
  Algu�m gemeu do lado de fora e irrompeu uma confus�o de vozes. Uma feroz discuss�o estava sendo travada e o selvagem ferido continuava se lamentando. Ent�o houve um sil�ncio e uma voz falou. Ralph percebeu que n�o era a de Jack.</p><empty-line/><p>
  � Viu? Eu disse, ele � perigoso.</p><empty-line/><p>
  O selvagem ferido gemeu novamente.</p><empty-line/><p>
  E agora? O que viria?</p><empty-line/><p>
  Ralph crispou as m�os em volta da lan�a mordida e seu cabelo caiu. Algu�m estava resmungando, a poucos metros dali, na dire��o do Castelo de Pedra. Ouviu um selvagem dizer �N�o!�, com uma voz chocada; seguiu-se um riso abafado. Ele recuou, de c�coras, e mostrou os dentes para o muro de galhos. Levantou a lan�a, deu uns roncos e esperou.</p><empty-line/><p>
  O grupo invis�vel riu de novo. Ouviu um som curioso de algo deslizando, depois um alto crepitar como se algu�m estivesse desenrugando grandes folhas de celofane. Um ramo estalou e ele sufocou uma tosse. A fuma�a enfiou-se por entre os galhos em rolos brancos e amarelos, a mancha de c�u azul sobre sua cabe�a ficou da cor de uma nuvem de chuva e logo a fuma�a cresceu em torno dele.</p><empty-line/><p>
  Algu�m riu excitadamente e uma voz gritou.</p><empty-line/><p>
  � Fuma�a!</p><empty-line/><p>
  Abriu caminho pelo matagal rumo � floresta, mantendo-se o mais poss�vel sob a fuma�a. Viu um espa�o aberto e as folhas verdes do fim do mato cerrado. Um selvagem pequeno estava entre ele e o resto da floresta, um selvagem listrado de branco e vermelho, carregando uma lan�a. Estava tossindo e borrando a pintura dos olhos com as costas da m�o, enquanto tentava ver atrav�s da fuma�a crescente.</p><empty-line/><p>
  Ralph investiu como um gato, dando estocadas e grunhindo; o selvagem se dobrou em dois. Houve um grito do outro lado do matagal e Ralph come�ou a correr com a rapidez do medo por entre os arbustos. Chegou a uma trilha de porcos, seguiu-a por uns metros e mudou de dire��o. Atr�s dele, o ulular varreu a ilha outra vez e uma voz isolada gritou tr�s vezes. Adivinhou que era o sinal para avan�ar e fugiu novamente, at� seu peito ficar em fogo. Enfiou-se debaixo de uma grande moita e esperou um momento at� a respira��o voltar ao normal. Passou a l�ngua lentamente pelos dentes e l�bios, ouvindo ao longe o ulular dos perseguidores.</p><empty-line/><p>
  Havia muitas coisas que podia fazer. Podia subir numa �rvore, mas isso seria arriscar tudo, numa s� cartada. Se fosse descoberto, s� precisariam esperar um pouco.</p><empty-line/><p>
  Se tivesse tempo de pensar!</p><empty-line/><p>
  Outro grito duplo a mesma dist�ncia deu-lhe uma ideia do plano deles. Qualquer selvagem detido na floresta lan�aria esse grito duplo, imobilizando a linha at� ficar livre de novo. Desse jeito, esperavam manter o cord�o intacto atrav�s da ilha. Ralph pensou no javali que passara por eles com tanta facilidade. Se necess�rio, quando a persegui��o chegasse muito perto, ele investiria contra o cord�o, enquanto este ainda estivesse fraco, romperia o cerco e fugiria. Mas para onde? O cord�o viraria e iria atr�s dele outra vez. Mais cedo ou mais tarde, teria de comer ou dormir e ent�o seria desperto por m�os o agarrando, e a ca�ada se converteria em morte.</p><empty-line/><p>
  O que poderia fazer ent�o? A �rvore? Romper o cerco como um javali? De qualquer modo, a escolha era terr�vel.</p><empty-line/><p>
  Um grito isolado apressou sua pulsa��o e, pondo-se de p�, correu para o lado do oceano e para a floresta cerrada at� ser detido pelas trepadeiras. Ficou ali um momento, com os calcanhares latejantes. Se pelo menos tivesse um pouco de paz, uma pausa longa, tempo para pensar!</p><empty-line/><p>
  E outra vez, agudo e inevit�vel, o grito ululante cruzou a ilha. Ralph levantou bruscamente a cabe�a entre as trepadeiras, como um cavalo, e correu novamente at� ficar ofegante. Enfiou-se sob umas samambaias. A �rvore ou a carga? Reteve a respira��o por um instante, esfregou a boca e recomendou calma a si pr�prio. Sameeric estavam em alguma parte daquela linha e odiando isso. Ou n�o? E se, em vez deles, encontrasse o chefe ou Roger, que tinha a morte nas m�os?</p><empty-line/><p>
  Ralph puxou o cabelo revolto para tr�s, enxugou o suor que ca�a no seu olho melhor. Falou alto.</p><empty-line/><p>
  � Pense.</p><empty-line/><p>
  Qual seria a coisa mais razo�vel a fazer?</p><empty-line/><p>
  N�o havia Porquinho para falar em nome da raz�o. N�o havia uma reuni�o solene para se debater, nem a dignidade da concha.</p><empty-line/><p>
  � Pense.</p><empty-line/><p>
  E mais: come�ava a temer a cortina que poderia bloquear sua mente, tirar o sentido do perigo, transformando-o num d�bil mental.</p><empty-line/><p>
  Uma terceira ideia seria esconder-se t�o bem que a linha dos perseguidores passasse sem o descobrir.</p><empty-line/><p>
  Levantou a cabe�a rapidamente e escutou. Havia outro barulho para chamar sua aten��o agora � um ronco profundo como se a pr�pria floresta estivesse furiosa com ele, um ru�do sombrio onde os gritos ululantes se inscreviam nitidamente como numa lousa. Sabia que o ouvira antes, em alguma parte, mas n�o tinha tempo de se lembrar.</p><empty-line/><p>
  Romper a linha.</p><empty-line/><p>
  A �rvore.</p><empty-line/><p>
  Esconder-se e deix�-los passar.</p><empty-line/><p>
  Levantou-se ao soar um grito pr�ximo e imediatamente ap�s estava correndo de novo, enfiando-se rapidamente entre espinheiros e arbustos. De repente, viu-se ao ar livre, percebeu que estava novamente naquela clareira � l� estava o abissal sorriso da caveira, n�o mais ridicularizando uma mancha de profundo c�u azul, mas escarnecendo de um len�ol de fuma�a. Depois, Ralph correu por entre �rvores, resolvido o mist�rio do ronco da floresta. Haviam-no feito sair com a fuma�a e acabaram pondo fogo na ilha.</p><empty-line/><p>
  Esconder-se era melhor que subir em uma �rvore, porque teria a chance de romper o cerco caso fosse descoberto.</p><empty-line/><p>
  Esconder-se, ent�o.</p><empty-line/><p>
  Imaginou se o porco concordaria e fez uma careta para o nada. Descobrir o matagal mais cerrado, a cova mais escura da ilha e ficar l�. Agora, ao correr, olhava em torno de si. Listras e gotas de luz solar adejavam sobre ele e o suor tra�ava faixas brilhantes no seu corpo sujo. Os gritos estavam longe agora, bem fracos.</p><empty-line/><p>
  Afinal, descobriu o que parecia ser o lugar ideal, embora a decis�o fosse desesperada. Ali, os arbustos e uma selvagem rede de trepadeiras faziam uma esp�cie de esteira que n�o deixava passar a luz do sol. Al�m, havia um espa�o, talvez de uns trinta cent�metros de altura, embora atravessado por caules verticais e paralelos. Se conseguisse chegar � metade daquele espa�o, ficaria a uns cinco metros da borda, bem escondido, a n�o ser que um dos selvagens viesse rastejando para busc�-lo; mesmo ent�o, estaria no escuro � e se o pior acontecesse e fosse descoberto, ent�o ainda teria uma oportunidade de se lan�ar sobre ele, pegar a linha desprevenida e passar para o outro lado.</p><empty-line/><p>
  Cuidadosamente, com a lan�a arrastando-se atr�s dele, Ralph enfiou-se por entre os caules verticais. Quando chegou ao meio do esconderijo, deitou-se e prestou aten��o.</p><empty-line/><p>
  O fogo era grande e o ronco que ele pensara ter deixado t�o longe, para tr�s, estava perto. O fogo poderia correr mais r�pido que um cavalo a galope? Podia ver o ch�o manchado de sol numa �rea de talvez cinquenta metros de onde estava. Enquanto olhava, a luz de cada mancha piscava para ele. Era t�o parecido com a cortina que se abria e fechava no seu c�rebro que, por um momento, pensou que tinha acontecido de novo. Mas ent�o as manchas piscaram mais rapidamente, empalideceram e se apagaram. Ralph viu que uma pesada nuvem de fuma�a estava entre a ilha e o sol.</p><empty-line/><p>
  Se algu�m espiasse sob os arbustos e visse por acaso uma carne humana � seu corpo � poderia ser Sameeric e eles fingiriam n�o ver e nada diriam. Colou a face contra a terra cor de chocolate, passou a l�ngua nos l�bios secos e fechou os olhos. Sob o mato, a terra vibrava bem de leve, ou talvez fosse um som que jazia sob o trovejar do fogo e o ondulante ulular, muito baixo para ser ouvido.</p><empty-line/><p>
  Algu�m gritou. Ralph levantou o rosto da terra e olhou na luz opaca. Agora deveriam estar perto, pensou, e seu peito come�ou a saltar. Esconder-se, romper a linha, subir numa �rvore � afinal, o que seria melhor? O problema � que s� teria uma chance.</p><empty-line/><p>
  Agora, o fogo estava mais pr�ximo. Aquelas salvas eram grandes galhos, at� troncos, estalando. Os idiotas! Os idiotas! O fogo deveria estar quase nas �rvores frut�feras � o que iriam comer amanh�?</p><empty-line/><p>
  Ralph agitou-se inquieto no seu leito estreito. N�o arriscava nada! O que poderiam fazer? Bater nele? E da�? Mat�-lo? Uma vara afiada nas duas pontas.</p><empty-line/><p>
  Os gritos, subitamente mais pr�ximos: e ele se levantou, r�pido. P�de ver um selvagem listrado que sa�a apressadamente de um emaranhado verde, vindo na dire��o do lugar em que ele se escondia. Um selvagem que carregava um lan�a. Ralph enfiou os dedos dos p�s na terra. Tinha que estar pronto, caso precisasse.</p><empty-line/><p>
  Ralph tateou a lan�a para peg�-la com a ponta voltada para fora. Agora viu que a sua lan�a era afiada nas duas pontas.</p><empty-line/><p>
  O selvagem parou a uns 15 metros e soltou o grito.</p><empty-line/><p>
  Talvez ele possa ouvir meu cora��o por sobre os barulhos do fogo. N�o grite. Fique alerta.</p><empty-line/><p>
  O selvagem adiantou-se a ponto de s� poder v�-lo da cintura para baixo. O cabo da lan�a. Agora, s� do joelho para baixo. N�o grite.</p><empty-line/><p>
  Uma vara de porcos apareceu guinchando do matagal atr�s do selvagem e correu para a floresta. P�ssaros gritavam, ratos guinchavam e uma pequena coisa que andava aos saltos veio para baixo dos arbustos e se escondeu ali.</p><empty-line/><p>
  A cinco metros, o selvagem parou, de p� junto aos arbustos, e gritou. Ralph encolheu os p�s e se agachou. A lan�a estava nas suas m�os, a vara afiada nas duas pontas, a vara que vibrava tanto, que era comprida, curta, leve, pesada, leve outra vez.</p><empty-line/><p>
  O ulular espalhou-se de praia a praia. O selvagem ajoelhou-se � beira do matagal e havia luzes faiscando na floresta atr�s dele. Podia-se ver um joelho apoiado no ch�o. O outro. Duas m�os. Uma lan�a.</p><empty-line/><p>
  Um rosto.</p><empty-line/><p>
  O selvagem espiou para dentro da escurid�o por baixo do mato. Podia ver luz num dos lados, no outro, mas n�o no meio � ali no meio havia uma bolha de escurid�o e o selvagem franziu a cara, tentando decifrar as trevas.</p><empty-line/><p>
  Os segundos alongavam-se. Ralph olhou direto para os olhos do selvagem.</p><empty-line/><p>
  N�o grite.</p><empty-line/><p>
  Voc� vai voltar.</p><empty-line/><p>
  Agora ele viu voc�, s� est� querendo ter certeza. Uma vara afiada.</p><empty-line/><p>
  Ralph gritou, um grito de medo, f�ria e desespero. Suas pernas se esticaram, os gritos tornaram-se cont�nuos e espumantes de �dio. Lan�ou-se para a frente, pelo matagal, surgiu na clareira gritando, uivando, sangrando. Atirou a lan�a e o selvagem caiu. Desviou-se, enquanto uma lan�a errava o alvo e da� veio o sil�ncio, enquanto corria. Imediatamente, as luzes que faiscavam � frente dele fundiram-se, o rugido da floresta cresceu num trov�o e um alto arbusto bem no seu caminho queimou numa imensa chama em forma de leque. Virou para a direita, correndo desesperadamente depressa, com o cora��o batendo no seu lado esquerdo e o fogo correndo para a frente como uma mar�. O ulular cresceu por tr�s dele e se espalhou, uma s�rie de gritos curtos e agudos, o chamado de aviso. Uma figura bronzeada apareceu � sua direita e caiu. Estavam todos correndo, gritando loucamente. P�de ouvi-los caindo no mato e, � esquerda, havia o trovejar quente e brilhante do fogo. Esqueceu suas feridas, sua fome e sede e se tomou de medo; medo sem esperan�a, de p�s que voavam, correndo pela floresta para a praia aberta. Ante seus olhos saltaram manchas que se transformaram em c�rculos vermelhos que se dilataram rapidamente at� se perderem de vista. Suas pernas, sim, eram suas pernas que estavam ficando cansadas e o ulular desesperado progredia como uma franja dentada de amea�a, quase em cima dele.</p><empty-line/><p>
  Trope�ou numa raiz e o grito que o perseguia ficou mais alto ainda. Viu uma cabana arder em chamas e o fogo adejar sobre seu ombro direito. Mas ali estava o brilho da �gua. Ent�o caiu, rolou e rolou na areia quente, encolhido e com um bra�o levantado para se proteger, tentando gritar, num pedido de miseric�rdia.</p><empty-line/><p>
  Ficou de p�, preparado para mais terrores e olhou para um grande qu�pi. Era um qu�pi de copa branca e sobre a sombra verde da viseira havia uma coroa, uma �ncora, folhas douradas. Viu um pano branco, dragonas, um rev�lver, uma fileira de bot�es brilhantes de um uniforme.</p><empty-line/><p>
  Um oficial naval estava de p� na areia, olhando para baixo, para Ralph, num espanto cauteloso. Na praia, por tr�s dele, havia um escaler com os remos levantados, nas m�os de dois marinheiros. No banco traseiro, outro marinheiro segurava uma metralhadora.</p><empty-line/><p>
  O ulular vacilou e sumiu.</p><empty-line/><p>
  O oficial olhou hesitante para Ralph, depois tirou a m�o da coronha do rev�lver.</p><empty-line/><p>
  � Ol�.</p><empty-line/><p>
  Tremendo um pouco, consciente da sua apar�ncia desagrad�vel, Ralph respondeu timidamente.</p><empty-line/><p>
  � Ol�.</p><empty-line/><p>
  O oficial fez um gesto de assentimento, como se ele houvesse respondido a uma pergunta.</p><empty-line/><p>
  � H� alguns adultos... algum adulto com voc�?</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu silenciosamente a cabe�a. Deu uma meia-volta na areia. Um semic�rculo de meninos, com os corpos listrados de argila colorida, paus afiados nas m�os, estava ali na praia, bem quietos.</p><empty-line/><p>
  � Voc�s est�o se divertindo � be�a � disse o oficial.</p><empty-line/><p>
  O fogo chegou nos coqueiros junto � praia e os devorou ruidosamente. Uma chama, aparentemente isolada, torceu-se como um acrobata e lambeu as frondes das palmeiras na plataforma. O c�u estava negro.</p><empty-line/><p>
  O oficial sorriu alegremente para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Vimos sua fuma�a. O que estavam fazendo? Uma guerra ou algo assim?</p><empty-line/><p>
  Ralph assentiu.</p><empty-line/><p>
  O oficial examinou o pequeno espantalho � sua frente. O menino precisava de um banho, de um corte de cabelo, de uma assoada de nariz e de uma boa quantidade de unguento.</p><empty-line/><p>
  � Ningu�m morreu, espero. H� algum cad�ver?</p><empty-line/><p>
  � S� dois. E sumiram.</p><empty-line/><p>
  O oficial inclinou-se para baixo e olhou bem de perto para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Dois? Assassinados?</p><empty-line/><p>
  Ralph concordou com um gesto. Atr�s dele, toda a ilha estremecia em chamas. O oficial sabia, por of�cio, quando as pessoas falavam a verdade. Assobiou baixinho.</p><empty-line/><p>
  Outros meninos apareceram, alguns deles muito pequenos, bronzeados, com as barrigas protuberantes de pequenos selvagens. Um deles chegou perto do oficial e olhou para cima.</p><empty-line/><p>
  � Eu sou, eu sou...</p><empty-line/><p>
  Mas n�o houve nada mais. Percival Wemys Madison procurou na sua mente um encantamento que se apagara totalmente.</p><empty-line/><p>
  O oficial virou-se para Ralph.</p><empty-line/><p>
  � Vamos levar voc�s. Quantos s�o?</p><empty-line/><p>
  Ralph sacudiu a cabe�a. O oficial olhou, al�m dele, para o grupo de meninos pintados.</p><empty-line/><p>
  � Quem � o chefe aqui?</p><empty-line/><p>
  � Eu � disse Ralph, em voz alta.</p><empty-line/><p>
  Um menino que usava os restos de um extraordin�rio bon� preto no cabelo ruivo e carregava o que sobrara de um par de �culos no pulso, adiantou-se, depois mudou de ideia e ficou quieto.</p><empty-line/><p>
  � Vimos sua fuma�a. E voc� n�o sabe quantos s�o?</p><empty-line/><p>
  � N�o.</p><empty-line/><p>
  � Eu imaginava... � come�ou o oficial enquanto pensava na busca que iria ser necess�ria. � Eu imaginava que um grupo de meninos brit�nicos... voc�s s�o brit�nicos, n�o �?... seria capaz de apresentar um espet�culo melhor que esse... quero dizer...</p><empty-line/><p>
  � No come�o foi tudo bem � disse Ralph �, antes que as coisas...</p><empty-line/><p>
  Parou.</p><empty-line/><p>
  � Est�vamos reunidos ent�o...</p><empty-line/><p>
  O oficial concordava, animando-o.</p><empty-line/><p>
  � Eu sei. Uma coisa e tanto. Como a Ilha de Coral.</p><empty-line/><p>
  Ralph olhou-o em sil�ncio. Por um instante, vislumbrou uma imagem fugaz do estranho encanto que outrora dominara as praias. Mas a ilha estava carbonizada como lenha usada... Simon morrera... e Jack havia... As l�grimas come�aram a correr-lhe pelas faces e solu�os sacudiram-no. Pela primeira vez, desde que chegara � ilha, entregou-se ao choro; grandes e convulsivos espasmos de tristeza pareciam torcer todo o seu corpo. Sua voz elevou-se sob a fuma�a negra diante dos restos incendiados da ilha; contagiados por aquela emo��o, os outros meninos come�aram a tremer e a solu�ar. No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo, Ralph chorou pelo fim da inoc�ncia, pela escurid�o do cora��o humano e pela queda no ar do verdadeiro e s�bio amigo chamado Porquinho.</p><empty-line/><p>
  O oficial, cercado por todo esse ru�do, ficou emocionado e um pouco embara�ado. Virou-se para dar tempo a que se recuperassem. Esperou, deixando os olhos fixos no garboso cruzador a dist�ncia.</p></section><section><p><strong>Sobre o autor</strong></p><p>William Gerald Golding nasceu em 1911, na Inglaterra. Em 1935, ap�s publicar um volume de poemas, gradua-se em literatura inglesa na Universidade de Oxford. Al�m de escritor, trabalhou como professor e dramaturgo.</p><empty-line/><p>
  Ingressa na Marinha inglesa em 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa da ofensiva que persegue e afunda o navio alem�o Bismarck e do desembarque das tropas aliadas na Normandia em 1944. Depois da guerra, volta a lecionar. Seu romance de estreia foi O senhor das moscas, publicado em 1954. Na sequ�ncia, viriam Os herdeiros (1955) e Queda livre (1959), entre outros t�tulos.</p><empty-line/><p>
  Em 1980, recebe o Booker Prize pelo livro Ritos de passagem. Em 1983, � agraciado com o Pr�mio Nobel de literatura. Cinco anos depois, � intitulado cavaleiro do Imp�rio Brit�nico. Golding morreu em 1993, deixando um romance inacabado.</p></section></body><binary id="cover" content-type="image/jpeg">/9j/2wBDAAUDBAQEAwUEBAQFBQUGBwwIBwcHBw8LCwkMEQ8SEhEPERETFhwXExQaFRERGCEYGh0dHx8fExciJCIeJBweHx7/2wBDAQUFBQcGBw4ICA4eFBEUHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh7/wAARCAOdAmgDASIAAhEBAxEB/8QAHQAAAQQDAQEAAAAAAAAAAAAABAACAwUBBgcICf/EAGYQAAEDAgQDBQQFBwUKBw0FCQEAAgMEEQUSITEGQVEHEyJhcQgygZEUQqGx0RUjUmLB4fAJM3KC8RYkQ1NzkpOUorIXNVRjdHWzGCU0NzhEVWSDhJXC0jZ2o7TE0+ImRVZXhePy/8QAGAEBAQEBAQAAAAAAAAAAAAAAAAECAwT/xAAeEQEBAQEBAQEAAwEAAAAAAAAAARECITESA0FRIv/aAAwDAQACEQMRAD8A7JG9zm2cbWPXy9E58J0LXDVDh4sQL7/sUnenLuf4C89D2BwfYuWZg7M21hp1/coy4l2bX5qZkl8oNys6B5Xuvvex6+foh3B7TfMNtr/uRT2kvO+p/asMhL3AElalwCRF1tefms5SXHW+iIdTZXEgkpMyjQi1h1T9jMWXbS45lKXQlItYSMp09SnTRExusTttqoB2zC9tPmiYySHWduqKemnz3a1wF+pUsdRPC1wJNhyN1qc6LJ73MB8QNjsOSoMUqywkkDL5qDFMeMDTdtgP0ea07GOJoZmOjkeYmdTqtSIlxjEmSkgOAOuvILXJ5rkticCbe8AdUFXVMMzgYZmPvtYhRtkYwhrnsZpqbBaXEhkjicC5xkceWuiCnqXh9m2bf6uqjfPAZMoeHEc0GaqmDiHvF+t1JAJiUdQycVNEZGzN1IANiphJS4vRu75mSrYPEBe+yLiq4WkBr2m/O6q8TgMdSaijyskPProtyC4wjFJ30T6GsBmjA8L9bhTcLcRRR1kmHVDy1pcchJIvqqCpqXsb9KhjDZGH87GBYFUGISsqaltRAQyRr9ABtqmDpfElSY4LM0adTvrquZ1WZ9QXjYu0Wzw4rHWYa6nqLd80WJPNa3UtAlvGczR5JJglbJYZ2kscBsqyqrT3hZJmdqpKl7mguYT8VWzuL3E3N1QqgB5LgMt0ObhONyFgWsgwkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkslYQJJJZQY2WVljHP2a4/BTiiqXNziF1vRAOssHUIiKhq5XZGwuv6ImPBq0HxRu+SAINJ2CyG2OoCPdhFYwn82dEM+jqWv8UbkCbY2uApY2sF9tVA6mmBIDHLMcb2uGZhQWEZaH6jUEI2mks0C2W4CovpLg8eHonsrXAatPJPrONgZVhjCCA4/uUEkneE5hcfuVQ2rzO1BClE55FGp6PdK9x/RA5a6Iuk7yRwyggdRfXVVcLnPPP4q0pJ44GEufccxbzQGNpHyHK1vq48tVM2igjFnvLndA3fVB/lJrn+C7R6b6qSGrgY4u0LvuRNHU9PcZrb+RRkNMweIkC3keir4q7UFjd/JOdUPkDsxLT6eSmqt3TwU7AQ4G/r0TqeZjznGqoGglwDiTfy8kXHUfRWm2p9FPyLoiMlxePRQmohzNvpY/LVU9RWufL4n6WOo9UG+tNyGDnpcb6p+TV1NKx1sr7gu5oSWSJuUnV2m3JVMJmlk8YLRdTRNccr2i9iNCFoTSPLiO7bZt+d0JO0HNZ1j0F+iJyknV32IWrfHE2+W7utvJAFVttckcvPoquZwzaGyLrZwQ43ubbfBVc0hNtLIkZlIadFC52qw4uO6Y66Ky5xJWNysBZtZBhJJJB7qfmGoPrv0UkL9g79vRPlZmuLFvTTyUT4jpa/8AAXH6JjqTl2+KmZmJH4FDwMIJva6Mj8OW7Vmhron6G2g9eqx4rjl80+d5AJadf3obvH57WJWBMHEAAm/zUUwJcbbkeaw3OSLhOeWtILuX4K/BC+ncLuaST8ViKZzXFriftUwnba1wfMIeWRgc43Aumh73NdsTc+qrsQFg7mfipZJXW8LhoqvEJ3HNm1HULpBS4rRula6wGo11WpYrh8RY5sga7otrxStiDHZWuOnXZaXjOKMu8MF1qTRq+MYQ6MF1KWx26HVa/LiFfRS2klZM3mHWV/W4hKCbtzKixKenqb3tnvrmvZakDfy5FNDbuxm5nQFQsqadwGUPN97gKlnpszswuCNiCn0tVLDZs8d2X5ELQ2aKzg0RZQ34X2Waovy6OuR6KvonQz2dHJkHTMOiLex5Y4kusNvEOiCM1obGY3sNjoXWCoauPuasvj0jcbnbqrSoySwuivke3xE3tdU5zOls92fWw8tUBmXP3czHEa2GnmlIJYnnayZHMGtDXiwWamoaYwAjIOte4g+fRAvYQ65J2RE03iGU2Hmh3vJ3Ro1wBAATCLLLr5tAVjdyDCSSSBJJLCDKSSSBJJJIMpXKwL81nKTsgwsqamp5ZnZWNV/Q8NTTNzPdZBrTWSOcAGnyRcOHVMpBynLzW90HDrG07Q5ua34K7w3CKSCVolaLPuPRZvWDmsGDSS+EktPJWUXDb4aMSuu9zjoF1McNUcTDO5zLi5AWqcQ4kxkj6OHK0tOnnqk60CcG8MQ1VeWVIblabu0C6RScG0VU+0ULe6G3hC51hWMugxSCOJwyv/nHXC7TheN4ZS4VG6KVriRr4hus3walNwnSU1TIZImtt5BEzcOUzskjGtykcmhA4txKyXGHxd8HNd5hWeE4rEKMWeHuB0BITRDLw/RRxWyixHldVv8Ac1SSOLjEAL72COqaud1W1xcA0nXorkTwNp/FlNxoU/VGhYlw7T9+WRMHlsqyv4TjZTHMA1y36nbBLVPkuMrdyUBi0sVTOI2lpA2sn6o5rDw0wRuLrudfRV9ZgEw1AtZdSbTxslDdBayHnpIZHZGWubLX6HI5MJqWNNwbfuQkkMkbrAkWXV6/CmsjJfbb9ioKvB2EF1gRf9iTrTGlx1TovCdfgnx1oc6zwB0srmuwe2ZzSNBtdUVRRSMzEGy0YJbVRWsHW2vf1RFO+PMLSn7FSuje0i7gnxzFrheyM2NnhqAIw1o0CmjlsDn1afwVBFVENsVNHVOcCAUWLySsiDAG7D8ENNWmUFjdAq1smbU7p0TS55cNLoo2GYvkDGtva+9uql7o95mkNhfYW6oeJgbGS59na69dVN3wuxoJI/eiSCInAEd2QddzZPZL4BmPMX2QsZuLWy6/NYL25BbW1tCgkqKgjwsF781XzvkLd7f2Kd8ozAE8kHPIDpt/YiBJ26nmT+CFeNBqiZLl2p0UTyNsqLLiBwTCNFI9ROuSisWWNbpNuHLPNBhJJJB7xcWk3tf4eSzYFug+zbREBgsQ4AHyI6KKVuS2W1vUdF59DQ0c9PgFI1wDrXJ87BRBwzHUFSOa91nNa0A+igxK9p5fYOqdFEHkG1vOyhlBaS0kfZ1UsTy0gX+FwsiTumBwIPwsh6gNJLS37N9FP3p5hv2KF9nEHS58x0VgAMbw/UWb9yimADssZVlJ4jc6Hp1QU8YBLra+uy6bKgU2JILtlU1xAJFzYnZW8zCXHYG2yq61psSCAQrgoMQo2uzDoL+q1mvwt8hcQ0W+5bjKCzS2a+hPRV1ayJlyL+nVFjSqrCSGlrfX1VBieDNJIy6789NV0KcNcw2bb9i1rGIi27mAk+m+qso59W0D22ZYjXqdVFG0xENljc9p569FfVMXekjxFw8zohpGPijtkJ9Sei6AB1HGT3rXFpOw100RYq5GRhspLuQOqgMjYnEWc6/meiiqS5rDa9t9zogVTLcusdCqmodaa7SpaiQAOs7dV8ryH730QTvn8ItuEM+dxJTC/VLwnVA1xTQU42TboM3SusHZIIEkldJAkkkkCIuEuXklunNY7pcIGrIAvbVE0tK6UtsNCjBRta4l2lttN0FdHG5wJtYBG4VHHLIBJprYFZqZGRvbtkI8XkoYpmsLsvun3UFq5keFYk2a4dC4+Nv7Vu1PX0j2QiJwLXC4HVcvq5pHPa0uLwBqn09fUU4tG82+rrsg6/iOK0lNSMJexj+gPkq2bianfG+1ifq6rmFTiFTUEmR7s99NSmMqZGMtmNvVZ/I6JXcYzxwEhwdZpG60auxSaoqJJnuOYm9wdtVXySOdcOcSPVNuALDmrgPo8RmgqM4ItffMVZ03ENS2Rw782PLMVrtwN0mu13TBsVJisktWXTT7HTxFbRS8SCkp8zXtLh+sVzgPtqHWKTp37ZioOiycY5ngucLfVF1lvG0xvTh7SD5rnOY75lhr3A72KZB1JnFxMP0aJzc53IKJocRMFqlz2uJ94XXLIKl0LyQdfVEflaqy5RIQzpdJIOsUmLCoqSA8Zebrox+IQsdaKxd+gOvVcpw7GZWkNaSL+a2fB8TZTuD3uzucPeJ2U65G4d3LUWfIdxv+xPFI1jMzvE222mmirKbF45HNubM6KeuxePwxxi5tyG+ikgra+F1RP3cTA0a6qpr8KY1xa7xO1uVssIHdF7g5p5ixQ2JOD2eHR2vVWdDQ8Sw5jCTezuVvVUE8TmG4C6BXQBzPFvfz6rXK6k8ROQ2tpoVqUa8HOtzUkchA3U1TAWHVCOBb6Kg6CW6Np53B3UKlYTyKKiqC1uUILgPufGVI2VrL8/26qpjmc7cooTDkLlEo505fZuw+7VRknRoNh96ijkLnXc239qUji5nS2yBs1yRmdr5OKHeTYkXOvMqbISRYED1WDGQDcaISg3uu46AEKOTNmIzN680W4CxsFBKQGnNdvoihXXzFNGyleOajKBtjdKxJT+awL8kDcqSckg96QPFhqT8fJSzZCBcW06+SBYXZrtO3r09EayzmNzHW3n09F5BBI0NvofmpIXgGwJ081LM2/um/z/BNZFY6kK6GytL3E219UPlIkP4owteHOIcbX6n8EwgZ7X1t1P4JBC1o80pAW7XI9fJTsFzY2SmDQ3f7+nolAT99CbefJCTu3AvdEVErb+/f9qHkkL2+G2nPorIAJnuzm+iEnsW2cN+d1ZuiJJDhug6mAZCHOJAXT4ijqwGXy3I+9U1UXXIvfn6K/rGkMy3Gn2LXsQe1shIHl6osBzXsSLrX8WkAv89ttVeSVLQ0gndUWKFrg4kD7NdVIta13gzkgWQ9XICwkXv+5TVcIab2sPgqmuqBG22W1vTouyIKpwsXAaqtqKnwFmuqlqagZbgquqn5jcaIIZXO110UZeskghMPVA420TSFnVYzaoEmk6rLlgC6DIKwSs5UsqBEXslbVO0spIoi86IIhukL3sjqehc+TXZGsw1oBugraemdJo3VWNLQkC727dUqc/RXhr7XA0Us+JsLQALX00QSwd1BKGECxGhUGJVDHMaWkXaVWT1bnMyi+h3QzC95sLklBJOWukNjoogbaBGR4bVOdfIbKCogMLi1w1CCEuN9UnO2Fkg24ThG46BAzdKymFNIiYcPkeQLIAQC42AJPkphSVLv5ummf/RjJXq72Yux2jhp/wC6biGjhmlkH5iCQXyj9LpdeiKPB8Ioo8kFBSxD9WJo/Yud/kXHzSw7BcXxOpNNh2F1lXOBcxwwOc4fABC1lBV0lQ6Gop5oZGe+17C0tX0bxSDgbhzFH8QYi/DMLq5GFolfI2PN1sOa8+dunah2eYgaynw2kgxGsMfdipji5/0kneo8wJJxsSSsWXQY1WdSkAVlosgwAU4AlILAJugka4t0BREVa+Me8ShAdUjtsgt4cXnLA0OsrjDMTjjsHvzEjn6LUb2t1T4pnMddB0+DGI+7Fi0ttzCy+ujka7IAN73XO6eueDfdWcOKacyVnBtEjmucbDMeV/VVtREJHZXtsPIIWDEMwJcfFfQfFQVOJlgPiFxsFZBBVUwEZcbFU8jBmNrk+iOfK+qN3HIxNaWjwRtB81RWviLTcJMacyshTZud076I0DQeJE0NC3dFwtaBrumiAsbdwWCQCSRb5aaqxKJLtAOfp5rLG7X29EPDK0OuRccttdURE8e9a4+GiipC0ZW5Q0adFE+Ilou4b9FI113Anw6cynan6oOqKFfEABfbyCFlHi0JsjZQwb7jkgpXi9rWsUEL9yEzLpcqZ+jimON9EDCEgLKQDxWSLUELgksuCSD3Y0AsBF9jyPRExtcPqH5Hoqmjqr7gbfsVzTvDxe4/gLzZgmdew8HLoU17SXE5fsKlcznm5dFm7GuufuUogDXA2Df4uk+wAGXU2T7uDr33/FQTOJ2O1k0NLmtsLbWWHPBZqN/wUAJzeI72ScSeeg/BQAVsYfbK0k/FNgjcCGO03RbyO9BI0O2myc4NBvobdAuvNTA72gOJuQRsq+qcDmAdqd0fO+4NtFU1LyHaNv1WvoqMQ905bbbKhrW3kdc2JHzV5iDjIDls1oGp6qgq5QHuOUkW5lRYq61hdcEiwJ6dVr+IvsHA9fmrbE6sNJaAQDzvvqtZxKqu1zb/AG7Kz0VdfOQweO9h5KgrKk5bZjqjauUOY679/Na/WPtJo4kBdBHPKTe1yoSS46rJIKxbVBjKE1wsntF0x+6Bqa4pyVkDdTuk0HSyLoqJ9W4NboUUcIqIXOLh4WoK/K4203UkVNKSBZXkGGSOa0huiu8K4dlnlIaNbXUTWs0eGmR4s26u6LC4oj42i/wWyRYZDTxlr25XoWoMUINzdw0Gqqq2enjaMrALctt0DK9sWjgPPUImsro8rhcgjzVJXVILM2e5PnsgHrpWSxOzuByu09FX5yCcov0R9Bh1ViEb3RtcWtHTdbLwnwsapwMzdSeaW4ka5g2CVuJ1AyRkNcNCtwwfggxysMgdmBXRMD4fhpI2dzG0FquIsNIDpMoJG3mVm1Wj4tg7KejJyiwbvouV4xH/AHy+w0Dj969B4vQvNM4OZcEai+y45xDh5ixKQNBOunzTkalHC6/NFUtM/vNdvh0V9R0JfZxZ6q7w/C88seeCwO3noraNdocPdKQwNs39yMOHOp5A5huRz6aLdaPDoAwMIynr8E7E8NpmtBYdenXRZ/Riiwztg474Wk7jDcXzRt9wSsD8v2Krxftf7QMVqmVNZxDVOkY7M0Msxo+ACqeNsP7qfvQPza1nIrgs8dx3GMdrXVmL4jUVk7vrSvvb0VasbJXVwZtYp3JYacxUzWabKiPKUgxx5I2Cm7wo1tG0N2QUhBbyWPgrKppsl9EGWa7IGNZf4p/cOtdS07Q4qybBeG9uSCicCHarJtZT1EJDyh3DVDWL6qQOdvdRgDdZKCU1Mo8INgmA3fd4zJt+qz6ICo5C42JsOiPp8r2hrGWFt1URm1yrKlqWhovv0QWcMbR4bjbXZSPa1t2sAedeY6IeGeSUgNZlbbmVZQsDGOJILje+u+ialgN8Piyvu8m+lxZBVTLXFgSHabaK+aGOAY3MLX3OoWH0jnAhzW6ne+6JY1d0UhcAMu/UIunicAA8uB8rK5dRtBHhBIOljss/R8jAc1ibeG+6NK8saOptbTTXRKRoygg5R006I4sA90nT8FE+xBdb4fBGdV89zpYBuvRCzM8VzY79EfILlQvj8VwNdeeyNAnMudlG2N+XYDVHyRAXGtz+Kb3f5tviQCiJ17kLDxbkiSCCRdQSagIBiEk6QJIPZtKzKbW5eXRXlE6wAy2+XRARMBuNNv2I6FlgPENlw6Fox19LcvJYlGv9iGicQSLovRwHhWKBn5nEaaDyHVMc0WGm9kTOMugG/p1QEjnAgDy6Kh/dscAbai3RQzZWN239Oiyx5ba/O3RMmePrcvTopBBM7VulxyGmuixI+2tgP2JFwMpsNPPlomvA10V5EUsl/RVVa+4JBVhUHQjbQqoq36Wa3XmF0iVVVbw642VPiHuOIuep6q0rHN1Nw39qpcSltGdSN9EqxruLaEkm+unlqtTxJxbI4k2/atkxOVpD7nb7dVqGMykkj5eS6SCrq5bDlt1VJVPzOKLrZyHWJvp1KryS526qSYxyWWA81lrCSp2M0toio3R6XCjePFbkizFdoAKkio3EgWugAELnmzVZ4Tg0lTILsLgd/JXGC4M6okawx6k/Jdr4H4Dpn0zJHixI6brPXX5HPqbgjuKKGpj1kG46qSXBpQ1txudSuqYjg78PnNKdYyNHdFBguExzvkpnND+YKk6HP6HCPGWFtlaU7BRxuDm6jn1W2Yhg4o4i5lnWO60niTEmU7ZNtBt0WbdVWY7WBkhke4a7eS0fFcSe6oLmmw29VFxBi5nmLWOP4qhlqZJHZbXXSIKqqp7nXve6scBwWfEn53NIafXVY4YwGbEJ2ukBt94XX+GMB7iJrWQgj02S3BXYJw0aOjDImXzDVbPgODsYz+Zs4aBbNQ4dmjIDG+E/YraHDGlnhFsvMLn9Piko8NeyUNDdDzVzQ0IDfERpuLKxoqEh1hcnkj3wtjdmA0I6LO6NZxOgBp7FuvI9VxrjjDu4rnzN0udR0Xf6mmPum5uNui5rx5hAlic5gBIPzW+aOc4OI3Zcx10sOq2miohNGxw5b+Wi16hhbBPZwGa4+C2vD5gxjW5OQ+KXrQZTYbaAOtr9+iHrMMe5xfI4ZRdWBqzkDWaD7tEZDAyeJxldyOiyrnHEuFRV1PJGG3tdcsxbCamiqHMawll+m+q75UwRxTSDQt11Wt4phjKmckRgtv8ALVblxHGixzRq0j4KWjoKqskDIIHG/Oy6rFw1QuOaWIX5KyocIgo/DHG0A87K/qDnFNwzVRRB8rDrysnDC5mO90hdKnjLyI8ouh5cHncBIxmYBXYNI/Jr42ZrWHx6LMNJK6++X0K3OagMjMrY7fPogKqMwRmJrW31SXRq1RT2JAA+1V81NmedbK+qI3Xd4NdeqrpGvz5QLFUCUFCXSAZSdd9VcyUhYwNDb/NWfDuGufECR96upsLLmAMAupo59VUlic4v8+ip6qlLbm3h+PRdGqcHJYbi5+PRa1iuHujaWga/HokqSa1IssVj4I2ppnNdoFHDTPe7oFVDZT0S8rWVoIY2NsTcoGoZZ2gQQt0JsiYS1trhDG99Rost0doUFvDVWItco+Cokfe7sup5+S1+KS3zRsMhc4akaoNkp5GEgGe+a+tzqrOmBew5dgbXcStfo5aaPxOBJF9VbQ1xlZkjizNvy9UFgIIwdQTrfQnVDSxtcQSSGaczcJ8b6yQBsdo231vyWRAbi7s7tPFyQCPZyAuevXRDSMOt9/3K1fE7L4iGjS3yQlQwiwsP4CCrljtclpvqoXMAdYXN781YVQG7fO6DdHd9iC0G+qAR5JtYfb5qM35FHPheLnKPt6pgjJaLttfbdAG4ePU8lA5o1B+9HSMs43B+1DSBoA0F/iiUGfc+X3JJ5SVxNe0qeUm5vy6+SMjf93VBxC2uV38BTgm97nZcelg+N411+1GwnMAc32qrjJzXVlTudYeFcvqpHX16X/ahKm4eByRr82o5X/ahpzyKaAJCAQLjdQzyC9uajrpSw5r80K2cPOYnVa5gnDyHdeixI8ZX5ibgm5B2Q0sou4t0H8bISWrc1xaVvE1JUz+K3kbC6qKt+YkAkeaxV1t3uubNQM8xNtdSPgrgErn3JzW0VBiM1wbaWVpWyk5r6Ac1QYnL4Tsd0txY1vGXva85W6Hn8VrOKTDOQ4C/Wy2DGnjK8X11t81p+JPs4udcm63BWVBDnEX56KEN8WqkfqbqSmjzkGyodDHoSpY4jn1Gilijs517elkVFB47IGw013NNrgq+w3DC+xytOqhoqWTvAbNA5i2y3XA6VoY0gC997LN9FxwXw73kkdg3e+y7vh9IyDBw12Vj2DQj0Wn8JUTRQsfEAXW102W80fePoyzQnXdcrRrtZSCplMp1A2aqeSnNA4ygZAd/NbXVh9I8lzbgbrS+Nccgip3ZBY2+WicDT+OsdMUcjmvysAPhXD+IMZqq2ofr+budOq2XijEqnEKp0cRLmXPxVWOHZJ6V7iD3x26BdJNGq0tPNVTgMaXXPyXRcD7JeJanAG8RtoXSUDHDvLbgdUJ2e4QxmOxwYhG0ROOV2upF17R4MpHYbhbcElbGyAM/vcud4ZGEbHzS9LI898O8OU9JSMljLLg2+C2+io4YcjoQLnXdT8SYdDg3EE1LBLHJE8d4yNmojJOoKFos/wBJJJPdnYALNqL6kDWvsNuquYWtawgDf8VUU749AdCren0I5hY6oKZE0C7dfP4qR7Ra5FrD5JzA25I0PT4pkp8JJ1NtFAFNGHNutfx+ibLTyC3LotiJJ9efhQtS0Ou0AG45puDhHENA6hrDI2Mlo1vZAx4vGXRsAtbc9NF0zi/B+9idmba+9j5LlGJYdLQVYcxtxfRdefTF/RVOUAPN9P2KxNc8NyR6ghaoysa0Xccun7FYUdWM+YnkUvhgySMd5me8gkm46IOapMMrg0aZt+uqfVVDXDQ3VdIcxcSdyoYIqa+MSgxtLRf9qMZM2VrSfe0VHUQuGVzngC+2nVTUE572ztAAOi1guY7ve05drK7p5YvoToxYG37FT4aBMy7XZdr7KeaIRglj/Xbos6YiqntjJAAFx89Fr2ICNxf1N1aYhZwuHE9fkqWpmjYSXuB3srKYp8QLYw4EG+qioKSSrqGOy5m/dqsVkz6qrdFG2412W4cK4T3bGvde5/FatwH4RRCGNrO7F+isnUzXgtym6tsPw1z2dLe8T+xHx0TQ4AXJG2mixq41GoocosWCyo8Vw+LI51viuh17IfdDQXDcW1QtHgEtbKXzR5I+VwruI4+3hyorZHGOBxZ6JVWAuo2ZSx2b03XbqvDY6eAxwwtYOrQLrU+JG0kDC6R7cwvcAAla3Rx+sopI3OJuB6baqqqoy06jTzW1cQYkwveyCBrL7OsLnVavKBcl+ZxPVaAhb5aLIYTYAKctB9ErWsGoMd3YbaqWMXdspYor7o1kDcriG/D4Imm0sbhlIa09dN1fUMIJFy70ttqq+CLQHuzpvsrSlaNDmBPIXHVFHwQxFtmZgeem+qIZHaIahvmAhIXho8fh62I6olkrw0MYAAdibKUNmawEWFxdDTtiBdpe/P4Izu/GGuIOo10UcsTcxAAzW8uiQVboo7u/N8j9yxJCDms3rqjJY/A6wFtem9lGGkE5gLa9FRX5AHattbQ3HmoZGjmLZdrDfVWL4wQXDLrrqfNDTRtLxa1zzB80Sq7JqSQbE63Hmhp22J8ItbTRHzMDbX3J3vpuhJ2uJIJZoOqAGUuSTpWuSRdey4Dce8P4CJaAdD0VVQyEtALB8/JWIeLWtrZcgfGxuYa9VYQZRpm+xVbHbaoyCU3sudgPeDlI8/2oKqBuLfxqiM7i0jnf9qFqLt3UwUGLZ73F7XVMJXtmLtbXWyVTWvGUjmqaena2Ui2l1vmhs077jwi3LyQVQ4BhIvcnUJtVJlcWO/tQxlvltcnr0W0QSEk2NkJU3byU0znNkOawHIIWpmadHOu4c1NFdWvsHE9PmqDEX+F2lhY2Ct62T3rn0VBiT3guPKx+Ksmq1vGDcON+vx1WpYi52YgHTz9VtWKPa4OcdNT8NVrVV75IsfM89VuCtawukAuj6OAgtAsP7FHSMvKHWVxBD4RcWH7lREyDMdAL/uR0EGZxsBfqn0sdyB/GytKOnu+2lroDMNpDmblAObmeS3fAKMA5SdG+So8JhBkDSbgdF0DB6SN8YIu2yxUtbVwnHJDAHMcLEbWW0NLm+MC4ucypuH4hC1pIJ0080djFfHRUxJLdSdNNFyqguL8cgp6QaDvCNT0Xn3jriPvJntaSWk6+a3LjPGu9fLYkR20HVcnqmPxGoeDpYrfII4UdG+eV80YfG4aHotko429y8ObZt/AVQYdC+mjsGEDp1VxHWuZTkEWslu/FQOfHDicM8bWudE+5ba2bVdSl4xxbFMJp6ao8Bhfmicw2I02XK3MfNKXNHO4POy2fhWq+k5acuaHi3PfzQWsdTUflLPOC4yEB7i7UrZ6WEuDS0c+qqMaw1zWNe5pYQL5xsfJZwTGbhheIxlJYb7eqYy2SIhp8SucPnuw3On71QR1Echvt5o6Goaxpy6/2pmi9FQNQNv3pF7yddrKojrm5rHQ9firWinY4X30+Sx+cVlzHZSeSie1pLgdyP2Iu7bOAN+V7b6KCojsTY6rNFDicbpSYzax0FwtH4owZrmuAZceQXQ6yJ7ho3MdeaAlpg+EtkaMwO/RdJcI4PiVA+FrvDex/YgoazunZH3trYLqnEOBsqGPMbba8vRaLjPD8kUma9rX+K1KK9lU1xcbgbqR8zS37vmhqinMUbsrDcX+CCfM+xLjy+equCxqJWmOzhr8OqjpJWtNzptpoqt1W7Nq+4/emsqgw6nU7KjaYMQMcbWx2be19lNT1Tnlxc/w9bjotU+lOyNJcRsnRYjUOYYomE+fwT8aLbFMVEYdGy237FrpM9XKbBxuSrWgwWpxCYvlu0ffotvwXh+CBguASPJZvgqOG8Bc1/ePiJJ6hb7hdAIst2BS0lKI+lrIpstnhkLS52yn1RzG2iac7WNGwKgllqJnGGiaZL+8QNkZR4NUVWV9TmjZzb1V2xtPRRd3DHkIGhsmGqnDcFbC9s9a4SSbgdFazODYzkIDR5KurcRihf+fJaVT4njbO7PdPIPInmpYIeJsQ7sPLGuJI2bZc5xqZ85d3hZE03sCQXbq6rqrEqxrrv7tnQKpq6GmtmnlL3cxfda5StLxChdd5hjv1OlzqqGqppM+W2V3mt0xOTISIDla37NVRTtE57xwsRzXQay5paTdZZqBZWNXTtJJaFilpBpcadVNSmUzTlvqTdWEN3Xu0jX9iNpKJj4rsG3NHx0zCxzSyx/crpgSICwNneV7ImO4NtNegHVERUjswDtRysd1ZQUzW6lth16aqaqtijeAA4g9NB1RUbHAjwXuNdka5mQDL4r7fNRSANeLtN7ddlRhkQtfmsPDRYlulvLeyTC7e+nRSxR5iCSTpv8FmwAy5SHXbrr06KJ0WZtg2xueiszTtLXOANhfT4KF7Wk3BOhOqsFbK1rWuva40tooJGOdYEDQaWsrKWJrgQSOpuh5GtYDc77KiqmY4NAsdDc3sgZGeIuFteWitZcuhubIOSOzPq2O3yRLNVj2fx8ElK/8Aj5JIj1dRxhu7tQPnorGItNgTqqynffdGRakWtr5rn9UcX2aeifTudnBsbIVrb6Zrn1R1HGbgEgrn0o6ncSBof4KVQBmA5KSBuVt7jXb5psjQXAk2N1kVdS0FoI3+CpcSJBNj9yv6hvhB0sqeuhDr/atyjWMQL3F2Uanc9EJFKGus46q6r6YFrXN0JHzVTJTWIcPeB+S0I5QCM2bXqq2d5DXeX2I2oBAc0HfdVVYSDlcbdERWVj/eG6oMTee7cLdeZV1VvJa8rXMS1v73PktwU+IPGQgHrffqterOYGtyrmszNLvCbG/LbVUs98/xWhPh0TsoLdwrukF22IsbC51QGEtLddS70VtGwZAdb6X0RUkMeUDS4Ox1V1QsDm3ABI336KspgcwaRurrD2BgIDfF6eSlF/h0IztA1ueS6BgMBY0PtcG2/NahgELHPAftfS3NbvhmaJoafFp8liovxMyKJrs2XTW3JapxXiRdH3cZuQraulcad2UgG3zWlYi8TTlocTrr5KSDWOIM8kWu53KAwDDbzFzwCCt5peHXYhTuFrW92/NCw4BUUb/ExwAO+qurAEuGRAAt8V1AcGEocwNsOnRbXSUocCHNt5J8lC5sgfGLEbeamjUWcPSRu8OjXIWfDaugqhJELEHw2XQ6ejcfC7UHY9FLU4WJImuMJuDq7qorTzjmJSUwpKnM5luYQkRlY7OzM6+4PJdErcNo6jD2ZYmsmj5gbhVuKYbHLTMdC1rH22A95XdZVeF1bsrWjUbEeS2LD66LIGktFt7rWKrDazD3suHOY5pc0j7kZhtLUVEDpgzKW2zNRWzvkp5ALi2c7qSJhbmyTa/eqGmffPGXua5t8t+qVLUTNlIfJo2wceiupi/ZVVcThqSPPkiji2mR7DcjUrW6jiJsbjG2x6m17oyiqxUUZqpmAG9rDos4qyGJ05BDswPoopaunLTaQAnkUBUy0Xdd415ueVkNJSR1AbJBMNequCaZ0edxc4ActVV4hTQzFoAHidqU+XC5Xl2VwLr7X5JgwypcWXc7INCQdk+Kq6/hynka8Z/fOpB3Coarg1kjGZXhjL2tfZdSoaGFlIA4xuNvFmGoKIp8LoRnE00Ja89402+xPiOFVXCTxOWiQkjxNdtmUTOFJC/xEBrWkgncFdzr8Mww3aJYnNab7cui13HqBssjZKNrBmFsoGwV3RzWLhZlgZbXI0APPqiIMJpKUgkXN7b7rdZeH53Oa4zNa0DUHkpf7labOO9qC7612pLgoKN9LTnuyxpPKxOqtqUVFSA2lp3W5u1sFawYJhtOB+adI6+khKsvp0UDO6bkY1u9kt0DYZw9K8h9bU+eVpVzF9Cox3UMWo3dpqqX8ote57+/cQBpa2qo6viV3evbFHI8t0IDQphrdp61waXaZT0WtY3jbKdjwH68iTdafi/E9c2Z7WROjv8AVcqmhxFkru8r3PlZm1DRZVNHYpxRSyyOEjJ5XgdCBsquHHA94aaZ+U8jryWyNpMOkYXsga3OLjNqdlR4vhLZ3gwvAaP0TbkkinuryWBomBvfYnXZR1hY6ncWgOd6nTZU89MKBpc6XOddL7bKsONltQW+Jjdteey1gOqYWuaRJa99NTqq+enGYZZAXaaEnTVRVVUXvzFznDqOSgZVuEl+Z289VoKSF7hlBbYW+KkoaMg5hprqb+SVC573WGjdNSFeUUMTogAMzidRZIliGmgy7C4I1sVZwUwfY3sL80+KmzaNblFuQRsdOQz65seizap0NGG3OXn8kV3ADQS67fQ6qeijYLNaDbkXX1Rop8+ri066gDZc7VUVTCXNLWt2PO+iCdTyC4y/etnfSsJNmEjr1UTqfUGwAv0V0a0KN1wGgiwG6miikJdu63UKyqWgEOAPpbdCTTuY4tuLW5DZTdMDviawXkIv0Q8oF8oAaNdfipJ7ySEZdAOfJPEQvcC5tueeq6coAnjcbXOl+XPVQyRZSS03FufqrGTxakEf2oaZgLtNfh5qy6KeRrg3l8kDU5iG2A0/BW1ZlbazXX0vZVVTlsPCb+foqKmd2v8Ab0SUk7P416JIa9RRyODgWk2I6o+nfexzHTzVVES70R0LrBoC5C5gs4XVlTloAtuqeikFrC+2qs4CLi+hXPoWDTawJ+3zUU7zpl8uazrlsLn4HqmvOX3tz5HqsisqZCAQSfmq2pluTc+iPrhYAnQctFQ1pc15c3bnotwMq36Xv+5Vs1i82Fz96dVSkE5kJ34cbNd6rc8RBVNADup+xUGJOcBbYq9mka46+9yVPiTRIw2FyEVr9URnJaLXPRVWJixcAG8+Wytqoaucdr+WirK6xa7w736LUI12ub4SCBz5eappI2l9ra36eau6ywa8X1uenVVEgPeBxHPy6rYNw0AWAtr5K1pQ3yIFtLKuoYxYAWDr67I6A2PmLa6KaLOmY0gXAv6eSuKFmmrRflp5KnogXWI1HXToreAkG4vcenRYo3XADE1ri3R43vyW30Th3GhvcLQMDeQ1rr3zFbdQ1LWREu5BEOxSraxhaXEAbqgghdU1DZG6k7eadjk4L8wdbNtfkiuFBmJLhcNKfBtHDVLUR3zNu37lZVcAfOGPYNfJTYdOyNglO/MIuaWGe7m2aVi+KrqnAmtjDmN0KPZgELqVjr3dbXyUgrHZA0ttZOp8WaI3Qu2PNY0V7MKhElhfICryiwqBkDo5fFG4XBKqTVXqcjHAtPLooK3iCWlBifICxu1uaolFFFTVp71ofE42HksSYbSSSkNA01FuSqZcdjmjMb7sJ1agIMbkp6i7yW5tNea1ICOMvzeGSd2LmF1225Ing/CxVYC+drwZXtzO/BD41VQVVM90bhaUEG3VBcJ4y7D+9pibWsACrRHQxRtrz9IuBmLXX5I/jPDWQ4OKiFjQWe/l+uEDiFZE58rswLXAk+ZVS7iaSohFBO0vubejQkGwcJYNRuww1lVG096LWOuTzWPoc0z3wUuRzGG1x0WsUGLzUckkGaQMeLWvorHAcWkoGumbI10ZNn33C0hmIMDMTbhwcQ7mVtMuBuFBDJRxBthtf3iue4vPNWcVRzRyOyg5tOYXR5scaeH2PiBE0IsAFL4sqwfgDIOHHSyH++mtzucdPD0Wv4ZQYnVUrp6Wn7yF50sdVFj3GBxXhVopHOZNJ4JB5K57NeIaelwOSGryiSJt2Ancc1INXxipq8LeW1EcsUjdQB9YIj6c+OiZKGvlhlbdpy3seiqu2DiSnldFiGHU7Z4bWkId7oKoOzDjmNz5cCrqZ5EB76mO+YFL6NtDpXABocXuNgAFniegqqGminie53ekBxtseimpsdgqcXbBGI2uDLnlf0UHEeJudH3BnDmNddtjexVFFPXV8dRDFI14iecriPqojEp62ka9t5DHlu155qj4hmqH05AMmu2vPqpMHxhuJYG2KeR30iL81IN9OqX1FyyWWspQXTMYbajOVQYjhVeZszKkPze6M509VV1FTPFJkEjw1p8J6K8wqu7yG2pcdHX3KKqBDX0sTmTPBHOxUdDiLGyiKVjYRfSQjf1W0tjLn2MYc3q4KvxmhpHtcxsbS87i2iqK+voKWsYXRSufIdS7ZUr8Oe2RsbfASdiL3Vvg8Zcx8EhOeE7H6ysajuZYywtyPaLg6BNFDh4qXtkZKbmM2FjyWK2ke5j3RmzrbXREb44ahwFgXDW6ArqkNmNnE5ed91FUOJU8rJHXJe4A7/BUdfFma4NaL8/LZbBV1nfSOc73rG+o8lTV/Mg2udgR5LpKl8VTJZYxkcA5SRNL3kE2Om3qmS5nyWZp6kKxwuluLn3hbW46qkupsKppJHtbYAAjfmtrw+maLDKD5geShwaiIALWtAFt1sVFRkNDgDvsFnq4rFPTAR6AA22si4qdotmabomKO7S14yusdVIGXHhGYrFIhjDB4iABtZTQuY5wDWutfSwSZSPeTmAaL7ItrGxtDWjfnbdRUUoyg+HRBuDwRpp5IyYkMLtEKXk62urEqunhe9zrnKByshJ6cOuMouraQOde9tkLLGGAZuYUVUSwZSSCXHqnsYQzMW/VPw1REkbu9JGxUMlwQ0gncaequogkbZoFmj4eaGna65tr8PNETMuSMpt526oOpBA0bp8OqvJVbVX0uQCqmqzFwDTc+Q8la1DDoLfMBVszPBew+zTRdL4YrJAffyj+AksyAe5ld/ASQel6SxIIF9NPJH0wB1cOevmgqICIAOPr5oyOVt9x5eS5CwpxY8h0VlAb/BVFPI3Nty181YRX0LVjqC1ieTzG2/xWTY2vYgfig2Oyk3B/gqY2IAvz/as0B1r2FpHNa/iQDb2Fuiv6uNuW4I/Ba/ibraFdJMgoKp15LoXmi6todtyQJa7Nrex+1VDKjQWLrKtlmLczb3sjKsZmPGbbmqKrc5slsxtZFMrLOYT5qmrrEu1A32tqrKaUOaQTz6nVVmIFrSbO68zotSEa/XXaXkEHfe2mqq2O/OAkga8rdVZ17rl93czzOuqqowDNYO59T1WxaUwBY0tfbodNEfE0EWc4EG23NC0YLow0308yiIi9rmuvfUdVKLahaDlLbgt+3RWUTPAHOda/I8kFSOGUEHT49EU2cR+F2oPM3WMwXuFODTY6AX+KvYJXtaGnRpI1Ws4TM2TSPW3M8lsNNICMrjyUMD4mM136kAKz4YkytHK6BrbmE7fDksYVKWm1iANvNKY3ZlQIngD3HC1+qPw/vJG3IuBstcgnE9NYnW9wRyVzg9TlZdxJ1sgu2SRZC+1yNMp5ISdsLy4AEDmdUpoxnztcCDqhq0FrxY3B5DkpPDFdI6Zjg7JcA3A8llksEs+Z0eW/VTuMbGFrneLcKtle0jNmsLqmDsSoqWoprseA4blUdRQAMDG3DvvCLje4tLonZiN29UPPiMgm7tzRca36IYrIZ5480UhLXAXaShGVWWQzXvrq3mr+CWhrY3MmaGybeqqMRw1zaeSSl8ZY7QeSSmG1lc10LnNdcht7LW6GbPVucSczzoFJnlfK+LIbgWyIWna6OV0LtJCbq6Y2dlOXsAcQAD4SOakqISylBzZepVW2te2ANsSW7jos1GINfA2MX2113UMSUFOfpRs67txfmr4T/wB7GJxOe+pVHQVT4g24aRbfmEZJUd9ISdNNkFMZ5KbFaigcbsf+db6q+ghkMYlZJq0WB+C1zGnAYvTTNGzrOPUWV/A9xYGjQDdX4Y1gu+g4hNh9TITSV5OQn6knNa1hk35K4koasNBbBM6CU/pNOy23i7D31NE8NfaSM97HbqOS0eVktTRxzBpJfMC49DzSGN843ndSNp8QoDeSmfnaR+jfW6NpqmOtoJ5o5QRO1r2+V91T1DzU4XGCM1xcj9IDRB8JVIhp6vDnmxpHFtzyadQmDZ8OjbUYMBISSGkD4Kjwif8AJ3FMkBZeKsiy+jwthw6aJuGNaGWLlSY/G3vo6yM2fA4ObbyUsB2KUrHQkOA6kKipDNR1gmBJZm18gthqZRVNZ3e0jb/YoJcNc6nddwy2SUxsDaunkpWvhIIcPEVTYy9jrSMOuyFwlwpHPo5dWyC7D0Sr5BENwXDn1Vhir+kyQYhHI92XMbb76o6qqWuJaze26psRk79oDifDq0i+mqj+myd2xkjjmtoBfVMDaqZrZw9zrlulkHW1IyEnms1D7y5nOOo8+irqgyuJDbm+y1zAFiUwEpLHnTfZCTPfMS4OvppsiXUdQJXGV2bTe+6mp6Z5dksNb89tVpMB09Lnc17nW67dVd4NRAS+8bHY6J1NSODbWGh676q6oInMeMlgbb9FNVc4dTsjhDQ63mjs2g8RuNgg6ASBlr3Vg1jXC9ysbokpmvdq43R8MQLNrIWFjzbKbDojXPEMQaHlxKypsngDtW68+qAkkmDhkt+xQ4gagym2jeXRAOkmZIA5xd1V+C1Y6+a3ivuOScYrAXBzcugQ1B4zex0Vk8BjRvqlFc+MkHqhqi7XN0ubbqxlcbZQEFPlHvIK+QF0RuBa+yjmDQdXCwHlqpnvbmtruh6tzWPc4k25DVBBUOaCSS0dUBPI06Ny+R+KkqHFxtmFvjqhJszTfQj46arUiBpwXvac97bquqY9LW3KPklsWA8/XVAzv3N+a2K2qaP8YPmOiSbVP/VPzPRJXGdd9Na1rQXG37FHFi0bTlvfX5qrxEnJZpWvtnc2e2Y6FcorqeE1ccoHiBPLyWyUhuOVui5vw5M8uadeS6Bhcl4xfVY6VbFjSb3FrftTJCLAg28umqe3Y7j+1MmLbbH8dVifQBO+17nQc+qosTex7iAravOZhAJ2+S1ysLsx1/euoBmDQdOaGeLkbZRz6ImTI59gTl+5CSNcCQ0GwPzQCTNaQRlOpVPiEBc6zTYK8e51+WUKCoDXMcSAqmtXmYQCLG/xVXXNJBvcb9dVsNfEdTYH0CoKwEA6AancbK81WvVzbteBfc9dNVWsjLZtbjXz11VzWMGV7iAdTsN9VXiIPnuAB6jzWwdQ3Aj1PnoVaMjJabNGpGwKqqKwNy1XFLlc0ggcthsgno22blNx0310SnEhjJG/Q3U8LAbFrSbDX5ImKNpjDnN32J5rNuCPh6V0c7o33N+a26J1ywix0WvUtPZwcCGlXFG8bAarIs3+NlgLLFOxp9UonhzSDuos5jcLHQ2+KyqzpJfo89g3QjZWlNUCNxadARcKgjeS7Ob2vYHorqZwdTMmu1xZporou4JjLTtYwi4131U0RzuaT7/TTVa9d7HMljkc4ncArYaWZjqUPabE8lBFiVMTllDbE8uirZsPfM8W0bzCuYZm1ERbe5HPzUcMrGzOjdutIpfoskEmRoy/rKOegimzNecr9x+srTEs8re8YdW8kO6FskTJmvufuKyrV30ksMpe46bJfSKiAEXu0jZbA+JjmPikbc2u1VVVAJKFzTu12pCCpifBI83ABG5sgMQp4ppCI3ZXN5IwUsjKjI9tmvF7BQy0z2zZbeAbII6mlkghDi7Mx7dQoW096TPkOUGxd+ijm1T3M7mRoIbuDuFIZ6c0zoiQA52jRzQCRRAuBZIXWCJJcQBpe26hYLyXDTlGhtyTpIpDGDa8n1fIIK3ECXtN9w4EeSvaN+jHE3Dmh32KjqY5TGWPbZ1736o2nqHNhYLat0+CtoOxgxuYXg+80g+S0OjgEYqIuXeE+uq2+pfmhcSdyqNkTBVTt6G/pqkgNpoWmFrb7BUob9D4rJc+0dTDld0J+qr/AL2NoYABYiyBr4opaxkpGrQLH02WtRf04yUscZ3bZBV+V7+7IuCpqaa8LXc9FBOQXZ763Kyp9A1scDQXnwmwKImnAYWE76KuhmHeyxvAuzVOlmY4ZmiwA3KgHrdRnbIQ+M8uabnFVAJL87OHRB1k9zlYfVC01S9kklORuMwHVakRPMC5u1iDzB11QFU8GRuW1xzRbnPkZlNkFLC8vF9luCCz3veNco8ipoaWUxXAs299jdG0lG57NQMhFr2VlS0l27jopesFOKEvGjvgpIcOtOLxkfPqtkipYWusGgol8DA91mZrDbos6KFlAWglrCddPmjaKicJ7yO0I2VrFHeIWbbyUoizOFmhvVZ3VYpGxtBuyyLgzi4ZG2x5WTY6eUu0sPJWEMJawNc4X6q4GxU73t90N53U5piG7NJRMLDlANyOiIcxrWh2wSeCkqKR7raXB2CGkoI+8yvABHRbFN3YYMrwb7qvqAxriTbVQVjYWwv8ANj05p8ztRonzzwsZbvMvl0UBmZI4AEuPJBDKTvZDStZILvuETO0ZQQT+CFm7zS4HkFaRW1Ab3lmg6Homzx5gczd9tCi5GktJc0abGyimjMhAIt8tEngrp2M0IAuPIqprHxtkIz69LHqrWtZawDr9Lc1Q4hcSO005npqtcIEqKkuc231fI9UFIS6wBcS7yPmnPZq22YX289UwNdYXJ0+zdbAk8Y/i/RJSzsPX7+iSMuyVkkQtoDcaklVwhY+XTKbahDz1Tbi7h+qpKKrjva7TyOi52YrbMBibZpIOy3fC2Nay3xWncPyRmVum4W7URYRo3LbT1WeoRYxnI0gm9+aZK4ZhpyWCfA21rjkk/xADb4LnIqsrgTrn/etdxFgu4nW/LotorILgm1uq1yvYRKNNOq6c3UVToiBcHQ7BMdEAHEC+iNY0EEkaX+axMC3Zu+yopahgaQRpcaqrnnax5aR6q0r3Du3k6ELVcUnyuADuepVwZq35idQL7qlxGzXO0Fj5BTGbOfE86bICtka7N4r25qyYqtqwMpyi2+4HVVzgGyWI0KOnka51i4WG2oQUzgXC7vu6raVPRm7W68/JXtA7K0XsRp06LXqVwFrBt7+SuaAki+n2dE6VeQgWBAB+XRPj3Nmj7EPT2LRsB8OimYAbhug+C5YqyoXAs8LGmysWhrWNeNz0VRTuLSAx97+9dWdOWjwOIIPnslgNY4WzC91iUglrrmx3Sa4BpuB56qF8jm2tcX2QWlHkLWcyNwjqtrII9yGO2CpKWchhAGXzR0z3zUzQXXcxQWtLGRHnjBLbeJWVO7JBGbXjcbDyVHhVU9tO6NzldYTKx7GxvsSdAOSCzo8kUYka2wabvHVYxN8UlRBL7oedbckNjTW0tOJInkNLvELKpldUR1ccxJMDyLXGitg2KmhYZJGlxcx326IR9O6MHu7gAo2mc2OzzsR4dNNk5xvC8nmVOfU0HAGCcCTRp1cSq+tw+KSpcY7eI7K3dSiW4abHKhYmHKXn6um2q1hqiq8PlaDcG42KrKhga5mcWLjZ3otxlOYZnN3FvJV8+GMlifJzYpYa0+roHCV0h2Pun9JQVVCGvDg42eNTzHotvdSXdHHJHYf7yFrMPIlyAC41HkrhrXGMdCLG+mnqpGylm1t9zutjrcNYacSgHM47fpKudQAsNmC7fev9VQ1Vu7t7myE25rNVHT5Q5r2nOm1sD4gS3NbzCpe/nzZXbB32IatKimc1jmA2aW8uSoWUjy95DiRy03V9DUumiABOmiayN2cC9gTrohqmYCGW7qxB1080yvdLG+MRscHEdN1fimYC4uazTZR1sTZ+7Y1ouzW9t0NVFJPIYvcIAPi0CnL73s1zSB0CPoqGPO8SAa8uiI/JzHO0uCUNa62RorHZ4ztuB5LNRIZIbd3sTYK9ZhbTU5S6xtr8lK7DYIjcm41smGtQmjeX+Bptrc2TIaUioY4t58h5rcDSwuzttrzCYykgDmNDDcHT5rX6FVHRCxPdk+fVNnpPdPd2dpbTZbKynAHdgW6+Sc+EB2SwJtobLNGv0lHJnLpC4t0uFYQU8bQcgJudFMXNa12chrQdeqiGJRR1DWMe3X7ENFwRBocwR26qYw7WbvzTaOQTOzXuOaJbLFG8tLieifDWGRgAByd3VgTm15KOV7nuAY0oqnheWuc8a8kElIQAb3RDKgsa45bnlZDBrmm2bQJ0Uobtt5oaLhnkliygkevJNlMjHA5i6/LqoDVOBNg0EoV2Id0Tc5gPsTF0c1+ZtwL36oWpu1pLkBJi7S4N6bptRW96BodToUxNQVrnSPb4rWGw2KgiyMPite+/ROnLjnDpABbYJsZp7gC+a2hchoxswscwuFBUlhaMrQPM77JCRgadQLISae5vpe3M+StNOfK7OLsuByKGqRmc5wdYnZObOS3KbkX5qGokznMRa3IH0UNAVgc46BosqirDGkOdYn031VpVODtnjfqqqrALjYt+fmt8itq9SLWtpy21Q7QBqGg6/NF1DLHXKdra+aHdYu8JAta60BZ2n9D7uiSdOf1/u6JIOg1FO4NAt6ptFA/vQb28laOAe4bDW2iNp6S9rCy51FjgLe7e0AfPmt1w+QAtI0JOt+S1zCaSxa7KDZbHTxlttLaqWKtoywudzClDQSgWmwsDa6mimDSAXfBYvIzKxrm2N/JUuI07cshtcq5dK3U6evVVtaWuBN7X+xago7BosoKh++vLTzRdUCwgZd9v1lWVN+eioqcTdmY5apirS52jbaLa68HKbc1rWIXdIQdhuVYikexzWmwN9b2KCna5hebHnzVvKywOvXTVAYgAA7kddNdVuXVUsxIJuCXHnm0VdUyDOA29+evmrKWRpFyOfQoCoa0vuAbaWGuuqoVAfEBY2v1KvqA5G8/meipaEfnAQT6aq3pXHKbEn59FLBdQPHdtvofXyREbnA3/aVX07292L3Pz6I6J4c21jbrcrGYDmXdNfILHbXZGQuMbdbDLv5oWnGbwAg26HdSVQf3VmmzgoLCKdkpJvm8hyUj2+EGxWrUOJOgrjDITqfmtricHQtINwQopkViQLb81YU5aweI6HQhBMFgTbbkiWkFl76kIComZczg64I0PVOZiDIgwB2VwOovqEymmvB3ZaARsFreORVDakTQEueDd3RWTR0HFJnz4dG+M52/W0UGG1Imp2004Nw6400AQ/C9R9Kw4RTuAINn+Wis20JD87C1wBs2wGqYLmIMMMbCefh00KLdASwC7Wh56IKAsdTtuQHxHUdFPUTPDGsDPEzxA8ipiJIYg2VgJ0cEPVCwljA1OybTVXeVLoybGPQJ0cve1DXOB8Js4K1A8bGzRMZbQ6fFENiyRP0uRoVlkPdiQt2zXb5IykLHkgjcaqaoLuI3vZmGhFx5IF0Fqtxd1t5lXUMbXskafeaSAq8t8ImynwusXHknNAjoy8uhL9GNuNNQoaqmjMbXxNuCPGOZVpO0NmY4ZQHjXqVG6Foc05SQ7TRaiNfxLDRMHCxILLha3JgjxZ4hNiOvNdIlhBLSQ2wFtEBLSsYLGMkE3uorSYMHkgeCGnxDX9yndh8oa0iPQ6C/7Vt0cMTXMzMAF9AeSeYIJG5HR3yuvpzVxNamKENNn2GblfdQV2Hlrmd3IBbax2W01VK3wuDQSP8AZQclK4k3aDzPmorVu5mMxuwg367o+GOQA3BuFZwwZZnGRpLjt5BEmOMDK1qCiMZLs+WxO/kmSMaHagE9eRWw/RQWkkWv1G6Akpfz5blJAOgtsrEqt+j3dmsAOnRSCBoeCGgH71bSQsDQT8TbdSRwxd6LtsLaXGyYaq4ofztz73JYqmFhzOG/JXb6UPYXNYGkHkhJGi4zguAvqorUK2Cd0r3lt9Dboq+lgfmc36PYlbm+nDpCe6GXWzUE6iP0jMxx87ckEeD0M5iJcbDyVwyjiY0B4F+R6KWgpjGxuW+X7ke2KJ7Ddt3cj1VqRWNp2xklrb/tUnJjnH4DkjntDIiCNRy6IUFrTcty9PNRUdg0ZRHqftUcsRPiIARZILQW8ufRRGxcQWkjp1TUwJNEHRmwVTUwlsTs5Bvsr8RAgvBv5oGrpTJ4ct/JNMa1K9jJAC3MbaeSlY58oa1oI1180dUYYQLjQ/enU9C5jS95zEHS31UUHUxvEIAaM528kKWOFs/vc1YVjw13d5g3TY7uVJVl+YuY45gdL8kE5mY7whxCFmlaxul3epUBc7I2x1G6ArqnKC4y7c/gqizFawe8bH7FFU1ALbxXAPmtVqsQJkLRLp0KnpcRIc0B/wATsrirRxe5mhOp11UErW28Qd5a+akjeHtv4h8Nki0Fo8R+W+q1ADNYg2a46Dn5oaS4+qQrKRrLB1zy5eaBqRfYE3PRUV0jh5fMdEk+Rh8/t6JIOrQMcHi2mtwLbq6oos4HJA08I6K5w1lmglckXOHx5WXIaD96s4wCBoAL73QFJtpaw3VgwOLBcjfSyUI3a4u5D8VG6XI03dvsVJK73hy5fNCztfpoCLIqI1zQQ0n4dFFPUMIdrcn7VEYS8kuAB5KCSEtbqdQnxDKqXw33I6clXVEjj7ykqHvzm/TTzVfLM4g3RQ9Y/MC2+yo6xl3E32VlWyD4qpqHjYiwKoAqGNax1rc+SoMWe4Oe4kAa6q+qLAG1+ehC1/HWWa+2bL6Ba5FK+fUXsRf5pws4B1gdthtqgJWFrrguv6KaCQANDiTffTzWgXCcsgLnXIPRWFPJZ5vqCOnkqjMBdTQSlrg6+3K46INhhN2ANFtNreSJppLODb6kqqop87L31t1HRGxEkhx3HmOilGx0N7nUa7iyOIDm2LT5aKpoT4Q4m1ufVWsD22tqsGqHFKACpztFiNSbK6waQ91Gx405EBSVELZDmLQdOu6bTtZE0EnbkFDVowAtcdMt91K22+Sx5ISheHtLRcG+xR5aXtOU2AGiGh5Dza7W+ie3K9zhIwHTZYjAeNrOCkMYa24v6q/TUlH+Yfmh0F7q2ixpsTmxusRe/oqqJzdWkag6oOuhcZwGAg3uCoa3GlrmyVuSLxd4FdTTt+jxPdo5rspHQLReHpZYK+ISDK7NbMei3rE6cMjEsTg7MN/NKB64MjqDKzUIsuhNPHOzRzjYqpY+R8+WQWY8eLyVgymIp8jST3erfMKfnUJkpvI0nfZFMeImseRe48XmoYmtMIfl1vYqZxBa0O0tolVJHZs7g0aONwbjZRiRgnnpTo1w8uiHikkbM1rze2gTiS+Rz2jXmb8knKawwAsdDu9lyDpsicmdveMAuBduo11UDswe2o2AuCL7hTU0hjBc192tdcXPK619Dy3M4OB94a/NQS0/egMBOZuoTzI5lY9jnCxHh+aka9zHxF5ClpAbADG1puXt0KTIgCDc2/cp3Nyz52kWcVK5zA+NrSCOfyUvS4riG5wA3TT4rDYRncQNDf4IuUNDnRhuunwUf5xpa0De/wAUlFcykYJC4j6xShpg14kPK6sahviZYWuUx+UOyu0CupgIlmWzhYb+iGnjs67RcWurCRseUtIvy9U3KA0giwtYeSKosQmbHDbY3UEFTnZlOp39VLiVM+W5AvrYear4YZmym+nL0QXlLUNcMpJOn7FPFEJC8ZRa/wC1Q0dPa0jiDp+xFxlhz5Gn+CgifSMcDYa/pKF9JFnJLdeisG6ENduRoFHKx5jGXW50ciIiwg92SLfepWBmTcX5+SqMRmlieQDcp1BM+7XuJN9h1KCyIZlPh/eq2ohc42ANh9itmSMLCMvLXyKGke4jRquGgIGSd2e9OUDl1SlmhjJytLnW3Uk7pPELCyDmYRq52qYaz9Ik8QyZUNV1JOWwJAKl7yTNZjQ4W5oKoMshtdsZvqoMNfmJ8RF/sTZHvZGbu8I+1LKxjfE4uPJNlgY6HSQ3O4RVNWzB0hLQMw5nkh5M5ewd405uSkrYCJXOIJagI5WNk2sR1KAp0LmxnUN16KnxOkbICSB8FYitgk8Lmg68lHO4SNLWNs3npqr8I0/EqRsbi7l1CbRx5n3a0kemy2Croqd2YnNe2oIQD4o4n2a0tb1W5dE8TnMaLl3x23UwmZlILm/LbVVVZNLmyiQ2HPL5qBkrhJq7+Lqi5eA5rSJAdtggZGaEG7j16aIeGfxgBxG19E/dzSHOsfLyQRPHm/5HokmyCLq/7OiSDtkMRAbY6+is6VlhqhILHYbo6M2DGjSwXIWdKMreRuEUH2toABruhYHANuOYU7CLjUKxKkncHgW0v+KizDwggkBNdcDyv+1ZYSDcnloppjBa062sUJUsyk2+HkiyQGi59PJB1r/FYak7+atIpq82bYC5J1VZP4XI2tn8Rb068lSVUzmkk/YooXED4iqmeQ5tUVVzhx1dqqqocS43Nh5KwSyEPG1tDbZVGKRtkY8WFxujWSgtIPzQ9W9jWutuRobrU8GqV0DbGw0F9bIJtxYZdB0t1V3WR6bam/PzVdKwtIs0EhaGICHOOux8k8t8QLdvh0UdPZxJ2ueqmcAGHxbefkokoyiLd7628uitqcAsDnHT4dFr9K8Me0XJv5+SvaGXNHlIvbz8lVW9PJ3Ja3kjvp8YYMr23+5VepF+gQUxsRuy51sd1iTRs8daHAgnOQpY5TILaa9RsqDDcziXajpcrYaNpJaMvrc7rOKMomkyeI6BXERJa2wBQDIiLNOjii4GkODbEDp1SguODTRosdQmSQm5JN76BGUjg6wItbRPfEc4aNBe6uIqXsLXjkbqDE6kwxiYkb2KsKluVxdbMdlT4rCJaZ7NS7YDooqxwuqirXslLxcDSy3KmxSCTD2072HM0+8uSYW6ow2a7gdNfJWjcblc8SNktrcjopiV1iSmh+jte2xc4W9FJh0wDCx7fd0Wv4DjJqsPie/rb1VxT+J0zL62uFcQZE0d9Ixtsrxosdy20Rd9UoWkmMdVFzaPD8UZXyZC8N3sp1SIKiIQ4iLg3cLi99U4xjve8DuWUgctFBi08s0VPURi4Z4T5BTUtu4kPO2a/XRSVTHgBrwSb2I5pjGA05GodfTfXVEUrjJEXOYLtKgxKohw+imqqrwsi8XqLqyhRjxP/TZ+Kcw97K39Jmv2rmFd204DR4rWQz4ViVLLF4HFzPe9OnorOg7YOB6l1G04g+N0/gcHxWyevT1V3R0OXWRn6qY3+df+sqHjHEqyk4fqMSwIQ1T9HM8VxbmtLZ2mz09XEyoopaDDmxuz1NdmLnO0s0W+Kxg6fleX3PuN0SncyNoB9xuq1PhjtCwfF6WKqnj/ACeauUxUzXyB/fOHpq2/K4W3Vv52j/N/X/gKWAGtqWiRtjzUoDZmEka3VfLRy/STc7WR8cchHh5OXTMGHjOMvRQu0Obopdb6e479JMqJqaDvTLURtELQ55J90W5qQMmj02VdThn0jxN0dt56KfDscwjEGRPpMVgmbO3NFkcCXW30vpZHPpmmDwgZh9uioDjOV5CmjGVhKqsSxjDMOYx9ZVsjD3923n4r2semu5OysqeYOHewkSx+XwVxNOcRcaLHeDMGtFuvmk+QG+n7kNPUBgJdsPsUENVA10pLhcD702MRxtDvn5rDanvMw5/eo5SCxpHw8iqFUVzmnK1unVYjqXPZmCz9DdJESBuPmooqWWOPLfb7E+iKofIATqooHlxyu281YSsG5PPXzQdZIxoGW3qFFB1k7ICTfW3JVElWHPDiSByR80Tpx4WEhQuw15Y0usCqhlPIZN3hESNeIc4Z6FE0tNBE33QC37FmephdH3d7+iitfxBsz2ubew5qkFMHTCzsxW11cQDC4RkgqomgjZICWFt0AtPTGxLQ0a63spu5IubMPmpqYBjfEc2u/RR1srWN0JS3VDVETDe4blVXXQMaSY3ZhzFwliFc4uLWlxHqgJHSyOtdwb9yvKUFWtG7iNdrEdUDpc3vcc7DqrOWmaXZyWm2/wA1AGxtlIawuvzvtqugGhce8YHXF7WNgiG2LSTy8x0TvCXtIA0tunl7A0DwEny8kArwPD8PuSUsjm3GnRJB26IgguFvIdEXTy2cLW8wqqmeQLD4+aNbs22hOxXIWzZhoAQPPoiYXAWAtfmOqpXF7OVxzRNPI8OFjcHYq4mrZrSX6u3O3xUoZpuhI5C52oJ1+SJB0tqmQ0yYH5KprQ6981rnf9FW07rszOJ+HJVNc7Qmx/FPg17EnEEny+a1+pmcHWPNX1bd4PIdeioqmPLJpsevNNFXMXXLnCwJ/YgKsm7jy6/BXFTGHtszS/X0VVVM7txH2fBSNBM9yWl5IANvJRVT7t1cRofinl1gSBYG/JQ1BB2ItryXSRAMvumzuv3qvmDmuy5hY/ijqi4Gblc8kC9936HTzG2qocwEEZbC5+SlEZ0sLHTfmhoJAXhtyT111VjTMuy19ram+iJivkaInA5vl6Kww6a1ru5nT4KCri0vY7eeuijoy5vXTrfoitupHB9vENj+xSiIOOUAW/eq7DpSWh2hOtxr5K3p3ZrchfVc7BPS04aAbnQ7jmrWAZMjr9NeiEicAdEZC782PDfUaa6qauLSndmY4vHpdZMoJFnNzDog43kO3Nh1Uf0izyQAddk+ovKQuc3d10aH6gWBPnzVbQvIaLg6+aMa7KQc2p+xNXD6kMZC59r3NrdFr1XfvXG2+i2NzDKwt52v6qonp3ulIy+H7lAB3Bl8VtOio8chiwiI1NW90cR5738h1Pkt4hoMg7zl08lr3H1PVPxLCG0tFBWSFz8rJnhsbSBcm/Ww2VxFdwxifEFQyOpw/CGCkaQWOqpDG53wW01vH9XhmLwUdZgJdK+PNeCqY8D16IGnHFwZ+dwGk7q2nd1bboLgqixrDqipq+IOG6iqq5n5hNDI12X4XQb/AIfxLSVmET1k1HUU7ohnIyZjbytun4ZxBheM0Rlw2ujn9fD99lRVHEWDyYXWRSzy0eaN0bxNG5j2XFrgWU3CdFhcOCxxt/O39yQINoo5g6ny/WGiNoLfRpIz77dfsWrUsclA2bu6h2RzS/xBVOEcS8QV8Jq48GppMMcbQz99lllb1ycvwUs0dDH5r+ugOJaGLEKIwS7ggtd0tYj7lRx8V4eyWOHETNQPf7pqGZWk+qvpa6GoyupamnnafrRvB+dlMwVY4WwCrjD6zDmSvIvmIstK4z7JMMxbEaeankbFTa6M8OX9q6jJF+ZYOWuXZChneU7Yzvrl2V0jjXFXZfV4TgZnwOaorJY3j8w+V2VwVPwfik3DslJQcWthrcExguewMzXge12Ut/H5r0LysdfB/nbrjHazwlRsNXX1sxpYKiTvKJ4/wEv1mut9R32FanQ23E+znAcUpW1OFmWjnYc8MkbtWO5FUWGcQ8VcPYnScOVv0SWrkMhFRW1Hhn6Zen3Lb+zrF6Kq4KZNBP31RBCc8X12eHn5rzjjNfU41xk/E8fxaPJCWTD9Rvv921vlt6pJo6u7tSx+mwLF8arsKw7+8q36IIGPdmBUmFdsTaXhh2JY3TUTKqXx09NE8tc/1JuuJV/EM+IUmMUckzMtVJFUAdXtBBP+19ipzNDPhIZUTSd/AbRj6uVX8j0diGP8Z8RMa7A4I8PhLxJFINXlv6J5aobDOz/Fpausr8arp+8qz+e/O6v9fwQ/s9cWzVNHNw9Xy98KMfmJP1el07ta41bV4NW0eC443DnRF0ZkI8U8g/wbenqpgDhw/hfhvHXRYXXxGtiF5vzvhYPP8E+g44xqfH6zDsDkjrYXtMtLK+NzfEdC2/K1naKo7N+CcUxytjxqsigkjcxjHeDL7rgdep01PNdopsDwilqGfR6GOMtWaY41g3Z/xJiNbVy45UTQtqnlz3xvcPCTcttyuQNV1Lg3CG4BhxoYqiSUNvbOdrrYbHu8oCBqgGNzSyMjsfrOATVw4x/mnPDOfz81W1MUmdzs1hb5plbj+DUj8suJ0zvJjs5+QQMePNq5MlPg2Kys/wAb9GIZ81Ylh9NlZJ4/7FYU2R0nh/8A+lT1dRijZc0WAyvb1dUMbdQsreII5M4wWFrf0TVNJV0xs8lQ2JhLv839Fa7i2MvY+0f+b1TqrG5I22rcKrIWH/CMAkb9hQEuJ4JL4xXRaa7e78gmmLam758PiGbzSkpi5tyc3kgaXiDCiMoxCEX02OvzCmosaoMRllpaPEIJZY/fY0+IfBTTDi/uPCBcdVI6UPjsdun6KbNF9Ymw6KGW5Z4dB1/SQxiQsdYtP71AbBlraXv6LOYnQiyc9xa24trslEDmueC0Odr9qAqIGk38ROx8kXUVDWNLu9DfNVFVirG2a17r8tN00wS3My7CxzbIWqaSzUkj9yHhrC93vOI6nkiWvDnD3dfq9dFFVdRTxEc9fLyUH0ctjIBc0nyVvIwOvsCFDOy2UF+g8tlqIp6yneYyWk203O2qAdE5hvly+h31VpXSXDrm37dVUVMtn+GQX8+Wq6CEPZmbnBOnXzKaJG95q97RpoPRRSEktO500A3ULnObqGm/S3kgKfKP49ElWvlP8eiSDuVPbOf4srenY0NZmF+g6KipHkaAEgnQ9VdUoLWjUnzXJEz2Os7ofsToWkWygjoFlzS2xN9dh1SYXFwGun1uiumDYXmwGx5qZ8rrAga+qCzAajU8/msGSzrk6H8VICZZy5oAb8b7qvqpL6n467KQvFiC7UoGqOob/BRVXUguzfYOqqaxln33A+xXNT4swvYfcqupaS48rDbqriKyoBGo5fgqquFyTuOvwVlO4l2VxsBz+CrKwk6DT+xIqpn0uPETqhpXE3FjoD1RFSMwItsDfRDOaM972bbawXQCyEmIjOc1+fLVBzM8YBcT1+aOmbla7QZddbBC5L6XAHp5oGUbDmBIFtNLFW0YDRa1gQgqWIEg/sCLyuyjS2gGwRIHqi0+Gxty08lFAA55IFnW6eSxUseLD7fgpKIWlO1rdPJFWFLJkJ03/cralqQCGgG/Wyp3MJjJG5vbT0U1NmZM0E2HopZo2enlJbZ2+mw3RTJiGbHTy2VVTkkiwBA8kUH2bc25aLnZirJlV4CDuPtQ/f3kDg7W6rJpiCWtPi5+Sjgne2YC90g3Shk8HO5R7JSMrdLdSqTDZQ+Aa69VZRku0G4SwXdJ42h19PuT5IM1v0ifmg6CTIQL8rWR8UodY38vRIlT0kf+D/jZVvGWBvxjCHU8Ez4KmP8AOwSN+q8bFWUXhP8AH2o6Lxj+PsVHL8La3Gv+9+IcTYvDWRn85SHLDf8Ao9R6LYaPg/BofFlq5n9Zal7v2ojjjhGix2NsmX6LWs/mqqLR7dLLUcDp+I6eqjwPFeK6yiqv8HJLEx7ZvR/8FIja8R4H4dxChfHPQGQu2/PP/aStZwynNPVf3O189bg1TF/4Maeo/NTD9W99uYK2McP8RCO392Vb/qzUNinBWI4nCxmI8U1EzWOzt/vdoIPkbpSMT4VxW2mmpKbHYavweAVdPv5ZmobhjFOJGU30Gu/I9HVXsKSUSMcW/q8ii4+Eicgjx/GmZP8A1i/7FV4Xw4zid+KUOOY1ita3DKkMopxNkcDa5FwOVworbH13EFF3MNVwwyt7z/EVDcr/APOVdVYbhVQJpq3g7HsNm/5RRH/9mbfYi4eEsIfFHD9JxeS3+MrpFZs4UwaJ7YTV4vDp/g6+RXUxp9NieJYTPfCOMWVY/wDR2MtLXf1X2ThxtxRSVUT8RwiGSG/jlgPeNt/Uv9qvKvhyASPiPFFZE0e4Kqdkn+8FS1PC7O6fPTcVYdGWn8450LR9xTTGxYTx5htfWd0BG0WubvHh+dilxHiXDuNYdU4TVVcbWVTMln6brnuN8NYpV0xijxjhuql/wcjpc33t/aqygwnjTCTC6pLO6OxgqBK1/wDU1/YpYCa2r4g4W4sixDDYKetkkpfo3dRfzdQxrfe+DVy3Ha3C62sq8arx/fVac7Kaj8LGevPz0W58XPz/AJVqMZhroZqSltQdzH3LM/1s2VaFwzX4ZRGU11DFVnu3ZO8+p6fs8105itqwjHhBD/3g4IZ4G3M3cd652h3Py+SA4mxLBOJHG+Cw4RiLCcxayzXancfL5q+wftgxDDo4qSCIUsLbNZkjyhrLs5DTqq3jLjfDOIMHhpX4TGydtnSVDIQ10j7N5jXqlui8wOtwXA+GjWYUZY3VNNa9P/O9/wD4v4bnyWx9lnCDeIMOZiHErAXMLjqN8265L2eeLHYR/fc0UZzzhmVzcvXLp812DG/7qqCcQ03DdYKMj+cnqO9b/ms/aVnqDqVHW4JhlOKGgljJ+rFCe8J+Sr8QxiQHSnhpv16qdsf+zuuZU+JxUsNp31MbTu2F4pm/7IP3q2w6uwKWHOzC8Fkf+nV1jp3fbf7lnF1sNTi8dU4CXiR+X9CgY4oGWDDHzd5/c9jWKycnzseAftssUmLYn3Z7r+5+IcslUfwQ82JcVOkBZW4WBfTLJI77kxFrh0mM05d+TuEW03+VlYP3qSQ8ZztcBFg9M3mHSPcfsKmpp+KnUTXMnwmR5GofnH7EM6bjNstvoGESM5llQ8feFFDT0nFrmZzilBEf0W04d96GfTY/kvLj0eb9Wjb+1WNZiGMUrM0uDCTqIpwfvstcreK4I3v+mYdiNHbcyw+H5i6uIPJ4ky2pZqGUf4+Rha5vwGn2ofCsLxapz1UPEkbxL/OMFK3LfoRyKdhWNUuIwE0lTHI0G3hcm4nRVtPiAxXA7/Sv/OKb6k34HkCmA2twnFpQAMQw8/5WhatYx7BMUwg/luPDMIkfTHO6opC6KXL9bTY+i3HC8bpsXoPpETXRyMd3c0L9Hxv5ghat2nY2yhwE0oOaer/NRs9dz8FZRsVBXRYjhsNVG7R7bpS1kMZaL8lruAv/ACfgcNKD4msU2dk2TX61lm+KuxNHKC4Eg3sPNPfG0t13QLDKwOFgL7qdk8gazw51RFUUzJARlGnJVtVRsDbOygdbKxdMfEXxlpBQ9VZws5wsBdINfrYqanaLusOgO6Gjq4mPHc3cR9bpon4rHFkLmsLiT1VVEXh2VrAwfuWpzovGVEz43EjK4+Xkoqt1T4Cc1j5bplO9uQBzjp+CmqC+ws9xsk5xFLXh7mHNGWm+99tVTyNHea2cbDS/mr6rjbJEdTlv0Guqq5KWDNdrQTYa2Gmq2IoyQG5Q0bapkp0uW69fgpZAGhoEbdCOQ80LMXEWcRZAK/X3dPED9iSbIb+9p4QfsSQd0oRY3GoG/mraNwAblOh+xUlBJmItp08laNeALn4jqsMjnyAktGpH2pzHtcBc2IVdNKTscp5FOhe4kA7c1nFWdhl3TJAM/keaw1x0sLm3VYeb7jT7kVC42uQ0glDSm7jqfMdVPIdCb8vmhJCcvu6ctdlUQT21uALbWVdVZLGziet0fLbKSNCFX1WjQS4EHfyQU1W0Zztblqq2qaCSL8/LorOqDfEdUBMbgWOvr5JFVNS3IXWawE35hCy3sQGNv6hH1TczXaXGvNBzWDSDbnzW4AqixblIA16hCbS6NbcenVEVLm5XWdoPPzUALSRd5+fmqCKY5Tq4WvtoiY7ZbutyQkQaALnXN12WY5Q2/i6fW3QYqfE0Wt9nRPpWNLxYDpfTooHPzO1RNARm30v18kFoyIBliOtjp5KaGIZrvsSPRTQhotYki21/RZlcAQGm2v7UE0D7NuRex2RDHMIbuCRtdBtkAbpuTuVLG8lrBcajfTRc+iI53MIsbXPMkKKlyNkvdun4JtY0NYCXWseu6GpJc8+XMBrv8FZ4Nsw+QNZa9gR+xW8UtwLEABUFHcsa2wNuV/JWjZntcGDKST81mqtmyua4OBIACNM5DmWBtuq6E5r5vF+xHRxuLd/D96RFjSvc5vvabnyR1LOTlJNv2qliDmuDWtII+xPpA7vh3mYt5pCtirNWB/1RzVRi+G0uKM7urjDmWOX9Jp5EHkQjWtcWlr9gsVQaSxzeSo0rEaniXhOpBF8Ywbz1qI/jz+KssP4xqsfou84cwf6ZK0WfHJUiMsd0I1P2LYLCSMEjnsVT4vwdQYhI2qo5JMNrme7PSnKR+PxuoK3h2txzG700mL0eC1ZuPo5jc6ob/nW+COw7gj8nYcaOPiHFAx+Z0hje1uZztzstc4loOMqWnP5SosP4g7v/AAr48tQz0e39lkPgeK4II5cMquMcfqas/wDmTKdzB/RvYu+1WIs8ehwqhpPoVPU4niWIeHUSSOyeuS371FgTeFsOw36RiFHj+If4ySoZM79ulvih/wAvtopY8Lp6GfBKFgy9/XQOaXv+G58yQrTDKXA69zH41xL+U8x/mb91D/mD8VFTVBhxambX8OcDxVEZb+bmxEZWuHVrdyfVUkkPDrC1mLUuI1VZMbDDmUPdNkd0a0akea37HOLcGwyIUOHzCsrSz81TQ+PJ+s63utC12mrYsC73F55IcSxKqbaesln7mniH6LXnp5K/EWLaGR1KIoOFMJwumZDr9KaC9vkWj9q1OqpsZx17cMwuTBK2KM27w0R7iDya4639Eys7ReHITKyuxSoxuodtR4dEfozR0zn3/VQw9ouLyvy4Xw+KGhYzwlw7x48sgUVqXalFXYfPFhtJLBXyU9pa0U0Dg0EbNIvqNFU01PwZxS0SF7+HsSEY70kh0DiLnNY6i9gm0s/GlbXPxmhc6pr6+TNM2BnjYQCS0t22adEFJVcN1IfTcRYXW09axzGCZjcjmgNF8zedzddIMR8EU880jIuLsJIj+u7MARflfdRy0fCmCyF0lQ/HZ/c7pgyxg9eqZDQ8ENxBzn4tib4Gh2SN1PcusdBmvpqh4qmOWqbR8OYWO8lIa0ytzyX6A3VDcK7+t4tBoJqXBPpFxGZDlZF5L0VwriGN4jw/Eylx+nqKuiHcVEVRT7uA/Tb9mmq864pTDAeJI6SskbWyjL9JB2BJ1C6hw3Q1dHxhNWcMRPoYJYWlkEh8EotqsdUb/JjPEFFh7hiuGUxJfaOSna+Vv9Zu/wBiqzLjWNQEUDOGql3TuiW/crHDuMaKSr+g4tGcLqBv35sx3oeatajhWjrpRiVLKaGu3FRFu7+kOYWfg0DuH3jg4hNBh1WPqDC2d18H81DiXD7jrTVlAR5ULf2OC3fGKz6DGKTHYWzxbd+wXhd/S5tProtPrOHv7873Bp5sOefqsdmiP9Xl8CFZ6A8MwrHoT+ZqIz/k6iSL8Qrls/FeHWmmnxCT/m5I2zs+bLH7Ebhs1fhUN6zDZK2m5yUpzuH9Tc/C6sm4vh2LU5NDVxSAaEZrOB6EHVRWtnjGrkJiq6HvS333U79v6rtUjieG1jXH6QGSke5KC1w+BV1+SoK5vd1tKyaMG4LmXI+IQeL4FT09O98OIx08TBd0dW0SRAem4T4iphwXDql4ldAwuB0kicGO+bdVJNHieGVMbMMxKSVzvcbVDM0f1xqtZlxzCKeQ07MIixCY6NfQyuY0/NWlFNxXV07IsPo48Lpb6Oe/vHj48kwC8QY5imB4zSYhWYMBLOxzZhHUNdny7G24+SxhGDzYnMcex28lRvBB9XL09FeUXDdDTS/SsRmkraz9J/xRVXW0382JMjB7zVf0KmqdM2waAE6nme1gLhcp7xDISe9KhayPvSGyEgbC+2iirylqJDBqwZRtdSyVLRlNrGyrKV07QWg5gpnQTkNN7A+eyUNmqC992gXB5qGV8r3CwFtip3w5MoNj113UUjWOd72Q+qgrKunOhBG3MoIUTXNBeOemvkrGWO7hnn8PUu3UXcsABbKS3rfyVlwBGENDmh3ivpYeSyNC5rrk252U0sJAI7zTqN9kNMCHHxAj9I81qXUMeWWcCwBtug11QMxp9PEG2A5jqnVUjQ115iP63mqmomZY+MnbmNdVsTv+jvbmLwQCOY1QkhhebM0segsoGzv1B93TmEjJZ+m3ruiSn9zF4NR82pJveDwan5pIjsVDKGgAag/ajmyG29lRQSEFrRsOfRHtmI8XvLk0OlkIcMuvVEU0l7X0I+1BBwNra3RdMOQ1PIILGKS7LG1unROkeDrptomRZQ22xA181ioLdh8AriabIW3I0J3v0QrpGWdYjb5qKWo8Z8VtPmgpKgXJtoN/JSh80hsVXVLw6zQbA7+aIlkFreaCk8kUDOTqb6euyBkOW2Y2v5+SPnAc4XvbkhZGX052536JAHMbE6ICr3c3Y+pR9ULtJtlvflsq6rY6ztSbeW66QV1RmJcDyv8AFQxB2Yjnb5aqWZtmOOU3Jtt5poDQ8GzhprpvqqH2NgMxBB67ofOR9YjUJ8riPE0G1x8ENIbOFrG4GgBQJrz3ltx6norGhBa8m9vj5KtABAP1rfsVjTaR3ty8+iC9hkIaSTduttfRRTvc27swdrpY+ajjkysIvr8fJJxzOtqNddSgkikc82Jv5XOiIbKbNHMAczqhogAd7KZozc7Ln0JalgljzZm79UNBS2ka4OB1934KawaB91zolG8Z/CbaanXopBc0QDW3c4X5G/krGNozh1rFUtPIMo2Omo+Ct6SRpaPED+xT+1WVMXN1I0V7QOEkIYWi7XXv0VHE4HlojqSYRv8AIbqizDSJD5lFwUt3i+gd9ir3zte8Pa4W+5WlK8BrczwLtuPNJUoyOERseb3v9qGIzMLCdtkRHIxweL7IbKWztdydyQDVL3QRtJG52VjRS5mh1vFb5rFXSGaC5+rzUmHMLLAjl8kErHZtxdVeMcL4LiMWapow13UaFWtM290i5uQtDroOe13CGL4dL3mDcQ1cA/QdJnb8iqbiKPiLCcJnxDE+ILUsLQSxrYy5xJAAADepC3ziXFabDMNmrak2jiYXHwk7ei848Q49iPFmJPqw6P6BSPEcAebXzfq7nr5LUguDjfFLsBNRh9RQ4ZDVZxH9G/n6v9Lxe9/FkThXCeM8Rthf9CnD5WfnJqyTvJP6vS/x+C2/sc7PPohhxbFvzzeUS63C2OKsZHExoj8gl6HOcE4G4Z4UohVYxUQwMHvuk0aPitU4n7VW0VWcP4cw+AUd2g1skR+wafvQ/b1Xum7UKfDpou/oaeIOfAD7ziqzjzDxg3Z83EaiDJJjEwZELfzTWpJoHxHhjiGLEJcZ4ZxykrWTy53NZMIXZiCSct7j3iFY1lPxJidDM/ibhOCvbGBIHxSgyBha0jb+suZYZSyVMZcx0m7R+bPi1cB+1d5oOD+DY8ChkgGLT1L42MkBrS0C5IAJ+rurfBySrPD9TA+tw/Aq7wPlzj3o23IDNBtbVY4TrMYxGvkw7AYaKjdKzNI4vEe2gIcdt13L+4HGKDh5+G8JcQ4fTYZKXOJlgZI8g65S7ckXK57jfY1+TcMlq58fp2zG/diQZGk2J3v5FWdAHHezNtE3vMU4uww4tIMxjfL97v4urzgLHqHhKrpKjiio+lRSwWp6uKs79jG/rN1t5Lk2JQR0uIGOWYzhgs5176qbDcHnxDAqquhYZjSG7m+SWD1hieH4LjVDBUNhgqaWcBxf712nmFTTcG/Rml2CYxiGHOGzI5iWn4G4+xcv7DeJsSfPJhs1YZIfeZCTfuvQ66eV12eKrncxj89sz8vosVY5Txpx9xZw5xBNgUpw6rbHGHZ5YXNLri9rhwVlwzNxfX0cdVFTUDYJfcYyJwb8Bm0QvtFYEysiZjdM/M6mcGyebevrfRWPZBj0NZQMwQz5pY2BzZv1enrfRPqJ5puPIZbDDsNt6u/FCV0HFWIAh+G4PBfd7mXd8733W8Pld9IbG/3c5shJpGxh7Xe9c2UqtJo+C8YjaJJOIatjzyZUOPqrCi4HgnqhJiVbWVThvnkv6LZTKwPZ/FlJHVMD3fxdQBUmBYdRSkxU0QIO9tURXyBkRaAWi29tAi2VdHE1+YsLuh5KtrKgzOfktl6HYq4KqteZIwWDLdAwUDXlxJtm2Ksu68RY43A1J6eSlZkbo1tyrPUVUtLFTbgOsOu+iGoqiMVGVzBYHe++is6ql7xpDXm513Omi1+roajvj3biL+uiitjp3xvce7aDpprsnS96MvgNj5qopIKuIMcCR113VvlqWRNJcbHryUDZMxbcR6jzQcxdo4strY67rFbJOTlDzYb25oJs073tZckk6eSB8kDy8OZl05lyjflYLvvfyOmyLa45DmYSehO6AqS0EnZ3S+mytRHIWm/dhhv9YnyQNRbMS8EemyfLIyO+5HMC/RDyzRAZibeTr6pBVV8gJc238XVBWgGTew05nTVXdbNGXOLRYW6HTVVL+8dKDYlpt16rpAO1tm3D8w05nVSMeQ/xGzf6WylbGbANvqR10TJInh1na69CrUhZm/X/AN49EkOWu+v/ALp6JIrr0Aykknc6DrqiWSAOIvbZCAEjTbn81IRbKRvpZchYwu1aSbaKxpHFwbY7KnpiWtubkc0XT1FtGDXkgvGyxi9xy0HRB1szgMwJd4ihTN+dI300CxUvDxp8fJEQ1EgDSOoOvRV7z9WxOunmipA45hbTkUM5lm5naG6KUj8uYe9fcW2UDnG41sB5J7rNOwudtENI4EloGvPRBiTK7c6KGVt32HLlZK9jlIF/RZiLbkga+YRQVRFYOboRrbTyVZURPOYOJt6K5mAMbmuOuv1R0QFQ1lrDUrfKKR8TQSMjjqeXmo3tOY2uPgrGqjOW4YBvfQdVXzABxtl+QWgNNdtnOa25KFe0lwuG302T3Ei17Wv0Chcdc1xy5BEEw30Dw3TqPJHMIyk3bboPRVsErQRoNug6IqMtNzYEX6DoirDNZ/WymbIAw2Zz/agfCL6anbZZEvhdpz8uqCzYSfFfX7tVK6Vhe0kXIAVYZAHA20A8uqEmrBHKHcj6KYL/AL0FotzQvfOY67miw/BV0FXewvm62ssvkaQMrSSd726JJgu6SozA2dlvy+CvsMlyuvutRoJg1puwXHp0VvBNmOgsPgl5/Q3CGdpDOov8VPnAOo8R5Kjop36gWPVWcUgdGBqSOa50WccobIAR9UferSlmHhufCDv0WuGZrG3N720+ascLmfI0EkZr6DkkK2GF9hcG90UHizSeQ/aq2mfni6Aap5qdWi++iItROO7cAbZgo6SYZi3exCrpZT4Sdtbeaxhs/wDfebbNa6tIvYsjLn9H8EHPKI2yuJHhGbLprb1RpyGDN+l+C592kYXiGL0kcVDduZ/jcHvDh6ZSPtKkiuW8dcUVXFGI1kHe1dHRMAbBS+82pcHWLuQAHPdRcI8Ivmr4a6SnMMLDZ7eq3HhXgAw15mxeX6R9HY1sOfxZfLmtpyiGKQAAfx0V/Q2HCqwR0NMxvvRq1dVDKZf0BfXb4rUWT/R4owfecnY1izKLh/Eql9V3eSmcWu6O5LN9Vw6Crhqe0eTGZJH1LZ8Scz890JXQPaUlH9x+CxADuvpOjP6hXPODoW1OGUdRM4Zvyg0EnqSundvdPRScKYXU15k+jwzNDu797VhW4jzuC5r8zSQtt7PgytxR4qJ3Aln5wd45venbNoRzIVVTU+CT1BvWSQwl5yd4PFbNpf4ara+GcJgocQdWUeLYdVMOkMdRLbKc2l7fDTzVsHoPAOGOGafDqaqwwVUtLUZZmEVs2oA0HvXt5Ln/AGu4JwvDRVVdXUtUZPH3ZZ3rg7w21c4ozCsd4ujwWOhlxLhvDoY2d0x4OrByI1t/YtR7RMWjrsObhuIcWQVjW5s7o2vdfW2gLlmK40dTpsuidhricYrKaSPvIJ4Cx7T7p3tdabSQYayaaOaWSeJlsmT3nrpnYuRiOKSPpKbuKWGE5G5r3vufjZbRqnCFS/Au0adgAEffuYbbXJ0Xoukd3lMx7dS7UBed+N4e47RMVhhh7qzs7Gfb5br0LwjOyfAaeUalw1WegziGhp6zDZ6Krjzxzwua8fKy4NTT1HZ/xhz+iXzx/m83ffq/Bd/xGR7pyW/U91ab2pcNQYlwvUTho+mwDPE+2t/0fipKLaixODFsNZiFLK8B2oDhqD0Uved5VMutB7J8SmgpDhOJTNbKTeMO6dPVb3L3f/0uWVFVxY5sZADXW5c1XVE2T6tyU6aVjRmD9RyKQbFOWgG91YiOJnehmtiRsiII8l/I29EwNEDLucA1u3VZbPa3Mu1ATA+VhzZw4XUJYWNc5zwSUp5e88ABYE3uiGXJJCCGQPcwFmp6IOW7iQWZXdeqNcSI7NOyFIkIJB1PVRUFRJ3biWlxAG3IJ1JXlwIEhv5jzSnpJHXBdlBGg0QrYXQAs0Ou9h1QFSeNjjcEc/mmStjjjjcCc1thzQchkDjYkj0HVSRyxdy3OD5k2uFYK7EK98bS2F5LgDe42VDLW1LtXNadf2LYKx9I4OL2hzrG2UBUskcZk/NQFoJ5gdFuRAzJX+JznkAjooZ5AH2cdNdwjjATG7MB8AEJVQNaSCMw1tcBaAYOurTY+W+qfcNsBGB/U805oawkOAPy6rMjwQCwMI8wOqCIGPQEX20AH4qGRjZDpdMec5sWM9QE+MEeENG3l0REX0aT/wDd/gpKf87/AM3/AB6lJDHTWki2np81IWEsv6XUbXDKdee3XVTB4JsDbQLnSJGkhjWu+ClheGO0G+6gJs9oOgsmOkGYZT8VFE97+dNhc21WQSTobIZtmkjlpYfBStl93MASHclamC3WI8kPLlA2We8BBO2iHlmAZbmoqCQtaQS711QkrwCdRY7aqac31tdCTbAm4PS6qIJHjMMrtvNPZICwl5HwKgN+9J3+KZJLlLbAgdLpipZZGm5B67kdEM8DMXEfanl12Em99efkmSSEHy9VuTANNqDa1teY6qrqmgZvEL/BWxdqeY15+aAqwHFwzOaVRUTeAgC246ISXx6l2mnRWDw5rBZ1wShJWkiwde9t0TA5kDAPEAPh0RDJ25CO8B+XRDStJZlabkD9igM+Rh5uHX0QsXccjSWkPvvfUKVzwXZep8uqp6epcHDW37FZsffxZuY+OqGiZcmU+L7uqpcVdleGg3AA6K6ccxyeV/tVXiTMwtfU/aigcPqix7QSAD5hWQqGuI8Z+FuiqIYfFrcEI6nDmOF3b/ggtaeQW3JJ226K4pS4nWQC22ypqfORcHT9y2CkiBjFmkkqW4LXCz4W6m/VX1MHEOIsHX+a16mIjzOvqPqq5pJQeept8FgTVWctB0zW2Vlgbbwi5Ntb9UDlDmjP8+qPw53dtF9LXsU0q7p3NaMo2yocFzagBw8N9E2OpaHgEWJCfVPYJSWOuQQFNQVDlla0A663UlPT5GgncEWWcLAy5S3bX0R1LGJHPY03/atIdAb0vd8/vTCGsjLPrfcsulbAGg7fcoah7S8EbH7Vlo2eMNaCNz9qpsYpQynLh7xK2CrjtFG7kfsVLiUrTUCF3u/enwBtibJTsB5c+ape0mkZJwHiBfP3DDEbuy3v0HxNlemSP6Q9rdxz5LQe3fGsRpsDocBoyPo1drN6hWDROCI8XxqgGGUkEQjp5GyWa2zjY3vddV7Vqd9d2V1EZaXywd24ne2Vab2EvbSzVT5dyLLqhgbX4DXUuUP74Foaed03B5Q5LaOEIGzUzw6mpaixa4NezMdXALXJ4TS189JUNc10MhY4DU3BsVe8I1stJO+OmkY+R+zTE4nTlpdbHc+zvB8KmY+N+AUDQYXOa7uG3BMr7C9uV1y/taq2RVhgo4GUtMdGRsA2BW4YBx7jOHMbH+RaGKocxrnvc2awBdc+HJyuuecVT4dXYm7FMUn1qSf73p4Mvc2/p/LRY5mjTo485JLrWF7Ltfs3U1oKupefCbhcZsx1QDALG9rFehuxzDJaHheR4ju6QXFlroc/7XZYKTtTNXLCBExkbskZ/nW87+vxXROx3HG1nDIpbawPcGk7lnIn7VoPbThcgkgxdwPeHwfrK67I6yFtBJL3tpfceP0lKOngtEge9+h3UeLTtfC4xgOFrFQUsrauMkOGm36qElikzOiDTY8uvmsyKrKeipHzOcYAHA3BU9S8RtA7y1+SdNFJFlY02JOruvkmVtIHOYQ6/l0TEVdeajMC0FzcwVlhzpDJ3hbZrd0d9DHdMFtbb9UyQCNhAbZRWe6+kl9wbEaJ08bGPsG+6BshhUPjIIOiY6sc4kk281cEt3B+wt5pGQtjJd4m32CHFRBI115CSOQ5omPK9jQw6WUEErmfzgGUW2Q008RLCLhFzxukF2MvbdCzxuDrlg05II5pO8IcHjMd9QhKl0veC0jQ0enVTVD42Gzm2AGw3CrqqogcLuc4NB5equJrMlQ0PcXPLvQDqo7sljBjdmd10sFE6sgDwI3Bxt+1S0FbA8lmVrTzHVMAk0QN8twVXzRSh4JeXHkAR0WxSspyzNmDbg21VfURhoBzDfTXyVnWCpdBI1hzSuZflcKKelkFxcvvfW4VjICXkF4J8ylO43AG2ux2XQUkkBtZzj8x1WBG1hDQ0G/63mj3yRuBzWJ9Trqgy6z9LD+ttr6IImRNuDdoOnMJk4aG6G2mm3RTueHNbZpvp9b9yic+2mm2tz5IAJu8Hum39iSlnEcnvG39iSMuiiQi2UEk7nXw6qcSa5Sb+l9UAH2IN9DsLanVYbKRmFi255jULmqwbK33ST6i+nkmRvDSQ2/2oB0vjYM1jpoRupGyEEggkHnZQGmU6OudNOfRLOQcwJO+muiFBOgsLW6eSyx5vZtr6g6Io7vQSBeyw8jmoQS42c3UXA0Tw14NrXHpvqga4szAXQ8rbm19L6FTZSXHUKKTM1wDrEeSIEnicHHnceeqHc0jJm1A20KLndZ2xIPlshZ3tA1Y6430Vk1UMgc3MQeSh745iDZMqJ7g2BtYjbyUEhBJI5b6ei3gnEo1Dtbk9dNVDUglpIdcHlr1ULnAaAXsTy81kOZrvfnp5qgWYbPAPyKr5buJcATt1VhUuu3wnTpZAG7QfO3JBARmZYtv80FOx2oy6fHorHKBHqLE+SFnZZpuD8vJE0PSB2YAa+equI7FvQjnr1VTH4HbW+CsqZwAJtf4eaQkGguc4ZjcW316qOZuYNyaeeqaXHOCRYW6eaTZG3AaPsRUAgtKSL6+qlbFaRpN/t6LLC6ws0EnnZTRM8IBAdrtbyRJMEUbDqSCTfz6K+pQcu5I+KqKdpabkADpbyVzS62sGi/OylVYRMAYLX15a6KaJ+Rx30HnqhoSM4uNjobbqeRoAvtcLmqwpagmQHYHn0VlC782XXA/aqegbctB16BWcTi1mQ3OnySJUMtQ/vhlNrbnorNsveBv8XVPOwiYO5nl1VhRyNy73/Yria2HC5nNjJJ5aeasMHlL6xxOluXRUdC45XAHxW26KxwiXJKXPO/2pgzjcncz+A3G3qpKSTvpAHC4aENi7u/s5o359FJhxEY8ep5eairKXXJYat+1apxLKYMShcdxqfJbM2VrgX7gfYqXHaUVMgfYHTTzUVr7Z3SDvx4QuV8RGfiPj6ebDJ++hpafn7nhb4sq7LPRNipWRuFrgrhnDs1FheJ4+MT+lxmW/wBHfGzws973lvmI2Ts4qY48Gc9sOR5ktm811nhaZssNnXPi+1cd4GZIzBG5tGufceq6jwLUFrHNnJ30KdQcj7eOH3YVxc/E6eEijrznDraCTmP2rRcMrZqGrbPA4skB0cDqOv2L1Jx/gFNxNwvV4e+3fNbnp3dHjb8F5fkp5qepc12ktNJbu+78XhV5uju1Lx7glXhIdLiwgqS1zZHd1mzNa5wy7/rfYuHcR1r67EZHum70XzaDQF2pt8bozD8VmeCP7zpQWZc/ctzeFvz1+9QFo/npawS38vfVkwP4Hwv8rcRU9NqRe5/WXpzhIto8PNMW2Eelui5n2M8M9xEMVqIspdsSNl1CNjGvdITla7bzWLRp/bdRMn4HmmY0Z4XZwbarnPZhXQwVFIJtqnMzP/zrP3ObZdh4xZNWcO1tJA4B8sRaBpr815/w01lDH9B7nupaapa/P+i76zVYO60kn0VwsbN961ldscX07ag2IcDc2tZUGHPdJQRSS6h0YJBR09Ye6EUbXMbbbcrCm1LswzF1rbKCnc67nOOa/VLxd00Hxc0yR7I5Gd40gnUW2V+g8zDQFyIa2NwNx4iOm6pqefv5QA0+HpzVkJLRl4frbbolAlRG1hOZ51O1tkBUBhjkJ2OgsN1NXCV+WQOd+KqsXknZTDu3k2963JQRMsye4cACrSnq8jcmbXlvqufHE6+Ood3kFxfQ2VnFicz8rwAABrotflNbvLUkNHjIzDzQklURCc7XeE72PRa+/Fs8IJdd1uiRxZggAeSdenks2LoytrA1j87C4nfUqhxStZYGNhabb3PVGT1Ec5s3oqisawlwe29thbfVdJEC0NSXl1g7U6i511V/hzGmO7S9pt56KqoKeMnwDKf6PmrWKR7GBoAzcvDa6tmg1zC5pBJJNjz6ISVkgduSTtv0SbWSNblyNz6cvJZc+WRwyxAkjptoufwQTMde+S7rkDfRR1LDcjLZ1jrrqpZBMT7oBN9bIaaR2Utkbrci9tl0gAna6xBzA899NVC2MtcDdx/bqiZS0eIvv0vfXX1UXe3P860dfCdNVQozG22Yu5KGeWlaNQQbdTropswLB4ml2nI6oGYXcTYEeh00QBzWf/NuI/sSSmJGzgP7EkTXQnRkOI0FvLzUbmOvmJu7lcbozu3HKNDbnYdU7uSXX8OXyAXIAsaXOHhDttxsio4wCH7OtsRoiYqeO4JAG21lI6IZCfDYc7C6WgCQkD3XbXGnksDrYjfkjDHc+AAi2u3RRSw5SBpfU8kVmK7nA2662UtsrwRbfXTbVNYwtuL73NrDRJ1yQCefQa6oGuPvBu3I2UMzgGt538tk+Vzg0+9b0UBkDxldf16oBpnANvzGyq62Y5bZTf7kZVaNIaQVU1RsfeaXH01W5BH9Ic4Fpb15eSkYL3NrXBO3ohdD43aG50sOiKZ42jS1gemuoWgnC1/DuTy81G42ucvQbeaKkBy5Q0WF9bDqoHNaHlp8uQ6oBJDewDB62Qb9T7vTki5QAwW6+SFkGZtxpt0TEppIyi4ufRDSm5Nx8LeSncW5RcgfAIeY3JsUMRuH5wWFj0sjIjcHTUcreaCYQRmdr8lO135t2XT5dUIKL9dALgbW81CHm4dbXpZNieLWdr8uqQAyC2g+CCaNxJbcEfBFRvOUNAJ13t5Kvc67ATa3K1lLTTOygAg/LompFzC4hwdqR6eSt6d1nCwIPSypaMh4BaQDzvborelYQXF2nyUrSzhPgNwPPTZTuIIAGug5IXM3wkE6noFNTvzyEW5dAsUWdJYEPbfTdGBzswcL77X3Q1Kw3a0j3kQ5toSLjTmpChq2XK4OvrzSo5rjQ2JUVWwuc3LqTyWKOIMFz7yqNooA4s00d96s6OB1w53xCrqJ5bEP0wrKnqQ1rTueafQ+NjSGsduDp5p7gBoLAj7FC6X843XzKkhe18l7aEfJRU8RD4XtuG9PNRMAJcSL2Q0k9nlrdM26mpn6G6im1FpGsv8ApftXnbFYAceq5KSGq1xGSPvzJ/sluy9AYlWUtB3dTWTQwwtdq6R4aPtXnzG/oc3E+LfQq2aqqvyjnp3x+4+PN734Fb58R0bBcHZFTww5PdcLgdVs9IwUtY9sJDY2i5v1QuDU744onyEhzxfXqrCSJ7Z3PdYl4281mrFn9Na2PMefhXGO2Lh8txA47h0ReJG/n2ge6R9b4jRdPri5j4o9r+JVNdaqgNN/Of2rUuI87EGR5IaQegC3js+4SmxiqjqK9pZG3qPCuicOcLYNUHv5KOMvv0WzMw6GnL4aVgYwdPdS9CyozSU9IylpwBHHoAOagr5Hua9kY069EDC5zKsMaNzZytKundFEQDyusxQuFQ98SyY3c8rz7V91BxhWNm72q7ut/n/1cy9AtmyPjcPC4Fco7QOFKyLiCpxeEd3TVEjW+Dw5fX1PNakxG60lU12FsLHRFwaLWCfX1b44QR4swBu0WVDwoyaorBRyiUOZuC2wcPJbXiFDmMZZqLHQjZSwVtJieefLLcEM93cKWsZ3ronMu4b67pQ4bGLS5Gxg6E9Ucyn7oOyZWlvxuFJFDYY+8r7NIB3srBj2NJLmghQtYadnhkHi6BQPklDnHvAQBrooDS+ERuOhvyKFeyGRkjLMuQhX1Evdh1vD6KoxDEjCTJm1dpogr8Ww5wlPdNuL6+FRGlbGzK5lnEdFZ0OIuqyAXR772HROqWOkkNmh1vILUqNdnPdMyiLbyQTpS4kd2dT08lsVRSNsS9tzbyVLVUkjZmlgNr7WGi1yJaON5cCB6iyKmo3hheXNvfTS/NTUdLMQXFpB5+EJ1T+bs1xNz5LW4AIzkf4stxvYWvqpoZ2OkAcfQ2vZQyyMaSDv1spKLK+wzN8vCNUEVUGCQnM9unTyU9BKWsuHu9SPJOq6Z7wRZu4106IKcysaWFoaPh0Uonqq02sAb3N9NlX1lRI5+YONteW6hMh8TSRcX101Q0oN3AkXF+miSBVzr390dduqhgJLhYtt6jqshokGYvJA6gdUowxrgBY+hHVUEsyBoLnMN7cxoh5ZI4tbnbS1tdE5zwQLC22umqEnc47xhwt+xVm0yeaP/Fj+AkhZiP8AFn+Aks4a7ATsLXHM9U5upAOw2CUbSTcnKOl9lPGNDfW2xHNc2mImC9wD6KbK0HTU7eia0AEWcQpPEWgAWAPxVSIJW5fdbooiHXubX6/BGOZtd1x1TCwg8rD5qKgawi4AsSmvYCCMpB6dUQBa4zE8063hFz8UFZK11r7/ALNUOYXEEEK2MN5D+j066pksQzF1rab9FYihnjLb36KoxAAEttrb9i2WsjytfcXsNFrmJ6DPubfsWubiqzvDextt89ETTPDdiOfwVXVT5XOGt/jpon0lS0uLSTcX667Lf1LcXbnObYXGv26qKVx0uR+CidKHC4J09dNUx5cTudvNRUcrTb3tOaEeS0aOtcD7lO65J8RI+KjygtG50HXoiYElDQ3c7fsQspaDsb8/kj5IwRpfbz6ISRgFxc3+PRALGbbbEqUOIud1h7dRYW8lLE+7iMth8UUzObtsdL/LVPc8kNDHWIPzWe7D2E2sUns20t5oiNzrC26a2QhwJ6jb0UuQ5RksR0ULW6nW233IRf4VLmA1tv8Actho3Aka9dLrWcJ8OW5t/YtnoXEEluvmhFhHGySE5Sb2089VO0tYW5r6aHy1UAvmsGkC3y1Ticrtib7+a5VV5T2y3by2T3uy3LgdT8kLSPLoGnUaorKXHS5/ak8KiLC82IFuXmp4425xpZKnjJlJFxZHZG+G+lt0E9KwiLNqcqxJI+MONve+1SUj73jBGuybVREv01A38lcTWKaozyAnSx0HRTVNS5rXubpf/aQcUZbO1vVT4gTHG24uNieiYamhYXQseeZ0PRWTDlBe0ZLBVuHSB0jYQb2FwOqJlkeSY9xdTGmv8WcMR4xXx1ktRI5jW2yF12tt0HI+ar+FOBqOjxiSslAkz/zefxfet1pG95nz+6o3PEM7cnuKohrskT2strm1KEbPH9PbE45gSLBZxnvDMyRh8JOoWv4jVOgxAOPgI2Kluq2HGGGQZt8gtbqqHCoNaiQnnYX+qrODEYanDXWdq469QnUkcQgyuYbE3IHNPiG4a5kERAN3XVxTscCZANHC6DpqeMGSQ222VhLVRw0MbCLF+lipaoCkY180srwCA69hzTsWq3uIY05hzHQKOGRkTZXnQ2uT1VTLM+fO9gcATpbkqD61tmMc0WuEyIx1DHR1LRIH6Fp5rE8pyxtcSdLIeadjJ4GghhN9emqaDKCiZRsayFjQ62h6BYqpXtY6PQmwsl9Kzwsl0Gmmu6Dnu6UPabBwHwS0DMkeWam+tkbK/JHG1p10zKmq6hlM/wAL9najqjY6hstOXF3jNtVYg0kSN8PVD1UAay7ni7jfrZPp5GthNiBzvuoe9M8hHeaX22WVA1ckbIS0vJsdOV1qte5z6vfTNoL7ara6qmYWSXdqCbaqg/J7n1ebOCAbn5rcqHYPSZHMkOw3tzVpK6Fr82YhR00Yiia3MdChMQhLnENkdbf7FN0GvMEmlx1sT5IeeEPeHNLbfeoqCHMcznkm1tT5IxsJAyh4FilDmzRxsLWvsQgKy0puRfXXz1RNTGHX5G2lkK6KRrLXunNWqyrD2kWDSL7dNU6lqbODcpB6p1U2Y3ys1H26qONpblc+7dNfJdEHfSWkak3BHJC1Ba9psSdOY8kyWZrbOzutp1Q762wBDnH59FMFfVOkY9zQwG9/uCgc+SxJYLklF1Umcl/i+3oEPIWhxJe4C56qiGd0RaTYjRDwi0jQ0k3+zVHPAa3Lmb9umqzEI8wJkF/Q66omhI3ZhY6ZT+1Qztu5pa7f7EaGiNwc1uYE9SonFmuZuXpuiqx8cp2d/Fkk6rJP82f4skpprsUcZLALc7eqIZG5jbFu/wBinja3NlDT8dgniMvIufENh1XMQNjdcaDNyTyHNAZv1ciGx9bttuU3u73sdQdkA72m9rWFtisTNy2BGnXqiJGNIGYXtzHNRua4kEX8wdggb3bnOsRpbfontiNsrdh15pzWKRjDnFzlHPyVREYxfy69NVHNGB4bX0v6otzGk2dp+3VRuFidNEFLVMvncei1jGGOsbNtYfsW5VDAczedlQ4jEHxuY4a2/Yo00Cvif3jnX0Hr0UUOZspeBvfkfJbHW4fo5uTl+xCfRMvgEY2PxXWVmzULHuIHmfPXVTPuXHxcvPRZZA8tHg5n4ap7o2tJzNRQ7c1gOnLVNc03ABsLDr0WcljexICaR4dGE6D7kDZP5u43t59EM9gzXI2569ESDpbuybj9iimF9Aw6fggDlbZ7nE6/HRNBNjc6nbfqppLG4I3PzUZY0+Xit9qAmNgBYHG/z0SsAyzxcct9UoPDlsL6/tROUWBDQbFTDAbdwGEhQuJDjdtjp8dES5o1OS22lkG62Y69N+WiqW4sqKTKG5mgefXRbFh8mYEiwHxWo0bw11hrvvy0WyYU8ZRbUqLLrZ4CCW76deeqmEeaR25udLclHQW7saE7/DVGN1DTYjW3rqudWJqVpz5ADYX35qzhbY7XQtM3K8b3AJNuSMZc21Iv15olSxk57FlrnRSPZIZCANLbpWYWX7zUJNkzA+LVEZiLo35S2wATIi57/evcrLneE9bboanf3ZBJsQdVfosu6Jka75HoocQje94a112tGv6yfRzhxcwG5HujqnTvb3bgfCRv5JoGwZrvpBJ3Zz6KziaXzkg6XvZD4TGGQPlcbE/aiQ4MYWt3PNSKmlcGi7T73NU2JTnNZsejVYvu2AX+XRAGIGllLn3J2PRLVUeL453kkUA8JvqljdBLJTOnvndlu1CNwoTSmpcbhmp+a2JkjHtytGgZp8lfiNc4UppjVCOUGxF/VbNWg08JbERbqd1T11aygqWlgDdLAfoqajrG1zC15u4fWWVHU0lQ9rLNs132p+PydzFT3NwD8k/DJGCPKH5sn2Klxx9TXzOiZ4cuxVBkdb9KlljGXuyLemifRxBkDwXeEHTzVHRxS0bQ5xuSNT0RUVeXHJYlwvcqCyqWvdJmjFgDex5KmqQ6SsLnuBawH4o9tUWsa11y0gkeaCf3j3SPY0e9qOiBQmfu2sA8LfPZFzyEaBo90aIOmkOfUG19fNOkb31RK4Bw0AHkg13EJnmR8hGjXI7DsTaQ1lhfTRS4rRODBF3VgRc+ahpsNawxzBtgLaq6mLCSoc1hDSbO1Cjw2sb3jmygZ9UPOxz3NEdvO2tkFPS1bZ3SRNcWdbJBY4jI57nZMoJ00PmoqGORry25Avc8+ar2smEovc8zfkj4+8DS86Oby66q2A+GNvd6DXkq+fOSTy2+xG0hAp3ODTf7kJUFwJGQ7Xt8FFQxxSxi4Hn9iIbPYOc4sHS6Fc+RzLhrrdfggqhz3RPGVoN+fJEHvrBGXOdZ2nyTG4nA94GXS2vzVPNK8v7twt081JDBKCXCO+v7Vqcg18pkkeWts3l5apj57RDVtwOm6G+kOiY4Op3b/tQrZu9YQxltdb8lqB07yTlaWbjqhJDM4WYWHToeiMaW3sYddOSTIrMJyAWHTyVFbIyovZzW2t59AoqgDNldYanqj5zodFWVrxmPh5nkgbdodqPv6pwDS8eK2nQ6aoPMRI0hhH9qnzF7xdp2/aiMva5sbdb66b6oZ73lw8VgN9DopZJWZWeG1iEK+a4LQ0aoqOWSUNDLpKCSS7iUlMTHoWFnhBspoobXdZTwxWbd18oOpARYgcbWHosQoB0ZI90Epr4S1t7WVwKU6HKPNNmpSRZQUr26e7cgKJ7MrWkk3PJWFVE5lrC42UD2Nc4nUOA1NkUOBrY+8NSpR7lwNeh5pW8W1+hStd3QhA1xJD8rtLKF5uWg6aKd2g0AUEg1zcrKxAM7mguN9Aq6oAdITYOuNkVV+EuJvZVlTLodLC2hUxQ9TCwjNYl3JA1EDWyOs0DQ3RFRUEMNni422VdiFULb6kG5uukEE7g1hINtT8dUNLKxrtiRz8tVFPUeA+7uefmgpqvxWGw289VUtFsmDnAAbqMgiTTmhI3NDRve+uyLgs9tyAD526IRhwyuFrC/4KORoymxdbyUz8pF7tFvTohJXkZjf1GiKYdHedjcphFm+ZOh+Kw+QZgb6AG22qbnBduMt9dtNUSq2p4owmiqpKaZ0/eRus7LHfX5p443wH6/f/6L960Hij/j+u/yxVYiumu40wU6XnP/ALJDzcV4I7W9QP8A2S52kUHQWcWYO07zn/2X71ZUXHeCQbuqB/7JcsSG6DutD2ocLsHjlrf9B+9Hw9q/B7T4pa3/AEH71w/h3h7HOIqz6HgGE1uJ1O/dUsLpHW62A2XRKb2cO2uoh7+LgOtydJJ4Y3f5rng/Ys4Nzb2wcHgaPr78/wC9/wB6Te2HhDNpJiGXn+Y/euR8YdmfH3CEZk4k4SxfDoRvNJATF/ni7ftWnp+R6UZ2zcGhmsuIX/6N+9Nb2y8Gh1+9r/8AVv3rzcsJ+YPS7+2fgos/ncQv/wBG/eoXdsPBZF+9r7/9G/evNyexjnvDGNc5x2AFyU/MHo6m7ZODmbyV/wDq/wC9Tt7ZuCXO8Ulf/q/71zTh3sG7Xsfo2VmGcCYkYHi7XVDo6a/wlc0qt4t7Ie0zhSB9Rj3BmLUkLPelbD3sY9Xsu37U/I7OO27gVrAzvMQ0/wDVv3p3/DfwKHh/eYhp/wCrfvXlx7XNcWuaWuG4IsVttH2a9oFXhtNiVHwXj9VR1UQmgnhoJHxyMOzg4CxBT8jutX24cDSNyxyYiP8A3b96BPbTwbYt73ECP+jfvXEZOz3j5jsruCeJQf8Aqub/AOlZj7PePXmzeCeJCf8Aqub/AOlPyOwnti4UbCWMkrtf+Y/eisN7YeDI2Xmkrr/5D964LxLwxxHw3LTxcRYHiOESVEfeQsrKd0TpGXIuA4DS4IWcA4Z4j4gjnfgOBYlirafKJjR0r5u7Lr2vlBtex+SuDsGNdqXClVOXwyVtiecH70/Au1XhSjMomkrfENLQfvXJa3gbjSgoJsQr+Eceo6SAZpZqjD5Y2MF7XJc0Ba4mD0lTdsnBceYd7X6/+rfvWB2w8FtzHva65/8AVf3rgWAYBjmPTywYFg9dicsTO8kZSQOlc1twLkNBNrkK3h7OuP5XljOB+JS7e35Lm/8ApU/I67L2s8IyZrzV1v8Ao370yh7V+C4g7PLW/wCq/vXAhT1DqwUbYnmd0ndiO2ua9ret1usnY52qMALuz7iOx2P0F/4J+R1Cfte4LcfDLW/6r+9DT9rHCbm+Gat/1X965nWdkfadS0FTX1XAePwUtLE6aeV9E8NYxoJc4m2wAJWvcL8O43xPiBw3h/DKvE64MMgp6aMveWjc2Hqn5HbIu1jg4N8clfm/6P8AvUkPa9wi13jkrrf9H/euZ/8AA72p/wD9vuJf/h8n4Kt4q7PuOOFsPjxDiPhXFsJo5JO7ZNV0zo2udYmwJ52BT8jr9V2t8HSZrPrfEf8AEfvUD+1bhMXDZK3wj/EfvXn5E0FHWV9UyloKSernebNihjL3OPQAalPyO5R9qfCbZGu7ys0N/wCY/ejZu1vhAjSWu/1b960fCPZ/7Y8VgE1HwDimQ853RwfZI5pQnEvYn2r8OwOqMW4GxeGBvvSxxCdo9TGXJg3Z3apwnnuJKz/V/wB6Ye1ThjP/ADlXb/o/71wmRj43lj2uY4bgixCarg747tV4Vt+bkq/9W/eoz2q8NfWkq/8AV/3rldFwRxnXUUVbRcI49U00zQ+KaHDpXskadi1wbYj0Tj2f8ef/ANFcS/8Awqf/AOlT8jp7e1Hhf/GVf+r/AL1HL2l8LO/wlX/q/wC9c/oezDtHrD/e/AfEr/8A/Gyj72qLibs4494aofp2P8H43htL/jp6N7WD1dawVwbnPx3w1JLn7+qH/sf3ohvaPw4GAGWrJGx7n964wshWeDrNZ2h4TI/SSp/0X71DBx9hLZL95U/6L965Wkg7FH2h8PD3n1R9If3qxwfi3DcaqHwUTp8zG53Z47ABcMW3dl78uN1A605+8IOryua4l2ZtjsVFUwwvAa7LmPIIeKRgDmhrXO53Oije6JjsznWbzQYqohnvHa/K3qhiJGDUnU6qeRsIN2E3Hn5oRzww3bmueqJWHxNe4g223Qj4gBoNuZU0spB2Ad5BDSy3Fi+/lZKSmvLf0P4skg5C7/GfxZJFerKdhfu0W6dFZU8OoUFOywtbdW1NBcA81ylREym52+Kw+n1tsj2xa728lnuhfZXDVJUUIsTk1J35IKaj02B8rLY5oS7TlfZRSUwG+3VQavNRuaQbb7kKF9Ic17beWy2R1K1wtYWG3UKCalblNxYfeiqB9I7M4DohZ4ixviV9LTtuHNBAsq6qiuCNh0ViNVxQkOIzeErX61wEpDb7arbcSguD4dlr9bSva4vIuCNuiRWu1kgYXXcbDzVTXVRz2I0IOt1sNZSvOd1rj4qnxGjdlF2Eb9V0FFI8uzb76JmaS9swuPe131RzqVwzF1xvbfXVOjpQ06m5+OmqJgSFpNtSrCmbpYkW9RrolDTOa8AuNvO+qlhJ7wtuNNjc9EVG8FurnD5jXRAzv35/EKxmzSC2um1ieirqkBrHXDr36nVAFK+0xF+vNOY6xOuo8/NRy6k69dbnRJxs0hElc74mN8frD/zhVaj+IDfGqs/84UAikkkkgS7R7LvYrU9rfEkk1bJJScPYc9prJmizpjv3TD1I3PIeoXGLL6ieyxwtDwj2F8M0MceWaspW4hUn9KWYB5+TS0fBBunBnCXDnBuCR4Nwxg1HhdGwWywRgF/m527neZJK8Se132w8UQ9ur8O4dxyvoKThlzIo44J3Ma+ewdI5wGjtSG68gRzXvpfI/tYrX4j2o8VV7jc1GMVUp+Mrig+pfZ9jlHxpwDg3ELY43wYpQxzuicMzQXN8TTfexuNei80e1j7NeEuwWt437P6COirKYOnrsMgjtHNGBdz4wNGuG+UCxF7WO/TvYirXVvs5YAHf+bS1MA+Ezz/8y7aQHCxFwro+NJ0Kwuh+0bwtDwd22cUYFSsyUcdaZqZvJsUoEjWjyaH5fgueKBAXNgve3sadhOGYBw7h/H3FFC2ox+tjE9DHKLtpInatdY/4Rwsb8gbC2t/EHBtJT1/F2D0NWQ2mnr4I5ieTHSNDvsuvr5CxscLGRsDGBoDWjkLIPA3tL9ofbHwR284s/wDuoxjDaITCTCoI5HCkkp/q/m/cfp71wTmXpL2Wu22l7WeGZocSiipeJMOa36bAz3Jm7CZg5AnQjkfIhdG7QeCOGOPcBfgvFWEwYhSO1YXC0kTv0mPGrT5heSe0f2aON+zl1fxR2RY3WVcT4JYZqNhy1bIHts9gO0o9LHQWBIug4j7TvEmDcVdtWPYlgFHSU2Gxy/RoXU0bWNn7u7XSm25cbm51tZe3vYoxSXFPZz4f725NG+elB6tbK632ED4L5rSNkZK5socHgnMHb3X0Y9gr/wAnah/6wqv99B3l72sidI5ujQSdOi4Rw77WnY7i9QyCeuxTCHP+tX0Vmj1MbngLvErM8L2XtmaR814/w72IKCObPiXaJUVMI+pBhAid8zK77kFd/KDfk3iThzg3jXAMRpMSw4ST0bqimlbIwlwa5uoP6rtFF/Jq1Mjcb40owRkdTUsp9Q6QftK8s8U0rsH4hxfAoaiSSmo66aAX0D+7eWhxHWwXp/8Ak1//ALW8Yf8AQKf/ALRyD2xXUtLX0U1FW08VRTTxmOWKRoc17SLEEHcEL54e1l2FVXZtjDuIMBp3TcJVcngIGtFI7/Bu/VP1T8Drv9F1X8QYRhuPYNVYRi9HFWUNXGY5oZW3a9p5FB84vYp4l/ud9oHBWPeW0+LNkw2Ude8F2f8A4jWL6O8QVLqHBK6tjAz09LJKP6rSf2L589rXZJinYl2xYBj9CJp+HH4zBNQVQ3jLZA8xPPJwANuoFxzt7841H/8AB+Of9XVH/ZuQfIiWVz6uScGznPLh6k3X1r7MK6fFOzPhbFKk5qiswajnld1c+Bjj9pXyPHP0X1n7Ff8AxN8E/wD3foP/AMuxBRe1HUzUns+8aSxGxdhb4j/ReQw/Y4rwT7JVdNh/tE8HTQkjvKwwP82yRuYf95fR3tN4TpuOeA8W4SrKqakgxKERPmiAL2AODrgHTkuKdnfsncNcGcb4RxTScV4xVT4ZUtqGQyxRhjyORIF0Ho8Lx5/KW1EzMN4GpWSEQTTV0j233c0QAH5Pd817DC8b/wApj/NcAeuI/wD6ZB5f7I+AsZ7SeOaLhfBWASTnPPM73KeIe9I70Gw5kgL6T9jvZJwd2YYK2kwHD2OrXNtUYhKM08x83ch5DRcS/k5eFqek4Hx3jKSO9ZX1v0KJxG0MTWuNvVzz/mher+SDyf8AygPaLi2BYdgfBuCYlPQvxEPqqx8EhZIY2kNY24N7F2Yn+iF0X2N+Pazj3sbgfi9U+rxTCZ3YfVSyG7pQ0BzHm+pJY5oJO5BXlb2+q36Z7QU0B2o8LpoR8c0n/wA66X/Jr1p7rjXDr+BjqWb4nvG/sQda9oL2e+Fu0nDKvEaCkpsI4nDHOirYmZWzu5NmAGov9Yajz2Xzlx7C6/AsZrMGxSmfS11FM6CeJ4sWPabEL7ErwN/KH8K02E9p2FcTUkbYxjlERPb600JDS4+rHRj+qg9Eew3iM+IezpgrJ3Zvoc9RTMJ3yiVzh8s1vQBduldljc5oBIBsuBewL/5PNJ/1lVf7wXfZfcPoUHn32XfaMj7Uq6ThviGgp8N4hjhM0RgJENWwe9lBJLXNBBtc3FyNivQE8UVRC6KeJk0bwQ5j2hzSDyIK+aHsa02IT+0VwscPGbupJX1B5Ni7l2a/3eq+miD59+3J2RYZwJxHQ8V8OUrKPCsbkeyWkiZlip6hozeADRrXA3DRsWutYWC81r3b/KQY1RR9nPDvD7iDW1OLfS2DpHHFI132ytXhJAkkkkCW3dlptjtRf/kzvvC1FbX2aG2OT/8ARnf7zUHR5Hx2IbofVBT94DcStt5lOlLtQH5gPMqKV2axLmtI5ElBG57gL5g4+R800yuba9yDyKzna25LQSebb9ViR/hA67XugjllJsbAKEgkHUKR5iIBc4g890NK5muUuv11RMRvDvFpuksPDfD+c3SRXryB3iF9vuVtTuIsOvmNVr0M5L9t/NW1PPcNa29udyueJq0afCdQep00TswO1xfzCrxKRcXTnSXy6/aqgyS9hmIIB301WHFmtuY9240Qznm1s/pqkXi40NyN7qRay5rgW5rDXfTVQVFi51tR8NE6SWzbONwDrqg6ioF/BfbrulIjqQG+Ia/tVfVBhZcH49FLNPe4vcfcg5nnKmmK+tiDri/w6qmng1Otx9yu6kEhByMIbYgX+9SNKGqpbRmxI1PI6aKprqAPa4k8z1W0ytGSxtqUBVMaA9thfX4J8RqzqCNjbkuza6a9VA6k8egOvkddVsErAXDbnr8UFOCDbQn021Wp0YpXQ2AGvyKHyuZ5/AqxqGFrwMuvW370DO0sJI1+Hl6rUoiddwBJPyPRV9UCXGx+Nijibs2t8PJV9SSb2Fh6KpQUzAXXJ1UR3OuoUspGo5BQSua03GyK53j/APxzVf5QoBHY8b4xVf5QoFAkkkkCC+tPYxXQ4n2S8JVtObxS4NS5fhE0H7QV8ll7i9gbtXoqvh//AIMMWqBFX0j3y4UXHSaE+J8Y/Wacx8wdPdKD1qF8hu0SF1Px9xDA8WfHilS0/CVy+vK+XftV8OzcOdv/ABTSuiysrKw10AA3ZN49PiSPgg9m+whGY/Zzwsn69bVO/wDxSP2LvC577OPDs3C3YhwngtRH3dRHQNmnYd2ySkyOB9C+3wR3bL2g4L2acCV3EuLztDo2llLThwD6mYg5WNH2k8gCUHgH208QhxD2jeJXQ7QdxTu/pMhY0/bdcZVjxHi9bj+O1+N4lL3tbX1ElTPJa2Z73Fzj8yq5A6Mua8EEgg3B6L3T7PntQYdLhGHcOdpxfhNcIGtpcWlaRBVsBLQ5/wCg7SxcPCfJeFW3LgBqToF7q7R/Z/PFvs6cHjBqcRcU4Fg0To9NarNGHyQu88xJbfY6c0HqSgrKSvooa2hqoKqmmaHRzQvD2PHUOGhCJXy57Ku1nj7sc4kNHBJUNo4Zi2uwarB7pxB8XhPuP/WHxuNF9KOBeKKHizgjCuK6MOipMRpGVLWyaFgc25B9NR8EHz69t/h2hwDt9rzQRMhZidJFiEkbW2AkeXNefi5hd6lepvYL/wDJ3of+sKr/AH1479qnjej497a8ZxfDJu/w6mLaKjlvo+OO93DyLy8jyIXsr2EIXw+zphbn7S1lVI3070j7wUHdXODWlziAALlc8w3tv7JMUd3NJ2g8Ph7vCBPVCDX/ANplXQZhnhe0blpA+S+dnDvskdr2JVzY8SocMwaFzvFLUV0cmUdbRF10HJe1KNkfaVxQ2B7JofytUlr4zmaR3rtivSP8mx/9reMf+gU//aOVB7SvY/wv2Ndk+DUVPL+VeIsUxH++K+ZmX80xjrtjZc5RctvqTrvtbaP5NmD/AL9cZVdtqelj+bpD+xB6E9pTtDxDsx4Hw3iuggbUsjxmCGspz/hYHNkztB5HQEHqByuFuXAfFuB8b8MUnEXD1bHV0NSwEFp8UbubHj6rgdCCuVe3RR/S/ZzxeQb0tXSzj/Shp+xxXjz2bO2bFuyfidvevkquG62QDEKK+3/Os6PH2jQ8kH0g4u4dwXizh+pwHH6KOsw+pAD43ciDdrmncOBAII1BCzxsQODMbHL8nT/9m5TcO4vhfEGCUeNYLXQ1uH1kQlgniddr2n9vIjcEEFQ8b/8A2Nxr/q+f/s3IPkAN/gvrR2Kf+Jvgn/7vUH/5di+S43+C+tHYn/4m+Cf/ALvUH/5eNBY8fcU4ZwVwhiPFGMNqHUGHxCWYQMDnkZgNASLm5HNcp4J9qLsz4v4rw7hrCYMfFdiM4gg76kYxmY7XOc2Ww+1k1z/Z34ya0XP0G/ye0n7AvAnswa9v/BX/AFrEg+po2Xjb+Ux/m+APXEf/ANKvZS8a/wApgD3fAGnPEf8A9Mg3/wDk+q6Cq7Bn00Z/O0mLTxyDzLWOH2OXotfO72Ie1Wi4C49nwLHJ2U+C46WxunebNp5xfI49Gm+UnlcE6Ar6IMe17A9jg5rhcEHQhB84vbyh7r2isRP+MoaV/wD+Hb9i6X/JqRE1nG03WKjb9spVT/KL8PyU3HXD/E7YD3NfQOpZJLf4SJ5IH+bIPkul/wAnbw7Jh/ZVi/EE8Rjdi2JFkP60UTQAf85zx8EHp5eKf5SuvgfifBWGNI7+GKrneOjXmJo/3CvZGNYnh+C4VU4ritZDR0NLEZaieV4ayNgFySV8vPaI7QndpnapifEkedtCLU1Ax27YGEhpPm7V39a3JB7R9gb/AMnik/6yqv8AeC784AsIcbC2pXBfYLidF7O9AXbSYhVOb6Z7feCu9S+4elig5d2B9kfAXZzgrMQ4S7zEZsQha84rUOa+SaMi4ykABrDe9gNeZOi2Htn4jxrhHsxxzibh7CocUxHDqfvo6eVzgwtBGdxy6nK3M62l7bhco9g7jz+6fsm/ubrJc9fw9J3DeppnXMR+Hib6NC9CVEUVRTyU87A+KRpY9pFwQRYhB8ke0LjbiPj3iSo4g4nr3VlbMdOTIm8mMbs1o5D53NytaXQ/aJ4Df2c9rOMcONjLaLvPpNAf0qeTVny1b6tK54gSSSSDJWzdndxjE5G/0c/eFrK2rs3sMYnv/wAnP3hErb5pJ89y1255FObct8QF7HcFFztjLQLG9zy8kNMxtha17HkiRA/QuLXhRRvc4kXFgnSMFz4RdRmLLctboi56n8Dt0JKGh12uN1KQcvhFkM9xB0tdD+zJHX+okoy5x5pIr1RBUtZvr1RkdZdwtp01WtNmIDbnbYIqOpIAy213K5I2cVQcLZtVl050sVQwzA2Ifr1RkdRcAG10Va9+DoHHVP746guubam6qTMA/Q3d0TnSEjUhVME1FRsCdOSEqZyRa+qaZLtQkty7+NE0xMx9zlJ1Uchsddky5zLLhpuoqKWxdcoKUjXQhFTOJdpsOSCqbuJIcooSoc3K/NuL/cqyrmaWWIy3vbZE1j9CLqirZmtJzEka3KsRM6dmtnX3vtpqhahwuMtrnzGuqBkqos2XRtybbdVFJVBxOR+x1uR15Lf5GauQEgW09AgJQ0ak3+ASfUZiBdDPlAcfFdaGajLppb4DogKstNxsfQfip5nlwBB/iyDm8QN3fH+AiVE912qCbmOSkeRmJB3UMvvanVFc9xzXF6r/AChQaMxz/jeq0/whQoY4tzZXW62QMSSWQL7IMImgraqgrYa2inlp6mF4fFLG4tcxwNwQRsUPbWywg9W9lftj49g9HDh/HWFHH2Ri302C0VR/WHuv9fCtn407avZq7QMewniPivAcdmxTCj+Z/vXwyNBzBkga6z2h2tj58iQfFafGCTYBxPQBB7d4z9tbAKejfFwfwnX1NUNGyYiWxRD+qwlx+xeT+1LtG4u7SseOMcV4m+pe3SCnYMsNO39FjNh67nmStSJ1tYpSNIt72vUIGJJJIHRvMcjZG+80gj4L172X+2dUUVHBh3HvDf0tsTQ0VuF5WPNv0ojZv+aQPJeT8KwjFsWmbBhWF11fK7ZlNTulcfg0FT4vw5xBhAviuBYph/8A0qkki/3gEHr3tA7ZvZd44yYtxPwfiWIYiwXFqQwyk9HPZI3N6EkLmnbH7TGLcTcODg/gTCzwnw2yMQZY3jv5YQLCO40Y224Fydr2uD53SQZNydSvVXZJ7VuE9n/Zvg3CFPwRNVfk6AsfP9PyiV5cXOdlyG1y4m115UT2RveCWMc629heyD2Ufbh107PRb/rL/wD1qSD236cE9/2eSeWTEh+2NeMMr9srr+iT2vY7K9rmuHIixQdu9qDtyp+2FuBNp+H5cIGGGYnPUiXvO8ydGi1sv2on2X+3fCex3DcchrOGarFqnFJonCSKpbEGMjDrNN2m+riVwZJB637Uva0wLjfs9xzhOfgSup/ylSPijm+nseI5N2OIyC4Dg0kLySnZH2vldb0WHNe0AuaQDsSN0HbfZv8AaBxjsjZVYXVUcmN4BUXkbRd/3boJv02OINgebbamx01v1/G/bTwnEsIrKD+4Ctj+k08kOf8AKTTlzNIvbJ5rxinRsfI4NjY57jsGi5QZaWiTM5t231HkvZPD3tmYDgmA4fg1H2eV4pqCljpoQcTYSGMaGj/B9AF5SpODeLqum+kUvC+Nzw/px0Erm/MNVVX0Nbh8/cV9LPSyjdk0bmO+RCD1vxt7YOA8UcI4vw5V9n9c2DE6KWlc8YkwlgewtzD83uL3HovPXYTxrhvZ32kUPF+I4TJiraBshgp2T91+ccwsDi7Kdg46W3t0WhpIPbQ9uHCNv+D2t/8Aibf/ANmuRe0/274L2w4NgtPTcNV2F1uFzyPbJJUtkY5kjQHCwAN7tZ8iuBK4wnhriPFou9wvAMVr4/06akklHzaCgp137sS9p/jPgCjjwfFoxxLg8TQ2GKplLZ4GgWDWSWOnk4OtysuH4phWKYXMYcSw2sopBuyogdGfk4BAoPbnGftF9hXabwi3BOO8A4hjjziQBsDc8TxzZIx/9o3CKd7WXZbwbw1R4DwJwvi9RTUcQipoHMZDExo6uzOcT1JFydV4ZU1LBPU1DIKaF8sjzZrGNJJ+CDqPbb28cb9qcppcUqGUGCNfmjwyku2IkbOed3n1NugC5Qtil4K4xjpvpEnCWPMh/Tdh0ob88qopaeoiF5YJWDa7mEIPVnZD7VXD3Z72a4JwfTcD4hVnD4Mss/09jBJI5xe9wGU2Bc428rLbP+7fwU3EnZ9iAHliLD/8i8RJ8cckhIjY95G+UXQdW7B+1yLsq7R6ziKiwqoq8LqoJYHUHfhhyucHM8Vj7tunM7L0F/3cOEf/ANva3/4m3/8AZrxNztY3Se21t9eoQdv9pztp4f7YGYVUU3Cs+EYlQZmGpdViXvIjrkIyt2OoPmeq4ckkgSSPwvCMVxaYQYVhlZXyn6lNA6V3yaCVNi/DnEGDi+LYFimHi171VJJF/vAIKpbV2b2OMT3/AOTn7wtWWydnt/yxPb/k5/3moN7qS/Po0316IUzubfM1t9d7dVPnIFy43uVBURiTUOF9UTDA5rnOs1NeQGHK0od0ZY/S6yJ3+7bRC/DXutpqFDyNynyuLzdROF/VCfGLpJhJSRXoMTvBs4mx+3VTxy2sbnyVeS51rka/ZqioSedj081yFpTyXAGoCPiOt76qspScrc1kU2SxNygLEuV19xyUjpQbgXtzPVA53HY6clJnO1wqifPpdMc8G4UbniwCxn1cLi/JRTwQLgmyy91rDe6he+7tAA0aa81E+Qg67BAp5i4FoJvsCgp5QweIEEc1LPJ4dxbdVVZU6k59D1TVDV7i0OAvYXvp5KgxGYgO5k7eSPr5mgP15Hkei1fFqi7yASB963zER1VQNRYA63131QLqouLQ52l9CDtqhKmY5nEucRc2N9tVB3hBFrjW/rqtCz78EDxa/uUb5nZb3H8BBRvcXeSe8kAGw+aIkc9xYbvI/sUMj9NT/Flhz9Dqh3OJJ0QkPeTYW0uoXXGm9lkOFjmueiw4DlcXRWg49/xxU/017+9hiOgx32f6VuJ4XQ1bqDEKikY+anY8ll2yDUjrIQvAOPf8cVP9Ne/P5PH/AMQ1V/17Uf8AZQoO3P4L4Ncbv4TwJ1+uHRH/AOVcp7AuPOAe0aqx3CG8I4Dh2M4RWTMdBHQxBstOJC1krdL7WB6HyIXduS+XPYzxfNwX7QGGYy2Usg/Kz4KscnQyPLH3+Dr+oCD3N2zez9wF2i4VIW4XS4LjLReHEaKBsbi7pIG27weuvQhfPPtQ4Dx/s64rn4c4jphFVR+OORlzHPGScsjHc2mx8wQQdV9bOS4J7bXAFLxZ2PVmNxwXxTh8GsgkaNe6H860+WW59WhB84l7U/k9eAYZcDx3jjE6NkgqpG0NDnaCMrPFKbHq4tH9Urxrh9LPiOIU9BSRPlnqJGxRMYLlznGwAX1K4doKHsg7DYaZ4aIeHcGdLUOG0srWFz3f1n3PxQbcOG+Hi7O7AsLLuv0OO/3LzB/KH8JUo4D4d4jw+igpxQV76WURRhvhmZcE284gPiu0ezDxTUcYdiHD2N1s5mrXxyRVLzuZGSOaT8gD8VL7TXDTuLOwzinCY4xJOKI1MA/XiIkH+6R8UHywO67j7J/Ye/tV4llr8YMkPDGGPb9Lcwlrql51ELTy01cdwCLalcOIIJBFiN19PvZJwOkwH2feFo6WxdXUgrpnD60kviPyGVvwQcl9qfjziTsLk4a4f7MMMwvAcGnp3PfKyijf3sjXWyHMP0bEnc33FltHsz+0Phvam53CvFdDSUfEPdXYGs/veuaPeyh17OHNutxqNAQO08d8I8O8b8PTYDxNhcNfRSnNlePFG4bPY4atcL7jzXkDj/2YONeAMepeL+yutOLtw+pbVU9M85aqDK7MOglHXY8rFBWe39hPAOAcSYLhvDfD2H4ZjU8TquvfRxiJpjJysBY2zbkhxva/h815bWzdp3EnEHFvHOKY5xPmGKTzETMLMndFumS3K1rfBaygS9F+wHiEUfbXU4PPDHLBiWFygse0EF0dnjf0cvOi9A+wNSfSPaDpZR/5thtTKfi0M/8AmQfQMcP4DzwPDf8AVGfgvGnt/wDZc3DMRo+0fB6RrKWq/vXE2xts2OUfzUlv1hcHzaOq9vqh4/4Yw3jPg/FOF8WjD6PEaZ0LzbVhPuuHmDYj0QfIVdM9nTszq+1DtJocHyPZhUDhPiU4+pC06tH6zth635LVuMOD8Z4a4+reDKylk/KdNWfRWxNaSZXE2YW9Q4EEdQQvo57L/ZXT9l3ZzT0dREw47XgVGJzDfOfdj9GDT1ueaDoFNwxw7T0sNJT4FhjKeCNscUYpWWa0CwA06ALwd/KB1cI7Y6HBaSljpqbD8JjsxjQA573vcXaeWUfBfQpfOj2+/wDyhar/AKtpf90oOe9hnZbj3atxjHgeEN7iljHeV1a9t46aPqerjsG8z0FyPod2U9iPZ92c0MbcIwOmqMRH85iNXGJZ3Hyc4eEeTbLWfYm4Mp+FexDDK50QGIY3evqH23a7+bHwZl+JK7ig8de1t7QPFnBva1R8NcIVkdLDhMccteXRNf8ASJH2d3ZBvZoYW7WN3HoF6Twf+5jtQ7PMJxfE8FoMToMUo45+5q4Gyhhc0Et1G4NxfyXzU9oHEZMV7a+Ma2Q3zYxUMH9Fry1o+AaB8F7q9hjEnYh7OmDxP1NFU1NNfqO9Lx9jwPgg4b7UvsxQ8M4VVcadn0ckmFwAy12GG730zOckbjcuaOYOoGuutvJi+yk0UU0EkEzGvikaWva4XDgRYghfMPtP7PaXh/2mZuA4291h9TjdPFBf6sFQ9hb8g+3wQdy9j/2c8KxDBaTj7j7D2VrKoCTDcNnZeMx7iWRpHivyB0tqb30qe2D2i+0rgTtnxbh3DqfC6TBMIqe4psOfRtEckLdnZh4hmGosbDovblDTQUdFBR00TYoII2xRRt2a1osAPQBc77auxjgztUoQMbohT4nCwtpsRpwGzM52cfrtv9U+drE3QQdkvH3B/bnwI6rfhdHNkPc4jhlZG2YQv3sQ4Wc07tdbW3IggeAPaOZwnB2w49Q8FYfFQ4RR1Bpmxxk5TIzwyOF+ReHWtpay6jjvZt2wezniGM4zwxI7EsGrqGWkkxCmYT3THWtI9l/A9pAIOoC83NbLUztbdz5JX2udSSSg6p7N3Yxi3a3xQ6LO6hwGiIdiFaR/+HH1efkBqeQP0B4I7O+BOzHhyd/DuB01IKaF8ktU9uaeUNbcl8m5222HIBS9hfA1L2d9mGEcLwRxieCIPrXtH87UOF5HH46DyAVp2oyfR+zXiio/xWDVj/lC8oPHfYv7WHEDe0KSn4/rG1GAYlUksk7sNdh+Y+G1rXjHO9yNwV03+UENI3sRoJKaOK1XjEBD2NAuBHIV4Ducy61xT2vTcTdgGEdnWLw1M+I4RiDZKasLrsNM2NzWsdzzC9hysg5Ivbf8njwDE3hjHONsTpWSCvkFFRiRoI7uM3kdY9XZR/UXi/C6KpxPFKXDaOJ0tTVTMhiY0auc4gAD4lfUrC4KDsh7BWRCxh4awYyS/wDOSMbmf/nPv80G2Dhrh7vM/wCQcKzfpfQ4/wAF5c/lEuEoBwZw7xLh9DBBHRVr6WcQxhmkrbtJt0Mdv6y7j7M/E9Txf2HcMY5W1H0isfTGGpedzJG9zDf/ADQfiovai4aHFXYNxXhoZmnhozWQdQ+EiTT1DSPiUHy1XdvZN7Dndq2Py4njfew8MYbI0VBYS11U/fumu5C3vHcAi2puOFEEGxC+ofsnYHSYB7P3CUFLlJrKFtfM5v1nzeM38wCG/BBxz2peP+Jewuu4d4f7M8Gw3h/BJqUyumZRRvE0jXkGPUHUNym+/iW4ezR7QlB2ssk4X4ooKSi4ijjzBjReCtZzLQ69nDm0301HMDsnH/B3DnHXDs2A8T4ZDX0UouA4WfG7k9jt2uHUfcvH/HPsy8cdnPEdNxt2WVjsciw6oFRFSSNy1cWU3tYECYb7WdysUFT7fOD8AcOcT4NhXC/D2HYbjEsT6vEX0be7BY42jaY2+EEkPN7XXBuz7/jeb/IH7wo+0biPHOLeNMUx/iN0n5Uqp3Gdj2lvdEaZA0+6G2tblZP7PtMXm/yB+8IN0c/xG9/kmPkytuCPkpXzMB0J9FC+SMglzSFNNDSz62IULn5iU572h+rbprrEkt0VETrAm6QtbRJzhmN9U12myBrklhxSQd8ZdwFgLD7dUVCQOirYnvZo6+n2aoqF4Ldbjp5rkLOJ/haRZS5vCeqrWSZWA62U8cxyeIG/NUFtebAJ2fWyFE3jaLaclI5/hIDfFzUQUXpjpG6dfvQ3fA66/imF+lra/cqC3PDtANVDK7XQ7clD3gDvdNxoh5JDmOW/qkGZ5jlJsBfRU9dUANJNjbl0RFRPYBp+rqVTYnOC1xB95STWgGJVAOfU/wABa3iExJc2+npsrGukLy+wAHoOipay5c69jbyXWeICmkvceaa066OT3AZj0TXNsGkcz180EjXapsjxa1zr6qKRxyciT0UGbqUE7n9HJoO+5v6qBzjb1T2k5dUGWOva1wpWHTVRMdpyUofe1uSDQse/45q/8oV78/k8f/EPVf8AXtR/2UK8B49rjFX/AJQr35/J5f8AiIqv+vaj/s4UHo07hfIqCklr+0JlBCLzzYt3LB+sZbD7V9dV4C9lPsxqOKfaGxTHqmA/kbhnE5pXyEeGSobI7uo/P9I/0dd0Hv4bLnvtI4nT4R2FcZ1lT/NvwienH9KVhjb/ALTwuhHQXXhn27u2Cnx7EYuzjAKoS0VDJ3mKyxnSScbRejNz+tpyQaR7DnBH91vbRT4nURB1DgEf0+QnYy+7E3/OOb+ovSPt9cVtwLsZi4fjlcyqx6rbDYDeGPxyfbkHxRHsH8D/ANzHY4zH6qHJX8QzGqJcLObA3wxN9CAXj+mu6YphOD4pLE/EcMoa2SC/dGogbIWXtfLmBtew+SDzf/J0Y39M7LMawV7i5+H4qZGfqxyxtsP85jz8V6bqIhPBJG7UPYWkeRFkyjpKSkZ3dLTwQDm2JgaPkEQg+R/ahw67hPtEx7hp4yjD6+aBnmxrjlPxFj8V6c9jz2iMEwPhyk7PuOatmHw0ri3DcRfpEGON+7kP1bEmztrGxtbXSP5QHhkYR21MxuJobDjVDHKbC35yMZHfYGH4q/8AZ17GabtK9mPiUStbFi1Ri5fhU5b7joIW2H9Fxke0/PdB7loqqmrKSKqpZ4qiCVodHLE8OY8HYgjQhTr5g8C9p/aX2H8UVOCMlnjNJOY67CK/M+EkHk2/huLEOaRcW3B19/8AYZ2nYR2r8Dx8RYZG6mljkMFZSPN3QSgAlt+YIIIPMHkbgB5n/lFOCMMoajAeOqOnjgqq+R9FXFjQO9c1uaN56usHAnoB0Xj5ezP5R/iiifHwzwZDIHVcT34jUD9Bpb3cfz8fyXjNAl6h/k5KUy9reOVVvDT4K7XzdLGP2FeXl7B/k06RpxjjSuI8TaeliHoXSE/cEHprtG7QaTgnjTg/DcTLI6DiGomonTO/wUwa0xH0JOX+tfkt90IXlD+UgiezgzhGvYSO5xSRgI5Ex3H+6ureyz2mM7SuyyirKuoD8bw8CjxIE+J0jWi0h/pizvUkckFpjnZJwxi/bLhfadVwl+JYfSmEREeCSQfzcrv1mAuA/q/ohA4Z2lMxv2jans4wxwdS4Ngc1ZiMg51JlhayP+q15J83W5Kz7fe0Ok7M+zXEeJJnMdVgdzQQn/C1DvdHoNXHyaV5d/k85KzGO1vjHiGvnfUVU2HEzyvOr3yzte4n1LCg9xL50e35/wCUJU/9WU33OX0XXzp9vsH/ALoWo88Mpvucg9wdgs0E/YnwVJT+5+QqNp/pCFod9oK3U815f9gTtKpMa4DPZ7XVDG4tgpe+la53inpXOzXHXI5xB8i1eoHGw1QfJHtaYY+1Tixh5YzV/wDbOXun+T/bl9n1h/SxapP+4P2LyB7VeCuwHt+4tprWbNW/So/6Moz/APzWXun2QMEfgPs78LU8sZZLVQPrXg/87I57f9ktQdc5L5ye27iIi9pjEauhlyz0cFGc4+rI2Nrh+xfQLjDiLC+FeGa/iHGqqOloKGF0ssj/AC2A6kmwA5kr5R9o3E1bxtx5jHE1YB9IxOrdNkH1QTZrR6NAHwQe/wD2d/aK4T7Q8LosKxmugwnirIGS005EcdS8buhJOt98u413Auu6ggtuCCDzC8R9tHs/V03YXwZxXwvQPOPYRgkAxWnhBzzxlneOe0DUvY5zh5tP6oB0fsL9p7jDgSelwviSeXiHh4HK6KY/3xTt6xv52/RdccgQg+iUsbJo3RyNa9jhZzSLghfN3t84PwngL2omYfSQtp8IqK+kroogfDFHJIC9o6AOD7DpZfRXh7FqHHcDosaw2YTUVbAyogkAsHMcLg/Ir5te2DxXT8T9vmNVdBMJIKAsoYZG9Yr5j/nl1vKyD6ag6XWq9sH/AIpeMLf+gq3/ALB61z2bu0ak7Sey7DcXFSH4pTxNpsTjJ8TZ2tAc70do4eq3TjaiOJcGY5h7Rd1Vh1RAP60bh+1B8gCkiG0001a2mjheZ5Je7bEB4s17W9brtftLdg8PZJhWC4rBxBHVsxICN1JMLTtkDAZC22jmAnfQjM3fdAZ7DXBA4r7aqbGKmHPQcPxfTZDy773YR65vF/VXof8AlAeKzgnZDBw5TzZKjHaxrJBbeCPxu/2u7HxVn7DHBJ4U7F4Maqoe7r+IZfpj9NRD7sQ9LXd/XXb8RwnB8SljkxHDaGulhv3TqiBshZfe1wbXsNuiDzn/ACdeNit7JMUwRzrvw3FHPaOjJWNI/wBprz8V6WqYWVFPLTytDo5WFj2nmCLELFHTUtK3u6anhgB3bGwNHyCnQfIrtKwCThbj7HuHZGlv5OxCamaP1WvIafi2x+K9S+yJ7RWC4Tw3Rdn/ABxWjD20p7rDsRf/ADQj/wAXKfqW5O2sbHZc/wDb54bbg3bfNisTA2HGqOKp0H+EYO7f9zT8Vs3s+9iUHaR7LuPPLIocZqMUfNhNQd80MbQGuP6Li57T03Qe46Oop6umjqaSeKogkaHMkjeHNcDsQRoQp18weAe1DtO7EeKJsFZLUUzKOcsrcHrQXROPPwk+Enk5tr6HVfQPsQ7SsJ7VOB4eJMLifTuDzDV0zzd0EwALm35ixBB5g9bgB5e/lEeB8LoK/AuOaGnjp6jEC+jrsgA717QHRvPU5czSejW9F5m4EP8A32lt/iT94XqT+Uf4ppnzcNcGQEOnh7yvqRzYHWZH87PXlngQ2xaT/In7wg3N+97tJQ0pJvsVLO9zidRdDPzddVEkMOa+oWdLErGdyaTe99FVYdYk8k0jTRY1uQldwKBZfCks38VkkHYoZ8rW38Vx+1Fxy3sb+HT71r8NVdrSTqN/mjaepzlpO3IX81nNF3BKMzXEgEWsEQ2a977FUrKgAMsN/NSxVDr+F+3InZZswW5laTzBDdvgsmQAixvdVzJ9LDa2uvkl9J1IPhPKykirGWUXIJDSNz1UbpC1/vXvt5II1OtiL67pjqjU6c+qeg104By5udjeyGmqAABm5XG1ioO9IOtsv1bnUIaomNg1wuNOaYhtVLYFzXanUjTTRVFZMLDxXOxtbVT1FS6zsulj15WVZVTAM2Bad7FakAdU7xkiwVZUOBab6aousks45drbqsqJgGnXXqthsrtLW06oaSWw5qKec36+aic/MN0DnSklNLymhYKB+ZZL9FGTokEEjXJ7ZFCQsINRxk/99an/AChXrP2X+3/s07NOyWl4cxp+LOxI1M1RUCno87A5xsLG4v4Q343XkrGP+NKj+mUIg+hLvbI7KAbfROIz/wC5s/8ArQXDftSdhmBUs1LheHYzhsM9RLVSMiw9vjlkcXPe4h5JJJ5+QGgAXgNJB677efa5GN4NLgXZtBX4eyoaWVGJVLQyUNNwRE0E5Sf0ib9ADqvKuCtoajH6L8sVUkFC+pZ9LnawvcyMuGdwH1iBc25quSQfQvCPat7FMKwmkwuikxmKlpIWQwsbh5s1jQABv0C8g9vPaHNxl2sY5j+CYtiBwyplH0UOkcy0bWgAZeWy5kkg7B7MvafB2fdq9Lj3EmI178IdTTQVTIwZXEObdtgT+m1nwXrQ+192P2/nse/1D/8AeXzrSQenvbE7X+zntT4XwRvDkmJOxfDat9vpFMGN7mRvj1uebGI72W/aY4c7P+C6PgnibBaqKlp5ZHMxCk/OEl7i4l7CQdCbXbfS2nNeU0kHvztLxr2Xe16gjrOIOLcPp66P3a2IyUtU1v6Jzs8Q/pNNuVlpOH9tvZJ2HcEVfDXZIK3ievqJ3TPq63MyMu90Oe7K3NYAaNaB5rxykgueMeJMY4u4hq+IMfrZK3Eqt+eaZ536ADYADQAaAKmSSQJeofY47Yuzzss4TxqLimpr2YliFcHNZT0pkHcsYA0k3GuZz9PJeXkkHrX2te3Hs27UOy6HBeHqnETidLiUVXE2opDGC0Mexwve2z/sXKfZZ7WD2V8f/TMQMr8Ar2dziMcerh+hI0cy0/YSuQJIO3e1j2xw9rHF9K3B3VDOHcNitSRzMyOfI735HC5sdm+jfNbL7G/azwD2VUHEE3FNTiLazEpomxR01L3jRHG1xuTcakvOn6q82JIPop/3YHY9/jse/wDh/wD+8vKntd9oPCPaX2jUPEnCb6t0TcMZS1H0mAxuL2yPIIFzplcB8FxZJBa8M49i3DWPUmO4HXS0OIUcgkhmiNi0j7wdiDoQvZvZT7ZWB1tLFQdomFz4dVjQ19EzvYH+bme8z4Zl4dSQe5+2CT2a+13iLCeJsS7SKWgqKNgimDGvjdVQglwjcHtBbYk6gX1Plbc+Jfaj7G+FMIbS4NitRjklPG2KGloKV4aA0WAzvDWWsORK+cqSDrHb1258VdrNeIq5ww7A4H5qXDYHeEH9KQ/Xf56AcgLm/LIHmKZkoAJY4OsediokkHvjsw9r7gLEsNp8P4xo6jh2qjiEb5WRuqKZ1hbTKC8DyIPqte7T8B9kni7EZOJJ+M4sIqZLSTtwmbIJj5xd27XrlAJ9V4oSQesu1v2n8OoOCYez/sigqaSipqZtEMVnaQ4QtGW0Qd4gSAPG7Ua2ANiPJ73Oe9z3uLnONyTzKakg3nsa7T+I+y3iduNYBNmjksyspJCTFUxg3yuA5jkRqPiV7h7Pvav7K+JMOY3HK6Xhuvd4X09ZG58Z8xI0Ftv6WU+S+cqSD2RXVHsscDccVHaDQY7V4/iZqHVdFhNGDJTwy+9ceEAeLbM+w5BcF7T+0mftZ7UKPGOMJzQYM2ZkIhpxn+h0ubxhv6T7a35nyXMvRYQfQ3DPat7FcOwylw2kmxmOmpYWwxNFAbNa0AAb9AvHnbn2hT8Ydq+PY/heMYiMMqZ/70Gd0f5trQ1vhvpoFzVJB2L2Ye1Cm7Pu1KLHuJcSxB+GPpJoJ8uaZ3iF22aT+k1q9Zf92B2Pf47Hv/h//wC8vnWkg9Oe2J2vdm/atw3gbuGpMSOL4ZVv/wDCaPu2mCRvj1v+kyPRWfswe0zw7wFwZQ8E8UYLUw0tNJIY8Qovzl87y68kZN9LnVpOw8K8oJIPfXajjPsu9rcDK3HuLcPhxFjcjK+IyUtS1v6Jzs8Q6Zmm3Ky06k7ceybsQ4HqeF+yNtdxPXTzOmdU1pe2LvCAMz3FrM1gBYMaBpvzXjZJBb8WcQYxxVxBWY9j1fLW4hWSGSaWQ3JPIAbAAaADQAIjgn/jKb/JftCoFfcFf8Yzf5L9oQbY8OCiJPVSS5hzUBJJQJw6ptk4m+6ZcBArJOWLrN0GMqSzdJBukFXcjZvlfbVFwVTbNe15AG+u+q1WKp1BJJNtfPVH0tS/Ll0I0Ppqg2mCpLgy77u5a7ImKqFxceuq1qGr9xwdZwsLdUZHVAGx3PmpZovBUgi18vx3WRVAC1/VUbqzxXsNG9dtE2SsdlN75SN0gvH1Vw6zvDfSyQqiHHUHXXXzVEKtxa6xPxUjJXFpBOh899UuJq4kqrXs7c9UPLOS0hxNkCagZCM2psL3OihlqiA0O98HnfXRU0+d9hcOIFtbHfRVtZMCMua+umqkqZ7N0cbkX0v0VPXVGU73KGm1M+QOuD81Vyyl7jqlUTGRxKiQYOp1WRtpZNtdZbfVFLVJZSQYSWQkgxdLW6SSDT8X/wCM6j+mUIi8X/4zqP6ZQiBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEr3g3Sum/yX7QqJXnB3/h03+S/aEGzve47hMv5pziDzTbhA3MSm81Jodk3Lqgbcp4FwlonAII8qSfdJAmOsboiKc/BBpZtUFs2o00sFK2q0sAL9bqmLyBzWWyEbgoLcVIsGtNhf56KUVEmYWdpr8FSPlOmuqlbMbNu7X70F4Jw51yddfin/AEgZdDr92qoxObi5UonAsSdLfNEXLaoWzEeSgmqATYG/JVjqw5bWtzQ0lRd99uaJIsp6ojwA+SraqYvfYpjnkm91G7U3RpgpLKSDCSykSgwkshLRBhJZssIEkkkg13EcLrJq6SWOG7HG4OYfih/yNiH+I/22/itqt0WL62Qar+RsQ/xA/wA9v4pHB8Q/xA/z2/itrKxYoNV/I2IW/mB/nt/FIYNiJ/wA/wA9v4ra9bJ0Y11Qao3A8TdtAP8ASN/FTx8NYy/3aQH/ANo38VulDSmVwDQSSbADmSt9xHgLijh7DqfEcYwSppKSf3JHt+/og4wzgviR/u4eP9K38VM3gDilw0w9v+mb+K7BRwkWXbMB7DsSxbBaXE4seoGRTxh9g1zst+VxdB42b2d8WO2w5n+sR/ipW9m3GJ2w6P8A1mP8V3rEaVuHYpVUUczJWwSuZ3rNngE6j5LpPAvZFiPEvD8OMQ4zQxsl/wAHqXN9VKPHn/Bnxl/6Mj/1mP8A+pZHZnxl/wCi4/8AWY//AKl6R4nwz8g8Q1eFmpZUmmf3bpGe6SN7Kbh3hrHuIIppcKw2ephh94sbdT9DzX/wXcab/kyL/WY/xTh2Wcakf8WRf6zH+K9Ckytkkikblcw2IIUkUziGsa1tz5BT9Dzq7su40bocNiF//WY/xWP+C/jTb8mxf6zH+K9B1Ty8ZXWDmnoE4uDcrW2LiOg6J+zHnn/gw4y1/wC9sd/+ks/FRv7NuL2GzsOZ/rDPxXolkZZTmU7nyQbmve8uc4fJP0PPr+z7iphF8Ob/AKwz8U7/AIPOLA0vOGNt/wBIZ+K7yYb++QdeimkhBj7vL9ifocAHZ5xW4f8AFrR/7wz8Uj2ecVgf8Xx/6wz8V3Kp/My2vcJ4jvGHb3Vl8HCh2d8VkaYfH/rDPxWWdnPFjnaYY0/+8M/Fd1e0QkAga+SwyRrIyLgH0V3wcNd2bcXj/wDl0f8ArDPxTZezvi2Nmd2HR/6dn4rv+V8jQ85bITEmZobNLdVmd6ODjs/4qcLjD4/9YZ+KcOz3ioi5w+Mf+8M/FdjjjmgjLCW6qbURWcWgrUo4i/gXiWMXdRR/6Zv4qB3B+PtdY0bb/wCVb+K7hO0vbYjb0QgpWvOa33Kjj7OCuIrXFCz/AErfxWH8F8RM0NEzX/nW/iuwysyNygben4oW5ebkbeiDkh4Px0b0Y/0rfxTf7k8dH/mQ/wBK38V6F7OOCavjrHzhFHXUlG8RF+afnbpz+Su+1fsoquz7CqarrcaoKuSok7tkMTHBxsLk68kHmL+47iC3/gbf9K38Ux3COPM96kA/9q38V1FzmNd7ov8Av9U9xiLfHk+Xn6oOUf3L4z/yYf6Vv4pf3L4z/wAlH+lb+K9P9mXYrivHeBHFqLFaCmjD8uSQFzvXRaZ2lcIngziyfh5+Iw10tOxjpJIm2aHOF8uvMIlcT/uWxz/kY/0jfxWf7lcc50dv/aN/Fdl4T4P4j4pmljwDC6ivMIBk7pt8t9r+tlT43SVdBXS0NdTy01TC8skjeLFpHIoa5g/hjGWnWmb/AKRv4rB4bxkf+bD/AEjfxXQTcndYIaTrf7EWetAHDGMkX+jt/wBK38Vh3DWMDemb/pG/iugvMbWaOP2ISWRwOl0GiPwHFGn/AMH/ANsfirLh7D6ujq3y1EWVrm23BWxPLjZRSc0DXppCySkgYAeSyL807ZK90CSukkga4lJZcQkgjSSSQZuldYSQZSF0ktUDg5yWa6bqkUGSU26ysWQZBSWEkGUglbROYEGA0pZTdERsupBELoBC0pZCiu61TXMsgHyrDhZTOasCIlBBZZ0RbKQuUzMNc5TTXWeyPAOxPiiDCMCxevx+l4jq/BJawhMh+q3Q/euido3YV2OcAYO3GeI8exyKF7xHHHHI1z5HdALarn3stcFnFe1rD6ucHucOY6qk8nbM+e62j2x8SOPceU2ExO/NYXHY2/TduqOb4Xh/ZXjHavRYdQR4/wD3NzMEA/5Q+d2x293Zdf7S+xLsf7PsHjxniDFuIW08svdQwQua973WJsPD0Cl9k3sovV/3c4xTWbF/xa2QfW5yfh81Ve2jjBxDjPDsBabxYfT53/036/dZBybA6Hs7xPtSgw9kWPN4XncGRFrc1QXHa+nVdk497JOxjgiWCTHsUx1jqhgfFTMIMmXqRbTVV/s58FUOD0c/aZxOO5w2gF6EH/CP5ut93UrQu0HiLEOMuKqrGq95vK4iKPcRsHutHwQDyycN4Tx/T4jwpTVTsJpZo5ImVbrueW2zX0FtbrtPaz2xYRxlwU3BMPw2pjlmc10rpSAI7chbdcf4b4WxzG2vOE4RVVoj94xMvZRSUs9JVvpamN0MsZIex4sWnp6oHwt2aNzovVmEn+4HsEjnf/4SKPPc/wCMk9z72heeOzLBTj3F+GYb3edskwMn9Aan7l2b2p8aFNguHcOU/wBZwmkH6rdG/br8FIPP73Fz3OO5Nzt0XprsXpWcL9js+M1T8n0ljqt1+Vrhv3BebcDpZsTxakw+Fl5aiZsbR5leje32vZw72aU3DtN4DU5IG2/Qjtm+4KjzzXVZrKyeomcXySPLi48yTuuqdkHanhfCXD82FYjRTn86XsfF9a+91yWnjlqJmQwROkkcbNa0XJKsMdwDGsGhhmxbC62ijm/m3SMtmXPAXxTiwxviGvxaOMQNq5S8Rg+6NPwQMTgPrH+Cq+H/ABn8b62U3fEfWH8FQFnIB4t02N4zeLZZw2hxLGKmOmw7D6iole9rGtjaTe562stg4r4NxfhOlojjD4IpqrMWxMfmc1rbb6eaiqV1nxeLdvp0QU92N8WzvTorPDKCvxOQUmGUs9VMfqxNzFAY/Q1uHVooa+lnpqlv+DlbYrWagZk3jAtduxKmD8jyb5m8gin8KcSxYVJiz8GrWYeGucJu6OX7lXUMFXW1Daelhlmlf9SNmYuPRMA87Mz2u/W8uvJYhfeVjf1fLpzVzxDw1juCxQy4rhVVQtfqx87MoWt95+e/NyfxqrgNbeSSwdcDry0WQG5AXjM6+l+fhQ8NQA8F5v0tyUkIkqMsbGlznGwA5pYLnhzBsTx/EosPwqlfPNI4Cw+qOpXYaLsk4cwHDBiXGePPi5mJpa1h9CRdbb2f4Dh/ZvwBLileAKwxd7WSH/ZY37PivP3HnF1fxVjUtbiEz3QZj3FPm8MTegVkwdKjo+wmtqRSNlnjdt3kgc0H0dayh4t7D6CChnxvDMdEeGRRGV3eeKzd/CefxXFtpb66ftXY8S4pEHs401Aa4OrKufuWx9542RiW+vwFtUHDKoPDiGm4B126qGLNbT+btrt0RU5ZkzZkVw/w5jnEM5gwTDaitkHvCNtw31PJUUMzvH/Z0UGb85/Z0V7xbwpxDw1IyPGsLqaRzvdLm2a70PNa6R5v+ao677L+DOxbtHjq3AmHDIjUuItuR4R9/wA0V7WmPDEu0GPCYnAw4ZAGm3KR2p/YugeynhEWBdm+KcUVbfFVOe+5tpFG2/26rzVxnjMuNcUYlis5JdV1L5deQJ0HwFkFPM2x/s6rGazf7OqXe3NrXP7/AEW04P2e8aYzhwxHDOHa6ekcLtkMds3og9AeyRhP5G4CxXimqJYypc+19u6iF7/evM3G2Lfl7i3FMXcdaupfKPS+n2WXqrtOmZ2e+zjHgkB7upkpWUQI3zP1efvXj8w95K1kYJe4gNA5lErtHs9drmDdn+EV+H4xRSyRzP71ssFi7MG6tcCfRcr7U+K/7sOOcT4gbD9HZVTXYz9UAAfcsY7wpxNguHx12MYHXUFPJ7kk0Lg0/Gy1yWIuNgL9LK1JDY3fx8VKXafx1VhU8H8V0uC/lqpwCuhw3/lT4XCP52QeGUldiNSylooZKid5syOJpc4n0CjQU/xt+CHdr7y2fiPhHijh+kbPjeAV+HxP92SeLKCtYf4t0SGODQPeKhy3J1W38OdnPHHEVJ9MwfhquqaXlLks13p1Wv4zg2KYPiMlBidBU0lTH70crCCEVX5U1TVEM0FhNDLHfUZ2kXUKDKwslYQIlYJS5pHyQYcAksOBSQNSRD4CAoHCyDCSyCkgwksXWboEkkldBlK+iZc38k66DKQWACstuSgyATqp4mXsLJRR5tCEbT09xfZAwRm1gPv1U7Y7W5eWvVEMhcT7ug8ipDEC8FwuT5HXVRJQMkZ5G6gML3NudtFZugdmuBYXF91Iymu0OcDy0sVS1XRUr3utlsLfsVhS0BAcSND9isKKmDnB2trdD0VrT0oIdyHPfomkV0WGBrSC0ZtNr9QjabDhZtmBx13v1Ksqan1OVp5736hH09M6WWOOBhc8kDS/VDHevZiwWHAuCcS4pqwGmcvt/k4x+K55wLwxUdpfH9bjGIaULak1FbKdrX90fBdzxrh+ug7KqDhLCWkVVXEyB0gFhGD4nuK552o49Q8B8LwcA8IkfSHC1fMNX3dv/WP2BFdK4OxyjxLEMSqMNaYeH8Dj+jwFujZC0Xd8ByXA8B4Vru1PtQxHFp/zeF/STNVznZsYOjfWwXZcM4fxDB+xmj4ew2Evr8RjDX5fqGQ6vPkGrUO0vG8N7PuERwHwzIDXSNH02ob71+d/NBpvbrxjTYpLFwlw73cWB4WTG3JtKRb7BbT4rnvDGF/lTHaOgM8VOKiVrDJIbNYL6k+gUczG633CBlLWuyAnxdPVB6v7EMVFbimJ0WBU7YuGsKDaeAgeOeX60jlw7tmxCnxTtMxmrpwAwTd2Lc8ul/iu0dmFP/cH2BvxZ57qonifVXP64/N//KvNcsrnvfNIDmcb/M6oO2eytgff4xiGOSs8NNEIonfru977Fpfbjjjcd7ScSfC4OipnCmYRscu5+d12bs7jZwP2GyYrOLSyQyVL+t3CzfssvM00j5619Q4kue4yEnmSboOl+zbgb8R49ZWlt2YfGZif1iLNH7fgp/aax2PEOOW0ELwW4fDkOv1nC5+8D4LffZyoY8G7PsS4inFjO90hd0jjaf3rzfxPisuM8TV+JyE3qah8h9CdB9yDqHZy1mB4LT4pRNhqMfxSpFNRNOpp2fWky/pdPJdI9pWthpOAqbDp7GeomYWH+h7y5d7N+DnFuP4qlxPd4dF35/pbBWntJYwcQ4zOGtN48OhDR/SOpQcoaC45Wi5Ow+S69wZ2Y0NBgP8AdTxvOaOjjGdtMd5Ogd68uag9nHguHGcXm4hxBglpKJ2WKM7Ok6/BB9uXGs3FXEwwbDZDJh9JJ3ccY+vJsXLNg6D2PcayY7xXNhOE4NRYZg0UZfljHj8rnb+N1zv2hOIBiPH1TBDJnjominHqNT9pK6v2WcLwdn/A1djWK2FbLD39Qf8AFtA0b8OfmvL2K102JYtVYhOXF9RK6R1ze5JuVcHZ+xniVxxzBOHOGKUCOVve4xOW6vcNbDystx7bKXAcKxml4rxIR1NZFB3VHRuGj5Ab5j5C6p/Zb4eiw/Aq3iypdZ0+aKMEe6xu5+a0LtGx6r427QmU9M98kImFNRstsCbXVHZOx2sx/ivgqvqMfnD4qqV0dP4fcAFiLdL2XMsVxKl4GrJOHOD5o5sTdLlqq8C5zk2EbfJdR7Qcbg7OOy2OjpD+eETaamFtS4jxH7yuU+zrw67iDip2N1TXyQUTnPc52t5Tq26DpPbrUCHsgfDjBbJXFsLLn60umYj/AGl5UiaWeK2nXVdh9pfij8r8SQ4HTu/vbDf5wg3DpeZ+A0XJBI1xudG9NUGO6e1okBFuuq3fsPwX8sdomHQTe5C/v3ejf3kLShLG/wAJJDf0dV1T2XjF/wAI7r/8ilyfNqDdPaqxr6PQYZgjJbCd/fSgfWDdvtXAoG/SXtgL44+8flzvNmhdV9qiOQca0b3+46lGX5lccl5R/j96lmjsNN2G4ricInwniXB6hvM94/T5NKGqewnF6BwlxbijAqZhOhdK8fe0LZfZLwmpH5Xx2QuEAAp4wfrHcrmXtEcRPx7tIru6nc6lov71iYDoMvvf7V1QNhfBj8V7QRwlh2I01cBL+cq4PFGGj3j8NvVd07QeIMJ7IeDKTAuG4IfyjMPzJtrf60j1pvsc4bE+fHcWkjBkY2OGN19gSS77mrmPbrxNLxF2mV74C8wQuFPAG82hB2ThuXEO0nsKxp3ELu+rYHvfDNb60fiXmiGJ0tZHTML3PkkDGi+5uvXeD0cHAfs/1ArfBMKN75W8y+QW/auBdgWA/l/tTw4yMDoKRxqZb7HLsPig7Z2uzx8C+z5BgkBAqKinZSgc/GLu+S8a4lUnvQBvysvR3tj48+fiLDsBjJ/vSnNS8f09vuXNvZ74Jh4y7S6OCuj7yhpGuqZ2/pZfdHxKDo/Yh2Y4Rw/wqe0XtEAsI+/paWT6rfquc3qeQVt2UdpvFXHfbIKeK1Hw9DA8CibGAMg91zv1vTRVvtZcbCbEqPgaj0hpA2WraP0vqD4DX4refZe4IHDfCUvEFeMtZiQD23+pEL5fncoNB9s/H21PEeFcNwPBZS0/0iUDk9xsP9laR2ZNo+HeHJOKbU9bj1ZVCgwemeM/cv8ArSub9y1rtWx2TiHtDxjFyS6KSpLIydg1ugHyV/7OOAScQ9q+GRnWCjJq5Nf0LW+9B372msQ+gdiH0LEQJK6vEMJ8n28Tl5a7OcSwHAOIH4tjmHvxE00RfR0x/m3z/Vz/AKq617Z/EpquKMN4eZfLQROmk/pO/cuRdmnDs3FvG+G4HCCfpEoMn6sY1cfkCg9fcLMxvjvsNng4lZAypxSnl7rTKwMPudfgvOOJcY03ADxwj2bta6uv3dbjJjvNNL+jF+i1dv8AaY42ZwP2e03DWEHua2tb3ENt44GizvmNFxP2XOCRxZ2itxOrY4UWD2qXnrKT4B89fgg7v20TyUfszVDuJyJcSloqdjy7d1QXN/evN/sy8Awcc9oBGJtLsJw9gnqWW98/VafI21W7e2dxu7Ecei4SpJyaPDg19RY6PlP4D7UZ7CmJUcOM8QYbI8ComgZLG3m5oNj8rj5qfExD7QPbXj3D3HQ4X4Nnhw/DsKcGSNiiaA9w3btoB0C6/wBo/E1FhPY9Bx/Pw3hWJV/0WneG1ELSLvAv4rX31XlXtD4Px/Fe3jFcA+iSCprcQcYza4yOPvei7b7XHENBw92T4XwBTSh1ZL3AcBoRDGAM1vMiyqvOfafx/i/H+JU9ZilNRUwpmFkMdNHkDW9DrqtQ+osrIQNssEap6a4oMELAKyTomlA1ySTkkF5PSG2htfYoOWlyjwsPmOq2meAOPibY8x0QslNmIA0A5oNWlgczcbphY4BbDNRtcbckO6haeWqCiIIOyxaxuQro4d+iD8wsnD35dvuQUmpOiyBY6hXQw12W/wCCjNAeYPzCCpJ8lloJ0srJtAcx029FNHQWOYD7kFU2J/RERQuDbFu6t4KAnl9yJiom5QSNvRBX09M5wvawVlDSgRg215I2npWtBAFz6bImOIDTLp6BBXNgygi1zz03WWU5L9Wb/q7aqwlgB2A03NgkyNubbT6ug6oAG093B1j6WU7ICbG3h56ImOC5aQAR6BSxxtDm3aNhpYIFTRAEEfKysaeMAEvabX6KGnibdpAAHWw6IrKLaH7EEzDb+PRbt2I4P+Wu0HDY3/zNMTUyf1dvtIWivNtv42VrwjxPi3C2KHEcHmbFOYzG/M3MLFB6X7ZO0Sn4UozQ0JEuMSjwAf4Fv6R8+i4P2Z4VU8Wdo1BFUEyg1AqKl3VoOq1XEcSqcQrJayslfNPK4ue97rlxPVG8K8UYlwxizcTwedkVQGGMl7MwLTuLIPTHbH2g0nCGFHD8Pc2XGJBaNn+KH6Tv2Ly3XVc9ZUyVFS/vJZHl73u1cSRfUpuKYhWYniUuJV9TJUVUzi+R7zcklCX7z/5tuaBk4OR2h8W+h6KLA6T6fxHQUMj2MZPUsiLg3YOcBdTTAd2/bxbaDogmxsaQQbEbH+NkHsXtSwKTEuB6XCYamCkwuF7PptRIfdiavPPEtbhHEfG1BQYXBDR4RE6KjiI5x5ved5rWa/iDHK+jbR1mMV09M3aKSdzmj4EquiJabg2NxZB7B7XcClxPgelwiCqho8Lhew1tRIfchjAXm7jjFMNxXGoqXB6eODDaONtPTlrLGQD659d/iqCu4nx6uhbQ1uLVlTSt/wAFLM4tVZ3uuh+7z+SD2DjWCVQ7H2cO4E+BrZaFkLpZDZoY73nfHxfNeb+0OswaE0uAYFDFJRYcCx1Xl8dTJ9Z9+nQdFSzcR427DWYc/FK11GG5e4745PlfbyVRETIdb/Z0QemfZWw2CHhXEcTaQZ6ibI79VoH8Fab2iGl4a/Kn098FfxHjMpzm+b6LF/8AUVzDDMbxjBw/8m4hUUjZLZhFJlzW6oCeqmqJnTVEr5ZHbuc65PxKD057Oc8FT2YVGHwyDvm1M7H/AKuYBac7AOHuymc1uIYhBjPElQ/+8ogy7Ke5/nHLjuEYpiOFzumwvEKuie4ZT3Upbcedt0PXVVTUVDqipnkmlcbue83J+JQewO0XDsTxbs4lwvDJ2F8rGsmqJSLGMe+4+u68t9oVbQ4nxPhPCXC8TX0VG5tNBUNNjUPd7zj5EqvfxBj8mHfk5+M1pow3KIO9OQDpZa7HFP8AlMSRyOje2xa5u4I5hB677R6un4C7IIMIonjv3RMpIbH/ADnfx1XO/ZywBuKcZS4zUtHdYdHdhJ/wjvwXJqjEKysaWVFbUT5PdzvzZdPMplNilZQxOZT1lRBmPiyPLc3yKmDqHtH8SDFuM/yZC4GDDGd36yfW/Bdf7KMIGE9kMRwYwvraumfOST4TK4c15JlmMxuXF7zqSTqVYQcR45QUP5KpcXrqem/QZO5rfsNlRtvaXUYfheHf3OU88OI4man6Ritd7+eX9Fv6vXzXPLjr/HzUUkrnglpJJ3OnVQRxlzrv/Z1QWMX8fb5rYezjiB/DHF2HYyIrQwv/AD/mw7j9vwWtxaMze8lLU+C3uoPYHGvCmBdqPDtNU01c0OAzQVUZzW/VcP2LndJ2CUlHOJ8e4libSMN3d20NNvVxsOXIriWBcQYthbpDhmI1VIHjxd1IW3+RWMTxrF8We12JYhVVeX3e9kLrfMoPS2L9p3AfB3DrsF4eniqzTxZYo6bxMJ/Wd9+q8rVpfVVUtRI8OfK8ucSN7m5Ukzcr8v4IfLnlyfgg7V7KHEFNhON4hgdY4MZW5Xwu6vBtb7VY9n/YtWUHG0vEXF7oWUFFMZY7u/nNdHO6D7Vw+N8kTw+JxjLdWlpAI+1E4nxLxFiNE2ircdxCopm/4OSdxafXqg6J7RPaTT8TVf5AwJwfhlLJmklv/POHTyWy+x5h0HcY/i9/zwdHAB+ruvOZJv8AU+xG4Lj2L4LJI/CsSqaJ0mjzDJlzeqDsfax3fCmJ8QY5jLqGt4ixnPHh9P7/ANEp/dzO/WKD9jGvpKbjXFaacgVFRRgQ+dnC641idVU1lS+pq531E0l8z5SXOPxKqBW1eHVkVZQ1MtNUROuySJxa5p8iESvTPavwTwxwzx1iXaLxTjH0pk8ne0eFBmV0soFg1zr+6COi6lhrsYxzsXE1A5kmKYnhxe25DGRGVv3NB09F4SxbFMUxur+l4piVXWzjQSTyF5AVvhXFXElHhRwunxuuiorfzDJnBvyRdbl2jPwTCsEo+DcIfTVclNK6fEa6Mfz053AP6IXVfYtwmnEGP4vcfSA9sAH6uW68zHKWl5BJPmrLAOIMZwKR78JxGoo3P94xSFmb1sdUTXZO10M4TreIMZx12H4jxJjJfFQUt+8+hQ/p/wCarD2MeFWNfiXGlW9rcoNLTgn/ADnfsXn/ABiufiFa+srJpZ55Dd75HlzifUqCDEMRpo3RUmI1NPE7dkchaD8kMbn7QXFj+Ku1DFJxIX0VNIaem6BreY9Tc/FelfZqwcYR2KR1+FxskxCvY+oufrybMafIaBeI5XvBu83JVxh3FvEeGYa+gw7G66kpH3zQxTua0330uit77XqjD+GcGm4XBhxLiTEKk1eMV2bP3X6MLT961TsRoOJ8S7SMOi4SlMGIsJkE1/DEwbud1HlzWpPc57i5zi5x3JNyu3ex5NWYT2hyVMmDV9RQ1dOaf6TFTuc2J1wbk8m6boNu7XPaIrcAxybBOHcNoKvEKRv0epxOphIJePeys6dNV5n4mxzFeJMbqcZxqskq6yodme93LyHQDovU/bn7Oj+IcareJuCquMVVS7vJqGV1mudzLXcr9CvL/FXDmN8L15oMewypoKkG2SZlr+Y6jz2QUxN+SyCAskEclhBi6R1SISQIhLRYKxqgb9ZJL6ySDpUkYzC77+trJnc5iSLEHzCNc0nxbgcrnX7E0t5gPFvPb7EAT4A7L+2ygkp4+u/QjorNzM1iS7TSyjfHp4S4ZRv8EADaeM5bWOmuo6LBhAHhFtTzCMNmgAh5066beihkk8Oji3fW5sfsRMQmIDfz5hRmFh8yTbYdURncbi7ranX+xObew53N9/NFCNpwJNCATvqNVKymAIsQGnzCJj3DSNANDc6qRrCYxckG+1yggbTNt4SLjncKRlIC7Vwv6hGQjwWcCBfQ3KnZEb5jtyU0QRwZgMtmjXUeikdTgBwDr25dUU1mQEg+9fc+SeG2be/PrskuitMJJ0aNCeeyYSCXZjYg/tRtQW+IXIuTzOqHAu7TSx6+aQRMaRlObb7PsU0QjIz59+X8BYj0FjsTrqfwTw6xHhF+lz09FQ+JrnEeIXG3y9FK9wy5L2UELyCdfD6np6J0kn5vQDM3bU/gshSS5fDfrzCjB1vmFvUdUx7g49Sb8tlFK9w0Gw8t9VoTyVYa4svrbXUa6qOOa5BJ0uLahCOfmdaxuR021U0LRlaOhFvNAY2WzdeayXsDWOLx4QOY6IHvX5G5bm3mfwTGTuu0FpOmup6eiAuRzdXNf4dbajomF4Nr2uCbahMfL4WjKQBfmenooi9+odocxI1P4ICHSMAJvqToLjROmd4NJPFpc6fgmMeC03Ov3/YlJIbDKOSDAJuT3hvbyWIAc5dm9R1UYcQMxG6e0nMwh2t+v7kE4c59mtIA3G3RSRG0WZx08rb2Qgl8eh0WRLliIuf4CAiV7nOLbnM0HoonNcBmcRoTbZRxyZiSSblPzlzSCR4iUE0Ts17nVOe92hvqD5dVCSwOBuQL6pzbFxcx2YX/AGoJGki7nOBuPLqh4pC0m7gNPJMlLhIGZiNP2qMAOYXNcSWtQTtlDgWZtd+XRKseXjKSdj0UMbssZkJ1H4LH0gmezjyKCagu0l1zoSOSMLblz3nQenVQh7WggEeK5TKirLWuY52h/FA9kbmkm5uNvmmtd4uXK5WW1LAQ0l1hv81hri420y6aoMZjvpl0vZDzzBjA6xLTuB6ItoBbZlraISZtybc+SBtNK0Oyl1gfRHwEt2Kr4QWyix97a99EfCbXF/EPM6oJJWklxJOvpqm05ERDr7emifLPYeIjKhH1DW7FBPnu0nTxnXZDVIEdspFjbmOim+kMyZeY8yh5ZO9DWtJ89T0QDZxd2Yj5josSsjygZhdw6jomm4cXOJt6noo5HHIH3NwdNT0QMldE57m3uLeSBqomvfvYfDqppnOBIA+1JozNu7Q+vmjN9RNjY1h8QJ+HVJrSCHZgD6jqmyE59jb181jMC4XuPirqYfmAN9NNjcKMytLySdPULLbkXzHyFym2aXEaj4lRTHOaARmBPqFA++4UsgGUnYqJ5yN9467G5RcDSvLmkFxzXULwM2nRTvJNwHBR6WdfZFd59kLs+wLivFa/G8cjFWzDXN7qle0GNzzs53UDpsq32le0DiuLtCxHhmgrJcJwjD3dzBTUf5lrm/pHLa60Psk7Qsa7OcfGJYWWTQSNyVVNJ7szeh6WXbMT7YexfjwRzcd8HVcNaN5YR/8AOxwd9iDi/Z/2scccGYgJcNxieaBzw6SkqTnjk9eY+BC9cdrtBhHG3s/VOOYth7YaoYaK6Lk+F+W9r/xdchpOLvZlwKpFfh3C+J1lXHq0SMe8X9JH2Wnds3bxi/HWGnBMOoW4PhJNpImuzOkA2uRsPJBxwWWD5LNr7LB0QIJapFIIMXWCU5NIBQMcksuSQdhdEQ0HKbX3ueqYWHK4i4Jt11U5Y7u7udqD+j+9JoLY3XOt+Y1WZAIWuIBPO2tyoZGENcQLc7XPRWLWsDbkG4ty1UErRlduPv2V0VkmoBOhtuL9EJIbh1+V9yVZTMdz2A0+XqgpYxuqIctxqb763Ky29tA4C9r3Omqc5o10NwDyUrA/KMunO5bc7oHtboHG5HLdEMjzeJzr25aqJjSCGgDXdStADm5RqCpgIguGgHUHlroiMt2hoJtz3UMRsS610TA0HNlsVi84ME6EC+t+umiZI9zm3edW7b6pzyMup11+5QucG5iWrcmCGS7nOIvqTffRNGum1vtWZTqTmABJ0UBkyEg+LXf4qiWSwAIKiMrSS3XMeevRDmoOUAb3SuLA3FuXyQEukNmZToOWvRYe8AHUnruoWkt8The42+Hqml27Qf3oJpHNAu06m9t1C5xOpO3r1THuAJy+dtNlG8m99Lc9N9UErXXcb7kefVOY4Ats7YjqhsxzEuA26baqN8oaWkbXHLdASX/xr4t1EybT+3oo8/8AGvh3Sw6nfWVYp3VDKYk2D5QS3a/1QT9iM2jJJvzA/f0Qs0v8Z/Rbbi3AlZheMR4PWY3gzK6QNLIu+f4s22uWwvyvZapjuGVmFYhLQYhA+CphdlkYbGx5c+mvoreWZ3rDqvMweG39qa6ryvHjt/agn+L47+aInw2vpKKnramn7mmqv5h7zYvtvYb287WUaT/StA0Wt/SPVTd8HAAW/wA4oANNw0H+LogHLYC90aEx/wC1onFwtc72/YiaPDMQkwapxaGlc+kpnsbNLsGl2w68xy5oHNlLS46EdT0SpLpzJLZSORRNOGyPDnN2N0EwF7rt2v5raOFsAqOI6g0mHVlGKoC/dTF7c1t7HLY2Vk1LcVTrZ/H/ABqoJP5zwfxqiHU8raw0kr46eRr8r3TZg1mttbAn5AojHsHkwXuRJiVBVPla1/dxSPLmtcLs3aBr0vfyUxdVbXPdlc36v4qJrntAc76x/Ypo7czl8Q06K+4h4bGGYBhuKjEPpBrwTFH3TmeFu511+xC1rHe2ytt/teSyBYudb/a8krAav8LuqseHsN/LGOUmFirFO+qeImEsLruO223qkhaAkkyW8fX7kyYvMYy/pFGcQ0DMMxqqw1tZ9L+jyGMyBmVpI+fMH5KvlLsgDf0irZhpg7zvv53+Pkj432Gp/i5VriPDsdFwrSY9+Uo5WVcpiiYyJ4u5vvG5A0HVULnkfx5lS+EujXTt2zXSbl3y3Q4FyH/itsPCVR/c2cc/LGGfQWO7vOXy+/8AogZPuuiddY1iQEuuwf7SeJPDZ/8AvJkU+4tf+sfDqp8Uw2voKGkrqynLIqtmaB2a+dvW3JFtRuJc1QPaQ7ZZYXZRmLhe2/LRPIAdq7ry30RZUbj4SmtflvsAU69hb3g4X38kNI67b66E80GZH2Yba29VHI3wa2IPmVI15doPMWWDdzS0gix8+qAfIXvOYEKKRpabNJPr6o17cpLQ7VBzvaCBufL1TdDbtLfEbf2oeRzWuBD/AJrL3X1a1B1Z1DrICYpQOaZLL+b/AE/7ECx73ODWgknkAr1/BvEcXDdVxDV4e+iw6mLR3tQcneFxAAaNzv0t5ox1cUskrs39qh7x2f8AtVrhPDmIYjhr8U72losPY/u/pdXJ3cbpN8jebjbXQG3Oyg4hwetwaqbTV/dZ3xCaN8Ls7JYyNHNcNwdVvGv1oAOcTqn2ad1aYdwviFXg4xiWaloMOc/uo6irkytmk/RZa5dbmbWHVD4xgeKYRjJwmtp7VJy92GHN3gd7jm9QeRWbGf0rpGMUdtSVuY7OsdkpK2SKqwp1XQwd/U0ArGmpYwbnIL7cxe4230Wll2gSzCdb4Y7UrHNO5rJUbMNwkDfdZJWLhAjZIbLBCQQYKwnDdNcdUCfqksJIOzPNxmOt1iRrAwEsueVljxZTqMp2+aw59hvoAgVmhu2o5KCd4cGgx6c1CZDnvfVQvkv9fdBid0bgLW00t00QVQAQ67QSL2+SnmIJuXctNR0QtUT3d9dzzHRBllydQNOanY7U2tYc+iDz3eALg2N9Qpon8i6wv1CAlrgZRbW/4qWIWOUNFtLkoVhswu01O2nVFwlpa25udL7ICG5iA7KOVlKC1rmk6Dn8kwAFosU+3hNwHHmdOiB2ezXaHS/Too3tLRcgOBBtaycfrAaaeXRKRoaNDc35WQD1QswuNmjW4NlU1c9nEZRf6pNlaVzb72trvbqqGu/OSFliT5eqBsExfa7dL63CLprnS2gtsPJBUsJa4eLnpsj4bAWc4kafo9EEhvYBxAHK48lCLh5IOnLTyWXE8zpy2PJYBGXM7Uf1eiDEhLWbWvcXACieQL54wbDoNFmSRuUkPy6nQ2UEr81i0ki++nVE1l8huAL6jZDulkcctwBoNAFmUuOoebDy81A9t3Atu11wiiaY2Zv9y2zsvwz8sccYXRlmZnftlf8A0WeIj42stPYbR/2LqnY7BJhWGY1xE6pooax2HmPD45K2Jr3l2uaxNxs3eysjl10bj0EONdp1Xi+K4rhNHhra3+c+mRvf3Ufu5WtJNzl6aKXjKgwvjSuxXimkru6igZTyTAMzNjp/G27tf5zKzNb9ZovcrmBuJpWvyl7XkOsQdb66rcZauHB+x+HD6eaJ9Ti9e6SojFszI2aNBtrqddV05vlrHXOBcN4aoqzFa+rocQkPD+HxtmkxCojBcLi4ZlFgXZtAOauBwnQ4txpR01VjFWXVscGaOfK+pjke0+E7e6G3PTa11Pw3UVQ7Ko6bh91HFVnES6uklka0wsy6P128jYnpqguAqnDsOxTiPiJ1dFUOw+if9DfUSWkmnf4WOA+sd7q01JScFUNQzHGx4vmqMHP98zdz+Za3Na173zW5W30F90DxBw9QUWAYNi2HV9RKMTfKxsc7BHox2XPcEgA9Dt1RM9TBh3ZLDRQ1I+m45XOnqj3njZFHs13qdVY9pNPTur8GooK+nNFRUkFLT91I1/eFzQZJNDoASBrvr0RJ3iv4l4XGF4Lg89JiktZ+VXvY6EgsY7I4tBaAdQSdD0ufJEScG0zcaPDT62V2M/RZJpXAAQQvZHn7snmeWbT0WwcTT0FDx9gLp8RpjQUT6eKCFjw4MjYBeVzh7oJJsNyAT0uG2pdgeJcScRYpLGcRxDvabD4s4LnNdvLoTZoGx57LNiTpzyIZWZTuBb3T0W28J18uAYLX49F/4V9Jipaf09+T7GtB/pLVKZjnyhrdXOcANRqSLLZuMaOagwDBqFrqeSKJj5pXxzMeRLKRmacpOwa0KTx26XvaFg7MS4vwnEsNuaTHWslzdHEgPHwFj8VU1mGRcQ41j2LzVAosJoQHOkDc1xfLG1moGYgD0VnwjxLTxdn2JUtZrV4WXPoHHcCZvdn5E3+IVZhveYj2aTYTh/dGqfi7JZmuka092GHK7U7ZgfsVnrmAxLh5kMOC1mHumkpsWc5sLJbd4C1+U3tpqt441wfDcX4kPDkFXO2bBsLcyOQEGNndjO5rupJJF+SZh+J4VNxpg2F088L8PwCjeIZHEATVAb4iD0LtQqmOubgOC4nU10sTsdxcPjyNcD3cbtXONuZ5BXMLdUfDvDLa2hjrq90zYamdtPSQwszTTP8ArED6oHXXXRW3AdLBgvEeP43FMKqk4eildBJ/jXnws+eqsMbqi7h3Am01VT0WCQ4VeWWIs77vPrRt55nO5fNV+CxUI7KHRNr4YXVWIk4heVudkTG+FoZu4nkPnopOTdc+e90s0k73ZnOcXH1K2Ki4cp4MEgxrG5XNhrH91SUkNjPUC4uRya0bXsbnRa63xOyhuULsVRS0Vb2jYRUz1NHFgdJBA2g/ON8ZazNlDf6W+gta26SNWqTj/DZKnH8I4HwePO3Dqfums/SkfZz3fd8lQcQ4FhlDhAraavqKmSOpNMXuhyxz2BLnR63IaTbzW3cMzSQ8X41ipqqSXGaiilnghfqxj3HwtLuZy5fS9uS0riYy99F9LxD6VWFl5o2Ze6g6Mbl0FtdBoPW6WJzFQxr3A2brsBdb/wBqJGD8OYBwq3+cgp/pU/8AlH/hqqLs+wduKY/RzTSxQ0UMwdPJNI1gIGthc3N1acd4XjGP8aYjVRfQ5InSZYX/AE2HLkaABrm8lJPFt/6latgdLFV1zIZZxAwm7n2uT+q0XF3HYDqthxbh+KPtEj4V+n1M0TXtYyYR5i0u1ta9t9UdwzgeE0HaBhOGT4hBL9Fi+kVMgk8DpbOe1rXeXg+1T8Klp46xLF3VsEtXFSTVMWZzbd67QNzZrG2bVXnkvWouLaT+6bjt2HYRK5zKNggcZNIoY4xq7NzG523QVdw/gwgoamOuqe5qDMZO8ZldJGzQOYL6Zn+ED4q04GkgoqDialwupo6nEzSRsvKWhsviPf5M1s49d99lVYM2lqu0LDY67FY6lzHskqah/wDNDLdxaHbWFraaaaaWS+MzwziPhrCsFFVQiummxNz2fQqb6P77S63i8+luWvNS0PBVA/iCnwDEMTqW17oHTVf0doLKSzb2P6fntbzRPD2LUWJ9rrcbrSPHPM+LvPc93823/d+KN4bpH0/D3FeIVuIUZxyub3E398N/vZkrvHI8/wCcdyRa1rrU9NxS9ldDh8fEFbjU8k/dYPC+rYGxgh2XRtySLOJ5WQ+C4DQcR/lvFqnFql5Yyasa4w5tAR4n2JyAudYDU+eovZcLw0cfZ3izKevhy1uId3VzyFrHspWeLRu93chrroocEjph2aYkyhq4KWSuxFlPVPmma0xQNbm2J1udrb2RIpZ+Gmx8MYdjElbkfiNa6mhieywDG6OkLr6AHTZE4pwfgFFSUeKVeOVdNh9bE5sUhpw8ulD3tuNR+bsy999QOd1YdrApHuwuloq6H6DS00cNDDG9rs7XNzF7jfw2uwW1ub2uBdVnadXU03FOFYBDUwy4bhFPDTFzXhzHEgF5BFwdz8lmRZdUsHC1FSYPh2I45NWioxWQMw6hpmgSStOneOcQcrb6DQ38lU9o2DUnD3FVTglFWT1bKUNbJLI0Nu+wuLBdgbQUtT21flrEKvDxQULP+9MX0ttpzGzw5W/o+vwXFeKi9+P1U01Uyqnnd308jDdokdclodc5rdRp0vuXUXlU0VRV0NXHW0NTLTVERuySNxa5p8iNl0Tj+oqcL7H+HMGnc51XjE78VrHvPjf9WO/M6H7FpWAUMeI45Q0DpGQsqKhkb3vcGtaC4Akk7ADVbp2jvw3ivtbbhr8UhocHhMdDFVgZ2RNY3flfxadPNTnxey4xo6jF+zjgqm4ZoKispaamkbWiBl3NqfDnLvssoe2zDJcKouCcAczPX0uEWma3kXSOsPvQODcNR8PYv9P4rq4I8NpJs/cQVcb5a0NNw1rWu911rEmwtfVOwPjODFe2aj4u4h/mPpmZwd7sLLZW/Buhv5XWrGfjZsY4bkx3B+DeEqvEKHCcRwyJ/wBJopJM82V7s4c1rfeeW65d1p3afxRFxHxwK7Du9paWljipaS/he1segcdrfPRbTw5h4oe1Op404nxOhiwyjqZq1skVVHIavxO7tseV2vJatPg9PxPQ1uN4fUMbjcuJySTYfJMxg7h/ia5maxeQ64NjoNxzVt0kXFFBVcPcC47i3D9TR4tWuH0LEqumk/8AA45HctPzmb9P+1cyseey6RW1VFwh2aVvDUNZTVuM43PHJXCne17KWJhBaxzmkgv0NwDpm8lzk/YufTpww7yWATzWToNFgDqsujBIKQSsEtkGCVi+qzzWDa6DBOqxzWdLrB3QYSSSQdhDwWlt9uV/NRySkgtDcoHmmNccgLdx69Ux0rgS2+vx1QQzSFpa5pAvvqh3S5ZABbXndOmks8Zm6EaalBucS4tsQetygme7xEloI6ZvJQVDw4W89PF5JOe4C13bb69E1xu0XcQRfrrogbMWh5yjW36SeB4NQDfc5ktC4kuOl776rJewuaG5tDtqgljcG5W5Segv5omJ4c4NtYC19UKx3iJLj5fNSRG5tck6X1QWMLmh190Qwg+INVXTPbe5Lh01VjTOOQtDiSfwUtEz3XY8sAFxyUT3BuumnUqQMIB3B1uLnTRD1bRctAI0ve51SAKqlzyHMDa52PmgJWhrnOAvfa/qpaqS2cNva5BOumqhhifkvdz+m/VUKAG40Fr66om2VviNr23PksRxgAZjz81iX3QCTpbr0QYkBIBGigkJtupJHWY2/wACL9FBIQ4XBu0cteiAedrnusQRqdLrOxc03v5FPnIBJIGx1UJe0HRuw+WqJImDTZo5hMyyRx3DDa43WWyMaNQCXC9kyaezbkg7IBKku93S1kNH7wtdTubmObXbqmtY7RwFv7EPBVPI6xDdNP2KeWT9Y3sh2Ehh5afsWcxJILuSsuJkqRtnO5gO6HzRLGBl9LqFvhZdpuT69VIXk+8co669VFkwrZpNRZo5X81lr8g0BusROcHD63z6pAtcd9/VLTCfUZWgl2vmfJQR1skrnEuOmgufJYqgAy29+aZAzICd/wCxFGxyHQk2t5+SnbIMhcTv5oIlwDW3v/YnxuuSy+/L4Ky4mCXSOuRpp+ttqpGEGMAH3lA05XOuSTtvv4lJA05RcEW/FQkwTC42GW3S6c5xJJ3J0sbIZpGbS4Gmmum6TZPE1oFyNS7XXRKqSRxADDq0efkk03Dm6WPn5Jr3NbGQAS718k6lsbGQH+AponjgAaDYfNPfG1rc17HlqsuduYwbDzWJW96AdR8UsTEbS7XU2Ox+KglDhsphJo1o3J11PVZcRew1t5lUwHEHGQ3J8lK4kNtmN/gnPta7PjqmnUWB+1DGYhcl7iM3rss5wHgBRvkBJykW69UwB2a4IO+vRSKbUuc1/h/sT4O80OZoHS+6jmOVzgSCddeuqe0iwAfr92q1qYmcXXAOqY/QZdbm2t00SMa0BryS3f5pv0i7WkG4Kz8W+mm0bT0Pn5KGZ7TE8jbpdKSW4c0O2/BDPkucxPwV0kwu+todbeaie4vzOzbmydIGEFujSdeaia0h1g4O1J59U9Zkv+suaWi5scuoN/NROyPcctgT+KIc7vGhxFrm3PqhpX2d4bCxtz6q7Vyf6ifYNBbodisSC0euoTjcNy731v0UJeQMo1/akueJ+UUotvdRZdL81OZM2jgDfbyUMhLndLJv9LJhjhz1Nk4yucNU25tslqEmxSLvDYJltFl2o6JpOinocNFhxKROqW6DA0SKy4aLF0GFgjVIrF0GDoUt0ibpIMJJJIOryyG5GU7676oWoeb+Eb+umqnIe5uxNxppsoXNcLXbr1sgFlubCx5dUM0yAEdfXXRFNjJF3FwsddExrfE7RAxzNQXb22110SDLgn3N9rqR7A7M4NPrbbRTRR+PRvI7hBCWOzEg8j1SDHEi4t5666ozu2gXyXNzrZMnhYHOdq0+nmgE0abcypm7gHLfTRQuYTNc3ABH3qVrbuPhNtOWqCWEEG5abfZsrGBxDc2myAZcsDXAkDl8FPG/wnTK0DRSwWIPOxJN72v0Q9e3MSQSNDvdOhabEG5PPTyTp47uAA0sVmSwVD4hleQOZv56rMAyMNzlvtflqiKrK0OHr96DzjO5o010uth4F2i+oHrqhn5iLA226qUFoaBa+utgo3luW7gAdOXkgie0lguNvXooXAgXGoPr0WZXDwnl6eSYXAktJ8PmPJEQytLi4hm1+uiWoZsTfnY66olzG2Om4NlBI4WtYkjy80VG5773yA3vpqoXEm1xz80yXMCLnS5KElqBo0nnyCAptw0ac/NTNFmXH7eiDifmA3Iv0RQJLPCLD08kRMTnJBFtPPosNZaXQk/NYtY3Avp08kpHFxFgGn0VSXWZXEEBuYdBqne9qcwtvv1Ubm+InIT8Nk9jM8hu06creajSaEnaztdjY9VIy1iNfPdRSEBzWhpHw81DI8tDQGkedt0Epa6V/vZQBz5pPbodCLA7eiTHC1iL32Cw5xc7I0loAN228kQxz3mMNboANepT6c2c7w5SQd0shFw0Wtz+CiLnNe5xNxqCijIsr5GvN/iDpqp25gLlwtfTfXVV8UuWwNj0081KMz8lhbXXTzQ0bEMxJyklZbC4Em1nW6Hon04DI7A66W09UpxZjcoLnW108kEPic/Tl9uiLaPDfnr8EPHEWn3T5/JEyFjW3I62QJ7nDw+vxSYxzrm+34qEHvASW7XWXPcLNaDb96BkrXCZoB56jXXVTxscRYGwsL7ocXM1/P5ao2BobuM2g+KCJweCAGAi4vvqo5mPMd8gbYefRSFjCQ7xWBGiHkOrjZxAG3XRAyU2Ibd4NuhTD4WHU3ueRSfYv907cwm2DjYBBMDmJNyTY8j1SytLhq+/oeqY3LaxGqxpnsWkfDzQQVIIb7xTKfM1t3H+LJ1QMxJDjb0Qff6hu19FCp5HZn+8dPwUTiLOAKHllLJCcxsPLyTY5Q86aoUQ5uR5GYu01tfokcoBsbHqmX8RJWZHXboFUKR5aS4km6BlkIefM8lNO6xDbnTdCvzHUoabK8g6bJgfssSXAKjF0U9z9TZJ7gWjqmEdOSxvbyQJxNkmk2SJKwSQEGHXCxe4Wb3CwgxZK6V9UnIFdYOqV7brDjpogV7pEapo0KygXNIrCSBJJJIOuPBGWzhcbG2yHmYASQdFM4tLbXGnKw+xROYe8F3XJHQaa80Ar8xy2cOWltlhrRmcd9FK5lgACLdbDX0WGe6AbAncWGuiBPYXtBzNAtqNNdEzMImkhwcdeicGARnQ/Zpog5icxIBcNdNEB0M73POgA100U8jBJYuI+zXVVsbnjU6gctEa2pY9lsmby001QZZStEuceX3prmZXEuve45KVr3PAsQ1umnxUTpQ4m9yAQNkDG++X/wAbIqBmbLuLjoo4W3flOXKfwR0TAGgN0FkE0dmxkhwdpqdOijmlFjdwsL7WWXODBl67oOulNjawAGlrIAqya7y7MBvYG3VByOBku42Pw6qGumIBBGY5jvbqoSC7K7UEjTbqjOiGS52ABxOu+gTnAlgu7a19uiggZ1bsp9LAAADTp0RoPK05hbZNDbPFxpy26KSVzQQCLDzI6LDWguuLWPQjoiYy4ixI0OqhmcQHXHLSw81LMDoAeSgdn8WZw2+eqLKqcQebZjcbqsDiX67K1r2hzWtF+aChpTmBc610+g2hvkFrAIxouDpf+xQwNDWCzbqZsgyEbf2IJHHcN6fsWJMrWggapNcGtcRqbfsQtROebkSCYXC5u4a+QU2mZ1iPkNdUFTvIFiGm+50RZJbtlPTbTVFLQOaSQfgNNUywLhdwNuVgni4Bd4fMadUyAF7r2aLbbKs/E0DS9obYaHU6J9mOJbsRexsNdFhj4xZ51sdhayxA5j3O1BJPlpooqUxOcQ21r7jS2yiq4GhjowdbmwsjJXBg1Fzy26KCTM+xeLm52toiq/ujE9mYXPPQdUTSlvIa300HVPkjc2we4Od92qzG1kTWuI1v+1Eo6G8bQbjW19B5p7DpfQ6aaDogmTtc619NPgpGy+IMjaTpr56IsFzvYG3DteXyUBIkaczjfVMYMzLHf9yJijYGFz7X1t5IGhoa25dYa20WGtc+9ibfvSkJN2nbX4qaN2VuwsPxQMOniNr32011UkZLra5SALbKM2Mg3A5eWqUIOe2bMRa3mgmaXANGcAgjpqhpybudmtp5dFM9pJH6QIsoJLFu+vTrogFkf4iN787BOhuGuJy215BZcxoYCQNvJYa5vdO0aBc9EGHA5jYtA15DqpnMu3T52HVQyEF2gbb4dVNmAY0aEfDqgFmaSwhpGvkgXU97EbqzqMg0aRqgXAB1wUAVU17QRcbdPJYpWd3Hfc+iKmb4gXFu37FE2wDttEGdCdW2I30TpHvDLBrba2NlBLK29zrf06KHvA4lpuBqiGTOcLusL9UOZRmsUSWsPuglAyB3edLoqVzg7bZLQt05JrRYWKwTYiyDA0J81khY3JKw+9tN0GHlYGoWdwm8kCSWNUjeyDDt1gg3TgVh97oE86LFtFkWtqsPPRBhIJX1SQIrCSygwkkkg62LE+9YnnfzTpGBwbrrprdCR1DXNB0tfbXqiBUXGoFtLboGuaGtOZ1rabodz/DZp2038k6STOANNdeagN9iAOfPogc2RtjmOa2n2KObJqGuFtVkh2a4cBz0v0TsrybvLQBfrqgBe9uchrrE3Hqp4Lk6uHTTlqpJKZhccjwTqdb6KWFlibuAv666oEC12jfeG9ueqeA4ujDiWjTb9qy0EOs0gEfisTOLCEE0RbC92Y72tbkp/pDQADm23HPRVZc4kuBsntLy3Nc2G5ueiAt89s7g4XQ05Lmm7twUJNOQ8m4sPXVNlrGusM33oI54M17EXJPw1UjYWtbZzr26eqwyqZrmLbH16psk8YdfNf59UCkYALE2ub7+STdGkZhoOvkhxUtke3MfCPMpGeMtvew8ieiBzwSLkjT8EmtYIycwBv8AsUffjKSXcjbU9FDLVMDSS43HLVAVcl2p8Ntr7/Yk3Yi4Db9dvsVcaq7yS+/7ESyVgubE/tQR1EZBJzaE9d/sUHdWNy3Q+aNc4uLTcW6W2UbiHOAvfytuggPhsBuPPdYjaHS7C973v5J8rQALmx+KfEwaFoufj0RnEchGclpN9rX8lBLEZI9r280ZIAH62+3ok0MvYafNFQUtPtmIGptrsiMoLwSQbee+qnJawi2XLr1ULnAAWI38+qKY4nvSS649dk5jjlFyQ24vruoJnuFw3mfPqpoWksFr8r7ohsrxGz3jl0+5RUEh1Ldzp9inqYy+25Ggtr0SpY2xR+6fI69EUUGBrbvN3HYJ8hyklzjfW36qbGdM7wc2w30WJsznOJuN+uqCGF5L3F9sxPXz9E6+ZpFxpbn5+ixo5xflIIG2vVLO0saNQee/VGSGVh0eNbc/3Iilaw2c5/iI018vRCRszuDi6wJFt/NSwygvDc1i3nr0RqLAStjja91iT+CWfw5y6+hsR6IRjzIdb2G3yRb32LRa/h0A9EDpReO7rA7gHksRuzPuSfW++qjfKSHhw1toSUmPyXzCxt121QEtyudmIPpfzTGADa3LTNvqVl50Y1jr68766qJudrzdrQCBrr1KCYkHKctttj5FCSGzTmuPjvonsLw0DbUa666FNlGbLlIJtqdeiCF7wPFmGu/moo7GQuzDLrbyUrhZtrHnbdZfG3u84vbnuiZprnNubOF+fnqoe8u85nDKNvLVZsQ4k3ub2GvVKUAe60+e/VFNmcbWJBDdvmoXk5Lk2dpZSOFnCzrjfn1QUzjnLiTr5lEqRxOhJuba/JQzHQZSBbVPicLW1uR1OiZI3wg5tzruhA8uu+g+qo2l2Uj53U0ljbkPNR5SbC6KjJvf5JhF7EmzthZSOaL36KBxbcG9iTp5IE73TZMOjdVlzrggJhJ0QIHTRZCZukHWKDFrJJxIKboECsldYJSQZTHJ101xQNSaUlkIMJJJIEkkkgSSSSDcIK4hwJJJH4omHEDbQm/xWtx1ILrDbqiY5gbeaIvBWZngAm+g5qVk5N9SeX2KgEzrgjS1kbT1Fi29jz+xFXcTyQCPCNtQddESGxkXeHZ9b72VZBUgjQEk6+miLbOHN1RNTyvZkJA01Gx1WA5oFnNIttodNUO95F82lrmyw2fcNF+ZJ9UUQXAmzr5W7b3OqHnkAOhJt66KKSoOTM7a+/xQNRUNAuCLoChPrqTqlJUNZGAC4uHrY6KqkrAB4SSg560i29h9miA+qq2vLhe3zQD6vXcqvkmc5xJPyTTNpZAe+tsAL6fHRNfW+MFpOvqq4vu0i+qaTYb6oLNlaSLHZSNqswy308lT53J4ksLg6oLV9WA2xP2oeWpu8jVBOkvYJpfrdEsFRSeI3OhVhBUAM3VMHFSRykXuhYuxOL6nklHLc+ZVQyoJUjaksI6oRbd4frAjVSxPDrAEg/uVOKrxam91LFVBr7lqKti0F1yST0seil7sg+EEHzQDKsZdbXT31mhF7OJ6okuiahzS7Lbw3OxOigeQLAbD111TGvzG92jU8lkgmLM62+mnmhhrS0yaA+e+mqNZlETXWda466oBpIub+unmimZnNa3UN05IWp59S17bgadeiic8NbmcSCeWvRSNaGsByk7adNEBUPLnZb2A1v8ABE0dFIC0gOc4HXmpJnnxDXS9t9EFTEtu7kn1EoIdYHUn4o0zLJlvYnMR59U2nIeWiS++u/VQ3lJIsCRa5t5+qc15By20JTDRD7XBB0ba2/mq6eZ7XhrNSfXojSRawFzZMipGnxBt3Cx28vVBNhneZWukzDqNeitXG7STt9U69EJRxsMZBYPduDby9URHlGhaHHmCPL1QNcHNLnOB1vpYrLSS031PIEHqs1Au22ote1h+9Njv3gu21xqbba+qAmKzgHueD5a9VFKQbXYeXXqVhgIIDiLg7gb6ps77NGYEjTW22pQSxPvlsQRpob6aFDzkNJLTc9NeidA8DK0C97a28imyuBPLQdPJEqEyOy2IBPLUppfluC4AG9xcrIjObQ2PPTZR1DGXJIv003QJzwXHYEbanqmiXNJcEOGt9T1UUkZLHODtdbi22qhpWuMpDfCeWm+qJbghwLbvJJubW16oeQDPtyU8gfGSTqL/ALU1zA5ouACRdFl0MGBpBt96dINPDe3oU8lhALADfQpB7QLn3QhQNRckOG22qbmysPyUtQMzrbt3KGJv4R8Loay59r3URDTy1Ke4lMc62+6EROsHFY3KydXJjtCiskBMtqsrCDNrJpWSCmkEFBkjRYukTomhA66wUkkGCkkkgSSSSBJJJIEkkkgma5wUzJrCxKEJPVIEomLKOYcyp4pGXVS15CkbLbmir+CpA2ynpe3RT/SwDrkHXboqBtSQ3TMenyTm1bunrf0UxMbD9KaTpk8tlBPVNB1LR1tZVTqt2XYeVkLPUOdzKqrOauGY6oJ9XugXyHe6aSgJfU3ChfJdyjJ8SR3QZzLBKwkgSyFhJBklYSSQJJJJBnMUrlYWbIHBxSLim6paoHZ05sjlFfyS1QEd67qpGT9UJcrIdZBZQ1TbjmpG1DXONxYKrY6xThIbaFBdQyN1F9ERBIC4X2VIyoLdLIllX+a00KrNi3lmY1ha0t1cOnmg3Obe4Ddh0QYqXZwDmThUDYZr2Uq8jmvaG8r2PRJ7g55JDdb9PJCxTWIzZtipO+AaD5oJ87Wx3Abp6dU1rh7zQNd9uqjc9rhbMMx/H0TTIGttm1H4+iIKgLbXbpbfUdVPFZ0VrOF/MICFxJb4iAbff6IyJxc4MBdlA/jki/BjHt7sSabW0t0T5CwNDgR9nRDuddlwfD0uNNFiGTU6k67EjoiiJHaXDhc36KOMi58Wo6kdVl+UudqCNdLhMzRtuTa/9IdUS0XKA2Nrm5evLqowc0YvlsbdNVC9wL2hr7j96cA6xsLjRDWcws0XbY210ScXBvha23MaaaJrrd2CQAdLBNa60ObN6fJAjlLcoI+Y6KJxs46N3PMJr5bvu0gfHyTmOAJz2IubaorLgHnxBupNtQsZWseQGtBv1HVTBrXXOgNzzUc2T3rXN9NfNGKic0Ofu2/LbTVQv/N2DgHX9FK0AvFgARvrvqszR3jB0J39EagSRwBuBl0UD5LbHdZqiQ8AizQh3WOyKlkN/RQuNj5LLnWbqonPvcFExlzeYKjkcLW5pZnBNOuvNFRlxzFZza6rLra3TdOSDBFxokDlGqROiYSgeCUt1gO0WMyBELCRddJBhJJZ5IMJLKwgSSSSBJJJIEkkkgy7dLSywd0kGbaJXssEpIM3KcHFNSQPzFYJKbqlqgwkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJFZQYWbrCSDJWBokkgeCs5kwLOiBwfqU5klgVEEkBHfaBLvfENUOFi+qA1s9tQpYprEjmq8OsE9r7aoLSOQlwzaaaeSMhluwX0CqIpNRdFMlsADsjNiyaXlh8ZAA5k66JzZcrLlxykdT0QbZrCwFx1Kk7wOjAac2hvv0QGxSk5+YtqblZDm5nNvuNNT1QrC9x8AI021U7C8uJtlIOp+KCRhLSNNdvtUjXuGua1rWURdZ7XHMT8eqdILgOs6+lxrqiYy51wDmuBbTVYfJZhsL6a/JNbls0Wdm011WIh4i0h197a6aI0jPjdqGgeu2ikjflcRYH47pgAylxafmddEmXDj4dLm2p0Q1NK8WN9NTbXZQPeRdt9b6676p0kjc9rXNz11TJGue6+1j56aoaiBNwQFlri4m4ItsOqxcgghpIPLXXVRSubezXEHmddEEFZcg6XO91XZzmteyOmN763Qksd3DSxRSz3bYpoA5pBpHvJj/eQZdoU0uusuOiaEGDsbrF9NEnHQpqB2W41TbWSzFYvcoFolokVhBkpXSukgwkshIoEksJAIEkkkgSSSSBJJJIETqkm2N1k3QZKXJY1SN0Gb6pFY0uskhBgkrOtlgrNzZAkgVkBxHulObG87NKBiwL3RLKOd+zSnjDqi/uoBLHmkBojDQSjdYbQSHZAGRqm6gm3NWbMPcDZyX0G+3JBXNBtrusi+XUKzFGAL80+Okva7UFSTrsUraWtqr9uHNcAco1SdhjMpIGqChAIGjUg1wGoV02j1yhg+SzPh79QGi1uiJqjIslY6o80ZDtfuUjaNpANtfRCVWJKx+g/1VLFhv8Nt06XRVSkrSbDo/wDB5/s6IT6KgHSsp3Uz2tUJa4IMLCQvdZtqgwkkkgSSykgwbrLAbp0bdCpWxOuHW0QJosN06MnMVnu7MueeyfTxm5fyG6B7XPDXB19/jsi4ZA0GwIHmhAL8uV76dFLG65GltDe9kTB0byAST6XU+a9wbX+zdVzMweOhJ0NkYDfwjmeg6olia7u8zBpN+gNt0+Nj3PBI2tcAFRRjI5uZp03AGm6JLQ9oIs0XGWw/eimta4ODHC17W0N1LGMviawjzIPRQPY5jha1jbNcC6mDSxjSG6na4HRKT0yRgJJDTfXl5KM2DS3LqB0RJf8AqjW99B0QdS9rbkNbex6IHPcb2LfsS138Wt+XmhHVQkBFgCD0Ckjmu7Lm+zzQxITmIIG/4oaZgzgEqUODvEzQD8VE9webm10MDSOAcRyUD9fd0U04AN0O6QAXFtEVG8WTL2Cc51yVGdQgRN1jmspp3QYOyXJYKwCgR3SSO6XJBhJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJBayULM2VoOh0ToqNmjcoJ5rZ56Hxe4Qb6qKmp2jw2GcnS6Ckjw3PbK0A8kpMLMerr38luNJh942jTMd7ItmD3ID2k3GilqRz8YZn8Xdknr8FIzBXvB6ea6BHh0MYIy3KjlpAABkufJJdVoZwXLqblTw4RECHPFx0+K2ypp3GWz2eG3JDGns1wubX2+KopjQsccrWhoHLRN+hBpAY0N+S2SCh73xFhueaMhwUgB7hmsp+sTGs01I6QAEWy89EazDmOAGtzz06K+ZQtiN/sUzW6ZSAAFLValPSZHlrhmvfXQjZCuiZEXA6nroAttr6RgZni13uNhsqd1Ox7330+0LQpnxkgm19+hChdE7N5dNBzWzQUBfEcosLnXYKWfCGRgPOjvmN0GqxwXfZ5DfSyJZTDQtBOnO3RHPpmmV1hkIH8ckVS0+SEOkJtb9iGYBgprtsWt2526IieMfRsl7afVt+CJkAzAMsRb9iyQGNJAN7IAY4mC7SbuPPTRZqKd72i5vl2211U7Xt705m2PLy+xZmqPzTmkWHXrr6IKuahA8YIBO+2mqFZE8v3tl2Omqti4d2Bq4cj019EO1xDy3Jcc/P7EAc1PIyLOXOLjvtooIXkVDWAgX3tbXRW1VI0xHK4nRVVO0tl7wEAk8/RATJGGxXZZ3i1JtpohXwC7nOJ220VkC8gh2UjqOeiClc9znZSco5dEA00TZHBjXN0GpuNk2Wka3Ibi1tTcIiO7X6Wui3kGMAkacr/uVZihlpBlAubX3uExtBtfN6q8laHRZgTpyv+5YiaHOawk36X5fJTFtUrcPJNip48II6EHz8lbRRuJyt0A6lHU8RHidckefkpgqI8HjyHX4X8lg4ZGxxOgPqrwuAdqdTyv5JtZkjbfUA87qq192HAv0Gl1iWBjcrQNR09VZzOs0Fp0uPXdVxcTclxzeXqgEe1wkDbfJLUlrraNAv0UgluRc6+Sw0F4LAdCB6IMBrb2AHzHRShjd9L672TImkbgW289lOGjUnkgQGV1wL772TyS0g3Nr76dVM0aaDZZflyAOv1vy3RDXSAt/3duqkjs5rQHZb2vskWPeNALHf5rERc4eI+7YWQw5uQNAL9Ra2ycHDdztOZ06JR5eRsdN0wOY3Q6dD8EMSTvDW5Qb78/JVFZIW577EdVZGQC+a+l+fkqyv8TSADbXmgDZKQ7TqjY3kAFCRxuB0GiOic4jYW1+9DWXSAgAmxUTn2dbkopXZHNvv+9Na86lx3RD3uJ6EIVw1IG6mB8QsNFC5wLyQLI1DXaJvJJ51WG7IMXWVgrBKDDkuSwNVhBk7rCyVhAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkHWMRY8BpbdzSdL+qFo2iWcNsQ++pt5q0xdjC8Wcb7aDzQOGRyfSG5ORtcjzWRseH0zmtZdpAt7yVU2SO5aS8BEUzJHwgOk0tYmyhncNWscQ8CwNli3VV8wAtmNi7exKmijuLFuYWJBudEpozlJsLc7+ibASGWbfNbRXcRHUtaMty46kW11UMcbRIW3c0H10RcsefxOB0JuENE1wJux36pPPVal0WFAWtJFrAjLc+qMygMc4H3tLhANLW2I3ve59UpJ3WyjRZozWSAXsLE8k6kJkfZwvpy9FXzZsxN725lWNCQGkuGWwtb4IhuKRmOItOoP2aKhZTvkme0XcAd1sU72SNcL620uN9EDT07xJdwsDfwhblxU1LATTEX7w9LbLEtPI5ut7gblWdMy7bFmQDaw3Q9UxxeHZw07WWf0KR9LG++UuBcd1iSDw2DnNaB08kY+KVoJOwOmm6CqZWgGzi0gc+eigBkIa3Rxcwb/JRPkc6PKJDl56KCeTM8bg87DTZQiZga4ajXddA2qnJnGS7TYjrdExutBq45h5earHZDIXPN7HQWRz5c0By3a0CxFt9UELJ7vJc4tN/CAN9U2pnlcTZzm6CwCj8BkbYkEbX9VO6NrI2vkeARrqN0TQkdjHzOZSU7B3VmgkdT6JMiL7uYRlb1TonBo0Y23IfBVCkEnd2Y0gjlbyQcwc2bK7vH33srDvyWkNFxzPwQFXKXNLowQ9p1CjSVrg0G2hzXy66aqOSS2o+sdtVFPO1sRc1up/FMiIIaTvv6aoieFxeL5zZunPRShgzcrAb6oQSubmY0C+YJ0coDnOcDc6DeyKMhqGMe0kONlIKsjO1txf8ABVAldd2Yk7ck8S6gklBYsnmzWym9t/gonygFznlzr30UMcjD9chPkLb2zG3pumam4aXkgXtpyUUwc8EG4/YnOcQ3Ya+WyZ4hqSSOqGhLatygjzPNOpWEG5A/gJzW5ntA+akhGXle52tvohUrWaWHyF9NFOIeZINr9eijivmIJIH36Kews6/wHwRT8psRrpfkbJj4yG9Dfa26mJIYeflYpjgHaHQ+h0RNRuzX8Vx13TJHkNLRf116qeQtJuXa8kOS8OLTbL+9FYDnEMObRJz73aG7KN22+qYCNGkm6B7pAcwN/e0UEwPiuAblPsbG9/ioXuIze6UGI7glpAtdJx0sCb3KwT4hkvbmmZtXC+vK6mJjMurTZDA5T5qQkgWULwb3VVkvu7zUbr6rBvm81g3sga7UpDZIpoKByY4JFywTdAgsFJJBm2iSV9FhAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkHc8TpRHdsbNQb7eaAw4MhmJdq7e1vNbNXy0os0OaenzVBMxxlzsYNTr81j6LN1U0wta1mXS5sFWCV3eZb+Ii4uFiqqAI2NY8NcNLIQzXJaCHutqsqLkewtykBxAHXRNhyA5rAb6dVB3jjoGtuRrrvolGS0Avc3y12QF1HiZ7lt9UK17m2L9W3CdNMQxzb3Gt9UI9zTC0Ndc36+a3yguaRzGg2sD1HmiWvjEQc4jVw1CBdK0wi+/Uod02YADw+SYLKQszE7AuvYqKeqcQWR6nfT0UWR3dkg8tyow0h5sLaWt8FmmLSB7gzMWbDXTbRYila0uda97+IofvGNY9rX6OGgHogXuEZcJpueg6KwbAyqcYw1jr230Q81Q0f4Mk9UGyRzYi5mvn1Q76kkEF4aeimIlqpzlzvec36I5KsmlbI7O65J2bbyUFdUlrgWP8RPu9UK6QiMkOvbc/DZbkxTKuYFzgNLD56IMh7mNtfQ+K4Ur2Bxzh2hFyLbaIeZ+WEHPe522VS3Dg787q7QX1A3U4nY92zcp0uR5qqjlBmuwjML352UzZCL2P8XQGOkeHXDW5WHc89U8PMjhpn2NrbIJshlZqM4b7xta2qTKju2lrRqba3QwTUyWe1rsrT0TGEOto11uY9EHJd7sz7HonxlzWe7oeQ9EKleXhr2gWHQHyQ8k3hI013UTneJ1jmB0Jv5LHd2v1HJGcTRwseSXE2OxtoNVHK5zSMpBbe3rqlLN4WxtI0+r11UMbhkGZhuT8tUXGRKA9wtv9iYJC4xsLvBm16lMLS2z+qxC0khtrOPPojQkXGtlIchFtVHCNWtBzn7AlLLkB2seR9EZJzyC1oBI628kQ59gXWN+hCFc7Z2YBZkmLY9Bc/aippHkC+vpbdYBJAZoLhCuldcnXXn0ToZC1wvY36oSCI2uJ10AU0LQAH2JsenkmRuzZW+Ejy5IhjAWsLb3/cgRblOm1trbaJ4aCNfPl5JjACdLW8xvopcvjItoOXwUIc4kANJHNMJGcW0N9uqe9ouc3K+nNNy8xuqp8pBHIEbaFRSNLiDrr5HqsuDT7yyXBtrWt6eaAcx2uSU3KCQ4Ot8CiXAO8QIsPJCzAFmbQfBEl0xz/C77EK4kgG+t1LJ4QPRQuvYHRFYB3INtU1xuPNYc4gi6YScxCDLjp5qMkhyw5xyjqsA66oMOvvzTc1xbms33TeaDDk1OKYSgRSCxe6zdBjmksjdYKBLKV9FhAkkkkCSSWRugwksndYQJJJJAkkkkCSSSQJJJJB2CWrNi57y4HexGuqiFS3K0tzhmmpI6oB9b4I2GzmnYBw681mOVr7uMuW1vreakmA8TscRdo5bEaqHvD3xyG1+VwoROzM0RvDnabu2SZKGSnQ5D713bpgOa3QC/iHO9+SxObEEPtyIaBuhTUuFmh7bgWuDtohpqgMJu8u8R+Cn5FpPI0EDKXGx57IKR4MRy2JBOnM6oaWvOpa+4sRa+6ikl7x5LZA13T4rQLbM18QAs4DmSNE4Svc1haBcHy1Vc2qiaXMFzf7VJ3wc0MEpDRt5ILFtU9xdnc223LosCocLhrQ4j06INkzRB4nAHpffRNdVFgGRws7fXyUwWj5MkbzmDXfqkIaF0WfvJpLnztohvpIyOaH5hbdx2QUk5DT3br69VRc1dUzuxZxIB0tbqgJp3SZ9fD5kaaqAVADTnkDj0vtqh3zSykhoyg9DvqgXeAOzFoc0+ajNQCSy9gbJjBla1s8pGmtiU0SPc4CJotpqSgy+dsULg12nS6DlkMgzOIAB1PXRTPj98uNxfqU2SB77s1tz1OmiFmoL+M5diVl/hLrm1h+1SSRthccjwRzChmkZci99ESViab803Kdhv8VmmeHZQX5hdQFufQ7J8Aa17SSAAiiJMzGNbe46D9qw5wLfDoOfVYdI4DKNU03bdx0J80GA8ZTpYjZNLvBfLZzufP4rDmkgDOABra+qxlebvzZR1J3RJDQ8E8uZssEv+sL3Onlqnsj38YFh804NsR4SdRufNFJjTlvlvZJjQG3acp81PMHAFws0dLoRz3EglwsdwECzgOBIynmeqjnfoCDcJPeXC245XTCAQGklp5iyDF2brLXB8liopAQPCfDdSRAl1xugyWESb5bbWT42vze8NftU0YJYdhfYnmnRtBcNNAgkga5tjmFxv5IqmygEXzA9fRQRtDRmGpPJSw3zi5v08tETBOVoabC4KzE1vTLbmsRO0yvt81m9tAbhBnM1ziS7QKOZzS27LA+ZWJfC3RDtlOfVtx1Qp8srctrakpjZANSU1wzNL+Ysh5HfNAeXXAdflt8VHK4PbY+XTqVAx5sLpjn3td2mnPzQkKW+UE7BCvPXS6mdKS23VCTZwRrdFZe4HTeyaXb9UwXzb7pX13QZcVG5OJWNEGAVhyRWCUDVhZKwgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSDdmTEOaDI1xHveeqIbVNyHppYfFVb7gaaOHPXqmiR9g9ry3a++uqC1+mNDAGAZtNFG6rfYEzeLllVayV9wcwubWBvophJZhBN3HewOqAkyvNzmyv1vfnooO+L2PadR1zbqCecuy3aGEDfmdE0mRzMxuddggsiZMwdlIbawB5ISR8vekmzn687X1UWdxIvKQdbBxKZI87OdYg7jlqiCzJkPv3cN/JNdUuEYeZMuu3VASSWe/K69vtUDp3SjI4W8+iKto6xt7C7nb3Pop4ZWT2fexHI+ip4TE17SMzhbX5IhssbI/E1xA6eilFm2oha11ml+nNRZy+O4s0X2HJAx1DAXgaeQTpXudE0tiI8zzVTFiwtYHFkQvbd3PVDPmkLhy/o8tUO2WVwc3W3ly1SM2UBrRr589UVk5g4FxzC2t7pRvBAAvfTa6D71ok94uHPfROizd4X58gsNEBby0RnxW121TZZyTdj7dd9dEI54u4k5m9dUmPjYc7hcX1GumiAidpBzFtwW6i+yDmAbMW2uOfzUs1QHaEkAtvZPsLPda+axv8VImGsFx4gA1p1PxUMoDnBzDqD1WZZg67bXBOlvVQ95ndma2w2VVMZAGjW7uRO4SJLCGlxffW19VA15Pic24b9qa2UNu69ydkE7yL6bpZnOjLTsOXRDiQukBspO8NjY3QPc+7rBtgdlK6QNY0l+t9j6oUyuLruaRpz2Ub5HkEPc0gHT5okTy1Bc/K27tOu2qheTprYc1G02JDdL7pwcMuqKy0knNqAUnuFgBc+fVKI3fZu1tlkhxNg0II2tJ0AO/wA0dBFlJOu26xTwEnUgkckSW5Xe6GjmgYWl4FjYjlronxDLck/vSLnlpyM+OqefcaXeMc7X0QNY15sXHKPK6lY7JofgnMeGgZOfW+qxe+mW55DXogc17zbMMvnf9yewCx8Zv6qFtyDcm4PMlPzEWN0L6UneFoGiYWjLl5+X9qkvvzUUj9DYWPVENykgHLbQafBDTsBGYm2qJDy1rdjtrp0KGldduvUoWoyTawKZntunEbqF7bHfZFPvpe11DMbuT3OytOmqjffQ2ugaQmHdOJPRN2sgRTbpxTUGCVhIrBKBLCSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJILsSOzMJOgFgo3zWFr3sVXyVDyVG6V5aLm9tkFqJgA/XXksMldqCbFVYkeBukJ35rAomLhkrQANAQmyVDQdZLgclUiV9zqsGQndEkWn0hjG3Y0C/NMfUZtXuuSqzM69iSQEg519OSNDjVeJzupSMv51zeoQOZYzILBlVyy5fPr8Un1X62X9Xr8UANk0boLCCqLQGWAunvqnF182g5KvskdEFh9KzHXklHUZmk5iLquBdpYrIcRfVAeZ2hmS1z1sl9JAaAxhB5myADiDunF5I3sgNdODZw0PPRYkndfM0a9LIIPIGiyHOudUBJfuAbHmsd8/JYi52J8lCSb5jus3d7xOgUkErjIW6nwjZZLmmHw+Eu0UTZC4eSc0C2vP7FRh7gH2aPJIBpO1nbXKxlFy5ug21TvDYc+SCaIWF047ZrapsmYNFiATpqmnS1ySgw7MXWLk14yAXbc33UpaQbgggD4qGQkG99CgjzHMb/BIk2Cw43OgSv5XQT0triwKOjia8ZnXaAq2B2V3qrOMXjy30QYb4ZNAfRTuALAChC1zXXBNroiP3rkm1tSURIRlAO5P4rLy5obl3O/zSdpqNU/M3OBz/ehGHRgWsDsls3K6+qfmu3UXSdbLbmiogLG/TQJNdcgFZsbrDm2N+aB7/LkopCA713UgdpYjZQVLrEW5omIb+LZK+qaXXKbuQbopzjqVDIbu3TnblRuNigiJKy47FZJBumkgBA1zimk2TnEJriCQgxmWCU3W6SDPJYSWSgwkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSDKV1hJAjqmkJySBtikQsk3SugQCSzfRYzIM2SsslYugVkrLICSDCSykgwEispIMWHNZIBSCWx03QOjYXGx0CkdGA4jfzTGE7E2T3DcAnL0ugWUGx6Jzml7c425JBriLgZQpI2t7vxHVBFGzwHT3TclZ8Ns17lycGhgJz3voVGJG6hrdtLoJABZpaQfJYacxcBo4JzbZGhrcxSY5veEPbkPUoE8gtAKawk3be1k6QiR48kwi7TpZA5ujySDmtsmytvYncp2TQPz3HNJwda7dRdBEAfFrc22Sa0kAFStFn+5od09kdpAeSCOOJwO2iMY4Zmt1yjkE1hzPtc67pwDWONyWi+6DLj4g7Y9FJGb6OGhKgucxsToFNDcu0JtzQEOGgWWtu641P71loNyBzT2N1vzQJjxqCNVkDXVYANzyKxd3i5/2ozqQsBBIPNR28LiTrsE5rgNBsSsOylrhfW+iNB3l2bTluoZHX0Usl2tchpeo6IIyU29iFkXtqExxt6oMuNr6qMuukSCDqm5fNAjssOGyc8aFMF7IMcymuCcdFG65KBWWEkkCsksrCBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJJIEkkkgSSSSBJJLNkGEkkkGbGxKVuqKZCCxznOcANvNZjhY9+jnWt8kAltUrGwRncnPZrSR96mbRucBo4D7kFZlWcqtmUgDfH/WWGQWd4P6qJqqyO/RWQx3RXD4Yj7rMsvMfwUmUgPuxZTzP8FFVJhflvp6JMp5Tc5dLc1bilzPaHGzgL6BMDGh2bmBYC3JBWNp5DbUBZER8XkrL8zmZYOsNrDdNm8bXHuwGHXUc0ATYfCDzKaWZSTZECKVhudbaap77ZS07jVADYDNcLOVv1RqiQ9p8OQAa6hNc5jXBzBcoIA2+zblIMObYJwaQ/R9h5c0mNBBJuT0QINu7VgA/SWQXAeLUDZYa0k2NwR8U9wuTcbIEwvBa/QB+6ewWeDoQo893G40bsnNHhAA31QMILrxgi26w1ngBNk4NILZLeSYNGmw+CCWMZWC2pJ91ZiLiDrf9Xoom3uCTZOa8XJGiCVwc0W5W93ommMFpubXKZ3jj4VIWZmEE6k7dECsR4bi9jsk2M5bmyy1p7wXtby5qSQWba4t0tsgawWuntN+TS2+lr3KkAOVthuNgN04REtzaXQRXYAAWWN91k2OhI8lJ4CwaLDg0k20QNYwF6JhDWZr6XGiHYDmRUWYixAsglaRck6AhIusLjVJnMEaWTXDWyDBt3uulgpi1tm21JUDspLuZsnG3Ug2QZkuH2Sebi/RYJJuoC42IKB0j7uKDqSGklSyOvsoJSHDVBAH6pHUrFrLGayDJ0TS7VIuusIETqsPKxzWJCgV9E1YKQQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJBlYCysIMnUrLQlzWW7oHNakntKSCWAse+wdqRr81KWABrbZrAeK46rEdO0PYC4nXXTfVSFjGS5WtsNNPigIhheXXa/K6w8VlM1kmRt/FYanRYo3vLXku0BsBZTMF42gm9yjJd3GYbuAcXN00305pTM0tcAt5W0GyLMQEBdfU6HTyRLIGyPDCdBcjTyCLirlaW6tYAC43NtSmvDxncCHE7C22qsai4dcHW5GyhcSHNAOhB5eaCvkDo26uLm8ja2ihDcrcrGgAjco804lfkc82FzoFEIWljnEk2aAPJEA5m3d3chDbgXDdllrXufqC5mW7b6WIRcEDfE3TLva3NYa3LF3t7kaWRQTw8Ah+pcb6KKYubmsRrpojJm3lueTdEI3UC+u6KiJFyMviA3KaCHtN9SE5+2YcyoZDZlxpqgzGSXHKNuqy0WIcSVg6NBGikMpzDQWCDDjYEB1j96aXEm11iZ5DwbD4pB+ewc0X6oGtuNLakqQPIdtqAmAZnMN+ae5oEhPkgwxz7tsN01rXWLnBO+u0LB90anUoGuPmk02THEhydHq7VBK3fQKUX0bkCYxvva7KWBuZmYk3QODmgnMLOub2ClaCGhjw3X3QAmvOmVuika0MqGNGoI5hGdOiysdcC+ljmATnEt1jPi5Jzmhsb7XvdIDSxUxZ6ic0NjOYi6VvCCbC6yAHeIjksAZQHXuqmsgZRpbXkpGFwAUbDfWykBJ5o0mYbAh3NYIsbjoU1ly0knknEageSBrLDV3O6kFgM2m6jI8Lj6pzT4cpGwSJpEZRdDT7i3NTuJJ+CGnNgio3+EqBxDiQnEkjVRuHgv5oGO2UZT9wmlAraLCV9EkDXlNJTnJpQYSSWUGEkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkCSSSQJJJJAkkkkGQElnmmoM804Jo3WQUE0aSzGkg/9k=</binary>
<binary id="1" content-type="image/jpeg">/9j/2wBDAAUDBAQEAwUEBAQFBQUGBwwIBwcHBw8LCwkMEQ8SEhEPERETFhwXExQaFRERGCEYGh0dHx8fExciJCIeJBweHx7/2wBDAQUFBQcGBw4ICA4eFBEUHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh4eHh7/wAARCALOAbADASIAAhEBAxEB/8QAHQABAAICAwEBAAAAAAAAAAAAAAcIBgkBBAUDAv/EAGIQAAEDAwIDAwUJBRIMAwcFAAABAgMEBQYHEQgSIRMxQQkUIlFhFSMyQnF1gZGhNzixsrMWGDM1NlJiY3JzdIKSlaK0wdIXJCU0Q1NVV3aU0dNWw8QmJ0dlg5PwVISjwuH/xAAUAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA/8QAFBEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAP/aAAwDAQACEQMRAD8AuWAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA3QAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAABGfEDrDYdI8YZX18a1t1q1VtvtzH8rp1Tbmcq/FYm6bu696IiKqkmGt7jmyCe9cQV0pHSudT2inhooWr3N9BJH7fxnuA+uUcWesV1rXy2260Njg39GCkoY37J7XSo9VP3inFrq7aqxsl1uFDfqf48NVRRs3+R0SMVPt+RT78F2kGOanXu+12WQ1FTbLTFE1tPFKsaSyyc23M5uztkRq9EVN1VPVsvR4yNJ7BpfmVqbi7aiG2XWkfKlPLIsnYyMds5GuXqrVRzV2VVVOvXuAu/oZqrj+q+IperKrqepgckVfQyL75TSKm+2/xmr3o5O/2KiokgmvLyf19mtmuSWdFXsLzb5oXt/ZRp2rXfRyOT+MbDQBUTiO4r6zH8grsT07gpX1NFK6CrudQ1JGpI1dnNibvsuy9Fc7dN0XZNuq2gz64T2nBr9dKbpPR22pqIv3TInOT7UNQ0r3SSudI5Vc5yq5yruqqviBMqcUWtvnCSrmSbb/A9zqbl/JlieGjijfm2SU2HZvRUtHdKteSirqZFbFUSeEbmqq8rl8FRdlXpsi7b/qfQXTG58NPnljtVJPc/cDz+lvESudNNUJDzrv7FVNuXw9W5Sy0WfK7fdKO40tmu8M9LOyaKRtJIisc1yKiou3RUVNwL/wDF/q/lGklqx6rxqltVQ64zzRzJXQveiIxrFTl5Xt2+EvrK6/nz9VP9k4r/AMpN/wB0kHyj7nSYhgr3b8y1FSrt/X2cZWHQrEbfneq1ixG6VFTTUdxlkZLLTK1JG8sT3ptzIqd7U8AJc/Pn6qL09ysV/wCUm/7pYzhJ1cyjVXGsiuWSU1rglttQyOBtFC9jVRzFcvNzPdv1T2GLfnJ9Of8AxPlX/wB2n/7RKmi2j+P6RWK8W+wXK6VzLi9JpXVz43K1WsVERvI1v27gVKl4zNVElc1tpxPZHKib0c3/AHizfCdq5X6tYZcay+QUNNebdWdjPFRtc1ixOajo37Oc5U39NO/4prSn/RnfKv4VLF+T/wAudY9YZcclk2pshpHRbft0W8jF/k9on8YDPteOKDUTBNXcgxOz2/HZqC3TMZC6ppZXSKjomP6q2REXq5fAnPhd1Fv2p2ly5NkEFBBXefzUyNo43Mj5Wo1UXZznLv6S+JRni/6cSWZfwmH8hGW18n79wBPnip/FYBBNZxl6qQ1c0LbRiaoyRzUVaObwXb/XFvOHfNbtqDpBZMtvcNJDX13b9qylY5sackz2JsjlVe5qeJqyuf6ZVX78/wDCpsn4KPvaMV+Wr/rUwEQa/wDE/qDgWr1+xGyW7HpaC3SRNifVU0rpF5oWPXdWyIne5fAkvhA1iyrVuiySfJqW1QLa5adkCUML2IqSJIq83M92/wABPUVD4yPvlsw/fqf+rRE7+TU/SbOP4TRfizAS5xI69WHSShiomQJdMkq2c9NQc/K2NnVO1ld4N3TZETq5UXbbZVSn994q9aLlVrNT5BR2uLfpDR0EXIn0vRzl+lTFuJ+/z5Hr1l9bM9zkguMlFEi+DIF7JNv5G/0kucFWhuHaj49eclzOkqa6Cnq/MqalbM+Fm6Ma9z1cxUVV9JEREXp1333TYPEwji81Ps1wiXIHUOR0PdJHNC2GTb9i+NERF+Vql4tK88sGo+GUeUY9O59NP6EsUibSQSp8KN6eCpv8ioqKm6Ka6uKnTm16Y6t1GP2R1QtrmpYqylbO7mcxr90VvNt1RHNdt7Nt91Jf8m9fqiPL8nxhznup6ihZXMaq9GOjejFVPlSVPqA7esXFVqNh+qOR4xa7ZjclHba59PC+emldIrW93MqSoir9CGJ/nz9Vf9kYn/yc3/eIy4nPvgM3+dpf7CZeDDRzANTMAv1dl1pmqqynuK08E8VXJE6JixMXojXI1V3VV6ooH7xrjYyuOpibkeIWesp9/fFoZJIJO/vTmV6dE8PH1oXB0zzbH9Q8QpcnxupWain3a5r02khkTbmjeng5N/wKm6KimsnXjB4dOdVbziNLVS1VNRvY6CWVER7o5I2vbzbdN0R22/TfbfZO4sZ5Ne61i1WY2V8jnUiMp6prN+jZN3MVUT2ojd/3KAXQAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANWvFI5zuIPNUcu+1zen2IbSjVpxSNc3iEzXmTbe5vX7EAsd5NTb3Bzb+FUn4kp5flL/88wT9xX/hgPU8mn+kObfwqk/ElPL8pf8A53gn7iv/AAwAQzwbveziUxDl8ZKhF/5aU2bmsfg3a9/EpiPIndJUKv8Ay0ps4A+FfSxVtDPR1DUfDPE6KRq+LXIqKn1KaptZtPbzprnVdjl3hc2Nj3PoqhU2bVQc2zHt+VO9PBUVDatd7lb7RbZ7lda2noaKnYr5qiokRkcbU71c5eiJ7VIq1Ivugeo9gdYcozLD66By7xPS7QJLC/wdG/m3a75O/uXdFVAKS6Ea+5dpXKlDC/3Vx6R/NNbJ39Gr4rE7qsar9KL4oql+tGdWMQ1Vsjq7HK3aqga3zygm2bPTqvrb4tXwcm6fTuhRjiJ4dMk0rjkvlJUJecYWRGpVtbyy06uX0Wyt8OvRHp0Vdt+VVRCM9MsxuuB5xa8ps8ro6mima5zUdsk0ars+N3ra5u6L/wD4BbbylHo45hn8Mq/xIypel+ZVeBZ5a8toqOCsqLe972QzKqMcro3M67Ki/G3LWeUZq4q/DMDrad/PDUTVErHetro4lT7FKt6NYYzUDUuzYc+4Lb0ucj2LUpF2ix8sbn78u6b/AAdu9O8Cek42s2/8IY7t+6m/vFnuHfUO46n6Utyy6UFJQ1ElRPAsNNzciIzuX0lVdyC/zjtF/vJn/mdP+8WB0Q03j0r02/MnHd3XZsc01R5w6DsVXn8OXmd3fKBqzVsbq3aZysiWXZ7kTqib9VMlpJ7lptqrHPH2jaywXRHJ8VXdm/8AA5E+pTF513lkT1OX8JNnGDjk1BmVhyzbtIMosVJWdqnc6ZkLGSfWiMd/HA6PGVUw3DXy6XikRFo7nQ0NZSyIm3aRvpYtnfT1LWeT7+4CvzvU/gYULye+1N+W2SVa7yUNuioGr62Rboz6m8qfQX18n39wFfnip/AwDXvcf0yqf31/4VJr0v4nM807wegxCy2rHp6Gh7TspKqCV0i873PXdWyIne5fAhS4/plU/vz/AMKlltEOFam1K0ytOZSZtNbHV/a70zbakqM5JXx/C7RN9+Xfu8QIG1MzK559m9xy68U9JBXXFzHTMpWubGitY1ibI5VXuanj3lsfJp/pPnH8IovxZiretGGR6d6m3nDY7i65Ntr42pUuh7JZOeJknwd12259u/wLSeTU/SfOP4RRfizAVJ1Ic6TUTJHvcquW7VSqq+Pvri8/k8PuE1vh/l6o/JQFGNSWPj1EyRj2K17btVIqL4e+uLz+Tw+4TW+P+X6j8lABCflGk21ls3zBF+XnOj5PaR7deZmMcrWuslRzJ6/fIjveUZXfWWy+r3Ai/LznQ8nsxy69TOY1Va2y1HMvq9OICOuJ374HN/naX+wkHhe4gLNpBhd4tFfYbhdKqtrvOoVgkYyNE7NrdnKvVPgr3IpH3E798Dm/ztL/AGHv6DcP981exm5Xm0Xy3W/zGq827Oqa/wBN3Ijt92ouydQME1WzS46iah3XLrjC2Ge4TIrIGLukbGtRjGIvjs1qJv4qXb4ENM7theE3DI79SPo6+/ujWOnk6Pjp40XkVyeCuVzl279ttyiuX49fMIy6ssF4jfR3a2T8siMf8FybK17XJ4KmzkVPWhsC4KtTbtqJppUU+Q1Tqu72WdtNLUP+HPE5u8b3L4u6Oaq968u69VAnkAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA1ucc9gns3ENd6x0b2092p4K2Fy9zve2xu2/jRuNkZF/ELo3YtW8ZjpKyXzG8UfM63XBreZYlXbmY5u6czHbJunemyKntCoXBNq5jOm17v1vy2slorddY4nR1DYXSNjljV3RyNRXbKj16onh7enR409VMf1Mza0sxWeaqtdppXxNqHMcxssj3Irla1yIqJs1qbqib7erY6WUcLWslnrXxUuOw3iBF2bPQVTFa727PVrk+o+mJ8Kusd6rI46ux09kgVfSnr6pmzf4rFc5fqA9TgAsVRcdeGXZsb+wtNvnme9E6cz29kjV+XtFX6DYgRzoHpLZdJcSW026TzuvqVSS4VzmcrqiRE2TZPisTddm+G696qqkjAYJxAWqpveimYWukbzVEtonWNvi5zWK7ZPau230mqilldT1UU6J1jejk6epdzckqIqbKm6FKte+Ea7yX6pv2mTqaajqpFkfaZpOzfA5d1Xs3u9FWb9yKqKnd1AzjWDiI0uyHQS8UtLeG1d1u9qfTx21YnJLHNIzb0+nKnIvXffbp0VShlFTTVlTFS08bpJ5pGxxsb3uc5dkRPlVSVWcNmtrqpIFwSqRd/hLV0/L/K7TYsXwz8LVViWRUuX57PR1FfRu7Sht1O7njjk8HyO22cre9EToi7LuvcB4flAqJbbp3p5bXu5nUizQKvrVsUKf2Fb9ActteCavWDLL1HVSUFvklfK2mYjpFR0T2Jyoqoi9XJ4oXW409LMx1QtON02I0dNUPoKieSo7apbEjUe1iJ8Lv+CpWf8AOl60f7Htn85R/wDUCxX587SnuW1Zb/yUH/eJN0e1bxjVmxXevxmlusEVvckMqV0LGKrnNVU5eV7uny7FKE4S9aP9j2z+cov+pZzg20ty/TTFclt2WUlPSz19VHJAkVQ2VFakaoqqre7qoGu6b9Gd8q/hUuxxOYl7t8HuD5BFEq1OP223y7/tMsEcb/t7NfoIdm4S9aFle5tmtqtVy7f5Si7t/lLyUOGvr9CqPBL3Gxkz8citlS1FR6MkSnSNVRe5dnJui+wDVF4mw7yfv3AE+eKn8VhWp3CVrPzLyWi2cu/Te5Rd31lvOEnBci050nXHcnpoYLh7ozVHLFKkjeRyMROqdPBQNaVz/TKq/fn/AIVNk/BP97Rin/7v+tTFTK3hN1olrJ5WWa28r5HOT/KUXcq/KXQ4Z8SveCaK2LF8igihuVH2/bMjlSRqc88j27OTovRyAUR4yPvlsw/fqf8Aq0RPHk1P0mzj+E0X4sx4fEdw7ao5prTkOT4/a6Ge218kLoHyV0bHKjYY2Lu1V3Tq1SVOCvSrMtL6DKYcwoqeldcZaZ1P2NS2XmRiSI7flXp8JO8CnHEzY58e15zCina5O0uUlXHzeLJvfWr9TyZeCTW3DcBxy9YxmdzltkM1Z57SVDoZJY1VWNY9mzEVWr6DV7tl3X1E/cTWgdp1bo4blSVTbXktJF2UFW5qujmj6qkUqJ123VVRybqm69F7inV+4YtaLVVrAzEluLPCejqonsX63I5PpRAOnxYah2vUjV+pvdillmtNNSx0dJJIit7RrOZVcjV6tRXOdsnq6qSz5N+yTzZnk2SbKkFNb46NOnwnySc32JF9phmC8Jmqt9rYvdqipcaolcnaTVdQyR/L48scauVV9i8qe0vPpHp9YdNMMpsZsETuyjVZJ55OslRKu3M9y+tdk6eCIiJ3Aa3+Jz74HNvnaX+wtP5N37meSfPSfkGEd628NWq2Vas5NkdntdBLQXCvkngdJXMY5Wr3bovcTtwZ6a5XplhF7tWWUsFNVVVxSoiSKdsqKzsmt72+1FAqbxx/fKZH+80f9WjJY8mjKnnOdRfG5KFyfXOfvii4fNSM61kueUYxb6Oqt1ZBTojpatkSo5kTWKmyrv8AF339p7PCFpDqnpZqLVVeQ2ejZZrlROgqJIq6N7o3tXnY7lRd16oren67fwAtqAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA6OQVy2uw3C5tjSRaSlknRirsjuRqu23+gpevG9fkX9QNs/nCT+6Bd4FJIeN699oiy4Bb1j+Ny3B+/4hKGkPFnhOaXemsd8t9RjNxqnIyB00iS00j1XZG9omytVfDmaie3fbcLFgbkW8Suqy6Q4NTX+G2xXKrqq5lLFTSSKxF3a5znboi9yN+0CUgUiXjfvv8A4Atv84P/ALhajRDOW6j6Y2jL/No6SWta9JqdkivSKRj3MVu6on63f6QM1B4mc5VY8KxauybIqxKS3UTOaV+26qqrs1rU8XKqoiJ4qpS3OeNHMay4zR4dYLXbbejto31zXTzuRPFdnI1u/q2Xb1qBe0FCMU4zs+oa1FyKyWa7Ui/CbAx9PInyO3cn1oXJ0m1Cx3UvEIckxyd7oHOWOaGVOWWnlTbdj09fVF3TdFRUVAMuAMa1SyObD9PL9lNPSx1ctqoZKpsL3K1sisTflVU7gMlBSL8+/fVT9QFt/nB/9wkzhu4lqrVTPpsVuONUlpd5lJUwSw1TpFe5jm7sVFanxVVd/wBiBZA5QxjVTK24Rp1fMsdAyoW2Uj52QudypI9OjW7+G7lRPpKkpxv31f8A4f23+cH/ANwC7oK6cNHEVctXM4rMcrMYpLUynt76xJYap0iqrXsby7Kifr9/oJb1b1HxnTHFJcgyWrVjN+Smp49lmqZNujGN3TdfWq7IidVUDMAUKyvjQz+tqpExyxWS00u/odsx9RLt7Xbtb/RPxivGhqBRVcf5orFZLtTb+n2LH08u3sdu5v8ARAvwDCtHdSsb1RxNl/x6dyK1ezq6SXZJqaTb4L0RfHvRU6Kn07dHXXVjHtJsWZdrzz1NVVOdHQUMS+nUPRN16/FanTd3huneqogEhg1+33jL1Oqq57rRbcft1Kjl7ONad8z9vDmcr9lX5EQybTbjTvUdzhpc/wAfop6GR6NkrLa10ckLenpLG5VR/wAiK36e4C7gOjYbtbr7ZaO82mqjq6CthbPTzMX0Xscm6KV84g+Kay4DeZ8ZxWgiv17p1VtVK+XlpqV/6xVTq9yeKJsid2++6IFkQa83cYurq1PathxtI9+kXmL+X6+03+0lrRbjCob7eYLJqDaKazy1L2xw3Cjc5afnVdkSRrlVWJ+y3cnXrsnUC2RwGu3TcjLiT1TXSPAIsjit0dxqp66Okhp5JFY1yua5yqqoi9yMX7AJO6ApD+ffvv8Au/tv84P/ALhabQrPWamaY2vL/NoqSaq7RlRTRvV6QyMe5qt3VPUiL9IGcA83KL7asZx6uv8Ae6xlHbqGFZqiZ/c1qezxVe5ETqqqiIUt1F40MlmuUsOC2G30VvRdo6i4sdLO/wBvKjka35PS+UC8gKCY3xnaj0Vcj75ZrDdKRfhMiifBInyORyp9aKXB0V1Qx7VXEm36wufE+NyRVlJLsktNLsi8q7d6L3o5Oip7d0QM6AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAeNnf6h79821H5JxqCU2+Z3+oe/fNtR+ScahALSY1wpMyfRG25rZMoqG3ittnnraGeBvYvdyqvZo9FRW77d6ov9pVpU6IbTuGH733CPmqL+01e3v9Oq/wDhMn4ygbPuF7J6vLtCcYvVxmdNW+bLTVEr1VXSOhe6LmVV71VGIqr61K4eUlyDtchxPGGr/m1LNXyJ++ORjfyT/rJf4C5ZJeHega+TmRlfVNYn61Offb61VfpKkcZt+93uIbIlau8VuWO3x/8A02Jzf01eBGFXZaqDGKDIHt/xWtqp6WNenwomxOd+VT/87rweToyBK7TC+WCRyLJa7n2rU9UczEVP6THkG5/ij6Hgs0/vqInaLeqqWT9zPzon2QMPa8nbkPufqzdrDIu0d3tiuanrkhcjk/oukAkHykl5q4MZxGwxyObS11VUVMzU+M6JrEbv8naqV54UsBsOpGr9NjuSSvbbm0stU+GOXs31Cs22jRe/x3Xbrytdtt3pbTjx0+r8v0xpb7Z4H1Ndj0r53wxs5nvp3oiSqnj05WuX2NUoFj94uuPXylvNlrZqC5UcqSQTxLs6Nyf/AJsqL0VN0UCdeNPSDHNL7/YqnE45qa13WGVFppZ1k7KWJW7qjnbu2VHt71Xrv4bImV+TfvNXHnmSY/zvWjqbY2rVqr6KPjla1FT2qkqmaaHcVWO5L5vYdVaSht1wRdobq9iLSyr+2Iqe9O9vwf3Jaigpbexraigp6RjZGIrZIGNRHtXqioqd6AdvwI+4k/uBZx8y1H4ikhEe8Sn3A84+Zaj8RQNV0Mb5Xtjjar3uVEa1E3VV9RJfCxe1x3iBxCsV6MbNcG0Um/qnRYl/HMGw9EXLrOi9y18CL8naIe9qVb5cJ1lv1FRe9vtF6lWn9jWyq5n2bAXb4/L8lp0M9ymv5XXe5QwKnrY3eR32sb9Zr1SN/YpKjV7Pm5eb27dxarygmWMvn5grfTOTsZra67KiL4T8qM+yN31kI5DYEtuhOJXl7dpbxebi9q+uOJkEaf0ucCWfJ09Nabx8wy/l4TqeUGySoumtcePrK5aSzUETWx7rsksqdo53yq1Y0+g7fk6Pu0Xj5hl/LwmBcY00k3Ell/aO5uSaBjfYiU8eyAdzhO0dodXMuuNNeq+qpLTa6Zss6Uqoksrnu2Y1HKio1OjlVdl7tvHdPvxcaM23SLILQlirqyqtN1hkdE2rVrpInxq1HNVzURFTZzVToniS15ND4ed/JQf+oO95S39JcI/hNZ+LCBFPAbktVZddaezxyL5te6OWmmZ4czG9qx3ypyKn8ZT6cfl6qbhrs60yyL5vabdBBC3fpu9O1c75V50T+KhhXCfNJDxEYasfe6vVi/uXRvRfsVSYfKG4BXUuW2/UKippJLfWUzaSteyPdIZmKqMVyp4OaqIm/izbxQDx+CfR3BtSabIrnl8ctetBJFBBRx1LokbzoqrI7kVHL3bJ126O7/CJ+IjBaXTrV29YrQSyS0MDmS0rpHIr+ykYj2oqoidU32+jc8jTDUHKdOMjZfcVuC00+3JNE9OaGoZuiqyRvinT2KngqF79C+IDAtUZIbbdqGjs+TP5WNpalGvbUrt/opFTr1+KuzvVv3gYLwoZzW2jhEy25Tyv3xp1YlEq9dt4UkY1P/qP+0pHUSy1E8tRM9z5ZXK97nLuqqq7qqqvebN+LCOKg4cMydQwx0/NSsa5GMRqKiysRe72KprG6bAXK0p4RscyHSi3Xm+X67QXy7UTKuDzZ0fYUyPTmYitVqq/oqKvVO/ZNttyoN8t89nvlda6j0amhqZKeXZe57HK1ftQ21acwxU+n+OQQMRkUVppWMangiRNREIoynhU0tyTJbnkFx93UrLlVSVU6RVrWs55HK53KnJ0TdV6Ae5wk5TU5boJjtdWzrNWUsb6GdyruqrE5Wt39vIjF+nfxIG8pLf+a5YnjLf9HDNXyJ+6ckbPxZC02lGn9g00xVMaxrzvzHzh9R/jMqSP53bb9UROnRDX/wAad+S+8Q9+a1d4rY2K3x+zkYiu/pueBFVRZaqHFqPInNXzWqrZqSNenw4mROd4790rfAuv5OLIfPMAyHGnLu63XFtSxPUyZm340a/WQrmOKywcEWH33lRF/NDPM9P2MqPYi/8A8LD1PJ55B7m6x11lcvvV2tciIn7ZEqPT+j2gEweUYvVZQ6WWWy08isgudz3qdl+G2JiuRq+zmVq/xUKocN+F2XP9YbLi+Q1T4LdUrI6VGScj5eSNz0javgrlRE6ddt9i7nGxgFZnWjkk9op31NzstQlfDDGzmfKxGq2RjUTqq8q823jy7d+xrntlfXWi609wt9RNS1tJK2WGViq18b2ruiovgqKgFiuNTRXFtMo7DeMQhqKWgr3SU89NLOsqMkaiOa5qu3d1RXb7qvcmxz5PC8VVHrNXWdsqrS3G1SOkYirtzxuarXfQivT6TPdD+LG2XZtJj+rVJTRTIu0V4bEixPX9tZsvIv7Jvo+tGoW1tMFmkiiuNqhoXRzRo6KopmtVsjF6orXN70Xp3Ad8AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAB42d/qHv3zbUfknGoM2+Z3+oe/fNtR+Scagu9QNp3DD977hHzVF/aavb3+ndf/CZPxlLzaca/ab4Pw52CiqL+yqvlFZ0iS3UzXLKs6IuzF6bN67bqq7IUQklfK98j1VznKrlVfFVA2GcC1VDQ8NkdbUP5IYK2slkd6mtXdV+pFKBZTdZr9k10vVQu8tfWS1L1X1verv7S6eMzz4H5PWesnXsaqvoJ0jTblVfO51Yz+g9F+QpFbKGquVypbdQxLNVVUrYYY0XZXvcqI1PpVUAttqfm+l1y4QqDBLXldvmvltt9C5lMkciK6dnJ2uzuXbf0pPlIE4bsgXGddMQuqydnElyjp5nftc3vTvseqnrV/DjrRQ0k9VVYPUMhgY6SRyVtM7ZrU3Vdkk3X6O/wIqp5ZaapiqIJFZLE9Hsci9WuRd0X6wNwtZc7bRydnW19JTOVOjZpms3T6VKw69cMuLZzPPfdMa62W6+JvJUULJkWlqfk5d+yeq/xV9SdVIu47KmS/rp1m8bmupbxj6cip3c6KkjvyqHm8B+cY/iGp9ypsjuVNbKe7W/sYamokSOJsrXtcjXOXo3dObqviiJ4gQVlVhvGL5BWWG/0EtBcaOTs5oJU6tX8CoqdUVOioqKhcHyempdyuPulpxd62Wpio6bzy19q7dYo0cjXxIvfyormqieHUjvj5yjDMl1Bsq4xX0Vzq6SgdFX1dI5Hxu3fvGznTo5WpzL0325k6+Cfbydlsmn1ouVxTpFR2SXnX2vkjRE+xV+gDYAR7xKfcDzj5lqPxFJCI94lPuB5x8y1H4igatrNUPprtRzxI3tIp43t5u7dHIqE2cdFhWzcQVxq0T3u70cFcz+Ssbv6USkHUX+dwr+2N/ChcLykVj3bh2TRJ4T0Ei/Q2Rn/mAVy1eydMnrsXfz8zbbjVvoHexYmLzfa5SR+Jq2SY7ototYHR9m9loqa2RF70knWKRyfW9SEMTtUl+yi1WSNV7S4VkVM35XvRv9pabyj0EVPc8FpYmo2OGkqY2Ing1FiREAx/ydH3aLx8wy/l4SP+MBNuJHMt//ANTD/V4yQPJ1fdovO3+wZfy8J4nHpapqDiBrK2Ru0V0oaapjX2NZ2S/bGoEl+TQ+HnfyUH/nne8pb+kuEfwms/FhI44E9R8awXML7bcousVro7vTRdlUTqjYklicuyOd8XdHu6r06e1Dt8eepmM5ve8ds+LXSC6U1rimlmqad3NEskqsRGo7xVEZ123T0k8dwIx4VvvhsK+ck/FcbLcgnxa5UdVZL7NaqmmmasdRS1UjFa5PU5rjXrwNWie58RllqI27x26nqauZdu5vZOjT+lI08rjAoJ6DiNyxtQ3ZJ5454/a18TFQCV9c+FV8bKjJNJZmXShRVdLaGypJLGif6p/x/wBwvpepXFUk7amqU27SCeF/ta5jkX60VFQujwE6lYhZ9OLvi2QZBbrRW09xfWs89qGwtlhfHG3drnKiKqKxd0Tr1T1lauIy82DINbMpvGLujfaqms5oZI02bK5GNSSRPY56Pdv477gWRotRa/ULgTy516qPOLxaGsoamVfhTNSWJY5He1Wrsq+KtVSlngW54W8Zrbrwn6nshRUfckmip+nwnRQc32quxUflXYDb1p+v/sJYF/8AllN+SaQ3fOLTS2zXqutFbT5H51Q1MlNN2dExW87HK1dl7Tqm6KfLRrX/AE0pNELG+9ZTQUFfa7ZFTVVC5V7fniajPQZ3v5uVFTbfv67dTX9ktxdeMiuV2k3562rlqH+1XvVy/hA2paZalY5qFhM2X2PzuC2QyyxSOrI0Y5vZoiuVURV6bL6zVnmt4kyHMLzfpVVX3Kvnq1Vf2yRXf2lyNOZ3YHwB3O7Pcsc9xp6l8aL+uqJOwZ9mylJ6OlnrK2Ckp2LJPPI2ONid7nOXZE+tQLb55m+l1w4OKLAaPLKJ1/pLdRyspUjk384a9jpG78u2/WRO8r/w835uM62YleJHcsMdyjilcngyT3t32PU96r4cNa6aGSWbBKhrImq56pW0y7InevSTr9BE8MklNUMkY5WPjcjkVPBUXooG4ituFvoUa2urqWm59+VJpWs5vk3XqVv164cMO1FlqL3gVxttryZWrJLDHM11NVr4ue1u6sd1+GibL4oqruRjx01k+U4Rpdm8aNdS3C3yq5U+K+RsL/731GCcEmZWPC9akqchr4qGiuFvloUqJncsccjnse1XO7mp6G269OoEUZtit+wzI6jHslt8lBcaZU54n9UVF7nNVOjmr4Km6KWh8ntqTcm5BWaa3GpmqKGanfWW1JH7pTvYqc8bd+5rkVXbdyK1fWp5PlAsvwvJr3i8WN3K33S4UUM6VlRRyNla2NysWNivauyruj128N/aYvwD0E9ZxCUlXEnvdFb6maT5FZ2afa9ANjAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHCgeXl1PPW4peKSmjWSeehniiYne5zo3IifWprT/O7a0qnTALj0/bYf75tBAGsGLhy1pklbH+YKuYrvjPnhRE+nnJP0h4P8rr71TVuoktNabRG9Hy0cEyS1NQifE3b6LEXxXdV27k8S9xyBXvjMw/LMg0psuHaf43NXwtrWOlipla1IYYo1axvpKnTdU/klc9EdANUbfq5i1wyHEK632yjucNVUVD3xOa1sbufqiP36q1E+k2IHCgfKoijnifDKxHxyNVrmqnRUVNlQ1m3bhw1jhuNVHTYNWzQtme2NzJoVRzUVdl+H6jZwcAVqsejN1z3hasWEZtSzWTJLOsnmMsvK7sVRz+RHcu+7FY5EVPZ7CqeX8PermM1r6eow24XGNF9CotbPOo5E9acnpJ8jkRfYbQtjjb1AatsV0F1byOuSlo8HutN+ulr4vNY2J61WTb6k3Uvnw0aPUmkeHzUcs8Nbe697ZLhVxs2Rdk9GNu/Xkbuvf3qqr032SVeVfWfpABheulpuN+0dyyzWmlfV19ZapoaeBipzSPc1URE32QzQAavvzuutW36gLj/APdh/vlzOLDT++ZxoPTWmyWt9deqCopaiCnYrUeqo1Y5ERVVE6Ne5foJ1AFAuG7QXUm06143eMoxCqt1roKlamSomkjc1rmMcrOjXKu/OjSROOXTDPM8zLHrhiWOVN2p6W3vhmdFIxOR/aKuyo5yeCluNwBTjgj0r1BwXVO53bLMYq7VRzWeSnjllexUdIssTkb6Ll8Gr9RNnErotbdXsZijbMyhv1Ajlt9Y5PR9LbmjkROqsXZOvei9U8UWWzkDVxlmgmruP1q09Vg12quVdkmoIvOY3fIse/2oin5xXQTV3Ia5tPS4NdqZFXZZa+LzaNvyrJt9m6m0jZPWNkAhrhg0Sp9I7FUy1s8VbkNxa1K2pj/Q2NTqkUe/XlReqqvVy9eiIiJ4PFvoHNqlTUuQY5LTwZLQxdkrJfRjrId1VGq74rmqq8q9y7qi+CpYQAaqbvonqxaataas0+yFXp409G6ob/Kj5m/aZTpvw1ap5dcIm1dgmx23qqdpW3RnZ8rfZEvpuX2bInrVDZbscKiL3gY1plhlpwLBrbidniRKWih5XPVOs0i9XyO9rnKq/TsVH4jOFG+syCoyLTGkZX2+rkdLNaUkbHJTPVd17LmVEdH6m77p3Jundd4AaoptINUoqrzd+neUJJ7LZKrf5SJt9pKujPCnm+SXunqs2opMdsTX7zslennUyJ8VjE35d/1zttu9EU2D7e1R03Ar9xhYdk950gtOEad43PWRJWRI+Cle1jIKeFjka30lTdN+Tb9yVr0e4fNUKXVXF63IcMr6O1U11p56uZ8kStYxj0cu+z9/Dbp6zYsAPnMxssL43NRzXNVqovcqKa0L5w46wQXqvhpMGr6inZUSNhmZLDyyMRy8rk9PxTZTZmAK54DpNeMz4VKLTvUC3yWa70EkjaKWVGvfA5r1dFJ0XqnK7kVN+rUVOneVQzjh31axOqkhmxSqusKLs2qtaecxvT17N9NP4zUNnY2A1Y41oTq5f6tKeiwO8w/tlZB5tGn8aTlQvNws6JQ6R4/UzXGpgrsiuSN88niavZxMTqkLFXqqIu6q7puu3TohM3L7T9ImwAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIpybUS+2PiPxbAJoaBbDkFsmmZKsL+3bURpIqtR3Nyq3Zjfi/G7wJWB4eeXxuM4VfMhcjF9zbfPVoj12Ryxxq5EXqneqbd5F/CRq7eNWsUvNZkMFuguVurWxctExzGLE9iKxVRznLvuj07/ACbARXxD6hXvCIcSocagoJ7rkN9htzG1cbntbE7dHuRGuavMiqzx8Tu6vXzP7Tk2D02GWla62191SK+SJTLL5vTc0e7t0+B0V/X2ASOCN+JHOrxp1pFdcssUNHLX0kkDY21bHPjXnlYxd0a5q9zl8TLLVdamqwekvcrY/OZbYyqciIqN51iRyptv3bge4CLuGDUC96laUU+U5BBQw10lXNCraONzI+Vjtk6Oc5d/pOxphfNQrlqLndvyu1LSWKgrGMsM60qxpPEqv5l5vj9EZ19oEkgAAAAAAAAEX8Qmq7dM7DQxW22uvGTXmfza0W5qKqSybonM7bryoqtTZOqqqJ06qgSgCs75OL+mtqZG+TEahUTtXWJsTVk2/WbonVfkk+klLQDVOg1VwpbxHSOt1ypJlpblQvXdYJkTddt+qtXvTdN+9F6oBIwAAAwjXfKrlhGkmQ5VZ46aSvt1O2SFtQxXRqqyNb6SIqKvRV8UPU0vvdZkunGN5FcGwtrLna6ernbE1UYj5I2uVGoqqqJuvTqoGRgER0uo1+m4parTTsaH3FgsPn/adm7t+05mp8Lm5dvS/WgS4CNrxe9QotfrJYaK0ukwie1Plrq3zZVRlR77yt7TuT4MfT2kkp3AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAK98XaJZMk0tz7bZlnyVlNUP6bpFNsru/2RqWEId4yrK69cPWR9mnv1vbFXxr6likarl/kcwHy4zrvLbNAL1T0vWou0kFuh29ckic31ta5PpMQ0RtUGB8UWXYPBtDR3DHbfWU8frdCyON32ukU/Oql1dqBVaB2Rrld7t1sN8qU/Y08DZHfjPPS1gT8zvFfpZljf0K8x1Nkn/wDL/pTfYB9NU0/NFxdaZ43zc0NioKq9TNTryqu7Wb/xo2fWZbrbqTecGy/T2zW2joJ4MnvKUFW6oa9XxMV8Td2crkRHemveip0MU0s2yPi71LyRGo6Gx0NLZYXL8VV2c/b+NG/6zq8XH3TdEv8Ailv5SnA9rjm6cNeQfv8AR/1mMkXHfuSW75ii/IIR1xzfe2ZD+/0f9ZjJGx37klu+YovyCARXwEfe8UPzhVfjmUaQak3nMNUdR8WuNHQQ0eL10VPRyQNekkjXLIi9oquVFX3tO5E71MX4CPveaH5wqvxzo8Mqb6+66p/85p/x6gDuVOpGpGoupmQ4jpU+xWm043J2FwvFyjdO6WfdyKyNidNt2uTrv8HfdN0Q9PS3UXOKbWOv0l1IitFTcmW9LhbrnbGOjjqIuiKj2OVdnd/q+CqbL0U9POdRtL9KbnPbKe3wyZHc5O3ktdgt7X1tVI7udIjNuq+t67r4bkR4DfsiyXjapbtkOMVGNvlxt/mVFUPR03m268r5Nu5yrzbp4d3XbdQkbVTWLJ8W1to9PbFjMN8fcLIlVRQsVWSvq3SPa1HvV3KyJGsVzlVN9kXqYtnefa9aUw0eZ55Did2xqaqZDW0Vq7RktHz93K5+3N3bdebqnhvud3Jfv/sY/wCFJPw1B7/HH97Vkn77R/1qIDpVV+19zikfkenlNjeP4/KnaWuK9Mc6trYtukjkaitjR3ejV2XZeqmUcNOptbqdglRcLzQQ2++Wyufb7jTw78naMRF5moqqqIqL3br1RTM9Ofue43800v5FpCXBp+qXV7/i6f8AHkAsYVvuyJlHHnbKKoRJafFsdWpYzboyV/xl9vvzF+hCyBXPFVSHj8y1JNmLPi0XZ7/H2827v5K/UBYwj7TjS+3YPnOX5La7hM6LJ6hlTNRLG1I4ZEV6qrVTr1V7vrPE1Zu2vdFlTYNNMaxm52TzZjnTXGbllSbd3M3btW9Nkavd4r1PB0I1P1LyHVrI8B1Es9ht1XZreypc23I9V5nqzbdyyPRU5X+AHoaz6oZZRZ/atL9MbZQ1+VXCBampqK7m7C3weD3beK7KvXfb0eiq5EMfh1K1X01ziw2PV6KwXOx36p81gvVqjczzeZdtmvRdk26/rUXbdd3bbH40O/yrxcaw3ip9KoomU1FDv8WPbb/yWnp8dtHHPw+V9YvSagr6Wohcnej1kRn4HqBknFsqLw45kqLui0TPyrD2dEKmCi0Hw6rqpWxQQY5RySPcvRjW07VVV+REMV4i6qa4cJt+rah281TZqeZ6+tXOiVTzbpXS0PA1HPF0kTB4Wb/u6ZrP/wCwHhY1qDrnqzNcMi02p8bx/FIJ3Q0Ml3ie+Wu5F6r6O+3qXZGom+26qiqmN6J5NdMp40LpVX2y+494o8bkorhTI/nb28ckfM5i+LHboqexU7+9Zv4W6KGg4e8LhhT0X2xk6/upFV7vtcpG2P0UNH5QS/SQpstXi7ZpP3XvDfwMQCQMg1IvFu4k8e0yio6F9rudmkr5Z3tf27Xt7bZGqjuXb3pO9F71Ohr1q3c9Ncywq00llbdqXIH1MU0UTFdUuexI0iZF6SNRXPkRF5kUxjNPv98I/wCGJ/8A1RxxL/fDaG/OtR+NAB1c7yfiXw7HajP7tFhjrVR7S1djgR7pIYt+vvnxlRO9Ucqdd0RdiarVnFnr9LKfUOV7qe0vtXunIrk9KONI+dyfKmyp8qHncQyf+4nOfmGs/IuIMutZNR+TpiliXZXWiGFfkfVoxfsUD2sOzbiJ1It781xGgxOy4+9z1t1uufO6WrY3p1e31qnf6H1dT39C9a79qHqzkWIXTHaeyw2ihR8kDkctTFVNcyOWNzublc1Hq/ZUam6bEi6JUUFv0ew6lp02jZZKRURfWsTXL9qqQ9pNRx0XG/qhFF3PtMEy/unpTvd9rlAskAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHj5naG3/ELzYpERW3GgmpV3RP9IxW+PynsBURUVF7lApPwcVtVl2qeMw1sPKmD4xU0qqrt/fX1L2p8nvb9voJd42aVaXTyxZjC337Gsho65VTwZz8q/wBJWGf6aaUYnp/f8gvePtrUqr9N2tWk8yPa1eZ7tmJsmybvXvVfA93UDErRnGIXHFr42ZbfcI0ZN2L+R6bORyK1dl2VFai9wETcGbfdPFMrzmVPfMpyasrWdO6JHbNT6F5zzeLf7p2iX/FLfylOTTp1h9nwPDqDFbCk6W+hRyRLO/nevM9Xqqrsm67uXwOjn2neP5tfMZvF5dWpUY3XJXUKQSoxqyI5i+miovMm7G9OniBHvHN97bkH8Io/6xGSPjv3I7d8wxf1dD96nYRZdQ8Nq8UyB1U231bo3SLTSIyTdj0e3ZVRfFqeB7FHa6WlsMNli7TzaGlbStVV3dyIzlTr69gIQ4CPveKH5xqvxkOjwzq5NfddVYm7vdeBU+XmqCYNLMBsem2JR4xjrqt1BHM+Zq1UiPfzPXdeqInT6D54Vp3j+I5Xk+TWp1atdktQ2or0mlRzEe1XqnImycqbvd3qoEKcEdNQ3aLM8uvMbJ8zmv8APHXTSMTtYGbNVGdfgorufu9W3gfO33233jygcrKOVr0t2POoZnb9O1anM5E+Tn2+VFM6zPh0wjIcxqsrpLlkWOXGu3WuWz1qQNqVX4SuRWrsq+O22/f39TsN4ddMYa/Hrhb7bV22rsLmOgmpKjkdUK1/P78uy9pu7vVeu3Tu2RAxDJfv/sY/4Uk/DUHv8cX3tWSfvtH/AFqIz2t07x+r1UotSZnVnu5RUC0EKNlRIeyVXr1btuq+m7rudrU3CbNqFhdZid/dVNt9Y6N0i00iMkRWPa9uyqi+LU8APvpz9z3G/mml/ItIS4NP1Tavf8XT/jyFgbPQQWq0UdrpVesFHTsp4udd3crGo1N19eyGNad6d4/glbkFXY3VjpL/AHB1wrPOJUeiSuVVXl2RNk9JenUDMCtGuNU3TXiiwrU6sRY7FdqV9nuU/wAWJevKrv5THfJG4sueJm2KY/mmPz2DJrZFcbdP1fDJumzk7nNVNla5PBUVFQDs116s9BZX32sulFBa2Rds6sfO1IeTvR3PvtsVV4UMp/NnxRajZQ1sjYa+gWSm7RF37BJo2xd/7BrV+kzu3cJWmNLcGSz1uR19vZJ2jbZUV6ebIvyNajvtJOxzTbF8ezuvzG008tNXV1BFb3wRq1tOyGJGoxGMROmyManf4ARFgdRHhfGpmlluLkp4cwoIK23Od0SaRiJu1F9f6N/JOzxzXVtXp5acAtsiS3vJ7tT09NTN2Vz2Neiq7b1c/Zpv7flJL1c0pxDU2ipYskpZ21VEquo6+kl7Kop1Xbfld4p0RdlRU6b9/U8HTnQLCsNyhMpfVXrIr5GnLBXXur84kgTbb0OiIi7dN1RVTwVAOvxOUTbdwvZRb2OVWUlthhavrRr40OvTWafIOC+ktFKznqajC4khb+uelMitT60QkzP8VtmbYdcsVvLqhtBcY0jnWB6Nk2RyO6KqLt1angdrFrJRY3jFsx63dqtFbaWOlgWV3M/kY1Gt3XZN12TvAjPhAyGjv3D7jTaeoZJPboFoqmNq9YXRuVERflbyu+RyEbad5BSZFx95RUUE7J6WksT6Jkje5XRrAj/qfzp9BnuQcNOAXLJay+W+vyPHnXB6ur6S0XDsKeo5vhIreVVRF3XdEVE6r0Mnw3RrCMQzWnyrHaWooamntSWuOnZIiwpCiou6oqcyvVU3Vyr1VVVe8COsz+/3wj/hef8A9UccS/3w+hvzrUfjQEuXHTzH6/VS26kzurPdu20LqGBGyokPZu7Tfmbtuq++O67+oZnp3j+W5fjGU3V1YlfjU756BIZUbGrnK1V502Xm+AniniB0+Ib7hOc/MNZ+RcQ/a7DNkfk/4rdTx9pL7gOnYz1rDKsvT2+gWHy2xUOT4vdMcuay+ZXOlkpZ+ydyv5HtVq7L12XZTxLZbbFpbpZ5jSsrp7LYKCR6tVEmndExHPd0RE5l236AeJwzZNQ5PoZi1dS1ccrqS3RUVXsqIsc0LEY5HJ4dyL8ioviRHw95DS5Rxj6nXehqGVFKtAkEMzE9F7YpIY0VPWnodF8U2U9PGdF9JNSaCTNsNu+Q2ezXZzlrLdbq/wA3gkci+kyWLZeRd9/RRdkTbbbc6PDJbrE7iP1Hr8OgiZjdso6S00iwdYlVqNRyo743pQu69d999wLQgAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAChAAAAAAAAAAAAAHEjGvY5j2o5rk2VF7lQ5AEG3jhe01rLvWV1vqMisUNc9X1NFa7h2NM9V705FauzV6+ii7JvsiIhJunGCYvp7jjLDilrZQ0aO53rurpJnqiIr3vXq5eifIiIibImxkoAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAABxuByAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAODkAAAAAAAAAAAPDya5XS1qlVTUdI+3QU01RW1E86s7JGIiojURqq7f0t+7ZG/QeXhuVXG80FiuFxt9Bbortbm1iQ+fc00TnoxWM5VanNvzruqdyt226n01btl7vunN8sVgiikrrlSSUbVlm7JrGyNVrnK7Ze5qr026+zvMZyzBrxVXWvu9njo6WrisdLb7Qnc6FySvWb0kT0HcnI1j035eqgSQtwoNqhy1tMiUy8s+8qe9L6nepeqd/rPDwvKqe+4rTX6qdS0LKlj52sWoRUbB2jmxyK5dujmoi79E67GCVGC5fDV3CpoobQzt6uuqIofOHLGyRaaOGkkVvJ6XKjHbovxn83hsv5qdNr863S26B9tigW12W2I5JOVzoqWZzp2L738FWu/jd3o94EqV1zhi85gpFirLhBEkvmbJmpIqL0aq7r6KKqL1Xp0U61lyCluFtgrahiW/t5lhiZNUROV703Tla5jnNcu6O6Iqr0I/xuiye62WB/m9vfUUt+q23OWSRye6ETXzqzZ3J+hc7olRnVOVvLudSyabZG+y0tjv01CtE+mo5JOwlc5aSpiqHTTrEitTdZXORefptt3Lyt3CYwcNTlajU32RNupyAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAPEuGS0NNfW2GniqK66LClQ+np2oqwxKqoj5HOVGsRVRUTdd3bLsi7Lt7Zgllttdj+oWV3Wro6itpb9JTT09RTs7R0CRQpEsLk70TdvOipunvjt9tuoZNYb3HdZK6BaGsoamhmSGeKpYidVY16K1yKrXNVHJ1RfWnRUVD1N0323QieaDPMjqaBmR2+WitFQ64MkgovQl25mspXTL2i8qrHzv3T4LuXpzIh132vMKO93O6ttVfVx1dyrdqdKxd0poqdrYI+r+jJnxbqqdfgpt1UCTHXuBMqbj3YTLOtE6t7VFbyIxHtZsvXm3VVXbpt6K9TjH77Beai6xQ088KW6udROdKiIkj2sY5XN2X4Pp7fKikT41Z8yoKe3xS2mvRfNrLa6h6SR9t5tHG6Sodzc/jLJyO8dt1Q5teNZa7D6Wwy2R9HBdqW7T1EMdRyrS181R2kCyPRd0Y1iu2Vu/VqewCaKuop6Slmq6qeOCnhYskssjka1jUTdXKq9ERE67mNOzal9w2X+Oz3aWzv2c2rbCnpRquySpGqpIrNuu/Lvt1226nw1Dxa5ZJpLcsUZcEfcam3JTrUSeg2eRETfn2RdmvVFR2ydzlPzeLxkr4rNTWPH5YamWtijuDauLeKkp/wDSORzXtR6p8XlVUX1AZTdq6K22uruE6OdFSwumkRqpvytRVXvVE7k8VOLPWtuVpo7i2GWBtVAyZscuyPYjmo7Z2yqm6b7LspCt6tWoF9jqXXCx1jaiazzUVR74xWdpUVsbZGR+n8COnYvKvijlXv3MkqLLkdReMsqYqOrb2Fxpqy3ROqlYypSnpo3QxNVHLsx03Nz9E6dNl36Bn1Be6WtudRb4oK1k0G6qstJIyNyIu27XuRGuTf1L4Kemi7puhDNDT5vHeXXOaz3iSGdLZBcGukZ2k0Sxzvnc1vPs1e2liY5E22YxdiQMKt1fjODU1DXyzVtTSskcjGvdM9GK9zo4UcvV3IxWxoq9/LuB8bNmaXeOWeix27Phguclsmf7z6EscvZPd+idWNdv1Trsi9OmxlXor6lIcxjF8nt+h8c9Clzpcv7CqrH00k6py1lQsjn+jvyq5qyuVvgrmoemmI1c96sCtS8stKeeV9x7WqcxXSqyKOKLka7xTmd9DlVeZygSgnIidOVEOU79kVN08CBJsazqDC5bY+1XKonulq5p1jrfSZV1FSvO1yrJ07CJ+7dujl59+5DOqW3S1OctnnsN8t8asREqWVe8VQjHbok20vTbwbyd3c7bdoEhAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAbIAAAAAAAAAAOE7zkAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAONzkAAdK93SgstrqLpdKqOlo6aNZJZXrsjUT8K+pO9V6Ac111ttDWUNHWV0EFTXyrDSRPeiPnejVerWp3qqNaqr7EO4Q5kyXKXUPBb5dqy1Rsrb1vR0nKvnFPD5hVbJz8/KqKrvS2b8JzE36Ifi25hk1XSOu8d2SroYau7zVTKelY5sdFCkrId123STtGMVrd91ar9+bZFQJmBD2N33MEqaG25BfVt8sFrobnWy1MLGukV2/bxsajduRrY9nO+K6Xf9ah9I8lyepS22v3SSjqLm6u3uDuR8HPEjGRJS7MXtWvV/atavpcrHt36KBLu6DdCKLNkmUVOR2qmqq9VpKu/XCNm1OxO0oqWNYl36bpvPs5FRd9t13VNmpi9Dml9hwdIaO51MNbcKSK4MrJG9tJ2tZWLFGxqORURsSfDTw9FE23AnuqqIKWmkqamaOGCJqvkkkcjWsaneqqvRET1n4o6umrIu1paiGoj6Kj4pEenVN06p7FRfpIyZmtRV0dBXPnkc673Ke2LT9jvBQtjWZVV6cvN26th5eRy7czvg7JsuPYnlGUV+L0NHZOaC7Ojo7nBGtLFElc2oqnrK17UZtyRw7c7m7O5l337twnUHDd+VObv26nIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAADp3q40NotVTc7nVMpaOnjV80z12axqd6qoH1ZVUr6h1MyphdM34UaPRXN+VO9D7kNWauXT6trLTk9Ily9xqN1TZbvE1GzVNPNMyLzef9bN2jmJz/AAZPh9FRx34NRLy7KJrcrbRNSw1tayaePtPe4KWlidK/v68s8vJv47bbIvVAlZVPy1WSMR7Va9q9UVOqKRDVZ5kLqWC6zTW+B9BiC3uqpWtXspKmTmSNi9eZERI5PR37/HoinqT5u6hqqCzWSnoVZT3OK1SQtiVFe5tKlTKyFiKm3LHyo3fdFcu23TcCR6qF0tO+OKVYHq3ZsjWoqsX1oioqfWh5uJ2OlxjGKGw0k889NQwpEyWoVqyORPFytREVfWuybmC2fUG63G40zXpQ09FeIIkts7oXOjgnWCaeZsjudO0SNkbEXbk3c5U6bLtl+G3utuuAW++3ijSgq5qNJ6iLZUaiom6uRF6o1UTmRF6oipv1A9uOppZKTzqOohfT8qu7Vr0Vmyd6792xzST09XTsqKWeKeF3wHxuRzV67dFQiFe301qdpVdJjeTp0YvVKG7yN35fZFUO39iSernPYiy6G23O04rjsFtgo6e7e5EjXIqejFSrNO5jUVEajPe2cy77uftt3bhJew5W7dET2dO4j+TMrnbrTXXuuqLRcLPFIkdNPRo5j55HvbHHEjVc5P0RyIsm6JsqdO9U8ykz7Ia2+09poIbQ59Vfam3RSdnI9rIoKVr5JF2cnNyzKrN+iKiImyK7dAkOxWqitFPPBSbr21TJUzOcqKrpZF5nO2TZE3Ve5EQ9Eid2okVstt2qXRWttc+a61L5GMVrUp6F6Rc8nXd71Xs2NTdN0VO7bZeY9Q8ldK6nWjtaSR1tqoXP5X8rpp42y1TU9L4kblcnq2TfffoErg4OQAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHzqIop4XwTxMlie1WvY9qOa5F70VF70PoAPNWxWZaWekW00K09Q3lmiWnarJG+pybbKnsU4bj9kb2/LaLeiVDZGzbU7ffEk27Tm6debZObfv2Tc9MAeZNj9imSVJ7Nb5e1p20snPTMXnhau7Y13TqxF7m9x07/jNLX/4xRR0lFXpURz+deasc9VanIqb9HIqx7s5mqjkReioe+AMXxnDLdaratuqGsrqKOqSppKWdnaRUbkTui5+ZzURd1TqvLuqN2ToZBcKKjuVDNQ3ClhqqWZqslhmYj2PaveiovRU9h2AB1n0FE+iZQyUkD6VnJyQuYisbyqit2Tu6KiKnq2Q6tTj9iqZ3z1Flt0sr3q90j6Ziuc5Wciqq7b7qz0d/wBb07j0wB5bsdsL1rlfZLa73Q61u9KxfOf3zp6f07n2prPa6WdZ6W20cEqvkk544WtdzSKiyO3RO9ytbuvjsm/cd4AeTJjWPyU3m0ljtj4dpU7NaVnLtL+idNvj/G9fjufdtmtKPa/3No1c2dKlqrC30ZkbyJInTo5G+jzd+3Q74AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAApwByAcL3gcgAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA4Q5B5GYZBbsVxe5ZHdpeyobdTPqJneKo1N9k9aquyIniqoB6zXNcrka5FVq7KiL3KclK+D/W+vvGtd/teSVTuzy2odV0zXO9GGpanSNPUixojU/e2p4l1AAAAAAAAdDIaispLFcKq3wsnq4aWWSCJ6qjXyNYqtau3XZVRE6AfS53GhtdG+tuVbTUVKz4c1RK2Njflc5URDG7PqfpxeblDbbVneNVtbO7lhgguUT5JHeprUduq+xCIdG9PLVq7jds1Q1Mu02XVdxY59PbXqsdvt6I9zVjZE1fSVFaqbuVd/FFXqZTr1pbiFTo1kbLHidloLlQ0EtXQT0lFHDLFJEnaJyvaiKm/Lt3+IEt19fQ2+nWorqympYUTdZJ5Wsan0quxHuS68aRY9ztuGd2iSRnfHRyLVO+qJHGt/VSvrK/MqurqKytqI6tsdXEtRK5+zZo2yIicyr0Tm2RPYYr0A2/YZkdqy7F7fklkmdNbrhF2sD3N5VVu6p1TwXdF6HrkA8BV691OH+koXScz7TX1FJt6kVySp+UJQ1E1FxTA6Vj77cU88nVG0lupm9rWVb16I2OJvpOVV6b9E9aoBkd3uNFaLbUXK41MdNSU7eeSR67Iif2qq7IiJ1VVREPvTSpNBHNyPj52o7le3Zzd07lTwUjvErPkmX3OmyvPaVtup6aRJrNjzX87aVyb8tRUuTpJP16N+DH3pu70kkcAnechAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA4VDkACnflC9SUioqHTS2T++Tq2tuuy9zE/Qo1+VfTX5G+stfmGQW7FcWuWR3aXs6G3Uz6iZ3iqNTfZPaq7IieKqhqb1Byi45rml2ym6v3q7jUumc3foxqr6LE9jW7InsQDzLRcKy03WkulvndBV0c7J4JG97HtVFaqfIqIbXdHs0pNQNOLNldI5u9bTtWdjf8ARTN9GRn0PR30bGpgtZ5PjUn3Jymt06uU+1Jdv8Zt+69G1LU9Jn8Zib/Kz2gXqAAAAADh6ta1VcqI1E3Xc5PLyu90GN4zc8guivShttLJVVHI3mdyMarl2TxXZO4CANB9RMJ02wnLLBlOS223U1gyiupqNqy875oHO7RixsaiufvzO+CinbunFTp9U0cyUmOZbcrZI10T6uKijZE7dNnInaSNXuX1EcR66xZ1V1tVY+G6mye00jv8Yl83bPM3vVFXaFyJ69upLN8s3DXbJqeLKrNgNluVRTRVLqSqZFDIxr27pu3ZPb4J3AUEziooK2lsU9DUdt2VCtLJzdH+9zSIxVTw3jWP6jy7DYb3fqrzWyWi4XOo8I6SnfK76mopsmZbeHTHrPQXvzHTujttWrko6ySCmVsq/GRsi9/t6mTw6h6XWq3yzw5XjNDRU87aV72VUUcbJVZzIzdFRN+VFXb2AVj4dtJuIOy2CutVNcqTBbXdJ2TVFRPG2at9FFb72xN+TdF6q5Wr0TZSx2mOj2KYNVvvETaq9ZHP1qr1dZPOKqRV79nL8BP3O3Tv3Prc9V8TqcHyDIMPvtmyKps9vkrXUsFcxPgtVyI9fiIqptuqdDFNI+IHHsjxF95zeux/Eql9bJT0tNJdo5O2Yxkaq9HdPF+23s9oE1nJisuo+Bw3qqss+X2SK5UjHvqKV9axJImsYr3q5u+6I1qK5VXuRDr2DVPTe/XWO1WbOMfrq6V3LHBDXMV8i+pqb+l9AGZAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAp55Q7Ud0FFQaZW+bZ1Ry11z2/WIvvUf0uRXr8jSlf0ls+J3XHN8Q1vyDHrVFYH0dIsHZLVWqKaTZ0Ebl3e5N16uUjX88xqT/qMX/mOD/oBC+6HdsF0rrHfKG9W2dYK2hnZUU8jV6se1UVq/WhLf55jUj/AFGLfzHB/wBB+eX1I/1GLfzHB/0A2DaWZhQZ7gFnyu2vRYq+nR72Iv6FKnSSNfa1yOT6DKCFuDrNL1nekkt6vraFtUy6TQNSkpWwMRjWRqnot6b7uXqTSAAAAxnVWWCDTXJJaqzPvdO22TrLbmKqOq2ci7xIqIqork6IqJvuvQyYAauLxaYJMio/8FmNah2+6Pkd2lLUIrnxP+K2J8bUd06/CQzPWFmoNy1AS05pi8jbk2xw0/bU1gjuFTXSx0vwu0d63827419H1KrTYnt1G3qA1hyYtly6CwW5cavyytyeWVIFoZt0a6li9Ll5fHbvJJ1iwufTnRPCExXF31vusxlfeqivolq1gq+wZs3s3tVjN+eROrfi+vqXz29ZjmfZKmK2ttxdb3VsTOeSoY2VsbmRMYrnubzdHOTZNm7pvv3ga+sExnKaHNsrdRWG/tt9fjV0Y2Sayea9s19G9zG9kxFazmfy7NavqO3/AIMr/cOFSO5tx65JerVlc3+LrRydq+mmggauzeXdU52t+0tXnWbZVeMZx++2D3Rs7qmjrK1kMM0USP7OON0ayrUxt3Z6aqrURN9ujtup3avKa+4Ypf8ANIM6ShntlTJ5nbkijSBrUaiwwzRuTtHPnTZyeki++s5PaFWtMrBn7se1P1MuWL1dTeXWxKOGCtoZN5vOHtbUOaxeq8sLXfyiPI7Hllyrcbvlsx28vmje3tX0mPJTQQSMm6cjok2k6cqq5URUXp4F48nyu8U9rt90kvtRHTUVTcJbrHQzQJVxMZWKyKR0UrV7SGNE5Xtbs/q3bddkX7RZBeX43Bm6ZZUvuctwjplsCJElNzun7JaPk5O17VE39Pm3Vyb7cnogTIhycd5yAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY5eMEwm8XGW43bDsduFbNt2tRVW2GWV+yIibuc1VXZERPoOp/gw02/3f4r/NEH90y4AYl/gx03/wB32J/zPT/3B/gx03/3fYn/ADPT/wBwy0AefYLHZcfonUNitFBaqVz1kWCjp2Qxq5dt3crURN12Tr7D0AAAAAAAAAAB1LhbqC4dj5/Q01X2EiSxdtE1/ZvRFRHN3TovVep2wB4MuHYlLR0tFJjFlfTUkjpaaF9DG5kL3d7mNVNmqvrQ7U+O2Gou8F4qbLbZrlAiJFVvpWLMzbu2eqbptv6z1AB4D8Kw59a6tfitkdUuqvPHTLQx86z/AOtVdt1f+y7ztpjthS9rfG2W3Nuq9FrUpmduvTb4e3N3dO/uPUAABAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAf//Z</binary>
</FictionBook>