<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><FictionBook xmlns="http://www.gribuser.ru/xml/fictionbook/2.0" xmlns:l="http://www.w3.org/1999/xlink"><description><title-info><genre>antique</genre><author><first-name>E.</first-name><middle-name>L.</middle-name><last-name>James</last-name></author><book-title>Cinquenta tons de cinza</book-title><coverpage><image l:href="#cover"/></coverpage><lang>pt</lang></title-info><document-info><author><first-name>E.</first-name><middle-name>L.</middle-name><last-name>James</last-name></author><program-used>calibre 0.9.28, fb2cut 2.5.4, fb2cut 2.6.2</program-used><date>29.4.2013</date><id>7c268bc8-0445-4059-b80a-d645eae301c1</id><version>1.0</version></document-info></description><body><section><p><image l:href="#2"/></p></section><section><p>Copyright � Fifty Shades Ltd 2011</p><empty-line/><p>
  A autora publicou, inicialmente na internet e sob o pseud�nimo</p><empty-line/><p>
  Snowqueen�s Icedragon, uma vers�o em cap�tulos desta hist�ria,</p><empty-line/><p>
  com personagens diferentes e sob o t�tulo <emphasis>Master of the Universe</emphasis>.</p><empty-line/><p>T�TULO ORIGINAL</p><empty-line/><p>
  Fifty Shades of Grey</p><p>CAPA</p><empty-line/><p>
  Jennifer McGuire</p><p>IMAGEM DE CAPA</p><empty-line/><p>
  � Papuga2006 / Dreamstime.com</p><p>PREPARA��O</p><empty-line/><p>
  Cristhiane Ruiz</p><p>REVIS�O</p><empty-line/><p>
  Milena Vargas</p><p>REVIS�O DE EPUB</p><empty-line/><p>
  Juliana Latini</p><empty-line/><p>
  Cristiane Pacanowski</p><p>GERA��O DE EPUB</p><empty-line/><p>
  Intr�nseca</p><p>E-ISBN</p><empty-line/><p>
  978-85-8057-219-3</p><p>Edi��o digital: 2012</p><p><emphasis>Todos os direitos reservados �</emphasis></p><p>EDITORA INTR�NSECA LTDA.</p><empty-line/><p>
  Rua Marqu�s de S�o Vicente, 99, 3� andar</p><empty-line/><p>
  22451-050 � G�vea</p><empty-line/><p>
  Rio de Janeiro � RJ</p><empty-line/><p>
  Tel./Fax: (21) 3206-7400</p><empty-line/><p>
  www.intrinseca.com.br</p></section><section><p><image l:href="#3"/></p><empty-line/><p><strong>�</strong><image l:href="#0"/></p><empty-line/><p><strong>�</strong><image l:href="#7"/></p><empty-line/><p>
        �</p><p><image l:href="#1"/></p><empty-line/><p><strong>�</strong></p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>AGRADECIMENTOS</strong></p><empty-line/><p><strong/></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Por toda a ajuda e o apoio, sou grata �s seguintes pessoas:</p><p>A meu marido, Niall. Obrigada por tolerar minha obsess�o, por ser um deus dom�stico e por fazer a primeira revis�o do livro.</p><p>A minha chefe, Lisa. Obrigada por me aturar no �ltimo ano, enquanto eu me entregava a esta loucura.</p><p>A CCL. Nunca vou contar, mas obrigada.</p><p>�s bunker babes originais. Obrigada pela amizade e pelo apoio permanente.</p><p>A SR. Obrigada por todos os conselhos pr�ticos desde o in�cio.</p><p>A Sue Malone. Obrigada pela ajuda.</p><p>A Amanda e a todas as TWCS. Obrigada pela aposta.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO UM</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Encaro a mim mesma no espelho, frustrada. Maldito cabelo, que simplesmente n�o me obedece, e maldita Katherine Kavanagh que resolveu ficar doente e me submeter a essa tortura. Eu deveria estar estudando para as provas finais, que s�o daqui a uma semana, mas estou tentando amansar meu cabelo com a escova. <emphasis>N�o devo dormir com ele molhado. N�o devo dormir com ele molhado.</emphasis> Recitando v�rias vezes esse mantra, tento, mais uma vez, escov�-lo at� dom�-lo. Reviro os olhos, exasperada, e fito a garota p�lida de cabelo castanho e olhos azuis grandes demais para o rosto que me devolve o olhar, e desisto. Minha �nica op��o � prender o cabelo rebelde num rabo de cavalo e torcer que eu esteja mais ou menos apresent�vel.</p><p>Kate � a garota com quem divido a casa, e ela escolheu logo hoje para ser vencida pela gripe. Portanto, n�o pode fazer a entrevista que conseguiu, com um megamagnata industrial de quem nunca ouvi falar, para o jornal da faculdade. Ent�o ela me convocou como volunt�ria. Preciso meter a cara para as provas finais, tenho um ensaio para terminar e devia trabalhar hoje � tarde, mas n�o: vou dirigir duzentos e setenta quil�metros at� o centro de Seattle para encontrar o enigm�tico CEO da Grey Enterprises Holdings, Inc. Como empres�rio excepcional e principal benem�rito de nossa universidade, seu tempo � extraordinariamente precioso � muito mais precioso que o meu �, mas ele concordou em falar com Kate. Uma grande conquista, diz ela. Malditas atividades extracurriculares de Kate.</p><p>Ela est� encolhida no sof� da sala.</p><p>� Ana, me desculpe. Levei nove meses para conseguir essa entrevista. Vou levar mais seis para remarcar, e a essa altura n�s duas j� estaremos formadas. Como editora, n�o posso cancelar tudo. Por favor � Kate implora, com a voz rouca por causa da dor de garganta.</p><p>Como ela faz isso? Mesmo doente, est� graciosa e muito bonita, o cabelo louro-avermelhado no lugar e os olhos verdes luminosos, apesar de um pouco congestionados e lacrimejantes. Ignoro meu sentimento inoportuno de solidariedade.</p><p>� Claro que vou, Kate. E voc� deve voltar para a cama. Quer um rem�dio para gripe? Ou um Tylenol?</p><p>� Um rem�dio para gripe, por favor. Aqui est�o as perguntas e o meu gravador. Basta apertar esse bot�o. Tome notas, eu transcreverei tudo.</p><p>� N�o sei nada sobre ele � murmuro, tentando em v�o conter meu p�nico crescente.</p><p>� As perguntas v�o ajud�-la. V�. A viagem � longa. N�o quero que se atrase.</p><p>� Tudo bem. Estou indo. Volte para a cama. Fiz uma sopa para voc� esquentar mais tarde. � Olho para ela com carinho. <emphasis>S� por voc�, Kate, eu faria isso.</emphasis></p><p>� Vou esquentar. Boa sorte. E obrigada, Ana. Como sempre voc� est� salvando a minha vida.</p><p>Pego minha mochila, lan�o-lhe um sorriso ir�nico e depois saio para pegar o carro. N�o posso acreditar que Kate me convenceu a fazer isso. Mas Kate consegue convencer qualquer um a fazer qualquer coisa. Ela vai ser uma jornalista excepcional. � articulada, forte, persuasiva, sabe argumentar bem, � bonita � e � minha melhor e mais querida amiga.</p><p>* * *</p><p>AS RUAS EST�O VAZIAS quando saio de Vancouver, Washington, em dire��o � Rodovia Interestadual 5. � cedo, e n�o preciso estar em Seattle antes das duas da tarde. Felizmente, Kate me emprestou sua Mercedes esportiva CLK. N�o sei bem se com Wanda, meu fusca velho, eu chegaria a tempo. Ah, a Mercedes � gostosa de dirigir, e os quil�metros deslizam � medida que piso fundo no acelerador.</p><p>Meu destino � a sede da empresa global do Sr. Grey. Trata-se de um pr�dio comercial de vinte andares, todo de vidro e a�o, um desses projetos arquitet�nicos exc�ntricos, com o nome GREY HOUSE escrito discretamente em a�o em cima das portas de vidro da entrada. S�o quinze para as duas quando chego e, com grande al�vio por n�o estar atrasada, entro no sagu�o imenso � e, para ser sincera, intimidante �, todo de vidro, a�o e arenito.</p><p>Atr�s da mesa maci�a de arenito, uma jovem loura muito atraente e bem-arrumada sorri para mim com simpatia. Est� vestida com o mais elegante conjunto de terninho cinza e camisa branca que j� vi. Parece imaculada.</p><p>� Estou aqui para falar com o Sr. Grey. Anastasia Steele da parte de Katherine Kavanagh.</p><p>� Um momento, Srta. Steele.</p><p>Ela ergue a sobrancelha ligeiramente quando paro sem jeito � sua frente. Come�o a desejar ter pedido emprestado um dos blazers formais de Kate em vez de ter vindo com minha jaqueta azul-marinho. Fiz um esfor�o, e vesti minha �nica saia, minhas botas at� o joelho e um su�ter azul. Na minha opini�o, isso j� � elegante. Ponho uma das mechas rebeldes do meu cabelo para tr�s da orelha, fingindo que ela n�o me intimida.</p><p>� A Srta. Kavanagh est� sendo aguardada. Assine aqui, por favor, Srta. Steele. � o �ltimo elevador � direita, vig�simo andar. � Ela sorri gentilmente para mim, sem d�vida se divertindo, enquanto assino.</p><p>Ela me entrega um crach� com a palavra �visitante� estampada com firmeza na frente. N�o consigo conter um sorrisinho. Est� na cara que s� estou de visita. N�o me encaixo aqui de jeito nenhum. <emphasis>� sempre a mesma coisa,</emphasis> suspiro internamente. Agradecendo-lhe, vou at� os elevadores passando por dois seguran�as, ambos muito mais bem-vestidos que eu com seus ternos pretos bem-cortados.</p><p>O elevador me leva zunindo, em alta velocidade, para o vig�simo andar. As portas se abrem e estou em outro amplo sagu�o � novamente de vidro, a�o e arenito branco. Deparo com outra mesa de arenito e outra jovem loura, dessa vez impecavelmente vestida de preto e branco, que se levanta para me receber.</p><p>� Srta. Steele, poderia aguardar aqui, por favor? � diz, apontando para uma �rea de espera com cadeiras de couro brancas.</p><p>Atr�s das cadeiras brancas, h� uma ampla sala de reuni�es com paredes de vidro e uma mesa igualmente ampla de madeira escura que tem ao redor pelo menos vinte cadeiras iguais. Al�m da mesa, h� uma janela que vai do piso ao teto com vista para a cidade de Seattle. � uma paisagem incr�vel, e fico momentaneamente paralisada com a vis�o. <emphasis>Uau!</emphasis></p><p>Sento-me, pesco as perguntas na mochila e as leio, xingando Kate mentalmente por n�o ter me fornecido uma breve biografia. N�o sei nada sobre o homem que estou prestes a entrevistar. Ele poderia ter noventa anos ou trinta. A incerteza � mortificante, e fico de novo com os nervos � flor da pele, o que me deixa agitada. Nunca me senti � vontade com entrevistas cara a cara, prefiro o anonimato de uma discuss�o em grupo onde posso me sentar sem ser notada no fundo da sala. Para ser franca, gosto mesmo � de ficar sozinha, lendo um romance ingl�s cl�ssico, encolhida numa cadeira na biblioteca do campus. N�o toda contra�da de nervoso sentada num pr�dio colossal de vidro e pedra.</p><p>Reviro os olhos para mim mesma. <emphasis>Controle-se, Steele.</emphasis> A julgar pelo pr�dio, que � ass�ptico e moderno demais, acho que Grey est� na faixa dos quarenta anos: forte, bronzeado e com cabelo claro, para combinar com seus funcion�rios.</p><p>Outra loura elegante e bem-vestida sai de uma grande porta � direita. Qual � a de todas essas louras impec�veis? Parece a reuni�o das mulheres perfeitas. Respiro fundo e me levanto.</p><p>� Srta. Steele? � a �ltima loura me chama.</p><p>� Sim � grasno, e pigarreio. � Sim. � Pronto, esse soa mais seguro.</p><p>� O Sr. Grey j� vai receber a senhorita. Posso guardar sua jaqueta?</p><p>� Ah, por favor. � Tiro a jaqueta com dificuldade.</p><p>� J� lhe ofereceram algo para beber?</p><p>� Hum, n�o. � Ai meu Deus, ser� que a Loura N�mero Dois est� ferrada?</p><p>A Loura N�mero Tr�s fecha a cara e olha para a jovem � mesa.</p><p>� Gostaria de ch�, caf�, �gua? � pergunta, voltando novamente a aten��o para mim.</p><p>� Um copo d��gua. Obrigada � murmuro.</p><p>� Olivia, v� buscar um copo d��gua para a Srta. Steele, por favor.</p><p>Sua voz � severa. Olivia se levanta depressa e corre para uma porta do outro lado do sagu�o.</p><p>� Pe�o desculpas, Srta. Steele, Olivia � nossa nova estagi�ria. Sente-se, por favor. O Sr. Grey a atender� em cinco minutos.</p><p>Olivia volta com um copo de �gua com gelo.</p><p>� Aqui est�, Srta. Steele.</p><p>� Obrigada.</p><p>A Loura N�mero Tr�s marcha at� a grande mesa, o clique dos saltos no ch�o de arenito ecoando no ambiente. Ela se senta e ambas continuam seu trabalho.</p><p>Vai ver o Sr. Grey insiste em s� ter funcion�rias louras. Estou me perguntando se isso n�o � ilegal quando a porta do escrit�rio se abre e um negro alto, bem-vestido e atraente, com <emphasis>dreads</emphasis> curtos, sai l� de dentro. Definitivamente, escolhi a roupa errada.</p><p>Ele se volta para a porta e diz para o lado de dentro:</p><p>� Golfe esta semana, Grey?</p><p>N�o escuto a resposta. Ele se vira, me v� e sorri, os olhos escuros franzindo nos cantos. Olivia j� se levantou e chamou o elevador. Ela parece ser especialista em se levantar de um pulo. Est� mais nervosa que eu!</p><p>� Boa tarde, senhoras � diz ele ao entrar no elevador.</p><p>� O Sr. Grey vai receb�-la agora, Srta. Steele. Pode entrar � diz a Loura N�mero Tr�s.</p><p>Estou im�vel e bastante tr�mula, tentando controlar os nervos. Pego a mochila, abandono o copo d��gua e me encaminho para a porta entreaberta.</p><p>� N�o precisa bater, basta entrar. � Ela sorri com simpatia.</p><p>Empurro a porta, trope�o em meus pr�prios p�s e caio estatelada no escrit�rio.</p><p>Merda: eu e meus dois p�s esquerdos! Caio de quatro no v�o da porta da sala do Sr. Grey e m�os delicadas me envolvem, ajudando-me a levantar. Que vergonha, maldita falta de jeito! Tenho que me armar de coragem para erguer os olhos. Caramba... ele � muito jovem.</p><p>� Srta. Kavanagh. � Ele estende uma m�o de dedos longos quando j� estou de p�. � Sou Christian Grey. A senhorita est� bem? Gostaria de se sentar?</p><p>Muito jovem. E atraente, muito atraente. � alto, est� vestindo um belo terno cinza, camisa branca e gravata preta, tem o cabelo revolto acobreado e olhos cinzentos vivos que me olham com ast�cia. Custo um pouco a conseguir falar.</p><p>� Hum. Na verdade... � murmuro.</p><p>Se esse cara tiver mais de trinta anos, eu sou um mico de circo. Aturdida, coloco minha m�o na dele e nos cumprimentamos. Quando nossos dedos se tocam, sinto um arrepio excitante me percorrer. Retiro a m�o rapidamente, envergonhada. Deve ser eletricidade est�tica. Pisco depressa, no ritmo da minha pulsa��o.</p><p>� A Srta. Kavanagh est� indisposta, e me mandou no lugar dela. Espero que n�o se importe, Sr. Grey.</p><p>� E seu nome �?</p><p>A voz dele � quente, possivelmente est� achando divertido, mas � dif�cil dizer por sua express�o impass�vel. Ele parece um pouco interessado, mas acima de tudo educado.</p><p>� Anastasia Steele. Estudo Literatura Inglesa com Kate, hum, Katherine... hum... a Srta. Kavanagh, na WSU em Vancouver.</p><p>� Entendi � diz ele simplesmente.</p><p>Acho que vejo a sombra de um sorriso em sua express�o, mas n�o tenho certeza.</p><p>� Quer se sentar?</p><p>Ele me indica um sof� em L de couro branco.</p><p>A sala � grande demais para uma pessoa s�. Na frente dos janel�es que v�o do piso ao teto, h� uma enorme mesa moderna de madeira escura, ao redor da qual seis pessoas poderiam comer confortavelmente. Ela combina com a mesinha de apoio ao lado do sof�. Todo o resto � branco � teto, ch�o e paredes �, a n�o ser a parede ao lado da porta, onde h� um mosaico formado por pequenas pinturas, trinta e seis quadrinhos compondo um quadrado. S�o excepcionais: uma s�rie de objetos corriqueiros pintados com detalhes t�o precisos que parecem fotografias. Dispostos juntos, s�o de tirar o f�lego.</p><p>� Um artista local. Trouton � diz Grey ao cruzar com o meu olhar.</p><p>� S�o lindos. Tornam extraordin�rio um objeto comum � murmuro, distra�da com ele e com os quadros. Ele inclina a cabe�a e me olha com aten��o.</p><p>� Concordo plenamente, Srta. Steele � retruca em voz baixa e, por alguma raz�o inexplic�vel, me flagro corando.</p><p>� parte os quadros, o restante da sala � frio, limpo e ass�ptico. Pergunto-me se reflete a personalidade do Ad�nis que afunda graciosamente numa das poltronas brancas de couro � minha frente. Balan�o a cabe�a, perturbada com o rumo dos meus pensamentos, e retiro as perguntas de Kate da mochila. Em seguida, configuro o gravador digital canhestramente, deixando-o cair duas vezes na mesa de centro diante de mim. O Sr. Grey n�o diz nada, aguardando com paci�ncia � espero � enquanto fico cada vez mais sem jeito e nervosa. Quando arranjo coragem para olhar para ele, ele est� me observando, uma das m�os relaxadas no colo e a outra segurando o queixo, passando o esguio dedo m�dio nos l�bios. Acho que est� tentando conter um sorriso.</p><p>� Desculpe � gaguejo. � N�o estou acostumada com isso.</p><p>� N�o tenha pressa, Srta. Steele � diz ele.</p><p>� O senhor se incomoda se eu gravar a entrevista?</p><p>� Depois de todo esse esfor�o para configurar o gravador, � agora que me pergunta?</p><p>Enrubes�o. Ele est� me provocando? Acho que sim. Pisco para ele, sem saber bem o que dizer, e acho que ele fica com pena de mim, porque cede.</p><p>� N�o, n�o me importo.</p><p>� Kate, quer dizer, a Srta. Kavanagh, explicou-lhe para o que era a entrevista?</p><p>� Sim. Para sair na edi��o de formatura do jornal da faculdade, j� que eu vou entregar os diplomas na cerim�nia de gradua��o deste ano.</p><p><emphasis>Ah!</emphasis> Isso � novidade para mim, e fico temporariamente preocupada com a ideia de que uma pessoa n�o muito mais velha que eu � ok, talvez mais ou menos uns seis anos mais velha, e ok, muit�ssimo bem-sucedida, mas mesmo assim � vai entregar meu diploma. Franzo a testa, direcionando a minha aten��o rebelde para a tarefa em quest�o.</p><p>� �timo. � Engulo em seco. � Tenho algumas perguntas, Sr. Grey. � Coloco uma mecha de cabelo desgarrada atr�s da orelha.</p><p>� Achei que poderia ter � diz ele, inexpressivo.</p><p>Est� debochando de mim. Minhas bochechas ficam vermelhas e eu me empertigo na cadeira, esticando as costas para parecer mais alta e mais intimidadora. Apertando o bot�o do gravador, tento parecer profissional.</p><p>� O senhor � muito jovem para ter constru�do um imp�rio deste porte. A que deve seu sucesso?</p><p>Olho para ele. Seu sorriso � enternecedor, mas ele parece vagamente desapontado.</p><p>� Os neg�cios t�m a ver com pessoas, Srta. Steele, e sou muito bom em avaliar pessoas. Sei como elas funcionam, o que as faz florescer, o que n�o faz, o que as inspira e como incentiv�-las. Emprego uma equipe excepcional, e recompenso-a bem. � Ele faz uma pausa e me fita com aqueles olhos cinzentos. � Acredito que, para alcan�ar o sucesso em qualquer projeto, � preciso domin�-lo, entend�-lo por completo, conhecer cada detalhe. Trabalho muito para isso. Tomo decis�es com base na l�gica e nos fatos. Tenho um instinto natural capaz de detectar e promover uma boa ideia, e boas pessoas. No fim, o fator preponderante sempre se resume a pessoas competentes.</p><p>� Quem sabe o senhor simplesmente tenha sorte.</p><p>Isso n�o est� na lista de Kate, mas ele � muito arrogante. Uma express�o de surpresa brilha rapidamente em seus olhos.</p><p>� N�o acredito em sorte ou acaso, Srta. Steele. Quanto mais eu trabalho, mais sorte pare�o ter. A quest�o � realmente contar com as pessoas certas em sua equipe e saber direcionar a energia delas. Acho que foi Harvey Firestone que disse: �O crescimento e o desenvolvimento das pessoas � a maior ambi��o da lideran�a.�</p><p>� O senhor fala como um man�aco por controle. � As palavras saem de minha boca antes que eu possa impedi-las.</p><p>� Ah, eu controlo tudo, Srta. Steele � diz ele sem nenhum vest�gio de humor no sorriso.</p><p>Olho para ele, e ele sustenta meu olhar, impass�vel. Meu cora��o bate mais depressa, e meu rosto torna a corar.</p><p>Por que ele me deixa t�o nervosa? Ser� pela impressionante apar�ncia f�sica? Pelo olhar inflamado que dirige a mim? Pelo jeito de passar o dedo no l�bio inferior? Queria que ele parasse de fazer isso.</p><p>� Al�m do mais, � poss�vel conquistar um imenso poder quando nos convencemos, em nossos devaneios mais secretos, de que nascemos para controlar � prossegue ele, com a voz macia.</p><p>� Acha que possui um imenso poder? � <emphasis>Man�aco por controle.</emphasis></p><p>� Emprego mais de quarenta mil pessoas, Srta. Steele. Isso me d� certo senso de responsabilidade, ou poder, se quiser chamar assim. Se eu resolvesse n�o me interessar mais por telecomunica��es e vendesse minha empresa, em um m�s, mais ou menos, vinte mil pessoas teriam dificuldade para pagar suas hipotecas.</p><p>Meu queixo cai. Estou estarrecida com sua falta de humildade.</p><p>� O senhor n�o tem uma diretoria � qual precise responder? � pergunto, enojada.</p><p>� A empresa � minha. N�o tenho que responder a uma diretoria. � Ele ergue uma sobrancelha para mim.</p><p>� claro que eu saberia disso se tivesse feito alguma pesquisa. Mas, cacete, ele � muito arrogante. Mudo de enfoque.</p><p>� E tem algum interesse fora o trabalho?</p><p>� Tenho interesses variados, Srta. Steele. � A sombra de um sorriso toca seus l�bios. � Muito variados.</p><p>E, por alguma raz�o, fico confusa e excitada com seu olhar constante. Seus olhos est�o iluminados com algum pensamento perverso.</p><p>� Mas se trabalha tanto, o que faz para relaxar?</p><p>� Relaxar? � Ele sorri, revelando dentes brancos perfeitos. Prendo a respira��o. Ele � mesmo bonito. Ningu�m devia ser t�o atraente. � Bem, para �relaxar� como voc� diz, eu velejo, voo, me entrego a v�rias atividades f�sicas. � Ele se mexe na cadeira. � Sou um homem muito rico, Srta. Steele, e tenho hobbies caros e apaixonantes.</p><p>Dou uma r�pida olhada nas perguntas de Kate, desejando mudar de assunto.</p><p>� O senhor investe no setor manufatureiro. Por que, especificamente? � pergunto. Por que ele me deixa t�o desconfort�vel?</p><p>� Gosto de construir coisas. Gosto de saber como funcionam: o que faz com que funcionem, como constru�-las e desconstru�-las. E tenho adora��o por navios. O que mais posso dizer?</p><p>� Parece que � o seu cora��o falando e n�o a l�gica e os fatos.</p><p>Ele repuxa o canto da boca, e me avalia com o olhar.</p><p>� � poss�vel. Embora muitas pessoas digam que eu n�o tenho cora��o.</p><p>� Por que diriam isso?</p><p>� Porque me conhecem bem. � Ele d� um sorriso ir�nico.</p><p>� Seus amigos diriam que � f�cil conhec�-lo? � Arrependo-me da pergunta t�o logo a fa�o. N�o est� na lista de Kate.</p><p>� Sou uma pessoa muito fechada, Srta. Steele. Esfor�o-me muito para proteger minha privacidade. N�o dou muitas entrevistas...</p><p>� Por que aceitou dar esta?</p><p>� Porque sou benem�rito da universidade e, em termos pr�ticos, n�o consegui me livrar da Srta. Kavanagh. Ela n�o parou de importunar meu pessoal de rela��es p�blicas, e eu admiro esse tipo de tenacidade.</p><p>Eu sei qu�o tenaz Kate pode ser. Por isso estou sentada aqui me contorcendo embara�osamente sob o olhar penetrante deste homem, quando deveria estar estudando para as provas.</p><p>� O senhor tamb�m investe em tecnologias agr�colas. Por que se interessa por essa �rea?</p><p>� N�o podemos comer dinheiro, Srta. Steele, e h� muita gente neste planeta que n�o tem o que comer.</p><p>� Essa justificativa soa muito filantr�pica. � algo que o torna passional? Alimentar os pobres do mundo?</p><p>Ele d� de ombros, muito evasivo.</p><p>� � um neg�cio inteligente � murmura, embora eu ache que est� sendo pouco sincero.</p><p>N�o faz sentido. Alimentar os pobres do mundo? N�o vejo os benef�cios financeiros disso, s� a virtude do ideal. Dou uma olhada na pergunta seguinte, confusa com a atitude dele.</p><p>� O senhor tem uma filosofia? Caso tenha, qual �?</p><p>� N�o tenho uma filosofia propriamente dita. Talvez alguns princ�pios orientadores. Como diz Carnegie: �O <emphasis>homem que adquire a habilidade de tomar posse completa da pr�pria mente, pode tomar posse de qualquer coisa a que tenha direito.</emphasis>� Sou muito singular, ambicioso. Gosto de controlar, a mim e a quem me cerca.</p><p>� Ent�o gosta de possuir coisas? � <emphasis>Voc� � um man�aco por controle.</emphasis></p><p>� Quero merecer possu�-las, mas sim, em resumo, eu gosto.</p><p>� O senhor parece ser um consumidor voraz.</p><p>� Eu sou. � Ele sorri, mas o sorriso n�o alcan�a seus olhos.</p><p>De novo, isso n�o bate com algu�m que quer alimentar o mundo, ent�o n�o posso deixar de pensar que estamos falando de outra coisa, mas n�o fa�o a menor ideia do que seja. Engulo em seco. A temperatura da sala est� subindo, ou talvez seja s� a minha. Quero que a entrevista acabe. Com certeza Kate j� tem material suficiente. Olho a pergunta seguinte.</p><p>� O senhor foi adotado. At� que ponto acha que isso moldou sua maneira de ser? � Nossa, isso � muito pessoal. Olho para ele, torcendo para que n�o tenha se ofendido. Ele tem o olhar sombrio.</p><p>� N�o tenho como saber.</p><p>Meu interesse aumenta.</p><p>� Quantos anos tinha quando foi adotado?</p><p>� Isso � assunto de dom�nio p�blico, Srta. Steele. � Seu tom � severo.</p><p><emphasis>Droga.</emphasis> Sim, claro, se eu soubesse que iria fazer esta entrevista, teria pesquisado um pouco. Perturbada, prossigo depressa.</p><p>� O senhor teve que sacrificar a vida familiar por causa do trabalho.</p><p>� Isso n�o � uma pergunta � afirma ele, contido.</p><p>� Pe�o desculpas � digo, esquiva. Ele me faz parecer uma crian�a idiota. Tento de novo: � O senhor teve que sacrificar a vida familiar por causa do trabalho?</p><p>� Eu tenho fam�lia. Tenho um irm�o, uma irm� e pais amorosos. N�o tenho interesse em expandir minha fam�lia al�m desse ponto.</p><p>� O senhor � gay, Sr. Grey?</p><p>Ele respira fundo, e eu me encolho, mortificada. <emphasis>Droga.</emphasis> Por que n�o consigo filtrar de alguma forma o que leio? Como posso dizer a ele que estou apenas lendo as perguntas? Maldita Kate e sua curiosidade!</p><p>� N�o, Anastasia, n�o sou. � Ele ergue as sobrancelhas, um brilho frio nos olhos. N�o parece satisfeito.</p><p>� Pe�o desculpas. Est�... hum... escrito aqui.</p><p>� a primeira vez que ele diz meu nome. Minha pulsa��o se acelera, e minhas bochechas est�o esquentando de novo. Nervosa, prendo minha mecha de cabelo desgarrada atr�s da orelha.</p><p>Ele inclina a cabe�a.</p><p>� Essas perguntas n�o s�o suas?</p><p>O sangue se esvai do meu c�rebro.</p><p>� Hum... n�o. Kate... A Srta. Kavanagh. Ela compilou as perguntas.</p><p>� Voc�s s�o colegas no jornal dos alunos?</p><p><emphasis>Ah, n�o.</emphasis> N�o tenho nada a ver com o jornal dos alunos. Essa � uma atividade extracurricular de Kate, n�o minha. Meu rosto est� em brasa.</p><p>� N�o. Eu divido o apartamento com ela.</p><p>Ele esfrega o queixo com calma e delibera��o, os olhos cinzentos me avaliando.</p><p>� Voc� se ofereceu para fazer esta entrevista? � pergunta, a voz mortalmente calma.</p><p>Espere a�, quem deve entrevistar quem? Os olhos dele me queimam, e sou compelida a dizer a verdade.</p><p>� Fui convocada. Ela est� passando mal � falo com a voz fraca de quem se desculpa.</p><p>� Isso explica muita coisa.</p><p>Ouve-se uma batida na porta, e a Loura N�mero Tr�s entra.</p><p>� Sr. Grey, desculpe interromper, mas a pr�xima reuni�o � em dois minutos.</p><p>� Ainda n�o terminamos aqui, Andrea. Por favor, cancele a pr�xima reuni�o.</p><p>Andrea hesita, olhando-o boquiaberta. Parece perdida. Ele vira a cabe�a devagar para encar�-la e ergue as sobrancelhas. Ela fica toda cor-de-rosa. <emphasis>Que bom. N�o sou s� eu.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Est� bem, Sr. Grey � murmura ela, e sai.</p><p>Ele franze a testa e volta a aten��o para mim.</p><p>� Onde est�vamos, Srta. Steele?</p><p><emphasis>Ah, agora voltamos a �Srta. Steele�.</emphasis></p><p>� Por favor, n�o quero incomod�-lo.</p><p>� Quero saber sobre voc�. Acho que � muito justo. � Seus olhos est�o acesos de curiosidade.</p><p><emphasis>Merda. Aonde quer chegar com isso?</emphasis> Ele p�e os cotovelos nos bra�os da cadeira e ergue os dedos na frente da boca. Sua boca causa muita... distra��o. Engulo em seco.</p><p>� N�o h� muito que saber � digo.</p><p>� Quais s�o seus planos para depois que se formar?</p><p>Dou de ombros, desconcertada com o interesse dele. <emphasis>Vir para Seattle com Kate, encontrar um trabalho.</emphasis> N�o pensei muito al�m das provas finais.</p><p>� N�o fiz planos, Sr. Grey. S� preciso passar nas provas finais. � Para as quais eu deveria estar estudando agora, em vez de ficar sentada em sua sala palaciana, pomposa e ass�ptica, sentindo-me desconfort�vel com seu olhar penetrante.</p><p>� Temos um excelente programa de est�gios aqui � diz ele calmamente.</p><p>Ergo as sobrancelhas, surpresa. Ser� que ele est� me oferecendo um emprego?</p><p>� Ah. Vou me lembrar disso � murmuro, completamente confusa. � Apesar de n�o ter certeza se me encaixaria aqui. � Ah, n�o. Estou pensando alto de novo.</p><p>� Por que diz isso? � Ele inclina a cabe�a, intrigado, um esbo�o de sorriso brincando em seus l�bios.</p><p>� � �bvio, n�o �? � <emphasis>Sou desastrada, malvestida, e n�o sou loura.</emphasis></p><p>� N�o para mim � murmura ele.</p><p>Seu olhar � intenso, agora desprovido de humor, e m�sculos desconhecidos dentro da minha barriga de repente se contraem. Desvio a vista de seu olhar examinador e encaro cegamente meus dedos entrela�ados. <emphasis>O que est� havendo?</emphasis> Tenho que ir. Agora. Inclino-me para a frente a fim de pegar o gravador.</p><p>� Gostaria que eu a levasse para conhecer a empresa? � pergunta ele.</p><p>� Tenho certeza de que o senhor � ocupado demais, Sr. Grey, e tenho uma longa viagem pela frente.</p><p>� Vai voltar dirigindo para Vancouver? � Ele parece surpreso, at� ansioso. Olha pela janela. Come�ou a chover. � Bem, seria melhor dirigir com cuidado. � Seu tom de voz � severo, autorit�rio. Por que deveria se interessar? � Conseguiu tudo de que precisava? � acrescenta.</p><p>� Sim, senhor � respondo, guardando o gravador na mochila.</p><p>Seus olhos se estreitam especulativamente.</p><p>� Obrigada pela entrevista, Sr. Grey.</p><p>� O prazer foi meu � diz ele, educado como sempre.</p><p>Quando me levanto, ele fica de p� e estende a m�o.</p><p>� At� a pr�xima, Srta. Steele. � E a frase soa como um desafio, ou uma amea�a, n�o sei bem o qu�.</p><p>Franzo a testa. Quando nos ver�amos de novo? Aperto a m�o dele mais uma vez, impressionada com o fato de aquela corrente estranha entre n�s continuar presente. Devem ser meus nervos.</p><p>� Sr. Grey. � Fa�o um cumprimento de cabe�a para ele.</p><p>Encaminhando-se com �gil gra�a atl�tica para a porta, ele a abre completamente.</p><p>� S� estou garantindo que passe pela porta, Srta. Steele. � Ele me d� um sorrisinho. � �bvio que est� se referido � minha entrada nada elegante em sua sala. Fico corada.</p><p>� � muita considera��o sua, Sr. Grey � digo secamente, e seu sorriso aumenta.</p><p><emphasis>Ainda bem que me acha engra�ada.</emphasis> Fa�o uma cara feia por dentro, enquanto sigo para o sagu�o. Fico surpresa quando ele vem atr�s de mim. Andrea e Olivia olham igualmente surpresas.</p><p>� Voc� veio de casaco? � pergunta Grey.</p><p>� De jaqueta.</p><p>Olivia levanta-se de um salto e pega a minha jaqueta, que Grey toma de sua m�o antes que ela possa entreg�-la a mim. Ele a segura e, sentindo-me rid�cula e sem jeito, visto-a. Grey p�e as m�os por um momento em meus ombros. Suprimo um grito ao sentir o contato. Se ele notou minha rea��o, n�o deu bola. Seu comprido dedo indicador aperta o bot�o do elevador, e ficamos parados esperando: eu, constrangida; ele, tranquilo e dono de si. As portas se abrem, e entro correndo, desesperada para fugir dali. <emphasis>Eu realmente preciso dar o fora daqui.</emphasis> Quando olho para ele, est� encostado no v�o da porta ao lado do elevador com uma das m�os na parede. � realmente muito, muito bonito. � enervante.</p><p>� Anastasia � diz ele se despedindo.</p><p>� Christian � respondo.</p><p>E, felizmente, as portas se fecham.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DOIS</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Meu cora��o est� palpitando. O elevador chega ao primeiro andar, e saio �s pressas t�o logo as portas se abrem. Trope�o de novo, mas, felizmente, sem me estatelar no imaculado piso de arenito. Corro para as largas portas de vidro e logo estou livre no ar revigorante, limpo e �mido de Seattle. Erguendo o rosto, recebo com prazer a chuva refrescante. Fecho os olhos e respiro fundo, purificando-me, tentando recuperar o equil�brio que me resta.</p><p>Homem nenhum jamais me afetou como Christian Grey, e n�o consigo entender por qu�. Ser� sua apar�ncia? Sua educa��o? Riqueza? Poder? N�o entendo minha rea��o irracional. Dou um imenso suspiro de al�vio. O que foi aquilo tudo, pelo amor de Deus? Encostada nos pilares de a�o do pr�dio, tento valentemente me acalmar e organizar meus pensamentos. Balan�o a cabe�a. O que <emphasis>foi</emphasis> isso? Meu cora��o se estabiliza no ritmo normal, e consigo respirar tranquilamente de novo. Encaminho-me para o carro.</p><p>* * *</p><p>DEIXANDO PARA TR�S os limites da cidade, come�o a me sentir tola e envergonhada ao repassar mentalmente a entrevista. Com certeza, estou tendo uma rea��o exagerada a algo imagin�rio. Tudo bem, ent�o ele � muito atraente, seguro, autorit�rio, � vontade consigo mesmo � mas, por outro lado, � arrogante e, apesar de todos aqueles modos impec�veis, � autocr�tico e frio. Bem, superficialmente. Um arrepio involunt�rio desce pela minha espinha. Ele pode ser arrogante, mas tem o direito de ser � j� realizou muita coisa, numa idade muito precoce. N�o tem paci�ncia para lidar com idiotas, mas por que deveria? De novo, estou irritada pelo fato de Kate n�o ter me fornecido uma pequena biografia.</p><p>Enquanto vou em dire��o � Rodovia Interestadual 5, minha mente continua vagando. Estou verdadeiramente perplexa quanto ao que faz algu�m ser t�o direcionado ao sucesso. Algumas de suas respostas foram muito enigm�ticas � como se ele tivesse inten��es ocultas. E as perguntas de Kate... Argh! Sobre a ado��o e se ele era gay! Estreme�o. N�o posso acreditar que eu disse aquilo. <emphasis>Quero me enfiar num buraco!</emphasis> Toda vez que eu pensar nessa pergunta, vou morrer de vergonha. Maldita Katherine Kavanagh!</p><p>Confiro o veloc�metro. Estou dirigindo com mais cautela do que estaria em qualquer outra ocasi�o. E sei que � por causa da lembran�a de dois penetrantes olhos cinzentos me encarando e da voz austera me dizendo para dirigir com cuidado. Balan�ando a cabe�a, me dou conta de que Grey parece um homem com o dobro de sua idade.</p><p><emphasis>Esque�a isso, Ana,</emphasis> eu me repreendo. Decido que, no geral, foi uma experi�ncia interessante, mas que n�o devo ficar pensando nela. <emphasis>N�o pense mais nisso.</emphasis> N�o vou v�-lo nunca mais. Imediatamente, me animo com essa ideia. Ligo o som e aumento o volume, recosto no banco e ou�o o rock <emphasis>indie</emphasis> retumbante enquanto piso no acelerador. Quando alcan�o a Interestadual 5, percebo que posso dirigir na velocidade que eu quiser.</p><p>Moramos num pequeno condom�nio de apartamentos d�plex em Vancouver, perto do campus da WSU. Tenho sorte � os pais de Kate compraram o apartamento para ela, e eu pago uma ninharia de aluguel. J� � meu lar h� quatro anos. Quando estaciono na frente de casa, sei que Kate vai querer um relato detalhado, e ela � tenaz. Bem, pelo menos ela tem o gravador. Espero n�o ter que elaborar muito al�m do que foi dito na entrevista.</p><p>� Ana! Voc� voltou.</p><p>Kate est� sentada na nossa sala de estar, cercada de livros. � �bvio que andou estudando para as provas finais. Est� usando o pijama de flanela rosa estampado com coelhinhos fofos que ela reserva para quando rompe com os namorados, para todo o tipo de doen�as e para o baixo-astral em geral. Ela se levanta num salto e me d� um abra�o apertado.</p><p>� Estava come�ando a ficar preocupada. Esperava que voc� voltasse antes.</p><p>� Ah, achei que fiz um bom tempo, considerando a dura��o da entrevista. � Aceno para ela com o gravador.</p><p>� Ana, muito obrigada. Fico lhe devendo essa. Como foi? Como ele �? � Ah, n�o, l� vem a Inquisi��o de Katherine Kavanagh.</p><p>Fa�o um esfor�o para responder � pergunta dela. O que posso dizer?</p><p>� Ainda bem que acabou, e n�o preciso v�-lo de novo. Ele � bastante intimidador, sabe? � Dou de ombros. � � muito focado, chega a ser intenso... e jovem. Muito jovem.</p><p>Kate me olha inocentemente. Lan�o um olhar desdenhoso para ela.</p><p>� N�o fa�a essa cara de boba. Por que n�o me deu uma biografia? Ele fez com que eu me sentisse uma idiota por n�o ter feito sequer uma pesquisa b�sica.</p><p>Kate tapa a boca com a m�o.</p><p>� Nossa, Ana, desculpe. Eu n�o pensei nisso.</p><p>Bufo de raiva.</p><p>� No geral, ele foi educado, formal, ligeiramente antiquado, como se tivesse envelhecido antes do tempo. Ele n�o fala como um homem de vinte e poucos anos. <emphasis>Quantos anos</emphasis> ele tem, afinal?</p><p>� Vinte e sete, ou vinte e oito, acho. Nossa, Ana, desculpe. Eu devia ter preparado voc�, mas estava muito apavorada. Passe o gravador para eu come�ar a transcrever a entrevista.</p><p>� Voc� parece melhor. Tomou a sopa? � pergunto, querendo mudar de assunto.</p><p>� Tomei, e estava uma del�cia, como sempre. Estou me sentindo muito melhor. � Ela sorri agradecida para mim.</p><p>Olho o rel�gio.</p><p>� Tenho que correr. Ainda d� para eu pegar meu turno na Clayton�s.</p><p>� Ana, voc� vai ficar exausta.</p><p>� Vou ficar bem. Vejo voc� mais tarde.</p><p>* * *</p><p>TRABALHO NA CLAYTON'S desde que entrei na WSU. A Clayton�s � a maior loja de material de constru��o na �rea de Portland e, nos quatro anos em que trabalho aqui, passei a conhecer um pouco sobre quase tudo o que vendo � embora, por ironia, eu seja um zero � esquerda quando se trata de execu��o de trabalhos manuais. Deixo isso para meu pai.</p><p>* * *</p><p>AINDA BEM QUE POSSO trabalhar, pois isso me d� algo em que pensar que n�o seja Christian Grey. Estamos bastante ocupados � come�ou a temporada de ver�o, e as pessoas est�o reformando suas casas. A Sra. Clayton fica aliviada em me ver.</p><p>� Ana! Pensei que n�o fosse conseguir vir hoje.</p><p>� Minha reuni�o n�o demorou tanto quanto eu esperava. Posso trabalhar algumas horas.</p><p>� Estou muito feliz em ver voc�.</p><p>Ela me manda para o dep�sito a fim de come�ar a reabastecer as prateleiras, e logo a tarefa me absorve.</p><p>* * *</p><p>MAIS TARDE, QUANDO chego em casa, Katherine est� com fones de ouvido e trabalhando em seu laptop. Tem o nariz ainda rosado, mas est� totalmente envolvida com o artigo; concentrada, digitando com f�ria. Estou esgotada � exausta da longa viagem, da entrevista cansativa e da correria para cima e para baixo na Clayton�s. Atiro-me no sof�, pensando no texto que preciso terminar e em tudo que n�o estudei hoje porque estava entocada com... <emphasis>ele.</emphasis></p><p>� Voc� conseguiu um bom material, Ana. �timo trabalho. N�o posso acreditar que voc� n�o aceitou quando ele quis lev�-la para conhecer a sede. Ele obviamente queria passar mais tempo com voc�. � Ela me lan�a um olhar r�pido e intrigado.</p><p>Fico vermelha, e minha pulsa��o inexplicavelmente se acelera. Com certeza a raz�o n�o foi aquela. Ele s� queria me mostrar as instala��es para eu poder ver que ele era o dono de tudo aquilo. Percebo que estou mordendo o l�bio, e espero que Kate n�o note. Ela parece absorta na transcri��o da entrevista.</p><p>� Ouvi o que voc� disse sobre ele ser formal. Anotou alguma coisa? � pergunta ela.</p><p>� Hum... n�o, n�o anotei.</p><p>� Tudo bem. Ainda posso fazer um �timo artigo com isso aqui. Pena que n�o temos fotos. O filho da m�e � bonito, n�o �?</p><p>� Acho que sim. � Tento soar desinteressada, e acho que consigo.</p><p>� Ah, o que � isso, Ana! Nem voc� pode ficar imune � beleza dele. � Ela ergue para mim as sobrancelhas perfeitas.</p><p><emphasis>Droga!</emphasis> Sinto minhas bochechas esquentarem, ent�o a distraio com bajula��o, sempre um bom estratagema.</p><p>� Voc� provavelmente teria arrancado muito mais dele.</p><p>� Duvido, Ana. Qual �! Ele praticamente lhe ofereceu um emprego. Considerando que eu avisei em cima da hora, voc� se saiu muito bem. � Ela me olha, especulativa. Fa�o uma retirada apressada para a cozinha.</p><p>� Ent�o, o que achou dele realmente?</p><p>Droga, ela � inquisitiva. Por que n�o pode simplesmente deixar isso para l�?</p><p><emphasis>Pense em alguma coisa � r�pido.</emphasis></p><p>� Ele � ambicioso, controlador, arrogante, assustador mesmo, mas muito carism�tico. D� para entender o fasc�nio � acrescento sinceramente, esperando que isso a cale de uma vez por todas.</p><p>� Voc�? Fascinada por um homem? � a primeira vez. � diz ela, com desd�m.</p><p>Come�o a separar os ingredientes de um sandu�che para ela n�o poder ver meu rosto.</p><p>� Por que quis saber se ele era gay? A prop�sito, essa foi a quest�o mais embara�osa. Fiquei mortificada, e ele ficou irritado com a pergunta. � Fecho a cara ao me lembrar.</p><p>� Quando aparece nas colunas sociais, ele nunca est� acompanhado.</p><p>� Foi uma saia justa. A entrevista toda foi uma saia justa. Ainda bem que nunca mais vou ter que olhar para ele.</p><p>� Ah, Ana, n�o pode ter sido t�o ruim. Pela voz dele, acho que ficou bastante impressionado com voc�.</p><p><emphasis>Impressionado comigo?</emphasis> Agora Kate est� sendo rid�cula.</p><p>� Quer um sandu�che?</p><p>� Por favor.</p><p>* * *</p><p>N�O FALAMOS MAIS de Christian Grey naquela noite, para meu al�vio. Quando acabamos de comer, sento-me � mesa de jantar com Kate e, enquanto ela trabalha em seu artigo, escrevo meu texto sobre <emphasis>Tess of the d�Urbervilles.</emphasis> Droga, aquela mulher estava no lugar errado, na hora errada e no s�culo errado. Quando termino, � meia-noite, e Kate j� foi se deitar h� muito tempo. Vou para o quarto, exausta, mas feliz por ter feito tanta coisa numa segunda-feira.</p><p>Encolho-me em minha cama de ferro branca, enrolada na colcha da minha m�e, fecho os olhos e adorme�o na mesma hora. Sonho com lugares escuros, desolados, pisos brancos frios e olhos cinzentos.</p><p>* * *</p><p>PELO RESTO DA SEMANA, dedico-me aos estudos e ao meu trabalho na Clayton�s. Kate est� ocupada tamb�m, compilando sua �ltima edi��o do jornal antes de ter que ced�-la � nova editora enquanto se esfor�a para as provas finais. Na quarta-feira, ela est� muito melhor, e j� n�o tenho mais que aguentar aquele seu pijama de flanela rosa cheio de coelhos. Ligo para minha m�e na Ge�rgia a fim de saber como ela est�, mas tamb�m para ela poder me desejar boa sorte nas provas finais. Ela come�a a me contar sobre sua �ltima aventura na fabrica��o de velas � minha m�e vive experimentando novos neg�cios. Basicamente, est� entediada e quer algo para ocupar o tempo, mas tem a concentra��o de um peixinho dourado. Na semana que vem ser� algo diferente. Ela me preocupa. Espero que n�o tenha hipotecado a casa para financiar esse �ltimo projeto. E espero que Bob � seu marido relativamente novo, mas muito mais velho � esteja de olho nela agora que n�o estou mais l�. Ele parece ser muito mais p� no ch�o que o Marido N�mero Tr�s.</p><p>� Como voc� est�, Ana?</p><p>Por um momento, hesito, e tenho toda a aten��o de minha m�e.</p><p>� Estou bem.</p><p>� Ana? Voc� conheceu algu�m?</p><p><emphasis>Uau... como ela faz isso?</emphasis> A empolga��o em sua voz � palp�vel.</p><p>� N�o, m�e, n�o � nada. Voc� ser� a primeira a saber se eu conhecer.</p><p>� Ana, voc� precisa realmente sair mais, querida. Voc� me preocupa.</p><p>� M�e, eu estou bem. Como est� Bob? � Como sempre, distrair � a melhor pol�tica.</p><p>Mais tarde naquela noite, ligo para Ray, meu padrasto, o Marido N�mero Dois de mam�e, o homem que considero meu pai, e o homem cujo sobrenome eu carrego. � uma conversa breve. Na verdade, n�o � muito uma conversa, mas uma s�rie de resmungos em resposta � minha delicada tentativa de persuas�o. Ray n�o � de falar muito. Mas ainda est� vivo, ainda assiste a futebol na tev� (e joga boliche e pesca com mosca ou faz m�veis quando n�o est� vendo televis�o). Ele � um carpinteiro talentoso e a raz�o de eu saber a diferen�a entre uma esp�tula e um serrote. Parece que est� tudo bem com ele.</p><p>* * *</p><p>SEXTA-FEIRA � NOITE, Kate e eu estamos discutindo o que fazer � queremos descansar um pouco dos estudos, do trabalho e dos jornais dos alunos �, quando a campainha toca. Parado � nossa porta est� meu grande amigo Jos�, segurando uma garrafa de champanhe.</p><p>� Jos�! Que bom ver voc�! � Dou-lhe um abra�o r�pido. � Entre.</p><p>Jos� foi a primeira pessoa que conheci quando entrei para a WSU. Ele parecia t�o perdido e solit�rio quanto eu. Sentimos uma enorme afinidade um pelo outro naquele dia, e somos amigos desde ent�o. N�o s� temos senso de humor, mas tamb�m descobrimos que Ray e o pai de Jos� serviram juntos na mesma unidade do Ex�rcito. Consequentemente, nossos pais tamb�m se tornaram grandes amigos.</p><p>Jos� estuda engenharia e � o primeiro de sua fam�lia a chegar � faculdade. Ele � um aluno brilhante, mas sua verdadeira paix�o � a fotografia. Jos� tem um �timo olho para fotografar.</p><p>� Tenho novidades. � Ele ri, os olhos escuros brilhando.</p><p>� N�o me diga. Conseguiu n�o ser posto para fora por mais uma semana � provoco, e ele fecha a cara para mim de brincadeira.</p><p>� A Galeria Portland Place vai expor minhas fotos no m�s que vem.</p><p>� Que incr�vel! Parab�ns!</p><p>Feliz por Jos�, torno a abra��-lo. Kate tamb�m sorri para ele.</p><p>� Parab�ns, Jos�! Eu devia colocar isso no jornal. Nada como mudan�as editoriais de �ltima hora numa sexta-feira � noite. � Ela finge aborrecimento.</p><p>� Vamos comemorar. Quero que v� � inaugura��o. � Jos� me olha fixamente e eu enrubes�o. � Voc�s duas, claro � acrescenta ele, olhando nervoso para Kate.</p><p>Jos� e eu somos muito amigos, mas, no fundo, sei que ele gostaria de ser mais que isso. Ele � bonito e divertido, mas n�o � para mim. � mais como o irm�o que nunca tive. Katherine vive me provocando dizendo que me falta o gene �preciso de um namorado�, mas a verdade � que eu simplesmente nunca conheci algu�m que... bem, me atraia, embora parte de mim anseie por pernas bambas, cora��o na boca, frio na barriga, noites em claro.</p><p>�s vezes, me pergunto se h� algo de errado comigo. Talvez eu tenha passado muito tempo na companhia dos meus her�is liter�rios rom�nticos e, consequentemente, tenha ideais e expectativas elevados demais. Mas, na verdade, ningu�m nunca me fez sentir assim.</p><p><emphasis>At� muito recentemente,</emphasis> murmura a inoportuna e ainda fraca voz do meu inconsciente. N�O! Expulso o pensamento de imediato. N�o vou cair nessa, n�o depois daquela entrevista penosa. <emphasis>O senhor � gay, Sr. Grey?</emphasis> Estreme�o com a lembran�a. Sei que sonhei com ele quase todas as noites desde ent�o, mas isso � s� para expurgar do meu corpo a terr�vel experi�ncia, com certeza.</p><p>Observo Jos� abrir a garrafa de champanhe. Ele � alto e, com aquela cal�a jeans e aquela camiseta, � s� ombros e m�sculos, a pele bronzeada, o cabelo escuro e ardentes olhos negros. Sim, Jos� � bastante atraente, mas acho que, enfim ele est� entendendo o recado: somos apenas amigos. A rolha espoca ruidosamente, e ele ergue os olhos e sorri.</p><p>* * *</p><p>S�BADO NA LOJA � um pesadelo. Somos assediados por amantes da bricolagem querendo consertar suas casas. O Sr. e a Sra. Clayton, John e Patrick � os outros dois funcion�rios que trabalham meio expediente � e eu corremos de um lado para o outro. Mas h� um per�odo de calmaria por volta da hora do almo�o, e a Sra. Clayton me pede para conferir algumas encomendas enquanto estou sentada atr�s do balc�o do caixa comendo discretamente meu bagel<emphasis>.</emphasis> Sou envolvida pela tarefa, comparando n�meros do cat�logo com os artigos de que precisamos e a quantidade que encomendamos, os olhos pulando do livro de encomendas para a tela do computador e vice-versa ao conferirem se as entradas batem. Ent�o, por alguma raz�o, ergo a vista... e sou capturada pelo atrevido olhar cinzento de Christian Grey, que est� parado no balc�o, encarando-me atentamente.</p><p><emphasis>Parada card�aca.</emphasis></p><p>� Srta. Steele. Que surpresa agrad�vel. � O olhar dele � firme e intenso.</p><p>Droga. Que diabo <emphasis>ele</emphasis> est� fazendo aqui todo despenteado e esportivo, com um su�ter grosso, jeans e botas? Acho que meu queixo caiu, e n�o consigo encontrar meu c�rebro nem minha voz.</p><p>� Sr. Grey � murmuro, porque � s� o que consigo.</p><p>H� a sombra de um sorriso nos l�bios dele, e seus olhos est�o cheios de humor, como se ele estivesse curtindo uma piada �ntima.</p><p>� Eu estava pela �rea � diz ele, � guisa de explica��o. � Preciso me abastecer de algumas coisas. � um prazer tornar a v�-la, Srta. Steele. � Sua voz � quente e encorpada como caramelo e chocolate derretido... ou algo assim.</p><p>Balan�o a cabe�a para p�r as ideias em ordem. Meu cora��o dispara, e, por alguma raz�o, enrubes�o furiosamente sob seu exame minucioso. Fico absolutamente desconcertada com a figura dele parada na minha frente. Minhas lembran�as n�o lhe fazem jus. Ele n�o � apenas bem-apessoado: � a s�ntese da beleza masculina, de tirar o f�lego, e est� aqui. Aqui na Clayton�s. Imagine. Finalmente, minhas fun��es cognitivas s�o restauradas e reconectadas ao restante do meu corpo.</p><p>� Ana. Meu nome � Ana � murmuro. � Em que posso servi-lo, Sr. Grey?</p><p>Ele sorri, e mais uma vez � como se estivesse guardando um grande segredo. � muito desconcertante. Respirando fundo, assumo minha fachada profissional J� Trabalho Nessa Loja H� Anos. <emphasis>Posso fazer isso.</emphasis></p><p>� Estou precisando de alguns artigos. Para come�ar, gostaria de umas bra�adeiras de pl�stico � murmura ele, sua express�o ao mesmo tempo calma e descontra�da.</p><p><emphasis>Bra�adeiras de pl�stico?</emphasis></p><p>� Temos de v�rios tamanhos. Posso lhe mostrar? � digo baixinho, a voz tr�mula.</p><p><emphasis>Controle-se, Steele.</emphasis></p><p>Um ligeiro franzido toma a bela testa de Grey.</p><p>� Por favor. V� na frente, Srta. Steele � diz ele.</p><p>Tento parecer indiferente ao sair de tr�s do balc�o, mas realmente estou me concentrando muito em n�o trope�ar em meus pr�prios p�s. Minhas pernas de repente adquirem consist�ncia de gelatina. Ainda bem que hoje de manh� resolvi usar minha melhor cal�a jeans.</p><p>� Est�o na se��o de artigos de eletricidade, corredor oito. � Minha voz est� um pouco alegre demais. Olho para ele e me arrependo disso quase na mesma hora. Droga, ele � bonito.</p><p>� V� na frente � murmura ele, indicando com um gesto de sua m�o de dedos esguios muito bem-cuidada.</p><p>Com o cora��o quase me sufocando � porque est� na minha garganta, tentando sair pela boca �, encaminho-me por um dos corredores em dire��o � se��o de eletricidade. <emphasis>Por que ele est� em Portland? Por que est� aqui na Clayton�s?</emphasis> De uma pequena parte subutilizada do meu c�rebro � provavelmente localizada na base do meu bulbo raquidiano, onde mora meu inconsciente � vem a ideia: <emphasis>Ele est� aqui para ver voc�.</emphasis> Sem chance! Descarto o pensamento de imediato. Por que esse homem lindo, poderoso e bem-educado haveria de querer me ver? A ideia � absurda, e eu a expulso da cabe�a.</p><p>� Est� em Portland a trabalho? � pergunto, e minha voz est� muito aguda, como se eu tivesse prendido o dedo na porta ou algo do tipo. <emphasis>Droga! Tente ficar calma, Ana!</emphasis></p><p>� Eu estava visitando a divis�o agr�cola da WSU. Fica em Vancouver. No momento, estou financiando umas pesquisas em rota��o de culturas e ci�ncia do solo � diz ele, impass�vel.</p><p><emphasis>Est� vendo? Ele n�o est� aqui para ver voc�,</emphasis> diz com desd�m o meu inconsciente, alto e bom som, orgulhoso e amargo. Enrubes�o diante de minhas tolas ideias impertinentes.</p><p>� Tudo parte do seu plano de alimentar o mundo? � provoco.</p><p>� Mais ou menos � reconhece ele, e seus l�bios se contraem num breve sorriso.</p><p>Ele olha a sele��o de bra�adeiras que temos no estoque. Que diabo ele vai fazer com isso? N�o consigo de jeito nenhum imagin�-lo como um praticante de bricolagem. Seus dedos passeiam por v�rios pacotes expostos e, por alguma raz�o inexplic�vel, preciso desviar o olhar. Ele se abaixa e escolhe um pacote.</p><p>� Estas v�o servir � diz ele com aquele sorriso muito misterioso, e eu enrubes�o.</p><p>� Mais alguma coisa?</p><p>� Eu gostaria de fita adesiva.</p><p><emphasis>Fita adesiva?</emphasis></p><p>� Est� fazendo uma reforma? � As palavras saem antes que eu possa det�-las. Com certeza ele contrata oper�rios ou tem gente para ajud�-lo na decora��o.</p><p>� N�o, n�o estou reformando � diz ele depressa, depois d� um sorriso for�ado, e tenho a estranha sensa��o de que est� rindo de mim.</p><p><emphasis>Ser� que sou t�o engra�ada? Tenho uma cara engra�ada?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Por aqui � murmuro, embara�ada. � As fitas adesivas ficam no corredor de decora��o.</p><p>Olho para tr�s enquanto ele me segue.</p><p>� Trabalha aqui h� muito tempo? � A voz dele � grave, e ele est� me olhando, olhos cinzentos muito concentrados. Enrubes�o mais ainda. Por que diabo ele me causa esse efeito? Sinto como se tivesse quatorze anos � canhestra, como sempre, e deslocada. <emphasis>Olhe para a frente, Steele!</emphasis></p><p>� Quatro anos � murmuro quando chegamos ao nosso objetivo. Para me distrair, abaixo-me e escolho duas larguras de fita adesiva para pintura que temos em estoque.</p><p>� Vou levar essa � Grey diz em voz baixa apontando para a fita mais larga, que passo para ele.</p><p>Nossos dedos se encostam muito brevemente, e a corrente se manifesta de novo, percorrendo todo o meu corpo como se eu tivesse encostado num fio desencapado. Reprimo um grito involunt�rio, bem l� no fundo de mim, num lugar escuro e inexplorado. Desesperada, tateio em volta procurando me equilibrar.</p><p>� Mais alguma coisa? � Minha voz � rouca e arfante. Os olhos dele se arregalam ligeiramente.</p><p>� Um peda�o de corda, eu acho. � A voz dele espelha a minha, rouca.</p><p>� Por aqui. � Abaixo a cabe�a para esconder meu rubor recorrente e sigo para o corredor.</p><p>� De que tipo procura? Temos cordas de fios naturais e sint�ticos... barbantes... cabos... � Emude�o diante da express�o dele, de seus olhos ficando sombrios. <emphasis>Caramba</emphasis>.</p><p>� Vou levar quatro metros e meio de corda de fios naturais, por favor.</p><p>Rapidamente, com dedos tr�mulos, me�o quatro metros e meio com a r�gua fixa, consciente de que seu olhar quente e cinzento est� sobre mim. N�o ouso encar�-lo. Nossa, ser� que eu poderia me sentir mais inibida? Pegando o estilete no bolso traseiro da minha cal�a, corto a corda e a enrolo antes de amarr�-la com um n� corredi�o. Por algum milagre, consigo n�o amputar um dedo com o estilete.</p><p>� Voc� foi escoteira? � pergunta, os l�bios esculturais e sensuais repuxados num sorriso. <emphasis>N�o olhe para a boca dele!</emphasis></p><p>� Atividades organizadas em grupo n�o s�o minha praia, Sr. Grey.</p><p>Ele ergue uma sobrancelha.</p><p>� Qual � a sua praia, Anastasia? � pergunta ele, de novo com aquela voz suave e o sorriso misterioso. Olho para ele incapaz de me expressar. Estou em placas tect�nicas m�veis. <emphasis>Tente ficar calma, Ana,</emphasis> implora de joelhos meu inconsciente torturado.</p><p>� Livros � murmuro, mas, no �ntimo, meu inconsciente est� gritando: <emphasis>Voc�! Voc� � a minha praia!</emphasis> Fa�o-o se calar instantaneamente, aflita com as aspira��es exageradas que minha psique est� tendo.</p><p>� Que tipo de livros? � Ele inclina a cabe�a.</p><p><emphasis>Por que est� t�o interessado?</emphasis></p><p>� Ah, voc� sabe. O normal. Os cl�ssicos. Literatura inglesa, principalmente.</p><p>Ele esfrega o queixo com seus esguios polegar e indicador ao contemplar minha resposta. Ou talvez s� esteja muito entediado e esteja tentando disfar�ar isso.</p><p>� Precisa de mais alguma coisa? � Tenho que me livrar desse assunto; seus dedos naquele rosto s�o muito sedutores.</p><p>� N�o sei. O que mais voc� recomendaria?</p><p>O que eu recomendaria? Eu nem sei o que voc� est� fazendo.</p><p>� Para um praticante de bricolagem?</p><p>Ele balan�a a cabe�a, os olhos cheios de mal�cia. Enrubes�o, e meu olhar desvia espontaneamente para sua cal�a justa.</p><p>� Macac�es � respondo, e sei que j� perdi o controle do que sai da minha boca.</p><p>Ele ergue uma sobrancelha, achando gra�a de novo.</p><p>� Voc� n�o ia querer estragar sua roupa. � Fa�o um gesto vago na dire��o da sua cal�a.</p><p>� Eu sempre poderia tir�-las. � Ele d� um sorriso afetado.</p><p>� Hum.</p><p>Sinto meu rosto ficar novamente vermelho. Devo estar da cor do <emphasis>Manifesto Comunista</emphasis>. <emphasis>Pare de falar. Pare de falar agora.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Vou levar uns macac�es. Deus me livre de estragar qualquer roupa � diz ele, secamente.</p><p>Tento descartar a imagem inoportuna dele sem jeans.</p><p>� Precisa de mais alguma coisa? � dou um grunhido ao lhe entregar os macac�es azuis.</p><p>Ele ignora minha pergunta.</p><p>� Como est� o artigo?</p><p>Ele finalmente me faz uma pergunta normal, sem insinua��es e fora da confusa conversa sem p� nem cabe�a... uma pergunta � qual posso responder. Agarro-a com unhas e dentes como se fosse uma t�bua de salva��o, e escolho a honestidade.</p><p>� N�o o estou redigindo, Katherine � que est�. A Srta. Kavanagh. A mo�a com quem divido a casa, ela � a redatora. Est� muito feliz com ele. � a editora do jornal, e ficou arrasada por n�o ter podido fazer a entrevista pessoalmente. � Sinto como se tivesse subido para respirar. Finalmente, uma conversa normal. � A �nica preocupa��o dela � que n�o tem nenhuma fotografia sua.</p><p>� Que tipo de fotografia ela quer?</p><p>Tudo bem. Eu n�o contava com essa resposta. Balan�o a cabe�a, porque simplesmente n�o sei.</p><p>� Bem, estou por a�. Amanh�, talvez...</p><p>� Estaria disposto a fazer uma sess�o de fotos?</p><p>Minha voz est� de novo estridente. Kate ficar� no s�timo c�u se eu conseguir isso. <emphasis>E voc� poderia v�-lo de novo amanh�,</emphasis> aquele lugar escuro na base do meu c�rebro murmura sedutoramente para mim. Descarto a ideia. Que bobagem, � rid�culo...</p><p>� Kate vai ficar encantada, se a gente conseguir encontrar um fot�grafo.</p><p>Estou t�o satisfeita que abro um largo sorriso para ele. Ele entreabre os l�bios, como se estivesse sugando o ar com for�a para os pulm�es, e pisca. Por uma fra��o de segundo, ele parece de alguma forma perdido, e a terra se desloca ligeiramente em seu eixo, as placas tect�nicas deslizando para uma posi��o nova.</p><p><emphasis>Minha nossa. Christian Grey parece perdido.</emphasis></p><p>� Fale comigo amanh�. � Enfiando a m�o no bolso traseiro, ele saca a carteira. � Meu cart�o. O n�mero do meu celular est� a�. Voc� vai precisar ligar antes das dez da manh�.</p><p>� Tudo bem. Sorrio para ele. Kate vai ficar el�trica.</p><p>� <emphasis>Ana</emphasis>!</p><p>Paul surgiu na outra ponta do corredor. Ele � o irm�o ca�ula do Sr. Clayton. Eu tinha ouvido dizer que ele tinha chegado de Princeton, mas n�o esperava v�-lo hoje.</p><p>� Hum... com licen�a um instante, Sr. Grey.</p><p>Grey franze a testa quando me afasto dele.</p><p>Paul sempre foi um amig�o, e nesse momento estranho que estou tendo com o rico, poderoso, excepcionalmente atraente e man�aco por controle Sr. Grey, � �timo falar com algu�m normal. Paul me d� um abra�o apertado e me pega de surpresa.</p><p>� Oi, Ana, � muito bom ver voc�! � derrete-se.</p><p>� Ol�, Paul, como vai? Veio para o anivers�rio do seu irm�o?</p><p>� �. Voc� est� �tima, Ana, �tima mesmo. � Ele sorri enquanto me examina, tomando dist�ncia. Ent�o ele me solta, mas mant�m um bra�o possessivo pendurado em meu ombro. Fico trocando de p�, encabulada. � bom ver Paul, mas ele sempre foi muito exagerado.</p><p>Quando olho para Christian Grey, ele est� nos observando feito um falc�o, olhos entreabertos e especulativos, a boca contra�da formando uma linha r�gida, impass�vel. Do cliente estranhamente atencioso, ele se transformou em outra pessoa � algu�m frio e distante.</p><p>� Paul, estou com um cliente. Uma pessoa que voc� precisa conhecer � digo, tentando desarmar o antagonismo presente na express�o de Grey. Arrasto Paul para conhec�-lo, e eles se avaliam mutuamente. A atmosfera de repente est� glacial.</p><p>� Ah, Paul, este � Christian Grey. Sr. Grey, este � Paul Clayton. O irm�o dele � o propriet�rio da loja.</p><p>E, por alguma raz�o irracional, sinto que devo explicar melhor.</p><p>� Conhe�o Paul desde que comecei a trabalhar aqui, embora a gente n�o se veja muito. Ele voltou de Princeton, onde estuda administra��o de empresas. � Estou balbuciando... <emphasis>Pare j�!</emphasis></p><p>� Sr. Clayton � Grey estende a m�o, o olhar inescrut�vel.</p><p>� Sr. Grey. � Paul retribui o cumprimento. � Espera a�, n�o � <emphasis>o</emphasis> Christian Grey? Da Grey Enterprises Holdings? � Paul passa da arrog�ncia ao assombro numa fra��o de segundo. Grey lhe d� um sorriso educado, do qual seus olhos n�o participam.</p><p>� Nossa! H� alguma coisa que eu possa lhe trazer?</p><p>� Anastasia j� me atendeu, Sr. Clayton. Foi muito atenciosa. � A express�o dele � impass�vel, mas as palavras... � como se ele estivesse dizendo uma coisa totalmente diferente. � desconcertante.</p><p>� Legal � responde Paul. � Depois a gente se fala, Ana.</p><p>� Claro, Paul. � Vejo-o desaparecer no estoque. � Mais alguma coisa, Sr. Grey?</p><p>� S� isso.</p><p>Seu tom � entrecortado e frio. Droga... ser� que eu o ofendi? Respirando fundo, viro as costas e me encaminho para o caixa. <emphasis>Qual � o problema dele?</emphasis></p><p>Registro a corda, os macac�es, a fita adesiva e as bra�adeiras.</p><p>� S�o quarenta e tr�s d�lares, por favor. � Olho para Grey, e queria n�o ter olhado. Ele est� me observando com muita aten��o. � enervante.</p><p>� Quer uma sacola? � pergunto ao pegar seu cart�o de cr�dito.</p><p>� Por favor, Anastasia. � Sua l�ngua acaricia meu nome, e meu cora��o mais uma vez dispara. Mal posso respirar. Apressadamente, coloco suas compras em uma sacola pl�stica.</p><p>� Voc� me telefona se quiser que eu pose para as fotos? � Ele est� sendo profissional de novo. Fa�o que sim, mais uma vez sem fala, e devolvo seu cart�o de cr�dito.</p><p>� �timo. At� amanh�, talvez. � Ele se vira para ir embora, depois para. � Ah... e Anastasia, ainda bem que a Srta. Kavanagh n�o p�de fazer a entrevista. � Sorri, depois sai da loja a passos largos com uma determina��o renovada, pendurando a sacola pl�stica no ombro, deixando-me como uma massa tr�mula de horm�nios femininos em f�ria.</p><p>Antes de voltar ao planeta Terra, passo v�rios minutos contemplando a porta por onde ele acabou de sair.</p><p><emphasis>Tudo bem � gosto dele.</emphasis> Pronto. Confessei a mim mesma. N�o posso mais fugir dos meus sentimentos. Nunca me senti assim antes. Acho-o atraente, muito atraente. Mas isso n�o tem futuro, eu sei, e suspiro com um sentimento de pena entre doce e amargo. Foi s� uma coincid�ncia a vinda dele aqui. Mas mesmo assim, posso admir�-lo de longe, com certeza. N�o tem mal nenhum. E se eu encontrar um fot�grafo, posso admir�-lo bastante amanh�. Mordo o l�bio antevendo isso e me pego rindo como uma colegial. Preciso telefonar para Kate e organizar a sess�o de fotos.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO TR�S</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Kate est� em �xtase.</p><p>� Mas o que ele estava fazendo na Clayton�s? � Sua curiosidade escapa pelo telefone. Estou enfurnada no estoque, tentando manter minha voz num tom normal.</p><p>� Ele estava pela �rea.</p><p>� Isso � uma coincid�ncia enorme, Ana. Voc� n�o acha que ele foi a� para ver voc�?</p><p>Meu cora��o palpita com essa perspectiva, mas � uma alegria que dura pouco. A triste e decepcionante realidade � que ele estava aqui a trabalho.</p><p>� Ele estava visitando o departamento de agricultura da WSU. Est� financiando uma pesquisa � murmuro.</p><p>� Ah, sim. Ele doou dois milh�es e meio de d�lares ao departamento.</p><p><emphasis>Uau.</emphasis></p><p>� Como voc� sabe disso?</p><p>� Ana, eu sou jornalista, e escrevi um perfil do cara. � meu trabalho saber disso.</p><p>� Tudo bem, senhora jornalista, n�o arranque os cabelos. Ent�o, voc� quer as fotos?</p><p>� Claro que quero. A quest�o � quem vai faz�-las, e onde.</p><p>� Pod�amos perguntar onde ele prefere. Disse que estar� hospedado na regi�o.</p><p>� Voc� pode entrar em contato com ele?</p><p>� Tenho o n�mero do celular dele.</p><p>Kate suprime um grito.</p><p>� O solteiro mais rico, mais esquivo, mais enigm�tico do estado de Washington simplesmente deu a voc� o n�mero do celular dele?</p><p>� Hum... deu.</p><p>� Ana! Ele gosta de voc�. N�o tenho a menor d�vida. � Seu tom � enf�tico.</p><p>� Kate, ele s� estava tentando ser simp�tico.</p><p>No momento em que fa�o a afirma��o, por�m, sei que ela n�o � verdadeira. Christian Grey n�o faz o tipo <emphasis>simp�tico.</emphasis> Educado, talvez. E uma vozinha murmura dentro de mim: <emphasis>Talvez Kate tenha raz�o.</emphasis> Meu couro cabeludo se arrepia com a ideia de que, talvez, apenas talvez, quem sabe, ele goste de mim. Afinal, ele disse que tinha achado bom o fato de Kate n�o ter feito a entrevista. Abra�o-me numa alegria silenciosa, balan�ando para um lado e para o outro, considerando a possibilidade de ele talvez gostar de mim. Kate me traz de volta ao presente.</p><p>� N�o sei quem vamos chamar para fazer as fotos. Levi, nosso fot�grafo de sempre, n�o pode. Est� passando o fim de semana em Idaho Falls. E vai ficar furioso por ter perdido a oportunidade de fotografar um dos principais empres�rios dos Estados Unidos.</p><p>� Hum... Que tal Jos�?</p><p>� Grande ideia! Pe�a a ele, ele faz qualquer coisa por voc�. Depois ligue para Grey e descubra onde ele prefere nos encontrar.</p><p>� irritante como Kate faz pouco de Jos�.</p><p>� Acho que voc� devia ligar para ele.</p><p>� Para quem? Para Jos�? � zomba Kate.</p><p>� N�o, para Grey.</p><p>� Ana, � voc� que tem rela��o com ele.</p><p>� Rela��o? � dou um chiado, subindo o tom de voz. � Eu mal conhe�o o cara.</p><p>� Pelo menos j� esteve com ele � diz ela com amargura. � E parece que ele quer conhec�-la melhor. Ligue para ele, Ana � diz, decidida, e desliga.</p><p>Ela � muito autorit�ria �s vezes. Olho de cara feia e mostro a l�ngua para o celular.</p><p>Estou deixando um recado para Jos� quando Paul entra no estoque procurando por lixas.</p><p>� Estamos meio ocupados aqui, Ana � diz ele sem aspereza.</p><p>� Eu sei, desculpe � murmuro, dando meia volta para sair.</p><p>� Ent�o, de onde voc� conhece Christian Grey?</p><p>A voz despreocupada de Paul n�o convence.</p><p>� Tive que entrevist�-lo para o jornal da faculdade. Kate n�o estava passando bem.</p><p>Dou de ombros, tentando soar descontra�da, e acabo n�o me saindo melhor que ele.</p><p>� Christian Grey na Clayton�s. Imagine s�. � Paul bufa, achando gra�a. Balan�a a cabe�a, como se quisesse clarear as ideias. � Enfim, quer sair para beber ou fazer alguma coisa hoje � noite?</p><p>Sempre que est� por aqui, Paul me convida para sair, e eu sempre digo n�o. � um ritual. Nunca considerei uma boa ideia sair com o irm�o do patr�o e, al�m do mais, Paul � uma gra�a com seu jeito de garoto comum, mas n�o � nenhum pr�ncipe encantado, por mais que a gente tente imaginar. <emphasis>Grey �?</emphasis>, pergunta o meu inconsciente, a sobrancelha metaforicamente arqueada. Fa�o-o calar a boca.</p><p>� Voc� n�o tem um jantar de fam�lia ou algo assim com seu irm�o?</p><p>� � amanh�.</p><p>� Talvez outra hora, Paul. Preciso estudar hoje � noite. As provas finais s�o na semana que vem.</p><p>� Ana, um dia desses voc� vai aceitar. � Ele sorri enquanto corro para a loja.</p><p>* * *</p><p>� MAS EU fotografo paisagens, Ana, n�o pessoas � reclama Jos�.</p><p>� Jos�, por favor? � imploro. Ando de um lado para o outro na sala do nosso apartamento, agarrada ao celular, observando pela janela a luz do dia que vai morrendo.</p><p>� D� aqui esse telefone.</p><p>Kate toma o aparelho de mim, jogando o sedoso cabelo louro-avermelhado por cima do ombro.</p><p>� Escute aqui, Jos� Rodriguez, se quiser que o nosso jornal fa�a a cobertura da inaugura��o da sua exposi��o, voc� vai ter que tirar essas fotos para a gente amanh�, <emphasis>capiche</emphasis>? � Kate pode ser assombrosamente severa. � �timo. Ana vai ligar dizendo o local e a hora da sess�o. Vemos voc� amanh�.</p><p>Ela desliga o meu celular.</p><p>� Pronto. Tudo que precisamos fazer agora � decidir o local e o hor�rio. Ligue para ele. � Ela me estende o telefone. Meu est�mago revira. � Ligue para Grey, agora!</p><p>Olho de cara feia para ela e pego o cart�o dele no bolso. Respiro fundo, acalmando-me e, com dedos tr�mulos, teclo o n�mero.</p><p>Ele atende no segundo toque. Seu tom � seco, calmo e frio.</p><p>� Grey.</p><p>� Hum... Sr. Grey? � Anastasia Steele.</p><p>N�o reconhe�o minha pr�pria voz. Estou muito nervosa. H� uma breve pausa. Estou tremendo por dentro.</p><p>� Srta. Steele. Que bom falar com voc�.</p><p>O tom de voz dele mudou. Est� surpreso, eu acho, e parece muito... caloroso � <emphasis>sedutor</emphasis> at�. Minha respira��o fica entalada, e enrubes�o. De repente, tomo consci�ncia de que Katherine Kavanagh est� me olhando boquiaberta, e corro para a cozinha para evitar sua indesejada avalia��o.</p><p>� Hum... n�s gostar�amos de combinar a sess�o de fotos para o artigo. � <emphasis>Respire, Ana, respire.</emphasis> Encho um pouco os pulm�es, a respira��o entrecortada. � Amanh�, se poss�vel. Onde seria conveniente para o senhor?</p><p>Quase consigo ouvir seu sorriso enigm�tico pelo telefone.</p><p>� Estou no Heathman, em Portland. Pode ser amanh� �s nove e meia da manh�?</p><p>� Tudo bem, nos vemos l�. � Meu tom � completamente efusivo e ofegante. Pare�o uma crian�a, n�o uma mulher adulta que pode votar e beber legalmente no estado de Washington.</p><p>� Estou ansioso para isso, Srta. Steele.</p><p>Visualizo o brilho malicioso em seus olhos. <emphasis>Como ele pode fazer uma promessa t�o tentadora com apenas seis palavrinhas?</emphasis> Desligo. Kate est� na cozinha e me encara com um olhar de total e absoluta consterna��o.</p><p>� Anastasia Rose Steele. Voc� gosta dele! Nunca vi nem ouvi voc� t�o... t�o encantada com algu�m antes. Est� at� vermelha.</p><p>� Ah, Kate, voc� sabe que eu vivo corando. � um risco ocupacional comigo. N�o seja rid�cula � digo secamente.</p><p>Ela pisca para mim, surpresa. � muito raro eu dar um chilique, e por um momento acabo cedendo.</p><p>� S� acho esse homem... intimidador, s� isso.</p><p>� Heathman, � claro � murmura Kate. � Vou ligar para o gerente e negociar um espa�o para a sess�o de fotos.</p><p>� Vou fazer o jantar. Depois, preciso estudar.</p><p>N�o consigo disfar�ar minha irrita��o quando abro um dos arm�rios para preparar a refei��o.</p><p>* * *</p><p>TENHO UMA NOITE agitada, revirando-me na cama, sonhando com olhos cinzentos, macac�es, pernas compridas, dedos longos e lugares sinistros e inexplorados. Acordo duas vezes, o cora��o acelerado. <emphasis>Ah, vou estar com uma cara �tima amanh� se dormir t�o pouco,</emphasis> repreendo a mim mesma. Soco o travesseiro e tento sossegar.</p><p>* * *</p><p>O HEATHMAN FICA na parte central de Portland. O impressionante pr�dio de pedra marrom foi conclu�do bem a tempo para a quebra da bolsa de valores no fim dos anos 1920. Jos�, Travis e eu vamos no meu Fusca, e Kate est� na Mercedes dela, j� que n�o cabemos todos no meu carro. Travis � amigo de Jos� e tamb�m seu assistente, e veio para ajudar com a ilumina��o. Kate conseguiu que o Heathman cedesse um quarto na parte da manh� em troca de mencionar o hotel nos cr�ditos do artigo. Quando ela informa na recep��o que estamos aqui para fotografar Christian Grey, CEO, imediatamente nos d�o um <emphasis>upgrade</emphasis> para uma su�te melhor. Uma su�te padr�o, no entanto, pois aparentemente o Sr. Grey j� est� ocupando a maior do pr�dio. Um executivo de marketing exageradamente sol�cito nos leva at� o local � ele � incrivelmente jovem e, por alguma raz�o, est� muito nervoso. Desconfio que a beleza e o jeito autorit�rio de Kate o desarmem, porque ela faz o que quer com ele. Os quartos s�o elegantes, s�brios e equipados com m�veis de luxo.</p><p>S�o nove horas. Temos meia hora para nos preparar. Kate est� toda animada.</p><p>� Jos�, acho que vamos fotografar na frente daquela parede, concorda? � Ela n�o espera pela resposta. � Travis, tire as cadeiras. Ana, voc� poderia pedir � camareira para trazer uns refrigerantes? E avise a Grey onde estamos.</p><p><emphasis>Sim, mestra.</emphasis> Ela � muito autorit�ria. Reviro os olhos, mas fa�o o que ela manda.</p><p>Meia hora depois, Christian Grey aparece na nossa su�te.</p><p><emphasis>Cacete!</emphasis> Ele est� usando uma camisa branca aberta no colarinho e cal�a de flanela cinza de cintura baixa. Seu cabelo bagun�ado ainda est� molhado do banho. Fico com a boca seca s� de olh�-lo... ele � absurdamente <emphasis>gostoso</emphasis>. Grey entra na su�te acompanhado por um homem de uns trinta e poucos anos, com a cabe�a raspada e a barba por fazer, de terno escuro e gravata, que fica quieto parado no canto. Seus olhos cor de avel� nos observam impass�veis.</p><p>� Srta. Steele, tornamos a nos encontrar.</p><p>Grey estende a m�o, e eu a aperto, piscando sem parar. Nossa... ele � realmente... Quando encosto na m�o dele, tomo consci�ncia daquela corrente deliciosa percorrendo meu corpo, arrebatando-me, fazendo-me corar, e estou certa de que minha respira��o irregular deve estar aud�vel.</p><p>� Sr. Grey, essa � Katherine Kavanagh � murmuro, fazendo um gesto com a m�o na dire��o de Kate, que se adianta, olhando bem nos olhos dele.</p><p>� A tenaz Srta. Kavanagh. Como vai? � Ele abre um sorrisinho, parecendo genuinamente divertido. � Creio que deve estar se sentindo melhor. Anastasia disse que esteve indisposta na semana passada.</p><p>� Estou bem, obrigada, Sr. Grey.</p><p>Kate aperta a m�o dele firmemente sem pestanejar. Lembro-me de que ela estudou nas melhores escolas particulares de Washington. Sua fam�lia tem dinheiro, e ela cresceu confiante e segura do seu lugar no mundo. N�o aceita desaforo. Sempre fico impressionada.</p><p>� Obrigada por arranjar tempo para fazer estas fotos.</p><p>Ela lhe d� um sorriso educado e profissional.</p><p>� � um prazer � responde ele, voltando o olhar para mim, e eu torno a corar. Droga.</p><p>� Este � Jos� Rodriguez, nosso fot�grafo � digo, for�ando um sorriso para Jos�, que retribui afetuosamente. Seus olhos esfriam quando ele olha de mim para Grey.</p><p>� Sr. Grey � diz, acenando com a cabe�a.</p><p>� Sr. Rodriguez.</p><p>A express�o de Grey tamb�m muda ao avaliar Jos�.</p><p>� Onde o senhor quer que eu fique? � pergunta Grey.</p><p>Seu tom � vagamente amea�ador, mas Katherine n�o vai deixar Jos� comandar o show.</p><p>� Sr. Grey, se puder se sentar aqui, por favor. Cuidado com os cabos de ilumina��o. E depois faremos algumas fotos em p�, tamb�m. � Ela o guia para a cadeira encostada na parede.</p><p>Travis acende as luzes, cegando Grey momentaneamente, e murmura um pedido de desculpas. Travis e eu recuamos e observamos Jos� iniciar os cliques. Ele faz v�rias fotos com a c�mera na m�o, pedindo a Grey para virar para um lado, depois para o outro, para mexer o bra�o, depois tornar a abaix�-lo. Depois, com o trip�, Jos� faz ainda mais fotos, e Grey posa sentado, com paci�ncia e naturalidade, por uns vinte minutos. Meu desejo se realizou: posso ficar parada admirando Grey de perto. Por duas vezes, nossos olhos se encontram, e tenho que me desgrudar de seu olhar cinzento.</p><p>� Chega de posar sentado. � Katherine se intromete de novo. � Pode se levantar, Sr. Grey? � ela pede.</p><p>Ele se levanta e Travis corre para retirar a cadeira. A Nikon de Jos� recome�a a clicar.</p><p>� Acho que j� temos o suficiente � anuncia Jos� cinco minutos depois.</p><p>� �timo � diz Kate. � Obrigada mais uma vez, Sr. Grey. � Ela aperta a m�o dele, e Jos� faz o mesmo.</p><p>� Estou ansioso para ler o artigo, Srta. Kavanagh � murmura Grey, e se vira para mim, que estou parada � porta. � Voc� me acompanha, Srta. Steele? � pergunta.</p><p>� Claro � digo, completamente desconcertada.</p><p>Olho aflita para Kate, que encolhe os ombros. Vejo Jos� franzindo a testa atr�s dela.</p><p>� Um bom dia para voc�s � diz Grey ao abrir a porta, chegando para o lado para me deixar passar primeiro.</p><p><emphasis>Que inferno... o que � isso? O que ele quer?</emphasis> Paro no corredor do hotel, inquieta e nervosa enquanto Grey sai da su�te acompanhado pelo Sr. Cabe�a Raspada naquele terno elegante.</p><p>� Ligo para voc�, Taylor � murmura ele para o Cabe�a Raspada. Taylor segue pelo corredor, e Grey volta seu ardente olhar cinzento para mim. <emphasis>Droga... Ser� que fiz alguma coisa errada?</emphasis></p><p>� Estava me perguntando se voc� tomaria um caf� comigo agora de manh�.</p><p>Meu cora��o quase sai pela boca. Um encontro? <emphasis>Christian Grey est� me convidando para sair</emphasis>. Ele est� perguntando se voc� quer um caf�. <emphasis>Vai ver ele acha que voc� ainda n�o acordou,</emphasis> choraminga o meu inconsciente, novamente com desd�m. Engulo em seco, tentando controlar o nervosismo.</p><p>� Tenho que levar todo mundo para casa � murmuro num tom de desculpas, torcendo as m�os e os dedos na frente do corpo.</p><p>� <emphasis>Taylor</emphasis> � chama ele, fazendo com que eu d� um pulo.</p><p>Taylor, que estava se retirando, d� meia-volta no corredor e caminha em nossa dire��o.</p><p>� Eles moram na universidade? � pergunta Grey, a voz suave e inquisitiva.</p><p>Concordo com a cabe�a, desnorteada demais para falar.</p><p>� Taylor pode lev�-los. Ele � meu motorista. Estamos com um 4x4 grande, ent�o vai dar para levar o equipamento tamb�m.</p><p>� Sr. Grey? � pergunta Taylor quando nos alcan�a, a express�o neutra.</p><p>� Por favor, pode levar o fot�grafo, o assistente dele e a Srta. Kavanagh em casa?</p><p>� Claro, senhor � responde Taylor.</p><p>� Pronto. Agora voc� pode vir tomar um caf� comigo? � Grey sorri como se fosse um assunto liquidado.</p><p>Franzo a testa.</p><p>� Hum, Sr. Grey, h�, isso realmente... olhe, Taylor n�o precisa lev�-los em casa. � Olho rapidamente para Taylor, que continua estoicamente impass�vel. � Eu troco de carro com a Kate, se me der um minutinho.</p><p>Grey abre um glorioso sorriso, desarmado e espont�neo, mostrando todos os dentes. <emphasis>Ai, meu Deus...</emphasis> Ele abre a porta da su�te para que eu entre. Contorno-o depressa para entrar de novo no quarto, e encontro Kate envolvida numa discuss�o com Jos�.</p><p>� Ana, acho que ele realmente gosta de voc� � diz ela sem qualquer pre�mbulo. Jos� me fuzila com um olhar de desaprova��o. � Mas eu n�o confio nele � acrescenta ela.</p><p>Levanto a m�o na esperan�a de que ela pare de falar. Por um milagre, ela para.</p><p>� Kate, se voc� levar o Wanda, posso pegar o seu carro?</p><p>� Por qu�?</p><p>� Christian Grey me convidou para tomar um caf� com ele.</p><p>O queixo dela cai. Kate sem palavras! Saboreio o momento. Ela me agarra pelo bra�o e me arrasta para o quarto cont�guo � sala da su�te.</p><p>� Ana, tem algo estranho nele. � A voz de Kate tem um tom de advert�ncia. � Ele � deslumbrante, concordo, mas acho que � perigoso. Especialmente para algu�m como voc�.</p><p>� Como assim, algu�m como eu? � pergunto, ofendida.</p><p>� Uma pessoa inocente como voc�, Ana. Voc� sabe o que eu quero dizer � diz ela, um pouco irritada.</p><p>Enrubes�o.</p><p>� Kate, � s� um caf�. Minhas provas come�am esta semana e preciso estudar, portanto n�o vou demorar.</p><p>Ela contrai os l�bios, como se considerasse meu pedido. Finalmente, pega as chaves do carro no bolso e as entrega a mim. Entrego-lhe as minhas.</p><p>� At� mais tarde. N�o demore, sen�o mando uma equipe de busca e resgate.</p><p>� Obrigada. � Abra�o-a.</p><p>Saio da su�te e encontro Christian esperando, encostado na parede, parecendo um modelo posando para uma revista de moda sofisticada.</p><p>� Tudo bem, vamos tomar caf� � murmuro, vermelha como um camar�o.</p><p>Ele sorri.</p><p>� V� na frente, Srta. Steele.</p><p>Ele se endireita, estendendo a m�o para que eu v� na frente. Vou andando pelo corredor, as pernas bambas, um frio na barriga, e o cora��o disparado quase saindo pela boca. <emphasis>Vou tomar caf� com Christian Grey... e odeio caf�.</emphasis></p><p>Andamos juntos pelo largo corredor do hotel at� os elevadores. <emphasis>O que devo dizer a ele?</emphasis> Meu c�rebro est� subitamente paralisado de tanta apreens�o. Sobre o que vamos conversar? O que diabo tenho em comum com ele? Sua voz suave e quente me desperta do meu devaneio.</p><p>� H� quanto tempo conhece Katherine Kavanagh?</p><p>Ah, uma pergunta f�cil para come�ar.</p><p>� Desde o primeiro ano. Ela � uma boa amiga.</p><p>� Hum � responde ele, evasivo.</p><p>No que est� pensando?</p><p>No hall dos elevadores, ele aperta o bot�o, e a campainha toca quase imediatamente. As portas se abrem, revelando um jovem casal num abra�o apaixonado. Surpresos e envergonhados, eles se separam de imediato, olhando com uma express�o culpada para todos os lados, menos para n�s. Grey e eu entramos no elevador.</p><p>Preciso me esfor�ar para conter o riso, ent�o fixo os olhos no ch�o, sentindo minhas bochechas ficarem rosadas. Quando olho disfar�adamente para Grey, ele tem o vest�gio de um sorriso nos l�bios, mas quase n�o d� para ver. O jovem casal n�o diz nada, e vamos at� o t�rreo num sil�ncio constrangedor. Nem ao menos tem aquela m�sica ambiente suave para nos distrair.</p><p>As portas se abrem e, para minha surpresa, Grey pega minha m�o, apertando-a com seus longos dedos frios. Sinto a corrente me percorrer, e minha pulsa��o, que j� estava r�pida, dispara. Enquanto ele me conduz para fora do elevador, d� para ouvir as risadinhas contidas do casal irrompendo atr�s de n�s. Grey sorri.</p><p>� O que ser� que os elevadores t�m? � murmura ele.</p><p>Atravessamos o vasto sagu�o movimentado do hotel em dire��o � entrada, mas Grey evita a porta girat�ria, e me pergunto se � por que ele teria que soltar minha m�o.</p><p>L� fora, � um domingo ameno de maio. O sol brilha e h� pouco tr�fego. Grey vira � esquerda e caminha at� a esquina, onde esperamos o sinal abrir. Ele continua segurando minha m�o. <emphasis>Estou na rua e Christian Grey est� segurando minha m�o.</emphasis> Ningu�m jamais segurou minha m�o. Estou tonta e toda formigando. Tento conter o rid�culo sorriso que amea�a cortar meu rosto em dois. <emphasis>Tente ficar calma,</emphasis><emphasis>Ana,</emphasis> implora meu inconsciente. O homenzinho verde aparece, e l� vamos n�s de novo.</p><p>Andamos quatro quarteir�es antes de chegar � Portland Coffee House, onde Grey solta minha m�o para abrir a porta e eu poder entrar.</p><p>� Por que n�o escolhe uma mesa enquanto pego as bebidas? O que voc� vai querer? � pergunta ele, mais cort�s que nunca.</p><p>� Vou querer... h�... um ch� preto, com o saquinho � parte.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas.</p><p>� Nada de caf�?</p><p>� N�o gosto de caf�.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Tudo bem, ch� com o saquinho � parte. Doce?</p><p>Por um momento, fico aturdida, achando que � uma palavra carinhosa, mas felizmente meu inconsciente se manifesta com os l�bios contra�dos. <emphasis>N�o, burra, voc� quer seu ch� ado�ado?</emphasis></p><p>� N�o, obrigada.</p><p>Fico olhando para meus dedos entrela�ados.</p><p>� Alguma coisa para comer?</p><p>� N�o, obrigada. � Balan�o a cabe�a, e ele se encaminha para o balc�o.</p><p>Discretamente, olho para ele enquanto est� na fila aguardando ser atendido. Eu poderia passar o dia inteiro olhando para ele... � alto, tem ombros largos, � esguio, e o jeito que aquelas cal�as caem nos seus quadris... <emphasis>Ai, meu Deus</emphasis>. Uma ou duas vezes, ele passa aqueles longos dedos graciosos pelo cabelo agora seco, mas ainda revolto. <emphasis>Hum... eu gostaria de fazer isso.</emphasis> A ideia me vem � cabe�a espontaneamente, e fico com o rosto em chamas. Mordo o l�bio e torno a olhar para minhas m�os, n�o gostando do rumo que meus pensamentos rebeldes est�o tomando.</p><p>� Um centavo pelos seus pensamentos? � Grey volta e me pega de surpresa.</p><p>Enrubes�o. <emphasis>Eu estava pensando em passar os dedos pelo seu cabelo e me perguntando se seriam macios.</emphasis> Balan�o a cabe�a. Ele est� trazendo uma bandeja, que deixa sobre a mesinha redonda de f�rmica. Grey me entrega uma x�cara com um pires, um pequeno bule de ch� e um pratinho com um saquinho solit�rio com o r�tulo TWININGS ENGLISH BREAKFAST � o meu preferido. Para ele, h� uma x�cara de caf� com o lindo desenho de uma folha na espuma do leite. <emphasis>Como eles fazem isso?</emphasis>, eu me pergunto. Grey tamb�m comprou um muffin de blueberry para ele. Deixando a bandeja de lado, ele se senta � minha frente e cruza as pernas compridas. Parece t�o confort�vel, t�o � vontade em seu corpo, que o invejo. Aqui estou eu, toda atrapalhada e descoordenada, quase incapaz de dar um passo sem cair de cara no ch�o.</p><p>� Em que est� pensando? � pergunta ele.</p><p>� Este � o meu ch� preferido.</p><p>Falo baixo, quase ofegante. Simplesmente n�o posso acreditar que estou sentada com Christian Grey num caf� em Portland. Ele franze a testa. Sabe que estou escondendo alguma coisa. Ponho o saquinho de ch� no bule e quase imediatamente o retiro com a colher. Enquanto coloco o saquinho usado no prato, ele inclina a cabe�a e me olha intrigado.</p><p>� Gosto do meu ch� puro e fraco � murmuro � guisa de explica��o.</p><p>� Entendo. Ele � seu namorado?</p><p><emphasis>Que... O qu�?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Quem?</p><p>� O fot�grafo. Jos� Rodriguez.</p><p>Dou uma risada, nervosa por�m curiosa. O que lhe deu essa impress�o?</p><p>� N�o. Jos� � um grande amigo meu, s� isso. Por que achou que ele fosse meu namorado?</p><p>� Pelo jeito como voc� sorriu para ele e ele sorriu para voc�.</p><p>Seu olhar prende o meu. � enervante. Quero desviar os olhos mas estou presa, enfeiti�ada.</p><p>� Ele � mais como uma pessoa da fam�lia � murmuro.</p><p>Grey assente com a cabe�a, aparentemente satisfeito com minha resposta, e olha para seu muffin. Seus dedos esguios puxam com destreza o papel, e observo, fascinada.</p><p>� Quer um peda�o? � pergunta, e aquele sorriso divertido e misterioso est� de volta.</p><p>� N�o, obrigada.</p><p>Franzo a testa e torno a olhar para minhas m�os.</p><p>� E o rapaz que conheci ontem na loja? Ele n�o � seu namorado?</p><p>� N�o. Paul � apenas um amigo. Eu lhe disse ontem. � Ah, isso est� ficando rid�culo. � Por qu�?</p><p>� Voc� parece nervosa perto dos homens.</p><p>Caramba, isso � pessoal. <emphasis>S� fico nervosa perto de voc�, Grey.</emphasis></p><p>� Voc� me intimida.</p><p>Fico vermelha, mas mentalmente me dou um tapinha nas costas pela sinceridade, e torno a baixar os olhos. Ou�o a respira��o forte dele.</p><p>� Voc� deve mesmo me achar intimidante. � Ele assente. � � muito honesta. Por favor, n�o olhe para baixo. Gosto de ver o seu rosto.</p><p>Ah. Olho para ele, e ele abre um sorriso encorajador, mas ir�nico.</p><p>� Isso me d� alguma pista do que voc� poderia estar pensando � suspira ele. � Voc� � um mist�rio, Srta. Steele.</p><p>Misteriosa? Eu?</p><p>� N�o tenho nada de misteriosa.</p><p>� Acho voc� muito contida � murmura ele.</p><p>Sou? <emphasis>Nossa</emphasis>. <emphasis>Como consegui isso?</emphasis> � desconcertante. <emphasis>Eu, contida? De jeito nenhum</emphasis>.</p><p>� A n�o ser quando enrubesce, claro, o que acontece com frequ�ncia. Eu s� gostaria de saber por qual motivo estaria enrubescendo.</p><p>Ele p�e um pedacinho de muffin na boca e come�a a mastig�-lo bem devagar, sem tirar os olhos de mim. E, pegando a deixa, enrubes�o. <emphasis>Droga!</emphasis></p><p>� Voc� sempre faz esse tipo de observa��o pessoal?</p><p>� N�o tinha me dado conta de que era t�o pessoal. Eu a ofendi? � Ele parece surpreso.</p><p>� N�o � respondo sinceramente.</p><p>� �timo.</p><p>� Mas voc� � muito arrogante.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas e, se eu n�o estou enganada, cora ligeiramente tamb�m.</p><p>� Estou acostumado a fazer o que quero, Anastasia � murmura ele. � A respeito de tudo.</p><p>� N�o duvido. Por que n�o me pediu para cham�-lo pelo primeiro nome?</p><p>Fico admirada com minha ousadia. Por que esta conversa ficou t�o s�ria? Isso n�o est� sendo do jeito que eu achava que seria. N�o posso acreditar que estou me sentindo t�o hostil em rela��o a ele. � como se ele estivesse tentando me assustar.</p><p>� As �nicas pessoas que me chamam pelo primeiro nome s�o meus familiares e alguns amigos �ntimos. Prefiro assim.</p><p>Ah. Ele ainda n�o disse �Pode me chamar de Christian�. Ele <emphasis>�</emphasis> man�aco por controle, n�o h� outra explica��o, e uma parte de mim est� pensando que talvez tivesse sido melhor se Kate o tivesse entrevistado. Dois man�acos por controle juntos. E, claro, ela � quase loura � bem, tem cabelo louro-avermelhado � como todas as mulheres no escrit�rio dele. <emphasis>E � linda</emphasis>, meu inconsciente me lembra. N�o gosto da ideia de Christian e Kate. Dou um gole no meu ch�, e Grey come outro pedacinho do muffin<emphasis>.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Voc� � filha �nica? � pergunta ele.</p><p><emphasis>Opa...</emphasis> ele continua mudando de rumo.</p><p>� Sou.</p><p>� Fale de seus pais.</p><p>Por que ele quer saber? Isso � muito <emphasis>chato.</emphasis></p><p>� Minha m�e mora na Ge�rgia com o novo marido, Bob. Meu padrasto mora em Montesano.</p><p>� E seu pai?</p><p>� Meu pai morreu quando eu era beb�.</p><p>� Sinto muito � murmura ele, e uma afli��o transparece fugazmente em seu olhar.</p><p>� N�o me lembro dele.</p><p>� E sua m�e se casou novamente?</p><p>Solto o ar com for�a.</p><p>� Pode-se dizer que sim.</p><p>Ele franze a testa para mim.</p><p>� Voc� n�o est� me contando muita coisa, n�o �? � diz ele secamente, esfregando o queixo, como se estivesse se concentrando em seus pensamentos.</p><p>� Nem voc�.</p><p>� Voc� j� me entrevistou uma vez, e me lembro de algumas perguntas bem �ntimas. � Ele d� um sorrisinho.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> Ele est� se lembrando da pergunta sobre ser gay. Mais uma vez, estou mortificada. Daqui para a frente, sei que vou precisar de terapia intensiva para n�o me sentir t�o envergonhada toda vez que me lembrar desse momento. Come�o a tagarelar sobre minha m�e � qualquer coisa para bloquear <emphasis>aquele</emphasis> momento.</p><p>� Minha m�e � maravilhosa. � uma rom�ntica incur�vel. J� est� no quarto marido.</p><p>Christian levanta as sobrancelhas, numa express�o de surpresa.</p><p>� Sinto falta dela � continuo. � Ela agora tem o Bob. S� tor�o para ele conseguir tomar conta dela e ajud�-la a se reerguer quando seus projetos disparatados n�o sa�rem como o planejado.</p><p>Sorrio carinhosamente. N�o vejo minha m�e h� muito tempo. Christian est� me observando com aten��o, dando goles espor�dicos no caf�. Eu realmente n�o devia olhar para a sua boca. Isso me desestabiliza.</p><p>� Voc� se d� bem com seu padrasto?</p><p>� Claro. Fui criada por ele. Ele � o �nico pai que conhe�o.</p><p>� E como ele �?</p><p>� Ray? Ele �... fechado.</p><p>� S� isso? � pergunta Grey, admirado.</p><p>Dou de ombros. O que esse cara espera? A hist�ria da minha vida?</p><p>� Fechado como a enteada � provoca Grey.</p><p>Esfor�o-me para n�o revirar os olhos.</p><p>� Ele gosta de futebol, especialmente do futebol europeu, de boliche, de pescar e de fabricar m�veis. Ele � marceneiro. Ex-militar. � Suspiro.</p><p>� Voc� morou com ele?</p><p>� Morei. Minha m�e conheceu o Marido N�mero Tr�s quando eu tinha quinze anos. Fiquei com o Ray.</p><p>Ele franze a testa como se n�o entendesse.</p><p>� Voc� n�o quis morar com sua m�e? � pergunta ele.</p><p><emphasis>Isso realmente n�o � da conta dele.</emphasis></p><p>� O Marido N�mero Tr�s morava no Texas. Minha casa era em Montesano. E... voc� sabe, minha m�e estava rec�m-casada.</p><p>Paro. Minha m�e nunca fala do Marido N�mero Tr�s. Aonde Grey quer chegar com essa conversa? Isso n�o � da conta dele. <emphasis>Agora � a minha vez.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> E os seus pais? � pergunto.</p><p>Ele d� de ombros.</p><p>� Meu pai � advogado, minha m�e � pediatra. Eles moram em Seattle.</p><p>Ah... ele teve uma educa��o de alto n�vel. E eu me pego imaginando um casal bem-sucedido que adota tr�s crian�as, e uma delas se transforma num homem que parte para o mundo dos neg�cios e o conquista sozinho. O que o levou para esse caminho? Os pais dele devem estar orgulhosos.</p><p>� O que os seus irm�os fazem?</p><p>� Elliot � construtor, e minha irm� ca�ula est� em Paris, estudando culin�ria com um renomado chef franc�s.</p><p>A irrita��o cobre os olhos dele. Ele n�o quer falar de sua fam�lia nem dele mesmo.</p><p>� Ouvi dizer que Paris � linda � murmuro.</p><p>Por que ele n�o quer falar da fam�lia? Ser� que � por ser adotado?</p><p>� � linda. Conhece? � pergunta ele, esquecendo a irrita��o.</p><p>� Eu nunca sa� dos Estados Unidos.</p><p>Voltamos �s banalidades. O que ele est� escondendo?</p><p>� Gostaria de conhecer?</p><p>� Paris? � emito um chiado. A pergunta me desconcerta. Quem n�o quer conhecer Paris? � Claro � concordo. � Mas eu gostaria de conhecer mesmo a Inglaterra.</p><p>Ele inclina a cabe�a, passando o dedo indicador no l�bio inferior... <emphasis>ai, meu Deus...</emphasis></p><p>� Por qu�?</p><p>Dou v�rias piscadelas r�pidas. <emphasis>Concentre-se, Steele</emphasis>.</p><p>� � a terra de Shakespeare, Austen, das irm�s Bront�, de Thomas Hardy. Eu gostaria de ver os lugares que inspiraram essas pessoas a escrever tantos livros maravilhosos.</p><p>Essa conversa toda sobre expoentes da literatura me lembra que eu devia estar estudando. Dou uma olhada no rel�gio.</p><p>� Preciso ir. Tenho que estudar.</p><p>� Para suas provas?</p><p>� �. Come�am na ter�a-feira.</p><p>� Onde est� o carro da Srta. Kavanagh?</p><p>� No estacionamento do hotel.</p><p>� Acompanho voc� at� l�.</p><p>� Obrigada pelo ch�, Sr. Grey.</p><p>Ele d� aquele sorriso estranho de quem guarda um grande segredo.</p><p>� De nada, Anastasia. Foi um prazer. Venha � ordena ele, e estende a m�o para mim.</p><p>Seguro sua m�o, perplexa, e saio do caf� atr�s dele.</p><p>Voltamos para o hotel, e posso dizer que num sil�ncio confort�vel. Ele pelo menos demonstra a calma e a serenidade de sempre. Quanto a mim, estou tentando desesperadamente avaliar como foi o nosso encontro. Sinto como se tivesse sido entrevistada para um emprego, mas n�o tenho certeza para qual fun��o.</p><p>� Voc� sempre usa jeans? � pergunta ele do nada.</p><p>� Quase sempre.</p><p>Ele assente com a cabe�a. Estamos de novo no cruzamento em frente ao hotel. Minha cabe�a d� voltas. <emphasis>Que pergunta estranha...</emphasis> E estou ciente de que nosso tempo juntos � limitado. Acabou. Acabou, e eu o desperdicei totalmente, eu sei. Talvez ele tenha algu�m.</p><p>� Voc� tem namorada? � pergunto sem pensar. Droga! <emphasis>Eu</emphasis><emphasis>acabei de dizer isso em voz alta?</emphasis></p><p>Seus l�bios se contraem num breve sorriso, e ele me olha de cima.</p><p>� N�o, Anastasia. Eu n�o quero saber de namorada � diz ele baixinho.</p><p>Ah... <emphasis>o que quer dizer com isso?</emphasis> Ele n�o � gay. Ah, talvez seja! Deve ter mentido para mim na entrevista. E, por um momento, acho que ele vai dar alguma explica��o, alguma pista para essa declara��o enigm�tica, mas ele n�o d�. Tenho que ir embora. Tenho que tentar reorganizar meus pensamentos. Tenho que me afastar dele. Sigo em frente e trope�o, me estatelando no meio da rua.</p><p>� Que merda, Ana! � exclama Grey.</p><p>Ele puxa t�o forte minha m�o que caio em cima dele bem na hora em que um ciclista passa a toda na contram�o, e por um triz n�o me atropela.</p><p>Tudo acontece muito depressa � de repente estou caindo, e em seguida ele est� me apertando com for�a junto ao peito. Inspiro seu cheiro limpo e agrad�vel. Ele exala um perfume de roupa rec�m-lavada e algum gel de banho caro. � embriagador, e inspiro profundamente.</p><p>� Voc� est� bem? � murmura ele.</p><p>Um de seus bra�os est� em volta de mim, prendendo-me a ele, enquanto os dedos da outra m�o percorrem meu rosto, sondando-me e me examinando com delicadeza. Seu polegar ro�a o meu l�bio inferior e sua respira��o falha. Ele est� me olhando nos olhos, e fixo aquele seu olhar ansioso e ardente por um momento, ou talvez para sempre... mas minha aten��o � atra�da para sua linda boca. E pela primeira vez em vinte e um anos quero ser beijada. Quero sentir sua boca na minha.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO QUATRO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p><emphasis>B</emphasis><emphasis>eije-me, droga!,</emphasis> imploro a ele, mas n�o consigo me mexer. Estou paralisada, com uma necessidade estranha e desconhecida, totalmente encantada por ele. Fito a boca de Christian Grey, extasiada, e ele est� olhando para mim, as p�lpebras ca�das, os olhos ficando sombrios. Ele respira com mais for�a que o normal, enquanto eu paro de respirar completamente. <emphasis>Estou em seus bra�os. Beije-me, por favor.</emphasis> Ele fecha os olhos, respira fundo e balan�a de leve a cabe�a, como se respondesse minha pergunta silenciosa. Quando torna a abrir os olhos, � com uma determina��o, um firme prop�sito.</p><p>� Anastasia, voc� deve ficar longe de mim. Eu n�o sou homem para voc� � murmura.</p><p><emphasis>O qu�? Por que ele diz isso?</emphasis> Com certeza quem deve decidir sou eu. Franzo a testa, atordoada com a rejei��o.</p><p>� Respire, Anastasia, respire. Vou levant�-la e solt�-la � diz ele com calma, e delicadamente me afasta.</p><p>A adrenalina percorre meu corpo, seja por ter escapado por um triz do ciclista, seja por estar t�o pr�xima de Christian, e fico agitada e fraca. N�O!, grita o meu inconsciente enquanto Grey se afasta, deixando-me desconsolada. Ele mant�m as m�os em meus ombros, mas est� distante, observando minhas rea��es com cuidado. E s� consigo pensar que queria ser beijada, deixei isso bastante �bvio, e ele n�o me beijou. <emphasis>Ele n�o me quer</emphasis>. Ele realmente n�o me quer. Estraguei nosso encontro de modo magn�fico.</p><p>� Entendi � respiro, conseguindo falar. � Obrigada � murmuro, coberta de humilha��o. Como eu pude interpretar t�o mal a situa��o entre n�s? Preciso me afastar dele.</p><p>� Pelo qu�?</p><p>Ele franze a testa. N�o tirou as m�os de mim.</p><p>� Por me salvar � digo em voz baixa.</p><p>� Aquele idiota estava na contram�o. Ainda bem que eu estava aqui. Nem quero pensar no que poderia ter acontecido com voc�. Quer ir ao hotel e se sentar um pouco?</p><p>Ele me solta, deixando as m�os ca�rem ao lado do corpo, e fico parada na sua frente me sentindo uma idiota.</p><p>Balan�ando a cabe�a, clareio as ideias. S� quero ir embora. Todas as minhas esperan�as vagas e desarticuladas foram destru�das. Ele n�o me quer. <emphasis>No que eu estava pensando?</emphasis>, eu me repreendo. <emphasis>O que Christian Grey ia querer com voc�?</emphasis>, meu inconsciente zomba de mim. Envolvo-me com os bra�os e, ao me virar para a rua, vejo com al�vio que o homenzinho verde est� aceso. Atravesso depressa, consciente de que Grey est� atr�s de mim. Do lado de fora do hotel, viro-me rapidamente para encar�-lo, mas n�o consigo olhar em seus olhos.</p><p>� Obrigada pelo ch� e por posar para as fotos � murmuro.</p><p>� Anastasia... eu...</p><p>Ele para, e, como a ang�stia em sua voz exige a minha aten��o, olho de m� vontade para ele. Seus olhos cinzentos est�o tristes quando ele passa a m�o pelo cabelo. Ele parece dividido, frustrado, a express�o fria, sem todo aquele cuidadoso controle.</p><p>� O qu�, Christian? � digo com irrita��o depois que ele n�o diz... nada.</p><p>S� quero ir embora. Preciso levar dali o meu fr�gil orgulho ferido e cuidar para que ele se recupere.</p><p>� Boa sorte nas provas � murmura ele.</p><p><emphasis>H�?</emphasis> � por isso que ele parece t�o desolado? Esta � a grande despedida? S� me desejar sorte nas provas?</p><p>� Obrigada. � N�o consigo disfar�ar o sarcasmo na voz. � At� logo, Sr. Grey.</p><p>Dou meia-volta, vagamente espantada por n�o trope�ar, e, sem olhar de novo para ele, sumo na cal�ada em dire��o � garagem subterr�nea.</p><p>Uma vez sob o concreto escuro e frio da garagem com sua triste luz fluorescente, encosto na parede e ponho as m�os na cabe�a. No que eu estava pensando? L�grimas espont�neas e inoportunas se acumulam em meus olhos. <emphasis>Por que estou chorando?</emphasis> Vou afundando no ch�o, irritada comigo mesma por essa rea��o insensata. Levantando os joelhos, encolho-me toda. Quero me tornar o menor poss�vel. Talvez a dor absurda fique menor se eu diminuir. Encostando a cabe�a nos joelhos, deixo as l�grimas ca�rem � vontade. Estou chorando pela perda de algo que nunca tive. <emphasis>Que rid�culo.</emphasis> Chorar por algo que nunca existiu � minhas esperan�as perdidas, meus sonhos perdidos e minhas expectativas destru�das.</p><p>Nunca fui rejeitada. Tudo bem... sempre fui uma das �ltimas a serem escolhidas para o basquete ou o v�lei, mas eu entendia isso � correr fazendo outra coisa ao mesmo tempo, como pular ou jogar uma bola, n�o � a minha praia. Sou um s�rio estorvo em qualquer campo esportivo.</p><p>Romanticamente, por�m, eu jamais me expus. Uma vida de inseguran�a � sou muito p�lida, muito magra, muito desleixada, descoordenada, minha lista de defeitos � longa. Sempre fui eu a repelir quaisquer poss�veis admiradores. Houve aquele cara na aula de qu�mica que gostava de mim, mas ningu�m jamais despertou meu interesse � ningu�m exceto o filho da m�e do Christian Grey. Talvez eu devesse ser mais simp�tica com os homens, como Paul Clayton e Jos� Rodriguez, embora tenha certeza de que nenhum deles foi encontrado solu�ando sozinho em um lugar escuro. Talvez eu s� precise de uma boa choradeira.</p><p><emphasis>Pare! Pare agora!</emphasis>, meu inconsciente parece gritar para mim de bra�os cruzados e batendo o p� de frustra��o. <emphasis>Entre no carro, v� para casa, estude. Esque�a-o... Agora!</emphasis> E chega dessa porcaria de autopiedade lamuriosa.</p><p>Respiro fundo para me acalmar e me levanto. <emphasis>Controle-se, Steele.</emphasis> Encaminho-me para o carro de Kate, enxugando as l�grimas<emphasis>.</emphasis> N�o vou pensar nele de novo. Posso simplesmente assumir este incidente como uma experi�ncia positiva e me concentrar nas provas.</p><p>* * *</p><p>KATE EST� SENTADA � mesa de jantar diante do seu laptop quando chego. Seu sorriso acolhedor murcha quando ela me v�.</p><p>� Ana, o que houve?</p><p>Ah, n�o... sem a Inquisi��o de Katherine Kavanagh. Balan�o a cabe�a � maneira Kavanagh de pedir para ser deixada em paz. Mas � como se eu estivesse lidando com uma cega, surda e muda.</p><p>� Voc� andou chorando. � Ela tem um talento excepcional para afirmar o �bvio, �s vezes. � O que aquele filho da m�e fez com voc�? � resmunga ela, com uma cara que, nossa, assusta.</p><p>� Nada, Kate.</p><p>Na verdade, o problema � esse. A ideia me faz dar um sorriso ir�nico.</p><p>� Ent�o por que andou chorando? Voc� nunca chora � diz ela, num tom mais suave.</p><p>Ela se levanta, os olhos verdes cheios de preocupa��o, e me d� um abra�o. Preciso dizer alguma coisa s� para que ela me deixe em paz.</p><p>� Quase fui atropelada por um ciclista.</p><p>� o melhor que consigo dizer, mas isso a distrai momentaneamente... dele.</p><p>� Nossa, Ana. Voc� est� bem? Ficou machucada? � Ela faz um r�pido exame visual em mim.</p><p>� N�o. Christian me salvou � murmuro. � Mas fiquei muito abalada.</p><p>� Imagino. Como foi o encontro? Sei que voc� odeia caf�.</p><p>� Tomei ch�. Foi �timo, nada para contar, de fato. N�o sei por que ele me convidou.</p><p>� Ele gosta de voc�, Ana.</p><p>Ela me larga.</p><p>� N�o gosta mais. N�o vou encontr�-lo de novo.</p><p>Sim, consigo falar num tom neutro.</p><p>� Como assim?</p><p>Droga. Ela est� intrigada. Vou para a cozinha para ela n�o poder ver o meu rosto.</p><p>� Pois �... ele � muita areia para o meu caminh�ozinho, Kate � digo, no tom mais seco que consigo.</p><p>� Como assim?</p><p>� Ah, Kate, isso � evidente.</p><p>Viro-me e a encaro ali parada na entrada da cozinha.</p><p>� N�o concordo � diz ela. � Tudo bem, ele tem mais dinheiro que voc�, mas ele tem mais dinheiro que a maioria das pessoas!</p><p>� Kate, ele �... � dou de ombros.</p><p>� Ana! Pelo amor de Deus. Quantas vezes preciso repetir? Voc� � muito inocente � interrompe ela.</p><p>Ah, n�o. L� vem ela de novo com essa hist�ria.</p><p>� Kate, por favor. Preciso estudar � digo, cortando a conversa.</p><p>Ela franze a testa.</p><p>� Quer ver o artigo? Est� pronto. Jos� fez fotos �timas.</p><p>Ser� que preciso de um lembrete visual do lindo Christian N�o Te Quero Grey?</p><p>� Claro.</p><p>Consigo a m�gica de estampar um sorriso no rosto e vou at� o laptop. E l� est� ele, me olhando em preto e branco, encarando a mim e a meus defeitos.</p><p>Finjo ler o artigo, o tempo todo examinando aquele firme olhar cinzento, tentando encontrar na foto alguma pista que indique por que ele n�o � homem para mim � suas pr�prias palavras. E de repente est� na cara. Ele � bonito demais. Somos diametralmente opostos e de dois mundos muito diferentes. Eu me imagino como �caro se aproximando demais do Sol e caindo na Terra todo queimado em consequ�ncia disso. As palavras dele fazem sentido. Ele n�o � homem para mim. Foi o que ele quis dizer, e isso torna sua rejei��o mais f�cil de aceitar... um pouco. N�o vou morrer por causa disso. Entendo.</p><p>� Muito bom, Kate � consigo dizer. � Vou estudar.</p><p>Prometo a mim mesma que n�o vou pensar nele por ora e, abrindo minhas anota��es de aula, come�o a ler.</p><p>* * *</p><p>S� QUANDO ESTOU na cama, tentando dormir, que deixo meus pensamentos irem � deriva por aquela manh� estranha. Fico me lembrando da frase <emphasis>n�o quero saber de namorada</emphasis>, e fico com raiva de j� n�o ter pescado essa informa��o antes de estar nos bra�os dele implorando mentalmente com todas as fibras do meu ser para que ele me beijasse. Ele disse isso com todas as letras. N�o me quer como namorada. Viro-me de lado. Quase dormindo, me pergunto se ele � celibat�rio. Fecho os olhos e come�o a adormecer. Talvez ele esteja se guardando. <emphasis>Bem, n�o para voc�.</emphasis> Meu inconsciente sonolento tenta me dar um golpe final antes de se soltar nos meus sonhos.</p><p>Nessa noite, sonho com olhos cinzentos e folhas desenhadas no leite, e que estou correndo por lugares escuros com uma ilumina��o assustadora, n�o sei se estou indo a algum lugar ou fugindo de alguma coisa... n�o est� claro.</p><p>z</p><p>Largo a caneta. Terminei. Minha prova final acabou. Um sorriso do gato de Alice se abre no meu rosto. Deve ser o primeiro sorriso que dou a semana toda. � sexta-feira e hoje � noite vai ter uma comemora��o de verdade. Talvez eu at� tome um porre! Nunca tomei um porre na vida. Olho para Kate do outro lado da sala, e ela ainda est� escrevendo furiosamente, faltando cinco minutos para o tempo acabar. Acabou, encerrei minha carreira acad�mica. Nunca mais vou me sentar de novo em fileiras de alunos aflitos. Dentro de mim, estou dando cambalhotas, sabendo muito bem que � s� na minha cabe�a que consigo dar cambalhotas graciosas. Kate para de escrever e larga a caneta. Olha para mim, e vejo tamb�m nela o sorriso do gato de Alice.</p><p>Voltamos para casa na Mercedes, recusando-nos a discutir nossa prova final. Kate est� mais preocupada com a roupa que vai vestir para ir ao bar hoje � noite. E eu procuro as chaves na bolsa.</p><p>� Ana, tem um embrulho para voc� aqui.</p><p>Parada na escada que d� acesso � porta de entrada, Kate segura um pacote embrulhado em papel pardo. <emphasis>Estranho</emphasis>. N�o encomendei nada na Amazon nos �ltimos dias. Kate me d� o embrulho e pega as minhas chaves para abrir a porta. O pacote est� endere�ado � Srta. Anastasia Steele. N�o tem endere�o nem nome do remetente. Talvez seja da minha m�e ou do Ray.</p><p>� Deve ser dos meus pais.</p><p>� Abra!</p><p>Kate entra na cozinha empolgada para comemorarmos com champanhe o fim das provas.</p><p>Abro o embrulho e encontro uma caixa de couro contendo tr�s livros antigos aparentemente id�nticos, encadernados com tecido e em perfeito estado, e um cart�o branco simples. De um dos lados, em tinta preta numa bela letra cursiva, est� escrito:</p><empty-line/><p>Por que n�o me disse que havia perigo? Por que n�o me avisou?</p><p>As senhoras sabem do que se proteger, porque leem romances que</p><empty-line/><p>
  lhes ensinam sobre esses truques...</p><empty-line/><p>Reconhe�o a cita��o de <emphasis>Tess</emphasis>. Estou estarrecida com a coincid�ncia, j� que acabei de passar tr�s horas escrevendo sobre os romances de Thomas Hardy na minha prova final. Talvez n�o seja coincid�ncia... talvez seja intencional. Examino os livros com aten��o, tr�s volumes de <emphasis>Tess of the d�Urbervilles.</emphasis> Abro um dos livros. Na folha de rosto, em tipologia antiga, est� escrito:</p><empty-line/><p>Londres: Jack R. Olgood, McIlvaine and Co., 1891</p><empty-line/><p>Puta merda � s�o as primeiras edi��es. Devem valer uma fortuna, e imediatamente sei quem as enviou. Kate est� ao meu lado olhando os livros. Pega o cart�o.</p><p>� Primeiras edi��es � murmuro.</p><p>� N�o! � Kate arregala os olhos, incr�dula. � Grey?</p><p>Concordo com a cabe�a.</p><p>� N�o consigo pensar em mais ningu�m.</p><p>� O que esse cart�o significa?</p><p>� N�o tenho ideia. Acho que � um aviso. Francamente, ele continua me advertindo para ficar longe dele. N�o sei por qu�. N�o � como se eu estivesse arrombando a porta dele. � Franzo a testa.</p><p>� Sei que voc� n�o quer falar dele, Ana, mas ele est� muito a fim de voc�. Com ou sem advert�ncias.</p><p>N�o me permiti pensar em Christian Grey nessa �ltima semana. Tudo bem... seus olhos cinzentos continuam me perseguindo em meus sonhos, e sei que vou levar uma eternidade para expurgar do meu c�rebro a sensa��o dos seus bra�os me envolvendo e do seu perfume maravilhoso. Por que ele me mandou esses livros? Ele me disse que eu n�o era para ele.</p><p>� Encontrei uma primeira edi��o de <emphasis>Tess</emphasis> � venda em Nova York por quatorze mil d�lares. Mas a sua est� muito mais conservada. Deve ter custado bem mais.</p><p>Kate est� consultando seu grande amigo Google.</p><p>� Essa cita��o, Tess diz essas palavras para sua m�e depois que Alec d�Urberville tira a virgindade dela.</p><p>� Eu sei � reflete Kate. � O que ele est� tentando dizer?</p><p>� N�o sei e nem quero saber. N�o posso aceitar esses livros. Vou devolver com outra cita��o desconcertante de alguma outra parte obscura do livro.</p><p>� O trecho em que Angel Clare diz: v� para a puta que pariu? � pergunta Kate com uma express�o totalmente impass�vel.</p><p>� �, esse trecho.</p><p>Dou uma risada. Adoro Kate. Ela � fiel e sempre me apoia. Torno a embalar os livros e os deixo sobre a mesa de jantar. Kate me entrega uma ta�a de champanhe.</p><p>� Ao fim das nossas provas e � vida nova em Seattle � ela brinda.</p><p>� Ao fim das nossas provas, � vida nova em Seattle e a excelentes resultados. � Brindamos com nossas ta�as e bebemos.</p><p>* * *</p><p>O BAR EST� BARULHENTO e agitado, cheio de formandos querendo ficar b�bados. Jos� se junta a n�s. Ainda falta um ano para ele se formar, mas est� no clima de festa e nos ajuda a comemorar nossa liberdade rec�m-adquirida pagando uma jarra de margarita para todo mundo. No quinto copo, percebo que n�o � uma boa ideia depois do champanhe.</p><p>� E agora, Ana? � Jos� grita mais alto que o barulho.</p><p>� Kate e eu vamos nos mudar para Seattle. Os pais dela compraram um apartamento l� para ela.</p><p>� <emphasis>Dios m�o,</emphasis> vai levar uma vida de pobreza, ent�o? � brinca ele. � Mas voc� vai voltar para minha exposi��o?</p><p>� Claro, Jos�, eu n�o perderia isso por nada no mundo.</p><p>Sorrio, e ele passa o bra�o em volta da minha cintura e me puxa mais para perto.</p><p>� � muito importante para mim que voc� esteja presente, Ana � murmura ele no meu ouvido. � Outra margarita?</p><p>� Jos� Luis Rodriguez! Est� tentando me embebedar? Porque est� conseguindo... � Eu rio. � Acho melhor eu tomar uma cerveja. Vou buscar para a gente.</p><p>� Mais bebida, Ana! � grita Kate.</p><p>Kate tem a resist�ncia de um touro. Est� pendurada em Levi, um dos nossos colegas de ingl�s e seu fot�grafo de praxe no jornal dos alunos. Ele desistiu de fotografar a embriaguez que o cerca. S� tem olhos para Kate. Ela est� usando uma batinha, jeans justo e salto alto, o cabelo preso no alto da cabe�a com cachinhos soltos emoldurando o rosto, espetacular como sempre. Eu fa�o mais o estilo All Star e camiseta, mas estou usando a cal�a jeans que mais me favorece. Desvencilho-me do abra�o de Jos� e me levanto da mesa.</p><p>Uau. Minha cabe�a roda.</p><p>Tenho que agarrar o encosto da cadeira. Coquet�is � base de tequila n�o s�o uma boa ideia.</p><p>No caminho para o bar resolvo ir ao banheiro enquanto ainda estou em p�. <emphasis>Boa ideia, Ana.</emphasis> Ando tr�pega no meio da multid�o. Claro, tem fila, mas pelo menos est� calmo e fresco no corredor. Pego o celular para aliviar o t�dio da espera. <emphasis>Humm... Para quem eu liguei por �ltimo?</emphasis> Foi para o Jos�? Antes dele tem um n�mero que n�o reconhe�o. Ah, sim. Grey, acho que esse n�mero � dele. Sorrio. N�o sei que horas s�o, talvez eu o acorde. Talvez ele possa me dizer por que me mandou aqueles livros com a mensagem enigm�tica. Desmancho o sorriso embriagado e aperto a tecla �ligar�. Ele atende no segundo toque.</p><p>� Anastasia?</p><p>Est� surpreso com a minha liga��o. Bem, francamente, eu estou surpresa com a minha decis�o de ligar para ele. Ent�o, meu c�rebro atordoado registra... como ele sabe que sou eu?</p><p>� Por que me enviou os livros? � pergunto com a voz engrolada.</p><p>� Anastasia, voc� est� bem? Est� falando de um jeito estranho. � A voz dele parece preocupada.</p><p>� A estranha n�o sou eu, � voc�.</p><p>Pronto, falei. Minha coragem alimentada pelo �lcool.</p><p>� Anastasia, voc� andou bebendo?</p><p>� O que voc� tem com isso?</p><p>� Estou... curioso. Onde voc� est�?</p><p>� Num bar.</p><p>� Que bar? � ele parece exasperado.</p><p>� Um bar em Portland.</p><p>� Como voc� vai para casa?</p><p>� Vou dar um jeito.</p><p>Essa conversa n�o est� tomando o rumo que eu esperava.</p><p>� Em que bar voc� est�?</p><p>� Por que me enviou os livros, Christian?</p><p>� Anastasia, onde voc� est�? Diga agora.</p><p>O tom dele � muito... muito autorit�rio, aquela mania de controle de sempre. Imagino-o como um diretor de cinema dos velhos tempos, usando cal�as de montaria, segurando um megafone antiquado e um chicote. A imagem me faz rir.</p><p>� Voc� � muito... dominador.</p><p>Dou uma risadinha.</p><p>� Ana, por favor, onde voc� est�, porra?</p><p>Christian Grey falando um palavr�o. Torno a rir.</p><p>� Estou em Portland... bem longe de Seattle.</p><p>� Onde em Portland?</p><p>� Boa noite, Christian.</p><p>� Ana!</p><p>Desligo. R�! Se bem que ele n�o me falou dos livros. Franzo a testa. Miss�o n�o cumprida. Estou muito b�bada mesmo � minha cabe�a gira enquanto me arrasto com a fila. Bem, o objetivo era tomar um porre. Consegui. <emphasis>Provavelmente uma experi�ncia a n�o ser repetida.</emphasis> A fila andou, e agora � a minha vez. Olho inexpressivamente para o cartaz atr�s da porta do banheiro que exalta as virtudes do sexo seguro. Que droga, eu acabei de ligar para Christian Grey? Merda. Meu telefone toca e me assusta. Solto um grito de surpresa.</p><p>� Oi � atendo timidamente. N�o contava com isso.</p><p>� Estou indo buscar voc� � diz ele, e desliga. S� Christian Grey poderia soar t�o calmo e t�o amea�ador ao mesmo tempo.</p><p>� <emphasis>Cacete.</emphasis> � Puxo as cal�as. Meu cora��o acelera. Vindo me buscar? <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis> Vou vomitar... n�o... estou bem. Aguente firme. Ele s� quer me confundir. Eu n�o disse onde estava. Ele n�o pode me encontrar. Al�m do mais, levaria horas para vir de Seattle at� aqui, e a essa altura j� vamos ter ido embora h� muito tempo. Lavo as m�os e me olho no espelho. Estou vermelha e ligeiramente fora de foco. <emphasis>Humm... tequila.</emphasis></p><p>Espero no bar pelo que parece uma eternidade pela caneca de cerveja e acabo voltando para a mesa.</p><p>� Voc� demorou muito � Kate me repreende. � Onde estava?</p><p>� Na fila do banheiro.</p><p>Jos� e Levi est�o tendo uma discuss�o acalorada sobre o time local de beisebol. Jos� para de falar a fim de servir cerveja para todo mundo, e eu bebo um bom gole.</p><p>� Kate, acho melhor ir l� fora tomar um pouco de ar puro.</p><p>� Ana, voc� � muito fraquinha.</p><p>� Volto em cinco minutos.</p><p>Torno a atravessar a multid�o. Come�o a ficar enjoada, a cabe�a rodando, e estou um pouco desastrada. Um pouco mais que o normal.</p><p>Beber no estacionamento, no ar frio da noite, d� a dimens�o do quanto estou b�bada. Minha vis�o foi afetada, e estou realmente vendo tudo duplicado, como nos desenhos antigos de <emphasis>Tom e Jerry.</emphasis> Acho que vou vomitar. Por que me permiti ficar desse jeito?</p><p>� Ana. � Jos� veio atr�s de mim. � Voc� est� bem?</p><p>� Acho que bebi al�m da conta.</p><p>Dou um sorriso sem gra�a para ele.</p><p>� Eu tamb�m � murmura ele, e me lan�a um olhar profundo com seus olhos escuros. � Precisa de ajuda? � ele pergunta e chega mais perto, passando o bra�o em volta de mim.</p><p>� Jos�, estou bem. Est� tudo sob controle.</p><p>Tento afast�-lo com delicadeza.</p><p>� Ana, por favor � murmura, e agora est� me abra�ando e me puxando para ele.</p><p>� Jos�, o que voc� est� fazendo?</p><p>� Voc� sabe que gosto de voc�, Ana, por favor.</p><p>Ele tem uma das m�os na altura da minha cintura, segurando-me contra ele, e a outra no meu queixo, inclinando minha cabe�a para tr�s. <emphasis>Puta merda... ele vai me beijar.</emphasis></p><p>� N�o, Jos�, pare. N�o.</p><p>Dou um empurr�o, mas ele � um muro de m�sculos, e n�o consigo mov�-lo. Sua m�o deslizou para o meu cabelo, e ele est� segurando minha cabe�a.</p><p>� Por favor, Ana, <emphasis>cari�o</emphasis> � sussurra ele pr�ximo aos meus l�bios.</p><p>Seu h�lito � suave e muito doce � cheira a margarita e cerveja. Ele me beija delicadamente do queixo at� o canto da boca. Estou apavorada, b�bada e sem controle. A sensa��o � sufocante.</p><p>� Jos�, n�o � imploro.</p><p><emphasis>Eu n�o quero isso.</emphasis> Voc� � meu amigo e eu acho que vou vomitar.</p><p>� Acho que a senhorita disse n�o � uma voz baixa surge na escurid�o.</p><p>Puta merda! Christian Grey est� aqui. Como? Jos� me larga.</p><p>� Grey � diz ele secamente.</p><p>Olho aflita para Christian. Ele fuzila Jos� com os olhos, e est� furioso. Merda. Estou enjoada, e me encolho, meu corpo n�o consegue mais tolerar o �lcool, e ent�o vomito espetacularmente no ch�o.</p><p>� Uh. <emphasis>Dios m�o,</emphasis> Ana! � Jos� d� um pulo para tr�s, enojado. Grey pega o meu cabelo, puxando-o para fora da linha de fogo e delicadamente me conduz at� um canteiro elevado no limite do estacionamento. Vejo, com profunda gratid�o, que o canteiro est� relativamente no escuro.</p><p>� Se for vomitar de novo, vomite aqui. Eu seguro voc�.</p><p>Ele est� com um bra�o em volta dos meus ombros � o outro segura meu cabelo para tr�s num rabo de cavalo improvisado, tirando-o do meu rosto. Tento afast�-lo de modo desajeitado, mas vomito de novo... e de novo. <emphasis>Ai, merda... quanto tempo isso vai durar?</emphasis> Mesmo quando meu est�mago est� vazio e nada sai, continuo sentindo �nsias terr�veis. Prometo a mim mesma que nunca mais vou beber. Isso � simplesmente horr�vel demais para descrever. Finalmente, para.</p><p>Minhas m�os est�o pousadas na parede de tijolos do canteiro, e eu mal consigo me manter em p�. Vomitar profusamente � exaustivo. Grey me solta e me entrega um len�o. S� ele teria um len�o de linho rec�m-lavado com um monograma. <emphasis>CTG.</emphasis> Eu n�o sabia que ainda havia desses len�os � venda. Vagamente, me pergunto o que quer dizer o <emphasis>T</emphasis> enquanto limpo a boca. N�o consigo olhar para ele. Estou morta de vergonha, com nojo de mim. Quero ser engolida pelas azaleias do canteiro e estar em qualquer lugar, menos aqui.</p><p>Jos� continua rondando na entrada do bar, nos observando. Gemo e seguro a cabe�a com as m�os. Este tem que ser o pior momento da minha vida. Minha cabe�a ainda roda enquanto tento me lembrar de algo pior, e s� consigo pensar na rejei��o de Christian, o que foi muito pior em termos de humilha��o. Arrisco olhar para ele. Ele est� me observando, o rosto sereno, sem dizer nada. Quando me viro, vejo Jos�, que parece bastante envergonhado e, como eu, intimidado com Grey. Olho furiosa para ele. Tenho algumas palavras adequadas para o meu pseudoamigo, nenhuma das quais posso repetir na frente de Christian Grey, CEO. <emphasis>Ana, quem voc� acha que engana? Ele acabou de ver voc� vomitar por todo o ch�o e por toda a flora local. N�o d� para fingir que voc� se comporta como uma dama.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Eu, h�... vejo voc� l� dentro � murmura Jos�, mas ambos o ignoramos, e ele volta para o bar com o rabo entre as pernas. Estou sozinha com Grey. Puta que pariu. O que devo dizer a ele? Pedir desculpas pelo telefonema.</p><p>� Desculpe � digo baixinho, olhando para o len�o, que tor�o furiosamente entre os dedos.</p><p><emphasis>� muito macio.</emphasis></p><p>� Por que est� pedindo desculpas, Anastasia?</p><p>Droga! Ele quer a porra de um reconhecimento.</p><p>� Pelo telefonema, principalmente. Por vomitar. Ah, a lista n�o tem fim � murmuro, sentindo que estou corando.</p><p><emphasis>Por favor, por favor, posso morrer agora?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Todos j� passamos por isso. Talvez n�o de forma t�o dram�tica quanto voc� � diz ele secamente. � Tem a ver com conhecer os seus limites, Anastasia. Na verdade, sou favor�vel a ultrapassar os limites, mas realmente isso � intoler�vel. Voc� tem esse tipo de comportamento habitualmente?</p><p>Minha cabe�a zumbe com o excesso de �lcool e de irrita��o. Que diabo isso tem a ver com ele? Eu n�o o convidei para vir aqui. Ele parece um homem de meia-idade me repreendendo como se eu fosse uma crian�a insolente. Parte de mim quer dizer que se eu quiser tomar um porre assim toda noite, a decis�o � minha e ele n�o tem nada a ver com isso. Mas n�o sou corajosa o bastante. N�o agora que vomitei na frente dele. Por que ele continua parado ali?</p><p>� N�o � digo arrependida. � Eu nunca tinha tomado um porre antes, e n�o tenho a m�nima vontade de fazer isso de novo.</p><p>Simplesmente n�o entendo por que ele est� aqui. Come�o a me sentir fraca. Ele percebe a minha tonteira e me agarra antes que eu caia, e me abra�a para me levantar, segurando-me junto ao peito como se eu fosse uma crian�a.</p><p>� Vamos, vou levar voc� para casa � murmura ele.</p><p>� Preciso avisar a Kate. � <emphasis>Estou nos bra�os dele de novo.</emphasis></p><p>� Meu irm�o pode avisar a ela.</p><p>� O qu�?</p><p>� Meu irm�o, Elliot, est� falando com a Srta. Kavanagh.</p><p>� H�? � N�o entendo.</p><p>� Ele estava comigo quando voc� ligou.</p><p>� Em Seattle? � Estou confusa.</p><p>� N�o, estou hospedado no Heathman.</p><p><emphasis>Ainda? Por qu�?</emphasis></p><p>� Como me encontrou?</p><p>� Rastreei o seu telefone celular, Anastasia.</p><p>Ah, claro que rastreou. Como isso � poss�vel? � legal? <emphasis>Espi�o,</emphasis> murmura meu inconsciente atrav�s da nuvem de tequila que ainda flutua no meu c�rebro, mas, de alguma forma, por ser ele, eu n�o me importo.</p><p>� Voc� veio com jaqueta ou bolsa?</p><p>� H�... sim. Vim com as duas coisas. Christian, por favor, preciso avisar a Kate. Ela vai ficar preocupada.</p><p>Sua boca se contrai e ele suspira forte.</p><p>� Se � necess�rio.</p><p>Ele me solta e, pegando a minha m�o, me conduz para dentro do bar. Sinto-me fraca, ainda b�bada, envergonhada, exausta, mortificada, e, em algum n�vel estranho, absolutamente el�trica. Ele est� apertando a minha m�o � que leque confuso de emo��es. Vou precisar de pelo menos uma semana para assimilar tudo isso.</p><p>O bar est� barulhento, lotado e, como a m�sica come�ou a tocar, tem uma multid�o na pista de dan�a. Kate n�o est� na mesa, e Jos� desapareceu. Levi parece perdido e abandonado.</p><p>� Cad� a Kate? � grito para Levi mais alto que a barulheira. Minha cabe�a come�a a latejar no ritmo das batidas da m�sica.</p><p>� Dan�ando � grita Levi, e posso dizer que ele est� furioso.</p><p>Ele olha desconfiado para Christian. Visto a jaqueta preta e passo a al�a da minha bolsinha a tiracolo pela cabe�a, e ela fica na altura dos meus quadris. Estou pronta para ir, depois que encontrar Kate.</p><p>Encosto no bra�o de Christian e me estico para gritar em seu ouvido:</p><p>� Ela est� na pista de dan�a � meu nariz ro�a o cabelo dele, e sinto o seu cheiro de limpeza. Todos os sentimentos proibidos e desconhecidos que tentei afastar v�m � tona e correm desordenadamente pelo meu corpo esgotado. Enrubes�o e bem, bem l� no fundo de mim, meus m�sculos se contraem deliciosamente.</p><p>Ele revira os olhos, torna a pegar minha m�o e me conduz para o bar. Imediatamente � atendido. Ningu�m deixa o Sr. Man�aco por Controle Grey esperando. Ser� que tudo � sempre t�o f�cil para ele? N�o consigo ouvir o que ele pede. Ele me entrega um copo bem grande de �gua com gelo.</p><p>� Beba. � Ele grita essa ordem para mim.</p><p>O movimento das luzes segue o ritmo da m�sica, lan�ando no bar e na clientela uma ilumina��o colorida estranha, alternada com sombras. Christian est� ora verde, ora azul, ora branco, ora num tom vermelho demon�aco. Ele me observa atentamente. Dou um gole hesitante.</p><p>� Beba tudo � grita.</p><p>Ele � muito autorit�rio. Passa a m�o pelo cabelo revolto. Parece frustrado, irritado. Qual � o problema desse cara? Al�m do fato de uma garota boba de porre ligar para ele no meio da noite e ele achar que ela precisa ser acudida. E no fim ainda precisa se livrar do amigo excessivamente amoroso dela. Depois, v�-la passar muito mal aos seus p�s. <emphasis>Ah, Ana... voc� algum dia vai esquecer isso?</emphasis> Meu inconsciente me encara furioso por cima dos �culos de leitura. Cambaleio um pouco, e Grey p�e a m�o no meu ombro para me equilibrar. Obede�o e bebo tudo, o que faz meu est�mago embrulhar. Pegando o copo da minha m�o, ele o coloca no bar. Reparo nebulosamente em como est� vestido: camisa de linho branca folgada, cal�a jeans justa, t�nis All Star preto e um palet� escuro de risca de giz. A camisa est� desabotoada no colarinho, e d� para ver uns pelos esparsos na abertura. Em meu estado de esp�rito meio grogue, Christian Grey parece apetitoso.</p><p>Ele torna a pegar minha m�o. <emphasis>Que droga,</emphasis> est� me levando para a pista de dan�a. Merda. Eu n�o dan�o. Ele pode sentir minha relut�ncia, e, embaixo das luzes coloridas, vejo seu sorriso divertido e sarc�stico. Ele d� um pux�o firme na minha m�o, e estou de novo em seus bra�os, e ele come�a a se movimentar, conduzindo-me. Caramba, ele sabe dan�ar, e eu n�o consigo acreditar que o estou seguindo passo a passo. Talvez seja pelo fato de estar b�bada que eu consiga acompanhar. Ele est� me segurando colada a si, o corpo contra o meu... se n�o estivesse me apertando tanto, tenho certeza de que eu iria desmaiar a seus p�s. L� do meu �ntimo, lembro o aviso que minha m�e sempre me d�: <emphasis>Nunca confie em um homem que saiba dan�ar.</emphasis></p><p>Ele avan�a comigo at� o outro extremo da pista de dan�a repleta de gente, e nos aproximamos de Kate e Elliot, o irm�o de Christian. A m�sica est� martelando, barulhenta, retumbando fora e dentro da minha cabe�a. Ah, n�o. <emphasis>Kate est� dan�ando daquele jeito.</emphasis> Est� se rebolando toda, e s� faz isso quando est� a fim de algu�m. Isso significa que amanh� seremos tr�s no caf� da manh�. <emphasis>Kate!</emphasis></p><p>Christian se estica e grita no ouvido de Elliot. N�o consigo ouvir o que ele diz. Elliot � alto e tem ombros largos, cabelo louro encaracolado e olhos claros com um brilho malicioso. N�o d� para ver a cor deles naquele calor pulsante das luzes piscando. Elliot ri e puxa Kate para seus bra�os, onde ela parece felic�ssima de estar... <emphasis>Kate!</emphasis> Mesmo com a minha embriaguez fico chocada. Ela acabou de conhec�-lo. Confirma com a cabe�a o que quer que Elliot tenha dito, ri para mim e acena. Christian nos leva para fora da pista de dan�a num passo r�pido.</p><p>Mas n�o consegui falar com ela. Ela est� bem? Vejo para onde as coisas se encaminham. <emphasis>Preciso fazer o serm�o do sexo seguro.</emphasis> Na minha cabe�a, tor�o para ela ler um dos cartazes na porta do banheiro. Meus pensamentos invadem meu c�rebro, lutando contra a sensa��o confusa de embriaguez. Est� muito quente, muito barulhento, muito colorido � muito claro. Minha cabe�a come�a a rodar, ah, n�o... e sinto o ch�o subindo de encontro ao meu rosto, ou pelo menos � o que parece. A �ltima coisa que ou�o antes de desmaiar nos bra�os de Christian Grey � o seu rude ep�teto.</p><p>� Merda!</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO CINCO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Est� muito silencioso. A luz est� apagada. Sinto-me confort�vel e quentinha nesta cama. <emphasis>Hum...</emphasis> Abro os olhos, e, por um momento, curto o ambiente estranho e desconhecido, tranquila e serena. N�o tenho ideia de onde estou. A cabeceira atr�s de mim tem a forma de um sol imenso. � estranhamente familiar. O quarto � amplo e arejado, mobiliado luxuosamente em tons de marrom, dourado e bege. J� o vi antes. Onde? Meu c�rebro atordoado se esfor�a para examinar a mem�ria visual recente. Puta merda. Estou no Hotel Heathman... em uma su�te. J� estive com Kate em um quarto semelhante. Este parece maior. Ai, merda, � a su�te de Christian Grey. Como vim parar aqui?</p><p>Lembran�as fragmentadas da noite de ontem voltam lentamente para me assombrar. A bebedeira � <emphasis>ah n�o, a bebedeira �</emphasis> o telefonema � <emphasis>ah n�o, o telefonema �</emphasis> o v�mito � <emphasis>ah n�o, o v�mito.</emphasis> Jos� e Christian. <emphasis>Ah, n�o.</emphasis> Contraio-me por dentro. N�o me lembro de vir para c�. Estou de camiseta, suti� e calcinha. Sem meias. Sem cal�a jeans. <emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>Olho para a mesa de cabeceira. Nela, h� um copo de suco de laranja e dois comprimidos. Advil. Man�aco por controle do jeito que �, ele pensa em tudo. Sento-me na cama e tomo os comprimidos. Na verdade, n�o me sinto t�o mal assim. Provavelmente, estou muito melhor do que mere�o. O suco de laranja est� divino. Mata a sede e refresca.</p><p>Ou�o uma batida na porta. Meu cora��o sobe at� a boca e fico sem voz. Ele abre a porta assim mesmo e entra.</p><p>Que inferno, ele estava malhando. Est� com uma cal�a de moletom cinza ca�da daquele jeito nos quadris, e uma camiseta cinza sem manga, escura de suor, assim como seu cabelo. <emphasis>Suor de Christian Grey</emphasis>. <emphasis>S� a ideia j� faz com que eu me sinta esquisita.</emphasis> Respiro fundo e fecho os olhos. Pare�o uma garotinha de dois anos. Se eu fechar os olhos, n�o estarei realmente aqui.</p><p>� Bom dia, Anastasia. Como est� se sentindo?</p><p>� Melhor do que mere�o � resmungo.</p><p>Olho para ele. Ele deixa uma grande sacola de compras em uma cadeira e segura as duas pontas da toalha que est� em volta do seu pesco�o. Est� me encarando, os olhos cinzentos sombrios, e, como sempre, n�o tenho ideia do que est� pensando. Ele esconde os pensamentos e os sentimentos muito bem.</p><p>� Como vim parar aqui? � Minha voz � baixa, cheia de arrependimento.</p><p>Ele se senta na beira da cama. Est� perto o suficiente para que eu o toque, para que eu o cheire. Ai, meu Deus... suor, sabonete e Christian. � um coquetel embriagador. Muito melhor que uma margarita, e agora falo por experi�ncia pr�pria.</p><p>� Depois que voc� desmaiou, eu n�o quis arriscar o estofamento de couro do meu carro levando-a at� sua casa. Ent�o a trouxe para c� � diz ele com frieza.</p><p>� Voc� me colocou na cama?</p><p>� Sim. � A express�o de seu rosto � imperturb�vel.</p><p>� Eu vomitei de novo? � Minha voz diminui ainda mais.</p><p>� N�o.</p><p>� Voc� me despiu? � murmuro.</p><p>� Sim. � Ele ergue uma sobrancelha para mim enquanto eu enrube�o intensamente.</p><p>� A gente n�o...? � sussurro, a boca seca de afli��o ao n�o conseguir completar a pergunta. Olho para minhas m�os.</p><p>� Anastasia, voc� estava num estado comatoso. Necrofilia n�o � minha praia. Gosto de mulheres conscientes e receptivas � diz ele secamente.</p><p>� Sinto muito.</p><p>Seus l�bios se repuxam ligeiramente num sorriso ir�nico.</p><p>� Foi uma noite muito divertida. N�o vou esquec�-la t�o cedo.</p><p>Nem eu. Ah, ele est� rindo de mim, o filho da m�e. Eu n�o pedi para ele me buscar. De alguma maneira, � como se eu fosse a vil� da hist�ria.</p><p>� Voc� n�o tinha que rastrear meu paradeiro com seja l� qual for a engenhoca � la James Bond que esteja desenvolvendo para quem pagar mais � digo tudo isso de uma vez s�. Ele continua me olhando, surpreso e, se eu n�o estiver enganada, meio ofendido.</p><p>� Em primeiro lugar, a tecnologia para rastrear telefones celulares est� dispon�vel na internet. Em segundo, minha empresa n�o investe nem fabrica qualquer tipo de aparelho de vigil�ncia. E, em terceiro, se eu n�o tivesse ido busc�-la, voc� provavelmente agora estaria acordando na cama do fot�grafo, e, pelo que me lembro, n�o estava muito entusiasmada em v�-lo lhe fazer a corte � ele rebate com azedume.</p><p><emphasis>Fazer a corte!</emphasis> Olho para Christian. Ele est� me fuzilando com o olhar, ofendido. Tento morder o l�bio, mas n�o consigo conter o riso.</p><p>� De que cr�nica medieval voc� escapou? Parece um cavaleiro cort�s.</p><p>Seu estado de esp�rito muda visivelmente. Ele fica com um olhar bem mais suave, uma express�o mais calorosa e um vest�gio de sorriso aparece em seus l�bios.</p><p>� Acho que n�o, Anastasia. Cavaleiro das trevas, talvez. � Seu sorriso � sarc�stico, e ele balan�a a cabe�a. � Voc� comeu ontem � noite?</p><p>O tom � acusador. Fa�o que n�o com a cabe�a. Que enorme transgress�o cometi agora? Ele cerra a mand�bula, mas continua com o rosto impass�vel.</p><p>� Voc� precisa comer. Foi por isso que passou t�o mal. Francamente, � a regra n�mero um antes de beber.</p><p>Ele passa a m�o no cabelo, e sei que � porque est� irritado.</p><p>� Vai continuar me repreendendo?</p><p>� � isso que estou fazendo?</p><p>� Acho que sim.</p><p>� Voc� tem sorte por eu s� estar repreendendo voc�.</p><p>� Como assim?</p><p>� Bem, se fosse minha, voc� ficaria uma semana sem conseguir sentar depois do que aprontou ontem. Voc� n�o comeu, tomou um porre, se arriscou. � Ele fecha os olhos, uma express�o de pavor estampada por um instante em seu rosto, e estremece. Quando abre os olhos, me encara com raiva. � Odeio pensar no que poderia ter acontecido com voc�.</p><p>Olho de cara feia para ele. Qual � o problema desse cara? O que ele tem com isso? Se eu fosse dele... <emphasis>Bem, eu n�o sou.</emphasis> Se bem que talvez uma parte minha gostaria de ser. A ideia atravessa a irrita��o que sinto com suas palavras autorit�rias. Enrubes�o diante da imprevisibilidade do meu inconsciente, que est� saltitando todo feliz diante da ideia de pertencer a Grey.</p><p>� Eu ficaria bem. Estava com Kate.</p><p>� E o fot�grafo? � ele me interrompe.</p><p><emphasis>Hum... o jovem Jos�.</emphasis> Vou precisar enfrent�-lo em algum momento.</p><p>� Jos� s� passou dos limites. � Dou de ombros.</p><p>� Bem, da pr�xima vez que ele passar dos limites, talvez algu�m deva ensin�-lo a ter bons modos.</p><p>� Voc� gosta mesmo de disciplina � sibilo.</p><p>� Ah, Anastasia, voc� n�o tem ideia.</p><p>Ele aperta os olhos, e ent�o abre um sorriso malicioso. Isso me desarma. Em um momento, estou confusa e irritada, logo em seguida, derreto-me com seu sorriso deslumbrante. <emphasis>Uau</emphasis>... � fascinante, porque o sorriso dele � muito raro. Esque�o completamente o que ele est� falando.</p><p>� Vou tomar uma chuveirada. A menos que voc� queira ir primeiro.</p><p>Ele inclina a cabe�a para o lado, ainda sorrindo. Minha pulsa��o se acelera, e meu c�rebro se esqueceu de ativar quaisquer sinapses para me fazer respirar. O sorriso dele aumenta, e ele estica o bra�o e passa o polegar pelo meu rosto e pelo meu l�bio inferior.</p><p>� Respire, Anastasia � murmura, e torna a se levantar. � O caf� da manh� chegar� em quinze minutos. Voc� deve estar faminta.</p><p>Ele entra no banheiro e fecha a porta.</p><p>Solto o ar que estava segurando. Por que ele � t�o atraente? Agora quero entrar naquele chuveiro com ele. Nunca me senti desse jeito em rela��o a ningu�m. Meus horm�nios est�o enlouquecidos. A pele do meu rosto e do meu l�bio inferior formiga onde ele passou o dedo. Estou me contorcendo com um desconforto, uma car�ncia dolorosa. N�o entendo essa rea��o. <emphasis>Hum... Desejo.</emphasis> Isso � desejo. A sensa��o � essa.</p><p>Deito-me nos macios travesseiros de plumas. <emphasis>Se voc� fosse minha.</emphasis> Ai, meu Deus, o que eu faria para ser dele? Ele � o �nico homem que j� fez o sangue disparar nas minhas veias. Mas tamb�m � muito antip�tico. Dif�cil, complicado e confuso. Uma hora me rejeita, em seguida me manda livros de quatorze mil d�lares, depois me segue como um espi�o. E, apesar de tudo, passei a noite em sua su�te de hotel, e sinto-me em seguran�a. Protegida. Ele se importa o suficiente para me resgatar de um perigo evidente. N�o � um cavaleiro das trevas coisa nenhuma, e sim um cavaleiro rom�ntico numa deslumbrante armadura reluzente, um her�i cl�ssico. Sir Gawain ou Sir Lancelot.</p><p>Levanto-me da cama, procurando freneticamente minha cal�a jeans. Ele sai do banheiro com o corpo molhado e brilhando da chuveirada, ainda por se barbear, s� com uma toalha na cintura, e l� estou eu: pernas de fora, boquiaberta e toda sem gra�a. Ele fica surpreso por me ver fora da cama.</p><p>� Se estiver procurando sua cal�a, mandei lavar. � Seu olhar � sombrio. � Estava toda suja de v�mito.</p><p>� Ah.</p><p>Fico rubra. Por que ele sempre me pega desprevenida?</p><p>� Mandei Taylor comprar outra cal�a e um par de sapatos. Est�o na sacola em cima da cadeira.</p><p><emphasis>Roupas limpas.</emphasis> Um b�nus inesperado.</p><p>� H�... Vou tomar um banho � murmuro. � Obrigada.</p><p>O que mais posso dizer? Pego a sacola e sigo veloz para o banheiro, afastando-me da enervante proximidade de Christian nu. O <emphasis>Davi</emphasis> de Michelangelo n�o tem nada para cobri-lo.</p><p>O banheiro est� quente e cheio de vapor. Tiro a roupa rapidamente e entro no chuveiro, ansiosa para entrar no jorro purificante da �gua. A press�o da �gua � forte sobre mim, e viro meu rosto para a torrente acolhedora. Eu quero Christian Grey. Eu o quero desesperadamente. � fato. Pela primeira vez na vida, quero ir para a cama com um homem. Quero sentir suas m�os e sua boca em meu corpo.</p><p>Ele disse que gosta de mulheres conscientes. <emphasis>Ent�o, n�o � celibat�rio.</emphasis> Mas n�o deu em cima de mim, diferentemente de Paul e Jos�. N�o entendo. Ele me quer? Ele n�o quis me beijar na semana passada. Ser� que eu causo repulsa nele? E no entanto estou aqui, ele me trouxe para c�. Simplesmente n�o sei qual � seu jogo. No que ele est� pensando? <emphasis>Voc� dormiu a noite inteira na cama dele, e ele n�o tocou em voc�, Ana. Pense um pouco.</emphasis> O fantasma do meu inconsciente volta a se manifestar. Ignoro-o.</p><p>A �gua est� quente e relaxante. <emphasis>Hum...</emphasis> Eu poderia ficar debaixo desse chuveiro, no banheiro dele, para sempre. Pego o gel de banho, e tem o cheiro dele. � um cheiro delicioso. Esfrego o produto em mim, fantasiando que � ele � ele esfregando seu sabonete divinamente perfumado em meu corpo, meus seios, minha barriga, entre minhas pernas com aquelas m�os de dedos esguios. <emphasis>Minha nossa.</emphasis> Minha pulsa��o se acelera de novo. Isso est� t�o... gostoso.</p><p>� O caf� da manh� chegou. � Ele bate na porta, e eu me sobressalto.</p><p>� T-tudo bem � gaguejo ao ser cruelmente arrancada do meu devaneio er�tico.</p><p>Saio do chuveiro e pego duas toalhas. Ponho uma na cabe�a, fazendo com ela um turbante no estilo Carmem Miranda. Seco-me �s pressas, ignorando a prazerosa sensa��o da toalha esfregando minha pele supersensibilizada.</p><p>Inspeciono a sacola. Taylor comprou n�o apenas uma cal�a jeans e um novo par de All Stars, mas tamb�m uma camisa azul-clara, meias e lingerie. Ai, meu Deus. Suti� e calcinha novos. Na verdade, descrev�-los dessa forma prosaica e utilit�ria n�o lhes faz jus. S�o pe�as sofisticadas de uma grife europeia. Chiques, de renda azul-clara. Uau. Estou assombrada e ligeiramente intimidada com esse conjunto de lingerie. E al�m do mais, cabe em mim direitinho. � claro que cabe. Enrubes�o pensando no Cabelo Raspado comprando isso para mim. Pergunto-me que outros tipos de servi�o ele presta.</p><p>Visto-me depressa. As roupas me servem com perfei��o. Seco bruscamente o cabelo na toalha e tento control�-lo com desespero. Mas, como sempre, ele se recusa a cooperar, e minha �nica op��o � prend�-lo com uma presilha que n�o tenho. Devo ter uma na bolsa, onde quer que ela esteja. Respiro fundo. � hora de encarar o Sr. Confuso.</p><p>Fico aliviada ao encontrar o quarto vazio. Procuro depressa pela minha bolsa � mas ela n�o est� ali. Respirando fundo de novo, entro na sala de estar da su�te. � enorme. H� uma �rea elegante, com sof�s luxuosos e almofadas macias, uma mesa de apoio rebuscada com uma pilha de livros grandes e vistosos, uma �rea de escrit�rio com um iMac de �ltima gera��o, e uma enorme tev� de tela plana na parede. Christian est� sentado � mesa de jantar do outro lado da sala lendo um jornal. A sala � mais ou menos do tamanho de uma quadra de t�nis. N�o que eu jogue t�nis, mas j� observei Kate algumas vezes. <emphasis>Kate!</emphasis></p><p>� Merda, Kate � resmungo. Christian me olha.</p><p>� Ela sabe que voc� est� aqui e ainda viva. Mandei uma mensagem de texto para o Elliot � diz ele com um leve vest�gio de humor.</p><p><emphasis>Ah, n�o.</emphasis> Lembro-me da dan�a ardente dela ontem � noite. Todos os seus passos patenteados visando o m�ximo de efeito para seduzir o irm�o de Christian, nada menos! O que ela vai pensar de mim aqui? Nunca dormi fora de casa. Ela ainda est� com Elliot. Ela s� fez isso duas vezes antes, e, nas duas, eu tive que aguentar o medonho pijama cor-de-rosa por uma semana por causa das consequ�ncias. Kate vai achar que eu tamb�m transei.</p><p>Christian me olha de modo arrogante. Est� com uma camisa de linho branco, com o colarinho e os punhos desabotoados.</p><p>� Sente-se � ordena, apontando para um lugar � mesa. Atravesso a sala e me sento em frente a ele conforme suas instru��es.</p><p>A mesa est� repleta de comida.</p><p>� Eu n�o sabia do que voc� gostava, ent�o pedi uma sele��o do card�pio de caf� da manh�.</p><p>Ele abre um sorriso torto de desculpas.</p><p>� � muita generosidade sua � murmuro, sem saber o que escolher, embora esteja com fome.</p><p>� �, sim � ele concorda, parecendo sentir-se culpado.</p><p>Opto por panquecas, mel, ovos mexidos e bacon. Christian tenta disfar�ar um sorriso ao voltar para seu omelete de claras. A comida � deliciosa.</p><p>� Ch�? � pergunta ele.</p><p>� Sim, por favor.</p><p>Ele me passa um pequeno bule de �gua quente e, no pires, h� um saquinho de ch� Twinings English Breakfast. Nossa, ele se lembra de como eu gosto do meu ch�.</p><p>� Seu cabelo est� muito molhado � censura ele.</p><p>� N�o encontrei o secador � murmuro, encabulada.</p><p>N�o que eu tenha procurado.</p><p>A boca de Christian se contrai, mas ele n�o diz nada.</p><p>� Obrigada pelas roupas.</p><p>� Foi um prazer, Anastasia. Essa cor fica bem em voc�.</p><p>Enrubes�o e baixo os olhos.</p><p>� Sabe, voc� realmente devia aprender a receber elogios. � O tom dele � de repreens�o.</p><p>� Eu devia lhe pagar por essas roupas.</p><p>Ele me fuzila com os olhos, como se eu o tivesse ofendido de algum jeito. Prossigo depressa.</p><p>� Voc� j� me deu os livros, os quais, claro, n�o posso aceitar. Mas essas roupas... por favor, deixe�me pagar por elas.</p><p>Sorrio timidamente para ele.</p><p>� Anastasia, acredite, eu posso arcar com essa despesa.</p><p>� A quest�o n�o � essa. Por que voc� deveria comprar roupas para mim?</p><p>� Porque eu posso.</p><p>Os olhos dele t�m um brilho malicioso.</p><p>� S� porque pode n�o significa que deva � respondo baixinho e ele ergue uma sobrancelha para mim, os olhos piscando, e de repente sinto que estamos falando de outra coisa, mas n�o sei o que �. O que me lembra...</p><p>� Por que me mandou aqueles livros, Christian?</p><p>Minha voz � suave. Ele pousa os talheres e me olha atentamente, uma emo��o insond�vel no olhar ardente. Merda. Minha boca fica seca.</p><p>� Bem, quando quase foi atropelada pelo ciclista, enquanto eu a segurava e voc� ficava me olhando, toda �beije-me, beije-me, Christian� � ele faz uma pausa e d� de ombros �, achei que eu lhe devia um pedido de desculpas e um aviso. � Ele passa a m�o pelo cabelo. � Anastasia, eu n�o sou o tipo de homem sentimental... N�o curto romance. Meus gostos s�o muito singulares. Voc� devia ficar longe de mim. � Ele fecha os olhos parecendo derrotado. � No entanto, por algum motivo, n�o consigo ficar longe de voc�. Mas acho que voc� j� notou isso.</p><p>Meu apetite some. <emphasis>Ele n�o consegue ficar longe de mim!</emphasis></p><p>� Ent�o n�o fique � murmuro.</p><p>Ele engasga, os olhos arregalados.</p><p>� Voc� n�o sabe o que est� dizendo.</p><p>� D�-me uma luz, ent�o.</p><p>Ficamos sentados nos olhando, ambos sem tocar na comida.</p><p>� Voc� n�o � celibat�rio, certo? � suspiro.</p><p>Seus olhos se iluminam, achando gra�a.</p><p>�N�o, Anastasia, n�o sou celibat�rio.</p><p>Ele faz uma pausa para deixar a informa��o assentar, e fico vermelha. O filtro da boca para o c�rebro parou de funcionar. N�o posso acreditar que acabei de dizer isso em voz alta.</p><p>� Quais s�o seus planos para os pr�ximos dias? � pergunta ele, a voz grave.</p><p>� Hoje eu trabalho a partir do meio-dia. Que horas s�o? � de repente me apavoro.</p><p>� S�o dez e pouco. Voc� tem muito tempo. E amanh�?</p><p>Ele est� com os cotovelos na mesa, e o queixo apoiado nos dedos esguios.</p><p>� Kate e eu vamos come�ar a empacotar as coisas. Vamos nos mudar para Seattle no pr�ximo fim de semana, e trabalho na Clayton�s a semana toda.</p><p>� Voc� j� tem onde morar em Seattle?</p><p>� J�.</p><p>� Onde?</p><p>� N�o me lembro do endere�o. � no Pike Market District.</p><p>� N�o � longe da minha casa. � Ele sorri. � Ent�o, com o que voc� vai trabalhar em Seattle?</p><p>Aonde ele quer chegar com todas essas perguntas? A Inquisi��o de Christian Grey � quase t�o irritante quanto a Inquisi��o de Katherine Kavanagh.</p><p>� J� me candidatei para alguns est�gios. Estou aguardando o resultado.</p><p>� Voc� se candidatou para minha empresa, como sugeri?</p><p>Enrubes�o... <emphasis>Claro que n�o.</emphasis></p><p>� H�... n�o.</p><p>� E o que h� de errado com minha companhia?</p><p>� Sua companhia, ou sua <emphasis>companhia?</emphasis> � dou um sorrisinho.</p><p>� Voc� est� sendo insolente comigo, Srta. Steele?</p><p>Ele inclina a cabe�a, e acho que parece estar se divertindo, mas � dif�cil dizer. Enrubes�o e olho para minha refei��o inacabada. N�o consigo olhar nos seus olhos quando ele usa esse tom de voz.</p><p>� Eu gostaria de morder esse l�bio � murmura ele num tom sinistro.</p><p>Engasgo, totalmente sem perceber que estou mordendo o l�bio inferior, e fico boquiaberta. Essa deve ser a coisa mais sensual que algu�m j� me disse. Minha pulsa��o se acelera, e acho que estou arfando. Minha nossa, me transformei em uma massa confusa e tr�mula, e ele ainda nem tocou em mim. Contor�o-me na cadeira e encaro seu olhar sinistro.</p><p>� Por que n�o morde? � desafio baixinho.</p><p>� Porque n�o vou tocar em voc�, Anastasia. N�o at� ter seu consentimento por escrito para fazer isso.</p><p>Seus l�bios sugerem um sorriso.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>� O que quer dizer com isso?</p><p>� Exatamente o que estou dizendo. � Ele suspira e balan�a a cabe�a negativamente para mim, divertido mas exasperado, tamb�m. � Preciso lhe mostrar algo, Anastasia. A que horas voc� sai do trabalho hoje?</p><p>� L� pelas oito.</p><p>� Bem, pod�amos ir a Seattle hoje � noite ou s�bado que vem para jantar na minha casa, e eu apresento voc� aos fatos, ent�o. A decis�o � sua.</p><p>� Por que n�o me mostra agora?</p><p>� Porque estou usufruindo do meu caf� e da sua companhia. Quando entender do que se trata, talvez n�o queira tornar a me ver.</p><p><emphasis>O que isso quer dizer?</emphasis> Ser� que ele escraviza criancinhas em alguma parte desolada do planeta? Ser� que pertence a alguma organiza��o criminosa? Isso explicaria por que � t�o rico. Ser� que ele � extremamente religioso? Impotente? Certamente n�o � ele poderia me provar isso agora mesmo. Enrubes�o pensando nas possibilidades. Isso n�o est� me levando a lugar algum. Eu gostaria de resolver o enigma que � Christian Grey o mais cedo poss�vel. Se isso significar que o segredo dele, seja l� qual for, � t�o imoral a ponto de eu n�o querer saber mais dele, ent�o, sinceramente, ser� um al�vio. <emphasis>N�o minta para si mesma,</emphasis> grita meu inconsciente, <emphasis>vai ter que ser muito ruim para fazer voc� correr da raia.</emphasis></p><p>� Hoje � noite.</p><p>Ele ergue uma sobrancelha.</p><p>� Como Eva, voc� n�o quer perder tempo para comer o fruto da �rvore do conhecimento.</p><p>� Est� me tratando com insol�ncia, Sr. Grey? � pergunto docemente. <emphasis>Pretensioso.</emphasis></p><p>Ele estreita os olhos para mim e pega o BlackBerry. Pressiona um n�mero.</p><p>� Taylor. Vou precisar do Charlie Tango.</p><p><emphasis>Charlie Tango! Quem �?</emphasis></p><p>� De Portland, mais ou menos �s oito e meia da noite... N�o, aguardando no Escala... A noite toda.</p><p><emphasis>A noite toda!</emphasis></p><p>� Sim. De plant�o amanh� de manh�. Vou pilotar de Portland para Seattle.</p><p><emphasis>Pilotar?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Piloto substituto a partir das dez e meia da noite.</p><p>Ele desliga o telefone. Nada de por favor nem obrigado.</p><p>� As pessoas sempre fazem o que voc� manda?</p><p>� Normalmente, se quiserem manter o emprego � diz ele impass�vel.</p><p>� E se elas n�o trabalham para voc�?</p><p>� Ah, eu sei ser muito persuasivo, Anastasia. Devia terminar seu caf� da manh�. Depois deixo voc� em casa. Passo na Clayton�s �s oito da noite. Vamos voar para Seattle.</p><p>Pisco depressa para ele.</p><p>� Voar?</p><p>� �, eu tenho um helic�ptero.</p><p>Olho boquiaberta para ele. Estou no meu segundo encontro com Christian Muito Misterioso Grey. De um caf� a um voo de helic�ptero. Uau.</p><p>� Vamos de helic�ptero para Seattle?</p><p>� Sim.</p><p>� Por qu�?</p><p>Ele sorri com mal�cia.</p><p>� Porque eu posso. Termine seu caf� da manh�.</p><p>Como continuar comendo agora? Vou para Seattle de helic�ptero com Christian Grey. E ele quer morder meu l�bio... Contor�o-me s� de pensar nisso.</p><p>� Coma � diz ele, mais r�spido. � Anastasia, tenho problemas com desperd�cio de comida... coma.</p><p>� N�o consigo comer tudo isso.</p><p>Olho boquiaberta para o que ainda h� na mesa.</p><p>� Coma o que est� no seu prato. Se tivesse comido direito ontem, hoje n�o estaria aqui, e eu n�o estaria abrindo o jogo t�o cedo.</p><p>Seus l�bios formam uma linha severa. Ele parece zangado.</p><p>Franzo a testa e volto para minha comida agora fria. <emphasis>Estou el�trica demais para comer, Christian. Voc� n�o entende?</emphasis>, explica meu inconsciente. Mas sou muito covarde para verbalizar esses pensamentos em voz alta, especialmente quando ele parece t�o emburrado. <emphasis>Hum</emphasis>, parece um garotinho. Acho a ideia engra�ada.</p><p>� Qual � a gra�a? � pergunta ele.</p><p>Balan�o a cabe�a, sem me atrever a responder, e fico olhando para a comida. Engolindo o �ltimo peda�o de panqueca, ergo os olhos para ele. Est� me observando com curiosidade.</p><p>� Boa garota � diz. � Levo voc� para casa depois que secar o cabelo. N�o quero que fique doente.</p><p>H� uma esp�cie de promessa silenciosa em suas palavras. <emphasis>O que ele quer dizer?</emphasis> Deixo a mesa, me perguntando por um momento se eu deveria pedir licen�a, mas descarto a ideia. Parece um precedente perigoso para se abrir. Volto para o quarto dele. Uma ideia me det�m.</p><p>� Onde voc� dormiu ontem � noite?</p><p>Viro-me para olhar para ele ainda sentado na cadeira da sala de jantar. N�o vejo mantas nem len��is por aqui � talvez ele tenha mandado guard�-los.</p><p>� Na minha cama � diz ele simplesmente, o olhar impass�vel de novo.</p><p>� Ah.</p><p>� Sim, foi uma grande novidade para mim tamb�m. � Ele sorri.</p><p>� N�o fazer... sexo. � Pronto, eu disse a palavra. Enrubes�o, � claro.</p><p>� N�o. � Ele balan�a a cabe�a e franze a testa como se estivesse se recordando de algo inc�modo. � Dormir com algu�m.</p><p>Ele pega o jornal e continua a ler.</p><p>Pelo amor de Deus, o que isso quer dizer? Ele nunca dormiu com ningu�m? � virgem? Por algum motivo, duvido que seja. Fico olhando para ele, incr�dula. � a pessoa mais desconcertante que j� conheci. Quando me dou conta de que dormi com Christian Grey quero arrancar os cabelos � o que eu daria para estar consciente e poder observ�-lo dormindo? V�-lo vulner�vel. De alguma maneira, acho isso dif�cil de imaginar. Bem, supostamente, tudo ser� revelado hoje � noite.</p><p>No quarto, procuro em uma c�moda e encontro o secador. Usando os dedos, seco o cabelo da melhor maneira poss�vel. Quando termino, entro no banheiro. Quero escovar os dentes. Olho a escova de Christian. Seria como t�-lo em minha boca. <emphasis>Hum...</emphasis> Olhando por cima do ombro para a porta com um sentimento de culpa, sinto as cerdas da escova de dentes. Est�o molhadas. Ele j� deve ter usado a escova. Pego-a depressa, espremo a pasta nas cerdas e escovo os dentes rapidinho. Sinto-me muito travessa. � muita emo��o.</p><p>Pego a camiseta, o suti� e a calcinha usados e coloco tudo na sacola de compras que Taylor trouxe. Volto para a sala de estar � procura da minha bolsa e da jaqueta. Que felicidade! Tenho um prendedor de cabelo na bolsa. Com uma express�o inescrut�vel, Christian me observa fazer um rabo de cavalo. Sinto seus olhos me seguirem quando me sento para esper�-lo terminar. Ele est� no BlackBerry falando com algu�m.</p><p>� Eles querem dois?... Quanto vai custar isso?... Tudo bem, e que medidas de seguran�a temos finalizadas?... E eles v�o via Suez? At� que ponto Ben Sudan � seguro? E quando chegam em Darfur? Tudo bem, vamos fazer. Mantenha-me a par da evolu��o.</p><p>Ele desliga.</p><p>� Pronta para partir?</p><p>Balan�o a cabe�a assentindo. Pergunto-me sobre o que era essa conversa. Ele veste um palet� azul-marinho de risca de giz, pega as chaves do carro e se encaminha para a porta.</p><p>� Pode passar, Srta. Steele � murmura ele, abrindo a porta para mim.</p><p>Sua eleg�ncia � descontra�da.</p><p>Demoro-me um pouco mais do que deveria, absorvendo sua imagem. E pensar que dormi com ele a noite passada e, depois de toda aquela tequila e de todo aquele v�mito, ele continua aqui. E ainda por cima quer me levar para Seattle. Por que eu? N�o entendo. Passo pela porta relembrando as palavras dele � <emphasis>Por algum motivo n�o consigo ficar longe de voc� �</emphasis> bem, o sentimento � absolutamente rec�proco, Sr. Grey, e meu objetivo � descobrir o seu segredo.</p><p>Caminhamos em sil�ncio em dire��o ao elevador. Enquanto esperamos, olho discretamente para ele, e ele me olha de rabo de olho. Sorrio, e os l�bios dele se contraem.</p><p>O elevador chega. Estamos a s�s. De repente, por alguma raz�o inexplic�vel, possivelmente a proximidade num espa�o t�o apertado, o clima fica el�trico, carregado de expectativa e excita��o. Minha respira��o se altera conforme meu cora��o dispara. Ele vira a cabe�a para mim ligeiramente, os olhos escuros cor de ard�sia. Mordo o l�bio.</p><p>� Ah, foda-se a papelada � resmunga ele.</p><p>Ele se atira em cima de mim, empurrando-me contra a parede do elevador. Quando me dou conta, uma das m�os dele j� est� apertando com for�a minhas m�os acima da minha cabe�a. Puta merda. Sua outra m�o agarra meu cabelo e o puxa para baixo, deixando-me com o rosto virado para cima, e seus l�bios colam nos meus. N�o � exatamente doloroso. Solto um gemido em sua boca, proporcionando uma abertura para sua l�ngua. Ele aproveita inteiramente o espa�o, a l�ngua explorando habilmente minha boca. Nunca fui beijada assim. Minha l�ngua afaga timidamente a dele e as duas se unem numa dan�a lenta e er�tica se encostando e se sentindo. Ele levanta a m�o para segurar meu queixo e me mant�m no lugar. Estou indefesa, as m�os presas, a cabe�a imobilizada, e os quadris dele me comprimindo. Sua ere��o pressiona minha barriga. <emphasis>Minha nos</emphasis><emphasis>sa...</emphasis> Ele me quer. Christian Grey, deus grego, me quer, e eu o quero, aqui, agora, dentro do elevador.</p><p>� Voc�. �. Muito. Gostosa � murmura ele, cada palavra um <emphasis>staccato</emphasis>.</p><p>O elevador para, a porta se abre, e ele se afasta de mim num piscar de olhos, deixando-me em suspenso. Tr�s executivos de terno nos olham e d�o um sorrisinho ao entrar. Minha pulsa��o est� nas alturas, e sinto como se tivesse apostado uma corrida ladeira acima. Quero me encolher e segurar os joelhos... mas isso � simplesmente �bvio demais.</p><p>Olho para ele. Parece muito calmo e tranquilo, como se estivesse fazendo as palavras cruzadas do <emphasis>Seattle Times. Que injusti�a.</emphasis> Ser� que minha presen�a n�o o afeta em nada? Ele me olha de rabo de olho, e delicadamente d� um suspiro profundo. Ah, afeta sim � e minha pequenina deusa interior se agita num delicado samba vitorioso. Os executivos descem no segundo andar. Para n�s ainda falta mais um.</p><p>� Voc� escovou os dentes � diz ele, me olhando.</p><p>� Usei sua escova.</p><p>Seus l�bios se contraem num sorrisinho.</p><p>� Ah, Anastasia Steele, o que eu vou fazer com voc�?</p><p>A porta abre no primeiro andar, ele pega minha m�o e me puxa para fora.</p><p>� O que ser� que os elevadores t�m? � murmura, mais para si mesmo do que para mim, ao atravessar o sagu�o. Esfor�o-me para acompanhar seu passo, porque meu ju�zo ficou total e completamente espalhado pelo ch�o e pelas paredes do elevador tr�s do Hotel Heathman.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO SEIS</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Christian abre a porta do carona do Audi SUV preto para mim. � um carro incr�vel. Ele n�o menciona o surto de paix�o que explodiu no elevador. Ser� que eu deveria? Ser� que eu deveria mencionar isso ou fingir que nada aconteceu? N�o parece real, meu primeiro beijo de verdade sem qualquer restri��o. Com o passar do tempo, atribuo-lhe um status m�tico, de lenda arturiana e Cidade Perdida de Atl�ntida. Nunca aconteceu, nunca existiu. <emphasis>Talvez eu tenha imaginado tudo.</emphasis> N�o. Toco meus l�bios, inchados pelo beijo. Definitivamente aconteceu. Sou outra mulher. Quero desesperadamente este homem, e ele me quer.</p><p>Olho para ele. Christian � o mesmo de sempre, educado e ligeiramente distante.</p><p><emphasis>Que confuso.</emphasis></p><p>Ele liga o carro e sai de r� da vaga do estacionamento. Liga o som. Uma m�sica m�gica e doce, cantada por duas vozes femininas, toma conta do interior do carro. Minha nossa... meus sentidos est�o todos bagun�ados, por isso a m�sica me afeta em dobro, provocando arrepios deliciosos que sobem pela minha espinha. Christian pega a Avenida Southest Park, e dirige sem pressa, com tranquilidade e seguran�a.</p><p>� O que estamos ouvindo?</p><p>� � o �Dueto das Flores�, de Delibes, da �pera <emphasis>Lakm�.</emphasis> Gosta?</p><p>� Christian, � maravilhoso.</p><p>� � mesmo, n�o �? � Ele sorri, olhando para mim.</p><p>E, por um instante fugaz, aparenta a idade que tem: jovem, descontra�do e lindo de morrer. Ser� que a chave para desvend�-lo � essa? M�sica? Fico ouvindo as vozes angelicais me provocando e me seduzindo.</p><p>� Posso ouvir de novo?</p><p>� Claro. � Christian aperta um bot�o, e a m�sica volta a me acariciar. � como um afago suave, lento, doce e seguro em meus ouvidos.</p><p>� Voc� gosta de m�sica cl�ssica? � pergunto, torcendo por um raro vislumbre de suas prefer�ncias pessoais.</p><p>� Sou ecl�tico, Anastasia, gosto de tudo, de Thomas Tallis a Kings of Leon. Depende do meu estado de esp�rito. E voc�?</p><p>� Eu tamb�m. Embora eu n�o saiba quem � Thomas Tallis.</p><p>Ele se vira e me olha rapidamente antes de se concentrar de novo na estrada.</p><p>� Vou p�r para voc� ouvir uma hora dessas. Tallis � um compositor ingl�s do s�culo XVI. M�sica coral sacra da �poca Tudor. � Christian sorri para mim. � Parece muito pouco comum, eu sei, mas tamb�m � m�gico.</p><p>Ele aperta um bot�o e come�a a tocar Kings of Leon. Humm... isso eu conhe�o. �Sex on Fire�. Muito apropriado. A m�sica � interrompida pelo toque de um celular se sobrepondo ao som dos alto-falantes. Christian aperta um bot�o no volante.</p><p>� Grey � diz secamente.</p><p>Ele � muito rude.</p><p>� Sr. Grey, aqui � Welch. Tenho a informa��o que o senhor solicitou. � Uma voz �spera, incorp�rea, sai dos alto-falantes.</p><p>� �timo. Envie por e-mail. Alguma coisa a acrescentar?</p><p>� N�o, senhor.</p><p>Ele aperta o bot�o, a liga��o � cortada e a m�sica volta. Nada de at� logo nem de obrigado. Ainda bem que nunca cogitei seriamente trabalhar para ele. Estreme�o s� de pensar nisso. Ele � controlador e frio demais com os funcion�rios. A m�sica � cortada de novo pelo som do telefone.</p><p>� Grey.</p><p>� O termo de confidencialidade j� foi enviado por e-mail para o senhor, Sr. Grey � diz uma voz de mulher.</p><p>� �timo. � s� isso, Andrea.</p><p>� Bom dia, senhor.</p><p>Christian desliga apertando um bot�o no volante. A m�sica acabou de recome�ar quando o telefone volta a tocar. Que inferno, ser� que a vida dele � sempre assim? Um telefonema chato atr�s do outro?</p><p>� Grey � ele atende seco.</p><p>� Oi, Christian, voc� transou?</p><p>� Oi, Elliot, estou no viva voz, e n�o estou sozinho no carro. � Christian suspira.</p><p>� Quem est� com voc�?</p><p>Christian revira os olhos.</p><p>� Anastasia Steele.</p><p>� Oi, Ana!</p><p><emphasis>Ana!</emphasis></p><p>� Oi, Elliot.</p><p>� Ouvi falar muito de voc� � murmura Elliot, rouco.</p><p>Christian franze a testa.</p><p>� N�o acredite em uma palavra do que Kate diz.</p><p>Elliot ri.</p><p>� Estou indo deixar Anastasia em casa agora. � Christian enfatiza meu nome inteiro. � Quer que eu pegue voc�?</p><p>� Claro.</p><p>� Vejo voc� daqui a pouco. � Christian desliga, e a m�sica volta.</p><p>� Por que voc� insiste em me chamar de Anastasia?</p><p>� Por que � seu nome.</p><p>� Prefiro Ana.</p><p>� Prefere agora?</p><p>Estamos quase diante do meu apartamento. N�o demorou muito.</p><p>� Anastasia � ele murmura. Olho de cara feia para ele, mas ele nem liga. � O que aconteceu no elevador n�o vai voltar a acontecer. Bem, n�o a menos que seja premeditado.</p><p>Ele estaciona em frente ao meu apartamento. S� agora me dou conta de que n�o me perguntou onde eu moro, e, no entanto, ele sabe. Enviou os livros, ent�o, � claro que sabe onde moro. Que espi�o competente, rastreador de telefone celular e propriet�rio de helic�ptero n�o saberia?</p><p>Por que ele n�o quer me beijar de novo? Fico chateada diante da ideia. N�o entendo. Sinceramente, o sobrenome dele deveria ser Enigm�tico, n�o Grey. Ele sai do carro, e, com aquelas pernas compridas que lhe conferem uma gra�a natural, d� a volta para abrir minha porta, sempre cavalheiro � salvo talvez em momentos raros e preciosos dentro de elevadores. Enrubes�o ao me lembrar de sua boca colada na minha, e me ocorre que n�o consegui tocar nele. Eu queria correr os dedos pelo seu cabelo despenteado, mas n�o consegui mexer as m�os. Fico frustrada ao pensar nisso.</p><p>� Gostei do que aconteceu no elevador � murmuro ao sair do carro. N�o tenho certeza se ouvi um suspiro, mas prefiro fingir que n�o e subo os degraus que levam � porta de entrada.</p><p>Kate e Elliot est�o sentados � nossa mesa de jantar. Os livros de quatorze mil d�lares sumiram. Gra�as a Deus, tenho planos para eles. Kate est� com um sorriso rid�culo no rosto, e est� despenteada de um jeito sensual. Christian entra na sala comigo e, apesar daquela cara de quem est� se divertindo, Kate olha desconfiada para ele.</p><p>� Oi, Ana.</p><p>Ela se levanta num salto para me dar um abra�o, depois se afasta para poder me examinar. Franze a testa e se vira para Christian.</p><p>� Bom dia, Christian � diz, num tom um pouco hostil.</p><p>� Srta. Kavanagh � diz ele daquele jeito frio e formal.</p><p>� Christian, o nome dela � Kate � resmunga Elliot.</p><p>� Kate.</p><p>Christian a cumprimenta com a cabe�a educadamente e olha furioso para Elliot, que ri e se levanta para me abra�ar tamb�m.</p><p>� Oi, Ana. � Ele sorri, os olhos azuis brilhando, e gosto dele na mesma hora. Evidentemente, n�o tem nada a ver com Christian, mas os dois s�o irm�os adotivos.</p><p>� Oi, Elliot. � Sorrio para ele, e percebo que estou mordendo o l�bio.</p><p>� Elliot, � melhor a gente ir � diz Christian com suavidade.</p><p>� Claro.</p><p>Ele toma Kate nos bra�os e lhe d� um beijo demorado.</p><p><emphasis>Nossa... v�o para o quarto.</emphasis> Encaro meus p�s, sem jeito. Ent�o, vejo que Christian est� me olhando atentamente. Franzo os olhos para ele. Por que n�o pode me beijar assim? Elliot continua beijando Kate, abra�ando-a e abaixando-a teatralmente at� fazer seu cabelo encostar no ch�o, e ent�o a beija ainda mais.</p><p>� At� mais, baby � diz ele, sorrindo.</p><p>Kate simplesmente se derrete. Eu nunca a vi se derreter antes � as palavras �bela� e �submissa� me ocorrem. Kate submissa. Nossa, Elliot deve ser bom. Christian revira os olhos para mim, a express�o inescrut�vel, se bem que talvez esteja achando certa gra�a. Ele p�e para tr�s da minha orelha uma mecha do meu cabelo que se soltou do rabo de cavalo. Perco o f�lego com o toque, e apoio a cabe�a em seus dedos. Seu olhar fica mais doce, e ele passa o polegar no meu l�bio inferior. Meu sangue ferve nas veias. E, num instante, n�o o sinto mais.</p><p>� At� mais, baby � murmura, e tenho que rir, porque isso n�o tem nada a ver com ele. Mas, embora eu saiba que ele est� brincando, a palavra carinhosa mexe com alguma coisa l� dentro de mim.</p><p>� Pego voc� �s oito.</p><p>Ele gira nos calcanhares, abre a porta e sai. Elliot o acompanha at� o carro, mas se volta e joga mais um beijo para Kate, e sinto uma inoportuna pontada de inveja.</p><p>� E a�, voc� transou? � pergunta Kate enquanto observamos os dois entrarem no carro e se afastarem, a curiosidade ardente percept�vel em sua voz.</p><p>� N�o � retruco com irrita��o, torcendo para que isso interrompa as perguntas. Voltamos para o apartamento. � Voc� obviamente sim.</p><p>N�o consigo conter a inveja. Kate sempre consegue prender os homens. Ela � irresist�vel, linda, sexy, engra�ada, extrovertida... tudo que eu n�o sou. Mas o sorriso com que ela responde � contagioso.</p><p>� E vou sair com ele de novo hoje � noite.</p><p>Ela bate palmas e pula como uma crian�a. N�o consegue conter a empolga��o e a felicidade, e n�o posso deixar de me sentir feliz por ela. Kate feliz... isso vai ser muito interessante.</p><p>� Christian vai me levar a Seattle hoje � noite.</p><p>� Seattle?</p><p>� �.</p><p>� E a� <emphasis>talvez</emphasis> voc�s transem?</p><p><emphasis>�</emphasis> Ah, espero que sim.</p><p>� Ent�o voc� gosta dele?</p><p>� Gosto.</p><p>� O bastante para...?</p><p>� Sim.</p><p>Ela ergue as sobrancelhas.</p><p>� Uau. Ana Steele, finalmente apaixonada por um homem, e ele � Christian Grey: gostoso, sensual e bilion�rio.</p><p>� Ah, � s� por causa do dinheiro. � Dou um sorrisinho, e ambas temos um acesso de riso.</p><p>� Essa blusa � nova? � quer saber Kate, e ent�o lhe conto todos os detalhes aflitivos da minha noite.</p><p>� Ele j� beijou voc�? � pergunta ela ao fazer o caf�.</p><p>Fico vermelha.</p><p>� Uma vez.</p><p>� Uma vez! � ca�oa ela.</p><p>Balan�o a cabe�a confirmando, bastante encabulada.</p><p>� Ele � muito reservado.</p><p>Ela franze a testa.</p><p>� Que estranho.</p><p>� Estranho � pouco.</p><p>� Precisamos garantir que voc� esteja simplesmente irresist�vel hoje � noite � diz ela com determina��o.</p><p><emphasis>Ah, n�o...</emphasis> parece que isso vai ser demorado, humilhante e doloroso.</p><p>� Tenho que estar na loja daqui a uma hora.</p><p>� Posso trabalhar nesse prazo. Vamos.</p><p>Kate me pega pela m�o e me leva para seu quarto.</p><p>* * *</p><p>O DIA SE arrasta na Clayton�s, apesar do movimento. Como estamos na temporada de ver�o, tenho que passar duas horas reabastecendo as prateleiras depois que a loja fecha. � um trabalho mec�nico, e me d� tempo para pensar. N�o tive realmente chance para isso o dia inteiro.</p><p>Sob as incans�veis e, francamente, intrusivas instru��es de Kate, minhas pernas e axilas est�o impecavelmente raspadas, minhas sobrancelhas foram feitas, e eu passei por uma esfolia��o completa. Foi uma experi�ncia desagradabil�ssima. Mas ela me garante que � isso que os homens esperam atualmente. O que mais ele espera? Preciso convencer Kate de que � isso que quero fazer. Por alguma raz�o estranha, ela n�o confia em Christian, talvez por ele ser t�o r�gido e formal. Ela diz n�o saber identificar o motivo, mas prometi lhe mandar uma mensagem pelo celular assim que chegar em Seattle. N�o lhe contei do helic�ptero. Ela ia ter um treco.</p><p>H� tamb�m o problema Jos�. Ele deixou tr�s mensagens e h� sete liga��es perdidas no meu celular. Tamb�m ligou duas vezes l� para casa. Kate foi muito vaga a respeito de onde estou. Ele vai saber que ela est� me dando cobertura. Kate nunca � vaga. Mas resolvi deix�-lo se remoendo. Ainda estou muito zangada com ele.</p><p>Christian mencionou uma papelada qualquer, e n�o sei se ele estava brincando ou se vou ter que assinar alguma coisa. � frustrante tentar adivinhar. E, al�m de toda a ang�stia, mal consigo conter a empolga��o e o nervosismo. Essa noite � a noite! Depois de todo esse tempo, ser� que estou pronta para isso? Minha deusa interior me olha furiosa, batendo o pezinho com impaci�ncia. Ela est� pronta para isso h� anos, e est� pronta para qualquer coisa com Christian Grey, mas eu ainda n�o entendo o que ele v� em mim... a t�mida Ana Steele... n�o faz sentido.</p><p>Ele � pontual, claro, e est� � minha espera quando saio da loja. Salta da parte traseira do Audi para abrir a porta e me lan�a um sorriso caloroso.</p><p>� Boa noite, Srta. Steele � diz.</p><p>� Sr. Grey � cumprimento-o polidamente com um aceno de cabe�a ao avan�ar para o banco de tr�s do carro. Taylor est� na dire��o.</p><p>� Ol�, Taylor.</p><p>� Boa noite, Srta. Steele � ele fala com educa��o, num tom profissional. Christian entra pelo outro lado e segura minha m�o, dando-lhe um apert�ozinho que ecoa por todo o meu corpo.</p><p>� Como foi o trabalho? � pergunta.</p><p>� Muito demorado � respondo e minha voz � �spera, grave demais e carente.</p><p>� �, eu tamb�m tive um dia longo.</p><p>� O que voc� fez? � consigo perguntar.</p><p>� Fui dar uma caminhada com Elliot.</p><p>Seu polegar ro�a os n�s dos meus dedos para l� e para c�, meu cora��o salta e minha respira��o se acelera. Como ele faz isso comigo? S� encostou numa pequena parte do meu corpo, e meus horm�nios se descontrolam.</p><p>O percurso at� o heliporto � curto e, quando vejo, j� chegamos. Pergunto-me onde estaria o fabuloso helic�ptero. Estamos numa �rea urbanizada da cidade, e at� eu sei que um helic�ptero precisa de espa�o para decolar e pousar. Taylor estaciona, sai do carro e abre a porta para mim. Christian aparece do meu lado num instante e torna a pegar minha m�o.</p><p>� Pronta? � pergunta.</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a e quero dizer <emphasis>para qualquer coisa.</emphasis> Mas n�o consigo articular as palavras, pois estou muito nervosa, muito agitada.</p><p>� Taylor. � Ele acena r�pido com a cabe�a para o motorista, e entramos no pr�dio, direto para o hall dos elevadores.</p><p><emphasis>Elevador!</emphasis> A lembran�a do nosso beijo daquela manh� torna a me assombrar. N�o pensei em mais nada o dia inteiro, sonhando acordada no caixa da loja. Por duas vezes o Sr. Clayton precisou gritar meu nome para me trazer de volta � Terra. Dizer que ando distra�da seria o m�nimo. Christian me olha, um sorrisinho nos l�bios. R�! Ele tamb�m est� pensando nisso.</p><p>� S�o s� tr�s andares � diz secamente, os olhos alegres dan�ando. Ele tem poderes telep�ticos, com certeza. � assustador.</p><p>Tento manter a express�o impass�vel ao entrarmos no elevador. As portas se fecham, e l� est� aquela estranha atra��o el�trica estalando entre n�s, escravizando-me. Fecho os olhos, tentando em v�o n�o me importar com isso. Ele aperta minha m�o e, cinco segundos depois, as portas se abrem para o telhado do pr�dio. E l� est�, um helic�ptero branco com o nome GREY ENTERPRISES HOLDINGS, INC. escrito em azul com o logo da companhia ao lado. <emphasis>Sem d�vida esse n�o � um uso adequado dos bens da companhia.</emphasis></p><p>Ele me conduz a um pequeno escrit�rio onde h� um senhor sentado � mesa.</p><p>� Aqui est� seu plano de voo, Sr. Grey. Todas as verifica��es externas foram feitas. A aeronave est� a postos. O senhor est� autorizado a decolar.</p><p>� Obrigado, Joe. � Christian sorri calorosamente para ele.</p><p>Ah, algu�m que merece tratamento cort�s por parte de Christian. Talvez n�o seja um empregado. Encaro o velho homem com respeito.</p><p>� Vamos � diz Christian, e nos encaminhamos para o helic�ptero.</p><p>De perto, � muito maior do que pensava. Eu esperava uma vers�o esportiva para dois, mas tem pelo menos sete lugares. Christian abre a porta e me encaminha para um dos assentos da frente.</p><p>� Sente-se. N�o toque em nada � ordena ao embarcar depois de mim.</p><p>Ele bate a porta com for�a. Ainda bem que a �rea est� toda iluminada, do contr�rio eu teria dificuldade de enxergar o interior da pequena cabine do piloto<emphasis>.</emphasis> Sento no lugar que me foi designado, e ele se agacha a meu lado para prender meu cinto de seguran�a. � um cinto de quatro pontos com todas as correias ligadas a um ponto central. Ele ajusta as duas correias superiores, e eu mal consigo me mexer. Est� muito perto e muito concentrado no que faz. Se pudesse me inclinar para a frente, eu encostaria o nariz em seu cabelo. Ele tem um cheiro limpo, fresco, divino, mas estou amarrada com seguran�a na minha poltrona e efetivamente im�vel. Ele ergue os olhos e sorri. Como sempre, parece estar curtindo uma piada particular, os olhos brilhando. Est� terrivelmente perto. Prendo o f�lego enquanto ele puxa uma das correias superiores.</p><p>� Voc� est� segura, sem escapat�ria � murmura ele. � Respire, Anastasia � acrescenta docemente.</p><p>Esticando o bra�o, acaricia meu rosto, correndo os dedos at� meu queixo, que segura entre o polegar e o indicador. Inclina-se para a frente e me d� um beijo r�pido e casto, deixando-me tonta e tr�mula com o toque inesperado e empolgante de seus l�bios.</p><p>� Gosto dessa correia � sussurra ele.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>Ele se senta ao meu lado e se prende em seu assento com o cinto, depois d� in�cio a um prolongado procedimento de checagem de aparelhos, acionamento de bot�es e comutadores do alucinante leque de mostradores, luzes e interruptores � minha frente. Luzinhas piscam de v�rios lugares, e o painel de instrumentos se acende.</p><p>� Ponha os fones de ouvido � diz ele, apontando para um conjunto de fones. Coloco-os, e as l�minas do rotor d�o a partida. � ensurdecedor. Ele coloca seu fone e continua acionando v�rios comandos.</p><p>� S� estou fazendo todas as verifica��es pr�-decolagem.</p><p>A voz incorp�rea de Christian chega aos meus ouvidos atrav�s dos fones. Olho para ele e sorrio.</p><p>� Voc� sabe o que est� fazendo? � pergunto.</p><p>Ele se vira e sorri para mim.</p><p>� Tenho brev� de piloto h� quatro anos, Anastasia. Voc� est� segura comigo. � Ele abre um sorriso feroz. � Bem, enquanto estivermos voando � acrescenta, e lan�a uma piscadinha para mim.</p><p><emphasis>Christian dando uma piscadinha!</emphasis></p><p>� Est� pronta?</p><p>Indico que sim com a cabe�a, os olhos arregalados.</p><p>� Tudo bem, torre. PDX, aqui � Charlie Tango Golf-Golf Echo Hotel, autoriza��o para decolar. Favor confirmar, c�mbio.</p><p>� Charlie Tango, autorizado. PDX falando, prossiga para quatro mil, dirigindo-se � zero um zero, c�mbio.</p><p>� Ok, torre. Charlie Tango preparado, c�mbio e desligo. L� vamos n�s � acrescenta ele para mim, e o helic�ptero sobe lenta e suavemente no ar.</p><p>Portland some diante de n�s � medida que rumamos para o espa�o a�reo dos Estados Unidos, embora meu est�mago continue firme em Oregon. Caramba! Todas as luzes fortes diminuem at� estarem piscando com pouca intensidade abaixo de n�s. � como olhar para fora de dentro de um aqu�rio. Quando estamos mais alto, n�o h� realmente nada para ver. � um breu, sem nem um raio de luar para iluminar nossa viagem. Como ele pode ver aonde estamos indo?</p><p>� Estranho, n�o? � A voz de Christian est� nos meus ouvidos.</p><p>� Como sabe que estamos indo na dire��o certa?</p><p>� Aqui. � Ele aponta para um dos indicadores que mostra uma b�ssola eletr�nica. � Este � um EC135 Eurocopter. Um dos mais seguros de sua classe. � equipado para voo noturno. � Olha para mim e sorri.</p><p>� Tem um heliporto no alto do pr�dio onde moro. � para onde estamos indo.</p><p>Claro que tem um heliporto onde ele mora. Isso � realmente muita areia para meu caminh�ozinho. O rosto dele est� suavemente iluminado pelas luzes do painel de instrumentos. Ele est� muito concentrado, e a toda hora olha os v�rios aparelhos � sua frente. Bebo discretamente com os olhos suas fei��es. Tem um perfil lindo. Nariz reto, queixo quadrado � eu gostaria de passar a l�ngua na mand�bula dele. Ele n�o se barbeou, e essa barba por fazer torna a perspectiva duplamente tentadora. Hum... eu queria sentir qu�o �spera � na minha l�ngua, nos meus dedos, no meu rosto.</p><p>� Quando voamos � noite, o voo � cego. Temos que confiar nos instrumentos � diz ele, interrompendo meu devaneio er�tico.</p><p>� Quanto tempo vai levar o voo? � consigo perguntar, sem f�lego. N�o estava pensando absolutamente em sexo, n�o, de jeito nenhum.</p><p>� Menos de uma hora. Estamos a favor do vento.</p><p><emphasis>Hum, menos de uma hora para Seattle</emphasis>... n�o � uma velocidade ruim. N�o � de espantar que estejamos voando.</p><p>Tenho menos de uma hora antes da grande revela��o. Todos os m�sculos da minha barriga se contraem, sinto aquele friozinho no est�mago. Puta merda, qual � a surpresa que ele tem para mim?</p><p>� Voc� est� bem, Anastasia?</p><p>� Estou.</p><p>Minha resposta � curta, cortada, espremida no meu nervosismo.</p><p>Acho que ele sorri, mas � dif�cil dizer no escuro. Christian aciona mais um bot�o.</p><p>� PDX, aqui � Charlie Tango agora a quatro mil, c�mbio.</p><p>Ele troca informa��es com o controle de tr�fego a�reo. Tudo soa muito profissional para mim. Acho que estamos passando do espa�o a�reo de Portland para o do Aeroporto Internacional de Seattle.</p><p>� Compreendido, Sea-Tac, a postos, c�mbio e desligo. Olhe ali. � Ele aponta para um ponto de luz ao longe. � � Seattle.</p><p>� Voc� sempre impressiona as mulheres desse jeito? Venha voar no meu helic�ptero? � pergunto genuinamente interessada.</p><p>� Nunca trouxe nenhuma garota aqui em cima, Anastasia. � outra primeira vez para mim � diz ele baixinho, com voz s�ria.</p><p>Ah, essa � uma resposta inesperada. Outra novidade? Ah, o lance de dormir, talvez.</p><p>� Est� impressionada?</p><p>� Estou apavorada, Christian.</p><p>Ele ri.</p><p>� Apavorada? � E, por um instante, ele parece de novo ter a idade que tem.</p><p>Balan�o a cabe�a, assentindo.</p><p>� Voc� � t�o... competente!</p><p>� Ora, obrigado, Srta. Steele � diz com educa��o.</p><p>Acho que ele est� satisfeito, mas n�o tenho certeza.</p><p>Viajamos calados na noite escura por algum tempo. O ponto de luz que � Seattle aumenta lentamente.</p><p>� Torre Sea-Tac para Charlie Tango. Plano de voo para Escala pronto. Favor prosseguir. Aguarde contato, c�mbio.</p><p>� Aqui � Charlie Tango, compreendido, Sea-Tac. Aguardando, c�mbio e desligo.</p><p>� Est� na cara que voc� gosta disso � murmuro.</p><p>� O qu�?</p><p>Ele me olha. Parece em d�vida � meia luz dos instrumentos.</p><p>� Voar � respondo.</p><p>� Isso exige controle e concentra��o... como eu poderia n�o gostar? Mas o que eu prefiro � planar.</p><p>� Planar?</p><p>� �, voar em planador. Planadores e helic�pteros, piloto as duas coisas.</p><p>� Ah.</p><p><emphasis>Hobbies caros.</emphasis> Lembro-me disso da entrevista. Gosto de ler e ir de vez em quando ao cinema. Isso aqui � muita areia para meu caminh�o.</p><p>� Charlie Tango, pode seguir, por favor, c�mbio.</p><p>A voz incorp�rea do controle de tr�fego a�reo interrompe meus pensamentos. Christian responde, no tom confiante de quem controla a situa��o.</p><p>Seattle se aproxima. Estamos nos arredores da cidade agora. Uau! � absolutamente incr�vel. Seattle � noite, do c�u.</p><p>� � bonito, n�o �? � murmura Christian.</p><p>Balan�o a cabe�a com entusiasmo. Parece do outro mundo, irreal, e eu me sinto num gigantesco <emphasis>set</emphasis> de filmagem. Do filme preferido de Jos�, talvez, <emphasis>Blade Runner.</emphasis> A lembran�a de Jos� tentando me beijar me persegue. Come�o a me sentir um pouco cruel por n�o ter retornado suas liga��es. <emphasis>Ele pode esperar at� amanh�...</emphasis><emphasis>com certeza</emphasis>.</p><p>� Vamos chegar em poucos minutos � avisa Christian, e, de repente, minha cabe�a lateja e meu pulso se acelera e tenho uma descarga de adrenalina. Ele volta a se comunicar com o controle a�reo, mas eu j� n�o estou ouvindo. Sinto que vou desmaiar. Meu destino est� nas m�os dele.</p><p>Estamos agora voando entre os pr�dios, e d� para ver um arranha-c�u com um heliporto em cima. No alto do pr�dio, l�-se a palavra �Escala� pintada de branco. Vai ficando cada vez mais perto, cada vez maior... como minha ansiedade. <emphasis>Nossa, tomara que eu n�o o decepcione.</emphasis> Ele vai me achar aqu�m das expectativas, de alguma maneira. Eu devia ter ouvido Kate e pegado emprestado um dos vestidos dela, mas gosto da minha cal�a jeans preta, e estou com uma blusa verde hortel� e a jaqueta preta de Kate. Estou suficientemente elegante. Agarro a beira da poltrona com cada vez mais for�a. <emphasis>Posso fazer isso. Posso fazer isso.</emphasis> Repito esse mantra enquanto o arranha-c�u surge l� embaixo.</p><p>O helic�ptero reduz a velocidade e flutua. Christian pousa no heliporto no alto do pr�dio. Sinto o cora��o na boca. N�o consigo decidir se � de nervosismo e ansiedade, de al�vio por termos chegado vivos, ou de medo de falhar de alguma forma. Ele desliga o motor e as p�s do rotor v�o parando at� eu s� ouvir o som da minha respira��o err�tica. Christian tira seus fones, estica o bra�o e tira os meus tamb�m.</p><p>� Chegamos � diz baixinho.</p><p>Seu olhar � intenso, meio na sombra e meio na claridade da ilumina��o para pouso. O cavaleiro das trevas e o her�i, essa � uma met�fora adequada para Christian. Ele parece cansado. Tem a mand�bula cerrada e os olhos apertados. Solta o cinto e se aproxima para soltar o meu. Seu rosto est� bem pr�ximo.</p><p>� Voc� n�o precisa fazer nada que n�o queira. Sabe disso, n�o �? � O tom dele � muito sincero, desesperado at�, o olhar, apaixonado. Ele me pega de surpresa.</p><p>� Eu nunca faria nada que n�o quisesse, Christian.</p><p>E, ao dizer isso, n�o sinto convic��o porque, a essa altura, eu talvez fa�a qualquer coisa por esse homem sentado a meu lado. Mas isso resolve. Ele sossega.</p><p>Ele me olha desconfiado por um momento e, de alguma forma, apesar da sua altura, consegue andar com eleg�ncia at� a porta do helic�ptero e abri-la. Salta, esperando que eu o acompanhe, e me ajuda a descer para a pista. Venta muito no alto do pr�dio, e fico nervosa por estar em p� a uma altura equivalente a pelo menos trinta andares num espa�o aberto. Christian passa o bra�o em volta da minha cintura e me puxa para junto de si.</p><p>� Vem � grita acima do ru�do do vento.</p><p>Ele me arrasta para o elevador, e, depois que digita um n�mero num teclado, as portas se abrem. Est� quente no interior todo espelhado do elevador. Vejo Christian ao infinito para qualquer ponto que eu olhe, e o maravilhoso � que ele tamb�m est� me abra�ando ao infinito. Christian digita outro c�digo no teclado, as portas se fecham e o elevador desce.</p><p>Logo depois estamos num hall todo branco. No meio, h� uma mesa redonda de madeira escura, e, sobre ela, um ramalhete incrivelmente imenso de flores brancas. H� quadros em todas as paredes. Ele abre uma porta dupla, e a cor branca permanece no corredor largo em cuja extremidade fica a entrada de uma sala palaciana. � a sala principal, com p� direito duplo. �Enorme� n�o � a palavra certa para todo aquele tamanho. A parede do fundo � de vidro e d� para uma varanda que domina Seattle.</p><p>� direita, h� um imponente sof� em U onde dez pessoas poderiam se sentar confortavelmente. Em frente ao sof�, a lareira mais moderna que se pode imaginar, em a�o inoxid�vel ou talvez platina, acho, e nela arde um fogo suave. � nossa esquerda, ao lado da entrada, fica a cozinha. Toda branca, com as bancadas em madeira escura e um balc�o para caf� da manh� com seis lugares.</p><p>Perto da cozinha, diante da parede de vidro, h� uma mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E encaixado no canto, um reluzente piano de cauda preto. Ah, sim... ele tamb�m deve tocar piano. H� arte de todas as formas e tamanhos nas paredes. Na verdade, o apartamento mais parece uma galeria do que uma casa.</p><p>� Posso pegar sua jaqueta? � pergunta Christian.</p><p>Balan�o a cabe�a. Ainda estou com frio por causa do vento do heliporto.</p><p>� Quer beber alguma coisa? � pergunta ele.</p><p>Pisco. Depois da noite passada! <emphasis>Ser� que ele est� tentando ser engra�ado?</emphasis> Por um segundo, penso em pedir uma margarita, mas n�o tenho coragem.</p><p>� Vou beber uma ta�a de vinho branco. Voc� me acompanha?</p><p>� Sim, por favor � murmuro.</p><p>Estou parada nesta sala enorme, sentindo-me deslocada. Vou at� a parede de vidro e me dou conta de que, na sua metade inferior, h� portas sanfonadas que d�o para a varanda. Seattle est� acesa e animada ao fundo. Volto para a cozinha � levo alguns segundos, � longe da parede de vidro � e Christian est� abrindo uma garrafa de vinho. J� tirou o palet�.</p><p>� Pouilly Fum� est� bom para voc�?</p><p>� N�o entendo nada de vinho, Christian. Tenho certeza de que � �timo.</p><p>Minha voz � suave e hesitante. Meu cora��o est� palpitando. Quero fugir. Essa casa � podre de chique. Exorbitantemente chique no padr�o Bill Gates. O que estou fazendo aqui? <emphasis>Voc� sabe muito bem o que est� fazendo aqui,</emphasis> me diz com desprezo meu inconsciente. Sim, eu quero ir para a cama com Christian Grey.</p><p>� Aqui.</p><p>Ele me entrega uma ta�a de vinho. At� as ta�as s�o chiques... pesadas, de cristal moderno. Dou um gole, e o vinho � leve, gelado e delicioso.</p><p>� Voc� est� muito calada, e nem est� corando. Na verdade, acho que nunca vi voc� t�o branca, Anastasia � murmura ele. � Est� com fome?</p><p>Balan�o a cabe�a. N�o de comida.</p><p>� � uma casa muito grande essa aqui.</p><p>� Grande?</p><p>� Grande.</p><p>� � grande � concorda ele, e seus olhos brilham divertidos.</p><p>Bebo outro gole de vinho.</p><p>� Voc� toca? � pergunto, indicando o piano com o queixo.</p><p>� Toco.</p><p>� Bem?</p><p>� Sim.</p><p>� Claro que toca. Existe alguma coisa que voc� n�o saiba fazer bem?</p><p>� Sim... algumas coisas.</p><p>Ele d� um gole em seu vinho. N�o tira os olhos de mim. Sinto-os me seguindo enquanto me viro para olhar a vasta sala. �Sala� � a palavra errada. Isso n�o � uma sala � � uma declara��o de prop�sito.</p><p>� Quer sentar?</p><p>Balan�o a cabe�a assentindo, e ele me d� a m�o e me conduz para o grande sof� branco. Ao me sentar, fico impressionada com o fato de me sentir como Tess Durbeyfield olhando para a casa nova que pertence ao not�rio Alec d�Urberville. Esse pensamento me faz sorrir.</p><p>� Qual � a gra�a? � Ele se senta a meu lado, virado para mim. Apoia a cabe�a na m�o direita, o cotovelo apoiado no encosto do sof�.</p><p>� Por que me deu especificamente o <emphasis>Tess of the d�Urbervilles? �</emphasis> pergunto.</p><p>Christian me olha por um instante. Acho que minha pergunta o surpreendeu.</p><p>� Bem, voc� disse que gostava de Thomas Hardy.</p><p>� S� por isso?</p><p>At� eu noto o desapontamento em minha voz. Ele contrai os l�bios.</p><p>� Pareceu adequado. Eu poderia manter voc� num ideal elevad�ssimo como Angel Clare ou degrad�-la completamente como Alec d�Urberville � murmura ele, e seus olhos possuem um brilho sinistro e perigoso.</p><p>� Se s� houvesse duas op��es, eu ficaria com a degrada��o � digo, olhando para ele.</p><p>Meu inconsciente me olha assombrado. Christian engasga.</p><p>� Anastasia, pare de morder o l�bio, por favor. Isso distrai muito. Voc� n�o sabe o que est� dizendo.</p><p>� Por isso estou aqui.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Sim. Voc� pode me dar licen�a um minuto?</p><p>Ele desaparece por uma porta larga do fundo da sala. Pouco depois, volta com um papel.</p><p>� Este � um termo de confidencialidade. � Ele d� de ombros e tem a eleg�ncia de parecer meio encabulado. � Minha advogada insiste nisso. � Ele me entrega o documento. Fico completamente desconcertada. � Se voc� escolher a segunda op��o, a degrada��o, vai precisar assinar isto.</p><p>� E se eu n�o quiser assinar nada?</p><p>� A� s�o os ideais elevados de Angel Clare, bem, na maior parte do livro, pelo menos.</p><p>� O que esse acordo significa?</p><p>� Significa que voc� n�o pode revelar nada sobre n�s. Para ningu�m.</p><p>Olho para ele descrente. Puta merda. Isso � ruim, muito ruim, e agora estou muito curiosa para saber.</p><p>� Tudo bem. Eu assino.</p><p>Ele me entrega uma caneta.</p><p>� Voc� nem vai ler?</p><p>� N�o.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Anastasia, voc� deve sempre ler qualquer coisa que assinar � aconselha.</p><p>� Christian, o que voc� n�o conseguiu entender � que de qualquer forma eu n�o contaria a ningu�m. Nem a Kate. Portanto, � irrelevante assinar ou n�o. Se isso � t�o importante para voc�, ou para sua advogada... para quem voc� obviamente conta, tudo bem. Eu assino.</p><p>Ele me olha, e assente solenemente com a cabe�a.</p><p>� <emphasis>Touch�</emphasis>, Srta. Steele.</p><p>Assino ostensivamente na linha pontilhada de ambas as c�pias e devolvo uma a ele. Dobro a outra, guardo-a na bolsa e dou um bom gole no vinho. Estou parecendo muito mais corajosa do que na verdade me sinto.</p><p>� Isso quer dizer que voc� vai fazer amor comigo hoje � noite, Christian?</p><p><emphasis>Puta merda. Ser� que acabei de dizer isso?</emphasis> Ele fica boquiaberto, mas logo se recupera.</p><p>� N�o, Anastasia, n�o quero dizer isso. Em primeiro lugar, eu n�o fa�o amor. Eu fodo... com for�a. Em segundo lugar, ainda tem muita papelada para assinar. E em terceiro, voc� ainda n�o sabe onde est� se metendo. Ainda pode cair fora. Venha, quero mostrar meu quarto de jogos.</p><p>Meu queixo cai. <emphasis>Foder com for�a.</emphasis> Puta merda, isso parece muito excitante. Mas por que estamos indo para um quarto de jogos? Estou perplexa.</p><p>� Quer jogar Xbox? � pergunto.</p><p>Ele ri alto.</p><p>� N�o, Anastasia. Nada de Xbox, nada de Playstation. Venha.</p><p>Ele se levanta, estendendo a m�o. Deixo-o me conduzir pelo corredor. � direita da porta dupla por onde entramos, h� outra porta que leva a uma escada. Subimos ao segundo andar e viramos novamente � direita. Tirando uma chave do bolso, ele abre outra porta e respira fundo.</p><p>� Voc� pode ir embora quando quiser. O helic�ptero est� � espera para lev�-la na hora que quiser ir. Ou pode passar a noite aqui e voltar para casa amanh� de manh�. Para mim, o que voc� decidir est� bom.</p><p>� Abra o raio da porta, Christian.</p><p>Ele abre a porta e recua para me deixar entrar. Olho para ele de novo. Quero muito saber o que h� ali. Respiro fundo e entro.</p><p>E parece que viajei no tempo para o s�culo XVI e sua Inquisi��o espanhola.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO SETE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>A primeira coisa que noto � o cheiro: couro, madeira, cera com uma leve ess�ncia c�trica. � muito agrad�vel e a ilumina��o � suave, sutil. Na verdade, n�o consigo ver de onde vem, mas est� em toda a volta da cornija do teto, e emite uma luz acolhedora. As paredes e o teto s�o de um tom de vermelho-escuro bem fechado, dando ao quarto espa�oso uma sensa��o de aconchego, e o ch�o � de madeira muito antiga, envernizada. H� uma grande estrutura de madeira em forma de X presa � parede em frente � porta. � feita de mogno muito polido, e tem algemas pendendo das quatro pontas. Acima do X, h� uma ampla grade de ferro, pendurada no teto, de no m�nimo dois metros quadrados e meio, da qual pende todo tipo de corda, corrente e grilh�es reluzentes. Junto � porta, duas varas polidas e ricamente entalhadas que lembram bala�stres, por�m mais longas, est�o presas � parede como paus de cortina, e delas pende uma impressionante variedade de p�s, varinhas, chicotes de montaria e divertidos objetos emplumados.</p><p>Ao lado da porta, h� uma s�lida c�moda em mogno, cujas gavetas s�o estreitas como se planejadas para conter esp�cimes num antigo museu. Pergunto-me rapidamente o que elas <emphasis>realmente</emphasis> cont�m. <emphasis>Ser� que quero saber?</emphasis> No fundo, fica um banco estofado de couro vinho, e, preso � parede ao lado dele, est� uma estante de madeira polida que parece um porta-tacos de bilhar, por�m, de perto, v�-se que guarda bengalas de v�rios comprimentos e larguras. H� uma robusta mesa de um metro e oitenta de comprimento no canto oposto, em madeira polida com pernas intrincadamente entalhadas e, sob ela, dois tamboretes formando um conjunto.</p><p>Mas o que domina o quarto � a cama. � maior do que o tamanho king size, com quatro colunas e entalhes em estilo rococ� e dossel plano. Parece do fim do s�culo XIX. Embaixo do dossel, mais correntes e algemas. N�o h� cobertas... s� um colch�o de couro vermelho e almofadas de cetim vermelho amontoadas numa extremidade.</p><p>A alguns palmos do p� da cama h� um amplo sof� estilo Chesterfield vermelho-escuro, simplesmente largado no meio do quarto de frente para a cama. Uma arruma��o estranha... um sof� virado para a cama. Sorrio comigo mesma. Achei o sof� esquisito, quando na verdade � o m�vel mais comum do quarto. Ergo os olhos e olho para cima. H� mosquet�es por todo o teto, a intervalos disparatados. Questiono-me vagamente para que servem. O estranho � que a madeira, as paredes escuras, a ilumina��o inst�vel e o couro vermelho tornam o quarto quase suave e rom�ntico... Sei que � tudo menos isso; � a vers�o de Christian para suavidade e romantismo.</p><p>Viro-me, e ele est� me olhando com aten��o, como sabia que estaria, a express�o completamente inescrut�vel. Entro mais um pouco no quarto, e ele me acompanha. O objeto de plumas me intriga. Toco nele timidamente. � de camur�a, como um pequeno gato de nove caudas, s� que mais felpudo, e tem contas de pl�stico bem pequenas na ponta.</p><p>� Chama-se a�oite � diz Christian com a voz baixa e macia.</p><p><emphasis>A�oite... hum.</emphasis> Acho que estou em estado de choque. Meu inconsciente desapareceu, ficou mudo ou simplesmente caiu fulminado. Estou paralisada. Posso observar e absorver, mas n�o consigo articular meus sentimentos, porque estou em estado de choque. Qual � a rea��o apropriada � descoberta de que um amante em potencial � um completo tarado sadista ou masoquista? <emphasis>Medo...</emphasis> sim<emphasis>...</emphasis> esse parece ser o sentimento preponderante. Reconhe�o agora. Mas, por incr�vel que pare�a, n�o tenho medo dele. N�o acho que ele v� me machucar, bem, n�o sem meu consentimento. Muitas perguntas confundem minha cabe�a. Por qu�? Como? Quando? Com que frequ�ncia? Quem? Vou at� a cama e passo as m�os nas colunas ricamente entalhadas. S�o muito resistentes, e o trabalho � impressionante.</p><p>� Diga alguma coisa � ordena Christian, a voz enganosamente macia.</p><p>� Voc� faz isso com as pessoas ou elas fazem isso com voc�?</p><p>Ele sorri, achando gra�a ou aliviado.</p><p>� As pessoas? � Ele pisca duas vezes ao considerar a resposta. � Fa�o isso com mulheres que querem que eu fa�a.</p><p>N�o entendo.</p><p>� Se voc� tem volunt�rias dispostas, por que estou aqui?</p><p>� Por que eu quero muito, muito fazer isso com voc�.</p><p>� Ah. � Engulo em seco. <emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>Vou at� o fundo da sala, bato de leve no banco estofado da altura da minha cintura e corro os dedos pelo couro. <emphasis>Ele gosta de machucar mulheres.</emphasis> A ideia me deprime.</p><p>� Voc� � s�dico?</p><p>� Sou dominador. � Seu olhar � abrasador, intenso.</p><p>� O que isso quer dizer? � pergunto.</p><p>� Quer dizer que quero que voc� se entregue espontaneamente a mim, em tudo.</p><p>Franzo a testa para ele, tentando assimilar a ideia.</p><p>� Por que eu faria isso?</p><p>� Para me satisfazer � ele murmura, inclina a cabe�a para o lado e vejo a sombra de um sorriso.</p><p><emphasis>Satisfazer! Ele quer que eu o satisfa�a!</emphasis> Acho que estou boquiaberta. <emphasis>Satisfazer Christian Grey.</emphasis> E me dou conta, naquele momento, de que, sim, � exatamente isso que eu quero fazer. Quero que ele fique absolutamente satisfeito comigo. � uma revela��o.</p><p>� Em termos muito simples, quero que voc� queira me agradar � diz ele baixinho. Sua voz � hipn�tica.</p><p>� Como?</p><p>Minha boca est� seca, e queria ter tomado mais vinho. Tudo bem, entendo a parte do agrado, mas estou intrigada com o cen�rio de tortura elisabetana. Ser� que quero saber a resposta?</p><p>� Eu tenho regras, e quero que voc� as obede�a. Elas s�o para o seu bem e para o meu prazer. Se seguir essas regras como eu desejo, eu a recompenso. Se n�o seguir, eu a castigo, e voc� aprende � murmura. Ele olha para o arm�rio de bengalas ao dizer isso.</p><p>� E como tudo isso se encaixa? � fa�o um gesto mostrando o quarto todo.</p><p>� Isso tudo faz parte do pacote de incentivo. Recompensa e castigo.</p><p>� Ent�o voc� se excita exercendo sua vontade sobre mim.</p><p>� Tudo gira em torno de conquistar sua confian�a e seu respeito, para voc� deixar que eu exer�a minha vontade sobre voc�. Quanto mais se submeter, maior minha alegria. � uma equa��o muito simples.</p><p>� Tudo bem, e o que eu ganho com isso?</p><p>Ele d� de ombros com uma express�o quase de quem pede desculpas.</p><p>� Eu � diz simplesmente.</p><p><emphasis>Ai, meu Deus.</emphasis> Christian passa a m�o no cabelo ao me olhar.</p><p>� N�o tem nada a perder, Anastasia � murmura exasperado. � Vamos voltar l� para baixo, onde consigo me concentrar melhor. Ver voc� neste quarto me distrai muito.</p><p>Ele me estende a m�o, e agora eu hesito em peg�-la.</p><p>Kate disse que ele era perigoso. Ela estava cert�ssima. <emphasis>Como sabia?</emphasis> Ele � perigoso para minha sa�de, porque sei que vou aceitar. E uma parte de mim n�o quer. Uma parte de mim quer sair correndo aos gritos desse quarto e de tudo o que ele representa. Isso � demais para mim.</p><p>� N�o vou machucar voc�, Anastasia.</p><p>Sei que est� dizendo a verdade. Dou a m�o para ele, e sa�mos do quarto.</p><p>� Se voc� vai querer fazer isso, preciso lhe mostrar uma coisa.</p><p>Em vez de descer, ele vira � direita ao sair do <emphasis>quarto de jogos</emphasis>, como ele chama, e segue por um corredor. Passamos por v�rias portas at� chegarmos � �ltima. Do outro lado, h� um quarto com uma grande cama de casal, todo branco... tudo: mob�lia, paredes, roupas de cama. � ass�ptico e frio, mas tem uma vista deslumbrante de Seattle pela parede de vidro.</p><p>� Este ser� seu quarto. Voc� pode decor�-lo como quiser, ter o que quiser aqui dentro.</p><p>� Meu quarto? Espera que eu me mude para c�?</p><p>N�o consigo disfar�ar o tom de pavor na minha voz.</p><p>� N�o o tempo todo. S�, vamos dizer, de sexta � noite a domingo. Temos que conversar sobre isso tudo, combinar. Se voc� quiser fazer isso � acrescenta, em tom baixo e t�mido.</p><p>� Eu vou dormir aqui?</p><p>� Sim.</p><p>� N�o com voc�.</p><p>� N�o. Eu j� expliquei. N�o durmo com ningu�m, a n�o ser com voc� quando est� completamente b�bada. � A voz dele � de censura.</p><p>Minha boca se contrai numa linha r�gida. N�o consigo juntar as duas coisas. O Christian bom e solid�rio que me resgata da embriaguez e me segura com delicadeza enquanto vomito em cima das azaleias, e o monstro que possui chicotes e correias num quarto especial.</p><p>� Onde voc� dorme?</p><p>� Meu quarto � l� embaixo. Venha, voc� deve estar com fome.</p><p>� Por mais estranho que pare�a, perdi o apetite � murmuro com petul�ncia.</p><p>� Voc� precisa comer, Anastasia � repreende ele, segurando minha m�o e me levando para o andar de baixo.</p><p>Ao chegar no imenso sal�o, fico profundamente inquieta. Estou � beira de um precip�cio, e tenho que decidir se vou pular.</p><p>� Estou perfeitamente ciente de estar levando voc� para o mau caminho, Anastasia, por isso quero que pense com cuidado. Voc� deve ter algumas perguntas � diz ele ao entrar na cozinha, soltando minha m�o.</p><p><emphasis>Sim, tenho. Mas por onde come�ar?</emphasis></p><p>� Voc� j� assinou a declara��o de confidencialidade. Agora pode me perguntar o que quiser que eu respondo.</p><p>Fico parada diante do balc�o de caf� da manh�, observando-o abrir a geladeira e tirar uma bandeja com v�rios tipos de queijo, dois ma�os de folhas e uns cachos de uvas roxas. Ele coloca a bandeja na bancada e come�a a cortar uma baguete francesa.</p><p>� Sente-se. � Aponta para um dos tamboretes diante do balc�o, e lhe obede�o. Se vou fazer isso, tenho que me acostumar. De repente me dou conta de que ele � autorit�rio assim desde que o conheci.</p><p>� Voc� falou em papelada.</p><p>� Sim.</p><p>� Que tipo de papelada?</p><p>� Bem, al�m da declara��o de confidencialidade, um contrato dizendo o que faremos e o que n�o faremos. Preciso conhecer seus limites, e voc� precisa conhecer os meus. Isso � consensual, Anastasia.</p><p>� E se eu n�o quiser fazer isso?</p><p>� Tudo bem � diz ele cauteloso.</p><p>� Mas a� n�o teremos nenhum tipo de rela��o? � pergunto.</p><p>� N�o.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Esse � o �nico tipo de rela��o no qual estou interessado.</p><p>� Por qu�?</p><p>Ele d� de ombros.</p><p>� � assim que eu sou.</p><p>� Como voc� ficou desse jeito?</p><p>� Por que uma pessoa � do jeito que �? Essa � uma resposta um pouco dif�cil. Por que uns gostam de queijo e outros odeiam? Voc� gosta de queijo? A Sra. Jones, minha governanta, deixou isso para o jantar.</p><p>Ele pega uns pratos grandes num arm�rio e os coloca na minha frente.</p><p><emphasis>Estamos falando de queijo... Que merda.</emphasis></p><p>� Quais regras tenho que seguir?</p><p>� Tenho todas por escrito. Vamos examin�-las depois que voc� tiver comido.</p><p><emphasis>Comida. Como posso comer agora?</emphasis></p><p>� Eu realmente n�o estou com fome � sussurro.</p><p>� Voc� vai comer � diz ele simplesmente. <emphasis>Christian dominador, isso esclarece muita coisa.</emphasis> � Quer mais uma ta�a de vinho?</p><p>� Sim, por favor.</p><p>Ele serve o vinho em minha ta�a e se senta a meu lado. Dou um gole apressado.</p><p>� Pode se servir de comida, Anastasia.</p><p>Pego um cachinho de uva. Isso eu consigo. Ele aperta os olhos.</p><p>� Faz tempo que voc� � assim? � pergunto.</p><p>� Sim.</p><p>� � f�cil encontrar mulheres que queiram fazer isso?</p><p>Ele ergue a sobrancelha para mim.</p><p>� Voc� ficaria espantada � diz secamente.</p><p>� Ent�o, por que eu? Eu realmente n�o entendo.</p><p>� Anastasia, eu j� lhe disse. H� alguma coisa em voc�. N�o consigo deix�-la. � Ele sorri com ironia. � Sou como a mariposa atra�da pela chama. � Sua voz fica sombria. � Quero voc� desesperadamente, sobretudo agora, que est� mordendo o l�bio de novo.</p><p>Ele respira fundo e engole em seco.</p><p>Meu est�mago d� cambalhotas. Ele me quer... de um jeito esquisito, � verdade, mas esse homem lindo, estranho e pervertido me quer.</p><p>� Acho que voc� inverteu as coisas � resmungo.</p><p>Eu sou a mariposa e ele � a chama, e vou me queimar. Eu sei.</p><p>� Coma!</p><p>� N�o. Ainda n�o assinei nada, ent�o acho que vou me agarrar � minha liberdade mais um pouquinho, se voc� n�o se opuser.</p><p>Seu olhar fica mais doce, e seus l�bios se repuxam num sorriso.</p><p>� Como quiser, Srta. Steele.</p><p>� Quantas mulheres? � Cuspo a pergunta, estou muito curiosa.</p><p>� Quinze.</p><p>Oh... menos do que eu pensava.</p><p>� Por longos per�odos de tempo?</p><p>� Algumas delas, sim.</p><p>� J� machucou algu�m?</p><p>� Sim.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>� Muito?</p><p>� N�o.</p><p>� Vai me machucar?</p><p>� Como assim?</p><p>� Fisicamente, voc� vai me machucar?</p><p>� Vou castig�-la quando for preciso, e vai ser doloroso.</p><p>Acho que estou fraca. Tomo outro gole de vinho: isso vai me dar coragem.</p><p>� J� apanhou? � pergunto.</p><p>� Sim.</p><p>Ah... Isso me surpreende. Antes que eu possa question�-lo mais sobre essa revela��o, ele interrompe meu racioc�nio.</p><p>� Vamos discutir isso no meu escrit�rio. Quero lhe mostrar uma coisa.</p><p>� dif�cil processar. Imaginei tolamente que teria uma noite de amor na cama desse homem, e estamos negociando os termos de um pacto esquisito.</p><p>Vou com ele para o escrit�rio, uma sala ampla com outra janela do ch�o ao teto que d� para a varanda. Ele se senta � mesa, faz um gesto indicando a cadeira de couro onde devo me sentar � sua frente, e me entrega um papel.</p><p>� Estas s�o as regras. Todas elas est�o sujeitas a modifica��es. Elas fazem parte deste contrato, do qual voc� tamb�m pode ter uma c�pia. Leia-as agora e vamos discuti-las.</p><empty-line/><p><strong>REGRAS</strong></p><p><emphasis>Obedi�ncia:</emphasis></p><p>A Submissa obedecer� a quaisquer instru��es dadas pelo Dominador imediatamente, sem hesita��o ou reserva, e com presteza. A Submissa concordar� com qualquer atividade sexual que o Dominador julgar adequada e prazerosa salvo aquelas atividades que est�o resumidas em limites r�gidos (Ap�ndice 2). Ela far� isso avidamente e sem hesita��o.</p><p><emphasis>Sono:</emphasis></p><p>A Submissa assegurar� completar o m�nimo de sete horas de sono por noite quando n�o estiver com o Dominador.</p><p><emphasis>Alimenta��o</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>A submissa consumir� regularmente os alimentos previamente listados (Ap�ndice 4) para conservar a sa�de. A Submissa n�o comer� nada entre as refei��es, com a exce��o de frutas.</p><p><emphasis>Roupas</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>Durante a Vig�ncia deste contrato, a Submissa s� usar� roupas aprovadas pelo Dominador. O Dominador fornecer� � Submissa um or�amento para o vestu�rio, que a Submissa dever� usar. O Dominador acompanhar� <emphasis>ad hoc</emphasis> a Submissa nas compras de vestu�rio. Se o Dominador solicitar, a Submissa usar�, durante a Vig�ncia deste contrato, quaisquer adornos solicitados pelo Dominador, na presen�a do Dominador e em qualquer outro momento que o Dominador julgar adequado.</p><p><emphasis>Exerc�cios</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>O Dominador fornecer� � Submissa um personal trainer para sess�es de uma hora de exerc�cios, quatro vezes por semana, em hor�rio a ser combinado de comum acordo entre o personal trainer e a Submissa. O personal trainer reportar� ao Dominador o progresso da Submissa.</p><p><emphasis>Higiene Pessoal/Beleza:</emphasis></p><p>A Submissa se manter� sempre limpa e depilada. A Submissa visitar� um sal�o de beleza � escolha do Dominador com frequ�ncia a ser decidida pelo Dominador e se submeter� aos tratamentos est�ticos que o Dominador julgar adequados.</p><p><emphasis>Seguran�a Pessoal:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se exceder� na bebida, n�o fumar�, n�o far� uso de drogas recreativas nem se colocar� desnecessariamente em qualquer situa��o de risco.</p><p><emphasis>Qualidades Pessoais:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se envolver� em quaisquer rela��es sexuais com qualquer outra pessoa sen�o o Dominador. A Submissa se apresentar� sempre de forma respeitosa e recatada. Ela deve reconhecer que seu comportamento se reflete diretamente no Dominador. Ser� responsabilizada por qualquer transgress�o, delito ou m� conduta incorridos quando n�o estiver na presen�a do Dominador.</p><p><strong>O n�o cumprimento de quaisquer das regras acima resultar� em puni��o imediata, cuja natureza ser� determinada pelo Dominador.</strong></p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Limites r�gidos? � pergunto.</p><p>� Sim. O que voc� n�o far�, o que eu n�o farei. Precisamos especificar em nosso contrato.</p><p>� N�o estou certa quanto a aceitar dinheiro para roupas. Parece errado.</p><p>Remexo-me com desconforto, a palavra �prostituta� chocalhando na cabe�a.</p><p>� Quero gastar dinheiro com voc�. Deixe-me presente�-la com algumas roupas. Posso precisar que me acompanhe em eventos, e quero voc� bem-vestida. Tenho certeza que o seu sal�rio, quando voc� conseguir de fato um emprego, n�o cobrir� o tipo de roupa que eu gostaria que voc� usasse.</p><p>� N�o preciso usar essas roupas quando n�o estiver com voc�?</p><p>� N�o.</p><p>� Ok. � <emphasis>Considere-as um uniforme.</emphasis></p><p>� N�o quero malhar quatro vezes por semana.</p><p>� Anastasia, preciso de voc� �gil, forte e resistente. Confie em mim, voc� precisa malhar.</p><p>� Mas com certeza n�o quatro vezes por semana. Que tal tr�s?</p><p>� Quero que sejam quatro.</p><p>� Achei que isso fosse uma negocia��o.</p><p>Ele contrai os l�bios.</p><p>� Ok, Srta. Steele, outro ponto para voc�. Que tal uma hora tr�s dias por semana e meia hora um dia?</p><p>� Tr�s dias, tr�s horas. Tenho a impress�o que voc� vai garantir que eu me exercite quando eu estiver aqui.</p><p>Ele d� um sorriso malicioso, e seus olhos brilham como se estivesse aliviado.</p><p>� � verdade. Ok. Fechado. Tem certeza que n�o quer estagiar na minha empresa? Voc� negocia bem.</p><p>� N�o acho que seja uma boa ideia.</p><p>Releio as regras. <emphasis>Depilar! Depilar o qu�? Tudo? Ui.</emphasis></p><p>� Agora, os limites. Estes s�o os meus. � Ele me entrega outra folha de papel.</p><empty-line/><p><strong>LIMITES R�GIDOS</strong></p><p>Nenhum ato envolver� brincadeiras com fogo.</p><p>Nenhum ato envolver� urinar, defecar ou os produtos destas a��es.</p><p>Nenhum ato envolver� agulhas, facas, perfura��es ou sangue.</p><p>Nenhum ato envolver� instrumentos m�dicos ginecol�gicos.</p><p>Nenhum ato envolver� crian�as ou animais.</p><p>Nenhum ato poder� deixar quaisquer marcas permanentes na pele.</p><p>Nenhum ato envolver� controle respirat�rio.</p><p>N�o haver� nenhuma atividade que requeira contato direto com corrente el�trica (seja alternada ou direta), fogo ou chamas.</p><empty-line/><p><emphasis>Ui. Ele tem mesmo que escrever isso!</emphasis> Claro, parece tudo muito sensato e, francamente, necess�rio... Nenhuma pessoa sadia iria querer se envolver com esse tipo de coisa, sem d�vida. Mas eu agora me sinto meio incomodada.</p><p>� Tem mais alguma coisa que voc� gostaria de acrescentar? � pergunta ele com gentileza.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> N�o tenho ideia. Estou absolutamente perplexa. Ele me olha e franze a testa.</p><p>� Tem alguma coisa que voc� se negue a fazer?</p><p>� N�o sei.</p><p>� Como assim, n�o sabe?</p><p>Retor�o-me desconfortavelmente e mordo o l�bio.</p><p>� Eu nunca fiz nada parecido com isso.</p><p>� Bem, mas quando fez sexo, houve alguma coisa que n�o gostou de fazer?</p><p>Pela primeira vez, depois de s�culos, enrubes�o.</p><p>� Pode me dizer, Anastasia. Precisamos ser sinceros um com o outro, ou isso n�o vai dar certo.</p><p>Torno a me retorcer e fico olhando para meus dedos contra�dos.</p><p>� Conte para mim � ordena ele.</p><p>� Bem... Eu nunca fiz sexo antes, ent�o n�o sei.</p><p>Falo baixinho. Dou uma olhada para ele, que est� me encarando boquiaberto, paralisado e p�lido � p�lido mesmo.</p><p>� Nunca? � suspira ele.</p><p>Fa�o que n�o com a cabe�a.</p><p>� Voc� � virgem?</p><p>Balan�o a cabe�a, corando de novo. Ele fecha os olhos e parece contar at� dez. Quando torna a abri-los, est� irritado, e olha para mim com raiva.</p><p>� Por que n�o me contou, porra? � rosna.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO OITO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Christian est� andando de um lado para o outro do escrit�rio e passando as m�os no cabelo. As duas m�os � isso � exaspera��o em dobro. Seu usual autocontrole absoluto parece ter escorrido pelo ralo.</p><p>� N�o entendo por que voc� n�o me contou � ele me censura.</p><p>� Nunca surgiu assunto. N�o costumo revelar minha condi��o sexual a cada pessoa que conhe�o. Quer dizer, a gente mal se conhece.</p><p>Encaro minhas m�os. Por que me sinto culpada? Por que ele est� t�o irritado? Olho para ele.</p><p>� Bem, voc� agora j� sabe bastante a meu respeito � diz ele seco, a boca contra�da. � Eu sabia que voc� era inexperiente, mas <emphasis>virgem?</emphasis> � Ele fala como se aquilo fosse mesmo um palavr�o. � Que inferno, Ana, eu acabei de mostrar a voc�... � ele resmunga. � Deus me perdoe. Algu�m j� beijou voc�, al�m de mim?</p><p>� Claro que sim.</p><p>Fa�o o poss�vel para parecer ofendida. <emphasis>Ok... talvez duas vezes.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> E nenhum cara legal fez voc� perder a cabe�a? Eu simplesmente n�o entendo. Voc� tem vinte e um anos, quase vinte e dois. � linda.</p><p>Ele torna a passar a m�o no cabelo.</p><p><emphasis>Linda.</emphasis> Coro de alegria. Christian Grey me acha linda. Aperto os dedos, olhando fixo para eles, tentando disfar�ar o sorriso apatetado. <emphasis>Vai ver ele � m�ope.</emphasis> Meu inconsciente levantou a cabe�a de maneira son�mbula. Onde ele estava quando precisei dele?</p><p>� E voc� est� discutindo seriamente o que eu quero fazer, apesar de n�o ter experi�ncia. � Ele franze o cenho. � Como evitou o sexo? Conte para mim, por favor.</p><p>Encolho os ombros.</p><p>� Ningu�m nunca... voc� sabe... � Chegou t�o perto, s� voc�. E voc� se revela uma esp�cie de monstro. � Por que est� t�o irritado comigo? � murmuro.</p><p>� N�o estou irritado com voc�. Estou irritado comigo... � Ele suspira. Olha para mim astutamente e ent�o balan�a a cabe�a. � Quer ir embora? � pergunta, com delicadeza.</p><p>� N�o, a menos que voc� queira que eu v� � respondo. <emphasis>Ah, n�o... eu n�o quero ir.</emphasis></p><p>� Claro que n�o. Gosto de ter voc� aqui. � Ele levanta as sobrancelhas ao dizer isso e depois olha o rel�gio. � Est� tarde. � E se vira para mim. � Voc� est� mordendo o l�bio.</p><p>Sua voz � grave, e ele me olha especulativamente.</p><p>� Desculpe.</p><p>� N�o se desculpe. � s� que assim tamb�m fico com vontade de morder, s� que com for�a.</p><p>Arquejo... como ele pode me dizer esse tipo de coisa e esperar que eu n�o me abale?</p><p>� Venha � murmura ele.</p><p>� O qu�?</p><p>� Vamos resolver esse problema agora mesmo.</p><p>� Como assim? Que problema?</p><p>� O seu, Ana. Vou fazer amor com voc�, agora.</p><p>� Ah. � O ch�o desaba sob meus p�s. <emphasis>Eu sou um problema.</emphasis> Prendo minha respira��o.</p><p>� Quer dizer, se voc� quiser. N�o quero me meter em encrenca.</p><p>� Pensei que voc� n�o fizesse amor. Pensei que voc� fodesse, e com for�a.</p><p>Engulo em seco, a boca de repente sem nenhuma saliva.</p><p>Ele abre um sorriso malicioso, que produz efeitos diretos <emphasis>l� embaixo.</emphasis></p><p>� Posso abrir uma exce��o, ou talvez combinar as duas coisas, vamos ver. Eu quero muito fazer amor com voc�. Por favor, venha para a cama comigo. Quero que nosso acordo d� certo, mas voc� realmente precisa ter alguma ideia de onde est� se metendo. Podemos come�ar seu treinamento esta noite, com o b�sico. Isso n�o quer dizer que fiquei todo sentimental. Trata-se de um meio para um fim, mas um fim que eu quero, e espero que voc� tamb�m.</p><p>O olhar dele � intenso.</p><p>Eu coro... <emphasis>nossa...</emphasis> desejos se realizam, sim.</p><p>� Mas ainda n�o fiz tudo que voc� exige nas suas regras � digo ofegante, hesitando.</p><p>� Esque�a as regras. Esque�a esses detalhes todos por hoje. Eu quero voc�. Quis desde que voc� se estatelou no ch�o da minha sala, e sei que voc� me quer. Voc� n�o estaria a� sentada calmamente discutindo puni��es e limites se n�o quisesse. Por favor, Ana, passe a noite comigo.</p><p>Ele me estende a m�o, com os olhos brilhando, ardentes... excitados, e seguro a m�o dele. Ele me puxa para seus bra�os e sinto todo o seu corpo colado no meu, e sou pega de surpresa por esse movimento r�pido. Christian corre os dedos em volta da minha nuca, enrola meu rabo de cavalo no punho e puxa com delicadeza, for�ando-me olhar para ele. Ele olha para mim.</p><p>� Voc� � uma garota corajosa � diz. � Estou impressionado.</p><p>As palavras parecem um dispositivo incendi�rio. Meu sangue arde. Ele se abaixa e beija minha boca delicadamente, depois chupa meu l�bio inferior.</p><p>� Quero morder esse l�bio � murmura junto da minha boca, e a puxa cuidadosamente com os dentes.</p><p>Dou um gemido e ele sorri.</p><p>� Por favor, Ana, deixe eu fazer amor com voc�.</p><p>� Sim � sussurro, porque � por isso que estou aqui.</p><p>O sorriso dele � triunfante quando ele me solta, me d� a m�o e me conduz pelo apartamento.</p><p>Seu quarto � enorme. As janelas at� o teto d�o para os arranha-c�us iluminados de Seattle. As paredes s�o brancas, e os m�veis, azul-claros. A cama imensa � ultramoderna, feita de uma madeira cinzenta e r�stica como galhos secos, tem quatro colunas mas � sem dossel. Na parede acima, h� uma paisagem marinha impressionante.</p><p>Estou tremendo como vara verde. Pronto. Finalmente, depois desse tempo todo, vou fazer isso, com ningu�m menos que Christian Grey. Minha respira��o est� curta, e n�o consigo tirar os olhos dele. Ele tira o rel�gio e o coloca em cima de uma c�moda que combina com a cama, e tira o palet�, colocando-o numa cadeira. Est� com aquela camisa de linho branco e cal�a jeans. � lindo de morrer. Tem o cabelo cor de cobre escuro todo despenteado, a camisa para fora da cal�a, os olhos cinzentos atrevidos e deslumbrantes. Ele descal�a o All Star, se abaixa e tira as meias, uma de cada vez. Os p�s de Christian Grey... uau... porque essa atra��o por p�s? Ele se vira para mim com o olhar meigo.</p><p>� Presumo que voc� n�o tome p�lula.</p><p><emphasis>O qu�? Merda.</emphasis></p><p>� Achei que n�o tomasse.</p><p>Ele abre a primeira gaveta da c�moda, tira um pacote de camisinhas e me lan�a um olhar intenso.</p><p>� Esteja preparada � murmura. � Quer que eu feche as cortinas?</p><p>� Tanto faz � respondo. � Achei que voc� n�o deixasse ningu�m dormir na sua cama.</p><p>� Quem disse que a gente vai dormir? � retruca ele.</p><p>� Ah. � <emphasis>Minha nossa.</emphasis></p><p>Ele vem devagarinho na minha dire��o. Seguro, sensual, olhos em brasa, e meu cora��o come�a a palpitar. O sangue lateja em minhas veias. O desejo, palp�vel e quente, se concentra em minhas entranhas. Ele est� em p� na minha frente, olhando nos meus olhos. <emphasis>� absurdamente sexy.</emphasis></p><p>� Vamos tirar essa jaqueta, vamos? � diz baixinho e segura as lapelas para despir delicadamente meus ombros da jaqueta, que coloca na cadeira.</p><p>� Tem alguma ideia de quanto a desejo, Ana Steele? � murmura.</p><p>Engasgo. N�o consigo tirar os olhos dele. Ele estica o bra�o e corre os dedos devagarinho pelo meu rosto at� o queixo.</p><p>� Tem alguma ideia do que vou fazer com voc�? � acrescenta, acariciando meu queixo.</p><p>A musculatura da minha parte mais �ntima e escondida se comprime da maneira mais deliciosa. A dor � t�o gostosa e t�o aguda que quero fechar os olhos, mas estou hipnotizada pelo seu olhar ardente. Inclinando-se, ele me beija. Seus l�bios s�o exigentes, firmes e lentos, moldando os meus. Come�a a desabotoar minha blusa enquanto vai me dando beijinhos lev�ssimos pela mand�bula, pelo queixo, terminando nas comissuras da minha boca. Devagarinho, tira minha blusa e a deixa cair no ch�o. Recua e me olha. Estou com o suti� de renda azul-clara que me cai como uma luva. <emphasis>Gra�as a Deus.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ah, Ana � suspira ele. � Voc� tem uma pele lind�ssima, alva e impec�vel. Quero beijar cada cent�metro dela.</p><p>Fico rubra. <emphasis>Nossa...</emphasis> Por que ele disse que n�o fazia amor? Eu farei o que ele quiser. Ele pega a presilha do meu cabelo, solta-a e arqueja quando meu cabelo cai ao redor de meus ombros.</p><p>� Gosto de morenas � murmura, com as duas m�os no meu cabelo, uma de cada lado da minha cabe�a.</p><p>Seu beijo � obstinado, sua l�ngua e seus l�bios adulando os meus. Gemo, e minha l�ngua encontra timidamente a dele. Ele me envolve nos bra�os e me arrasta para junto de si, apertando-me. Mant�m uma das m�os no meu cabelo, enquanto a outra desce pela minha coluna at� a cintura e depois a bunda. Para ali e aperta delicadamente minhas n�degas, mantendo-me colada a ele, e sinto sua ere��o, que ele languidamente pressiona no meu corpo.</p><p>Suspiro de novo em sua boca. Mal consigo conter os sentimentos � ou seriam os horm�nios? � que me percorrem desenfreados. Quero-o desesperadamente. Segurando seus bra�os, sinto seus b�ceps. Ele � surpreendentemente forte... musculoso. Timidamente, levo as m�os ao seu rosto e afago seu cabelo. � muito macio, desalinhado. Puxo delicadamente, e ele geme. Vai me conduzindo devagarinho para a cama, at� eu senti-la atr�s dos joelhos. Acho que vai me for�ar a deitar, mas n�o for�a. Ele me solta, e de repente se ajoelha. Agarra meus quadris com as duas m�os, passa a l�ngua em volta do meu umbigo e vai me mordiscando at� um dos lados da cintura, atravessando depois minha barriga para o outro lado.</p><p>� Ah � gemo.</p><p>V�-lo ajoelhado na minha frente, sentir sua boca em mim � algo muito inesperado e sensual. Mantenho as m�os em seu cabelo, puxando-o delicadamente ao tentar aquietar minha respira��o bastante ruidosa. Ele ergue os olhos para mim atrav�s de c�lios longu�ssimos, o olhar ardente turvo. Ent�o, desabotoa minha cal�a jeans, puxa sem pressa o z�per. Sem tirar os olhos de mim, passa as m�os por baixo do c�s, ro�ando de leve minha pele e alcan�ando minha bunda. As m�os v�o deslizando devagarinho por ali rumo � parte de tr�s das minhas coxas, descendo a cal�a jeans com elas. N�o consigo desviar o olhar. Ele para e molha os l�bios, sem interromper o contato visual. Inclina-se para a frente, ro�ando o nariz na minha coxa at� chegar no v�rtice entre minhas pernas. Eu o sinto. <emphasis>Ali.</emphasis></p><p>� Voc� � muito cheirosa � murmura ele, e fecha os olhos, com uma express�o de puro prazer, e eu praticamente me contor�o. Ele puxa o edredom da cama, e gentilmente me empurra at� que eu caia no colch�o.</p><p>Ainda ajoelhado, segura meu p� e desamarra meu All Star, tirando o t�nis e a meia. Me apoio nos cotovelos para ver o que ele est� fazendo. Estou arfando... de desejo. Christian levanta meu calcanhar e corre o polegar pela sola do meu p�. Quase chega a doer, mas sinto o eco do movimento nas minhas entranhas. Suspiro. Sem desviar os olhos dos meus, ele passa a l�ngua, depois os dentes, pela sola do meu p�. <emphasis>Merda.</emphasis> Gemo... como posso sentir isso <emphasis>ali?</emphasis> Torno a me deitar, gemendo. Ou�o sua risadinha.</p><p>� Ah, Ana, o que fa�o com voc�? � sussurra.</p><p>Tira meu outro t�nis e minha outra meia, depois se levanta e arranca totalmente minha cal�a jeans. Estou deitada na cama dele s� de suti� e calcinha, e ele est� me olhando.</p><p>� Voc� � muito bonita, Anastasia Steele. Mal posso esperar para estar dentro de voc�.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> As palavras dele. Ele � t�o sedutor. Fico sem f�lego.</p><p>� Mostre para mim como voc� se d� prazer.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis> Franzo o cenho.</p><p>� N�o seja t�mida, Ana, mostre para mim � murmura ele.</p><p>Balan�o a cabe�a.</p><p>� N�o sei o que voc� quer dizer.</p><p>Minha voz est� rouca. Mal a reconhe�o, t�o cheia de desejo.</p><p>� Como voc� se faz gozar? Quero ver.</p><p>Balan�o a cabe�a.</p><p>� Eu n�o fa�o � murmuro.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas, espantado por um instante, com o olhar sombrio e balan�a a cabe�a, incr�dulo.</p><p>� Bem, vamos ver o que podemos fazer a esse respeito.</p><p>Sua voz � macia, provocante, uma amea�a sensual deliciosa. Ele desabotoa sua cal�a jeans e despe-a devagar, os olhos nos meus o tempo todo. Inclina-se sobre mim, e, me segurando pelos tornozelos, afasta minhas pernas com um gesto r�pido e sobe na cama. Ele paira em cima de mim. Eu me retor�o de desejo.</p><p>� Fique quieta � ordena ele, ent�o se abaixa e me beija, subindo pela parte interna da coxa, prosseguindo por sobre o fino tecido rendado da calcinha.</p><p>Ah... n�o consigo ficar parada. Como posso n�o me mexer? Contor�o-me embaixo dele.</p><p>� Vamos ter que trabalhar para manter voc� im�vel, baby.</p><p>Ele beija minha barriga, e enfia a l�ngua em meu umbigo. Continua subindo, beijando meu torso. Minha pele arde. Estou afogueada, com muito calor, muito frio, agarrada ao len�ol embaixo de mim. Ele se deita ao meu lado, e sua m�o passeia pelo meu quadril, passando pela cintura e subindo at� meu seio. Ele me olha, a express�o enigm�tica, e delicadamente envolve meu seio com a m�o.</p><p>� Cabe na minha m�o perfeitamente, Anastasia � murmura, puxando o bojo do suti� para baixo com o indicador e liberando meu seio, que, no entanto, continua levantado pela arma��o e pelo tecido do bojo. Seu dedo passa para o outro seio e repete a opera��o. Meus seios se intumescem, e meus mamilos endurecem sob seu olhar cont�nuo. Estou atada pelo meu pr�prio suti�.</p><p>� Muito bom � sussurra ele em tom de aprova��o, e meus mamilos ficam mais duros ainda.</p><p>Ele chupa delicadamente um enquanto sua m�o vai para o outro seio e ele rodeia com o polegar o bico do mamilo, alongando-o. Gemo, uma sensa��o doce percorre minhas entranhas. Estou toda molhada. <emphasis>Ah, por favor,</emphasis> imploro internamente, agarrando-me com mais for�a ao len�ol. Seus l�bios se fecham em volta de meu outro mamilo, e, quando ele puxa, quase tenho espasmos.</p><p>� Vamos ver se podemos fazer voc� gozar assim � sussurra ele, sem interromper o assalto lento e sensual. Meus mamilos suportam o delicioso impacto de seus dedos e seus l�bios h�beis, que acendem cada uma de minhas termina��es nervosas e fazem meu corpo inteiro cantar com uma doce agonia. Ele simplesmente n�o para.</p><p>� Oh... por favor � imploro, e inclino a cabe�a para tr�s, a boca aberta enquanto gemo, esticando as pernas. Minha nossa, o que est� acontecendo comigo?</p><p>� Deixe-se levar, baby � murmura ele.</p><p>Seus dentes est�o cerrados em volta do meu mamilo, e ele puxa, forte, com o polegar e o indicador, e eu desmancho na sua m�o, o corpo estremecendo em espasmos e explodindo em mil peda�os. Ele me beija, a l�ngua enfiada na minha boca, absorvendo meus gritos.</p><p><emphasis>Nossa.</emphasis> Isso foi extraordin�rio. Agora sei por que todo o alvoro�o em torno desse assunto. Ele me olha, um sorriso satisfeito nos l�bios, enquanto sei que, nos meus, s� h� gratid�o e assombro.</p><p>� Voc� � muito sens�vel � suspira ele. � Vai ter que aprender a controlar isso, e agora vai ser muito mais divertido ensinar.</p><p>Ele volta a me beijar.</p><p>Minha respira��o ainda est� entrecortada enquanto me recupero do orgasmo. Suas m�os descem pela minha cintura at� os quadris, e a� ele me envolve intimamente com a m�o em concha... <emphasis>Meu Deus.</emphasis> Seu dedo escorrega pela renda fina e me rodeia devagarinho � <emphasis>ali</emphasis>. Por um instante, ele fecha os olhos, e sua respira��o falha.</p><p>� Voc� est� deliciosamente molhada. Nossa, eu quero voc�.</p><p>Ele enfia o dedo dentro de mim, e solto um grito quando enfia de novo e de novo. Manipula meu clit�ris, e dou outro grito. Ele movimenta o dedo dentro de mim com mais for�a ainda. Gemo.</p><p>De repente, ele se senta na cama, arranca minha calcinha e a joga no ch�o. Tira a cueca, e a ere��o se revela, livre. <emphasis>Puta merda...</emphasis> Ele estica o bra�o e pega um envelopinho de papel laminado, e a� se mete entre as minhas pernas, afastando-as bem. Se ajoelha e coloca uma camisinha em sua extens�o avantajada. <emphasis>Ah n�o... Ser� que vai...? Como?</emphasis></p><p>� N�o se preocupe � suspira ele, os olhos nos meus. � Voc� tamb�m dilata.</p><p>Debru�a-se, apoiando as m�os em ambos os lados da minha cabe�a, de modo a pairar sobre mim, olhando-me nos olhos, a mand�bula cerrada, os olhos ardentes. S� agora percebo que ainda est� de camisa.</p><p>� Quer mesmo fazer isso? � pergunta suavemente.</p><p>� Por favor � imploro.</p><p>� Levante as pernas � ordena com delicadeza, e obede�o de imediato. � Agora vou come�ar a foder com voc�, Srta. Steele � murmura ele, ao posicionar a cabe�a de seu pau na entrada do meu sexo. � Com for�a � murmura, e me penetra.</p><p>� Aai! � grito ao sentir um estranho belisc�o l� dentro de mim quando ele tira minha virgindade.</p><p>Ele fica im�vel, me encarando, os olhos brilhando em �xtase com a vit�ria. Sua boca est� entreaberta, e sua respira��o � �spera. Ele geme.</p><p>� Voc� � t�o apertada. Est� tudo bem?</p><p>Fa�o que sim, olhos arregalados, segurando os antebra�os dele. Sinto-me muito plena. Ele continua parado, deixando que eu me acostume � sensa��o avassaladora e intrusiva de t�-lo dentro de mim.</p><p>� Vou me mexer agora, baby � sussurra ele pouco depois, a voz tensa.</p><p><emphasis>Oh.</emphasis></p><p>Ele se movimenta para tr�s extremamente devagar. Fecha os olhos e geme, e torna a me penetrar. Grito de novo, e ele para.</p><p>� Mais? � murmura, a voz rouca.</p><p>� Sim � suspiro.</p><p>Ele faz de novo, e torna a parar. Gemo, o corpo aceitando-o... Ah, eu quero isso.</p><p>� De novo? � sussurra ele.</p><p>� Sim. � � uma s�plica.</p><p>E ele se mexe, mas dessa vez n�o para. Apoia-se nos cotovelos e posso sentir o seu peso em cima de mim, apertando-me. No in�cio, os movimentos s�o lentos, metendo e depois se tirando de dentro de mim. E, � medida que me acostumo com a sensa��o estranha, mexo os quadris timidamente ao encontro dos dele. Ele acelera o ritmo. Eu gemo, e ele continua o vaiv�m, mais depressa, implac�vel, num ritmo incessante, e eu acompanho, respondendo aos seus est�mulos. Ele pega minha cabe�a nas m�os e me beija com for�a, os dentes de novo puxando meu l�bio inferior. Ele se agita ligeiramente, e sinto algo crescendo dentro de mim, como antes. Come�o a enrijecer � medida que ele se mexe. Meu corpo estremece, arqueia, coberto de suor. <emphasis>Meu Deus...</emphasis> Eu n�o sabia que a sensa��o seria essa... n�o sabia que podia ser t�o gostoso. Meus pensamentos est�o se dispersando... s� existe essa sensa��o... s� ele... s� eu... ah, por favor... enrije�o.</p><p>� Goze para mim, Ana � murmura ele sem f�lego, e obede�o, explodindo em volta dele ao chegar ao cl�max e me dividir em um milh�o de peda�os embaixo dele. E, quando goza, ele chama meu nome, se impelindo com for�a, depois se imobilizando ao se esvaziar em mim.</p><p>Continuo arfando, tentando acalmar minha respira��o, meu cora��o disparado e meus pensamentos tumultuados. <emphasis>Uau... isso foi incr�vel.</emphasis> Abro os olhos, e ele est� com a testa colada � minha, olhos fechados, a respira��o ofegante. Christian abre os olhos e me encara com uma express�o sombria, mas meiga. Ainda est� dentro de mim. Inclinando-se, me d� um beijo delicado na testa e sai de dentro de mim devagar.</p><p>� Ai. � Contraio o rosto diante da sensa��o desconhecida.</p><p>� Machuquei voc�? � pergunta Christian deitado ao meu lado, apoiado no cotovelo.</p><p>Ele prende atr�s da minha orelha uma mecha que se soltou do meu cabelo. E sou obrigada a abrir um enorme sorriso.</p><p>� <emphasis>Voc�</emphasis> est� me perguntando se me machucou?</p><p>� Eu n�o deixei de reparar na ironia � diz com um sorriso sard�nico. � Falando s�rio, voc� est� bem?</p><p>Os olhos dele s�o intensos, perspicazes, at� exigentes.</p><p>Espregui�o-me embaixo dele, profundamente relaxada. Sorrio. N�o consigo parar de sorrir. Agora entendo todo o estardalha�o. Dois orgasmos... desabar inteira, me sentir como se estivesse dentro de uma m�quina de lavar, nossa. Eu n�o tinha ideia do que meu corpo era capaz, de ser t�o contido e liberado com tanta viol�ncia, de modo t�o gratificante. O prazer foi indescrit�vel.</p><p>� Voc� est� mordendo o l�bio e n�o me respondeu.</p><p>Ele franze o cenho. Olho para ele, travessa. Est� glorioso com aquele cabelo desgrenhado, aqueles ardentes olhos cinzentos apertados, e aquela express�o s�ria e sombria.</p><p>� Eu gostaria de fazer isso de novo � sussurro.</p><p>Por um momento, penso ver uma express�o de al�vio lhe passar pelo rosto, antes de ele semicerrar as p�lpebras e me olhar com os olhos velados.</p><p>� Gostaria agora, Srta. Steele? � pergunta secamente.</p><p>Inclina-se e me d� um beijinho no canto da boca.</p><p>� Voc� � uma senhorita exigente, n�o? Vire-se de costas.</p><p>Pisco para ele por um instante, e me viro. Ele desabotoa meu suti� e passa as m�os pelas minhas costas at� minha bunda.</p><p>� Voc� tem mesmo uma pele linda � murmura.</p><p>Ele faz um movimento, empurrando uma perna entre as minhas, e est� deitado nas minhas costas. Sinto a press�o dos bot�es de sua camisa enquanto ele afasta o cabelo do meu rosto e beija meus ombros nus.</p><p>� Por que voc� est� de camisa? � pergunto.</p><p>Ele para. Em seguida, tira a camisa, e se deita em cima de mim. Sinto sua pele quente na minha. <emphasis>Humm</emphasis>... a sensa��o � divina. Ele tem pelos dourados no peito que fazem c�cegas nas minhas costas.</p><p>� Ent�o voc� quer que eu te coma de novo? � sussurra ele no meu ouvido, e come�a a me dar aqueles beijinhos muito de leve em volta da orelha e pelo pesco�o.</p><p>Sua m�o desce, ro�ando minha cintura, meus quadris e minha coxa at� o joelho. Ele levanta mais meu joelho, e me falta ar... <emphasis>O que ele est� fazendo agora?</emphasis> Se ajeitando entre as minhas pernas, colado nas minhas costas, e sua m�o some pela minha coxa na dire��o da minha bunda. Ele afaga devagarinho meu rosto, e desce os dedos at� entre minhas pernas.</p><p>� Vou te comer por tr�s, Anastasia � murmura ele, e, com a outra m�o, me agarra pelo cabelo na nuca e puxa de leve, me prendendo. N�o consigo mexer a cabe�a. Estou imobilizada embaixo dele, sem poder fazer nada.</p><p>� Voc� � minha � sussurra. � S� minha. N�o se esque�a disso. � Sua voz � embriagadora, suas palavras, excitantes e sedutoras. Sinto sua ere��o crescente na minha coxa.</p><p>Seus dedos massageiam delicadamente meu clit�ris, em lentos movimentos circulares. Gosto da sua respira��o em meu rosto enquanto ele vai mordiscando devagarinho minha mand�bula.</p><p>� Voc� tem um cheiro divino. � Ele esfrega o nariz atr�s da minha orelha. Suas m�os me massageiam em movimentos circulares. Num reflexo, meus quadris come�am a se mexer, imitando o movimento da m�o dele, e uma onda lancinante de prazer corre no meu sangue como adrenalina.</p><p>� Fique quieta � ordena ele, a voz meiga mas imperiosa, e enfia o polegar devagarinho dentro de mim, girando e girando, ro�ando a parede da minha vagina.</p><p>O efeito � enlouquecedor � toda a minha energia concentrada naquele pontinho dentro do meu corpo. Gemo.</p><p>� Gostou disso? � pergunta ele baixinho, passando os dentes na minha orelha, e come�a a flexionar o polegar lentamente, para dentro e para fora... os dedos ainda em movimentos circulares.</p><p>Fecho os olhos, tentando manter a respira��o sob controle, tentando absorver as sensa��es ca�ticas e desordenadas que os dedos dele est�o desencadeando em mim, meu corpo pegando fogo. Gemo de novo.</p><p>� Voc� ficou muito molhada, bem depressa. � bastante sens�vel. Ah, Anastasia, eu gosto disso. Gosto muito disso � murmura.</p><p>Quero esticar as pernas, mas n�o consigo me mexer. Ele est� me prendendo, mantendo um ritmo constante, lento e tortuoso. � absolutamente delicioso. Gemo de novo, e ele muda de posi��o de repente.</p><p>� Abra a boca � ordena, e mete o polegar na minha boca.</p><p>Arregalo os olhos, pestanejando loucamente.</p><p>� Sinta o seu gosto � diz ele baixinho no meu ouvido. � Chupa.</p><p>Seu polegar pressiona minha l�ngua, e fecho a boca, chupando-o freneticamente. Provo o gosto salgado do seu polegar e o leve travo met�lico do sangue. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Isso � errado, mas, puta que pariu, � er�tico.</p><p>� Quero foder a sua boca, Anastasia, e vou fazer isso daqui a pouco � ele fala com uma voz rouca, �spera, a respira��o mais irregular.</p><p><emphasis>Foder a minha boca!,</emphasis> gemo, e mordo o l�bio. Ele arqueja, e puxa meu cabelo com mais for�a. D�i, e eu o solto.</p><p>� Menina sacana, gostosa � murmura ele, e se estica para pegar um envelope de papel laminado na mesa de cabeceira. � Fique quietinha, sem se mexer � ordena ao soltar meu cabelo.</p><p>Abre o envelope enquanto estou respirando forte, o sangue correndo r�pido em minhas veias. A expectativa � estimulante. Ele torna a p�r o peso todo em cima de mim, e agarra meu cabelo, imobilizando minha cabe�a. N�o consigo me mexer. Ele me capturou de uma forma tentadora, e est� posicionado, pronto para me comer de novo.</p><p>� Vamos muito devagar dessa vez, Anastasia � sussurra ele.</p><p>E, lentamente, me penetra, bem devagar, at� estar todo dentro de mim. Aumentando e me ocupando, implac�vel. Solto um gemido alto. Agora a sensa��o vai mais fundo, deliciosa. Torno a gemer, e ele mexe os quadris deliberadamente num movimento circular e se retira, faz uma pausa e torna a meter. Repete o movimento v�rias vezes. Est� me levando � loucura, aquelas estocadas provocantes, lentas e calculadas, e a sensa��o intermitente de completude � avassaladora.</p><p>� Voc� � muito gostosa � repete ele, e minhas entranhas come�am a estremecer. Ele sai e espera. � Ah n�o, ainda n�o � sussurra, e, conforme o estremecimento vai cessando, recome�a todo o processo.</p><p>� Oh, por favor � imploro. N�o sei ao certo se consigo aguentar muito mais. Meu corpo est� todo tenso, implorando pelo relaxamento.</p><p>� Quero machucar voc�, baby � murmura ele, e continua aquele doce tormento, sem pressa, indo e vindo. � Cada vez que voc� se mexer amanh�, quero que se lembre que estive a�. S� eu. Voc� � minha.</p><p>Gemo.</p><p>� Por favor, Christian � sussurro.</p><p>� O que voc� quer, Anastasia? Diga.</p><p>Gemo de novo. Ele se retira e torna a me penetrar lentamente, mexendo de novo os quadris em movimentos circulares.</p><p>� Diga � ele pede.</p><p>� Voc�, por favor.</p><p>Ele aumenta imperceptivelmente o ritmo, e sua respira��o fica mais irregular. Come�o a sentir espasmos, e Christian acelera.</p><p>� Voc�. �. Muito. Gostosa � murmura ele entre uma estocada e outra. � Eu. Quero. Voc�. Muito.</p><p>Gemo.</p><p>� Voc�. �. Minha. Goza para mim, baby � grunhe ele.</p><p>Suas palavras s�o a minha perdi��o, empurrando-me no abismo. Meu corpo estremece em volta dele, e eu gozo, ruidosamente, gritando com a boca no colch�o uma vers�o engrolada do nome dele. Christian segue com duas estocadas secas, e para, se derramando dentro de mim ao gozar. Desaba em cima de mim, o rosto no meu cabelo.</p><p>� Porra. Ana � sussurra ele, e se retira de mim imediatamente, rolando para o lado da cama.</p><p>Puxo os joelhos at� o peito, totalmente esgotada, e imediatamente apago ou desmaio, caindo num sono exausto.</p><p>* * *</p><p>QUANDO ACORDO, AINDA est� escuro. N�o tenho ideia de quanto tempo dormi. Espregui�o-me embaixo do edredom, e me sinto dolorida, deliciosamente dolorida. Christian n�o est� por perto. Sento-me na cama, observando a silhueta da cidade diante de mim. H� menos luzes acesas nos arranha-c�us, e a aurora come�a a se anunciar no leste. Ou�o m�sica. As notas cadenciadas do piano, um lamento triste e doce. Bach, acho eu, mas n�o tenho certeza.</p><p>Enrolo-me no edredom e vou de mansinho para o sal�o. Christian est� ao piano, completamente absorto na melodia. Tem uma express�o triste e desolada, como a m�sica. Sua interpreta��o � espantosa. Encosto na parede da entrada, e fico ouvindo, embevecida. Ele � um m�sico muito talentoso. Est� nu, o corpo banhado pela luz quente de uma lumin�ria ao lado do piano. Com o resto da sala �s escuras, � como se estivesse em seu pequeno foco de luz isolado, intoc�vel... sozinho dentro de uma bolha.</p><p>Vou de mansinho em sua dire��o, incitada pela m�sica sublime e melanc�lica. Sinto-me mesmerizada, observando seus dedos esguios e habilidosos encontrarem e pressionarem as teclas com delicadeza, pensando em como esses mesmos dedos lidaram com meu corpo e o acariciaram com destreza. Enrubes�o e suspiro com a lembran�a, e aperto as coxas. Ele ergue os olhos, aqueles seus insond�veis olhos cinzentos brilhando, a express�o misteriosa.</p><p>� Desculpe � murmuro. � N�o queria atrapalhar.</p><p>Ele franze o cenho.</p><p>� Com certeza, eu que devia estar dizendo isso para voc� � murmura ele.</p><p>Ele acaba de tocar e p�e as m�os sobre as pernas.</p><p>Vejo agora que est� vestindo cal�a de pijama. Corre os dedos pelo cabelo e se levanta. Usa as cal�as ca�das nos quadris, daquele jeito... <emphasis>minha nossa.</emphasis> Fico com a boca seca quando ele displicentemente d� a volta no piano e vem na minha dire��o. Tem ombros largos, quadris estreitos, e seus m�sculos abdominais ondulam quando anda. Ele � mesmo um espanto.</p><p>� Voc� devia estar na cama � adverte.</p><p>� Essa foi uma pe�a linda. Bach?</p><p>� Transcri��o de Bach, mas originalmente um concerto para obo� de Alessandro Marcello.</p><p>� � deslumbrante, mas bastante triste, uma melodia muito melanc�lica.</p><p>Ele d� um sorrisinho.</p><p>� Para a cama � ordena. � Voc� vai estar exausta de manh�.</p><p>� Acordei e voc� n�o estava no quarto.</p><p>� Tenho dificuldade de dormir, e n�o estou acostumado a dormir com algu�m � murmura ele.</p><p>N�o consigo entender seu estado de esp�rito. Ele parece meio abatido, mas � dif�cil dizer no escuro. Talvez fosse o tom da pe�a que estava tocando. Passa o bra�o em volta de mim e me acompanha gentilmente de volta ao quarto.</p><p>� H� quanto tempo voc� pratica? Toca lindamente.</p><p>� Desde os seis anos.</p><p>� Ah.</p><p>Christian com seis anos... visualizo a imagem de um lindo garotinho de cabelo cor de cobre e olhos cinzentos, e meu cora��o se derrete � um garotinho cabeludo que gosta de m�sica triste.</p><p>� Como est� se sentindo? � pergunta ele quando chegamos ao quarto. Ele acende a l�mpada de cabeceira.</p><p>� Estou bem.</p><p>Ambos olhamos ao mesmo tempo para a cama. H� sangue nos len��is � prova da perda da minha virgindade. Enrubes�o, sem jeito, me enrolando mais no edredom.</p><p>� Bem, isso vai dar � Sra. Jones o que pensar � murmura Christian parado � minha frente.</p><p>Ele segura meu queixo, inclinando minha cabe�a para tr�s, e fica me olhando. Examina meu rosto com um olhar intenso. Percebo que ainda n�o tinha visto seu peito nu. Instintivamente, estico a m�o para passar os dedos nos pelos de seu t�rax. Na mesma hora, ele recua, evitando o contato.</p><p>� Deite na cama � diz bruscamente. Sua voz fica mais doce. � Vou deitar com voc�.</p><p>Abaixo a m�o e franzo o cenho. Acho que ainda n�o toquei em seu torso. Ele pega uma camisa na gaveta e a veste depressa.</p><p>� Para a cama � torna a ordenar.</p><p>Volto para a cama, tentando n�o pensar no sangue. Ele deita ao meu lado e me aconchega, abra�ando-me por tr�s. Beija meu cabelo com delicadeza e funga.</p><p>� Durma, doce Anastasia � murmura, e fecho os olhos, mas n�o posso deixar de sentir uma ponta de melancolia, seja por causa da m�sica, seja pelo comportamento dele. Christian Grey tem um lado triste.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO NOVE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>A luz inunda o quarto, tirando-me de um sono profundo at� eu despertar. Espregui�o-me e abro os olhos. � uma linda manh� de maio, Seattle aos meus p�s. Uau, que vista. A meu lado, Christian Grey dorme profundamente. Uau, que vista. Estou surpresa que ele ainda esteja na cama. Est� de frente para mim, e tenho a oportunidade in�dita de estud�-lo. Seu belo rosto parece mais jovem, relaxado pelo sono. Seus l�bios carnudos e esculturais est�o ligeiramente entreabertos, e seu cabelo limpo e brilhoso est� gloriosamente bagun�ado. Deveria ser proibido por lei algu�m ser t�o bonito assim. Penso no quarto l� em cima... talvez ele n�o ande dentro da lei, mesmo. Balan�o a cabe�a, tenho muita coisa em que pensar. � tentador esticar o bra�o e tocar nele, mas, como um beb�, ele � uma gra�a quando est� dormindo. N�o tenho que me preocupar com o que eu digo, com o que ele diz, nem com os planos que ele tem, especialmente com os planos que tem para mim.</p><p>Eu poderia passar o dia inteiro olhando para ele, mas tenho necessidades � necessidades fisiol�gicas. Deslizando da cama, encontro a camisa branca dele no ch�o e visto-a. Saio por uma porta pensando que poderia ser a do banheiro, mas entro num amplo closet, do tamanho do meu quarto. Fileiras e fileiras de ternos, camisas, sapatos e gravatas caros. Como algu�m pode precisar de tanta roupa? Dou um suspiro de desaprova��o. Na verdade, o guarda-roupa de Kate deve rivalizar com este. Kate! <emphasis>Ah, n�o.</emphasis> N�o pensei nela a noite inteira. Era para eu ter lhe mandado uma mensagem. Merda. Vou arranjar problema. Pergunto-me como devem estar as coisas entre ela e Elliot.</p><p>Volto para o quarto e Christian continua dormindo. Tento a outra porta. � o banheiro, e � maior que o meu quarto. Por que um homem sozinho precisa de tanto espa�o? Duas pias, reparo com ironia. J� que ele n�o dorme com ningu�m, uma delas nunca deve ter sido usada.</p><p>Olho-me no espelho gigantesco em cima das pias. Ser� que estou diferente? Sinto-me diferente. Um pouco dolorida, para dizer a verdade, e meus m�sculos � nossa, � como se eu nunca tivesse feito um exerc�cio na vida. <emphasis>Voc� nunca fez um exerc�cio na vida.</emphasis> Meu inconsciente acordou. Est� me olhando com os l�bios contra�dos, batendo o p�. <emphasis>Ent�o, voc� acabou de dormir com ele, de entregar sua virgindade a ele, um homem que n�o a ama. Ali�s, ele tem ideias muito estranhas a seu respeito, quer fazer de voc� uma esp�cie de submissa.</emphasis></p><p><emphasis>EST� MALUCA?,</emphasis> grita comigo.</p><p>Fa�o uma careta ao me olhar no espelho. Vou ter que processar isso tudo. Honestamente, n�o tem cabimento me apaixonar por um homem deslumbrante, mais rico que Creso, o �ltimo rei da L�dia, que tem um Quarto Vermelho da Dor � minha espera. Estreme�o. Estou perturbada e confusa. Meu cabelo est� rebelde como sempre. Esse cabelo p�s-foda n�o me cai bem. Tento p�r ordem no caos com os dedos, mas falho completamente e desisto � talvez eu encontre uma presilha na bolsa.</p><p>Estou faminta. Volto para o quarto. O belo adormecido continua dormindo, ent�o, deixo-o e vou para a cozinha.</p><p><emphasis>Ah, n�o... Kate.</emphasis> Deixei a bolsa no escrit�rio de Christian. Vou at� l� peg�-la e trago o celular. Tr�s mensagens de texto.</p><empty-line/><p>*Vc t� bem Ana?*</p><empty-line/><p>
  *Kd vc Ana?*</p><empty-line/><p>
  *Droga Ana*</p><p>Ligo para Kate. Quando ela n�o atende, deixo uma mensagem para lhe dizer que estou viva e n�o sucumbi ao Barba Azul, bem, n�o do jeito que a deixaria preocupada � <emphasis>ou quem sabe eu tenha sucumbido</emphasis>. Ah, isso � muito confuso. Tenho que tentar avaliar e analisar meus sentimentos por Christian Grey. Trata-se de uma tarefa imposs�vel. Balan�o a cabe�a, derrotada. Preciso de um tempo sozinha, longe daqui, para pensar.</p><p>Encontro duas presilhas na bolsa e rapidamente fa�o marias-chiquinhas. Sim! Quanto mais eu me parecer com uma garotinha, mais protegida talvez eu fique do Barba Azul. Pego o meu iPod e ponho os fones de ouvido. N�o h� nada como cozinhar com m�sica. Enfio o aparelho no bolso da camisa de Christian, aumento o volume e come�o a dan�ar.</p><p>Caramba, estou com fome.</p><p>A cozinha dele � intimidadora. � muito elegante e moderna, e os arm�rios n�o t�m puxadores. Levo alguns segundos para deduzir que tenho que pressionar as portas para abri-las. Talvez eu deva preparar um caf� da manh� para Christian. Ele estava comendo uma omelete outro dia... h�, ontem, no Heathman. Nossa, tanta coisa aconteceu desde ent�o. Olho a geladeira, onde h� v�rios ovos, e decido fazer panquecas com bacon. Come�o a fazer a massa, dan�ando pela cozinha.</p><p>� bom estar ocupada. H� brecha para pensar, mas nada muito profundo. A m�sica alta em meus ouvidos tamb�m ajuda a evitar grandes reflex�es. Vim aqui para passar a noite na cama de Christian Grey e consegui, embora ele n�o admita ningu�m na cama dele. Sorrio, miss�o cumprida. Mandei bem. Dou uma risadinha. Mandei muito bem, e me distraio com a lembran�a da noite passada. As palavras, o corpo dele, o seu jeito de fazer amor... Fecho os olhos enquanto meu corpo cantarola ao se lembrar, e meus m�sculos se contraem deliciosamente no fundo do meu ventre. Meu inconsciente me repreende... <emphasis>Ele fode � n�o faz amor,</emphasis> grita para mim como um gavi�o. Finjo que n�o ou�o, mas, no fundo, sei que ele tem raz�o. Balan�o a cabe�a para me concentrar na comida.</p><p>H� um fog�o de primeir�ssima linha. Acho que j� peguei a manha dele. Preciso de algum lugar para manter as panquecas aquecidas, e ent�o come�o com o bacon. Amy Studt est� cantando no meu ouvido sobre os desajustados. Essa can��o costumava significar muito para mim. Porque sou uma desajustada. Nunca me encaixei em lugar algum e agora... Tenho uma proposta indecente do Rei dos Desajustados para considerar. Por que ele � assim? Natureza ou cria��o? Isso � muito diferente de tudo que conhe�o.</p><p>Ponho o bacon no grill e, enquanto ele frita, bato uns ovos. Viro-me e vejo Christian sentado num dos bancos do balc�o da cozinha, debru�ado ali, o rosto apoiado nas m�os. Ainda est� vestindo a camiseta com que dormiu. O cabelo p�s-foda fica muito bem nele, assim como a barba por fazer. Ele olha para mim, divertido e perplexo. Fico paralisada, enrubes�o, ent�o me recupero e tiro os fones de ouvido, as pernas bambas ao v�-lo.</p><p>� Bom dia, Srta. Steele. Voc� est� cheia de energia hoje � diz ele secamente.</p><p>� E-eu dormi bem � explico, gaguejando.</p><p>Seus l�bios tentam disfar�ar o sorriso.</p><p>� N�o consigo imaginar por qu�. � Ele se cala e franze a testa. � Eu tamb�m dormi bem depois que voltei para a cama.</p><p>� Est� com fome?</p><p>� Muita � diz ele com um olhar intenso, e desconfio que n�o esteja se referindo � comida.</p><p>� Panquecas, ovos e bacon?</p><p>� Est� �timo.</p><p>� N�o sei onde voc� guarda seus descansos de prato.</p><p>Dou de ombros, tentando desesperadamente n�o parecer nervosa.</p><p>� Eu fa�o isso. Voc� cozinha. Quer que eu ponha uma m�sica para voc� continuar a sua... h�... dan�a?</p><p>Olho para os meus dedos, sabendo que estou corando.</p><p>� Por favor, n�o pare por minha causa. � muito divertido. � O tom dele � de deboche.</p><p>Contraio os l�bios. Divertido, �? Meu inconsciente morreu de rir de mim. Dou meia volta e continuo batendo os ovos, provavelmente um pouco mais forte que o necess�rio. Num instante, ele est� ao meu lado. Puxa com delicadeza a minha maria-chiquinha.</p><p>� Adoro esse penteado � murmura. � Ele n�o vai proteger voc�.</p><p><emphasis>Hum, Barba Azul...</emphasis></p><p>� Como voc� gosta dos ovos? � pergunto asperamente.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Bem batidos e mexidos � diz com cara de bobo.</p><p>Volto ao que eu estava fazendo, tentando disfar�ar o sorriso. � dif�cil ficar com raiva dele. Especialmente quando ele est� sendo t�o atipicamente brincalh�o. Ele abre uma gaveta e tira dois descansos de prato de ard�sia preta e os coloca sobre o balc�o da cozinha. Ponho a mistura de ovos numa panela, pego o bacon, incorporo-o � mistura, e levo de novo ao grill.</p><p>Quando me viro, h� suco de laranja na mesa, e ele est� fazendo caf�.</p><p>� Quer ch�?</p><p>� Sim, por favor. Se tiver.</p><p>Encontro dois pratos e coloco-os na chapa quente do fog�o. Christian abre o arm�rio e pega uma caixa de ch� Twinings English Breakfast. Contraio os l�bios.</p><p>� Fui um problema relativamente f�cil de resolver, n�o?</p><p>� Voc�? N�o sei bem se j� resolvemos alguma coisa, Srta. Steele � diz ele.</p><p><emphasis>O que ele quer dizer com isso? Nossas negocia��es? Nosso, h�... relacionamento... seja l� qual for?</emphasis> Ele continua muito enigm�tico. Sirvo o caf� em pratos aquecidos e coloco-os sobre os descansos. Procuro na geladeira e encontro <emphasis>maple syrup</emphasis>.</p><p>Olho para Christian, e ele est� esperando que eu me sente.</p><p>� Srta. Steele. � Ele indica um dos bancos do balc�o.</p><p>� Sr. Grey � agrade�o com um gesto de cabe�a.</p><p>Ao me sentar no banco alto, fa�o uma careta.</p><p>� Qu�o dolorida voc� est�? � pergunta ele ao sentar-se.</p><p>Fico vermelha. <emphasis>Por que ele faz essas perguntas �ntimas?</emphasis></p><p>� Bem, para ser honesta, n�o tenho com que comparar isso � digo secamente. � Est� se desculpando? � pergunto com gentileza demais.</p><p>Acho que ele est� tentando conter um sorriso, mas n�o d� para ter certeza.</p><p>� N�o. Eu me perguntava se dev�amos continuar com seu treinamento b�sico.</p><p>� Ah. � Olho perplexa para ele. Paro de respirar e tudo dentro de mim se comprime. <emphasis>Hum... isso � bom.</emphasis> Suprimo o gemido.</p><p>� Coma, Anastasia.</p><p>Meu apetite fica duvidoso de novo... mais... mais sexo... sim, por favor.</p><p>� Isso est� delicioso, por sinal. � Ele sorri para mim.</p><p>Provo uma garfada de omelete, mas quase n�o consigo sentir o gosto. Treinamento b�sico! <emphasis>Quero foder a sua boca.</emphasis> Ser� que isso faz parte do treinamento b�sico?</p><p>� Pare de morder o l�bio. Isso me distrai muito, e por acaso sei que voc� n�o est� usando nada por baixo da minha camisa, o que faz com que isso me distraia ainda mais.</p><p>Mergulho o saquinho de ch� no pequeno bule que Christian providenciou. Estou atordoada.</p><p>� Que tipo de treinamento b�sico voc� tem em mente? � pergunto, a voz num tom ligeiramente agudo demais, traindo o meu desejo de soar t�o natural, desinteressada e calma quanto poss�vel, com os horm�nios fazendo estragos pelo meu corpo.</p><p>� Bem, j� que voc� est� dolorida, pensei que poder�amos nos ater a habilidades orais.</p><p>Engasgo com o ch� e olho para ele, boquiaberta, olhos arregalados. Ele bate delicadamente nas minhas costas e me passa o suco de laranja. N�o fa�o ideia do que ele est� pensando.</p><p>� Isto �, se voc� quiser ficar � acrescenta.</p><p>Olho para ele, tentando recuperar o equil�brio. Sua express�o � misteriosa. Isso � muito frustrante.</p><p>� Eu gostaria de ficar por hoje. Se n�o tiver problema. Tenho que trabalhar amanh�.</p><p>� A que horas voc� tem que estar no trabalho amanh�?</p><p>� �s nove.</p><p>� Eu deixo voc� no trabalho amanh� �s nove.</p><p>Franzo a testa. <emphasis>Ser� que ele quer que eu fique mais uma noite?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Tenho que ir para casa hoje � noite. Preciso de roupas limpas.</p><p>� Podemos lhe arranjar umas aqui.</p><p>N�o tenho dinheiro sobrando para gastar em roupas. Ele levanta a m�o e segura meu queixo, puxando-o e fazendo com que meus dentes soltem meu l�bio. Nem percebi que eu estava mordendo-o.</p><p>� O que foi? � pergunta ele.</p><p>� Preciso estar em casa hoje � noite.</p><p>Sua boca est� contra�da.</p><p>� Tudo bem, hoje � noite � ele concorda. � Agora, acabe de comer.</p><p>Meus pensamentos e meu est�mago est�o agitados. Meu apetite desapareceu. Olho para o prato quase intocado. Simplesmente n�o estou com fome.</p><p>� Coma, Anastasia. Voc� n�o comeu ontem � noite.</p><p>� Eu realmente n�o estou com fome � sussurro.</p><p>Ele estreita os olhos.</p><p>� Eu realmente gostaria que voc� terminasse o que tem no prato.</p><p>� Qual seu problema com a comida? � pergunto sem pensar.</p><p>Ele faz uma express�o contrariada.</p><p>� Eu j� disse. N�o gosto de desperd�cio de comida. Coma � diz ele secamente. Seus olhos est�o sombrios, aflitos.</p><p><emphasis>Puta merda. O que � isso?</emphasis> Pego o garfo e como lentamente, tentando mastigar. Preciso me lembrar de n�o encher tanto o prato, para o caso de ele ficar estranho por causa de comida. A express�o dele relaxa � medida que eu vou terminando lentamente o meu caf� da manh�. Noto que ele n�o deixa uma migalha no prato. Espera eu terminar, e ent�o retira meu prato.</p><p>� Voc� cozinhou, eu tiro a mesa.</p><p>� � muito democr�tico.</p><p>� �. � Ele franze a testa. � N�o � meu estilo. Depois que eu fizer isso, vamos tomar um banho de banheira.</p><p>� Ah, ok.</p><p><emphasis>Nossa... Eu preferia mil vezes tomar um banho de chuveiro.</emphasis> Meu celular toca, interrompendo meu devaneio. � Kate.</p><p>� Oi.</p><p>Vou at� as portas de vidro da varanda, para longe dele.</p><p>� Ana, por que n�o me mandou uma mensagem ontem � noite? � Ela est� zangada.</p><p>� Desculpe. Fui surpreendida pelos acontecimentos.</p><p>� Voc� est� bem?</p><p>� Estou, sim.</p><p>� Voc� transou?</p><p>Ela est� � cata de informa��es. Reviro os olhos diante do tom esperan�oso da voz dela.</p><p>� Kate, n�o quero falar pelo telefone. � Christian olha para mim.</p><p>� Voc� transou... J� vi tudo.</p><p>Como assim ela j� viu tudo? Est� blefando, e n�o posso falar desse assunto. Assinei o raio de um pacto.</p><p>� Kate, por favor.</p><p>� Como foi? Voc� est� bem?</p><p>� J� disse que estou bem.</p><p>� Ele foi delicado?</p><p>� Kate, por favor! � N�o consigo disfar�ar a exaspera��o.</p><p>� Ana, n�o me esconda nada. Ando esperando por esse dia h� quase quatro anos.</p><p>� A gente se v� � noite. � Desligo.</p><p>Vai ser dif�cil resolver isso. Ela � muito tenaz, quer saber detalhes, e n�o posso lhe contar porque assinei um... como � mesmo o nome? Termo de confidencialidade. Ela vai surtar, com raz�o, portanto, preciso de um plano. Volto a observar Christian circular com eleg�ncia pela cozinha.</p><p>� O termo de confidencialidade, ser� que ele cobre tudo? � pergunto timidamente.</p><p>� Por qu�?</p><p>Ele se vira para mim enquanto guarda a caixa de ch�. Fico vermelha.</p><p>� Bem, tenho umas perguntas, sabe, sobre sexo. � Fico olhando para meus dedos. � E gostaria de faz�-las a Kate.</p><p>� Voc� pode perguntar para mim.</p><p>� Christian, com todo o respeito... � Minha voz falha. <emphasis>N�o posso perguntar a voc�.</emphasis> Vou ter como respostas sua vis�o enviesada, sacana e distorcida do sexo. Quero uma opini�o imparcial. � � s� sobre a mec�nica da coisa. N�o vou mencionar o Quarto Vermelho da Dor.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas.</p><p>� Quarto Vermelho da Dor? O quarto tem mais a ver com prazer, Anastasia. Pode acreditar � diz ele. � Al�m do mais � usa um tom mais �spero �, sua amiga est� trepando com meu irm�o. Eu realmente acharia melhor que voc� n�o perguntasse nada a ela.</p><p>� Sua fam�lia sabe da sua... hum, predile��o?</p><p>� N�o. N�o � da conta deles. � Ele vem andando at� parar na minha frente. � O que voc� quer saber? � pergunta, correndo os dedos de leve no meu rosto at� o queixo, inclinando minha cabe�a para tr�s para poder me olhar nos olhos. Fico com vergonha. N�o consigo mentir para esse homem.</p><p>� Nada de espec�fico no momento � sussurro.</p><p>� Bem, podemos come�ar com: como foi a noite de ontem para voc�?</p><p>Seus olhos ardem de curiosidade. <emphasis>Ele est� louco para saber. Uau.</emphasis></p><p>� Foi boa � murmuro.</p><p>Ele d� um sorrisinho.</p><p>� Para mim tamb�m � concorda ele. � Eu nunca tinha feito sexo baunilha. Tem suas vantagens. Mas vai ver que � por ser com voc�.</p><p>Ele passa o polegar no meu l�bio inferior.</p><p>Respiro fundo. <emphasis>Sexo baunilha?</emphasis></p><p>� Venha, vamos tomar um banho de banheira.</p><p>Ele se inclina e me beija. Meu cora��o dispara e o desejo se acumula bem... <emphasis>l� embaixo</emphasis>.</p><p>* * *</p><p>A BANHEIRA � feita de pedra branca, funda e oval, muito sofisticada. Christian se abaixa e abre a torneira na parede azulejada para ench�-la, e acrescenta � �gua um �leo de banho que parece caro. A �gua espuma � medida que a banheira enche, liberando um perfume doce e quente de jasmim. Ele se levanta e me olha, os olhos sombrios, depois tira a camisa e a joga no ch�o.</p><p>� Srta. Steele. � Ele estende a m�o.</p><p>Estou parada no v�o da porta, olhos arregalados e cautelosa, os bra�os em volta do corpo. Adianto-me, admirando discretamente seu f�sico. Pego a m�o dele, e ele me convida a entrar na banheira enquanto ainda estou com sua camisa. Obede�o. Vou ter que me acostumar a isso quando aceitar sua oferta ultrajante... <emphasis>se eu aceitar!</emphasis> A �gua est� bem quentinha.</p><p>� Vire-se, olhe para mim � ordena ele com a voz suave.</p><p>Obede�o. Ele me observa com aten��o.</p><p>� Sei que este l�bio � delicioso, e j� pude comprovar, mas poderia parar de mord�-lo? � diz ele com os dentes cerrados. � Quando voc� morde, me d� vontade de foder, e voc� est� dolorida, ok?</p><p>Automaticamente arquejo, soltando o l�bio, chocada.</p><p>� Muito bem � provoca ele. � Conseguiu entender?</p><p>Ele me fuzila com os olhos. Balan�o freneticamente a cabe�a, assentindo. <emphasis>Eu n�o tinha ideia de que isso o afetava tanto.</emphasis></p><p>� �timo.</p><p>Ele estica o bra�o, tira o iPod do bolso da camisa e o coloca ao lado da pia.</p><p>� �gua e iPod n�o � uma combina��o inteligente � murmura.</p><p>Ele se abaixa, segura a camisa pela parte de baixo, retira-a pela minha cabe�a e a joga no ch�o.</p><p>Recua para me olhar. <emphasis>Estou completamente nua.</emphasis> Fico vermelha e olho para as m�os na altura do meu baixo ventre, querendo desesperadamente sumir na espuma dentro da �gua quente, mas sei que ele n�o vai querer isso.</p><p>� Ei � ele me chama. Olho para ele, que est� com a cabe�a inclinada para o lado. � Anastasia, voc� � uma mulher muito bonita. N�o abaixe a cabe�a como se estivesse envergonhada. Voc� n�o tem do que se envergonhar, e � uma verdadeira alegria estar aqui olhando para voc�.</p><p>Ele segura meu queixo e levanta minha cabe�a para eu encar�-lo. Os olhos de Christian est�o meigos e carinhosos, at� excitados. Ele est� muito perto. Bastaria eu esticar o bra�o para tocar nele.</p><p>� Pode se sentar agora.</p><p>Ele interrompe meus pensamentos dispersos, e entro correndo na �gua quente e convidativa. Aah... a �gua pinica e isso me pega de surpresa, mas tem um perfume divino, tamb�m. A dor inicial logo passa. Deito-me e fecho os olhos por um instante, relaxando naquela quentura calmante. Quando os abro, ele est� me olhando.</p><p>� Por que n�o se junta a mim? � pergunto, corajosamente, acho eu, a voz rouca.</p><p>� Acho que vou fazer isso. Chegue para a frente � ordena.</p><p>Ele retira a cal�a do pijama e entra atr�s de mim. A �gua sobe quando ele se senta e me puxa contra o peito. Coloca as pernas compridas sobre as minhas, os joelhos dobrados e os tornozelos na altura dos meus, e afasta os p�s, abrindo minhas pernas. Arquejo, espantada. Seu nariz est� no meu cabelo e aspira profundamente.</p><p>� Voc� � muito cheirosa, Anastasia.</p><p>Um tremor percorre todo o meu corpo. <emphasis>Estou nua numa banheira com Christian Grey. Ele est� nu.</emphasis> Se algu�m me dissesse que eu faria isso quando acordei na su�te dele no hotel ontem, eu n�o acreditaria.</p><p>Ele pega um vidro de sabonete l�quido da prateleira embutida ao lado da banheira e espreme uma quantidade na m�o. Esfrega uma m�o na outra, fazendo uma espuma macia, encosta as duas m�os no meu pesco�o e come�a a me ensaboar at� os ombros com seus dedos longos e fortes. Suspiro. O toque de suas m�os faz eu me sentir muito bem.</p><p>� Est� gostando? � Quase posso ouvir seu sorriso.</p><p>� Hum.</p><p>Ele esfrega meus bra�os, depois vai para as axilas, lavando-as delicadamente. Ainda bem que Kate insistiu para que eu me raspasse. As m�os dele deslizam nos meus seios, e respiro fundo quando seus dedos os rodeiam e come�am a massage�-los de maneira delicada, mas firme. Arqueio o corpo instintivamente, pressionando os seios nas m�os dele. Meus mamilos est�o doloridos, muito doloridos, sem d�vida devido ao tratamento nada delicado que receberam ontem � noite. Ele n�o se demora muito e desliza as m�os para minha barriga. Minha respira��o acelera e meu cora��o dispara. Sua ere��o me pressiona por tr�s. D� muito tes�o saber que � meu corpo que faz com que ele se sinta assim. <emphasis>R�... n�o o seu c�rebro,</emphasis> desdenha meu inconsciente. Descarto o pensamento inoportuno.</p><p>Ele para e pega uma esponja enquanto ofego encostada nele, desejando-o... precisando dele. Minhas m�os descansam em suas coxas firmes e musculosas. Ele coloca mais sabonete na esponja e se inclina para lavar entre minhas pernas. Prendo a respira��o. Os dedos dele me estimulando atrav�s da trama da esponja, isso � divino, e meus quadris come�am a mexer em seu pr�prio ritmo, pressionando a m�o dele. � medida que as sensa��es tomam conta de mim, inclino a cabe�a para tr�s, revirando os olhos, a boca entreaberta, e gemo. A press�o est� aumentando lenta e inexoravelmente dentro de mim... <emphasis>ai, meu Deus.</emphasis></p><p>� Assim, mesmo, baby. � Christian sussurra no meu ouvido, e com muita delicadeza, morde o l�bulo da minha orelha. � Fa�a assim para mim.</p><p>Minhas pernas est�o imprensadas pelas dele na lateral da banheira, permitindo-lhe f�cil acesso �s minhas partes mais �ntimas.</p><p>� Ah... por favor � suspiro. Tento esticar as pernas enquanto meu corpo se enrijece. Estou num estado de submiss�o sexual total, e ele n�o permite que eu me mexa.</p><p>� Acho que agora voc� j� est� suficientemente limpa � diz ele, e para.</p><p><emphasis>O qu�! N�o! N�o! N�o!</emphasis> Minha respira��o � entrecortada.</p><p>� Por que voc� parou? � suspiro.</p><p>� Porque tenho outros planos para voc�, Anastasia.</p><p><emphasis>O qu�... ai, meu Deus... mas... eu estava... isso n�o � justo.</emphasis></p><p>� Vire-se para mim. Eu tamb�m preciso ser esfregado � murmura ele.</p><p>Ah! Virando-me, fico chocada ao ver que ele est� segurando firme seu pau. Meu queixo cai.</p><p>� Quero que voc� conhe�a, que fique �ntima da minha parte preferida e mais prezada do meu corpo. Sou muito ligado a ela.</p><p><emphasis>� t�o grande e ainda est� aumentando.</emphasis> Ultrapassa a linha da �gua, que bate em seu quadril. Olho para ele e fico cara a cara com seu sorriso malicioso. Ele est� se divertindo com minha express�o de espanto. Percebo que estou olhando fixo. Engulo em seco. <emphasis>Isso estava dentro de mim!</emphasis> Parece imposs�vel. Ele quer que eu toque nele. <emphasis>Hum...</emphasis> tudo bem, vamos l�.</p><p>Sorrio, pego o sabonete l�quido, e coloco um pouco na m�o. Fa�o como ele fez, esfregando o l�quido at� ficar com as m�os cheias de espuma. N�o tiro os olhos dele. Meus l�bios est�o entreabertos para respirar melhor... de prop�sito, mordo delicadamente o l�bio inferior e corro a l�ngua por ele, localizando o ponto que meus dentes apertavam. Seus olhos est�o s�rios e sombrios, e se arregalam � medida que passo a l�ngua no l�bio inferior. Estico o bra�o e envolvo-o com as m�os, imitando o jeito que ele segura. Ele fecha os olhos um instante. Nossa... est� muito mais duro do que eu esperava. Aperto, e ele p�e a m�o em cima da minha.</p><p>� Assim � sussurra, e mexe a m�o para cima e para baixo, pressionando com firmeza meus dedos, que o apertam com mais for�a. Ele fecha os olhos de novo, e sua respira��o fica presa na garganta. Quando torna a abri-los, vejo um olhar abrasador. � Isso mesmo.</p><p>Ele solta minha m�o, deixando que eu continue sozinha, e fecha os olhos; eu fa�o aquele movimento de vaiv�m nele todo. Ele mexe o quadril, pressionando ligeiramente minhas m�os, e eu automaticamente o aperto mais. Um gemido gutural escapa de dentro dele. <emphasis>Foder a minha boca... hum.</emphasis> Eu me lembro dele enfiando o polegar na minha boca e pedindo para eu chupar com for�a. Ele abre a boca quando sua respira��o fica mais intensa. Inclino-me para a frente, enquanto ele ainda mant�m os olhos fechados, envolvo-o com os l�bios e chupo timidamente, passando a l�ngua na pontinha.</p><p>� Hum... Ana.</p><p>Ele arregala os olhos, e eu chupo com mais for�a.</p><p>� Hum...</p><p>� duro e macio ao mesmo tempo, como a�o revestido de veludo, e surpreendentemente gostoso. Salgado e suave.</p><p>� Nossa � geme ele, fechando os olhos de novo.</p><p>Eu me abaixo e o enfio na boca. Ele geme de novo. <emphasis>R�!</emphasis> Minha deusa interior est� el�trica. Posso fazer isso. Posso <emphasis>fod�-lo</emphasis> com a boca. Giro a l�ngua pela pontinha de novo, e ele flexiona e levanta os quadris. Est� com os olhos abertos agora, excitad�ssimos. Seus dentes est�o cerrados e ele continua o movimento de vaiv�m, eu o enfio mais ainda na boca, apoiando-me em suas coxas. Sinto suas pernas tensas embaixo das minhas m�os. Ele me agarra pelas marias-chiquinhas e come�a a se mexer de verdade.</p><p>� Ai... que gostoso � murmura. Chupo com mais for�a, passando a l�ngua pela cabe�a de seu pau impressionante. Protegendo os dentes com os l�bios, aperto a boca em volta dele. Ele sibila ao respirar com os dentes cerrados, e geme. � Nossa. At� onde voc� aguenta? � pergunta.</p><p><emphasis>Hum...</emphasis> Enfio-o mais fundo ainda na boca, assim posso senti-lo at� a garganta, e ent�o novamente nos meus l�bios. Minha l�ngua gira em volta da cabe�a. Ele � como um pirulito sabor Christian Grey, s� meu e de mais ningu�m. Chupo cada vez com mais for�a, enfiando-o mais e mais fundo, movimentando a l�ngua em volta dele. <emphasis>Hum...</emphasis> Eu n�o tinha ideia que dar prazer podia provocar tanto tes�o, v�-lo se contorcer sutilmente de desejo. Minha deusa interior est� dan�ando merengue com passos de salsa.</p><p>� Anastasia, vou gozar na sua boca � seu tom ofegante � um sinal de alerta. � Se n�o quiser que eu goze, pare agora.</p><p>Ele mexe os quadris de novo, com os olhos arregalados, cautelosos, cheios de lasc�via e desejo � ele me deseja. Deseja a minha boca... <emphasis>nossa.</emphasis></p><p>As m�os dele est�o segurando meu cabelo. Posso fazer isso. Pressiono com mais for�a ainda, e, num momento de extraordin�ria confian�a, mostro os dentes. Isso o derruba. Ele grita e fica im�vel, e sinto o l�quido quente e salgado descendo pela minha garganta. Engulo depressa. Argh... N�o estou segura quanto a isso. Mas basta olhar para ele, e n�o ligo � ele desmontou na banheira por minha causa. Sento-me e o observo, um sorriso triunfante de satisfa��o estampado no rosto. Sua respira��o est� entrecortada. Ele abre os olhos e me fita.</p><p>� Voc� n�o engasga? � pergunta ele, espantado. � Meu Deus, Ana... isso foi gostoso, muito gostoso. Embora inesperado. � Ele franze a testa. � Sabe, voc� est� sempre me surpreendendo.</p><p>Sorrio, e conscientemente mordo o l�bio. Ele me olha, especulando.</p><p>� J� fez isso antes?</p><p>� N�o.</p><p>E n�o posso deixar de sentir uma pontinha de prazer com a nega��o.</p><p>� �timo � diz ele complacente e, acho eu, aliviado. � Mais uma primeira vez, Srta. Steele. � Ele me avalia � Bem, voc� ganhou a nota m�xima em habilidades orais. Venha, vamos para a cama, estou lhe devendo um orgasmo.</p><p><emphasis>Orgasmo! Mais um!</emphasis></p><p>Rapidamente, ele sai da banheira, presenteando-me com minha primeira vis�o completa do Ad�nis, do deus grego que � Christian Grey. Minha deusa interior parou de dan�ar e est� olhando tamb�m, boquiaberta e ligeiramente babando. Sua ere��o est� domada, mas ainda � substancial... Uau. Ele enrola uma pequena toalha na cintura, cobrindo o essencial, e me estende uma toalha maior e macia. Saindo da banheira, pego a m�o que me estende. Ele me enrola na toalha, me puxa para seus bra�os, e me beija com for�a, enfiando a l�ngua na minha boca, e fico com a sensa��o de que talvez esteja manifestando sua gratid�o pelo meu primeiro boquete. <emphasis>Uau.</emphasis></p><p>Ele se afasta, as m�os no meu rosto, olhando atentamente em meus olhos. Parece perdido.</p><p>� Aceite � sussurra com ardor.</p><p>Franzo a testa, sem entender.</p><p>� O qu�?</p><p>� Nosso acordo. Ser minha. Por favor, Ana � murmura, implorando, enfatizando a �ltima palavra e meu nome. Torna a me beijar com do�ura e paix�o antes de recuar e me olhar, piscando ligeiramente. Pega minha m�o e me leva de novo para o quarto, e eu o sigo mansamente, tr�pega. Pasma. <emphasis>Ele quer mesmo isso.</emphasis></p><p>No quarto, ele me olha enquanto estamos parados ao lado da cama.</p><p>� Voc� confia em mim? � pergunta de repente.</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a, espantada ao me dar conta de que confio nele, sim. <emphasis>O que ele vai fazer comigo agora?</emphasis> Sinto uma onda de eletricidade me percorrer.</p><p>� Boa garota � diz, passando o polegar no meu l�bio inferior.</p><p>Entra no closet e volta com uma gravata de jacquard de seda cinza prateada.</p><p>� Junte as m�os na frente do corpo � ordena ao tirar a toalha que me cobre e jog�-la no ch�o.</p><p>Fa�o o que ele pede, e ele amarra meus pulsos com a gravata, apertando bem. Seus olhos brilham de excita��o. Ele puxa o n�. Est� firme. <emphasis>Deve ter sido escoteiro para ter aprendido esse n�.</emphasis> E agora? Minha pulsa��o est� l� nas alturas, meu cora��o palpitando num ritmo fren�tico. Ele corre os dedos pelas minhas marias-chiquinhas.</p><p>� Voc� parece uma garotinha com esse penteado � murmura, e se adianta.</p><p>Instintivamente, recuo at� sentir a cama bater na dobra dos meus joelhos. Ele deixa cair sua toalha, mas n�o consigo tirar os olhos de seu rosto. A express�o dele � ardente, cheia de desejo.</p><p>� Ah, Anastasia, o que devo fazer com voc�? � pergunta ele ao me deitar na cama, deitando-se ao meu lado e levantando minhas m�os acima da cabe�a. � Fique com as m�os nessa posi��o, sem abaixar, entendeu?</p><p>Seus olhos queimam os meus, e a intensidade me tira o f�lego. Este n�o � um homem que eu queira contrariar... nunca.</p><p>� Responda � exige ele, a voz macia.</p><p>� N�o vou mexer as m�os. � Mal consigo respirar.</p><p>� Boa garota � murmura, e calculadamente lambe os l�bios devagar.</p><p>Fico hipnotizada pela l�ngua dele passando lentamente no l�bio superior. Ele me olha nos olhos, observando, avaliando. Ent�o se abaixa e me d� um beijo casto.</p><p>� Vou beijar voc� todinha, Srta. Steele � diz baixinho, e pega meu queixo, for�ando-o para cima, o que lhe d� acesso ao meu pesco�o. Seus l�bios deslizam, beijando, chupando e mordendo de leve at� a pequena depress�o na base do pesco�o. Meu corpo est� alerta... todo ele. Aquela experi�ncia do banho me deixou com a pele hipersens�vel. Meu sangue excitado se concentra no meu baixo ventre, entre as pernas, bem <emphasis>ali embaixo.</emphasis> Gemo.</p><p>Quero tocar nele. Mexo as m�os de um jeito um tanto canhestro, uma vez que estou amarrada, e sinto seu cabelo. Ele para de me beijar e me olha, balan�ando a cabe�a, me repreendendo. Pega minhas m�os e as coloca de novo acima da minha cabe�a.</p><p>� N�o mexa as m�os, sen�o vamos ter que come�ar tudo de novo � adverte com suavidade.</p><p>Ah, ele � t�o provocante...</p><p>� Quero tocar em voc�. � Minha voz est� ofegante e descontrolada.</p><p>� Eu sei � concorda. � Mantenha as m�os acima da cabe�a � ordena, a voz firme.</p><p>Ele torna a segurar meu queixo e come�a a beijar meu pesco�o como antes. Ah... � muito dif�cil me controlar. Suas m�os passeiam pelo meu corpo e pelos meus seios enquanto ele alcan�a com os l�bios a base do meu pesco�o. Rodeia-a com a ponta do nariz e inicia o cruzeiro pregui�oso de sua boca, rumo ao sul, seguindo a trilha de suas m�os, e descendo do pesco�o at� os seios. Cada parte � beijada e mordida delicadamente, e meus mamilos s�o chupados com suavidade. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Meus quadris come�am a se mexer por conta pr�pria, seguindo o ritmo de sua boca em mim, e estou desesperadamente tentando me lembrar de manter as m�os acima da cabe�a.</p><p>� Fique quieta � avisa ele, o h�lito quente em minha pele. Atingindo meu umbigo, ele enfia a l�ngua ali dentro, e passa os dentes com delicadeza na minha barriga. Arqueio o corpo, desencostando-o da cama.</p><p>� Hum. Voc� � muito gostosa, Srta. Steele.</p><p>Ele desliza o nariz pela linha entre minha barriga e meus pelos pubianos, mordendo-me com delicadeza, provocando-me com a l�ngua. De repente, se senta e se ajoelha aos meus p�s, segurando meus tornozelos e abrindo bem minhas pernas.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Ele pega meu p� esquerdo, dobra meu joelho e p�e meu p� na boca. Observando e avaliando todas as minhas rea��es, beija ternamente cada um dos meus dedos, depois d� mordidas leves nas partes carnudas. Quando chega no dedo mindinho, morde com mais for�a, e eu estreme�o, gemendo. Ele desliza a l�ngua pela planta do meu p� � e n�o consigo mais olhar. � muito er�tico. Vou entrar em combust�o. Fecho os olhos com for�a e tento absorver e administrar todas as sensa��es que ele est� criando. Beija meu tornozelo e vai deixando uma trilha de beijos da panturrilha at� o joelho, parando logo acima. A� come�a no meu p� direito, repetindo todo o processo sedutor e enlouquecedor.</p><p>� Ah, por favor � gemo quando morde meu dedo mindinho, o que ressoa nas minhas entranhas.</p><p>� Que del�cia, Srta. Steele � diz baixinho.</p><p>Dessa vez, ele n�o para no joelho, continua pela parte interna da minha coxa, abrindo minhas pernas. E sei o que ele vai fazer, e uma parte de mim quer empurr�-lo para longe porque estou mortificada e envergonhada. Vai me beijar <emphasis>ali!</emphasis> Eu sei. E uma parte de mim est� se regozijando com a expectativa. Ele passa para minha outra perna e vai subindo pela coxa, lambendo, chupando e, ali, entre minhas pernas, passa o nariz de cima a baixo no meu sexo, bem devagar, com muita delicadeza. Contor�o-me... <emphasis>Nossa.</emphasis></p><p>Ele para, esperando que eu me controle. Acalmo-me e levanto a cabe�a para olhar para ele, a boca aberta enquanto meu cora��o disparado se esfor�a para�sossegar.</p><p>� Sabe quanto seu cheiro � embriagador, Srta. Steele? � murmura e, mantendo os olhos nos meus, enfia o nariz nos meus pelos pubianos e inspira.</p><p>Fico toda vermelha, sentindo-me fraca, e fecho os olhos na mesma hora. N�o consigo olhar enquanto ele faz isso!</p><p>Christian vai chupando meu sexo em toda a sua extens�o. <emphasis>Ah, porra...</emphasis></p><p>� Gosto disso. � Ele puxa com delicadeza meus pelos. � Talvez possamos mant�-los.</p><p>� Ah... por favor � imploro.</p><p>� Hum, gosto quando voc� implora, Anastasia.</p><p>Gemo.</p><p>� Olho por olho n�o costuma ser meu estilo, Srta. Steele � sussurra ele, chupando-me delicadamente sem parar. � Mas voc� me deu prazer hoje e deve ser recompensada.</p><p>Ou�o o tom malicioso de sua voz, e enquanto meu corpo vibra com aquelas palavras, come�a a passar a l�ngua em volta do meu clit�ris, abaixando minhas coxas com as m�os.</p><p>� Ah! � gemo quando meu corpo se arqueia e estremece com o toque de sua l�ngua.</p><p>Ele n�o para de mover a l�ngua em c�rculos, mantendo a tortura. Estou perdendo toda a no��o de identidade, cada �tomo do meu ser concentrado naquele pequeno gerador potente entre minhas coxas. Minhas pernas se enrijecem, e ele enfia o dedo dentro de mim. Ou�o seu gemido gutural.</p><p>� Oh, baby. Adoro ver voc� t�o molhada para mim.</p><p>Ele roda o dedo num amplo c�rculo, alargando-me, puxando-me, e repete esses movimentos com a l�ngua. Gemo. � demais... Meu corpo implora por al�vio, que j� n�o consigo lhe negar. Deixo-me ir, esquecendo todo o racioc�nio, o orgasmo tomando conta de mim, em espasmos repetidos. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Solto um gemido alto<emphasis>,</emphasis> e o mundo desaparece quando a for�a do meu cl�max anula e esvazia tudo.</p><p>Estou arfando e ou�o vagamente um ru�do de papel laminado sendo rasgado. Bem devagar, ele me penetra e come�a a se movimentar. Ai... nossa. A sensa��o � dolorida e doce, atrevida e delicada ao mesmo tempo.</p><p>� Est� bom? � murmura ele.</p><p>� Sim. �timo � respondo.</p><p>E ele come�a a se mexer depressa, duro e grande, metendo sem parar, implac�vel, empurrando, empurrando at� eu estar de novo perto do limite. Gemo.</p><p>� Goza para mim, baby.</p><p>Sua voz � rouca, dura, �spera em meu ouvido, e explodo embaixo dele enquanto me penetra com estocadas r�pidas.</p><p>� Trepada de agradecimento � diz ele, dando-me mais uma estocada firme e gemendo ao chegar ao cl�max, entrando fundo em mim.</p><p>Ent�o fica im�vel, o corpo r�gido.</p><p>Christian desaba com todo o peso em cima de mim, e afundo no colch�o. Abaixo as m�os atadas em volta da cabe�a dele e o abra�o como posso. Sei naquele momento que faria qualquer coisa por esse homem. Sou dele. O milagre que ele me apresentou ultrapassa qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. E ele quer levar isso mais longe, bem mais longe, para um lugar que eu, na minha inoc�ncia, nem consigo imaginar. <emphasis>Ah... o que fazer?</emphasis></p><p>Ele se apoia nos cotovelos e fica me olhando, os olhos cinzentos e intensos.</p><p>� Est� vendo como somos bons juntos? � murmura. � Se voc� se entregar a mim, vai ser muito melhor. Confie em mim, Anastasia, posso lev�-la a lugares que voc� nem sabe que existem.</p><p>Suas palavras ecoam em meus pensamentos. Ele esfrega o nariz no meu. Ainda estou atordoada com minha extraordin�ria rea��o f�sica, e fico com o olhar perdido, tentando me agarrar a um pensamento coerente.</p><p>De repente, ambos escutamos vozes no corredor, do lado de fora do quarto. Custo um pouco a processar o que eu consigo ouvir.</p><p>� <emphasis>Mas se ainda est� deitado, deve estar doente. Ele nunca fica deitado at� essa hora. Christian nunca dorme tanto.</emphasis></p><p><emphasis>� Sra. Grey, por favor.</emphasis></p><p><emphasis>� Taylor. Voc� n�o pode me impedir de ver meu filho.</emphasis></p><p><emphasis>� Sra. Grey, ele n�o est� sozinho.</emphasis></p><p><emphasis>� Como assim, ele n�o est� sozinho?</emphasis></p><p><emphasis>� Tem uma pessoa com ele.</emphasis></p><p>� <emphasis>Ah</emphasis>...</p><p>At� eu posso notar o tom de incredulidade na voz dela.</p><p>Christian pestaneja depressa, olhando para mim apavorado e achando gra�a.</p><p>� Merda! � minha m�e.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DEZ</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Ele sai de dentro de mim de repente. Fa�o uma careta de dor. Senta-se na cama e joga a camisinha usada na lixeira.</p><p>� Vamos, precisamos nos vestir, isto �, se voc� quiser conhecer minha m�e.</p><p>Ele d� uma risadinha, pula da cama, e enfia a cal�a jeans � sem cueca! Fa�o for�a para me sentar, pois ainda estou amarrada.</p><p>� Christian, n�o consigo me mexer.</p><p>Ele abre mais o sorriso, e se abaixa para me desamarrar. A trama da gravata ficou marcada em volta de meus pulsos. �... sexy. Ele me olha. Est� achando gra�a, os olhos dan�ando de alegria. Ele me d� um beijo r�pido na testa e sorri radiante para mim.</p><p>� Outra primeira vez � admite, mas n�o sei do que est� falando.</p><p>� N�o tenho nenhuma roupa limpa aqui. � De repente, entro em p�nico, e, considerando o que acabo de viver, estou achando o p�nico avassalador. A m�e dele! <emphasis>Puta merda.</emphasis> N�o tenho nenhuma roupa limpa, e ela praticamente nos pegou em flagrante. � Talvez eu deva ficar.</p><p>� Ah, n�o deve, n�o � amea�a Christian. � Voc� pode usar alguma roupa minha.</p><p>Ele veste uma camiseta branca e passa a m�o naquele cabelo desgrenhado p�s-foda. Apesar da ansiedade, perco o fio dos pensamentos. Sua beleza me desestabiliza.</p><p>� Anastasia, voc� podia vestir um saco e continuaria linda. Por favor, n�o se preocupe. Eu gostaria que conhecesse minha m�e. Vista-se. Vou l� acalm�-la. � Sua boca se contrai. � Espero voc� na sala em cinco minutos, do contr�rio, venho pessoalmente arrast�-la daqui, do jeito que estiver vestida. As camisetas est�o nesta gaveta. As camisas de tecido est�o no arm�rio. Sirva-se.</p><p>Ele me olha especulativamente por um momento, ent�o sai do quarto.</p><p><emphasis>Puta merda. A m�e de Christian.</emphasis> Isso � muito mais do que eu esperava. Talvez conhec�-la ajude a encaixar uma pecinha do quebra-cabe�a. Poderia me ajudar a entender por que Christian � do jeito que �... De repente, quero conhec�-la. Pego minha blusa no ch�o, e fico feliz ao ver que sobreviveu bem � noite, praticamente sem nenhum amassado. Encontro o suti� azul embaixo da cama e visto-o depressa. Mas se tem uma coisa que odeio � n�o usar uma calcinha limpa. Procuro na c�moda de Christian e encontro suas cuecas. Visto uma Calvin Klein cinza-escura, enfio a cal�a jeans e cal�o os t�nis.</p><p>Pego a jaqueta, entro depressa no banheiro e dou de cara com meus olhos muito brilhantes, meu rosto afogueado e meu cabelo! Merda... Marias-chiquinhas p�s-foda tamb�m n�o. Procuro uma escova na gaveta do banheiro e encontro um pente. Vai ter que servir. Prendo rapidamente o cabelo e me desespero com minhas roupas. Quem sabe eu devo aceitar as roupas que Christian ofereceu. Meu inconsciente contrai os l�bios e pronuncia a palavra �prostituta�. Finjo que n�o ou�o. Vestindo a jaqueta, cujos punhos felizmente escondem as marcas reveladoras deixadas pela gravata dele, dou uma �ltima olhada ansiosa no meu reflexo no espelho. Vai ter que servir. Dirijo-me � sala principal.</p><p>� A� est� ela.</p><p>Christian se levanta do sof� onde est� recostado.</p><p>Sua express�o � carinhosa e agradecida. A mulher de cabelo ruivo ao lado dele sorri para mim, um sorriso luminoso. Ela se levanta tamb�m. Est� impecavelmente arrumada, com um vestido de tric� bege e sapatos combinando. Ela � bem cuidada, elegante, linda, e eu morro um pouco por dentro, sabendo que estou um lixo.</p><p>� M�e, esta � Anastasia Steele. Anastasia, esta � Grace Trevelyan-Grey. � A Dra. Trevelyan-Grey me estende a m�o. T... <emphasis>de Trevelyan? A inicial dele.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Que prazer em conhec�-la � murmura ela.</p><p>Se eu n�o estiver enganada, h� um tom admirado e talvez at� aliviado em sua voz, e um brilho caloroso em seus olhos cor de avel�. Seguro sua m�o, e n�o posso evitar um sorriso, retribuindo sua simpatia.</p><p><emphasis>�</emphasis> Dra. Trevelyan-Grey � cumprimento.</p><p>� Pode me chamar de Grace. � Ela sorri, e Christian franze a testa. � Normalmente me chamam de Dra. Trevelyan, e a Sra. Grey � minha sogra. � Ela d� uma piscadela. � Ent�o, como voc�s se conheceram?</p><p>Ela olha com um ar interrogativo para Christian, sem conseguir esconder a curiosidade.</p><p>� Anastasia me entrevistou para o jornal da WSU porque vou entregar os diplomas esta semana.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Eu tinha me esquecido disso.</p><p>� Ent�o voc� se forma esta semana? � pergunta Grace.</p><p>� Sim.</p><p>Meu celular come�a a tocar. <emphasis>Kate, aposto.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Com licen�a.</p><p>O celular est� na cozinha. Vou at� l� e me debru�o no balc�o, sem olhar o n�mero.</p><p>� Kate.</p><p>� <emphasis>Dios m�o,</emphasis> Ana! � <emphasis>Puta merda, � Jos�.</emphasis> Ele parece desesperado. � Onde voc� est�? Ando tentando falar com voc�. Preciso encontr�-la, para me desculpar pelo meu comportamento na sexta-feira. Por que n�o retornou minhas liga��es?</p><p>� Olha, Jos�, agora n�o � uma boa hora.</p><p>Olho ansiosa para Christian, que me observa atentamente, o rosto impass�vel ao murmurar alguma coisa para a m�e. Viro de costas para ele.</p><p>� Onde voc� est�? Kate est� sendo muito evasiva � resmunga ele.</p><p>� Estou em Seattle.</p><p>� O que voc� est� fazendo em Seattle? Est� com ele?</p><p>� Jos�, ligo para voc� depois. N�o posso falar agora.</p><p>Desligo.</p><p>Volto despreocupadamente para Christian e sua m�e. Grace est� no meio de uma frase.</p><p>� ...e Elliot ligou para dizer que voc� estava aqui. N�o vejo voc� h� duas semanas, querido.</p><p>� Ele ligou agora? � murmura Christian, observando-me, a express�o impenetr�vel.</p><p>� Achei que pod�amos almo�ar juntos, mas vejo que voc� tem outros planos, e n�o quero atrapalhar seu dia.</p><p>Ela pega o sobretudo creme e se vira para ele, oferecendo o rosto. Ele lhe d� um beijinho r�pido, carinhoso. Ela n�o o toca.</p><p>� Tenho que levar Anastasia de volta para Portland.</p><p>� Claro, querido. Anastasia, foi um grande prazer. Espero que a gente torne a se encontrar.</p><p>Ela me estende a m�o, os olhos brilhando, e nos cumprimentamos.</p><p>Taylor aparece de... <emphasis>onde?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Sra. Grey? � pergunta ele.</p><p>� Obrigada, Taylor.</p><p>Ele a acompanha atrav�s das portas duplas at� o hall. Taylor estava l� o tempo todo? H� quanto tempo? Por onde andava?</p><p>Christian me olha furioso.</p><p>� Ent�o o fot�grafo ligou?</p><p><emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� Ligou.</p><p>� O que ele queria?</p><p>� S� se desculpar. Por sexta-feira.</p><p>Ele franze o cenho.</p><p>� Entendi � diz simplesmente.</p><p>Taylor volta.</p><p>� Sr. Grey, h� um problema com o carregamento de Darfur.</p><p>Christian faz um gesto seco de cabe�a para ele.</p><p>� Charlie Tango voltou ao Campo da Boeing?</p><p>� Sim, senhor.</p><p>Taylor me cumprimenta com a cabe�a.</p><p>� Srta. Steele.</p><p>Sorrio timidamente, e ele se retira.</p><p>� Ele mora aqui? Taylor?</p><p>� Mora.</p><p>Seu tom � entrecortado. <emphasis>Qual � o problema?</emphasis></p><p>Christian pega o BlackBerry na cozinha e manda uns e-mails, presumo. Contrai os l�bios e faz uma liga��o.</p><p>� Ros, qual � o problema? � pergunta secamente.</p><p>Ele escuta, olhando para mim, que fico ali parada no meio da enorme sala, sem saber para onde ir, sentindo-me extraordinariamente inibida e deslocada.</p><p>� N�o aceito colocar nenhum tripulante em risco. N�o, cancele... Vamos jogar pelo ar em vez disso... �timo.</p><p>Ele desliga. A simpatia desapareceu de seus olhos. Parece amea�ador, e ap�s me olhar rapidamente, entra no escrit�rio e volta pouco depois.</p><p>� Este � o contrato. Leia-o, e vamos conversar sobre ele na semana que vem. Sugiro que fa�a algumas pesquisas, para saber no que est� se envolvendo. � Faz uma pausa. � Isto �, se voc� concordar, e espero que concorde � acrescenta, o tom mais suave, ansioso.</p><p>� Pesquisas?</p><p>� Voc� vai ficar espantada com o que se pode encontrar na internet � murmura.</p><p>Internet! N�o tenho um computador s� meu, uso o laptop de Kate, e naturalmente n�o poderia usar o da Clayton�s para esse tipo de �pesquisa�.</p><p>� O que foi? � pergunta ele, inclinando a cabe�a para o lado.</p><p>� Eu n�o tenho computador. Normalmente uso os computadores da faculdade. Vou ver se posso usar o laptop da Kate.</p><p>Ele me entrega um envelope pardo.</p><p>� Tenho certeza que posso... h�, emprestar um para voc�. Pegue suas coisas. Vamos de carro para Portland, e almo�amos no caminho. Preciso me vestir.</p><p>� S� vou dar um telefonema � digo.</p><p>S� quero ouvir a voz de Kate. Ele franze a testa.</p><p>� Para o fot�grafo? � Cerra os dentes com um olhar inflamado. Pestanejo. � Eu n�o gosto de compartilhar, Srta. Steele. Lembre-se disso.</p><p>Seu tom calmo, gelado, � um aviso, e, com um olhar frio e demorado para mim, ele volta para o quarto.</p><p>Nossa. <emphasis>Eu s� queria ligar para Kate,</emphasis> tenho vontade de gritar para ele, mas sua repentina atitude de afastamento me paralisou. O que aconteceu com o homem generoso, relaxado e sorridente que estava fazendo amor comigo meia hora atr�s?</p><p>* * *</p><p>� PRONTA? � pergunta Christian enquanto estamos parados ao lado das portas duplas do hall.</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a sem convic��o. Ele voltou a incorporar sua persona distante, educada e tensa, usando novamente a m�scara. Est� levando uma bolsa de couro transpassada no corpo. Por que precisa disso? Talvez v� ficar em Portland, e ent�o me lembro da formatura. Ah, sim... ele estar� l� na quinta-feira. Usa uma jaqueta de couro preta. Sem d�vida, n�o parece o multimultimilion�rio, bilion�rio ou seja l� o que for, com essa roupa. Parece um <emphasis>bad boy</emphasis>, talvez um astro de rock mal-comportado ou um modelo de passarela. Suspiro internamente, desejando ter um d�cimo da sua compostura. Ele � muito calmo e controlado. Franzo a testa, lembrando sua explos�o por causa de Jos�... Pelo menos aparentou ser.</p><p>Taylor est� rondando por ali.</p><p>� Amanh�, ent�o � diz ele a Taylor, que assente.</p><p>� Sim, senhor. Que carro vai usar?</p><p>Ele me olha rapidamente.</p><p>� O R8.</p><p>� Boa viagem, Sr. Grey. Srta. Steele. � Taylor me olha com simpatia, embora talvez haja uma pontinha de pena escondida no fundo de seus olhos.</p><p>Sem d�vida, ele pensa que sucumbi aos h�bitos sexuais duvidosos do Sr. Grey. Ainda n�o, s� a seus h�bitos sexuais excepcionais, ou vai ver que o sexo � assim para todo mundo. Franzo as sobrancelhas para essa ideia. N�o tenho com o que comparar, e n�o posso perguntar a Kate. Isso � um problema que vou ter que abordar com Christian. � normal�ssimo eu falar com algu�m � e n�o posso falar com ele se num momento � receptivo e em seguida fica distante.</p><p>Taylor segura a porta para n�s e nos acompanha at� a sa�da. Christian chama o elevador.</p><p>� O que foi, Anastasia? � pergunta. � Como sabe que estou remoendo uma coisa na cabe�a? Ele pega o meu queixo. � Pare de morder o l�bio, ou vou transar com voc� aqui no elevador, e nem quero saber se vai aparecer algu�m.</p><p>Enrubes�o, mas h� um vest�gio de sorriso em seus l�bios. Finalmente, seu humor parece mudar.</p><p>� Christian, estou com um problema.</p><p>� O que �? � Tenho toda a sua aten��o.</p><p>O elevador chega. Entramos, e Christian aperta o bot�o marcado com um �G�.</p><p>� Bem... � Fico vermelha. <emphasis>Como dizer isso</emphasis>? � Preciso falar com Kate. Tenho muitas perguntas sobre sexo, e voc� est� muito envolvido. Se quiser que eu fa�a essas coisas, como vou saber...? � Paro, tentando encontrar as palavras certas. � Eu simplesmente n�o tenho nenhuma refer�ncia.</p><p>Ele revira os olhos.</p><p>� Fale com ela, se precisar. � Parece exasperado. � S� n�o deixe que ela mencione nada para Elliot.</p><p>Irrito-me com a insinua��o dele. <emphasis>Kate n�o � assim.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ela n�o faria isso, e eu n�o contaria nada que ela me contasse de Elliot, se ela contasse alguma coisa � acrescento depressa.</p><p>� Bem, a diferen�a � que eu n�o quero saber da vida sexual dele � murmura Christian secamente. � Elliot � um filho da m�e intrometido. Mas s� fale a respeito do que j� fizemos at� agora � avisa ele. � Ela provavelmente me castraria se soubesse o que pretendo fazer com voc� � acrescenta num tom de voz t�o baixo que n�o tenho certeza se era para eu ouvir.</p><p>� Ok � concordo prontamente, sorrindo para ele, aliviada.</p><p>A ideia de Kate castrando Christian n�o � algo em que eu queira pensar.</p><p>Ele contrai a boca para mim, e balan�a a cabe�a.</p><p>� Quanto antes eu tiver sua submiss�o, melhor, e podemos parar com isso � diz ele.</p><p>� Parar com o qu�?</p><p>� Com voc� me desafiando.</p><p>Ele pega meu queixo e me d� um beijo r�pido e doce na boca. As portas do elevador se abrem. Oferece a m�o, e me conduz para a garagem subterr�nea.</p><p><emphasis>Eu, desafiando-o... como?</emphasis></p><p>Ao lado do elevador, vejo o Audi 4x4 preto, mas � de um modelo esportivo que soa o alarme, e as luzes se acendem quando Grey aponta a chave para ele. � um desses carros que devia ter uma loura de pernas muito compridas, vestida s� de biqu�ni, esparramada no cap�.</p><p>� Bonito carro � murmuro secamente.</p><p>Ele ergue os olhos e sorri.</p><p>� Eu sei � diz, e, por uma fra��o de segundo, o Christian meigo, jovem e descontra�do est� de volta.</p><p>Isso aquece meu cora��o. Ele est� t�o empolgado. <emphasis>Os meninos e seus brinquedos.</emphasis> Reviro os olhos para ele, mas n�o consigo deixar de sorrir. Abre a porta do carro para mim, e eu entro. Opa... � muito baixo. Ele d� a volta no carro com uma eleg�ncia natural, e se encaixa com gra�a l� dentro, apesar de toda a sua altura.</p><p><emphasis>Como ele faz isso?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ent�o, que tipo de carro � esse?</p><p>� � um Audi R8 Spyder. Est� um dia lindo, podemos baixar a capota. Tem um bon� a� dentro. � ele aponta para o porta-luvas � Na verdade, deve ter dois. E �culos escuros tamb�m, se voc� quiser.</p><p>Ele d� a partida, e o motor ronca atr�s de n�s. Coloca a bolsa de couro no espa�o atr�s dos assentos, aperta um bot�o, e o teto se retrai lentamente. Ao apertar outro bot�o, Bruce Springsteen nos envolve.</p><p>� N�o d� para n�o gostar do Bruce.</p><p>Ele sorri para mim, tira o carro da vaga e sobe a rampa �ngreme, onde para, esperando a cancela abrir.</p><p>Sa�mos na luminosa manh� de maio de Seattle. Pego os bon�s no porta-luvas. Os Mariners. Christian gosta de beisebol? Passo-lhe um bon�, e ele o coloca. Puxo o cabelo pela abertura na parte de tr�s do meu e abaixo a aba.</p><p>As pessoas nos olham ao passarmos pelas ruas. Por um instante, acho que � para ele... e a�, uma parte muito paranoica acha que todo mundo est� me olhando porque sabe o que andei fazendo nas �ltimas doze horas, mas finalmente me dou conta de que � o carro. Christian parece alheio, absorto em seus pensamentos.</p><p>H� pouco tr�fego, e logo estamos na Interestadual 5, sentido sul, o vento soprando acima de nossas cabe�as. Bruce est� cantando sobre estar em fogo e sobre seu desejo. Que apropriado. Enrubes�o ouvindo a letra. Christian me olha. Ele p�s os �culos escuros e n�o posso ver o que est� sentindo. Contrai ligeiramente a boca, e pousa a m�o no meu joelho, apertando com delicadeza. O ar fica preso na minha garganta.</p><p>� Est� com fome? � pergunta ele.</p><p><emphasis>N�o de comida.</emphasis></p><p>� N�o muita.</p><p>Sua boca se contrai, formando aquela linha tensa.</p><p>� Voc� precisa comer, Anastasia � repreende ele. � Conhe�o um restaurante �timo perto de Olympia. Vamos parar l�.</p><p>Torna a apertar meu joelho, e leva de volta a m�o ao volante ao pisar no acelerador. Estou comprimida no encosto do banco. Caramba, esse carro anda.</p><p>* * *</p><p>O RESTAURANTE � pequeno e �ntimo, um chal� de madeira no meio de uma floresta. A decora��o � r�stica: cadeiras e mesas espalhadas aleatoriamente, cobertas com toalhas de algod�o e decoradas com pequenos vasos de flores. CUISINE SAUVAGE, diz a placa na entrada.</p><p>� Faz tempo que n�o venho aqui. Eles preparam o que colheram ou capturaram.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas como se estivesse horrorizado, e temos que rir. A gar�onete nos traz a carta de vinhos. Cora ao ver Christian, evitando fazer contato visual, escondendo-se embaixo da comprida franja loura. Ela gosta dele! <emphasis>Eu n�o sou a �nica!</emphasis></p><p>� Duas ta�as de Pinot Grigio � diz Christian com autoridade.</p><p>Contraio os l�bios, exasperada.</p><p>� O que foi? � pergunta ele bruscamente.</p><p>� Eu queria uma Coca Zero � digo baixinho.</p><p>Ele aperta os olhos cinzentos e faz que n�o, balan�ando a cabe�a.</p><p>� O Pinot Grigio daqui � um vinho honesto. Vai harmonizar bem com a refei��o, seja ela qual for � diz com paci�ncia.</p><p>� Seja ela qual for?</p><p>� Sim.</p><p>Ele d� aquele seu sorriso deslumbrante com a cabe�a inclinada para o lado, e meu est�mago d� um salto. N�o posso deixar de retribuir o glorioso sorriso.</p><p>� Minha m�e gostou de voc� � diz ele secamente.</p><p>� � mesmo?</p><p>Aquelas palavras me fazem corar de prazer.</p><p>� Ah, sim. Ela sempre achou que eu fosse gay.</p><p>Fico boquiaberta, e me lembro <emphasis>daquela pergunta... da entrevista. Ah, n�o.</emphasis></p><p>� Por que ela achou que voc� fosse gay? � sussurro.</p><p>� Porque nunca me viu com uma garota.</p><p>� Ah... nem com uma das quinze?</p><p>Ele ri.</p><p>� Voc� se lembra. N�o, nenhuma das quinze.</p><p>� Ah.</p><p>� Voc� sabe, Anastasia, este foi um fim de semana de primeiras vezes para mim tamb�m � diz baixinho.</p><p>� Foi?</p><p>� Eu nunca dormi com ningu�m, nunca fiz sexo na minha cama, nunca levei uma garota no Charlie Tango, nunca apresentei uma mulher � minha m�e. O que voc� est� fazendo comigo? � Seus olhos ardem em chamas, com uma intensidade que me tira o f�lego.</p><p>A gar�onete chega com nossas ta�as de vinho, e eu imediatamente dou um gole r�pido. Ser� que ele est� se abrindo ou s� fazendo uma observa��o despretensiosa?</p><p>� Gostei muito deste fim de semana � murmuro.</p><p>Ele torna a apertar os olhos.</p><p>� Pare de morder esse l�bio � reclama. � Eu tamb�m gostei � acrescenta.</p><p>� O que � sexo baunilha? � pergunto, pelo menos para n�o pensar naquele olhar intenso e sensual que ele est� me dando. Ele ri.</p><p>� � sexo convencional, Anastasia. Nada de brinquedos nem acess�rios. � Ele d� de ombros. � Bem... na verdade voc� n�o sabe a diferen�a, mas � o que significa.</p><p>� Ah.</p><p>Pensei que tiv�ssemos feito sexo brownie de chocolate com calda quente. Mas, afinal, o que � que eu sei?</p><p>A gar�onete nos traz uma sopa. Ficamos olhando para ela um tanto inseguros.</p><p>� Sopa de urtiga � informa a mo�a antes de dar meia-volta e retornar bruscamente para a cozinha.</p><p>Acho que ela n�o gosta de ser ignorada por Christian. Provo um pouco da sopa. Est� deliciosa. Christian e eu nos entreolhamos com al�vio. Dou uma risadinha, e ele inclina a cabe�a.</p><p>� Esse som � muito agrad�vel � murmura.</p><p>� Por que voc� nunca tinha feito sexo baunilha? Sempre fez... hum, do jeito que faz? � pergunto intrigada.</p><p>Ele assente lentamente.</p><p>� Mais ou menos. � Sua voz � cautelosa. Ele fica s�rio, parecendo envolvido em algum tipo de luta interior. Depois ergue os olhos, decidido. � Uma das amigas da minha m�e me seduziu quando eu tinha quinze anos.</p><p>� Ah. � <emphasis>Puta merda, ele era muito novo!</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ela tinha gostos muito especiais. Fui submisso a ela durante seis anos. � Ele encolhe os ombros.</p><p>� Ah. � Meu c�rebro congelou, paralisado de espanto com essa confiss�o.</p><p>� Por isso sei exatamente o que isso envolve, Anastasia. � Seus olhos brilham com perspic�cia.</p><p>Fico olhando para ele, sem conseguir dizer nada � at� meu inconsciente est� calado.</p><p>� Na verdade, n�o tive uma introdu��o normal ao sexo.</p><p>Minha curiosidade desperta.</p><p>� Ent�o voc� n�o namorou ningu�m na faculdade?</p><p>� N�o. � Ele balan�a a cabe�a para enfatizar a resposta.</p><p>A gar�onete recolhe nossas tigelas, interrompendo-nos momentaneamente.</p><p>� Por qu�? � pergunto quando ela se retira.</p><p>Ele sorri com ironia.</p><p>� Quer saber mesmo?</p><p>� Quero.</p><p>� Eu n�o quis. Ela era tudo o que eu queria, tudo de que eu precisava. E, al�m do mais, ela teria me dado uma surra.</p><p>Ele sorri com carinho ao se lembrar.</p><p><emphasis>Ah, isso � muita informa��o �</emphasis> mas quero mais.</p><p>� Ent�o, se ela era amiga da sua m�e, que idade tinha?</p><p>Ele ri.</p><p>� Idade suficiente para saber das coisas.</p><p>� Voc� ainda a v�?</p><p>� Sim.</p><p>� Ainda... h�...? � enrubes�o.</p><p>� N�o. � Ele balan�a a cabe�a e me oferece um sorriso indulgente. � Ela � uma grande amiga.</p><p>� Sua m�e sabe?</p><p>Ele me lan�a um olhar do tipo �n�o seja boba�.</p><p>� Claro que n�o.</p><p>A gar�onete volta com um prato de carne de cervo, mas perdi o apetite. Que revela��o. <emphasis>Christian era submisso... Puta merda.</emphasis> Dou um bom gole no Pinot Grigio � ele tem raz�o, claro, est� delicioso. Nossa... essas revela��es todas, � muita coisa para pensar. Preciso de tempo para process�-las, quando estiver sozinha, sem sua presen�a para me distrair. Ele � t�o avassalador, t�o prepotente, e agora vem com essa bomba. <emphasis>Ele sabe como �.</emphasis></p><p>� Mas n�o deve ter sido sempre assim. � Estou confusa.</p><p>� Bem, foi, embora eu n�o a visse o tempo todo, era... dif�cil. Afinal, eu ainda estava no col�gio e, depois, na faculdade. Coma, Anastasia.</p><p>� N�o estou com muita fome, Christian. � <emphasis>Estou muito atordoada com sua revela��o.</emphasis></p><p>Sua express�o endurece.</p><p>� Coma. � O tom de voz � muito, muito baixo.</p><p>Olho para ele. Este homem � que sofreu abuso sexual na adolesc�ncia � tem um tom muito amea�ador.</p><p>� S� preciso de um minutinho � sussurro com calma.</p><p>Ele pisca algumas vezes.</p><p>� Tudo bem � murmura, e continua a refei��o.</p><p>� assim que vai ser se eu assinar, ele me dando ordens. <emphasis>Ser� que eu quero isso?</emphasis> Pego a faca e o garfo, e timidamente corto a carne de cervo. � muito saborosa.</p><p>� � assim que nossa, hum... rela��o vai ser? � pergunto. � Voc� me dando ordens?</p><p>N�o consigo me obrigar a olhar para ele.</p><p>� � � ele responde.</p><p>� Entendo.</p><p>� E voc� vai querer que eu fa�a isso � acrescenta ele, num tom grave.</p><p><emphasis>Sinceramente, eu duvido.</emphasis> Corto outro peda�o de carne, levando-o at� a boca.</p><p>� � um grande passo � digo baixinho, e ent�o como.</p><p>� �. � Ele fecha os olhos rapidamente, e, ao abri-los, arregala-os numa express�o s�ria. � Anastasia, voc� tem que seguir sua intui��o. Fa�a a pesquisa, leia o contrato. Terei muito prazer em discuti-lo com voc�. Estarei em Portland at� sexta-feira, se quiser falar comigo sobre isso antes. � As palavras saem apressadas. � Ligue para mim. Quem sabe a gente pode jantar na quarta-feira? Eu quero muito fazer isso dar certo. Na verdade, nunca quis tanto uma coisa quanto quero isso.</p><p>Sua sinceridade ardente e seu desejo se refletem em seus olhos. Basicamente � isso que eu n�o entendo. <emphasis>Por que eu?</emphasis> Por que n�o uma das quinze? Ah, n�o... Ser� que vou ser isso � um n�mero? A n�mero dezesseis entre muitas outras?</p><p>� O que aconteceu com as quinze? � disparo.</p><p>Ele faz cara de surpresa, depois se resigna, balan�ando a cabe�a.</p><p>� V�rias coisas, mas tudo se resume a... � Ele para, esfor�ando-se para encontrar as palavras, acho. � Incompatibilidade. � D� de ombros.</p><p>� E acha que eu poderia ser compat�vel com voc�?</p><p>� Acho.</p><p>� Ent�o n�o est� saindo com mais nenhuma delas?</p><p>� N�o, Anastasia, n�o estou. Sou monog�mico nas minhas rela��es.</p><p>Ah... <emphasis>isso � novidade.</emphasis></p><p>� Entendi.</p><p>� Fa�a a pesquisa, Anastasia.</p><p>Pouso o garfo e a faca. N�o consigo mais comer.</p><p>� Acabou? S� vai comer isso?</p><p>Balan�o a cabe�a, assentindo. Ele me olha de cara feia, mas n�o diz nada. Dou um pequeno suspiro de al�vio. Meu est�mago est� revirado com todas essas informa��es, e estou meio tonta por causa do vinho. Observo-o devorar o prato todo. Ele come feito um cavalo. Deve malhar para ficar t�o em forma. A lembran�a dele com aquela cal�a de pijama ca�da nos quadris me vem � mente espontaneamente. � uma imagem que desconcentra. Remexo-me desconfort�vel na cadeira. Ele me olha, e eu enrubes�o.</p><p>� Eu daria tudo para saber no que voc� est� pensando agora � murmura.</p><p>Enrubes�o mais ainda.</p><p>Ele me d� aquele sorrisinho perverso.</p><p>� Posso adivinhar � provoca ele baixinho.</p><p>� Ainda bem que voc� n�o pode ler minha mente.</p><p>� Sua mente, n�o, Anastasia, mas seu corpo... <emphasis>este</emphasis> eu passei a conhecer muito bem desde ontem. � Sua voz � sugestiva. Como ele sai de um estado de esp�rito a outro t�o depressa? � muito inconstante... Dif�cil de acompanhar.</p><p>Ele chama a gar�onete com um gesto e pede a conta. Quando paga, se levanta e estende a m�o.</p><p>� Venha...</p><p>Christian me d� a m�o e me conduz ao carro. Esse contato, pele com pele, � o que � t�o inesperado da parte dele, normal, �ntimo. N�o d� para conciliar esse gesto casual, terno, com o que ele quer fazer naquele quarto... O Quarto Vermelho da Dor.</p><p>Seguimos calados de Olympia a Vancouver, ambos absortos em nossos pensamentos. Quando ele estaciona em frente ao meu apartamento, s�o cinco da tarde. As luzes est�o acesas � Kate est� em casa. Empacotando as coisas, sem d�vida, a menos que Elliot ainda esteja l�. Christian desliga o motor, e me dou conta de que vou ter que deix�-lo.</p><p>� Quer entrar? � pergunto.</p><p>N�o quero que ele v� embora. Quero prolongar nosso tempo juntos.</p><p>� N�o. Tenho que trabalhar � diz ele simplesmente, olhando para mim, a express�o insond�vel.</p><p>Olho para as m�os, entrela�o os dedos. De repente, fico emotiva. Christian est� indo embora. Ele estica o bra�o, pega uma das minhas m�os e, lentamente, a leva aos l�bios, beijando-a com ternura, um gesto muito antiquado e meigo. Meu cora��o sai pela boca.</p><p>� Obrigado por este fim de semana, Anastasia. Foi... �timo. Quarta-feira? Pego voc� no trabalho ou onde preferir � diz baixinho.</p><p>� Quarta-feira � confirmo.</p><p>Ele torna a beijar minha m�o e a p�e em meu colo. Sai do carro, d� a volta at� meu lado e abre a porta. Por que me sinto t�o desconsolada de repente? Estou com um n� na garganta. N�o posso deixar que ele me veja assim. Com um sorriso for�ado, saio do carro e sigo para casa, sabendo que vou ter que enfrentar Kate. Fico apavorada com a ideia. Viro-me no meio do caminho e olho para ele. <emphasis>Cabe�a erguida, Steele,</emphasis> repreendo-me.</p><p>� Ah... a prop�sito, estou usando sua cueca.</p><p>Dirijo-lhe um sorrisinho e puxo o c�s da Calvin Klein que estou usando para lhe mostrar. Ele fica boquiaberto, chocado. Que rea��o �tima. Meu estado de esp�rito muda imediatamente, e entro em casa toda faceira, uma parte de mim querendo saltar e dar um soco no ar. <emphasis>ISSO</emphasis><emphasis>!</emphasis> Minha deusa interior est� agitada.</p><p>Kate est� na sala encaixotando os livros.</p><p>� Voc� voltou. Cad� o Christian? Como voc� est�?</p><p>Sua voz est� exaltada, aflita, e ela vem correndo me segurar pelos ombros para me examinar minuciosamente antes mesmo de eu dizer oi.</p><p><emphasis>Que droga...</emphasis> preciso enfrentar a persist�ncia e a tenacidade de Kate, e ainda tenho um documento legal assinado dizendo que n�o posso falar. N�o � uma boa combina��o.</p><p>� E a�? Como foi? Eu n�o conseguia parar de pensar em voc�, isto �, depois que Elliot foi embora. � Ela d� um sorriso malicioso.</p><p>N�o posso deixar de sorrir diante de seu interesse e de sua curiosidade ardente, mas de repente fico t�mida. Enrubes�o. Aquilo foi muito �ntimo. Aquilo tudo. Ver e descobrir o que Christian esconde. Mas tenho que lhe contar alguns detalhes, porque ela n�o vai me deixar em paz at� eu falar.</p><p>� Foi �timo, Kate. Muito bom, eu acho � digo baixinho, tentando disfar�ar o sorriso envergonhado e revelador.</p><p>� Voc� acha?</p><p>� N�o tenho nenhum termo de compara��o, n�o �? � encolho os ombros me desculpando.</p><p>� Ele fez voc� gozar?</p><p>Puta merda. Ela � muito direta. Fico vermelha.</p><p>� Fez � murmuro, exasperada.</p><p>Kate me puxa para o sof� e nos sentamos. Segura minhas m�os.</p><p>� Isso � <emphasis>�timo</emphasis>. � Ela me olha incr�dula. � Foi sua primeira vez. Nossa, Christian deve realmente saber o que faz.</p><p><emphasis>Ah, Kate, se voc� soubesse...</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Minha primeira vez foi horr�vel � continua ela, com uma express�o triste.</p><p>� � mesmo? � Isso me interessa, algo que ela nunca contou antes.</p><p>� Sim, Steve Patrone. Ensino m�dio, o maior babaca. � D� de ombros. � Ele foi bruto. Eu n�o estava pronta. Est�vamos os dois b�bados. Voc� sabe, aquele t�pico desastre adolescente p�s-baile de formatura. Argh! Levei meses para decidir tentar de novo. E n�o com ele, aquele covarde. Eu era muito nova. Voc� estava certa em esperar.</p><p>� Kate, que horror.</p><p>Kate parece nost�lgica.</p><p>� �, levei quase um ano para atingir meu primeiro orgasmo com penetra��o, e voc� a�... de primeira?</p><p>Balan�o a cabe�a timidamente. Minha deusa interior est� sentada em posi��o de l�tus com uma express�o serena, apesar do sorriso maroto de autofelicita��o.</p><p>� Que bom que voc� perdeu a virgindade com algu�m que n�o confunde cu com cotovelo. � Ela me d� uma piscadela. � Ent�o, quando vai sair com ele de novo?</p><p>� Quarta-feira. Vamos jantar.</p><p>� Quer dizer que voc� ainda gosta dele?</p><p>� Gosto. Mas n�o sei quanto... ao futuro.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Ele � complicado, Kate. Sabe, vive num mundo muito diferente do meu.</p><p>�tima desculpa. Convincente, tamb�m. Muito melhor que: <emphasis>Ele tem um Quarto Vermelho da Dor e quer fazer de mim sua submissa.</emphasis></p><p>� Ah, por favor, n�o deixe que o dinheiro atrapalhe, Ana. Elliot disse que � muito raro Christian sair com algu�m.</p><p>� Disse? � pergunto quase gritando.</p><p><emphasis>�bvio demais, Steele!</emphasis> Meu inconsciente me olha, balan�ando aquele dedo magro e comprido, depois se transforma na balan�a da justi�a para me lembrar de que ele pode me processar se eu falar demais. <emphasis>R�... o que ele vai fazer? Tirar todo o meu dinheiro?</emphasis> Tenho que me lembrar de procurar no Google �<emphasis>pena por quebrar um termo de confidencialidade�</emphasis> quando estiver fazendo minha �pesquisa�. � como se tivessem me dado um trabalho escolar. Talvez eu ganhe uma nota. Enrubes�o, lembrando-me da minha nota m�xima durante o banho hoje de manh�.</p><p>� Ana, o que foi?</p><p>� S� estou me lembrando de uma coisa que o Christian disse.</p><p>� Voc� est� diferente � diz Kate, carinhosa.</p><p>� Eu me sinto diferente. Dolorida � confesso.</p><p>� Dolorida?</p><p>� Um pouquinho.</p><p>Fico vermelha.</p><p>� Eu tamb�m. Homens! � diz ela, fingindo repugn�ncia. � S�o uns animais.</p><p>Ambas rimos.</p><p>� Voc� est� dolorida! � exclamo.</p><p>� Estou... excesso de uso.</p><p>Dou uma risada.</p><p>� Conte-me sobre Elliot, o usu�rio � digo, quando paramos de rir.</p><p>Ah, estou relaxando pela primeira vez desde que estava na fila no bar... antes do telefonema que come�ou tudo isso � quando eu estava admirando o Sr. Grey de longe. Dias felizes e descomplicados.</p><p>Kate cora. <emphasis>Nossa...</emphasis> Katherine Agnes Kavanagh fica toda Anastasia Rose Steele. Ela me lan�a aquele olhar inocente. Nunca a vi reagir dessa maneira a um homem. Meu queixo cai.</p><p><emphasis>Cad� a Kate? O que fizeram com ela?</emphasis></p><p>� Ah, Ana � diz com entusiasmo. � Ele � muito... tudo. E quando estamos... ai... muito bom.</p><p>Ela mal consegue formar uma frase, n�o diz coisa com coisa.</p><p>� Acho que voc� est� tentando me dizer que gosta dele.</p><p>Ela assente com a cabe�a, sorrindo como uma maluca.</p><p>� E vou sair com ele s�bado. Ele vai ajudar na nossa mudan�a.</p><p>Kate aperta as m�os, se levanta do sof� de um salto, e vai dando piruetas at� a janela. Mudan�a. Que droga. Eu tinha me esquecido, mesmo com as caixas de papel�o nos cercando.</p><p>� Muito prestativo � digo, agradecida. Posso conhec�-lo melhor, tamb�m. Talvez ele possa me ajudar a entender seu irm�o estranho e perturbador. � Ent�o, o que voc�s fizeram ontem � noite? � pergunto.</p><p>Ela levanta a cabe�a e as sobrancelhas para mim como quem diz: o que voc� acha, sua idiota?</p><p>� Mais ou menos a mesma coisa que voc� fez, s� que jantamos antes. � Ela sorri. � Voc� est� bem mesmo? Parece meio perturbada.</p><p>� Eu me sinto perturbada. Christian � muito intenso.</p><p>� �, deu para perceber. Mas ele foi legal com voc�?</p><p>� Foi � tranquilizo-a. � Estou com muita fome, quer que eu prepare alguma coisa?</p><p>Ela concorda e pega mais dois livros para embalar.</p><p>� O que quer fazer com os livros de quatorze mil d�lares? � pergunta.</p><p>� Vou devolver para ele.</p><p>� � mesmo?</p><p>� � um presente totalmente estapaf�rdio. N�o posso aceitar, sobretudo agora � sorrio para Kate, e ela assente.</p><p>� Entendi. Chegaram duas cartas para voc�, e Jos� est� ligando de hora em hora. Parece desesperado.</p><p>� Vou ligar para ele � murmuro, evasiva.</p><p>Se eu contar a Kate sobre Jos�, ela vai com�-lo vivo no caf� da manh�. Pego as cartas na mesa de jantar e as abro.</p><p>� Ei, tenho entrevistas! Daqui a duas semanas, em Seattle, para um est�gio!</p><p>� Em que editora?</p><p>� Nas duas!</p><p>� Eu disse que suas notas abririam portas, Ana.</p><p>Kate, claro, j� tem um est�gio certo no <emphasis>Seattle Times</emphasis>. Seu pai tem conhecidos por l�.</p><p>� Como Elliot est� se sentindo em rela��o a sua viagem? � pergunto.</p><p>Kate vai para a cozinha, e, pela primeira vez hoje, parece desconsolada.</p><p>� Ele � compreensivo. Uma parte de mim n�o quer ir, mas � tentador pegar um pouco de sol por umas semanas. Al�m do mais, mam�e est� l�, achando que ser� nosso �ltimo fim de semana em fam�lia antes que Ethan e eu entremos no mundo do emprego assalariado.</p><p>Eu nunca sa� dos Estados Unidos. Kate vai passar duas semanas inteiras em Barbados com os pais e o irm�o, Ethan. Estarei sem ela no nosso apartamento novo. Vai ser estranho. Ethan est� viajando pelo mundo desde que se formou, no ano passado. Ser� que vou v�-lo antes que saiam de f�rias? Ele � um amor de pessoa. O telefone toca, arrancando-me do meu devaneio.</p><p>� Deve ser o Jos�.</p><p>Suspiro. Sei que tenho que falar com ele. Pego o telefone.</p><p>� Oi.</p><p>� Ana, voc� voltou! � Jos� extravasa o al�vio gritando para mim.</p><p>� � �bvio.</p><p>Meu tom � sarc�stico, e reviro os olhos para o telefone. Ele fica calado um instante.</p><p>� Posso ver voc�? Quero pedir desculpas por sexta-feira � noite. Eu estava b�bado... e voc�... bem, Ana, me desculpe, por favor.</p><p>� Claro que desculpo, Jos�. S� n�o fa�a isso de novo. Voc� sabe que eu n�o sinto o mesmo que voc�.</p><p>Ele suspira fundo, triste.</p><p>� Eu sei, Ana. S� achei que, se eu pudesse beij�-la, voc� talvez come�asse a gostar de mim.</p><p>� Jos�, gosto muito de voc�, voc� � muito importante para mim. � como o irm�o que eu nunca tive. Isso n�o vai mudar. Voc� sabe disso.</p><p>� chato decepcion�-lo, mas � a verdade.</p><p>� Ent�o voc� agora est� com ele? � Seu tom � cheio de desd�m.</p><p>� Jos�, n�o estou com ningu�m.</p><p>� Mas passou a noite com ele.</p><p>� Isso n�o � da sua conta!</p><p>� � o dinheiro?</p><p>� Jos�! Como voc� se atreve! � grito, espantada com sua aud�cia.</p><p>� Ana � choraminga ele, se desculpando ao mesmo tempo.</p><p>N�o consigo lidar com uma crise de ci�me neste momento. Sei que ele est� magoado, mas pensar em Christian Grey j� � o suficiente.</p><p>� Talvez a gente possa tomar um caf� ou qualquer outra coisa amanh�. Eu ligo para voc�. � Tento ser conciliadora. Jos� � meu amigo, e gosto muito dele. Mas, no momento, n�o preciso disso.</p><p>� Ent�o, amanh�. Voc� me liga? � Seu tom esperan�oso me aperta o cora��o.</p><p>� Ligo... boa noite, Jos�. � Desligo, sem esperar por resposta.</p><p>� O que foi isso? � pergunta Katherine, com as m�os nos quadris.</p><p>Decido que honestidade � a melhor pol�tica. Ela est� mais intrat�vel que nunca.</p><p>� Ele tentou me beijar na sexta-feira.</p><p>� Jos�? <emphasis>E</emphasis> Christian Grey? Ana, seus ferom�nios devem estar fazendo hora extra. O que aquele idiota estava pensando? � Ela balan�a a cabe�a com desgosto e volta a empacotar seus pertences.</p><p>Quarenta e cinco minutos depois, fazemos uma pausa no trabalho de embalagem para experimentar a especialidade da casa: minha lasanha. Kate abre uma garrafa de vinho, e nos sentamos em meio �s caixas, comendo, bebendo vinho barato e assistindo a bobagens na tev�. Isso � a normalidade. Algo que d� muita seguran�a e � bem-vindo depois das �ltimas quarenta e oito horas de... loucura. Fa�o minha primeira refei��o sem pressa, em paz e sem press�o nesse tempo todo. <emphasis>Qual � o problema dele com a comida?</emphasis> Kate tira os pratos, e acabo de embalar as coisas da sala. Sobrou o sof�, a tev� e a mesa de jantar. De que mais poder�amos precisar? S� falta embrulhar as coisas da cozinha e dos quartos, e temos o restante da semana.</p><p>O telefone toca de novo. � Elliot. Kate me lan�a uma piscadela e vai saltitante para o quarto, como se tivesse quatorze anos. Sei que ela devia estar redigindo o discurso de formatura, mas parece que Elliot � mais importante. O que esses Grey t�m? O que os torna totalmente perturbadores, atraentes e irresist�veis? Bebo mais um gole de vinho.</p><p>Fico zapeando a tev�, mas, no fundo, sei que estou adiando. Piscando e soltando fa�scas dentro da minha bolsa est� aquele contrato. Ser� que tenho for�as e condi��es de l�-lo hoje � noite?</p><p>Ponho as m�os na cabe�a. Jos� e Christian, ambos querem algo de mim. Com Jos� � f�cil de lidar. Mas Christian... Ele exige um tratamento e uma compreens�o totalmente diferentes. Uma parte de mim quer fugir e se esconder. O que vou fazer? Visualizo aqueles olhos cinzentos e aquele olhar intenso e apaixonado, e meu corpo se contrai com a imagem. Suspiro. Ele nem est� aqui e estou excitada. N�o pode ser s� sexo, n�o �? Lembro-me de sua brincadeira delicada hoje no caf� da manh�, de sua alegria pelo meu entusiasmo com a viagem de helic�ptero, de como ele toca piano � aquela m�sica doce, comovente e t�o triste.</p><p>Ele � uma pessoa muito complicada. E agora come�o a entender por qu�. Um jovem privado da adolesc�ncia, abusado sexualmente por uma pervertida Mrs. Robinson da vida... n�o admira que aparente ser mais velho do que �. Meu cora��o se enche de tristeza, imaginando as coisas pelas quais deve ter passado. Sou muito ing�nua para saber exatamente o qu�, mas a pesquisa deve me dar alguma luz. Ser� que quero mesmo saber? Ser� que quero explorar esse mundo sobre o qual nada sei? � um passo muito grande.</p><p>Se n�o o tivesse conhecido, eu ainda estaria na doce e feliz ignor�ncia. Minha mente se deixa arrastar para ontem � noite e hoje de manh�... e a incr�vel e sensual sexualidade que experimentei. Quero dizer adeus a isso? <emphasis>N�o!,</emphasis> exclama meu inconsciente... minha deusa interior balan�a a cabe�a concordando com ele num sil�ncio zen.</p><p>Kate volta � sala, rindo de orelha a orelha. <emphasis>Vai ver ela est� apaixonada.</emphasis> Olho-a boquiaberta. Nunca agiu assim.</p><p>� Ana, vou me deitar. Estou bem cansada.</p><p>� Eu tamb�m, Kate.</p><p>Ela me abra�a.</p><p>� Ainda bem que voc� voltou inteira. Christian tem alguma coisa estranha � acrescenta ela baixinho, como quem pede desculpas. Lan�o-lhe um sorriso tranquilizador, o tempo todo pensando... <emphasis>Como ela sabe, caramba?</emphasis> � isso que a tornar� uma grande jornalista, sua intui��o acurada.</p><p>* * *</p><p>PEGO A BOLSA e sigo desanimada para o quarto. Estou cansada dos esfor�os carnais do �ltimo dia e do dilema completo e absoluto que estou enfrentando. Sento-me na cama e, com extremo cuidado, retiro o envelope de papel pardo da bolsa, virando-o e revirando-o nas m�os. Ser� que quero mesmo saber a extens�o da deprava��o de Christian? � muito intimidante. Respiro fundo e, com o cora��o na boca, abro o envelope.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO ONZE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>H� v�rios pap�is dentro do envelope. Com o cora��o ainda palpitando, sento-me na cama e come�o a ler.</p><empty-line/><p><strong>_______________________________</strong></p><p><strong>CONTRATO</strong></p><p>Assinado hoje, ____ de 2011 (�O In�cio da Vig�ncia�)</p><p><strong>ENTRE</strong></p><p>SR. CHRISTIAN GREY, residente em 301 Escala, Seattle, WA 98889</p><p>(�O Dominador�)</p><p>SRTA. ANASTASIA STEELE, residente em 1114 SW Rua Green, Apartamento 7, Haven Heights, Vancouver, WA 98888</p><p>(�A Submissa�)</p><p><strong>AS PARTES CONCORDAM COM OS TERMOS ABAIXO</strong></p><p>1 Os termos a seguir s�o parte de um contrato vinculante entre o Dominador e a Submissa.</p><p><strong>TERMOS FUNDAMENTAIS</strong></p><p>2 O prop�sito fundamental do presente contrato � permitir � Submissa explorar de maneira segura sua sensualidade e seus limites, respeitando e considerando devidamente suas necessidades, suas restri��es e seu bem-estar.</p><p>3 O Dominador e a Submissa concordam e confirmam que tudo que ocorra sob os termos do presente contrato ser� consensual, confidencial e sujeito aos limites acordados e aos procedimentos de seguran�a estabelecidos no presente contrato. Limites e procedimentos de seguran�a adicionais poder�o ser acordados por escrito.</p><p>4 O Dominador e a Submissa garantem n�o sofrer de doen�as de natureza sexual, s�ria, infecciosa ou que constitua uma amea�a � vida, incluindo, mas n�o apenas, aids, herpes e hepatite. Se, na vig�ncia do presente contrato (tal como definido acima), ou em qualquer extens�o da vig�ncia do presente contrato, qualquer das partes for diagnosticada com ou tiver ci�ncia de quaisquer dessas doen�as, a parte em quest�o se encarregar� de informar a outra parte imediatamente e antes de qualquer contato f�sico entre as partes.</p><p>5 A ades�o �s garantias, acordos e compromissos acima (e quaisquer limites e procedimentos de seguran�a acordados sob a cl�usula 3) s�o fundamentais para a validade do presente contrato. Qualquer quebra o tornar� imediatamente nulo e as partes concordam em assumir total responsabilidade uma perante a outra pela consequ�ncia de qualquer quebra.</p><p>6 Tudo no presente contrato deve ser lido e interpretado � luz do prop�sito fundamental e dos termos fundamentais estabelecidos nas cl�usulas 2-5.</p><p><strong>OBRIGA��ES</strong></p><p>7 O Dominador se responsabilizar� pelo bem-estar, pelo treinamento, pela orienta��o e pela disciplina adequados da Submissa. Ele decidir� a natureza dos referidos treinamento, orienta��o e disciplina e o tempo e o lugar de sua administra��o, sujeitos aos termos, limita��es e procedimentos acordados no presente contrato ou previamente acordados, em conson�ncia com a cl�usula�3.</p><p>8 Se, em qualquer momento, o Dominador deixar de cumprir os termos, os limites e os procedimentos de seguran�a estabelecidos no presente contrato ou acordados em forma de aditamento sob a cl�usula 3, a Submissa tem o direito de encerrar o presente contrato no ato e deixar de servir ao Dominador sem aviso pr�vio.</p><p>9 De acordo com esta condi��o e com as cl�usulas 2-5, a Submissa deve servir e obedecer ao Dominador em tudo. De acordo com os termos, limita��es e procedimentos de seguran�a estabelecidos no presente contrato ou acordados em forma de aditamento sob a cl�usula 3, ela oferecer� sem questionar ou hesitar o prazer que ele solicitar e aceitar� sem questionar o treinamento, a orienta��o e a disciplina do Dominador na forma que for.</p><p><strong>VIG�NCIA E T�RMINO</strong></p><p>10 O Dominador e a Submissa celebram o presente contrato no In�cio da Data de Vig�ncia plenamente cientes de sua natureza e se comprometem a cumprir plenamente suas condi��es.</p><p>11 O presente contrato vigorar� por um per�odo de tr�s meses a partir do In�cio do Contrato (�a Vig�ncia�). Finda a Vig�ncia, as partes discutir�o se o contrato e os acordos que celebraram sob o presente contrato s�o satisfat�rios e se as necessidades de cada parte foram atendidas. Cada parte pode propor a extens�o do presente contrato sujeita a ajustes de seus termos ou acordos que fizeram na vig�ncia do mesmo. N�o havendo acordo para tal extens�o, o presente contrato terminar� e ambas as partes ser�o liberadas para retomar suas vidas em separado.</p><p><strong>DISPONIBILIDADE</strong></p><p>12 A Submissa estar� dispon�vel para o Dominador das noites de sexta-feira at� as tardes de domingo todas as semanas durante a Vig�ncia em horas a serem especificadas pelo Dominador (�as Horas Designadas�). Mais Horas Designadas podem ser mutuamente acordadas <emphasis>ad hoc.</emphasis></p><p>13 O Dominador se reserva o direito de destituir a Submissa de suas fun��es a qualquer momento e por qualquer raz�o. A Submissa pode solicitar sua libera��o a qualquer momento, devendo tal solicita��o ser concedida a crit�rio do Dominador, sendo resguardados apenas os direitos da Submissa mencionados nas cl�usulas 1-5 e 8, acima.</p><p><strong>LOCAL</strong></p><p>14 A Submissa se colocar� � disposi��o durante as Horas Designadas e as horas adicionais acordadas em locais a serem determinados pelo Dominador. O Dominador assegurar� que todos os custos de viagens incorridos pela Submissa para este prop�sito sejam cobertos pelo Dominador.</p><p><strong>CL�USULAS DO SERVI�O</strong></p><p>15 As seguintes cl�usulas do servi�o foram discutidas e acordadas e receber�o a ades�o de ambas as partes durante a Vig�ncia. Ambas as partes aceitam que possam surgir assuntos n�o cobertos pelos termos do presente contrato ou pelas cl�usulas de servi�o, ou que certos assuntos possam ser renegociados. Em tais circunst�ncias, outras cl�usulas podem ser propostas a t�tulo de emenda. Quaisquer cl�usulas ou emendas adicionais devem ser acordadas, documentadas e assinadas por ambas as partes e ser�o sujeitas aos termos fundamentais estabelecidos sob as cl�usulas 2-5, acima.</p><p><strong>DOMINADOR</strong></p><p>15.1 O Dominador tornar� priorit�rias a sa�de e a seguran�a da Submissa em todos os momentos. O Dominador, em tempo algum, solicitar�, exigir�, permitir� ou ordenar� que a Submissa participe de atividades detalhadas no Ap�ndice 2 ou de qualquer ato que uma ou outra parte julgue inseguro. O Dominador n�o realizar� nem permitir� que se realize qualquer ato que possa causar dano s�rio ou risco � vida da Submissa. As subcl�usulas restantes da cl�usula 15 dever�o ser lidas e sujeitas � presente disposi��o e �s quest�es fundamentais acordadas nas cl�usulas 2-5, acima.</p><p>15.2 O Dominador aceita a Submissa como propriedade sua, para controlar, dominar e disciplinar durante a Vig�ncia. O Dominador pode usar o corpo da Submissa a qualquer momento durante as Horas Designadas, ou em quaisquer horas adicionais acordadas, do modo que julgar apropriado, sexualmente ou de outra maneira qualquer.</p><p>15.3 O Dominador proporcionar� � Submissa todos os treinamentos e orienta��es necess�rios de modo a permitir que ela sirva adequadamente ao Dominador.</p><p>15.4 O Dominador manter� um ambiente est�vel e seguro em que a Submissa possa cumprir suas obriga��es no servi�o do Dominador.</p><p>15.5 O Dominador pode disciplinar a Submissa conforme o necess�rio para assegurar que ela valorize plenamente seu papel de subservi�ncia ao Dominador e para desencorajar condutas inaceit�veis. O Dominador pode a�oitar, espancar, chicotear ou castigar fisicamente a Submissa como julgar apropriado, para fins de disciplina, para seu prazer pessoal, ou por qualquer outra raz�o, a qual n�o � obrigado a explicar.</p><p>15.6 No treinamento e na aplica��o da disciplina, o Dominador assegurar� que n�o sejam deixadas marcas permanentes no corpo da Submissa nem sejam provocados ferimentos que possam exigir cuidados m�dicos.</p><p>15.7 No treinamento e na aplica��o da disciplina, o Dominador assegurar� que a disciplina e os instrumentos usados para os fins disciplinares sejam seguros, e n�o usados de modo a causar danos s�rios, e de modo algum excedam os limites definidos e detalhados no presente contrato.</p><p>15.8 Em caso de doen�a ou ferimento, o Dominador tratar� da Submissa, cuidando de sua sa�de e seguran�a, encorajando-a e, quando necess�rio, buscando cuidados m�dicos.</p><p>15.9 O Dominador manter� sua boa sa�de e buscar� cuidados m�dicos quando necess�rio para manter um ambiente livre de riscos.</p><p>15.10 O Dominador n�o emprestar� sua Submissa a outro Dominador.</p><p>15.11 O Dominador poder� prender, algemar ou amarrar a Submissa a qualquer momento durante as Horas Designadas ou em quaisquer horas adicionais acordadas por qualquer raz�o e por per�odos de tempo prolongados, tendo a devida considera��o com a sa�de e a seguran�a da Submissa.</p><p>15.12 O Dominador assegurar� que todo equipamento usado para os fins de treinamento e disciplina ser�o mantidos sempre em perfeito estado de limpeza, higiene e seguran�a.</p><p><strong>SUBMISSA</strong></p><p>15.13 A Submissa aceita o Dominador como seu amo, com o entendimento de que � agora propriedade do Dominador, para ser usada como bem aprouver ao Dominador durante a Vig�ncia em geral, mas especificamente durante as Horas Designadas e quaisquer horas adicionais acordadas.</p><p>15.14 A Submissa obedecer� �s regras (�as Regras�) estabelecidas no Ap�ndice 1 do presente contrato.</p><p>15.15 A Submissa servir� ao Dominador de qualquer maneira que o Dominador julgar adequada e se esfor�ar� para agradar ao Dominador em todos os momentos, da melhor forma poss�vel.</p><p>15.16 A Submissa tomar� todas as medidas necess�rias para conservar-se em boa sa�de e solicitar� ou buscar� ajuda m�dica sempre que necess�rio, mantendo o Dominador informado de quaisquer problemas de sa�de que venham a surgir.</p><p>15.17 A Submissa assegurar� adquirir contraceptivos orais e assegurar� fazer uso dos mesmos conforme o prescrito para evitar a gravidez.</p><p>15.18 A Submissa aceitar� sem questionar todo e qualquer ato disciplinar que o Dominador julgue necess�rio e se lembrar� sempre de sua condi��o e de suas obriga��es em rela��o ao Dominador.</p><p>15.19 A Submissa n�o se tocar� ou se dar� prazer sexualmente sem a permiss�o do Dominador.</p><p>15.20 A Submissa dever� se submeter a qualquer atividade sexual exigida pelo Dominador, sem hesitar ou questionar.</p><p>15.21 A Submissa aceitar� ser chicoteada, a�oitada, espancada, bengalada ou surrada ou receber quaisquer outros castigos que o Dominador decidir aplicar, sem hesita��o, questionamento ou reclama��o.</p><p>15.22 A Submissa n�o olhar� diretamente nos olhos do Dominador salvo quando especificamente instru�da a faz�-lo. A Submissa manter� os olhos baixos e conservar� uma atitude respeitosa na presen�a do Dominador.</p><p>15.23 A Submissa sempre se conduzir� de maneira respeitosa para com o Dominador e s� se dirigir� a ele como Senhor, Sr. Grey, ou outra forma de tratamento que o Dominador indicar.</p><p>15.24 A Submissa n�o tocar� o Dominador sem a permiss�o deste para faz�-lo.</p><p><strong>ATIVIDADES</strong></p><p>16 A Submissa n�o participar� de atividades ou quaisquer atos sexuais que uma parte ou outra julgue insegura ou de quaisquer atividades detalhadas no Ap�ndice 2.</p><p>17 O Dominador e a Submissa j� discutiram as atividades estabelecidas no Ap�ndice 3 e registraram por escrito no Ap�ndice 3 seu acordo em rela��o �s mesmas.</p><p><strong>PALAVRAS DE SEGURAN�A</strong></p><p>18 O Dominador e a Submissa reconhecem que o Dominador pode fazer exig�ncias � Submissa que n�o podem ser satisfeitas sem que ocorram danos f�sicos, mentais, emocionais, espirituais ou outros na hora em que as exig�ncias forem feitas � Submissa. Em tais circunst�ncias, a Submissa pode usar uma palavra de seguran�a (�a[s] Palavra[s]�). Duas palavras ser�o invocadas dependendo da gravidade das exig�ncias.</p><p>19 A Palavra �Amarela� ser� usada para chamar a aten��o do Dominador para o fato de que a Submissa chegou perto de seu limite suport�vel.</p><p>20 A Palavra �Vermelha� ser� usada para chamar a aten��o do Dominador para o fato de que a Submissa n�o pode tolerar mais qualquer exig�ncia. Quando esta palavra for dita, a a��o do Dominador cessar� completamente, com efeito imediato.</p><p><strong>CONCLUS�O</strong></p><p>21 N�s, abaixo assinados, lemos e entendemos plenamente as disposi��es do presente contrato. E por estarmos assim justos e contratados, assinamos o presente instrumento.</p><empty-line/><p>_________________________________</p><p>O Dominador: Christian Grey</p><p>Data</p><empty-line/><p>_______________________________________</p><p>A Submissa: Anastasia Steele</p><p>Data</p><empty-line/><p>_______________________________</p><p><strong>AP�NDICE 1</strong></p><p><strong>REGRAS</strong></p><p><emphasis>Obedi�ncia:</emphasis></p><p>A Submissa obedecer� a quaisquer instru��es dadas pelo Dominador imediatamente, sem hesita��o ou reserva, e com presteza. A Submissa concordar� com qualquer atividade sexual que o Dominador julgar adequada e prazerosa, salvo aquelas atividades que est�o resumidas em limites r�gidos (Ap�ndice 2). Ela far� isso avidamente e sem hesita��o.</p><p><emphasis>Sono:</emphasis></p><p>A Submissa assegurar� alcan�ar o m�nimo de sete horas de sono por noite quando n�o estiver com o Dominador.</p><p><emphasis>Alimenta��o</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>A Submissa consumir� regularmente os alimentos previamente listados (Ap�ndice 4) para conservar a sa�de. A Submissa n�o comer� nada entre as refei��es, com a exce��o de frutas.</p><p><emphasis>Roupas:</emphasis></p><p>Durante a Vig�ncia deste contrato, a Submissa s� usar� roupas aprovadas pelo Dominador. O Dominador fornecer� � Submissa um or�amento para o vestu�rio, que a Submissa dever� usar. O Dominador acompanhar� <emphasis>ad</emphasis><emphasis>hoc</emphasis> a Submissa nas compras de vestu�rio. Se o Dominador solicitar, a Submissa usar� durante a Vig�ncia deste contrato quaisquer adornos solicitados pelo Dominador, na presen�a do Dominador e em qualquer outro momento que o Dominador julgar adequado.</p><p><emphasis>Exerc�cios:</emphasis></p><p>O Dominador fornecer� � Submissa um personal trainer para sess�es de uma hora de exerc�cios, quatro vezes por semana, em hor�rio a ser combinado de comum acordo entre o personal trainer e a Submissa. O personal trainer reportar� ao Dominador o progresso da Submissa.</p><p><emphasis>Higiene Pessoal/Beleza:</emphasis></p><p>A Submissa se manter� sempre limpa e depilada. A Submissa visitar� um sal�o de beleza � escolha do Dominador com frequ�ncia a ser decidida pelo Dominador e se submeter� aos tratamentos est�ticos que o Dominador julgar adequados.</p><p><emphasis>Seguran�a Pessoal:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se exceder� na bebida, n�o fumar�, n�o far� uso de drogas recreativas nem se colocar� desnecessariamente em qualquer situa��o de risco.</p><p><emphasis>Qualidades Pessoais:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se envolver� em quaisquer rela��es sexuais com qualquer outra pessoa sen�o o Dominador. A Submissa se apresentar� sempre de forma respeitosa e recatada. Ela deve reconhecer que seu comportamento se reflete diretamente no Dominador. Ela ser� responsabilizada por qualquer transgress�o, delito ou m� conduta incorrido quando n�o estiver na presen�a do Dominador.</p><empty-line/><p><strong>O n�o cumprimento de quaisquer das regras acima resultar� em puni��o imediata, cuja natureza ser� determinada pelo Dominador.</strong></p><empty-line/><p>_______________________________</p><p><strong>AP�NDICE 2</strong></p><p>Limites R�gidos</p><p>Nenhum ato envolver� brincadeiras com fogo.</p><p>Nenhum ato envolver� urinar, defecar ou os produtos destas a��es.</p><p>Nenhum ato envolver� agulhas, facas, perfura��es ou sangue.</p><p>Nenhum ato envolver� instrumentos m�dicos ginecol�gicos.</p><p>Nenhum ato envolver� crian�as ou animais.</p><p>Nenhum ato poder� deixar quaisquer marcas permanentes na pele.</p><p>Nenhum ato envolver� controle respirat�rio.</p><p>N�o haver� nenhuma atividade que requeira contato direto do corpo com corrente el�trica (seja alternada ou direta), fogo ou chamas.</p><empty-line/><p>_______________________________</p><p><strong>AP�NDICE 3</strong></p><p>Limites brandos</p><p>A serem discutidos e acordados entre ambas as partes:</p><empty-line/><p>A Submissa concorda com:</p><empty-line/><p>� Masturba��o</p><p>� Sexo vaginal</p><empty-line/><p>� Cunil�ngua</p><p>� Introdu��o de m�o na vagina</p><empty-line/><p>� Fela��o</p><p>� Sexo anal</p><empty-line/><p>� Degluti��o de S�men</p><p>� Introdu��o de m�o no �nus</p><empty-line/><empty-line/><p>A Submissa aceita o uso de:</p><empty-line/><p>� Vibradores</p><p>� Consolos</p><empty-line/><p>� Plugues anais</p><p>� Outros brinquedos vaginais</p><empty-line/><empty-line/><p>A Submissa aceita:</p><empty-line/><p>� Bondage com corda</p><p>� Bondage com fita adesiva</p><empty-line/><p>� Bondage com braceletes de couro</p><p>� Bondage com outros materiais</p><empty-line/><p>� Bondage com algemas e grilh�es</p><empty-line/><empty-line/><p>A Submissa aceita ser contida:</p><empty-line/><p>� Com as m�os amarradas � frente</p><p>� Com os pulsos amarrados aos tornozelos</p><empty-line/><p>� Com os tornozelos amarrados</p><p>� Atada a pe�as fixas, mob�lia etc.</p><empty-line/><p>� Com os cotovelos amarrados</p><p>� Atada a uma barra espa�adora</p><empty-line/><p>� Com as m�os atr�s das costas</p><p>� Por suspens�o</p><empty-line/><p>� Com os joelhos amarrados</p><empty-line/><empty-line/><p>A Submissa aceita ser vendada?</p><empty-line/><p>A Submissa aceita ser amorda�ada?</p><empty-line/><p>At� que ponto a Submissa est� disposta a sentir dor?</p><empty-line/><p>Sendo 1 no caso de gostar intensamente e 5 no caso de detestar intensamente:</p><p>1 � 2� 3� 4� 5</p><empty-line/><p>A Submissa consente em aceitar as seguintes formas de dor/puni��o/disciplina:</p><empty-line/><p>� Surras</p><p>� Palmadas</p><empty-line/><p>� Chicotadas</p><p>� Surras de vara</p><empty-line/><p>� Mordidas</p><p>� Grampos de mamilos</p><empty-line/><p>� Grampos genitais</p><p>� Gelo</p><empty-line/><p>� Cera quente</p><p>� Outros tipos/m�todos de dor</p><empty-line/><empty-line/><p>_______________________________</p><empty-line/><p>Puta merda. N�o consigo nem pensar na lista de alimentos. Engulo em seco, a boca ressecada, e releio o contrato.</p><p>Minha cabe�a est� zumbindo. Como posso concordar com tudo isso? E, aparentemente, � para meu bem, <emphasis>para explorar minha sensualidade, meus limites, com seguran�a �</emphasis> ah, tenha d�!, debocho irritada. <emphasis>Servir e obedecer em tudo.</emphasis> Tudo! Balan�o a cabe�a incr�dula. Na verdade, os votos de casamento n�o usam essa palavra... <emphasis>obedecer?</emphasis> Isso me desconcerta. Os casais ainda dizem isso? S� tr�s meses � ser� por isso que j� houve tantos votos? Ele n�o os mant�m por muito tempo? Ou ser� que enjoa depois de tr�s meses? <emphasis>Todo fim de semana?</emphasis> � demais. Nunca verei Kate ou quaisquer amigos que eu possa fazer no emprego novo, se eu fizer algum. Talvez eu deva ter um fim de semana por m�s para mim. Talvez quando eu estiver menstruada � isso parece... pr�tico. Ele � meu amo! Pode me tratar como bem entender! <emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>Estreme�o s� de pensar em ser a�oitada ou chicoteada. Ser espancada talvez n�o fosse t�o ruim, mas seria humilhante. E amarrada? Bem, ele amarrou minhas m�os. Isso foi... bem, excitante, muito excitante, ent�o talvez n�o seja t�o ruim. Ele n�o vai me emprestar para outro Dominador � n�o vai mesmo. Isso seria totalmente inaceit�vel. <emphasis>Por que sequer estou pensando nisso?</emphasis></p><p>N�o posso olhar nos olhos dele. <emphasis>Isso � muito estranho.</emphasis> O �nico jeito de eu ter alguma chance de ver o que ele est� pensando. Na verdade, a quem estou enganando? Nunca sei o que ele est� pensando, mas gosto de olhar nos olhos dele. Ele tem olhos lindos � cativantes, inteligentes, profundos e misteriosos, misteriosos com segredos dominadores. Lembro-me do seu olhar ardente e obscuro e aperto as coxas, contorcendo-me.</p><p>E n�o posso tocar nele. Bem, isso n�o � surpresa. E essas regras bobas... N�o, n�o. N�o posso fazer isso. Ponho as m�os na cabe�a. Isso n�o � jeito de se relacionar. Preciso dormir. Estou um caco. As travessuras f�sicas todas que andei fazendo nas �ltimas vinte e quatro horas foram, francamente, exaustivas. E mentalmente... puxa vida, � muita coisa para resolver. Como diria Jos�, � mesmo de foder a cabe�a. Quem sabe, pela manh�, isso talvez n�o seja interpretado como uma piada de mau gosto.</p><p>Levanto-me de um salto e mudo de roupa depressa. Talvez eu devesse pegar emprestado o pijama de flanela rosa de Kate. Quero ter o corpo envolto em algo aconchegante e seguro. Vou ao banheiro escovar os dentes usando uma camisa de malha e meu short de dormir.</p><p>Fico me olhando no espelho. <emphasis>Voc� n�o pode estar pensando seriamente nisso...</emphasis> Meu inconsciente est� ajuizado e racional, e n�o atrevido como sempre. Minha deusa interior est� dando pulinhos, batendo palmas como uma crian�a de cinco anos. <emphasis>Por favor, vamos fazer isso... do contr�rio, acabaremos sozinhas, na companhia de um monte de gatos e romances cl�ssicos.</emphasis></p><p>O �nico homem por quem j� senti atra��o, e ele vem com o raio de um contrato, um a�oite, e um mundo inteiro de problemas. Bem, pelo menos eu fiz o que quis este fim de semana. Minha deusa interior para de pular e sorri para mim com serenidade. <emphasis>Ah, sim...</emphasis> pronuncia ela, fazendo um gesto de cabe�a petulante. E coro com a lembran�a da sua boca e das suas m�os, dele dentro de mim. Fechando os olhos, sinto aquele delicioso espasmo familiar dos m�sculos l� embaixo. Quero fazer isso de novo e de novo. Talvez eu assine s� a parte do sexo... Ser� que ele aceitaria? Desconfio que n�o.</p><p>Ser� que sou submissa? Vai ver que dou essa impress�o. Vai ver que o induzi a essa conclus�o equivocada na entrevista. Sou t�mida, sim... mas submissa? Aceito o <emphasis>bullying</emphasis> de Kate � ser� a mesma coisa? E esses limites brandos, minha nossa. N�o consigo imaginar, mas o fato de estarem abertos a discuss�o me tranquiliza.</p><p>Volto para o quarto. Isso � muita coisa para pensar. Preciso ter a cabe�a fresca � analisar o problema amanh� de manh� quando estiver descansada. Guardo o documento ofensivo na mochila. Amanh�... Amanh� � outro dia. Deito-me na cama, apago a luz e fico olhando para o teto. Ah, queria jamais t�-lo conhecido. Minha deusa interior faz que n�o com a cabe�a para mim. Ela e eu sabemos que isso � mentira. Eu nunca me senti t�o viva quanto me sinto agora.</p><p>Fecho os olhos e adorme�o profundamente, sonhando de vez em quando com camas de quatro colunas, grilh�es e olhos cinzentos intensos.</p><p>* * *</p><p>KATE ME ACORDA no dia seguinte.</p><p>� Ana, estava chamando voc�. Deve ter apagado.</p><p>Abro os olhos com relut�ncia. Ela n�o s� est� de p�, como tamb�m j� foi correr. Olho para o despertador. S�o oito da manh�. Meu Deus, dormi nove horas direto.</p><p>� O que foi? � resmungo sonolenta.</p><p>� Tem um homem aqui com uma encomenda para voc�. Voc� precisa assinar para receber.</p><p>� O qu�?</p><p>� Anda. � um pacote grande. Parece interessante. � Ela pula com um p� de cada vez, empolgada, e volta saltitando para a sala. Levanto da cama e pego o robe pendurado atr�s da porta. Um rapaz elegante de rabo de cavalo est� em p� na nossa sala segurando uma caixa grande.</p><p>� Oi � murmuro.</p><p>� Vou fazer um ch� para voc�. � Kate sai correndo para a cozinha.</p><p>� Srta. Steele?</p><p>E imediatamente sei quem enviou o pacote.</p><p>� Sim � respondo com cautela.</p><p>� Tenho um pacote aqui para a senhora, mas devo montar e lhe mostrar como us�-lo.</p><p>� � mesmo? A essa hora?</p><p>� S� estou seguindo ordens, madame. � Ele sorri de um jeito encantador, mas profissional, de quem n�o aceita receber n�o.</p><p><emphasis>Ele acabou de me chamar de madame?</emphasis> Ser� que envelheci dez anos da noite para o dia? Se envelheci, foi aquele contrato. Tor�o a boca, nauseada.</p><p>� Tudo bem, o que �?</p><p>� � um MacBook Pro.</p><p>� Claro que �. � Reviro os olhos.</p><p>� Ainda n�o est� dispon�vel nas lojas, madame. � o �ltimo modelo da Apple.</p><p>Como � que isso n�o me surpreende? Suspiro profundamente.</p><p>� Pode montar na mesa de jantar ali.</p><p>Vou para a cozinha me juntar a Kate.</p><p>� O que �? � pergunta ela, os olhos brilhando, alerta.</p><p>Tamb�m dormiu bem.</p><p>� � um laptop que o Christian mandou.</p><p>� Por que ele enviou um laptop? Voc� sabe que pode usar o meu. � Ela franze a testa.</p><p><emphasis>N�o para o que ele tem em mente.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ah, � s� emprestado. Ele queria que eu experimentasse.</p><p>Minha desculpa soa esfarrapada. Mas Kate balan�a a cabe�a, assentindo. <emphasis>Minha nossa.</emphasis> Embromei Katherine Kavanagh. Uma novidade. Ela me entrega o ch�.</p><p>O laptop Mac � brilhante, prateado e bem bonito. Tem uma tela grande. Christian Grey gosta de grandes dimens�es � penso em sua sala de estar; na verdade, em seu apartamento todo.</p><p>� Tem o mais moderno Sistema Operacional e um pacote completo de programas, al�m de um disco r�gido de um ponto cinco terabyte, ent�o a senhora vai ter muito espa�o, trinta e dois gigas de mem�ria RAM. Para que est� planejando us�-lo?</p><p>� H�... e-mail.</p><p>� E-mail! � engasga ele, erguendo as sobrancelhas com uma ligeira express�o de nojo.</p><p>� E talvez pesquisas na internet? � dou de ombros como quem pede desculpas.</p><p>Ele suspira.</p><p>� Bem, ele tem wireless, e j� o configurei completamente para sua conta. Este beb� est� pronto para ser usado em praticamente qualquer lugar do planeta. � Ele lan�a um olhar comprido para o aparelho.</p><p>� Conta?</p><p>� Seu novo endere�o de e-mail.</p><p><emphasis>Eu tenho um endere�o de e-mail?</emphasis></p><p>Ele aponta para um �cone na tela e continua falando comigo, mas � como ru�do branco. N�o tenho ideia do que ele est� dizendo, e, honestamente, n�o estou interessada. <emphasis>S� me diga como ligar e desligar isso �</emphasis> o restante eu adivinho. Afinal, venho usando o computador de Kate h� quatro anos. Kate assovia, impressionada quando o v�.</p><p>� Isso � tecnologia de �ltima gera��o. � Ela ergue as sobrancelhas para mim. � A maioria das mulheres recebe flores ou joias � diz sugestivamente, tentando conter um sorriso.</p><p>Olho de cara feia para ela, mas ela fica impass�vel. Ambas temos um acesso de riso, e o homem do computador nos olha boquiaberto, desconcertado. Ele termina o que tinha de fazer e me pede para assinar o recibo de entrega.</p><p>Enquanto Kate o acompanha at� a porta, eu me sento com minha x�cara de ch�, abro a caixa de entrada do meu e-mail, e, � minha espera, h� uma mensagem de Christian. Meu cora��o sai pela boca. <emphasis>Recebi um e-mail de Christian Grey.</emphasis> Clico nele, nervosa.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu novo computador</p><p><strong>Data</strong>: 22 de maio de 2011 23:15</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><p>Creio que tenha dormido bem. Espero que fa�a bom uso deste laptop, como discutimos.</p><empty-line/><p>Aguardo ansioso o jantar de quarta-feira.</p><empty-line/><p>Responderei com prazer a quaisquer perguntas antes disso, por e-mail, se a senhorita assim o desejar.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Clico em �responder�.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu novo computador (emprestado)</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 8:20</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Dormi muito bem, obrigada � por algum motivo estranho �, <emphasis>Senhor.</emphasis> Entendo que o computador � um empr�stimo, portanto, n�o pertence a mim.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Quase instantaneamente, recebo uma resposta.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu novo computador (emprestado)</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 8:22</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>O computador � um empr�stimo. Por tempo indeterminado, Srta. Steele.</p><p>Noto pelo seu tom que leu a documenta��o que lhe dei.</p><empty-line/><p>J� tem alguma pergunta?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>N�o posso deixar de sorrir.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto:</strong> Mentes investigativas</p><p><strong>Data:</strong> 23 de maio de 2011 8:25</p><p><strong>Para:</strong> Christian Grey</p><empty-line/><p>Tenho muitas perguntas, mas n�o pr�prias para e-mail, e tem gente que trabalha para sobreviver.</p><empty-line/><p>N�o preciso e nem quero um computador por tempo indeterminado.</p><empty-line/><p>At� mais, bom dia, <emphasis>Senhor.</emphasis></p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>A resposta dele � novamente instant�nea e me faz sorrir.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto:</strong> Seu novo computador (repito, emprestado)</p><p><strong>Data:</strong> 23 de maio de 2011 8:26</p><p><strong>Para:</strong> Anastasia Steele</p><empty-line/><p>At� mais, baby.</p><p>P.S.: Eu tamb�m trabalho para sobreviver.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Desligo o computador sorrindo como uma idiota. Como posso resistir ao Christian brincalh�o? Vou me atrasar para o trabalho. Bem, � minha �ltima semana � o Sr. e a Sra. Clayton provavelmente v�o me dar uma folguinha. Corro para o chuveiro sem conseguir tirar o sorriso escancarado do rosto. <emphasis>Ele me mandou um e-mail.</emphasis> Estou toda boba, como uma crian�a. E toda a ang�stia do contrato desaparece. Lavo o cabelo, tento n�o pensar no que poderia perguntar a ele por e-mail. Naturalmente, sobre esses assuntos, � melhor conversar pessoalmente. Algu�m pode hackear a caixa de mensagens dele. Enrubes�o s� de pensar nessa possibilidade. Visto-me depressa, grito um tchau apressado para Kate, e saio para minha �ltima semana de trabalho na loja.</p><p>* * *</p><p>JOS� TELEFONA �S onze da manh�.</p><p>� Oi, vai rolar nosso caf�?</p><p>Ele fala com o jeito do velho Jos�. O Jos� meu amigo, e n�o... como foi que Christian disse? Algu�m que me faz a corte. Argh.</p><p>� Claro. Estou no trabalho. D� para voc� passar aqui por volta do meio-dia?</p><p>� Est� marcado.</p><p>Ele desliga, e estou de novo repondo os pinc�is e pensando em Christian Grey e no seu contrato.</p><p>Jos� � pontual. Entra saltitante na loja como um cachorrinho de olhos escuros.</p><p>� Ana. � Ele d� aquele seu deslumbrante sorriso hispano-americano com todos os dentes � mostra, e n�o consigo mais ficar zangada com ele.</p><p>� Oi, Jos� � abra�o-o. � Estou morrendo de fome. Vou s� avisar a Sra. Clayton que vou sair para almo�ar.</p><p>Quando estamos indo para o caf� ali pertinho, dou o bra�o a Jos�. Estou muito agradecida pela... pela normalidade dele. Algu�m que eu conhe�o e entendo.</p><p>� Ei, Ana � murmura ele. � Voc� me perdoou mesmo?</p><p>� Jos�, voc� sabe que nunca consegui ficar de mal com voc� por muito tempo.</p><p>Ele sorri.</p><p>* * *</p><p>MAL POSSO ESPERAR chegar em casa, a atra��o de mandar um e-mail para Christian, e talvez eu possa come�ar minha pesquisa. Kate saiu, ent�o, ligo o laptop e abro minha caixa de mensagens. Claro, h� uma mensagem de Christian na caixa de entrada. Estou quase pulando de alegria na cadeira.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto:</strong> Trabalhar para ganhar a vida</p><p><strong>Data:</strong> 23 de maio de 2011 17:24</p><p><strong>Para:</strong> Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Espero que seu dia de trabalho tenha sido �timo.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Clico em �responder�</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Trabalhar para ganhar a vida</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 17:48</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p><emphasis>Senhor...</emphasis> Meu dia de trabalho foi �timo.</p><p>Grata,</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Fa�a o trabalho!</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 17:50</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Encantado em saber que seu dia de trabalho foi �timo.</p><empty-line/><p>Em vez de enviar e-mails, deveria estar pesquisando.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Estorvo</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 17:53</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Sr. Grey, pare de <emphasis>me</emphasis> enviar mensagens, e poderei come�ar meu trabalho. Gostaria de tirar outro A.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Envolvo-me em meus bra�os.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Impaciente</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 17:55</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Pare de <emphasis>me</emphasis> enviar e-mails � e fa�a seu trabalho.</p><empty-line/><p>Eu gostaria de lhe dar outro A.</p><empty-line/><p>O primeiro foi muito merecido. ;)</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Christian Grey acabou de me mandar uma carinha feliz dando uma piscadinha... <emphasis>Ai, meu Deus.</emphasis> Entro no Google.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Pesquisa na internet</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 17:59</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Sr. Grey,</p><p>O que sugeriria que eu colocasse num mecanismo de busca?</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Pesquisa na Internet</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 18:02</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Sempre comece pela Wikip�dia.</p><empty-line/><p>Nada de outros e-mails at� ter alguma pergunta.</p><empty-line/><p>Estamos entendidos?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Mand�o!</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 18:04</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Sim... <emphasis>Senhor.</emphasis></p><p>O senhor � muito mand�o.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De:</strong> Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: No controle</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 18:08</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia, voc� nem imagina.</p><p>Bem, talvez j� tenha uma vaga ideia.</p><empty-line/><p>Fa�a o trabalho.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Digito �Submissa� na Wikip�dia.</p><p>Meia hora depois, estou ligeiramente nauseada e francamente chocada at� a alma. Ser� que quero mesmo esse neg�cio? Nossa... � isso que ele faz no Quarto Vermelho da Dor? Fico olhando para a tela, e uma parte de mim, uma parte muito essencial e �mida que s� passei a conhecer h� pouqu�ssimo tempo, est� seriamente excitada. Nossa, algumas dessas informa��es EXCITAM. Mas ser� que isso � para mim? Merda... Ser� que eu poderia fazer isso? Preciso de um tempo. Preciso pensar.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DOZE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Pela primeira vez na vida, saio para correr sem ningu�m me obrigar. Cal�o meu par de t�nis nojento, que nunca uso, visto uma cal�a de moletom e uma camiseta. Fa�o marias-chiquinhas no cabelo, corando com a recorda��o que elas trazem, e ligo meu iPod. N�o consigo mais ficar sentada na frente daquela maravilha tecnol�gica pesquisando material perturbador. Preciso gastar um pouco dessa energia excessiva e enervante. Para ser franca, pensei em correr at� o Hotel Heathman e simplesmente exigir sexo do man�aco por controle. Mas s�o oito quil�metros, e acho que n�o serei capaz de correr nem um quil�metro, que dir� oito, e, claro, ele poderia me mandar voltar, o que seria bastante humilhante.</p><p>Kate est� descendo do carro quando saio de casa. Ela quase deixa cair as sacolas de compras quando me v�. Ana Steele de t�nis de corrida. Aceno e n�o paro para a inquisi��o. Preciso muito ficar sozinha. Com Snow Patrol aos berros em meus ouvidos, parto no crep�sculo azulado.</p><p>Atravesso o parque. <emphasis>O que vou fazer?</emphasis> Eu o quero, mas nos termos dele? Simplesmente n�o sei. Talvez eu deva negociar o que quero. Ler aquele contrato rid�culo linha por linha e dizer o que � aceit�vel e o que n�o �. Em minha pesquisa, descobri que o contrato � legalmente inexequ�vel. Ele deve saber disso. Imagino que assin�-la simplesmente estabele�a os par�metros da rela��o. Ilustra o que posso esperar dele e o que ele espera de mim � a submiss�o total. Ser� que estou preparada para isso? Ser� que ao menos sou capaz?</p><p>Uma �nica pergunta me atormenta � por que ele � assim? Ser� porque foi seduzido quando ainda era t�o jovem? Simplesmente n�o sei. Ele ainda � um grande mist�rio.</p><p>Paro ao lado de um pinheiro grande e ponho as m�os nos joelhos, ofegando, puxando o precioso ar para os pulm�es. Ah, � uma sensa��o boa, cat�rtica. Sinto minha determina��o se fortalecer. Sim, preciso dizer a ele o que est� bom e o que n�o est�. Preciso lhe enviar por e-mail minhas ideias, e depois podemos discuti-las na quarta-feira. Respiro fundo, tomando um f�lego purificador, e volto correndo para o apartamento.</p><p>Kate andou comprando, como s� ela � capaz, roupas para suas f�rias em Barbados. Principalmente biqu�nis e cangas combinando. Ela vai ficar um espet�culo com todos eles, mas mesmo assim, me deixa sentada, e desfila cada look para que eu fa�a coment�rios. N�o h� muitas maneiras diferentes de dizer �Voc� est� maravilhosa, Kate�. Ela tem um corpo esguio e torneado, lindo. N�o � de prop�sito que faz isso, eu sei, mas pe�o desculpas e vou para o quarto toda suada com o pretexto de ter que embalar mais caixas. Ser� que eu poderia me sentir mais inadequada? Levando comigo meu impressionante aparelho tecnol�gico gratuito, coloco-o sobre minha mesa. Mando um e-mail para Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Chocada</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 20:33</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Tudo bem, j� vi o suficiente.</p><p>Foi legal conhec�-lo.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Aperto �enviar�, abra�ando-me, rindo da minha brincadeirinha. Ser� que ele vai achar gra�a nela? <emphasis>Ah, merda �</emphasis> talvez n�o. Christian Grey n�o � conhecido pelo senso de humor. Mas eu sei que o humor est� l�, j� vi. Talvez eu tenha ido longe demais. Aguardo a resposta dele.</p><p>Espero... e espero. Olho meu despertador. Dez minutos se passaram.</p><p>Para me distrair da ansiedade que se manifesta em meu est�mago, come�o a fazer o que disse a Kate que ia fazer � embalar minhas coisas. Come�o encaixotando os livros. Nove da noite e nada ainda. <emphasis>Talvez ele tenha sa�do.</emphasis> Fa�o uma express�o petulante ao colocar os fones do iPod, ou�o Snow Patrol, e me sento para reler o contrato e fazer meus coment�rios.</p><p>N�o sei bem por que, ergo os olhos, talvez tenha percebido com o canto do olho um leve movimento, sei l�, mas, quando vejo, ele est� parado � porta do meu quarto, observando-me atentamente. Est� com aquela cal�a de flanela cinza e uma camisa branca, rodando com delicadeza as chaves do carro. Tiro os fones do ouvido e fico paralisada. <emphasis>Porra!</emphasis></p><p>� Boa noite, Anastasia. � Sua voz � fria, sua express�o, completamente contida e misteriosa. Perco a capacidade de falar. Xingo Kate por t�-lo deixado entrar aqui sem avisar. Vagamente, me dou conta de que ainda estou com a roupa de corrida, sem tomar banho, asquerosa, e ele est� gloriosamente apetitoso, a cal�a ca�da daquele jeito nos quadris, e, ainda por cima, no meu quarto.</p><p>� Achei que seu e-mail merecia ser respondido pessoalmente � explica, seco.</p><p>Abro e fecho a boca duas vezes. O tiro saiu pela culatra. Nunca na vida esperei que ele largasse tudo e aparecesse aqui.</p><p>� Posso me sentar? � pergunta, os olhos agora cheios de humor. <emphasis>Gra�as a</emphasis><emphasis>Deus. Quem sabe ele v� o lado engra�ado?</emphasis></p><p>Concordo balan�ando a cabe�a. Ainda n�o recuperei a capacidade de falar. <emphasis>Christian Grey est� sentado na minha cama.</emphasis></p><p>� Eu me perguntava como seria seu quarto � diz ele.</p><p>Olho em volta, tra�ando uma rota de fuga. N�o, s� h� a porta ou a janela. Meu quarto � simples, mas aconchegante � alguns m�veis de vime e uma cama de casal de ferro branco com uma colcha de retalhos feita por minha m�e quando ela estava na fase de trabalho artesanal com tecido. Todo o restante � azul-claro e creme.</p><p>� � muito calmo e sossegado � murmura ele.</p><p><emphasis>N�o � mais... n�o com voc� aqui.</emphasis></p><p>Finalmente, meu bulbo raquidiano se lembra de sua finalidade. Respiro.</p><p>� Como...?</p><p>Ele sorri para mim.</p><p>� Continuo no Heathman.</p><p><emphasis>Sei disso.</emphasis></p><p>� Quer beber alguma coisa?</p><p>A educa��o leva a melhor sobre tudo que eu gostaria de dizer.</p><p>� N�o, obrigado, Anastasia. � Ele abre um deslumbrante sorriso ir�nico, a cabe�a ligeiramente inclinada para o lado.</p><p><emphasis>Bem, talvez eu precise de uma bebida.</emphasis></p><p>� Ent�o, foi <emphasis>legal</emphasis> me conhecer?</p><p>Droga, ser� que ele est� <emphasis>ofendido</emphasis>? Baixo os olhos. Como vou sair dessa? Se eu disser que foi brincadeira, acho que ele n�o vai engolir.</p><p>� Achei que voc� fosse responder por e-mail. � Falo baixinho, com uma voz pat�tica.</p><p>� Voc� est� mordendo o l�bio intencionalmente? � pergunta ele num tom sinistro.</p><p>Pisco para ele, engasgando, soltando o l�bio.</p><p>� N�o percebi que estava mordendo � murmuro.</p><p>Meu cora��o est� disparado. Sinto aquela atra��o, aquela eletricidade deliciosa entre n�s aumentar, enchendo o ar de est�tica. Ele est� sentado bem perto de mim, os olhos cinzentos misteriosos, os cotovelos apoiados nos joelhos, as pernas abertas. Inclinando-se, lentamente desfaz uma das minhas marias-chiquinhas, os dedos soltando meu cabelo. Minha respira��o est� curta, n�o consigo me mexer. Observo hipnotizada sua m�o indo para a outra maria-chiquinha, e, puxando a presilha, ele solta o restante do meu cabelo com aqueles dedos longos e habilidosos.</p><p>� Ent�o voc� resolveu fazer um pouco de exerc�cio � diz baixinho, a voz macia e melodiosa. Seus dedos delicadamente ajeitam meu cabelo atr�s da orelha. � Por qu�, Anastasia?</p><p>Contorna minha orelha com os dedos, puxando-a com ritmo e delicadeza. � muito sensual.</p><p>� Eu precisava de tempo para pensar � digo.</p><p>Estou paralisada, entregue, perigosamente atra�da por ele... e ele sabe exatamente o que est� fazendo comigo.</p><p>� Pensar em qu�, Anastasia?</p><p>� Em voc�.</p><p>� E resolveu que foi legal me conhecer? Est� querendo dizer no sentido b�blico?</p><p>Ah, que merda. Fico toda vermelha.</p><p>� N�o pensei que voc� conhecesse a B�blia.</p><p>� Eu frequentava a escola dominical, Anastasia. Isso me ensinou muito.</p><p>� N�o me lembro de ter lido sobre grampos de mamilo na B�blia. Talvez suas aulas usassem uma tradu��o moderna.</p><p>Seus l�bios se contraem em um leve sorriso, e meus olhos s�o atra�dos para sua boca.</p><p>� Bem, achei que devia vir at� aqui para lembr�-la de como foi <emphasis>legal</emphasis> me conhecer.</p><p>Puta merda. Fico olhando para ele boquiaberta, e seus dedos v�o da minha orelha para meu queixo.</p><p>� O que diz disso, Srta. Steele?</p><p>Seus olhos me olham inflamados, com uma express�o de desafio. Ele est� com os l�bios entreabertos, � espera, pronto para dar o bote. O desejo � agudo, l�quido e apaixonante � me queima por dentro. Antecipo-me, e me atiro nele. N�o sei como, ele se move, e num piscar de olhos estou na cama, sob o corpo dele, meus bra�os esticados, presos acima da minha cabe�a por uma de suas m�os, enquanto a outra segura meu rosto e sua boca cobre a minha.</p><p>Sua l�ngua est� dentro da minha boca, exigente e possessiva, e eu me deleito com a for�a que ele usa. Sinto seu corpo todo em cima do meu. Ele <emphasis>me</emphasis> deseja, e isso tem um efeito delicioso sobre mim. N�o a Kate com um daqueles biqu�nis pequenininhos, n�o uma das quinze, n�o a pervertida Mrs. Robinson. � a <emphasis>mim.</emphasis> Esse homem lindo me deseja. Minha deusa interior est� t�o acesa que poderia iluminar Portland inteira. Ele para de me beijar, eu abro os olhos, e vejo que est� olhando para mim.</p><p>� Voc� confia em mim? � Sua voz � ofegante.</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a, os olhos arregalados, o cora��o saltando, o sangue latejando nas veias.</p><p>Ele p�e a m�o no bolso da cal�a e tira aquela gravata de seda cinza prateada... <emphasis>aquela</emphasis> gravata que deixou minha pele marcada. Com grande agilidade, monta em mim, j� amarrando meus pulsos, mas, dessa vez, amarra a outra ponta da gravata numa das colunas da cabeceira da cama. Ele puxa o la�o, verificando se est� firme. N�o posso sair do lugar. Estou presa, literalmente, � minha cama, e muito excitada.</p><p>Ele sai de cima de mim e fica parado ao lado da cama, me olhando, cheio de desejo. Tem uma express�o triunfante e aliviada.</p><p>� Assim � melhor � murmura, e d� um sorriso travesso.</p><p>Ele se abaixa e come�a a desamarrar um dos meus t�nis. Ah, n�o... n�o... meus p�s. N�o, acabei de correr.</p><p>� N�o � protesto, tentando chut�-lo.</p><p>Ele para.</p><p>� Se voc� se debater, amarro seus p�s tamb�m. Se fizer algum barulho, Anastasia, eu a amorda�o. Fique quieta. Katherine agora deve estar l� fora ouvindo.</p><p><emphasis>Amorda�ar! Kate!</emphasis> Fico calada.</p><p>Ele tira meus sapatos e minhas meias com efici�ncia, despindo-me lentamente da cal�a de moletom. Ah... <emphasis>que calcinha estou usando?</emphasis> Ele me levanta e puxa a colcha e o edredom de baixo de mim, e me deita de novo, desta vez em cima do len�ol.</p><p>� Agora, sim. � Lambe devagarinho o l�bio inferior. � Voc� est� mordendo o l�bio, Anastasia. Voc� sabe o efeito que isso tem sobre mim.</p><p>Ele coloca o indicador sobre minha boca, um aviso.</p><p><emphasis>Meu Deus.</emphasis> Mal consigo me conter, ali deitada, indefesa, vendo-o circular com eleg�ncia pelo meu quarto. Isso � um afrodis�aco inebriante. Lentamente, ele descal�a os sapatos e as meias, desabotoa a cal�a, tira a camisa pela cabe�a.</p><p>� Acho que voc� j� viu muito � diz com uma risadinha safada.</p><p>Torna a montar em mim, puxa minha camiseta, e acho que vai tir�-la, mas a enrola at� meu pesco�o e puxa um pouco mais para cima, deixando-me com a boca e o nariz descobertos, mas os olhos tapados. E, como a camiseta est� dobrada, n�o consigo enxergar nada atrav�s dela.</p><p>� Hum � sussurra, aprovando. � Isso est� ficando cada vez melhor. Vou pegar alguma coisa para beber.</p><p>Ele se inclina e me beija, seus l�bios macios contra os meus, e seu peso sai da cama. Ou�o a porta do quarto rangendo. Pegar alguma coisa para beber? <emphasis>Onde? Aqui? Em Portland? Em Seattle?</emphasis> Esfor�o-me para escut�-lo. Consigo distinguir uns murm�rios, e sei que ele est� falando com Kate � ah, n�o... <emphasis>ele est� praticamente nu.</emphasis> O que ela vai dizer? Ou�o baixinho alguma coisa espocando. O que �? A porta range, ele est� de volta, e atravessa o quarto com passos leves. Ou�o gelo tilintando dentro de um copo com l�quido. Que tipo de bebida? Christian bate a porta e arrasta os p�s pelo quarto, tirando a cal�a, que cai no ch�o, e sei que ele est� nu. Torna a montar em mim.</p><p>� Est� com sede, Anastasia? � pergunta, num tom provocante.</p><p>� Estou � sussurro, porque de repente fico com a boca seca.</p><p>Ou�o o gelo tilintando no copo, e ele se inclina e me beija, enchendo minha boca com um l�quido delicioso e geladinho. � vinho branco. Aquilo � t�o inesperado, t�o <emphasis>quente</emphasis>, apesar de estar gelado e os l�bios de Christian estarem frios.</p><p>� Mais? � sussurra ele.</p><p>Balan�o a cabe�a. O vinho � mais divino ainda porque esteve em sua boca. Ele se debru�a sobre mim, e bebo mais um gole do que sai dos seus l�bios... <emphasis>minha nossa.</emphasis></p><p>� N�o vamos exagerar, voc� sabe que sua capacidade para bebida � limitada, Anastasia.</p><p>N�o d� para evitar. Sorrio, e ele torna a se inclinar para me passar mais um delicioso gole, e se deita a meu lado, a ere��o encostada na minha coxa. Ah, eu o quero dentro de mim.</p><p>� Isso � <emphasis>legal</emphasis>? � pergunta ele, mas noto a acidez de seu tom.</p><p>Fico tensa. Ele torna a movimentar o copo, e me beija, passando para minha boca uma pedrinha de gelo com um pouco de vinho. Sem pressa, ele vai me dando beijos gelados at� chegar ao centro do meu corpo, come�ando na garganta, descendo por entre os seios, passando pelo torso at� a barriga. Deixa um pedacinho de gelo em meu umbigo, numa po�a gelada de vinho. Isso faz com que eu me sinta queimando por dentro, por todo o caminho, at� l� embaixo. Uau.</p><p>� Agora, voc� tem que ficar quieta � murmura ele. � Se voc� se mexer vai molhar a cama toda de vinho.</p><p>Flexiono os quadris automaticamente.</p><p>� Ah, n�o. Se derramar o vinho, vou castig�-la, Srta. Steele.</p><p>Gemo e tento desesperadamente n�o mexer os quadris, puxando a gravata que me prende. Ah n�o... <emphasis>por favor.</emphasis></p><p>Com um dedo, ele abaixa os bojos do meu suti�, um de cada vez, levantando meus seios, expostos e vulner�veis. Inclinando-se, ele beija e puxa meus mamilos, um de cada vez, com os l�bios gelados. Luto para n�o reagir arqueando o corpo.</p><p>� At� que ponto isso � <emphasis>legal?</emphasis> � pergunta, chupando um dos mamilos.</p><p>Ou�o o gelo tilintar de novo, e ent�o o sinto em volta do mamilo direito enquanto ele puxa o esquerdo com os l�bios. Gemo, tentando n�o me mexer. � uma tortura doce e aflitiva.</p><p>� Se derramar o vinho, n�o deixo voc� gozar.</p><p>� Ah... por favor... Christian... Senhor... Por favor.</p><p>Ele est� me deixando louca. <emphasis>Ou�o-o</emphasis> sorrir.</p><p>O gelo no meu umbigo est� derretendo. Estou para l� de quente � quente e gelada e querendo ele dentro de mim. Agora.</p><p>Seus dedos frios passeiam languidamente pela minha barriga. Minha pele est� supersens�vel, meus quadris arqueiam automaticamente, e o l�quido no meu umbigo, agora mais quente, escorre pela barriga. Christian o lambe rapidamente, me beijando, me mordendo de leve, me chupando.</p><p>� Anastasia, voc� se mexeu. O que vou fazer com voc�?</p><p>Estou arfando ruidosamente. A �nica coisa que consigo fazer � me concentrar em seu toque e em sua voz. Nada mais � real. Nada mais importa, nada mais � captado pelo meu radar. Seus dedos deslizam para dentro da minha calcinha, e sou recompensada com o gemido ruidoso que ele deixa escapar.</p><p>� Ah, Ana � murmura, e enfia dois dedos dentro de mim.</p><p>Suspiro.</p><p>� J� est� pronta para mim t�o cedo � diz ele.</p><p>Ele enfia e tira os dedos com uma lentid�o tentadora, e levanto os quadris, me apertando contra ele.</p><p>� Voc� � uma garota voraz � adverte ele baixinho, passando o polegar em volta do meu clit�ris e depois pressionando-o.</p><p>Solto um gemido alto e arqueio o corpo embaixo de seus dedos experientes. Ele estica o bra�o e puxa minha camiseta para eu poder v�-lo. Pisco com a claridade suave da luz da mesa de cabeceira. Quero muito toc�-lo.</p><p>� Quero tocar em voc� � sussurro.</p><p>� Eu sei � murmura ele.</p><p>Abaixa-se e me beija, ainda mexendo os dedos ritmadamente dentro de mim, rodando e pressionando o polegar. Ele me agarra pelo cabelo, impedindo que eu mexa a cabe�a. Sua l�ngua imita o que seus dedos fazem. Come�o a tensionar as pernas, pressionando a m�o dele. Ele relaxa a m�o, obrigando-me a recuar quando j� estou quase l�. Faz isso repetidas vezes. � muito frustrante... <emphasis>Ah, por favor, Christian,</emphasis> grito mentalmente.</p><p>� Esse � seu castigo, t�o perto e, no entanto, t�o longe. � <emphasis>legal?</emphasis> � sussurra no meu ouvido.</p><p>Gemo, exausta, esticando a amarra. Estou impotente, perdida num tormento er�tico.</p><p>� Por favor � imploro, e ele finalmente tem pena de mim.</p><p>� Como vou te foder, Anastasia?</p><p>Ah... meu corpo come�a a estremecer, depois para de novo.</p><p>� Por favor.</p><p>� O que voc� quer, Anastasia?</p><p>� Voc�... agora � imploro.</p><p>� Fodo voc� assim... assim... ou assim? As possibilidades s�o infinitas � sussurra ele em meus l�bios.</p><p>Ele retira a m�o e pega um envelopinho de papel laminado na mesa de cabeceira. Ajoelha-se entre minhas pernas, e, bem devagar, tira minha calcinha, olhando para mim, os olhos brilhando. P�e a camisinha. Observo fascinada, sem rea��o.</p><p>� At� que ponto isso � <emphasis>legal?</emphasis> � diz ele se acariciando.</p><p>� Eu falei de brincadeira � gemo. <emphasis>Por favor, me fode, Christian.</emphasis></p><p>Ele ergue as sobrancelhas e sua m�o vai e vem naquela extens�o impressionante.</p><p>� De brincadeira? � Seu tom � amea�adoramente meigo.</p><p>� Sim. Por favor, Christian � suplico.</p><p>� Est� rindo agora?</p><p>� N�o � choramingo.</p><p>Estou explodindo de tens�o sexual. Ele me olha um instante, avaliando meu desejo, a� me agarra de repente e me vira. Isso me pega de surpresa e, por estar com as m�os atadas, tenho que me apoiar nos cotovelos. Ele empurra meus dois joelhos cama acima, me deixando com o traseiro no ar, e me d� uma palmada forte. Antes que eu possa reagir, ele me penetra. Grito � por causa da palmada e da s�bita investida dele, gozo na mesma hora e torno a gozar de novo e de novo, desmontando embaixo dele enquanto continua a me penetrar deliciosamente. Ele n�o para. Estou exausta. N�o aguento mais... e ele n�o para de meter... estou ficando excitada de novo... claro que n�o... n�o...</p><p>� Goza para mim, Anastasia, de novo � grunhe entre dentes, e, incrivelmente, meu corpo responde, estremecendo com outro orgasmo, e grito o nome dele. Torno a me estilha�ar em mil peda�os, e Christian para, finalmente se deixando ir, gozando calado. Ele desaba em cima de mim, ofegando.</p><p>� At� que ponto isso foi <emphasis>legal?</emphasis> � pergunta com os dentes cerrados.</p><p><emphasis>Minha nossa.</emphasis></p><p>Estou de olhos fechados estirada na cama, arquejante e exausta enquanto ele sai lentamente de dentro de mim. Ele se levanta imediatamente e se veste. Quando termina, volta para a cama e me desamarra delicadamente, tirando minha camiseta. Flexiono os dedos e esfrego os pulsos, sorrindo para a trama do tecido ali impressa. Ajeito o suti� e ele puxa o edredom e a colcha para me cobrir. Fico olhando para ele completamente aturdida, e ele me lan�a um sorrisinho.</p><p>� Isso foi muito legal � sussurro, com um sorriso t�mido.</p><p>� L� vem de novo essa palavra.</p><p>� Voc� n�o gosta dela?</p><p>� N�o, ela absolutamente n�o me atrai.</p><p>� Ah... n�o sei... parece que ela tem um efeito muito positivo em voc�.</p><p>� Agora sou um efeito positivo? Poderia ferir um pouco mais meu ego, Srta. Steele?</p><p>� Acho que n�o h� nada de errado com seu ego.</p><p>Mas ao dizer isso, n�o sinto convic��o em minhas palavras. Passa pela minha cabe�a uma ideia t�o fugaz que acaba se perdendo antes que consiga entend�-la.</p><p>� Acha?</p><p>A voz dele � suave. Ele est� deitado a meu lado todo vestido, a cabe�a apoiada no cotovelo, e eu s� de suti�.</p><p>� Por que voc� n�o gosta de ser tocado?</p><p>� Porque n�o. � Ele me d� um beijo carinhoso na testa. � Ent�o aquele e-mail era o que voc� chama de brincadeira.</p><p>Sorrio para me desculpar e dou de ombros.</p><p>� Entendi. Ent�o voc� continua considerando minha proposta?</p><p>� Sua proposta indecente... continuo, sim. Mas tenho umas quest�es.</p><p>Ele ri para mim parecendo aliviado.</p><p>� Eu ficaria desapontado se n�o tivesse.</p><p>� Eu ia mand�-las por e-mail, mas voc� meio que me interrompeu.</p><p>� <emphasis>Coitus interruptus</emphasis>.</p><p>� Viu? Eu sabia que voc� tinha algum senso de humor. � Sorrio.</p><p>� S� algumas coisas t�m gra�a, Anastasia. Pensei que voc� estivesse dizendo n�o, sem discuss�o. � Sua voz some.</p><p>� Ainda n�o sei. Ainda n�o decidi. Voc� vai botar uma coleira em mim?</p><p>Ele ergue as sobrancelhas.</p><p>� Voc� andou pesquisando. N�o sei, Anastasia. Ainda n�o botei uma coleira em ningu�m.</p><p>Ah... ser� que isso devia me surpreender? Conhe�o t�o pouco <emphasis>do</emphasis><emphasis>assunto...</emphasis> N�o sei.</p><p>� Algu�m j� colocou uma coleira em voc�? � murmuro.</p><p>� J�.</p><p>� Foi a Mrs. Robinson?</p><p>� Mrs. Robinson? � Ele d� uma boa gargalhada, e parece muito jovem e descontra�do jogando a cabe�a para tr�s naquela risada contagiosa.</p><p>Sorrio para ele tamb�m.</p><p>� Vou contar a ela que voc� disse isso. Ela vai adorar.</p><p>� Voc� ainda fala com ela?</p><p>N�o consigo disfar�ar o tom surpreso da minha voz.</p><p>� Falo. � Ele agora est� s�rio.</p><p>Ah... uma parte de mim de repente fica louca de ci�me... estou perturbada com a profundidade do que sinto.</p><p>� Entendi. � Minha voz est� tensa. � Ent�o voc� tem uma pessoa com quem discute seu estilo de vida alternativo, mas eu n�o posso ter uma.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Acho que nunca pensei nisso assim. Mrs. Robinson fazia parte desse estilo de vida. Eu lhe disse que agora ela � uma boa amiga. Se quiser, posso apresentar voc� a uma das minhas antigas submissas. Voc� poderia conversar com ela.</p><p><emphasis>O qu�? Ele est� deliberadamente tentando me perturbar?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> � isso que <emphasis>voc�</emphasis> chama de brincadeira?</p><p>� N�o, Anastasia.</p><p>Ele balan�a a cabe�a, desconcertado.</p><p>� N�o, vou fazer isso sozinha, muito obrigada � digo secamente, puxando o edredom at� o queixo.</p><p>Ele me olha, confuso, admirado.</p><p>� Anastasia, eu... � Ele n�o sabe o que dizer. A princ�pio, acho eu. � Eu n�o tive inten��o de ofend�-la.</p><p>� N�o estou ofendida. Estou horrorizada.</p><p>� Horrorizada?</p><p>� N�o quero falar com uma das suas ex-namoradas... escravas... submissas... seja l� como voc� as chame.</p><p>� Anastasia Steele, voc� est� com ci�mes?</p><p>Fico vermelha como um piment�o.</p><p>� Voc� vai ficar aqui?</p><p>� Tenho um caf� da manh� de neg�cios amanh� no Heathman. Al�m do mais, j� lhe disse, n�o durmo com namoradas, escravas, submissas nem com ningu�m. Sexta-feira e s�bado foram exce��es. Isso n�o vai se repetir. � D� para ouvir o tom de determina��o em sua voz baixa e rouca.</p><p>Contraio os l�bios.</p><p>� Bem, agora estou cansada.</p><p>� Voc� est� me expulsando? � Ele ergue as sobrancelhas, achando gra�a e um pouco consternado.</p><p>� Estou.</p><p>� Bem, essa � mais uma novidade. � Ele me olha especulativamente. � Ent�o, n�o h� nada que queira discutir agora? Sobre o contrato?</p><p>� N�o � respondo com petul�ncia.</p><p>� Nossa, eu gostaria de dar uma boa surra em voc�. Voc� se sentiria muito melhor, e eu tamb�m.</p><p>� Voc� n�o pode dizer esse tipo de coisa... Eu ainda n�o assinei nada.</p><p>� Um homem pode sonhar, Anastasia. � Ele se inclina e segura meu queixo. � Quarta-feira? � murmura, me dando um beijo de leve na boca.</p><p>� Quarta-feira � concordo. � Acompanho voc� at� a porta. Se voc� me der um minuto.</p><p>Sento-me na cama e pego a camiseta, empurrando-o da minha frente. Com relut�ncia, ele se levanta.</p><p>� Pode pegar minha cal�a de moletom, por favor?</p><p>Ele a recolhe do ch�o e me entrega.</p><p>� Sim, madame.</p><p>Est� tentando em v�o disfar�ar o sorriso.</p><p>Aperto os olhos para ele ao vestir a cal�a. Meu cabelo est� todo desgrenhado, e sei que terei de enfrentar a inquisi��o de Katherine Kavanagh depois que ele for embora. Pego uma presilha de cabelo e abro a porta do quarto, procurando Kate. Ela n�o est� na sala. Tenho a impress�o de ouvi-la falar ao telefone em seu quarto. Christian sai atr�s de mim. No curto trajeto do meu quarto at� a porta da frente, meus pensamentos e sentimentos se transformam. J� n�o estou com raiva dele. De repente, sinto uma vergonha insuport�vel. N�o quero que v� embora. Pela primeira vez, desejo que ele fosse <emphasis>normal</emphasis> � queria uma rela��o normal, que n�o precisasse de um acordo de dez p�ginas, um a�oite e mosquet�es no teto de seu quarto de jogos.</p><p>Abro a porta para ele e fico olhando para minhas m�os. Foi a primeira vez que fiz sexo em casa, e, quanto ao sexo, acho que foi bom � be�a. Mas agora tenho a sensa��o de ser um recept�culo, um vaso vazio a ser preenchido como ele quiser. Meu inconsciente balan�a a cabe�a. <emphasis>Voc� queria correr at� o Heathman em busca de sexo... recebeu uma entrega expressa em domic�lio.</emphasis> Est� de bra�os cruzados e bate o p� com aquela cara de quem pergunta �est� se queixando de qu�. Christian para no portal e segura meu queixo, obrigando-me a fit�-lo nos olhos. Ele franze a testa.</p><p>� Voc� est� bem? � pergunta com ternura, acariciando meu l�bio inferior com o polegar.</p><p>� Estou � respondo, embora, honestamente, n�o tenha certeza.</p><p>Sinto uma mudan�a de paradigma. Sei que se eu aceitar esse neg�cio dele, vou me machucar. Ele n�o tem capacidade, interesse nem disposi��o de oferecer mais nada... e eu quero mais. <emphasis>Muito mais.</emphasis> O ataque de ci�me que tive h� pouco me diz que tenho sentimentos mais profundos por ele do que j� confessei a mim mesma.</p><p>� Quarta-feira � ele confirma, e me d� um beijo delicado.</p><p>Algo muda enquanto est� me beijando. Seus l�bios ficam mais ansiosos colados nos meus, a m�o que estava em meu queixo sobe e ele segura minha cabe�a com as duas m�os, uma de cada lado. Sua respira��o se acelera. O beijo fica mais intenso, e ele se aproxima mais. Ponho as m�os nos bra�os dele. Quero afagar seu cabelo, mas resisto, sabendo que ele n�o vai gostar disso. Ele encosta a testa na minha, olhos fechados, a voz embargada.</p><p>� Anastasia � sussurra. � O que voc� est� fazendo comigo?</p><p>� Eu poderia fazer a mesma pergunta � retruco.</p><p>Respirando fundo, ele me beija na testa e sai. Anda decidido at� o carro, passando a m�o no cabelo. Olhando para cima ao abrir a porta do carro, d� aquele sorriso de tirar o f�lego. Retribuo com um sorriso fraco, completamente deslumbrado, e torno a me lembrar de �caro se aproximando demais do Sol. Fecho a porta de casa quando ele entra em seu carro esporte. Tenho uma vontade avassaladora de chorar, estou angustiada, e me sinto s� e melanc�lica. Voltando depressa para o quarto, fecho a porta e me encosto nela, tentando racionalizar meus sentimentos. N�o consigo. Escorrego para o ch�o, ponho as m�os na cabe�a e deixo as l�grimas come�arem a rolar.</p><p>Kate bate � porta com delicadeza.</p><p>� Ana? � murmura.</p><p>Abro a porta, ela me olha e me d� um abra�o.</p><p>� O que houve? O que aquele filho da m�e nojento fez?</p><p>� Ah, Kate, nada que eu n�o quisesse que ele fizesse.</p><p>Ela me puxa para a cama, e nos sentamos.</p><p>� Voc� est� com o cabelo horr�vel de quem acabou de trepar.</p><p>Apesar da tristeza pungente, acho gra�a.</p><p>� O sexo foi bom, n�o teve nada de horr�vel.</p><p>Kate sorri.</p><p>� Ainda bem. Por que est� chorando? Voc� nunca chora.</p><p>Ela pega minha escova na mesa de cabeceira, senta-se atr�s de mim e come�a a escovar meu cabelo para desembara�ar os n�s.</p><p>� Simplesmente acho que nossa rela��o n�o vai dar em nada.</p><p>Fico olhando para baixo.</p><p>� Pensei que voc� tivesse dito que ia sair com ele na quarta-feira.</p><p>� Eu vou. Esse era nosso plano original.</p><p>� Ent�o, por que ele apareceu aqui hoje?</p><p>� Mandei um e-mail para ele.</p><p>� Pedindo para ele passar aqui?</p><p>� N�o, dizendo que n�o queria mais sair com ele.</p><p>� E ele aparece? Ana, isso � genial.</p><p>� Na verdade, foi uma brincadeira.</p><p>� Ah. Agora estou realmente confusa.</p><p>Com paci�ncia, explico a ess�ncia do meu e-mail, sem revelar nada.</p><p>� E voc� achou que ele fosse responder por e-mail.</p><p>� Achei.</p><p>� Mas em vez disso, ele apareceu aqui.</p><p>� �.</p><p>� Eu diria que ele est� totalmente apaixonado por voc�.</p><p>Franzo a testa. <emphasis>Christian apaixonado por mim? � dif�cil.</emphasis> Ele s� est� procurando um brinquedo novo � um brinquedo conveniente que pode levar para a cama e com o qual pode fazer coisas atrozes.</p><p>� Ele veio aqui para me comer, s� isso.</p><p>� Quem disse que o romance tinha morrido? � pergunta ela, horrorizada.</p><p>Eu choquei Kate. Achei que isso fosse imposs�vel. Dou de ombros, pedindo desculpas.</p><p>� Ele usa o sexo como arma.</p><p>� Come voc� para torn�-la submissa? � Ela balan�a a cabe�a num gesto de desaprova��o.</p><p>Pisco v�rias vezes, meu rosto completamente ruborizado. <emphasis>Ah... acertou na mosca, Katherine Kavanagh, jornalista agraciada com o Pr�mio Pulitzer.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ana, eu n�o entendo, voc� simplesmente deixa ele fazer amor com voc�?</p><p>� N�o, Kate, a gente n�o faz amor. A gente fode. � a terminologia de Christian. Ele n�o quer saber de amor.</p><p>� Eu sabia que ele tinha alguma coisa esquisita. Ele tem medo de compromisso.</p><p>Balan�o a cabe�a, concordando. Por dentro, definho. Ah, Kate... eu gostaria de poder contar tudo para voc�, tudo sobre esse cara estranho, triste e sacana, e queria que voc� me dissesse para tir�-lo da cabe�a. Que n�o me deixasse ser uma idiota.</p><p>� Acho que isso tudo � um pouco demais � murmuro. <emphasis>Esse � o maior eufemismo do ano.</emphasis></p><p>Porque n�o quero mais falar sobre Christian, pergunto a ela sobre Elliot, e ela se transforma ao ouvir o nome dele. Fica toda animada, rindo para mim.</p><p>Dou um abra�o nela.</p><p>� Ah, quase esqueci. Seu pai ligou enquanto voc� estava, h�... ocupada. Aparentemente, Bob sofreu uma les�o, ent�o sua m�e e ele n�o poder�o vir � formatura. Mas seu pai chegar� na quinta-feira. Quer que voc� ligue para ele.</p><p>� Ah, minha m�e n�o me ligou. Bob est� bem?</p><p>� Est�. Ligue para ela de manh�. Agora est� tarde.</p><p>� Obrigada, Kate. J� estou bem. Vou ligar para o Ray de manh�, tamb�m. Acho que vou me deitar.</p><p>Ela sorri, mas franze o cenho, preocupada.</p><p>Depois que ela sai, me sento e releio o contrato, fazendo mais anota��es �medida que avan�o na leitura. Quando termino, ligo o laptop, pronta para responder.</p><p>H� um e-mail do Christian na minha caixa de entrada.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Hoje � noite</p><p><strong>Data</strong>: 23 de maio de 2011 23:16</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Estou ansioso para receber suas anota��es sobre o contrato.</p><empty-line/><p>At� l�, durma bem, baby.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Quest�es</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 00:02</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><p>Eis a minha lista de quest�es. Estou ansiosa para discuti-las melhor no jantar de quarta-feira.</p><empty-line/><p>Os n�meros se referem �s cl�usulas:</p><empty-line/><p>2: N�o tenho certeza de que isso � exclusivamente para o meu bem � i.e., para explorar a minha sensualidade e os meus limites. Garanto que eu n�o precisaria de um contrato de dez p�ginas para fazer isso. Com certeza isso � para o seu bem.</p><empty-line/><p>4: Como sabe, o senhor � meu �nico parceiro sexual. Eu n�o uso drogas, e n�o fiz nenhuma transfus�o de sangue. � prov�vel que eu seja segura. E o senhor?</p><empty-line/><p>8: Posso terminar a qualquer momento se achar que o senhor n�o est� se atendo aos limites acordados. OK, gosto dessa.</p><empty-line/><p>9: Obedec�-lo em tudo? Aceitar sua disciplina sem hesita��o? Precisamos conversar sobre isso.</p><empty-line/><p>11: Um m�s de per�odo de experi�ncia. N�o tr�s.</p><empty-line/><p>12: N�o posso assumir o compromisso de todo fim de semana. Tenho minha vida, ou terei. Quem sabe tr�s fins de semana por m�s?</p><empty-line/><p>15.2: Usar meu corpo da maneira que julgar apropriada, sexualmente ou de outra maneira qualquer. Por favor, defina �outra maneira qualquer�.</p><empty-line/><p>15.5: Toda a cl�usula de disciplina. N�o sei se quero ser chicoteada, a�oitada ou receber castigos corporais. Garanto que isso iria contra as cl�usulas 2-5. E tamb�m �por qualquer outro motivo�. Isso � maldade � e o senhor disse que n�o era s�dico.</p><empty-line/><p>15.10: Como se me emprestar para outra pessoa fosse uma op��o. Mas ainda bem que isso est� aqui por escrito.</p><empty-line/><p>15.14: As Regras. Falarei mais sobre isso depois.</p><empty-line/><p>15.19: Tocar-me sem sua permiss�o. Qual � o problema? O senhor sabe que n�o fa�o isso, afinal.</p><empty-line/><p>15.21: Disciplina � queira ver cl�usula 15.5 acima.</p><empty-line/><p>15.22: N�o posso olh�-lo nos olhos? Por qu�?</p><empty-line/><p>15.24: Por que n�o posso toc�-lo?</p><empty-line/><p>Regras:</p><empty-line/><p>Sono � Concordo com seis horas.</p><empty-line/><p>Alimenta��o � N�o vou comer alimentos de uma lista espec�fica. � a lista de alimentos ou eu � n�o tem negocia��o.</p><empty-line/><p>Roupas � contanto que eu s� tenha que usar suas roupas quando estiver com voc�... tudo bem.</p><empty-line/><p>Exerc�cios � Concordamos com tr�s horas, o contrato ainda menciona quatro.</p><empty-line/><p>Limites Brandos:</p><empty-line/><p>Podemos examinar todos eles? Nada de introduzir m�o ou objetos de qualquer tipo. O que � suspens�o? Grampos genitais � voc� deve estar brincando.</p><empty-line/><p>Queira por favor me informar dos planos para quarta-feira. Trabalho at� as cinco da tarde nesse dia.</p><empty-line/><p>Boa noite.</p><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Quest�es</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 00:07</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>� uma longa lista. Por que ainda est� acordada?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Virando a noite</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 00:10</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Senhor,</p><p>Se est� lembrado, eu estava analisando esta lista quando fui distra�da e levada para a cama por um man�aco por controle que apareceu de surpresa.</p><empty-line/><p>Boa noite.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Pare de virar a noite</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 00:12</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>V� SE DEITAR, ANASTASIA.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO &amp; Man�aco por Controle, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Ah... mai�sculas gritantes!</emphasis> Desligo. Como ele pode me intimidar estando a dez quil�metros de dist�ncia? Balan�o a cabe�a. Ainda aborrecida, me deito e adorme�o imediatamente, caindo num sono profundo, mas perturbado.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO TREZE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>No dia seguinte, ligo para minha m�e depois que chego em casa do trabalho. Foi um dia relativamente calmo na loja, o que me deu um bom tempo para pensar. Estou inquieta, nervosa com meu confronto com o Sr. Man�aco por Controle amanh�, e s� fico pensando que talvez eu tenha sido muito negativa em minha rea��o ao contrato. Talvez ele cancele tudo.</p><p>Minha m�e est� pesarosa, desculpando-se sem parar por n�o poder ir � minha formatura. Bob torceu uns ligamentos, o que quer dizer que est� mancando por a�. Honestamente, ele � t�o propenso a acidentes quanto eu. A expectativa � que se recupere plenamente, mas isso significa que est� de repouso, e minha m�e tem que fazer tudo para ele.</p><p>� Ana, querida, lamento tanto � choraminga ela ao telefone.</p><p>� M�e, tudo bem. Ray vai estar presente.</p><p>� Ana, voc� parece distra�da... est� tudo bem, querida?</p><p>� Tudo, m�e. � <emphasis>Ah, se voc� soubesse.</emphasis> Conheci um cara podre de rico e ele quer ter um relacionamento totalmente pervertido, no qual n�o poderei opinar em nada.</p><p>� Voc� conheceu algu�m?</p><p>� N�o, m�e.</p><p>N�o vou entrar nesse assunto agora de jeito nenhum.</p><p>� Bem, querida, vou ficar pensando em voc� na quinta-feira. Eu amo voc�... voc� sabe disso, n�o �, amorzinho?</p><p>Fecho os olhos. Suas palavras preciosas me aquecem a alma.</p><p>� Tamb�m amo voc�, m�e. Mande um beijo para o Bob, espero que ele melhore logo.</p><p>� Mando, sim, querida. Tchau.</p><p>� Tchau.</p><p>Acabei entrando no meu quarto com o telefone. Despreocupadamente, ligo a m�quina do mal e abro minha caixa de entrada. Tem um e-mail de Christian de ontem bem tarde, ou de hoje bem cedo, dependendo do ponto de vista. Meu cora��o dispara na mesma hora, e ou�o o sangue latejando nos meus ouvidos. Puta merda... talvez ele tenha dito n�o, isto �, talvez tenha cancelado o jantar. A ideia d�i muito. Descarto-a rapidamente e abro o e-mail.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seus problemas</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 1:27</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Ap�s ter analisado mais detidamente os problemas que prop�s, permita-me chamar a aten��o para a defini��o de submisso.</p><empty-line/><p>submisso [sub-mis-so] � <emphasis>adjetivo.</emphasis></p><empty-line/><p>1. propenso ou pronto a se submeter; que obedece humildemente sem resistir: <emphasis>servos submissos.</emphasis></p><empty-line/><p>2. que denota ou envolve submiss�o: <emphasis>uma resposta submissa.</emphasis></p><empty-line/><p>Origem: 1580-90 submiss + -ivo</p><empty-line/><p><emphasis>Sin�nimos</emphasis>: <emphasis>1.</emphasis> af�vel, d�cil, dom�vel, male�vel. <emphasis>2.</emphasis> passivo, resignado, paciente, d�cil, manso, controlado. <emphasis>Ant�nimos: 1.</emphasis> rebelde, desobediente.</p><empty-line/><p>Por favor, tenha isso em mente para o nosso encontro de quarta-feira.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Minha primeira rea��o � de al�vio. Ele est� disposto a discutir minhas quest�es pelo menos, e ainda quer me ver amanh�. Ap�s refletir um pouco, respondo.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Meus problemas... E os Seus Problemas?</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:29</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Senhor,</p><p>Por favor, veja a data de origem: 1580-90. Eu gostaria de lembrar-lhe, respeitosamente, que estamos em 2011. Evolu�mos muito desde ent�o.</p><empty-line/><p>Permita-me apresentar uma defini��o para a <emphasis>sua</emphasis> considera��o para nosso pr�ximo encontro:</p><empty-line/><p>compromisso [kom-pro-mis-so] � <emphasis>substantivo masculino</emphasis></p><empty-line/><p>1. acerto de diferen�as por concess�es m�tuas; conven��o ou comprometimento entre duas ou mais partes litigantes de se sujeitarem a um julgamento ou decis�o arbitral. 2. obriga��o assumida por uma ou diversas partes. 3. d�vida a ser paga em dia combinado<emphasis>.</emphasis></p><empty-line/><p>comprometido [kom-pro-me-ti-do]: � <emphasis>adjetivo</emphasis></p><empty-line/><p>1. obrigado por compromisso. 2. dado como penhor de garantia, empenhado.</p><p>3.�que se envolveu, enredado. 4. que foi prejudicado, danificado.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: E os meus problemas?</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:32</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Tem raz�o, como sempre, Srta. Steele. Passarei para peg�-la em sua casa amanh� �s 19 horas.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: 2011 � As mulheres sabem dirigir</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:40</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Senhor,</p><p>Tenho carro. Sei dirigir.</p><empty-line/><p>Eu preferiria encontr�-lo em algum lugar.</p><empty-line/><p>Onde o encontro?</p><empty-line/><p>Em seu hotel �s 19 horas?</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Jovens teimosas</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:43</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Refiro-me ao meu e-mail datado de 24 de maio, enviado � 1h27, e � defini��o ali inclu�da.</p><empty-line/><p>Algum dia acha que ser� capaz de obedecer?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Homens intrat�veis</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 19:49</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Sr. Grey,</p><p>Eu gostaria de ir no meu carro.</p><empty-line/><p>Por favor.</p><empty-line/><p>Ana.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Homens exasperados</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:52</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Tudo bem.</p><p>No meu hotel �s 19 horas.</p><p>Encontro-a no Marble Bar.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ele � ainda mais rabugento por e-mail. Ser� que n�o entende que posso precisar fugir depressa? N�o que meu fusca seja r�pido... mas mesmo assim � preciso de um meio de fuga.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Homens n�o t�o intrat�veis</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:55</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Obrigada.</p><empty-line/><p>Bj</p><empty-line/><p>
  Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Mulheres exasperantes</p><p><strong>Data</strong>: 24 de maio de 2011 18:59</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>De nada.</p><empty-line/><p>Christian Grey.</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ligo para Ray, que est� indo assistir ao Sounders jogar contra um time de futebol de Salt Lake City, ent�o nossa conversa felizmente � curta. Ele vem de carro na quinta-feira para a formatura. Quer me levar para jantar depois. Emociono-me ao�falar com Ray, e fico com um n� na garganta. Ele foi meu porto seguro durante todos�os�altos e baixos rom�nticos da mam�e. Temos uma liga��o especial que eu valorizo muito. Apesar de ser meu padrasto, ele sempre me tratou como filha, e mal posso esperar para v�-lo. J� faz muito tempo. Sua for�a silenciosa � do que preciso agora, do�que sinto falta. Talvez eu possa canalizar meu Ray interior para o encontro de amanh�.</p><p>Kate e eu nos concentramos em empacotar tudo, dividindo uma garrafa de vinho barato ao fazer isso. Quando finalmente vou me deitar, ap�s quase embalar meu quarto inteiro, estou mais calma. A atividade f�sica foi uma distra��o oportuna, e estou cansada. Quero uma boa noite de descanso. Aninho-me na cama e logo adorme�o.</p><p>* * *</p><p>PAUL VOLTOU DE Princeton antes de ir para Nova York come�ar um est�gio numa financeira. Ele passa o dia inteiro atr�s de mim na loja pedindo para eu sair com ele. � irritante.</p><p>� Paul, pela cent�sima vez, eu tenho um compromisso hoje � noite.</p><p>� N�o tem, n�o, s� est� dizendo isso para me evitar. Voc� vive me evitando.</p><p><emphasis>�... parece que voc� entendeu.</emphasis></p><p>� Paul, nunca achei que fosse uma boa ideia sair com o irm�o do chefe.</p><p>� Sexta-feira � seu �ltimo dia aqui. Voc� n�o trabalha amanh�.</p><p>� E vou para Seattle no s�bado e em breve voc� vai estar em Nova York. Nem que tentasse, a gente conseguiria ficar mais longe um do outro. Al�m do mais, vou sair com uma pessoa hoje � noite.</p><p>� Com o Jos�?</p><p>� N�o.</p><p>� Com quem, ent�o?</p><p>� Paul... ah. � Meu suspiro � exasperado. Ele n�o vai desistir. � Christian Grey.</p><p>N�o posso evitar o tom de irrita��o. Mas funciona. Paul fica boquiaberto, olhando para mim perplexo. Nossa, at� o <emphasis>nome</emphasis> dele deixa as pessoas sem fala.</p><p>� Voc� vai sair com Christian Grey? � pergunta ele, afinal, depois de se recuperar do choque.</p><p>Seu tom de voz deixa claro que ele n�o est� acreditando.</p><p>� Vou.</p><p>� Entendi.</p><p>Paul exibe uma express�o desapontada, at� aturdida, e, l� no fundo, me incomoda o fato de ele se surpreender com isso. Incomoda a minha deusa interior tamb�m. Ela faz um gesto muito feio e vulgar com o dedo para ele.</p><p>Depois disso, ele me ignora o dia todo, e, �s cinco da tarde, vou embora.</p><p>Kate me emprestou dois vestidos e dois pares de sapato, para hoje � noite e para a formatura amanh�. Eu gostaria de me interessar mais por roupas e fa�o um esfor�o extra, mas essa n�o � minha praia. <emphasis>Qual � sua praia</emphasis>, <emphasis>Anastasia?</emphasis> A pergunta de Christian feita com a voz suave me persegue. Sacudindo a cabe�a e tentando me acalmar, decido pelo modelo justo cor de ameixa para hoje. � discreto e vagamente formal � afinal, estou indo negociar um contrato.</p><p>Tomo um banho, raspo as pernas e as axilas, lavo o cabelo, e passo uma boa meia hora secando-o, fazendo-o me envolver como um manto ondulado at� a altura dos seios. Prendo-o para afast�-lo do rosto e passo r�mel e brilho labial. Raramente uso maquiagem � fico intimidada. Nenhuma das minhas hero�nas liter�rias teve que lidar com maquiagem. Talvez eu entendesse mais do assunto se tivessem tido. Cal�o os sapatos de salto agulha da mesma cor do vestido, e, �s seis e meia, estou pronta.</p><p>� E a�? � pergunto a Kate.</p><p>Ela ri.</p><p>� Puxa, voc� caprichou, Ana. � Ela aprova com um gesto de cabe�a. � Est� gostosa.</p><p>� Gostosa! O meu objetivo � parecer discreta e formal.</p><p>� Tamb�m, mas est� principalmente gostosa. Esse vestido fica muito bem em voc�, combina com seu tom de pele. Ficou bem justo.</p><p>Ela d� uma risadinha.</p><p>� Kate! � censuro.</p><p>� S� estou falando a verdade, Ana. Ficou tudo perfeito. Fique com o vestido. Voc� vai fazer com que ele coma na sua m�o.</p><p>Contraio a boca. <emphasis>Ah, voc� est� invertendo as coisas.</emphasis></p><p>� Deseje-me sorte.</p><p>� Voc� precisa de sorte em um encontro? � Ela franze a testa, intrigada.</p><p>� Preciso, Kate.</p><p>� Pois ent�o, boa sorte.</p><p>Ela me d� um abra�o, e eu saio.</p><p>Tenho que dirigir descal�a. Wanda, meu fusca azul-claro, n�o foi feito para ser dirigido por quem usa salto agulha. Paro em frente ao Heathman exatamente �s seis e cinquenta e oito e entrego as chaves do carro para o manobrista estacionar. Ele olha torto para meu fusca, mas finjo que n�o vejo. Respiro fundo, preparando-me mentalmente para a batalha, e entro no hotel.</p><p>Christian est� encostado displicentemente no bar, bebendo uma ta�a de vinho branco. Usa uma camisa de linho branco, como de praxe, cal�a jeans preta, gravata preta, e palet� preto. Seu cabelo est� mais despenteado que nunca. Suspiro. Fico parada um instante na entrada do bar, olhando para ele, admirando a cena. Ele olha, nervoso, acho eu, para a entrada, e fica im�vel quando me v�. Pisca umas duas vezes, e ent�o d� um sorriso lento, pregui�oso e sensual que me deixa sem fala e toda derretida por dentro. Fazendo um esfor�o supremo para n�o morder o l�bio, me adianto, ciente de que eu, Anastasia Steele da Semjeitol�ndia, estou de salto agulha. Ele vem com eleg�ncia ao meu encontro.</p><p>� Voc� est� maravilhosa � murmura ao se inclinar para me dar um beijo no rosto. � De vestido, Srta. Steele. Aprovo.</p><p>Oferecendo o bra�o, ele me conduz a uma mesa isolada e acena para o gar�om.</p><p>� O que vai querer beber?</p><p>Meus l�bios esbo�am um sorriso maroto enquanto deslizo para me sentar � mesa � bem, pelo menos ele est� me perguntando.</p><p>� Vou beber o mesmo que voc�, por favor.</p><p>Viu? Sei ser boazinha e me comportar. Achando gra�a, ele pede outro copo de Sancerre e desliza para o lugar � minha frente.</p><p>� Eles t�m uma adega excelente aqui � comenta.</p><p>Colocando os cotovelos na mesa, ele junta as m�os na frente da boca, os olhos acesos com uma emo��o intraduz�vel. E pronto... comecei a sentir aquela atra��o familiar e aquela energia vindo dele, acendendo-me por dentro. Fico me mexendo desconfort�vel, o cora��o disparado, enquanto ele me examina. Preciso manter a calma.</p><p>� Est� nervosa? � pergunta ele delicadamente.</p><p>� Estou.</p><p>Ele se inclina para mim.</p><p>� Eu tamb�m � sussurra em tom conspirat�rio.</p><p>Meus olhos procuram depressa os dele. <emphasis>Ele? Nervoso? Nunca.</emphasis> Pisco, e Christian me d� aquele ador�vel sorriso torto. O gar�om chega com meu vinho, um pratinho de frutas secas sortidas, e outro de azeitonas.</p><p>� Ent�o, como vamos fazer isso? � pergunto. � Analisar meus argumentos um por um?</p><p>� Impaciente como sempre, Srta. Steele.</p><p>� Bem, eu poderia lhe perguntar o que achou do tempo hoje.</p><p>Ele sorri, e pega uma azeitona com aqueles dedos compridos. Joga-a na boca, e meus olhos ficam presos ali, naquela boca que j� esteve em mim... em todas as partes do meu corpo. Enrubes�o.</p><p>� Achei que o tempo esteve particularmente normal hoje.</p><p>Ele d� um sorrisinho.</p><p>� Est� debochando de mim, Sr. Grey?</p><p>� Estou, Srta. Steele.</p><p>� Sabe que este contrato � legalmente inv�lido?</p><p>� Estou plenamente ciente desse fato, Srta. Steele.</p><p>� Ia comunic�-lo a mim em algum momento?</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Acha que eu a coagiria a fazer algo contra sua vontade, e depois fingiria ter poder legal sobre voc�?</p><p>� Bem... sim.</p><p>� N�o me tem em muito alta conta, n�o �?</p><p>� O senhor n�o respondeu a minha pergunta.</p><p>� Anastasia, n�o importa se � legal ou n�o. O contrato representa um acordo que eu gostaria de fazer com voc�: o que eu espero de voc� e o que voc� pode esperar de mim. Se n�o lhe agrada, ent�o n�o assine. Se assinar e depois achar que n�o lhe agrada, h� cl�usulas de salvaguarda suficientes para que possa cair fora. Mesmo se o contrato fosse legalmente vinculante, acha que eu iria arrast�-la para os tribunais se decidisse cancel�-lo?</p><p>Tomo um bom gole de vinho. Meu inconsciente me d� um tapa no ombro. Voc� precisa conservar a capacidade de racioc�nio. <emphasis>N�o beba demais.</emphasis></p><p>� Rela��es como esta se baseiam em honestidade e confian�a � prossegue ele. � Se n�o confiar em mim, confiar para saber como afeto voc�, at� onde posso ir, at� onde posso lev�-la, se n�o puder ser honesta comigo, a� realmente n�o podemos fazer isso.</p><p><emphasis>Nossa,</emphasis> fomos r�pido ao que interessa. <emphasis>At� onde ele pode me levar.</emphasis> Puta merda. O que significa isso?</p><p>� Ent�o � bem simples, Anastasia. Voc� confia em mim ou n�o?</p><p>Os olhos dele ardem, fervem.</p><p>� Teve discuss�es semelhantes com, h�... as quinze?</p><p>� N�o.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Porque elas eram todas submissas estabelecidas. Sabiam o que queriam de uma rela��o comigo e o que eu esperava de modo geral. Com elas, era s� uma quest�o de ajustar os limites brandos, esses detalhes.</p><p>� Voc� frequenta alguma loja? A Butique dos Submissos, ou algo assim?</p><p>Ele ri.</p><p>� N�o exatamente.</p><p>� Ent�o, como?</p><p>� � isso que voc� quer discutir? Ou vamos direto ao x da quest�o? Seus problemas, como voc� diz.</p><p>Engulo em seco. <emphasis>Ser� que confio nele?</emphasis> � a isso que tudo se resume? Confian�a? � claro que isso deve ser um sentimento bilateral. Lembro-me da agita��o dele quando liguei para Jos�.</p><p>� Est� com fome? � pergunta, interrompendo meus pensamentos.</p><p><emphasis>Ah, n�o... comida.</emphasis></p><p>� N�o.</p><p>� J� comeu hoje?</p><p>Fico olhando para ele. <emphasis>Honestamente...</emphasis> Puta merda, ele n�o vai gostar da minha resposta.</p><p>� N�o. � Minha voz quase some.</p><p>Ele franze o cenho.</p><p>� Voc� tem que comer, Anastasia. Podemos comer aqui ou na minha su�te. O que prefere?</p><p>� Acho que devemos ficar em terreno p�blico e neutro.</p><p>Ele d� um sorriso ir�nico.</p><p>� Acha que isso me deteria? � sussurra, um aviso sensual.</p><p>Arregalo os olhos e torno a engolir em seco.</p><p>� Espero que sim.</p><p>� Venha, reservei uma sala de jantar privada. Nada de p�blico.</p><p>Ele me lan�a um sorriso enigm�tico e sai da mesa, estendendo a m�o para mim.</p><p>� Traga seu vinho � murmura.</p><p>Dando-lhe a m�o, deslizo para sair e fico em p� ao lado dele. Ele solta minha m�o, pega meu cotovelo e me conduz ao mezanino pela imponente escada em frente ao bar. Um rapaz de libr� vem ao nosso encontro.</p><p>� Sr. Grey, por aqui.</p><p>Atravessamos com ele uma luxuosa �rea de estar at� uma sala de jantar �ntima. <emphasis>S� uma mesa isolada.</emphasis> A sala � pequena, mas suntuosa. Embaixo de um lustre cintilante, a mesa posta com uma toalha de linho branca, copos de cristal, talheres de prata e um ramo de rosas brancas. H� um encanto sofisticado do velho mundo impregnado na sala de lambris de madeira. O gar�om puxa minha cadeira, e eu me sento. Ele coloca o guardanapo no meu colo. Christian senta-se em frente a mim. Olho para ele.</p><p>� N�o morda o l�bio � sussurra.</p><p>Franzo a testa. Droga. Nem sei o que estou fazendo.</p><p>� Eu j� fiz os pedidos. Espero que n�o se importe.</p><p>Francamente, estou aliviada. N�o tenho certeza se tenho capacidade de tomar mais nenhuma decis�o.</p><p>� N�o, est� �timo � concordo.</p><p>� � bom saber que voc� pode se resignar. Agora, onde est�vamos?</p><p>� No x da quest�o.</p><p>Tomo mais um bom gole de vinho. � mesmo uma del�cia. Christian Grey entende de vinho. Lembro-me do �ltimo gole que ele me deu, em minha cama. Coro com essa lembran�a intrusiva.</p><p>� Sim, as suas quest�es.</p><p>Ele retira uma folha de papel do bolso interno do palet�. Meu e-mail.</p><p>� Cl�usula 2. Aceita. Isso beneficia a n�s dois. Redigirei de novo.</p><p>Pisco para ele. Puta merda... vamos examinar cada um desses pontos, um a um? Eu simplesmente n�o me sinto t�o corajosa cara a cara. Ele parece muito s�rio. Preparo-me para o pior com mais um gole de vinho. Christian continua.</p><p>� Minha sa�de sexual. Bem, todas as minhas parceiras anteriores fizeram exames de sangue, e eu fa�o exames regulares a cada seis meses para todos os riscos de sa�de que voc� menciona. Todos os meus testes recentes est�o bons. Nunca usei drogas. Na verdade, sou veementemente contra drogas. Tenho uma pol�tica r�gida de n�o toler�ncia com rela��o a drogas para todos os meus empregados, e insisto em testes aleat�rios.</p><p>Nossa... mania de controle levada � loucura. Pisco para ele, chocada.</p><p>� Nunca fiz nenhuma transfus�o de sangue. Isso responde � sua pergunta?</p><p>Balan�o a cabe�a, impass�vel.</p><p>� Sua quest�o seguinte, eu j� mencionei. Voc� pode ir embora a qualquer momento, Anastasia. N�o vou impedi-la. Mas se for, acabou. S� para voc� saber.</p><p>� Tudo bem � respondo baixinho.</p><p>Se eu for embora, acabou. A ideia � surpreendentemente dolorosa.</p><p>O gar�om chega com nosso primeiro prato. Como posso comer? Ai, meu Deus � ele pediu ostras frescas num leito de gelo.</p><p>� Espero que goste de ostra � diz ele com a voz macia.</p><p>� Nunca comi.</p><p>Jamais.</p><p>� � mesmo? Bem. � Ele pega uma. � Basta deixar escorregar e engolir. Acho que consegue fazer isso.</p><p>Ele me olha, e sei a que est� se referindo. Fico vermelha. Ele sorri para mim, espreme um pouco de lim�o na sua ostra e deixa-a escorregar na boca.</p><p>� Hum, que del�cia. Tem gosto de mar. � Ele me olha. � Coma � encoraja.</p><p>� Ent�o, eu n�o preciso mastigar?</p><p>� N�o, Anastasia, n�o precisa.</p><p>Seus olhos brilham, divertidos. Ele parece mais jovem assim.</p><p>Mordo o l�bio, e sua express�o muda na mesma hora. Ele fecha a cara para mim. Estico o bra�o e pego a primeira ostra da minha vida. Tudo bem... l� vai. Espremo um pouco de lim�o nela e jogo-a na boca. Ela escorrega goela abaixo, um gostinho de �gua do mar, sal, a acidez do lim�o e uma consist�ncia... aah. Lambo os l�bios, e ele est� me observando atentamente, o olhar dissimulado.</p><p>� E a�?</p><p>� Vou comer outra � digo secamente.</p><p>� Muito bem � diz ele orgulhoso.</p><p>� Voc� escolheu ostras de prop�sito? Elas s�o famosas pelas propriedades afrodis�acas, n�o s�o?</p><p>� N�o, as ostras s�o o primeiro item do menu. N�o preciso de afrodis�aco perto de voc�. Acho que sabe disso, e imagino que voc� tenha a mesma rea��o a meu lado � diz ele simplesmente. � Ent�o, onde est�vamos?</p><p>Ele olha meu e-mail enquanto pego outra ostra.</p><p><emphasis>Ele tem a mesma rea��o. Eu o afeto... uau.</emphasis></p><p>� Obedecer a mim em tudo. Sim, quero que voc� fa�a isso. Preciso que fa�a isso. Pense nisso como um teatrinho, Anastasia.</p><p>� Mas tenho medo de que voc� me machuque.</p><p>� Machuque como?</p><p>� Fisicamente.</p><p><emphasis>E emocionalmente.</emphasis></p><p>� Acha mesmo que eu faria isso? Passar de qualquer limite que voc� n�o possa suportar?</p><p>� Voc� disse que j� machucou uma pessoa antes.</p><p>� �, machuquei. Foi h� muito tempo.</p><p>� Como a machucou?</p><p>� Eu a suspendi no teto do quarto de jogos. Na verdade, essa � uma das suas quest�es. Suspens�o. � para isso que servem os mosquet�es no quarto. Brincadeiras com corda. Uma das cordas estava muito apertada.</p><p>Fa�o um gesto, implorando para que ele pare.</p><p>� N�o preciso saber de mais nada. Ent�o voc� n�o vai me suspender?</p><p>� N�o se voc� realmente n�o quiser. Voc� pode tornar isso um limite r�gido.</p><p>� Tudo bem.</p><p>� Obedecer, ent�o. Acha que consegue fazer isso?</p><p>Ele me encara, o olhar intenso. Os segundos passam.</p><p>� Eu poderia tentar � sussurro.</p><p>� �timo. � Ele sorri. � Agora a vig�ncia. Um m�s em vez de tr�s n�o � nada, especialmente se voc� quiser um fim de semana longe de mim por m�s. Acho que n�o conseguirei ficar longe de voc� por todo esse tempo. Mal consigo agora. � Ele para.</p><p><emphasis>Ele n�o consegue ficar longe de mim? O qu�?</emphasis></p><p>� Que tal voc� ter um dia de um fim de semana por m�s, mas eu ganhar uma noite no meio dessa semana?</p><p>� Tudo bem.</p><p>� E por favor, vamos experimentar por tr�s meses. Se n�o gostar, pode ir embora quando quiser.</p><p>� Tr�s meses?</p><p>Estou me sentindo coibida. Tomo mais um bom gole de vinho e como outra ostra. Eu poderia aprender a gostar disso.</p><p>� A quest�o da posse, isso � s� terminologia e remonta ao princ�pio da obedi�ncia. � para coloc�-la no estado de esp�rito certo, para entender meu ponto de vista. E quero que saiba que t�o logo voc� entre pela porta da minha casa como minha submissa, fa�o o que quiser com voc�. Voc� tem que aceitar isso, e de bom grado. Por isso precisa confiar em mim. Eu vou foder voc�, a qualquer momento, do jeito que eu quiser, onde eu quiser. Vou disciplin�-la, porque voc� vai fazer besteira. Vou trein�-la para me satisfazer.</p><p>�Mas sei que voc� nunca fez isso. Vamos come�ar devagar, e eu vou ajud�-la. Vamos desenvolver v�rios cen�rios. Quero que voc� confie em mim, mas sei que tenho que conquistar sua confian�a e vou conquist�-la. A frase �ou de outra maneira qualquer� tamb�m � para ajud�-la a entrar no esp�rito; significa que vale tudo.</p><p>Ele est� muito apaixonado, fascinado. Essa � claramente sua obsess�o, o jeito que ele �... N�o consigo tirar os olhos dele. Ele quer muito, muito, isso. Para de falar e me encara.</p><p>� Ainda est� acompanhando? � murmura, a voz quente e sedutora. Bebe um gole de vinho, o olhar penetrante prendendo o meu.</p><p>O gar�om aparece � porta, e Christian faz um sinal de cabe�a sutil, autorizando-o a retirar o prato de ostras.</p><p>� Quer mais vinho?</p><p>� Tenho que dirigir.</p><p>� Ent�o, �gua?</p><p>Assinto com a cabe�a.</p><p>� Com ou sem g�s?</p><p>� Com g�s, por favor.</p><p>O gar�om se retira.</p><p>� Voc� est� muito calada � comenta Christian.</p><p>� Voc� est� muito falante.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Disciplina. H� uma linha muito t�nue entre prazer e dor, Anastasia. S�o dois lados da mesma moeda, e n�o h� um sem o outro. Posso lhe mostrar qu�o prazerosa pode ser a dor. Voc� n�o acredita em mim agora, mas � isso que eu quero dizer com confian�a. Vai haver dor, mas nada que voc� n�o possa suportar. Mais uma vez, tudo � confian�a. Voc� confia em mim, Ana?</p><p><emphasis>Ana!</emphasis></p><p>� Confio.</p><p>Respondo automaticamente, sem pensar... porque � verdade � <emphasis>confio</emphasis> nele.</p><p>� Muito bem � ele parece aliviado. � O resto s�o s� detalhes.</p><p>� Detalhes importantes.</p><p>� Tudo bem. Vamos analis�-los.</p><p>Estou tonta com todas essas coisas que ele fala. Eu devia ter trazido o gravador digital da Kate para poder ouvir isso de novo depois. Tem muita informa��o, muita coisa para digerir. O gar�om reaparece com nossos pratos: bacalhau negro, aspargos e batatas amassadas com molho holand�s. Nunca estive t�o sem vontade de comer.</p><p>� Espero que goste de peixe � diz Christian, amavelmente.</p><p>Belisco minha comida e tomo um gole da �gua com g�s. Eu queria muito que fosse vinho.</p><p>� As regras. Vamos falar sobre elas. Comida pode inviabilizar o acordo?</p><p>� Pode.</p><p>� Posso modificar e dizer que voc� vai comer pelo menos tr�s refei��es por dia?</p><p>� N�o.</p><p>N�o vou voltar atr�s nisso. Ningu�m vai me dizer o que comer. Como eu trepo, sim, mas o que eu como... n�o, de jeito nenhum.</p><p>Ele contrai os l�bios.</p><p>� Preciso saber que voc� n�o est� com fome.</p><p>Franzo a testa. <emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>� Voc� vai ter que confiar em mim.</p><p>Ele me olha um instante, e relaxa.</p><p>� <emphasis>Touch�</emphasis>, Srta. Steele � diz baixinho. � Concedo a alimenta��o e o sono.</p><p>� Por que n�o posso olhar para voc�?</p><p>� Isso � uma coisa entre dominador e submissa. Voc� vai se acostumar.</p><p><emphasis>Vou?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Por que n�o posso tocar em voc�?</p><p>� Por que n�o.</p><p>Ele aperta os l�bios com for�a.</p><p>� � por causa da Mrs. Robinson?</p><p>Ele me olha intrigado.</p><p>� Por que acha isso? � E na mesma hora entende. � Voc� acha que ela me traumatizou?</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a.</p><p>� N�o, Anastasia. Ela n�o � o motivo. Al�m do mais, Mrs. Robinson n�o aceitaria nenhuma dessas porcarias da minha parte.</p><p>Balan�o a cabe�a.</p><p><emphasis>Ah... mas eu tenho que aceitar.</emphasis></p><p>Fa�o uma express�o zangada.</p><p>� Ent�o n�o tem nada a ver com ela?</p><p>� N�o. E tamb�m n�o quero que voc� se toque.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis> Ah, sim, a cl�usula proibindo a masturba��o.</p><p>� Por curiosidade... por qu�?</p><p>� Por que eu quero o seu prazer todo para mim.</p><p>A voz dele � grave, mas determinada.</p><p><emphasis>Ah...</emphasis> N�o tenho resposta para isso. Num momento, ele vem com �eu quero morder esse l�bio�; em outro, com todo esse ego�smo. Franzo a testa e como um pedacinho do bacalhau, tentando pensar no que consegui. Comida, sono. Ele vai devagar, e ainda n�o discutimos os limites brandos. Mas n�o sei se consigo enfrentar isso durante o jantar.</p><p>� J� lhe dei muita coisa para pensar, n�o foi?</p><p>� Sim.</p><p>� Quer falar dos limites brandos agora?</p><p>� N�o durante o jantar.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Fica enjoada?</p><p>� Por a�.</p><p>� Voc� n�o comeu muito.</p><p>� Estou satisfeita.</p><p>� Tr�s ostras, quatro garfadas de bacalhau e um talo de aspargo, nada de batata, nada de frutas secas, nada de azeitonas, e n�o comeu o dia inteiro. Voc� disse que eu podia confiar em voc�.</p><p>Nossa, ele fez um invent�rio.</p><p>� Christian, por favor, n�o � todo dia que preciso lidar com conversas como esta.</p><p>� Preciso de voc� em forma e saud�vel, Anastasia.</p><p>� Eu sei.</p><p>� E agora mesmo, quero tirar seu vestido.</p><p>Engulo em seco. <emphasis>Tirar o vestido da Kate.</emphasis> Sinto aquela tens�o dentro de mim. M�sculos com os quais agora j� estou mais familiarizada se contraem diante dessas palavras. Mas n�o posso aceitar isso. Sua arma mais potente usada de novo contra mim. Ele � muito bom com sexo � at� eu j� entendi isso.</p><p>� Acho que n�o � uma boa ideia � digo baixinho. � Ainda n�o comemos a sobremesa.</p><p>� Voc� quer sobremesa? � bufa ele.</p><p>� Quero.</p><p>� Voc� podia ser a sobremesa � murmura ele sugestivamente.</p><p>� N�o sei se sou doce o bastante.</p><p>� Anastasia, voc� � uma del�cia de t�o doce. Eu sei.</p><p>� Christian, voc� usa o sexo como uma arma. Isso realmente n�o � justo � afirmo, olhando para minhas m�os, e depois encarando-o.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas, surpreso, e vejo que est� considerando minhas palavras. Afaga o queixo, pensativo.</p><p>� Tem raz�o. Uso. Na vida, a gente usa o que pode, Anastasia. Isso n�o muda o quanto desejo voc�. Aqui. Agora.</p><p>Como ele pode me seduzir s� com a voz? J� estou ofegante � o sangue fervendo em minhas veias, os nervos formigando.</p><p>� Eu gostaria de experimentar uma coisa � murmura ele.</p><p>Franzo as sobrancelhas. Ele acabou de me dar um monte de ideias para processar e agora isso.</p><p>� Se voc� fosse minha submissa, n�o teria que pensar sobre isso. Seria f�cil. � A voz dele � macia, sedutora. � Todas essas decis�es, todo o cansativo processo de racioc�nio por tr�s disso. O �Ser� que � a coisa certa a fazer?�; �Ser� que isso devia acontecer aqui?�; �Pode acontecer agora?� Voc� n�o precisaria se preocupar com nenhum desses detalhes. Era o que eu faria como seu Dominador. E agora mesmo, eu sei que voc� me quer, Anastasia.</p><p>Franzo ainda mais a testa. Como ele sabe?</p><p>� Sei porque...</p><p><emphasis>Puta merda, ele est� respondendo � pergunta que n�o fiz.</emphasis> Ser� que tamb�m � vidente?</p><p>� ...seu corpo est� entregando voc�. Est� cruzando as pernas, com o rosto vermelho e a respira��o alterada.</p><p><emphasis>Tudo bem, isso � demais.</emphasis></p><p>� Como sabe das minhas pernas? � Meu tom de voz � grave, descrente. Elas est�o embaixo da mesa, caramba.</p><p>� Senti a toalha mexer, e � um palpite com base em anos de experi�ncia. Estou certo, n�o estou?</p><p>Fico vermelha e baixo os olhos. � isso que me prejudica nesse jogo de sedu��o. Ele � o �nico que conhece e entende as regras. Sou simplesmente muito ing�nua e inexperiente. Minha �nica refer�ncia � Kate, e ela n�o aceita desaforo de homem. Minhas outras refer�ncias s�o todas ficcionais; Elizabeth Bennet ficaria ultrajada. Jane Eyre, assustada demais, e Tess sucumbiria, assim como sucumbi.</p><p>� Ainda n�o terminei o bacalhau.</p><p>� Prefere bacalhau frio a mim?</p><p>Fito-o bruscamente, e vejo uma car�ncia premente naquele brilho prateado de seu olhar ardente.</p><p>� Pensei que n�o gostasse que eu deixasse comida no prato.</p><p>� Neste momento, Srta. Steele, estou me lixando para sua comida.</p><p>� Christian. Voc� simplesmente n�o joga limpo.</p><p>� Eu sei. Nunca joguei.</p><p>Minha deusa interior franze as sobrancelhas para mim. Voc� pode fazer isso, ela tenta me persuadir, fazer o mesmo jogo desse deus do sexo. <emphasis>Posso?</emphasis> Tudo bem. O que fazer? Minha inexperi�ncia � um problema. Pego um talo de aspargo, olho para ele e mordo o l�bio. Ent�o, bem devagarinho, ponho a pontinha do aspargo frio na boca e chupo.</p><p>Christian arregala os olhos imperceptivelmente, mas eu percebo.</p><p>� Anastasia. O que est� fazendo?</p><p>Mordo a pontinha.</p><p>� Comendo meu aspargo.</p><p>Christian se mexe na cadeira.</p><p>� Acho que est� brincando comigo, Srta. Steele.</p><p>Fa�o-me de inocente.</p><p>� S� estou terminando de comer, Sr. Grey.</p><p>O gar�om escolhe esse momento para bater e, sem ser chamado, entrar. Olha rapidamente para Christian, que fecha a cara para ele, mas depois balan�a a cabe�a, e o gar�om retira nossos pratos. A chegada do gar�om quebrou o encanto. E aproveito esse precioso momento de lucidez. Tenho que ir. Se eu ficar, sei como nosso encontro vai acabar, e preciso de um tempo depois de uma conversa t�o intensa. Por mais que meu corpo deseje seu toque, minha mente est� se rebelando. Preciso de dist�ncia para pensar em tudo o que ele disse. Ainda n�o me decidi, e sua postura e suas proezas sexuais n�o facilitam as coisas.</p><p>� Quer uma sobremesa? � pergunta Christian, sempre cavalheiro, mas seus olhos ainda ardem.</p><p>� N�o, obrigada. Acho que devo ir embora. � Baixo os olhos.</p><p>� Ir embora?</p><p>Ele n�o consegue disfar�ar a surpresa.</p><p>O gar�om sai apressadamente.</p><p>� Sim. � � a decis�o certa. Se eu ficar aqui ele vai transar comigo. Levanto-me, determinada. � N�s dois temos a cerim�nia de formatura amanh�.</p><p>Christian se levanta de imediato, revelando anos de cortesia arraigada.</p><p>� N�o quero que voc� v�.</p><p>� Por favor... eu tenho que ir.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Porque voc� me deu muita coisa para pensar... e eu preciso de um pouco de dist�ncia.</p><p>� Eu poderia fazer voc� ficar � amea�a ele.</p><p>� Sim, poderia facilmente, mas eu n�o quero que voc� fa�a.</p><p>Ele passa a m�o no cabelo, olhando-me com cautela.</p><p>� Sabe, quando voc� caiu na minha sala para me entrevistar, s� dizia �sim, senhor�, �n�o, senhor�. Achei que fosse uma submissa nata. Mas, francamente, Anastasia, n�o sei ao certo se voc� tem algo de submisso nesse seu corpinho delicioso.</p><p>Ele se aproxima de mim lentamente enquanto fala, a voz tensa.</p><p>� Talvez voc� tenha raz�o � murmuro.</p><p>� Quero ter a chance de explorar essa possibilidade � sussurra ele, olhando para mim. Estica o bra�o e acaricia meu rosto, passando o polegar no meu l�bio inferior. � N�o conhe�o nenhuma outra maneira, Anastasia. Eu sou assim.</p><p>� Eu sei.</p><p>Ele se inclina para me beijar, mas para antes de encostar os l�bios, os olhos procurando os meus, querendo, pedindo permiss�o. Levo meus l�bios aos dele, e ele me beija, e, porque eu n�o sei se algum dia vou beij�-lo de novo, me deixo levar � minhas m�os se movendo por conta pr�pria e se emaranhando no cabelo dele, puxando-o para mim, minha boca se abrindo, minha l�ngua ro�ando na dele. Ele segura minha nuca conforme seu beijo vai ficando mais intenso, respondendo ao meu ardor. Sua outra m�o desliza pelas minhas costas e se espalma na altura dos meus rins ao me apertar contra seu corpo.</p><p>� N�o posso convenc�-la a ficar? � pergunta ele entre beijos.</p><p>� N�o.</p><p>� Passe a noite comigo.</p><p>� Sem tocar em voc�? N�o.</p><p>Ele suspira.</p><p>� Garota imposs�vel. � Ele recua, me olhando. � Por que acho que voc� est� me dizendo adeus?</p><p>� Por que estou indo embora agora.</p><p>� N�o foi isso que eu quis dizer, e voc� sabe.</p><p>� Christian, tenho que pensar. N�o sei se quero o tipo de rela��o que voc� quer.</p><p>Ele fecha os olhos e cola a testa na minha, dando a n�s dois a oportunidade de acalmar nossa respira��o. Logo depois, beija minha testa, inspira profundamente, o nariz em meu cabelo, e depois me solta, dando um passo para tr�s.</p><p>� Como quiser, Srta. Steele � diz, o rosto impass�vel. � Acompanho-a at� o sagu�o.</p><p>Ele estende a m�o. Abaixo-me para pegar a bolsa e retribuo o gesto. <emphasis>Puta merda, esse pode ser o fim.</emphasis> Des�o obedientemente ao lado dele pela escadaria imponente, minha cabe�a formigando, o sangue latejando. Pode ser o �ltimo adeus se eu decidir dizer n�o. Fico com o cora��o apertado. Que reviravolta. Que diferen�a um momento de lucidez pode fazer para uma garota.</p><p>� Voc� est� com o ticket do estacionamento?</p><p>Procuro na bolsa e entrego-lhe o ticket, que ele d� ao porteiro. Olho para ele enquanto esperamos.</p><p>� Obrigada pelo jantar � murmuro.</p><p>� Foi agrad�vel como sempre, Srta. Steele � diz com educa��o, embora pare�a estar pensando em outra coisa, completamente absorto.</p><p>Olhando para ele, memorizo seu belo perfil. A ideia de que poderei n�o tornar a v�-lo me persegue, inoportuna e muito triste para contemplar. Ele se vira de repente e me olha, a express�o intensa.</p><p>� Voc� vai se mudar este fim de semana para Seattle. Se tomar a decis�o certa, posso v�-la no domingo?</p><p>Ele parece hesitante.</p><p>� Vamos ver. Quem sabe � respondo.</p><p>Ele parece aliviado, mas depois franze a testa.</p><p>� Agora est� mais frio, voc� n�o tem um casaco?</p><p>� N�o.</p><p>Ele balan�a a cabe�a, irritado, e tira o blazer.</p><p>� Tome. N�o quero voc� se resfriando.</p><p>Pisco para ele, enquanto ele segura o blazer, e eu abro os bra�os. Lembro-me da vez em que ele colocou a jaqueta nos meus ombros, no escrit�rio � quando o conheci � e o efeito que isso me causou na �poca. Nada mudou: na verdade, est� mais intenso. O blazer dele � quente, muito grande, e tem o cheiro dele... delicioso...</p><p>Meu carro chega. Christian fica boquiaberto.</p><p>� � isso que voc� dirige?</p><p>Ele est� horrorizado. Oferece a m�o e me leva para a rua. O manobrista sai do carro e me entrega as chaves, e Christian friamente lhe d� uma gorjeta.</p><p>� Isso est� em condi��es de andar por a�?</p><p>Ele agora me olha furioso.</p><p>� Est�.</p><p>� Ser� que chega a Seattle?</p><p>� Chega, sim.</p><p>� Em seguran�a?</p><p>� Sim � digo secamente, exasperada. � Tudo bem, � velho. Mas � meu, e est� em condi��es de andar por a�. Meu padrasto comprou para mim.</p><p>� Ah, Anastasia, acho que a gente pode melhorar isso.</p><p>� Como assim? � De repente entendo. � Voc� <emphasis>n�o</emphasis> vai comprar um carro para mim.</p><p>Ele me olha furioso, a mand�bula cerrada.</p><p>� Vamos ver � diz, determinado.</p><p>Ele faz uma careta ao abrir a porta do motorista e me ajuda a entrar. Tiro os sapatos e abro o vidro. Est� me olhando, a express�o insond�vel, olhos sombrios.</p><p>� Dirija com cuidado � diz baixinho.</p><p>� At� logo, Christian.</p><p>Minha voz est� rouca por causa das inoportunas l�grimas contidas � <emphasis>n�o vou chorar.</emphasis> Dou um sorrisinho.</p><p>Quando me afasto, sinto um aperto no peito, as l�grimas come�am a brotar e engulo um solu�o. Logo, elas est�o escorrendo pelo rosto e eu realmente n�o entendo por que estou chorando. Eu estava me segurando. Ele explicou tudo. Foi claro. Ele me quer, mas a verdade � que preciso de mais. Preciso que ele me queira como eu o quero e preciso dele, e, no fundo, sei que isso � imposs�vel. S� estou perturbada.</p><p>Nem sei em que categoria coloc�-lo. Se eu aceitar isso... ser� que ele ser� meu namorado? Ser� que vou poder apresent�-lo a meus amigos? Ir a um bar, um cinema, at� a um boliche com ele? A verdade � que acho que n�o. Ele n�o quer me deixar tocar nele nem dormir com ele. Sei que n�o tive essas coisas no passado, mas quero ter no futuro. E n�o � o futuro que ele imagina.</p><p>E se eu disser sim, e, daqui a tr�s meses, ele terminar, estiver saturado de tentar me transformar em algo que eu n�o sou? Como vou me sentir? Vou ter investido emocionalmente tr�s meses, fazendo coisas que n�o tenho certeza se quero fazer. E, se ele ent�o terminar o contrato, como eu poderia enfrentar essa rejei��o? Talvez seja melhor recuar agora com o que ainda me resta de autoestima.</p><p>Mas a ideia de n�o tornar a v�-lo � angustiante. Como ele virou uma obsess�o para mim t�o depressa? N�o pode ser s� o sexo... pode? Limpo as l�grimas. N�o quero analisar meus sentimentos por ele. Tenho medo do que vou descobrir se fizer isso. <emphasis>O que vou fazer?</emphasis></p><p>Paro em frente a nosso apartamento. Est� tudo apagado. Kate deve ter sa�do. Fico aliviada. N�o quero que ela me pegue chorando de novo. Enquanto tiro minha roupa, ligo a m�quina do mal e, na minha caixa de entrada, h� uma mensagem de Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Hoje � noite</p><p><strong>Data</strong>: 25 de maio de 2011 22:01</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>N�o entendo por que voc� fugiu hoje � noite. Espero sinceramente ter respondido a todas as suas perguntas a contento. Sei que lhe dei muita coisa para pensar, e tor�o muito para que considere seriamente minha proposta. Quero muito fazer essa rela��o dar certo. Vamos devagar.</p><p>Confie em mim.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>O e-mail dele me faz chorar mais. N�o sou uma fus�o. N�o sou uma aquisi��o. Lendo isso, � como se eu fosse. N�o respondo. Simplesmente n�o sei o que dizer a ele. Visto o pijama, me enrolo no blazer dele e vou para a cama. Enquanto me deito olhando para o escuro, penso em todas as vezes que ele me avisou para ficar longe.</p><p><emphasis>Anastasia, voc� deve se afastar de mim. N�o sou homem para voc�.</emphasis></p><p><emphasis>Eu n�o namoro.</emphasis></p><p><emphasis>N�o sou o tipo que manda flores.</emphasis></p><p><emphasis>Eu n�o fa�o amor.</emphasis></p><p><emphasis>Isso � tudo que eu sei.</emphasis></p><p>E, chorando no travesseiro baixinho, � a essa �ltima ideia que me aferro. Isso tamb�m � tudo que eu sei. Talvez juntos possamos planejar um novo rumo.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO QUATORZE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Christian est� em p� em cima de mim segurando um chicote de montaria de couro. Usa uma cal�a jeans velha, desbotada e rasgada, mais nada. Bate lentamente com o chicote na palma da m�o enquanto olha para mim. Seu sorriso � triunfante. N�o posso me mexer. Estou nua e algemada, de pernas e bra�os abertos numa cama grande de quatro colunas. Ele estica o bra�o e passa a ponta do chicote pela minha testa e pelo meu nariz, fazendo com que eu sinta o cheiro do couro, e desce por meus l�bios entreabertos. Enfia a ponta na minha boca, para que eu sinta o gosto do couro macio e de boa qualidade.</p><p>� Chupe � ordena ele, com suavidade.</p><p>Seguro a ponta com a boca e obede�o.</p><p>� Chega � diz de repente.</p><p>Estou ofegante quando ele puxa o chicote da minha boca, passa-o embaixo do meu queixo, e vai descendo com o objeto pelo meu pesco�o at� o t�rax. Gira-o lentamente ali e continua descendo pelo meu corpo, passando pelo esterno, entre os seios, pelo torso, at� o umbigo. Estou arfando, me contorcendo, puxando as amarras que ferem meus pulsos e tornozelos. Ele gira a ponta em volta do meu umbigo, depois vai descendo, passando pelos meus pelos pubianos at� o clit�ris. Brande o chicote e acerta um golpe seco naquele meu ponto doce, e eu gozo, gloriosamente, com um grito de al�vio.</p><p>Acordo de s�bito, ofegante, toda suada e sentindo os efeitos do orgasmo. Que inferno. Estou completamente desorientada. <emphasis>Que diabo acabou de acontecer?</emphasis> Estou sozinha no meu quarto. Como? Por qu�? Sento-me de repente na cama, chocada... uau. � de manh�. Olho o despertador � oito horas. Ponho as m�os na cabe�a. Eu n�o sabia que podia sonhar com sexo. Ser� que foi alguma coisa que comi? Talvez tenham sido as ostras e minha pesquisa na internet se manifestando em meu primeiro sonho er�tico. � incr�vel. Eu n�o sabia que podia ter um orgasmo dormindo.</p><p>Kate est� saltitando pela cozinha quando entro, tr�pega.</p><p>� Ana, voc� est� bem? Est� com uma cara estranha. Esse blazer que est� usando � do Christian?</p><p>� Estou bem. � Droga, eu devia ter me olhado no espelho. Evito os olhos verdes penetrantes dela. Ainda estou atordoada com o acontecimento da manh�. � � o blazer dele, sim.</p><p>Ela franze a testa.</p><p>� Voc� dormiu?</p><p>� N�o muito bem.</p><p>Encaminho-me para a chaleira. Preciso de um ch�.</p><p>� Como foi o jantar?</p><p><emphasis>Come�ou.</emphasis></p><p>� Comemos ostras. Depois bacalhau, portanto, eu diria que n�o cheirou bem.</p><p>� Argh... odeio ostra, e n�o quero saber da comida. Como foi com ele? Sobre o que voc�s conversaram?</p><p>� Ele foi atencioso.</p><p>Paro de falar. O que posso dizer? O teste de HIV dele deu negativo, ele curte um teatrinho, quer que eu obede�a a todas as suas ordens, machucou uma pessoa que amarrou no teto do quarto de jogos, e quis me comer em uma sala privativa do restaurante. Ser� que � um bom resumo? Tento desesperadamente me lembrar de algo do meu encontro com Christian que eu possa discutir com Kate.</p><p>� Ele n�o aprova o Wanda.</p><p>� Quem aprova, Ana? Isso � not�cia velha. Por que est� t�o t�mida? Conte tudo, amiga.</p><p>� Ah, Kate, falamos sobre um monte de coisas. Voc� sabe... sobre como ele � exigente em mat�ria de comida. Por sinal, ele gostou do seu vestido. � A �gua na chaleira ferveu, e preparo meu ch�. � Aceita ch�? Quer ler para mim o seu discurso de hoje?</p><p>� Sim, por favor. Trabalhei nele ontem � noite na casa da Becca. Vou buscar. E sim, eu adoraria um ch�.</p><p>Kate sai correndo da cozinha.</p><p>Ufa, Katherine Kavanagh afastada. Coloco um bagel na torradeira. Enrubes�o, lembrando-me daquele sonho intenso. Com o que foi mesmo, meu Deus?</p><p>Ontem � noite, tive dificuldade de dormir. Minha cabe�a estava a mil com v�rias op��es. Estou muito confusa. A ideia que Christian faz de uma rela��o mais parece uma oferta de emprego. Tem hor�rios estabelecidos, uma descri��o do cargo e um procedimento de resolu��o de conflitos bastante severo. N�o foi como imaginei meu primeiro romance � mas, claro, Christian n�o quer saber de romance. Se eu lhe disser que quero mais, ele pode dizer n�o... e eu poderia colocar em risco o que j� tenho com ele. E isso � o que mais me preocupa, porque n�o quero perd�-lo. Mas n�o sei se tenho est�mago para ser submissa � no fundo, s�o as varas e os chicotes que me desanimam. Sou covarde fisicamente, e fa�o de tudo para evitar sentir dor. Penso no meu sonho... <emphasis>seria assim?</emphasis> Minha deusa interior est� aos pulos com pompons de animadora de torcida gritando que sim.</p><p>Kate volta para a cozinha com o laptop. Concentro-me no bagel e escuto pacientemente todo o seu discurso de formatura.</p><p>* * *</p><p>J� ESTOU PRONTA quando Ray chega. Abro a porta de casa, e ele est� parado no p�rtico com aquele terno de corte ruim. Uma onda de gratid�o e de amor por esse homem descomplicado me invade, e jogo os bra�os em volta dele numa rara demonstra��o de afeto. Ele leva um susto.</p><p>� Oi, Annie, que bom ver voc� � murmura ao me abra�ar. Toma dist�ncia, as m�os nos meus ombros, e me olha de cima a baixo, as sobrancelhas franzidas. � Voc� est� bem, filha?</p><p>� Claro, pai. Ser� que uma menina n�o pode ficar feliz de ver o seu velho?</p><p>Ele sorri, aqueles olhos escuros franzindo nos cantos, e me segue at� a sala.</p><p>� Voc� est� �tima � diz.</p><p>� � o vestido da Kate. � Olho para o vestido frente �nica de chiffon cinza.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Cad� a Kate?</p><p>� Ela j� foi para o campus. Vai fazer o discurso, ent�o tem que chegar cedo.</p><p>� Ser� que devemos ir andando?</p><p>� Pai, temos meia hora. Quer um ch�? E voc� pode me contar como vai todo mundo l� em Montesano. Como foi a viagem?</p><p>* * *</p><p>RAY DEIXA O carro no estacionamento do campus, e acompanhamos o mar de gente pontilhado pelas onipresentes becas nas cores preta e vermelha a caminho do gin�sio.</p><p>� Boa sorte, Annie. Voc� parece nervos�ssima. Tem que fazer alguma coisa?</p><p>Puta merda... por que Ray resolveu ser observador logo hoje?</p><p>� N�o, pai. Hoje � um grande dia.</p><p><emphasis>E vou v�-lo.</emphasis></p><p>� Sim, minha filhinha est� se formando. Estou orgulhoso de voc�, Annie.</p><p>� Oh... obrigada, pai.</p><p>Ah, eu adoro esse homem.</p><p>O gin�sio est� lotado. Ray senta-se com os outros pais e convidados na arquibancada, enquanto me encaminho para meu lugar. Estou usando a beca preta e o capelo, e me sinto protegida por esses acess�rios, an�nima. Ainda n�o tem ningu�m no palco, mas n�o consigo ficar calma. Meu cora��o palpita, e sinto falta de ar. Ele est� aqui, em algum lugar. Pergunto-me se Kate est� falando com ele, interrogando-o, talvez. Vou para meu lugar entre os colegas cujos sobrenomes tamb�m come�am com <emphasis>S.</emphasis> Estou na segunda fila, o que me proporciona um anonimato ainda maior. Olho para tr�s e vejo Ray no alto da arquibancada. Aceno para ele. Ele me responde sem jeito com um meio aceno e uma meia contin�ncia. Sento-me e aguardo.</p><p>O audit�rio enche depressa, e o burburinho de vozes empolgadas fica cada vez mais alto. A primeira fila de assentos se completa. � minha direita e � minha esquerda, est�o duas meninas que n�o conhe�o, de outro curso. Claro que elas s�o muito amigas e ficam conversando animadamente por cima de mim.</p><p>Exatamente �s onze horas, o reitor aparece vindo dos bastidores, com os tr�s vice-reitores e os professores catedr�ticos, todos paramentados com seus trajes de gala em vermelho e preto. Nos levantamos e aplaudimos nosso corpo docente. Alguns catedr�ticos fazem um gesto de cabe�a e acenam, outros parecem entediados. O professor Collins, meu orientador e professor preferido, parece ter acabado de cair da cama, como sempre. No canto do palco, est�o Kate e Christian. Ele se destaca com aquele terno cinza feito sob medida, reflexos cor de cobre faiscando no cabelo sob as luzes do audit�rio. Parece muito s�rio e contido. Quando se senta, desabotoa o palet� de dois bot�es, e vejo sua gravata. <emphasis>Puta merda... � aquela gravata!</emphasis> Esfrego os pulsos por reflexo. N�o consigo tirar os olhos dele. Est� com aquela gravata de prop�sito, sem d�vida. Contraio os l�bios. A plateia se senta e os aplausos cessam.</p><p>� Olhe para ele! � sibila uma das garotas ao meu lado com entusiasmo para a amiga.</p><p>� Ele � gostoso.</p><p>Fico r�gida. Tenho certeza de que n�o est�o falando do professor Collins.</p><p>� Deve ser Christian Grey.</p><p>� Ele � solteiro?</p><p>Fico irritada.</p><p>� Acho que n�o � digo.</p><p>� Ah.</p><p>As duas garotas me olham surpresas.</p><p>� Acho que ele � gay � murmuro.</p><p>� Que pena � resmunga uma delas.</p><p>O reitor d� in�cio � cerim�nia com seu discurso, e observo Christian examinar sutilmente o local. Afundo-me na cadeira, curvando os ombros, tentando me fazer notar o menos poss�vel. Falho completamente e, um segundo depois, os olhos dele encontram os meus. Ele me fita, o rosto impass�vel, inescrut�vel. Remexo-me, desconfort�vel, hipnotizada por aquele olhar enquanto o rubor vai se espalhando lentamente no meu rosto. Sem querer, recordo meu sonho, e sinto aquele aperto no est�mago. Respiro fundo. A sombra de um sorriso perpassa seus l�bios, mas � fugaz. Ele fecha rapidamente os olhos e, ao abri-los, reassume aquela express�o indiferente. Depois de dar uma olhadinha para o reitor, ele se mant�m de frente, focando o emblema da WSU pendurado acima da entrada. N�o volta a olhar para mim. O reitor segue discursando, e Christian continua sem me dirigir os olhos. Limita-se a olhar para a frente.</p><p>Por que ele n�o me olha? Vai ver que mudou de ideia. Uma onda de mal-estar me invade. Vai ver que o fato de eu t�-lo deixado na m�o ontem � noite tenha sido o fim para ele, tamb�m. Ele est� farto de esperar que eu me decida. Ah, n�o, talvez eu tenha estragado tudo. Lembro-me do e-mail dele de ontem � noite. Ser� que est� irritado porque n�o respondi?</p><p>De repente, os aplausos irrompem no gin�sio quando a Srta. Katherine Kavanagh aparece no palco. O reitor se senta, e Kate joga para tr�s a linda cabeleira comprida ao colocar os pap�is na tribuna. Ela n�o se apressa, nem se deixa intimidar pelas mil pessoas olhando para ela. Quando est� pronta, sorri, ergue os olhos para a plateia cativada, e se lan�a com eloqu�ncia em seu discurso. � serena e engra�ada, as meninas ao meu lado caem na gargalhada no instante exato em que ela faz a primeira piada. <emphasis>Ah, Katherine Kavanagh, voc� sabe modular sua fala.</emphasis> Fico muito orgulhosa dela nesse momento, deixando de lado os pensamentos sobre Christian. Embora j� tenha ouvido o discurso, presto aten��o. Ela domina o ambiente e comanda a plateia.</p><p>Seu tema � �O que vem depois da faculdade?� Sim, de fato, o que vem depois? Christian est� observando Kate com ar de espanto, acho eu. Sim, poderia ter sido Kate a ir entrevist�-lo. E poderia ser para Kate que ele agora estivesse fazendo propostas indecentes. A bela Kate e o belo Christian juntos. Eu poderia ser uma das duas garotas ao meu lado, admirando-o de longe. Sei que Kate n�o lhe daria nem bom-dia. De que o chamou outro dia? Nojento. A ideia de um confronto entre Kate e Christian me deixa desconfort�vel. Devo dizer que n�o sei em qual dos dois eu apostaria.</p><p>Kate conclui o discurso com um floreio, e espontaneamente a plateia se levanta, aplaudindo e festejando, sua primeira ova��o de p�. Sorrio para ela e a encorajo, e ela sorri de volta. <emphasis>Mandou bem, Kate.</emphasis> Ela se senta, assim como a plateia, e o reitor se levanta para apresentar Christian... <emphasis>Puta merda,</emphasis> Christian vai fazer um discurso. O reitor menciona rapidamente as realiza��es de Christian: CEO de sua pr�pria companhia extraordinariamente bem-sucedida, um verdadeiro <emphasis>self-made man.</emphasis></p><p>� ...e tamb�m um importante benem�rito de nossa universidade. Por favor, uma salva de palmas para o Sr. Christian Grey.</p><p>O reitor o cumprimenta com um aperto de m�o, e aplausos polidos ecoam pela plateia. Estou com o cora��o na boca. Ele se aproxima da tribuna e olha em volta. Parece t�o seguro quanto Kate, ali parado diante de todos n�s. As duas garotas a meu lado se inclinam para a frente, extasiadas. Na verdade, acho que quase todas as mulheres da plateia se inclinam um pouquinho, e alguns homens tamb�m. Ele come�a, a voz macia, modulada e magnetizante.</p><p>� Agrade�o imensamente a grande honra com que as autoridades da WSU me contemplaram hoje e que muito me comoveu. Isso me d� a rara oportunidade de falar do trabalho impressionante do departamento de ci�ncia ambiental desta universidade. Nosso objetivo � desenvolver m�todos agr�colas vi�veis e ecologicamente sustent�veis para pa�ses do terceiro mundo. Nossa meta � ajudar a erradicar a fome e a pobreza do mundo. Algumas partes do planeta sofrem de uma disfun��o agr�cola, cuja consequ�ncia � a destrui��o da sociedade e da ecologia. Eu sei o que � passar fome. Esta � uma jornada muito pessoal para mim...</p><p>Meu queixo cai no ch�o. <emphasis>O qu�?</emphasis> Christian j� passou fome? <emphasis>Puta merda.</emphasis> Bem, isso explica muita coisa. E me lembro da entrevista. Ele realmente quer alimentar o mundo. Tento desesperadamente me lembrar do que Kate escreveu no artigo dela. Adotado aos quatro anos, acho eu. N�o posso imaginar que Grace o tenha feito passar fome, portanto, isso deve ter sido antes, quando ele era mais novo ainda. Engulo em seco, o cora��o apertado com a ideia de um garotinho de olhos cinzentos que n�o saiu das fraldas passando fome. <emphasis>Ah, n�o.</emphasis> Que tipo de vida ele teve antes que os Grey o resgatassem?</p><p>Sou tomada por um sentimento de pura indigna��o. Pobre Christian, fodido, pervertido e filantropo � apesar de garantir que ele n�o se v� dessa maneira e repeliria quaisquer pensamentos de solidariedade ou piedade. De repente, todos aplaudem e se levantam. Acompanho, apesar de n�o ter ouvido metade do discurso. Ele est� fazendo todas essas boas a��es, dirigindo uma empresa enorme, e, ao mesmo tempo, me perseguindo. � perturbador. Lembro-me de breves trechos da conversa que ele teve sobre Darfur... tudo se encaixa. <emphasis>Comida.</emphasis></p><p>Ele d� um sorriso r�pido diante dos aplausos calorosos � at� Kate est� aplaudindo � depois volta a se sentar. N�o olha na minha dire��o, e estou ficando doida tentando assimilar essas novas informa��es. Um dos vice-reitores se levanta, e come�amos aquele processo longo e tedioso de entrega dos diplomas. H� mais de quatrocentos a entregar, e s� mais de uma hora depois � que ou�o meu nome. Dirijo-me at� o palco entre as duas garotas risonhas. Christian se det�m em mim com um olhar cordial, mas circunspecto.</p><p>� Parab�ns, Srta. Steele � diz ao me cumprimentar, apertando com delicadeza minha m�o. Sinto a eletricidade de sua pele na minha. � Seu laptop est� com algum problema?</p><p>Franzo as sobrancelhas quando ele me entrega o diploma.</p><p>� N�o.</p><p>� Ent�o <emphasis>est�</emphasis> ignorando meus e-mails?</p><p>� S� vi o de fus�es e aquisi��es.</p><p>Ele me olha intrigado.</p><p>� Mais tarde � diz, e tenho que andar porque estou atrapalhando a fila.</p><p>Volto para meu lugar. E-mails? Ele deve ter mandado outro. O que dizia?</p><p>A cerim�nia leva mais uma hora para se encerrar. � intermin�vel. Finalmente, h� mais uma salva de palmas quando o reitor, acompanhado pelo corpo docente, deixa o palco, precedido por Christian e Kate. Christian n�o olha para mim, embora eu esteja desejando com todas as for�as que ele o fa�a. Minha deusa interior n�o est� satisfeita.</p><p>Enquanto estou parada esperando nossa fila se dispersar, Kate me chama. Est� vindo da parte de tr�s do palco, na minha dire��o.</p><p>� Christian quer falar com voc� � grita ela.</p><p>As duas garotas, que agora est�o paradas a meu lado, se viram e me olham boquiabertas.</p><p>� Ele mandou eu vir aqui � continua ela.</p><p><emphasis>Ah...</emphasis></p><p>� Seu discurso foi o m�ximo, Kate.</p><p>� Foi mesmo, n�o foi? � Ela ri de uma orelha � outra. � Voc� vem? Ele pode ser muito insistente.</p><p>Ela revira os olhos, e eu sorrio.</p><p>� Voc� n�o tem ideia. N�o posso deixar o Ray por muito tempo.</p><p>Olho para Ray l� em cima e fa�o um gesto indicando cinco minutos. Ele balan�a a cabe�a, sinalizando que est� tudo bem, e eu vou com Kate para o corredor atr�s do palco. Christian est� conversando com o reitor e dois membros do corpo docente. Ao me ver, ergue os olhos.</p><p>� Com licen�a, senhores � ou�o-o murmurar.</p><p>Vem na minha dire��o e d� um sorriso r�pido para Kate.</p><p>� Obrigado � diz, e antes que ela possa responder, pega o meu bra�o e me leva para dentro do que parece um vesti�rio masculino.</p><p>Verifica se est� vazio, e depois tranca a porta.</p><p><emphasis>Puta merda, o que ele tem em mente?</emphasis> Pisco para ele quando se volta contra mim.</p><p>� Por que n�o me mandou um e-mail? Ou me respondeu por mensagem de texto?</p><p>Seus olhos fa�scam. Estou perplexa.</p><p>� N�o olhei o computador hoje, nem o celular. � Merda, ser� que ele andou tentando me ligar? Tento a t�cnica da mudan�a de assunto que � t�o eficaz com Kate. � Seu discurso foi maravilhoso.</p><p>� Obrigado.</p><p>� Explica seus problemas com comida.</p><p>Ele passa a m�o no cabelo, exasperado.</p><p>� Anastasia, n�o quero falar disso agora. � Fecha os olhos, parecendo aflito. � Ando preocupado com voc�.</p><p>� Preocupado? Por qu�?</p><p>� Porque voc� foi para casa naquele perigo que chama de carro.</p><p>� O qu�? N�o h� perigo algum. � �timo. Jos� sempre leva na oficina para mim.</p><p>� Jos�, o fot�grafo?</p><p>Christian estreita os olhos, a express�o gelada.</p><p><emphasis>Ai, merda.</emphasis></p><p>� Sim, o fusca era da m�e dele.</p><p>� Ah, e provavelmente da m�e dela e da m�e da m�e dela. N�o � seguro.</p><p>� J� dirijo esse carro h� mais de tr�s anos. Sinto muito que voc� esteja preocupado. Por que n�o me ligou?</p><p>Nossa, a rea��o dele � totalmente exagerada.</p><p>Ele respira fundo.</p><p>� Anastasia, preciso de uma resposta sua. Essa expectativa est� me deixando maluco.</p><p>� Christian, eu... olha, eu deixei meu padrasto sozinho.</p><p>� Amanh�. Quero uma resposta amanh�.</p><p>� Ok. Amanh� eu respondo, ent�o.</p><p>Ele recua, me olhando com tranquilidade, e relaxa os ombros.</p><p>� Vai ficar para o coquetel? � pergunta.</p><p>� N�o sei o que o Ray quer fazer.</p><p>� Seu padrasto? Eu gostaria de conhec�-lo.</p><p><emphasis>Ah, n�o... por qu�?</emphasis></p><p>� N�o sei bem se � uma boa ideia.</p><p>Christian destranca a porta, com uma express�o contrariada.</p><p>� Voc� tem vergonha de mim?</p><p>� N�o! � � minha vez de falar com exaspera��o. � Apresentar voc� ao meu pai dizendo o qu�? �Esse � o homem que me deflorou e quer que a gente comece uma rela��o BDSM?� Voc� n�o est� usando t�nis de corrida.</p><p>Christian me olha furioso, depois seus l�bios se contraem num r�pido sorriso. E, embora eu esteja irritada com ele, dou a contragosto um sorriso interrogativo.</p><p>� S� para voc� saber, posso correr bastante r�pido. Diga-lhe simplesmente que sou seu amigo, Anastasia.</p><p>Ele abre a porta, e eu saio. Minha cabe�a est� totalmente confusa. O reitor, os tr�s vice-reitores, quatro catedr�ticos e Kate ficam me olhando enquanto passo apressadamente por eles. <emphasis>Merda</emphasis>. Deixo Christian com o corpo docente e vou atr�s de Ray.</p><p><emphasis>Diga a ele que sou seu amigo.</emphasis></p><p><emphasis>Amizade colorida,</emphasis> repreende meu inconsciente com uma express�o mal-humorada. Eu sei, eu sei. Afasto a ideia desagrad�vel. Como vou apresent�-lo a Ray? O gin�sio ainda est� com pelo menos metade da lota��o, e Ray n�o saiu do lugar. Ele me v�, acena e desce.</p><p>� Oi, Annie<emphasis>.</emphasis> Parab�ns.</p><p>Ele me envolve com o bra�o.</p><p>� Quer beber alguma coisa? � pergunto.</p><p>� Claro. � o seu dia. V� na frente.</p><p>� A gente n�o precisa ir, se voc� n�o quiser.</p><p><emphasis>Por favor, diga n�o...</emphasis></p><p>� Annie, acabei de passar duas horas e meia sentado ouvindo s� conversa fiada. Preciso de uma bebida.</p><p>Dou-lhe o bra�o, e sa�mos com a multid�o no entardecer ameno. Passamos pela fila do fot�grafo oficial.</p><p>� Ah, isso me lembra de uma coisa � Ray tira uma c�mera digital do bolso. � Uma para o �lbum, Annie.</p><p>Reviro os olhos para ele quando me fotografa.</p><p>� J� posso tirar a beca e o capelo? Estou me sentindo meio idiota.</p><p><emphasis>Voc� est� meio idiota...</emphasis> Meu inconsciente est� impertinente como nunca. <emphasis>Ent�o vai apresentar o Ray ao homem que est� comendo voc�?</emphasis> Ele me olha por cima dos �culos. <emphasis>Ele ficaria muito orgulhoso.</emphasis> Nossa, �s vezes eu odeio meu inconsciente.</p><p>A tenda � imensa e est� lotada � alunos, pais, professores e amigos, todos conversando satisfeitos. Ray me entrega uma ta�a de champanhe, ou vinho espumante barato, desconfio. N�o est� gelado e � doce. Meus pensamentos se voltam para Christian... <emphasis>ele n�o vai gostar disso.</emphasis></p><p>� Ana!</p><p>Viro-me e Ethan Kavanagh me d� um abra�o. Ele me rodopia sem derramar meu vinho � uma fa�anha.</p><p>� Parab�ns! � Ele sorri para mim, os olhos verdes luminosos.</p><p>Que surpresa. Seu cabelo louro e sujo est� despenteado e sexy. Ele � bonito como Kate. A semelhan�a entre os dois � espantosa.</p><p>� Ethan! Que bom ver voc�. Pai, esse � Ethan, irm�o de Kate. Ethan, esse � o meu pai, Ray Steele.</p><p>Eles se cumprimentam, meu pai avaliando tranquilamente o Sr. Kavanagh.</p><p>� Quando voltou da Europa? � pergunto.</p><p>� Voltei h� uma semana, mas queria fazer uma surpresa para minha irm�zinha � diz em tom conspirat�rio.</p><p>� Que amor! � Dou um sorriso.</p><p>� Ela � a oradora, eu n�o poderia perder isso. � Ele parece sentir um imenso orgulho da irm�.</p><p>� Ela fez um discurso maravilhoso.</p><p>� Fez mesmo � concorda Ray.</p><p>Ethan est� com o bra�o em volta da minha cintura quando deparo com os gelados olhos cinzentos de Christian Grey. Kate est� ao lado dele.</p><p>� Ol�, Ray. � Kate d� dois beijinhos em Ray, fazendo-o corar. � J� conheceu o namorado da Ana? Christian Grey.</p><p><emphasis>Puta merda... Kate! Porra!</emphasis> O sangue foge do meu rosto.</p><p>� Sr. Steele, � um prazer conhec�-lo � diz Christian num tom suave e caloroso, sem se perturbar com a apresenta��o de Kate. Estende a m�o, que Ray, � preciso reconhecer, aceita sem demonstrar um pingo de surpresa com o que acabou de cair em cima dele.</p><p><emphasis>Muito obrigada, Katherine Kavanagh,</emphasis> penso furiosa. Acho que meu inconsciente desmaiou.</p><p>� Sr. Grey � murmura Ray, a express�o indecifr�vel, a n�o ser talvez pelo olhar ligeiramente arregalado de seus grandes olhos castanhos. Eles deslizam para mim como se me perguntassem �quando pretendia me contar isso?� Mordo o l�bio.</p><p>� E esse � meu irm�o, Ethan Kavanagh � diz Kate a Christian.</p><p>Christian dirige seu olhar glacial para Ethan, que ainda est� com o bra�o em volta da minha cintura.</p><p>� Sr. Kavanagh.</p><p>Eles se cumprimentam. Christian me estende a m�o.</p><p>� Ana, meu bem � murmura, e quase morro diante do termo carinhoso.</p><p>Saio do abra�o de Ethan, enquanto Christian sorri com frieza para ele, e tomo meu lugar a seu lado. Kate sorri para mim. Ela sabe exatamente o que est� fazendo, a esperta!</p><p>� Ethan, mam�e e papai queriam falar com voc�.</p><p>Kate arrasta Ethan dali.</p><p>� H� quanto tempo voc�s dois se conhecem? � Ray olha impass�vel de Christian para mim.</p><p>A capacidade de falar me abandonou. Quero me enfiar no ch�o. Christian me envolve com o bra�o, passando o polegar pelas costas para depois segurar meu ombro.</p><p>� H� umas duas semanas mais ou menos � diz ele tranquilamente. � Nos conhecemos quando Anastasia me entrevistou para o jornal da faculdade.</p><p>� N�o sabia que voc� trabalhava no jornal da faculdade, Ana.</p><p>A voz de Ray tem um tom de censura discreto, revelando sua irrita��o. <emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� Kate estava doente � murmuro.</p><p>� s� o que consigo falar.</p><p>� O senhor fez um �timo discurso, Sr. Grey.</p><p>� Obrigado. Pelo que soube, o senhor � um bom pescador.</p><p>Ray ergue as sobrancelhas e sorri � um raro, aut�ntico e leg�timo sorriso de Ray Steele. Os dois come�am a falar sobre peixes. Na verdade, eu logo me sinto sobrando. Ele est� jogando charme para cima do meu pai... <emphasis>como fez com voc�,</emphasis> diz secamente meu inconsciente. Seu poder n�o tem limites. Pe�o licen�a e vou procurar Kate.</p><p>Ela est� conversando com os pais, que est�o mais encantadores do que nunca e me cumprimentam com carinho. Trocamos breves amabilidades, principalmente sobre as f�rias em Barbados e sobre nossa mudan�a.</p><p>� Kate, como voc� p�de me entregar para o Ray? � sibilo na primeira oportunidade que temos a s�s.</p><p>� Porque eu sabia que voc� n�o ia dizer nada, e queria ajudar Christian a lidar com os problemas de compromisso.</p><p>Kate sorri para mim com do�ura.</p><p>Fecho a cara. <emphasis>Sou eu que n�o quero compromisso com ele, boba!</emphasis></p><p>� Ele parece muito tranquilo em rela��o a isso, Ana. N�o se preocupe. Olhe para ele agora. Christian n�o consegue tirar os olhos de voc�. � Dou uma olhada, e Ray e Christian est�o me fitando. � Ele observa voc� como um falc�o.</p><p>� � melhor eu ir acudir o Ray, ou o Christian. N�o sei qual dos dois. Isso n�o vai ficar assim, Katherine Kavanagh! � Olho furiosa para ela.</p><p>� Ana, eu fiz um favor para voc�! � grita ela para mim.</p><p>� Oi � sorrio para os dois ao voltar.</p><p>Eles parecem bem. Christian est� curtindo alguma piada particular, e meu pai parece incrivelmente relaxado, considerando que est� numa situa��o social. <emphasis>O que eles andaram discutindo al�m de peixes?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ana, onde � o toalete?</p><p>� � esquerda da entrada da tenda.</p><p>� J� volto. Divirtam-se, crian�as.</p><p>Ray sai. Olho nervosa para Christian. Fazemos uma breve pausa enquanto um fot�grafo tira uma foto nossa.</p><p>� Obrigado, Sr. Grey.</p><p>O fot�grafo sai depressa. Pisco por causa do flash.</p><p>� Ent�o voc� conquistou meu pai tamb�m?</p><p>� Tamb�m? � Seus olhos queimam e ele faz uma express�o interrogativa. Enrubes�o. Ele afaga meu rosto com os dedos.</p><p>� Ah, eu queria saber o que voc� est� pensando, Anastasia � sussurra em tom sinistro, levantando meu queixo at� estarmos com os olhos grudados um no outro.</p><p>O ar me falta. Como ele pode me afetar dessa maneira, at� nessa tenda lotada de gente?</p><p>� Neste instante, estou pensando: �bonita gravata� <emphasis>�</emphasis> digo.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Recentemente passou a ser minha favorita.</p><p>Fico vermelha.</p><p>� Voc� est� linda, Anastasia. Esse vestido frente �nica lhe cai bem, e consigo acariciar suas costas, sentir sua pele macia.</p><p>De repente, � como se estiv�ssemos sozinhos ali. S� n�s dois. Meu corpo inteiro se acende, cada termina��o nervosa vibrando baixinho, aquela eletricidade me puxando para ele, tornando-se cada vez mais forte.</p><p>� Voc� sabe que vai ser bom, n�o sabe? � sussurra ele. Fecho os olhos e minhas entranhas se desenrolam e derretem.</p><p>� Mas eu quero mais � sussurro.</p><p>� Mais?</p><p>Ele me olha intrigado, taciturno. Fa�o que sim com a cabe�a e engulo em seco. <emphasis>Agora ele sabe.</emphasis></p><p>� Mais � repete ele baixinho. Testando a palavra, uma palavrinha simples mas t�o cheia de promessas. Ele passa o polegar em meu l�bio inferior. � Voc� quer flores e bombons.</p><p>Fa�o que sim novamente. Ele pisca para mim, e vejo sua luta interior estampada em seus olhos.</p><p>� Anastasia. � Sua voz � suave. � Isso n�o � algo que eu conhe�a.</p><p>� Nem eu.</p><p>Ele d� um leve sorriso.</p><p>� Voc� n�o conhece muita coisa � murmura.</p><p>� Voc� conhece tudo o que � errado.</p><p>� Errado? N�o. � Ele balan�a a cabe�a. Parece muito sincero. � Experimente � incita ele.</p><p>Um desafio provocador, e ele inclina a cabe�a e d� aquele sorriso torto deslumbrante.</p><p>Suspiro, e sou Eva no Jardim do �den, e ele � a serpente, e n�o consigo resistir.</p><p>� Tudo bem � murmuro.</p><p>� O qu�?</p><p>Tenho a sua aten��o plena, inteirinha. Engulo em seco.</p><p>� Tudo bem, vou experimentar.</p><p>� Est� concordando? � Sua surpresa � evidente.</p><p>� Em rela��o aos limites brandos, sim. Vou experimentar. � Minha voz � muito baixa. Christian fecha os olhos e me puxa para seus bra�os.</p><p>� Nossa, Ana, voc� � muito surpreendente. Voc� me deixa sem ar.</p><p>Ele recua, e, de repente, Ray j� voltou, e o barulho dentro da tenda vai aumentando e n�o d� para ouvir mais nada. N�o estamos sozinhos. <emphasis>Puta merda, acabei de concordar em ser a submissa dele.</emphasis> Christian sorri para Ray com os olhos repletos de alegria.</p><p>� Annie, vamos pegar alguma coisa para comer?</p><p>� Tudo bem. � Pisco para Ray, tentando encontrar o equil�brio. <emphasis>O que voc� fez?,</emphasis> grita meu inconsciente. Minha deusa interior est� dando saltos mortais, numa coreografia digna de um ginasta ol�mpico russo.</p><p>� Gostaria de se juntar a n�s, Christian? � pergunta Ray.</p><p><emphasis>Christian!</emphasis> Fico olhando para ele, implorando para que recuse. Preciso de espa�o para pensar... o que foi que eu fiz, porra?</p><p>� Obrigado, Sr. Steele, mas tenho outros planos. Foi muito bom conhec�-lo.</p><p>� Igualmente � responde Ray. � Tome conta da minha menina.</p><p>� Ah, pode deixar comigo.</p><p>Eles trocam um aperto de m�os. Estou enjoada. Ray n�o tem ideia de como Christian pretende tomar conta de mim. Ele pega minha m�o e a leva aos l�bios, beijando com ternura os n�s dos meus dedos, me fitando com olhos ardentes.</p><p>� At� mais tarde, Srta. Steele � murmura, a voz cheia de promessas.</p><p>Sinto um aperto no est�mago diante dessa ideia. <emphasis>Aguentar... at� mais tarde?</emphasis></p><p>Ray pega meu bra�o e me conduz em dire��o � entrada da tenda.</p><p>� Ele parece um rapaz s�rio. Bem de vida, tamb�m. Voc� podia arranjar algo muito pior, Annie. Mas por que fiquei sabendo dele pela Katherine? � reclama.</p><p>Encolho os ombros, pedindo desculpas.</p><p>� Bem, qualquer homem que goste e entenda de pescaria, para mim est� ok.</p><p>Puta merda � Ray aprova. Se ele soubesse...</p><p>* * *</p><p>RAY ME DEIXA em casa � tardinha.</p><p>� Ligue para sua m�e � diz.</p><p>� Vou ligar. Obrigada por ter vindo, pai.</p><p>� Eu n�o perderia isso por nada, Annie. Tenho muito orgulho de voc�.</p><p><emphasis>Ah, n�o.</emphasis> Eu n�o vou ficar emotiva. Sinto um n� na garganta e abra�o-o com for�a. Ele me envolve em seus bra�os, perplexo, e n�o consigo evitar � fico com os olhos cheios d��gua.</p><p>� Ei, Annie, querida � diz Ray num tom animado. � Grande dia... hein? Quer que eu entre para fazer um chazinho para voc�?</p><p>Rio, apesar das l�grimas. Ch� sempre � a resposta, segundo Ray. Lembro-me da minha m�e reclamando dele, dizendo que quando se tratava de ch� e simpatia, ele era sempre bom no ch� e n�o tanto na simpatia.</p><p>� N�o, pai, estou bem. Foi muito bom ver voc�. Farei uma visita assim que estiver instalada em Seattle.</p><p>� Boa sorte nas entrevistas. D� not�cias do andamento delas.</p><p>� Pode deixar, pai.</p><p>� Eu amo voc�, Annie.</p><p>� Tamb�m amo voc�, pai.</p><p>Ele sorri, os olhos castanhos carinhosos brilhando, e vai para o carro. Aceno um adeus enquanto ele parte no crep�sculo, e entro desanimada no apartamento.</p><p>A primeira coisa que fa�o � olhar o celular. Como est� descarregado, tenho que ca�ar o carregador e plug�-lo antes de verificar as mensagens. Quatro chamadas perdidas, uma mensagem de voz e duas de texto. Tr�s chamadas perdidas de Christian... nada de mensagem. Uma chamada perdida de Jos� e uma mensagem de voz dele me desejando tudo de bom pela formatura.</p><p>Abro as mensagens de texto.</p><empty-line/><p>*Est� em casa em seguran�a?*</p><empty-line/><p>
  *Me liga*</p><empty-line/><p>Ambas s�o de Christian. Por que ele n�o ligou para o telefone fixo? Entro no quarto e ligo a m�quina do mal.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Hoje � noite</p><p><strong>Data</strong>: 25 de maio de 2011 23:58</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Tor�o para que chegue em casa nesse seu carro.</p><p>Avise-me que est� bem.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Droga... por que ele est� t�o preocupado com meu fusca? Ele me presta bons servi�os h� tr�s anos, e Jos� est� sempre dispon�vel para fazer a manuten��o para mim. A mensagem seguinte � de hoje.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Limites brandos</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 17:22</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>O que posso dizer que j� n�o tenha dito?</p><p>Feliz de discutir isso em detalhes quando voc� quiser.</p><empty-line/><p>Voc� estava linda hoje.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Quero v�-lo. Clico em �responder�.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Limites brandos</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 19:23</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Posso ir at� a� hoje � noite para discutirmos, se quiser.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Limites brandos</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 19:27</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Vou at� a�. Falei s�rio quando disse que n�o estava satisfeito em ver voc� dirigindo aquele carro.</p><empty-line/><p>Estarei com voc� em breve.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda...</emphasis> ele est� vindo para c�. Tenho que ter uma coisa pronta para ele � as primeiras edi��es dos livros de Thomas Hardy ainda est�o na estante da sala. N�o posso ficar com elas. Embrulho-as em papel pardo, e rabisco no embrulho uma cita��o de Tess do livro:</p><empty-line/><p>�Aceito as condi��es, Angel. Porque voc� sabe melhor que ningu�m qual deveria ser meu castigo; apenas � apenas � n�o o torne maior do que posso suportar!�</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO QUINZE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>� Oi. � Sinto uma timidez insuport�vel ao abrir a porta. Christian est� parado no p�rtico de cal�a jeans e casaco de couro.</p><p>� Oi � responde, e seu rosto se ilumina com aquele sorriso radiante. Aproveito um instante para admirar sua beleza. Nossa, ele fica gostoso usando couro.</p><p>� Entre.</p><p>� Se me d� licen�a � diz ele achando gra�a. Ergue uma garrafa de champanhe ao entrar. � Pensei em comemorar sua formatura. Uma boa Bollinger � de doer.</p><p>� Escolha de palavras interessante � comento secamente.</p><p>Ele ri.</p><p>� Ah, gosto da sua presen�a de esp�rito, Anastasia.</p><p>� Aqui s� tem x�caras de ch�. J� embalamos todos os copos.</p><p>� X�caras de ch�? Para mim, est� bom.</p><p>Entro na cozinha. Estou toda tremendo por dentro, � como ter uma pantera ou um le�o da montanha imprevis�vel e predador na minha sala.</p><p>� Quer os pires tamb�m?</p><p>� Basta as x�caras, Anastasia � responde Christian distraidamente da sala.</p><p>Quando volto, ele est� olhando o pacote de papel pardo com os livros. Ponho as x�caras na mesa.</p><p>� Isso � para voc� � murmuro com ansiedade.</p><p><emphasis>Merda... provavelmente vai dar briga.</emphasis></p><p>� Hum, imaginei. Cita��o muito apropriada. � Seu indicador acompanha distraidamente a letra. � Achei que eu fosse d�Urberville, n�o Angel. Voc� decidiu pela degrada��o. � Ele d� um sorriso feroz. � � bem coisa sua encontrar uma frase que ecoe com tanta propriedade.</p><p>� � tamb�m um pedido � sussurro.</p><p><emphasis>Por que estou t�o nervosa?</emphasis> Minha boca est� seca.</p><p>� Um pedido? Para eu pegar leve com voc�?</p><p>Balan�o a cabe�a assentindo.</p><p>� Comprei esses livros para voc� � diz ele calmamente, o olhar impass�vel. � Pego mais leve se voc� os aceitar.</p><p>Engulo convulsivamente.</p><p>� Christian, n�o posso aceit�-los, � um exagero.</p><p>� Est� vendo, � disso que eu falava, voc� me desafiando. Quero que os livros sejam seus, e fim de papo. � muito simples. Voc� n�o precisa pensar sobre isso. Como submissa, se limitaria a ficar agradecida por eles. Voc� aceita o que eu compro porque me d� prazer que aceite.</p><p>� Eu n�o era submissa quando voc� os comprou para mim � sussurro.</p><p>� N�o... mas voc� concordou, Anastasia.</p><p>Seu olhar fica cauteloso.</p><p>Suspiro. N�o vou vencer esta, ent�o vamos ao plano B.</p><p>� Ent�o os livros s�o meus para eu fazer o que quiser?</p><p>Ele me olha desconfiado, mas concorda.</p><p>� Sim.</p><p>� Nesse caso, eu gostaria de do�-los para uma obra de caridade, uma de Darfur, j� que esse lugar parece tocar seu cora��o. Eles podem ser leiloados.</p><p>� Se � o que voc� quer fazer.</p><p>Sua boca se contrai. Ele est� desapontado. Eu coro.</p><p>� Vou pensar no assunto � murmuro.</p><p>N�o quero desapont�-lo, e me lembro de suas palavras. <emphasis>Quero que voc� queira me agradar.</emphasis></p><p>� N�o pense, Anastasia. N�o sobre isso.</p><p>Sua voz � calma e s�ria.</p><p>Como posso n�o pensar? <emphasis>Voc� pode fingir ser um carro, como as outras posses dele.</emphasis> Meu inconsciente faz um inoportuno coment�rio sarc�stico. Finjo que n�o ou�o. Ah, n�o podemos rebobinar a fita? O clima entre n�s agora est� tenso. N�o sei o que fazer. Olho para baixo. Como saio dessa situa��o?</p><p>Ele p�e a garrafa de champanhe na mesa e fica parado na minha frente. Levanta meu queixo, inclinando minha cabe�a para tr�s, e me olha com uma express�o s�ria.</p><p>� Vou comprar muitas coisas para voc�, Anastasia. V� se acostumando. Eu posso pagar por elas. Sou um homem muito rico. � Ele se inclina e me d� um beijo casto nos l�bios. � Por favor.</p><p>Ele me solta.</p><p><emphasis>R�,</emphasis> meu inconsciente pronuncia para mim.</p><p>� Isso faz com que eu me sinta vulgar � digo.</p><p>Christian passa a m�o no cabelo, exasperado.</p><p>� N�o devia. Voc� est� pensando demais, Anastasia. N�o se julgue moralmente com base no que os outros podem pensar. N�o desperdice sua energia. Isso � s� porque voc� tem reservas quanto ao nosso acordo. � perfeitamente natural. Voc� n�o sabe onde est� se metendo.</p><p>Franzo a testa, tentando processar as palavras dele.</p><p>� Ei, pare com isso � ordena ele baixinho, tornando a segurar meu queixo e puxando-o com delicadeza, fazendo-me parar de morder o l�bio inferior. � Voc� n�o tem nada de vulgar, Anastasia. N�o admito que pense isso. Eu simplesmente lhe comprei uns livros antigos que achei que podiam significar alguma coisa para voc�, s� isso. Tome um champanhe. � Seus olhos ficam calorosos e meigos, e sorrio timidamente para ele. � Assim � melhor � murmura.</p><p>Ele pega o champanhe, tira o inv�lucro met�lico e o prendedor de arame, sacode a garrafa e torce a rolha, abrindo-a com um estalo seco, e faz um floreio, sem derramar uma gota. Enche as x�caras pela metade.</p><p>� � rosa � percebo admirada.</p><p>� Bollinger Grande Ann�e Ros� 1999, uma safra excelente � diz com deleite.</p><p>� Em x�caras.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Em x�caras. Parab�ns pela formatura, Anastasia.</p><p>Brindamos, e ele bebe um gole, mas n�o posso deixar de pensar que se trata realmente da minha rendi��o.</p><p>� Obrigada � murmuro, e tomo um gole. Claro que est� delicioso. � Vamos analisar os limites brandos.</p><p>Ele sorri e eu coro.</p><p>� Impaciente como sempre.</p><p>Christian me pega pela m�o e me leva para o sof�, onde se senta, puxando-me para seu lado.</p><p>� Seu padrasto � um homem muito calado.</p><p><emphasis>Ah... ent�o nada de limites brandos. S� quero tirar isso da minha frente, a ansiedade est� me corroendo.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Voc� conseguiu fazer com que ele comesse na sua m�o. <emphasis>�</emphasis> Fa�o bico.</p><p>Christian acha gra�a.</p><p>� S� porque sei pescar.</p><p>� Como soube que ele gostava de pescar?</p><p>� Voc� me disse. Quando sa�mos para tomar caf�.</p><p>� Ah... disse? � Bebo outro gole. Nossa, ele se lembra dos detalhes. Humm... esse champanhe � mesmo �timo. � Provou o vinho na recep��o?</p><p>Christian faz uma careta.</p><p>� Provei. Estava horr�vel.</p><p>� Pensei em voc� quando bebi. Como voc� ficou t�o entendido em vinho?</p><p>� Eu n�o sou entendido, Anastasia. S� sei do que gosto. � Seus olhos brilham, quase prateados, e isso me faz corar. � Mais um pouco? � pergunta, referindo-se ao champanhe.</p><p>� Por favor.</p><p>Christian se levanta com eleg�ncia e pega a garrafa. Enche minha x�cara. Ser� que ele quer me embebedar? Olho para ele desconfiada.</p><p>� Esta casa est� bem vazia. Est� pronta para a mudan�a?</p><p>� Mais ou menos.</p><p>� Vai trabalhar amanh�?</p><p>� Vou. � meu �ltimo dia na Clayton�s.</p><p>� Eu ajudaria na mudan�a, mas prometi buscar minha irm� amanh� no aeroporto.</p><p>Ah... isso � novidade.</p><p>� Mia chega de Paris s�bado de manh� bem cedo. Vou voltar para Seattle amanh�, mas ouvi dizer que Elliot vai dar uma m�ozinha a voc�s.</p><p>� Sim, Kate est� muito animada com isso.</p><p>Christian franze o cenho.</p><p>� Sim, Kate e Elliot, quem diria? � murmura ele, e, por alguma raz�o, n�o parece satisfeito. � Ent�o, o que vai fazer com rela��o a trabalho em Seattle?</p><p><emphasis>Quando vamos come�ar a discutir sobre os limites? Qual � o jogo dele?</emphasis></p><p>� Tenho duas entrevistas para est�gios.</p><p>� Quando ia me contar isso? � Ele ergue uma sobrancelha.</p><p>� H�... Estou contando agora.</p><p>Ele estreita os olhos.</p><p>� Onde?</p><p>N�o sei por que, talvez porque ele poderia usar sua influ�ncia, n�o quero lhe dizer.</p><p>� Em editoras.</p><p>� � isso que voc� quer fazer? Trabalhar em uma editora?</p><p>Balan�o a cabe�a concordando, cautelosa.</p><p>� E ent�o?</p><p>Ele me olha pacientemente, esperando mais informa��es.</p><p>� E ent�o o qu�?</p><p>� N�o seja boba, Anastasia, quais editoras? � censura ele.</p><p>� S�o pequenas � confesso.</p><p>� Por que n�o quer que eu saiba?</p><p>� Influ�ncia indevida.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Ah, agora <emphasis>voc�</emphasis> est� sendo bobo.</p><p>Ele ri.</p><p>� Bobo? Eu? Meu Deus, voc� � provocadora. Beba seu champanhe, vamos falar sobre esses limites.</p><p>Christian pega outra c�pia do meu e-mail e da lista. Ser� que ele anda por a� com essas listas no bolso? Acho que tem uma naquele blazer que est� comigo. Merda. � melhor eu n�o me esquecer disso. Esvazio meu copo. Ele me d� uma olhada.</p><p>� Mais?</p><p>� Por favor.</p><p>Grey d� aquele sorriso convencido, segura a garrafa de champanhe e para.</p><p>� Voc� comeu alguma coisa?</p><p>Ah, n�o... isso de novo, n�o.</p><p>� Sim. Comi tr�s pratos no almo�o com Ray. � Reviro os olhos para ele. O champanhe est� me deixando ousada.</p><p>Ele se inclina e pega meu queixo, olhando bem nos meus olhos.</p><p>� Da pr�xima vez que voc� revirar os olhos para mim, eu lhe darei umas palmadas.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ah � murmuro, e encontro seu olhar excitado.</p><p>� Ah � responde ele, imitando meu tom. � � assim que come�a, Anastasia.</p><p>Meu cora��o dispara, e aquele frio na barriga est� apertando minha garganta. <emphasis>Por que isso excita?</emphasis></p><p>Ele enche minha x�cara, e bebo quase tudo. Disciplinada, olho para ele.</p><p>� Agora eu tenho sua aten��o, n�o �?</p><p>Concordo com a cabe�a.</p><p>� Responda.</p><p>� Sim... voc� tem minha aten��o.</p><p>� �timo. � Ele d� um sorriso c�mplice. � Ent�o, atos sexuais. J� fizemos quase todos.</p><p>Chego mais para perto dele no sof� e olho a lista.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>AP�NDICE 3</strong></p><p>Limites brandos</p><p>A serem discutidos e acordados entre ambas as partes:</p><p>A Submissa concorda com:</p><empty-line/><p>� Masturba��o</p><p>� Sexo vaginal</p><empty-line/><p>� Cunil�ngua</p><p>� Introdu��o de m�o na vagina</p><empty-line/><p>� Fela��o</p><p>� Sexo anal</p><empty-line/><p>� Degluti��o de s�men</p><p>� Introdu��o de m�o no �nus</p><empty-line/><empty-line/><p>� Nada de introduzir m�o, voc� disse. Mais alguma obje��o? � pergunta ele com a voz macia.</p><p>Engulo em seco.</p><p>� Rela��o anal n�o � exatamente uma coisa que eu curta.</p><p>� Vou concordar no caso da m�o, mas eu realmente gostaria de comer seu cu, Anastasia. Mas vamos esperar. Al�m do mais, isso n�o � algo em que a gente possa entrar de cara. � Ele d� um sorriso for�ado. � Seu cu vai precisar de treino.</p><p>� Treino? � murmuro.</p><p>� Ah, sim. Vai precisar ser cuidadosamente preparado. A rela��o anal pode ser muito prazerosa, pode confiar em mim. Mas se tentarmos e voc� n�o gostar, n�o precisamos fazer de novo.</p><p>Ele ri para mim.</p><p>Pisco para ele. Ele acha que vou gostar? Como sabe que � prazeroso?</p><p>� Voc� j� fez isso? � sussurro.</p><p>� J�.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Engasgo.</p><p>� Com um homem?</p><p>� N�o. Eu nunca fiz sexo com homens. N�o � a minha.</p><p>� Mrs. Robinson?</p><p>� Sim.</p><p><emphasis>Puta que pariu... como?</emphasis></p><p>Franzo a testa. Ele passa ao item seguinte da lista.</p><p>� E... degluti��o de s�men. Bom, nisso voc� tira nota m�xima.</p><p>Enrubes�o, e minha deusa interior estala a l�ngua, toda orgulhosa.</p><p>� Ent�o. � Ele me olha, sorrindo. � Tudo bem com engolir s�men?</p><p>Fa�o que sim, sem conseguir olh�-lo nos olhos, e torno a esvaziar a x�cara.</p><p>� Mais? � pergunta ele.</p><p>� Mais.</p><p>E me lembro da conversa que tivemos mais cedo enquanto ele enche minha x�cara. Ser� que ele est� se referindo �quilo ou s� ao champanhe? Ser� que essa coisa toda de champanhe � demais?</p><p>� Brinquedos sexuais? � pergunta ele.</p><p>Dou de ombros, olhando a lista.</p><empty-line/><p>A Submissa aceita o uso de:</p><empty-line/><p>� Vibradores</p><p>� Consolos</p><empty-line/><p>� Plugues anais</p><p>� Outros brinquedos vaginais</p><empty-line/><empty-line/><p>� Plugues anais? Isso faz o que est� escrito na embalagem? � Franzo o nariz com nojo.</p><p>� Sim � ele sorri. � E estou me referindo � rela��o anal da qual falei anteriormente. Treino.</p><p>� Ah... o que mais?</p><p>� Contas, ovos... esse tipo de coisa.</p><p>� Ovos? � Estou alarmada.</p><p>� N�o ovos de verdade. � Ele d� uma gargalhada, sacudindo a cabe�a.</p><p>Contraio os l�bios para ele.</p><p>� Ainda bem que voc� acha gra�a em mim. � Minha voz n�o consegue disfar�ar quanto me sinto ofendida.</p><p>Ele para de rir.</p><p>� Pe�o desculpas. Srta. Steele, me perdoe � diz ele, tentando fazer uma express�o compungida, mas seu olhar continua brincalh�o. � Algum problema com brinquedos?</p><p>� N�o � digo secamente.</p><p>� Anastasia � ele tenta me agradar � sinto muito. Pode acreditar. Eu n�o tinha inten��o de rir. Nunca tive essa conversa t�o detalhadamente. Voc� simplesmente � muito inexperiente, s� isso.</p><p>Seu olhar � sincero.</p><p>Amole�o um pouco e bebo outro gole de champanhe.</p><p>� Certo... bondage � diz ele, voltando � lista.</p><p>Examino a lista, e minha deusa interior fica pulando como uma crian�a esperando o sorvete.</p><empty-line/><p>A Submissa aceita:</p><empty-line/><p>� Bondage com corda</p><p>� Bondage com fita adesiva</p><empty-line/><p>� Bondage com braceletes de couro</p><p>� Bondage com outros materiais</p><empty-line/><p>� Bondage com algemas e grilh�es</p><empty-line/><empty-line/><p>Christian ergue a sobrancelha.</p><p>� E a�?</p><p>� Tudo bem � murmuro e rapidamente olho a lista de novo.</p><empty-line/><p>A Submissa aceita ser contida:</p><empty-line/><p>� Com as m�os amarradas � frente</p><p>� Com os pulsos amarrados aos tornozelos</p><empty-line/><p>� Com os tornozelos amarrados</p><p>� Atada a pe�as fixas, mob�lia etc.</p><empty-line/><p>� Com os cotovelos amarrados</p><p>� Atada a uma barra espa�adora</p><empty-line/><p>� Com as m�os atr�s das costas</p><p>� Por suspens�o</p><empty-line/><p>� Com os joelhos amarrados</p><empty-line/><empty-line/><p>A Submissa aceita ser vendada?</p><p>A Submissa aceita ser amorda�ada?</p><p>� J� falamos de suspens�o. E tudo bem se voc� quiser estabelecer que isso seja um limite r�gido. Toma muito tempo, e s� terei voc� por curtos per�odos, afinal. Mais alguma coisa?</p><p>� N�o v� rir de mim, mas o que � uma barra espa�adora?</p><p>� Prometo n�o rir. J� pedi desculpas duas vezes. � Ele me olha furioso. � N�o me fa�a fazer isso de novo � avisa. E acho que me encolho visivelmente... ah, ele � muito autorit�rio. � Uma barra espa�adora � uma barra com algemas para os tornozelos ou pulsos. � divertido.</p><p>� Tudo bem... Mas amorda�ar-me. Eu ficaria preocupada achando que n�o conseguiria respirar.</p><p>� <emphasis>Eu</emphasis> ficaria preocupado se voc� n�o conseguisse respirar. N�o pretendo sufocar voc�.</p><p>� E como vou usar os c�digos estando amorda�ada?</p><p>Ele para.</p><p>� Em primeiro lugar, espero que voc� nunca precise us�-los. Mas se estiver amorda�ada, usamos gestos � diz ele simplesmente.</p><p>Pisco para ele. Mas se eu estiver amarrada, como isso vai funcionar? Meu c�rebro come�a a ficar enevoado... <emphasis>humm, o �lcool</emphasis>.</p><p>� Estou aflita com a morda�a.</p><p>� Tudo bem. Vou anotar.</p><p>Olho para ele, come�ando a me dar conta.</p><p>� Voc� gosta de amarrar suas submissas para elas n�o poderem tocar em voc�?</p><p>Ele arregala os olhos para mim.</p><p>� Esse � um dos motivos � responde tranquilamente.</p><p>� Foi por isso que amarrou minhas m�os?</p><p>� Foi.</p><p>� Voc� n�o gosta de falar disso � murmuro.</p><p>� N�o, n�o gosto. Quer mais um pouco de champanhe? A bebida est� deixando voc� corajosa, e preciso saber como se sente em rela��o � dor.</p><p>Droga... essa � a parte dif�cil. Ele torna a encher minha x�cara, e dou um gole.</p><p>� Ent�o, como voc� se comporta normalmente quando sente dor? � Christian me olha na expectativa. � Voc� est� mordendo o l�bio � fala num tom sinistro.</p><p>Paro imediatamente, mas n�o sei o que dizer. Fico vermelha e baixo os olhos.</p><p>� Voc� recebia castigos f�sicos quando crian�a?</p><p>� N�o.</p><p>� Ent�o n�o tem nenhum par�metro de refer�ncia?</p><p>� N�o.</p><p>� Isso n�o � t�o ruim quanto voc� pensa. Sua imagina��o � sua pior inimiga nesse caso � sussurra ele.</p><p>� Voc� tem que fazer isso?</p><p>� Tenho.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Faz parte, Anastasia. � o que eu fa�o. Posso ver que voc� est� nervosa. Vamos analisar os m�todos.</p><p>Ele me mostra a lista. Meu inconsciente sai correndo aos gritos e se esconde atr�s do sof�.</p><empty-line/><p>� Surras</p><p>� Palmadas</p><empty-line/><p>� Chicotadas</p><p>� Surras de vara</p><empty-line/><p>� Mordidas</p><p>� Grampos de mamilos</p><empty-line/><p>� Grampos genitais</p><p>� Gelo</p><empty-line/><p>� Cera quente</p><p>� Outros tipos/m�todos de dor</p><empty-line/><empty-line/><p>� Bem, voc� recusou os grampos genitais. Tudo bem. O que machuca mais � a surra de vara.</p><p>Fico l�vida.</p><p>� Podemos nos preparar para isso.</p><p>� Ou n�o fazer � sussurro.</p><p>� Isso faz parte do acordo, baby, mas podemos nos preparar para tudo isso. Anastasia, n�o vou for��-la.</p><p>� Esse neg�cio de castigo � o que mais me preocupa. � Minha voz est� por um fio.</p><p>� Bom, ainda bem que voc� me disse. Vamos deixar a surra de vara fora da lista por ora. E conforme voc� for ficando mais � vontade, aumentamos a intensidade. Vamos devagar.</p><p>Engulo em seco, e ele me d� um beijo nos l�bios.</p><p>� Pronto, n�o foi muito ruim, foi?</p><p>Dou de ombros, de novo com o cora��o na boca.</p><p>� Olha, quero falar sobre mais uma coisa, depois vou lev�-la para a cama.</p><p>� Cama?</p><p>Pestanejo depressa, e o sangue lateja em minhas veias, aquecendo lugares cuja exist�ncia eu desconhecia at� muito pouco tempo.</p><p>� Vamos l�, Anastasia, depois dessa conversa toda, quero foder voc� at� a semana que vem. Isso deve ter algum efeito em voc�, tamb�m.</p><p>Fico me retorcendo. Minha deusa interior est� arfando.</p><p>� Viu? Al�m do mais, tem algo que quero experimentar.</p><p>� Algo doloroso?</p><p>� N�o. Pare de ver dor em tudo. � principalmente prazer. Eu j� machuquei voc�?</p><p>Enrubes�o.</p><p>� N�o.</p><p>� Pois ent�o. Olha, h� pouco voc� estava falando sobre querer mais � ele para de repente.</p><p><emphasis>Puxa vida... o que ele est� dizendo?</emphasis></p><p>Ele segura minha m�o.</p><p>� Fora do per�odo em que voc� for minha submissa, quem sabe a gente pode experimentar. N�o sei se vai dar certo. N�o sei se consigo separar as coisas. Talvez n�o funcione. Mas estou disposto a tentar. Quem sabe uma noite por semana. N�o sei.</p><p>Caramba... fico boquiaberta, meu inconsciente est� em estado de choque. <emphasis>Christian Grey est� querendo mais!</emphasis> Est� disposto a tentar! Meu inconsciente espia de tr�s do sof�, ainda demonstrando espanto.</p><p>� Tenho uma condi��o.</p><p>Ele olha com cautela para minha express�o estarrecida.</p><p>� Qual? � sussurro.</p><p>Qualquer coisa. Dou qualquer coisa.</p><p>� Que voc� aceite meu presente de formatura.</p><p>� Ah.</p><p>E, no fundo, eu sei o que �. Fico apavorada.</p><p>Ele est� me olhando, avaliando minha rea��o.</p><p>� Vamos � murmura, e se levanta, me arrastando.</p><p>Tira o casaco, pendura-o no ombro e se dirige � porta.</p><p>Estacionado na rua, h� um Audi Hatch vermelho de duas portas, compacto.</p><p>� � para voc�. Parab�ns � diz ele, me puxando para seus bra�os e beijando meu cabelo.</p><p>Ele comprou para mim o raio de um carro zero. Putz... J� tive problema suficiente com os livros. Olho para o carro ali parado, tentando desesperadamente determinar como eu me sinto em rela��o a isso. Por um lado estou apavorada, por outro, agradecida, estarrecida com o fato de ele ter feito isso, mas a emo��o predominante � a raiva. Sim, estou irritada, especialmente depois de tudo o que eu lhe disse sobre os livros... mas o carro j� est� comprado. Ele me d� a m�o e me conduz at� a nova aquisi��o.</p><p>� Anastasia, aquele seu fusca � velho e, francamente, perigoso. Eu nunca me perdoaria se acontecesse alguma coisa com voc� quando � muito f�cil fazer o que � certo...</p><p>Ele est� me olhando mas, no momento, n�o consigo olhar para ele. Fico calada ali em p�, contemplando aquela incr�vel novidade vermelha e brilhante.</p><p>� Mencionei o presente para seu padrasto. Ele deu todo o apoio � murmura.</p><p>Olho-o indignada, boquiaberta.</p><p>� Voc� mencionou isso para o Ray? Como p�de?</p><p>Mal consigo proferir as palavras. <emphasis>Como ele se atreve.</emphasis> Pobre Ray. Sinto-me mal, estou mortificada pelo meu pai.</p><p>� � um presente, Anastasia. Voc� n�o pode simplesmente agradecer?</p><p>� Mas voc� sabe que � demais.</p><p>� N�o, para mim, n�o �, n�o para minha paz de esp�rito.</p><p>Franzo o cenho para ele, sem saber o que dizer. Ele simplesmente n�o entende! Teve dinheiro a vida toda. Tudo bem, n�o a vida toda, n�o quando crian�a. E minha vis�o de mundo muda. A ideia me faz pensar, e amole�o em rela��o ao carro, sentindo-me culpada pelo chilique. Suas inten��es s�o boas. Equivocadas, mas n�o de m�-f�.</p><p>� Fico feliz em aceitar este empr�stimo, como o do laptop.</p><p>Ele suspira profundamente.</p><p>� Tudo bem. Um empr�stimo. Por tempo indeterminado � diz, olhando-me com cautela.</p><p>� N�o, n�o por tempo indeterminado, mas por enquanto. Obrigada.</p><p>Christian franze a testa. Estico-me e dou-lhe um beijo no rosto.</p><p>� Obrigada pelo carro, senhor � digo com toda a do�ura que consigo.</p><p>Ele me agarra de repente e me puxa com for�a contra si, uma das m�os nas minhas costas, a outra me puxando pelo cabelo.</p><p>� Voc� � uma mulher desafiadora, Ana Steele.</p><p>Ele me beija com paix�o, pressionando meus l�bios com a l�ngua para abri-los, agressivamente.</p><p>Meu sangue esquenta na mesma hora, e retribuo seu beijo com paix�o. Eu o quero loucamente � apesar do carro, dos livros, dos limites brandos... da surra de vara... eu o quero.</p><p>� Estou usando todo meu autocontrole para n�o trepar com voc� no cap� desse carro agora, s� para voc� saber que � minha, e que, se eu quiser comprar a porra de um carro para voc�, eu compro � diz entre dentes. � Agora vamos l� para dentro, quero deix�-la nua.</p><p>Ele me beija bruscamente.</p><p>Caramba, ele est� zangado. Agarra minha m�o e me leva direto para o quarto... sem me dar chance de dizer n�o. Meu inconsciente est� atr�s do sof� de novo, tapando o rosto com as m�os. Christian para na entrada e se vira, me olhando.</p><p>� Por favor, n�o fique zangado comigo � sussurro.</p><p>Seu olhar � impass�vel, gelado e penetrante.</p><p>� Pe�o desculpas pelo carro e pelos livros � falo sem completar a frase.</p><p>Ele permanece calado, de cara fechada.</p><p>� Voc� me assusta quando est� irritado � digo, olhando para ele.</p><p>Ele fecha os olhos e balan�a a cabe�a. Ao abri-los, tem a express�o mais calma. Respira fundo e engole em seco.</p><p>� Vire de costas � sussurra. � Quero tirar esse vestido.</p><p>Mais uma mudan�a de �nimo repentina. Isso � muito dif�cil de acompanhar. Obediente, dou meia-volta, e meu cora��o est� aos saltos, o desejo substituindo de imediato o constrangimento, correndo nas minhas veias e se instalando sinistro e persistente bem l� embaixo, no meu ventre. Ele afasta meu cabelo das costas, que cai para o lado direito, enroscando-se em meu seio. Encosta o indicador na minha nuca e, com uma lentid�o de doer, vai deslizando at� embaixo pela coluna, ro�ando minha pele com a unha.</p><p>� Gosto desse vestido � murmura. � Gosto de ver sua pele imaculada.</p><p>Seu dedo alcan�a o fecho do vestido e me puxa mais para perto, e ent�o chego para tr�s, colando nele. Ele se abaixa e cheira meu cabelo.</p><p>� Voc� tem um cheiro muito bom, Anastasia. Muito doce.</p><p>Christian ro�a o nariz na minha orelha e vem descendo pelo pesco�o, deixando uma trilha de beijos muito delicados no meu ombro.</p><p>Minha respira��o muda, fica curta, r�pida, cheia de expectativa. Ele est� com os dedos no meu z�per. De novo com uma lentid�o dolorosa, ele o desce, enquanto vai passeando com os l�bios at� meu outro ombro, lambendo, beijando e chupando. � irresistivelmente bom nisso. Meu corpo ressoa, e come�o a me contorcer languidamente ao seu toque.</p><p>� Voc�. Vai. Ter. Que. Aprender. A. Ficar. Parada � sussurra, beijando-me a nuca entre cada palavra.</p><p>Ele puxa o fecho da frente �nica, e o vestido cai formando um c�rculo a meus p�s.</p><p>� Sem suti�, Srta. Steele. Gosto disso.</p><p>Ele envolve meus seios nas m�os, e meus mamilos se contraem a seu toque.</p><p>� Levante os bra�os e ponha-os em volta da minha cabe�a � ordena ele, a boca colada em meu pesco�o.</p><p>Obede�o imediatamente, e meus seios se empinam ao serem pressionados pelas m�os dele, meus mamilos se intumescendo. Passo os dedos por seu cabelo, e dou um pux�o muito de leve naquelas mechas sedosas e sensuais. Inclino a cabe�a para lhe facilitar o acesso ao meu pesco�o.</p><p>� Hum... � murmura ele naquele espa�o atr�s da minha orelha ao come�ar a esticar meus mamilos com seus dedos compridos, imitando minhas m�os em seu cabelo.</p><p>Dou gemidos � medida que a sensa��o torna-se aguda e clara no meio das minhas pernas.</p><p>� Fa�o voc� gozar assim? � sussurra ele.</p><p>Arqueio as costas para for�ar os seios naquelas m�os habilidosas.</p><p>� Voc� gosta disso, n�o �, Srta. Steele?</p><p>� Humm...</p><p>� Diga.</p><p>Ele continua aquela tortura lenta e sensual, puxando com delicadeza.</p><p>� Sim.</p><p>� Sim o qu�?</p><p>� Sim... senhor.</p><p>� Muito bem.</p><p>Ele me belisca com for�a e meu corpo se contorce convulsivamente contra o dele.</p><p>Arquejo ao sentir aquele prazer e dor profundos. Eu o sinto colado em mim. Dou um gemido e agarro o cabelo dele, puxando com mais for�a.</p><p>� Acho que voc� ainda n�o est� pronta para gozar � sussurra ele, imobilizando minhas m�os. Ele d� uma mordida leve no l�bulo da minha orelha e puxa. � Al�m do mais, voc� me desagradou.</p><p><emphasis>Ah... n�o, o que isso significa?</emphasis> Meu c�rebro registra atrav�s da n�voa de desejo imperioso, enquanto gemo.</p><p>� Talvez eu n�o permita que voc� goze.</p><p>Ele volta a aten��o de seus dedos para meus mamilos, puxando, torcendo, amassando. Esfrego-me nele... movimentando-me de um lado para o outro.</p><p>Sinto seu sorriso no meu pesco�o e suas m�os descem para meus quadris. Ele engancha os dedos na parte de tr�s da minha calcinha, rasga o tecido com os polegares e a joga na minha frente para eu ver... <emphasis>puta merda.</emphasis> Suas m�os descem para meu sexo, e, por tr�s, ele enfia o dedo lentamente.</p><p>� Ah, sim. Minha doce menina est� pronta � sussurra ao me virar de frente para ele. Sua respira��o se acelerou. Ele enfia o dedo na boca. � Voc� � gostosa, Srta. Steele. � Suspira.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> O dedo dele est� com um gosto salgado... de mim.</p><p>� Tire minha roupa � ordena ele tranquilamente, me encarando de cima a baixo, o olhar encoberto.</p><p>S� estou de sapatos � bem, o salto-agulha de Kate. Sou pega de surpresa. Nunca despi um homem.</p><p>� Voc� consegue fazer isso. � Ele tenta me convencer.</p><p>Pestanejo rapidamente. Por onde come�ar? Pego a camisa dele, e ele agarra minhas m�os, sorrindo maliciosamente para mim.</p><p>� Ah, n�o. � Ele balan�a a cabe�a, rindo. � A camisa n�o. Talvez voc� tenha que tocar em mim para o que j� planejei.</p><p>Os olhos dele brilham de excita��o.</p><p><emphasis>Ah... isso � novidade... posso tocar nele vestido.</emphasis> Ele pega uma das minhas m�os e a coloca em sua ere��o.</p><p>� Este � o efeito que voc� causa em mim, Srta. Steele.</p><p>Arquejo e flexiono os dedos em volta da cintura dele, e ele sorri.</p><p>� Quero estar dentro de voc�. Tire minha cal�a. Voc� est� no comando.</p><p><emphasis>Puta merda... eu no comando.</emphasis> Meu queixo cai.</p><p>� O que voc� vai fazer comigo? � provoca ele.</p><p><emphasis>Ah, as possibilidades...</emphasis> ruge minha deusa interior, e, em fun��o de alguma frustra��o, necessidade e a pura coragem dos Steele, empurro-o na cama. Ele ri ao cair, e olho para ele, me sentindo vitoriosa. Minha deusa interior vai explodir. Arranco seus sapatos, depressa, desajeitadamente, e as meias. Ele est� me olhando, achando gra�a, os olhos brilhando de desejo. Est�... glorioso... e � <emphasis>meu.</emphasis> Subo na cama e monto nele para desabotoar sua cal�a, enfiando os dedos no c�s, sentindo os pelos no caminho da felicidade. Ele fecha os olhos e levanta os quadris.</p><p>� Voc� vai ter que aprender a ficar parado � repreendo, e puxo os pelos embaixo do c�s da cal�a.</p><p>Ele prende a respira��o, e ri para mim.</p><p>� Sim, Srta. Steele � murmura, os olhos ardentes. � No meu bolso, camisinha � sussurra.</p><p>Procuro devagar em seu bolso, observando seu rosto enquanto tateio. Sua boca est� aberta. Pego os dois inv�lucros de papel laminado que encontro e os coloco na cama ao lado de seus quadris. <emphasis>Dois</emphasis>! Meus dedos superansiosos desabotoam sua cal�a, titubeando um pouco. Estou muito excitada.</p><p>� T�o �vida, Srta. Steele � diz ele, a voz entremeada de humor.</p><p>Abaixo seu z�per, e agora estou diante do problema de lhe tirar a cal�a... <emphasis>hum</emphasis>. Eu a abaixo e puxo. Ela n�o sai do lugar. Franzo a testa. Como pode ser t�o dif�cil?</p><p>� N�o consigo ficar parado se voc� morder esse l�bio � avisa ele, depois levanta a p�lvis da cama para eu poder abaixar sua cal�a e a cueca ao mesmo tempo, ai... soltando-o. Ele chuta as roupas para o ch�o.</p><p>Minha nossa, ele � todinho meu para brincar, e de repente � Natal.</p><p>� Agora, o que vai fazer? � sussurra ele, sem mais um pingo de humor. Estico o bra�o e toco nele, observando sua express�o enquanto isso. Ele respira fundo, formando um O com os l�bios. Sua pele � muito macia e aveludada... e dura... hum, que combina��o deliciosa. Inclino-me para a frente, o cabelo me envolvendo, e ele est� na minha boca. Chupo, com for�a. Ele fecha os olhos, mexendo os quadris embaixo de mim.</p><p>� Nossa, Ana, calma � geme ele.</p><p>Sinto-me muito poderosa. � uma sensa��o muito excitante, provoc�-lo e test�-lo com a boca e a l�ngua. Ele se enrijece embaixo de mim, � medida que subo e des�o com a boca em volta dele, metendo-o at� o fundo da garganta, apertando os l�bios... para cima e para baixo.</p><p>� Para, Ana, para. N�o quero gozar.</p><p>Sento-me, piscando para ele, arfando como ele, mas confusa. <emphasis>Pensei que estivesse no comando.</emphasis> A cara da minha deusa interior � a de quem teve o sorvete roubado.</p><p>� Sua inoc�ncia e seu entusiasmo s�o irresist�veis � arqueja. � Voc� por cima... � isso que a gente precisa fazer.</p><p><emphasis>Ah.</emphasis></p><p>� P�e isso aqui.</p><p>Ele me d� um inv�lucro de papel laminado.</p><p><emphasis>Puta merda. Como?</emphasis> Abro o inv�lucro, e sinto o toque pegajoso do preservativo de borracha.</p><p>� Segure a ponta e depois desenrole. Voc� n�o quer deixar ar nenhum na ponta desse tro�o � diz ofegante.</p><p>E, bem lentamente, concentrando-me muito, obede�o.</p><p>� Nossa, voc� est� me matando, Anastasia � geme ele.</p><p>Admiro meu trabalho e ele. � realmente um belo esp�cime de homem. Olhar para ele � muito, muito, excitante.</p><p>� Agora. Quero ser enterrado em voc� � murmura ele.</p><p>Fico olhando-o, intimidada, e ele se senta de repente, e ficamos nariz com nariz.</p><p>� Assim � sussurra, e pega nos meus quadris, me levantando, e, com a outra m�o, se posiciona embaixo de mim e, bem devagarinho, me coloca sobre ele.</p><p>Gemo � medida que ele vai me abrindo, me preenchendo. Estou boquiaberta, surpresa com aquela sensa��o doce, sublime e torturante da penetra��o. <emphasis>Ah... por favor.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Est� certo, baby, me sinta inteiro � rosna ele, e fecha os olhos brevemente.</p><p>E est� dentro de mim, inteiro, e me segura sem deixar que eu me mexa, por segundos... minutos... n�o tenho ideia, me fitando intensamente nos olhos.</p><p>� Assim, vai fundo � murmura.</p><p>Flexiona e gira os quadris num movimento s�, e eu gemo... puxa vida � a sensa��o se irradia por toda a minha barriga... para todo canto. <emphasis>Porra!</emphasis></p><p>� De novo � sussurro.</p><p>Ele d� um sorriso pregui�oso e faz o que eu pe�o.</p><p>Gemendo, empino a cabe�a com o cabelo caindo nas costas, e ele, muito lentamente, se deixa afundar na cama.</p><p>� Mexa, Anastasia, mexa o quanto quiser. Segure minhas m�os � diz ele, a voz rouca e grave e muito sensual.</p><p>Agarro as m�os dele, me aferrando a elas com todas as for�as. Suavemente, fico me remexendo com ele dentro de mim. Seus olhos ardem naquela expectativa selvagem. Sua respira��o est� entrecortada, como a minha, e ele levanta a p�lvis quando eu abaixo, me impelindo para cima de novo. Pegamos o ritmo... para cima e para baixo, para cima e para baixo... sem parar de mexer... e � muito... gostoso. Entre um arquejo e outro, sinto-me totalmente preenchida... com aquela sensa��o intensa pulsando pelo meu corpo inteiro aumentando, observo-o, olhos nos olhos... e vejo assombro neles, assombro diante de mim.</p><p>Eu o estou fodendo. Estou no comando. Ele � meu, e eu sou dele. A ideia me leva, com toda a for�a, ao limite, e chego ao orgasmo... gritando coisas incoerentes. Ele agarra meus quadris, fecha os olhos, inclina a cabe�a para tr�s, cerra os dentes e goza em sil�ncio. Desabo em cima dele, entorpecida, entre a realidade e a fantasia, num lugar onde n�o h� limites r�gidos nem brandos.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DEZESSEIS</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Aos poucos o mundo exterior invade meus sentidos e, minha nossa, que invas�o. Estou flutuando, pernas e bra�os moles e l�nguidos, absolutamente esgotada. Estou deitada por cima dele, a cabe�a em seu peito, e ele tem um cheiro divino: um aroma de roupa de cama rec�m-lavada misturado com sabonete caro: o melhor e mais sedutor perfume do planeta... Christian. N�o quero me mexer, quero respirar esse elixir para sempre. Esfrego o nariz nele, desejando n�o ter a barreira da sua camisa. E, � medida que o restante do meu corpo vai voltando � raz�o, ponho a m�o em seu peito. � a primeira vez que o toco ali. � firme... forte. Ele automaticamente agarra minha m�o, mas suaviza o golpe puxando-a at� os l�bios e beijando meus dedos com do�ura. Vira-se, e fica me olhando.</p><p>� N�o � murmura, e me d� um leve beijo.</p><p>� Por que voc� n�o gosta de ser tocado? � sussurro, olhando para seus meigos olhos cinzentos.</p><p>� Porque sou cinquenta vezes fodido, de cinquenta maneiras, cinquenta tons diferentes, Anastasia.</p><p>Ah... essa honestidade me desarma completamente. Pisco para ele.</p><p>� Tive um come�o de vida muito duro. N�o quero sobrecarregar voc� com os detalhes. S� n�o fa�a.</p><p>Ele esfrega o nariz no meu, sai de dentro de mim e se senta.</p><p>� Acho que j� percorremos todos os pontos b�sicos. Que tal?</p><p>Christian parece totalmente satisfeito e, ao mesmo tempo, fala num tom impass�vel, como se tivesse acabado de riscar mais um item de uma lista. Continuo tonta com o coment�rio sobre o seu �come�o de vida muito duro�. � muito frustrante � estou louca para saber mais. Mas ele n�o vai me contar. Inclino a cabe�a de lado, imitando o jeito dele, e fa�o um esfor�o enorme para esbo�ar um sorriso.</p><p>� Se voc� acha que acreditei que voc� me cedeu o controle, bem, ent�o voc� n�o levou em conta minhas boas notas. � Sorrio timidamente para ele. � Mas obrigada pela ilus�o.</p><p>� Srta. Steele, voc� n�o � s� um rosto bonito. Voc� j� teve seis orgasmos e todos eles pertencem a mim � gaba-se, de novo, com um gracejo.</p><p>Enrubes�o e pisco ao mesmo tempo, enquanto ele me olha. <emphasis>Ele est� contando!</emphasis> Ele franze as sobrancelhas.</p><p>� Voc� tem alguma coisa para me contar? � pergunta com a voz s�ria.</p><p>Franzo o cenho. <emphasis>Droga.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Eu tive um sonho hoje de manh�.</p><p>� �? � Ele me olha espantado.</p><p><emphasis>Puta merda. Ser� que arranjei problema?</emphasis></p><p>� Gozei dormindo.</p><p>Tapo os olhos com o bra�o. Ele n�o diz nada. Olho para ele por baixo do bra�o, e ele parece achar gra�a.</p><p>� Dormindo?</p><p>� Quando gozei, acordei.</p><p>� Tenho certeza que acordou. Estava sonhando com o qu�?</p><p><emphasis>Droga.</emphasis></p><p>� Com voc�.</p><p>� O que eu estava fazendo?</p><p>Torno a tapar os olhos com o bra�o. E, como uma criancinha, por um instante acho que, se n�o posso v�-lo, ele tamb�m n�o pode me ver.</p><p>� Anastasia, o que eu estava fazendo? N�o vou perguntar de novo.</p><p>� Voc� estava com um chicote de montaria.</p><p>Ele se remexe e isso balan�a meu bra�o.</p><p>� � mesmo?</p><p>� �.</p><p>Estou completamente vermelha.</p><p>� Ainda h� esperan�a para voc� � diz ele, baixinho. � Tenho v�rios chicotes de montaria.</p><p>� De couro marrom tran�ado?</p><p>Ele ri.</p><p>� N�o, mas garanto que poderia arranjar um.</p><p>Ele se inclina e me d� um beijo r�pido. Depois se levanta e pega a cueca. <emphasis>Ah, n�o... ele est� indo embora.</emphasis> Lan�o um olhar r�pido para o rel�gio: s�o s� nove e quarenta. Levanto-me depressa tamb�m, pego a cal�a de moletom e uma camiseta de alcinha, e a� torno a me sentar na cama, de pernas cruzadas, observando-o. N�o quero que ele v� embora. O que posso fazer?</p><p>� Quando voc� vai ficar menstruada? � Ele interrompe meus pensamentos.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Odeio usar essas coisas � resmunga ele. Mostra a camisinha, depois a joga no ch�o e veste as cal�as. � Quando? � provoca quando n�o respondo, me olhando como se estivesse aguardando minha opini�o sobre o tempo.</p><p>Puta merda... isso � assunto pessoal.</p><p>� Semana que vem.</p><p>Fico olhando para baixo.</p><p>� Voc� precisa arranjar um anticoncepcional.</p><p>Ele � muito autorit�rio. Fico olhando-o impass�vel. Ele se senta na cama de novo para cal�ar os sapatos e as meias.</p><p>� Voc� tem uma consulta m�dica marcada?</p><p>Balan�o a cabe�a, negando. Voltamos �s fus�es e aquisi��es � outra mudan�a de humor de cento e oitenta graus.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Posso marcar para voc� na sua casa. Domingo de manh�, antes de voc� ir me ver. Ou pode ser na minha. O que prefere?</p><p><emphasis>Nada de press�o, ent�o.</emphasis> Mais uma coisa que ele est� pagando... mas, na verdade, � para proveito dele.</p><p>� Na sua casa.</p><p>Isso significa que � garantido que eu saia com ele domingo.</p><p>� Tudo bem. Eu aviso o hor�rio.</p><p>� Voc� est� indo embora?</p><p><emphasis>N�o v�... fique comigo, por favor.</emphasis></p><p>� Estou.</p><p><emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>� Como voc� vai voltar? � sussurro.</p><p>� Taylor vem me pegar.</p><p>� Posso lev�-lo de carro. Tenho um carro lindo.</p><p>Ele me olha com uma express�o carinhosa.</p><p>� Est� melhorando. Mas acho que voc� bebeu demais.</p><p>� Voc� me deixou b�bada de prop�sito?</p><p>� Deixei.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Porque voc� pensa demais, e � reticente como seu padrasto. Com uma gota de vinho voc� j� desanda a falar, e preciso que se comunique honestamente comigo. Do contr�rio, voc� se fecha e n�o tenho ideia do que est� pensando. <emphasis>In vino veritas,</emphasis> Anastasia.</p><p>� E voc� acha que � sempre honesto comigo?</p><p>� Eu me esfor�o para ser. � Ele me olha com cautela. � Isso s� vai funcionar se formos honestos um com o outro.</p><p>� Eu gostaria que voc� ficasse e usasse isto.</p><p>Mostro a outra camisinha.</p><p>Ele sorri, os olhos brilhando cheios de humor.</p><p>� Anastasia, j� sa� vezes demais da linha aqui hoje. Tenho que ir. Vejo voc� no domingo. Vou mandar preparar o contrato revisto, e a� a gente pode realmente come�ar a brincadeira.</p><p>� Brincadeira?</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Meu cora��o vem parar na boca.</p><p>� Eu gostaria de fazer uma cena com voc�. Mas n�o quero que seja antes de voc� assinar, e eu saber que est� preparada.</p><p>� Ah, ent�o posso prolongar isso se n�o assinar?</p><p>Ele olha para mim, me avaliando, e sorri.</p><p>� Bem, acho que sim, mas talvez eu n�o aguente a press�o e estoure.</p><p>� Estoure? Como?</p><p>Minha deusa interior acordou e est� alerta.</p><p>Ele balan�a a cabe�a devagar, depois sorri, provocando.</p><p>� A coisa pode ficar muito feia.</p><p>Seu sorriso � contagioso.</p><p>� Feia como?</p><p>� Ah, voc� sabe, explos�es, persegui��o de carro, sequestro, c�rcere privado.</p><p>� Voc� me sequestraria?</p><p>� Ah, sim.</p><p>Ele ri.</p><p>� E me prenderia contra minha vontade?</p><p><emphasis>Nossa, isso � sexy.</emphasis></p><p>� Ah, sim. � Ele balan�a a cabe�a. � E estamos falando de TTP 24/7.</p><p>� N�o estou entendendo � sussurro, o cora��o aos pulos...</p><p><emphasis>Ele est� falando s�rio?</emphasis></p><p>� Total Troca de Poder, dia e noite.</p><p>Os olhos dele brilham, e sua excita��o � palp�vel mesmo de onde estou.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Portanto, voc� n�o tem escolha � diz ele com sarcasmo.</p><p>� � claro. � N�o consigo disfar�ar o tom de ironia ao olhar para cima.</p><p>� Ah, Anastasia Steele, ser� que voc� acabou de revirar os olhos para mim?</p><p><emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� N�o � guincho.</p><p>� Acho que revirou. O que eu disse que faria com voc� se tornasse a revirar os olhos para mim?</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> Ele se senta na beira da cama.</p><p>� Vem c� � diz com a voz macia.</p><p>Fico l�vida. Putz... ele fala s�rio. Sento-me olhando para ele, totalmente im�vel.</p><p>� Ainda n�o assinei � sussurro.</p><p>� Eu disse o que faria. Sou um homem de palavra. Vou lhe dar uma surra, e ent�o vou foder voc� bem depressa e com bastante for�a. Parece que vamos precisar daquela camisinha, afinal.</p><p>A voz dele � muito macia, amea�adora, e isso � <emphasis>excitante para cacete.</emphasis> Minhas entranhas praticamente se contorcem com um desejo forte, irreprim�vel, l�quido. Ele me olha, aguardando, olhos inflamados. Timidamente, estico as pernas. <emphasis>Ser� que eu devia fugir?</emphasis> � isso a�. Nosso relacionamento est� em suspenso, aqui, agora. Ser� que o deixo fazer isso ou digo n�o e acabou a hist�ria? Porque sei que tudo estar� terminado se eu disser n�o. <emphasis>Fa�a isso!,</emphasis> minha deusa interior me implora. Meu inconsciente est� t�o paralisado quanto eu.</p><p>� Estou esperando � diz ele. � N�o sou um homem paciente.</p><p><emphasis>Ah, por tudo o que � mais sagrado.</emphasis> Estou ofegando, apavorada, excitada. Meu corpo todo lateja e estou com as pernas bambas. Lentamente, vou me arrastando at� ficar ao lado dele.</p><p>� Muito bem � murmura ele. � Agora, levante-se.</p><p>Ah, merda... ser� que ele n�o pode acabar logo com isso? N�o sei se aguento. Timidamente, fico em p�. Ele estende a m�o, e coloco a camisinha em sua palma. De repente, ele me agarra, me fazendo cair por cima dele. Com um �nico movimento suave, posiciona-se de tal maneira que fico com o torso deitado na cama a seu lado. Ele joga a perna direita por cima das minhas e me prende com o bra�o, imobilizando-me. <emphasis>Ai, porra.</emphasis></p><p>� Coloque as m�os na cabe�a � ordena.</p><p>Obede�o na mesma hora.</p><p>� Por que estou fazendo isso, Anastasia? � pergunta.</p><p>� Porque revirei os olhos para voc�. � Mal consigo falar.</p><p>� Acha que essa � uma atitude educada?</p><p>� N�o.</p><p>� Vai fazer de novo?</p><p>� N�o.</p><p>� Vou lhe dar uma surra toda vez que fizer isso, entendeu?</p><p>Muito lentamente, ele abaixa minhas cal�as. Ai, como isso � degradante! Degradante, assustador e excitante. Ele est� fazendo disso um bicho de sete cabe�as. Estou com o cora��o na boca. Mal consigo respirar. <emphasis>Merda, ser� que vai doer?</emphasis></p><p>Ele p�e a m�o na minha bunda nua, acariciando-me delicadamente, fazendo movimentos circulares com a palma da m�o. De repente, retira a m�o... e me bate � com for�a. <emphasis>Ai!</emphasis> Arregalo os olhos reagindo � dor, e tento me levantar, mas ele p�e a m�o entre as minhas esc�pulas, for�ando-me para baixo. Torna a acariciar o local onde me bateu, e sua respira��o muda � est� mais ruidosa, mais forte. Ele me bate de novo e de novo, depressa e sem interrup��o. <emphasis>Puta merda, isso d�i.</emphasis> N�o emito um som, o rosto contra�do para aguentar a dor. Tento me contorcer para me esquivar das palmadas � estimulada pela descarga de adrenalina que me percorre o corpo.</p><p>� Fique quieta � grunhe ele �, sen�o n�o vou parar de bater.</p><p>Ele agora est� me esfregando, e a palmada vem logo em seguida. Surge um padr�o r�tmico: carinho, afago, palmada. Tenho que me concentrar para enfrentar essa dor. Minha cabe�a se esvazia enquanto me esfor�o para absorver aquela agonia. Ele n�o me bate duas vezes no mesmo lugar sucessivamente � est� espalhando a dor.</p><p>� Aaai! � grito na d�cima palmada, e percebo que andei contando mentalmente os golpes.</p><p>� S� estou me aquecendo.</p><p>Ele me bate de novo, depois me afaga. A combina��o da dor da palmada forte com o carinho � muito cansativa. Ele me bate de novo... isso est� ficando mais dif�cil de aguentar. Meu rosto d�i de tanta tens�o. Ele me afaga com delicadeza e depois volta a bater. Grito de novo.</p><p>� Ningu�m vai ouvir voc�, baby, s� eu.</p><p>E me bate de novo e de novo. Do fundo da minha alma, quero implorar para que ele pare. Mas n�o fa�o isso. N�o quero lhe dar esse prazer. Ele continua naquele ritmo sem tr�gua. Grito mais seis vezes. Dezoito tapas ao todo. Meu corpo est� urrando, urrando por causa desse ataque impiedoso.</p><p>� Chega � sussurra ele asperamente. � Muito bem, Anastasia. Agora vou foder voc�.</p><p>Ele afaga com delicadeza minha bunda, que arde ao ser acariciada em movimentos circulares e descendentes. De repente, ele enfia dois dedos dentro de mim, pegando-me completamente desprevenida. Arquejo, este novo ataque quebrando o torpor que envolvia meu c�rebro.</p><p>� Est� sentindo? Est� vendo quanto seu corpo gosta disso, Anastasia? Voc� est� toda molhada s� para mim.</p><p>H� um tom de assombro em sua voz. Ele mexe os dedos rapidamente num movimento de vaiv�m.</p><p>Gemo. <emphasis>N�o, claro que n�o.</emphasis> E a� os dedos saem... e fico querendo que voltem.</p><p>� Da pr�xima vez farei voc� contar. Onde est� aquela camisinha?</p><p>Ele pega a camisinha e me levanta delicadamente, colocando-me de bru�os na cama. Escuto o z�per dele e o inv�lucro sendo aberto. Ele tira minha cal�a completamente e me p�e ajoelhada, acariciando de leve minha bunda, agora muito dolorida.</p><p>� Vou comer voc� agora. Pode gozar � murmura ele.</p><p><emphasis>O qu�? Como se eu tivesse escolha.</emphasis></p><p>E ele est� dentro de mim, rapidamente me preenchendo. Solto um gemido forte. Ele mexe, me penetrando com for�a, um ritmo r�pido e ardente na minha bunda dolorida. A sensa��o � bastante intensa, dura, degradante e alucinante. Meus sentidos est�o devastados, desligados, concentrados apenas no que ele est� fazendo comigo. Agora ele me faz sentir aquela tens�o familiar apertando l� dentro, cada vez mais r�pido. N�O... e meu corpo trai�oeiro explode num orgasmo intenso e violento.</p><p>� Ah, Ana! � grita ele ao gozar, segurando-me ali ao se derramar em mim. Ele desaba, arfando ruidosamente ao meu lado, e me puxa para cima dele, enterrando o rosto nos meus cabelos, o corpo colado ao meu.</p><p>� Ah, baby � sussurra. � Bem-vinda ao meu mundo.</p><p>Ficamos ali deitados, os dois ofegantes, querendo que nossa respira��o se estabilize. Ele afaga meu cabelo. Estou de novo em cima de seu peito. Mas dessa vez, n�o tenho for�as para levantar a m�o e tocar nele. <emphasis>Nossa... sobrevivi.</emphasis> N�o foi t�o ruim assim. Sou mais forte do que pensava. Minha deusa interior est� prostrada... bem, pelo menos est� calada. Christian torna a esfregar o nariz no meu cabelo, inspirando profundamente.</p><p>� Muito bem, baby � diz, num tom exultante.</p><p>Suas palavras me aconchegam como uma toalha macia e felpuda do Hotel Heathman, e estou muito feliz por ele estar satisfeito.</p><p>Ele puxa a al�a da minha camiseta.</p><p>� � com isso que voc� dorme? � pergunta com delicadeza.</p><p>� � � sussurro sonolenta.</p><p>� Voc� devia estar vestida de seda e cetim, menina linda. Vou lev�-la para fazer compras.</p><p>� Gosto do meu moletom � murmuro, tentando em v�o soar irritada.</p><p>Ele me d� outro beijo na cabe�a.</p><p>� Vamos ver � diz.</p><p>Ficamos ali deitados mais uns minutos, umas horas, quem sabe, e acho que cochilo.</p><p>� Tenho que ir � diz ele, e me d� um beijo na testa. � Voc� est� bem?</p><p>Seu tom � meigo.</p><p>Penso na pergunta dele. Minha bunda est� doendo. Bem, agora est� ardendo, e, por incr�vel que pare�a, apesar de exausta, estou radiante. A consci�ncia disso � humilhante, inesperada. N�o entendo.</p><p>� Estou bem � digo, baixinho. N�o quero dizer mais que isso.</p><p>Ele se levanta.</p><p>� Onde � o banheiro?</p><p>� No fim do corredor � esquerda.</p><p>Ele pega a outra camisinha e sai do quarto. Levanto-me toda dura e visto a cal�a. Ela machuca um pouco minha bunda ainda ardida. Estou muito confusa com minha rea��o. Lembro que ele disse, n�o me lembro de quando � que eu iria me sentir muito melhor depois de uma boa surra. <emphasis>Como pode?</emphasis> Eu realmente n�o entendo. Mas, por estranho que pare�a, � como eu me sinto. N�o posso dizer que tenha gostado da experi�ncia. Na verdade, eu ainda faria tudo para evit�-la, mas agora... tenho essa sensa��o estranha de seguran�a e saciedade que ficou do prazer. Ponho as m�os na cabe�a. Simplesmente n�o entendo.</p><p>Christian volta para o quarto. N�o consigo fit�-lo nos olhos. Olho para minhas m�os.</p><p>� Encontrei um �leo de beb�. Deixe eu passar um pouco em voc�.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>� N�o. Vou ficar bem.</p><p>� Anastasia � avisa ele, e quero revirar os olhos, mas logo me detenho.</p><p>Fico em p� de frente para a cama. Ele senta ao meu lado e, com delicadeza, torna a abaixar minha cal�a. <emphasis>Arriando e levantando feito roupa de puta,</emphasis> comenta meu inconsciente com amargura. Mentalmente eu o mando para aquele lugar. Christian p�e �leo na m�o e me massageia de maneira terna e cuidadosa � de removedor de maquiagem a b�lsamo calmante para uma bunda espancada, quem diria que aquele l�quido era t�o vers�til.</p><p>� Gosto das minhas m�os em voc� � murmura ele, e tenho que concordar: eu tamb�m.</p><p>� Pronto � diz quando termina, e levanta minha cal�a de novo.</p><p>Olho o rel�gio. S�o dez e meia.</p><p>� J� vou indo.</p><p>� Acompanho voc� at� a porta.</p><p>Ainda n�o consigo olhar para ele.</p><p>Ele pega minha m�o e me conduz at� a porta. Felizmente, Kate n�o est� em casa. Ela deve estar jantando com os pais e Ethan. Ainda bem que n�o estava por perto para ouvir minha puni��o.</p><p>� N�o tem que ligar para o Taylor? � pergunto, evitando contato visual.</p><p>� Taylor est� aqui desde as nove. Olhe para mim � pede.</p><p>Esfor�o-me para fit�-lo nos olhos, mas, quando fa�o isso, ele est� me olhando espantado.</p><p>� Voc� n�o chorou � murmura, e de repente me agarra e me beija apaixonadamente. � Domingo � diz, a boca colada na minha, e isso � uma promessa e uma amea�a.</p><p>Fico olhando-o descer os degraus e embarcar naquele Audi preto enorme. N�o olha para tr�s. Fecho a porta e paro na sala de um apartamento onde s� passarei mais duas noites, impotente. Uma casa onde vivi feliz por quase quatro anos... mas hoje, pela primeira vez na vida, me sinto s� e desconfort�vel aqui, infeliz comigo mesma. Ser� que me afastei tanto assim de quem eu sou? Sei que ali � espreita, n�o muito longe do meu exterior bastante entorpecido, h� um po�o de l�grimas. O que estou fazendo? A ironia � que nem posso me sentar para chorar � vontade. Tenho que ficar em p�. Sei que � tarde, mas resolvo ligar para minha m�e.</p><p>� Querida, como voc� est�? Como foi a formatura? � pergunta ela com entusiasmo do outro lado da linha.</p><p>Sua voz � um b�lsamo calmante.</p><p>� Desculpe a hora � sussurro.</p><p>Ela faz uma pausa.</p><p>� Ana, o que houve? � Est� toda s�ria agora.</p><p>� Nada, m�e, eu s� queria ouvir sua voz.</p><p>Ela fica um instante calada.</p><p>� Ana, o que houve? Fale comigo, por favor.</p><p>Sua voz � meiga e reconfortante, e sei que ela est� interessada. Espontaneamente, minhas l�grimas come�am a escorrer. J� chorei muito nesses �ltimos dias.</p><p>� Por favor, Ana � diz ela, e sua ang�stia espelha a minha.</p><p>� Ah, m�e, � um homem.</p><p>� O que ele fez com voc�?</p><p>A preocupa��o dela � palp�vel.</p><p>� N�o � isso.</p><p><emphasis>Embora seja...</emphasis> Ah, merda. N�o quero preocup�-la. S� quero que outra pessoa seja forte por mim agora.</p><p>� Ana, por favor, voc� est� me preocupando.</p><p>Respiro fundo.</p><p>� Eu meio que me apaixonei por esse cara, e ele � muito diferente de mim, e n�o sei se devemos ficar juntos.</p><p>� Ah, querida, eu queria poder estar com voc�. Estou morrendo de pena de ter perdido sua formatura. Voc� se apaixonou por algu�m, finalmente. Ah, querida, homens s�o muito dif�ceis. Pertencem a uma esp�cie diferente. H� quanto tempo voc� o conhece?</p><p>Christian definitivamente pertence a uma esp�cie diferente... um <emphasis>planeta diferente.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ah, h� umas tr�s semanas mais ou menos.</p><p>� Ana, querida, isso � praticamente nada. Como voc� pode conhecer algu�m em t�o pouco tempo? Pegue leve com ele e mantenha certa dist�ncia at� decidir se ele � digno de voc�.</p><p>Nossa... me enerva quando minha m�e enxerga tanto as coisas, mas ela est� muito atrasada nisso. Ser� que ele � <emphasis>digno</emphasis> de mim? Esse � um conceito interessante. Eu sempre me perguntei se eu era digna dele.</p><p>� Querida, sua voz est� muito triste. Venha para casa visitar a gente. Sinto sua falta. Bob tamb�m ia adorar v�-la. Voc� pode se distanciar um pouco e talvez enxergar as coisas melhor. Voc� precisa de um tempo. Anda trabalhando muito.</p><p>Puxa vida, isso � tentador. Fugir para a Ge�rgia, pegar sol, tomar uns drinques. Aproveitar o bom humor da minha m�e... seus bra�os amorosos.</p><p>� Tenho duas entrevistas de est�gio em Seattle na segunda-feira.</p><p>� Ah, que not�cia boa!</p><p>A porta se abre, e Kate aparece, sorrindo para mim. Sua express�o muda quando v� que andei chorando.</p><p>� M�e, tenho que desligar. Vou pensar em dar um pulo a�. Obrigada.</p><p>� Querida, por favor, n�o deixe um homem virar uma obsess�o para voc�. Voc� � muito jovem. Aproveite a vida.</p><p>� Sim, m�e, te amo.</p><p>� Ah, Ana, eu tamb�m amo muito voc�. N�o se arrisque, querida.</p><p>Desligo e encaro Kate, que me olha furiosa.</p><p>� Aquele fodedor podre de rico tornou a perturbar voc�?</p><p>� N�o... mais ou menos... h�... sim.</p><p>� Manda ele ir passear, Ana. Voc� anda muito inst�vel desde que o conheceu. Nunca vi voc� assim.</p><p>O mundo de Katherine Kavanagh � muito claro, todo preto e branco. Sem os vagos, intang�veis e misteriosos tons de cinza que colorem meu mundo. <emphasis>Bem-vinda ao meu mundo.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Sente-se, vamos conversar. Vamos tomar um vinho. Ah, voc� bebeu champanhe. � Ela olha a garrafa. � E do bom.</p><p>Meu sorriso n�o convence, e olho com apreens�o para o sof�. Aproximo-me dele com cautela. <emphasis>Hum... sentar.</emphasis></p><p>� Voc� est� bem?</p><p>� Eu ca� sentada no ch�o.</p><p>Ela n�o pensa em questionar minha explica��o, porque sou uma das pessoas mais desastradas do estado de Washington. Nunca pensei que iria enxergar isso como uma b�n��o. Sento cheia de dedos, e tenho a surpresa agrad�vel de ver que estou bem. Volto a aten��o para Kate, mas meus pensamentos retrocedem at� o Heathman � <emphasis>Bem, se fosse minha, voc� ia passar uma semana sem conseguir se sentar depois do que aprontou ontem.</emphasis> Ele disse isso e, na hora, eu n�o conseguia me concentrar em mais nada sen�o em ser dele. Todos os sinais de alerta estavam ali, eu s� fui muito burra e estava muito apaixonada para n�o ver.</p><p>Kate volta para a sala com uma garrafa de vinho tinto e x�caras lavadas.</p><p>� Pronto.</p><p>Ela me d� uma x�cara de vinho. N�o vai ser t�o gostoso quanto aquele champanhe.</p><p>� Ana, se ele � um babaca e tem medo de compromisso, largue ele. Embora eu realmente n�o entenda esse problema de compromisso. Ele n�o conseguia tirar os olhos de voc� na tenda, ficava vigiando feito um falc�o. Eu diria que est� perdidamente apaixonado, mas talvez ele tenha um jeito diferente de demonstrar isso.</p><p><emphasis>Perdidamente apaixonado? Christian? Jeito diferente de demonstrar?</emphasis> Eu que o diga.</p><p>� Kate, � complicado. Como foi sua noite? � pergunto.</p><p>N�o posso discutir isso com Kate sem revelar demais, mas pergunto sobre o dia dela, e ela embarca. � tranquilizador ficar sentada ouvindo uma conversa normal. A grande novidade � que Ethan pode vir morar com a gente depois das f�rias deles. Vai ser divertido. Ethan � engra�ad�ssimo. Franzo a testa. Acho que Christian n�o vai aprovar. <emphasis>Bem... azar o dele.</emphasis> Vai ter que engolir. Bebo umas x�caras de vinho e decido encerrar o expediente. Foi um dia muito longo. Kate me d� um abra�o, e pega o telefone para ligar para Elliot.</p><p>Olho a m�quina do mal depois de escovar os dentes. Tem um e-mail de Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De:</strong> Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Voc�</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:14</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><empty-line/><p>Voc� � simplesmente perfeita. A mulher mais linda, inteligente, espirituosa e corajosa que j� conheci. Tome um Advil � isso n�o � uma exig�ncia. E n�o dirija mais seu fusca. Eu ficarei sabendo.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ah, n�o dirigir mais meu carro! Digito uma resposta.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Lisonjas</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:20</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Caro Sr. Grey,</p><p>Lisonjas n�o v�o lev�-lo a lugar algum, mas j� que o senhor est� <emphasis>em toda parte,</emphasis> n�o adianta discutir.</p><empty-line/><p>Precisarei levar meu fusca a uma oficina para vend�-lo � portanto n�o aceitarei seus disparates sobre esse assunto.</p><empty-line/><p>Vinho tinto � sempre prefer�vel a Advil.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>P.S.: Surra de vara � um limite r�gido para mim.</p><empty-line/><p>Teclo em �enviar�.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Mulheres frustrantes que n�o conseguem aceitar elogios</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:26</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>N�o a estou lisonjeando. Voc� devia ir se deitar.</p><empty-line/><p>Aceito seu acr�scimo aos limites r�gidos.</p><empty-line/><p>N�o beba demais.</p><empty-line/><p>Taylor vender� seu carro e conseguir� um bom pre�o por ele, tamb�m.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Taylor � Ele � o homem certo para a fun��o?</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:40</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Senhor,</p><p>Estou intrigada com o fato de que esteja disposto a correr o risco de deixar seu bra�o direito, mas n�o a mulher com quem voc� fode de vez em quando, dirigir meu carro. Como posso ter certeza de que Taylor � o homem que vai conseguir o melhor pre�o pelo referido carro? No passado, provavelmente antes de conhec�-lo, eu era famosa por conseguir me dar bem nos neg�cios.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado!</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:44</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Estou presumindo que esta conversa seja efeito do vinho tinto, e que tenha tido um dia muito longo.</p><empty-line/><p>Mas estou tentado a voltar a� para garantir que passe a semana sem conseguir se sentar.</p><empty-line/><p>Taylor � ex-militar e sabe dirigir qualquer ve�culo, desde uma motocicleta at� um tanque Sherman. Seu carro n�o oferece risco para ele.</p><empty-line/><p>Agora, por favor, n�o se refira � sua pessoa como �uma mulher com quem eu fodo de vez em quando�, porque, com muita franqueza, isso me deixa louco, e voc� realmente n�o iria gostar de mim quando estou zangado.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado voc�</p><p><strong>Data</strong>: 26 de maio de 2011 23:57</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><p>N�o sei ao certo se gosto do senhor, sobretudo no presente momento.</p><empty-line/><p>Srta. Steele</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado voc�</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 00:03</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Por que n�o gosta de mim?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado voc�</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 00:09</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Porque o senhor nunca fica comigo.</p><empty-line/><p>Pronto, isso lhe d� algo em que pensar. Desligo a m�quina com um floreio que realmente n�o combina e vou para a cama. Apago a luz e fico olhando para o teto. Foi um dia longo, uma emo��o atr�s da outra. Foi gostoso passar umas horas com Ray. Ele estava com boa apar�ncia, e, por incr�vel que pare�a, aprovou Christian. Putz, Kate e aquela sua l�ngua de trapo. Ouvir Christian mencionar que passou fome. Que diabo � isso? Nossa, e o carro. Nem contei a Kate sobre o carro. O que Christian estava pensando?</p><p>E depois, hoje � noite, ele me bateu mesmo. Nunca ningu�m me bateu na vida. Onde � que fui me meter? Muito devagarinho, as l�grimas interrompidas pela chegada de Kate come�am a escorrer pelo meu rosto e a entrar pelos ouvidos. Apaixonei-me por algu�m t�o fechado emocionalmente que s� vou me machucar � no fundo, eu sei disso �, algu�m que se confessa completamente fodido. <emphasis>Por que</emphasis> ele � t�o fodido? Deve ser horr�vel ser t�o marcado como ele �, e a ideia de que tenha sofrido alguma crueldade insuport�vel na primeira inf�ncia me faz chorar mais. <emphasis>Quem sabe, se ele fosse mais normal, ele n�o quisesse voc�,</emphasis> meu inconsciente contribui maliciosamente para minhas elucubra��es... e, no fundo, sei que isso � verdade. Ponho o rosto no travesseiro, e a comporta se abre... e, pela primeira vez em muitos anos, estou solu�ando incontrolavelmente.</p><p>Sou momentaneamente distra�da do meu sofrimento pelos gritos de Kate.</p><p><emphasis>� O que voc� acha que est� fazendo aqui, porra?</emphasis></p><p><emphasis>� Bem, voc� n�o pode!</emphasis></p><p><emphasis>� O que voc� fez com ela agora, porra?</emphasis></p><p><emphasis>� Desde que conheceu voc�, ela vive chorando.</emphasis></p><p><emphasis>� Voc� n�o pode entrar aqui!</emphasis></p><p>Christian invade meu quarto e, sem cerim�nia, acende a luz, me fazendo apertar os olhos.</p><p>� Nossa, Ana � murmura.</p><p>Torna a apagar a luz, e logo est� a meu lado.</p><p>� O que voc� est� fazendo aqui? � digo entre solu�os.</p><p>Merda. N�o consigo parar de chorar.</p><p>Ele acende a luz da cabeceira, me fazendo apertar os olhos de novo. Kate chega e fica parada � porta.</p><p>� Quer que eu ponha esse babaca para fora? � pergunta ela, irradiando uma hostilidade termonuclear.</p><p>Christian ergue as sobrancelhas para ela, sem d�vida surpreso com aquele ep�teto lisonjeiro e aquele antagonismo feroz. Fa�o que n�o com a cabe�a, e ela revira os olhos para mim. <emphasis>Ah... eu n�o faria isso perto do Sr. G.</emphasis></p><p>� Se precisar de mim, � s� gritar � diz ela com mais delicadeza. � Grey, voc� est� na minha lista negra e estou de olho em voc� � sibila ela.</p><p>Ele pisca para ela, que d� meia-volta e deixa a porta encostada. Christian me olha com uma express�o s�ria, o rosto p�lido. Est� com aquele blazer de risca de giz, de cujo bolso interno saca um len�o para me dar. Acho que ainda tenho aquele seu outro blazer em algum canto.</p><p>� O que est� acontecendo? � pergunta ele baixinho.</p><p>� Por que voc� est� aqui? � pergunto, sem responder-lhe.</p><p>Parei de chorar como que por milagre, mas ainda sou sacudida por solu�os.</p><p>� Parte do meu papel � cuidar das suas necessidades. Voc� disse que queria que eu ficasse, portanto, estou aqui. E, no entanto, encontro voc� neste estado. � Ele pisca para mim, realmente perplexo. � Tenho certeza de que sou respons�vel por isso, mas n�o fa�o ideia do motivo. Foi por que bati em voc�?</p><p>Levanto-me da cama, contraindo o rosto por causa da dor. Sento-me e o encaro.</p><p>� Voc� tomou o Advil?</p><p>Balan�o a cabe�a. Ele aperta os olhos, se levanta e sai do quarto. Ou�o-o falando com Kate, mas n�o d� para escutar a conversa. Volta pouco depois com uns comprimidos e uma x�cara de �gua.</p><p>� Tome esses comprimidos � ordena com delicadeza ao sentar-se na cama ao meu lado.</p><p>Obede�o.</p><p>� Fale comigo � murmura. � Voc� me disse que estava bem. Eu nunca teria ido embora se achasse que voc� estivesse desse jeito.</p><p>Fico olhando para baixo. O que posso dizer que ainda n�o tenha dito? Quero mais. Quero que ele fique porque <emphasis>ele</emphasis> quer ficar comigo, n�o porque eu esteja aos prantos, e n�o quero que ele bata em mim, ser� que isso � muito absurdo?</p><p>� Suponho que, quando disse que estava bem, voc� n�o estava.</p><p>Enrubes�o.</p><p>� Achei que estivesse.</p><p>� Anastasia, voc� n�o pode me dizer o que acha que eu quero ouvir. Isso n�o � muito honesto � censura. � Como posso acreditar em qualquer coisa que voc� j� me disse?</p><p>Olho para ele, e Christian est� franzindo as sobrancelhas, com uma express�o triste. Passa as m�os no cabelo.</p><p>� Como voc� se sentiu enquanto eu batia em voc� e depois de eu ter batido?</p><p>� N�o gostei. Eu preferiria que voc� n�o fizesse isso de novo.</p><p>� Voc� n�o deveria gostar.</p><p>� Por que voc� gosta disso?</p><p>Olho para ele. Minha pergunta o surpreende.</p><p>� Quer mesmo saber?</p><p>� Ah, pode acreditar, estou muito interessada.</p><p>E n�o consigo disfar�ar o tom sarc�stico.</p><p>Ele aperta os olhos de novo.</p><p>� Cuidado � avisa.</p><p>Fico l�vida.</p><p>� Vai me bater de novo?</p><p>� N�o, hoje n�o.</p><p>Ufa... meu inconsciente e eu damos um suspiro de al�vio.</p><p>� Ent�o? � provoco.</p><p>� Gosto do controle que isso me d�, Anastasia. Quero que voc� se comporte de um determinado jeito, e se voc� n�o se comportar, punirei voc�, e ent�o aprender� a se comportar do jeito que eu quero. Gosto de castigar. Quis dar uma surra em voc� desde que me perguntou se eu era gay.</p><p>Coro ao me lembrar disso. <emphasis>Putz, eu queria me espancar depois de ter feito essa pergunta.</emphasis> Ent�o Katherine Kavanagh � a respons�vel por tudo isso, e se tivesse ido naquela entrevista e perguntado se ele era gay, ela estaria sentada aqui com a bunda doendo. N�o gosto desse pensamento. Como tudo isso � confuso!</p><p>� Ent�o voc� n�o gosta do jeito como eu sou.</p><p>Ele me olha, de novo perplexo.</p><p>� Acho voc� encantadora do jeito que �.</p><p>� Ent�o por que est� tentando me mudar?</p><p>� N�o quero mudar voc�. Eu gostaria que voc� fosse gentil e seguisse as regras que lhe dei e n�o me desafiasse. Simples assim � diz ele.</p><p>� Mas voc� quer me castigar?</p><p>� Quero.</p><p>� � isso que eu n�o entendo.</p><p>Ele suspira e torna a passar a m�o no cabelo.</p><p>� Eu sou assim, Anastasia. Preciso estar no controle. Preciso que voc� se comporte de determinada maneira, e, se voc� n�o fizer isso, adoro ver sua linda pele de alabastro ficar cor-de-rosa debaixo das minhas m�os. Isso me excita.</p><p>Puta que pariu. Agora sim estamos chegando em algum lugar.</p><p>� Ent�o n�o � a dor que voc� me faz passar?</p><p>Ele engole em seco.</p><p>� Um pouco, para ver o que voc� aguenta, mas n�o � s� isso. � tamb�m pelo fato de voc� ser minha para eu fazer o que achar conveniente. Controle m�ximo sobre outra pessoa. E isso me excita. Muito, Anastasia. Olha, n�o estou me explicando muito bem... Nunca tive que me explicar antes. Ainda n�o pensei nisso muito a fundo. Sempre estive com pessoas com a mesma mentalidade. � Ele encolhe os ombros, se desculpando. � E voc� ainda n�o respondeu � minha pergunta: como se sentiu depois?</p><p>� Confusa.</p><p>� Voc� ficou sexualmente muito excitada com isso, Anastasia.</p><p>Ele fecha os olhos rapidamente, e, ao tornar a abri-los e olhar para mim, eles est�o em chamas.</p><p>Sua express�o afeta aquela parte obscura de mim, escondida nas minhas entranhas � minha libido, despertada e domada por ele mas, mesmo agora, insaci�vel.</p><p>� N�o me olhe assim � murmura ele.</p><p>Franzo a testa. <emphasis>Putz, o que eu fiz agora?</emphasis></p><p>� N�o tenho camisinha, Anastasia, e voc� est� transtornada. Ao contr�rio do que sua amiga pensa, n�o sou um monstro. Ent�o, voc� ficou confusa?</p><p>Contor�o-me sob aquele seu olhar intenso.</p><p>� Voc� n�o tem problema em ser sincera comigo por escrito. Seus e-mails sempre me dizem exatamente como se sente. Por que n�o pode fazer isso quando conversamos pessoalmente? Ser� que eu a intimido tanto assim?</p><p>Puxo um ponto imagin�rio da colcha azul e creme da minha m�e.</p><p>� Voc� me engana, Christian. Me perturba completamente. Sinto-me como �caro se aproximando muito do sol � sussurro.</p><p>Ele arqueja.</p><p>� Bem, acho que � o contr�rio � murmura.</p><p>� O qu�?</p><p>� Ah, Anastasia, voc� me enfeiti�ou. N�o � �bvio?</p><p>N�o, n�o para mim. <emphasis>Enfeiti�ou...</emphasis> minha deusa interior est� olhando boquiaberta. Nem ela acredita nisso.</p><p>� Voc� ainda n�o respondeu � minha pergunta. Me escreva um e-mail, por favor. Mas, no momento, eu realmente gostaria de dormir. Posso ficar aqui?</p><p>� Quer ficar?</p><p>N�o consigo disfar�ar o tom esperan�oso da minha voz.</p><p>� Voc� me quis aqui.</p><p>� Voc� n�o respondeu � minha pergunta.</p><p>� Vou escrever um e-mail � retruca ele com petul�ncia.</p><p>Ele se levanta, tira o BlackBerry, as chaves, a carteira e o dinheiro dos bolsos da cal�a. Puta merda, o homem carrega uma bagulhada danada nos bolsos. Ele tira tamb�m o rel�gio, os sapatos, as meias e a cal�a, e pendura o blazer na minha cadeira. Vai para o outro lado da cama e se deita.</p><p>� Deite-se � ordena.</p><p>Deslizo lentamente para debaixo das cobertas, contraindo o rosto, olhando para ele. Minha nossa... ele ficou. Acho que estou entorpecida com o choque euf�rico. Ele se apoia no cotovelo, e olha para mim.</p><p>� Se vai chorar, chore na minha frente. Preciso saber.</p><p>� Quer que eu chore?</p><p>� N�o especialmente. S� quero saber como voc� se sente. N�o a quero escorregando por entre meus dedos. Apague a luz. J� � tarde, e n�s dois temos que trabalhar amanh�.</p><p><emphasis>Est� aqui... e continua autorit�rio,</emphasis> mas n�o posso me queixar. Ele est� na minha cama. N�o entendo bem por que... talvez eu deva chorar com mais frequ�ncia na frente dele. Apago a luz da cabeceira.</p><p>� Deite-se de lado, de costas para mim � murmura ele no escuro.</p><p>Reviro os olhos sabendo perfeitamente que ele n�o pode me ver, mas obede�o. Sem jeito, ele se aproxima, passa o bra�o em volta de mim e me puxa para junto de si.</p><p>� Durma, baby � ordena, e sinto seu nariz nos meus cabelos enquanto ele inspira profundamente.</p><p>Puta merda. Christian Grey est� dormindo comigo e, aninhada em seus bra�os, caio num sono tranquilo.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DEZESSETE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>A chama da vela � muito quente. Bruxuleia e dan�a na brisa abafada, uma brisa que n�o traz al�vio ao calor. Delicadas asas transparentes se agitam por todos os lados no escuro, pulverizando o c�rculo de luz com uma poeira de escamas. Tento resistir, mas sou arrastada. � uma luz muito forte, e estou voando muito perto do Sol, ofuscada pela claridade, fritando e derretendo com o calor, cansada de tanto me esfor�ar para permanecer no ar. Estou com muito calor. O calor... � sufocante, opressor, e me acorda.</p><p>Abro os olhos, e estou soterrada por Christian Grey. Ele est� todo enrolado em mim. Dorme profundamente com a cabe�a no meu peito, o bra�o por cima do meu corpo, segurando-me junto a ele, uma das pernas enganchada nas minhas. Est� me sufocando com o calor do seu corpo, e � pesado. Custo um pouco a compreender que ele ainda est� na minha cama, com o sono profundo, e l� fora o dia j� raiou � � de manh�. Ele passou a noite inteira comigo.</p><p>Estou com o bra�o direito esticado, sem d�vida � procura de um pouco de ar fresco, e, ao processar o fato de ele continuar ali comigo, me ocorre a ideia de que posso tocar nele. Ele dorme. Timidamente, levanto a m�o e passo os dedos em suas costas. Do fundo de sua garganta, sai um leve grunhido aflito, e ele se mexe. Esfrega o nariz no meu peito, inspirando fundo ao acordar. Olhos cinzentos e sonolentos encontram os meus por baixo daquela sua cabeleira desgrenhada.</p><p>� Bom dia � resmunga, e franze os olhos. � Nossa, voc� me atrai mesmo quando estou dormindo.</p><p>Com movimentos lentos, ele se desenrosca de mim enquanto se orienta. Percebo sua ere��o encostada em minha coxa. Ele v� meu olhar de espanto, e d� um sorriso sensual.</p><p>� Humm... isso seria bom, mas acho que dev�amos esperar at� domingo.</p><p>Ele se inclina e esfrega o nariz na minha orelha.</p><p>Enrubes�o, o calor dele j� est� me deixando toda vermelha.</p><p>� Voc� est� muito quente � murmuro.</p><p>� Voc� tamb�m n�o est� nada mal � sussurra ele, se encostando em mim sugestivamente.</p><p>Enrubes�o mais ainda. <emphasis>N�o foi isso que eu quis dizer.</emphasis> Ele se apoia no cotovelo e me olha, achando gra�a. Ent�o se abaixa e, para minha surpresa, toca meus l�bios com um delicado beijo.</p><p>� Dormiu bem? � pergunta.</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a, olhando para ele, e me dou conta de que dormi muito bem, a n�o ser talvez na �ltima meia hora, quando fiquei com muito calor.</p><p>� Eu tamb�m. � Ele franze a testa. � Sim, muito bem. � Ergue as sobrancelhas, espantado. � Que horas s�o?</p><p>Olho o rel�gio.</p><p>� S�o sete e meia.</p><p>� Sete e meia... merda.</p><p>Ele pula da cama e veste a cal�a.</p><p>� minha vez de achar gra�a ao me sentar na cama. Christian Grey est� atrasado e nervoso. Trata-se de algo in�dito para mim. Depois de um tempo, me dou conta de que minha bunda j� n�o d�i.</p><p>� Voc� � uma p�ssima influ�ncia para mim. Tenho uma reuni�o. Preciso ir embora. Tenho que estar em Portland �s oito. Est� rindo de mim?</p><p>� Estou.</p><p>Ele ri.</p><p>� Estou atrasado, e nunca me atraso. Mais uma primeira vez, Srta. Steele.</p><p>Ele veste o blazer, depois se abaixa e segura minha cabe�a com as m�os.</p><p>� Domingo � diz, e a palavra vem carregada de promessas subentendidas. Sinto um espasmo em todo o corpo numa expectativa deliciosa. A sensa��o � intensa.</p><p>Que inferno, se minha mente pudesse se limitar a acompanhar o ritmo do meu corpo...</p><p>Ele se inclina e me beija rapidamente. Pega suas coisas na mesa de cabeceira, e os sapatos, que n�o cal�a.</p><p>� Taylor vir� resolver o caso do seu fusca. Eu estava falando s�rio. N�o saia nele. Vejo voc� no domingo. Aviso o hor�rio por e-mail.</p><p>E, como um p� de vento, ele se foi.</p><p>Christian Grey passou a noite comigo, e me sinto descansada. E n�o rolou sexo, s� aconchego. Ele me disse que nunca dormiu com ningu�m � mas j� dormiu tr�s vezes comigo. Sorrio e levanto da cama devagar. Estou mais otimista que ontem. Vou para a cozinha, precisando de uma x�cara de ch�.</p><p>Depois do desjejum, tomo uma ducha e me visto depressa para meu �ltimo dia na Clayton�s. � o fim de uma era � adeus ao casal Clayton, � WSU, a Vancouver, ao meu apartamento, meu fusca. Olho para a m�quina do mal � s�o s� 7h52. Tenho tempo.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Ataque e agress�o: As consequ�ncias</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:05</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Caro Sr. Grey,</p><p>O senhor quis saber por que fiquei t�o confusa depois que me � que eufemismo devemos usar? � espancou, puniu, bateu, atacou. Bem, durante todo o processo assustador, senti-me diminu�da, degradada e abusada. E, para minha afli��o, o senhor estava certo, fiquei excitada, e isso foi inesperado. Como bem sabe, tudo que se relaciona a sexo � novidade para mim � eu gostaria de ser mais experiente e, portanto, mais preparada. Fiquei chocada por ter ficado excitada.</p><empty-line/><p>O que realmente me preocupou foi como me senti depois. E isso � mais dif�cil de expressar. Fiquei satisfeita por t�-lo deixado feliz, e aliviada pelo fato de n�o ter sido t�o doloroso quanto achei que seria. E, depois, deitada em seus bra�os, senti-me saciada. Mas fico muito incomodada, culpada at�, por me sentir assim. Isso n�o combina comigo, e, portanto, estou confusa. Isso responde � sua pergunta?</p><empty-line/><p>Espero que o mundo das Fus�es e Aquisi��es esteja mais estimulante que nunca... e que n�o tenha chegado muito atrasado.</p><empty-line/><p>Obrigada por ter ficado comigo.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Liberte seu esp�rito</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:24</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Descri��o interessante no assunto do e-mail... ainda que exagerada, Srta. Steele.</p><empty-line/><p>Respondendo �s suas quest�es:</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Continuarei com as surras � essa � a palavra.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Ent�o, sentiu-se diminu�da, degradada, abusada e atacada � isso � muito Tess Durbeyfield de sua parte. Creio que foi voc� que optou pela degrada��o, se bem me lembro. Voc� se sente realmente assim ou acha que deveria se sentir? Duas coisas muito diferentes. Se <emphasis>�</emphasis> assim que se sente, acha que poderia se limitar a tentar aproveitar esses sentimentos, enfrent�-los, por mim? � o que uma submissa faria.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Estou agradecido pela sua inexperi�ncia. Dou valor a ela, e ainda estou come�ando a entender o que significa. Simplificando... significa que voc� � minha em todos os aspectos.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Sim, voc� ficou excitada, o que, por sua vez, foi muito excitante, n�o h� nada de errado com isso.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Feliz est� longe de come�ar a dar a ideia de como eu me senti. �xtase arrebatador chega perto.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Uma surra de castigo d�i mais do que uma surra sensual � portanto, n�o vai ser muito mais forte que isso, a menos, claro, que voc� cometa uma transgress�o importante, e, nesse caso, usarei algum implemento para puni-la. Minha m�o ficou muito dolorida. Mas gosto disso.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>Eu tamb�m me senti saciado � mais do que voc� jamais poderia imaginar.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>N�o gaste sua energia com culpa, remorso etc. Somos maiores de idade e o que fazemos entre quatro paredes fica entre n�s. Voc� precisa libertar seu esp�rito e ouvir seu corpo.</p><empty-line/><p>
    �</p><p>O mundo das F&amp;A n�o � nem de longe t�o estimulante quanto voc�, Srta. Steele.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Puta merda... <emphasis>minha em todos os aspectos.</emphasis> Respiro com dificuldade.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Maiores de idade!</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:26</p><p><strong>Para:</strong> Christian Grey</p><empty-line/><p>N�o est� em reuni�o?</p><p>Muito bem feito que tenha ficado com a m�o doendo.</p><empty-line/><p>E, se eu ouvisse meu corpo, agora eu estaria no Alasca.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>P.S.: Vou pensar em aproveitar esses sentimentos.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Voc� n�o chamou a pol�cia</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:35</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Estou numa reuni�o discutindo o mercado futuro, se est� mesmo interessada.</p><empty-line/><p>Para que fique registrado, voc� ficou ao meu lado sabendo o que eu ia fazer.</p><empty-line/><p>Em nenhum momento me pediu para parar � n�o usou nenhum dos c�digos.</p><empty-line/><p>Voc� � maior de idade � tem op��es.</p><empty-line/><p>Com muita franqueza, estou ansioso para ficar de novo com a m�o ardendo.</p><empty-line/><p>Voc� obviamente n�o est� ouvindo a parte certa do seu corpo.</p><empty-line/><p>O Alasca � muito frio, e n�o � lugar para fugir. Eu encontraria voc�.</p><empty-line/><p>Posso rastrear seu celular � lembra?</p><empty-line/><p>V� para o trabalho.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Fecho a cara para a tela. Ele tem raz�o, claro. A op��o � minha. Humm. Ser� que ele fala s�rio sobre ir atr�s de mim? Ser� que eu devia resolver fugir por uns tempos? Penso rapidamente no convite da minha m�e.</p><p>Teclo em �responder�.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Perseguidor</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:38</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>J� procurou terapia para sua propens�o a perseguir os outros?</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Perseguidor? Eu?</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:38</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Pago ao eminente Dr. Flynn uma pequena fortuna por minha propens�o a persegui��o e outras tend�ncias.</p><p>V� para o trabalho.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Charlat�es caros</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:40</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Permita-me humildemente sugerir que busque uma segunda opini�o. N�o sei ao certo se o Dr. Flynn � muito eficiente.</p><empty-line/><p>Srta. Steele</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Segundas opini�es</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:43</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>N�o que isso seja da sua conta, mas o Dr. Flynn � a segunda opini�o.</p><empty-line/><p>Voc� ter� que correr, no carro novo, arriscando-se desnecessariamente � acho que isso � contra as regras.</p><empty-line/><p>V� PARA O TRABALHO.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: MAI�SCULAS GRITANTES</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:47</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Na qualidade de objeto de suas tend�ncias perseguidoras, considero isso da minha conta, na verdade.</p><empty-line/><p>Ainda n�o assinei. Portanto, que se danem as regras! E s� entro �s 9h30.</p><empty-line/><p>Srta. Steele</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Lingu�stica descritiva</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:49</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>�Que se danem?� N�o � uma express�o muito educada.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Lingu�stica descritiva</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:52</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Para man�acos por controle e perseguidores, est� �timo.</p><p>E lingu�stica descritiva � um limite r�gido para mim.</p><empty-line/><p>Quer parar de me aborrecer agora?</p><empty-line/><p>Eu gostaria de ir para o trabalho no carro novo.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Mo�as dif�ceis mas divertidas</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 08:58</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Minha m�o est� come�ando a co�ar.</p><p>Dirija com cuidado, Srta. Steele.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>� uma alegria dirigir o Audi. Tem dire��o hidr�ulica. A dire��o do Wanda, o meu fusca, � um chumbo, portanto, meu exerc�cio di�rio, que era dirigi-lo, vai acabar. Ah, mas vou ter um personal trainer para enfrentar, de acordo com as regras de Christian. Franzo as sobrancelhas. Odeio fazer exerc�cio.</p><p>Enquanto estou dirigindo, tento analisar nossa troca de e-mails. Ele �s vezes � um filho da puta paternalista. E a�, penso em Grace e me sinto culpada. Mas, claro, ela n�o � a m�e biol�gica dele. <emphasis>Humm,</emphasis> h� toda uma hist�ria de dor de causa desconhecida. Bem, filho da puta paternalista ent�o funciona bem. Sim, sou maior de idade, obrigada por me lembrar disso, Christian Grey, e a op��o � minha. O problema � que s� quero o Christian, n�o toda a... bagagem... dele � e, no momento, a bagagem dele enche o compartimento de carga de um 747. Ser� que eu poderia simplesmente relaxar e aceitar isso? Como uma submissa? Eu disse que tentaria. Isso � uma tarefa que n�o tem mais tamanho.</p><p>Deixo o carro no estacionamento da Clayton�s. Ao entrar, mal posso acreditar que seja meu �ltimo dia. Felizmente, o movimento da loja � grande e o tempo passa depressa. Na hora do almo�o, o Sr. Clayton me chama ao estoque. Est� parado ao lado de um motoboy.</p><p>� Srta. Steele? � pergunta o motoboy.</p><p>Fa�o uma cara interrogativa para o Sr. Clayton, que d� de ombros, t�o intrigado quanto eu. Fico aflita. O que Christian mandou agora? Assino o recibo do pequeno embrulho e o abro imediatamente. � um BlackBerry. Fico mais aflita ainda. Ligo-o.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: BlackBerry EMPRESTADO</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 11:15</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Preciso ter a possibilidade de entrar em contato com voc� a qualquer hora, e, uma vez que esta � sua forma de comunica��o mais honesta, calculei que voc� precisava de um BlackBerry.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Consumismo levado � loucura</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 13:22</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Acho que precisa ligar j� para o Dr. Flynn.</p><p>Sua propens�o � persegui��o est� desenfreada.</p><empty-line/><p>Estou no trabalho. Escreverei quando chegar em casa.</p><empty-line/><p>Obrigada por mais um aparelho.</p><empty-line/><p>Eu n�o estava errada quando disse que voc� era o consumidor supremo.</p><empty-line/><p>Por que faz isso?</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Sagacidade de algu�m t�o jovem</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 13:24</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Bom argumento, como sempre, Srta. Steele.</p><p>O Dr. Flynn est� de f�rias.</p><empty-line/><p>E fa�o isso porque posso.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ponho aquele neg�cio no bolso de tr�s da cal�a, j� com �dio dele. Mandar e-mails para Christian vicia, mas preciso trabalhar. O telefone toca uma vez no meu traseiro... <emphasis>Que apropriado</emphasis>, penso com ironia, mas, usando toda minha for�a de vontade, ignoro esse pensamento.</p><p>�s quatro da tarde, o Sr. e a Sra. Clayton re�nem todos os outros funcion�rios da loja e, durante um discurso de arrepiar de t�o constrangedor, me presenteiam com um cheque de trezentos d�lares. Naquele momento, todos os acontecimentos das �ltimas tr�s semanas me v�m � cabe�a: as provas, a formatura, um bilion�rio intenso e fodido, a perda da virgindade, limites brandos e r�gidos, quartos de jogos sem mesas, viagens de helic�ptero e o fato de que vou me mudar amanh�. O incr�vel � que me controlo. Meu inconsciente est� assombrado. Dou um abra�o forte nos Clayton. Eles foram patr�es bondosos e generosos, e sentirei falta deles.</p><p>* * *</p><p>KATE EST� SAINDO do carro quando chego em casa.</p><p>� O que � isso? � pergunta em tom de acusa��o, apontando para o Audi. N�o resisto.</p><p>� � um carro � brinco. Ela aperta os olhos, e, por um instante, me pergunto se tamb�m vai me dar umas palmadas. � Meu presente de formatura.</p><p>Tento agir como se n�o fosse nada de mais. <emphasis>Sim, todo dia me d�o um carro caro.</emphasis> Ela fica boquiaberta.</p><p>� O filho da m�e � generoso e exagerado, n�o �?</p><p>Balan�o a cabe�a, concordando.</p><p>� Tentei n�o aceitar, mas francamente, n�o vale a briga.</p><p>Kate contrai os l�bios.</p><p>� N�o me admira que voc� esteja perturbada. Vi que ele ficou l� em casa.</p><p>� � � sorrio com nostalgia.</p><p>� Vamos terminar de embalar as coisas?</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a, e entro atr�s dela, lendo o e-mail de Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Domingo</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 13:30</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Vejo voc� �s 13h no domingo?</p><p>A consulta m�dica est� agendada para as 13h30 no Escala.</p><empty-line/><p>Estou indo agora para Seattle.</p><empty-line/><p>Espero que sua mudan�a corra bem, e estou ansioso para domingo chegar.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Nossa, ele poderia estar falando do tempo. Decido enviar-lhe um e-mail quando tivermos acabado de embalar tudo. Ele pode ser muito divertido numa hora e muito formal e metido a besta na outra. � dif�cil acompanhar. Honestamente, parece um e-mail para um empregado. Reviro os olhos para aquilo com uma express�o de desafio e me junto a Kate para organizar a mudan�a.</p><p>* * *</p><p>KATE E EU estamos na cozinha quando algu�m bate � porta. Taylor est� parado no p�rtico, impec�vel naquele terno dele. Vejo vest�gios de uma antiga carreira militar no cabelo cortado � m�quina, no f�sico enxuto e no olhar gelado.</p><p>� Srta. Steele � diz ele. � Vim buscar seu carro.</p><p>� Ah, sim, claro. Pode entrar, vou buscar as chaves.</p><p>Com certeza ele n�o foi contratado para isso. Pergunto-me de novo qual � a fun��o de Taylor. Entrego-lhe as chaves, e nos encaminhamos num sil�ncio que, para mim, � desconfort�vel, at� o fusca azul-claro. Abro a porta e retiro a lanterna do porta-luvas. Pronto. N�o tenho mais nada no Wanda que seja pessoal. <emphasis>Adeus, Wanda. Obrigada.</emphasis> Acaricio seu teto ao fechar a porta do carona.</p><p>� H� quanto tempo trabalha para o Sr. Grey? � pergunto.</p><p>� Quatro anos, Srta. Steele.</p><p>De repente, sinto uma necessidade premente de bombarde�-lo com perguntas. O que este homem deve saber sobre Christian, sobre todos os seus segredos? Mas, provavelmente, ele assinou um termo de confidencialidade. Olho nervosa para ele. Vejo a mesma express�o taciturna de Ray, e um ind�cio de simpatia brota em mim.</p><p>� Ele � um homem bom, Srta. Steele � diz Taylor com um sorriso.</p><p>Ent�o, oferece um pequeno aceno de cabe�a, entra no meu carro e vai embora.</p><p>O apartamento, o fusca, a loja, a mudan�a agora � total. Entro de novo em casa balan�ando a cabe�a. E a maior mudan�a de todas � Christian Grey. Taylor o acha um <emphasis>homem bom.</emphasis> Ser� que posso acreditar nele?</p><p>* * *</p><p>JOS� SE JUNTA a n�s �s oito da noite trazendo comida chinesa. J� terminamos de empacotar. Est� tudo embalado, e estamos prontas para partir. Ele traz v�rias garrafas de cerveja, e Kate e eu nos sentamos no sof� enquanto ele se acomoda no ch�o entre n�s. Assistimos a umas porcarias na tev�, bebemos cerveja e, � medida que a noite vai passando e a cerveja vai fazendo efeito, rememoramos com carinho e estardalha�o a nossa conviv�ncia. Foram quatro anos muito bons.</p><p>O clima entre Jos� e eu j� voltou ao normal, esquecido o beijo roubado. Bem, isso foi varrido para debaixo do tapete onde minha deusa interior est� deitada, comendo uvas e tamborilando os dedos, esperando impacientemente pelo domingo. Ou�o uma batida na porta, e fico aflita. Ser�...?</p><p>Kate abre a porta e quase cai para tr�s ao ver Elliot. Ele a agarra num abra�o hollywoodiano que logo se transforma num beijo de filme cl�ssico europeu. <emphasis>Sinceramente... v�o para um quarto.</emphasis> Jos� e eu nos entreolhamos. Estou horrorizada com a falta de recato deles.</p><p>� Vamos at� o bar? � convido Jos�, que balan�a a cabe�a freneticamente, concordando.</p><p>Estamos muito constrangidos com a excita��o sexual desenfreada se desenrolando diante de n�s. Kate me olha, ruborizada e com os olhos brilhando.</p><p>� Jos� e eu vamos sair para beber alguma coisa rapidinho.</p><p>Reviro os olhos para ela. R�! Ainda posso revirar os olhos � vontade.</p><p>� Tudo bem � diz ela com um sorriso.</p><p>� Oi, Elliot. Tchau, Elliot.</p><p>Ele pisca aqueles enormes olhos azuis para mim, e Jos� e eu j� estamos na rua, rindo feito adolescentes.</p><p>A caminho do bar, dou o bra�o a Jos�. Gra�as a Deus, ele � descomplicado � eu ainda n�o tinha dado o devido valor a isso.</p><p>� Voc� vem mesmo para a abertura da minha exposi��o, n�o vem?</p><p>� Claro, Jos�, quando vai ser?</p><p>� Dia nove de junho.</p><p>� Que dia cai?</p><p>De repente me apavoro.</p><p>� Numa quinta-feira.</p><p>� Sim, devo conseguir vir... e voc� vai nos visitar em Seattle?</p><p>� Tente me impedir.</p><p>Ele sorri.</p><p>* * *</p><p>� TARDE QUANDO volto do bar. Kate e Elliot podem n�o estar sendo vistos, mas, caramba, podem ser ouvidos. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Espero que eu n�o fa�a tanto barulho. Sei que Christian n�o faz. Enrubes�o ao pensar nisso, e fujo para meu quarto. Depois de um abra�o breve e felizmente nada constrangido, Jos� foi embora. N�o sei quando vou tornar a v�-lo, provavelmente na sua exposi��o de fotografias, e, mais uma vez, fico impressionada com o fato de ele finalmente fazer uma exposi��o. Vou sentir falta dele e daquele seu encanto infantil. N�o consegui lhe contar sobre o fusca. Sei que vai ter um chilique quando descobrir, e s� consigo lidar com um homem de cada vez tendo chilique comigo. Uma vez no meu quarto, verifico a m�quina do mal e, claro, h� um e-mail de Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Cad� voc�?</p><p><strong>Data</strong>: 27 de maio de 2011 22:14</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p><emphasis>�Estou no trabalho. Escreverei quando chegar em casa.�</emphasis></p><p>Voc� ainda est� no trabalho ou j� colocou o telefone, o BlackBerry e o MacBook na mala?</p><empty-line/><p>Ligue para mim, ou serei obrigado a ligar para Elliot.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Droga... <emphasis>Jos�... Que merda.</emphasis></p><p>Pego o telefone. Cinco liga��es perdidas e uma mensagem de voz. Timidamente, ou�o a mensagem. � de Christian.</p><p>�<emphasis>Acho que voc� precisa aprender a lidar com minha expectativa. N�o sou um homem paciente. Se diz que vai entrar em contato comigo quando sair do trabalho, voc� deveria ter a dec�ncia de fazer isso. Do contr�rio, fico preocupado, e preocupa��o n�o � uma emo��o que me seja familiar, e n�o a tolero muito bem. Ligue para mim.�</emphasis></p><p>Puta que pariu. Ser� que ele algum dia vai me dar um tempo? Fecho a cara para o telefone. Christian est� me sufocando. Com um medo profundo me dando um frio na barriga, rolo a tela para o n�mero dele e aperto em �ligar�. Com o cora��o na boca, aguardo at� ele atender. Provavelmente vai me dar uma bronca. A ideia � deprimente.</p><p>� Oi � diz ele com voz macia, e a resposta me desarma porque estou esperando raiva, mas, em todo caso, ele parece aliviado.</p><p>� Oi � murmuro.</p><p>� Eu estava preocupado com voc�.</p><p>� Eu sei. Me desculpe por n�o ter respondido, mas estou bem.</p><p>Ele fica em sil�ncio um instante antes de falar.</p><p>� Sua noite foi agrad�vel? � pergunta com uma polidez seca.</p><p>� Foi. Terminamos de embalar tudo e Kate e eu jantamos comida chinesa com Jos�.</p><p>Fecho os olhos com for�a ao dizer o nome de Jos�. Christian n�o fala nada.</p><p>� E voc�? � pergunto para encher o repentino abismo de sil�ncio ensurdecedor. N�o vou deix�-lo me fazer sentir culpada por causa de Jos�.</p><p>Finalmente, ele suspira.</p><p>� Fui a um jantar beneficente. Foi mortalmente chato. Sa� assim que pude.</p><p>Ele est� com uma voz muito triste e resignada. Fico com o cora��o apertado. Visualizo-o naquela noite, sentado ao piano em sua sala enorme, e a insuport�vel melancolia doce e amarga da m�sica que ele tocava.</p><p>� Eu queria que voc� estivesse aqui � sussurro, porque sinto uma necessidade urgente de abra��-lo. Tranquiliz�-lo. Embora ele n�o v� permitir. Quero estar perto dele.</p><p>� Queria? � murmura ele em tom morno.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Esse tom n�o � dele, e fico apreensiva, sentindo o couro cabeludo formigar.</p><p>� Queria � digo.</p><p>Depois de uma eternidade, ele suspira.</p><p>� Ent�o at� domingo?</p><p>� �, at� domingo � murmuro, sentindo um arrepio.</p><p>� Boa noite.</p><p>� Boa noite, senhor.</p><p>Minha forma de tratamento o pega desprevenido. Vejo pela expira��o brusca que ele deu.</p><p>� Boa sorte com sua mudan�a amanh�, Anastasia.</p><p>A voz dele � doce. E estamos como dois adolescentes na hora de desligar o telefone, nenhum deles querendo fazer isso.</p><p>� Desliga voc� � sussurro.</p><p>Finalmente, noto o sorriso dele.</p><p>� N�o, desliga voc�.</p><p>E sei que ele abriu o sorriso.</p><p>� N�o quero.</p><p>� Nem eu.</p><p>� Voc� ficou muito zangado comigo?</p><p>� Fiquei.</p><p>� Ainda est�?</p><p>� N�o.</p><p>� Ent�o n�o vai me castigar?</p><p>� N�o. Sou de reagir na hora.</p><p>� J� notei.</p><p>� Pode desligar agora, Srta. Steele.</p><p>� Quer que eu fa�a isso mesmo, senhor?</p><p>� V� se deitar, Anastasia.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>Ambos permanecemos na linha.</p><p>� Algum dia acha que conseguir� fazer o que lhe mandam?</p><p>Ele est� achando gra�a e ao mesmo tempo exasperado.</p><p>� Pode ser. Vamos ver depois de domingo.</p><p>E aperto em �finalizar� no telefone.</p><p>z</p><p>Elliot fica em p� admirando seu trabalho. Ele reconectou nossa tev� ao sistema de sat�lite no apartamento da Pike Place Market. Kate e eu nos deixamos cair no sof� dando risadinhas, impressionadas com suas proezas com a furadeira. A tela plana est� estranha na parede de tijolos do armaz�m transformado em apartamento, mas, sem d�vida, vou me acostumar com isso.</p><p>� Est� vendo, baby? � f�cil!</p><p>Ele d� um largo sorriso para Kate, e ela quase literalmente se dissolve no sof�.</p><p>Reviro os olhos para a dupla.</p><p>� Eu adoraria ficar, baby, mas minha irm� chegou de Paris. Hoje temos um jantar de fam�lia obrigat�rio.</p><p>� D� para voc� vir aqui depois? � pergunta Kate timidamente, toda meiga, de um jeito que n�o � dela.</p><p>Levanto e me dirijo � cozinha com o pretexto de desembalar uma das caixas. Eles v�o ficar melosos.</p><p>� Vou ver se posso fugir � promete ele.</p><p>� Eu des�o com voc�.</p><p>Kate sorri.</p><p>� Tchau, Ana.</p><p>Eliot sorri.</p><p>� Tchau, Elliot. Diga �oi� para o Christian por mim.</p><p>� S� �oi�? � pergunta ele, erguendo sugestivamente as sobrancelhas.</p><p>� S�.</p><p>Enrubes�o. Ele pisca para mim, e fico vermelha quando ele sai atr�s de Kate.</p><p>Elliot � ador�vel e muito diferente de Christian. � caloroso, extrovertido, sensual, muito sensual, sensual demais, com Kate. Eles mal conseguem ficar sem se tocar � para ser franca, � constrangedor � e estou verde de inveja.</p><p>Kate volta uns vinte minutos depois com uma pizza, e nos sentamos, cercadas de caixas, em nosso novo espa�o aberto, comendo direto da caixa. O pai de Kate nos deixou orgulhosas. O apartamento n�o � grande, mas tem um bom tamanho, tr�s quartos e uma grande �rea de estar que d� para o Pike Place Market. � todo de assoalho de madeira e tijolos aparentes, e as bancadas da cozinha s�o de cimento queimado, muito utilit�rio, muito contempor�neo. Estamos adorando o fato de estar no cora��o da cidade.</p><p>�s oito, o interfone toca. Kate se levanta de um salto � e fico com o cora��o na boca.</p><p>� Entrega, Srta. Steele, Srta. Kavanagh.</p><p>Inesperadamente, o sentimento de decep��o toma conta de mim. N�o � Christian.</p><p>� Segundo andar, apartamento dois.</p><p>Kate abre a porta para o entregador. O rapaz fica de queixo ca�do ao ver Kate ali de cal�a jeans justa, camiseta e cabelo preso num coque no alto da cabe�a deixando uns cachinhos escaparem. Ela deixa os homens assim. Ele segura uma garrafa de champanhe que tem amarrado um fio com um bal�o em forma de helic�ptero. Ela d� um sorriso deslumbrante para despachar o rapaz e come�a a ler o cart�o para mim.</p><empty-line/><p><emphasis>Senhoritas,</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  Boa sorte no novo lar.</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  Christian Grey</emphasis></p><empty-line/><p>Kate balan�a a cabe�a num gesto de reprova��o.</p><p>� Por que ele n�o pode escrever simplesmente �Christian�? E esse bal�o esquisito em forma de helic�ptero?</p><p>� Charlie Tango.</p><p>� O qu�?</p><p>� Christian me trouxe para Seattle no helic�ptero dele � digo encolhendo os ombros.</p><p>Kate me olha boquiaberta. Devo dizer que adoro essas ocasi�es � Katherine Kavanagh calada e embasbacada � s�o muito raras. Permito-me o luxo de me dar um breve instante para usufruir disso.</p><p>� �, ele tem um helic�ptero, que ele mesmo pilota � afirmo com orgulho.</p><p>� Claro que o filho da m�e podre de rico tem um helic�ptero. Por que n�o me contou?</p><p>Kate me olha com uma express�o acusadora, mas est� rindo, balan�ando a cabe�a, incr�dula.</p><p>� Ando com muita coisa na cabe�a ultimamente.</p><p>Ela franze a testa.</p><p>� Voc� vai ficar bem enquanto eu estiver fora?</p><p>� Claro � respondo num tom tranquilizador. <emphasis>Cidade nova, trabalho novo, namorado pirado.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Deu nosso endere�o a ele?</p><p>� N�o, mas me perseguir � uma das suas especialidades � reflito friamente.</p><p>Kate franze mais a testa.</p><p>� De certa forma, n�o me surpreende. Ele me preocupa, Ana. Pelo menos � um bom champanhe e est� gelado.</p><p>Claro. S� Christian mandaria um champanhe gelado, ou mandaria a secret�ria fazer isso... ou talvez Taylor. Abrimos a garrafa e pegamos nossas x�caras � elas foram os �ltimos artigos a serem embalados.</p><p>� Bollinger Grande Ann�e Ros� 1999, uma excelente safra � sorrio para Kate, e fazemos tim-tim com as x�caras.</p><p>* * *</p><p>ACORDO CEDO NUMA manh� cinzenta de domingo depois de uma noite de um sono surpreendentemente reparador e fico na cama olhando para minhas caixas. <emphasis>Voc� devia estar desembalando essas caixas,</emphasis> reclama meu inconsciente, contraindo aqueles l�bios de gavi�o. <emphasis>N�o... hoje � o dia.</emphasis> Minha deusa interior n�o cabe em si, saltitando de um p� para o outro. A expectativa paira pesada e portentosa sobre minha cabe�a como a nuvem negra de uma tempestade tropical. Sinto um frio na barriga � assim como uma dor mais sombria, carnal e cativante ao tentar imaginar o que ele far� comigo... e claro, tenho que assinar aquele maldito contrato, ou n�o? Ou�o o tilintar da caixa de entrada da m�quina do mal no ch�o ao lado da minha cama.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Minha vida em n�meros</p><p><strong>Data</strong>: 29 de maio de 2011 08:04</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Se vier de carro, voc� precisar� deste c�digo de acesso � garagem subterr�nea do Escala: 146963.</p><p>Estacione na vaga 5 � � uma das minhas.</p><empty-line/><p>C�digo do elevador: 1880</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Uma safra excelente</p><p><strong>Data</strong>: 29 de maio de 2011 08:08</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Sim, senhor. Entendido.</p><p>Obrigada pelo champanhe e pelo Charlie Tango infl�vel, que est� agora amarrado na minha cama.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Inveja</p><p><strong>Data</strong>: 29 de maio de 2011 08:11</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>De nada.</p><p>N�o se atrase.</p><empty-line/><p>Charlie Tango sortudo.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Reviro os olhos diante de sua tirania, mas sua �ltima linha me faz sorrir. Vou para o banheiro, me perguntando se Elliot conseguiu voltar ontem � noite e me esfor�ando muito para controlar os nervos.</p><p>* * *</p><p>CONSIGO DIRIGIR O Audi de salto alto! Ao meio-dia e cinquenta e cinco minutos, precisamente, entro na garagem do Escala e estaciono na vaga cinco. Quantas vagas ele possui? O Audi SUV e o R8 est�o aqui, ao lado de dois Audis SUVs menores... humm. Confiro no espelho luminoso do quebra-sol o r�mel que raramente uso. Eu n�o tinha um espelho desses no fusca.</p><p><emphasis>Vai, garota!</emphasis> Minha deusa interior est� de pompons em punho � est� no modo animadora de torcida. Na infinidade de espelhos do elevador, confiro meu vestido cor de ameixa � bem, o vestido cor de ameixa de Kate. Da �ltima vez que o usei, ele quis me despir. Meu corpo reage ao pensar nisso. A sensa��o � simplesmente intensa, e relaxo. Estou usando a roupa de baixo que Taylor comprou para mim. Coro pensando naquele cabelo cortado � m�quina rondando pelos corredores da Agent Provocateur ou onde quer que tenha feito a compra. As portas se abrem, e estou diante do sagu�o do apartamento n�mero�um.</p><p>Taylor est� parado � porta quando saio do elevador.</p><p>� Boa tarde, Srta. Steele � diz.</p><p>� Ah, por favor, me chame de Ana.</p><p>� Ana � Ele sorri. � O Sr. Grey est� � sua espera.</p><p><emphasis>Aposto que sim.</emphasis></p><p>Christian est� sentado no sof� da sala lendo os jornais de domingo. Ergue os olhos enquanto Taylor me guia para a �rea de estar. A sala � exatamente como me lembro dela � parece que faz uma semana que estive aqui, mas j� passou muito mais tempo. Christian tem um aspecto tranquilo e calmo � na verdade, est� divino. Descal�o, com uma camisa branca de linho solta e cal�a jeans. Tem o cabelo revolto, e os olhos brilham com mal�cia. Ele se levanta e vem ao meu encontro, um sorriso divertido de avalia��o nos belos l�bios desenhados.</p><p>Fico im�vel na entrada da sala, paralisada com sua beleza e a doce expectativa do que est� por vir. A familiar eletricidade entre n�s est� presente, se acendendo lentamente na minha barriga, atraindo-me para ele.</p><p>� Humm... esse vestido � aprova, olhando-me. � Seja bem-vinda mais uma vez, Srta. Steele � murmura e, segurando meu queixo, abaixa-se e me d� um beijo delicado nos l�bios.</p><p>O contato de sua boca com a minha reverbera por todo o meu corpo. Quase paro de respirar.</p><p>� Oi � sussurro ruborizada.</p><p>� Voc� chegou na hora. Gosto de pontualidade. Venha. � Ele me pega pela m�o e me leva ao sof�. � Queria mostrar uma coisa para voc� � diz quando nos sentamos.</p><p>Ele me entrega o <emphasis>Seattle Times.</emphasis> Na p�gina oito, h� uma fotografia de n�s dois juntos na cerim�nia de formatura. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Sa� no jornal. Olho a legenda.</p><p><emphasis>Christian Grey e uma amiga na cerim�nia de formatura</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  na WSU Vancouver.</emphasis></p><p>Rio.</p><p>� Ent�o agora sou sua �amiga�.</p><p>� � o que parece. E est� no jornal, portanto deve ser verdade � diz com ironia.</p><p>Sentado a meu lado, tem o corpo todo virado para mim, com uma das pernas dobrada embaixo da outra. Ele arruma meu cabelo para tr�s da orelha com aquele seu indicador comprido. Fico toda acesa com esse toque, aguardando e carente.</p><p>� Ent�o, Anastasia, voc� tem uma ideia muito melhor das minhas inten��es desde a �ltima vez que esteve aqui.</p><p>� Sim.</p><p><emphasis>Aonde ele quer chegar com isso?</emphasis></p><p>� E, no entanto, voltou.</p><p>Assinto timidamente, e seus olhos brilham. Ele balan�a a cabe�a como se estivesse lutando contra a ideia.</p><p>� J� comeu? � pergunta do nada.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> N�o.</p><p>� Est� com fome? � Ele est� realmente tentando n�o parecer irritado.</p><p>� N�o de comida � sussurro, e suas narinas se dilatam.</p><p>Ele se inclina e sussurra no meu ouvido.</p><p>� Voc� est� mais ansiosa que nunca, Srta. Steele, e s� para deix�-la a par de um segredinho, eu tamb�m. Mas a Dra. Greene deve chegar daqui a pouco. � Ele se endireita no sof�. � Eu gostaria que voc� tivesse comido � censura ele brandamente.</p><p>Meu sangue, que j� estava quente, esfria. Puxa vida � a consulta. Eu tinha me esquecido.</p><p>� O que pode me dizer sobre a Dra. Greene? � pergunto para mudar de assunto.</p><p>� Ela � a melhor ginecologista e obstetra de Seattle. O que mais posso dizer? � pergunta e encolhe os ombros.</p><p>� Pensei que fosse me consultar com o seu m�dico, e n�o me diga que voc� na verdade � uma mulher, porque eu n�o acreditaria.</p><p>Ele me olha como quem diz �n�o seja rid�cula�.</p><p>� Acho que � mais apropriado voc� se consultar com um especialista. N�o concorda? � diz ele em tom cordial.</p><p>Balan�o a cabe�a concordando. Meu Deus, ela � a melhor ginecologista e obstetra da cidade e ele marcou uma consulta para mim num domingo � na hora do almo�o! Nem quero imaginar quanto deve custar isso. Christian franze a testa de repente, como se recordasse algo desagrad�vel.</p><p>� Anastasia, minha m�e gostaria que voc� jantasse com ela hoje. Acho que Elliot vai convidar a Kate, tamb�m. N�o sei como se sente em rela��o a isso. Vai ser estranho para mim apresentar voc� � minha fam�lia.</p><p><emphasis>Estranho? Por qu�?</emphasis></p><p>� Voc� tem vergonha de mim? � N�o consigo disfar�ar o tom magoado.</p><p>� Claro que n�o � diz ele revirando os olhos.</p><p>� Por que � estranho?</p><p>� Porque nunca fiz isso antes.</p><p>� Por que voc� pode revirar os olhos, e eu n�o?</p><p>Ele pisca para mim.</p><p>� Eu n�o percebi que estava fazendo isso.</p><p>� Eu tamb�m n�o percebo, em geral � retruco secamente.</p><p>Christian me fuzila com os olhos, sem palavras. Taylor aparece � porta.</p><p>� A Dra. Greene est� aqui, senhor.</p><p>� Acompanhe-a at� o quarto da Srta. Steele.</p><p><emphasis>Quarto da Srta. Steele!</emphasis></p><p>� Preparada para algum m�todo anticoncepcional? � pergunta ele ao se levantar e me estende a m�o.</p><p>� Voc� n�o vem tamb�m, n�o �? � arquejo, chocada.</p><p>Ele ri.</p><p>� Eu pagaria um bom dinheiro para olhar, pode acreditar, Anastasia, mas acho que a m�dica n�o aprovaria.</p><p>Pego a m�o dele, e ele me puxa para seus bra�os e me beija intensamente. Seguro-o, surpresa. A m�o dele est� em meus cabelos, segurando minha cabe�a, e ele me puxa de encontro a si, a testa encostada na minha.</p><p>� Estou muito feliz que voc� esteja aqui � murmura. � Mal posso esperar para deix�-la nua.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DEZOITO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Dra. Greene � alta, loura e impec�vel, e usa um tailleur azul-royal. Ela me lembra daquelas mulheres que trabalham no escrit�rio de Christian. Parece uma caricatura � mais uma loura perfeita. Seu cabelo longo est� preso num coque elegante. Deve ter uns quarenta e poucos anos.</p><p>� Sr. Grey.</p><p>Ela aperta a m�o que Christian lhe estende.</p><p>� Obrigado por atender a este chamado t�o em cima da hora � diz Christian.</p><p>� Obrigada por fazer com que ele valha a pena para mim, Sr. Grey. Srta. Steele.</p><p>Ela sorri, o olhar frio e avaliador.</p><p>Apertamos as m�os, e noto que ela � uma dessas mulheres que n�o tem paci�ncia para gente boba. Como Kate. Gosto dela de cara. Ela lan�a um olhar para Christian, e ap�s um instante esquisito, ele se d� conta.</p><p>� Vou estar l� embaixo � resmunga, e se retira do que ser� meu quarto.</p><p>� Bem, Srta. Steele. O Sr. Grey est� me pagando uma pequena fortuna para atend�-la. O que posso fazer por voc�?</p><p>* * *</p><p>AP�S UM EXAME minucioso e uma conversa demorada, a Dra. Greene e eu optamos pela p�lula. Ela redige uma receita e me d� instru��es de como devo proceder. Adoro sua atitude s�ria � ela me fez um serm�o sobre a necessidade de tomar a p�lula todos os dias � mesma hora. E posso dizer que est� morta de curiosidade sobre minha rela��o com o Sr. Grey. N�o lhe dou detalhe algum. De alguma forma, acho que ela n�o ficaria t�o calma e serena se tivesse visto o Quarto Vermelho da Dor. Enrubes�o ao passarmos por sua porta fechada e descemos para a galeria de arte que � a sala de Christian.</p><p>Christian est� lendo, sentado no sof�. Uma �ria impressionante est� tocando, envolvendo-o, aconchegando-o, preenchendo a sala com uma m�sica doce e comovente. Por um momento, ele parece sereno. Vira-se e olha para n�s quando entramos, sorrindo com carinho para mim.</p><p>� Terminaram? � pergunta como se estivesse realmente interessado.</p><p>Aponta o controle remoto para uma caixa branca lisa embaixo da lareira que abriga seu iPod, e a melodia intensa perde for�a mas continua ao fundo. Ele se levanta e vem at� n�s.</p><p>� Sim, Sr. Grey. Tome conta dela. Ela � uma mulher linda e inteligente.</p><p>Christian fica desconcertado, como eu. Que coisa impr�pria para uma m�dica dizer. Ser� que ela est� lhe dando algum tipo de aviso n�o muito sutil? Christian se recupera.</p><p>� Pretendo fazer isso � murmura, perplexo.</p><p>Olhando para ele, dou de ombros, encabulada.</p><p>� Vou lhe mandar a conta � diz ela secamente ao cumpriment�-lo. � Bom dia e boa sorte para voc�, Ana.</p><p>Ela sorri, estreitando os olhos enquanto nos cumprimentamos.</p><p>Taylor aparece para acompanh�-la at� o elevador. Como ele faz isso? Onde ele fica � espreita?</p><p>� Como foi? � pergunta Christian.</p><p>� Bem, obrigada. Ela disse que eu tinha que me abster completamente de atividades sexuais por quatro semanas.</p><p>Christian fica boquiaberto, chocado. N�o consigo mais me manter s�ria e sorrio para ele feito uma idiota.</p><p>� Peguei voc�!</p><p>Ele estreita os olhos, e paro de rir na mesma hora. Na verdade, ele parece bastante severo. <emphasis>Ah, merda.</emphasis> Meu inconsciente se encolhe no canto e o sangue me foge do rosto; imagino-o de novo me dando palmadas.</p><p>� Peguei voc�! � diz, e ri. Ele me agarra pela cintura e me puxa para si. � Voc� � incorrig�vel, Srta. Steele � murmura, olhando nos meus olhos enquanto enfia os dedos nos meus cabelos, prendendo-me ali. Ele me beija com for�a, e eu me apoio em seus bra�os musculosos para me equilibrar.</p><p>� Por mais que eu queira comer voc� aqui e agora, precisamos nos alimentar. N�o quero voc� desmaiada em cima de mim depois � ele fala baixo, com a boca encostada na minha.</p><p>� Isso � tudo que voc� quer de mim: meu corpo? � sussurro.</p><p>� Seu corpo e essa sua boca r�pida � fala, ofegante.</p><p>Ele me beija de novo com paix�o, depois me solta bruscamente, pega minha m�o e me leva para a cozinha. Estou atordoada. Num momento estamos brincando e no outro... abano meu rosto quente. Ele s� pensa em sexo, e neste momento preciso recuperar o equil�brio e comer alguma coisa. A �ria continua tocando ao fundo.</p><p>� Que m�sica � essa?</p><p>� Villa-Lobos, uma �ria das <emphasis>Bachianas Brasileiras.</emphasis> �tima, n�o �?</p><p>� � � murmuro, inteiramente de acordo.</p><p>O balc�o da cozinha tem dois lugares postos e Christian pega uma tigela de salada na geladeira.</p><p>� Que tal salada caesar com frango?</p><p><emphasis>Ah, gra�as a Deus, nada muito pesado.</emphasis></p><p>� Sim, est� �timo, obrigada.</p><p>Observo-o movimentar-se com eleg�ncia na cozinha. Ele se sente bastante � vontade com seu corpo, embora n�o goste de ser tocado... bem, talvez n�o se sinta t�o � vontade assim. Nenhum homem � uma ilha, reflito � exceto, talvez, Christian Grey.</p><p>� Em que est� pensando? � pergunta, tirando-me de meu devaneio.</p><p>Enrubes�o.</p><p>� Eu s� estava olhando seu jeito de andar.</p><p>Ele ergue uma sobrancelha, achando gra�a.</p><p>� E? � diz secamente.</p><p>Enrubes�o mais ainda.</p><p>� Voc� � muito elegante.</p><p>� Ora, obrigado, Srta. Steele � murmura. Ele se senta a meu lado segurando uma garrafa de vinho. � Chablis?</p><p>� Por favor.</p><p>� Pode se servir de salada � diz ele, a voz macia. � Agora me diga, por qual m�todo voc� optou?</p><p>Fico por um momento desconcertada com a pergunta quando me dou conta de que ele est� falando da consulta com a Dra. Greene.</p><p>� P�lula.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� E vai se lembrar de tomar regularmente, na hora certa, todos os dias?</p><p><emphasis>Meu Deus... claro que vou.</emphasis> Como ele sabe? Coro com a ideia � provavelmente soube por uma ou mais de uma das quinze.</p><p>� Tenho certeza de que voc� vai me lembrar � murmuro secamente.</p><p>Ele me olha entre divertido e condescendente.</p><p>� Vou colocar um alarme em meu celular. � Ele d� um sorriso afetado. � Coma.</p><p>A salada est� deliciosa. Para minha surpresa, estou faminta e, pela primeira vez, termino a refei��o antes dele. O vinho � correto e frutado.</p><p>� Mais ansiosa que nunca, Srta. Steele? � Ele sorri para meu prato vazio.</p><p>Lan�o um olhar enviesado para ele.</p><p>� Sim � murmuro.</p><p>Ele engasga. E, enquanto olha para mim, o clima entre n�s vai mudando lentamente, evoluindo... se intensificando. Seu olhar passa de sombrio a apaixonado, e me leva com ele. Christian se levanta, diminuindo a dist�ncia entre n�s, e me puxa do banco para seus bra�os.</p><p>� Quer fazer isso? � sussurra ele, me examinando com um olhar intenso.</p><p>� Ainda n�o assinei nada.</p><p>� Eu sei... mas estou quebrando todas as regras ultimamente.</p><p>� Vai me bater?</p><p>� Vou, mas n�o vai ser para machucar. Neste momento, n�o quero punir voc�. Se tivesse me encontrado ontem � noite, bem, a� seria outra hist�ria.</p><p>Que droga. Ele <emphasis>quer</emphasis> me machucar... como lido com isso? N�o consigo disfar�ar a express�o horrorizada.</p><p>� N�o deixe ningu�m tentar convenc�-la do contr�rio, Anastasia. Uma das raz�es pelas quais pessoas como eu entram nessa � o fato de gostarmos de sofrer ou de causar sofrimento. � muito simples. Voc� n�o gosta, ent�o passei um bom tempo ontem pensando sobre isso.</p><p>Ele me puxa de encontro a seu corpo, e sua ere��o pressiona minha barriga. Eu devia fugir, mas n�o consigo. Sou atra�da por ele em algum n�vel profundo e primitivo que nem consigo come�ar a entender.</p><p>� Chegou a alguma conclus�o? � murmuro.</p><p>� N�o, e, neste momento, s� quero amarrar e foder voc� at� que perca os sentidos. Est� preparada para isso?</p><p>� Estou � digo baixinho e sinto um aperto em todas as entranhas ao mesmo tempo... <emphasis>nossa.</emphasis></p><p>� �timo. Venha. � Deixando a lou�a suja no balc�o da cozinha, ele pega minha m�o, e nos dirigimos � escada.</p><p>Meu cora��o come�a a disparar. Pronto. Vou realmente fazer isso. Minha deusa interior est� girando como uma bailarina profissional, fazendo uma pirueta atr�s da outra. Ele abre a porta do quarto de jogos, dando um passo atr�s para eu passar, e estou mais uma vez no Quarto Vermelho da Dor.</p><p>Est� igual, o cheiro de couro, a cera de aroma c�trico e a madeira escura, tudo muito sensual. O sangue corre quente e assustado por minhas veias � uma mistura de adrenalina, lux�ria e desejo. � uma combina��o embriagadora e forte. A postura de Christian � outra, sutilmente alterada, mais dura e mais cruel. Ele me olha, e seus olhos est�o excitados, lascivos... hipn�ticos.</p><p>� Quando est� aqui dentro, voc� � totalmente minha � diz em tom baixo, medindo cada palavra pronunciada lentamente. � Para fazer o que eu quiser. Entendeu?</p><p>O olhar dele � t�o intenso que balan�o a cabe�a concordando, a boca seca, o cora��o parecendo que vai pular para fora do peito.</p><p>� Tire os sapatos � ordena ele num tom doce.</p><p>Engulo em seco e, muito sem jeito, me descal�o. Ele se abaixa, pega os sapatos e os deixa ao lado da porta.</p><p>� �timo. N�o hesite quando eu pedir para fazer algo. Agora vou tirar seu vestido. Ando querendo fazer isso h� alguns dias. Quero que voc� se sinta confort�vel com seu corpo, Anastasia. Voc� tem um corpo lindo, e gosto de olhar para ele. � um prazer observ�-lo. Na verdade, eu poderia passar o dia inteiro olhando para voc�, e n�o quero que fique constrangida e envergonhada com sua nudez. Entendeu?</p><p>� Sim.</p><p>� Sim o qu�?</p><p>Ele se inclina sobre mim, o olhar irritado.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� Est� falando s�rio? � diz ele secamente.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� �timo. Levante os bra�os acima da cabe�a.</p><p>Fa�o o que me foi ordenado, ele se abaixa e pega a barra do vestido. Lentamente, vai subindo com ele e descobre minhas coxas, os quadris, a barriga, os seios, os ombros, at� tir�-lo pela cabe�a. D� um passo atr�s para me examinar e distraidamente dobra o vestido, sem tirar os olhos de mim. Coloca-o na c�moda grande ao lado da porta. Estica o bra�o e puxa meu queixo, o toque dele me queima.</p><p>� Voc� est� mordendo o l�bio � murmura. � Sabe o que isso faz comigo � acrescenta num tom sinistro. � Vire-se de costas.</p><p>Viro-me imediatamente, sem hesitar. Ele desabotoa meu suti� e, ent�o, segurando as al�as, vai deslizando lentamente pelos meus bra�os, ro�ando minha pele com os dedos e, com a ponta dos polegares, retira-o. Seu toque me d� um calafrio na espinha, despertando todas as termina��es nervosas do meu corpo. Est� parado atr�s de mim, t�o perto que sinto o calor irradiando do corpo dele, me aquecendo, me aquecendo toda. Ele puxa meu cabelo, que se solta e cai nas costas, agarra uma mecha na altura da nuca, e inclina minha cabe�a para um lado. Vai deslizando o nariz pelo meu pesco�o descoberto, inspirando profundamente, depois retorna at� minha orelha. Sinto um aperto dentro de mim, carnal e cheio de desejo. Minha nossa, ele mal me tocou e eu o quero.</p><p>� Seu cheiro est� divino como sempre, Anastasia � sussurra ao me dar um beijo doce embaixo da orelha.</p><p>Gemo.</p><p>� Quieta � sussurra. � N�o fa�a nenhum ru�do.</p><p>Ele puxa meu cabelo para tr�s, e, para minha surpresa, come�a a entrela��-lo com dedos �geis e habilidosos, formando uma tran�a �nica. Amarra-a com uma presilha invis�vel quando termina, e lhe d� um pux�o seco, for�ando-me a encostar nele.</p><p>� Gosto do seu cabelo tran�ado � sussurra.</p><p><emphasis>Humm... por qu�?</emphasis></p><p>Ele larga meu cabelo.</p><p>� Vire-se � ordena.</p><p>Obede�o, a respira��o entrecortada, com um misto de medo e desejo. � uma mistura embriagadora.</p><p>� Quando eu disser para vir aqui, � assim que voc� vai se vestir. S� de calcinha. Entendeu?</p><p>� Sim.</p><p>� Sim, o qu�?</p><p>Ele me olha furioso.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>Um ind�cio de sorriso se esbo�a no canto da sua boca.</p><p>� Boa garota. � Seus olhos queimam os meus. � Quando eu disser para vir aqui, quero que voc� se ajoelhe ali. � Ele aponta para um ponto ao lado da porta. � Fa�a isso agora.</p><p>Pisco, processando as palavras dele, ent�o me viro e, de um jeito meio desajeitado, ajoelho-me, como fui instru�da.</p><p>� Pode se sentar sobre os calcanhares.</p><p>Sento-me.</p><p>� Pouse as m�os e os antebra�os nas coxas. �timo. Agora afaste os joelhos. Mais. Mais um pouco. Perfeito. Olhe para o ch�o.</p><p>Ele vem at� mim, e posso ver seus p�s e suas canelas. P�s descal�os. Eu devia estar anotando se ele quiser que eu me lembre. Ele se abaixa e pega de novo minha tran�a, depois puxa minha cabe�a para tr�s, fazendo-me olhar para ele. D�i s� um pouquinho.</p><p>� Vai se lembrar dessa posi��o, Anastasia?</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� �timo. Fique a�, n�o se mexa.</p><p>Ele sai do quarto.</p><p>Estou ajoelhada, esperando. Aonde ele foi? O que vai fazer comigo? O tempo se altera. N�o tenho ideia de quanto tempo ele me deixa assim... alguns minutos, cinco, dez? Minha respira��o fica mais acelerada, a expectativa est� me devorando por dentro.</p><p>E, de repente, ele volta � e fico mais calma e mais excitada ao mesmo tempo. <emphasis>Ser� que eu poderia ficar mais excitada?</emphasis> Posso ver seus p�s. Ele mudou de cal�a. Esta � mais velha, rasgada, macia, e superdesbotada. Merda. A cal�a jeans � sexy. Ele fecha a porta e pendura alguma coisa atr�s.</p><p>� Boa garota, Anastasia. Voc� est� ador�vel assim. �timo. Levante-se.</p><p>Levanto-me, mas fico de cabe�a baixa.</p><p>� Pode olhar para mim.</p><p>Olho para ele, que est� me fitando com aten��o, avaliando. Por�m, sua express�o � mais doce. Est� sem camisa. Nossa... quero tocar nele. Sua cal�a jeans tem o bot�o aberto.</p><p>� Vou acorrent�-la agora, Anastasia. Me d� a m�o direita.</p><p>Dou-lhe a m�o direita. Ele vira a palma para cima e, quando vejo, j� a acertou bem no meio com um chicote de montaria que eu n�o tinha percebido em sua m�o direita. Isso acontece t�o depressa que a surpresa nem se registra. E o que � mais espantoso � n�o d�i. Bem, n�o muito, s� arde um pouco.</p><p>� Que tal isto? � pergunta ele.</p><p>Pisco para ele, confusa.</p><p>� Responda.</p><p>� Ok. � Franzo a testa.</p><p>� N�o franza a testa.</p><p>Pisco e tento ficar impass�vel. Consigo.</p><p>� Doeu?</p><p>� N�o.</p><p>� Isso n�o vai machucar. Entendeu?</p><p>� Entendi.</p><p>Meu tom de voz � inseguro. <emphasis>Ser� que n�o vai machucar mesmo?</emphasis></p><p>� Estou falando s�rio � diz ele.</p><p>Nossa, minha respira��o est� muito acelerada. Ser� que ele sabe o que estou pensando? Ele me mostra o chicote. � de couro marrom tran�ado. Ergo os olhos de repente para encar�-lo, e ele tem o olhar ardente e levemente divertido.</p><p>� Nosso objetivo � satisfazer, Srta. Steele � murmura. � Venha.</p><p>Ele pega meu bra�o, coloca-me embaixo da grade e se estica para pegar algemas de couro preto.</p><p>� Esta grade � desenhada para que as algemas possam correr por ela.</p><p>Olho para cima. <emphasis>Puta merda �</emphasis> parece um mapa de metr�.</p><p>� Vamos come�ar aqui, mas quero foder voc� em p�. Ent�o vamos acabar perto daquela parede.</p><p>Ele aponta com o chicote para o grande X de madeira na parede.</p><p>� Ponha as m�os acima da cabe�a.</p><p>Obede�o imediatamente, com a sensa��o de estar saindo do corpo � como se eu fosse uma observadora casual dos acontecimentos � medida que eles se desenrolam � minha volta. Isso � mais que fascinante, mais que er�tico. � a coisa mais excitante e mais assustadora que j� fiz na vida. Estou confiando num homem lindo, que, segundo ele mesmo confessa, foi fodido em cinquenta tons diferentes. Sufoco o breve estremecimento de medo. Kate e Elliot sabem que estou aqui.</p><p>Ele fica bem pr�ximo de mim ao colocar as algemas. Olho para seu peito. Sua proximidade � divina. Seu cheiro � uma mistura inebriante de sabonete com odor natural, e isso me arrasta de volta para o momento presente. Quero passar o nariz e a l�ngua nos pelos desse peito. Bastaria eu me inclinar para a frente...</p><p>Ele d� um passo para tr�s e me olha, a express�o velada, sacana, sensual, e estou impotente, as m�os amarradas, mas s� de olhar para seu belo rosto, ver a sua car�ncia e seu desejo por mim, posso sentir a umidade entre minhas pernas. Ele anda lentamente a meu redor.</p><p>� Voc� fica maravilhosa atada assim, Srta. Steele. E com essa boca r�pida calada por ora. Gosto disso.</p><p>Parado de novo � minha frente, ele engancha os dedos na minha calcinha e a abaixa sem a menor pressa, despindo-me dela com uma lentid�o de doer, at� terminar ajoelhado diante de mim. Sem desgrudar os olhos dos meus, amassa a calcinha, leva-a ao nariz e inspira profundamente. <emphasis>Puta merda. Ele acabou de fazer isso mesmo?</emphasis> Sorri com mal�cia para mim e mete a calcinha no bolso da cal�a.</p><p>Levantando-se do ch�o pregui�osamente como um gato selvagem, aponta a extremidade do chicote para meu umbigo, rodeando-o sem pressa � me tentando. Ao sentir o toque do couro, estreme�o e arquejo. Ele me rodeia de novo, arrastando o chicote em movimentos circulares pela minha barriga. Na segunda volta, empunha o chicote repentinamente, e me golpeia por baixo... acertando meu sexo. Grito surpresa, todas as termina��es nervosas em alerta. Estico as correntes. O choque me percorre, e a sensa��o de prazer � doce e estranha.</p><p>� Quieta � murmura, rondando-me de novo, o chicote ligeiramente mais alto na minha barriga. Dessa vez, quando torna a me bater no mesmo lugar, antecipo o golpe. Meu corpo se contorce com a doce aguilhoada.</p><p>Ao me rodear, ele volta a brandir o chicote, dessa vez acertando meu mamilo, e jogo a cabe�a para tr�s enquanto minhas termina��es nervosas vibram. Ele acerta o outro... um castigo r�pido e doce. O ataque faz meus mamilos se intumescerem, e eu gemo, puxando as algemas de couro.</p><p>� Isso � gostoso? � pergunta ele.</p><p>� Sim.</p><p>Ele me bate de novo nas n�degas. Dessa vez d�i.</p><p>� Sim o qu�?</p><p>� Sim, senhor � choramingo.</p><p>Ele para... mas j� n�o consigo v�-lo. Estou de olhos fechados tentando absorver a mir�ade de sensa��es percorrendo meu corpo. Muito devagar, ele desfere uma grande quantidade de pequenas chicotadas pela minha barriga. Sei aonde isso vai dar e tento me preparar psicologicamente � mas quando ele atinge meu clit�ris, dou um grito.</p><p>� Ah... por favor! � gemo.</p><p>� Quieta � ordena ele, e torna a me bater nas n�degas.</p><p>Eu n�o esperava que isso fosse assim... estou perdida. Perdida num mar de sensa��es. E de repente, ele est� arrastando o chicote no meu sexo, dos pelos pubianos at� a entrada da vagina.</p><p>� Est� vendo como voc� fica molhada com isso, Anastasia? Abra os olhos e a boca.</p><p>Obede�o, completamente seduzida. Ele enfia a ponta do chicote na minha boca, como em meu sonho. <emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>� Sinta seu gosto. Chupe. Chupe com for�a.</p><p>Fecho a boca em volta do chicote e fico com os olhos grudados nos dele. Sinto o gosto do couro e o sabor salgado da minha excita��o. Os olhos dele est�o em chamas. Est� muito satisfeito.</p><p>Ele puxa o chicote da minha boca, fica diante de mim e me agarra e me beija violentamente, sua l�ngua invadindo minha boca. Depois me abra�a e me aperta contra seu corpo. Seu peito esmaga o meu, e estou louca para tocar nele, mas n�o posso, as m�os in�teis presas no alto.</p><p>� Ah, Anastasia, voc� � muito gostosa � sussurra ele. � Fa�o voc� gozar?</p><p>� Por favor � suplico.</p><p>Levo uma chicotada nas n�degas. <emphasis>Ai!</emphasis></p><p>� Por favor o qu�?</p><p>� Por favor, senhor � choramingo.</p><p>Ele sorri para mim, triunfante.</p><p>� Com isso? � Ele segura o chicote para eu ver.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� Tem certeza? � Ele me olha severo.</p><p>� Sim, senhor, por favor.</p><p>� Feche os olhos.</p><p>Deixo de ver o quarto, ele... o chicote. Ele come�a de novo a me dar aquelas chicotadas na barriga. Descendo um pouco, elas golpeiam de leve meu clit�ris, uma, duas, tr�s vezes, e de novo e de novo at� afinal, pronto � eu n�o aguento mais � e gozo gloriosa e escandalosamente, relaxando. Os bra�os dele me envolvem e minhas pernas viram gelatina. Dissolvo em seus bra�os, a cabe�a encostada em seu peito, e estou miando e gemendo enquanto as r�plicas do meu orgasmo me consomem. Ele me levanta do ch�o, e, de repente, estamos andando, eu com os bra�os ainda amarrados no alto. Sinto a madeira fria e encerada do X em minhas costas, ele desabotoa a cal�a e me coloca no ch�o encostada na estrutura ao botar a camisinha, e ent�o me segura pelas coxas e me levanta de novo.</p><p>� Levante as pernas e enrosque-se em mim.</p><p>Sinto-me muito fraca, mas obede�o enquanto ele p�e minhas pernas em volta de seus quadris e se posiciona embaixo de mim. Com um tranco, ele est� dentro de mim, e grito de novo, escutando o gemido abafado dele no meu ouvido. Descanso os bra�os em seus ombros ao ser penetrada. Nossa, est� metendo muito fundo. Ele mete de novo, e de novo, o rosto no meu pesco�o, a respira��o �spera na minha garganta. Sinto novamente a sensa��o crescendo. N�o... de novo, n�o... Acho que meu corpo n�o vai aguentar outro tranco. Mas n�o tenho escolha... e, com a inevitabilidade que j� est� ficando familiar, relaxo e gozo mais uma vez, e � uma agonia doce e intensa. Perco toda a no��o de identidade. Christian acompanha, gritando de al�vio entre dentes cerrados, me abra�ando com for�a.</p><p>Ele se retira de mim rapidamente e me coloca sentada no X, com seu corpo me apoiando. Desafivela as algemas, solta minhas m�os, e n�s dois afundamos no ch�o. Ele me puxa para seu colo, me aconchegando, e encosto a cabe�a em seu peito. Se tivesse for�as, eu tocaria nele, mas n�o tenho. Com um pouco de atraso, noto que ainda est� usando a cal�a.</p><p>� Muito bem � murmura. � Doeu?</p><p>� N�o � sussurro.</p><p>Mal consigo manter os olhos abertos. <emphasis>Por que estou t�o cansada?</emphasis></p><p>� Esperava que doesse? � pergunta ele ao me envolver mais para perto, tirando do meu rosto uns cachos que se soltaram.</p><p>� Sim.</p><p>� Est� vendo? O medo est� na sua cabe�a, Anastasia. � Ele faz uma pausa. � Voc� faria isso de novo?</p><p>Penso um instante, o cansa�o turvando minha mente... <emphasis>De novo?</emphasis></p><p>� Sim. � Minha voz � doce.</p><p>Ele me abra�a apertado.</p><p>� �timo. Eu tamb�m � murmura ele, depois se inclina e me d� um beijo macio no alto da cabe�a.</p><p>� E ainda n�o acabei com voc�.</p><p><emphasis>Ainda n�o acabou comigo. Deus do c�u.</emphasis> N�o tenho condi��es de continuar. Estou absolutamente exausta e lutando contra um desejo avassalador de dormir. Estou encostada em seu peito, os olhos fechados, e ele est� enroscado em mim � com os bra�os e as pernas � e me sinto... segura, e muito confort�vel. Ser� que ele vai me deixar dormir, quem sabe, sonhar? Sorrio diante dessa ideia boba, e, encostando o rosto no peito dele, inspiro aquele perfume �nico e esfrego o nariz nele, mas na mesma hora ele fica tenso... ai, merda. Abro os olhos para olh�-lo. Est� me encarando.</p><p>� N�o � avisa baixinho.</p><p>Enrubes�o e olho de novo para o peito dele, cheia de desejo. Quero passar a l�ngua em seus pelos, beij�-lo e, pela primeira vez, vejo que ele tem o peito salpicado de pequeninas cicatrizes redondas. <emphasis>Catapora? Sarampo?,</emphasis> penso distraidamente.</p><p>� Ajoelhe-se ao lado da porta � ordena ao se sentar, colocando as m�os nos joelhos, finalmente me soltando.</p><p>J� n�o est� carinhoso, a temperatura de sua voz caiu v�rios graus.</p><p>Levanto-me desajeitadamente, corro at� a porta e me ajoelho conforme fui instru�da. Estou tr�mula e cansad�ssima, bastante confusa. Quem diria que eu poderia encontrar tamanha satisfa��o neste quarto? Quem diria que isso seria t�o <emphasis>exaustivo?</emphasis> Meus bra�os e minhas pernas est�o pesados, saciados. Minha deusa interior colocou um aviso de N�O PERTURBE do lado de fora do quarto.</p><p>Christian est� andando na periferia do meu campo visual. Minhas p�lpebras come�am a se fechar.</p><p>� Eu a estou aborrecendo, Srta. Steele?</p><p>Desperto com um sobressalto, e Christian est� em p� na minha frente, bra�os cruzados, me fuzilando com os olhos. Ai, merda, fui pega cochilando � isso n�o vai ser bom. Seu olhar suaviza quando olho para ele.</p><p>� Levante-se � ordena.</p><p>Ponho-me de p� com cautela. Ele fica me olhando e esbo�a um sorriso.</p><p>� Voc� est� um caco, n�o �?</p><p>Balan�o a cabe�a concordando, timidamente, e fico vermelha.</p><p>� For�a, Srta. Steele. � Ele franze os olhos para mim. � Ainda n�o estou satisfeito. Fique de m�os postas como se estivesse rezando.</p><p>Pisco para ele. <emphasis>Rezando! Rezando para voc� pegar leve comigo.</emphasis> Obede�o. Ele pega uma bra�adeira de pl�stico e a prende bem apertada em volta dos meus pulsos. Que inferno. Meus olhos voam para os dele.</p><p>� Est� reconhecendo? � pergunta, sem conseguir disfar�ar o sorriso.</p><p>Putz... as bra�adeiras. <emphasis>Ele estava se reabastecendo</emphasis> na Clayton�s! Tudo se esclarece. Olho para ele boquiaberta, sentindo uma nova descarga de adrenalina. Tudo bem � isso me chamou a aten��o � j� estou acordada.</p><p>� Tenho uma tesoura aqui � ele a segura para eu ver. � Posso cortar a bra�adeira e solt�-la imediatamente.</p><p>Tento separar os pulsos, testando a bra�adeira, e o pl�stico afunda na minha carne quando fa�o isso. D�i, mas se eu relaxar os pulsos, n�o incomoda � o fio n�o corta minha pele.</p><p>� Venha.</p><p>Ele pega minhas m�os e me conduz para a cama de quatro colunas. Vejo agora que est� arrumada com len��is vermelhos e tem uma algema em cada canto.</p><p>Ele se abaixa e murmura no meu ouvido:</p><p>� Quero mais. Muito mais.</p><p>E meu cora��o dispara de novo. <emphasis>Caramba.</emphasis></p><p>� Mas vou ser r�pido. Voc� est� cansada. Segure a coluna.</p><p>Franzo a testa. <emphasis>Ent�o n�o � na cama?</emphasis> Descubro que posso separar as m�os ao segurar a coluna de madeira entalhada.</p><p>� Mais embaixo � ordena ele. � �timo. N�o solte. Se soltar, apanha. Entendeu?</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� �timo.</p><p>Ele fica em p� atr�s de mim, agarra meus quadris e me levanta, fazendo com que eu fique inclinada para a frente, segurando a coluna.</p><p>� N�o solte, Anastasia � avisa. � Vou foder voc� com for�a por tr�s. Segure a coluna para se apoiar. Entendeu?</p><p>� Sim.</p><p>Ele me d� uma palmada na bunda. <emphasis>Ai...</emphasis> d�i.</p><p>� Sim, senhor � digo depressa.</p><p>� Abra as pernas.</p><p>Ele p�e a perna entre as minhas, e, segurando meus quadris, empurra minha perna direita para o lado.</p><p>� Assim � melhor. Depois disso, deixo voc� dormir.</p><p>Dormir? Estou ofegante. N�o estou pensando em dormir agora. Ele estica o bra�o e me afaga as costas suavemente.</p><p>� Voc� tem uma pele linda, Anastasia � sussurra, abaixando-se e cobrindo minhas costas de beijos leves como plumas ao longo da coluna.</p><p>Ao mesmo tempo, traz as m�os para a frente do meu corpo, apalpando meus seios, e, ao fazer isso, prende meus mamilos entre os dedos e os puxa com delicadeza.</p><p>Abafo um gemido ao sentir o corpo todo responder, se acendendo de novo para ele.</p><p>Ele me morde e me chupa delicadamente na cintura, puxando meus mamilos, e minhas m�os apertam a coluna finamente entalhada. Suas m�os se afastam, e ou�o o agora familiar ru�do de papel laminado sendo rasgado, e ele se desvencilha das cal�as.</p><p>� Voc� tem uma bunda muito atraente e sensual, Anastasia Steele. O que eu gostaria de fazer com ela?</p><p>Suas m�os alisam e moldam cada uma das minhas n�degas, ent�o seus dedos descem, e ele enfia dois deles dentro de mim.</p><p>� T�o molhadinha. Voc� nunca me decepciona, Srta. Steele � murmura ele, e percebo seu tom de assombro. � Se segure bem... vai ser r�pido, baby.</p><p>Ele agarra meus quadris e se posiciona, e eu me preparo para o ataque, mas ele estica o bra�o e agarra a ponta da minha tran�a, enrolando-a no pulso at� minha nuca, firmando minha cabe�a. Muito lentamente, ele me penetra, puxando meu cabelo ao mesmo tempo. <emphasis>Ah, a sensa��o de preenchimento.</emphasis> Ele sai de mim lentamente, e sua outra m�o segura meus quadris com firmeza, e ent�o ele me penetra com for�a, me sacudindo para a frente.</p><p>� Segure-se, Anastasia! � grita entre dentes.</p><p>Agarro a coluna com mais for�a, me movendo de encontro a ele enquanto continua aquela acometida impiedosa, de novo e de novo, os dedos deixando sua marca em meus quadris. Meus bra�os doem, minhas pernas est�o bambas, meu couro cabeludo come�a a arder de tanto que ele puxa meu cabelo... e sinto algo crescendo dentro de mim. Ah, n�o... e, pela primeira vez, tenho medo do meu orgasmo... se eu gozar... vou desmaiar. Christian continua movimentando o corpo com brutalidade contra o meu, a respira��o �spera, gemendo, grunhindo. Meu corpo est� respondendo... <emphasis>como?</emphasis> Sinto um espasmo. Mas, de repente, Christian para, cravando fundo para valer.</p><p>� Vamos, Ana, goze para mim � grunhe ele, e meu nome em seus l�bios me leva � loucura, e me transformo na vertiginosa sensa��o f�sica e no doce orgasmo, perdendo total e completamente os sentidos.</p><p>Quando volto � raz�o, estou deitada em cima dele. Ele est� de costas no ch�o e eu estou olhando para o teto, exultante naquela exaust�o p�s-coito. <emphasis>Ah... os mosquet�es,</emphasis> penso distraidamente � eu tinha me esquecido deles. Christian esfrega o nariz na minha orelha.</p><p>� Levante as m�os � diz ele baixinho.</p><p>Meus bra�os parecem de chumbo, mas eu os levanto. Ele pega a tesoura e passa uma l�mina sob o pl�stico.</p><p>� Eu a declaro inaugurada � sussurra, ao cortar o pl�stico.</p><p>Rio, e esfrego os pulsos depois que s�o soltos. Sinto a satisfa��o dele.</p><p>� Que som encantador � diz nostalgicamente.</p><p>Senta-se de repente, me levando junto, e fico outra vez em seu colo.</p><p>� A culpa � minha � diz ele, e me leva para a frente para poder massagear meus ombros e bra�os. Delicadamente, ele ativa a circula��o dos meus membros.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>Olho-o atr�s de mim, tentando entender o que quer dizer.</p><p>� Por voc� n�o rir com mais frequ�ncia.</p><p>� N�o sou de ficar rindo � toa � resmungo sonolenta.</p><p>� Ah, mas quando isso acontece, Srta. Steele, � um deleite para os sentidos.</p><p>� Muito lisonjeiro, Sr. Grey � murmuro, tentando ficar de olhos abertos.</p><p>Ele relaxa e sorri.</p><p>� Eu diria que voc� est� muito fodida e precisa dormir.</p><p>� Isso n�o foi nada lisonjeiro � resmungo jovialmente.</p><p>Ele sorri e me retira delicadamente de cima dele ao se levantar, gloriosamente nu. Desejo por um instante estar mais desperta para poder realmente apreci�-lo. Ele pega a cal�a e a veste, sem cueca.</p><p>� N�o quero assustar o Taylor, nem a Sra. Jones quanto a isso � diz.</p><p><emphasis>Humm... eles devem saber que filho da m�e sacana ele �</emphasis>. A ideia me preocupa.</p><p>Ele se abaixa para me ajudar a ficar em p� e me conduz at� a porta, atr�s da qual est� pendurado um roup�o atoalhado cinza. Pacientemente, me veste como se eu fosse uma criancinha. N�o tenho for�as para levantar os bra�os. Quando estou coberta e respeit�vel, ele se abaixa e me d� um beijo delicado, a boca se abrindo num r�pido sorriso.</p><p>� Para a cama � diz ele.</p><p><emphasis>Ah... n�o...</emphasis></p><p>� Para dormir � acrescenta ao ver minha express�o.</p><p>De repente, me levanta e me carrega encolhida no colo para o quarto mais adiante no corredor onde a Dra. Greene me examinou hoje. Vou com a cabe�a ca�da em seu peito. Estou exausta. N�o me lembro de j� ter estado t�o cansada. Ele afasta o edredom, me deita na cama e, o que � mais surpreendente, se deita ao meu lado e me abra�a.</p><p>� Agora durma, linda menina � murmura, beijando meu cabelo.</p><p>E antes de poder fazer um coment�rio divertido, j� adormeci.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO DEZENOVE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Sinto l�bios macios deixando um rastro de beijos doces na minha t�mpora, e uma parte de mim quer virar e corresponder, mas o que eu mais quero � continuar dormindo. Dou um gemido e me aninho no travesseiro.</p><p>� Anastasia, acorde. � A voz de Christian � doce, tentando me convencer.</p><p>� N�o � gemo.</p><p>� Temos que sair em meia hora para jantar na casa dos meus pais. � Ele est� achando gra�a.</p><p>Abro os olhos com relut�ncia. Anoitece l� fora. Christian est� debru�ado na cama, olhando-me com aten��o.</p><p>� Vamos, dorminhoca. Levante-se.</p><p>Ele se abaixa e torna a me beijar.</p><p>� Trouxe algo para voc� beber. Estarei l� embaixo. N�o volte a dormir ou vai estar encrencada � amea�a, mas num tom af�vel.</p><p>Ele me d� um beijo r�pido e sai, deixando-me sonolenta naquele quarto frio e austero.</p><p>Estou descansada, mas, de repente, fico nervosa. Caramba, vou conhecer os pais dele! Ele acabou de me dar uma surra de chicote de montaria e de me amarrar com uma bra�adeira de pl�stico que eu lhe vendi, pelo amor de Deus � e vou conhecer os pais dele. Ser� tamb�m a primeira vez que Kate estar� com eles � pelo menos ela estar� l� para me apoiar. Giro os ombros. Est�o tensos. A exig�ncia dele para que eu tenha um personal trainer agora n�o parece bizarra. Na verdade, um personal trainer � indispens�vel se eu quiser ter alguma esperan�a de acompanhar esse ritmo.</p><p>Levanto-me da cama devagar e vejo que meu vestido est� pendurado do lado de fora do arm�rio e meu suti� est� em cima da cadeira. Cad� minha calcinha? Olho embaixo da cadeira. Nada. Ent�o, me lembro � ele a guardou no bolso da cal�a. A lembran�a me faz corar, depois que ele... nem consigo pensar nisso, ele foi muito... b�rbaro. Franzo o cenho. <emphasis>Por que ele n�o devolveu minha calcinha?</emphasis></p><p>Entro furtivamente no banheiro, desconcertada com a aus�ncia da calcinha. Enquanto me seco ap�s uma ducha agrad�vel mas r�pida demais, percebo que fez isso de prop�sito. Quer que eu fique constrangida e pe�a a calcinha de volta, e ele vai dizer sim ou n�o. Minha deusa interior sorri para mim. <emphasis>Diabo... esse jogo � para dois.</emphasis> Nesse momento, resolvo n�o lhe perguntar pela pe�a �ntima e n�o lhe dar essa satisfa��o. Vou conhecer os pais dele sem calcinha. <emphasis>Anastasia Steele!,</emphasis> meu inconsciente me repreende, mas n�o lhe dou ouvidos � quase me abra�o de contentamento porque sei que isso vai deix�-lo louco.</p><p>Volto para o quarto, ponho o suti�, coloco o vestido e cal�o os sapatos. Solto a tran�a e escovo o cabelo �s pressas, depois olho para a bebida que ele deixou. � rosa-claro. O que � isso? Cranberry e �gua com g�s. Humm.. � uma del�cia e mata minha sede.</p><p>Entro rapidamente no banheiro para me ver no espelho: olhos brilhantes, rosto ligeiramente corado, um ligeiro ar de complac�ncia por causa do plano da calcinha, e ent�o des�o. Quinze minutos. Nada mal, Ana.</p><p>Christian est� parado junto � janela panor�mica, usando a cal�a de flanela cinza que eu adoro, aquela que cai nos quadris daquele jeito incrivelmente sensual, e, claro, camisa de linho branco. Ser� que ele n�o tem nenhuma de outra cor? Saindo das caixas de som, a voz macia de Frank Sinatra. Christian se vira e sorri quando entro. Ele me olha com expectativa.</p><p>� Oi � digo baixinho, e meu sorriso enigm�tico encontra o dele.</p><p>� Oi � diz ele. � Como se sente? � pergunta com um olhar divertido.</p><p>� Bem, obrigada. E voc�?</p><p>� Me sinto superbem, Srta. Steele.</p><p>Ele est� louco para que eu diga alguma coisa.</p><p>� Sinatra. Nunca imaginei que fosse f� dele.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas para mim, o olhar curioso.</p><p>� Gosto ecl�tico, Srta. Steele � murmura, e vem andando na minha dire��o feito uma pantera at� parar na minha frente. Seu olhar � t�o intenso que me tira o f�lego.</p><p>Sinatra come�a a cantar... uma can��o antiga, uma das preferidas de Ray, �Witchcraft�. Christian passa devagarinho os dedos no meu rosto, e imediatamente sinto o efeito l� <emphasis>embaixo</emphasis>.</p><p>� Dance comigo � diz, a voz rouca.</p><p>Ele tira o controle remoto do bolso, aumenta o volume e me estende a m�o, aquele olhar cinzento cheio de promessa, desejo e humor. Ele � totalmente sedutor, e estou enfeiti�ada. Dou-lhe a m�o. Ele sorri pregui�osamente para mim, me puxa para junto de si e me envolve pela cintura.</p><p>Ponho uma m�o em seu ombro e sorrio para ele, surpreendida por seu bom humor contagiante. Ele d� um passo para o lado, e come�amos a dan�ar. Nossa, como ele dan�a! Evolu�mos pela casa toda, da janela at� a cozinha e voltando, rodopiando e girando no compasso da m�sica. E, do jeito que ele conduz, � muito f�cil acompanhar.</p><p>Deslizamos ao redor da mesa de jantar, chegamos at� o piano, recuamos e avan�amos diante da parede de vidro. Seattle piscando l� fora, um mural escuro e m�gico para nossa dan�a. N�o consigo evitar de ficar rindo � toa. Ele sorri para mim quando a m�sica termina.</p><p>� N�o h� feiticeira mais bela que voc� � murmura, e me beija com do�ura. � Bem, dan�ar deu uma corzinha ao seu rosto, Srta. Steele. Obrigado pela dan�a. Pronta para conhecer meus pais?</p><p>� N�o h� de qu�, e sim, mal posso esperar para conhec�-los � respondo esbaforida.</p><p>� Tem tudo de que precisa?</p><p>� Ah, sim � respondo docemente.</p><p>� Tem certeza?</p><p>Balan�o a cabe�a do jeito mais descontra�do que consigo sob aquele seu exame minucioso e divertido. Ele abre um sorriso de orelha a orelha, e balan�a a cabe�a.</p><p>� Tudo bem. Se � este o jogo que quer fazer, Srta. Steele.</p><p>Ele me d� a m�o, pega o casaco que est� pendurado num dos bancos do bar, e me leva para o elevador. Ah, as muitas facetas de Christian Grey. <emphasis>Ser� que algum dia conseguirei entender este homem vol�vel?</emphasis></p><p>Olho para ele no elevador. Est� achando gra�a em alguma piada particular, um sorriso se esbo�ando naquela boca encantadora. Receio que seja � minha custa. <emphasis>Onde eu estava com a cabe�a?</emphasis> Vou conhecer os pais dele e n�o estou usando calcinha. Meu inconsciente me d� aquele olhar de �eu te disse� que n�o ajuda nada. Na relativa seguran�a do apartamento dele, a ideia parecia engra�ada, provocante. Agora, estou quase na rua <emphasis>sem calcinha!</emphasis> Ele me olha, e l� est� a eletricidade aumentando entre n�s. Seu olhar divertido desaparece, e ele fica com uma express�o enigm�tica, um olhar misterioso... <emphasis>ai</emphasis>, <emphasis>meu Deus.</emphasis></p><p>As portas do elevador se abrem no t�rreo. Christian balan�a a cabe�a, como se quisesse clarear as ideias, e faz um gesto me convidando a sair antes dele, demonstrando cavalheirismo. <emphasis>Quem ele est� enganando?</emphasis> Ele n�o � nada cavalheiro. Est� com minha calcinha.</p><p>Taylor chega no Audi. Christian abre a porta traseira para mim, entro com toda a eleg�ncia poss�vel, considerando meu estado de nudez descarada. Ainda bem que o vestido cor de ameixa de Kate � muito justo e o comprimento � na altura do joelho.</p><p>Vamos em alta velocidade pela Interestadual 5, ambos calados, sem d�vida inibidos com a presen�a de Taylor. O estado de esp�rito de Christian � quase tang�vel e parece mudar, o bom humor se dissipando lentamente no caminho. Ele est� pensativo, olhando pela janela, e sei que est� se afastando de mim. Em que est� pensando? N�o posso lhe perguntar. O que posso falar na frente de Taylor?</p><p>� Onde aprendeu a dan�ar? � pergunto hesitante.</p><p>Ele se vira para mim, os olhos misteriosos no clar�o intermitente dos postes de luz que passam.</p><p>� Quer saber mesmo? � responde baixinho.</p><p>Fico aflita, e agora n�o quero porque posso adivinhar.</p><p>� Quero � murmuro com relut�ncia.</p><p>� Mrs. Robinson gostava de dan�ar.</p><p>Ah, minha pior suspeita confirmada. Ela lhe ensinou bem, e esse pensamento me deprime � n�o h� nada que eu possa lhe ensinar. N�o tenho nenhuma habilidade especial.</p><p>� Ela deve ter sido uma boa professora.</p><p>� Ela foi.</p><p>Meu couro cabeludo formiga. Ser� que ela teve o que ele tinha de melhor? Antes de ele se tornar t�o fechado? Ou ser� que ela o fez desabrochar? Ele tem um lado t�o divertido, t�o brincalh�o. Sorrio sem querer ao lembrar que estive em seus bra�os enquanto ele rodopiava comigo pela sala, algo t�o inesperado, e que ele est� com minha calcinha em algum lugar.</p><p>E a� tem o Quarto Vermelho da Dor. Esfrego os pulsos num ato reflexo � bra�adeiras de pl�stico fazem isso com uma garota. Ela lhe ensinou tudo isso, tamb�m, ou o estragou, dependendo do ponto de vista. Ou talvez ele fosse assim com ou sem ela. Neste momento me dou conta de que a odeio. Espero nunca encontr�-la porque n�o me responsabilizo pelos meus atos se isso acontecer. N�o me lembro de ter tanta raiva de uma pessoa, sobretudo de algu�m que n�o conhe�o. Olhando pela janela sem enxergar nada, alimento meu �dio e meu ci�me irracionais.</p><p>Meu pensamento se deixa levar para a tarde de hoje. Pelo que percebi das prefer�ncias dele, acho que pegou leve comigo. <emphasis>Ser� que eu faria isso de novo?</emphasis> Nem sequer posso fingir criar caso por causa disso. Claro que faria, se ele me pedisse � desde que n�o me machucasse e que essa fosse a �nica maneira de estar com ele.</p><p>Essa � a moral da hist�ria. Quero estar com ele. Minha deusa interior suspira aliviada. Chego � conclus�o de que ela raramente usa o c�rebro para pensar, usa antes outra parte de sua anatomia, e, no momento, trata-se de uma parte bastante exposta.</p><p>� N�o � murmura ele.</p><p>Estranho, e o encaro.</p><p>� N�o o qu�?</p><p>N�o encostei nele.</p><p>� N�o pense demais, Anastasia. � Ele pega minha m�o, leva-a aos l�bios e beija delicadamente os n�s dos meus dedos. � Tive uma tarde maravilhosa. Obrigado.</p><p>E est� de novo comigo. Pisco para ele e sorrio timidamente. Ele � muito complicado. Fa�o uma pergunta que anda me incomodando.</p><p>� Por que voc� usa bra�adeira de pl�stico?</p><p>Ele sorri para mim.</p><p>� � r�pido, f�cil, e � algo que deixa voc� experimentar uma sensa��o diferente. Sei que essas bra�adeiras s�o um pouco brutas, e gosto disso nos dispositivos de conten��o. � Ele me d� um sorriso doce. � Muito eficientes para botar voc� em seu lugar.</p><p>Enrubes�o e olho agitada para Taylor, que permanece impass�vel, olhos na estrada. <emphasis>O que devo dizer a respeito disso?</emphasis> Christian d� de ombros inocentemente.</p><p>� Faz parte do meu mundo, Anastasia.</p><p>Ele aperta e solta minha m�o, olhando pela janela de novo.</p><p>O mundo dele, de fato, e quero que meu lugar seja ali, mas nesses termos? Simplesmente n�o sei. Ele n�o mencionou aquele maldito contrato. Minhas reflex�es n�o me animam nem um pouco. Olho pela janela, e a paisagem mudou. A noite escura reflete meu estado de esp�rito introspectivo, fechado, sufocado.</p><p>Vejo que Christian est� me olhando.</p><p>� Dou um doce para saber o que voc� tem na cabe�a � diz.</p><p>Suspiro e fecho a cara.</p><p>� � ruim assim? � pergunta.</p><p>� Eu queria saber o que voc� estava pensando.</p><p>Ele d� um sorrisinho.</p><p>� Idem � diz, e Taylor segue veloz no meio da noite em dire��o a Bellevue.</p><p>* * *</p><p>S�O QUASE OITO horas quando o Audi pega o caminho de acesso de uma mans�o em estilo colonial. � de tirar o f�lego, at� no que diz respeito �s rosas em volta da porta. Uma pintura perfeita.</p><p>� Est� preparada? � pergunta Christian enquanto Taylor estaciona diante da impressionante porta de entrada.</p><p>Confirmo com a cabe�a, e ele torna a apertar minha m�o, tranquilizando-me.</p><p>� Primeira vez para mim tamb�m � sussurra, depois d� um sorriso malicioso. � Aposto que voc� queria estar de calcinha agora � provoca.</p><p>Enrubes�o. Eu tinha me esquecido da calcinha. Felizmente, Taylor j� est� abrindo minha porta, e n�o pode ouvir nosso di�logo. Franzo as sobrancelhas para Christian, que d� um sorriso largo quando saio do carro.</p><p>A Sra. Grace Trevelyan-Grey est� � porta nos esperando. O vestido de seda azul-claro lhe d� um visual elegante e sofisticado. Atr�s dela, vejo o Sr. Grey, presumo, alto, louro e t�o bonito quanto Christian.</p><p>� Anastasia, voc� j� conheceu minha m�e, Grace. Este � meu pai, Carrick.</p><p>� Sr. Grey, muito prazer em conhec�-lo. � Sorrio e aperto a m�o que ele me estende.</p><p>� O prazer � meu, Anastasia.</p><p>� Me chame de Ana, por favor.</p><p>Seus olhos azuis s�o meigos e gentis.</p><p>� Ana, que bom ver voc� de novo. � Grace me d� um abra�o carinhoso. � Entre, querida.</p><p>� Ela est� a�? � Ou�o uma gargalhada vindo do interior da casa. Olho nervosamente para Christian.</p><p>� Deve ser Mia, minha irm� ca�ula � diz ele quase irritado, mas n�o exatamente.</p><p>H� uma corrente de afeto em suas palavras, em seu jeito mais suave de falar, estreitando os olhos ao mencionar o nome dela. Christian naturalmente a adora. Isso � uma revela��o, e ela vem correndo pelo hall, cabelos negros, alta e curvil�nea. Tem mais ou menos minha idade.</p><p>� Anastasia! J� ouvi falar muito de voc�.</p><p>Ela me d� um abra�o apertado.</p><p><emphasis>Caramba.</emphasis> N�o posso deixar de sorrir diante de seu entusiasmo sem limites.</p><p>� Ana, por favor � murmuro ao ser arrastada para o vasto hall. � todo de assoalho de madeira escura e tapetes, com uma ampla escadaria para o segundo andar.</p><p>� Ele nunca trouxe nenhuma garota aqui em casa � diz Mia toda animada, os olhos escuros brilhando.</p><p>Vejo Christian revirando os olhos, e ergo as sobrancelhas para ele. Ele estreita os olhos para mim.</p><p>� Calma, Mia � Grace censura com do�ura. � Ol�, querido � diz ela ao dar dois beijinhos em Christian.</p><p>Ele sorri com carinho para ela, e depois cumprimenta o pai.</p><p>Todos damos meia-volta e nos dirigimos para a sala. Mia ainda n�o soltou minha m�o. A sala � espa�osa, mobiliada com bom gosto em tons de creme, marrom e azul-claro � confort�vel, discreta e cheia de estilo. Kate e Elliot est�o agarrados num sof�, ta�as de champanhe em punho. Kate se levanta para me abra�ar, e finalmente Mia solta minha m�o.</p><p>� Oi, Ana! � Ela sorri. � Christian � cumprimenta-o com um gesto de cabe�a seco.</p><p>� Kate. � Ele � igualmente formal com ela.</p><p>Franzo a testa para aquele di�logo. Elliot me d� um abra�o exagerado. O que � isso, a Semana de Abra�ar a Ana? Essa manifesta��o excessiva de afeto... simplesmente n�o estou acostumada com isso. Christian est� parado a meu lado, o bra�o em volta de mim. Com a m�o nos meus quadris, ele abre os dedos e me puxa para junto dele. Todo mundo est� nos olhando. � aflitivo.</p><p>� O que querem beber? � O Sr. Grey parece se recuperar. � Prosecco?</p><p>� Por favor � Christian e eu respondemos em un�ssono.</p><p>Ah... isso est� muito esquisito. Mia bate palmas.</p><p>� Voc�s est�o at� falando a mesma coisa. Eu pego. � Ela sai depressa da sala.</p><p>Fico vermelha e, ao ver Kate sentada com Elliot, ocorre-me que Christian s� me convidou porque Kate est� aqui. Elliot provavelmente convidou Kate espontaneamente para conhecer os pais. Christian ficou encurralado � sabendo que eu descobriria isso por Kate. Franzo a testa ao pensar nisso. Ele me convidou por obriga��o. Essa percep��o � triste e deprimente. Meu inconsciente balan�a a cabe�a sabiamente, com aquela cara de �at� que enfim voc� sacou, sua burra�.</p><p>� O jantar est� quase pronto � diz Grace ao sair com Mia da sala.</p><p>Christian franze a testa e olha para mim.</p><p>� Sente-se � ordena, apontando para o sof� de veludo, e obede�o, cruzando as pernas com cuidado. Ele se senta a meu lado, mas n�o encosta em mim.</p><p>� Est�vamos falando sobre f�rias, Ana � diz o Sr. Grey com simpatia. � Elliot resolveu ir passar uma semana com Kate e a fam�lia dela em Barbados.</p><p>Olho para Kate, e ela ri, arregalando os olhos brilhantes. Est� exultante. Katherine Kavanagh, mostre um pouco de dignidade!</p><p>� Vai descansar um pouco agora que se formou? � pergunta-me o Sr. Grey.</p><p>� Estou pensando em passar uns dias na Ge�rgia � respondo.</p><p>Christian me olha boquiaberto, piscando umas duas vezes, a express�o indecifr�vel. <emphasis>Ah, merda.</emphasis> N�o tinha falado disso com ele.</p><p>� Ge�rgia? � murmura.</p><p>� Minha m�e mora l�, e n�o a vejo faz tempo.</p><p>� Quando pretende ir? � Seu tom � grave.</p><p>� Amanh�, no fim da tarde.</p><p>Mia volta para a sala e nos entrega um prosecco ros� servido em ta�as de champanhe.</p><p>� � nossa sa�de! � O Sr. Grey ergue a ta�a. O brinde adequado partindo do marido de uma m�dica me faz sorrir.</p><p>� Por quanto tempo? � pergunta Christian, a voz enganosamente suave.</p><p><emphasis>Puta merda... ele est� zangado.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> N�o sei ainda. Vai depender das entrevistas de amanh�.</p><p>Ele cerra as mand�bulas, e Kate faz aquela cara de intrometida. D� um sorriso carinhoso for�ado.</p><p>� Ana merece um descanso � diz enfaticamente para Christian.</p><p>Por que � t�o hostil a ele? Qual � o problema dela?</p><p>� Voc� tem entrevistas? � pergunta o Sr. Grey.</p><p>� Sim, amanh�, para est�gio em duas editoras.</p><p>� Desejo-lhe muito boa sorte.</p><p>� O jantar est� servido � anuncia Grace.</p><p>Todos nos levantamos. Kate e Elliot saem da sala com o Sr. Grey e Mia. Come�o a acompanh�-los, mas Christian segura meu bra�o, detendo-me bruscamente.</p><p>� Quando ia me contar da viagem? � pergunta, apressado. Seu tom de voz � terno, mas ele est� disfar�ando a raiva.</p><p>� N�o vou viajar. Vou visitar minha m�e, e ainda estava planejando ir.</p><p>� E nosso acordo?</p><p>� Ainda n�o temos um acordo.</p><p>Ele aperta os olhos, e depois parece se lembrar. Solta minha m�o, me d� o bra�o e me conduz para a outra sala.</p><p>� Esta conversa ainda n�o terminou � sussurra amea�adoramente ao entrarmos na sala de jantar.</p><p>Ah, droga. Deixe de ser t�o esquentadinho... <emphasis>e devolva minha calcinha.</emphasis> Fuzilo-o com os olhos.</p><p>A sala de jantar me lembra o nosso jantar �ntimo no Heathman. H� um lustre de cristal sobre a mesa de madeira escura, e um imenso espelho com uma bela moldura entalhada na parede. A mesa, coberta com uma toalha de linho branca engomada, tem como centro um vaso de pe�nias rosa-claro. � espetacular.</p><p>Tomamos nossos lugares. O Sr. Grey est� � cabeceira, eu, � sua direita, e Christian, ao meu lado. O Sr. Grey pega a garrafa aberta de vinho tinto e serve Kate. Mia senta-se ao lado de Christian, segura a m�o dele e aperta-a com for�a. Christian sorri com carinho para ela.</p><p>� Onde conheceu a Ana? � pergunta-lhe Mia.</p><p>� Ela me entrevistou para o jornal da WSU.</p><p>� Editado pela Kate � acrescento, esperando afastar a conversa da minha pessoa.</p><p>Mia sorri para Kate, sentada � sua frente ao lado de Elliot, e elas come�am a falar sobre o jornal da faculdade.</p><p>� Vinho, Ana? � pergunta o Sr. Grey.</p><p>� Por favor.</p><p>Sorrio para ele. O Sr. Grey se levanta para servir as demais ta�as.</p><p>Olho para Christian, e ele se vira para mim, a cabe�a inclinada.</p><p>� O qu�? � pergunta.</p><p>� Por favor, n�o fique zangado comigo � sussurro.</p><p>� N�o estou zangado com voc�.</p><p>Fico olhando para ele. Ele suspira.</p><p>� Estou zangado com voc�, sim.</p><p>Ele fecha os olhos por um instante.</p><p>� Muito zangado? � pergunto inquieta.</p><p>� Sobre o que voc�s dois est�o cochichando? � interrompe Kate.</p><p>Enrubes�o, e Christian lhe lan�a um olhar furioso como quem diz �n�o se meta nisso, Kavanagh�. At� Kate murcha sob o olhar dele.</p><p>� Sobre minha viagem � Ge�rgia � digo docemente, esperando desarmar a hostilidade m�tua deles.</p><p>Kate sorri, com um brilho malicioso nos olhos.</p><p>� Como estava o Jos� na sexta-feira quando voc� foi com ele ao bar?</p><p><emphasis>Puta que pariu, Kate.</emphasis> Arregalo os olhos para ela. O que est� fazendo? Ela arregala os olhos para mim, e vejo que est� tentando deixar Christian enciumado. <emphasis>Ela n�o sabe de nada.</emphasis> Pensei que tivesse me safado dessa.</p><p>� Estava bem � murmuro.</p><p>Christian se inclina para o meu lado.</p><p>� Muito zangado � sussurra. � Especialmente agora.</p><p>Seu tom � calmo e mortal.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis> Contor�o-me.</p><p>Grace ressurge trazendo dois pratos, acompanhada de uma jovem loura de maria-chiquinha. A jovem est� elegantemente vestida de azul-claro, e vem com uma bandeja de pratos. Seus olhos imediatamente encontram os de Christian na sala. Ela cora e olha para ele sob umas pestanas compridas cobertas de r�mel. <emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>Em algum lugar da casa um telefone toca.</p><p>� Com licen�a.</p><p>O Sr. Grey torna a se levantar e se retira.</p><p>� Obrigada, Gretchen � diz Grace com delicadeza, franzindo as sobrancelhas quando o Sr. Grey se retira. � Deixe a bandeja no aparador.</p><p>Gretchen balan�a a cabe�a e sai, dando outra olhadinha furtiva para Christian.</p><p>Ent�o os Grey t�m uma empregada, e a empregada est� despindo com os olhos o <emphasis>meu</emphasis> aspirante a Dominador. Ser� que essa noite pode ficar pior ainda? Cruzo os bra�os e fecho a cara, os olhos baixos.</p><p>O Sr. Grey volta.</p><p>� � para voc�, querida. Do hospital � diz ele a Grace.</p><p>� Por favor, comecem todos.</p><p>Grace sorri ao me entregar um prato e sai.</p><p>A comida tem um cheiro delicioso � vieiras com lingui�a, piment�es vermelhos e cebola, salpicadas de salsa. E, apesar de estar com um n� na barriga por causa das amea�as veladas de Christian, dos olhares furtivos da bonitinha Srta. Maria-Chiquinha e do desastre da calcinha desaparecida, estou faminta. Coro ao me dar conta de que foi o esfor�o f�sico de hoje � tarde que me deu tanta fome.</p><p>Momentos depois, Grace volta, com um ar preocupado. O Sr. Grey inclina a cabe�a... como Christian.</p><p>� Tudo bem?</p><p>� Mais um caso de sarampo. � Grace suspira.</p><p>� Ah, n�o.</p><p>� �, uma crian�a. O quarto caso este m�s. Se ao menos as pessoas vacinassem os filhos. � Ela balan�a a cabe�a com tristeza, e depois sorri. � Ainda bem que nossos filhos nunca passaram por isso. Nunca pegaram nada pior que catapora, gra�as a Deus. Coitado do Elliot � diz ao se sentar, sorrindo com indulg�ncia para o filho. Elliot franze o cenho com a comida na boca, constrangido. � Christian e Mia tiveram sorte. Pegaram uma catapora muito branda, cada um s� teve meia feridinha.</p><p>Mia sorri e Christian revira os olhos.</p><p>� Ent�o, pegou o jogo dos Mariners, pai?</p><p>Elliot visivelmente quer muito mudar de assunto.</p><p>Os <emphasis>hors d�oeuvres</emphasis> est�o deliciosos, e me concentro em comer enquanto Elliot, o Sr. Grey e Christian falam de beisebol. Christian parece relaxado e calmo conversando com os familiares. Minha cabe�a est� a mil. Maldita Kate, que jogo ela est� fazendo? <emphasis>Ser� que ele vai me castigar?</emphasis> Encolho-me de medo s� de pensar nisso. Ainda n�o assinei aquele contrato. Talvez n�o assine. Talvez eu fique na Ge�rgia, onde ele n�o pode me alcan�ar.</p><p>� Est� se adaptando ao apartamento novo, querida? � pergunta Grace educadamente.</p><p>Fico agradecida pela pergunta dela, que me distrai dos meus pensamentos disparatados, e lhe conto tudo sobre nossa mudan�a.</p><p>Quando terminamos o primeiro prato, Gretchen aparece, e, mais uma vez, eu gostaria de ter a liberdade de tocar em Christian � vontade s� para mostrar a ela � ele pode ter sido fodido em cinquenta tons, mas � meu. Ela come�a a retirar os pratos, chegando muito perto de Christian para o meu gosto. Felizmente, ele parece alheio a ela, mas minha deusa interior est� soltando fuma�a e de um jeito que n�o � bom.</p><p>Kate e Mia est�o conversando animadamente sobre Paris.</p><p>� Voc� conhece Paris, Ana? � pergunta Mia inocentemente, tirando-me do meu devaneio enciumado.</p><p>� N�o, mas adoraria conhecer.</p><p>Sei que sou a �nica da mesa que nunca saiu dos Estados Unidos.</p><p>� Passamos a lua de mel em Paris.</p><p>Grace sorri para o Sr. Grey, que retribui o sorriso.</p><p>� quase embara�oso de ver. Est� na cara que eles se amam muito, e eu me pergunto por um instante como seria crescer com os dois pais <emphasis>in situ.</emphasis></p><p>� � uma cidade linda � concorda Mia. � Apesar dos parisienses. Christian, voc� devia levar Ana a Paris � declara Mia com determina��o.</p><p>� Acho que a Anastasia iria preferir Londres � diz Christian com do�ura.</p><p><emphasis>Ah... ele se lembrou.</emphasis> Ele p�e a m�o em meu joelho � os dedos subindo pela minha coxa. Meu corpo inteiro se retesa em resposta. <emphasis>N�o... aqui n�o, agora n�o.</emphasis> Coro e mudo de posi��o, tentando me afastar dele. Ele agarra minha coxa, me imobilizando. Em desespero, pego o meu vinho.</p><p>A Srta. Maria-Chiquinha Europeia volta, toda dengosa, com nossos pratos: fil� � Wellington, acho eu. Felizmente, ela nos serve e sai, embora hesite ao entregar o de Christian. Ele me olha intrigado enquanto eu a observo fechar a porta da sala de jantar.</p><p>� Ent�o, qual � o problema dos parisienses? � pergunta Elliot � irm�. � Eles n�o gostaram do seu jeito encantador?</p><p>� N�o gostaram, n�o. E o Monsieur Floubert, o ogro para quem eu trabalhava, era um tirano dominador.</p><p>Tusso na ta�a de vinho.</p><p>� Anastasia, voc� est� bem? � pergunta Christian sol�cito, largando minha coxa.</p><p>Seu tom bem-humorado voltou. <emphasis>Ah, ainda bem.</emphasis> Quando fa�o que sim, ele bate nas minhas costas com delicadeza e s� tira a m�o quando v� que me refiz.</p><p>A carne est� deliciosa e � servida com batata-doce, cenoura, nabo e vagem assados. E fica ainda mais saborosa quando percebo que Christian consegue conservar o bom humor pelo restante do jantar. Desconfio que seja pelo fato de eu estar comendo com tanto apetite. A conversa flui com facilidade entre os Grey, carinhosos e afetuosos, fazendo brincadeiras simp�ticas uns com os outros. Durante a sobremesa de creme de lim�o, Mia nos regala com suas proezas em Paris, a certa altura falando em franc�s sem perceber. Ficamos todos olhando para ela, que olha para n�s sem entender, at� Christian lhe dizer, num franc�s igualmente fluente, o que ela acabou de fazer, ao que ela cai na gargalhada. Ela tem uma risada muito contagiante, e logo estamos todos morrendo de rir.</p><p>Elliot discorre sobre seu �ltimo projeto imobili�rio, uma nova comunidade ecologicamente correta ao norte de Seattle. Olho para Kate, e ela est� prestando aten��o em cada palavra de Elliot, os olhos brilhando de vol�pia ou amor. Ainda n�o decidi muito bem o qu�. Ele ri para ela, e � como se trocassem uma promessa t�cita. <emphasis>At� mais, baby,</emphasis> ele est� dizendo, e isso � excitante, muito excitante. Coro s� de olhar para eles.</p><p>Suspiro e olho para Christian, o meu Cinquenta Tons. Eu poderia ficar olhando eternamente para ele. Sua barba est� come�ando a crescer, e estou louca para passar os dedos nesse queixo e senti-lo ro�ando no meu rosto, nos meus seios... entre as minhas pernas. Enrubes�o ao constatar a dire��o de meus pensamentos. Ele me olha e levanta a m�o para puxar meu queixo.</p><p>� N�o morda o l�bio � murmura num tom rouco. � Eu quero fazer isso.</p><p>Grace e Mia retiram as ta�as de sobremesa e se dirigem para a cozinha, enquanto o Sr. Grey, Kate e Elliot discutem os m�ritos dos pain�is solares no estado de Washington. Fingindo interesse na conversa, Christian p�e de novo a m�o no meu joelho, e seus dedos come�am a subir pela minha coxa. Perco o ar e fecho as pernas, tentando impedir seu avan�o. Vejo-o dar uma risadinha.</p><p>� Quer que eu a leve para conhecer a casa? � pergunta ele francamente.</p><p>Sei que devo dizer sim, mas n�o confio nele. Antes que eu consiga responder, por�m, ele est� de p�, estendendo a m�o para mim. Seguro a m�o dele, e sinto todos os m�sculos se contra�rem no fundo do meu ventre, em resposta �quele seu olhar sinistro e faminto.</p><p>� Com licen�a � digo ao Sr. Grey, e saio da sala com Christian.</p><p>Ele me conduz pelo corredor at� a cozinha, onde Mia e Grace est�o empilhando a lou�a. A Maria-Chiquinha Europeia sumiu.</p><p>� Vou mostrar o jardim � Anastasia � diz Christian inocentemente � m�e. Ela nos d� um adeusinho e sorri enquanto Mia volta para a sala de jantar.</p><p>Sa�mos num p�tio de lajes cinzentas iluminado por luzes embutidas na pedra. H� arbustos em tinas de pedra cinzenta e, a um canto, uma mesa com cadeiras de a�o chiques. Christian passa por elas, sobe alguns degraus e chega num vasto gramado que vai at� a ba�a... uau � � lindo. Seattle pisca no horizonte, e o luar do fresco e claro m�s de maio cria uma trilha efervescente e prateada na �gua em dire��o a um quebra-mar onde h� dois barcos ancorados. Ao lado do quebra-mar, ergue-se um ancoradouro. � muito pitoresco, muito sossegado. Fico parada um instante, olhando boquiaberta.</p><p>Christian vai � frente, me puxando, mas meu salto afunda na grama macia.</p><p>� Pare, por favor. � Estou trope�ando atr�s dele.</p><p>Ele para e olha para mim, a express�o insond�vel.</p><p>� Meu salto. Preciso tirar os sapatos.</p><p>� N�o se incomode � diz ele, e se abaixa, me pega e me joga sobre o ombro.</p><p>Espantada, dou um grito bem alto, e ele d� uma palmada na minha bunda.</p><p>� N�o levante a voz � resmunga.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o... isso n�o est� bom.</emphasis> Meu inconsciente est� de perna bamba. Ele est� zangado por algum motivo � poderia ser o Jos�, a viagem � Ge�rgia, o fato de eu morder o l�bio, de estar sem calcinha. Que droga, ele se irrita � toa.</p><p>� Aonde vamos? � sussurro.</p><p>� Ao ancoradouro � diz ele secamente.</p><p>Seguro-me nos quadris dele, pois estou pendurada de cabe�a para baixo, e ele vai andando com determina��o no gramado ao luar.</p><p>� Por qu�?</p><p>Quicando no ombro dele, minha voz sai ofegante.</p><p>� Preciso ficar sozinho com voc�.</p><p>� Para qu�?</p><p>� Porque vou te dar uma surra e depois te foder.</p><p>� Por qu�? � digo choramingando baixinho.</p><p>� Voc� sabe por qu� � sibila ele.</p><p>� Pensei que voc� fosse o tipo que reage na hora � suplico esbaforida.</p><p>� Anastasia, a hora � agora, confie em mim.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Christian atravessa a porta de madeira do ancoradouro como um foguete e se det�m para ligar alguns interruptores. Ou�o as l�mpadas fluorescentes estalando e zumbindo em sequ�ncia enquanto uma claridade dura inunda a ampla constru��o de madeira. De cabe�a para baixo, noto um iate impressionante flutuando docemente na �gua escura da doca, mas s� o vejo de relance, pois ele logo sobe uma escada de madeira me carregando para o andar de cima.</p><p>Ele para no portal e liga outro interruptor � acendendo agora l�mpadas hal�genas, que s�o mais suaves, com regulador de intensidade � e estamos em um s�t�o de teto inclinado. A decora��o � em estilo n�utico da Nova Inglaterra: combina��o de azul-marinho e creme com tra�os de vermelho. H� poucos m�veis, dois sof�s e � tudo o que consigo ver.</p><p>Christian me coloca de p� no ch�o de madeira. N�o tenho tempo de examinar o ambiente � meus olhos n�o conseguem desgrudar dele. Estou fascinada... observando-o como algu�m faria com um predador raro e perigoso, esperando o bote. Ele est� ofegante, acabou de atravessar o gramado e subir um lance de escada me carregando nas costas. Os olhos cinzentos est�o inflamados de raiva, desejo e pura e leg�tima vol�pia.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Eu poderia entrar em combust�o espont�nea s� com o olhar dele.</p><p>� Por favor, n�o me bata � sussurro, implorando.</p><p>Ele fecha a cara, arregalando os olhos. Pisca duas vezes.</p><p>� N�o quero apanhar de voc�, aqui, agora. Por favor, n�o me bata.</p><p>Ele fica boquiaberto, surpreso. Num rasgo de coragem, estico o bra�o hesitantemente e toco seu rosto, correndo os dedos pela borda da sua costeleta at� a barba crescida em seu queixo. � uma mistura curiosa de maciez com aspereza. Ele fecha os olhos lentamente, encosta o rosto na minha m�o e fica com a respira��o presa na garganta. Levanto a outra m�o e corro os dedos pelo seu cabelo. Ele solta um gemido quase inaud�vel e, quando abre os olhos, est� com o olhar desconfiado, como se n�o entendesse o que estou fazendo.</p><p>Adianto-me, ficando mais perto dele, puxo-o delicadamente pelo cabelo, trazendo sua boca at� a minha, e beijo-o, enfiando a l�ngua em sua boca por entre seus l�bios. Ele geme e me abra�a, puxando-me para junto de seu corpo. Suas m�os encontram meu cabelo, e, forte e possessivo, ele retribui meu beijo. Nossas l�nguas se enroscam, consumindo-se mutuamente. O gosto dele � divino.</p><p>De repente, ele recua, nossas respira��es ofegantes se misturando. Deixo cair as m�os em seus bra�os, e ele me olha furioso.</p><p>� O que est� fazendo comigo? � sussurra, confuso.</p><p>� Beijando voc�.</p><p>� Voc� disse n�o.</p><p>� O qu�?</p><p><emphasis>N�o para qu�?</emphasis></p><p>� Na mesa de jantar, com suas pernas.</p><p><emphasis>Ah... ent�o � tudo por causa disso.</emphasis></p><p>� Mas est�vamos na mesa de jantar dos seus pais. � Olho para ele completamente perplexa.</p><p>� Ningu�m jamais me disse n�o antes. E isso � muito... excitante.</p><p>Seus olhos se arregalam, cheios de espanto e desejo. � uma mistura embriagadora. Engulo em seco instintivamente. Suas m�os descem para minha bunda. Ele me puxa com for�a contra seu corpo, contra sua ere��o.</p><p><emphasis>Minha nossa...</emphasis></p><p>� Voc� ficou zangado e excitado porque eu disse n�o? � suspiro espantada.</p><p>� Estou zangado porque voc� nunca me falou da Ge�rgia. Estou zangado porque voc� foi beber com aquele cara que tentou seduzi-la quando estava b�bada e a largou com uma pessoa praticamente desconhecida quando voc� estava passando mal. Que tipo de amigo faz isso? E estou zangado e excitado porque voc� fechou as pernas para mim.</p><p>Seus olhos t�m um brilho perigoso, e ele est� levantando minha saia devagarinho.</p><p>� Eu quero voc�, e quero agora. E se n�o vai me deixar bater em voc�, que � o que merece, vou trepar com voc� nesse sof� agora mesmo, para o meu prazer, n�o o seu.</p><p>Meu vestido mal cobre meu traseiro nu. De repente ele faz um movimento, envolve meu sexo com a m�o e enfia o dedo devagarinho dentro de mim. Com o outro bra�o em volta da minha cintura, ele me imobiliza. Sufoco o gemido.</p><p>� Isso � meu � sussurra ele, agressivo. � Todo meu. Entendeu?</p><p>Ele fica tirando e enfiando o dedo enquanto me olha, avaliando minha rea��o, o olhar pegando fogo.</p><p>� Sim, seu � sussurro, sentindo aquele tsunami de desejo se propagando pela minha corrente sangu�nea, afetando tudo. Minhas termina��es nervosas, minha respira��o. Meu cora��o dispara, tentando sair do peito, e o sangue lateja em meus ouvidos.</p><p>Com um movimento brusco, ele faz v�rias coisas ao mesmo tempo: retira os dedos de dentro de mim, fazendo com que eu fique querendo mais, abre a braguilha, me empurra para o sof� e se deita por cima de mim.</p><p>� M�os na cabe�a � ordena, dentes cerrados ao se ajoelhar para afastar mais minhas pernas.</p><p>Olhando para mim com uma cara sinistra, p�e a m�o no bolso do palet� e saca um envelopinho de papel laminado antes de se desvencilhar do blazer que cai no ch�o. Ele coloca a camisinha naquela extens�o impressionante.</p><p>Ponho as m�os na cabe�a, e sei que isso � para eu n�o tocar nele. Estou muito excitada. Sinto meus quadris j� se mexendo ao encontro dele � querendo-o dentro de mim � bruto e duro. Ah... a expectativa.</p><p>� N�o temos muito tempo. Isso vai ser r�pido, e � para mim, n�o para voc�. Entendeu? N�o goze, ou vai apanhar � diz entre dentes.</p><p><emphasis>Puta que pariu... como eu paro?</emphasis></p><p>Com uma estocada r�pida, ele est� dentro de mim. Dou um gemido gutural, e exulto ao ser possu�da dessa forma t�o plena. Ele p�e as m�os sobre as minhas no alto da minha cabe�a, for�a meus bra�os com os cotovelos, abaixando-os e abrindo-os, e me imprensa com as pernas. Estou presa. Ele me preenche por inteiro, esmagando-me, quase me sufocando. Mas isso tamb�m � divino. � a minha for�a, � o que eu quero que ele fa�a, � uma sensa��o hedon�stica. Ele se mexe com rapidez e f�ria dentro de mim, a respira��o �spera em meu ouvido, e meu corpo responde, derretendo em volta dele. <emphasis>N�o posso gozar.</emphasis> N�o. Mas estou indo e vindo ao encontro de cada investida dele, um contraponto perfeito. Bruscamente, e muito depressa, ele arremete com for�a e para ao chegar ao orgasmo, sibilando entre dentes. Relaxa por um instante, e sinto todo o seu peso gostoso em cima de mim. N�o estou pronta para deix�-lo se retirar, meu corpo deseja muito um orgasmo, mas ele � muito pesado, e, naquele momento, n�o consigo me mexer. A�, ele sai, me deixando com sede de mais. Ele me olha com raiva.</p><p>� N�o se masturbe. Quero voc� frustrada. � isso que voc� me provoca ao n�o falar comigo, ao me negar o que � meu.</p><p>Seus olhos est�o de novo pegando fogo, zangados.</p><p>Balan�o a cabe�a, arfando. Ele se levanta, tira a camisinha, amarra-a na ponta e a p�e no bolso da cal�a. Olho para ele, a respira��o ainda irregular, e, sem querer, aperto as coxas, tentando me aliviar um pouco. Christian fecha a braguilha e passa a m�o no cabelo ao pegar o blazer. Volta os olhos para mim, a express�o mais suave.</p><p>� � melhor a gente voltar para l�.</p><p>Sento-me, sem muita firmeza, aturdida.</p><p>� Tome. Pode vestir isso.</p><p>Do bolso interno, ele saca minha calcinha. N�o sorrio ao peg�-la da m�o dele, mas, no fundo, eu sei � fui punida com essa trepada, mas tive uma pequena vit�ria com a calcinha. Minha deusa interior balan�a a cabe�a concordando, um sorriso de satisfa��o no rosto.</p><p><emphasis>Voc� n�o precisou pedi-la.</emphasis></p><p><emphasis>� Christian!</emphasis> � grita Mia do t�rreo.</p><p>Ele se vira e levanta as sobrancelhas para mim.</p><p>� Bem na hora. Nossa, �s vezes ela � muito irritante.</p><p>Olho para ele do mesmo jeito, visto a calcinha �s pressas, devolvendo-a a seu devido lugar, e me levanto com toda a dignidade que consigo reunir no estado de p�s-foda. Rapidamente, tento ajeitar meu cabelo de quem acabou de trepar.</p><p>� Aqui em cima, Mia � grita ele. � Bem, Srta. Steele, sinto-me melhor por isso, mas ainda quero espancar voc� � diz ele baixinho.</p><p>� Acho que n�o mere�o isso, Sr. Grey, especialmente depois de tolerar seu ataque a troco de nada.</p><p>� A troco de nada? Voc� me beijou.</p><p>Ele faz de tudo para parecer magoado.</p><p>Contraio os l�bios.</p><p>� Foi um ataque como a melhor forma de defesa.</p><p>� Defesa contra o qu�?</p><p>� Voc� e sua m�o descontrolada.</p><p>Ele inclina a cabe�a e sorri para mim enquanto Mia est� subindo a escada.</p><p>� Mas foi toler�vel? � pergunta ele baixinho.</p><p>Enrubes�o.</p><p>� Muito pouco � sussurro, mas n�o consigo evitar o sorriso.</p><p>� Ah, voc�s est�o a�.</p><p>Ela sorri para n�s.</p><p>� Eu estava mostrando a propriedade a Anastasia.</p><p>Christian me estende a m�o, os olhos intensos.</p><p>� Kate e Elliot j� v�o embora. Aqueles dois n�o s�o incr�veis? N�o conseguem ficar sem se tocar. � Mia finge estar aborrecida com isso e olha de Christian para mim. � O que andaram fazendo aqui?</p><p>Nossa, ela � direta. Fico vermelha.</p><p>� Estava mostrando a Anastasia meus trof�us de remo � diz Christian sem titubear, com cara de paisagem. � Vamos nos despedir de Kate e Elliot.</p><p><emphasis>Trof�us de remo?</emphasis> Ele me puxa delicadamente para sua frente e, quando Mia se vira para sair, d� uma palmada na minha bunda. Arquejo com a surpresa.</p><p>� Vou fazer isso de novo, Anastasia, e logo � amea�a ele serenamente no meu ouvido, depois me abra�a por tr�s e beija meu cabelo.</p><p>* * *</p><p>NA CASA, KATE e Elliot est�o se despedindo de Grace e do Sr. Grey. Kate me d� um abra�o apertado.</p><p>� Preciso falar com voc� sobre sua hostilidade em rela��o ao Christian � sibilo baixinho no ouvido dela.</p><p>� Ele precisa ser hostilizado, s� assim voc� pode ver como ele realmente �. Cuidado, Ana. Ele � muito controlador � murmura ela. � At� logo.</p><p>EU SEI COMO ELE �, VOC� N�O!, grito mentalmente para ela. Sei muito bem que ela quer meu bem, mas, �s vezes, ela simplesmente passa dos limites, e neste momento j� ultrapassou tanto que chegou ao Estado vizinho. Olho de cara feia para ela, e ela me mostra a l�ngua, fazendo-me rir a contragosto. A Kate brincalhona � novidade, deve ser influ�ncia de Elliot. Despedimo-nos deles � porta, e Christian se vira para mim.</p><p>� A gente devia ir embora tamb�m. Voc� tem entrevistas amanh�.</p><p>Mia me d� um abra�o carinhoso e nos despedimos.</p><p>� Nunca pensamos que ele encontraria algu�m! � diz com um entusiasmo exagerado.</p><p>Enrubes�o e Christian revira os olhos de novo. Contraio os l�bios. Por que ele pode fazer isso e eu n�o? Quero revirar os olhos para ele tamb�m, mas n�o me atrevo, n�o depois da amea�a no ancoradouro.</p><p>� Cuide-se, Ana, querida � diz Grace com simpatia.</p><p>Christian, constrangido ou frustrado pela aten��o generosa que estou recebendo dos Grey remanescentes, pega minha m�o e me puxa para seu lado.</p><p>� N�o vamos assust�-la nem estrag�-la com excesso de carinho � resmunga.</p><p>� Christian, pare de provocar � Grace o censura com indulg�ncia, os olhos brilhando de amor e carinho por ele.</p><p>De alguma maneira, n�o acho que ele esteja provocando. Observo disfar�adamente a intera��o deles. � evidente que Grace o adora com um amor incondicional de m�e. Ele se abaixa e a beija sem naturalidade.</p><p>� M�e � diz, e h� um tom subjacente em sua voz, talvez de rever�ncia.</p><p>� Sr. Grey, at� logo e obrigada. � Estendo a m�o para ele e ele me abra�a, tamb�m!</p><p>� Por favor, me chame de Carrick. Espero que a gente se veja de novo muito em breve, Ana.</p><p>Feitas as despedidas, Christian me conduz para o carro, onde Taylor est� esperando. <emphasis>Ser� que ele ficou o tempo todo ali?</emphasis> Taylor abre a porta para mim, e me instalo no banco traseiro do Audi.</p><p>Sinto um peso saindo de meus ombros. Nossa, que dia. Estou exausta, f�sica e emocionalmente. Depois de falar rapidamente com Taylor, Christian se instala no carro a meu lado e se vira para mim.</p><p>� Bem, parece que minha fam�lia tamb�m gosta de voc� � murmura.</p><p><emphasis>Tamb�m?</emphasis> O deplor�vel pensamento sobre o motivo de eu ter sido convidada salta na minha cabe�a, espont�nea e inoportunamente. Taylor d� a partida no carro e sai da �rea iluminada do acesso � casa para a escurid�o da rua. Olho para Christian e ele est� me olhando.</p><p>� O que foi? � pergunta num tom calmo.</p><p>Por um instante, fico me questionando. N�o. Vou contar. Ele vive reclamando de que n�o falo com ele.</p><p>� Acho que voc� acabou se sentindo obrigado a me trazer para conhecer seus pais. � Minha voz � doce e hesitante. � Se o Elliot n�o tivesse convidado a Kate, voc� nunca teria me convidado.</p><p>N�o enxergo seu rosto no escuro, mas ele inclina a cabe�a para mim, boquiaberto.</p><p>� Anastasia, estou satisfeito que voc� tenha conhecido meus pais. Por que � t�o insegura? Isso sempre me espanta. Voc� � uma mulher muito forte e independente, mas tem ideias muito negativas sobre si mesma. Se eu n�o quisesse apresent�-la a eles, voc� n�o estaria aqui. Foi assim que se sentiu o tempo todo enquanto esteve l�?</p><p><emphasis>Ah</emphasis>! Ele me queria l� � e isso � uma revela��o. Ele n�o parece constrangido como estaria se estivesse me escondendo a verdade. Parece verdadeiramente satisfeito com minha presen�a... Sinto uma sensa��o quente se espalhar devagar pelas minhas veias. Ele balan�a a cabe�a e pega minha m�o. Olho nervosamente para Taylor.</p><p>� N�o se preocupe com o Taylor. Fale comigo.</p><p>Encolho os ombros.</p><p>� Sim. Pensei isso. E outra coisa, eu s� mencionei a Ge�rgia porque Kate estava falando em Barbados. Ainda n�o me decidi.</p><p>� Voc� quer ir ver sua m�e?</p><p>� Quero.</p><p>Ele me olha de um jeito estranho, como se estivesse travando uma luta interna.</p><p>� Posso ir com voc�? � acaba perguntando.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>� H�... Acho que n�o � uma boa ideia.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Eu estava esperando uma tr�gua dessa... intensidade toda, para colocar meus pensamentos em ordem.</p><p>Ele me olha.</p><p>� Eu sou muito intenso?</p><p>Caio na gargalhada.</p><p>� Bota intenso nisso!</p><p>No clar�o dos postes de luz que passam, vejo-o esbo�ar um sorriso.</p><p>� Est� rindo de mim, Srta. Steele?</p><p>� Eu n�o me atreveria, Sr. Grey � respondo me fazendo de s�ria.</p><p>� Acho que se atreveria, e acho que ri de mim com frequ�ncia.</p><p>� Voc� � bem engra�ado.</p><p>� Engra�ado?</p><p>� Ah, �.</p><p>� Engra�ado estranho ou engra�ado r�-r�-r�?</p><p>� Ah... muito de um e um pouco do outro.</p><p>� O que predomina?</p><p>� Deixo para voc� decidir isso.</p><p>� N�o sei se consigo decidir alguma coisa perto de voc�, Anastasia � diz ele com sarcasmo, depois continua baixinho: � Sobre o que voc� precisa pensar na Ge�rgia?</p><p>� Sobre n�s � murmuro.</p><p>Ele me olha, impass�vel.</p><p>� Voc� disse que tentaria � retruca.</p><p>� Eu sei.</p><p>� Est� reconsiderando?</p><p>� Talvez.</p><p>Ele se mexe, como se estivesse desconfort�vel.</p><p>� Por qu�?</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Como isso de repente virou uma conversa t�o s�ria e importante? Fui pega de surpresa, como uma prova para a qual n�o estou preparada. O que digo? Porque acho que estou apaixonada, e voc� s� me v� como um brinquedo? Porque eu n�o posso tocar em voc�, porque estou muito assustada para fazer qualquer demonstra��o de afeto caso voc� vacile ou me d� uma bronca ou pior � me bata? O que posso dizer?</p><p>Olho por um instante pela janela. O carro est� passando pela ponte. Ambos estamos mergulhados na escurid�o, disfar�ando nossos pensamentos e sentimentos, mas n�o precisamos da noite para isso.</p><p>� Por qu�, Anastasia? � Christian me pressiona para responder.</p><p>Encolho os ombros, encurralada. N�o quero perd�-lo. Apesar de todas as suas exig�ncias, de sua necessidade de controle, de seus v�cios assustadores, nunca me senti t�o viva quanto agora. � emocionante estar sentada aqui ao lado dele. Ele � muito imprevis�vel, sensual, inteligente e engra�ado. Mas seu humor... ah � e ele quer me machucar. Diz que vai pensar a respeito das minhas reservas, mas isso ainda me assusta. Fecho os olhos. O que posso dizer? No fundo, eu s� queria mais, mais afeto, mais o Christian brincalh�o, mais... amor.</p><p>Ele aperta minha m�o.</p><p>� Fale comigo, Anastasia. N�o quero perder voc�. Essa �ltima semana...</p><p>Estamos quase chegando ao fim da ponte, e a luz dos postes torna a iluminar a rua, de modo que seu rosto est� ora iluminado, ora no escuro. E essa � uma met�fora muito adequada. Este homem, que j� considerei um her�i rom�ntico, um corajoso cavaleiro valente � ou o cavaleiro das trevas, como ele disse. Ele n�o � um her�i. � um homem com s�rios e profundos problemas emocionais, e est� me arrastando para a escurid�o. Ser� que n�o posso gui�-lo para a luz?</p><p>� Eu ainda quero mais � sussurro.</p><p>� Eu sei � diz ele. � Vou tentar.</p><p>Pisco para ele, e ele larga minha m�o e puxa meu queixo, soltando meu l�bio mordido.</p><p>� Por voc�, Anastasia, eu vou tentar.</p><p>Est� irradiando sinceridade.</p><p>E essa � a minha deixa. Solto o cinto de seguran�a e vou para o colo dele, pegando-o completamente de surpresa. Envolvo sua cabe�a em meus bra�os e o beijo com vontade, e, em uma fra��o de segundo, ele est� correspondendo.</p><p>� Fique comigo esta noite � sussurra. � Se for embora, vou passar a semana toda sem ver voc�. Por favor.</p><p>� Sim � aquies�o. � Eu tamb�m vou tentar. Vou assinar seu contrato.</p><p>E essa � uma decis�o repentina.</p><p>Ele olha para mim.</p><p>� Assine depois da Ge�rgia. Pense sobre isso. Pense bem, baby.</p><p>� Vou pensar.</p><p>E seguimos calados por uns dois ou tr�s quil�metros.</p><p>� Voc� realmente devia colocar o cinto de seguran�a � sussurra Christian colado em meu cabelo, em tom de censura, mas n�o se mexe para me tirar de seu colo.</p><p>De olhos fechados, esfrego o nariz no pesco�o dele, absorvendo aquela sensual fragr�ncia picante e almiscarada de Christian e sabonete l�quido, com a cabe�a em seu ombro. Deixo a mente divagar e me permito fantasiar que ele me ama. Ah, e isso � muito real, quase tang�vel, e uma pequena parte de meu desagrad�vel inconsciente age de uma forma nada t�pica e <emphasis>se atreve a ter esperan�a.</emphasis> Tomo cuidado para n�o tocar em seu peito e s� me aninho em seus bra�os com ele bem agarradinho a mim.</p><p>� Chegamos em casa � murmura Christian, e esta � uma frase muito tentadora, cheia de potencial.</p><p><emphasis>Em casa, com Christian.</emphasis> S� que o apartamento dele � uma galeria de arte, n�o um lar.</p><p>Taylor abre a porta para n�s e eu lhe agrade�o timidamente, ciente de que dava para ele ouvir nossa conversa, mas seu sorriso simp�tico � tranquilizador e n�o demonstra nada. Depois que sa�mos do carro, Christian me avalia de maneira cr�tica. <emphasis>Ah, n�o... o que eu fiz agora?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Por que voc� n�o trouxe um casaco? � pergunta espantado, tirando seu palet� e colocando-o em meus ombros.</p><p>Sinto uma onda de al�vio.</p><p>� Deixei no carro novo � respondo sonolenta, bocejando.</p><p>Ele d� uma risadinha.</p><p>� Cansada, Srta. Steele?</p><p>� Sim, Sr. Grey. � Fico t�mida sob seu exame minucioso e provocador. Mesmo assim, sinto que uma explica��o se imp�e. � Hoje fui solicitada de formas que eu nunca tinha considerado poss�veis.</p><p>� Bem, se voc� realmente estiver sem sorte, posso solicitar um pouco mais � promete ao pegar minha m�o e me conduzir para o pr�dio. <emphasis>Puta merda... de novo!</emphasis></p><p>Olho para ele no elevador. Presumi que ele queria que eu dormisse com ele, depois me lembro que ele n�o dorme com ningu�m, embora tenha dormido comigo algumas vezes. Franzo a testa, e, bruscamente, a express�o dele muda. Ele segura meu queixo, soltando o l�bio que estou mordendo.</p><p>� Um dia, vou foder voc� neste elevador, Anastasia, mas agora voc� est� cansada, ent�o acho que dev�amos nos ater a uma cama.</p><p>Ele segura meu l�bio inferior com os dentes e puxa delicadamente. Derreto-me toda, e paro de respirar ao sentir aquele desejo despertando dentro de mim. Retribuo, mordendo seu l�bio superior, provocando-o, e ele geme. Quando as portas do elevador se abrem, ele segura minha m�o e me puxa para dentro do apartamento.</p><p>� Quer �gua ou alguma coisa?</p><p>� N�o.</p><p>� �timo. Vamos para a cama.</p><p>Fa�o uma cara espantada.</p><p>� Vai se conformar com o simples e velho sexo baunilha?</p><p>Ele inclina a cabe�a.</p><p>� Baunilha n�o tem nada de simples e velho. � um sabor muito intrigante � diz ele baixinho.</p><p>� Desde quando?</p><p>� Desde s�bado passado. Por qu�? Estava torcendo por algo mais ex�tico?</p><p>Minha deusa interior estica o pesco�o.</p><p>� Ah, n�o. Para mim, j� chega de exotismo por hoje.</p><p>Minha deusa interior faz bico, sem conseguir esconder o desapontamento.</p><p>� Tem certeza? Temos todos os sabores aqui, ou pelo menos trinta e um. � Ele sorri para mim sensualmente.</p><p>� J� reparei � respondo secamente.</p><p>Ele balan�a a cabe�a.</p><p>� Vamos, Srta. Steele, voc� tem um grande dia amanh�. Quanto antes for para a cama, mais cedo vou te foder, e mais cedo poder� dormir.</p><p>� Sr. Grey, voc� � muito rom�ntico.</p><p>� Srta. Steele, voc� � uma piadista. Talvez eu tenha que controlar esse seu lado de alguma forma. Venha.</p><p>Ele me conduz para o quarto e fecha a porta com o p�.</p><p>� M�os para cima � ordena.</p><p>Obede�o, e, como num passe de m�gica, ele tira meu vestido pela cabe�a, pegando-o pela barra e puxando-o com um movimento r�pido e preciso.</p><p>� Ta-r�! � diz, brincalh�o.</p><p>Rio e aplaudo educadamente. Ele se inclina com eleg�ncia, sorrindo. <emphasis>Como posso resistir a ele quando est� assim?</emphasis> Ele p�e meu vestido na cadeira solit�ria ao lado da c�moda.</p><p>� Qual seu pr�ximo truque? � provoco.</p><p>� Ah, minha cara Srta. Steele. V� para minha cama � resmunga � e eu mostro.</p><p>� Acha que pela primeira vez eu devo bancar a dif�cil? � pergunto sedutora.</p><p>Ele arregala os olhos espantado, e vejo um brilho de entusiasmo.</p><p>� Bem... a porta est� fechada. N�o sei como voc� vai me evitar � diz ele com sarcasmo. � Acho que n�o tem sa�da.</p><p>� Mas sou boa negociadora.</p><p>� Eu tamb�m. � Ele me olha, mas a� sua express�o muda, ele fica confuso e o clima no quarto muda bruscamente, ficando tenso. � N�o quer foder? � pergunta.</p><p>� N�o � sussurro.</p><p>� Ah. � Ele franze a testa.</p><p><emphasis>Tudo bem, l� vai... respiro fundo.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Quero que voc� fa�a amor comigo.</p><p>Ele para e fica me olhando com o olhar perdido. Sua express�o sombria. Ah, merda, isso n�o est� com a cara boa. <emphasis>D� um minuto a ele!,</emphasis> diz meu inconsciente.</p><p>� Ana, eu... � Ele passa as m�os no cabelo. As duas. Nossa, ele est� realmente espantado. � Pensei que a gente tivesse feito � diz afinal.</p><p>� Quero tocar em voc�.</p><p>Instintivamente, ele d� um passo para tr�s, primeiro com uma express�o assustada, mas depois se controla.</p><p>� Por favor � sussurro.</p><p>Ele se recupera.</p><p>� Ah, n�o, Srta. Steele, voc� j� teve muitas concess�es da minha parte por hoje. Ent�o n�o.</p><p>� N�o?</p><p>� N�o.</p><p><emphasis>Ah... n�o posso discutir isso... posso?</emphasis></p><p>� Olha, voc� est� cansada. Vamos s� nos deitar � diz ele, observando-me com cuidado.</p><p>� Ent�o o toque � um limite r�gido para voc�?</p><p>� �. Isso n�o � novidade.</p><p>� Por favor, ent�o me diga por qu�.</p><p>� Ah, Anastasia, por favor. Deixe isso para l� por enquanto � resmunga ele, exasperado.</p><p>� � importante para mim.</p><p>Ele passa as m�os no cabelo novamente e diz um palavr�o baixinho. Vira-se, vai at� a c�moda, pega uma camiseta e a atira em mim. Pego-a, perplexa.</p><p>� Vista isso e v� para a cama � diz irritado.</p><p>Fecho a cara, mas decido agrad�-lo. Viro de costas, tiro o suti� e visto a camiseta o mais depressa que posso para cobrir minha nudez. N�o tiro a calcinha. Passei a maior parte da noite sem ela.</p><p>� Preciso ir ao banheiro. � Minha voz � um sussurro.</p><p>Ele franze a testa, sem entender.</p><p>� Agora voc� est� pedindo licen�a?</p><p>� H�... n�o.</p><p>� Anastasia, voc� sabe onde � o banheiro. Hoje, a essa altura desse nosso acordo estranho, voc� n�o precisa da minha permiss�o para us�-lo.</p><p>Ele n�o consegue esconder a irrita��o. Tira a camisa, e corro para o banheiro.</p><p>Fico me olhando no imenso espelho, chocada ao ver que continuo com a mesma cara. Depois de tudo que fiz hoje, ainda � a mesma garota normal que me olha dali. <emphasis>O que esperava � ter criado chifres e um rabo pontudo?,</emphasis> diz meu inconsciente. <emphasis>E que</emphasis><emphasis>diabo est� fazendo? O toque � o limite r�gido dele. Voc� est� se precipitando. Ele tem que</emphasis><emphasis>se preparar para isso.</emphasis> Meu inconsciente est� furioso, parece a Medusa, o cabelo desgrenhado, com as m�os na cabe�a igual � figura de <emphasis>O Grito,</emphasis> de Edvard Munch. N�o dou aten��o, mas ele n�o volta para o lugar. <emphasis>Voc� est� deixando o homem louco � pense em tudo que ele disse, em todas as concess�es que fez.</emphasis> Fa�o cara feia para minha imagem. Preciso ser capaz de demonstrar carinho � a�, talvez, ele possa retribuir.</p><p>Balan�o a cabe�a, resignada, e pego a escova de dentes de Christian. Meu inconsciente tem raz�o, claro. Estou querendo apress�-lo. Ele ainda n�o est� pronto, nem eu. Estamos tentando equilibrar a delicada gangorra que � nosso acordo � em lados diferentes, oscilando, e a gangorra balan�a entre n�s. Precisamos os dois chegar mais para o meio. S� espero que nenhum de n�s caia ao tentar fazer isso. � tudo muito r�pido. Quem sabe eu precise de um distanciamento. A Ge�rgia parece mais atraente que nunca. Quando come�o a escovar os dentes, ele bate � porta.</p><p>� Pode entrar � digo com a boca cheia de pasta de dente.</p><p>Christian est� parado � porta, o pijama ca�do nos quadris daquele jeito que deixa cada c�lula do meu corpo em posi��o de sentido. Tem o peito nu, e eu o bebo como se estivesse louca de sede e ele fosse uma �gua fresca de nascente. Ele me olha impass�vel, depois d� um sorrisinho e vem para o meu lado. Nossos olhos se encontram no espelho, os cinzentos com os azuis. Termino de usar a escova de dentes dele, enx�guo-a e a entrego a ele, sempre olhando em seus olhos. Sem dizer nada, ele pega a escova e a p�e na boca. Dou um sorrisinho de volta para ele, e vejo seu olhar dan�ar, bem-humorado.</p><p>� Fique � vontade para usar minha escova de dente � diz ele em tom de goza��o.</p><p>� Obrigada, senhor.</p><p>Dou um sorriso doce e saio, indo para a cama.</p><p>Minutos depois, ele se junta a mim.</p><p>� Voc� sabe que n�o foi assim que imaginei que essa noite acabaria � resmunga petulante.</p><p>� Imagine se eu dissesse que voc� n�o podia tocar em mim.</p><p>Ele se senta de pernas cruzadas na cama.</p><p>� Anastasia, eu j� disse. Cinquenta vezes. Tive um come�o de vida dif�cil... e voc� n�o vai querer saber dessa merda. Por que iria?</p><p>� Porque quero conhecer voc� melhor.</p><p>� Voc� j� me conhece o suficiente.</p><p>� Como pode dizer isso?</p><p>Fico de joelhos, de frente para ele. Ele revira os olhos para mim, frustrado.</p><p>� Voc� est� revirando os olhos. Da �ltima vez que fiz isso, acabei no seu colo levando umas palmadas.</p><p>� Ah, eu gostaria de botar voc� de novo nessa posi��o.</p><p>Inspiro subitamente.</p><p>� Conte, e pode botar.</p><p>� O qu�?</p><p>� Voc� me ouviu.</p><p>� Est� barganhando comigo?</p><p>Seu tom � de espanto e incredulidade.</p><p>Balan�o a cabe�a. <emphasis>Sim... este � o caminho.</emphasis></p><p>� Negociando.</p><p>� Isso n�o funciona assim, Anastasia.</p><p>� Tudo bem. Conte, e eu reviro os olhos para voc�.</p><p>Ele ri, e tenho um raro vislumbre do Christian descontra�do. J� n�o o vejo assim faz tempo. Ele fica s�rio.</p><p>� Sempre t�o �vida por informa��es. � Ele me olha com curiosidade. Logo depois, desce da cama com eleg�ncia. � N�o v� embora � diz, e sai do quarto.</p><p>Fico na maior afli��o, e me abra�o. O que ele est� fazendo? Ser� que tem um plano cruel? <emphasis>Merda.</emphasis> Suponhamos que ele volte com uma vara, ou algum implemento esquisito de sacanagem. <emphasis>Puta merda, o que vou fazer?</emphasis> Quando ele volta, traz uma coisa pequena na m�o. N�o consigo ver o que �, mas estou morta de curiosidade.</p><p>� A que horas � sua primeira entrevista amanh�? � pergunta ele com do�ura.</p><p>� �s duas.</p><p>Um sorriso malicioso se estampa lentamente em seu rosto.</p><p>� �timo.</p><p>E, diante dos meus olhos, ele muda sutilmente. Est� mais duro, intrat�vel... excitado. Este � o Christian Dominador.</p><p>� Saia da cama. Venha at� aqui. � Ele aponta para o lado da cama, e eu me levanto e obede�o rapidamente. Vejo promessa em seu olhar intenso para mim. � Confia em mim? � pergunta.</p><p>Balan�o a cabe�a. Ele estende a m�o, e, ali, h� duas bolas de prata ligadas por um grosso fio preto.</p><p>� S�o novas � diz enfaticamente.</p><p>Olho intrigada para ele.</p><p>� Vou botar isso dentro de voc�, e depois vou bater em voc�, n�o para castig�-la, mas para o seu prazer e o meu.</p><p>Ele faz uma pausa, avaliando minha rea��o de espanto.</p><p><emphasis>Dentro de mim!</emphasis> Arquejo, e todos os m�sculos se comprimem em minhas entranhas. Minha deusa interior est� fazendo a dan�a dos sete v�us.</p><p>� Depois, a gente fode, e, se voc� ainda estiver acordada, darei algumas informa��es sobre meus anos pregressos. De acordo?</p><p>Ele est� me pedindo permiss�o! Esbaforida, balan�o a cabe�a. N�o consigo falar.</p><p>� Boa garota. Abra a boca.</p><p><emphasis>Boca?</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Abra mais.</p><p>Com muita delicadeza, ele p�e as bolas na minha boca.</p><p>� Elas precisam de lubrifica��o. Chupe � ordena, com a voz macia.</p><p>As bolas s�o frias, lisas, surpreendentemente pesadas, e de sabor met�lico. Minha boca seca se enche de saliva enquanto minha l�ngua explora os objetos estranhos. O olhar de Christian n�o deixa o meu. Que diabo, isso est� me excitando. Estreme�o.</p><p>� N�o se mexa, Anastasia � adverte ele. � Pare.</p><p>Ele tira as bolas da minha boca e se senta na beirada da cama depois de jogar o edredom para o lado.</p><p>� Venha at� aqui.</p><p>Fico parada na frente dele.</p><p>� Agora vire-se, abaixe-se e segure os tornozelos.</p><p>Pisco para ele, e sua express�o fica sinistra.</p><p>� N�o hesite � adverte-me num tom doce encobrindo n�o sei o qu�, e joga as bolas na boca.</p><p><emphasis>Porra, isso � mais sensual que a escova de dentes.</emphasis> Sigo suas ordens imediatamente. Putz, ser� que consigo tocar os tornozelos? Vejo que consigo, com facilidade. A camiseta sobe, expondo minha bunda. Ainda bem que fiquei de calcinha, mas desconfio que n�o vou ficar por muito tempo.</p><p>Ele coloca a m�o com rever�ncia no meu traseiro e o acaricia muito delicadamente com a m�o toda. De olhos abertos, d� para eu ver suas pernas atr�s das minhas, mais nada. Fecho bem os olhos quando ele puxa minha calcinha para o lado, enfia o dedo na minha vagina e puxa devagar. Meu corpo se prepara com um misto embriagador de expectativa e excita��o. Ele enfia o dedo dentro de mim e o gira vagarosamente de um jeito delicioso. Ah, � gostoso. Gemo.</p><p>Sua respira��o se interrompe e ele arqueja ao repetir o movimento. Retira o dedo e, muito lentamente, enfia os objetos, uma bola deliciosa de cada vez. <emphasis>Minha nossa.</emphasis> Elas est�o da temperatura do corpo, aquecidas por nossas bocas. � uma sensa��o curiosa. Uma vez dentro de mim, eu n�o sinto as bolas realmente, mas sei que est�o <emphasis>l�.</emphasis></p><p>Ele endireita minha calcinha, inclina-se � frente, e seus l�bios macios beijam minha bunda.</p><p>� Levante-se � ordena, e fico em p�, bamba.</p><p><emphasis>Ah!</emphasis> Agora d� para sentir... mais ou menos. Ele segura meus quadris para me firmar enquanto recupero o equil�brio.</p><p>� Voc� est� bem? � pergunta, severo.</p><p>� Estou.</p><p>� Vire-se.</p><p>Fico de frente para ele.</p><p>As bolas descem com o peso e, instintivamente, contraio os m�sculos em volta delas. A sensa��o me sobressalta, mas n�o de uma maneira ruim.</p><p>� Como se sente? � pergunta ele.</p><p>� Estranha.</p><p>� No bom ou no mau sentido?</p><p>� No bom � confesso, corando.</p><p>� �timo.</p><p>H� um vest�gio de humor � espreita em seus olhos.</p><p>� Quero um copo d��gua. V� pegar para mim, por favor.</p><p><emphasis>Ah.</emphasis></p><p>� E, quando voc� voltar, vou te dar umas palmadas. Pense nisso, Anastasia.</p><p><emphasis>�gua? Ele quer �gua... agora... por qu�?</emphasis></p><p>Saio do quarto, e fica mais que evidente por que ele quer que eu ande pela casa � quando fa�o isso, as bolas descem com o peso l� dentro, me massageando. � uma sensa��o muito estranha e n�o de todo desagrad�vel. Na verdade, o ritmo da minha respira��o se acelera quando me estico para pegar um copo no arm�rio da cozinha, e arquejo. <emphasis>Minha nossa...</emphasis> Talvez eu queira ficar com essas bolas. Elas me deixam com vontade de sexo.</p><p>Ele est� me observando atentamente quando volto.</p><p>� Obrigado � diz ao pegar o copo.</p><p>Lentamente, d� um gole, depois coloca o copo na mesa de cabeceira. H� um envelope de papel laminado ali, � espera. Como eu. E sei que ele est� fazendo isso para aumentar a expectativa. Meu cora��o come�a a bater mais r�pido. Ele direciona aqueles seus brilhantes olhos cinzentos para mim.</p><p>� Venha. Fique em p� a meu lado. Como da �ltima vez.</p><p>Coloco-me do lado dele, o sangue latejando nas veias, e dessa vez... estou excitada. Com tes�o.</p><p>� Pe�a � diz ele baixinho.</p><p>Pedir o qu�?</p><p>� Pe�a � fala num tom um pouco mais duro.</p><p>O qu�? Licen�a para saber como estava a �gua dele? O que ele quer?</p><p>� Pe�a, Anastasia. N�o vou repetir.</p><p>E h� uma amea�a t�o grande em suas palavras que a ficha cai. Ele quer que eu lhe pe�a para me bater.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Ele est� me olhando na expectativa, a express�o esfriando. <emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� Me bata, por favor... senhor � murmuro.</p><p>Ele fecha os olhos por um instante, e, saboreando minhas palavras, me puxa pela m�o esquerda para cima dos seus joelhos. Caio na mesma hora, e ele me firma quando aterrisso em seu colo. Fico apavorada quando sua m�o encosta delicadamente na minha bunda. Estou novamente atravessada em seu colo, o torso deitado na cama. Dessa vez, ele n�o joga as pernas por cima das minhas, mas afasta o cabelo do meu rosto e o prende atr�s da minha orelha. Feito isso, agarra meu cabelo na nuca para me prender. D� um pequeno pux�o, e minha cabe�a vai para tr�s.</p><p>� Quero ver seu rosto enquanto bato em voc�, Anastasia � murmura ele, o tempo todo esfregando delicadamente minha bunda.</p><p>Sua m�o desce por entre minhas n�degas, e ele faz press�o no meu sexo, e a sensa��o toda �... gemo. Ah, a sensa��o � intensa.</p><p>� Isso � para nosso prazer, Anastasia � sussurra ele.</p><p>Levanta a m�o e d� uma palmada sonora na jun��o entre as coxas, a bunda e a vagina. As bolas s�o impelidas para a frente dentro de mim, e fico perdida num atoleiro de sensa��es. A ard�ncia em meu traseiro, o volume das bolas dentro de mim e o fato de ele estar me segurando ali deitada. Levanto o rosto enquanto tento absorver todas essas sensa��es estranhas. Registro em algum lugar do c�rebro que ele n�o me bateu com tanta for�a quanto da �ltima vez. Ele acaricia de novo minha bunda, correndo a m�o pela minha pele e por cima da calcinha.</p><p><emphasis>Por que ele n�o tirou minha calcinha?</emphasis> Ent�o, sua m�o some, e ele torna a desc�-la, eu gemo quando a sensa��o se espalha. Ele inicia um padr�o: da esquerda para a direita e desce. O melhor � quando desce. Tudo vindo para a frente, l� dentro de mim... e, entre uma palmada e outra, ele me acaricia, me apalpa � e sou massageada de dentro para fora. Trata-se de uma sensa��o muito er�tica e estimulante, e, por alguma raz�o, porque isso est� nos meus termos, n�o me importo com a dor. Assim n�o d�i � bem, d�i, mas n�o � insuport�vel. � de alguma forma administr�vel e, sim, prazeroso... at�. <emphasis>Sim, posso fazer isso.</emphasis></p><p>Ele faz uma pausa ao tirar lentamente minha calcinha. Contor�o-me em suas pernas, n�o por querer escapar das palmadas, mas eu quero mais... al�vio, alguma coisa. O toque dele na minha pele sensibilizada deixa um formigamento sensual. � esmagador, e ele recome�a. Umas palmadas leves, depois mais fortes, da esquerda para a direita e desce. Ah, quando desce. Gemo.</p><p>� Boa garota, Anastasia � grunhe ele, ofegante.</p><p>Ele me bate mais duas vezes, e a� pega o pequeno fio preso �s bolas e d� um pux�o repentino, tirando-as de dentro de mim. Quase chego ao orgasmo � a sensa��o � do outro mundo. Com agilidade, ele delicadamente me vira. Escuto mais do que enxergo o inv�lucro de papel sendo rasgado, e ent�o ele se deita por cima de mim. Segura minhas m�os, levanta-as acima da minha cabe�a e me penetra devagarinho, ocupando o lugar onde estiveram as bolas de prata. Dou um gemido alto.</p><p>� Ah, baby � murmura ele num vaiv�m com aquele ritmo sensual, me saboreando, me sentindo.</p><p>Ele nunca foi t�o delicado, e n�o demoro nada a chegar ao limite e cair vertiginosamente num orgasmo delicioso e violento. Quando me contraio em volta dele, provoco seu gozo, e ele entra deslizando em mim, depois para, chamando meu nome com desespero e espanto.</p><p><emphasis>� Ana!</emphasis></p><p>Ele est� calado, arquejando em cima de mim, as m�os ainda entrela�adas com as minhas acima da minha cabe�a. Finalmente, se inclina para tr�s e me olha.</p><p>� Gostei disso � murmura, e depois me beija com do�ura.</p><p>N�o se demora para mais beijos doces. Levanta-se, me cobre com o edredom e vai para o banheiro. Quando volta, vem com o vidro de uma lo��o branca. Senta ao meu lado na cama.</p><p>� Vire de bru�os � ordena, e, a contragosto, fa�o isso.</p><p>Honestamente, esse alvoro�o todo. Estou muito sonolenta.</p><p>� A cor da sua bunda est� maravilhosa � diz ele em tom de aprova��o, e massageia ternamente a lo��o refrescante em meu traseiro cor-de-rosa.</p><p>� Desembucha, Grey.</p><p>Bocejo.</p><p>� Srta. Steele, voc� sabe como acabar com um clima.</p><p>� A gente fez um acordo.</p><p>� Como est� se sentindo?</p><p>� Enganada.</p><p>Ele suspira, deita-se ao meu lado e me abra�a. Com cuidado para n�o encostar no meu traseiro ardido, estamos de conchinha de novo. Ele me beija com muita delicadeza atr�s da orelha.</p><p>� A mulher que me botou no mundo era uma prostituta viciada em crack, Anastasia. Agora durma.</p><p><emphasis>Puta merda...</emphasis> o que significa isso?</p><p>� Era?</p><p>� Ela morreu.</p><p>� H� quanto tempo?</p><p>Ele suspira.</p><p>� Ela morreu quando eu tinha quatro anos. N�o me lembro muito dela. Carrick me deu alguns detalhes. S� lembro de algumas coisas. Por favor, agora durma.</p><p>� Boa noite, Christian.</p><p>� Boa noite, Ana.</p><p>Caio num sono confuso e exausto, sonhando com um garotinho de quatro anos de olhos cinzentos num lugar assustador e miser�vel.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E UM</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>H� luz por todo lado. Uma luz clara, quente, penetrante, e me esfor�o para mant�-la a dist�ncia por mais uns preciosos minutos. Quero me esconder, s� mais um pouco. Mas a claridade � muito forte e finalmente sucumbo ao estado de vig�lia. Uma manh� gloriosa de Seattle me recebe � o sol entra pelas janelas at� o teto e inunda o quarto com uma claridade muito forte. Por que n�o fechei as cortinas ontem � noite? Estou na vasta cama de Christian Grey sem Christian Grey.</p><p>Fico deitada um instante olhando pelas janelas para a vista soberba da silhueta de Seattle. A vida nas nuvens com certeza parece irreal. Uma fantasia � um castelo no ar, desgarrado do ch�o, a salvo das realidades da vida. Longe do descaso, da fome e de m�es prostitutas viciadas em crack. Estreme�o ao pensar no que ele passou quando crian�a, e entendo por que mora aqui, isolado, cercado de obras de arte belas e preciosas, t�o distante do lugar de onde veio... Uma declara��o de prop�sito, de fato. Estranho, porque isso ainda n�o explica por que n�o posso tocar nele.</p><p>Ironicamente, tamb�m sinto-me assim aqui nesta torre. Estou desgarrada da realidade. Estou neste apartamento de fantasia, tendo sexo de fantasia com meu namorado de fantasia, quando a triste realidade � que ele quer um acordo especial, embora tenha dito que vai tentar mais. O que isso realmente significa � o que preciso esclarecer entre n�s para ver se ainda estamos em lados opostos da gangorra ou se aos poucos nos aproximamos.</p><p>Levanto da cama sentindo-me r�gida e, na falta de uma express�o melhor, bem usada. <emphasis>Sim, � assim que deveria se sentir, depois desse sexo todo.</emphasis> Meu inconsciente contrai os l�bios, desaprovando. Reviro os olhos para ele, agradecida pelo fato de n�o ter no quarto um man�aco por controle com a m�o descontrolada, e decido lhe perguntar pelo personal trainer. Quer dizer, se eu assinar. Minha deusa interior me olha desesperada. <emphasis>Claro que voc� vai assinar.</emphasis> N�o fa�o caso nem de um nem de outro, e depois de uma ida r�pida ao banheiro, saio � procura de Christian.</p><p>Ele n�o est� na galeria de arte, mas h� uma elegante mulher de meia-idade fazendo faxina na cozinha. A vis�o dela me paralisa. Ela � loura, tem o cabelo curto e olhos azuis. Est� vestindo uma camisa branca e uma saia justa azul-marinho. Ao me ver, sorri.</p><p>� Bom dia, Srta. Steele. Gostaria de tomar caf�?</p><p>Seu tom � caloroso, mas profissional, e estou perplexa. Quem � essa loura atraente na cozinha de Christian? S� estou usando a camisa dele. A falta de roupa me deixa inibida e constrangida.</p><p>� Acho que estou em desvantagem em rela��o a voc�.</p><p>Falo baixo, sem conseguir esconder a ansiedade.</p><p>� Ah, desculpe-me, sou a Sra. Jones, a governanta do Sr. Grey.</p><p><emphasis>Ah.</emphasis></p><p>� Como vai? � consigo dizer.</p><p>� Gostaria de tomar o caf� da manh�, madame?</p><p><emphasis>Madame!</emphasis></p><p>� S� um chazinho seria �timo, obrigada. Sabe onde est� o Sr. Grey?</p><p>� No escrit�rio.</p><p>� Obrigada.</p><p>Saio correndo para o escrit�rio, mortificada. Por que Christian s� tem louras atraentes trabalhando para ele? E uma ideia desagrad�vel me ocorre instintivamente: <emphasis>Ser� que s�o todas suas ex-submissas?</emphasis> Recuso-me a alimentar essa ideia medonha. Meto a cabe�a timidamente pela porta. Ele est� ao telefone, virado para a janela, de cal�a preta e camisa branca. Tem o cabelo ainda molhado do banho, e isso me distrai completamente de meus pensamentos negativos.</p><p>� A menos que o P&amp;L dessa companhia melhore, n�o me interessa, Ros. N�o vamos carregar peso morto... n�o preciso de mais desculpas esfarrapadas. Mande o Marco me ligar, � d� ou desce... Sim, diga ao Barney que o prot�tipo est� com uma cara boa, mas n�o tenho certeza quanto � interface... N�o, simplesmente falta alguma coisa... Quero me reunir com ele hoje � tarde para discutir... Na verdade, com ele e a equipe dele, podemos fazer um <emphasis>brainstorm...</emphasis> Tudo bem, transfira-me para a Andrea... � Ele aguarda, olhando pela janela, mestre do seu universo, olhando do alto desse castelo no c�u para os desprivilegiados l� embaixo. � Andrea...</p><p>Erguendo os olhos, ele me v� � porta. Um sorriso lento e sensual se abre naquele rosto encantador, e fico sem palavras, derretendo-me toda por dentro. Ele �, sem d�vida, o homem mais lindo do planeta, lindo demais para os desprivilegiados l� de baixo, lindo demais para mim. <emphasis>Ele � mais ou menos meu,</emphasis> por enquanto. A ideia me faz estremecer e dissipa minha inseguran�a irracional.</p><p>Ele continua a conversa, sem tirar os olhos de mim.</p><p>� Cancele minha agenda de hoje de manh�, mas mande o Bill me ligar. Estarei no escrit�rio �s duas. Preciso falar com o Marco hoje � tarde, isso vai levar pelo menos meia hora... Marque o Barney e a equipe dele depois do Marco, ou talvez amanh�, e arranje tempo para eu estar com o Claude todos os dias dessa semana... Diga a ele para esperar... Ah... N�o, n�o quero publicidade por Darfur. Diga ao Sam para tratar disso... N�o... Que evento?... Isso � s�bado que vem?... Um momento.</p><p>� Quando voc� volta da Ge�rgia? � pergunta.</p><p>� Sexta-feira.</p><p>Ele continua a conversa telef�nica.</p><p>� Vou precisar de mais uma passagem porque tenho uma namorada... Sim, Andrea, foi o que eu disse, uma namorada, a Srta. Anastasia Steele vai me acompanhar... � s� isso.</p><p>Ele desliga.</p><p>� Bom dia, Srta. Steele.</p><p>� Sr. Grey. � Sorrio timidamente.</p><p>Ele d� a volta na mesa com aquela gra�a habitual e para � minha frente. Afaga delicadamente meu rosto com as costas dos dedos.</p><p>� Eu n�o quis acord�-la, voc� estava com uma express�o muito tranquila. Dormiu bem?</p><p>� Estou bem descansada, obrigada. S� vim dar bom-dia antes de tomar um banho.</p><p>Olho para ele, absorvendo-o. Ele se inclina e me d� um beijo delicado, e eu n�o resisto. Jogo os bra�os em volta de seu pesco�o, e enrolo os dedos em seu cabelo ainda molhado. Encostando o corpo no dele, retribuo o beijo. Eu o quero. Meu ataque o pega de surpresa, mas logo depois ele responde, com um gemido gutural. Suas m�os deslizam pelo meu cabelo e pelas minhas costas abaixo para envolver minha bunda nua, e sua l�ngua explora minha boca. Ele recua, os olhos velados.</p><p>� Parece que dormir lhe faz bem � murmura. � Sugiro que v� tomar seu banho, ou ser� que devo deit�-la na minha mesa agora?</p><p>� Escolho a mesa � digo temer�ria, sentindo uma onda de desejo como uma descarga de adrenalina, despertando tudo ao passar.</p><p>Ele me olha perplexo por uma fra��o de segundo.</p><p>� Voc� realmente est� tomando gosto por isso, n�o �, Srta. Steele? Est� ficando insaci�vel � murmura.</p><p>� S� estou tomando gosto por voc� � sussurro.</p><p>Os olhos dele se arregalam e ficam sombrios enquanto suas m�os apalpam minha bunda.</p><p>� � isso mesmo, s� por mim � rosna e, de repente, com um �nico movimento fluido, limpa a mesa jogando tudo no ch�o, me pega nos bra�os e me deita na extremidade, de modo que minha cabe�a quase ultrapassa a beirada.</p><p>� Se voc� quer, voc� vai ter � murmura, sacando um envelopinho de papel laminado do bolso e abrindo o z�per da cal�a. <emphasis>Ah, Sr. Escoteiro.</emphasis> Ele veste a camisinha no p�nis ereto e olha para mim. � Espero que esteja pronta � sussurra, um sorriso lascivo no rosto. E, num instante, est� me preenchendo, segurando meus pulsos com for�a de cada lado do meu corpo, e me penetrando fundo.</p><p>Gemo... <emphasis>ah</emphasis>, <emphasis>sim.</emphasis></p><p>� Nossa, Ana. Voc� est� pront�ssima � elogia com venera��o.</p><p>Enroscando as pernas na cintura dele, seguro-o do �nico jeito que posso j� que ele est� em p�, me olhando, os olhos cinzentos brilhando, apaixonado e possessivo. Ele come�a a mexer, mexer para valer. Isso n�o � fazer amor, � foder � e estou adorando. Gemo. � muito primitivo, muito carnal, e me deixa excitad�ssima. Sinto imenso prazer em ser possu�da por ele, em ter meu desejo saciado pelo dele. Ele se move com desenvoltura, se deleitando comigo, se deliciando, os l�bios entreabertos enquanto sua respira��o se acelera. Mexe os quadris de um lado para o outro, e a sensa��o � deliciosa.</p><p>Fecho os olhos, sentindo aquele delicioso arrebatamento crescer lentamente. Levando-me para as alturas, l� para o castelo no ar. Ah, sim... o ataque dele aumenta ligeiramente. Gemo alto. Sou toda sensa��o... toda dele, aproveitando cada golpe, cada estocada que me preenche. Ele pega o ritmo, investindo mais depressa, com mais for�a... e meu corpo inteiro se mexe no ritmo dele, e sinto minhas pernas se retesarem, os estremecimentos internos e as contra��es.</p><p>� Goze, baby, goze para mim � diz ele entre dentes, e o desejo ardente em sua voz, a tens�o, levam-me ao cl�max.</p><p>Grito sem palavras uma s�plica apaixonada ao encostar no Sol e me queimar, caindo sob ele, caindo, voltando a um �pice intenso e claro na Terra. Ele me penetra e para bruscamente ao chegar ao cl�max, puxando meus pulsos e depois desabando com gra�a e sem dizer uma palavra em cima de mim.</p><p><emphasis>Nossa... essa foi inesperada.</emphasis> Lentamente, torno a me materializar na Terra.</p><p>� Que diabo voc� est� fazendo comigo? � diz ele baixinho, esfregando o nariz no meu pesco�o. � Voc� me seduz completamente, Ana. Voc� faz uma m�gica poderosa.</p><p>Ele solta meus pulsos, e eu passo os dedos em seu cabelo, saindo do �xtase. Aperto as pernas em volta dele.</p><p>� Eu � que estou sendo seduzida � murmuro.</p><p>Ele olha para mim. Tem uma express�o desconcertada, at� alarmada. Colocando as m�os em cada lado do meu rosto, imobiliza minha cabe�a.</p><p>� Voc�. �. Minha � diz, cada palavra um <emphasis>staccato</emphasis>. � Entendeu?</p><p>Ele est� muito s�rio, muito apaixonado � um man�aco. A for�a do seu pedido � muito inesperada e irresist�vel. Pergunto-me por que ele est� se sentindo assim.</p><p>� Sim, sua � murmuro, perturbada com seu ardor.</p><p>� Tem certeza que tem que ir � Ge�rgia?</p><p>Balan�o a cabe�a, lentamente assentindo. E, neste breve momento, vejo sua express�o mudar, e as venezianas descerem. Ele sai de mim bruscamente, fazendo-me contrair o rosto.</p><p>� Est� dolorida? � pergunta, debru�ando-se em cima de mim.</p><p>� Um pouco � confesso.</p><p>� Gosto de voc� dolorida. � Seus olhos ardem. � Me faz lembrar onde eu estive, e s� eu.</p><p>Ele pega meu queixo e me beija com viol�ncia, depois se levanta e estende a m�o para me ajudar a descer da mesa. Olho para a embalagem de papel laminado a meu lado.</p><p>� Sempre preparado � digo.</p><p>Ele me olha confuso ao fechar a braguilha. Seguro o inv�lucro vazio.</p><p>� Um homem pode ter esperan�a, Anastasia, at� sonhar, e �s vezes nossos sonhos se realizam.</p><p>Ele parece muito estranho, os olhos ardentes. Simplesmente n�o entendo. Meu arrebatamento p�s-coito est� esvaindo-se depressa. <emphasis>Qual � o problema dele?</emphasis></p><p>� Ent�o, na sua mesa, isso foi um sonho? � pergunto secamente, tentando usar o humor para tornar mais leve o clima entre n�s.</p><p>Ele d� um sorriso enigm�tico que n�o chega a seus olhos, e sei imediatamente que n�o � a primeira vez que ele fez sexo na mesa de trabalho. � um pensamento inoportuno. Contor�o-me desconfort�vel enquanto meu �xtase desaparece.</p><p>� Seria melhor eu ir tomar um banho. � Levanto-me e passo por ele.</p><p>Ele franze a testa e passa a m�o no cabelo.</p><p>� Tenho que dar mais uns telefonemas. Vou tomar caf� com voc� quando sair do banho. Acho que a Sra. Jones lavou suas roupas de ontem. Elas est�o no arm�rio.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis> Quando � que ela fez isso? Droga, ser� que ela nos ouviu? Enrubes�o.</p><p>� Obrigada � murmuro.</p><p>� N�o h� de qu� � retruca ele maquinalmente, mas sua voz est� estranha.</p><p><emphasis>N�o estou dizendo obrigada pela trepada.</emphasis> Embora tenha sido muito...</p><p>� O que foi? � pergunta ele, e me dou conta de que estou de cara fechada.</p><p>� Qual � o problema? � pergunto com do�ura.</p><p>� Como assim?</p><p>� Bem... voc� est� mais estranho que o normal.</p><p>� Voc� me acha estranho? � Ele tenta conter um sorriso.</p><p>� �s vezes.</p><p>Ele me olha um instante, curioso.</p><p>� Como sempre, estou surpreso com voc�, Srta. Steele.</p><p>� Surpreso como?</p><p>� Vamos nos limitar a dizer que isso foi um presente inesperado.</p><p>� Nosso objetivo � satisfazer, Sr. Grey. � Inclino a cabe�a como ele sempre faz e devolvo as palavras a ele.</p><p>� E voc� satisfaz, voc� me satisfaz � diz ele, mas parece inquieto. � Pensei que estivesse indo tomar banho.</p><p>Ah, ele est� me mandando embora.</p><p>� Sim... h�, at� j�.</p><p>Saio depressa da sala, completamente pasma.</p><p>Ele parecia confuso. <emphasis>Por qu�?</emphasis> Devo dizer que, em termos de experi�ncia f�sica, essa foi muito satisfat�ria. Mas, emocionalmente � bem, estou desconcertada com a rea��o dele, e isso foi t�o enriquecedor emocionalmente quanto algod�o doce � nutritivo.</p><p>A Sra. Jones ainda est� na cozinha.</p><p>� Quer seu ch� agora, Srta. Steele?</p><p>� Vou tomar um banho primeiro � resmungo e saio correndo dali com meu rosto em chamas.</p><p>No chuveiro, tento imaginar o que h� de errado com Christian. Ele � a pessoa mais complicada que conhe�o, e n�o entendo seu humor inst�vel. Parecia bem quando entrei no escrit�rio. Transamos... e ele j� n�o estava mais ali. N�o, eu n�o entendo. Olho para meu inconsciente. Ele est� assobiando com as m�os atr�s das costas, olhando para tudo menos para mim. Ele nem faz ideia, e minha deusa interior ainda est� curtindo um resto de ardor p�s-coito. �... estamos todos sem saber de nada.</p><p>Seco o cabelo com a toalha, penteio-o com o �nico instrumento capilar de Christian, e fa�o um coque. O vestido cor de ameixa de Kate est� lavado e passado, pendurado no arm�rio com meu suti� e minha calcinha limpos. A Sra. Jones � uma maravilha. Cal�o os sapatos de Kate, endireito o vestido, respiro fundo e volto para a sala.</p><p>Christian sumiu, e a Sra. Jones est� conferindo o conte�do da despensa.</p><p>� O ch� agora, Srta. Steele? � pergunta.</p><p>� Por favor.</p><p>Sorrio para ela. Sinto-me ligeiramente mais confiante agora que estou vestida.</p><p>� Gostaria de comer alguma coisa?</p><p>� N�o, obrigada.</p><p>� Claro que voc� vai comer alguma coisa � diz Christian bruscamente, com um olhar furioso. � Ela gosta de panqueca, ovos e bacon, Sra. Jones.</p><p>� Sim, Sr. Grey. E o que o senhor vai querer?</p><p>� Uma omelete, por favor, e frutas. � Ele n�o tira os olhos de mim, com uma express�o misteriosa. � Sente-se � ordena, apontando para um dos bancos do balc�o.</p><p>Obede�o, e ele se senta ao meu lado, enquanto a Sra. Jones se ocupa do caf� da manh�. Nossa, � desagrad�vel ter outra pessoa ouvindo nossa conversa.</p><p>� J� comprou sua passagem a�rea?</p><p>� N�o, vou comprar quando chegar em casa, pela internet.</p><p>Ele se apoia nos cotovelos, esfregando o queixo.</p><p>� Tem dinheiro?</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis></p><p>� Tenho � digo, fingindo paci�ncia como se estivesse falando com uma criancinha.</p><p>Ele me lan�a um olhar de censura. <emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� Tenho, sim, obrigada � emendo rapidamente.</p><p>� Eu tenho um jato. N�o est� programado para ser usado nos pr�ximos tr�s dias. Est� � sua disposi��o.</p><p>Olho boquiaberta para ele. Claro que ele tem um jato, e preciso resistir � propens�o natural do meu corpo de revirar os olhos para ele. Tenho vontade de rir. Mas n�o rio, j� que n�o consigo interpretar seu estado de esp�rito.</p><p>� J� abusamos seriamente da frota a�rea da sua companhia. Eu n�o gostaria de fazer isso de novo.</p><p>� � minha companhia, � meu jato.</p><p>Ele parece quase magoado. <emphasis>Ah, os garotos e seus brinquedos!</emphasis></p><p>� Obrigada pela oferta. Mas eu ficaria mais feliz pegando um voo regular.</p><p>Ele d� a impress�o de querer discutir mais, por�m decide n�o faz�-lo.</p><p>� Como quiser. � Suspira. � Tem que se preparar muito para sua entrevista?</p><p>� N�o.</p><p>� �timo. N�o vai me contar mesmo para quais editoras?</p><p>� N�o.</p><p>Ele esbo�a um sorriso relutante.</p><p>� Sou um homem de posses, Srta. Steele.</p><p>� Estou perfeitamente ciente disso, Sr. Grey. Vai grampear meu telefone? � pergunto inocentemente.</p><p>� Na verdade, como estarei bastante ocupado hoje � tarde, mandarei outra pessoa fazer isso. � Ele d� uma risadinha.</p><p><emphasis>Ser� que est� brincando?</emphasis></p><p>� Se tem uma pessoa sobrando para fazer isso, obviamente tem excesso de funcion�rios.</p><p>� Vou mandar um e-mail para a chefe de recursos humanos e mand�-la fazer a contagem dos funcion�rios. � Ele contrai os l�bios para disfar�ar o sorriso.</p><p><emphasis>Ah, gra�as a Deus, ele recuperou o senso de humor.</emphasis></p><p>A Sra. Jones nos serve o caf� da manh� e comemos em sil�ncio por alguns minutos. Ap�s lavar as panelas, ela discretamente se retira. Olho para ele.</p><p>� O que foi, Anastasia?</p><p>� Sabe, voc� n�o me contou por que n�o gosta de ser tocado.</p><p>Ele fica l�vido, e sua rea��o faz com que eu me sinta culpada por ter perguntado.</p><p>� J� contei mais coisas a voc� do que a qualquer outra pessoa.</p><p>Ele fala com calma e me olha impass�vel.</p><p>E fica �bvio para mim que ele nunca se abriu com ningu�m. Ser� que n�o tem nenhum amigo �ntimo? Talvez tenha contado a Mrs. Robinson. Quero perguntar a ele, mas n�o posso. N�o posso ser t�o invasiva. Balan�o a cabe�a ao me dar conta disso. Ele realmente � uma ilha.</p><p>� Vai pensar em nosso acordo enquanto estiver fora? � pergunta.</p><p>� Vou.</p><p>� Vai sentir minha falta?</p><p>Olho para ele, surpresa com a pergunta.</p><p>� Vou � respondo sinceramente.</p><p>Como ele pode significar tanto para mim em t�o pouco tempo? Ele realmente mexe comigo... literalmente. Ele sorri, e seus olhos se iluminam.</p><p>� Tamb�m vou sentir sua falta. Mais do que voc� imagina � murmura.</p><p>Essas palavras aquecem meu cora��o. Christian realmente est� se esfor�ando. Acaricia meu rosto, inclina-se e me d� um beijo doce.</p><p>z</p><p>� fim de tarde, estou nervosa e agitada sentada no sagu�o, esperando pelo Sr. J. Hyde da Seattle Independent Publishing. � minha segunda entrevista de hoje, e a que me deixou mais ansiosa. A minha primeira foi boa, mas era para um conglomerado maior, com filiais por todos os Estados Unidos, e eu seria uma das muitas assistentes editoriais ali. Posso imaginar ser engolida e cuspida bem depressa em uma m�quina corporativa dessas. A SIP � onde quero estar. � pequena e pouco convencional, promove autores locais, e tem uma lista de clientes interessante e original.</p><p>O ambiente que me cerca � despojado, mas acho que esse despojamento � antes uma declara��o de estilo do que um sinal de frugalidade. Estou sentada em um dos dois sof�s de couro verde-escuro estilo Chesterfield � parecidos com o sof� que Christian tem no quarto de jogos. Acaricio o couro com aprova��o e me pergunto o que Christian faz naquele sof�. Minha mente divaga enquanto penso nas possibilidades... n�o. N�o posso entrar nessa agora. Coro diante dos meus pensamentos rebeldes e impr�prios. A recepcionista � uma jovem negra com enormes brincos de prata e cabelos compridos alisados. Tem�um visual bo�mio, o tipo da mulher de quem eu poderia ser amiga. A ideia � tranquilizadora. De vez em quando, ela tira os olhos do computador, olha para mim e me d� um sorriso tranquilizador. Timidamente, sorrio de volta.</p><p>Meu voo est� reservado, minha m�e est� no s�timo c�u com minha visita, estou de malas prontas e Kate concordou em me levar de carro ao aeroporto. Christian ordenou que eu levasse o BlackBerry e o Mac. Reviro os olhos ao me lembrar daquele seu autoritarismo desp�tico, mas vejo agora que este � simplesmente o jeito dele. Ele gosta de controlar tudo, inclusive a mim. No entanto, tamb�m � muito imprevis�vel, agrad�vel e irresist�vel. Pode ser gentil, bem-humorado, at� meigo. E quando demonstra essas qualidades, faz isso de forma inesperada e repentina. Insistiu em me acompanhar at� meu carro na garagem. Minha nossa, s� vou passar uns dias fora e ele est� agindo como se eu fosse passar semanas. Ele sempre me pega desprevenida.</p><p>� Ana Steele?</p><p>Uma mulher de longos cabelos negros ondulados parada na recep��o me distrai da minha introspec��o. Ela tem o mesmo visual bo�mio da recepcionista. Deve ter uns trinta e muitos ou uns quarenta e poucos anos. � muito dif�cil saber a idade de mulheres mais velhas.</p><p>� Sim � respondo, levantando-me desajeitada.</p><p>Ela me lan�a um sorriso educado, avaliando-me com seus olhos frios cor de avel�. Estou usando uma roupa de Kate, uma jardineira preta sobre uma blusa branca, e meus escarpins pretos. Estilo entrevista, acho eu. Meu cabelo est� contido num coque apertado, e, pela primeira vez, os cachinhos est�o comportados. Ela me estende a m�o.</p><p>� Ol�, Ana, meu nome � Elizabeth Morgan. Sou a gerente de recursos humanos aqui da SIP.</p><p>� Como vai? � Aperto a m�o dela. Parece muito descontra�da para ser a gerente do RH.</p><p>� Acompanhe-me, por favor.</p><p>Entramos pelas portas duplas atr�s da �rea da recep��o numa ampla sala sem divis�rias com decora��o alegre, e dali nos dirigimos a uma pequena sala de reuni�es. As paredes s�o verde-claras, cobertas de capas de livros. Sentado � cabeceira da mesa de confer�ncia de madeira h� um homem ruivo de rabo de cavalo. Pequenas argolas de prata brilham em suas duas orelhas. Ele est� com uma camisa azul-clara, sem gravata, e cal�as de brim desbotadas. Quando me aproximo, levanta-se e me olha com misteriosos olhos azul-escuros.</p><p>� Ana Steele, sou Jack Hyde, o editor de aquisi��es aqui na SIP, e � um grande prazer conhec�-la.</p><p>Cumprimentamo-nos, e sua express�o � misteriosa, embora bastante simp�tica.</p><p>� Voc� mora longe? � pergunta amavelmente.</p><p>� N�o, acabei de me mudar para a �rea do Pike Street Market.</p><p>� Ah, ent�o mora pertinho. Por favor, sente-se.</p><p>Sento-me, e Elizabeth se senta ao lado dele.</p><p>� Ent�o, porque gostaria de estagiar aqui conosco na SIP, Ana? � pergunta.</p><p>Diz meu nome com do�ura, e inclina a cabe�a, como uma pessoa que conhe�o � � aflitivo. Fazendo o poss�vel para ignorar a cautela irracional que ele me inspira, come�o meu discurso cuidadosamente preparado, consciente do rubor que se espalha por minhas bochechas. Olho para os dois, lembrando-me da aula de T�cnica da Entrevista Bem-Sucedida de Katherine Kavanagh. <emphasis>Mantenha contato visual, Ana!</emphasis> Nossa, Kate tamb�m pode ser mandona, �s vezes. Jack e Elizabeth ouvem com aten��o.</p><p>� Voc� tem um CR muito impressionante. A que atividades extracurriculares voc� se entregava na WSU?</p><p><emphasis>Entregava?</emphasis> Pisco para ele. Que escolha de palavras estranha. Come�o a entrar nos detalhes da minha atividade de bibliotec�ria na biblioteca central do campus e da minha �nica experi�ncia de entrevistar um d�spota podre de rico para o jornal da faculdade. Toco de passagem no fato de que n�o escrevi verdadeiramente o artigo. Menciono as duas sociedades liter�rias a que pertenci e concluo com meu trabalho na Clayton's e todo o conhecimento in�til que agora possuo sobre ferragens e bricolagem. Os dois riem, o que � a rea��o pela qual eu torcia. Lentamente, relaxo e come�o a aproveitar.</p><p>Jack Hyde faz perguntas agudas e inteligentes, mas n�o me atrapalho � acompanho o ritmo, e quando discutimos minhas prefer�ncias de leitura e meus livros favoritos, acho que me saio bem. Jack, por outro lado, parece s� gostar da literatura Americana de 1950 em diante. Nada mais. Nada de cl�ssicos � nem mesmo Henry James nem Upton Sinclair nem F. Scott Fitzgerald. Elizabeth n�o diz nada, s� acena com a cabe�a de vez em quando e toma notas. Jack, embora goste de discutir, � encantador a seu modo, e quanto mais ele fala, mais minha desconfian�a inicial se dissipa.</p><p>� E onde voc� se v� daqui a cinco anos? � pergunta.</p><p><emphasis>Com Christian Grey,</emphasis> a ideia me vem instintivamente � cabe�a. Minha mente err�tica me faz franzir as sobrancelhas.</p><p>� Editora de textos, talvez? Quem sabe trabalhando como agente liter�ria, n�o sei ao certo. Estou aberta a oportunidades.</p><p>Ele ri.</p><p>� Muito bem, Ana. N�o tenho mais perguntas. Quer perguntar alguma coisa? � ele dirige a palavra a mim.</p><p>� Quando gostaria que a pessoa come�asse? � pergunto.</p><p>� T�o logo poss�vel � diz Elizabeth alto e bom som. � Quando voc� poderia come�ar?</p><p>� Estou dispon�vel a partir da semana que vem.</p><p>� � bom saber disso � diz Jack.</p><p>� Se ningu�m tiver mais nada a dizer � Elizabeth olha para n�s dois �, acho que isso encerra a entrevista.</p><p>Ela sorri com simpatia.</p><p>� Foi um prazer conhec�-la, Ana � diz Jack com gentileza apertando minha m�o, e eu pestanejo olhando para ele ao me despedir.</p><p>Vou para o carro me sentindo inquieta sem saber por qu�. Acho que a entrevista correu bem, mas � muito dif�cil dizer. As entrevistas parecem situa��es muito artificiais. Todo mundo agindo da melhor maneira que pode, tentando desesperadamente se esconder por tr�s de uma fachada profissional. Ser� que minha postura foi apropriada? Vou ter que esperar para ver.</p><p>Entro no meu Audi A3 e volto para casa, mas sem pressa. Meu voo � o �ltimo do dia, com escala em Atlanta, e s� embarco �s dez e vinte e cinco, de modo que tenho muito tempo.</p><p>Kate est� desembalando caixas na cozinha quando volto.</p><p>� Como foram as entrevistas? � pergunta, empolgada.</p><p>S� Kate pode ficar deslumbrante com uma camisa de um tamanho bem acima do dela, cal�a jeans esfarrapada e uma bandana azul-marinho.</p><p>� Bem, obrigada, Kate. N�o sei se essa roupa estava suficientemente descolada para a segunda entrevista.</p><p>� H�?</p><p>� Um visual <emphasis>boho chic</emphasis> talvez tivesse resolvido.</p><p>Kate ergue uma sobrancelha.</p><p>� Voc� e seu <emphasis>boho chic</emphasis>. � Ela inclina a cabe�a de lado � Ai! Por que todo mundo est� me lembrando do meu Cinquenta Tons preferido? � Na verdade, Ana, voc� � uma das poucas pessoas que poderiam usar este visual.</p><p>Sorrio.</p><p>� Eu realmente gostei do segundo lugar. Acho que poderia me encaixar ali. O sujeito que me entrevistou era enervante, mas...</p><p>Deixo a frase no ar � merda, estou falando aqui com a Kavanagh Megafone. <emphasis>Cala a boca, Ana!</emphasis></p><p>� Ah?</p><p>O radar Katherine Kavanagh para uma informa��o apetitosa entra em a��o � uma informa��o que s� vir� � tona em algum momento inoportuno e constrangedor, o que me lembra alguma coisa.</p><p>� Por falar nisso, quer fazer o favor de parar de provocar Christian? Seu coment�rio sobre Jos� ontem � noite foi descabido. Christian � um cara ciumento. Isso n�o leva a nada, voc� sabe.</p><p>� Olha, se ele n�o fosse irm�o do Elliot, eu diria coisa muito pior. Ele � um verdadeiro man�aco por controle. N�o sei como voc� aguenta. Eu estava tentando provocar ci�mes nele, dar uma m�ozinha para ele resolver os tais problemas de compromisso. � Ela levanta as m�os na defensiva. � Mas se voc� n�o quer que eu me meta, n�o me meto � diz ela precipitadamente diante da minha cara fechada.</p><p>� �timo. A vida com o Christian j� � suficientemente complicada, pode acreditar.</p><p><emphasis>Putz, estou falando igual a ele.</emphasis></p><p>� Ana. � Ela faz uma pausa, olhando para mim. � Voc� est� bem, n�o est�? N�o est� indo para a casa da sua m�e para fugir?</p><p>Enrubes�o.</p><p>� N�o, Kate. Foi voc� que disse que eu precisava de descanso.</p><p>Ela reduz a dist�ncia entre n�s e pega minha m�o � um gesto nada t�pico dela. <emphasis>Ah n�o...</emphasis> as l�grimas amea�am correr.</p><p>� Voc� est�, sei l�... diferente. Espero que esteja bem, e sejam quais forem os problemas que esteja tendo com o Sr. Rica�o, pode falar comigo. E vou tentar n�o provoc�-lo, embora, francamente, provoc�-lo seja a coisa mais f�cil do mundo. Olha, Ana, se h� algum problema, me conte, n�o vou julgar. Vou tentar entender.</p><p>Contenho as l�grimas.</p><p>� Ah, Kate. � Dou um abra�o apertado nela. � Estou come�ando a achar que realmente me apaixonei por ele.</p><p>� Ana, qualquer um pode ver isso. E ele se apaixonou por voc�. Ele est� louco por voc�. N�o consegue desgrudar os olhos.</p><p>Rio, insegura.</p><p>� Voc� acha?</p><p>� Ele n�o disse?</p><p>� N�o com tantas palavras.</p><p>� Voc� disse a ele?</p><p>� N�o com tantas palavras.</p><p>Dou de ombros como quem pede desculpas.</p><p>� Ana! Algu�m tem que dar o primeiro passo, do contr�rio voc�s n�o v�o a lugar nenhum.</p><p><emphasis>Mas... dizer a ele como eu me sinto?</emphasis></p><p>� Tenho medo de que ele se assuste com isso e fuja.</p><p>� E como sabe que ele n�o est� sentindo a mesma coisa?</p><p>� Christian, assustado? N�o consigo imagin�-lo assustado com nada.</p><p>Ao dizer isso, imagino-o quando crian�a. Vai ver que, naquela �poca, o temor era o �nico sentimento que ele conhecia. Essa ideia me deixa com o cora��o apertado.</p><p>� Voc�s dois precisam sentar e conversar.</p><p>� A gente n�o anda conversando muito ultimamente.</p><p>Enrubes�o. Temos feito outras coisas. Comunica��o n�o verbal, e isso � bom. Bem, muito mais que bom. Ela sorri.</p><p>� Mas est�o transando! Se isso est� indo bem, ent�o � meio caminho andado, Ana. Vou comprar comida chinesa. Est� pronta para partir?</p><p>� Quase. S� temos que sair daqui a umas duas horas mais ou menos.</p><p>� Volto em vinte minutos.</p><p>Ela pega o casaco e sai, esquecendo de fechar a porta, que bato depois que ela passa. Vou para o quarto, ruminando as palavras dela.</p><p>Ser� que Christian tem medo do que sente por mim? Ser� que chega a sentir algo por mim? Ele parece muito interessado, diz que sou dele, mas isso simplesmente faz parte daquele seu eu Dominador man�aco por controle que precisa ter tudo que deseja, com certeza. Percebo que, enquanto estiver fora, terei que recapitular todas as nossas conversas e ver se consigo identificar sinais reveladores.</p><p><emphasis>Tamb�m vou sentir sua falta... mais do que voc� imagina...</emphasis></p><p><emphasis>Voc� me seduziu totalmente.</emphasis></p><p>Balan�o a cabe�a. N�o quero pensar nisso agora. Deixei o BlackBerry carregando, e, portanto, n�o o tive comigo a tarde inteira. Aproximo-me dele com cautela e fico desapontada por n�o encontrar nenhuma mensagem. Ligo a m�quina do mal, e tamb�m n�o encontro nada ali. <emphasis>� o mesmo endere�o de e-mail, Ana �</emphasis> meu inconsciente revira os olhos para mim, e, pela primeira vez, entendo por que Christian quer me bater quando fa�o isso.</p><p>Tudo bem. Bom, vou escrever para ele.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Entrevistas</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 18:49</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Senhor,</p><p>Minhas entrevistas de hoje correram bem.</p><empty-line/><p>Pensei que poderia se interessar.</p><empty-line/><p>Como foi o seu dia?</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Sento-me e fico olhando para a tela. As respostas de Christian em geral s�o instant�neas. Espero... e espero, e, finalmente, ou�o o ru�do bem-vindo da minha caixa de entrada.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Meu dia</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:03</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><empty-line/><p>Tudo o que voc� faz me interessa. Voc� � a mulher mais fascinante que conhe�o.</p><empty-line/><p>Gostei de saber que suas entrevistas correram bem.</p><empty-line/><p>Minha manh� superou todas as expectativas.</p><empty-line/><p>Em compara��o, minha tarde foi muito aborrecida.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Manh� �tima</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:05</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Senhor,</p><p>A manh� foi exemplar para mim, tamb�m, embora eu tenha me assustado com sua atitude depois do impec�vel sexo na mesa. N�o pense que n�o reparei.</p><empty-line/><p>Agrade�o pelo caf� da manh�. Ao senhor ou � Sra. Jones.</p><empty-line/><p>Eu gostaria de lhe fazer umas perguntas sobre ela � sem que o senhor volte a ficar esquisit�rrimo.</p><empty-line/><p>Ana.</p><empty-line/><p>Meu dedo paira sobre o bot�o �enviar�, e o fato de que amanh� a essa hora estarei do outro lado do pa�s me tranquiliza.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: O mercado editorial e voc�?</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:10</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia,</p><p>�Esquisit�rrimo� n�o � uma express�o que deva ser usada por algu�m que queira entrar no mercado editorial. Impec�vel? Comparado a qu�? Esclare�a, por favor. E o que precisa perguntar sobre a Sra. Jones? Estou intrigado.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Voc� e a Sra. Jones</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:17</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><p>Prezado Senhor,</p><empty-line/><p>A l�ngua � din�mica e evolui. Trata-se de uma coisa org�nica. N�o est� presa em uma torre de marfim com um heliporto no teto e dominando quase toda Seattle, cheia de obras de arte caras penduradas nas paredes.</p><empty-line/><p>Impec�vel em compara��o com as outras vezes em que... qual � sua palavra... ah, sim... fodemos. Na verdade a foda foi impec�vel, ponto, em minha humilde opini�o. Mas, como sabe, minha experi�ncia � muito limitada.</p><empty-line/><p>A Sra. Jones � uma ex-sub sua?</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Meu dedo paira mais uma vez sobre o bot�o �enviar�, e aperto-o.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: L�ngua. Cuidado com o que fala!</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:22</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia,</p><p>A Sra. Jones � uma funcion�ria valiosa. Nunca tive qualquer rela��o com ela al�m da profissional. N�o emprego ningu�m com quem eu tenha tido rela��es sexuais. Fico chocado que voc� pense isso. A �nica pessoa para quem eu abriria uma exce��o � voc� � porque � uma mo�a inteligente com extraordin�rias habilidades de negocia��o. Contudo, se continuar a usar tal palavreado, posso reconsiderar admiti-la aqui. Ainda bem que tem experi�ncia limitada. Sua experi�ncia continuar� sendo limitada � s� para mim. Considerarei impec�vel um elogio, embora, com voc�, eu nunca tenha certeza se isso � o que quer dizer ou se sua ironia levou a melhor � como sempre.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc., de sua Torre de Marfim.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Nem por todo o ch� da China</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:27</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><empty-line/><p>Acho que j� manifestei minhas reservas quanto a trabalhar em sua empresa. Minha opini�o em rela��o a isso n�o mudou, n�o est� mudando nem mudar� nunca. Tenho que deix�-lo, pois Kate j� voltou com a comida. Minha ironia e eu lhe desejamos uma boa noite.</p><empty-line/><p>Entrarei em contato com o senhor quando chegar � Ge�rgia.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Nem o ch� Twinings English Breakfast?</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 19:29</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Boa noite, Anastasia.</p><p>Espero que voc� e sua ironia fa�am uma boa viagem.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p>z</p><p>Kate e eu paramos em frente � �rea de desembarque do terminal do Aeroporto Sea-Tac. Ela me d� um abra�o.</p><p>� Aproveite Barbados, Kate. �timas f�rias para voc�.</p><p>� At� a volta. N�o deixe o velho rica�o consumi-la.</p><p>� N�o vou deixar.</p><p>Tornamos a nos abra�ar � e ent�o fico sozinha. Dirijo-me ao check-in e fico na fila, esperando com minha bagagem de m�o. N�o me preocupei com mala, s� trouxe a mochila que Ray me deu em meu �ltimo anivers�rio.</p><p>� A passagem, por favor.</p><p>O jovem entediado atr�s do balc�o estende a m�o sem me olhar.</p><p>Espelhando seu t�dio, entrego a passagem e minha carteira de motorista como identifica��o. Estou torcendo por um lugar na janela se for poss�vel.</p><p>� Tudo bem, Srta. Steele. A senhora teve um <emphasis>upgrade</emphasis> para a primeira classe.</p><p>� O qu�?</p><p>� Se a senhora quiser ir para a sala da primeira classe e aguardar l� o voo...</p><p>Parece que ele acordou e est� sorrindo para mim como se eu fosse o Papai Noel ou o Coelhinho da P�scoa.</p><p>� Com certeza h� algum engano.</p><p>� N�o, n�o. � Ele torna a olhar a tela do computador. � Anastasia Steele: <emphasis>upgrade.</emphasis> Ele d� um sorriso for�ado.</p><p><emphasis>Epa.</emphasis> Aperto os olhos. Ele me entrega o cart�o de embarque, e me dirijo � sala da primeira classe resmungando baixinho. Maldito Christian Grey, man�aco por controle intrometido � ele simplesmente n�o consegue deixar ningu�m em paz.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E DOIS</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Fa�o as unhas, uma massagem e j� tomei duas ta�as de champanhe. A sala da primeira classe tem muitas vantagens. A cada gole de Mo�t, sinto-me ligeiramente mais propensa a perdoar Christian e sua interven��o. Abro o MacBook, esperando testar a teoria de que ele funciona em qualquer lugar do planeta.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Gestos excessivamente extravagantes</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 21:53</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><p>O que realmente me deixa alarmada � como soube em que voo eu estava.</p><empty-line/><p>Sua persegui��o n�o conhece limites. Esperemos que o Dr. Flynn j� tenha voltado das f�rias.</p><empty-line/><p>Fiz as unhas, uma massagem nas costas e tomei duas ta�as de champanhe � uma forma muito agrad�vel de come�ar minha viagem.</p><empty-line/><p>Obrigada.</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: N�o h� de qu�</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 21:59</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>O Dr. Flynn j� voltou, e tenho uma consulta esta semana.</p><empty-line/><p>Quem fez a massagem nas suas costas?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO com amigos nos lugares certos,</p><empty-line/><p>
  Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>A-h�! Tempo de recupera��o do investimento. Nosso voo foi chamado, ent�o tenho que lhe mandar um e-mail do avi�o. Ser� mais seguro. Quase me abra�o com uma alegria travessa.</p><p>* * *</p><p>A PRIMEIRA CLASSE � muito espa�osa. Com um coquetel de champanhe em punho, instalo-me na suntuosa poltrona de couro ao lado da janela enquanto a cabine vai enchendo devagar. Ligo para Ray para lhe contar onde estou � uma liga��o curta, felizmente, pois � muito tarde para ele.</p><p>� Te amo, pai � murmuro.</p><p>� Boa noite.</p><p>Desligo.</p><p>Ray parece estar bem. Fico olhando para o meu Mac, e, com a mesma alegria infantil crescendo, abro o laptop e acesso meu e-mail.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: M�os fortes e competentes</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 22:22</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Senhor,</p><p>Um rapaz muito agrad�vel massageou minhas costas. Sim. Muito agrad�vel mesmo. Eu n�o teria conhecido Jean-Paul na sala de embarque normal � portanto, obrigada mais uma vez por este presente. N�o sei se � permitido enviar e-mails depois da decolagem, e preciso do meu sono de beleza, j� que n�o ando dormindo muito bem ultimamente.</p><empty-line/><p>Durma bem, Sr. Grey.</p><p>Pensando no senhor,</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>Ah, ele vai ficar uma fera � e eu estarei no ar e inalcan��vel. Bem-feito. Se eu estivesse na sala de embarque normal, Jean-Paul n�o teria posto as m�os em mim. Ele era um rapaz muito simp�tico, louro e com um bronzeado artificial � francamente, quem � bronzeado em Seattle? Simplesmente n�o d�. Acho que ele era gay � mas vou guardar esse detalhe s� para mim. Fico olhando para meu e-mail. Kate tem raz�o. Com ele, n�o precisa de muito. Meu inconsciente me olha de cara feia. <emphasis>Quer mesmo provoc�-lo? Ele foi um amor com voc�, voc� sabe! Ele gosta de voc� e quer que voc� viaje com estilo</emphasis>. Sim, mas poderia ter me perguntado ou me avisado. N�o me deixar com cara de idiota no check-in. Aperto �enviar� e aguardo, sentindo-me uma garota muito m�.</p><p>� Srta. Steele, a senhora vai precisar guardar seu laptop para a decolagem � diz educadamente a comiss�ria supermaquiada. Ela me d� um susto. Minha consci�ncia culpada est� em a��o.</p><p>� Ah, sinto muito.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> Agora vou ter que esperar para ver se ele respondeu. A comiss�ria me entrega uma manta e um cobertor macios, mostrando os dentes perfeitos. Coloco a manta nos joelhos. �s vezes � bom a gente se sentir mimada.</p><p>A primeira classe encheu, a n�o ser por um lugar ao meu lado, que continua desocupado. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o...</emphasis> uma ideia perturbadora me passa pela cabe�a. <emphasis>Vai ver que a poltrona � do Christian.</emphasis> Ah, merda... n�o... ele n�o faria isso. Faria? Eu lhe disse que n�o queria que viesse comigo. Olho aflita para o rel�gio, e a� a voz impessoal da cabine de comando anuncia: �Tripula��o, portas em autom�tico, preparar para a decolagem<emphasis>.�</emphasis></p><p>O que significa isso? Est�o fechando as portas? Fico na expectativa, o couro cabeludo formigando e o cora��o disparado. A poltrona ao meu lado � a �nica desocupada na cabine de dezesseis lugares. O avi�o sacode ao se afastar do port�o de embarque, e suspiro aliviada mas um pouco decepcionada tamb�m... nada de Christian durante quatro dias. Dou uma olhada no BlackBerry.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Aproveite enquanto pode</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 22:25</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Sei o que est� tentando fazer � e pode acreditar, conseguiu. Da pr�xima vez, voc� estar� no por�o de carga, amarrada e amorda�ada dentro de um caixote. Acredite em mim quando digo que t�-la nesse estado me dar� muito mais prazer do que simplesmente fazer um <emphasis>upgrade</emphasis> na sua passagem.</p><empty-line/><p>Aguardo ansioso a sua volta.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO Com Coceira na M�o</p><empty-line/><p>
  Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Esse � o problema com o humor de Christian � nunca posso ter certeza se ele est� brincando ou se est� zangado de verdade. Desconfio neste momento que ele esteja zangado de verdade. Disfar�adamente, para a comiss�ria n�o ver, digito uma resposta embaixo da manta.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Brincadeira?</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 22:30</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>N�o sei se est� brincando � e, se n�o estiver, acho que ficarei na Ge�rgia. Caixotes s�o limites r�gidos para mim. Desculpe por t�-lo irritado. Diga que me perdoa.</p><empty-line/><p>A</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Brincadeira</p><p><strong>Data</strong>: 30 de maio de 2011 22:31</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Como pode estar mandando e-mail? Est� colocando em risco a vida de todo mundo a bordo, inclusive a sua, usando o BlackBerry? Acho que isso infringe uma das regras.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO Com Coceira nas Duas M�os</p><empty-line/><p>
  Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Duas m�os!</emphasis> Guardo o BlackBerry, endireito-me na poltrona enquanto o avi�o taxia para a pista de decolagem, e pego meu exemplar em frangalhos de <emphasis>Tess �</emphasis> uma leitura leve para a viagem. Uma vez no ar, inclino a poltrona, e logo estou dormindo.</p><p>A comiss�ria me acorda quando iniciamos a descida para Atlanta. A hora local cinco e quarenta e cinco da manh�, mas s� dormi mais ou menos umas quatro horas... Estou grogue, por�m agradecida pelo copo de suco de laranja que ela me entrega. Olho aflita para o BlackBerry. N�o h� mais e-mails de Christian. Bem, s�o quase tr�s da manh� em Seattle, e ele provavelmente quer me impedir de atrapalhar os equipamentos eletr�nicos do avi�o ou seja o que for que impe�a os avi�es de voarem se houver telefones celulares ligados.</p><p>* * *</p><p>A ESPERA EM ATLANTA � s� de uma hora. E, mais uma vez, estou me deleitando na sala da primeira classe. Fui tentada a me deitar encolhida num dos sof�s fofos e convidativos que afundam sob meu peso. Mas n�o vai dar tempo. Para me manter acordada, come�o a escrever no laptop um longo e-mail para Christian deixando fluir tudo o que me vem � cabe�a.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Voc� gosta de me assustar?</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 06:52 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Voc� sabe o quanto eu n�o gosto que voc� gaste dinheiro comigo. Sim, voc� � muito rico, mas mesmo assim isso me deixa constrangida, como se voc� estivesse me pagando pelo sexo. No entanto, gosto de viajar de primeira classe, � muito mais civilizado do que de econ�mica. Ent�o, obrigada. Estou sendo sincera � e gostei, sim, da massagem do Jean-Paul. Ele era muito gay. Omiti isso no meu e-mail para provoc�-lo, porque estava irritada com voc�, e sinto muito por isso.</p><empty-line/><p>Mas, como sempre, sua rea��o � exagerada. Voc� n�o pode escrever coisas assim para mim � amarrada e amorda�ada dentro de um caixote. (Voc� falou s�rio ou era brincadeira?) Isso me assusta... voc� me assusta... estou completamente envolvida por seu encanto, considerando um estilo de vida com voc� que eu nem sabia que existia at� a semana passada, e a� voc� escreve uma coisa assim e quero fugir aos gritos para as montanhas. N�o vou fazer isso, claro, porque sentiria sua falta. Sentiria mesmo. Quero que a gente d� certo, mas estou apavorada com a profundidade do sentimento que tenho por voc� e com o caminho escuro para onde voc� est� me levando. O que est� oferecendo � er�tico e sensual, e tenho curiosidade, mas tamb�m tenho medo de que voc� me machuque � f�sica e emocionalmente. Depois de tr�s meses, voc� poderia dizer adeus, e como � que vou ficar se voc� fizer isso? Embora tenha de admitir que esse risco existe em qualquer relacionamento. Este n�o � o tipo de rela��o que algum dia imaginei ter, especialmente para a primeira. Isso � um enorme passo para mim.</p><empty-line/><p>Voc� tinha raz�o ao dizer que eu n�o possu�a um �nico osso submisso no corpo... e concordo com voc� agora. Tendo dito isso, quero estar com voc�, e se isso for o que tenho que fazer, eu gostaria de tentar, mas acho que n�o vai dar certo e vou acabar toda roxa � n�o fico nem um pouco entusiasmada com essa ideia.</p><empty-line/><p>Gostei muito de voc� ter dito que se esfor�ar� mais. S� preciso pensar no que �mais� significa para mim, e essa � uma das raz�es pelas quais eu queria um pouco de dist�ncia. Voc� me deslumbra tanto que tenho dificuldade de pensar com clareza quando estamos juntos.</p><empty-line/><p>Est�o chamando meu voo. Tenho que ir.</p><empty-line/><p>Depois continuo.</p><empty-line/><p>Sua Ana.</p><empty-line/><p>Aperto �enviar� e me dirijo sonolenta ao port�o de embarque para tomar o outro avi�o. Este s� tem seis lugares na primeira classe, e, quando estamos no ar, me encolho embaixo da manta macia e adorme�o.</p><p>Mais cedo do que eu gostaria, sou acordada pela comiss�ria me oferecendo mais suco de laranja ao iniciarmos a aproxima��o do Aeroporto Internacional de Savannah. Bebo lentamente, para l� de cansada, e me permito sentir um m�nimo de excita��o. N�o vejo minha m�e h� seis meses. Dando outra olhada disfar�ada no BlackBerry, me lembro vagamente de ter enviado um e-mail longo e desconexo a Christian � mas n�o h� resposta. S�o cinco da manh� em Seattle. Tomara que ele ainda esteja dormindo e n�o tocando lamentos tristes ao piano.</p><p>* * *</p><p>A PARTE BOA de viajar s� com bagagem de m�o � que � poss�vel sair despreocupadamente do aeroporto sem esperar a vida inteira pelas malas nas esteiras. A parte boa de viajar de primeira classe � que deixam a gente desembarcar primeiro.</p><p>Minha m�e est� esperando com Bob, e � muito bom v�-los. N�o sei se � por causa da exaust�o, da viagem longa ou de toda a situa��o com Christian, mas assim que minha m�e me abra�a come�o a chorar.</p><p>� Ah, Ana, querida. Voc� deve estar muito cansada.</p><p>Ela olha aflita para Bob.</p><p>� N�o, m�e, � s� que... estou muito feliz em ver voc�.</p><p>Dou um abra�o apertado nela, e � um contato gostoso e acolhedor, como o lar. Com relut�ncia, solto-a, e Bob me abra�a sem jeito com um bra�o s�. Ele parece meio tr�pego, e me lembro que machucou a perna.</p><p>� Seja bem-vinda, Ana. Por que est� chorando? � pergunta.</p><p>� Ai, Bob, s� estou feliz em ver voc� tamb�m.</p><p>Olho para seu bonito rosto quadrado e seus brilhantes olhos azuis que me fitam com carinho. Gosto desse marido, m�e. Pode ficar com ele. Ele pega minha mochila.</p><p>� Nossa, Ana, o que voc� tem a�?</p><p>Deve ser o Mac, e vamos os tr�s abra�ados para o estacionamento.</p><p>Sempre me esque�o do calor insuport�vel que faz em Savannah. Saindo dos limites refrigerados do terminal de desembarque, entramos no calor da Ge�rgia como se o estiv�ssemos vestindo. <emphasis>Ufa!</emphasis> Ele mina tudo. Preciso me desvencilhar do abra�o de mam�e e de Bob para tirar o casaco de capuz. Ainda bem que trouxe uns shorts. �s vezes sinto falta do calor seco de Las Vegas, onde morei com mam�e e Bob aos dezessete anos, mas custo a me acostumar com este calor �mido, mesmo �s oito e meia da manh�. Quando estou no banco traseiro do utilit�rio esportivo Tahoe maravilhosamente refrigerado, sinto-me fraca, e meu cabelo j� iniciou um protesto frisado diante do calor. Ali no Tahoe, rapidamente envio uma mensagem de texto para Ray, Kate e Christian:</p><empty-line/><p>*Cheguei bem em Savannah. A :)*</p><p>Penso rapidamente em Jos� ao apertar �enviar�, e, atrav�s da n�voa do meu cansa�o, lembro-me de que a exposi��o � semana que vem. Ser� que eu devia convidar Christian, sabendo como ele se sente em rela��o a Jos�? Ser� que Christian ainda vai querer me ver depois daquele e-mail? Estreme�o ao pensar nisso, e ent�o tiro o assunto da cabe�a. Vou tratar disso depois. No momento, vou aproveitar a companhia de minha m�e.</p><p>� Querida, voc� deve estar cansada. Vai querer dormir quando chegar em casa?</p><p>� N�o, m�e. Eu queria ir � praia.</p><p>* * *</p><p>ESTOU COM MEU mai� frente-�nica azul, tomando uma Coca Diet, numa espregui�adeira de frente para o Oceano Atl�ntico. E pensar que ontem mesmo eu estava contemplando o Estu�rio na dire��o do Pac�fico. Minha m�e est� instalada a meu lado com um chap�u absurdamente grande � la Jackie O, bebendo a Coca dela. Estamos na Praia da Ilha Tybee, s� a tr�s quarteir�es l� de casa. Ela segura minha m�o. Meu cansa�o desapareceu, e ali tostando ao sol, sinto-me confort�vel, segura, aquecida. Pela primeira vez em s�culos, come�o a relaxar.</p><p>� Ent�o, Ana... me conte sobre esse homem que est� deixando voc� nessa confus�o toda.</p><p><emphasis>Confus�o!</emphasis> Como ela pode saber? O que vou dizer? N�o posso entrar em maiores detalhes sobre Christian por causa do termo de confidencialidade, mas, apesar disso, ser� que eu escolheria falar com minha m�e sobre isso? Fico l�vida com essa ideia.</p><p>� E ent�o? � provoca ela, e aperta minha m�o.</p><p>� O nome dele � Christian. Ele � muito bonito. � rico... rico demais. � muito complicado e inst�vel.</p><p>Sim � estou felic�ssima com minha s�ntese precisa e acurada. Viro de lado para ficar de frente para ela, na hora que ela faz o mesmo movimento. Ela me olha com aqueles olhos azul-claros.</p><p>� Complicado e inst�vel s�o duas informa��es sobre as quais quero me concentrar, Ana.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o...</emphasis></p><p>� Ah, m�e, as oscila��es de humor dele me deixam tonta. Ele teve uma cria��o triste, e � muito fechado, dif�cil de avaliar.</p><p>� Voc� gosta dele?</p><p>� Gosto demais dele.</p><p>� � mesmo?</p><p>Ela me olha boquiaberta.</p><p>� Sim, m�e.</p><p>� Os homens s�o muito complicados, Ana, querida. S�o criaturas muito simples e literais. Normalmente o que eles falam � o que pensam mesmo. E a gente passa horas tentando analisar o que falaram, quando est� na cara. Se eu fosse voc�, eu o tomaria ao p� da letra. Isso poderia ajudar.</p><p>Olho para ela pasma. Parece um bom conselho. Tomar Christian ao p� da letra. Na mesma hora, me v�m � cabe�a umas coisas que ele disse.</p><p><emphasis>N�o quero perder voc�...</emphasis></p><p><emphasis>Voc� me enfeiti�ou...</emphasis></p><p><emphasis>Voc� me seduziu completamente...</emphasis></p><p><emphasis>Vou sentir sua falta, tamb�m... mais do que voc� pensa.</emphasis></p><p>Olho para minha m�e. Ela <emphasis>est�</emphasis> no quarto casamento. Talvez saiba alguma coisa sobre os homens afinal de contas.</p><p>� Quase todos os homens s�o mal-humorados, querida, uns mais que outros. Pense no seu pai, por exemplo...</p><p>Ela fica com um olhar meigo e tristonho sempre que pensa em meu pai. Meu pai verdadeiro, esse homem m�tico que n�o conheci, arrebatado da gente de forma t�o cruel num acidente de treino de combate quando era da marinha. Uma parte minha acha que minha m�e anda procurando meu pai esse tempo todo... talvez finalmente tenha encontrado o que procura em Bob. Pena que n�o conseguiu encontrar com Ray.</p><p>� Eu achava que seu pai era mal-humorado. Mas quando olho para tr�s, s� acho que ele estava muito envolvido com o trabalho dele e tentando nos sustentar. � Ela suspira. � Era muito jovem, n�s dois �ramos. Talvez a quest�o fosse essa.</p><p>Humm... Christian n�o � exatamente velho. Sorrio com carinho para ela. Ela � capaz de ficar muito emotiva falando do meu pai, mas tenho certeza de que ele n�o tinha nada dos maus humores de Christian.</p><p>� Bob quer nos levar para jantar fora hoje. No clube de golfe dele.</p><p>� Ah, n�o! O Bob come�ou a jogar golfe?</p><p>Debocho incr�dula.</p><p>� Nem me fale � reclama minha m�e, revirando os olhos.</p><p>* * *</p><p>AP�S UM ALMO�O leve em casa, come�o a desfazer a mala. E vou me dar o capricho de um cochilo. Minha m�e desapareceu para moldar umas velas ou o que quer que ela fa�a com elas, e Bob est� no trabalho, de modo que tenho tempo de botar o sono em dia. Ligo o Mac. S�o duas da tarde na Ge�rgia, onze da manh� em Seattle. Pergunto-me se tenho uma resposta de Christian. Com agita��o, abro meu e-mail.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Finalmente!</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 07:30</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia,</p><p>Estou aborrecido porque, assim que a gente se afasta um pouco, voc� se comunica aberta e honestamente comigo. Por que n�o pode fazer isso quando estamos juntos?</p><empty-line/><p>Sim, eu sou rico. V� se acostumando com isso. Por que eu n�o deveria gastar dinheiro com voc�? J� contamos a seu pai que sou seu namorado, pelo amor de Deus. N�o � o que os namorados fazem? Como seu Dominador, eu esperaria que voc� aceitasse sem discutir o que quer que eu gaste com voc�. Por falar nisso, conte a sua m�e, tamb�m.</p><empty-line/><p>N�o sei como responder a seu coment�rio sobre se sentir uma puta. Sei que n�o foi isso que escreveu, mas � o que sugere. N�o sei o que posso dizer ou fazer para erradicar esses sentimentos. Eu gostaria que voc� tivesse tudo do melhor. Dou um duro extraordin�rio para poder gastar meu dinheiro como achar melhor. Eu poderia lhe comprar o que voc� quisesse, Anastasia, e quero comprar. Chame isso de redistribui��o de riqueza, se quiser. Ou saiba simplesmente que eu n�o pensaria, nem jamais poderia pensar em voc� do jeito que voc� descreveu, e fico furioso por ser esta a maneira como voc� se v�. Para uma mo�a t�o inteligente, espirituosa e bonita, voc� tem alguns aut�nticos problemas de autoestima, e me d� vontade de marcar uma consulta para voc� com o Dr. Flynn.</p><empty-line/><p>Pe�o desculpas por t�-la assustado. Acho abomin�vel a ideia de lhe causar medo. Acha mesmo que eu iria deix�-la viajar no por�o? Ofereci-lhe meu jato particular, por favor. Sim, foi uma brincadeira, de mau gosto, � �bvio. No entanto, o fato � que pensar em voc� amarrada e amorda�ada me excita (isso n�o � brincadeira � � verdade). Posso ficar sem o caixote: n�o ligo para caixotes. Sei que voc� tem problemas com amorda�amento, j� falamos sobre isso, e se/ou quando eu amorda��-la, vamos discutir antes. O que acho que voc� n�o percebe � que, em rela��es Dom/sub, � a sub que tem todo o poder. N�o eu. No ancoradouro voc� disse n�o. N�o posso tocar em voc� se voc� disser n�o; por isso temos um contrato � o que voc� far� e o que n�o far�. Se experimentarmos coisas e voc� n�o gostar, podemos rever o contrato. Isso � com voc�, n�o comigo. E se voc� n�o quiser ser amarrada e amorda�ada dentro de um caixote, ent�o isso n�o vai acontecer.</p><empty-line/><p>Quero compartilhar meu estilo de vida com voc�. Eu nunca quis tanto uma coisa. Francamente, estou assombrado com voc�, com o fato de uma pessoa t�o inocente estar disposta a tentar. Isso me diz mais do que voc� jamais poderia imaginar. Voc� n�o consegue ver que estou envolvido pelo seu encanto, tamb�m, embora eu j� tenha lhe dito isso in�meras vezes. N�o quero perd�-la. Estou aflito por voc� ter viajado quase cinco mil quil�metros para se afastar de mim por uns dias, porque n�o consegue pensar com clareza perto de mim. � a mesma coisa comigo, Anastasia. Perco o ju�zo quando estamos juntos � esta � a profundidade do meu sentimento por voc�.</p><empty-line/><p>Entendo seu nervosismo. Tentei, sim, ficar longe de voc�. Eu sabia que voc� n�o tinha experi�ncia, embora eu jamais a tivesse perseguido se soubesse exatamente qu�o inocente voc� era � e no entanto voc� ainda consegue me desarmar completamente de um jeito que ningu�m conseguiu antes. Seu e-mail, por exemplo: Li-o e reli-o in�meras vezes tentando entender seu ponto de vista. Tr�s meses � uma quantidade de tempo arbitr�ria. Poder�amos estabelecer seis meses, um ano? Quanto tempo quer que seja? O que a deixaria confort�vel? Diga.</p><empty-line/><p>Entendo que se trate de um grande passo para voc�. Tenho que ganhar sua confian�a, mas, do mesmo modo, voc� tem que me avisar quando eu n�o estiver conseguindo fazer isso. Voc� parece muito forte e independente, e a� eu leio o que voc� escreveu aqui, e vejo outro lado seu. Temos que guiar um ao outro, Anastasia, e s� voc� pode me dar as deixas. Voc� tem que ser honesta comigo, e temos que encontrar um jeito de fazer este acordo funcionar.</p><empty-line/><p>Voc� se preocupa em n�o ser submissa. Bem, talvez isso seja verdade. Dito isso, voc� s� assume a atitude correta de uma sub no quarto de jogos. Parece que � o �nico lugar em que me deixa exercer um controle adequado sobre voc� e � o �nico lugar em que voc� obedece. �Exemplar� � o termo que me ocorre. E eu nunca bateria em voc� para deix�-la roxa, meu objetivo � o cor-de-rosa. Fora do quarto de jogos, gosto que voc� me desafie. Trata-se de uma experi�ncia muito nova e revigorante, e eu n�o iria querer mudar isso. Portanto, sim, me diga o que quer em termos de mais. Vou me esfor�ar para conservar a mente aberta, e tentarei lhe dar o espa�o de que precisa e ficar longe de voc� enquanto estiver na Ge�rgia. Aguardo com ansiedade seu pr�ximo e-mail.</p><empty-line/><p>Enquanto isso, divirta-se. Mas n�o exagere.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Ele escreveu uma reda��o, como se estiv�ssemos de novo na escola � <emphasis>e a maior parte dela � boa.</emphasis> Releio apavorada a sua ep�stola, e me encolho na cama extra praticamente abra�ada com o Mac. Estabelecer o prazo de um ano para nosso acordo? Tenho esse poder? Putz, vou ter que pensar nisso. <emphasis>Tomar suas palavras ao p� da letra,</emphasis> � o que minha m�e diz. Ele n�o quer me perder. J� disse isso duas vezes! Quer fazer com que isso d� certo. <emphasis>Ah, Christian, eu tamb�m!</emphasis> Ele vai tentar ficar longe! Ser� que isso significa que poderia n�o conseguir ficar? De repente, tor�o para que n�o consiga. Quero v�-lo. Estamos afastados h� menos de vinte e quatro horas, e, sabendo que vou ficar quatro dias sem poder v�-lo, percebo o quanto sinto sua falta. O quanto o amo.</p><p>z</p><p>� Ana, querida.</p><p>A voz � meiga e carinhosa, cheia de amor e doces lembran�as do passado.</p><p>Sinto uma m�o delicada passando em meu rosto. Minha m�e me acorda, e estou agarrada com o laptop.</p><p>� Ana, meu amor � continua ela com aquela voz macia e musical enquanto pisco sonolenta na claridade rosada do crep�sculo.</p><p>� Oi, m�e.</p><p>Espregui�o-me e sorrio.</p><p>� Vamos sair para jantar em meia hora. Voc� quer vir? � pergunta ela de maneira am�vel.</p><p>� Ah, sim, m�e, claro.</p><p>Tento, mas n�o consigo conter um bocejo.</p><p>� � um objeto impressionante.</p><p>Ela aponta para o laptop.</p><p><emphasis>Ah, merda.</emphasis></p><p>� Ah... isso? � digo buscando um tom displicente e surpreso.</p><p>Ser� que mam�e vai notar? Ela parece ter ficado mais esperta depois que arranjei um �namorado�.</p><p>� Christian me emprestou. Acho que eu poderia pilotar um �nibus espacial com isso, mas s� uso para mandar e-mails e ter acesso � internet.</p><p><emphasis>Realmente, n�o � nada.</emphasis> Olhando desconfiada para mim, ela se senta na cama e coloca atr�s da minha orelha um cacho de cabelo que se soltou.</p><p>� Ele escreveu para voc�?</p><p><emphasis>Ah, puta merda.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Escreveu.</p><p>Minha displic�ncia est� minguando, e enrubes�o.</p><p>� Vai ver que ele est� sentindo sua falta, n�o �?</p><p>� Espero que sim, m�e.</p><p>� O que ele diz?</p><p><emphasis>Droga.</emphasis> Tento freneticamente pensar em alguma parte daquele e-mail que eu possa contar a minha m�e. Tenho certeza de que ela n�o quer ouvir sobre Dominadores nem sobre seu h�bito de amarrar e amorda�ar, mas n�o posso mesmo lhe contar porque existe o Termo de Confidencialidade.</p><p>� Ele disse para eu me divertir mas n�o exagerar.</p><p>� Isso � razo�vel. Vou deixar voc� se aprontar, querida. � Ela se inclina e beija minha testa. � Estou muito feliz por estar aqui, Ana. � �timo ver voc�.</p><p>E com essa declara��o de amor, ela se retira.</p><p><emphasis>Hum, Christian e razo�vel...</emphasis> dois conceitos que julguei serem mutuamente excludentes, mas depois do e-mail dele, talvez tudo seja poss�vel. Vou precisar de tempo para digerir suas palavras. Provavelmente depois do jantar � e posso lhe responder ent�o. Levanto da cama, tiro depressa a camiseta e o short e vou para o chuveiro.</p><p>Trouxe o vestido frente �nica de Kate que usei na formatura. � a �nica pe�a formal que tenho. Uma vantagem do calor � que a roupa desamassa, ent�o acho que vai dar para ir com esse vestido ao clube de golfe. Enquanto me visto, abro o laptop. N�o h� novidade nenhuma de Christian, e fico decepcionada. Muito rapidamente, digito um e-mail para ele.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Loquaz?</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:08 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Senhor, o senhor � um escritor muito prolixo. Tenho que ir jantar no clube de golfe de Bob, e, s� para sua informa��o, estou revirando os olhos para a ideia. Mas como sua pessoa e sua m�o co�ando est�o muito longe de mim, meu traseiro est� seguro, por ora. Adorei seu e-mail. Responderei quando puder. J� sinto sua falta.</p><empty-line/><p>Aproveite a tarde.</p><empty-line/><p>Sua Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu traseiro</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:10</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><p>O t�tulo deste e-mail est� me distraindo. N�o � preciso dizer que ele <emphasis>est�</emphasis> seguro � por ora.</p><empty-line/><p>Aproveite o jantar, e eu tamb�m sinto sua falta, especialmente do seu traseiro e das suas gracinhas.</p><empty-line/><p>Minha tarde ser� mon�tona, animada apenas pelos meus pensamentos em voc� e em seu h�bito de revirar os olhos. Acho que foi voc� que t�o acertadamente me mostrou que eu tamb�m tenho esse costume desagrad�vel.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO e Revirador de Olhos</p><empty-line/><p>
  Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Revirar os olhos</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:14 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Caro Sr. Grey,</p><p>Pare de me enviar e-mails. Estou tentando me aprontar para o jantar. Voc� me distrai muito, mesmo quando est� do outro lado do pa�s. E, sim � quem bate em voc� quando revira os olhos?</p><empty-line/><p>Sua Ana</p><empty-line/><p>Aperto em �enviar�, e imediatamente a imagem daquela bruxa m� da Mrs. Robinson me vem � cabe�a. Simplesmente n�o consigo imaginar. Christian apanhando de uma pessoa da idade da minha m�e, simplesmente n�o d�. De novo me pergunto se isso lhe causou muitos danos. Minha boca se contrai numa express�o triste. Preciso de uma boneca de vodu para espetar uns alfinetes, talvez assim eu possa descarregar um pouco da raiva que sinto dessa mulher estranha.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu traseiro</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:18</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Ainda prefiro meu t�tulo ao seu, em v�rios aspectos. Ainda bem que sou o mestre do meu pr�prio destino e ningu�m me castiga. A n�o ser minha m�e, �s vezes, e o Dr. Flynn, claro. E voc�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Castigar... Eu?</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:22 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado senhor,</p><p>Quando j� tive coragem de castig�-lo? Acho que est� me confundindo com�outra pessoa... o que � muito preocupante. Realmente tenho que me aprontar.</p><empty-line/><p>Sua Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Seu traseiro</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:25</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Cara Srta. Steele,</p><p>Voc� faz isso o tempo todo por escrito. Posso fechar o z�per do seu vestido?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Por algum motivo desconhecido, as palavras dele saltam da tela e me fazem arquejar. Ah... ele quer fazer um joguinho.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Conte�do adulto</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:28 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Eu preferiria que voc� o abrisse.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado com o que deseja...</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:31</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>EU TAMB�M.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Arfando</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:33 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Devagarinho...</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Gemendo...</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:35</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Eu queria estar a�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Gemendo</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:37 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>EU TAMB�M...</p><empty-line/><p>� Ana! � Minha m�e me chama, sobressaltando-me. <emphasis>Merda</emphasis>. Por que me sinto t�o culpada?</p><p>� J� vou, m�e.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Gemendo</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:39 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Tenho que ir.</p><empty-line/><p>At� mais, baby.</p><empty-line/><p>Entro correndo no hall, onde Bob e minha m�e aguardam. Minha m�e tem uma express�o preocupada.</p><p>� Querida, est� se sentindo bem? Est� com o rosto vermelho.</p><p>� M�e, estou bem.</p><p>� Voc� est� linda, querida.</p><p>� Ah, esse vestido � da Kate. Gostou?</p><p>Ela faz uma express�o ainda mais preocupada.</p><p>� Por que est� usando o vestido da Kate?</p><p><emphasis>Ah... n�o.</emphasis></p><p>� Bom, eu gosto dele e ela n�o � improviso depressa.</p><p>Ela me olha com mal�cia enquanto Bob destila impaci�ncia com uma cara triste e faminta.</p><p>� Amanh� levo voc� para fazer compras � diz ela.</p><p>� Ah, m�e, n�o precisa. Tenho muita roupa.</p><p>� Ser� que n�o posso fazer nada pela minha filha? Vamos, Bob est� morrendo de fome.</p><p>� Estou mesmo � geme Bob, esfregando a barriga e fazendo cara de sofrimento.</p><p>Rio e ele revira os olhos, e sa�mos de casa.</p><p>* * *</p><p>MAIS TARDE, QUANDO estou no banho me refrescando embaixo da �gua fresca, penso no quanto minha m�e mudou. Pelo que vi no jantar, ela estava na dela: engra�ada e sedutora e entre muitos amigos do clube de golfe. Bob estava carinhoso e atencioso... eles parecem fazer muito bem um ao outro. Estou muito feliz por ela. Isso significa que posso parar de me preocupar, de criticar suas decis�es e esquecer os dias sombrios do Marido N�mero Tr�s. Bob � protetor. E ela est� me dando bons conselhos. <emphasis>Desde quando?</emphasis> Desde que conheci Christian. <emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>Quando termino, seco-me rapidamente, com muita vontade de voltar para Christian. H� um e-mail � minha espera, enviado logo depois que sa� para jantar.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Pl�gio</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 16:41</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Voc� roubou minha fala.</p><empty-line/><p>E me deixou louco.</p><empty-line/><p>Bom jantar.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Quem � voc� para gritar pega ladr�o?</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 22:18 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Senhor, creio que vai descobrir que a fala originalmente era de Elliot.</p><p>Louco?</p><empty-line/><p>Sua Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Assunto inacabado</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:22</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Srta. Steele,</p><p>Voc� voltou. Saiu t�o de repente � logo na hora em que as coisas estavam ficando interessantes.</p><empty-line/><p>Elliot n�o � muito original. Deve ter roubado essa fala de algu�m.</p><empty-line/><p>Como foi o jantar?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Assunto inacabado?</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 22:26 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>O jantar foi farto � voc� vai gostar de saber que comi demais.</p><empty-line/><p>Ficando interessante? Como?</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Assunto inacabado � Definitivamente</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:30</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Est� sendo deliberadamente obtusa? Pensei que tivesse simplesmente me pedido para abrir seu z�per.</p><empty-line/><p>E eu estava ansioso para fazer exatamente isso. Tamb�m gostei de saber que voc� comeu bem.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Bem... Sempre h� o fim de semana</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 22:36 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Claro que comi... � s� a inseguran�a que sinto a seu lado que me tira o apetite.</p><empty-line/><p>E eu nunca seria obtusa sem querer, Sr. Grey.</p><empty-line/><p>Com certeza j� deve ter entendido isso. ;)</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: N�o posso esperar</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:40</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Vou me lembrar disso, Srta. Steele, e, sem d�vida, usar essa informa��o a meu favor.</p><empty-line/><p>Lamento saber que lhe tiro o apetite. Julguei provocar um efeito mais concupiscente em voc�. � o efeito que ando experimentando, e � muito prazeroso, tamb�m.</p><empty-line/><p>Aguardo com muita ansiedade a pr�xima vez.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Lingu�stica ginasta</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 22:36 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Anda brincando com o dicion�rio de novo?</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: No flagra</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 19:40</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Voc� me conhece muito bem, Srta. Steele.</p><empty-line/><p>Vou sair para jantar com uma velha amiga agora, portanto estarei dirigindo.</p><empty-line/><p>At� mais, baby�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Que velha amiga?</emphasis> N�o pensei que Christian tivesse alguma velha amiga, a n�o ser... ela? Por que ele ainda tem que falar com ela? De repente, fico roxa de ci�mes. Quero bater em alguma coisa, de prefer�ncia na Mrs. Robinson. Desligo o laptop mal-humorada e vou me deitar.</p><p>Eu deveria realmente responder ao longo e-mail dele de hoje de manh�, mas, de repente, fiquei muito zangada. Por que ele n�o consegue v�-la pelo que ela � � uma molestadora de crian�as? Apago a luz, espumando, olhando para o escuro. Como ela se atreve? Como ela se atreve a se meter com um adolescente vulner�vel? Ela ainda est� fazendo isso? Por que eles pararam? V�rios cen�rios me passam pela cabe�a: se ele tinha ficado farto, ent�o por que ainda � amigo dela? Idem para ela � ser� que ela � casada? Divorciada? Putz � ser� que tem filhos? <emphasis>Ser� que teve filhos com Christian?</emphasis> Meu inconsciente empina a cabe�a feia, lasciva, e fico chocada e nauseada com essa ideia. Ser� que o Dr. Flynn sabe sobre ela?</p><p>Levanto com esfor�o da cama e torno a ligar a m�quina do mal. Estou numa miss�o. Tamborilo os dedos com impaci�ncia enquanto a tela azul n�o aparece. Seleciono o Google Images e digito �Christian Grey� no mecanismo de busca. A tela subitamente se enche de imagens de Christian: de traje a rigor, de terno, putz � as fotos de Jos� do Heathman, de camisa branca e cal�a de flanela. Como essas fotos chegaram na internet? Nossa, ele est� bem.</p><p>Passo adiante rapidamente: algumas imagens com s�cios em empreendimentos, depois uma foto atr�s da outra do homem mais fotog�nico que conhe�o intimamente. <emphasis>Intimamente? Ser� que conhe�o Christian intimamente?</emphasis> Conhe�o-o sexualmente, e imagino que h� muito mais a descobrir. Sei que ele � inst�vel, dif�cil, engra�ado, frio, caloroso... minha nossa, o homem � uma contradi��o ambulante. Clico na p�gina seguinte. Ele continua sozinho em todas as fotografias, e me lembro de Kate mencionar n�o ter conseguido encontrar nenhuma fotografia dele com uma figura feminina, o que suscitou sua pergunta sobre ele ser gay. Ent�o, na terceira p�gina, h� uma foto minha, com ele, na minha formatura. A �nica foto dele com uma mulher, e sou eu.</p><p><emphasis>Caramba! Estou no Google!</emphasis> Fico olhando para n�s dois juntos. Olho admirada para a c�mera, nervosa, espantada. Isso foi justo antes de eu ter aceitado tentar. Da parte dele, Christian est� lind�ssimo, calmo e sereno, e est� com <emphasis>aquela gravata.</emphasis> Olho para ele, um rosto t�o lindo, um rosto lindo que pode estar olhando para a Mrs. Robinson Maldita neste exato momento. Salvo a foto em meus favoritos e clico em todas as dezoito p�ginas de resultados de busca... nada. N�o acharei a Mrs. Robinson no Google. Mas tenho que saber se ele est� com ela. Digito um r�pido e-mail para Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Companhias apropriadas para um jantar</p><p><strong>Data</strong>: 31 de maio de 2011 23:58 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Espero que voc� e sua amiga tenham tido um jantar muito agrad�vel.</p><empty-line/><p>Ana</p><empty-line/><p>P.S.: Era a Mrs. Robinson?</p><empty-line/><p>Aperto em �enviar� e volto desanimada para a cama, resolvida a perguntar a Christian sobre sua rela��o com aquela mulher. Uma parte de mim est� desesperada para saber mais, e outra parte quer esquecer que ele algum dia me contou. E minha menstrua��o come�ou, portanto, preciso me lembrar de tomar a p�lula de manh�. Rapidamente programo um alarme na agenda do BlackBerry. Ponho-o na mesa de cabeceira, deito-me e acabo caindo num sono agitado, desejando que estiv�ssemos na mesma cidade, n�o a quatro mil quil�metros de dist�ncia um do outro.</p><p>z</p><p>Ap�s uma manh� de compras e mais uma tarde na praia, minha m�e decretou que dev�amos passar a noite num bar. Deixamos Bob com a tev� e vamos ao elegante bar do hotel mais exclusivo de Savannah. Estou no segundo Cosmopolitan. Minha m�e, no terceiro. Ela est� me permitindo entender um pouco mais o fr�gil ego masculino. � muito desconcertante.</p><p>� Est� vendo, Ana, os homens acham que tudo que sai da boca de uma mulher � um problema a ser resolvido. N�o uma vaga ideia que a gente gostaria de lan�ar e discutir um pouco e depois esquecer. Os homens preferem a��o.</p><p>� M�e, por que est� me dizendo isso? � pergunto, sem conseguir esconder a exaspera��o.</p><p>Ela anda assim o dia inteiro.</p><p>� Querida, voc� parece muito perdida. Nunca levou um garoto l� em casa. Nunca teve um namorado quando est�vamos em Vegas. Pensei que poderia rolar alguma coisa com aquele rapaz que voc� conheceu na faculdade, o Jos�.</p><p>� M�e, Jos� � s� um amigo.</p><p>� Eu sei, querida. Mas h� alguma coisa, e acho que voc� n�o est� me contando tudo. � Ela me olha, a preocupa��o de m�e estampada no rosto.</p><p>� Eu s� precisava me afastar um pouco de Christian para botar a cabe�a no lugar... mais nada. Ele tende a me perturbar.</p><p>� Perturbar?</p><p>� �. Mas eu sinto falta dele.</p><p>Franzo a testa. Passei o dia inteiro sem not�cias de Christian. Nada de e-mails, nada. Estou tentada a ligar para ele para saber como est�. Meu maior receio � que ele tenha sofrido um acidente de carro. O meu segundo maior receio � que Mrs. Robinson esteja de novo exercendo sua influ�ncia maligna sobre ele. Sei que isso � irracional, mas no que diz respeito a ela, parece que perdi toda a no��o de objetividade.</p><p>� Querida, tenho que ir ao toalete.</p><p>A breve aus�ncia de minha m�e me d� mais uma chance de olhar meu BlackBerry. Andei o dia inteiro tentando ver disfar�adamente meus e-mails. Finalmente, uma resposta de Christian!</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Companhias para jantar</p><p><strong>Data</strong>: 1 de junho de 2011 21:40 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Sim, jantei com Mrs. Robinson. Ela � apenas uma velha amiga, Anastasia.</p><p>Estou ansioso para tornar a v�-la. Sinto sua falta.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ele estava jantando com ela. Meu couro cabeludo formiga e a adrenalina e o �dio percorrem meu corpo quando vejo meus piores receios se confirmarem. <emphasis>Como ele p�de?</emphasis> Estou fora h� dois dias, e ele corre para a peste daquela cachorra.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: VELHAS companhias para jantar</p><p><strong>Data</strong>: 1 de junho de 2011 21:42 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Ela n�o � s� uma velha amiga.</p><empty-line/><p>Ela j� encontrou outro adolescente para comer?</p><empty-line/><p>Ser� que voc� ficou muito velho para ela?</p><empty-line/><p>Foi por isso que a rela��o de voc�s terminou?</p><empty-line/><p>Aperto em �enviar� quando minha m�e volta.</p><p>� Ana, voc� est� muito p�lida. O que aconteceu?</p><p>Balan�o a cabe�a.</p><p>� Nada. Vamos tomar mais um Cosmopolitan � murmuro emburrada.</p><p>Ela franze as sobrancelhas, mas olha para um dos gar�ons e aponta para nossos copos. O gar�om compreende, conhece a linguagem universal do �mais uma rodada, por favor�. Assim como ela. Dou uma olhadinha no meu BlackBerry.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Cuidado...</p><p><strong>Data</strong>: 1 de junho de 2011 21:45 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Isso n�o � um assunto que eu queira discutir por e-mail.</p><p>Quantos Cosmopolitans mais voc� vai beber?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda, ele est� aqui.</emphasis></p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E TR�S</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Corro os olhos nervosamente pelo bar, mas n�o consigo v�-lo.</p><p>� Ana, o que �? Parece que voc� viu um fantasma.</p><p>� � o Christian, ele est� aqui.</p><p>� O qu�? � mesmo? � Ela tamb�m corre os olhos pelo bar.</p><p>Deixei de mencionar para minha m�e a propens�o de Christian a perseguir as pessoas.</p><p>Eu o vejo. Meu cora��o d� um salto e entra num ritmo hist�rico enquanto ele vem em nossa dire��o. <emphasis>Ele est� mesmo aqui � por mim.</emphasis> Minha deusa interior se levanta pulando da <emphasis>chaise longue,</emphasis> batendo palmas. Ele atravessa a sala calmamente, e os reflexos cor de cobre de seu cabelo ficam real�ados embaixo das l�mpadas hal�genas embutidas. Seus olhos cinzentos brilham. De raiva? Tens�o? Sua boca est� contra�da, a mand�bula cerrada. <emphasis>Ah, puta merda... n�o.</emphasis> Estou t�o irritada com ele agora, e aqui est� ele. Como posso ficar com raiva na frente da minha m�e?</p><p>Ele se aproxima da nossa mesa, e me olha desconfiado. Est� com a camisa de linho branco e a cal�a jeans de praxe.</p><p>� Oi � digo, sem conseguir disfar�ar o choque e o assombro ao v�-lo em carne e osso.</p><p>� Oi � responde ele, e me d� um beijo, pegando-me de surpresa.</p><p>� Christian, essa � minha m�e, Carla.</p><p>Meus bons modos arraigados prevalecem.</p><p>Ele cumprimenta minha m�e.</p><p>� Sra. Adams, muito prazer em conhec�-la.</p><p><emphasis>Como ele sabe o nome dela?</emphasis> Ele lhe d� aquele sorriso irresist�vel com a marca registrada Christian Grey. Ela n�o tem defesa. O queixo de minha m�e praticamente bate na mesa. <emphasis>Por favor, controle-se, m�e.</emphasis> Ela pega a m�o que ele estende, e os dois se cumprimentam. Minha m�e n�o responde. Ah, emudecer completamente � uma caracter�stica gen�tica � eu n�o tinha ideia.</p><p>� Christian � ela consegue dizer afinal, ofegante.</p><p>Ele lhe sorri com cumplicidade, os olhos faiscando. Estreito os olhos para os dois.</p><p>� O que est� fazendo aqui?</p><p>Minha pergunta soa mais crispada do que eu pretendia, e seu sorriso � substitu�do por uma express�o cautelosa. Estou el�trica mas tamb�m completamente confusa com a presen�a dele, a ponto de explodir de raiva da Mrs. Robinson. N�o sei se quero gritar com ele ou me atirar em seus bra�os � mas acho que ele n�o iria gostar nem de uma coisa nem de outra � e quero saber por quanto tempo ele ficou nos observando. Tamb�m estou meio aflita com o e-mail que acabei de lhe enviar.</p><p>� Vim para ver voc�, claro. � Ele me olha impass�vel. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>o que ele est� pensando?</emphasis> � Estou hospedado neste hotel.</p><p>� Est� hospedado aqui? � Falo como uma caloura sob o efeito de anfetaminas, num tom muito estridente at� para os meus ouvidos.</p><p>� Bem, ontem voc� disse que queria que eu estivesse aqui. � Ele faz uma pausa, tentando avaliar minha rea��o. � Nosso objetivo � satisfazer, Srta. Steele. � A voz dele � calma, sem vest�gio de humor.</p><p><emphasis>Merda � ele est� zangado?</emphasis> Ser� que foram os coment�rios sobre a Mrs. Robinson? Ou o fato de eu estar no terceiro, prestes a ir para o quarto, Cosmopolitan? Minha m�e est� olhando aflita para n�s dois.</p><p>� N�o quer beber alguma coisa conosco, Christian?</p><p>Ela acena para o gar�om, que est� a seu lado em uma fra��o de segundo.</p><p>� Vou tomar um gim t�nica � diz Christian. � Hendricks, se tiver, ou Bombay Saphire. Pepino com o Hendricks, lim�o com o Bombay.</p><p><emphasis>Caramba...</emphasis> s� Christian poderia gastar tanta energia para pedir uma bebida.</p><p>� E mais dois Cosmopolitans, por favor � acrescento, olhando aflita para ele. Estou bebendo com minha m�e, ele n�o pode ficar zangado por causa disso.</p><p>� Puxe uma cadeira, Christian.</p><p>� Obrigado, Sra. Adams.</p><p>Christian puxa uma cadeira pr�xima e se senta com eleg�ncia a meu lado.</p><p>� Ent�o coincidiu de voc� estar hospedado no hotel onde viemos tomar um drinque? � pergunto, fazendo um grande esfor�o para manter um tom de voz leve.</p><p>� Ou coincidiu de voc�s terem vindo tomar um drinque no hotel em que estou hospedado � responde Christian. � Eu tinha acabado de jantar, entrei aqui e vi voc�s. Estava distra�do, pensando no seu �ltimo e-mail, de repente olho e vejo voc�. Uma coincid�ncia e tanto, n�o �?</p><p>Ele inclina a cabe�a, e vejo um esbo�o de sorriso. <emphasis>Gra�as a Deus �</emphasis> talvez a gente consiga salvar a noite, afinal de contas.</p><p>� Minha m�e e eu sa�mos para fazer compras de manh� e fomos � praia � tarde. � noite, decidimos vir tomar um drinque � murmuro, sentindo que lhe devo algum tipo de explica��o.</p><p>� Voc� comprou esta blusa? � Ele aponta para minha blusa de alcinha de seda verde nova. � Voc� fica bem com essa cor. E pegou sol. Est� linda.</p><p>Coro, sem palavras diante do elogio.</p><p>� Bem, eu ia lhe fazer uma visita amanh�. Mas c� est� voc�.</p><p>Ele pega minha m�o e a aperta com delicadeza, passando o polegar para l� e para c� nos n�s dos meus dedos... e sinto aquela tens�o familiar. A eletricidade correndo embaixo da minha pele sob a press�o suave de seu polegar, passando para minha corrente sangu�nea e palpitando no meu corpo todo, me deixando em fogo. Eu j� n�o o vejo h� mais de dois dias. <emphasis>Nossa...</emphasis> eu o quero. Fico sem ar. Pisco para ele, sorrindo timidamente, e vejo um sorriso brincar em seus l�bios.</p><p>� Achei que fosse surpreend�-la. Mas, como sempre, Anastasia, voc� me surpreende estando aqui.</p><p>Olho rapidamente para mam�e, que est� contemplando Christian... sim! contemplando! <emphasis>Pare com isso, m�e.</emphasis> Como se ele fosse uma criatura ex�tica, nunca vista antes. Quer dizer, sei que eu nunca tive namorado, e Christian s� pode ser classificado como tal para facilitar a refer�ncia, mas ser� que � t�o incr�vel o fato de eu ter podido atrair um homem? <emphasis>Este homem? Sim, francamente! Olhe para ele!,</emphasis> diz meu inconsciente. Ah, cale a boca! Quem convidou voc� para essa festa? Olho carrancuda para minha m�e, mas ela parece n�o notar.</p><p>� N�o quero interromper os momentos que voc� tem com sua m�e. Vou tomar um drinque r�pido e me retirar. Tenho que trabalhar � declara ele todo formal.</p><p>� Christian, adorei conhec�-lo � interrompe mam�e, afinal conseguindo falar. � Ana fala de voc� com muito carinho.</p><p>Ele sorri para ela.</p><p>� � mesmo?</p><p>Ergue uma sobrancelha para mim, achando gra�a, e coro de novo.</p><p>O gar�om chega com nossas bebidas.</p><p>� Hendricks, senhor � anuncia com um floreio triunfante.</p><p>� Obrigado � agradece Christian.</p><p>Bebo nervosamente meu Cosmopolitan.</p><p>� Quanto tempo vai ficar na Ge�rgia, Christian? � pergunta mam�e.</p><p>� At� sexta-feira, Sra. Adams.</p><p>� Quer jantar conosco amanh�? E me chame de Carla, por favor.</p><p>� Seria um prazer, Carla.</p><p>� �timo. Se voc�s me d�o licen�a, preciso ir ao toalete.</p><p><emphasis>M�e... voc� acabou de ir.</emphasis> Olho desesperada para ela enquanto ela se levanta e sai, deixando-nos a s�s.</p><p>� Ent�o, voc� est� zangada comigo porque jantei com uma velha amiga.</p><p>Christian volta seu olhar ardente e desconfiado para mim, leva minha m�o aos l�bios e beija com ternura todos os n�s dos meus dedos.</p><p><emphasis>Putz, ele quer fazer isso agora?</emphasis></p><p>� Estou � murmuro, e o sangue corre quente em minhas veias.</p><p>� Nosso caso terminou h� muito tempo, Anastasia � murmura ele. � N�o quero ningu�m a n�o ser voc�. Ainda n�o entendeu isso?</p><p>Pisco para ele.</p><p>� Penso nela como uma molestadora de crian�as, Christian.</p><p>Prendo a respira��o, esperando a rea��o dele.</p><p>Christian fica l�vido.</p><p>� Essa ideia � muito sentenciosa. N�o foi assim � murmura, chocado, e solta minha m�o.</p><p><emphasis>Sentenciosa?</emphasis></p><p>� Ah, ent�o como foi? � pergunto.</p><p>Os Cosmopolitans est�o me tornando corajosa.</p><p>Ele me olha espantado. Continuo.</p><p>� Ela se aproveitou de um garoto vulner�vel de quinze anos. Se voc� fosse uma garota de quinze anos e a Mrs. Robinson fosse um homem, aliciando voc� para um estilo de vida BDSM, isso seria correto? Se fosse com a Mia, por exemplo?</p><p>Ele arqueja e me olha s�rio.</p><p>� Ana, n�o foi assim.</p><p>Olho furiosa para ele.</p><p>� Tudo bem, para mim, n�o dava impress�o de ser assim � prossegue ele calmamente. � Ela era uma for�a do bem. Aquilo de que eu precisava.</p><p>� N�o entendo.</p><p>� a minha vez de fazer cara de espanto.</p><p>� Anastasia, sua m�e j� vai voltar. N�o me sinto bem de falar nisso com voc� agora. Depois, talvez. Se n�o me quiser, eu tenho um avi�o � minha espera em Hilton Head. Posso ir embora.</p><p><emphasis>Ele est� zangado comigo... n�o.</emphasis></p><p>� N�o, n�o v�. Por favor. Estou muito feliz por voc� estar aqui. S� estou tentando fazer com que entenda. Estou zangada porque, assim que viajei, voc� foi jantar com ela. Pense em como voc� fica quando eu chego perto do Jos�. Jos� � um grande amigo. Nunca tive um caso com ele. Ao passo que voc� e ela...</p><p>Deixo a frase no ar, sem querer levar a ideia adiante.</p><p>� Est� com ci�mes? � Ele me olha, perplexo, e seu olhar fica ligeiramente mais suave, afetuoso.</p><p>� Estou, e com raiva do que ela fez com voc�.</p><p>� Anastasia, ela me ajudou. � s� o que vou dizer sobre isso. E, quanto ao seu ci�me, ponha-se no meu lugar. Eu n�o tive que justificar meus atos para ningu�m nos �ltimos sete anos. Ningu�m. Fa�o o que quero, Anastasia. Gosto da minha autonomia. N�o sa� com a Mrs. Robinson para irritar voc�. Sa� porque jantamos juntos de vez em quando. Ela � minha amiga e minha s�cia.</p><p><emphasis>S�cia? Merda. Isso � novidade.</emphasis></p><p>Ele me olha, avaliando minha express�o.</p><p>� Sim, somos s�cios. Nosso caso j� terminou. H� muitos anos.</p><p>� Por que o caso de voc�s terminou?</p><p>Ele contrai a boca, com os olhos brilhando.</p><p>� O marido dela descobriu.</p><p><emphasis>Puta merda!</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Ser� que a gente pode falar sobre isso outra hora, num local mais reservado? � murmura ele.</p><p>� Acho que voc� nunca vai conseguir me convencer de que ela n�o � uma esp�cie de ped�fila.</p><p>� Eu n�o penso nela assim. Nunca pensei. Agora chega! � corta ele.</p><p>� Voc� a amava?</p><p>� Como voc�s v�o indo?</p><p>Minha m�e voltou, sem que n�s repar�ssemos.</p><p>Dou um sorriso for�ado enquanto Christian e eu nos endireitamos depressa, numa atitude culpada. Ela olha para mim.</p><p>� Bem, m�e.</p><p>Christian toma seu gim, observando-me com aten��o, a express�o cautelosa. O que est� pensando? Ser� que a amou? Acho que, se amou, vou perder feio.</p><p>� Bem, senhoras, vou deixar voc�s.</p><p><emphasis>N�o... n�o... ele n�o pode me deixar no ar assim.</emphasis></p><p>� Por favor, ponham essas bebidas na minha conta, quarto 612. Eu telefono pela manh�, Anastasia. At� amanh�, Carla.</p><p>� Ah, � muito bom ouvir algu�m chamar a gente pelo nome.</p><p>� Belo nome para uma bela mulher � murmura Christian, apertando a m�o que ela estende, e ela realmente d� um sorriso sem gra�a.</p><p><emphasis>Ah, m�e... At� tu, Brutus?</emphasis> Levanto-me, olhando para ele, implorando para que responda � minha pergunta, e ele me d� um beijo casto no rosto.</p><p>� At� mais, baby � sussurra em meu ouvido, e sai.</p><p><emphasis>Maldito filho da m�e man�aco por controle.</emphasis> Minha raiva volta com for�a total. Deixo-me cair na cadeira e me viro para minha m�e.</p><p>� Bem, estou de quatro, Ana. Ele � um bom partido. N�o sei o que est� havendo entre voc�s. Acho que precisam conversar. Ufa, que tens�o sexual n�o resolvida aqui. � insuport�vel.</p><p>Ela se abana de um modo teatral.</p><p>� M�E!</p><p>� V� falar com ele.</p><p>� N�o posso. Vim aqui para ver voc�.</p><p>� Ana, voc� veio aqui porque estava confusa por causa desse rapaz. � �bvio que voc�s s�o loucos um pelo outro. Voc� precisa falar com ele. Ele acabou de fazer uma viagem de avi�o de cinco mil quil�metros para ver voc�, pelo amor de Deus. E voc� sabe como � horr�vel viajar de avi�o.</p><p>Enrubes�o. Ainda n�o lhe contei sobre o avi�o particular dele.</p><p>� O qu�? � pergunta ela.</p><p>� Ele tem um avi�o particular � murmuro, encabulada. � E s�o s� quatro mil quil�metros, m�e.</p><p><emphasis>Por que estou encabulada?</emphasis> Ela faz uma cara espantada.</p><p>� Nossa � murmura. � Ana, est� acontecendo alguma coisa entre voc�s dois. Ando tentando sondar isso desde que voc� chegou aqui. Mas o �nico jeito de voc� resolver o problema, seja ele qual for, � discuti-lo com Christian. Pode pensar � vontade, mas s� vai chegar a algum lugar depois que realmente conversar.</p><p>Franzo as sobrancelhas para minha m�e.</p><p>� Ana, querida, voc� sempre teve propens�o a analisar demais tudo. Siga seu instinto. O que acha disso tudo, querida?</p><p>Baixo os olhos.</p><p>� Acho que estou apaixonada por ele � murmuro.</p><p>� Eu sei, querida. E ele por voc�.</p><p>� N�o!</p><p>� Sim, Ana. Do que mais voc� precisa? Um letreiro luminoso piscando na testa dele?</p><p>Olho boquiaberta para ela e l�grimas me ardem nos cantos dos olhos.</p><p>� Ana, querida. N�o chore.</p><p>� N�o acho que ele goste de mim.</p><p>� Por mais rica que a pessoa seja, ela n�o larga tudo e embarca num avi�o particular para atravessar um pa�s inteiro s� para o ch� da tarde. V� at� ele! Este lugar � lindo, muito rom�ntico. � tamb�m territ�rio neutro.</p><p>Fico sem jeito sob o olhar dela. Quero e n�o quero ir.</p><p>� Querida, n�o sinta que tem que voltar comigo. Quero voc� feliz, e, no momento, acho que a chave para a sua felicidade est� l� em cima no quarto 612. Se precisar ir para casa depois, a chave est� embaixo do vaso de planta na entrada. Se ficar, bem... voc� j� � adulta. S� pense na sua seguran�a.</p><p>Fico vermelha como um piment�o. <emphasis>Putz, m�e.</emphasis></p><p>� Vamos primeiro acabar nossos Cosmopolitans.</p><p>� � assim que eu gosto, Ana.</p><p>Ela sorri.</p><p>* * *</p><p>BATO TIMIDAMENTE NO quarto 612 e aguardo. Christian abre a porta. Est� no celular. Pisca para mim espantad�ssimo e me faz sinal para entrar no quarto.</p><p>� Todas as indeniza��es conclu�das?... E o custo?... � Christian assobia entre dentes. � Xiii... esse foi um erro caro... E o Lucas?...</p><p>Passo os olhos pelo quarto. Ele est� numa su�te, como a do Heathman. Os m�veis aqui s�o ultramodernos. Tudo em tons apagados de roxo-escuro e dourado, com resplendores de bronze nas paredes. Christian vai at� um m�dulo de madeira escura e abre a porta, revelando uma pequena geladeira. Faz sinal para que eu me sirva, depois entra no quarto. Presumo que seja para eu n�o poder mais ouvir a conversa. Dou de ombros. Ele n�o interrompeu a liga��o quando entrei em seu escrit�rio daquela vez. Ou�o �gua correndo... ele est� enchendo uma banheira. Sirvo-me de suco de laranja. Ele volta para o quarto.</p><p>� Mande Andrea me enviar o esquema. Barney disse que tinha resolvido o problema... � Christian ri. � N�o, sexta-feira... Tem um terreno aqui que me interessa... �, mande o Bill ligar... N�o, amanh�... quero ver o que a Ge�rgia vai oferecer se viermos para c�. � Christian n�o tira os olhos de mim.</p><p>Ele me entrega um copo e aponta para um balde de gelo.</p><p>� Se os incentivos deles forem suficientemente atraentes... acho que dev�amos considerar, embora eu n�o tenha certeza quanto ao maldito calor daqui... Concordo, Detroit tem suas vantagens, tamb�m, e � mais fresco...</p><p>Ele franze o cenho por um instante. <emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>� Mande o Bill ligar. Amanh�... n�o muito cedo.</p><p>Ele desliga e fica me olhando com uma express�o misteriosa, e o sil�ncio se estende entre n�s.</p><p>Tudo bem... minha vez de falar.</p><p>� Voc� n�o respondeu � minha pergunta � murmuro.</p><p>� N�o � diz ele calmamente, com uma express�o cautelosa, olhos arregalados.</p><p>� N�o, voc� n�o respondeu � minha pergunta, ou n�o, voc� n�o a amava?</p><p>Ele cruza os bra�os e se encosta na parede, esbo�ando um sorriso.</p><p>� O que est� fazendo aqui, Anastasia?</p><p>� Acabei de dizer.</p><p>Ele respira fundo.</p><p>� N�o. Eu n�o a amava.</p><p>Ele olha intrigado para mim, mas achando gra�a.</p><p>N�o posso acreditar que eu esteja prendendo a respira��o. Ao solt�-la, relaxo, aliviada. <emphasis>Bem, gra�as a Deus.</emphasis> Como eu me sentiria se ele realmente amasse a bruxa?</p><p>� Voc� � uma deusa <emphasis>sexy</emphasis>, Anastasia. Quem diria?</p><p>� Est� debochando de mim, Sr. Grey?</p><p>� Eu n�o me atreveria.</p><p>Ele balan�a a cabe�a solenemente, mas tem um brilho malicioso no olhar.</p><p>� Ah, acho que se atreveria, e acho que se atreve, quase sempre.</p><p>Ele d� uma risadinha quando lhe devolvo as palavras que ele j� me disse antes. Seu olhar muda.</p><p>� Por favor, pare de morder o l�bio. Voc� est� no meu quarto, n�o estamos juntos h� quase tr�s dias e vim de longe para encontr�-la.</p><p>Agora ele fala num tom doce, sensual. Seu BlackBerry toca, distraindo-nos, e ele o desliga sem olhar para ver quem �. Fico sem ar. Sei aonde isso vai dar... <emphasis>mas dev�amos conversar.</emphasis> Ele d� um passo na minha dire��o, com aquele olhar predador sensual.</p><p>� Eu quero voc�, Anastasia. Agora. E voc� me quer. Por isso est� aqui.</p><p>� Eu realmente queria saber � sussurro como uma defesa.</p><p>� Bem, agora que sabe, voc� vem ou n�o?</p><p>Coro quando ele para na minha frente.</p><p>� Vou � murmuro, olhando aflita para ele.</p><p>� Ah, espero que sim. � Ele me olha. � Voc� ficou muito zangada comigo � sussurra.</p><p>� Sim.</p><p>� N�o me lembro de ningu�m j� ter ficado zangado comigo a n�o ser meus familiares. Gosto disso.</p><p>Ele afaga meu rosto com a ponta dos dedos. <emphasis>Nossa,</emphasis> a proximidade dele, aquele seu cheiro delicioso. Dev�amos estar conversando, mas estou com o cora��o palpitando, o sangue martelando nas veias, o desejo aumentando, desabrochando... em toda parte. Christian se abaixa e passa o nariz em meu ombro, subindo at� a base da minha orelha, os dedos deslizando pelo meu cabelo.</p><p>� A gente devia conversar � murmuro.</p><p>� Depois.</p><p>� Tem muita coisa que eu quero falar.</p><p>� Eu tamb�m.</p><p>Ele me d� um beijo delicado no l�bulo da orelha e segura meu cabelo. Puxando minha cabe�a para tr�s, exp�e meu pesco�o aos seus l�bios. Seus dedos ro�am meu queixo, e ele beija meu pesco�o.</p><p>� Quero voc� � murmura.</p><p>Gemo e seguro seus bra�os.</p><p>� Voc� est� menstruada?</p><p>Ele continua me beijando.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>Ser� que nada lhe escapa?</p><p>� Estou � sussurro, encabulada.</p><p>� Tem c�licas?</p><p>� N�o.</p><p>Coro. <emphasis>Putz...</emphasis></p><p>Ele para e olha para mim.</p><p>� Tomou a p�lula?</p><p>� Sim.</p><p>Que situa��o vexaminosa!</p><p>� Vamos tomar um banho.</p><p><emphasis>Ah?</emphasis></p><p>Ele pega minha m�o e me conduz para o quarto. O quarto � dominado por uma enorme cama king size com drapeados elaborados. Mas n�o paramos ali. Ele me leva para o banheiro, que tem dois ambientes, todos em tons de �gua-marinha e m�rmore branco. � enorme. No segundo, uma banheira rebaixada no piso com acesso por degraus de m�rmore e espa�o suficiente para quatro tomarem banho est� se enchendo devagar. O vapor sobe delicadamente acima da espuma, e vejo um banco de pedra que corre em volta da banheira toda. H� velas acesas ao lado. Nossa... ele fez tudo isso enquanto estava ao telefone.</p><p>� Voc� tem um prendedor de cabelo?</p><p>Pisco para ele, enfio a m�o no bolso da cal�a e puxo um el�stico de cabelo.</p><p>� Prenda o cabelo no alto � ordena ele docemente.</p><p>Obede�o.</p><p>Est� quente e abafado ao lado da banheira, e minha blusa come�a a colar no corpo. Ele se inclina, fecha a torneira, me leva de volta ao primeiro ambiente do banheiro e para atr�s de mim, n�s dois de frente para a parede de espelho acima das duas pias de vidro.</p><p>� Tire as sand�lias � murmura, e obede�o depressa, largando-as no ch�o de pedra.</p><p>� Levante os bra�os � sussurra.</p><p>Fa�o o que ele manda, e ele tira minha blusa pela cabe�a, deixando-me com os seios nus na frente dele. Sem tirar os olhos dos meus, ele se vira e desabotoa minha cal�a e abre o z�per.</p><p>� Vou comer voc� no banheiro, Anastasia.</p><p>Abaixando-se, ele beija meu pesco�o. Inclino a cabe�a de lado para lhe facilitar o acesso. Ele engancha os polegares na minha cal�a e a desce devagarinho pelas minhas pernas, abaixando-se atr�s de mim ao pux�-la junto com a calcinha at� o ch�o.</p><p>� Tire a cal�a.</p><p>Seguro na beirada da pia, e fa�o isso. Agora estou nua, me olhando, e ele est� ajoelhado atr�s de mim. Ele beija, e depois morde delicadamente minha bunda, fazendo-me arquejar. Esfor�o-me para ficar parada, ignorando minha tend�ncia natural para me cobrir. Ele estende a m�o sobre minha barriga, seu palmo indo quase de um quadril ao outro.</p><p>� Olha s�. Voc� � muito bonita � murmura. � Veja como fica. � Ele segura minhas duas m�os, encostando as palmas das suas no dorso das minhas, os dedos entre os meus, que, ent�o, ficam abertos. Coloca minhas m�os na minha barriga. � Sinta como sua pele � macia. � Sua voz � doce e grave. Ele faz movimentos circulares com minhas m�os, depois sobe com elas para meus seios. � Sinta a fartura dos seus seios.</p><p>Ele faz minhas m�os envolverem meus seios. Fica esfregando delicadamente meus mamilos com os polegares.</p><p>Gemo com os l�bios entreabertos e empino o corpo, de modo que meus seios enchem minhas m�os. Ele aperta meus mamilos entre nossos polegares, puxando-os delicadamente e esticando-os mais. Olho fascinada para a criatura sensual se contorcendo na minha frente. <emphasis>Ah, isso � gostoso.</emphasis> Gemo fechando os olhos, j� sem querer ver aquela mulher libidinosa no espelho desmontando sob suas pr�prias m�os... as m�os dele... sentindo minha pele como ele sentiria, experimentando qu�o excitante isso � � s� o toque e seus comandos calmos e doces.</p><p>� Isso mesmo, baby � murmura ele.</p><p>Ele guia minha m�o pelos meus flancos, descendo da cintura para os quadris e chegando a meus pelos pubianos. Desliza a perna entre as minhas, deixando-as mais abertas, e passa minhas m�os no meu sexo, uma de cada vez, estabelecendo um ritmo. � muito er�tico. Sou mesmo uma marionete e ele � o titereiro.</p><p>� Como voc� est� quente, Anastasia � murmura ele ao beijar e morder meu ombro. Gemo. De repente, ele me solta.</p><p>� Continue � ordena, e se afasta para me observar.</p><p>Eu me acaricio. <emphasis>N�o</emphasis>. Quero que ele fa�a isso. A sensa��o n�o � igual. Estou perdida sem ele. Ele despe a camisa pela cabe�a e rapidamente tira a cal�a.</p><p>� Prefere que eu fa�a isso?</p><p>O olhar dele queima o meu no espelho.</p><p>� Sim... por favor � sussurro.</p><p>Ele me envolve de novo nos bra�os e torna a pegar minhas m�os, continuando com as car�cias sensuais no meu sexo, no meu clit�ris. Os pelos do seu peito ro�am em mim, seu p�nis ereto cola em mim. <emphasis>Ah, depressa... por favor.</emphasis> Ele morde minha nuca, e fecho os olhos, curtindo a mir�ade de sensa��es: meu pesco�o, minha virilha... a pele dele atr�s de mim. Ele para bruscamente, me vira, e, com uma das m�os, me segura pelos pulsos e prende minhas m�os nas costas, enquanto, com a outra, puxa meu rabo de cavalo. Estou encostada nele, e ele me beija furiosamente, arrasando minha boca com a sua. Fico imobilizada.</p><p>Sua respira��o est� ofegante, no mesmo ritmo da minha.</p><p>� Quando come�ou sua menstrua��o, Anastasia? � pergunta ele de repente, olhando para mim.</p><p>� H�... ontem � resmungo em meu alto estado de excita��o.</p><p>� �timo.</p><p>Ele me solta e me vira.</p><p>� Segure-se na pia � ordena, e arrasta meus quadris para tr�s de novo, como fez no quarto de jogos, e eu fico dobrada.</p><p>Ele p�e a m�o entre minhas pernas e puxa o fio azul � <emphasis>o qu�</emphasis>?! � e delicadamente tira meu absorvente interno e o joga na privada ali ao lado. <emphasis>Puta que pariu.</emphasis> Nossa m�e... Putz. E a�, ele est� dentro de mim... ah! Pele contra pele... mexendo devagarinho... me testando, me pressionando... <emphasis>puxa vida.</emphasis> Seguro-me na pia, arfando, pressionando meu corpo no dele, sentindo-o dentro de mim. Ah, a doce agonia... suas m�os agarram meus quadris. Ele entra num ritmo punitivo � indo e vindo, e passa o bra�o para a frente, acha meu clit�ris e me massageia... ah, nossa. Sinto os primeiros espasmos.</p><p>� Isso mesmo, baby � diz ele me penetrando, inclinando os quadris, e isso � suficiente para me levar �s alturas.</p><p><emphasis>Ai</emphasis><emphasis>...</emphasis> e eu gozo, alto, agarrada com todas as for�as � pia enquanto caio na vertigem do orgasmo, tudo girando e se contraindo ao mesmo tempo. Ele acompanha, me segurando com for�a, de costas para mim, ao chegar ao cl�max e dizer meu nome como se fosse uma ladainha ou uma ora��o.</p><p>� <emphasis>Ah, Ana!</emphasis> Sua respira��o est� ofegante em meu ouvido, em perfeita sintonia com a minha. � Ah, ser� que algum dia vou me fartar de voc�? � murmura.</p><p>Nos deixamos cair devagarinho no ch�o, e ele me envolve nos bra�os, me aprisionando. Ser� que vai ser sempre assim? Uma coisa t�o acachapante, t�o devoradora, t�o desconcertante e sedutora. Eu queria falar, mas agora estou esgotada e atordoada com o jeito dele de fazer amor e me perguntando se algum dia <emphasis>eu</emphasis> vou me fartar <emphasis>dele</emphasis>.</p><p>Estou encolhida em seu colo, a cabe�a encostada em seu peito, enquanto nos acalmamos. Muito sutilmente, aspiro aquele seu cheiro doce e embriagador. <emphasis>N�o posso esfregar o nariz. N�o posso esfregar o nariz.</emphasis> Repito mentalmente o mantra � embora esteja muito tentada a fazer isso. Estamos calados, perdidos em nossos pensamentos. Estou perdida nele... perdida para ele.</p><p>Lembro que estou menstruada.</p><p>� Estou menstruada � murmuro.</p><p>� Isso n�o me incomoda � responde ele.</p><p>� Eu reparei.</p><p>N�o consigo dissipar a secura da minha voz.</p><p>Ele se retesa.</p><p>� Voc� se incomoda? � pergunta com do�ura.</p><p>Ser� que me incomodo? Talvez devesse me incomodar... ser�? N�o, n�o incomodo. Olho para ele, e ele olha para mim, os olhos de um cinza doce e nebuloso.</p><p>� N�o, de modo algum.</p><p>Ele d� um sorriso sem vontade.</p><p>� Bom. Vamos tomar banho.</p><p>Ele se desenrosca de mim, colocando-me no ch�o ao se levantar. A�, vejo de novo as pequenas cicatrizes brancas redondinhas em seu peito. N�o s�o de catapora, reflito distraidamente. Grace disse que ele quase n�o foi afetado. <emphasis>Puta merda...</emphasis> devem ser queimaduras. Queimaduras de qu�? Fico l�vida ao me dar conta, chocada e repugnada. De cigarro? Provocadas pela Mrs. Robinson, por sua m�e biol�gica, por quem? Talvez haja uma explica��o plaus�vel, e eu esteja exagerando � uma esperan�a brota espontaneamente em meu peito, esperan�a de estar errada.</p><p>� O que �?</p><p>Christian est� com uma cara alarmada.</p><p>� Suas cicatrizes � sussurro. � N�o s�o de catapora.</p><p>Observo-o fechar-se numa fra��o de segundo, passando da atitude relaxada e � vontade para a defensiva � at� zangada. Ele amarra a cara, a boca contra�da.</p><p>� N�o, n�o s�o � diz secamente, mas n�o d� mais explica��es.</p><p>Levanta-se, estende a m�o para mim, e me ajuda a levantar.</p><p>� N�o me olhe assim. � Sua voz est� mais fria e severa quando ele larga minha m�o.</p><p>Coro, os olhos baixos, e compreendo que algu�m apagou cigarros em Christian. Fico enjoada.</p><p>� Ela fez isso? � murmuro antes de conseguir me conter.</p><p>Como ele fica quieto, sou obrigada a olhar para ele. Est� me fuzilando com os olhos.</p><p>� Ela? A Mrs. Robinson? Ela n�o � um bicho, Anastasia. Claro que n�o fez. N�o entendo por que voc� tem que demoniz�-la.</p><p>Ele est� ali parado, gloriosamente nu, com meu sangue no corpo... e finalmente estamos tendo essa conversa. E eu tamb�m estou nua � nenhum de n�s tem onde se esconder, a n�o ser, talvez, dentro da banheira. Respiro fundo, passo por ele, e entro na �gua. Est� uma del�cia, morna, calmante. Dissolvo-me na espuma perfumada e olho para ele, escondendo-me entre as bolhas.</p><p>� Fico s� me perguntando como voc� seria se n�o a tivesse conhecido. Se ela n�o tivesse apresentado voc� ao seu... h�, estilo de vida.</p><p>Ele suspira, e entra na banheira de frente para mim, a mand�bula cerrada, os olhos gelados. Ao afundar o corpo na �gua, ele tem o cuidado de n�o encostar em mim. <emphasis>Droga, ser� que o deixei t�o zangado assim?</emphasis></p><p>Ele me olha impass�vel, a express�o misteriosa, sem dizer nada. Mais uma vez o sil�ncio se estende entre n�s, mas guardo minha opini�o. � sua vez, Grey � n�o estou cedendo agora. Meu inconsciente est� nervoso, roendo as unhas aflito � isso poderia ir para um lado ou para o outro. Christian e eu nos olhamos, mas n�o recuo. Afinal, depois do que parece um mil�nio, ele balan�a a cabe�a e d� um sorriso.</p><p>� Eu provavelmente teria ido pelo mesmo caminho da minha m�e biol�gica se n�o fosse a Mrs. Robinson.</p><p>Ah! Pisco para ele. Viciado em crack ou garoto de programa? Possivelmente as duas coisas.</p><p>� Ela me amou de um jeito que achei... aceit�vel � acrescenta encolhendo os ombros.</p><p><emphasis>Que diabo isso quer dizer?</emphasis></p><p>� Aceit�vel? � sussurro.</p><p>� Sim. � Ele me olha com aten��o. � Ela me desviou do caminho destrutivo que eu estava seguindo. � muito dif�cil crescer numa fam�lia perfeita quando voc� n�o � perfeito.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis> Fico com a boca seca ao digerir as palavras dele. Ele me olha, a express�o insond�vel. N�o vai me contar mais nada. Que frustra��o. Por dentro, estou atordoada � ele parece t�o repugnado. E a Mrs. Robinson o amava. <emphasis>Puta merda...</emphasis> ser� que ainda ama? Tenho a sensa��o de ter levado um soco na boca do est�mago.</p><p>� Ela ainda ama voc�?</p><p>� Acho que n�o, n�o desse jeito. � Ele franze a testa como se n�o tivesse cogitado essa ideia. � Continuo dizendo que isso foi h� muito tempo. J� � passado. Eu n�o poderia mudar o que aconteceu nem se quisesse, e n�o quero. Ela me salvou de mim mesmo. � Ele est� exasperado e passa a m�o molhada pelo cabelo. � Eu nunca discuti isso com ningu�m. � Faz uma pausa. � A n�o ser o Dr. Flynn, claro. E � s� por causa dele que estou tocando nesse assunto com voc� agora, porque quero que voc� confie em mim.</p><p>� Eu confio em voc�, mas quero, sim, conhec�-lo melhor, e sempre que tento conversar, voc� me desvia. Tem muita coisa que quero saber.</p><p>� Ah, pelo amor de Deus, Anastasia. O que voc� quer saber? O que tenho que fazer?</p><p>Os olhos dele est�o inflamados, e embora ele n�o levante a voz, sei que est� tentando se conter.</p><p>Olho para as minhas m�os vis�veis embaixo da �gua; as bolhas j� come�aram a se dispersar.</p><p>� S� estou tentando entender. Voc� � um enigma. Diferente de qualquer pessoa que j� conheci. Ainda bem que est� me contando o que eu quero saber.</p><p>Putz � talvez sejam os Cosmopolitans me dando coragem, mas, de repente, n�o consigo suportar a dist�ncia entre n�s. Vou para o lado dele na banheira, me encosto nele, pele com pele. Ele se contrai e me olha desconfiado, como se eu pudesse morder. <emphasis>Bem, isso � uma reviravolta.</emphasis> Minha deusa interior lhe lan�a um olhar admirado e curioso.</p><p>� Por favor, n�o fique zangado comigo � murmuro.</p><p>� N�o estou zangado com voc�, Anastasia. S� n�o estou acostumado com esse tipo de conversa, esse interrogat�rio. S� falo disso com o Dr. Flynn e com...</p><p>Ele para e franze o cenho.</p><p>� Com ela. Mrs. Robinson. Voc� conversa com ela? � provoco, tentando me conter.</p><p>� Sim.</p><p>� Sobre o qu�?</p><p>Ele fica de frente para mim na banheira, fazendo a �gua transbordar ao mudar de posi��o. Passa o bra�o em volta de mim, descansando na borda da banheira.</p><p>� Persistente, n�o �? � murmura ele, um vest�gio de irrita��o na voz. � A vida, o universo, neg�cios. Anastasia, a Mrs. R. e eu nos conhecemos h� muito tempo. Podemos discutir qualquer coisa.</p><p>� A meu respeito? � murmuro.</p><p>� Sim.</p><p>Olhos cinzentos me observam com aten��o.</p><p>Mordo o l�bio inferior, tentando controlar a s�bita onda de raiva que vem � tona.</p><p>� Por que voc� fala de mim? � Fa�o for�a para n�o soar magoada e petulante, mas n�o consigo. Sei que devia parar. Estou pressionando-o demais. Meu inconsciente est� de novo com aquela cara de <emphasis>O Grito</emphasis> de Munch.</p><p>� Eu nunca conheci ningu�m como voc�, Anastasia.</p><p>� O que significa isso? Algu�m que n�o assinou sua papelada sem fazer perguntas?</p><p>Ele balan�a a cabe�a.</p><p>� Preciso de conselhos.</p><p>� E voc� se aconselha com a Sra. Ped�fila? � pergunto.</p><p>O poder sobre meu mau humor � mais vacilante do que eu pensava.</p><p>� Anastasia, chega � corta ele num tom severo, apertando os olhos.</p><p>Estou patinando em gelo fino, e rumando para o perigo.</p><p>� Ou vou lhe dar umas palmadas. N�o tenho nenhum interesse sexual ou rom�ntico por ela. Ela � uma grande amiga que prezo muito e minha s�cia. S� isso. Temos um passado, uma hist�ria em comum, que foi enormemente proveitosa para mim, embora tenha fodido com o casamento dela, mas esse lado da nossa rela��o acabou.</p><p>Nossa, outra parte que eu simplesmente n�o consigo entender. Ela tamb�m era casada. Como eles conseguiram passar tanto tempo impunes?</p><p>� E seus pais nunca descobriram?</p><p>� N�o � resmunga ele �, eu j� disse.</p><p>E sei que o assunto est� encerrado. N�o posso lhe perguntar mais nada sobre ela porque ele vai perder a cabe�a comigo.</p><p>� Terminou? � pergunta secamente.</p><p>� Por enquanto.</p><p>Ele respira fundo e relaxa visivelmente na minha frente, como se tivessem lhe tirado um peso enorme dos ombros.</p><p>� Certo, minha vez � murmura, ficando com um olhar duro, curioso. � Voc� n�o respondeu ao meu e-mail.</p><p>Coro. Ah, odeio o foco das aten��es em mim, e parece que ele vai ficar zangado todas as vezes que discutirmos. Balan�o a cabe�a. Talvez seja assim que ele se sinta em rela��o �s minhas perguntas. N�o est� acostumado a ser desafiado. A ideia reveladora me distrai e me irrita.</p><p>� Eu ia responder. Mas agora voc� est� aqui.</p><p>� Preferia que eu n�o estivesse? � sussurra ele, a express�o de novo impass�vel.</p><p>� N�o, estou contente � murmuro.</p><p>� �timo. � Ele d� um suspiro sincero de al�vio. � Estou contente de estar aqui, tamb�m, apesar do seu interrogat�rio. Ent�o, embora seja aceit�vel me encher de perguntas, acha que pode reivindicar um tipo de imunidade diplom�tica s� porque eu vim at� aqui para ver voc�? N�o caio nessa, Srta. Steele. Quero saber como se sente.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o...</emphasis></p><p>� J� disse. Estou contente por voc� estar aqui. Obrigada por ter vindo � digo debilmente.</p><p>� N�o h� de qu�.</p><p>Seus olhos brilham quando ele se abaixa e me beija com delicadeza. Sinto-me reagir na mesma hora. A �gua ainda est� quente, o banheiro, enfuma�ado. Ele para e recua, olhando-me.</p><p>� N�o. Acho que quero algumas respostas antes de fazermos algo mais.</p><p><emphasis>Mais?</emphasis> De novo essa palavra. E ele quer respostas... respostas a qu�? N�o tenho um passado secreto, n�o tenho uma inf�ncia angustiante. O que ele poderia querer saber sobre mim que j� n�o saiba?</p><p>Suspiro, resignada.</p><p>� O que quer saber?</p><p>� Bem, como voc� se sente em rela��o ao nosso pretenso acordo, para come�ar.</p><p>Pisco para ele. Hora de verdade ou consequ�ncia � meu inconsciente e minha deusa interior se entreolham nervosamente. <emphasis>Diabo, vamos pela verdade.</emphasis></p><p>� Acho que n�o consigo fazer isso por um per�odo de tempo muito longo. Um fim de semana inteiro fingindo ser uma pessoa que eu n�o sou.</p><p>Coro e abaixo os olhos.</p><p>Ele levanta meu queixo e est� rindo para mim, achando gra�a.</p><p>� N�o, tamb�m acho que n�o consegue.</p><p>E uma parte de mim se sente ligeiramente afrontada e desafiada.</p><p>� Est� debochando de mim?</p><p>� Sim, mas de uma forma positiva � diz com um sorrisinho.</p><p>Ele se inclina e me d� um beijinho r�pido.</p><p>� Voc� n�o � uma grande submissa � sussurra ao segurar meu queixo, o olhar bem-humorado.</p><p>Olho para ele, chocada, depois caio na gargalhada, e ele me acompanha.</p><p>� Talvez eu n�o tenha tido um bom professor.</p><p>Ele bufa.</p><p>� Talvez. Vai ver que eu devo ser mais r�gido com voc�.</p><p>Ele inclina a cabe�a de lado e me d� um sorriso artificial.</p><p>Engulo em seco. Putz, n�o. Mas ao mesmo tempo, meus m�sculos se contraem deliciosamente l� dentro de mim. Esta � sua maneira de mostrar que ele d� import�ncia. Talvez a �nica maneira de ele poder mostrar que d� import�ncia � percebo isso. Ele est� me olhando, avaliando minha rea��o.</p><p>� Foi t�o ruim quando bati em voc� da primeira vez?</p><p>Olho para ele, piscando. <emphasis>Foi t�o ruim?</emphasis> Lembro-me de ter ficado confusa com minha rea��o. Pensando bem, doeu, mas n�o muito. Ele j� disse v�rias vezes que isso � mais psicol�gico. E da segunda vez... Bem, foi gostoso... sexy.</p><p>� N�o, n�o muito � sussurro.</p><p>� � mais a ideia da coisa � provoca ele.</p><p>� Acho que sim. Sentir prazer, quando sup�e que n�o � para sentir.</p><p>� Lembro de ter a mesma sensa��o. Leva um tempo para entendermos isso.</p><p><emphasis>Puxa vida.</emphasis> Isso foi quando ele era garoto.</p><p>� Voc� sempre pode usar a palavra de seguran�a, Anastasia. N�o se esque�a disso. E, desde que siga as regras, que suprem uma profunda necessidade que tenho de controle e de preserv�-la, talvez a gente consiga achar um caminho.</p><p>� Por que precisa me controlar?</p><p>� Porque isso satisfaz uma necessidade minha que n�o foi satisfeita em meus anos de forma��o.</p><p>� Ent�o � uma forma de terapia?</p><p>� Nunca pensei nisso dessa maneira, mas sim, acho que sim.</p><p>Isso eu posso entender. Isso vai ajudar.</p><p>� Mas tem aquilo. Voc� diz �n�o me desafie�, e, no minuto seguinte, diz que gosta de ser desafiado. � muito complicado.</p><p>Ele me olha um instante, depois franze a testa.</p><p>� Eu enxergo isso. Mas parece que voc� est� se dando bem at� agora.</p><p>� Mas a que pre�o? Estou toda tensa.</p><p>� Gosto de voc� toda tensa.</p><p>Ele d� uma risadinha.</p><p>� N�o foi isso que eu quis dizer!</p><p>Jogo �gua nele, exasperada.</p><p>Ele me olha, arqueando uma sobrancelha.</p><p>� Ser� que voc� acabou de jogar �gua em mim?</p><p>� Sim.</p><p><emphasis>Puta merda... aquele olhar.</emphasis></p><p>� Ah, Srta. Steele. � Ele me agarra e me puxa para seu colo, jogando �gua no ch�o todo. � Acho que j� falei muito por ora.</p><p>Ele segura minha cabe�a com as duas m�os e me beija. Profundamente. Possuindo minha boca. Controlando minha cabe�a... me controlando. Gemo nos l�bios dele. � disso que ele gosta. � nisso que ele � bom. Tudo se acende dentro de mim, e meus dedos est�o no cabelo dele, prendendo-o a mim, e estou retribuindo o beijo dele e dizendo quero voc�, tamb�m, da �nica maneira que sei. Ele geme e me faz montar nele, ajoelhada, em seu p�nis ereto. Ele recua e olha para mim, os olhos velados, brilhantes e lascivos. Quando vou segurar a borda da banheira, ele agarra meus dois pulsos e puxa minhas m�os para tr�s, prendendo-as com uma m�o s�.</p><p>� Vou comer voc� agora � sussurra, e me levanta, de modo que fico pairando acima dele. � Pronta?</p><p>� Sim � murmuro, e ele me move para se encaixar em mim, devagarinho, muito devagarinho... me preenchendo... me observando enquanto me possui.</p><p>Gemo e fecho os olhos, extasiada com aquela sensa��o intensa de preenchimento. Ele flexiona os quadris, e eu arquejo, inclinando-me � frente, descansando a testa na dele.</p><p>� Por favor, solte minhas m�os � sussurro.</p><p>� N�o me toque � implora ele, soltando meus pulsos e agarrando meus quadris.</p><p>Apoiada na borda da banheira, fico subindo e descendo lentamente, abrindo os olhos para v�-lo. Ele me observa, a boca aberta, a respira��o ofegante, for�ada � a l�ngua entre os dentes. Ele parece muito... excitado. Estamos molhados e escorregadios indo e vindo colados um ao outro. Inclino-me e beijo-o. Ele fecha os olhos. Timidamente, levo as m�os � cabe�a dele e corro os dedos pelo seu cabelo, sem descolar os l�bios dos seus. Isso � permitido. Ele gosta. Eu gosto. E sincronizamos o nosso movimento. Puxo seu cabelo, inclinando sua cabe�a para tr�s e beijando mais fundo, montando nele � mais depressa, aumentando o ritmo. Gemo, a boca colada � dele. Ele come�a a me levantar mais depressa, mais depressa... me segurando pelos quadris. Retribuindo meu beijo. Somos bocas e l�nguas �midas, cabelos emaranhados e quadris em vaiv�m. Pura sensa��o... pura sofreguid�o de novo. Estou perto... estou come�ando a reconhecer essa tens�o... esses espasmos deliciosos. E a �gua... est� agitada em volta de n�s, cheia de redemoinhos, nossa pr�pria voracidade, um turbilh�o acompanhando a velocidade cada vez mais fren�tica de nossos movimentos... espirrando para todo lado, espelhando o que est� acontecendo dentro de mim... e n�o estou nem ligando.</p><p>Amo este homem. Amo a paix�o dele, o efeito que provoco nele. Amo o fato de ele ter vindo de t�o longe para me ver. Amo o fato de ele gostar de mim... ele gosta. � t�o inesperado, t�o gratificante. Ele � meu, e eu sou dele.</p><p>� Isso mesmo, baby � sussurra ele.</p><p>E eu gozo, o orgasmo me percorrendo num espasmo, um cl�max turbulento e apaixonado que me devora inteira. E de repente Christian me amassa... num abra�o apertado ao chegar ao auge.</p><p>� Ana! � grita, e � uma invoca��o selvagem que me comove e me toca no fundo da alma.</p><p>* * *</p><p>ESTAMOS DEITADOS NOS olhando, os olhos cinzentos colados nos azuis, cara a cara, na cama super king size, cada um abra�ando seu travesseiro na testa. Nus. Sem nos tocarmos. S� olhando e admirando, cobertos com o len�ol.</p><p>� Quer dormir? � pergunta Christian, a voz macia e sol�cita.</p><p>� N�o, n�o estou cansada.</p><p>Sinto-me estranhamente energizada. Foi muito bom conversar � n�o quero parar.</p><p>� O que quer fazer? � pergunta ele.</p><p>� Conversar.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Sobre o qu�?</p><p>� Coisas.</p><p>� Que coisas?</p><p>� Voc�.</p><p>� O qu� exatamente?</p><p>� Qual � seu filme preferido?</p><p>Ele ri.</p><p>� Hoje � <emphasis>O Piano.</emphasis></p><p>O sorriso dele � contagioso.</p><p>� Claro. Sou boba. Uma trilha sonora t�o triste e envolvente, que, sem d�vida, voc� aprendeu a tocar? Tem muitas conquistas, Sr. Grey.</p><p>� E a maior delas � voc�, Srta. Steele.</p><p>� Ent�o sou a n�mero dezessete.</p><p>Ele me olha intrigado, sem entender.</p><p>� Dezessete?</p><p>� O n�mero de mulheres com quem voc�, hum... fez sexo.</p><p>Ele sorri com um olhar incr�dulo.</p><p>� N�o exatamente.</p><p>� Voc� disse quinze.</p><p>Minha confus�o � �bvia.</p><p>� Eu estava me referindo ao n�mero de mulheres no meu quarto de jogos. Achei que voc� estivesse se referindo a isso. Voc� n�o me perguntou com quantas mulheres eu j� tinha feito sexo.</p><p>� Ah. � <emphasis>Puta merda... tem mais... Mais quantas?</emphasis> Olho para ele. <emphasis>�</emphasis> Sexo baunilha?</p><p>� N�o. Voc� � minha �nica conquista nessa modalidade.</p><p>Ele balan�a a cabe�a sorrindo para mim.</p><p>Por que ele acha gra�a nisso? E por que estou rindo para ele tamb�m, feito uma idiota?</p><p>� N�o posso estimar um n�mero. N�o fiz marcas na parede nem nada.</p><p>� De que estamos falando? Dezenas, centenas... milhares?</p><p>Vou arregalando os olhos conforme os n�meros crescem.</p><p>� Dezenas. Estamos nas dezenas, pelo amor de Deus.</p><p>� Todas submissas?</p><p>� Sim.</p><p>� Pare de rir de mim � censuro-o em tom brando, tentando em v�o manter o rosto impass�vel.</p><p>� N�o consigo. Voc� � engra�ada.</p><p>� Engra�ada estranha ou engra�ada r�-r�-r�?</p><p>� Um pouco dos dois, acho eu.</p><p>Suas palavras imitam as minhas.</p><p>� Isso � um atrevimento danado, partindo de voc�.</p><p>Ele se debru�a e beija a ponta do meu nariz.</p><p>� Isso vai chocar voc�, Anastasia. Est� pronta?</p><p>Balan�o a cabe�a, olhos arregalados, ainda com aquele sorriso idiota no rosto.</p><p>� Todas submissas em treinamento, quando eu estava treinando. H� lugares em Seattle e nos arredores da cidade onde se pode praticar. Aprender a fazer o que eu fa�o � diz ele.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>� Ah. � Pisco para ele.</p><p>� Sim. J� paguei para fazer sexo, Anastasia.</p><p>� Isso n�o � nenhum motivo de orgulho � murmuro altiva. � E tem raz�o... estou profundamente chocada. E irritada por n�o poder chocar voc�.</p><p>� Voc� usou minha cueca.</p><p>� Isso chocou voc�?</p><p>� Chocou.</p><p>Minha deusa interior d� um salto com vara sobre a barra de quatro metros e meio.</p><p>� Voc� foi sem calcinha conhecer meus pais.</p><p>� Isso chocou voc�?</p><p>� Chocou.</p><p>A barra sobe para quatro metros e noventa.</p><p>� Parece que s� consigo chocar voc� no departamento de lingerie.</p><p>� Voc� me disse que era virgem. Esse foi o maior choque que j� tive.</p><p>� Sim, a sua cara foi inesquec�vel � rio.</p><p>� Voc� deixou que eu lhe desse uma surra de chicote de montaria.</p><p>� Isso chocou voc�?</p><p>� Sim.</p><p>Sorrio.</p><p>� Bem, talvez eu deixe voc� fazer isso de novo.</p><p>� Ah, estou torcendo muito para isso, Srta. Steele. Este fim de semana?</p><p>� Tudo bem � concordo timidamente.</p><p>� Tudo bem?</p><p>� �. Vou voltar ao Quarto Vermelho da Dor.</p><p>� Voc� diz meu nome.</p><p>� Isso choca voc�?</p><p>� O fato de eu gostar me choca.</p><p>� Christian.</p><p>Ele ri.</p><p>� Quero fazer uma coisa amanh�.</p><p>Seus olhos brilham de empolga��o.</p><p>� O qu�?</p><p>� Uma surpresa. Para voc�.</p><p>A voz dele � grave e doce.</p><p>Ergo uma sobrancelha e contenho um bocejo ao mesmo tempo.</p><p>� Eu a entedio, Srta. Steele? � pergunta ele com sarcasmo.</p><p>� Nunca.</p><p>Ele me d� um beijo meigo na boca.</p><p>� Durma � ordena, depois apaga a luz.</p><p>E, neste instante de calma enquanto fecho os olhos, exausta e saciada, penso que estou no olho da tempestade. E, apesar de tudo que ele disse e de tudo que n�o disse, acho que nunca fui t�o feliz.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E QUATRO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Christian est� em p� numa jaula de barras de a�o, com aquela cal�a jeans rasgada e macia, de peito nu e p�s descal�os, o que me d� �gua na boca, e est� olhando para mim. Tem aquele sorriso insolente estampado em seu lindo rosto e seus olhos de um cinza l�quido. Segura uma tigela de morangos nas m�os. Aproxima-se com eleg�ncia atl�tica at� a frente da jaula, olhando-me atentamente. Segurando um morango carnudo e maduro, ele estende a m�o atrav�s da grade.</p><p>� Coma � diz voluptuosamente.</p><p>Tento andar em dire��o a ele, mas estou amarrada, presa pelo pulso por uma for�a invis�vel que me segura. <emphasis>Deixe eu ir.</emphasis></p><p>� Venha, coma � diz ele, com aquele delicioso sorriso torcido.</p><p>Puxo, puxo... <emphasis>deixe eu ir!</emphasis> Quero gritar e berrar, mas n�o sai som nenhum. Estou muda. Ele se estica mais um pouco, e o morango est� encostado nos meus l�bios.</p><p>� Coma, Anastasia. � Sua boca forma meu nome, demorando sensualmente em cada s�laba.</p><p>Abro a boca e mordo, a jaula desaparece e minhas m�os est�o livres. Estico o bra�o para tocar nele, passo os dedos nos pelos de seu peito.</p><p>� Anastasia.</p><p><emphasis>N�o,</emphasis> gemo<emphasis>.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Vamos l�, baby.</p><p><emphasis>N�o. Quero tocar em voc�.</emphasis></p><p>� Acorde.</p><p><emphasis>N�o. Por favor.</emphasis> Abro os olhos a contragosto por uma fra��o de segundo. Estou na cama e algu�m est� esfregando o nariz na minha orelha.</p><p>� Acorde � sussurra ele, e o efeito de sua voz doce se espalha feito caramelo quente por minhas veias.</p><p>� Christian. Ainda est� escuro, e as imagens dele em meu sonho persistem, desconcertantes e tentadoras em minha cabe�a.</p><p>� Ah... n�o � gemo.</p><p>Quero voltar para seu peito, voltar para o sonho. Por que ele est� me acordando? � noite alta, ou assim parece. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Ser� que ele quer sexo � agora?</p><p>� Hora de levantar, baby. Vou acender a luz.</p><p>Ele fala baixo.</p><p>� N�o � gemo.</p><p>� Quero acordar com voc� � diz ele, beijando meu rosto, as p�lpebras, a ponta do nariz, a boca, e abro os olhos. A luz est� acesa. � Bom dia, bela adormecida � murmura ele.</p><p>Gemo, e ele sorri.</p><p>� Voc� n�o � uma pessoa matinal � sussurra.</p><p>Ofuscada pela claridade, aperto os olhos e vejo Christian debru�ado sobre mim, sorrindo. Achando gra�a. Achando gra�a em mim. Vestido! De preto.</p><p>� Pensei que voc� quisesse sexo � resmungo.</p><p>� Anastasia, sempre quero sexo com voc�. � reconfortante saber que voc� sente a mesma coisa � diz ele secamente.</p><p>Olho para ele enquanto os meus olhos se adaptam � claridade, mas ele ainda est� com a express�o alegre... gra�as a Deus.</p><p>� Claro que quero, s� n�o quando � t�o tarde.</p><p>� N�o � tarde, � cedo. Vamos, levante. Vamos sair. Vou aceitar um vale para o sexo.</p><p>� Eu estava tendo um sonho muito bom � choramingo.</p><p>� Sonhava com o qu�? � pergunta com paci�ncia.</p><p>� Com voc� � digo, corando.</p><p>� O que eu estava fazendo dessa vez?</p><p>� Tentando me dar morangos para comer.</p><p>Ele esbo�a um sorriso.</p><p>� O Dr. Flynn adoraria saber disso. Levante, vista-se. N�o precisa tomar banho, podemos fazer isso depois.</p><p><emphasis>N�s!</emphasis></p><p>Sento-me na cama, e o len�ol desce para minha cintura, revelando meu corpo. Ele se levanta para me dar espa�o, os olhos sombrios.</p><p>� Que horas s�o?</p><p>� Cinco e meia da manh�.</p><p>� Parece tr�s da madrugada.</p><p>� N�o temos muito tempo. Deixei voc� dormir o m�ximo poss�vel. Venha.</p><p>� N�o posso tomar uma chuveirada?</p><p>Ele suspira.</p><p>� Se voc� tomar, vou querer tomar com voc�, e voc� e eu sabemos o que vai acontecer. Vamos perder a hora. Venha.</p><p>Ele est� animado, irradiando expectativa e entusiasmo, como um garotinho. Isso me faz sorrir.</p><p>� O que vamos fazer?</p><p>� � surpresa. Eu avisei.</p><p>N�o posso deixar de rir para ele.</p><p>� Tudo bem.</p><p>Levanto da cama e procuro minhas roupas. Claro que elas est�o bem dobradinhas ao lado da cama. Ele estendeu tamb�m uma das suas cuecas de malha � Ralph Lauren, nada menos. Visto-a, e ele sorri para mim. Humm, mais uma cueca de Christian Grey � um trof�u para acrescentar � minha cole��o, ao lado do carro, do BlackBerry e do Mac, do seu blazer preto e de valiosos livros em primeira edi��o. Balan�o a cabe�a diante da generosidade dele, e franzo a testa quando uma cena de <emphasis>Tess</emphasis> me passa pela cabe�a: a cena do morango. Ela evoca meu sonho. Para o diabo com o Dr. Flynn � Freud adoraria saber disso � e ent�o provavelmente morreria tentando lidar com Christian.</p><p>� Vou deix�-la � vontade agora que voc� se levantou.</p><p>Ele sai do quarto, e vou para o banheiro. Tenho necessidades a satisfazer, e quero me lavar rapidamente. Sete minutos depois, estou na �rea de estar, limpa, penteada, de cal�a jeans, blusa e com a cueca de Christian Grey. Ele d� uma olhada da mesinha de jantar onde est� tomando o caf� da manh�. Caf� da manh�! Putz, a essa hora.</p><p>� Coma � diz ele.</p><p><emphasis>Puta que pariu... meu sonho.</emphasis> Olho para ele boquiaberta, pensando no jeito que ele disse coma. <emphasis>Humm, jeito de quem sabe comer.</emphasis></p><p>� Anastasia � diz ele severo, tirando-me do meu devaneio.</p><p>Realmente � muito cedo para mim. Como lidar com isso?</p><p>� Vou tomar um ch�. Posso comer um croissant mais tarde?</p><p>Ele me olha desconfiado, e sorrio com muita do�ura para ele.</p><p>� N�o estrague minha festa, Anastasia � avisa ele com a voz suave.</p><p>� Vou comer mais tarde, quando meu est�mago acordar. L� pelas sete e meia... tudo bem?</p><p>� Tudo bem.</p><p>Ele me olha.</p><p><emphasis>Sinceramente.</emphasis> Tenho que me concentrar muito para n�o fazer uma careta para ele.</p><p>� Quero revirar os olhos para voc�.</p><p>� Claro, fa�a isso, e vou ganhar o dia � diz ele severo.</p><p>Olho para o teto.</p><p>� Bem, uma surra me acordaria, eu acho.</p><p>Contraio os l�bios, na expectativa.</p><p>Christian fica boquiaberto.</p><p>� Por outro lado, n�o quero deixar voc� nem esquentado nem preocupado. De quente, j� basta o clima daqui. � Dou de ombros com displic�ncia.</p><p>Christian fecha a boca e se esfor�a para fazer uma express�o contrariada, mas n�o consegue. D� para perceber o bom humor escondido no fundo dos seus olhos.</p><p>� Voc� � implicante, como sempre, Srta. Steele. Tome seu ch�.</p><p>Vejo o r�tulo Twinings, e meu cora��o pula de alegria. <emphasis>Est� vendo, ele se importa, sim,</emphasis> pronuncia meu inconsciente para mim. Sento-me e o encaro, absorvendo sua beleza. Ser� que algum dia vou me fartar desse homem?</p><p>* * *</p><p>QUANDO SA�MOS DO quarto, Christian joga um casaco de moletom para mim.</p><p>� Vai precisar disso.</p><p>Olho para ele, intrigada.</p><p>� Pode confiar em mim.</p><p>Ele sorri, inclina-se e me beija rapidamente nos l�bios, depois pega minha m�o e sa�mos.</p><p>Na rua, no frio relativo do lusco-fusco do alvorecer, o manobrista entrega a Christian um jogo de chaves de um chamativo carro esporte convers�vel. Fa�o uma cara espantada para Christian, que me d� um sorriso.</p><p>� Sabe, �s vezes � �timo ser eu � diz ele com um sorriso conspirat�rio, mas petulante, que simplesmente n�o posso deixar de emular.</p><p>Ele � absolutamente ador�vel quando est� alegre e descontra�do. Abre a porta do carro para mim com uma mesura exagerada, e entro. Ele est� de muito bom humor.</p><p>� Aonde vamos?</p><p>� Voc� vai ver.</p><p>Ele sorri ao colocar o carro em movimento, e pegamos a Savannah Parkway. Ele programa o GPS, depois pressiona um bot�o no volante, e uma m�sica cl�ssica preenche o carro.</p><p>� O que � isso? � pergunto quando o som doce de cem cordas de violino nos assalta.</p><p>� � de <emphasis>La Traviata.</emphasis> Uma �pera de Verdi.</p><p>Nossa... � lindo.</p><p>� <emphasis>La Traviata?</emphasis> J� ouvi falar. N�o lembro onde. O que significa?</p><p>Christian me olha e d� um sorriso.</p><p>� Bem, literalmente, �a mulher perdida�. � baseada no livro de Alexandre Dumas, <emphasis>A dama das cam�lias.</emphasis></p><p>� Ah. J� li.</p><p>� Achei que talvez j� tivesse lido.</p><p>� A cortes� condenada. � Remexo-me desconfort�vel no assento de couro macio. <emphasis>Ser� que ele est� tentando me dizer algo?</emphasis> � Humm, � uma hist�ria deprimente � murmuro.</p><p>� Muito deprimente? Quer escolher alguma m�sica? Est�o no meu iPod.</p><p>Christian est� de novo com aquele sorriso misterioso.</p><p>N�o vejo o iPod dele em lugar nenhum. Ele toca na tela no console entre n�s, e pasmem, tem uma lista de m�sicas.</p><p>� Pode escolher.</p><p>Ele sorri, e sei que isso � um desafio.</p><p>O iPod de Christian Grey, isso deve ser interessante. Rolo a tela e encontro a can��o perfeita. Aperto �play�. Eu n�o o imaginaria sendo um f� de Britney. A batida techno club-mix nos assalta, e Christian abaixa o volume. Talvez seja muito cedo para isso: Britney no m�ximo da sua sensualidade.</p><p>� <emphasis>�</emphasis>Toxic<emphasis>�,</emphasis> hein?</p><p>Christian sorri.</p><p>� N�o sei o que voc� quer dizer � fa�o-me de inocente.</p><p>Ele abaixa mais um pouco a m�sica, e, no �ntimo, estou me abra�ando. Minha deusa interior est� em p� no p�dio esperando sua medalha de ouro. Ele abaixou a m�sica. Vit�ria!</p><p>� Eu n�o botei essa m�sica no meu iPod � diz afinal, e acelera, fazendo com que eu fique colada no banco enquanto o carro corre na autoestrada.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis> Ele sabe o que est� fazendo, o filho da m�e. <emphasis>Quem botou?</emphasis> E tenho que escutar Britney cantando. <emphasis>Quem... quem?</emphasis></p><p>A m�sica termina e o iPod passa para Damien Rice cantando desolado. <emphasis>Quem? Quem?</emphasis> Olho pela janela, o est�mago revirado. Quem?</p><p>� Foi a Leila � responde ele aos meus pensamentos. <emphasis>Como ele faz isso?</emphasis></p><p>� Leila?</p><p>� Uma ex, que botou a m�sica no meu iPod.</p><p>Fico perplexa, tendo como m�sica de fundo as modula��es de Damien. Uma ex... ex-submissa? Uma ex...</p><p>� Uma das quinze? � pergunto.</p><p>� Sim.</p><p>� O que aconteceu com ela?</p><p>� Terminamos.</p><p>� Por qu�?</p><p>Ai, droga. � muito cedo para esse tipo de conversa. Mas ele est� com uma express�o relaxada, at� feliz e, ainda por cima, est� falante.</p><p>� Ela queria mais.</p><p>Sua voz � grave, chegando a ser introspectiva, e ele deixa a frase no ar em suspenso entre n�s, terminando-a de novo com aquela palavrinha poderosa.</p><p>� E voc� n�o? � pergunto antes que possa usar meu filtro do c�rebro para a boca. Merda, ser� que eu quero saber?</p><p>Ele balan�a a cabe�a.</p><p>� Eu nunca quis mais at� conhecer voc�.</p><p>Arquejo, encantada. N�o � isso que eu quero? Ele quer mais. <emphasis>Ele tamb�m quer!</emphasis> Minha deusa interior deu um salto mortal do p�dio e agora est� dando cambalhotas pelo est�dio. N�o sou s� eu.</p><p>� O que aconteceu com as outras quatorze? � pergunto.</p><p><emphasis>Putz, ele est� falando � aproveite.</emphasis></p><p>� Quer uma lista? Divorciadas, decapitadas, mortas?</p><p>� Voc� n�o � Henrique VIII.</p><p>� Tudo bem. Sem nenhuma ordem especial, s� tive rela��es longas com quatro mulheres, � parte Elena.</p><p>� Elena?</p><p>� Mrs. Robinson para voc�.</p><p>Ele d� aquele seu sorriso indolente.</p><p>Elena! Puta merda. A maligna tem nome e, pelo jeito, deve ser estrangeira. A vis�o de uma vamp gloriosa de pele clara, cabelos negros e l�bios vermelhos me vem � mente, e sei que ela � linda. <emphasis>N�o devo ficar pensando nisso. N�o devo ficar pensando nisso.</emphasis></p><p>� O que aconteceu com as quatro? � pergunto para me distrair.</p><p>� Muito perguntadora, muito ansiosa por informa��es, Srta. Steele � censura ele em tom jovial.</p><p>� Acha mesmo, Sr. Quando Deve Ficar Menstruada?</p><p>� Anastasia, um homem precisa saber dessas coisas.</p><p>� Precisa?</p><p>� Eu preciso.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Porque n�o quero que voc� engravide.</p><p>� Nem eu! Bem, s� daqui a alguns anos.</p><p>Christian pisca, espantado, depois relaxa visivelmente. Tudo bem. Christian n�o quer filhos. Agora ou nunca? Estou encantada com esse seu s�bito e in�dito ataque de sinceridade. Quem sabe � a hora? Algo na �gua da Ge�rgia? O ar da Ge�rgia? O que mais quero saber? <emphasis>Carpe diem</emphasis>.</p><p>� Ent�o as outras quatro, o que houve? � pergunto.</p><p>� Uma conheceu outra pessoa. As outras tr�s queriam mais. Eu n�o estava a fim de mais na �poca.</p><p>� E as outras? � pressiono.</p><p>Ele me olha rapidamente e se limita a balan�ar a cabe�a.</p><p>� Simplesmente n�o deu certo.</p><p>Ih, um monte de informa��es para digerir. Olho no espelho lateral do carro, e vejo os tons suaves de azul e rosa se espraiando no c�u atr�s do carro. A aurora est� nos seguindo.</p><p>� Para onde estamos indo? � pergunto, perplexa, olhando para a Interestadual 95. Estamos indo para o sul, � s� o que sei.</p><p>� Um campo de avia��o.</p><p>� N�o estamos voltando para Seattle, estamos?</p><p>Arquejo alarmada. N�o me despedi de minha m�e. Ela est� nos esperando para jantar.</p><p>Ele ri.</p><p>� N�o, Anastasia, vamos nos distrair com meu segundo passatempo favorito.</p><p>� Segundo?</p><p>Franzo as sobrancelhas para ele.</p><p>� �. Contei do meu favorito hoje de manh�.</p><p>Olho para seu perfil glorioso, intrigada, quebrando a cabe�a.</p><p>� � me distrair com voc�, Srta. Steele. Isso est� no topo da minha lista. Do jeito que for.</p><p><emphasis>Ah.</emphasis></p><p>� Bem, isso tamb�m ocupa um dos primeiros lugares na minha lista de prioridades divertidas e bizarras � murmuro, corando.</p><p>� Gostei de ouvir isso � diz ele secamente.</p><p>� Ent�o, campo de avia��o?</p><p>Ele sorri para mim.</p><p>� Planar.</p><p>O termo diz vagamente alguma coisa. Ele j� mencionou isso.</p><p>� Vamos atr�s da aurora, Anastasia.</p><p>Ele se vira e sorri para mim enquanto o GPS o manda entrar � direita no que parece um complexo industrial. Para em frente a um vasto pr�dio com um letreiro que diz ASSOCIA��O DE PLANADORES DE BRUNSWICK.</p><p><emphasis>Planar! Vamos andar de planador?</emphasis></p><p>Ele desliga o carro.</p><p>� Voc� topa? � pergunta ele.</p><p>� Voc� vai voar?</p><p>� Vou.</p><p>� Sim, por favor. � N�o hesito. Ele sorri e me d� um beijo.</p><p>� Outra primeira, Srta. Steele � diz ele ao saltar do carro.</p><p>Primeira vez? Que tipo de primeira vez? Voar de planador pela primeira vez... merda! N�o � ele disse que j� fez isso. Relaxo. Ele d� a volta e abre minha porta. O c�u agora est� opalescente, irisado com um brilho suave por tr�s das espor�dicas nuvens. J� amanheceu.</p><p>Christian pega minha m�o e d� a volta no pr�dio, levando-me para uma longa pista onde h� v�rios avi�es estacionados. Ao lado dos avi�es, um homem de cabe�a raspada e olhar selvagem aguarda com Taylor.</p><p><emphasis>Taylor!</emphasis> Ser� que Christian vai a algum lugar sem esse homem? Sorrio para ele, e ele sorri para mim com simpatia.</p><p>� Sr. Grey, este � seu piloto rebocador, Sr. Mark Benson � diz Taylor.</p><p>Christian e Benson trocam cumprimentos e d�o in�cio a uma conversa que parece extremamente t�cnica sobre velocidade, dire��es dos ventos e coisas assim.</p><p>� Ol�, Taylor � murmuro timidamente.</p><p>� Srta. Steele. � Ele faz um aceno de cabe�a ao me cumprimentar, e eu fa�o cara feia. � Ana � corrige-se. � Ele anda infernal esses �ltimos dias. Ainda bem que voc� est� aqui � diz em tom conspirat�rio.</p><p><emphasis>Ah, isso � novidade. Por qu�? Com certeza n�o por minha causa!</emphasis> Quinta-feira de revela��es! Deve ser alguma coisa na �gua de Savannah que faz esses homens se descontra�rem um pouco.</p><p>� Anastasia � chama Christian. � Venha.</p><p>Ele estende a m�o.</p><p>� At� logo.</p><p>Sorrio para Taylor, e, com uma r�pida contin�ncia para mim, ele volta para o estacionamento.</p><p>� Sr. Benson, esta � minha namorada, Anastasia Steele.</p><p>� Muito prazer � murmuro ao apertarmos as m�os.</p><p>Benson me lan�a um sorriso deslumbrante.</p><p>� O prazer � meu � diz ele, e vejo pelo sotaque que � ingl�s.</p><p>Pego a m�o de Christian empolgada, sentindo o frio na barriga aumentar. <emphasis>Nossa... planar!</emphasis> Atravessamos o p�tio com Mark Benson a caminho da pista. Ele e Christian mant�m uma conversa constante. Capto o teor. Estaremos num Blanik L-23, que aparentemente � melhor que o L-13, embora isso esteja aberto a discuss�o. Benson vai voar um Piper Pawnee. Ele j� � piloto rebocador de faixas h� uns cinco anos. Isso n�o significa nada para mim, mas vejo Christian t�o animado, t�o confort�vel, que d� prazer.</p><p>O avi�o � comprido, elegante e branco com listras laranja. Tem uma cabine pequena com dois assentos, um na frente do outro. Est� preso por um longo cabo branco a um avi�ozinho convencional monomotor. Benson abre a grande c�pula transparente que forma a cabine para que possamos entrar.</p><p>� Primeiro precisamos colocar seu paraquedas.</p><p><emphasis>Paraquedas!</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Eu fa�o isso � interrompe-o Christian e pega a mochila de Benson, que sorri solicitamente para ele.</p><p>� Vou buscar um lastro � diz Benson, e se dirige ao avi�o.</p><p>� Voc� gosta de me amarrar � observo secamente.</p><p>� Srta. Steele, voc� n�o tem ideia. Venha, coloque os tirantes.</p><p>Obede�o, apoiando o bra�o em seu ombro. Christian se retesa ligeiramente mas n�o se mexe. Quando estou com os p�s dentro das al�as, ele puxa o paraquedas para cima, e coloco os tirantes dos bra�os. Com habilidade, ele afivela a mochila e ajusta todos os tirantes.</p><p>� Bom, est� bem assim � diz com suavidade, mas seus olhos est�o brilhando. � Voc� tem o prendedor de cabelo de ontem?</p><p>Balan�o a cabe�a.</p><p>� Quer que eu prenda o cabelo?</p><p>� Quero.</p><p>Obede�o depressa.</p><p>� V� entrando � ordena Christian.</p><p>Ele continua muito autorit�rio. Dirijo-me ao banco de tr�s.</p><p>� N�o, na frente. O piloto fica atr�s.</p><p>� Mas voc� n�o vai conseguir ver!</p><p>� Vou ver muito.</p><p>Ele sorri.</p><p>Acho que nunca o vi t�o feliz � autorit�rio, mas feliz. Subo e me instalo no assento de couro. � surpreendentemente confort�vel. Christian vem, se debru�a, suspende a mochila nos meus ombros, pega o cinto inferior entre minhas pernas e o passa pela fivela que est� encostada na minha barriga. Aperta todos os tirantes.</p><p>� Hum, duas vezes em uma manh�, sou um homem de sorte � murmura ele, e me beija rapidamente. � Isso n�o vai demorar, vinte, trinta minutos no m�ximo. A essa hora da manh�, as termais n�o s�o l� essas coisas, mas � muito impressionante l� em cima. Espero que voc� n�o esteja nervosa.</p><p>� Empolgada. � Sorrio.</p><p>De onde vem esse sorriso rid�culo? Na verdade, uma parte de mim est� apavorada. Minha deusa interior est� embaixo de uma manta atr�s do sof�.</p><p>� �timo.</p><p>Ele sorri tamb�m, acariciando meu rosto, depois some de vista.</p><p>Ou�o e sinto seus movimentos quando ele sobe no avi�o atr�s de mim. Claro que ele me apertou tanto que n�o consigo me virar para v�-lo... t�pico! Estamos muito perto do ch�o. Na minha frente, h� um painel de mostradores e alavancas e um bast�o grande. N�o mexo em nada.</p><p>Mark Benson aparece com um sorriso alegre para verificar meus tirantes e se inclina para conferir o ch�o da cabine. Acho que � o lastro.</p><p>� �, est� seguro. � a primeira vez? � pergunta.</p><p>� �.</p><p>� Vai adorar.</p><p>� Obrigada, Sr. Benson.</p><p>� Pode me chamar de Mark. � Vira-se para Christian. � Tudo bem?</p><p>� Sim. Vamos.</p><p>Ainda bem que n�o comi nada. Estou bastante empolgada, e acho que n�o teria est�mago para comida, empolga��o e deixar o solo. Mais uma vez, estou me colocando nas m�os habilidosas desse belo homem. Mark fecha a c�pula da cabine, vai at� o avi�o em frente e embarca.</p><p>A h�lice �nica do Piper d� a partida, e meu est�mago vem parar na garganta. <emphasis>Putz... estou fazendo isso mesmo.</emphasis> Mark taxia lentamente na pista, e, quando o cabo estica, avan�amos subitamente. Partimos. Ou�o a conversa no r�dio atr�s de mim. Acho que � Mark falando com a torre � mas n�o consigo entender o que dizem. Conforme o Piper vai ganhando velocidade, n�s tamb�m ganhamos. A pista � muito esburacada, e, na nossa frente, o monomotor continua no solo. Putz, ser� que vamos decolar alguma hora? E, de repente, meu est�mago desce vertiginosamente � estamos no ar.</p><p>� L� vamos n�s! � grita Christian atr�s de mim. E estamos dentro de nossa bolha, s� n�s dois. S� ou�o o barulho do vento passando e o zumbido distante do motor do Piper.</p><p>Vou agarrada com as duas m�os na poltrona, apertando tanto que os n�s dos meus dedos ficam brancos. Rumamos para oeste, para o interior, nos afastando do nascente, ganhando altura, atravessando campos e bosques e casas e a Interestadual 95.</p><p><emphasis>Puxa vida.</emphasis> Isso � incr�vel, s� o c�u acima da gente. A luz � extraordin�ria, com o tom difuso e quente, e me lembro de Jos� divagando sobre a �hora m�gica�, uma hora do dia que os fot�grafos adoram � � essa... justo depois do alvorecer, e estou nela, com Christian.</p><p>De repente, lembro-me da exposi��o de Jos�. Hum. Preciso dizer a Christian. Pergunto-me por um instante como ele vai reagir. Mas n�o vou me preocupar com isso agora � estou curtindo o passeio. Meus ouvidos estalam � medida que ganhamos altura, e o solo fica cada vez mais longe. Isso � t�o calmo. Entendo perfeitamente por que ele gosta de estar aqui em cima. Longe do seu BlackBerry e de todas as press�es do trabalho.</p><p>O r�dio estala, e Mark menciona tr�s mil p�s. Putz, isso parece alto. Olho o solo, e j� n�o consigo distinguir mais nada com clareza l� embaixo.</p><p>� Largue � diz Christian no r�dio, e, de repente o Piper desaparece e a sensa��o de tra��o proporcionada pelo avi�ozinho cessa. Estamos flutuando, flutuando sobre a Ge�rgia.</p><p><emphasis>Puta merda � � empolgante.</emphasis> O avi�o aderna e vira, obedecendo a inclina��o da asa, e subimos em espiral em dire��o ao Sol. <emphasis>�caro. � isso.</emphasis> Estou voando perto do Sol, mas ele est� comigo, conduzindo-me. Arquejo ao me dar conta disso. Ficamos subindo em espiral, e a vista com essa luz matinal � espetacular.</p><p>� Segure firme! � grita ele, e tornamos a mergulhar, s� que desta vez ele n�o para. De repente, estou de cabe�a para baixo, olhando para o solo pela c�pula da cabine.</p><p>Dou um grito estridente, abrindo os bra�os instintivamente, espalmando as m�os no material transparente para me segurar. Escuto sua risada. <emphasis>Filho da m�e!</emphasis> Mas sua alegria � contagiante, e estou rindo tamb�m, enquanto ele endireita o avi�o.</p><p>� Foi bom eu n�o ter tomado caf�! � grito para ele.</p><p>� �, foi bom, porque vamos fazer isso de novo.</p><p>Ele mergulha de novo o avi�o at� estarmos de cabe�a para baixo. Dessa vez, porque estou preparada, me seguro na mochila, mas acho isso engra�ado e fico rindo feito uma idiota. Ele torna a endireitar o avi�o.</p><p>� Lindo, n�o �? � grita ele.</p><p>� �.</p><p>Voamos, dando piqu�s majestosos no ar, ouvindo o vento e o sil�ncio, na luz da manh�. Ser� que poder�amos pedir mais?</p><p>� Est� vendo o controle na sua frente? � grita ele de novo.</p><p>Olho para a alavanca sacolejando entre minhas pernas. <emphasis>Ah, n�o,</emphasis> aonde ele vai com isso?</p><p>� Pegue.</p><p><emphasis>Ai, merda.</emphasis> Ele vai me fazer pilotar o avi�o. <emphasis>N�o!</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Vai, Anastasia, pegue � insiste com veem�ncia.</p><p>Hesitantemente, seguro o controle e sinto o movimento e a guinada do que presumo serem lemes e p�s que mant�m o avi�o no ar.</p><p>� Segure firme... n�o deixe mexer. Est� vendo o mostrador do meio na frente? Mantenha a agulha no centro.</p><p>Estou apavorada. <emphasis>Puta merda</emphasis>. Estou pilotando um planador... Estou planando.</p><p>� Muito bem � diz Christian encantado.</p><p>� Estou impressionada que voc� me deixe assumir o controle � grito.</p><p>� Voc� ficaria espantada com o que posso deixar voc� fazer, Srta. Steele. Agora � comigo de novo.</p><p>Sinto o controle mexer subitamente, e solto enquanto descemos em parafuso v�rios metros, e meus ouvidos estalam de novo. O solo est� se aproximando, e parece que j�, j�, vamos bater l�. � assustador.</p><p>� BMA, aqui � BG N Papa Tr�s Alfa, entrando pista esquerda a sotavento sete para a grama, BMA.</p><p>Christian fala daquele seu jeito autorit�rio de sempre. A torre d� uma resposta cheia de chiados pelo r�dio, mas n�o entendo o que dizem. Tornamos a dar uma volta ampla, nos aproximando lentamente do solo. Posso ver o aeroporto, as pistas de pouso, e estamos de novo sobrevoando a Interestadual 95.</p><p>� Segure-se. �s vezes isso sacode.</p><p>Ap�s outra volta, descemos, e, de repente, estamos no solo com um baque r�pido, correndo na grama � <emphasis>puta merda.</emphasis> Bato o queixo ao sacolejarmos l� dentro a uma velocidade alarmante, at� finalmente pararmos. O avi�o balan�a, depois cai para a direita. Respiro fundo e Christian se debru�a e abre a c�pula da cabine, saltando e se alongando.</p><p>� Como foi? � pergunta, os olhos com um brilho prateado deslumbrante.</p><p>Ele vem me soltar.</p><p>� Foi sensacional. Obrigada � sussurro.</p><p>� Isso � mais? � pergunta ele, a voz esperan�osa.</p><p>� Muito mais � respondo, e ele sorri.</p><p>� Venha.</p><p>Ele me estende a m�o, e salto da cabine.</p><p>Assim que salto, ele me agarra bem colada nele. De repente, est� puxando minha cabe�a para tr�s pelos cabelos com uma das m�os, enquanto a outra desce at� a cintura. Ele me d� um beijo demorado e apaixonado, explorando minha boca com a l�ngua. Sua respira��o est� se acelerando, seu ardor... <emphasis>Puta merda �</emphasis> seu p�nis ereto... estamos num campo. Mas n�o quero saber. Meus dedos se enroscam em seu cabelo, ancorando-o a mim. Eu o quero aqui, agora, no ch�o. Ele se afasta e me olha, os olhos misteriosos e luminosos na luz da manh�, cheios de sensualidade pura e arrogante. Nossa. Ele me tira o f�lego.</p><p>� Caf� � sussurra ele, falando como se essa refei��o fosse algo deliciosamente er�tico.</p><p>Como ele consegue fazer uma refei��o de ovos com bacon soar como se fosse o fruto proibido? � um talento extraordin�rio. Ele se vira, me d� a m�o, e voltamos para o carro.</p><p>� E o planador?</p><p>� Algu�m vai cuidar disso � diz ele sem dar import�ncia. � Vamos comer agora.</p><p>Seu tom � inequ�voco.</p><p><emphasis>Comida!</emphasis> Ele est� falando de comida, quando realmente tudo que eu quero � ele.</p><p>� Venha.</p><p>Ele sorri.</p><p>Nunca o vi assim, e � uma alegria ver. De repente estou a seu lado, de m�os dadas, com um sorriso abobalhado no rosto. Isso me lembra quando eu tinha dez anos e passei o dia na Disneyl�ndia com Ray. Foi um dia perfeito, e este com certeza est� prometendo ser igual.</p><p>* * *</p><p>NO CARRO, QUANDO estamos na Interestadual 95 voltando para Savannah, o alarme do meu celular toca. Ah, sim... minha p�lula.</p><p>� O que � isso? � pergunta Christian, curioso, olhando para mim.</p><p>Procuro a caixa na bolsa.</p><p>� O alarme para a p�lula � murmuro, enrubescendo.</p><p>Ele sorri.</p><p>� �timo, muito bem. Odeio camisinha.</p><p>Fico mais vermelha ainda. Ele est� mais paternalista que nunca.</p><p>� Gostei de voc� ter me apresentado ao Mark como sua namorada � murmuro.</p><p>� N�o � o que voc� �?</p><p>Ele ergue uma sobrancelha.</p><p>� Sou? Pensei que voc� quisesse uma submissa.</p><p>� Eu tamb�m, Anastasia, e quero. Mas j� disse. Eu tamb�m quero mais.</p><p><emphasis>Minha nossa.</emphasis> Ele est� caindo em si, e uma onda de esperan�a me invade, deixando-me ofegante.</p><p>� Estou muito feliz por voc� querer mais � murmuro.</p><p>� Nosso objetivo � satisfazer, Srta. Steele.</p><p>Ele d� um sorrisinho ao estacionarmos na International House of Pancakes.</p><p>Panquecas. Sorrio para ele tamb�m. N�o acredito. Quem diria... Christian Grey na IHOP.</p><p>* * *</p><p>S�O OITO E MEIA, mas o restaurante est� calmo. Cheira a massa doce, fritura e desinfetante. <emphasis>Humm</emphasis>... <emphasis>n�o � um cheiro muito tentador.</emphasis> Christian me conduz a uma mesa.</p><p>� Eu nunca teria imaginado voc� aqui � digo ao nos sentarmos.</p><p>� Meu pai nos trazia a um desses restaurantes sempre que minha m�e viajava para um congresso de medicina. Era nosso segredo.</p><p>Ele sorri para mim, todo alegre, e pega um card�pio, passando a m�o pelo cabelo revolto.</p><p><emphasis>Ah, quero passar as m�os nesse cabelo.</emphasis> Pego um card�pio e o examino. Vejo que estou faminta.</p><p>� Sei o que eu quero � sussurra ele, a voz grave e rouca.</p><p>Olho para ele, que est� me olhando daquele jeito misterioso e ardente que me deixa com todos os m�sculos da barriga contra�dos e me tira o f�lego. <emphasis>Puta merda.</emphasis> Meu sangue canta nas veias, respondendo a seu chamado.</p><p>� Eu quero o que voc� quiser � sussurro.</p><p>Ele suspira.</p><p>� Aqui? � pergunta sugestivamente, levantando uma sobrancelha para mim, com um sorriso malicioso, os dentes prendendo a pontinha da l�ngua.</p><p><emphasis>Nossa... sexo na IHOP.</emphasis> A express�o dele muda, ficando mais misteriosa.</p><p>� N�o morda o l�bio � ordena. � Aqui, n�o, agora, n�o. � Seu olhar fica mais duro, e, por um instante, ele parece deliciosamente perigoso. � Se n�o posso comer voc� aqui, n�o me tente.</p><p>� Oi, meu nome � Leandra. O que voc�s v�o querer... h�... gente... hoje...?</p><p>Ela deixa a frase inacabada, trope�ando nas palavras ao encher os olhos com o Sr. Lindo � minha frente. Fica toda vermelha, e percebo, contrariada, que estou sentindo um pouquinho de pena dela, porque ele ainda faz isso comigo. A presen�a dela me permite escapar por um instante do olhar sensual dele.</p><p>� Anastasia? � ele me d� a palavra, sem fazer caso da mo�a, e acho que ningu�m poderia p�r tanta sensualidade no meu nome como ele faz naquele momento.</p><p>Engulo em seco, rezando para n�o ficar da mesma cor que a pobre Leandra.</p><p>� Eu j� disse, quero o que voc� quiser.</p><p>Falo com a voz doce, grave, e ele me olha sequioso. Minha deusa interior se derrete. <emphasis>Ser� que estou preparada para o jogo dele?</emphasis></p><p>Leandra olha de mim para ele e dele para mim. Est� praticamente da mesma cor do seu luzidio cabelo ruivo.</p><p>� Ser� que dou mais um tempinho para voc�s decidirem?</p><p>� N�o. J� sabemos o que queremos.</p><p>Christian d� um sorrisinho sensual.</p><p>� Vamos querer duas por��es da panqueca tradicional de leite com <emphasis>maple syrup</emphasis> e bacon � parte, dois copos de suco de laranja, um caf� preto com leite desnatado e um ch� preto, se voc� tiver � diz Christian, sem tirar os olhos de mim.</p><p>� Obrigada, senhor. Mais alguma coisa? � sussurra Leandra, olhando para tudo menos para n�s dois.</p><p>Olhamos para ela, e ela fica de novo toda vermelha e vai saindo depressa.</p><p>� Sabe, isso realmente n�o � justo.</p><p>Olho a mesa de f�rmica e sigo com o indicador o desenho, tentando soar displicente.</p><p>� O que n�o � justo?</p><p>� Como voc� desarma as pessoas. As mulheres. A mim.</p><p>� Desarmo voc�?</p><p>Sorrio com desd�m.</p><p>� O tempo todo.</p><p>� � s� impress�o, Anastasia � diz ele af�vel.</p><p>� N�o, Christian, � muito mais que isso.</p><p>Ele franze a testa.</p><p>� Voc� me desarma totalmente, Srta. Steele. A sua inoc�ncia. O fato de ir direto ao ponto.</p><p>� Foi por isso que voc� mudou de ideia?</p><p>� Mudei de ideia?</p><p>� �... sobre... h�... a gente?</p><p>Ele afaga o queixo pensativamente com aqueles dedos habilidosos.</p><p>� Acho que n�o mudei de ideia propriamente. S� precisamos redefinir nossos par�metros, redesenhar nossas linhas de batalha, se quiser. Podemos fazer isso dar certo, tenho certeza. Quero voc� submissa no meu quarto de jogos. Vou punir voc� quando desobedecer �s regras. Estas s�o as minhas exig�ncias, Srta. Steele. O que diz disso?</p><p>� Ent�o eu vou dormir com voc�? Na sua cama?</p><p>� � o que voc� quer?</p><p>� �.</p><p>� Ent�o concordo. Al�m do mais, durmo muito bem quando voc� est� na minha cama. Eu n�o sabia.</p><p>Ele fica s�rio e sua voz some.</p><p>� Achei que voc� me deixaria se eu n�o concordasse com tudo isso � sussurro.</p><p>� Eu n�o vou a lugar nenhum, Anastasia. Al�m do mais... � ele deixa a frase inacabada e, depois de pensar um pouco, acrescenta: � estamos seguindo o seu conselho, a sua defini��o: compromisso. Voc� me mandou essa defini��o num e-mail. E, at� agora, est� dando certo para mim.</p><p>� Adoro que voc� queira mais � murmuro timidamente.</p><p>� Eu sei.</p><p>� Como sabe?</p><p>� Pode confiar em mim. Eu simplesmente sei.</p><p>Ele d� um sorrisinho. Est� escondendo alguma coisa. <emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>Nesse momento, Leandra chega com os pratos e nossa conversa termina. Minha barriga ronca, lembrando-me de qu�o faminta estou. Christian observa com um olhar de aprova��o irritante eu devorar a comida toda do prato.</p><p>� Posso fazer um convite? � pergunto a Christian.</p><p>� Um convite?</p><p>� Para esse caf� da manh�. Deixe que seja por minha conta.</p><p>Christian bufa.</p><p>� Acho que n�o � debocha.</p><p>� Por favor. Eu quero.</p><p>Ele amarra a cara.</p><p>� Est� tentando me emascular completamente?</p><p>� Este talvez seja o �nico restaurante que vou poder pagar.</p><p>� Anastasia, agrade�o a inten��o. Mesmo. Mas, n�o.</p><p>Contraio os l�bios.</p><p>� N�o fique emburrada � amea�a ele, com um brilho sinistro nos olhos.</p><p>* * *</p><p>CLARO QUE ELE n�o me pergunta o endere�o de minha m�e. Ele j� sabe, perseguidor que �. Quando estaciona em frente � casa, n�o comento. Para qu�?</p><p>� Quer entrar? � pergunto timidamente.</p><p>� Preciso trabalhar, Anastasia, mas estarei de volta � noite. A que horas?</p><p>N�o fa�o caso da inoportuna pontada de decep��o. Por que quero passar cada minuto com esse deus do sexo controlador? Ah, sim, eu me apaixonei por ele, e ele sabe voar.</p><p>� Obrigada... pelo mais.</p><p>� De nada, Anastasia.</p><p>Ele me beija, e aspiro aquele seu cheiro sensual.</p><p>� At� logo.</p><p>� Tente me deter � murmura ele.</p><p>Dou adeus enquanto ele sai com o carro para encarar o sol forte da Ge�rgia. Ainda estou usando o moletom e a cueca dele, e estou muito agasalhada.</p><p>Na cozinha, minha m�e est� hist�rica. N�o � todo dia que tem que receber um multiziliard�rio, e est� estressada com isso.</p><p>� Como voc� est�, querida? � pergunta, e coro porque ela sabe o que eu fiz ontem � noite.</p><p>� Tudo bem. Christian me levou para voar de planador hoje de manh�.</p><p>Espero que a informa��o nova a distraia.</p><p>� Voar de planador? Tipo num avi�ozinho sem motor? � isso?</p><p>Fa�o que sim com a cabe�a.</p><p>� Nossa.</p><p>Ela est� sem fala � um conceito novo para minha m�e. Olha para mim boquiaberta, mas acaba se recuperando e retoma a linha de interrogat�rio original.</p><p>� Como foi ontem � noite? Voc�s conversaram?</p><p><emphasis>Putz.</emphasis> Fico vermelha como um piment�o.</p><p>� A gente conversou, ontem � noite e hoje. Est� melhorando.</p><p>� �timo.</p><p>Ela volta a aten��o de novo para os quatro livros de culin�ria que tem abertos na mesa da cozinha.</p><p>� M�e... se quiser, eu fa�o o jantar.</p><p>� Ah, querida, � muita gentileza sua, mas eu quero fazer.</p><p>� Tudo bem.</p><p>Fa�o uma careta, sabendo muito bem que a comida de minha m�e nem sempre presta. Talvez ela tenha melhorado desde que se mudou para Savannah com Bob. Houve uma �poca em que eu n�o sujeitaria ningu�m ao que ela cozinha... nem � quem eu odeio? Ah, sim � a Mrs. Robinson, Elena. Bem, talvez ela. <emphasis>Ser� que algum dia vou conhecer essa mulher desprez�vel?</emphasis></p><p>Decido mandar um agradecimento r�pido a Christian.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Planar, e n�o pagar</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:20 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>�s vezes voc� sabe fazer uma mo�a se divertir.</p><empty-line/><p>Obrigada.</p><empty-line/><p>Bj, Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Planar versus pagar</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:24 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prefiro fazer as duas coisas a ouvir seu ronco. Tamb�m me diverti muito.</p><empty-line/><p>Eu sempre me divirto com voc�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Roncar</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:26 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>EU N�O RONCO. E se roncasse, seria muito grosseiro de sua parte assinalar isso.</p><empty-line/><p>Voc� n�o � nada cavalheiro, Sr. Grey! E est� no Extremo Sul, tamb�m!</p><empty-line/><p>Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Sonil�quio</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:28 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Nunca pretendi ser cavalheiro, Anastasia, e acho que j� lhe demonstrei este ponto em v�rias ocasi�es. N�o me intimido com suas mai�sculas GRITANTES. Mas confesso uma mentirinha: n�o, voc� n�o ronca, mas fala. E isso � fascinante.</p><empty-line/><p>O que aconteceu com meu beijo?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> Sei que falo dormindo. Kate j� me disse isso v�rias vezes. O que eu disse? <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o</emphasis>.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Entregar o ouro</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:32 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Voc� � um calhorda e um patife � definitivamente n�o um cavalheiro.</p><p>Ent�o, o que eu disse?</p><empty-line/><p>Nada de beijos at� voc� falar!</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Bela adormecida falante</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 10:35 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Seria muito grosseiro de minha parte dizer, e j� fui castigado por isso.</p><empty-line/><p>Mas se voc� se comportar, talvez eu lhe conte hoje � noite. Preciso entrar em reuni�o agora.</p><empty-line/><p>At� mais, baby.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Calhorda e Patife, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><empty-line/><p><emphasis>Certo!</emphasis> Manter sil�ncio at� a noite. Estou possessa. <emphasis>Droga.</emphasis> Suponhamos que eu tenha dito dormindo que o odeio, ou pior ainda, que o amo. Ah, espero que n�o. N�o estou pronta para dizer isso a ele, e tenho certeza de que ele n�o est� pronto para ouvir, se � que algum dia vai querer ouvir. Olho de cara feia para meu computador e decido que, seja o que for que mam�e prepare, vou fazer p�o para descarregar minhas frustra��es enquanto sovo a massa.</p><p>* * *</p><p>MINHA M�E DECIDIU por um gaspacho e depois fil�s grelhados marinados em azeite, alho e lim�o. Christian gosta de carne, e isso � simples de fazer. Bob se ofereceu para tomar conta da churrasqueira. <emphasis>O que h� em rela��o aos homens e o fogo?</emphasis>, reflito ao me arrastar com o carrinho de compras atr�s de minha m�e pelo supermercado.</p><p>Enquanto olhamos a g�ndola de carnes cruas, meu telefone toca. Procuro-o com pressa, achando que pode ser Christian. N�o reconhe�o o n�mero.</p><p>� Al�? � respondo ofegante.</p><p>� Anastasia Steele?</p><p>� Sim.</p><p>� � Elizabeth Morgan, da SIP.</p><p>� Ah, oi.</p><p>� Estou ligando para lhe oferecer o cargo de assistente do Sr. Jack Hyde. Gostar�amos que come�asse na segunda-feira.</p><p>� Nossa. Que maravilha. Obrigada!</p><p>� Sabe os detalhes do sal�rio?</p><p>� Sim. Sim... �... quero dizer, eu aceito a oferta. Eu adoraria ir trabalhar para voc�s.</p><p>� Excelente. Ent�o at� segunda-feira �s oito e meia?</p><p>� At� segunda. At� logo. E obrigada.</p><p>Abro um sorriso rasgado para minha m�e.</p><p>� Est� empregada?</p><p>Balan�o a cabe�a com alegria, e ela d� gritinhos e me abra�a no meio do supermercado.</p><p>� Parab�ns, querida! Temos que comprar champanhe!</p><p>Ela est� saltitante, batendo palmas. <emphasis>Ser� que tem quarenta e dois ou doze anos?</emphasis></p><p>Olho para meu telefone e fico intrigada. H� uma liga��o perdida de Christian. Ele nunca me liga. Ligo para ele na mesma hora.</p><p>� Anastasia � ele atende imediatamente.</p><p>� Oi � murmuro t�mida.</p><p>� Tenho que voltar a Seattle. Aconteceu um imprevisto. Estou indo para Hilton Head agora. Por favor, pe�a desculpas a sua m�e, n�o vai dar para eu ir ao jantar.</p><p>Ele fala num tom profissional.</p><p>� Nada s�rio, espero.</p><p>� Estou com um problema que preciso resolver. Vejo voc� amanh�. Mando o Taylor busc�-la no aeroporto se eu n�o puder ir.</p><p>Sua voz � fria. At� zangada. Mas, pela primeira vez, n�o vou logo pensando que � por minha causa.</p><p>� Tudo bem. Espero que resolva seu problema. Boa viagem.</p><p>� Para voc� tamb�m, baby � sussurra ele e, com essas palavras, meu Christian est� de volta. E ent�o desliga.</p><p>Ah, n�o. O �ltimo �problema� que ele teve foi minha virgindade. <emphasis>Espero que n�o seja nada parecido com isso.</emphasis> Olho para minha m�e. Sua alegria de h� pouco se transformou em preocupa��o.</p><p>� � o Christian. Ele teve que voltar para Seattle. Pede desculpas.</p><p>� Ah! Que pena, querida. Podemos assim mesmo fazer nosso churrasco, e agora temos uma coisa para comemorar: seu emprego novo! Voc� tem que me contar tudinho a respeito.</p><p>* * *</p><p>� FIM DE TARDE, e mam�e e eu estamos deitadas � beira da piscina. Minha m�e est� t�o relaxada que est� literalmente na horizontal agora que o Sr. Rica�o n�o vem jantar. Estirada ao sol, esfor�ando-me para perder a brancura, penso em ontem � noite e no caf� da manh� de hoje. Penso em Christian, e meu sorriso rid�culo se recusa a desaparecer. Ele fica se insinuando para mim, inoportuno e desconcertante, quando me lembro de nossas v�rias conversas e no que fizemos... no que ele fez.</p><p>A atitude de Christian parece ter mudado radicalmente. Ele nega isso, mas admite estar se esfor�ando por mais. O que poderia ter mudado? O que mudou desde aquele seu longo e-mail e desde ontem? O que ele fez? Sento-me de repente, quase derramando o refrigerante. Ele jantou com... ela. Elena.</p><p><emphasis>Puta merda!</emphasis></p><p>A ideia me deixa de cabe�a quente. Ser� que ela lhe disse alguma coisa? Ah... eu queria ser uma mosca durante o jantar deles. Eu poderia ter pousado na sopa ou no copo de vinho dela e a sufocado.</p><p>� O que �, Anastasia, querida? � pergunta mam�e, sobressaltada daquele seu torpor.</p><p>� S� um instantinho, m�e. Que horas s�o?</p><p>� Umas seis e meia, querida.</p><p>Hum... ele ainda n�o deve ter pousado. Ser� que posso perguntar a ele? Ser� que devo? Ou vai ver que ela n�o tem nada a ver com isso. Espero realmente que n�o tenha. O que eu disse dormindo? <emphasis>Merda...</emphasis> algum coment�rio imprudente enquanto sonhava com ele, aposto. Seja o que for, ou tenha sido, espero que a mudan�a parta dele, n�o que seja causada por <emphasis>ela.</emphasis></p><p>Estou sufocando nesse calor desgra�ado. Preciso dar outro mergulho na piscina.</p><p>* * *</p><p>ENQUANTO ME PREPARO para dormir, ligo o computador. N�o tenho nenhuma not�cia de Christian. Nem uma palavra dizendo que chegou bem.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Chegou bem?</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 22:32 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Senhor,</p><p>Queira me informar se chegou bem. Come�o a ficar preocupada. Pensando em voc�.</p><empty-line/><p>Bj,</p><p>Sua Ana</p><empty-line/><p>Tr�s minutos depois, ou�o o tilintar da minha caixa de entrada.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Perd�o</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 19:36</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><p>Cheguei bem, e queira aceitar minhas desculpas por n�o inform�-la disso. N�o quero lhe causar nenhuma preocupa��o. � reconfortante saber que me quer bem. Estou pensando em voc�, e, como sempre, ansioso para v�-la amanh�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Suspiro. Christian est� formal de novo.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: O problema</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 22:40 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><p>Acho que est� muito claro que lhe quero muito bem. Como poderia duvidar disso?</p><empty-line/><p>Espero que seu �problema� esteja sob controle.</p><empty-line/><p>Bjs,</p><empty-line/><p>
  Sua Ana</p><empty-line/><p>P.S.: Vai contar o que eu disse dormindo?</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Direito de permanecer calado</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 19:45</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><p>Fico muito feliz por voc� me querer bem. O �problema� ainda n�o foi resolvido.</p><empty-line/><p>Quanto ao seu P. S., a resposta � n�o.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Alega��o de insanidade</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 22:48 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Espero que tenha sido divertido. Mas voc� tem que saber que n�o me responsabilizo por nada que saia da minha boca quando estou inconsciente. Na verdade, voc� provavelmente me ouviu mal.</p><empty-line/><p>Um homem com sua idade avan�ada com certeza � um pouco surdo.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Declaro-me culpado</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 19:52</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><p>Perd�o, poderia falar mais alto? N�o consigo ouvi-la.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Alega��o de insanidade de novo</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 22:54 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Voc� est� me enlouquecendo.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Espero que sim...</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 19:59</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Prezada Srta. Steele,</p><empty-line/><p>� exatamente o que pretendo fazer sexta-feira � noite. Aguardo este momento com ansiedade.</p><empty-line/><p>;)</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Grrrrr</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 23:02 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Estou oficialmente puta com voc�.</p><empty-line/><p>Boa noite.</p><empty-line/><p>Srta. A. R. Steele</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Gata selvagem</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 20:05</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Est� rosnando para mim, Srta. Steele?</p><empty-line/><p>Tenho o meu gato para rosnar.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Gato dele? Nunca vi gato no apartamento dele. N�o, n�o vou lhe responder. Ah, �s vezes ele consegue ser muito irritante. Irritante em Cinquenta Tons. Vou para a cama e fico olhando para o teto enquanto minha vista se adapta ao escuro. Ou�o o computador tilintar de novo. N�o vou olhar. N�o, definitivamente n�o. N�o, eu n�o vou olhar. Droga! Idiota que sou, n�o consigo resistir � atra��o das palavras de Christian Grey.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: O que voc� disse dormindo</p><p><strong>Data</strong>: 2 de junho de 2011 20:20</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia,</p><empty-line/><p>Eu preferiria ouvir voc� dizer as palavras que disse dormindo quando est� consciente, por isso n�o vou lhe contar. V� dormir. Com o que tenho em mente para voc� amanh�, precisar� estar descansada.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Ah, n�o... O que eu disse? � t�o ruim quanto imagino, tenho certeza.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E CINCO</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Minha m�e me d� um abra�o apertado.</p><p>� Fa�a o que seu cora��o mandar, querida, e, por favor, por favor, tente n�o pensar demais nas coisas. Relaxe e aproveite a vida. Voc� � muito jovem, querida. Ainda tem muito que viver, simplesmente deixe rolar. Voc� merece o melhor de tudo � cochicha ela em meu ouvido, suas palavras sinceras soando reconfortantes, e beija meu cabelo.</p><p>� Ah, m�e.</p><p>L�grimas quentes e inoportunas irritam meus olhos enquanto nos abra�amos.</p><p>� Querida, voc� conhece o ditado. A pessoa tem que beijar um monte de sapos antes de encontrar seu pr�ncipe.</p><p>Dou-lhe um sorrisinho torto, agridoce.</p><p>� Acho que beijei um pr�ncipe, m�e. Espero que ele n�o vire sapo.</p><p>Ela d� aquele seu sorriso mais carinhoso e maternal de amor absolutamente incondicional, e me assombro com o amor que sinto por essa mulher quando nos abra�amos mais uma vez.</p><p>� Ana, est�o chamando seu voo � diz Bob aflito.</p><p>� Voc� vem me ver, m�e?</p><p>� Claro, querida, em breve. Te amo.</p><p>� Eu tamb�m.</p><p>Ela tem os olhos vermelhos por causa do choro contido ao me soltar. Odeio deix�-la. Abra�o Bob e me encaminho para o port�o de embarque � hoje n�o tenho tempo para a sala da primeira classe. Apelo para toda a minha for�a de vontade para n�o olhar para tr�s. Mas olho... e Bob est� abra�ado com minha m�e, e as l�grimas escorrem pelo rosto dela. N�o consigo mais conter as minhas.</p><p>Abaixo a cabe�a e prossigo para o port�o de embarque, fitando o piso branco reluzente, fora de foco em meio ao meu pranto.</p><p>Uma vez a bordo, no luxo da primeira classe, encolho-me na poltrona e tento me recompor. Deixar mam�e � sempre doloroso para mim... ela � dispersa, desorganizada, mas tornou-se perspicaz, e me adora. Amor incondicional � o que todo filho merece dos pais. Franzo a testa para meus pensamentos rebeldes, pego o BlackBerry e olho para ele desanimada.</p><p>O que Christian sabe sobre o amor? Parece que n�o recebeu o amor incondicional a que tinha direito na primeira inf�ncia. Fico com o cora��o apertado, e as palavras da minha m�e chegam como o sopro de Z�firo em minha mente. <emphasis>Sim, Ana. Do que mais voc� precisa? Um letreiro luminoso piscando na testa dele?</emphasis> Ela acha que Christian me ama, mas ela � minha m�e, claro que acharia isso. Acha que mere�o o melhor de tudo. � verdade, e, num momento de lucidez surpreendente, entendo. � muito simples. Quero o amor dele. <emphasis>Preciso</emphasis> que Christian Grey me ame. Por isso sou t�o reticente no que diz respeito � nossa rela��o � porque, no fundo, reconhe�o em mim uma compuls�o arraigada para ser amada e prezada.</p><p>E por causa de seus Cinquenta Tons, estou me guardando. O BDSM constitui um desvio da verdadeira quest�o. O sexo � incr�vel, ele � rico, lindo, mas isso tudo n�o significa nada sem seu amor, e o que mata mesmo � eu n�o saber se ele � capaz de amar. Ele nem sequer gosta dele mesmo. Lembro-me do seu autodesprezo, o amor <emphasis>dela</emphasis> sendo a �nica forma que ele considerava <emphasis>aceit�vel.</emphasis> Punido � chicoteado, surrado, o que quer que a rela��o dele acarretasse � ele acha que n�o merece ser amado. Por que se sente assim? Como pode se sentir assim? Suas palavras me perseguem: <emphasis>� muito dif�cil crescer numa fam�lia perfeita quando voc� n�o � perfeito.</emphasis></p><p>Fecho os olhos, imaginando a dor dele, e n�o consigo compreender isso. Estreme�o ao lembrar que talvez eu tenha revelado muito. O que confessei a Christian enquanto dormia? Que segredos revelei?</p><p>Fico olhando para o BlackBerry na vaga esperan�a de que ele me d� algumas respostas. N�o surpreende que ele n�o seja muito comunicativo. Uma vez que ainda n�o decolamos, resolvo enviar um e-mail para o meu Cinquenta Tons.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Indo para casa</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 12:53 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Prezado Sr. Grey,</p><p>Mais uma vez, estou acomodada na primeira classe, e lhe agrade�o por isso. Estou contando os minutos para v�-lo hoje � noite e talvez conseguir extrair de voc� sob tortura as minhas confiss�es noturnas.</p><empty-line/><p>Bj,</p><empty-line/><p>
  Sua Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Indo para casa</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 9:58</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia, estou ansioso para ver voc�.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p>Acho estranha a resposta dele. Soa cortada e formal, n�o aquele seu estilo espirituoso e conciso.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Indo para casa</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 13:01 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Car�ssimo Sr. Grey,</p><p>Espero que tudo esteja bem em rela��o ao �problema�. O tom de seu e-mail � preocupante.</p><empty-line/><p>Bj,</p><empty-line/><p>
  Ana</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Indo para casa</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 10:04</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Anastasia,</p><empty-line/><p>O problema poderia estar mais bem encaminhado. J� decolou? Nesse caso, n�o devia enviar e-mails. Est� se arriscando, infringindo a regra que diz respeito � sua seguran�a pessoal. Falei s�rio quanto aos castigos.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><empty-line/><p><emphasis>Merda. Tudo bem.</emphasis> O que o est� preocupando? Talvez �o problema�? Talvez Taylor tenha se ausentado sem licen�a, talvez ele tenha perdido alguns milh�es na bolsa � pode ser qualquer coisa.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Rea��o exagerada</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 13:06 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Caro Sr. Grey,</p><p>As portas da aeronave ainda est�o abertas. O voo est� atrasado, mas apenas dez minutos. Meu bem-estar e o dos passageiros � minha volta est�o assegurados. Talvez, por ora, voc� queira recolher a m�o que co�a.</p><empty-line/><p>Srta. Steele</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Desculpas � recolhida a m�o que co�a</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 10:08</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Sinto sua falta e das suas gracinhas, Srta. Steele.</p><empty-line/><p>Quero voc� em seguran�a em casa.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Desculpas aceitas</p><p><strong>Data</strong>: 3 de junho de 2011 13:10 LESTE</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Est�o fechando as portas. Voc� n�o vai ouvir mais nenhum pio meu, especialmente se considerarmos sua surdez.</p><empty-line/><p>Tchau.</p><empty-line/><p>Bj,</p><empty-line/><p>
  Ana</p><empty-line/><p>Desligo o BlackBerry, sem conseguir me livrar da ansiedade. H� alguma coisa com Christian. Talvez �o problema� tenha fugido ao controle. Recosto-me na poltrona olhando para o bagageiro onde est�o guardadas minhas malas. Hoje de manh� consegui, com a ajuda de minha m�e, comprar um presentinho para Christian para agradecer pela primeira classe e pelo voo de planador. Sorrio ao lembrar do voo � foi incr�vel. Ainda n�o sei se lhe darei meu presente bobo. Talvez ele o considere infantil. E se ele estiver de mau humor, talvez eu n�o d�. Estou ansiosa para voltar e ao mesmo tempo apreensiva com o que me espera no fim da viagem. Imaginando todos os cen�rios que poderiam constituir �o problema�, percebo que, mais uma vez, o �nico lugar vazio � ao meu lado. Balan�o a cabe�a quando me ocorre que Christian poderia ter comprado o lugar adjacente para eu n�o poder falar com ningu�m. Rejeito a ideia por ach�-la absurda � ningu�m poderia ser t�o controlador, t�o ciumento, com certeza. Fecho os olhos enquanto o avi�o taxia em dire��o � pista.</p><p>* * *</p><p>EMERJO NO TERMINAL de chegadas do Sea-Tac oito horas depois para encontrar Taylor � minha espera segurando um cartaz onde se l� SRTA. A. STEELE. <emphasis>Francamente!</emphasis> Mas � bom v�-lo ali.</p><p>� Ol�, Taylor.</p><p>� Srta. Steele � ele me cumprimenta formalmente, mas vejo o esbo�o de um sorriso em seus olhos castanhos perspicazes. Est� impec�vel como sempre: terno preto elegante, camisa branca e gravata preta.</p><p>� Eu o conhe�o, Taylor, voc� n�o precisa de cartaz, e quero, sim, que me chame de Ana.</p><p>� Ana. Posso pegar suas malas, por favor?</p><p>� N�o. Eu aguento. Obrigada.</p><p>Sua boca se contrai de modo percept�vel.</p><p>� M-mas, voc� se sentiria melhor se pegasse � gaguejo.</p><p>� Obrigado. � Ele pega minha mochila e minha rec�m-comprada mala de rodinhas para as roupas que minha m�e comprou para mim. � Por aqui, madame.</p><p>Suspiro. Ele � muito educado. Eu me lembro, embora queira apagar isso da mem�ria, que este homem comprou lingerie para mim. Na verdade � e a ideia me inquieta �, ele � o �nico homem que j� comprou lingerie para mim. Nem Ray teve de se submeter a esse mart�rio. Caminhamos em sil�ncio para o Audi SUV preto no estacionamento do aeroporto, e ele abre a porta. Entro no carro, perguntando-me se escolher uma saia t�o curta para usar na viagem de volta � Seattle foi boa ideia. Saia curta era legal e ficava bem na Ge�rgia. Aqui eu me sinto exposta. Depois que Taylor guarda minha bagagem no porta-malas, partimos para o Escala.</p><p>A viagem � lenta no tr�fego da hora do rush. Taylor mant�m os olhos na estrada � sua frente. Taciturno � um termo que nem come�a a descrev�-lo.</p><p>N�o consigo mais suportar o sil�ncio.</p><p>� Como vai Christian, Taylor?</p><p>� O Sr. Grey est� preocupado, Srta. Steele.</p><p>Ah, deve ser o �problema�. Estou explorando um fil�o de ouro.</p><p>� Preocupado?</p><p>� �, madame.</p><p>Olho intrigada para Taylor, e ele olha para mim pelo retrovisor, nossos olhos se encontrando. Ele n�o fala mais. Putz, consegue ser t�o fechado quanto o man�aco por controle.</p><p>� Ele est� bem?</p><p>� Acho que sim, madame.</p><p>� Voc� se sente mais � vontade me chamando de Srta. Steele?</p><p>� Sim, madame.</p><p>� Ah, tudo bem.</p><p>Bem, isso limita nossa conversa, e continuamos em sil�ncio. Come�o a pensar que o lapso recente de Taylor, quando me disse que Christian estava infernal, foi uma anomalia. Talvez esteja sem jeito por causa disso, receando ter sido desleal. O sil�ncio � sufocante.</p><p>� Poderia p�r uma m�sica, por favor?</p><p>� Claro, madame. O que gostaria de ouvir?</p><p>� Algo relaxante.</p><p>Vejo um sorriso brincar nos l�bios de Taylor quando nossos olhos tornam a se encontrar rapidamente no espelho.</p><p>� Sim, madame.</p><p>Ele aperta uns bot�es no volante, e os acordes suaves do C�non de Pachelbel preenchem o espa�o entre n�s. <emphasis>Ah, sim...</emphasis> � disso que preciso.</p><p>� Obrigada. � Recosto-me enquanto seguimos em uma velocidade constante pela Interestadual 5 at� Seattle.</p><p>* * *</p><p>VINTE E CINCO minutos depois, ele me deixa em frente � fachada impressionante que � a entrada do Escala.</p><p>� Pode entrar, madame � diz, abrindo a porta para mim. � Levo suas malas l� para cima.</p><p>Sua express�o � doce, carinhosa, como a de um tio, at�.</p><p><emphasis>Putz...</emphasis> Tio Taylor, que ideia.</p><p>� Obrigada por ter ido me buscar.</p><p>� Foi um prazer, Srta. Steele.</p><p>Ele sorri, e entro no pr�dio. O porteiro acena com a m�o e com a cabe�a.</p><p>Subo para o trig�simo andar sentindo um frio na barriga. <emphasis>Por que estou t�o nervosa?</emphasis> E sei que � porque n�o fa�o ideia de como estar� o humor de Christian quando eu chegar. Minha deusa interior est� torcendo por um tipo de humor. Meu inconsciente, como eu, est� nervos�ssimo.</p><p>As portas do elevador se abrem, e estou no hall. � muito estranho n�o ser recebida por Taylor. Claro, ele est� estacionando o carro. Na sala, Christian est� no BlackBerry, falando calmamente, olhando pelas janelas enormes para a silhueta de Seattle ao entardecer. Usa um terno cinza, com o palet� aberto, e desliza a m�o pelo cabelo. Est� agitado, tenso at�. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o � o que houve?</emphasis> Agitado ou n�o, ele ainda � um col�rio. Como pode ser t�o... fascinante?</p><p>� Nenhum vest�gio... Ok... Sim.</p><p>Ele se vira e me v�, e sua atitude muda totalmente. Passa da tens�o ao al�vio depois outra coisa: um olhar que fala diretamente � minha deusa interior, um olhar de sensualidade lasciva, apaixonado.</p><p>Minha boca fica seca e o desejo desabrocha em meu corpo... <emphasis>nossa.</emphasis></p><p>� Mantenha-me informado � diz, e desliga o telefone ao se encaminhar decidido para mim. Fico paralisada enquanto ele se aproxima, devorando-me com os olhos. <emphasis>Puta merda...</emphasis> Algo vai mal: a tens�o em sua mand�bula, a ansiedade em volta de seus olhos. Ele tira o palet� e a gravata, e os pendura no sof� no caminho. Ent�o, seus bra�os me envolvem, e ele est� me puxando de encontro a ele, com for�a, depressa, puxando meu rabo de cavalo e me fazendo inclinar a cabe�a para tr�s, beijando-me como se sua vida dependesse disso. <emphasis>O que � isso?</emphasis> Ele tira sem d� nem piedade o el�stico do meu cabelo, mas n�o ligo para a dor. Seu beijo tem um qu� de desespero, de primitivo. Ele precisa de mim, seja por qual motivo, exatamente agora, e eu nunca me senti t�o desejada nem t�o cobi�ada. � uma sensa��o ao mesmo tempo sinistra, sensual e alarmante. Beijo-o com a mesma paix�o, meus dedos enrolando e segurando seu cabelo. Nossas l�nguas se enroscam, nossa paix�o e nosso ardor irrompendo entre n�s. O gosto dele � divino, quente e sensual, e o cheiro � de sabonete e de Christian � excitante. Ele afasta a boca da minha, e me olha, tomado por uma emo��o n�o especificada.</p><p>� O que foi? � sussurro.</p><p>� Estou muito feliz por voc� ter voltado. Venha tomar uma ducha comigo... agora.</p><p>N�o consigo decidir se isso � um pedido ou uma ordem.</p><p>� Sim � sussurro, e ele me leva pela m�o para o banheiro da su�te.</p><p>Uma vez l�, ele me solta e abre o chuveiro daquele boxe colossal. Depois, olha para mim, a express�o velada.</p><p>� Gostei da sua saia. � curta � diz, num tom grave. � Voc� tem pernas maravilhosas.</p><p>Ele tira os sapatos e se abaixa para tirar as meias, sempre me olhando, com uma avidez que me deixa sem fala. <emphasis>Nossa...</emphasis> ser desejada assim por esse deus grego. Imito-o e descal�o a sapatilha preta. De repente, ele me pega, me encosta na parede e come�a a me beijar toda, no rosto, no pesco�o, na boca... deslizando as m�os pelos meus cabelos. Sinto o revestimento liso e frio da parede nas costas enquanto ele me imprensa, e fico espremida entre seu calor e o frio da cer�mica. Timidamente, seguro seus bra�os, e ele geme quando aperto com for�a.</p><p>� Quero voc� agora. Aqui... depressa, com for�a � sussurra, e suas m�os est�o nas minhas coxas, levantando minha saia. � Ainda est� menstruada?</p><p>� N�o.</p><p>Coro.</p><p>� �timo.</p><p>Ele engancha os polegares na minha calcinha branca de algod�o e se ajoelha bruscamente, tirando-a. Minha saia agora est� l� em cima, e estou nua da cintura para baixo, arfando de desejo. Ele agarra meus quadris, imprensando-me de novo contra a parede, e me beija no v�rtice das coxas antes de me abrir as pernas. Dou um gemido alto, sentindo sua l�ngua rodear meu clit�ris. <emphasis>Nossa.</emphasis> Automaticamente, inclino a cabe�a para tr�s, gemendo enquanto meus dedos procuram o cabelo dele.</p><p>Sua l�ngua � incans�vel, forte e insistente, golpeando-me� rodando, rodando, sem parar. � uma del�cia � a intensidade da sensa��o quase chega a doer. Come�o a estremecer, e ele me solta. <emphasis>O qu�? N�o!</emphasis> Estou ofegante, arfando, olhando para ele numa expectativa deliciosa. Ele segura firme meu rosto com as duas m�os e me beija com for�a, enfiando a l�ngua em minha boca para eu saborear minha excita��o. Ent�o, abre a braguilha, se solta e me levanta pelas coxas.</p><p>� Enrosque as pernas em mim � ordena, a voz urgente, tensa.</p><p>Fa�o isso e abra�o seu pesco�o, e, com um movimento r�pido e certeiro, ele me penetra. <emphasis>Ah!</emphasis> Ele arqueja e eu gemo. Segura minhas n�degas, apertando a pele macia com os dedos, e come�a a mexer, primeiro devagar � num ritmo regular... mas � medida que desenvolve o controle, vai acelerando... mais e mais. <emphasis>Ahhh!</emphasis> Inclino a cabe�a para tr�s e me concentro na sensa��o divina de ser invadida, castigada, empurrada... para a frente, cada vez mais para cima... e quando n�o aguento mais explodo, caindo na voracidade de um orgasmo intenso e devorador. Ele relaxa com um grunhido fundo e enterra a cabe�a no meu pesco�o ao se enterrar dentro de mim, gemendo coisas sem nexo durante o gozo.</p><p>Sua respira��o est� irregular, mas ele me beija com ternura, ainda dentro de mim, e pisco olhando os olhos dele, sem enxergar nada. Quando entra em foco, ele sai de dentro de mim com delicadeza, segurando-me firme at� eu botar os p�s no ch�o. O banheiro agora est� todo enfuma�ado... e quente. Sinto-me vestida demais.</p><p>� Voc� parece satisfeito em me ver � murmuro com um sorriso t�mido.</p><p>Ele d� um sorriso.</p><p>� Sim, Srta. Steele. Acho que meu prazer � bastante �bvio. Venha, deixe eu botar voc� no chuveiro.</p><p>Ele desabotoa os outros tr�s bot�es da camisa, tira as abotoaduras, puxa a camisa pela cabe�a e a joga no ch�o. Ent�o, tira a cal�a e a cueca e as chuta para o lado. Come�a a desabotoar minha blusa enquanto o observo, louca para acariciar seu peito, mas me contenho.</p><p>� Como foi a viagem? � pergunta com simpatia. Parece muito mais calmo agora, aquela apreens�o desapareceu, dilu�da na rela��o sexual.</p><p>� �tima, obrigada � murmuro, ainda ofegante. � Obrigada mais uma vez pela primeira classe. � mesmo uma maneira muito mais agrad�vel de viajar. � Dou um sorriso t�mido. � Tenho uma novidade � acrescento nervosamente.</p><p>� Ah?</p><p>Ele me fita, enquanto acaba de desabotoar minha blusa, tir�-la e jog�-la em cima das suas roupas.</p><p>� Arranjei um emprego.</p><p>Ele fica im�vel, depois sorri para mim, o olhar meigo e carinhoso.</p><p>� Parab�ns, Srta. Steele. Agora vai me dizer onde? � brinca.</p><p>� Voc� n�o sabe?</p><p>Ele balan�a a cabe�a, franzindo a testa.</p><p>� Por que eu saberia?</p><p>� Com as suas habilidades persecut�rias, achei que talvez pudesse saber... � deixo a frase inacabada quando seu rosto desaba.</p><p>� Anastasia, eu nem sonharia em interferir em sua carreira, a menos que me pedisse, claro. � Ele parece magoado.</p><p>� Ent�o voc� n�o tem ideia de qual � a empresa?</p><p>� N�o. Sei que h� quatro editoras em Seattle, ent�o imagino que seja uma delas.</p><p>� A SIP.</p><p>� Ah, a pequena, �timo. Muito bem. � Ele se inclina e me d� um beijo na testa. � Mo�a inteligente. Quando come�a?</p><p>� Segunda-feira.</p><p>� T�o cedo, hein? � melhor eu aproveitar voc� enquanto posso. Vire-se de costas.</p><p>Fico perplexa com aquela ordem descontra�da, mas obede�o, e ele desabotoa meu suti� e puxa o z�per da minha saia. Ao tir�-la, envolve minhas n�degas com as m�os e beija meu ombro. Encostado em mim, esfrega o nariz em meu cabelo e aspira, apertando minhas n�degas.</p><p>� Voc� me embriaga, Srta. Steele, e me acalma. Que combina��o emocionante!</p><p>Ele beija meu cabelo, me pega pela m�o e me puxa para dentro do chuveiro.</p><p>� Ai � grito.</p><p>A �gua est� praticamente escaldante. Christian sorri para mim enquanto a �gua cai em cascata sobre ele.</p><p>� � s� �gua quente.</p><p>E, na verdade, ele tem raz�o. A �gua est� divina, lavando o melado que a manh� da Ge�rgia e o amor que fizemos deixaram em minha pele.</p><p>� Vire de costas � ordena ele, e obede�o, virando para a parede. � Quero lavar voc� � murmura, e pega o sabonete l�quido, espremendo uma dose na m�o.</p><p>� Tenho mais uma coisa para contar � murmuro, e ele come�a a passar as m�os nos meus ombros.</p><p>� Ah, �? � pergunta ele, af�vel.</p><p>Preparo-me respirando fundo.</p><p>� A exposi��o de fotografias do meu amigo Jos� come�a na quinta-feira em Portland.</p><p>Ele fica im�vel, as m�os pairando sobre meus seios. Enfatizei a palavra �amigo�.</p><p>� Sim, o que � que tem? � pergunta, s�rio.</p><p>� Eu disse que iria. Quer vir comigo?</p><p>Ap�s o que parece uma quantidade de tempo monumental, ele recome�a lentamente a me lavar.</p><p>� A que horas?</p><p>� Come�a �s sete e meia.</p><p>Ele beija meu ouvido.</p><p>� Tudo bem.</p><p>Dentro de mim, meu inconsciente relaxa e depois desmonta, afundando numa poltrona velha e surrada.</p><p>� O fato de voc� me convidar a deixou nervosa?</p><p>� Sim. Como sabe?</p><p>� Anastasia, seu corpo todo simplesmente relaxou � diz ele secamente.</p><p>� Bem, parece que voc� � mais para, h�... ciumento.</p><p>� Sim, sou � diz ele num tom misterioso. � E voc� faz bem em lembrar disso. Mas obrigada pelo convite. Vamos no Charlie Tango.</p><p>Ah, o helic�ptero, claro, que bobagem. Mais um voo... legal! Sorrio.</p><p>� Posso lavar voc�? � pergunto.</p><p>� Acho que n�o � murmura ele, e me beija delicadamente no pesco�o para tornar sua recusa menos traum�tica.</p><p>Fico amuada contra a parede enquanto ele acaricia minhas costas com sab�o.</p><p>� Vai deixar eu tocar em voc� algum dia? � pergunto atrevida.</p><p>Ele torna a ficar parado, a m�o na minha bunda.</p><p>� Ponha as m�os na parede, Anastasia. Vou comer voc� de novo � murmura ele no meu ouvido ao agarrar meus quadris, e sei que a discuss�o terminou.</p><p>* * *</p><p>MAIS TARDE, ESTAMOS sentados no balc�o da cozinha, vestidos com roup�es de banho, depois de comer o espl�ndido espaguete ao v�ngole da Sra. Jones.</p><p>� Mais vinho? � pergunta Christian, os olhos cinzentos brilhando.</p><p>� Um pouco, por favor.</p><p>O Sancerre est� geladinho e delicioso. Christian serve uma ta�a para mim e outra para ele.</p><p>� Como vai o, h�... problema que trouxe voc� a Seattle? � pergunto hesitante.</p><p>Ele fecha a cara.</p><p>� Fora de controle � murmura ele com amargura. � Mas nada com que voc� tenha que se preocupar, Anastasia. Tenho planos para voc� esta noite.</p><p>� Ah?</p><p>� Sim. Quero voc� pronta me esperando no quarto de jogos em quinze minutos.</p><p>Ele se levanta e olha para mim.</p><p>� Pode se preparar no seu quarto. Por falar nisso, o closet agora est� cheio de roupas para voc�. N�o quero nenhuma discuss�o a respeito.</p><p>Ele aperta os olhos, desafiando-me a dizer alguma coisa. Quando n�o digo, ele vai todo empertigado para o escrit�rio.</p><p><emphasis>Eu! Discutir?</emphasis> Com voc�, Cinquenta Tons? Isso � mais do que vale meu traseiro. Sento-me no banco do balc�o, estupefata, tentando assimilar essa informa��o. Ele comprou roupas para mim. Reviro os olhos de um jeito exagerado, sabendo perfeitamente bem que ele n�o pode me ver. Carro, telefone, computador... roupas, a pr�xima coisa vai ser o raio de um apartamento, e a� eu serei sua amante.</p><p><emphasis>Ei!</emphasis> Meu inconsciente est� com aquela cara sarc�stica. Finjo que n�o vejo e vou subindo para o <emphasis>meu</emphasis> quarto. Ent�o, o quarto ainda � meu... por qu�? Pensei que ele tivesse concordado em me deixar dormir com ele. Suponho que ele n�o esteja acostumado a dividir seu espa�o com ningu�m, mas eu tamb�m n�o estou. Consolo-me com a ideia de que pelo menos tenho para onde fugir dele.</p><p>Examino a porta e vejo que tem fechadura mas n�o tem chave. Pergunto-me se a Sra. Jones tem uma chave extra. Vou perguntar a ela. Abro a porta do closet e a fecho depressa. <emphasis>Puta merda � ele gastou uma fortuna.</emphasis> Parece o arm�rio da Kate � tantas roupas penduradas com capricho. No �ntimo, sei que todas elas me servem. Mas n�o tenho tempo para pensar nisso � tenho que me p�r de joelhos no Quarto Vermelho da... Dor... ou do Prazer, tomara � hoje � noite.</p><p>* * *</p><p>AJOELHADA AO LADO da porta, estou s� de calcinha. Apavorada. Putz, pensei que, depois do banheiro, ele estivesse satisfeito. O homem � insaci�vel, ou talvez todos os homens sejam como ele. N�o tenho ideia, ningu�m com quem possa compar�-lo. Fechando os olhos, tento me acalmar, me conectar com minha submissa interior. Ela est� ali em algum lugar, escondida atr�s da minha deusa interior.</p><p>A expectativa fervilha em minhas veias. O que ele vai fazer? Respiro fundo, controlando a respira��o, mas, n�o posso negar, estou com tes�o, excitada, j� molhada. Isso � muito... quero pensar, <emphasis>errado,</emphasis> mas de alguma forma, n�o �. � certo para Christian. � o que ele quer � e depois dos �ltimos dias... de tudo que ele fez, tenho que atender e aceitar o que quer que ele resolva desejar, o que quer que julgue precisar.</p><p>A lembran�a de seu olhar quando entrei hoje � noite, sua express�o de desejo, o jeito resoluto como veio andando para mim, como se eu fosse um o�sis no deserto. Eu faria qualquer coisa para ver essa express�o de novo. Aperto as coxas pensando na recorda��o deliciosa, e isso me lembra que preciso abrir as pernas. Abro. Quanto tempo ele vai me deixar esperar? A espera est� acabando comigo enchendo-me de um desejo sinistro e tentador. Olho rapidamente ao redor do quarto com aquela ilumina��o sutil: o X, a mesa, o sof�, o banco... aquela cama. Ela tem muita relev�ncia, e est� feita com len��is de cetim vermelhos. Que aparato ele vai usar?</p><p>A porta abre e Christian entra despreocupado, sem me dar a menor bola. Baixo os olhos rapidamente, olhando para minhas m�os, posicionadas com cuidado nas minhas coxas afastadas. Ele coloca algo na c�moda grande ao lado da porta e se encaminha displicentemente para a cama. Permito-me o prazer de dar uma olhadinha nele, e quase tenho uma s�ncope. Ele est� vestido s� com aquele jeans macio e rasgado, por acaso com o �ltimo bot�o aberto. <emphasis>Est� muuuito gostoso.</emphasis> Meu inconsciente se abana furiosamente, e minha deusa se requebra toda ao som de um ritmo primitivo e sensual. Ela est� prontinha. Passo instintivamente a l�ngua nos l�bios. Meu sangue lateja nas veias, grosso e pesado com uma fome lasciva. O <emphasis>que ele vai fazer comigo?</emphasis></p><p>Ele se vira despreocupadamente e vai de novo at� a c�moda. Abre uma das gavetas e vai tirando dali de dentro itens que coloca em cima do m�vel. Estou ardendo de curiosidade, chego at� a queimar, mas resisto � tenta��o avassaladora de dar uma olhadinha furtiva. Quando termina o que est� fazendo, ele vem se postar � minha frente. Vejo seus p�s descal�os e quero beijar cada cent�metro deles... lamber o peito do p�, chupar todos os dedinhos. <emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>� Voc� est� linda � sussurra ele.</p><p>Continuo de cabe�a baixa, consciente de que ele est� me olhando enquanto estou praticamente nua. Sinto o rubor se espalhar lentamente pelo meu rosto. Ele se abaixa e apanha meu queixo, for�ando-me a olhar para ele.</p><p>� Voc� � uma mulher linda, Anastasia. E � toda minha � murmura. � Levante-se.</p><p>A ordem � doce, carregada de sensualidade e promessa.</p><p>Tr�mula, fico em p�.</p><p>� Olhe para mim � sussurra ele, e fito seus olhos ardentes. � seu olhar Dominador � frio e sensual como o diabo, o pecado em �ltimo grau em uma �nica mirada tentadora. Fico com a boca seca e sei que farei qualquer coisa que ele pedir. H� um sorriso quase cruel brincando em seus l�bios.</p><p>� N�o temos um contrato assinado, Anastasia. Mas j� discutimos limites. E quero reiterar que temos palavras de seguran�a, tudo bem?</p><p><emphasis>Puta merda...</emphasis> o que ele tem planejado que eu precise de palavras de seguran�a?</p><p>� Quais s�o? � pergunta ele em tom autorit�rio.</p><p>Estranho a pergunta, e sua express�o endurece visivelmente.</p><p>� Quais s�o as palavras de seguran�a, Anastasia? � diz ele devagar e com determina��o.</p><p>� Amarelo � murmuro.</p><p>� E? � ajuda ele, contraindo a boca.</p><p>� Vermelho � suspiro.</p><p>� Lembre-se delas.</p><p>E, � mais forte que eu... fa�o cara de surpresa para ele e estou prestes a lembr�-lo de minhas notas, mas o s�bito brilho gelado em seus olhos cinzentos me det�m.</p><p>� N�o comece com suas gracinhas aqui, Srta. Steele. Sen�o vou te foder ajoelhada. Entendeu?</p><p>Engulo em seco instintivamente. <emphasis>Tudo bem.</emphasis> Pisco depressa, arrependida. Na verdade, � antes seu tom de voz do que a amea�a que me intimida.</p><p>� E ent�o?</p><p>� Sim, senhor � murmuro depressa.</p><p>� Muito bem � ele faz uma pausa, fitando-me. � Minha inten��o n�o � voc� usar a palavra de seguran�a por estar em sofrimento. O que pretendo fazer com voc� vai ser intenso. Muito intenso, e voc� tem que me orientar. Entendeu?</p><p><emphasis>Mais ou menos. Intenso. Nossa.</emphasis></p><p>� Envolver� tato, Anastasia. Voc� n�o poder� me ver nem me ouvir. Mas poder� sentir meu toque.</p><p>Acho estranho � <emphasis>n�o poderei ouvi-lo</emphasis>. Como isso vai funcionar? Ele se vira, e eu n�o tinha reparado que, em cima da c�moda, h� uma caixa preta fosca lisa e chata. Quando ele faz um gesto com a m�o na frente da caixa, ela se abre ao meio: duas portas corredi�as se abrem revelando um tocador de CD e uma grande quantidade de bot�es. Christian aperta v�rios deles em sequ�ncia. Nada acontece, mas ele parece satisfeito. Estou estupefata. Quando ele torna a virar de frente para mim, tem aquele sorrisinho de quem diz �eu tenho um segredo�.</p><p>� Vou amarrar voc� �quela cama, Anastasia. Mas primeiro vou vendar seus olhos � revela ele, o iPod em punho � e voc� n�o vai poder me ouvir. S� vai ouvir a m�sica que vou tocar para voc�.</p><p>Tudo bem. Um interl�dio musical. N�o era o que eu estava esperando. Ser� que ele alguma hora faz o que espero? <emphasis>Tomara que n�o seja rap.</emphasis></p><p>� Venha.</p><p>Ele me d� a m�o e me leva at� a cama antiga de quatro colunas. H� grilh�es presos a cada coluna, finas correntes de metal com argolas de couro, brilhando no cetim vermelho.</p><p>Puxa vida, acho que meu cora��o vai pular de dentro do peito, e estou derretendo de dentro para fora, o desejo me percorrendo toda. Seria poss�vel eu estar mais excitada?</p><p>� Fique em p� aqui.</p><p>Estou de frente para a cama. Ele se abaixa e sussurra em meu ouvido.</p><p>� Espere a�. Mantenha os olhos na cama. Imagine que est� deitada a�, amarrada e totalmente � minha merc�.</p><p><emphasis>Ih</emphasis>, <emphasis>caramba.</emphasis></p><p>Ele se afasta um instante, e escuto-o indo buscar alguma coisa perto da porta. Todos os meus sentidos est�o hiperalertas, minha audi��o mais agu�ada. Ele pegou uma coisa na estante de palmat�rias ao lado da porta. <emphasis>Caramba. O que vai fazer?</emphasis></p><p>Sinto-o atr�s de mim. Ele apanha meu cabelo e come�a a tran��-lo.</p><p>� Apesar de gostar das suas marias-chiquinhas, Anastasia, estou impaciente para comer voc� agora mesmo. Ent�o uma tran�a s� vai ter que servir.</p><p>Seu tom de voz � baixo, suave.</p><p>Seus dedos habilidosos ro�am minhas costas de vez em quando ao tran�ar meu cabelo, e cada toque casual � como um doce choque el�trico em minha pele. Ele prende a ponta com um el�stico de cabelo, depois puxa a tran�a com delicadeza, obrigando-me a dar um passo atr�s e ficar encostada nele. Ele puxa de novo para o lado, inclinando minha cabe�a, facilitando seu acesso a meu pesco�o. Esfrega o nariz ali, passando os dentes e a l�ngua da base da minha orelha at� meu ombro, cantarolando baixinho ao fazer isso, e o som repercute em todo o meu corpo. At� ali embaixo... <emphasis>ali,</emphasis> dentro de mim. Instintivamente, gemo baixinho.</p><p>� Sil�ncio, agora � suspira ele colado na minha pele. Levanta as m�os na minha frente, os bra�os encostando nos meus. Na m�o direita, segura um a�oite. Lembro-me do nome da primeira vez que estive neste quarto.</p><p>� Toque nisso � sussurra, soando como o diabo em pessoa.</p><p>Fico em fogo em resposta. Hesitante, estico o bra�o e toco nas fitas compridas. O instrumento tem muitas tiras compridas, todas de camur�a macia arrematadas com continhas na ponta.</p><p>� Vou usar isto. N�o vai doer, mas vai fazer o sangue aflorar � pele e deixar voc� muito sens�vel.</p><p>Ah, ele diz que n�o vai doer.</p><p>� Quais s�o as palavras de seguran�a, Anastasia?</p><p>� Hum... �amarelo� e �vermelho�, senhor � sussurro.</p><p>� Boa garota. Lembre-se, o medo est� na sua cabe�a.</p><p>Ele deixa o a�oite na cama, e suas m�os v�m para minha cintura.</p><p>� Voc� n�o vai precisar disso � murmura, enganchando os dedos na minha calcinha e descendo-a pelas minhas pernas. Desvencilho-me dela, sem firmeza, apoiando-me na coluna enfeitada da cama.</p><p>� Fique parada � ordena ele, e beija meu traseiro, e depois me d� duas mordidinhas, deixando-me tensa. � Agora deite-se, de costas � acrescenta ao me dar uma palmada forte no traseiro, fazendo-me dar um pulo.</p><p>Arrasto-me depressa para a cama e me deito no colch�o duro, olhando para ele. Sinto o cetim do len�ol macio e fresco na pele. A express�o dele � impass�vel, a n�o ser pelos olhos, que brilham com uma excita��o apenas contida.</p><p>� M�os acima da cabe�a � ordena, e obede�o.</p><p><emphasis>Nossa</emphasis>, meu corpo tem fome dele. J� o quero.</p><p>Ele vira, e, de soslaio, observo-o ir de novo at� a c�moda e voltar com o iPod e o que parece uma m�scara para dormir semelhante � que usei no voo para Atlanta. A ideia me d� vontade de rir, mas n�o consigo fazer meus l�bios cooperarem. Estou muito aflita com a expectativa. S� sei que n�o movo um s� m�sculo do rosto e tenho os olhos arregalados ao olhar para ele.</p><p>Sentando na beira da cama, ele me mostra o iPod. O aparelho tem uma antena estranha e fones de ouvido. Que esquisito. Franzo a testa tentando entender.</p><p>� Isso transmite o que est� tocando no iPod para o sistema de som do quarto � Christian responde � minha indaga��o t�cita ao dar tapinhas na pequena antena. � Posso ouvir o que voc� est� ouvindo e tenho um controle remoto para isso.</p><p>Ele d� aquele seu sorriso indolente e segura um pequeno dispositivo chato que parece uma calculadora muito moderna. Debru�a-se sobre mim, inserindo os fones delicadamente nos meus ouvidos, e coloca o iPod em algum lugar na cama acima da minha cabe�a.</p><p>� Levante a cabe�a � ordena, e fa�o isso imediatamente.</p><p>Devagarinho, ele p�e a m�scara em mim, puxando o el�stico na parte de tr�s, e estou cega. O el�stico segura os fones no lugar. Ainda posso ouvi-lo, embora o som esteja abafado quando ele se levanta da cama. Fiquei surda com minha pr�pria respira��o � ela � curta e irregular, refletindo minha excita��o. Christian pega meu bra�o esquerdo, estica-o delicadamente para o canto esquerdo, e prende a argola de couro em meu pulso. Quando termina, afaga meu bra�o inteiro com aqueles dedos compridos. <emphasis>Ah!</emphasis> Seu toque provoca um estremecimento delicioso. Ou�o-o andar de mansinho para o outro lado, onde ele pega meu bra�o direito e coloca a algema. Mais uma vez, passa lentamente aqueles dedos pelo meu bra�o. <emphasis>Ai nossa...</emphasis> j� estou a ponto de explodir. Por que isso � t�o er�tico?</p><p>Ele vai para o p� da cama e pega meus dois tornozelos.</p><p>� Levante a cabe�a de novo � ordena.</p><p>Obede�o, e ele me arrasta para baixo, de modo que fico com os bra�os abertos e quase for�ando as algemas. Caramba, n�o d� para mexer os bra�os. Um estremecimento de inquieta��o combinado com um entusiasmo tentador percorre meu corpo, deixando-me mais molhada. Gemo. Abrindo minhas pernas, ele algema primeiro meu tornozelo direito, depois o esquerdo, de modo que estou paralisada, pernas e bra�os abertos, e totalmente vulner�vel a ele. � muito aflitivo eu n�o poder v�-lo. Esfor�o-me para ouvir... o que ele est� fazendo? E n�o escuto nada, s� minha respira��o e as batidas do meu cora��o enquanto o sangue me lateja furiosamente nos t�mpanos.</p><p>Bruscamente, o chiado do iPod se transforma em m�sica. De dentro da minha cabe�a, uma voz ang�lica canta sem acompanhamento uma longa nota doce, e quase imediatamente uma outra voz se junta a ela, e depois mais vozes � Caramba, um coro celestial � cantando <emphasis>a cappella</emphasis> em minha cabe�a, um hin�rio antiqu�ssimo. <emphasis>O que � isso meu Deus?</emphasis> Nunca ouvi nada parecido. Algo quase insuportavelmente macio ro�a meu pesco�o, descendo languidamente por ele, devagarinho pelo peito, nos meus seios, acariciando-me... puxando meus mamilos, � muito macio, passa ro�ando. � muito <emphasis>inesperado. � de pele! Uma luva de pele?</emphasis></p><p>Christian passa a m�o, sem pressa e com determina��o, na minha barriga, rodeando meu umbigo, depois de um lado do quadril ao outro, e tento prever onde ele vai em seguida... mas a m�sica est� em minha cabe�a... me transportando... a pele, na linha dos meus pelos pubianos... entre minhas pernas, em minhas coxas, descendo por uma perna... subindo pela outra... quase faz c�cegas... mas n�o propriamente... mais vozes entram... o coro celestial todo cantando em v�rias vozes alegres e doces, misturadas numa harmonia mel�dica que est� al�m de tudo que j� ouvi. Capto uma palavra e me dou conta de que est�o cantando em latim. E a pele continua descendo pelos meus bra�os e em volta da cintura... e torna a subir por meus seios. Meus mamilos se intumescem sob o toque suave... e estou arfando, perguntando-me aonde a m�o dele vai em seguida. De repente, a pele some, e sinto as tiras do a�oite no corpo, fazendo o mesmo caminho da pele, e � muito dif�cil me concentrar com a m�sica na cabe�a � parece um coro de cem vozes, tecendo uma tape�aria et�rea de fios de ouro e prata com fibra de seda, misturado com a sensa��o da camur�a macia na minha pele... passando no meu corpo... <emphasis>ai</emphasis>, <emphasis>caramba...</emphasis> desaparece bruscamente. Ent�o, com for�a, as tiras batem na minha barriga.</p><p>� Aaai � grito.</p><p>Sou pega de surpresa, mas n�o d�i exatamente: fica formigando, e ele me bate de novo. Com mais for�a.</p><p>� Aaah!</p><p>Quero me mexer, me contorcer... fugir, ou acolher, cada golpe... n�o sei � isso � muito avassalador... n�o consigo puxar os bra�os... estou com as pernas presas... completamente imobilizada... e, de novo, ele golpeia meus seios � grito. E � uma agonia doce, suport�vel, apenas... agrad�vel... n�o, n�o na mesma hora, mas a cada golpe que estala em minha pele, num contraponto perfeito com a m�sica em minha cabe�a, sou arrastada para uma parte obscura do meu esp�rito que se rende a esta sensa��o mais er�tica que h�. <emphasis>Sim � entendo isso.</emphasis> Ele me bate nos quadris, depois vai me dando golpes r�pidos nos pelos pubianos, nas coxas, e descendo pela parte interna delas... e tornando a subir por meu corpo... pelos quadris. Ele continua enquanto a m�sica chega ao cl�max, e a�, a m�sica para de repente. E ele tamb�m. Ent�o, o coro recome�a... mais forte, mais forte, e ele me d� uma saraivada de golpes... e gemo e me contor�o. Mais uma vez, o coro cessa e tudo fica em sil�ncio... a n�o ser minha respira��o descontrolada... e meu desejo descontrolado. Por... ah... o que est� acontecendo? O que ele vai fazer agora? A excita��o � quase insuport�vel. Entrei num lugar muito obscuro, muito f�sico.</p><p>A cama balan�a e se mexe e eu o sinto deitar em cima de mim; a m�sica recome�a. Ele colocou no <emphasis>repeat</emphasis>... dessa vez, s�o o nariz e os l�bios dele que fazem as vezes de pele... me descendo pelo pesco�o, beijando e chupando... indo para meus seios... Ah! Estimulando cada um dos meus mamilos... a l�ngua girando em volta de um enquanto os dedos brincam sem cessar com o outro... Gemo, alto, acho eu, embora n�o consiga ouvir. Estou perdida. Perdida nele... perdida nas vozes exaltadas, sublimes... perdida para todas as sensa��es de que n�o consigo fugir... Estou inteiramente � merc� do toque experiente dele.</p><p>Ele desce para minha barriga � a l�ngua rodeando meu umbigo � pelo mesmo caminho do a�oite e da pele... gemo. Ele est� beijando e chupando e mordendo... descendo... e, ent�o, est� com a l�ngua <emphasis>ali.</emphasis> No encontro das minhas coxas. Jogo a cabe�a para tr�s e grito quando estou quase chegando � explos�o do orgasmo. Estou quase l�, e ele para.</p><p><emphasis>N�o</emphasis>! A cama se mexe, e ele ajoelha entre minhas pernas. Chega para o lado da coluna da cama, e a algema do meu tornozelo de repente some. Puxo a perna para o meio da cama... descansando-a nele. Ele chega para o outro lado e solta a outra perna. Pega depressa minhas duas pernas, e come�a a manipul�-las e massage�-las, reativando a circula��o. Ent�o, me levanta pelos quadris e me tira da cama. Estou dobrada, deitada de lado. <emphasis>O qu�?</emphasis> Ele est� se ajoelhando entre minhas pernas... e, com um movimento �gil e certeiro, est� dentro de mim... ah<emphasis>... porra...</emphasis> e grito de novo. O estremecimento do meu orgasmo iminente come�a, e ele fica im�vel. O estremecimento passa... <emphasis>ah</emphasis>, <emphasis>n�o...</emphasis> ele vai me torturar mais.</p><p>� Por favor! � choro.</p><p>Ele me segura com mais for�a... para me alertar? N�o sei. Seus dedos comprimem a carne do meu traseiro enquanto estou ali arfando... ent�o, fico deliberadamente im�vel. Muito devagarinho, ele recome�a a se movimentar... saindo e entrando... numa lentid�o agonizante. <emphasis>Puta merda, por favor!</emphasis> Estou gritando por dentro... e ele vai aumentando o ritmo, acompanhando a intensidade da pe�a coral com uma precis�o infinitesimal � � muito controlado... est� totalmente no compasso da m�sica. E n�o consigo suportar mais.</p><p>� Por favor � imploro, e, com um �nico movimento preciso, ele me deita de novo na cama, e est� em cima de mim, apoiado com as m�os na cama ao lado dos meus seios, e me penetra. Quando a m�sica chega ao cl�max, eu caio... em queda livre... no orgasmo mais intenso e agonizante que j� tive, e Christian me acompanha... me penetrando com for�a mais tr�s vezes... e afinal parando, depois desabando em cima de mim.</p><p>Quando minha consci�ncia volta de onde quer que tenha estado, Christian sai de dentro de mim. A m�sica parou, e posso senti-lo se esticar por cima do meu corpo ao soltar a algema em meu pulso direito. Gemo quando minha m�o � libertada. Ele rapidamente solta minha outra m�o, retira a m�scara dos meus olhos e os fones de ouvido. Pisco naquela claridade suave e contemplo seus intensos olhos cinzentos.</p><p>� Oi � murmura ele.</p><p>� Oi � suspiro timidamente em resposta. Seus l�bios se contraem num sorriso, ele se abaixa e me d� um beijo delicado.</p><p>� Muito bem � sussurra ele. � Vire-se de bru�os.</p><p><emphasis>Puta merda �</emphasis> o que ele vai fazer agora? Seu olhar fica mais doce.</p><p>� S� vou esfregar seus ombros.</p><p>� Ah... tudo bem.</p><p>Rolo de bru�os com rigidez. Estou muito cansada. Christian monta em cima de mim e come�a a massagear meus ombros. Dou um gemido alto � ele tem dedos muito fortes e experientes. Abaixa-se e beija minha cabe�a.</p><p>� Que m�sica era aquela? � murmuro quase sem articular as palavras.</p><p>� Chama-se �Spem in Alium�<emphasis>,</emphasis> um moteto para quarenta vozes de Thomas Tallis.</p><p>� Foi... um assombro.</p><p>� Eu sempre quis foder ao som dessa m�sica.</p><p>� Outra primeira vez, Sr. Grey?</p><p>� Com certeza, Srta. Steele.</p><p>Gemo de novo quando seus dedos fazem sua m�gica em meus ombros.</p><p>� Bem, tamb�m � a primeira vez que fodo ao som dessa m�sica � murmuro sonolenta.</p><p>� Humm... voc� e eu estamos sempre tendo primeiras vezes juntos.</p><p>Sua voz � sem emo��o.</p><p>� O que eu disse dormindo, Chris, h�, senhor?</p><p>Suas m�os interrompem por um instante o trabalho.</p><p>� Voc� disse um monte de coisas, Anastasia. Falou em jaulas e morangos... que queria mais... e que sentia minha falta.</p><p>Ah, gra�as a Deus por isso.</p><p>� S�? � Meu tom de al�vio � evidente.</p><p>Christian para aquela massagem divina e se deita a meu lado, a cabe�a apoiada no cotovelo. Est� franzindo as sobrancelhas.</p><p>� O que achou que tivesse dito?</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>merda.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Que eu achava voc� feio, presun�oso, e que era um caso perdido na cama.</p><p>Ele franze mais as sobrancelhas.</p><p>� Bem, naturalmente, sou isso tudo, e agora voc� me deixou muito intrigado. O que est� escondendo de mim, Srta. Steele?</p><p>Pisco para ele com inoc�ncia.</p><p>� N�o estou escondendo nada.</p><p>� Anastasia, voc� � uma nega��o para mentir.</p><p>� Pensei que voc� fosse me fazer rir depois do sexo. Isso n�o est� funcionando.</p><p>Ele sorri.</p><p>� N�o sei contar piada.</p><p>� Sr. Grey! Uma coisa que voc� n�o sabe fazer?</p><p>Rio para ele, e ele ri para mim.</p><p>� N�o, sou uma nega��o para contar piada.</p><p>Ele parece t�o orgulhoso de si que come�o a rir.</p><p>� Eu tamb�m sou uma nega��o para contar piada.</p><p>� Como � bom ouvir isso � murmura ele, e me d� um beijo. � Est� me escondendo alguma coisa, Anastasia. Talvez eu tenha que arrancar isso de voc� sob tortura.</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO VINTE E SEIS</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Acordo com um sobressalto. Penso que acabei de cair escada abaixo num sonho, e me sento depressa, momentaneamente desorientada. Est� escuro, e estou sozinha na cama de Christian. Algo me despertou, um pensamento ruim. Olho para o despertador na mesa de cabeceira dele. S�o cinco da manh�, mas me sinto descansada. Por qu�? Ah � � a diferen�a de fuso hor�rio � s�o oito da manh� na Ge�rgia. <emphasis>Puta merda... preciso tomar a p�lula.</emphasis> Levanto-me da cama, agradecida por seja l� o que tenha me despertado. Ou�o notas ao longe no piano. Christian est� tocando. Isso eu preciso ver. Adoro v�-lo tocar. Nua, pego o roup�o de banho na cadeira e o visto andando pelo corredor ao som m�gico do lamento mel�dico que vem da sala.</p><p>Envolto na escurid�o, Christian toca sentado numa bolha de luz, e seu cabelo brilha com reflexos acobreados. Parece nu, embora eu saiba que est� com a cal�a do pijama. Est� concentrado, tocando lindamente, absorto na melancolia da m�sica. Hesito, observando-o da penumbra, sem querer interromp�-lo. Quero abra��-lo. Ele parece perdido, triste at�, e dolorosamente s� � ou talvez seja apenas a m�sica, impregnada de uma tristeza muito pungente. Ele termina a pe�a, para por uma fra��o de segundo, depois repete-a. Vou me encaminhando com cautela para ele, como a mariposa atra�da pela chama... a ideia me faz sorrir. Ele ergue os olhos para mim e franze a testa antes de tornar a olhar para as m�os.</p><p>Ah, merda, ser� que ele est� puto pelo fato de eu o estar perturbando?</p><p>� Voc� devia estar dormindo � censura num tom af�vel.</p><p>D� para ver que ele est� preocupado com alguma coisa.</p><p>� Voc� tamb�m � retruco num tom n�o t�o af�vel.</p><p>Ele torna a erguer os olhos, esbo�ando um sorriso.</p><p>� Est� me repreendendo, Srta. Steele?</p><p>� Estou sim, Sr. Grey.</p><p>� Bem, n�o consigo dormir.</p><p>Ele torna a franzir a testa e vejo em seu rosto um sinal de irrita��o ou raiva. De mim? Com certeza, n�o.</p><p>Ignoro sua express�o e, numa atitude muito corajosa, sento-me a seu lado no banco do piano, encostando a cabe�a em seus ombros nus para observar seus dedos �geis e habilidosos acariciarem as teclas. Ele faz uma pausa quase impercept�vel e depois continua a pe�a at� o fim.</p><p>� O que estava tocando? � pergunto baixinho.</p><p>� Chopin. �Prel�dio opus vinte e oito, n�mero quatro em mi menor�, se lhe interessar � murmura ele.</p><p>� Sempre me interesso pelo que voc� faz.</p><p>Ele se vira e pressiona docemente os l�bios em meus cabelos.</p><p>� Eu n�o tinha inten��o de acord�-la.</p><p>� N�o acordou. Toque aquela outra.</p><p>� Outra?</p><p>� A pe�a de Bach que tocou na primeira noite em que estive aqui.</p><p>� Ah, �Marcello�.</p><p>Ele come�a a tocar lentamente e com determina��o. Sinto o movimento de suas m�os e seus ombros ali encostada nele de olhos fechados. As notas tristes e sentidas se irradiam num compasso lento e melanc�lico � nossa volta, ecoando nas paredes. � uma pe�a de uma beleza assombrosa, mais triste ainda que a de Chopin, e me perco na beleza do lamento. At� certo ponto, ela reflete como me sinto. O desejo pungente que tenho de conhecer melhor esse homem, de tentar entender a tristeza dele. Antes do que eu gostaria, a pe�a termina.</p><p>� Por que s� toca essas m�sicas tristes?</p><p>Endireito-me no banco e vejo-o encolher os ombros em resposta � minha pergunta com uma express�o desconfiada.</p><p>� Ent�o voc� s� tinha seis anos quando come�ou a tocar? � provoco.</p><p>Ele balan�a a cabe�a, com uma express�o mais desconfiada ainda. Passado um instante, fala.</p><p>� Eu me dediquei a aprender piano para agradar minha m�e.</p><p>� Para se encaixar na fam�lia perfeita?</p><p>� Sim, por assim dizer � responde evasivo. � Por que est� acordada? N�o precisa se recuperar dos esfor�os de ontem?</p><p>� S�o oito da manh� para mim. E preciso tomar a p�lula.</p><p>Ele ergue as sobrancelhas, surpreso.</p><p>� Bem lembrado � murmura, e d� para ver que est� impressionado. � S� voc� come�aria a usar uma p�lula que tenha hora certa para ser tomada numa regi�o de fuso hor�rio diferente. Talvez deva esperar meia hora e depois mais meia hora amanh� de manh�. A�, acabar� chegando a um hor�rio razo�vel.</p><p>� �timo plano � suspiro. � Ent�o o que faremos em meia hora? � pisco inocentemente para ele.</p><p>� Posso pensar em algumas coisas.</p><p>Ele sorri lascivamente. Olho impass�vel para ele, com as entranhas derretendo sob seu olhar c�mplice.</p><p>� Poder�amos conversar � sugiro calmamente.</p><p>Ele fica amuado.</p><p>� Prefiro o que tenho em mente.</p><p>Ele me p�e no colo.</p><p>� Voc� sempre prefere fazer sexo a conversar.</p><p>Rio, e me seguro nele para me equilibrar.</p><p>� � verdade. Especialmente com voc�. � Ele esfrega o nariz em meu cabelo e come�a a deixar uma trilha de beijos do meu ouvido at� meu pesco�o. � Talvez no piano � sussurra.</p><p><emphasis>Ai</emphasis>, <emphasis>nossa.</emphasis> Meu corpo todo se contrai diante dessa ideia. <emphasis>Piano. Nossa.</emphasis></p><p>� Quero esclarecer uma coisa � sussurro, enquanto minha pulsa��o come�a a acelerar, e minha deusa interior fecha os olhos, deleitando-se com a sensa��o dos l�bios dele nos meus.</p><p>Ele para um pouco antes de prosseguir com aquele ataque sensual.</p><p>� Sempre muito ansiosa por informa��es, Srta. Steele. O que precisa de esclarecimento? � suspira colado em minha nuca, continuando a trilha de beijos doces.</p><p>� N�s � sussurro fechando os olhos.</p><p>� Hum. O que tem n�s?</p><p>Ele interrompe os beijos em meu ombro.</p><p>� O contrato.</p><p>Ele levanta a cabe�a para me olhar, a express�o divertida, e suspira, acariciando minha bochecha com a ponta dos dedos.</p><p>� Bem, acho que o contrato � irrelevante, voc� n�o acha? � Sua voz � grave e rouca, seus olhos, meigos.</p><p>� Irrelevante?</p><p>� Irrelevante.</p><p>Ele sorri. Olho para ele curiosa.</p><p>� Mas voc� estava t�o entusiasmado.</p><p>� Bem, isso foi antes. Enfim, as Regras n�o s�o irrelevantes, ainda est�o de p�.</p><p>Sua express�o fica ligeiramente mais dura.</p><p>� Antes? Antes de qu�?</p><p>� Antes do... � Ele para, e a express�o desconfiada volta. � Mais. � Encolhe os ombros.</p><p>� Ah.</p><p>� Al�m disso, j� estivemos duas vezes no quarto de jogos, e voc� n�o fugiu gritando.</p><p>� Esperava que eu fugisse?</p><p>� Nada que voc� faz � esperado, Anastasia � diz ele secamente.</p><p>� Ent�o vou ser clara. Voc� s� quer que eu siga a parte das Regras do contrato o tempo todo mas n�o o restante do contrato?</p><p>� Menos no quarto de jogos. Quero que siga o esp�rito do contrato no quarto de jogos, e sim, quero que voc� siga as Regras, o tempo todo. Ent�o saberei que estar� segura, e eu poderei ter voc� sempre que quiser.</p><p>� E se eu infringir uma das Regras?</p><p>� A� eu vou puni-la.</p><p>� Mas n�o vai precisar da minha permiss�o?</p><p>� Vou, sim.</p><p>� E se eu n�o der?</p><p>Ele me olha um instante, com uma express�o confusa.</p><p>� Se voc� n�o der, vou ter que encontrar um jeito de persuadi-la.</p><p>Eu me afasto dele e me levanto. Preciso me distanciar. Ele fecha a cara e olha para mim. Parece intrigado e desconfiado de novo.</p><p>� Ent�o o lado da puni��o permanece.</p><p>� Sim, mas s� se voc� infringir as Regras.</p><p>� Vou precisar rel�-las � digo, tentando recordar o detalhe.</p><p>� Vou busc�-las para voc�.</p><p>O tom dele de repente fica profissional.</p><p><emphasis>Puxa.</emphasis> O assunto ficou s�rio muito depressa. Ele se levanta do piano e vai num passo �gil at� o escrit�rio. Meu couro cabeludo comicha. Preciso de um ch�. O futuro de nossa assim chamada rela��o est� sendo discutido �s cinco e quarenta e cinco da manh� quando ele est� preocupado com outra coisa � ser� que isso � prudente? Vou para a cozinha, que continua �s escuras. Cad� os interruptores de luz? Encontro-os, acendo-os, e ponho �gua na chaleira. <emphasis>Minha p�lula!</emphasis> Procuro dentro da bolsa, que deixei no balc�o da cozinha, e logo encontro a caixa. Um gole e pronto. Quando termino, Christian est� de volta, sentado num dos bancos, observando-me com aten��o.</p><p>� Aqui est�.</p><p>Ele empurra uma folha impressa na minha dire��o, e vejo que riscou umas coisas.</p><empty-line/><p><strong>REGRAS</strong></p><p><emphasis>Obedi�ncia:</emphasis></p><p>A Submissa obedecer� a quaisquer instru��es dadas pelo Dominador imediatamente, sem hesita��o ou reserva, e com presteza. A Submissa concordar� com qualquer atividade sexual que o Dominador julgar adequada e prazerosa salvo aquelas atividades que est�o resumidas em limites r�gidos (Ap�ndice 2). Ela far� isso avidamente e sem hesita��o.</p><p><emphasis>Sono</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>A Submissa assegurar� alcan�ar um m�nimo de sete horas de sono por noite quando n�o estiver com o Dominador.</p><p><emphasis>Alimenta��o</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p><strikethrough>A submissa consumir� regularmente os alimentos previamente listados (Ap�ndice 4) para conservar a sa�de. A Submissa n�o comer� nada entre as refei��es, com a exce��o de frutas.</strikethrough></p><p><emphasis>Roupas</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>Durante a Vig�ncia, a Submissa s� usar� roupas aprovadas pelo Dominador. O Dominador fornecer� � Submissa um or�amento para o vestu�rio, que a Submissa dever� usar. O Dominador acompanhar� <emphasis>ad hoc</emphasis> a Submissa nas compras de vestu�rio. Se o Dominador solicitar, a Submissa usar�, durante a Vig�ncia deste contrato, quaisquer adornos solicitados pelo Dominador, na presen�a do Dominador e em qualquer outra hora que o Dominador julgar adequado.</p><p><emphasis>Exerc�cios</emphasis><emphasis>:</emphasis></p><p>O Dominador fornecer� � Submissa um personal trainer para sess�es de uma hora de exerc�cios, <strikethrough>quatro</strikethrough> tr�s vezes por semana, em hor�rio a ser combinado de comum acordo entre o personal trainer e a Submissa. O personal trainer reportar� ao Dominador o progresso da Submissa.</p><p><emphasis>Higiene pessoal/Beleza:</emphasis></p><p>A Submissa se manter� sempre limpa e com os pelos raspados e/ou depilados. A Submissa visitar� um sal�o de beleza � escolha do Dominador com frequ�ncia a ser decidida pelo Dominador e se submeter� a tratamentos que o Dominador julgar adequados.</p><p><emphasis>Seguran�a pessoal:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se exceder� na bebida, n�o fumar�, n�o far� uso de drogas recreativas nem se colocar� desnecessariamente em qualquer situa��o de risco.</p><p><emphasis>Qualidades pessoais:</emphasis></p><p>A Submissa n�o se envolver� em quaisquer rela��es sexuais com qualquer outra pessoa sen�o o Dominador. A Submissa se conduzir� sempre de forma respeitosa e recatada. Ela deve reconhecer que seu comportamento se reflete diretamente no Dominador. Ela ser� responsabilizada por quaisquer crimes, delitos e m� conduta incorridos quando n�o na presen�a do Dominador.</p><empty-line/><p><strong>O n�o cumprimento de quaisquer das regras acima resultar� em puni��o imediata, cuja natureza ser� determinada pelo Dominador.</strong></p><empty-line/><p>� Ent�o o neg�cio da obedi�ncia continua de p�?</p><p>� Sim. � Ele sorri.</p><p>Balan�o a cabe�a, achando gra�a, e, antes que eu me d� conta, reviro os olhos para ele.</p><p>� Voc� revirou os olhos para mim, Anastasia? � sussurra ele.</p><p><emphasis>Ai, porra.</emphasis></p><p>� � poss�vel, depende de qual seja sua rea��o.</p><p>� A mesma de sempre � diz ele, balan�ando a cabe�a, os olhos acesos.</p><p>Engulo em seco instintivamente e um estremecimento de excita��o me percorre.</p><p>� Ent�o... � <emphasis>Puta merda. O que vou fazer?</emphasis></p><p>� Sim? � Ele passa a l�ngua no l�bio inferior.</p><p>� Quer me bater agora?</p><p>� Quero. E vou.</p><p>� Ah, � mesmo, Sr. Grey? � desafio, rindo para ele. � um jogo a dois.</p><p>� Vai me impedir?</p><p>� Primeiro voc� vai ter que me pegar.</p><p>Ele arregala os olhos um pouquinho e sorri, levantando-se devagar.</p><p>� Ah, � mesmo, Srta. Steele?</p><p>O balc�o da cozinha est� entre n�s. Nunca agradeci tanto a sua exist�ncia quanto neste momento.</p><p>� E voc� est� mordendo o l�bio � suspira ele, chegando devagarinho para a sua esquerda enquanto chego para a minha.</p><p>� Voc� n�o faria isso � provoco. � Afinal, voc� revira os olhos.</p><p>Tento raciocinar com ele. Ele continua a chegar para sua esquerda, como eu.</p><p>� Sim, mas voc� acaba de estabelecer um padr�o de excita��o mais alto com esse jogo. � Seus olhos ardem, s�fregos.</p><p>� Sou muito �gil, voc� sabe. � Experimento demonstrar displic�ncia.</p><p>� Eu tamb�m.</p><p>Ele est� me perseguindo em sua pr�pria cozinha.</p><p>� Voc� vem caladinha? � pergunta ele.</p><p>� Vou?</p><p>� Srta. Steele, como assim? � Ele d� uma risadinha. � Vai ser pior para voc� se eu tiver que ir peg�-la.</p><p>� S� se voc� me pegar, Christian. E, no momento, n�o pretendo deixar voc� fazer isso.</p><p>� Anastasia, voc� pode cair e se machucar. E com isso vai estar infringindo a regra n�mero sete, agora, seis.</p><p>� Ando em perigo desde que conheci voc�, Sr. Grey, com ou sem regras.</p><p>� Sim, � verdade.</p><p>Ele para, e fecha a cara.</p><p>De repente, avan�a sobre mim, fazendo-me gritar e correr para a mesa da sala de jantar. Consigo fugir, colocando a mesa entre n�s. Meu cora��o est� disparado e j� senti uma descarga de adrenalina... puxa... isso � emocionante. Voltei a ser crian�a, embora isso n�o esteja certo. Observo-o com cautela vir andando decidido para mim. Vou me afastando aos poucos.</p><p>� Voc� sabe mesmo distrair um homem, Anastasia.</p><p>� Nosso objetivo � satisfazer, Sr. Grey. Distra�-lo de qu�?</p><p>� Da vida. Do universo. � Ele faz um gesto vago com uma das m�os.</p><p>� Voc� pareceu, sim, muito preocupado quando estava brincando.</p><p>Ele para e cruza os bra�os, a express�o divertida.</p><p>� Podemos passar o dia inteiro fazendo isso, baby, mas eu vou peg�-la, e simplesmente vai ser pior para voc� quando isso acontecer.</p><p>� Voc� n�o me pega, n�o.</p><p>N�o posso ser excessivamente confiante. Repito isso como um mantra. Meu inconsciente achou os t�nis, e est� em posi��o de largada.</p><p>� Qualquer pessoa acharia que voc� n�o quer que eu te pegue.</p><p>� Eu n�o quero. A quest�o � essa. Sinto-me em rela��o � puni��o do mesmo jeito que se sente ao ser tocado por mim.</p><p>A atitude dele muda numa fra��o de segundo. O Christian brincalh�o desaparece, e ele fica olhando para mim como se eu o tivesse esbofeteado. Est� l�vido.</p><p>� � esse o seu sentimento? � sussurra ele.</p><p>Essas cinco palavras, e a forma como ele as pronuncia, dizem muito.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis> Elas me dizem muito mais sobre ele e sobre como ele se sente. Falam do seu medo e de sua avers�o. Franzo as sobrancelhas. N�o, o que eu sinto n�o � t�o forte. De jeito nenhum. �?</p><p>� N�o. Isso n�o me afeta tanto, mas d� uma ideia � murmuro, fitando-o com ansiedade.</p><p>� Ah � diz ele.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> Ele parece completa e absolutamente perdido, como se eu tivesse puxado o tapete de debaixo dos p�s.</p><p>Respirando fundo, dou a volta na mesa at� estar parada na frente dele, fitando seus olhos apreensivos.</p><p>� Voc� odeia tanto isso? � suspira ele, horrorizado.</p><p>� Bem... n�o � tranquilizo-o. <emphasis>Nossa, � isso que ele sente em rela��o a ser tocado?</emphasis> � N�o. Tenho um sentimento ambivalente em rela��o a isso. N�o gosto, mas n�o odeio.</p><p>� Mas ontem � noite, no quarto de jogos, voc�...</p><p>� Fa�o isso por voc�, Christian, porque voc� precisa. Eu n�o. Voc� n�o me machucou ontem � noite. Aquilo foi num contexto diferente, e consigo racionalizar isso internamente, e confio em voc�. Mas quando voc� quer me punir, fico com medo de que me machuque.</p><p>Seus olhos escurecem como uma tempestade turbulenta. Passa um bom tempo at� ele responder docemente.</p><p>� Quero machucar voc�. Mas n�o al�m do que voc� � capaz de aguentar.</p><p><emphasis>Porra!</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Por qu�?</p><p>Ele passa a m�o pelo cabelo, e d� de ombros.</p><p>� Eu simplesmente preciso disso. � Faz uma pausa, olhando angustiado para mim, fecha os olhos e balan�a a cabe�a. � N�o sei dizer.</p><p>� N�o sabe ou n�o quer?</p><p>� N�o quero.</p><p>� Ent�o sabe por qu�.</p><p>� Sei.</p><p>� Mas n�o quer me dizer.</p><p>� Se eu disser, voc� vai sair correndo dessa sala para nunca mais voltar. � Ele me olha desconfiado. � N�o posso correr esse risco, Anastasia.</p><p>� Quer que eu fique?</p><p>� Mais do que voc� pensa. Eu n�o suportaria perd�-la.</p><p><emphasis>Nossa.</emphasis></p><p>Ele me olha, e, de repente, me puxa para seus bra�os e est� me beijando, beijando-me com paix�o. Isso me pega completamente desprevenida, e sinto seu p�nico e sua car�ncia desesperada naquele beijo.</p><p>� N�o me deixe. Dormindo, voc� disse que n�o me deixaria, e me implorou para que eu n�o a deixasse � murmura ele em meus l�bios.</p><p><emphasis>Ah... as minhas confiss�es noturnas.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> Eu n�o quero ir embora.</p><p>E fico com o cora��o apertado, virado pelo avesso.</p><p>Este � um homem carente. Seu medo � �bvio, mas ele est� perdido... em algum lugar em sua escurid�o. Seus olhos est�o arregalados, tristes e torturados. Posso tranquiliz�-lo, juntando-me a ele por um instante na escurid�o e traz�-lo para a luz.</p><p>� Mostre � sussurro.</p><p>� Mostrar?</p><p>� Mostre o quanto isso pode doer.</p><p>� O qu�?</p><p>� A puni��o. Quero saber at� que ponto pode ser doloroso.</p><p>Christian recua, completamente confuso.</p><p>� Voc� experimentaria?</p><p>� Sim. Eu disse que experimentaria.</p><p>Mas tenho outro motivo. Se eu fizer isso por ele, talvez ele me deixe toc�-lo.</p><p>Ele pisca.</p><p>� Ana, voc� � muito confusa.</p><p>� Eu estou confusa. Estou tentando entender. E voc� vai saber, de uma vez por todas, se eu consigo fazer isso. Se eu conseguir lidar com isso, ent�o talvez voc�...</p><p>As palavras me faltam, e seus olhos tornam a se arregalar. Ele sabe que estou me referindo � quest�o do toque. Por um momento, ele parece dilacerado, mas depois uma determina��o ferrenha se instala em suas fei��es, e ele aperta os olhos, olhando-me com curiosidade, como se estivesse ponderando alternativas.</p><p>Bruscamente, ele me segura firme pelo bra�o, e sobe comigo para o quarto de jogos. Prazer e dor, recompensa e puni��o � suas palavras de muito tempo atr�s ecoam em minha mente.</p><p>� Vou mostrar o quanto pode machucar � e voc� pode tomar sua decis�o. � Ele para ao lado da porta. � Est� preparada?</p><p>Balan�o a cabe�a, j� decidida, e fico vagamente atordoada, sentindo o sangue me fugir do rosto.</p><p>Ele abre a porta e, ainda segurando meu bra�o, pega o que parece um cinto da estante ao lado da porta, depois me leva para o banco de couro vermelho na outra ponta do quarto.</p><p>� Debruce no banco � murmura com do�ura.</p><p>Tudo bem, d� para eu fazer isso. Debru�o-me no couro liso e macio. Ele me deixou de roup�o. Numa parte sossegada do meu c�rebro, estou vagamente surpresa por ele n�o ter me obrigado a despi-lo. <emphasis>Puta merda, isso vai doer... eu sei.</emphasis></p><p>� Estamos aqui porque voc� disse sim, Anastasia. E fugiu de mim. Vou bater seis vezes, e voc� vai contar comigo.</p><p>Por que ele simplesmente n�o bate logo? Ele sempre complica tanto a a��o de me punir. Reviro os olhos, sabendo perfeitamente bem que ele n�o me v�.</p><p>Ele levanta a barra do meu roup�o, e, por alguma raz�o, isso d� uma sensa��o de intimidade maior do que a nudez. Acaricia delicadamente minha bunda, passando as m�os quentes nas duas n�degas e descendo at� o alto das coxas.</p><p>� Estou fazendo isso para voc� se lembrar de n�o fugir de mim, e, por mais excitante que isso seja, eu n�o quero nunca que voc� fuja de mim � sussurra ele.</p><p>E n�o deixo de perceber a ironia. Eu estava fugindo para evitar isso. Se ele tivesse aberto os bra�os, eu teria corrido para ele, n�o dele.</p><p>� E voc� revirou os olhos para mim. Voc� sabe o que eu acho disso.</p><p>De repente, aquele tom aflito e assustado em sua voz desaparece. Ele voltou de onde quer que tenha estado. Ou�o isso em sua voz, no jeito que ele p�e os dedos nas minhas costas, me segurando � e o clima no quarto muda.</p><p>Fecho os olhos, preparando-me para o golpe. Ele vem com for�a, batendo no meu traseiro, e o impacto da correada � tudo que eu temia. Grito automaticamente e aspiro uma enorme tragada de ar.</p><p>� Conte, Anastasia � ordena ele.</p><p>� Um! � grito para ele, e a palavra soa como um expletivo.</p><p>Ele torna a me bater, e a dor lateja e ecoa ao longo da correada. <emphasis>Puta merda... isso arde.</emphasis></p><p>� Dois! � grito.</p><p>A sensa��o de gritar � muito boa.</p><p>A respira��o dele est� ofegante e �spera, e a minha � quase inexistente enquanto tento me concentrar para encontrar um pouco de for�a mental. Levo mais uma correada.</p><p>� Tr�s!</p><p>As l�grimas brotam em meus olhos, inoportunas. Isso � pior do que eu pensava, muito pior do que espancamento. Ele n�o est� pegando leve.</p><p>� Quatro! � grito, e a correia torna a estalar, e agora as l�grimas me escorrem pelo rosto.</p><p>N�o quero chorar. Fico com raiva de estar chorando. Ele me bate de novo.</p><p>� Cinco!</p><p>Minha voz � mais um solu�o engasgado, estrangulado, e, neste momento, penso que o odeio. Mais uma, n�o aguento mais. Meu traseiro est� pegando fogo.</p><p>� Seis � sussurro, sentindo de novo na pele a dor abrasadora, e escuto-o largar a correia atr�s de mim, e ele est� me puxando para seus bra�os, todo ofegante e compassivo... e eu n�o quero nada com ele.</p><p>� Solte-me... n�o...</p><p>E me dou conta de que estou me debatendo para me desvencilhar dele, empurrando-o. Lutando com ele.</p><p>� N�o me toque! � sibilo.</p><p>Endireito-me e olho para ele, e ele est� me observando como se eu pudesse sair correndo, olhos arregalados, desconcertado. Limpo as l�grimas com as costas da m�o, irritada, fuzilando-o com os olhos.</p><p>� � disso que voc� realmente gosta? De mim, assim? � Uso a manga do roup�o para secar o nariz.</p><p>Ele me olha desconfiado.</p><p>� Bem, voc� � um filho da puta.</p><p>� Ana � apela ele, chocado.</p><p>� N�o se atreva a apelar para mim! Voc� precisa se resolver, Grey!</p><p>E, com isso, dou meia-volta com firmeza e saio do quarto de jogos, fechando a porta calmamente ao passar.</p><p>Segurando a ma�aneta, fico um instante encostada na porta atr�s de mim. Aonde ir? Ser� que fujo? Ser� que fico? Estou muito furiosa, l�grimas escaldantes me escorrem pelo rosto, e eu as afasto com um gesto violento. S� quero ficar encolhida. Ficar encolhida e me recuperar de algum modo. Recompor minha f� abalada. Como pude ser t�o idiota? Claro que isso d�i.</p><p>Timidamente, esfrego minha bunda. Aah! Est� doendo. Aonde ir? N�o para o quarto dele. Para o meu quarto, ou para o quarto que ser� meu, n�o, <emphasis>�</emphasis> meu... <emphasis>era</emphasis> meu. Era por isso que ele queria que eu ficasse com esse quarto. Ele sabia que eu precisaria ficar longe dele.</p><p>Corro para l� toda r�gida, consciente de que Christian pode me seguir. Ainda est� escuro no quarto, a aurora � apenas um fiapo no horizonte. Ajeito-me desajeitada na cama, tomando cuidado para n�o me sentar sobre a parte dolorida. N�o tiro o roup�o e me enrolo nele, encolhida, e desabo � solu�ando violentamente no travesseiro.</p><p><emphasis>O que eu estava pensando?</emphasis> Por que deixei que ele fizesse isso comigo? Eu queria o lado escuro, explorar qu�o ruim poderia ser � mas � muito escuro para mim. N�o posso fazer isso. No entanto, � o que ele faz. � assim que ele tem prazer.</p><p>Que toque monumental para me acordar. E, para ser justa com ele, ele me avisou v�rias vezes. Ele n�o � normal. Tem car�ncias que n�o posso satisfazer. Vejo isso agora. N�o quero que torne a me bater assim, jamais. Penso nas duas vezes em que me bateu, e em qu�o af�vel foi comigo em compara��o a hoje. Ser� que isso lhe basta? Solu�o com mais for�a no travesseiro. Vou perd�-lo. Ele n�o vai querer estar comigo se eu n�o lhe der isso. Por que, por que, por que me apaixonei por ele? Por qu�? Por que n�o posso amar Jos�, ou Paul Clayton, ou algu�m feito eu?</p><p>Ah, o olhar desconsolado dele quando fui embora. Fui muito cruel, chocada com a selvageria... ser� que ele vai me perdoar?... ser� que eu vou perdo�-lo? Meus pensamentos est�o todos malucos e confusos, ecoando e ricocheteando no interior do meu cr�nio. Meu inconsciente balan�a a cabe�a, e minha deusa interior sumiu. Ah, esta � uma manh� de alma negra para mim. Estou s�. Quero minha m�e. Eu me lembro de suas palavras de despedida no aeroporto.</p><p><emphasis>Fa�a o que seu cora��o mandar, querida, e, por favor, por favor, tente n�o pensar demais. Relaxe e aproveite a vida. Voc� � muito jovem, querida. Ainda tem muito que viver, simplesmente deixe rolar. Voc� merece o melhor de tudo.</emphasis></p><p>Fiz, sim, o que meu cora��o mandou, e fiquei com a bunda doendo e o esp�rito abatido por causa disso. Tenho que ir. Chega... Tenho que ir embora. Ele n�o serve para mim, e eu n�o sirvo para ele. Como podemos fazer isso dar certo? E a ideia de n�o tornar a v�-lo praticamente me sufoca... meu Cinquenta Tons.</p><p>Ou�o a porta abrir. <emphasis>Ah n�o � ele est� aqui.</emphasis> Ele p�e uma coisa na mesa de cabeceira, e sinto a cama mexer com seu peso quando ele se deita atr�s de mim.</p><p>� Quieta � suspira, e quero me afastar dele, chegar para o outro lado da cama, mas estou paralisada. N�o consigo me mexer e fico ali, r�gida, inflex�vel. � N�o brigue comigo, Ana, por favor � diz docemente, puxando-me para seus bra�os, enterrando o nariz no meu cabelo, beijando-me o pesco�o. � N�o me odeie � diz baixinho, colado em mim, a voz trist�ssima. Sinto outra vez um aperto no cora��o e desabafo com uma onda de solu�os mudos. Ele continua me dando beijos ternos, mas eu continuo alheia e ressabiada.</p><p>Ficamos s�culos deitados assim sem dizer palavra. Ele se limita a me abra�ar, e, aos pouquinhos, vou relaxando e paro de chorar. A aurora chega e vai embora, e a luminosidade suave vai aumentando � medida que amanhece, e continuamos ali calados.</p><p>� Trouxe um Advil e um creme de arnica para voc� � diz ele muito tempo depois.</p><p>Viro-me muito devagar para ficar de frente para ele. Estou com a cabe�a deitada em seu bra�o. Seu olhar duro � cauteloso.</p><p>Olho para aquele rosto lindo. Ele n�o est� revelando nada, mas continua me fitando, sem piscar. Ah, ele � t�o impressionantemente lindo... Em pouqu�ssimo tempo, tornou-se uma pessoa t�o querida para mim. Levanto o bra�o para afagar seu rosto, passando as pontas dos dedos naquela barba por fazer. Ele fecha os olhos e solta a respira��o.</p><p>� Eu sinto muito � murmuro.</p><p>Ele abre os olhos e me olha intrigado.</p><p>� Por qu�?</p><p>� Pelo que eu disse.</p><p>� Voc� n�o me disse nada que eu n�o soubesse. � E seu olhar aliviado fica mais suave. � Sinto muito por ter machucado voc�.</p><p>Encolho os ombros.</p><p>� Eu pedi.</p><p>E agora sei. Engulo em seco. L� vai. Preciso dizer a minha parte.</p><p>� Acho que n�o posso ser tudo que voc� quer que eu seja.</p><p>Ele arregala os olhos e pisca, de novo com aquele olhar ressabiado.</p><p>� Voc� � tudo que eu quero que seja.</p><p><emphasis>O qu�?</emphasis></p><p>� N�o entendo. Eu n�o sou obediente e voc� pode ter certeza que n�o vou deixar voc� fazer <emphasis>aquilo</emphasis> comigo de novo. E � disso que voc� precisa, voc� disse.</p><p>Ele torna a fechar os olhos, e vejo milhares de emo��es passando pelo seu rosto. Quando os abre, sua express�o � de desalento. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis></p><p>� Tem raz�o. Eu devo deixar voc� ir embora. N�o sirvo para voc�.</p><p>Meu couro cabeludo comicha e fico toda arrepiada, e o mundo me foge, deixando um abismo imenso � minha frente para eu cair. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis></p><p><emphasis>�</emphasis> N�o quero ir � sussurro.</p><p>Porra, � isso a�. D� ou desce. Mais uma vez, meus olhos ficam marejados.</p><p>� Tamb�m n�o quero que v� � sussurra ele, a voz rouca. Afaga meu rosto com do�ura e limpa uma l�grima com o polegar. � Fiquei cheio de vida desde que conheci voc�.</p><p>Seu polegar tra�a o contorno do meu l�bio inferior.</p><p>� Eu tamb�m � sussurro. � Eu me apaixonei por voc�, Christian.</p><p>Ele torna a arregalar os olhos, mas, agora, de puro e aut�ntico medo.</p><p>� N�o � sussurra ele como se eu tivesse lhe dado um soco.</p><p><emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o.</emphasis></p><p>� Voc� n�o pode me amar, Ana. N�o... � um erro.</p><p>Ele est� apavorado.</p><p>� Errado? Errado por qu�?</p><p>� Bem, olha s� pra voc�. N�o posso fazer voc� feliz.</p><p>A voz dele � angustiada.</p><p><emphasis>�</emphasis> Mas voc� me faz feliz.</p><p>Fico s�ria.</p><p>� N�o no momento, n�o fazendo o que quero fazer.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis> � isso a� mesmo. Tudo se resume a isso � incompatibilidade � e penso em todas aquelas pobres submissas.</p><p>� A gente nunca vai superar isso, n�o �? � pergunto, apavorada.</p><p>Ele balan�a a cabe�a, desanimado. Fecho os olhos. N�o aguento olhar para ele.</p><p>� Bem... � melhor eu ir, ent�o � murmuro, fazendo uma careta ao me sentar na cama.</p><p>� N�o, n�o v�.</p><p>Ele parece em p�nico.</p><p>� N�o adianta eu ficar.</p><p>De repente, sinto-me cansada, cansad�ssima mesmo, e quero ir embora j�. Levanto da cama, e Christian me acompanha.</p><p>� Vou me vestir. Gostaria de um pouco de privacidade � digo, num tom mon�tono e vazio ao deix�-lo em p� ali no quarto.</p><p>Ao descer as escadas, olho a grande sala, pensando em como, h� apenas algumas horas, eu descansara a cabe�a em seu ombro enquanto ele tocava piano. Tanta coisa aconteceu desde ent�o. Abri os olhos e entrevi a extens�o de sua deprava��o, e agora sei que ele n�o tem capacidade de amar � de dar e receber amor. O que eu mais temia aconteceu. E o estranho � que isso me torna livre.</p><p>A dor � tamanha que me recuso a reconhec�-la. Sinto-me anestesiada. De certa forma, sa� do meu corpo e sou agora uma mera observadora dessa trag�dia que vem pela frente. Tomo tranquilamente uma ducha r�pida, focando apenas em cada um dos momentos seguintes. Apertar o vidro de sabonete l�quido. Colocar o sabonete l�quido de volta na prateleira. Esfregar a bucha no rosto, nos ombros... e no corpo todo, s� a��es simples, exigindo apenas pensamentos simples e mec�nicos.</p><p>Termino o banho � e, como n�o lavei a cabe�a, posso me secar depressa. Visto o roup�o e pego a cal�a jeans e a camisa na minha mala. A cal�a arranha meu traseiro, mas, sinceramente, � uma dor que acho positiva, pois me distrai do que est� acontecendo com meu cora��o despeda�ado.</p><p>Abaixo-me para fechar a mala e bato o olho na sacola com o presente de Christian, o kit de um planador Blanik L23, um aeromodelo para ele montar. As l�grimas amea�am. <emphasis>Ah</emphasis>, <emphasis>n�o...</emphasis> tempos mais felizes, quando havia esperan�a de mais. Tiro o kit da caixa, sabendo que preciso dar o presente a ele. Arranco uma folha do meu caderno, escrevo �s pressas um bilhete para ele e o deixo em cima da caixa.</p><empty-line/><p>Isso me faz lembrar uma �poca feliz.</p><p>Obrigada.</p><empty-line/><p>Ana.</p><empty-line/><p>Olho-me no espelho. Um fantasma p�lido e atormentado olha para mim. Fa�o um coque e n�o tomo conhecimento de qu�o inchadas est�o minhas p�lpebras de tanto chorar. Meu inconsciente aprova com um aceno de cabe�a. At� ele sabe n�o ser debochado agora. N�o posso acreditar que meu mundo esteja desmoronando e virando um monte est�ril de cinzas � minha volta, todos os meus sonhos e as minhas esperan�as desfeitos. N�o, n�o, n�o pense nisso. Agora n�o, ainda n�o. Respirando fundo, pego a mala, e, depois de deixar o kit do planador com o bilhete no travesseiro dele, vou para a sala.</p><p>Christian est� ao telefone, de cal�a jeans preta e camisa de malha, descal�o.</p><p>� Ele disse o qu�? � grita, sobressaltando-me. � Bem, ele poderia ter nos dito a verdade, porra. Qual � o telefone dele? Preciso ligar para ele... Welch, isso � uma verdadeira cagada. � Ele n�o tira aqueles olhos escuros e sorumb�ticos de mim. � Encontre-a � diz secamente e desliga.</p><p>Vou at� o sof� e pego a mochila, fazendo o poss�vel para ignor�-lo. Tiro o Mac dali de dentro e volto para a cozinha, colocando o laptop cuidadosamente no balc�o, junto com o BlackBerry e a chave do carro. Quando me viro, ele est� me olhando estupefato e horrorizado.</p><p>� Preciso do dinheiro que o Taylor conseguiu com meu fusca.</p><p>Minha voz est� clara e calma, sem emo��o... <emphasis>extraordin�rio.</emphasis></p><p>� Ana, eu n�o quero essas coisas, elas s�o suas � diz ele incr�dulo. � Leve-as com voc�.</p><p>� N�o, Christian. Eu s� aceitei como empr�stimo, e n�o as quero mais.</p><p>� Ana, seja sensata � at� agora ele me censura.</p><p>� N�o quero nada que me lembre de voc�. S� preciso do dinheiro que Taylor conseguiu com meu carro.</p><p>Minha voz � bem mon�tona.</p><p>Ele arqueja.</p><p>� Est� realmente tentando me magoar?</p><p>� N�o. � Fico s�ria, olhando para ele. Claro que n�o... eu te amo. � N�o estou. Estou tentando me proteger � sussurro. Porque voc� n�o me quer do jeito que eu quero voc�.</p><p>� Por favor, Ana, leve essas coisas.</p><p>� Christian, eu n�o quero brigar. S� preciso do dinheiro.</p><p>Ele estreita os olhos, mas j� n�o me intimida. Bem, s� um pouquinho. Olho impass�vel para ele, sem pestanejar nem recuar.</p><p>� Aceita cheque? � pergunta ele, �cido.</p><p>� Aceito. Acho que voc� tem cr�dito para isso.</p><p>Ele n�o sorri, apenas se vira e vai para o est�dio. Corro os olhos demoradamente uma �ltima vez pelo apartamento dele � pelas obras de arte nas paredes � todas abstratas, serenas, pl�cidas... frias, at�. <emphasis>Combina,</emphasis> penso distraidamente. Meus olhos se deixam ir para o piano. Putz � se eu tivesse ficado de boca fechada, ter�amos feito amor em cima do piano. N�o, ter�amos fodido, fodido em cima do piano. Bem, eu teria feito amor. A ideia me pesa na mente e no que me resta de cora��o. Ele nunca fez amor comigo, n�o �? Para ele, fazer amor sempre foi foder.</p><p>Christian volta e me entrega um envelope.</p><p>� Taylor conseguiu um bom pre�o. � um carro cl�ssico. Pode perguntar a ele. Ele leva voc� para casa.</p><p>Faz um sinal de cabe�a indicando um ponto atr�s de mim. Viro-me, e Taylor est� parado � porta, impec�vel como sempre naquele seu terno.</p><p>� N�o precisa. Posso ir sozinha para casa, obrigada.</p><p>Viro-me de novo para Christian, e vejo a f�ria mal contida em seus olhos.</p><p>� Vai me desafiar a cada vez?</p><p>� Por que mudar um h�bito da vida inteira?</p><p>Encolho ligeiramente os ombros para ele, como um pedido de desculpas.</p><p>Ele fecha os olhos frustrado e passa a m�o no cabelo.</p><p>� Por favor, Ana, deixe o Taylor levar voc� em casa.</p><p>� Vou buscar o carro, Srta. Steele � anuncia Taylor com autoridade.</p><p>Christian faz um sinal de cabe�a para ele, e, quando olho, j� se foi.</p><p>Viro-me para Christian. Estamos a um metro um do outro. Ele d� um passo � frente, e, instintivamente, recuo. Ele para, e a ang�stia em sua express�o � palp�vel, seus olhos cinzentos inflamados.</p><p>� N�o quero que voc� v� � murmura, a voz cheia de desejo.</p><p>� N�o posso ficar. Sei o que quero e voc� n�o pode me dar isso, e n�o posso dar o que voc� precisa.</p><p>Ele d� mais um passo � frente, e levanto as m�os.</p><p>� N�o, por favor. � Recuo. N�o h� condi��o de eu tolerar ser tocada por ele agora, isso vai me matar. � N�o posso fazer isso.</p><p>Pego a mala e a mochila, e me encaminho para o hall. Ele me segue, mantendo uma dist�ncia cautelosa. Aperta o bot�o do elevador, e as portas se abrem. Entro.</p><p>� Adeus, Christian � murmuro.</p><p>� Ana, adeus � diz ele baixinho, parecendo um homem absolutamente alquebrado, num sofrimento agonizante, refletindo como eu me sinto por dentro. Desvio o olhar dele antes que eu mude de ideia e tente consol�-lo.</p><p>As portas do elevador se fecham e l� vou eu descendo a toda para as entranhas do subsolo e para meu inferno pessoal.</p><p>* * *</p><p>TAYLOR ABRE A porta para mim, e entro no banco traseiro do carro. Evito o contato visual. Estou totalmente sem jeito e envergonhada. Sou um fracasso absoluto. Eu tinha esperado trazer o meu Cinquenta Tons para a luz, mas isso provou ser uma tarefa al�m das minhas parcas habilidades. Desesperadamente, tento refrear minhas emo��es. Ao entrarmos na Quarta Avenida, estou olhando pela janela com o olhar perdido, e a enormidade do que fiz me submerge. <emphasis>Merda � eu o deixei.</emphasis> O �nico homem que j� amei. O �nico homem com quem j� dormi. Arquejo, sentindo uma dor dilacerante, e a represa se rompe. L�grimas incontidas me escorrem pelo rosto, e eu as enxugo apressadamente com os dedos, catando os �culos escuros na bolsa. Quando paramos num sinal, Taylor me passa um len�o. N�o diz nada, n�o olha para mim, e eu aceito agradecida.</p><p>� Obrigada � murmuro, e este pequeno e discreto ato de bondade � a minha perdi��o. Recosto-me no luxuoso banco de couro e choro.</p><p>* * *</p><p>O APARTAMENTO VAZIO e estranho me angustia. Ainda n�o moro ali tempo suficiente para me sentir em casa. Vou direto para meu quarto, e ali, murchinho, pendurado no p� da minha cama, est� um bal�o triste em forma de helic�ptero. Charlie Tango � meu retrato em todos os sentidos. Puxo-o com irrita��o da grade, arrebentando o fio, e me abra�o a ele. <emphasis>Ah � o que foi que eu fiz?</emphasis></p><p>Caio na cama, de sapato e tudo, e dou um grito de tristeza. A dor � indescrit�vel... f�sica, mental... metaf�sica... est� em tudo, vai se entranhando em minha medula. Tristeza. Isso � tristeza � e fui eu mesma que busquei. L� bem no meu �ntimo, um pensamento desagrad�vel vem da minha deusa interior, com aquele seu sorrisinho debochado... a dor f�sica provocada por uma correada n�o � nada comparada a essa desola��o. Fico encolhida ali, segurando com desespero o bal�o murcho e o len�o de Taylor, e me entrego � minha dor.</p></section><section><empty-line/><p><strong>Sobre a autora</strong></p><p>� Michael Lionstar</p><p><image l:href="#9"/></p><empty-line/><p>E L JAMES � ex-executiva de TV e mora em Londres. Casada e com dois filhos, desde pequena sonhava em escrever hist�rias pelas quais os leitores se apaixonassem, mas adiou esse sonho para se concentrar na fam�lia e na carreira. Quando finalmente arranjou coragem para escrever, p�s no papel seu primeiro romance, <emphasis>Cinquenta tons de cinza.</emphasis> Na sequ�ncia, publicou os outros dois livros da s�rie, <emphasis>Cinquenta tons mais escuros</emphasis> e <emphasis>Cinquenta tons de liberdade</emphasis>, completando a trilogia que se tornou o maior fen�meno editorial dos �ltimos anos.</p></section><section><empty-line/><p><strong>Conhe�a os livros da autora</strong></p><p><image l:href="#6"/></p><empty-line/><p>
        Cinquenta tons</p><empty-line/><p>
        de cinza

        <image l:href="#5"/></p><empty-line/><p>
        Cinquenta tons</p><empty-line/><p>
        mais escuros

        <image l:href="#8"/></p><empty-line/><p>
        Cinquenta tons</p><empty-line/><p>
        de liberdade</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p>N�O PERCA A IRRESIST�VEL SEQU�NCIA</p><empty-line/><p>
  DE <emphasis>CINQUENTA TONS DE CINZA</emphasis></p><p>Cinquenta</p><empty-line/><p>
  tons mais</p><empty-line/><p>
  escuros</p></section><section><empty-line/><empty-line/><p><strong>CAP�TULO UM</strong></p><p>_________________________________________</p><empty-line/><p>Sobrevivi ao terceiro dia p�s-Christian, e ao primeiro dia de trabalho. Tem sido uma distra��o bem-vinda. O tempo voou numa n�voa de rostos novos, trabalho a fazer e a presen�a do Sr. Jack Hyde. O Sr. Jack Hyde... ele sorri para mim, os olhos azuis cintilantes, e se recosta contra minha mesa.</p><p>� Bom trabalho, Ana. Acho que vamos formar um belo time.</p><p>De alguma forma, dou um jeito de curvar os l�bios para cima num arremedo de sorriso.</p><p>� Acho que j� vou indo, se estiver tudo bem por voc� � murmuro.</p><p>� Claro, s�o cinco e meia. Vejo voc� amanh�.</p><p>� Boa noite, Jack.</p><p>� Boa noite, Ana.</p><p>Pego minha bolsa, enfio-me no casaco e caminho at� a porta. L� fora, no ar do in�cio de noite de Seattle, respiro fundo. Ele n�o chega nem perto de encher o vazio em meu peito, um vazio que tem estado ali desde a manh� de s�bado, um lembrete oco e doloroso de minha perda. Caminho de cabe�a baixa em dire��o ao ponto de �nibus, olhando os p�s e contemplando a vida sem meu amado Wanda, meu Fusca antigo... ou sem o Audi.</p><p>Imediatamente bloqueio esses pensamentos. N�o. N�o pense nele. � claro que posso comprar um carro � um belo carro novo. Suspeito que ele tenha sido generoso demais no pagamento, e a ideia deixa um gosto amargo em minha boca, mas eu a afasto e tento manter a cabe�a t�o vazia e entorpecida quanto poss�vel. N�o posso pensar nele. N�o quero come�ar a chorar de novo, n�o na rua.</p><p>O apartamento est� vazio. Tenho saudade de Kate, e a imagino deitada numa praia em Barbados, tomando um coquetel. Ligo a tev� de tela plana para que o ru�do preencha o vazio e proporcione uma sensa��o de companhia, mas n�o a escuto, nem olho para ela. Sento e encaro a parede de tijolos com um olhar vazio. Estou ap�tica. N�o sinto nada al�m de dor. Por quanto tempo vou suportar isso?</p><p>A campainha me acorda da prostra��o, e meu cora��o dispara. Quem ser�? Atendo o interfone.</p><p>� Entrega para a Srta. Steele � responde uma voz entediada e distante, e a decep��o me atinge em cheio.</p><p>Entorpecida, des�o at� o t�rreo e vejo um jovem recostado contra a porta da frente, mascando ruidosamente um chiclete e segurando uma grande caixa de papel�o. Assino para receber o pacote e subo com ele. A caixa � enorme e surpreendentemente leve. Dentro dela, duas d�zias de rosas brancas de caule comprido e um cart�o.</p><p><emphasis>Parab�ns pelo primeiro dia no novo trabalho.</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  Espero que tudo tenha corrido bem.</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  E obrigado pelo planador. Foi muito gentil da sua parte.</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  Reservei um lugar especial para ele em minha mesa.</emphasis></p><empty-line/><p><emphasis>
  Christian</emphasis></p><empty-line/><p>Encaro o cart�o digitado, o buraco em meu peito se expandindo. Sem d�vida foi enviado pelo assistente. Christian provavelmente n�o tem nada a ver com isso. � doloroso demais pensar a respeito. Examino as rosas � s�o lindas, n�o consigo jog�-las no lixo. Obediente, vou at� a cozinha procurar um vaso.</p><p>* * *</p><p>E ASSIM UM PADR�O se estabelece: acordar, trabalhar, chorar, dormir. Bem, tentar dormir. N�o consigo fugir dele nem em meus sonhos. Os olhos ardentes de Grey, seu olhar perdido, o cabelo e brilhoso me perseguem. E a m�sica... tanta m�sica. N�o suporto ouvir m�sica alguma. Tenho o cuidado de evitar a todo custo. Mesmo os jingles em comerciais de tev� me deixam tr�mula.</p><p>N�o falei com ningu�m, nem mesmo minha m�e ou Ray. N�o estou com cabe�a para conversa fiada agora. N�o, n�o quero nada disso. Eu me tornei minha pr�pria ilha. Uma terra destru�da e devastada onde nada cresce e os horizontes s�o sombrios. Sim, essa sou eu. Sou capaz de interagir no trabalho, mas � s�. Se eu conversar com minha m�e, sei que vou me machucar ainda mais e n�o tenho mais onde me machucar.</p><p>* * *</p><p>TENHO TIDO DIFICULDADE de comer. No almo�o de quarta, consegui tomar um copo de iogurte, a primeira coisa que comi desde sexta-feira. Estou sobrevivendo numa rec�m-descoberta toler�ncia a caf� com leite e Coca Diet. � a cafe�na que me faz seguir em frente, mas isso est� me deixando ansiosa.</p><p>Jack come�ou a pairar sobre mim, ele me irrita, fazendo perguntas pessoais. O que ele quer? Sou educada, mas preciso mant�-lo a dist�ncia.</p><p>Eu me sento l� e fico vasculhando a pilha de cartas endere�adas a ele, a distra��o do trabalho servil me satisfaz. Meu e-mail pisca, e rapidamente verifico quem �.</p><p>Puta merda. Um e-mail de Christian. <emphasis>Ah n�o, aqui n�o... n�o no trabalho.</emphasis></p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:05</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Querida Anastasia,</p><empty-line/><p>Desculpe essa intromiss�o em seu trabalho. Espero que ele esteja correndo bem. Voc� recebeu minhas flores?</p><empty-line/><p>Queria lembrar que amanh� � a noite de estreia da exposi��o do seu amigo. Tenho certeza de que voc� n�o teve tempo de comprar um carro, e a viagem � longa. Eu ficaria mais que feliz em lev�-la � se voc� quiser.</p><empty-line/><p>Avise-me.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings Inc.</p><empty-line/><p>L�grimas enchem meus olhos. Deixo minha mesa apressada e corro at� uma das cabines do banheiro. A exposi��o do Jos�. Merda. Eu tinha esquecido completamente. E eu prometi a ele que iria. Merda, Christian tem raz�o; como vou chegar l�?</p><p>Pressiono minhas t�mporas. Por que o Jos� n�o me ligou? Agora que penso no assunto, por que ningu�m me ligou? Tenho andado t�o distra�da, nem reparei que meu celular n�o tem tocado.</p><p><emphasis>Merda!</emphasis> Que idiota! As liga��es ainda est�o sendo desviadas para o BlackBerry. Que inferno. Christian est� recebendo todas as minhas chamadas � a menos que tenha jogado o BlackBerry fora. Como ele conseguiu meu e-mail?</p><p>Ele sabe quanto eu cal�o, duvido que um e-mail seja um problema para ele.</p><p>Posso v�-lo de novo? Ser� que vou suportar? Quero v�-lo de novo? Fecho os olhos e inclino a cabe�a para tr�s, a m�goa e o desejo tomando conta de mim. � claro que quero.</p><p>Talvez... talvez eu pudesse dizer a ele que mudei de ideia... N�o, n�o e n�o. N�o posso ficar com algu�m que tem prazer em me infligir dor, algu�m incapaz de me amar.</p><p>Mem�rias torturantes invadem minha mente: o planador, as m�os dadas, os beijos, a banheira, a gentileza dele, o humor e o olhar sombrio, taciturno e sexy. Sinto falta dele. J� se passaram cinco dias, cinco dias de agonia que foram como uma eternidade. Choro todas as noites antes de dormir, desejando que n�o tivesse desistido, desejando que ele fosse diferente, desejando que estiv�ssemos juntos. Por quanto tempo essa sensa��o esmagadora e horr�vel vai durar? Estou no purgat�rio.</p><p>Envolvo meu corpo com os bra�os, apertando-me com for�a, mantendo-me firme. Sinto falta dele. Eu realmente sinto falta dele... Eu o amo. Simples assim.</p><p><emphasis>Anastasia Steele, voc� est� no trabalho!</emphasis> Preciso ser forte, mas eu quero ir � exposi��o do Jos�, e, l� no fundo, a masoquista em mim quer ver Christian de novo. Respiro fundo e volto para minha mesa.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:25</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Oi, Christian,</p><empty-line/><p>Obrigada pelas flores; elas s�o lindas.</p><empty-line/><p>Sim, eu gostaria de uma carona.</p><empty-line/><p>Obrigada.</p><empty-line/><p>Anastasia Steele</p><empty-line/><p>
  Assistente de Jack Hyde, Editor, Seattle Independent Publishing</p><empty-line/><p>Verifico meu telefone e vejo que ainda est� ativado para desviar as chamadas. Jack est� em reuni�o, ent�o ligo para Jos�.</p><p>� Oi, Jos�. � a Ana.</p><p>� Ol�, mocinha � ele � t�o caloroso e acolhedor, que quase me empurra de volta para o precip�cio.</p><p>� N�o posso demorar muito. A que horas devo chegar amanh� na exposi��o?</p><p>� Voc� ainda vai poder vir? � ele parece animado.</p><p>� Sim, claro � sorrio meu primeiro sorriso sincero em cinco dias ao imaginar sua express�o de alegria.</p><p>� L� pelas sete e meia.</p><p>� Vejo voc� amanh�. Tchau, Jos�.</p><p>� Tchau, Ana.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:27</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Querida Anastasia,</p><p>A que horas devo busc�-la?</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:32</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>A exposi��o abre �s 19h30. Que horas voc� sugere?</p><empty-line/><p>Anastasia Steele</p><empty-line/><p>
  Assistente de Jack Hyde, Editor, Seattle Independent Publishing</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Christian Grey</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:34</p><p><strong>Para</strong>: Anastasia Steele</p><empty-line/><p>Querida Anastasia,</p><empty-line/><p>Portland fica a certa dist�ncia. Devo busc�-la �s 17h45.</p><empty-line/><p>Estou ansioso para v�-la.</p><empty-line/><p>Christian Grey</p><empty-line/><p>
  CEO, Grey Enterprises Holdings Inc.</p><p><strong>____________________________________</strong></p><p><strong>De</strong>: Anastasia Steele</p><p><strong>Assunto</strong>: Amanh�</p><p><strong>Data</strong>: 8 de junho de 2011 14:38</p><p><strong>Para</strong>: Christian Grey</p><empty-line/><p>Vejo voc� amanh�.</p><empty-line/><p>Anastasia Steele</p><empty-line/><p>
  Assistente de Jack Hyde, Editor, Seattle Independent Publishing</p><empty-line/><p>Ai, meu Deus. Vou encontrar Christian e, pela primeira vez em cinco dias, meu estado de esp�rito se eleva uma fra��o, e imagino como ele tem passado.</p><p>Ser� que sentiu minha falta? Provavelmente n�o do jeito como senti a dele. Ser� que arrumou uma escrava nova de sabe-se l� onde elas v�m? A imagem � t�o dolorosa que a dispenso imediatamente. Olho para a pilha de correspond�ncias que preciso organizar para Jack e volto a trabalhar, tentando afastar Christian de meus pensamentos uma vez mais.</p><p>Naquela noite, na cama, me viro de um lado para o outro, tentando dormir. � a primeira vez em dias que n�o choro at� adormecer.</p><p>Em minha cabe�a, visualizo o rosto de Christian na �ltima vez em que o vi, quando deixei seu apartamento. Sua express�o aflita me persegue. Lembro que ele n�o queria que eu fosse embora, o que era estranho. Por que motivo eu ficaria quando as coisas chegaram ao ponto em que chegaram? Ambos tent�vamos fugir de nossos pr�prios problemas: meu medo da puni��o, o medo dele... de qu�? Do amor?</p><p>Virando-me de lado, abra�o o travesseiro, tomada por uma tristeza esmagadora. Ele acha que n�o merece ser amado. Por qu�? Ser� que tem a ver com sua cria��o? Sua m�e biol�gica, a prostituta do crack? Meus pensamentos me atormentam at� de madrugada, quando enfim mergulho num sono agitado e exausto.</p><p>* * *</p><p>O DIA SE ARRASTA, e Jack est� especialmente atencioso. Suspeito que seja por causa do vestido ameixa de Kate e das botas pretas de salto alto que peguei no arm�rio dela, mas n�o perco muito tempo pensando a respeito. Decido que preciso usar meu primeiro sal�rio para fazer compras. O vestido est� mais folgado em mim do que de costume, mas finjo n�o reparar.</p><p>Enfim, s�o cinco e meia; pego meu casaco e a bolsa, tentando acalmar meus nervos. <emphasis>Vou v�-lo!</emphasis></p><p>� Vai sair com algu�m hoje? � pergunta Jack ao passar por minha mesa a caminho da sa�da.</p><p>� Vou. N�o. N�o exatamente.</p><p>Ele ergue uma sobrancelha, seu interesse obviamente despertado.</p><p>� Namorado?</p><p>Fico vermelha.</p><p>� N�o, um amigo. Ex-namorado.</p><p>� Talvez amanh� a gente pudesse tomar um drinque depois do trabalho. Voc� teve uma primeira semana fant�stica, Ana. A gente devia comemorar � ele sorri e seu rosto � tomado por express�es estranhas, o que me deixa desconfort�vel.</p><p>Com as m�os nos bolsos, ele passa pelas portas duplas. Fa�o uma careta ao v�-lo ir embora. Beber com o chefe, ser� que � uma boa ideia?</p><p>Balan�o a cabe�a. Primeiro preciso enfrentar uma noite com Christian Grey. Como vou fazer isso? Corro para o banheiro para os �ltimos retoques.</p><p>Dou uma olhada longa e severa no rosto do outro lado do grande espelho na parede. Sou eu, em meu estado p�lido de sempre, olheiras escuras ao redor dos olhos grandes demais. Pare�o magra e assustada. Queria muito saber usar maquiagem. Passo um pouco de r�mel e delineador e aperto as bochechas, na esperan�a de ressaltar um pouco a cor delas. Arrumo o cabelo para que ele caia bonito pelas minhas costas, e respiro fundo. � o melhor que posso fazer.</p><p>Nervosa, atravesso o sagu�o de entrada com um sorriso e um aceno para Claire, na recep��o. Acho que poder�amos nos tornar amigas. Jack est� conversando com Elizabeth enquanto caminho na dire��o das portas. Com um largo sorriso, ele se apressa em abri-las para mim.</p><p>� Depois de voc�, Ana � murmura.</p><p>� Obrigada � sorrio, envergonhada.</p><p>L� fora, Taylor me espera junto da cal�ada. Ele abre a porta traseira do carro. Olho hesitante para Jack, que saiu depois de mim. Ele est� encarando o Audi SUV, consternado.</p><p>Viro-me e entro no carro, e l� est� ele, Christian Grey, em seu terno cinza, sem gravata, a camisa branca aberta no colarinho. Os olhos cinzentos brilhando.</p><p>Minha boca fica seca. Ele est� lindo, s� que est� fazendo cara feia para mim. <emphasis>Por qu�?</emphasis></p><p>� Quando foi a �ltima vez que voc� comeu? � pergunta, assim que Taylor fecha a porta atr�s de mim.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis></p><p>� Oi, Christian. Bom ver voc� tamb�m.</p><p>� Nada de bancar a espertinha. Responda.</p><p>Seus olhos est�o em chamas.</p><p><emphasis>Puta merda.</emphasis></p><p>� Hum... Comi um iogurte na hora do almo�o. Ah, e uma banana.</p><p>� Quando foi a �ltima vez que voc� fez uma refei��o de verdade? � pergunta ele friamente.</p><p>Taylor se senta no banco do motorista, liga o carro e come�a a dirigir.</p><p>Olho para fora e Jack est� acenando para mim, embora eu n�o tenha ideia de como ele consegue me ver atrav�s dos vidros escuros. Aceno de volta.</p><p>� Quem �? � pergunta Christian.</p><p>� Meu chefe. � Dou uma olhada de relance no belo homem a meu lado, e seus l�bios est�o s�rios, pressionados numa linha r�gida.</p><p>� E ent�o? Sua �ltima refei��o?</p><p>� Christian, isso n�o � da sua conta � murmuro, sentindo-me surpreendentemente corajosa.</p><p>� O que quer que voc� fa�a � da minha conta. Fale logo.</p><p><emphasis>N�o, n�o �.</emphasis> Solto um gemido de frustra��o, revirando os olhos para cima. Christian faz uma cara feia. E pela primeira vez em muito tempo, tenho vontade de rir. Esfor�o-me para sufocar o riso que amea�a brotar em mim. Christian suaviza o rosto, e tento manter uma express�o s�ria; vejo um esbo�o de um sorriso ro�ar de leve os l�bios maravilhosamente esculpidos.</p><p>� E ent�o? � pergunta ele num tom mais suave.</p><p>� <emphasis>Pasta alla vongole</emphasis>, sexta passada � sussurro.</p><p>Ele fecha os olhos; raiva e arrependimento, quem sabe, tomam conta de seu rosto.</p><p>� Entendo � diz ele, a voz inexpressiva. � Parece que, desde ent�o, voc� perdeu pelo menos uns dois quilos, talvez mais. Por favor, Anastasia, volte a comer � ele me repreende.</p><p>Olho para baixo, para os dedos entrela�ados em meu colo. Por que ele sempre me faz me sentir feito uma crian�a insolente?</p><p>Ele se ajeita no banco do carro, virando-se para mim.</p><p>� Como voc� est�? � pergunta, a voz ainda suave.</p><p><emphasis>Bem, eu estou uma merda...</emphasis> Engulo em seco.</p><p>� Se dissesse que estou bem, estaria mentindo.</p><p>Ele respira fundo.</p><p>� Eu tamb�m � ele murmura e segura a minha m�o. � Sinto sua falta.</p><p>Ah, n�o. Pele contra pele.</p><p>� Christian, eu...</p><p>� Ana, por favor. N�s precisamos conversar.</p><p><emphasis>Eu vou chorar.</emphasis> N�o.</p><p>� Christian, eu... por favor... Eu chorei muito � sussurro, tentando manter minhas emo��es sob controle.</p><p>� Ah, baby, n�o � ele puxa minha m�o, e antes que eu me d� conta, estou em seu colo. Ele passa os bra�os ao meu redor, seu nariz est� em meu cabelo. � Tenho sentido tanto a sua falta, Anastasia � ele suspira.</p><p>Quero me soltar de seu abra�o, manter a dist�ncia, mas os bra�os dele me envolvem. Ele me aperta contra o peito. Eu me derreto. Ah, � aqui que quero estar.</p><p>Descanso a cabe�a nele, e ele beija meus cabelos v�rias vezes. Sinto-me em casa. Ele cheira a amaciante de roupas, lo��o de banho e, meu cheiro favorito, Christian. Por um momento, deixo-me iludir que tudo vai ficar bem, e isso alivia minha alma devastada.</p><p>Alguns minutos depois, Taylor encosta o carro no meio-fio, embora ainda estejamos dentro da cidade.</p><p>� Vamos � Christian me tira de seu colo �, chegamos.</p><p>O qu�?</p><p>� Heliporto, no alto deste edif�cio � Christian lan�a um olhar de explica��o em dire��o ao pr�dio.</p><p>Claro. <emphasis>Charlie Tango</emphasis>. Taylor abre a porta e eu salto do carro. Ele me lan�a um sorriso acolhedor e paternal que me transmite seguran�a. Sorrio de volta.</p><p>� Eu precisava devolver seu len�o.</p><p>� Fique com ele, Srta. Steele, com meus melhores cumprimentos.</p><p>Fico vermelha � medida que Christian d� a volta no carro e pega minha m�o. Ele olha curioso para Taylor, que o olha de volta impass�vel, sem revelar nada.</p><p>� Nove? � pergunta Christian.</p><p>� Sim, senhor.</p><p>Christian acena com a cabe�a, vira-se e me conduz pelas portas duplas at� o suntuoso sagu�o. Eu me deleito ao sentir a m�o grande e os dedos longos e habilidosos entrela�ados aos meus. Sinto o pux�o familiar � sou atra�da como �caro � atra�do por seu Sol. Eu j� me queimei antes, e ainda assim aqui estou de novo.</p><p>Chegamos aos elevadores, e ele aperta o bot�o. Dou uma olhada nele, que est� exibindo seu meio-sorriso enigm�tico. Quando as portas se abrem, solta minha m�o e me conduz para dentro.</p><p>As portas se fecham, e arrisco uma segunda olhadela. Ele me olha de volta, os olhos cinzentos vivos, e l� est� de novo, no ar entre n�s, aquela mesma eletricidade. Chega a ser palp�vel. Quase posso senti-la, pulsando entre n�s, nos atraindo um para o outro.</p><p>� Meu Deus... � arquejo, deleitando-me na intensidade dessa atra��o visceral e primitiva.</p><p>� Tamb�m posso sentir � diz ele, o olhar soturno e intenso.</p><p>O desejo se concentra, sombrio e mortal, em minha virilha. Ele aperta minha m�o, ro�a meus dedos com o polegar, e, dentro de mim, todos os m�sculos se enrijecem deliciosamente.</p><p><emphasis>Como ele ainda pode fazer isso comigo?</emphasis></p><p>� Por favor, Anastasia, n�o morda o l�bio � sussurra.</p><p>Levanto o olhar para ele, soltando o l�bio. Eu o quero. Aqui, agora, no elevador. Como n�o poderia?</p><p>� Voc� sabe como me deixa quando faz isso � murmura.</p><p>Ah, ent�o ainda posso afet�-lo. Minha deusa interior desperta de sua letargia de cinco dias.</p><p>De repente, as portas se abrem, quebrando o feiti�o, e estamos no telhado. Est� ventando, e, apesar do casaco preto, sinto frio. Christian passa o bra�o em volta de mim, puxando-me para junto de si, e n�s nos apressamos at� Charlie Tango, que est� no centro do heliporto, as h�lices girando lentamente.</p><p>Um homem alto, louro, de queixo quadrado e usando um terno escuro salta do helic�ptero, abaixa-se e corre em nossa dire��o. Ele aperta as m�os de Christian e grita por sobre o ru�do do motor.</p><p>� Tudo pronto, senhor. Ele � todo seu!</p><p>� J� fez todas as verifica��es?</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� Voc� pode peg�-lo l� pelas oito e meia?</p><p>� Sim, senhor.</p><p>� Taylor est� esperando por voc� l� embaixo.</p><p>� Obrigado, Sr. Grey. Tenha um bom voo at� Portland. Senhora � ele me cumprimenta.</p><p>Sem soltar minha m�o, Christian acena, abaixa-se e me leva at� a porta do helic�ptero. Uma vez l� dentro, ele prende meu cinto, apertando bem as tiras, e me lan�a um olhar c�mplice, al�m de seu sorriso misterioso.</p><p>� Isso deve mant�-la segura � murmura. � Tenho que admitir que gosto de ver voc� presa assim. N�o toque em nada.</p><p>Fico profundamente vermelha, e ele corre o indicador ao longo de minha bochecha antes de me entregar os fones de ouvido. <emphasis>Eu tamb�m queria tocar voc�, mas voc� n�o me deixaria.</emphasis> Fa�o uma cara feia pra ele. Al�m do mais, ele apertou tanto as tiras que mal posso me mover.</p><p>Ele se senta e afivela o pr�prio cinto, em seguida, come�a a executar as checagens de seguran�a. � t�o competente. Isso � muito sedutor. Ele coloca os fones de ouvido e liga um interruptor, os motores se aceleraram, ensurdecendo-me.</p><p>Ele se vira para mim:</p><p>� Pronta? � sua voz ecoa pelos fones.</p><p>� Pronta.</p><p>Ele sorri seu sorriso de menino. Nossa, h� quanto tempo n�o vejo esse sorriso.</p><p>� Torre, aqui � <emphasis>Charlie Tango</emphasis> G-GEH, pronto para decolagem, destino Portland, via Aeroporto Internacional de Portland. Por favor, confirme, c�mbio.</p><p>O controlador de tr�fego a�reo responde, emitindo instru��es numa voz distante.</p><p>� Aqui � a torre, Roger falando; <emphasis>Charlie Tango</emphasis> est� liberado.</p><p>Christian vira dois bot�es, segura o manche, e o helic�ptero sobe lentamente pelo anoitecer. Seattle e meu est�mago caem l� embaixo; h� tanto para ver.</p><p>� N�s j� perseguimos o amanhecer, Anastasia, agora vamos atr�s do crep�sculo � sua voz me vem pelos fones de ouvido. Viro-me para ele, boquiaberta.</p><p>O que isso quer dizer? Como ele consegue dizer as coisas mais rom�nticas? Ele sorri, e n�o consigo n�o lhe retribuir um sorriso t�mido.</p><p>� Assim como o sol da tarde, h� mais para ser visto desta vez � diz.</p><p>Na �ltima vez em que voamos at� Seattle estava escuro, mas, esta noite, a vista � espetacular, realmente extraordin�ria. Estamos em meio aos pr�dios mais altos, subindo cada vez mais.</p><p>� Ali fica o Escala � ele aponta um edif�cio. � Ali � a Boeing, e, l� atr�s, d� pra ver o Space Needle.</p><p>Viro a cabe�a.</p><p>� Nunca fui l�.</p><p>� Eu levo voc�, a gente podia comer l�.</p><p>� Christian, n�s terminamos.</p><p>� Eu sei. Mas ainda posso levar voc� l� e oferecer um jantar � ele me olha.</p><p>Balan�o a cabe�a e fico vermelha, antes de seguir por um caminho menos agressivo.</p><p>� � muito bonito aqui, obrigada.</p><p>� Impressionante, n�o �?</p><p>� � impressionante que voc� possa fazer isso.</p><p>� Elogios vindos de voc�, Srta. Steele? Sou um homem de muitos talentos.</p><p>� Tenho total consci�ncia disso, Sr. Grey.</p><p>Ele se vira e sorri para mim. Pela primeira vez em cinco dias, relaxo um pouco. Talvez isso n�o v� ser t�o ruim.</p><p>� Como vai o novo emprego?</p><p>� Bem, obrigada. � interessante.</p><p>� E como � seu chefe?</p><p>� Ah, ele � legal � como poderia dizer a Christian que Jack me deixa desconfort�vel?</p><p>� Qual � o problema? � pergunta ele, virando-se para mim.</p><p>� Fora o �bvio, nada.</p><p>� O �bvio?</p><p>� Ah, Christian, �s vezes voc� � t�o burro.</p><p>� Burro? Eu? N�o sei se gosto do seu tom, Srta. Steele.</p><p>� Bem, o problema � seu.</p><p>� Senti saudade do seu atrevimento � ele molda os l�bios num sorriso.</p><p>Suspiro, e minha vontade � gritar bem alto: <emphasis>E eu senti saudade de voc� por inteiro, e n�o apenas do seu atrevimento!</emphasis> Mas fico calada, olhando pelas janelas de vidro de Charlie Tango ao seguirmos em dire��o ao sul. O crep�sculo est� a nossa direita, o sol est� baixo no horizonte, enorme, flamejante e laranja; e, mais uma vez, eu sou �caro, voando perto demais dele.</p><p>* * *</p><p>O ENTARDECER NOS seguiu desde Seattle, e o c�u est� tomado de tons de opala, rosa e azul-marinho, perfeitamente entrela�ados de um jeito que s� a M�e Natureza sabe fazer. A noite est� clara e n�tida, as luzes de Portland brilham, acolhendo-nos � medida que Christian pousa o helic�ptero. Estamos no topo do estranho pr�dio de tijolos marrons do qual sa�mos h� tr�s semanas.</p><p>Meu Deus, faz t�o pouco tempo. No entanto, sinto como se conhecesse Christian a vida toda. Ele aperta v�rios bot�es, desligando os motores de <emphasis>Charlie Tango</emphasis>, at� que tudo o que ou�o � o som de minha pr�pria respira��o nos fones de ouvido. Hum. Por um instante, isso me faz lembrar Thomas Tallis. Fico p�lida. Realmente, n�o quero pensar nisso agora.</p><p>Christian solta seu cinto e se inclina para abrir o meu.</p><p>� Fez boa viagem, Srta. Steele? � pergunta ele, a voz suave, os olhos cinzentos reluzindo.</p><p>� Sim, obrigada, Sr. Grey � respondo, educada.</p><p>� Bem, vamos l� ver as fotos daquele garoto � ele me estende a m�o e, apoiando-me nele, des�o do <emphasis>Charlie Tango</emphasis>.</p><p>Um homem de barba e cabelos grisalhos caminha at� n�s, com um largo sorriso no rosto. Eu o reconhe�o como o mesmo senhor da �ltima vez em que estivemos aqui.</p><p>� Joe � Christian sorri e solta minha m�o para apertar a de Joe calorosamente.</p><p>� Tome conta dele para Stephan. Ele vai chegar l� pelas oito ou nove.</p><p>� Certo, Sr. Grey. Senhora � diz ele, acenando para mim. � Seu carro est� esperando l� embaixo, senhor. Ah, e o elevador est� quebrado, o senhor vai ter que usar a escada.</p><p>� Obrigado, Joe.</p><p>Christian pega minha m�o, e seguimos at� a escada de emerg�ncia.</p><p>� Nesses saltos, sorte sua serem s� tr�s andares � resmunga ele, em desaprova��o.</p><p>N�o brinca.</p><p>� N�o gostou das botas?</p><p>� Gostei muito, Anastasia � seu olhar escurece. Acho que vai dizer mais alguma coisa, mas ele para. � Vamos com calma. N�o quero que voc� caia e quebre o pesco�o.</p><p>* * *</p><p>NOS SENTAMOS EM sil�ncio, enquanto o motorista nos leva at� a galeria. Minha ansiedade voltou com for�a total, e percebo que o tempo passado dentro de <emphasis>Charlie Tango</emphasis> foi o olho do furac�o.</p><p>Christian est� quieto e taciturno... apreensivo at�, nosso bom humor de poucos instantes atr�s se dissipou. Tem tanta coisa que quero dizer, mas a viagem � muito curta.</p><p>Pensativo, Christian olha para fora da janela.</p><p>� Jos� � s� um amigo � murmuro.</p><p>Christian vira-se para mim, os olhos escuros e cautelosos n�o deixam transparecer nada. Sua boca � ah, essa boca � uma distra��o incontrol�vel. Eu fico me lembrando dela em mim, em todos os lugares. Minha pele fica quente. Ele se ajeita em seu assento e franze a testa.</p><p>� Esses lindos olhos est�o grandes demais no seu rosto, Anastasia. Por favor, me prometa que voc� vai comer.</p><p>� Prometo que vou comer, Christian � respondo automaticamente, numa esp�cie de clich�.</p><p>� Estou falando s�rio.</p><p>� Ah, �? � n�o consigo evitar o tom de desd�m em minha voz. S�rio, a aud�cia desse cara, esse homem que durante os �ltimos dias me fez passar por um inferno. N�o, n�o foi isso. Fui eu que me fiz passar por um inferno. N�o. Foi ele. Balan�o a cabe�a, confusa.</p><p>� N�o quero brigar com voc�, Anastasia. Quero voc� de volta, e quero voc� saud�vel � diz ele, suavemente.</p><p>� Mas nada mudou.</p><p><emphasis>Voc� ainda � o Cinquenta Tons.</emphasis></p><p>� Chegamos. Na volta a gente conversa.</p><p>O carro para na frente da galeria, e Christian desce, deixando-me muda. Ele abre a porta para mim, e salto do carro.</p><p>� Por que voc� faz isso? � minha voz sai mais alta do que eu esperava.</p><p>� Isso o qu�? � pergunta Christian, surpreso.</p><p>� Voc� fala uma coisa e depois para.</p><p>� Anastasia, n�s chegamos. No lugar em que voc� queria estar. Agora n�s vamos entrar, e depois a gente conversa. Eu realmente n�o quero fazer uma cena no meio da rua.</p><p>Olho ao redor. Ele est� certo. � p�blico demais. Aperto os l�bios enquanto ele olha para mim.</p><p>� Certo � resmungo, de mau humor.</p><p>Segurando minha m�o, ele me conduz para dentro do pr�dio. Estamos em um armaz�m convertido: paredes de tijolo, piso de madeira escura, teto branco e encanamento branco. � moderno e arejado, e v�rias pessoas caminham ao longo da galeria, bebendo vinho e admirando o trabalho de Jos�. Por um momento, meus problemas se dissipam � medida que me dou conta de que Jos� realizou um sonho. <emphasis>Parab�ns, cara!</emphasis></p><p>� Boa noite e bem-vindos � exposi��o de Jos� Rodriguez � somos recebidos por uma jovem vestida de preto, o cabelo castanho muito curto, batom vermelho e grandes brincos de argola.</p><p>Ela me olha de relance, ent�o encara Christian muito mais do que o estritamente necess�rio, depois volta o olhar para mim, piscando, e suas faces ficam de um vermelho vivo.</p><p>Minha testa se franze. <emphasis>Ele � meu</emphasis>. Ou era. Tento n�o fazer cara feia para ela. Assim que seu olhar me focaliza de novo, ela pisca mais uma vez.</p><p>� Ah, Ana, � voc�. N�s tamb�m vamos querer sua opini�o a respeito disso aqui � sorrindo, ela me entrega um folheto e me conduz a uma mesa com bebidas e aperitivos.</p><p>� Voc� a conhece? � Christian fecha a cara.</p><p>Nego com a cabe�a, igualmente intrigada.</p><p>Ele d� de ombros, distra�do.</p><p>� Vai beber o qu�?</p><p>� Vinho branco, obrigada.</p><p>Ele franze a testa, mas fica quieto e caminha at� o bar.</p><p>� Ana!</p><p>Abrindo caminho entre as pessoas, Jos� vem em minha dire��o.</p><p><emphasis>Caramba!</emphasis> Ele est� de terno. Est� bonito, al�m de radiante. Abra�a-me com for�a. E fa�o tudo o que posso para n�o irromper em l�grimas. Meu amigo, meu �nico amigo agora que Kate n�o est� aqui. Meus olhos se enchem d��gua.</p><p>� Ana, que bom que voc� veio � sussurra ele em meu ouvido, em seguida, faz uma pausa e me segura � dist�ncia de um bra�o, encarando-me.</p><p>� O que foi?</p><p>� Ei, voc� est� bem? Voc� parece, n�o sei, estranha. <emphasis>Dios m�o</emphasis>, voc� emagreceu?</p><p>Pisco com for�a, para espantar as l�grimas � <emphasis>merda, ele tamb�m.</emphasis></p><p>� Estou bem, Jos�. Estou t�o feliz por voc�. Parab�ns pela exposi��o � minha voz oscila � medida que percebo a preocupa��o em seu rosto t�o familiar, mas tenho que segurar a onda.</p><p>� Como voc� chegou aqui? � pergunta ele.</p><p>� Christian me trouxe � digo, apreensiva de uma hora para outra.</p><p>� Ah � a express�o no rosto dele desmorona, e ele me solta. � Cad� ele? � seu olhar escurece.</p><p>� Foi buscar as bebidas � aponto na dire��o de Christian com a cabe�a e vejo que est� conversando com algu�m na fila. Ele se vira na minha dire��o e nossos olhares se cruzam. E naquele breve instante, fico paralisada, encarando o homem absurdamente lindo que me olha de volta com alguma emo��o insond�vel. Seu olhar � quente e me queima por dentro, e ficamos ali, perdidos por um momento, olhando um para o outro.</p><p><emphasis>Deus meu...</emphasis> Esse homem maravilhoso me quer de volta, e, l� no fundo, uma alegria gostosa lentamente se desenrola como uma linda manh� ensolarada.</p><p>� Ana! � Jos� me distrai, e sou arrastada de volta para o presente. � Estou muito feliz que voc� tenha vindo. Mas, ou�a, preciso avisar voc�...</p><p>De repente, a Srta. Cabelinho Curto e Batom Vermelho o interrompe.</p><p>� Jos�, a jornalista do <emphasis>Portland Printz</emphasis> chegou. Vamos l�? � ela me d� um sorriso educado.</p><p>� Isso n�o � t�o legal? Ah, a fama! � Ele sorri, e eu sorrio de volta. Ele est� t�o feliz. � Falo com voc� mais tarde, Ana. � Ele beija minha bochecha, e eu o vejo caminhar na dire��o de uma jovem que est� de p�, ao lado de um fot�grafo alto e magro.</p><p>As fotografias de Jos� est�o por toda parte, e, em alguns casos, ampliadas em telas enormes. Umas em preto e branco, outras a cores. Muitas das paisagens transmitem uma beleza et�rea. Uma delas � a foto do entardecer no lago de Vancouver, as nuvens cor-de-rosa se refletem no espelho d��gua. De repente, sou transportada pela paz e pela tranquilidade da imagem. � impressionante.</p><p>Christian se aproxima, e respiro fundo e engulo em seco, tentando recuperar um pouco do equil�brio de antes. Ele me entrega a ta�a de vinho branco.</p><p>� Presta? � minha voz soa mais normal.</p><p>Ele me olha intrigado.</p><p>� O vinho.</p><p>� N�o. Raramente presta neste tipo de evento. O garoto � bom, n�o �? � Christian est� admirando a foto do lago.</p><p>� Por que outro motivo voc� acha que pedi a ele para fotografar voc�? � n�o consigo esconder o orgulho em minha voz. Seus olhos deslizam impass�veis da fotografia para mim.</p><p>� Christian Grey? � o fot�grafo do <emphasis>Portland Printz</emphasis> aproxima-se de Christian. � Posso tirar uma foto, senhor?</p><p>� Claro � Christian disfar�a o mau humor. Dou um passo para tr�s, mas ele segura minha m�o e me puxa para junto de si. O fot�grafo olha para n�s dois e n�o consegue esconder a surpresa.</p><p>� Obrigado, Sr. Grey � ele tira duas fotos. � Senhorita...? � pergunta.</p><p>� Ana Steele � respondo.</p><p>� Obrigado, Srta. Steele. � E desaparece.</p><p>� Procurei na internet por fotos suas com outras mulheres, e n�o existe nenhuma. � por isso que Kate achava que voc� era gay.</p><p>Christian contrai a boca num sorriso.</p><p>� Isso explica a pergunta indecorosa. N�o, eu n�o saio com qualquer uma, Anastasia, s� com voc�. Mas voc� sabe disso. � Seus olhos ardem de sinceridade.</p><p>� Ent�o, voc� nunca saiu com as suas... � olho nervosa ao redor, para me certificar de que ningu�m pode nos ouvir � submissas?</p><p>� �s vezes. Mas nunca para um encontro. Pra fazer compras, voc� sabe � ele d� de ombros, os olhos fixos nos meus.</p><p>Ah, ent�o � tudo restrito ao seu quarto de jogos � o Quarto Vermelho da Dor � e ao apartamento dele. N�o sei o que pensar a respeito disso.</p><p>� S� voc�, Anastasia � sussurra ele.</p><p>Eu coro e encaro meus pr�prios dedos. � sua maneira, ele se preocupa comigo.</p><p>� Seu amigo parece mais um cara de paisagens do que de retratos. Vamos dar uma olhada. � Ele estende a m�o, e eu a seguro.</p><p>Caminhamos diante de mais algumas fotos, e percebo um casal acenando para mim, com um largo sorriso de quem acaba de me reconhecer. Deve ser porque estou com Christian. Um rapaz, no entanto, encara-me descaradamente. <emphasis>Que estranho</emphasis>.</p><p>Entramos na sala seguinte, e eu entendo o porqu� dos olhares esquisitos. Na parede oposta a n�s vejo sete retratos enormes. Meus.</p><p>Encaro as imagens, estupefata, o sangue descendo todo do meu rosto at� o p�. L� estou: fazendo beicinho, rindo, fazendo cara feia, s�ria, compenetrada. Tudo em super close-up, tudo em preto e branco.</p><p><emphasis>Puta merda!</emphasis> Lembro-me de Jos� brincando com a c�mera em algumas das vezes em que me visitou e quando trabalhei com ele como motorista e assistente de fot�grafo. Ele tirou umas fotos, ou assim eu pensava. N�o estes retratos invasivos.</p><p>Arrisco uma olhadela para Christian, que est� encarando, paralisado, as imagens, uma de cada vez.</p><p>� Parece que n�o sou o �nico � resmunga, enigm�tico, a boca franzindo-se rispidamente.</p><p>Acho que est� com raiva.</p><p>� Com licen�a � diz ele, fitando-me por um momento com seu olhar cinzento e reluzente. Ele se vira e segue at� a recep��o.</p><p>Qual � o problema agora? Hipnotizada, eu o observo conversar animadamente com a Srta. Cabelinho Curto e Batom Vermelho. Ele abre a carteira e puxa o cart�o de cr�dito.</p><p><emphasis>Merda.</emphasis> Deve ter comprado um dos quadros.</p><p>� Oi? Voc� � a musa. Estas fotos est�o fant�sticas. � Levo um susto ao ser abordada por um rapaz com uma mecha de cabelo louro e brilhoso. Sinto um toque em meu cotovelo e percebo que Christian est� de volta. � Voc� � um cara de sorte. � O Sr. Cabelo Louro d� uma risadinha para Christian, que lhe devolve um olhar gelado.</p><p>� � o que sou � resmunga ele, sombrio, ao me puxar para um canto.</p><p>� Voc� acabou de comprar uma das fotos?</p><p>� Uma das fotos? � bufa ele, sem tirar os olhos das imagens.</p><p>� Voc� comprou mais de uma?</p><p>Ele revira os olhos.</p><p>� Comprei todas, Anastasia. N�o quero estranho nenhum cobi�ando voc� na privacidade de sua casa.</p><p>Minha primeira rea��o � rir.</p><p>� E voc� prefere que seja voc�? � zombo.</p><p>Ele me encara, surpreendido por minha ousadia, acho, mas contendo o riso.</p><p>� Pra falar a verdade, sim.</p><p>� Pervertido � gesticulo com a boca para ele e mordo o l�bio inferior para conter um sorriso.</p><p>Ele fica boquiaberto, e, agora, seu divertimento � �bvio. Ent�o, acaricia o queixo, pensativo.</p><p>� Ta� algo que n�o posso negar, Anastasia. � Ele balan�a a cabe�a, e seu olhar se suaviza com um toque de humor.</p><p>� Eu poderia desenvolver mais o assunto, mas assinei um termo de confidencialidade.</p><p>Ele suspira, olhando para mim com seus olhos escuros.</p><p>� As coisas que eu gostaria de fazer com essa sua boca atrevida... � murmura.</p><p>Suspiro, sei muito bem o que ele quer dizer.</p><p>� Que grosseria. � Tento parecer chocada, e consigo. Ser� que ele n�o tem limites?</p><p>Ele ri para mim, divertindo-se, e, em seguida, franze a testa.</p><p>� Voc� parece muito descontra�da nessas fotografias, Anastasia. Normalmente n�o vejo voc� assim.</p><p>O qu�? Uau! Isso � o que eu chamo de desviar o foco da conversa � de brincalh�o a s�rio num instante.</p><p>Fico vermelha e olho minhas m�os. Ele inclina a cabe�a para tr�s, e eu inspiro profundamente ao sentir o contato de seus longos dedos.</p><p>� Queria que voc� se sentisse descontra�da desse jeito quando est� comigo � sussurra. Todo resqu�cio de humor se foi.</p><p>Dentro de mim aquela sensa��o de alegria se agita novamente. <emphasis>Como pode?</emphasis> Temos tantos problemas.</p><p>� Voc� precisa parar de me intimidar se � isso que quer � rebato.</p><p>� E voc� precisa aprender a se comunicar e a me dizer como se sente � revida ele, os olhos brilhando.</p><p>Respiro fundo.</p><p>� Christian, voc� queria que eu fosse uma das suas submissas. � a� que est� o problema. Na pr�pria defini��o de submissa, que voc� chegou at� a me mandar por e-mail uma vez � fiz uma pausa, tentando lembrar as palavras exatas �, acho que os sin�nimos eram, abre aspas: d�cil, agrad�vel, passiva, domin�vel, paciente, am�vel, inofensiva, subjugada. Eu n�o podia olhar pra voc�. N�o podia falar, a menos que voc� me desse permiss�o. O que voc� espera? � resmungo para ele.</p><p>Ele pisca e franze ainda mais a testa � medida que continuo.</p><p>� � muito confuso estar com voc�. Voc� n�o aceita que eu o desafie, mas voc� gosta do meu atrevimento. Voc� quer obedi�ncia, exceto quando n�o quer, para que possa me punir. Eu simplesmente n�o sei como me portar quando estou com voc�.</p><p>Ele aperta os olhos.</p><p>� Boa resposta, como sempre, Srta. Steele � sua voz est� g�lida. � Venha, vamos comer.</p><p>� Mas n�s chegamos h� meia hora.</p><p>� Voc� j� viu as fotos e j� falou com seu amiguinho.</p><p>� O nome dele � Jos�.</p><p>� Voc� j� falou com Jos�, o sujeito que, na �ltima vez em que o vi, estava tentando enfiar a l�ngua em sua boca hesitante enquanto voc� ca�a de b�bada e passava mal � rosna ele.</p><p>� Ele nunca me bateu � revido.</p><p>Christian fecha a cara para mim, a f�ria emanando de cada poro.</p><p>� Golpe baixo, Anastasia � sussurra, amea�adoramente.</p><p>Fico p�lida, Christian passa as m�os pelos cabelos, arrepiando-se de raiva mal contida. Fito seus olhos.</p><p>� Vou levar voc� para comer alguma coisa. Voc� est� prestes a desaparecer na minha frente. Ande, v� se despedir daquele garoto.</p><p>� Por favor, n�o podemos ficar um pouco mais?</p><p>� N�o. V� se despedir dele. Agora.</p><p>Eu o encaro, o sangue fervendo. Maldito Senhor Man�aco por Controle. Raiva � bom. Raiva � melhor do que l�grimas.</p><p>Afasto os olhos dele e dou uma olhada ao redor, � procura de Jos�. Ele est� conversando com um grupo de jovens mulheres. Saio pisando duro, aproximando-me dele e afastando-me do meu Cinquenta Tons. S� porque me trouxe aqui, sou obrigada a fazer o que ele quer? Quem ele pensa que �?</p><p>As meninas est�o atentas a cada palavra de Jos�. Uma delas se assusta ao me ver. Sem d�vida, me reconheceu dos retratos.</p><p>� Jos�.</p><p>� Ana. Com licen�a, meninas � ele sorri para elas e passa o bra�o ao meu redor. De certa forma, fico feliz: o Jos� dando uma de gal�, impressionando as mulheres.</p><p>� Voc� parece nervosa � diz ele.</p><p>� Tenho que ir � murmuro, obstinada.</p><p>� Mas voc� acabou de chegar.</p><p>� Eu sei, mas Christian precisa voltar. As fotos est�o lindas, Jos�. Voc� � muito bom.</p><p>Ele sorri.</p><p>� Foi muito bom ver voc�.</p><p>Jos� vira meu corpo e me aperta num longo abra�o, de forma que consigo ver Christian do outro lado da galeria. Est� de cara feia, e percebo que � porque estou nos bra�os de Jos�. Ent�o, num movimento bastante calculista, passo as m�os ao redor de sua nuca. Acho que Christian est� prestes a ter um ataque. Seu olhar torna-se tenebroso, e, lentamente, ele caminha at� n�s.</p><p>� Obrigada por me falar das fotos � murmuro.</p><p>� Merda. Foi mal, Ana. Eu devia ter avisado. Voc� gostou?</p><p>� Hum... N�o sei � respondo com sinceridade, momentaneamente surpreendida pela pergunta.</p><p>� Bem, foram todas vendidas, ent�o algu�m gostou. N�o � legal? Voc� � praticamente uma modelo � ele me aperta ainda mais � medida que Christian chega, de cara feia, embora, por sorte, Jos� n�o possa v�-lo.</p><p>Ele me solta.</p><p>� V� se n�o desaparece, Ana. Ah, Sr. Grey, boa noite.</p><p>� Sr. Rodriguez, muito impressionante � Christian soa friamente educado. � Uma pena que n�s precisemos voltar para Seattle. Anastasia? � ele salienta sutilmente o <emphasis>n�s</emphasis> ao pegar na minha m�o.</p><p>� Tchau, Jos�. Parab�ns de novo. � Dou-lhe um beijo r�pido na bochecha, e, antes que eu perceba, Christian me arrasta para fora do pr�dio. Sei que ele est� fervendo de raiva silenciosa, mas eu tamb�m.</p><p>Ele olha rapidamente para um lado e para o outro da rua, ent�o vai para a esquerda e, de repente, puxa-me para um beco, empurrando-me com for�a contra a parede. Segura meu rosto entre as m�os, for�ando-me a encarar seus determinados olhos em chamas.</p><p>Eu suspiro, sua boca investe rapidamente contra a minha. Est� me beijando, violentamente. Nossos dentes se batem por um instante, em seguida, sua l�ngua est� dentro de minha boca.</p><p>O desejo explode dentro de mim feito fogos de artif�cio, e eu o beijo de volta com o mesmo fervor, passando as m�os por entre seus cabelos, puxando-os com for�a. Ele geme, um som baixo e sexy que vem do fundo de sua garganta e reverbera em mim. As m�os dele movem-se por meu corpo at� o alto de minha coxa, os dedos cravando a carne atrav�s do vestido ameixa.</p><p>Derramo toda a ang�stia e todo o sofrimento dos �ltimos dias nesse beijo, atando-o a mim, at� que me dou conta � no meio daquele momento de paix�o cega � que ele est� fazendo o mesmo, ele sente o mesmo que eu.</p><p>Ele interrompe o beijo, ofegante. Seus olhos est�o inundados de desejo, o que desperta o j� aquecido sangue que corre em meu corpo. Minha boca est� entreaberta, e tento levar um pouco de ar para meus pulm�es.</p><p>� Voc�. �. Minha � rosna, enfatizando cada palavra. Ele se afasta de mim e se agacha, mantendo as m�os nos joelhos como se tivesse acabado de correr uma maratona. � Pelo amor de Deus, Ana.</p><p>Eu me recosto contra a parede, ofegante, tentando controlar a desordem que toma conta de meu corpo, tentando encontrar meu ponto de equil�brio de novo.</p><p>� Sinto muito � sussurro assim que recupero o f�lego.</p><p>� Acho bom. Eu sei o que voc� estava fazendo. Voc� quer aquele fot�grafo, Anastasia? Ele obviamente sente algo por voc�.</p><p>Fico vermelha e nego com a cabe�a.</p><p>� N�o. Ele � s� um amigo.</p><p>� Passei toda a minha vida adulta tentando evitar emo��es extremas. Mas voc�... voc� desperta sentimentos em mim que me s�o completamente desconhecidos. � muito... � ele franze a testa, procurando a palavra certa. � Perturbador.</p><p>Ele se levanta.</p><p>� Eu gosto de ter controle, Ana, mas com voc� isso... � seu olhar � intenso � desaparece... � Ele acena vagamente com a m�o, passa os dedos por entre os cabelos e respira fundo.</p><p>Por fim, ele segura minha m�o:</p><p>� Venha, n�s precisamos conversar, e voc� precisa comer.</p></section></body><binary id="cover" 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